14.300 – Dr Garibaldo – Por que na peste bubônica médicos usavam máscaras com “bico de pássaro”?


garibaldo
Causada por uma bactéria transmitida por pulgas de animais pequenos (principalmente ratos), a peste bubônica foi uma das doenças mais temidas do mundo. Com sintomas que se assemelhavam aos da gripe, incluindo febre, dor de cabeça e vômito, a enfermidade evoluía para inflamação dos gânglios linfáticos e, sem tratamento, provocava morte de 30% a 90% dos infectados em um período de dez dias. Não à toa, a pandemia que assolou Europa, Ásia e África no século 14 e vitimou 50 milhões de pessoas (cerca de um terço da população europeia na época) ficou conhecida como “Peste Negra”.
No século 17, novos surtos da doença fizeram surgir uma imagem que se tornou emblemática e até hoje é associada à peste: médicos com um vestido que os cobria da cabeça aos pés e uma máscara com um bico de pássaro. A razão por trás dos trajes esquisitos (e levemente assustadores) é o desconhecimento científico acerca das causas da doença.

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Naquela época, a teoria corrente para a disseminação de doenças infecciosas era a miasmática. Formulada pelo médico inglês Thomas Sydenham e o italiano Giovanni Maria Lancisi, defendia que as moléstias tinham origem nos miasmas, o conjunto de odores fétidos que vinham de matéria orgânica em putrefação e da água contaminada. Eles causariam um desequilíbrio nos fluidos corporais do paciente, e acreditava-se que perfumes fortes poderiam proteger da peste.

A lógica das máscaras era justamente essa: evitar que o miasma chegasse ao nariz dos médicos. Preenchidas com teriaga, uma combinação com mais de 55 ervas e outras especiarias que desde a Grécia Antiga era tida como um antídoto para qualquer envenenamento, a ideia era que a forma de bico proporcionasse tempo o suficiente para purificar o ar.
O responsável pela criação foi o médico Charles de Lorme, que cuidou da realeza francesa durante o século 17, entre eles o rei Luís XIII. Além da máscara esquisita, o visual era composto por uma camisa por dentro de calças que se conectavam a botas, um casaco coberto por cera perfumada, chapéu e luvas feitos de couro de carneiro, além de uma vara para afastar os doentes.
Séculos depois, ficou provado que a roupa só servia mesmo como fantasia — especialmente na Itália, o visual icônico aparecia em peças de teatro do gênero “commedia dell’arte” e no carnaval, utilidade que perdura até hoje (ironicamente, os últimos dois dias do carnaval de Veneza de 2020 foram cancelados por causa da propagação do novo coronavírus).
A teoria microbiana, confirmada no fim do século 19 e aceita até hoje, estabeleceu que os microrganismos são os verdadeiros causadores de inúmeras doenças, entre elas a peste. Os trajes deram lugar aos antibióticos, de fato eficazes e usados até hoje.

MASCARA BICO

14.236 – Aeronáutica – Estes helicópteros valem até R$ 100 milhões, têm cozinha e levam 25 pessoas


helicottero carga
Os helicópteros são mais conhecidos como um meio de transporte ágil para driblar o trânsito de grandes cidades. No entanto, há versões desenvolvidas para situações bem mais críticas, como operações em plataformas de petróleo, missões de guerra e transporte de massa. Esses mesmos helicópteros também podem ser adaptados para versões executivas luxuosas. Um dos modelos mais caros do mundo foi desenvolvido para o transporte do presidente dos Estados Unidos. A versão usada atualmente por Donald Trump é uma variação do Sikorsky S-92, que recebeu a denominação VH-92.
Desenvolvido para missões em plataformas de petróleo, busca e salvamento e combate a incêndio, o helicóptero Airbus H225 Super Puma também pode ser adaptado para o transporte civil. Segundo a Airbus, a versão executiva do modelo é usada principalmente por chefes de Estado e grandes corporações. O H225 Super Puma tem capacidade para 19 passageiros, 5,4 toneladas de carga e autonomia de voo de cinco horas e 40 minutos, com velocidade máxima de 324 km/h. Na versão executiva, o helicóptero pode ser configurado com lounges na frente e atrás, cozinha e banheiros.
O AW101 é um helicóptero multimissão capaz de realizar desde operações de guerra até o transporte executivo. Em sua capacidade máxima, o AW101 pode transportar até 25 passageiros. O helicóptero tem autonomia de voo de 1.400 quilômetros e velocidade máxima de 277 km/h. Ele pode voar por até seis horas e 50 minutos. Na parte interna, o AW101 mede 2,49 metros de largura com 1,83 metro de altura. Na versão executiva, é equipado com poltronas de luxo, estações de trabalho e sistemas de comunicação via satélite.
Além da versão executiva, o Sikorsky S-92 também pode ser utilizado para missões humanitárias, de resgate e operações em plataformas de petróleo. O modelo tem capacidade para 19 passageiros. Segundo a Lockheed Martin, já foram entregues mais de 300 unidades do modelo, que realizaram mais de 1,5 milhão de horas de voo.
O maior modelo da Bell foi também o primeiro helicóptero para uso comercial a usar o sistema de controle de voo computadorizado fly-by-wire. O modelo tem capacidade para até 16 passageiros, tem alcance máximo de 1.037 km e velocidade máxima de 296 km/h. As versões mais luxuosas podem ter capacidade para apenas sete ou oito passageiros, com poltronas mais amplas e giratórias, mesas de trabalho e de refeições. Também pode ser utilizado para missões de resgate, ambulância aérea ou operações em plataformas de petróleo.

14.233 – Você Acredita em Destino?


Não Confunda, você está no ☻Mega Arquivo

“Tudo está determinado, o começo e o fim, por forças sobre as quais não temos controle. É determinado para um inseto, e para uma estrela. Seres humanos, verduras ou poeira cósmica… todos nós dançamos uma música misteriosa, tocada à distância por um músico invisível.” Quem disse isso foi Albert Einstein, numa entrevista publicada em 26 de outubro de 1929 pelo semanal americano The Saturday Evening Post. O repórter não teve presença de espírito, nem tempo, de perguntar quem ou o que seria esse tal músico – logo após a frase, Einstein se levanta e vai para o quarto dormir, encerrando a conversa. Mas as “forças sobre as quais não temos controle” podem ser encontradas na própria ciência: a sequência de fenômenos desde o início dos tempos.
O Universo surgiu do Big Bang, uma explosão ocorrida há 13,7 bilhões de anos. Pelas regras da física newtoniana, as trajetórias de todas as partículas, e eventuais interações entre elas, foram determinadas por esse fenômeno inicial: como se o Universo fosse uma mesa de bilhar, em que a tacada inicial define o movimento de todas as bolas. E isso vale para absolutamente tudo o que existe – inclusive os átomos que formam os neurônios do seu cérebro, com os quais você resolveu ler este texto. Ou seja: o futuro, de certa forma, já foi decidido. Essa é a lógica do determinismo universal, conceito proposto em 1814 pelo físico Pierre-Simon Laplace (um cientista importante, que ficou conhecido como o “Newton francês”).
Você deve estar pensando: ok, bela tese, mas a vida real não é bem assim. De fato, não é. O determinismo de Laplace não leva em conta, por exemplo, a física quântica (pela qual uma partícula pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, como uma bola de bilhar caindo em duas caçapas). E também conflita com a observação mais trivial da realidade. O futuro não está escrito porque você pode decidir, agora mesmo, o que irá fazer. Pode continuar lendo este texto, pode parar e ir fazer outra coisa, pode erguer a mão direita e coçar o nariz, pode fazer inúmeras escolhas dentro de uma lista quase infinita de possibilidades. Mas será que, quando resolve fazer alguma coisa, foi você mesmo que tomou aquela decisão? Nem sempre é isso o que acontece. Muitas vezes, o seu cérebro decide por conta própria – vários segundos antes de você.
A primeira pista disso veio em 1983, numa experiência feita pelo neurologista Benjamin Libet, da Universidade da Califórnia . Nesse teste, seis pessoas foram colocadas na frente de uma espécie de relógio, em que uma bolinha se movia. Elas receberam uma única instrução: deveriam apertar um botão, colocado na mesa à frente, quando quisessem, e depois contar ao pesquisador em que momento fizeram isso (informando qual era a posição da bolinha). Libet monitorou os impulsos elétricos nos músculos e no córtex motor das pessoas, e perguntou a cada uma delas qual era a posição da bolinha quando ela resolveu apertar o botão.
Cruzando as duas informações, ele fez uma descoberta intrigante: o córtex motor entrava em ação até 0,8 segundo antes que as pessoas decidissem, conscientemente, apertar o botão. Em 2008 o cientista John-Dylan Haynes, do Centro de Neuroimagem Avançada de Berlim, replicou o teste com um joystick, que os voluntários deveriam mover. Chegou a um resultado ainda mais impressionante: os córtices frontopolar e medial das pessoas se acendiam até dez segundos antes que elas decidissem, conscientemente, mexer o joystick. Em 2013, Haynes pediu a voluntários que somassem dois números exibidos numa tela – e constatou que os cérebros delas começavam a executar essa tarefa quatro segundos antes que elas decidissem, conscientemente, fazer a conta.
Apertar um botão, mover uma alavanca ou somar dois números são tarefas banais. Até hoje, não há nenhum indício de que o cérebro tome “sozinho” decisões mais complexas, como escolher uma profissão, um cônjuge, ou mesmo o que você vai almoçar hoje. Seria muito difícil provar que isso acontece; se é que acontece. Mas isso não significa que essas escolhas sejam totalmente livres. A pressão evolutiva, a genética e o ambiente em que nossos pais viveram têm efeitos profundos, e às vezes surpreendentes, sobre nós. “À medida que vamos descobrindo como o cérebro funciona, e como os genes fornecem instruções para os circuitos neurais, vemos que nossos comportamentos – desde os mais simples até os mais complexos – parecem ter uma base biológica, hereditária”, afirma Hannah Critchlow, neurocientista da Universidade de Cambridge e autora do livro The Science of Fate (“A Ciência do Destino”, inédito no Brasil). Novos estudos têm revelado que a genética, e sobretudo a epigenética (ativação ou desativação de genes provocada por fatores ambientais), influem mais do que se acreditava sobre o comportamento de cada pessoa. Mas o destino começa a ser escrito bem antes disso. A sua saúde mental, por exemplo, é afetada por um fator que precede a genética: o mês em que a sua mãe engravidou de você.

14.230 – Objeto misterioso de outra galáxia está enviando sinais a cada 16 dias


Vida-no-espaço-Vida-no-vácuo
Rajadas rápidas de rádio (FRB, da sigla em inglês) são um dos fenômenos mais misteriosos da astrofísica. São emissões de radiação na forma de ondas eletromagnéticas que carregam muita energia, vindas de algum lugar do espaço profundo. Os pulsos duram milissegundos – bem menos que um piscar de olhos –, e por isso são tão difíceis de estudar.
Para piorar, as FRBs são totalmente aleatórias. Quando conseguimos encontrar alguma, astrônomos se aventuram em teorizar sobre suas origens, mas dificilmente conseguem identificar com certeza. Na verdade, de mais de cem FRBs identificadas na história, só cinco tiveram seus pontos de origem definidos. E em nenhum dos casos o culpado exato pela emissão foi identificado com precisão.
Agora, um novo elemento apareceu para complicar ainda mais essa história: pela primeira vez, cientistas encontraram um sinal de rádio que não é aleatório, mas que obedece um ciclo temporal definido.

A emissão foi batizada como FRB 180916.J0158+65. Ela foi identificada pela primeira vez pelo radiotelescópio canadense CHIME, em 2016, e aparentemente segue um padrão de 16,35 dias. Por quatro dias, o sinal é identificado algumas vezes. Depois, ele desaparece por 12 dias. Volta a surgir nos quatro dias seguintes, e assim por diante.
Foi o que descobriu a equipe de astrônomos do estudo, que analisou os sinais por mais de um ano, entre setembro de 2018 e novembro de 2019. A pesquisa foi publicada no servidor online arXiv.org.A descoberta é única: a maioria das rajadas rápidas de rádio aparecem apenas uma vez e nunca mais se repetem. Dessa forma, estudá-las e encontrar seus locais de origem é bastante difícil. Algumas vezes, esses fenômenos até aparecem mais de uma vez – mas nunca com um intervalo definido. Nesses casos, os astrônomos até consegue mapear suas rotas e encontrar a galáxia em que elas se originaram.

Os pesquisadores ainda não sabem exatamente o porquê deste novo ciclo observado, mas dá para teorizar. E, pelo menos, não estamos totalmente no escuro: a FRB 180916.J0158+65 é um dos únicos cinco sinais que de fato conseguimos encontrar a origem, já que ela havia se repetido várias vezes após sua primeira identificação. A rajada surgiu uma galáxia espiral há 500 milhões de anos-luz da Terra – a menor distância entre todos os locais de origem de FRBs já identificados. Mais: sabemos que essa região é conhecida por ser um local de intensa formação estelar, e isso ajuda a explicar o mistério.
A periodicidade em si não é uma característica incomum no espaço. Objetos cósmicos como buraco-negros, estrelas e planetas obedecem padrões temporais em seus movimentos, por exemplo. Como as FRBs envolvem quantidades enormes de energia, é provável que elas surjam a partir de eventos extremos envolvendo buracos-negros ou estrelas.
Considerando que o local de origem do novo sinal é uma região de intensa atividade estelar, é possível que um objeto orbitando um buraco-negro seja o responsável pela emissão. Os 16,35 dias podem ser seu período orbital, por exemplo, no qual somente em quatro deles a sua posição permita que identifiquemos as rajadas de radiação. Outra possibilidade, postulada por um estudo separado, é que o sinal venha de uma estrela de nêutrons (que são remanescentes de enormes estrelas defuntas), em um sistema binário com outra estrela, muito maior que ela.
E hipóteses de todos os tipos também já foram levantadas, envolvendo inúmeros objetos e eventos do vasto catálogo cósmico, como magnetares (estrelas de nêutrons com altos valores de campo magnético), blitzars (hipotéticas colisões entre estrelas de nêutrons e buracos negros), colisões entre buracos-negros, entre outros.
Mas a verdade é que ainda não sabemos com certeza. E, nesse caso, uma outra hipótese bastante interessante encontra lugar para emergir, inclusive entre alguns cientistas: poderia a periodicidade das emissões ser fruto de atividade alienígena inteligente?
Seria algo extremamente animador para amantes de teoria da conspiração, mas a resposta é quase certamente não. Rajadas rápidas de rádio como as identificadas liberam dezenas de milhares de vezes mais energia que nosso Sol. É mais provável, então, se tratar de um fenômeno cósmico mesmo.

14.215 – Biologia – Aranhas Venenosas


☻ Mega Arquivo – 32º Ano

 

armadeira

As aranhas são animais invertebrados que pertencem ao filo dos artrópodes e classe dos aracnídeos. Enquanto algumas são inofensivas, outras podem injetar veneno e representam perigo ao homem e a outros animais vertebrados.
A picada da aranha pode ocasionar vermelhidão, dor, inchaço, dor de cabeça e em casos mais graves, a morte do indivíduo. Tudo irá depender da espécie, quantidade de veneno injetado e das características corporais da vítima.
A aranha armadeira (Phoneutria sp.) é considerada a mais perigosa do mundo, sendo encontrada no Brasil. Várias espécies de aranhas-armadeiras são encontradas na América do Sul. No Brasil, é uma das aranhas que mais causam acidentes.
É uma espécie agressiva e o seu veneno em grande quantidade pode levar uma pessoa a morte. Para se ter uma ideia, apenas 0,006 mg do seu veneno é suficiente para matar um rato. E não é só, o veneno da aranha armadeira pode atuar de forma mais rápida do que o de muitas serpentes!
Já foram notificados casos de mortes de pessoas em virtude do veneno da aranha-armadeira, inclusive no Brasil. Atualmente, já existe antidoto contra o veneno desta tão perigosa aranha.
Algumas vezes a picada da aranha-marrom pode passar despercebida, até que sejam notadas alterações no local afetado, tais como: feridas, inchaço, vermelhidão e bolhas. No local da picada pode ocorrer a necrose, ou seja, a morte do tecido.
Apesar de não ser uma aranha agressiva, casos de acidentes com humanos já foram notificados. O mais comum é ser surpreendido pela presença da aranha em ambiente doméstico, onde é encontrada dentro de sapatos ou misturada na roupa de cama.
A aranha-teia-de-funil (Atrax robustus) é nativa da Austrália, o seu nome deve-se ao fato de elaborar teias que assemelham-se a funis.
O veneno da aranha-teia-de-funil é um dos mais perigosos e pode ser fatal para os humanos ao afetar o sistema nervoso. Essas aranhas são agressivas e usam as patas para se prender as suas pressas e injetar seu veneno.
A aranha-teia-de-funil já fez diversas vítimas na Austrália. Na década de 80 foi formulado um antídoto contra o veneno da aranha-teia-de-funil, a partir daí não foi registrada mais nenhuma morte relacionada a acidentes com essa aranha.
A aranha viúva-negra (Latrodectus mactans), conhecida por matar e alimentar-se do macho após a cópula, é encontrada em toda a América.
Apenas as fêmeas picam os seres humanos e causam acidentes. A picada causa dor, cãibras no local atingido e conforme o veneno se espalha pelo corpo, outros sintomas mais intensos vão surgindo. Sem a ajuda médica, a vítima pode morrer.
A aranha-rato (Missulena occatoria) é encontrada na Austrália, e o seu nome deriva do fato das mesmas cavarem tocas para servir de esconderijo dos predadores e um local seguro para guardar os seus ovos e filhotes.
Apesar de não serem agressivas, as aranhas-rato possuem um veneno poderoso, mas com poucos casos de acidentes registrados.
A aranha-de-costas-vermelha (Latrodectus hasseltii) é nativa da Austrália e introduzida em diversos locais do mundo. Ela destaca-se pela presença de faixa longitudinal vermelha na parte superior do abdômen.
Do mesmo modo que as viúvas-negras, as aranhas-de-costas-vermelhas também se alimentam dos machos após a cópula.
A sua picada causa dor intensa, seguida de sudorese, espasmos musculares, taquicardia, náuseas e vômitos. Até o momento da descoberta da vacina contra o seu veneno, a aranha-de-costas-vermelha foi responsável pela morte de algumas pessoas.
A aranha-da-areia (Sicarius sp.) recebe esse nome pois usa a areia para se camuflar, isso porque habita os desertos da África e América do Sul.
A sua picada provoca dor, necrose do tecido atingido, lesões e outras complicações, conforme o veneno se espalha pelo organismo, podendo levar a morte. Ainda não existe antídoto contra o veneno da aranha-da-areia.
Curiosidades
As aranhas podem ser seres pavorosos para algumas pessoas, as quais desenvolvem medo extremo desses animais, o que é chamado de aracnofobia.
Acredita-se que 5% da população mundial seja afetada pela aracnofobia.

viuvanegra

14.213 – Biodiversidade – Cruzamento de espécies cria novo tipo de lobo


lobo coiote
Assim como algumas pessoas não querem admitir, os lobos, confrontados com uma escassez de parceiras sexuais, não se conformaram em diminuir sua necessidade reprodutiva. Por isso, na opinião dos biólogos, os lobos que viviam no sul da província canadense de Ontário começaram, há um século ou dois, a se acasalarem com cães e coiotes. O desmatamento de florestas com fins agrícolas e a perseguição que os seres humanos faziam aos lobos, dificultaram a preservação da espécie. Mas esse mesmo desflorestamento causou a disseminação dos coiotes em áreas antes exclusivas dos lobos, além da presença de cachorros trazidos pelos agricultores.

Os cruzamentos entre espécies de animais em geral resultam em descendentes menos vigorosos e que, às vezes, não sobrevivem à mistura de raças. Mas a combinação do DNA do lobo, do coiote e do cão gerou uma exceção. Os novos animais extraordinariamente bem constituídos e em número cada vez maior espalharam-se pela região leste da América do Norte. Alguns chamam essa nova espécie de coiote oriental. Outros apelidaram o animal de “coywolf”. Qualquer que seja o nome, de acordo com o pesquisador Roland Kays da Universidade da Carolina do Norte, em Raleigh, o número de animais já superou um milhão.
A mistura de genes que criou o coywolf teve uma evolução mais rápida, com um maior número de animais e mais alterações genéticas do que seria previsível. Embora o DNA do coiote seja o dominante, em média um décimo do material genético de um coywolf é de um cão e um quarto de um lobo. A herança genética de lobos e cães, em especial de cães de grande porte como doberman e pastor alemão, beneficiou o DNA dos coywolves. Com 25 quilos ou mais, muitos coywolves têm o dobro do peso de coiotes de raça pura. Com maxilares maiores, mais músculos e um passo mais rápido, um coywolf pode derrubar um pequeno cervo. E uma matilha é capaz de matar um alce adulto.
Os cientistas e biólogos ainda discutem se o coywolf pode ser classificado como uma nova espécie. As espécies, na definição geral das categorias taxonômicas, são seres morfologicamente semelhantes e que cruzam entre si gerando descendentes. Assim, nessa linha de raciocínio, como os coywolves continuam a se acasalar com cães e lobos, eles não se classificam como uma espécie animal. Mas, dada a forma como os coywolves surgiram, nessa definição os lobos e cães também não podem ser considerados espécies diferentes porque se acasalam e, ainda em uma extensão desse raciocínio, os cães seriam espécies evolutivas dos lobos selvagens que foram sendo aos poucos domesticadas.
Na verdade, o conceito de “espécies” foi criado pelos seres humanos. E como a discussão anterior mostrou esse conceito não tem uma definição precisa. O exemplo do coywolf mostra que a evolução não é o simples processo de cruzamento de espécies descrito nos livros didáticos.

14.211 – Mega Vocabulário – O que significa a expressão porco chauvinista?


chovinista
É um termo pejorativo. Alguém que assume posição de nacionalista extrema.
Não havia para ele senão o seu país, terra sem defeitos, sem dever favores a nenhum outro, positivamente soberana; mal enxergava seus próprios pés, era um poco chauvinista.
Chauvinismo ou chovinismo (do francês chauvinisme) é o termo dado a todo tipo de opinião exacerbada, tendenciosa ou agressiva em favor de um país, grupo ou ideia. Associados ao chauvinismo frequentemente identificam-se com expressões de rejeição radical a seus contrários, desprezo às minorias, narcisismo, mitomania.
O termo deriva do nome de Nicolas Chauvin, soldado do Primeiro Império Francês, que sob o comando de Napoleão demonstrou seu enorme amor por seu país sendo ferido dez vezes em combate, mas sempre retornando aos campos de batalha.
Inicialmente, o vocábulo foi usado para designar pejorativamente o patriotismo exagerado, sendo posteriormente adotado para outros casos.
O chauvinismo resulta de uma argumentação falsa ou paralógica, uma falácia de tipo etnocêntrico. Em retórica, consubstancia-se em alguns dos argumentos falsos chamados ad hominem que servem para persuadir com sentimentos em vez de razão quem reage mais àqueles que a estes. A prática nasceu fundamentalmente com a crença do romantismo nos “caracteres nacionais” (“Volksgeist”, Espírito do Povo, em alemão).

14.190 – Chuva de Diamantes no Espaço


diamantes em Netuno
Pesquisadores da Nasa planejam enviar missões a Netuno para explorar a chamada chuva de diamantes, um fenômeno que se forma na atmosfera ultra-densa do planeta em função da pressão exercida sobre os átomos de carbono, que se transformam em nuvens e chuvas de diamantes. Dá para imaginar uma chuva dessas?
Netuno está localizado a 4 bilhões de quilômetros da Terra, o que dificulta muito uma viagem espacial. Ainda assim, o interesse de explorar as riquezas desse planeta faz com que os homens quebrem a cabeça pensando numa alternativa para chegar até lá. Segundo especialistas, uma viagem espacial para Netuno numa nave convencional demoraria cerca de 30 anos.
Há quem pense que o esforço vale a pena. Em Netuno e em Urano o ar é tão denso que chove diamante. Alguns estudos também dão conta de que a superfície dos planetas é repleta de diamantes e que existe ainda a possibilidade de haver oceanos de diamante líquido e icebergues de diamantes nos dois planetas. Qualquer pessoa ficaria feliz em explorar essas riquezas, não?
ideia dos pesquisadores é construir uma vela de 250 mil metros quadrados, que seria inflada pela luz do Sol. Esse equipamento alcançaria uma supervelocidade e chegaria a Netuno em três anos.
Por enquanto, tudo está apenas no campo das ideias, mas quem sabe um dia o homem não seja realmente capaz de explorar a curiosa chuva de diamantes de Urano e Netuno.

14.186 – Como se Forma o Granizo


granizo
As gotas de água que se evaporam dos rios, mares e da superfície terrestre, quando chegam às nuvens e encontram temperaturas abaixo de -80°C, viram gelo. Congelado, o vapor de água fica com mais peso do que a nuvem pode aguentar e cai, em forma de pedra de gelo, que chamamos de granizo.
A chuva de granizo, no entanto, não acontece nas regiões polares. O motivo? É que o granizo só se forma em um único tipo de nuvem, a cumulonimbus, também responsável por trovões e relâmpagos. Essa nuvem atinge até 25 km de altitude a partir da linha do Equador. “E ela só aparece nas regiões mais quentes”, explica Mario Festa, professor de Meteorologia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo. Isso acontece porque ela se forma graças a temperaturas elevadas e alto índice de umidade relativa do ar, mais raro nos países frios.
A ocorrência do granizo, portanto, é mais frequente nas regiões equatoriais, e vai diminuindo
gradativamente ao longo das regiões tropicais, extratropicais e temperadas. “Por isso, em algumas épocas do ano é até possível ter chuva de granizo na Escandinávia, mas é raro. Já nos polos, realmente, nunca foi registrada”, diz o professor.
A pedra de gelo tem, em média, 0,5 a 5 centímetros de diâmetro, mas isso pode variar. Nos Estados Unidos, na década de 1970, foi registrado um granizo com 14 centímetros de diâmetro, com 750 gramas.

14.182 – Projeções – Moeda privada ou cripto da China: qual vai substituir o dólar nas próximas décadas?


bitcoin
A história do dinheiro tem milhares de anos e, durante boa parte desse período, as moedas funcionaram de um jeito bastante diferente do atual.
Por muitos anos, elas foram lastreadas em algum outro ativo, em geral, prata e ouro. Apenas em 1971, após o fim do acordo de Bretton Woods, passamos a ter o experimento de ver moedas sem lastro algum – e a ascensão do dólar como a principal moeda aceita globalmente.
O dólar é atualmente contraparte de mais de 88% dos trades de moedas. Além disso, mais de 40% do comércio mundial está cotado nele.
Apesar de 50 anos não ser um período histórico muito longo, é tempo suficiente para nossa geração ter esse sistema como padrão e temer qualquer mudança que venha a ocorrer.
Além dessa hegemonia do dólar, temos hoje uma aceleração das mudanças para todo lado que olhamos e uma imensa globalização, padronização de processos, regulamentações etc.
A adoção de smartphones e o fato de o WeChat sair de quase nada para ser tornar um dos dois principais meios de pagamento na China em menos de cinco anos são exemplos disso.
É nesse ambiente borbulhante de mudanças, cada vez mais global e padronizado – e com a hegemonia do dólar –, que uma tecnologia que tem como um dos principais pilares a não-necessidade de intermediários vem causando um alvoroço enorme: o Blockchain.
Sua criação está associada ao seu primeiro caso de uso, a criptomoeda Bitcoin, mas hoje é uma plataforma para desenvolvimento de várias soluções para esse novo mundo.
O Bitcoin é o maior experimento recente de criação de uma moeda que não seja associada a governo, mas sofre de uma dificuldade de massificação devido, na minha opinião, a dois fatores: transferência do controle da vida monetária para o usuário e anonimato.
O primeiro fator requer uma adaptação do usuário final, que não tem mais um call-center ou agência para recorrer caso perca a senha (chave privada de acesso).
Já o segundo tem a ver com a não aceitação por parte dos reguladores de um sistema onde eles não tenham controle sobre os movimentos financeiros do indivíduo dentro (ou fora) de sua área de influência.
Dito isso, surgiu a ideia de usar a tecnologia para a criação de uma moeda digital privada lastreada em uma moeda fiduciária, a Stablecoin.
Uma das primeiras Stablecoins, e certamente a maior hoje, é o Tether, que tem uma liquidez mundial maior que o próprio Bitcoin. Mas ele não é o único.
Ao longo de 2019, diferentes maneiras de se fazer uma Stablecoin estão sendo testadas e lançadas nas mais diversas jurisdições, lastreadas em inúmeras moedas fiduciárias do mundo.
E aí chegamos à Libra. Uma Stablecoin criada por uma associação que tem o Facebook como seu principal proponente e que, em vez de ser lastreada em uma única moeda fiduciária, propôs a alternativa de ter como lastro uma cesta de ativos.
Essa associação, por começar com aproximadamente 5 bilhões de usuários (somente considerando Facebook, WhatsApp e Instagram), causou um alvoroço gigante em reguladores e bancos centrais.
Tanto é que um estudo do BIS, publicado recentemente, que não se refere diretamente à Libra, mas ao que chamam de GCS (Global Stablecoin), levanta 13 aspectos em que elas trazem riscos/desafios.
Esses aspectos vão dos conhecidos lavagem de dinheiro, segurança cibernética e impostos à integridade do mercado financeiro global, poder das políticas monetárias dos países e ambiente competitivo.
Vale ressaltar que todas as Stablecoins nascem com seus devidos lastros, assim como as moedas antes da década de 1970 tinham seus lastros em dólar ou prata.
Elas são, em geral, representações no campo digital de moedas fiduciárias, mas o grande risco é que, caso sejam aceitas e negociadas por milhões de pessoas, possam romper essa regra e se tornar como as moedas fiduciárias atuais, só que sem um governo.
A recomendação do estudo é que a circulação de Global Stablecoins só seja permitida depois de autorizada por todo e qualquer país que possa ser impactado.
Esse ambiente regulatório mais hostil associado a uma reunião para definição dos papeis dos vários membros da associação contribuíram para a saída de diversas empresas da associação, notadamente Paypal, Visa, Mastercard e Booking.
Mais recentemente, notícias sobre a possibilidade de a Libra lançar Stablecoins uni-fiat, ou seja, várias Stablecoins cada uma associada a uma moeda fiduciária específica, pode dar um novo rumo ao projeto, já que as aprovações ficariam no nível local de cada regulador, como já ocorre hoje com todas as Stablecoins que estão operando.
Isso ajudaria e muito na aprovação e, de posse de todas as Stablecoins uni-fiat, em um segundo momento, seria constituída a Libra como proposto no whitepaper inicial. A ver.

Do outro lado da questão, vemos os bancos centrais em uma corrida desenfreada para a criação de sua própria moeda digital. E aqui, como tem se tornado cada vez mais recorrente quando o tema é tecnologia, a China está despontando como a primeira potência a fazer o lançamento da sua moeda digital, que por muitos está sendo chamada de e-yuan.
Para um país que, em menos de dez anos, saiu de uma economia onde as transações eram feitas majoritariamente em papel moeda, para uma em que os pagamentos são feitos essencialmente via Q-code e smartphones, sendo que há reports de vários lugares onde cartões (crédito e/ou débito) não são mais aceitos, isso não é de se surpreender.
Ser um dos primeiros, ou o primeiro país, a ter sua moeda digitalizada é uma vantagem enorme no campo mundial.
A moeda digital permite, entre outras coisas, uma fluidez muito maior nos fluxos, com uma desintermediação imensa, além de um possível controle mais amplo sobre os dados relativos a cada transação (a depender da arquitetura de dados escolhida).
Vale ressaltar que a moeda chinesa não é uma das que têm a maior circulação do mundo, e talvez essa migração para uma moeda digital possa ser um passo importantíssimo nesse rumo.
Além da China, nos Estados Unidos e na Europa, incluindo a Inglaterra (que em algum momento vai virar a página da “never ending story” do Brexit, e voltará a focar no que precisa), as discussões sobre a emissão de uma moeda digital do governo estão bastante quentes.
Mas, até onde sei, as previsões de implementação estão bastante defasadas em relação à China.
A verdade é que a caixa de pandora aberta pela criação do Bitcoin estava de certa forma controlada pelos governos, mas, com o surgimento da Libra, ela foi escancarada e obrigou todos os governos a encarar o problema de frente.
O fato de a moeda não precisar ser obrigatoriamente função ou monopólio de governos os afeta diretamente.
Com isso, uma corrida pela nova moeda hegemônica global se instaurou. Será uma moeda de governo ou uma moeda privada? Saberemos em breve.

14.180 – Hyundai e Uber mostram seu carro voador


carro voador
A montadora sul-coreana Hyundai e a Uber anunciaram
durante a CES 2020 que estão desenvolvendo um carro
voador, que deve ser utilizado pela empresa de caronas
em 2023. A promessa das companhias é que este veículo,
chamado de S-A1, será capaz de transportar cinco passageiros
pelos céus e que, um dia, possa até abolir o piloto humano.
Este projeto faz parte da visão da Urban Air Mobility (UAM)
da Hyundai, com o chamado Veículo Aéreo Pessoal (PAV)
usando decolagem vertical e motores elétricos para aliviar o congestionamento da estrada.

A Hyundai será responsável pela fabricação do S-A1.
Espera-se que tenha vários rotores – para eficiência e segurança –
e um sistema de acionamento de para-quedas, se o pior acontecer.
Ele também será desenvolvido com baixo nível de ruído em mente,
para evitar perturbar as áreas urbanas nas quais as aeronaves devem operar.

Enquanto isso, a Uber cuidará das operações, sob a marca Uber Elevate.
“A Hyundai é nosso primeiro parceiro de veículos com experiência na
fabricação de automóveis de passageiros em escala global”, explicou
Eric Allison, diretor da Uber Elevate, ontem (06) durante a CES.
“Acreditamos que a Hyundai tem potencial para fabricar os veículos do Uber Air
a taxas nunca vistas na indústria aeroespacial atual, produzindo aeronaves confiáveis
​​e de alta qualidade em grandes volumes para reduzir os custos de passageiros por viagem
. Combinar o poder de fabricação da Hyundai com a plataforma de tecnologia da Uber representa um grande salto para
o lançamento de uma vibrante rede de táxis aéreos nos próximos anos”.
O conceito de uso deste carro, segundo a Hyundai e a Uber, parte de uma rede de centros de pouso espalhados por áreas urbanas,
descritas como espaços de mobilidade geral. Esses centros funcionariam como lugares para os PAVs aterrissarem,
bem como para passageiros e carga se reunirem. Um outro veículo seria usado para transportar pessoas ou itens
para o hub e atracar em seus raios periféricos.
No centro do hub, haveria um lounge e uma área de preparação.
Os PAVs decolam do Skyport por cima e transportarão passageiros pela cidade.
No outro extremo, outro PBV poderá levá-los ao destino final ou vincular-se a outras opções de transporte público.

A Uber diz que pretende lançar o modelo em 2023, embora isso dependa de obstáculos tecnológicos e regulatórios.

14.161 – Inventos – O Trator


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Depois da Revolução Industrial do século XVIII, as máquinas foram rapidamente desenvolvidas. A tração a vapor surgira com a finalidade de realizar trabalhos pesados, principalmente o deslocamento de produtos e madeiras. Porém, passaram, gradualmente, a serem empregadas para puxarem arados aplicados ao trabalho agrícola.
No ano de 1904, Benjamin Holt (1849-1920) soluciona o problema devido a fragilidade dos carros utilizados até então que atolavam com facilidade, criando um veículo equipado com esteiras no lugar de rodas. Quase três décadas depois, as rodas de metal foram substituídas por rodas de borracha, com grande aro, o que diminuía o peso do veículo e aumentava a aderência junto ao solo.
O termo trator surgiu em 1906, como forma de substituir o longo termo Traction Engine.
Quando os fabricantes de automóveis começaram a optar pelo motor de combustão interna, eles também estavam de olho no mercado agrícola. Os motores a gasolina deveriam ser ajustados para trabalhos mais pesados e vendidos a fazendeiros.
A primeira versão de tratores com motor a gasolina foi desenvolvida pelo americano John Froelich, que construiu um modelo bem sucedido. A Ford foi a primeira fabricante em série de tratores com motor a gasolina em 1912. Foi o primeiro trator leve produzido em grande escala.

14.152 – Mega Curiosidades – Quantos Amperes tem Um Raio?


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Durante a chuva, o granizo e as gostas de chuva presentes nas nuvens concentram carga elétrica negativa, enquanto os cristais de gelo e a água concentram carga elétrica positiva. A diferença entre as cargas gera uma tensão elétrica que dá origem aos raios.
Segundo o engenheiro eletricista Maurício Ferraz, a potência dos campo elétrico nas nuvens em que os raios se formam pode chegar a mil gigawatts. Ou seja, uma potência 100 mil vezes maior do que a encontrada em redes de alta tensão.
Um raio comum costuma ter intensidade de 30 mil amperes, isso equivale a intensidade de mil chuveiros elétricos.
Mito
Já ouviu aquela história de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar? Pois é, ele pode cair sim. Há locais com grande incidência de raios. O Cristo Redentor, por exemplo, é atingido por cerca de 6 raios todos os anos.
Os raios não caem apenas durante as tempestades. Além de dias de chuva, eles também podem se formar em outras situações. Erupções vulcânicas e tempestades de neve e areia, por exemplo, podem envolver atrito de partículas e criação de cargas elétricas, que geram raios.
A chance de uma pessoa ser atingida por um raio é de 1 em 1 milhão. mas, se ela estiver numa área descampada enquanto muito forte, essa chance é de 1 em mil. Como foi o caso dos banhistas que recentemente foram atingidos por raios numa praia no litoral sul de São Paulo.
Quando um raio atinge alguém, a sua corrente elétrica pode causar queimaduras, além de outros danos. A maioria das mortes causadas por raios é por causa de paradas cardíacas e respiratórias. Por outro lado, quem é atingido e consegue sobreviver, pode sofrer de problemas psicológicos e físicos por um longo período.
De acordo com o Inpe, um em cada 50 mortes por raios no mundo acontece no Brasil. Cerca de 1.672 pessoas morreram por causa de raios no país entre os anos de 2000 e 2013, segundo o órgão.
Até o mês de novembro de 2014, 84 pessoas haviam morrido por causa de raios no Brasil. Em função do calor intenso e do alto nível de umidade, a incidência de raios no país é maior entre os meses de outubro a março.
De acordo com pesquisas recentes, a incidência de raios tem crescido em áreas urbanas. Isso estaria ligado ao aumento da poluição e da temperatura nesses locais.
Alocalidade de Kamemebe, situada na África Central, tem a maior incidência de raios do mundo. A média anual na região é de 33 raios por quilômetro quadrado.
Brasil
A incidência de dezenas de milhões de raios no Brasil se deve ao fato da maior parte do país se encontrar na zona tropical, que é uma área do globo mais favorável à formação de tempestades.
No Brasil, a região entre Coari e Manaus tem a maior incidência de raios. De acordo com o Inpe, a ocorrência de raios nessa área nas próximas décadas deve se tornar cada vez mais comum.
Já quando é considerada a incidência por município, Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, está no topo da lista. A média da cidade é de 13 raios por quilômetro quadrado todos os anos.
Embora tenha potência elétrica grande, a pequena duração dos raios faz com que eles não gerem muita energia. Em média, um raio gera em torno de 300 quilowatts/hora, o que equivale ao consumo mensal de uma pequena residência.
Um raio é extremamente veloz. Ele dura no máximo 2 segundos e consegue percorrer distâncias de até 5 quilômetros nesse tempo.
Para os especialistas, raio e relâmpago são coisas diferentes. Enquanto relâmpago é qualquer descarga elétrica gerada por nuvens de tempestade, o raio é uma descarga elétrica desse tipo que se conecta com o solo. Logo, todo raio é um relâmpago, mas nem todo relâmpago é um raio.
Algumas pessoas confundem raio e trovão. O trovão é o som produzido pelo aquecimento e expansão do ar nas regiões da atmosfera percorridas pela corrente dos raios. A intensidade de um trovão pode chegar a 120 decibéis, ou seja, para os seus ouvidos é como se você estivesse nas primeiras fileiras de um show de rock. No entanto, apesar de ser ensurdecedor, o trovão é, em geral, inofensivo.
Existe um jeito simples para saber a distância aproximada em quilômetros de um raio. Basta contar os segundos entre o momento em que se vê o raio e o instante em que se escuta o trovão e dividi-los por três, então você terá a distância.
No futuro, regiões que registram médias anuais de mais de cinco raios por quilômetro quadrado poderão usá-los como fonte de energia. Uma torre capaz de captar os raios em locais com essas características pode fornecer energia suficiente para manter um sítio ou uma fazenda funcionando.

intensidade raio

14.140 – Como Funciona a Máquina à vapor


Os princípios básicos da máquina a vapor já haviam sido explorados pelo engenheiro e matemático greco-egípcio Hierão de Alexandria, que no século I a.C. estudava o vapor como força motriz, através de sua invenção, a eolípila.
Já no final do século XVII, Denis Papin e Thomas Savery desenvolveram os primeiros motores a vapor, porém, foi
somente em 1972, que Thomas Newcomen revolucionou a área. O chamado “motor de Newcomen”, a partir de então começou a ser amplamente usado.
Com o avanço, os motores a vapor começaram a movimentar as primeiras locomotivas, barcos, fábricas, bem como as minas de carvão. As primeiras máquinas a fazer uso da energia a vapor eram usadas para retirar água acumulada nas minas de ferro e carvão e ainda eram utilizadas na fabricação de tecido.

Naquela época estava ocorrendo a chamada Revolução Industrial, em que o número de indústrias teve um crescimento vertiginoso, e com isso, a necessidade de usar cada vez mais máquinas para suprir o trabalho humano.

A primeira máquina a vapor foi utilizada por Thomas Savery, na retirada de água de poços de minas. A máquina transformava a energia armazenada no vapor quente em energia utilizável.
Na máquina de Savary, o vapor, que é proveniente da água aquecida até a ebulição em uma caldeira, entrava em uma câmara. Tal câmara, após ser fechada, era arrefecida por aspersão da água fria, e assim acontecia a condensação do vapor no seu interior.
Uma máquina a vapor não cria energia, mas sim usa o vapor para transformar a energia quente que é liberada pela queima de combustível. Toda máquina a vapor possui uma fornalha para que seja realizada a queima de carvão, óleo, madeira ou mesmo outro combustível para produzir energia calorífica.
Além disso, a máquina a vapor dispõe de uma caldeira. Assim, o calor proveniente da queima de combustível leva a água a transformar-se em vapor no interior dessa caldeira. Com o processo, o vapor expande-se, e ocupa um espaço muitas vezes maior que o ocupado pela água. A energia da expansão produzida pode ser aproveitada de duas formas: A primeira, deslocando um êmbolo num movimento de vaivém ou, acionando uma turbina.

Conheça o funcionamento de uma máquina a vapor

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Assim sendo, na caldeira, o calor faz com que a água entre em ebulição. Assim, quando a válvula A está aberta e a válvula B permanece fechada, o vapor acaba entrando sob pressão e empurrando o êmbolo para cima. Deste modo, a roda R e a biela B acabam sendo deslocadas. O êmbolo, ao atingir o topo do cilindro, a válvula A acaba fechando para cortar o fornecimento de vapor, e a válvula B abre-se, fazendo com que o vapor saia do cilindro e entre no condensador.
Através da água corrente o condensador é mantido arrefecido. Assim que o vapor deixa o cilindro a pressão diminuiu no seu interior e a pressão atmosférica empurra o êmbolo para baixo. O êmbolo, ao atingir o fundo do cilindro, a válvula B se fecha a válvula A abre. A partir de então, o vapor entra no cilindro e o processo começa novamente.
Locomotivas a vapor
No século 19 surgiram as primeiras locomotivas movidas a vapor, sendo que geralmente tinha sua energia gerada pela queima de carvão nas fornalhas. Esse modelo de locomotiva foi usado até o final da Segunda Guerra Mundial.

A primeira locomotiva a vapor foi construída por Richard Thevithick, sendo que o primeiro teste foi feito em 21 de fevereiro de 1904, porém, somente após alguns anos o projeto acabou sendo usado. A tecnologia, no decorrer dos seus 150 anos de uso da energia a vapor foi sendo aprimorado.
As LOCOMOTIVAS A VAPOR são constituídas basicamente de:

1) CALDEIRA : local onde é produzido o vapor de água;

2) MECANISMO: Conjunto de elementos mecânicos que tem pôr objetivo de transformar a energia calorífica dos combustíveis em energias mecânica para assim transmitir o movimento resultante dos êmbolos aos eixos motrizes e finalmente, transformar esse movimento retilíneo alternado em circular contínuo para as rodas;
3) VEÍCULO: constituído pela carroceria, rodas, eixos, caixas de graxa e molas.

14.101 – Recordes Insólitos do Guiness


Guiness 2019
O Livro de Recordes do Guinness celebra mais um ano e traz consigo mais um conjunto de recordistas. Na edição de 2019 pode encontrar-se desde o homem com mais modificações corporais, mais precisamente 516, um repetente que já tinha sido eleito o homem com mais piercings em 2010, ao gato que consegue equilibrar mais dados numa só pata.
A estes recordes pouco comuns a que o Guinness nos tem habituado ao longo dos anos, junta-se Ash Randall, um britânico que foi considerado a pessoa que conseguiu controlar uma bola de futebol, com a sola dos pés, durante mais tempo, em cima do tejadilho de um carro em movimento – num total de 93 segundos.
Segue-se Josh Horton, que conseguiu balançar uma guitarra na cabeça durante 7 minutos e 3,9 segundos e a estudante de arte Elizabeth Bond que conseguiu criar as maiores agulhas de tricot do mundo, com 4,42 metros de comprimento cada uma.
No campo alimentar e em apenas um minuto, o irlandês Barry John Crows consegue fazer 78 salsichas e Kevin Strahle consegue comer nove donuts açucarados.
E como a idade é só um número, aos 85 anos Betty Goedhart é a trapezista mais velha do mundo – depois de ter começado a ter aulas aos 78 – e SumiRock a DJ mais velha, com 83.
A alemã Dunja Kuhn conseguiu ter 59 arcos hula-hoop a rodopiar em várias partes do corpo ao mesmo tempo e Mirko Hansen, do mesmo país, conseguiu fazer o melhor tempo a percorrer 50 metros a patinar com as mãos.
Mas nem só as pessoas bateram recordes, como o gato acima já fazia adivinhar. Jessica e a sua humana, Rachael Grylls, saltaram 59 vezes à corda juntas, o maior número de vezes registado entre uma pessoa e um cão juntos. Ainda no que a patudos diz respeito, Feather, uma cadela norte-americana conseguiu saltar a uma altura de 191,7 centímetros.

14.092 – Teorias – Mamíferos podem ter dormido durante a extinção dos dinossauros


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Os Tenrecs de Madagascar são os primeiros mamíferos tropicais conhecidos com capacidade de hibernar por longos trechos sem acordar.

Os mamíferos são capazes de feitos incríveis enquanto estão hibernando, podem retardar o envelhecimento para ter relações sexuais. Mas os animais que hibernam geralmente vivem em regiões temperadas e entrar em um torpor em condições frias de inverno, a fim de economizar energia. O tenrec é o primeiro mamífero tropical encontrado conhecido que consegue hibernar por longos períodos sem excitação.
O tenrec comum (Tenrec ecaudatus) é um mamífero indescritível, pesando até 2 kg, e é encontrado nas florestas de Madagascar. Ele se alimentam de insetos, é considerado um fóssil vivo a partir do Cretáceo Superior, mais de 66 milhões de anos atrás, diz o Dr. Barry Lovegrove, fisiologista evolutivo da Universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul, principal autor do o relatório publicado esta semana no Proceedings of the Royal Society B.

Os resultados sugerem que os mamíferos pré-históricos podem ter usado o modo de hibernação, como forma de dormirem com segurança através do evento de extinção em massa que dizimou os dinossauros.

No estudo, 15 tenrecs foram marcados com rádio-transmissores e medidores de temperatura, o que permitiu aos pesquisadores registrar o quanto esses animais dormiam e as variações de sua temperatura corporal.

Depois de acompanhar os animais durante um período de dois anos, os pesquisadores descobriram alguns resultados extremos. “Um macho adulto hibernado durante nove meses, até que foram obrigados a desenterrá-lo, porque as baterias do transmissor de rádio estavam morrendo”, diz Barry.

Esse longo período de hibernação é um achado excepcional em mamíferos tropicais, diz Barry. “Mas o que era totalmente original sobre a hibernação foi que não foi uma vez interrompido por uma excitação que é visto em todos os hibernadores temperados”, acrescenta. Os períodos de vigília, é um padrão geralmente visto em mamíferos e pode ter evoluído para ajudar um organismo restaurar desequilíbrios metabólicos.
Enquanto os dados da temperatura corporal é um indicador indireto de ciclos de sono / vigília, medindo metabolismo seria fornecer uma imagem mais clara do sono dos tenrecs, diz o Dr. Sandy Martin, um biólogo da Universidade de Colorado School of Medicine, nos EUA. “Vai ser importante realmente medir taxas metabólicas durante este período de hibernação prolongada em tenrecs em experimentos futuros”, diz ela.

A pesquisa também sugere que as estratégias de sono de mamíferos pode ser mais sutil do que atualmente pensava. “Eu acho que ‘flexibilidade metabólica” [a capacidade de reduzir o metabolismo durante longo tempo] é muito mais difundido em mamíferos do que havíamos apreciado “, diz Sandy. “Nós temos, até muito recentemente, tentar colocar todos os mamíferos, com a exceção de hibernantes, em duas ou três caixas, quando na verdade há um continuo de flexibilidade metabólica”.
A estratégia de sobrevivência simples: Hibernação

Por volta de 65.500 mil anos atrás, um meteorito caiu na Terra em Chicxulub, no México, causando uma dos maiores extinções em massa do mundo, cobrindo a Terra com uma grande cortina de fumaça impedindo a luz do sol entrar na Terra por vários anos, dizem teorias, e com isso matando todas as grandes criaturas terrestres e plantas. Esse período, conhecido como o limite Cretáceo-Palaeogene (K-Pg), representa um ponto de viragem para muitas espécies. Enquanto a maioria dos dinossauros desapareceram, os mamíferos começaram a florescer. No entanto, até recentemente, era apenas especulado como os mamíferos sobreviveram ao impacto de um asteroide e o ambiente inóspito que se seguiu.
“Para hibernar por nove meses, e talvez até mais, sem uma vez a necessidade de despertar, pode explicar como os mamíferos sobreviveram à devastação ecológica de um ano, que ocorreu em todo o planeta, quando o meteorito se chocou com a Terra”, diz Barry. A nova descoberta também tem implicações potenciais para além do mundo dos tenrecs.

Com esse estudo pode ajudar identificar estudos futuros ‘on’ e ‘off’ interruptores metabólicas encontrados dentro de fisiologia humana, diz Barry, que é “uma informação extremamente útil para que se possa ser usado para induzir hipotermia em procedimentos médicos que envolvem cirurgia geral , traumas, acidentes vasculares cerebrais, e asfixiado recém-nascidos. Além disso, pode fornecer as informações necessárias para induzir um estado de hibernação em astronautas para a viagem de nove meses a Marte “.

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14.076 – Ganhadores do IGnobel 2018


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Não é só de prêmios Nobel que vive a comunidade científica. Todos os anos, pesquisadores do mundo todo também são contemplados com um troféu um pouco mais divertido: o prêmio Ig Nobel, que contempla as pesquisas mais bizarras, porém úteis, submetidas no ano.
Dez troféus foram entregues a grupos de pesquisadores, em categorias de medicina e química a economia e antropologia. E como nos anos anteriores, as pesquisas premiadas não decepcionaram: na medicina, por exemplo, o Ig Nobel ficou nas mãos de uma dupla que avaliou a relação das montanhas-russas com a eliminação de pedras nos rins. Na literatura, por sua vez, a pesquisa premiada mostrou que as pessoas realmente não leem manuais de instruções.
Na medicina
Quem levou foram os pesquisadores e urologistas Marc Mitchell e David Wartinger, ambos norte-americanos. Depois de ouvirem relatos de pacientes, eles testaram o efeito de passeios em uma montanha-russa na velocidade de saída de pedras nos rins — e descobriram que, em alguns casos, a força-G pode ajudar mesmo.

Os testes deles foram realizados com 60 modelos que simulavam pacientes com diferentes tamanhos de cálculos renais, e os passeios foram feitos na Big Thunder Mountain Railroad na Disney de Orlando, na Flórida. Explicando de forma resumida, as viagens nos bancos da frente não foram tão bem-sucedidas, com apenas 4 das 24 pedras nos rins saindo. Já as feitas nos bancos de trás surpreenderam: 23 dos 36 cálculos renais passaram com sucesso.
Na antropologia
Os vencedores foram Tomar Persson, Gabriela-Alina Sauciuce e Elainie Madsen, que conseguiram provas em um zoológico de que não só os seres humanos que imitam chimpanzés: o contrário também acontece com frequência. E as imitações são até boas, na avaliação dos pesquisadores. O estudo foi conduzido no Zoológico de Furuvik Zoo, na Suécia, e publicado em agosto do ano passado depois de 52 horas de observação.

Na biologia
O grupo que levou era composto por Paul Becher, Sebastien Lebreton, Erika Wallin, Erik Hedenstrom, Felipe Borrero-Echeverry, Marie Bengtsson, Volker Jorger e Peter Witzgall, de cinco países, incluindo Alemanha e Colômbia. Eles provaram que os enólogos — especialistas em vinhos — são realmente bons no que fazem e conseguem identificar, com boa dose de certeza, a presença de uma mosca em uma taça só pelo cheiro. A pesquisa foi feita com a ajuda de oito especialistas da área de Baden, na Alemanha, todos responsáveis por garantir a qualidade dos vinhos produzidos na região.
Na química
Você já parou para pensar em quão eficaz é lamber algo sujo para limpar? Bem, os portugueses Paula Romão, Adilia Alarcão e César Viana já, e levaram o prêmio na categoria de química por terem medido isso. O estudo é antigo, datando do começo da década de 90, e ajudou a descobrir que sim, as enzimas do “cuspe” até ajudam em superfícies mais frágeis.

No ensino médico
A colonoscopia não é exatamente fácil, mas o japonês Akira Horiuchi levou o prêmio por fazer exames do tipo em si mesmo. Os achados foram compartilhados por ele no relatório médico “Colonoscopy in the Sitting Position: Lessons Learned From Self-Colonoscopy”, ou, em uma tradução livre, “Colonoscopia Sentado: Lições Aprendidas a partir da Auto-Colonoscopia”. O pesquisador é médico e encabeça a área de doenças digestivas no Hospital Geral de Showa Inan, em Nagano, no Japão. Em entrevista ao Japan Times, no entanto, ele não recomenda que ninguém tente fazer isso em casa.

Na literatura
Você muito provavelmente não lê o manual de instruções e sabe que muita gente também não o faz. E agora você tem provas disso, graças à pesquisa de Thea Blackler, Rafael Gomez, Vesna Popovic e M. Helen Thompson, que levaram o prêmio por documentar que a maioria das pessoas que usa um produto complicado de fato não lê o manual.

O estudo, intitulado “A Vida é Muito Curta para Ler a **** do Manual: Como Usuários se Relacionam com a Documentação e Excesso de Recursos em Produtos” (tradução livre), foi publicado em 2014.

Na nutrição
O pesquisador James Cole levou o Ig Nobel por uma pesquisa sobre canibalismo. Ele calculou que o ingestão de calorias em um dieta canibal é significativamente menor do que a de outras dietas baseadas em carnes. Ou seja, comparando por peso, comer um bife de vaca é mais nutritivo do que um bife feito a partir de uma pessoa. A pesquisa, apesar de estranha, ajudou a provar que as dietas canibais do passado não eram motivadas exatamente pelo valor nutricional, e sim por algum tipo de ritual mesmo.
Na paz
O trânsito pode ser estressante, e os pesquisadores Francisco Alonso, Cristina Esteban, Andrea Serge, Maria-Luisa Ballestar, Jaime Sanmartín, Constanza Calatayud e Beatriz Alamar, da Colômbia e da Espanha, foram descobrir o quanto ele faz as pessoas xingarem.

Eles levaram o prêmio por medir a frequência, a motivação e os efeitos de gritar e reclamar no volante. A pesquisa descobriu que esse tipo de comportamento é muitas vezes motivado não apenas por estresse, mas também por fadiga e motivos pessoais. O estudo também notou que, ainda que representem um risco, há um certo grau de tolerância social aos xingamentos no trânsito, justamente por serem comuns.

Na medicina reprodutiva
Os selos de cartas não têm lá muitas utilidades, mas só John Barry, Bruce Blank e Michael Boileau parecem ter pensado em colá-los ao redor de um órgão sexual masculino. O objetivo? Testar o funcionamento dele. É isso mesmo. Eles levaram o prêmio na categoria pelo relato no estudo “Monitoramento da Tumescência Peniana Noturna com Selos” (título em tradução livre), publicado ainda em 1980.
A ideia dos pesquisadores era relacionar ereções noturnas (que acabavam por rasgar o pedaço de pedaço) com doenças mais graves. Eles descobriram que quem acordava com o papel inteiro — 18 dos 37 pacientes impotentes analisados — tinham neuropatia diabética mais séria, tendências à depressão, perda de libido e fumavam bem mais.

Na economia
Sabe aqueles bonequinhos de vodu? Os pesquisadores Lindie Hanyu Liang, Douglas Brown, Huiwen Lian, Samuel Hanig, D. Lance Ferris e Lisa Keeping levaram o prêmio por analisar a eficácia deles nas mãos de funcionários querendo se vingar de chefes abusivos. Eles descobriram que machucar os bonecos não provoca o mesmo nos chefes, mas ao menos ajuda a aliviar a tensão. No entanto, só funciona no curto prazo. No longo, é melhor discutir a relação com a gerência mesmo.

14.070 – Mega Curiosidades – Quem Inventou o Lápis?


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O lápis que você conhece atualmente tem um aspecto bastante popular em todo o mundo, porém, vale destacar que nem sempre foi assim. Antigamente as barras de grafite eram cortadas em pedaços e embrulhadas em cordões, ou em pele de ovelha.
A história do novo lápis deu início então quando a República Francesa passava por um momento sob bloqueio econômico, incapaz de importar grafite da Grã-Bretanha, a principal fonte do material. Eis então que Lazare Nicolas Marguerite Carnot, um político e matemático francês, resolveu fazer um pedido ao grande Nicholas Jacques Conté, um francês, químico, pintor e militar, para que criasse um lápis que não dependesse de importações estrangeiras.
Após dias quebrando a cabeça, Conté teve a brilhante ideia de misturar grafite em pó com argila para criar a mina interna, uma combinação que possibilitou diferentes misturas, para desenvolvimento de diversos graus de dureza do grafite.
Para fechar o lápis, pressionou a mina entre duas tábuas cilíndricas de madeira, chegando assim no que conhecemos como o lápis moderno.
O criador então patenteou a invenção em 1795, e formou a Société Conté, uma empresa francesa que produz lápis de cor e grafite, bem como diversas outras ferramentas de desenho. A empresa foi comprada em 1979 pela Bic, e posteriormente, a parte de arte e a marca Conté a Paris foram compradas pelo grupo britânico ColArt em 2004.
Nicholas também inventou o lápis conté, um bastão de pastel duro, usado por artistas.
Em 1898, em uma exposição dos produtos da indústria francesa Conté, ganhou uma honrosa distinção, o mais alto prêmio, pelos seus “crayons de várias cores”.
O precursor mais remoto do lápis talvez tenham sido as varas queimadas cujas pontas foram utilizadas pelos primitivos para gravar inscrições nas cavernas, as famosas pinturas rupestres. Há cerca de 3500 anos, no Egito, as “varas” de rabiscar evoluíram para pequenos pincéis capazes de produzir linhas finas e escuras nas superfícies.
Há cerca de 1500 anos, os gregos e depois os romanos perceberam que estiletes metálicos serviam também ou até melhor ao propósito de registrar dados em superfícies. Pelas suas qualidades, o chumbo passou a ser amplamente empregado para tal fim.
O verdadeiro antepassado do lápis talvez seja o seu equivalente romano, o stilus, que consistia num pedaço de metal fino, normalmente chumbo, revestido com alguma proteção, usualmente madeira, a fim de evitar que os dedos se sujassem. O stylus era utilizado nos papiros.
Os primeiros lápis livres de chumbo datam do século XVI. Nessa época foi descoberta perto de Borrowdale (Inglaterra), uma grande mina com material bastante puro e sólido – o grafite – chamado de “chumbo negro” em alusão ao mineral concorrente e às suas aplicações.
Os habitantes locais logo descobriram que o “chumbo negro” era muito útil para se marcarem as ovelhas. Atando-se o grafite a varas de madeira, rapidamente surgiram os lápis rústicos, livres de chumbo e parecidos com os que hoje conhecemos.
De acordo com os registros de Giovanbattista Palatino, que escreveu um livro sobre a arte da escrita, sabe-se que os lápis de grafite não eram muito comuns, antes de 1540. Entretanto, numa obra sobre fósseis, Konrad Gesner informava que o grafite já se tinha popularizado, em 1565.
A primeira produção de lápis em massa foi atribuída a Friedrich Staedtler, em 1622, na cidade de Nuremberga (Alemanha). O lápis é o utensílio mais utilizado pelo homem, desde as primeiras civilizações até aos dias atuais, mesmo em países com baixos níveis educacionais.
A mina de grafite de Borrowdale permaneceu por muito tempo como fornecedora da melhor matéria prima para o fabrico dos lápis. Apenas em 1795, na época de Napoleão Bonaparte, o francês Nicolas-Jacques Conté encontrou uma forma viável de produzir grafite aplicável à escrita a partir de material de qualidade inferior. Contudo, em 1832, a importância daquela mina era notória e uma fábrica de lápis instalou-se nas redondezas.
Mesmo com a ascensão dos lápis de grafite, os lápis de chumbo mantiveram a sua presença até ao século XIX e só se extinguiram definitivamente no século XX, quando se comprovou a toxicidade do chumbo.
Atualmente, o Brasil é o maior produtor mundial de lápis, fabricando 1,9 bilhões de unidades. Anualmente, são produzidos 5,5 bilhões de lápis em todo o mundo. O maior consumidorde lápis são os Estados Unidos, com 2,5 bilhões de unidades por ano.

14.069 – Automóvel – Por que os velocímetros nunca marcam a velocidade real?


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A primeira resposta é simples: marketing. O fabricante procura passar a impressão de alto desempenho ao adotar um velocímetro cuja grafia vai muito além da velocidade máxima efetiva — mesmo que se considere nesta o erro do velocímetro, a influência de vento a favor, de declives, etc. Como exemplo extremo, o Clio nacional vem, desde seu lançamento, com velocímetro grafado até 240 km/h, incluindo a versão 1,0 de 59 cv, cuja máxima real (de acordo com o fabricante) é de 144 km/h. Nada menos que 66% de sobra!
Há, porém, uma atenuante: como muitas vezes o painel é o mesmo em diferentes versões de motorização, o carro mais fraco pode “passar por mentiroso” porque seu velocímetro prevê a abrangência da velocidade das versões mais potentes.
Quanto à diferença entre a velocidade indicada e a real, ela varia de modelo para modelo, de unidade para unidade e até em um mesmo automóvel durante sua vida útil. O simples desgaste dos pneus ou a variação de sua pressão de enchimento pode produzir diferenças na indicação. Em regra, porém, os velocímetros marcam cerca de 5% a mais que a velocidade real.
Isso acontece, de um lado, para causar a impressão de melhor desempenho e menor consumo (calculado a partir da quilometragem percorrida, o consumo parecerá menor que o efetivo), e de outro, para que pequenos excessos de velocidade não representem infração na realidade, livrando o motorista da multa. Assim, em muitos automóveis, pode-se trafegar a 130 km/h em uma estrada com limite de 120 km/h sem estar, na verdade, acima da velocidade permitida. Mas, em função das variações mencionadas, é melhor não contar com essa margem.

14.064 – Como os pássaros voam?


falcao
Esse dom invejável está intimamente associado às penas, que, embora leves e flexíveis, são, ao mesmo tempo, fortes e resistentes. Dependendo da espécie, um pássaro pode ter entre 1 000 e 25 000 penas espalhadas pelo corpo. Mas elas não são as únicas responsáveis pelos shows aéreos que as aves costumam apresentar – na verdade, cada elemento da anatomia desses animais foi feito para que eles pudessem voar. “O formato aerodinâmico do corpo, o esqueleto, a musculatura, o modo de vida e o hábitat são outros fatores que ajudam no deslocamento aéreo”, afirma o ornitólogo Martin Sander, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo, RS. Ainda assim, as asas são as peças principais, por exercerem dois papéis fundamentais: como um propulsor, elas impulsionam o pássaro à frente; e, como um aerofólio, dão a sustentação necessária para mantê-lo flutuando no ar.

Hoje, voar é uma capacidade quase exclusiva das cerca de 9 600 espécies de aves existentes, mas nem sempre foi assim. Outros animais de médio porte também já foram capazes de deslizar pelo céu. Era o caso dos pterodátilos. Os cientistas acreditam que esse réptil se comportava como uma ave marinha, voando em bandos e freqüentando praias há cerca de 200 milhões de anos. Já o mais antigo fóssil de ave encontrado é o de uma espécie do período jurássico, entre 208 e 144 milhões de anos atrás. Batizado de Archaeopteryx lithographica, ele foi achado na Alemanha em 1860.

Obra-prima de anatomia As aves têm penas, ossos e músculos feitos sob medida para vencer a gravidade
Flap orgânico

O polegar dos pássaros tem a mesma função do flap das asas dos aviões, aumentando ou diminuindo a força de sustentação que mantém o pássaro no ar

Esqueleto light

Alguns dos ossos do crânio, do peito e da região das asas são ocos – e, portanto, bem mais leves que o normal. Isso facilita ainda mais o vôo

Vigor muscular

O esterno (osso do peito) possui uma quilha na maioria das aves de onde saem os músculos peitorais. Essa musculatura é a mais forte e desenvolvida, porque movimenta as asas

Leque natural

Cada pena tem um eixo de onde partem inúmeras ramificações, que vão sendo enganchadas umas nas outras. A estrutura transforma a pena num leque ultra-resistente ao vento

Radar meteorológico

Na região do peito existem penas especiais que funcionam como órgãos sensores, detectando as alterações na velocidade e na direção das correntes de ar – informações das quais os pássaros sabem tirar proveito durante o vôo

Esquerda, volver
As penas da cauda auxiliam na direção, orientando o vôo para a direita ou para a esquerda

Plumas de impulsão
As asas têm vários tipos de penas, mas nem todas desempenham um papel fundamental no vôo. As que mais se destacam nessa função são: rêmiges primárias (1) – servem para dar o impulso à frente durante o bater das asas; rêmiges secundárias (2) – ajudam a sustentar a ave no ar; álulas (3) – têm função aerodinâmica, regulando o ar que bate na asa

Aerofólio animal
Não foi à toa que os aviões copiaram das asas dos pássaros o formato de aerofólio. Ele faz com que o ar que passa por cima delas (seta menor) tenha pressão inferior ao que passa por baixo (seta maior). Esse efeito aerodinâmico gera a força de sustentação necessária para vencer a gravidade
Uma questão de estilo Dois casos especiais provam que nem todas as aves voam de modo igual
Planador emplumado
Os albatrozes não gostam de fazer esforço para voar – preferem pegar carona em massas de ar quente. Para isso, eles ficam com as asas abertas, mas sem batê-las: apenas planando

Velocista imbatível
O pássaro mais rápido do mundo é o falcão-peregrino, que voa a 160 km/h. Quando está perseguindo uma presa, porém, ele é capaz de mergulhar a velocidades de até 320 km/h!