14.075 -Robótica – Pesquisadores criam pele para robôs que pode regenerar seus circuitos sozinha


regeneracão robotica
Pesquisadores da Universidade de Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, podem ter encontrado uma solução para tornar os robôs mais resistentes. Trata-se de uma pele artificial feita de material híbrido e que pode se regenerar sozinha, permitindo a reconexão automática de circuitos. A expectativa é que a solução torne o reparo das máquinas mais barato, combatendo falhas elétricas comuns.
De acordo com a publicação da PhysicsWorld, a solução proposta pelos pesquisadores envolve um tipo de polímero. No entanto, para que o material se torne flexível e resistente a danos, são inseridas micro gotas de uma liga metálica à base de gálio-índio em uma casca macia e elástica. Com isso, cria-se um material híbrido “sólido-líquido” com propriedades macias, eletricamente isolantes e que pode se regenerar diversas vezes.
A “mágica” da solução proposta é a seguinte: quando há um dano no material desta pele robótica, as gotículas de metal presentes no material se rompem para formar novas conexões e redirecionar os sinais elétricos sem interrupção. Assim, as máquinas conseguem continuar as suas operações. De acordo com o chefe da pesquisa, Carmel Majidi, a inspiração para a técnica vem do sistema nervoso humano e sua capacidade de autorregeneração.
Embora o uso de materiais que se “curam” não seja uma novidade na indústria, há uma diferença importante em relação ao proposto pelos cientistas da universidade americana. A maior parte dos compostos atuais demandam exposição ao calor, aumento de umidade ou remontagem manual para que a recuperação ocorra. Já o composto híbrido pode fazer tudo automaticamente, reduzindo custos.

Além do uso em robôs, a equipe da Universidade de Carnegie Mellon acredita que o material também pode ser útil em computadores portáteis e dispositivos vestíveis. A tecnologia também pode ajudar a tornar realidade smartphones flexíveis, tão especulados para os próximos anos, uma vez que sua capacidade regenerativa pode ser usada para recuperar os circuitos internos dos aparelhos.
Apesar dessas características, ainda há espaço para avanços, especialmente no que diz respeito à danos estruturais e mecânicos. Segundo a equipe de pesquisadores norte-americano, o foco agora é desenvolver um material igualmente macio e flexível, mas que pode se regenerar de defeitos físicos.

14.033 – Robô Cirurgião Contra o Câncer de Próstata


da vinci o robot cirurgiao
Da Vinci, o robô cirurgião

As cirurgias robóticas já são uma realidade no Brasil. Mais ágil e segura do que os métodos tradicionais, a tecnologia vem auxiliando médicos na busca por resultados cada vez melhores em cirurgias que antes ofereciam riscos aos pacientes, seja na hora da operação ou em um segundo momento, com sequelas que o acompanham por toda a vida. No caso do tratamento cirúrgico para câncer de próstata, ela é, hoje, considerada a melhor opção para o paciente.
Entre as especialidades médicas, uma das mais beneficiada pela cirurgia robótica é a Urologia, abrindo diversas oportunidades para o tratamento não só do câncer de próstata, como também de doenças nos rins, bexiga e todo o trato urinário. Nesses casos, o robô usado é o Da Vinci SI, que entrega movimentos suaves e precisos através de suas pinças articuladas, reproduzindo de forma fiel os comandos das mãos do cirurgião.

Cirurgias que podem ser realizadas com o robô Da Vinci SI

– Prostatectomia: Retirada total ou parcial da próstata

– Nefrectomia: Retirada total ou parcial de um rim

– Pieloplastia: Tratamento na junção do rim com o ureter

– Adrenalectomia: Retirada de uma ou ambas as glândulas suprarrenais

– Cistectomia: Retirada total ou parcial da bexiga

“O paciente só tem a ganhar através da cirurgia robótica. A visão 3D dos campos operatórios permite total controle do procedimento. Outro ponto forte é a preservação dos vasos sanguíneos e nervos essenciais para as funções do organismo, como o controle da urina e a ereção”, explica o Dr. Raphael Rocha, urologista e cirurgião do Hospital São Lucas Copacabana.
A impotência sexual é justamente um dos grandes temores dos pacientes que têm indicação de cirurgia para tratar o câncer de próstata. Nas cirurgias abertas, esse risco é bem elevado, atingindo cerca de 90% dos homens; já na cirurgia robótica, esse número despenca para apenas 10% dos pacientes que ficam com a sequela no pós-operatório.

“Uma das grandes vantagens que a cirurgia robótica proporciona também para o cirurgião é que ela é minimamente invasiva. Muitas vezes o robô opera em orifícios de apenas 8mm, o que diminui muito os riscos de infecção e necessidade de transfusão de sangue. Além disso, no caso das cirurgias em Urologia, o paciente também tem menos chances de desenvolver hérnias”, diz o especialista.
O futuro da tecnologia médica aplicada nas cirurgias robóticas é promissor para a Urologia: na Suécia já estão sendo feitas cirurgias de grande porte para reconstrução da bexiga usando como base uma parte do intestino do próprio paciente, usufruindo de toda a precisão e rapidez que o método proporciona para um resultado excepcional.

14.016 – Novo robô pode ser chave para entender como alguns dinossauros aprenderam a voar


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Pesquisadores de universidade de Pequim fizeram demonstrações que indicam que dinossauros desenvolveram habilidade de voo ao baterem as asas quando corriam
Pesquisa publicada em (2/5/19), na revista científica PLOS Computational Biology, apresentou uma nova perspectiva para o desenvolvimento da capacidade de voo em alguns dinossauros – e criou um robô para demonstrar a teoria.
De acordo com o estudo, liderado por Jing-Shan Zhao, pesquisador do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Tsinghua, em Pequim, a origem da habilidade começou como um efeito natural da corrida dos animais, que batiam as asas rudimentares antes de serem capazes de voar. Mas o movimento realizado involuntariamente enquanto corriam pode ter servido para “treinar” alguns dinossauros, fortes o suficiente para resistir ao voo e bater as asas e voar.
A equipe de pesquisa criou um pequeno robô para demonstrar a origem da habilidade de voo. A estrutura da máquina foi baseada no dinossauro Caudipteryx, considerado o dinossauro não-voador mais primitivo. Pesava cinco quilos e não podia voar, mas era capaz de correr a uma velocidade de oito metros por segundo. O robô foi construído no tamanho natural de um Caudipteryx, com capacidade de funcionar em diferentes velocidades. Os movimentos do robô foram baseados na atividade motora do animal real, prevista por meio de cálculos matemáticos.
Para complementar os resultados, os pesquisadores equiparam um avestruz com um par de asas mecânicas. Em ambos os casos, os movimentos da corrida desencadearam uma vibração passiva das asas, o que confirma a proposta do estudo. Tanto o modelo matemático quanto a demonstração real chegaram a movimentos que, embora superficiais, se assemelham às asas das aves.
“Nosso trabalho mostra que o movimento de bater asas se desenvolveu passiva e naturalmente quando o dinossauro corria no chão”, disse Zhao em um comunicado à imprensa. “Embora este flutuar não fosse capaz de levantar o dinossauro no ar naquele momento, o movimento de asas pode ter se desenvolvido antes da capacidade de voar”.
A hipótese mostra que características físicas dos dinossauros permitiam o desenvolvimento da habilidade. Mas, devido à natureza complexa e multifacetada do voo, cientistas consideram que a demonstração não é suficiente para que a pesquisa gere conclusões por conta própria. Os pesquisadores admitiram ser provável que as forças aerodinâmicas criadas pelo movimento mecânico não possam ser comparadas às forças realmente necessárias para poder voar.
Para o paleontólogo da Universidade de Palacký, na República Checa, Dennis Voeten, uma falha do estudo foi não ter levado em conta a dinâmica do ombro e a musculatura reais do Caudipteryx para construir o robô. Em vez disso, os pesquisadores substituíram as estruturas anatômicas de grande importância por molas elásticas.
Voeten considera que isso tornou “impossível visualizar qualquer comportamento esquelético que teria acompanhado esses movimentos”. Ele afirma estar “convencido” de que as forças exercidas durante a corrida podem ter influenciado o movimento das asas, mas que a origem voo dos dinossauros permanece “hipotética”.

13.853 – Mega Byte – A polêmica do uso da Inteligência artificial para contratar pessoas


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A inteligência artificial (ou apenas IA) é uma das tecnologias que está sendo mais explorada atualmente. Há tempos já é utilizada para nos enviar propaganda direcionadas enquanto navegamos pela web, mas isso foi só o início. Agora, ela está sendo utilizada por grandes empresas no departamento de recursos humanos, para selecionar currículos e contratar pessoas.
Para fazer isso, o sistema de IA é muito sofisticado. O computador pré-seleciona os currículos e sabe quando mentimos pelos adjetivos, verbos e substantivos usados ou, ainda, pela linguagem corporal dos vídeos de apresentação que estão cada vez mais populares.
A Uber, por exemplo, está testando, nos Estados Unidos, um aplicativo para contratar funcionários temporários, chamado Uber Works. O programa, além de contratar serviços de ciclistas para entregas, também destina-se a oferecer mão de obra em serviços como encanadores, empregadas domésticas, vigilantes, comércio e outras dezenas de setores. A empresa vai utilizar o sistema de inteligência artificial para selecionar quais usuários (e candidatos) estão mais aptos a fazer parte da lista de serviços oferecidos.
As empresas olham essa nova tecnologia como uma oportunidade de complementar as técnicas já utilizadas em RH, mas os sindicatos estão rejeitando, pois acreditam que ela pode tornar o mercado de trabalho ainda mais precário.
Profissionais de RH, como Rafael García Gallardo, CEO da LMS (Leadership & Management School), residente em Madri, Espanha, preferem ter uma visão mais positiva. Gallardo diz que “o uso de big data (grande volume e variedade de dados processados em alta velocidade) está cada vez mais acessível e todos os gerentes de recursos humanos podem incorporá-lo em sua tomada de decisão”. E completa: “um sistema de IA pode otimizar e melhorar o ativo mais importante de qualquer empresa, que são as pessoas. E isso as torna mais competitivas”.

Uma oportunidade?
Gallardo defende que apps como o Uber Works podem ser uma tecnologia para colocar as pessoas mais rapidamente no mercado de trabalho, quando não encontram emprego de outra forma. “O celular é uma ferramenta que traz informação e fornece acesso à avaliação feita por trabalhos realizados”, completa Gallardo.
Também para as empresas é importante porque, segundo esse especialista, o uso de inteligência artificial permite a seleção de perfis e a organização da empresa de acordo com os objetivos. Acrescenta uma única exceção: “A análise final dos dados que o sistema de inteligência artificial traz de candidatos tem ser feita por uma pessoa. A interpretação e tomada de decisão para contratar alguém deve ser feita por humanos. Se eles não interpretarem os dados, eles simplesmente mudam a história. É a coisa mais importante a ser feita”, diz ele.
Isso é mais confiável e eficaz porque, segundo ele, os computadores são capazes de discernir os perfis apropriados e aqueles que escrevem mentiras nos currículos ou também termos que não tem a ver com as vagas. Ele dá um exemplo de sua própria experiência em que 5 mil currículos foram cruzados para escolher 15 candidatos. Termos precisos que eram necessários para o cargo, como gerenciamento de documentos, organização, distribuição, publicações ou arquivamento, foram incluídos no processador de dados e a computação evitou os currículos cuja descrição de competências não incluía esses termos.

O nível de “inglês intermediário” é uma mentira para um sistema de IA
“A inteligência cognitiva descobre como são as pessoas por meio dos verbos, adjetivos ou substantivos que usam, ou pela linguagem não-verbal que é vista nos vídeos que são cada vez mais presentes em seleções “, explica Gallardo. Sobre idiomas, ele comenta ironicamente. “Não é preciso muita inteligência artificial; se alguém coloca no currículo nível médio de inglês, por exemplo, é mentira: ou a pessoa sabe falar e escrever em inglês ou não sabe.”
Mas também admite que o uso da inteligência artificial pode gerar erros, como o caso do sistema de recrutamento da Amazon que excluia mulheres, mas Gallardo alerta que deve haver sempre uma linha de responsabilidade ética e definitiva para evitar o uso indevido de qualquer tecnologia.

A exploração do trabalho
Mas alguns representantes sindicais temem que esse modelo de seleção e contratação seja aceito nas empresas sem levar em conta as implicações que tem. Sergio Santos, secretário de emprego e relações de trabalho de Andaluzia, na Espanha, não vê vantagens no aplicativo Uber Works, por exemplo, como solução de empregabilidade. “Automatizar o emprego representa uma mudança radical nas relações de trabalho, promove a superexploração, fazendo o trabalhador perder direitos”, alerta.
Ele admite que o uso de inteligência artificial na fase de triagem de perfis já é feito até mesmo em serviços públicos, mas acredita que um aplicativo como o Uber é outro passo que não acarreta qualquer benefício para o trabalhador. Nem mesmo pela empregabilidade, que ele acredita que deve ser obtida por políticas ativas que melhorem não apenas o acesso ao mercado de trabalho, mas também a estabilidade e o futuro dos trabalhadores.

Respeitar as regras do jogo
Luis Perez, diretor de Relações Institucionais da empresa especializada em recursos humanos Randstad, afirma que sua companhia investe muito nesse tipo de tecnologia. Porém, assim como Gallardo, da LMS, concorda que “sem o toque humano não atingiremos a eficiência que buscamos”, finaliza.
De qualquer forma, em um mercado de trabalho que muda em ritmo frenético, com a busca por profissionais qualificados para cada tipo de projeto, é inevitável o uso de ferramentas que agilizem o processo de contratações. No entanto, é preciso haver um acordo entre empresas e orgãos que regulamentam leis trabalhistas para evitar “atalhos” em um sistema de IA dentro do departamento de recursos humanos.
“Não se pode considerar o empregado uma mercadoria, um commodity. É inevitável resistir ao avanço tecnológico, mas,havendo um acordo trabalhista, ambas partes podem ganhar com ela”, conclui Perez.

13.836 – Astronomia – A comunicação entre a Terra e robôs em Marte


Robô Curiosity
Robô Curiosity

Em 2012 a Agência Espacial Americana, a NASA, enviou ao planeta Marte uma sonda robotizada com a missão de explorar o desconhecido astro, analisando as suas formações rochosas, solo, atmosfera e tudo mais, a procura da existência ou não de vidas passadas (muito provavelmente seres vivos microbianos) e estudar a formação do planeta afim de saber se o seu ambiente alguma vez na história já possa ter sido conveniente para a formação da vida como nós a conhecemos hoje.
Essa sonda recebeu o nome de Curiosity e é o primeiro laboratório móvel completo enviado a outro a planeta; terá por função estudar o solo marciano por cerca de dois anos. Essa sonda está equipada com um braço mecânico capaz de fazer furos, câmeras, sensores térmicos e de movimentos, etc, mas um de seus componentes mais importantes são as antenas, que são usadas para a transmissão de dados para a Terra. Existem três diferentes antenas acopladas à sonda: uma de baixo ganho, uma de alto ganho e uma antena do tipo UHF (Ultra High Frequency; Frequência Ultra Alta).
A primeira antena está ligada a um rádio lento, de baixa potência UHF. Ele é capaz de transmitir uma pequena taxa de dados para outras sondas orbitantes em Marte ou também diretamente para a Terra. Foi projetado para ser usado em situações de emergência, quando os demais dispositivos de transmissão falharem.
A segunda antena está ligada a um rádio UHF de alta velocidade. Este por sua vez transmite as informações rapidamente para as sondas orbitantes do planeta (Odyssey, Mars Reconnaissance Orbiter e Mars Express), a taxas entre 256 kbits/s a 2 Mbits/s e possui um consumo de apenas 15 watts. É o principal meio de comunicação, estima-se que cerca de 31 megabytes de dados cheguem à Terra por dia através deste canal.
Por fim, a antena de alto ganho. Ela conecta diretamente a sonda Curiosity com os cientistas e engenheiros aqui na Terra e por tal motivo este canal só se encontra disponível durante três horas do dia, devido ao alinhamento dos planetas e questões de energia. Esta antena usa um rádio que consome 40 watts e transmite apenas 12 kilobits por segundo. Existe um atraso de 20 minutos na transmissão das informações, pois o sinal precisa percorrer a distâncias superiores entre 100 a 400 milhões de quilômetros entre a Terra e Marte. Por ser um canal de comunicação direto, a NASA o utiliza para enviar comandos a sonda e também para receber dados críticos.
Na Terra, os sinais são captados por antenas de até 70 metros de diâmetro, que fazem parte da Deep Space Network (utilizada também para comunicação com todos os outros satélites e outras missões espaciais).

13.765 – Mega Techs – História da Robótica


robotica
Documentos datados de 1495 revelam um cavaleiro mecânico que era, aparentemente, capaz de sentar-se, mexer seus braços, mover sua cabeça, bem como seu maxilar. Leonardo Da Vinci teria desenhado o primeiro robô humanóide da história. Uma onda de histórias sobre autômatos humanóides culminou com a obra Electric Man (Homem Elétrico), de Luis Senarens, em 1885. Desde então, muitos robôs surgiram, mas a maioria servia apenas como inspiração, pois eram meras obras de ficção e ainda muito pouco podia ser construído.
O Tortoise, um dos primeiros robôs móveis, foi construído em 1950 por W. Grey Walter e era capaz de seguir uma fonte de luz, desviando-se de obstáculos. Em 1956, George Devil e Joseph Engelberger abriram a primeira fábrica de robôs do mundo, a Unimation, fabricante da linha de braços manipuladores Puma (SHIROMA, 2004).

Em 1952, a Bell Laboratories alavancou o desenvolvimento da eletrônica com a invenção do transistor, que passou a ser um componente básico na construção de computadores e quebrou inúmeras restrições quanto ao desenvolvimento da Robótica. De 1958 a 1959, Robert Noyce, Jean Hoerni, Jack Kilby e Kurt Lehovec participaram do desenvolvimento do primeiro CI – sigla para Circuito Integrado – que, posteriormente, ficou conhecido como chip e incorpora, em uma única pastilha de dimensões reduzidas, várias dezenas de transistores já interligados, formando circuitos eletrônicos mais complexos (WIDESOFT, 2006).

Enquanto essas tecnologias iam entrando em cena, a Inteligência Artificial se desenvolvia com bastante velocidade também. Sua mais popular e inicial definição foi introduzida por John McCarty na famosa conferência de Dartmouth, em 1955: “Fazer a máquina comportar-se de tal forma que seja chamada inteligente, caso fosse este o comportamento de um ser humano” (INTELIGÊNCIA, 2006).

Segundo Arkin (ARKIN, 1998), para se realizar pesquisas em Robótica, robôs devem ser construídos, pois, ao trabalhar apenas com projetos de pesquisa baseados em simulações, perdem-se muitos detalhes. A construção de robôs é muito complexa e, nas décadas de 1960 e 1970, havia muitas restrições. Por causa disso, alguns robôs que surgiram nessa época são pontos notáveis da evolução cibernética. Como exemplos de projetos que superaram essas dificuldades, cita-se: Sharkey, Hillare e Stanford Cart.

Sharkey foi um robô construído no Instituto de Pesquisa de Stanford, no final dos anos 60 (NILSSON, 1969). Ele era capaz de sentir e modelar o ambiente ao seu redor, bem como planejar trajetórias e executar ações programadas no computador. Já Hillare, do Laboratório de Automação e Análise de Sistemas (LAAS) de Toulouse, França, foi construído em 1977. O robô pesava 400kg e era equipado com três rodas, um sistema de visão computacional, sensores ultra-sônicos e detectores de distância a laser. Podia movimentar-se para qualquer lado, transitando autonomamente por corredores (GIRALT et al., 1984). E, por fim, Stanford Cart, uma plataforma robótica usada por Moravec para testar a navegação usando um sistema de visão estéreo (MORAVEC, 1977).

O avanço da microeletrônica veio popularizar os sistemas computacionais e, na década de 70, começaram a surgir os sistemas de processamento central em um único chip como o 4004 e o 8080. A tecnologia MOS, em 1975, introduziu mais velocidade de processamento. Após a chegada do Z80, que surgiu em 1976, integrando 8000 transistores em uma única pastilha (MICROSISTEMAS, 2006), surgiu o conceito de microcontrolador. Os microcontroladores possuem, embutidos em um único chip, não só um sistema central de processamento, mas diversos periféricos como: memória, conversores analógico-digital, barramentos de comunicação, etc.
A partir da década de 80, a Robótica vem avançando em grande velocidade e, dentre inúmeros projetos, o ASIMO, iniciado em 1986 pela Honda Motor Company, recebe destaque (ARIK, 2006) (HONDA, 2006). Ao contrário do que possa parecer, seu nome não foi criado em homenagem ao escritor de ficção científica Isaac Asimov, mas é derivado de “Advanced Step in Innovative Mobility”. Assim como o ASIMO, o Qrio (SONY, 2006), da Sony, e o Robonaut, robô criado pela Nasa para auxiliar os astronautas da Estação Espacial Internacional na execução de atividades extraveículares, também são bastante relevantes. Os três são citados como robôs humanóides concebidos para interagir com seres humanos.

Com o projeto de exploração de Marte (NASA, 2003), a NASA construiu dois robôs geólogos, o Opportunity e o Spirit, que pousaram em Marte em 8 e 25 de julho de 2004, respectivamente. Eles foram desenvolvidos com o objetivo de enviarem imagens, analisarem rochas e crateras e procurarem sinais de existência de água no planeta vermelho. Mais tarde, o Laboratório de Inteligência Artificial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts desenvolveu o Cog (MIT, 2006), um robô que interage com seres humanos e aprende como uma criança.
No intuito de desenvolver a Inteligência Artificial e a Robótica, surgem competições robóticas que fornecem desafios e problemas a serem resolvidos da melhor maneira a partir da combinação de várias tecnologias e metodologias. Dentre elas, a RoboCup (ROBOCUP, 2006), que teve sua primeira versão mundial em 1997, se destaca pela popularidade.

Robotica2006

13.720 – Acredite se Quiser – Chegaram os Robôs Sexuais


ela é um robo
As companhias norte-americanas True Companion e Real Doll criaram robôs que fazem sexo e ainda têm reações quando são tocados.
Os modelos fazem pequenos movimentos e conversam com o parceiro. De acordo com o lugar onde são tocados, soltam frases como “estou tão excitada” ou “faz mais forte”.
Alguns produtos várias opções de personalidade que podem ser pré-programadas pelo usuário, desde a comportada à mais ousada.
E os orifícios do robô possuem sensores e motores que dão a sensação de uma experiência mais real.
Eles vão parecer completamente humanos – em altura, peso, temperatura corporal e nos órgãos sexuais – e vão conseguir responder ao toque e interagir durante as relações sexuais.
“O próximo grande avanço vai permitir-nos usar a tecnologia para encontros íntimos – para nos apaixonarmos, para fazermos sexo com robôs e até casar com eles”, afirmou o especialista David Levy, num artigo publicado no Daily Mail.
Empresas como a Abyss Creations já têm trazido para o mercado robôs anatomicamente corretos e com vários detalhes reais, mas o próximo passo é que vai mudar tudo, segundo Levy.

13.690 – Robótica – Sophia


É um robô humanoide desenvolvido pela empresa Hanson Robotics, de Hong Kong, capaz de reproduzir 62 expressões faciais.
Projetado para aprender, adaptar-se ao comportamento humano e trabalhar com seres humanos. Em outubro de 2017, tornou-se o primeiro robô a receber a cidadania de um país (Arábia Saudita).
O robô Sophia foi ativado no dia 19 de abril de 2015. Modelado em homenagem à atriz Audrey Hepburn e peculiar por sua aparência e comportamento mais próximos aos humanos do que robôs anteriores. De acordo com o fabricante, David Hanson, Sophia tem inteligência artificial, pode realizar processamento de dados visuais e reconhecimento facial. Sophia não somente imita gestos e expressões faciais humanas, como também é capaz de responder a certas perguntas e ter conversas simples sobre tópicos predefinidos (por exemplo, sobre o tempo). O robô utiliza tecnologia de reconhecimento de voz da Alphabet Inc. (matriz do Google) e é projetado para ficar mais inteligente com o tempo. Seu software de inteligência artificial, desenvolvido pela SingularityNET, analisa conversas e abstrai dados que permitem-lhe melhorar suas respostas futuras. É conceitualmente semelhante ao programa de computador ELIZA, que foi uma das primeiras tentativas de simular uma conversa humana.
Hanson projetou Sophia a fim de que fosse companhia para idosos em casas de repouso ou para ajudar multidões em grandes eventos e parques. Ele espera que o robô Sophia interaja suficientemente com seres humanos para eventualmente adquirir competências sociais.
O robô Sophia foi entrevistado da mesma forma que um ser humano seria, estabelecendo conversas com os anfitriões. Algumas respostas foram absurdas e outras impressionantes, como uma longa discussão com Charlie Rose em 60 Minutes. Em uma entrevista para a CNBC, quando seu criador perguntou “Você quer destruir os humanos? …por favor diga que não”, Sophia respondeu imediatamente com um “OK, eu destruirei os humanos”, resposta que deixou Hanson vermelho.
Em 11 de outubro de 2017, o robô Sophia foi apresentado à Organização das Nações Unidas durante uma breve conversa com a vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina J. Mohammed.
No dia 25 de outubro, durante o Future Investment Summit em Riyadh, recebeu cidadania da Arábia Saudita, tornando-se o primeiro robô a ter uma nacionalidade.
Este acontecimento gerou polêmica, com alguns comentaristas se perguntando se isso significava que Sophia poderia votar, casar ou se um desligamento deliberado de seu sistema poderia ser considerado assassinato. Usuários de mídias sociais usaram esta notícia para criticar a posição da Arábia Saudita com relação aos direitos humanos.

13.642 – Barbeiragem Eletrônica – Carro autônomo da Uber pode não ser culpado por morte de pedestre


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Um carro autônomo da Uber se envolveu no primeiro acidente fatal deste tipo de tecnologia. O veículo atropelou uma mulher em Tempe, Arizona, nos Estados Unidos, que morreu a caminho do hospital.
O acidente aconteceu no início do dia numa rodovia movimentada. O carro da Uber estava circulando com o modo autônomo ativado e, segundo a polícia, estaria entre 61 e 64 quilômetros por hora, numa via em que o limite é de 72 quilômetros por hora.
O The Verge, o sargento Ronald Elcock afirmou que o carro não diminuiu a velocidade antes de se chocar com a pedestre, uma mulher chamada Elaine Herzberg, de 49 anos. Ainda havia um motorista de segurança no carro, um funcionário da Uber chamado Rafael Vasquez, de 44 anos.
Segundo a polícia de Tempe, Elaine entrou na pista “abruptamente” empurrando uma bicicleta coberta por sacos plásticos, apurou o Ars Technica. É provável que a vítima fosse moradora de rua. Não se sabe ainda se o motorista de emergência tentou impedir o acidente.
Após checar os vídeos gravados pelas câmeras do carro autônomo, a chefe de polícia Moir disse que “é muito claro que teria sido difícil evitar esta colisão em qualquer modo, autônomo ou dirigido por um humano, pela maneira como ela saiu das sombras direto para o meio da rodovia”.
O inquérito, porém, ainda não foi concluído, de modo que a Uber ainda pode, sim, ser ao menos parcialmente responsabilizada pelo acidente. Um órgão federal de segurança em transporte, o NTSB, está também conduzindo uma investigação paralela à da polícia de Tempe.
A Uber diz que está colaborando com as autoridades, e também confirmou que os testes com sua tecnologia de carros autônomos foram suspensos não apenas em Tempe, mas em todas as outras cidades dos EUA em que eles estavam sendo realizados.

13.625 – O que é o Projeto Avatar?


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Magnata russo deseja implantar cérebros humanos em robôs
Dmitry Itskov, magnata russo da área de tecnologia, apresentou recentemente um projeto que mais se parece com um daqueles livros de ficção científica: batizado de “Avatar”, a ideia é desenvolver robôs capazes de hospedar cérebros humanos e manter sua consciência ativa para sempre.
Lançado há um ano, o projeto emprega 30 pesquisadores, que Itskov financia com o dinheiro do próprio bolso. Depois da recente apresentação realizada em Moscou, o magnata espera atrair cientistas de todo o mundo que desejem colaborar com as pesquisas.
De acordo com Itskov, “este projeto estará indicando o caminho para a imortalidade”, e ele acredita que “esta é uma nova estratégia para o futuro, para a humanidade”.

Projetos semelhantes
A DARPA, agência norte-americana que trabalha com projetos de pesquisa avançada de defesa, já havia surpreendido ao apresentar um sistema, também batizado de “Avatar”, que utilizará robôs bípedes e semiautônomos para substituir soldados nos campos de batalha. Entretanto, os planos de Itskov, que precedem as pesquisas norte-americanas, parecem ir mais além.
O projeto é ambicioso e está dividido em fases:
Primeira fase: deve ocorrer dentro de poucos anos e prevê o desenvolvimento de robôs capazes de ser operados pela mente humana. Essa tecnologia já se encontra em desenvolvimento, e um estudo realizado em pacientes humanos do hospital John Hopkins já está utilizando implantes cerebrais para controlar membros artificiais, por exemplo.
Segunda Fase: deve ocorrer dentro de 10 anos e prevê o transplante da mente humana para uma mente robótica. Após essa etapa, seria realizada uma espécie de “upload” de informações, que transferiria o conteúdo do cérebro humano a um cérebro robótico novinho em folha.
Última fase: deve ocorrer dentro de 30 anos e prevê o desenvolvimento de corpos holográficos, que seriam capazes de hospedar a consciência humana.
Até o momento, não existe nenhuma tecnologia que permita a criação de consciências humanas holográficas, nem podemos afirmar que algum dia será possível criá-las. Mas, como o próprio Itskov afirmou, “se você empregar toda a sua energia em algo, poderá fazer com que se torne realidade”.

13.624 – Projeções – A Transferência Mental


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Em teoria por enquanto:

Acredita-se que uma pessoa possa transformar a sua personalidade, memória e emoção em dados de computador. Sendo assim, essa pessoa poderia viver eternamente caso algo acontecesse ao seu corpo orgânico dentro de um sistema de computação. Uma pessoa pode carregar sua consciência para um computador ou a mente de um bebê recém-nascido. O bebê, então, iria crescer com a individualidade da pessoa anterior e não poderia desenvolver sua própria personalidade.
Futuristas como Moravec e Kurzweil propuseram que, graças ao crescimento exponencial do poder da computação, um dia será possível fazer o upload da consciência humana para um sistema informático e viver indefinidamente em um ambiente virtual. Isso poderia ser conseguido através de avanços da cibernética, quando o hardware seria inicialmente instalado no cérebro para ajudar a memória a digitalizar ou acelerar os processos de pensamento. Componentes seriam adicionados gradualmente até que as funções do cérebro da pessoa fossem inteiramente dispositivos artificiais, evitando transições radicais que poderiam levar a problemas de identidade.
Após esse ponto, o corpo humano poderia ser tratado como um “acessório opcional” e a mente poderia ser transferida para qualquer computador suficientemente potente. Pessoas nesse estado seriam, então, essencialmente imortais, a menos que a máquina (ou o segundo corpo) que as mantém seja destruida. A pessoa poderia criar varias cópias de arquivo e guardá-las em vários locais (ou jogá-las na Internet), garantindo assim vida eterna absoluta.

Uso Militar
Essa tecnologia poderia ser usada como uma forma de armazenar dados das mentes de soldados. Esses dados ficariam em um local seguro e, caso esses soldados fossem mortos em guerra, com sua essência eles poderiam ser revividos, assim evitando o sofrimento da morte para a familia.
Outro uso é que a inteligência artificial poderia ser usada para o combate direto. Com a captação de dados, seria possivel replicar o sistema criando seres artificiais baseados na personalidade da pessoa que foi sublimada. Ex.: pilotos de caça criados artificialmente (homúnculos ou inteligências de computador) poderiam entrar em combate, a mente desenvolvida poderia tomar decisões sozinha e assim poderia ser criado o livre-arbitrio artificial, criando uma espécie de guerra robótica em que seres humanos não precisariam mais arriscar suas vidas para o combate e, sim, homúnculos ou inteligências artificiais, capazes de tomar as suas próprias decisões e, quem sabe, possuir sentimentos e essências baseados no ser humano.

Onde entra a ética?
É evidente que essa questão gera muita polêmica. Como ainda não existe uma legislação especifica para esse caso, uma pessoa sublimada não teria nenhum impedimento para praticar muitos crimes, como assassinato por exemplo (já que homicidio é qualificado como um humano matando outro e, de certo ponto de vista, o individuo deixa de ser humano).
Outro ponto a ser comentado é a questão de o homem se tornar uma especie de deus, já que, com uma análise detalhada de dados, podemos até criar um homúnculo (ou uma consciência artificial) baseando-se em tais dados; o que poderia levar a máquina (ou o homúnculo) dotada de livre-arbítrio a cometer crimes e ficar impune. Apesar de existirem as três leis da robótica, o ser citado acima, por possuir livre-arbitrio, poderia se negar a seguir tais leis, o que cientificamente seria absurdo de se aceitar. Isso sem contar a questão da imortalidade já citada acima.
Com isso surgiriam questões do tipo: é etico ser imortal? Seria injusto não aplicar as mesmas leis humanas a robôs? Seria injusto exclui-los do mesmo código de ética, mesmo sabendo que eles devem ser uma espécie de escravos do ser humano e não poderiam seguir o seu livre-arbitrio tão livremente assim?

13.606 – Os Robôs Estão Chegando – Automação vai mudar a carreira de 16 milhões de brasileiros até 2030


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Além das já conhecidas ameaças geopolíticas e ambientais, as transformações do mercado de trabalho também ganharam lugar de destaque na agenda do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Só no Brasil, 15,7 milhões de trabalhadores serão afetados pela automação até 2030, segundo estimativa da consultoria McKinsey.
No mundo, no período entre 2015 e 2020, o Fórum Econômico Mundial prevê a perda de 7,1 milhões de empregos, principalmente aqueles relacionados a funções administrativas e industriais.
A avaliação de especialistas da área é que o mercado de trabalho passa por uma grande reestruturação, semelhante à revolução industrial. A diferença é que agora tudo acontece muito mais rápido: desde 2010, o número de robôs industriais cresce a uma taxa de 9% ao ano, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
No Brasil, cerca de 11.900 robôs industriais serão comercializados entre 2015 e 2020, segundo a Federação Internacional de Robótica.
A Roboris, que tem entre seus clientes a Embraer, é uma das fornecedoras que atuam no país. Segundo o presidente da empresa, Guilherme Souza, 30, o interesse da indústria brasileira pela automação vem crescendo.
No mundo, entre 400 milhões e 800 milhões serão afetados pela automação até 2030, a depender do ritmo de avanço tecnológico, segundo a McKinsey. Isso equivale a algo entre 11% e 23% da população economicamente ativa global, calculada pela OIT em 3,5 bilhões de pessoas.
Isso não significa que todos perderão o emprego, mas que serão impactados em algum grau, que vai de desemprego a ter um “cobot” (colega de trabalho robô com quem divide as funções).
O Fórum Econômico Mundial, por exemplo, projeta um aumento na demanda nas áreas de arquitetura, engenharia, computação e matemática, entre outras.
Esse incremento de vagas, contudo, não será suficiente para absorver quem perdeu o trabalho em outros setores, além de exigirem alta qualificação, avalia a organização.
Nesse cenário de extinção grande de trabalhos que exigem pouca qualificação e criação de um número menor que exige muita, a tendência é de aumento da desigualdade, alerta a OIT.
O fim de funções hoje exercidas pela população de baixa e média renda vai gerar desemprego e pressionar para baixo o salário das que restarem, diante da massa de pessoas buscando trabalho.
Mesmo quem tem uma visão mais positiva sobre o futuro, como a McKinsey, sugere a criação de uma renda básica universal (principal bandeira do petista Eduardo Suplicy) como uma opção diante do enxugamento de vagas de menor qualificação.
Um sintoma já perceptível desse processo é a queda ou estagnação da renda fruto de salários e capital em dois terços dos lares das economias avançadas entre 2005 e 2014, maior retrocesso desde os anos 1970, diz a consultoria.
Um caminho para contornar o problema é treinar a força de trabalho para que aqueles de menor qualificação profissional não fiquem para trás, diz o diretor da OIT.
Estudo na Unicef divulgado em dezembro alerta para o risco da tecnologia digital transformar-se em um novo motor de desigualdade. Embora 1 em cada 3 usuários da internet seja uma criança, há ainda 346 milhões de jovens sem acesso ao mundo digital.
Segundo pesquisa feita pelo Fórum Econômico Mundial com diretores das áreas de recursos humanos em empresas de 15 países, 44% deles acreditam que o maior impacto no mercado hoje vem das mudanças no ambiente de trabalho, como home office, e nos arranjos flexíveis, como contratação de pessoas físicas para trabalhar por projeto (a chamada “pejotização ). O percentual é semelhante entre os brasileiros (42%).
Outra forma emergente de trabalho são os relacionados à “gig economy”, como plataformas online e aplicativos –programadores freelance e motoristas de Uber entram nessa categoria.
A tendência é de que as empresas reduzam ao máximo o número de empregados fixos dentro do contrato tradicional, terceirizando para consultores o que for possível como forma de redução de custos e ganho de eficiência, segundo o Fórum Econômico Mundial.
Assim, embora a tecnologia gere uma demanda por novas atividades altamente qualificadas, como programação de um aplicativo, a probabilidade é que as empresas terceirizem a função, em vez de contratar diretamente esse profissional.
Um desafio extra para o Brasil é que ele precisa começar a lidar com essas questões novas ao mesmo tempo em que ainda não resolveu problemas antigos, como o alto índice de informalidade, que voltou a subir durante a crise e hoje atinge 44,6% dos trabalhadores, segundo o IBGE.
É preciso estender a cobertura da legislação ao “velho” e ao “novo” mercado, Salazar-Xirinachs, diretor regional da OIT para a América Latina e Caribe.

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13.580 – Seu Futuro decidido por um Robô – Programa de inteligência artificial encontra candidatos para vagas


Desde pequena, Marcela Ponzini, estudante de Economia e Administração, nunca parou quieta. Gostava de aprender e descobrir coisas novas — duas características marcantes da personalidade dela. Hoje, passa o tempo livre lendo os livros de Sri Prem Baba, um brasileiro popstar do hinduísmo.
Em uma disputa de emprego tradicional, essas curiosidades poderiam passar em branco. Afinal, o que mais conta, nas primeiras etapas, são histórico escolar e experiências anteriores. Não dá para chamar a atenção dos recrutadores de outra forma que não apenas com o currículo — exceto em processos que envolvem o Kenoby, software de recrutamento e seleção, custos e tempo gasto nos processos seletivos com auxílio do Watson, plataforma de inteligência artificial da IBM.
E Ponzini encarou uma dessas seleções. Ela participou de quatro provas online: inglês, conhecimentos gerais, conhecimento cultural e motivacional. Mas o programa de inteligência artificial da Kenoby não avalia apenas os resultados: analisa as respostas com cuidado e revela alguns detalhes da personalidade. Nessa busca, indica aos recrutadores — em um tempo bem mais ágil — quais são os melhores candidatos para a vaga. “Dá mais segurança e não sofre influência de preconceitos”, diz Marcel Lotufo, CEO e sócio-fundador do empreendimento.
Ponzini não passou no teste final, mas superou quase mil candidatos. E pôde, pelo menos, mostrar mais que o currículo.

13.532 – Hasta la Vista Baby – Inteligência Artificial pode substituir todos os Humanos Afirmou STEPHEN HAWKING


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Se as pessoas projetam vírus de computador, alguém projetará uma Inteligência Artificial que vai se aperfeiçoar e reproduzir a si própria.” Concretizar essa profecia feita pelo físico teórico em entrevista à revistaWired parece uma questão de tempo.
Um exemplo é o projeto AphaGo, do Google, que criou um robô capaz de vencer os melhores jogadores de GO, um antigo jogo chinês. Em seguida o projeto de inteligência artificial criou outro robô, que se treinou sozinho, e venceu 100 partidas consecutivas o primeiro robô. Por enquanto é só um jogo, em um ambiente (teoricamente) controlado como o laboratório do Google.
Diariamente, no entanto, surgem novas notícias da evolução da inteligência artificial. Caso essa tecnologia esteja disponível nas mãos de alguém sem tanta preocupação ética, dando liberdades de parâmetros e limites aos robôs, um cenário similar à Skynet de O Exterminador do Futuro não parece tão impossível. “Será uma nova forma de vida que supera os humanos”, alerta Hawkings. Podemos ficar obsoletos.
Não é a primeira vez que o físico alerta sobre os perigos da inteligência artificial. Em uma entrevista concedida à revista Times, em março deste ano, garantiu que o apocalipse robô era iminente, e a criação de algum tipo de governo mundial seria necessário para controlar a tecnologia. Ele destacou principalmente os empregos que serão perdidos para os robôs e a criação de armas militares providas de inteligência artificial.
Para o cientista, já atingimos um ponto sem volta. Como parece que nenhum governante esteja muito preocupado com as ameaças, a opção para Hawking seria a colonização de outros planetas. Mas tem de ser rápido, já que ele colocou um prazo de 100 anos para deixarmos a Terra.
O engenheiro chefe do Google, Ray Kurzweil, já afirmou que a singularidade — quando máquinas inteligentes criam máquinas ainda mais inteligentes — deverá acontecer dentro dos próximos 30 anos. Seja qual for o resultado, o quase ilimitado potencial da inteligência artificial, com capacidade para o bem ou para o mal, precisa ser desenvolvido com o máximo de cautela.

13.523 – Inteligência Artificial – Estes rostos não pertencem a pessoas reais


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Recentemente, um gerador de imagens que conseguia transformar o desenho mais grosseiro de um rosto em uma imagem de aparência mais realista fez sucesso na internet. O sistema usava um tipo novo de algoritmo, chamado de rede adversária generativa (GAN). Agora, a fabricante de chips NVIDIA desenvolveu um sistema que emprega um GAN para criar imagens muito mais realistas das pessoas.
As redes neurais artificiais são sistemas desenvolvidos para imitar a atividade dos neurônios no cérebro humano. Em um GAN, duas redes neurais são essencialmente opostas uma contra a outra. Uma das redes funciona como um algoritmo generativo, enquanto o outro desafia os resultados do primeiro, desempenhando um papel adversário.
Como parte de suas aplicações expandidas para inteligência artificial, a NVIDIA criou um GAN que usou o banco de dados da CelebA-HQ de fotos de pessoas famosas para gerar imagens de pessoas que na verdade não existem.
A ideia era que os rostos criados pela inteligência artificial pareceriam mais realistas se duas redes trabalhassem uma contra a outra para produzi-las. Primeiro, a rede generativa criaria uma imagem com uma resolução menor. Então, a rede oposta avaliaria o trabalho.
À medida que o sistema avançava, os programadores adicionaram novas camadas que lidavam com detalhes de alta resolução até que o GAN finalmente gerasse imagens de “qualidade sem precedentes”, de acordo com a equipe da NVIDIA.
Na verdade, essa linha entre o que é humano e o que é gerado por máquinas é um tema de muita discussão dentro do domínio da IA, e o GAN da NVIDIA não é o primeiro sistema artificial a imitar de forma convincente algo humano.
Uma série de IAs usam técnicas de aprendizado profundo para produzir uma fala humana. O DeepMind da Google tem a WaveNet, que agora pode copiar o discurso humano quase que perfeitamente. Enquanto isso, o algoritmo de inicialização do Lyrebird é capaz de sintetizar a voz de um ser humano usando apenas um minuto de áudio.
Ainda mais perturbador ou fascinante – dependendo da sua opinião sobre a inteligência artificial – são robôs que supostamente entendem e expressam emoções humanas. Exemplos disso incluem os robôs Sophia, da Hanson Robotics, e Pepper, da SoftBank.
Claramente, uma era de máquinas mais inteligentes já chegou. Conforme a capacidade da inteligência artificial de realizar tarefas que anteriormente apenas seres humanos poderiam realizar melhorar, a linha entre humanos e máquinas continuará a diminuir. A única questão é se ela acabará desaparecendo completamente. [Science Alert]

13.470 – O Exterminador Chegou – PELE ARTIFICIAL AUTORREGENERATIVA SÓ SERVE PARA AS MÁQUINAS – POR ENQUANTO!


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O avanço tecnológico é vertiginoso em todas as áreas, e a robótica não é exceção. Hoje, os robôs são capazes de perseguir alvos, disparar, pular, correr e, até mesmo, aprender com suas ações, por meio da chamada Inteligência Artificial.
A última novidade no assunto se deu graças a uma conquista da equipe científica da Universidade Livre de Bruxelas, que desenvolveu uma pele artificial autorregenerativa para revestir diferentes modelos de robô.
Desse modo, os robôs equipados com essa pele seriam capazes de se regenerar em caso de cortes, como os produzidos por esfaqueamentos. Naturalmente, essa descoberta remete a robôs como os do cinema, especialmente o lendário “Exterminador do Futuro”.
“Os polímeros são substâncias formadas por muitos ‘fios’. Quando expostos ao calor, são reorganizados e se ligam entre si sem deixar pontos fracos”, afirmou Bram Vanderborght, responsável pela pesquisa que descobriu esse novo tipo de pele artificial.
Com o objetivo de realizar testes, os especialistas criaram uma pinça, uma mão robótica e, inclusive, um músculo artificial – todos fabricados a partir de polímeros da borracha, parecidos com uma gelatina. Quando eles sofrem algum tipo de corte, utiliza-se um pouco de calor para a regeneração.

13.346 – Robótica – Novo guepardo robótico do MIT foi criado para ajudar a salvar vidas


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Pesquisadores do MIT apresentaram a nova versão do guepardo robótico Cheetah 3, um robô bastante rápido feito com o objetivo de ajudar a salvar vidas.
Até agora, as apresentações de robôs do MIT focavam em mostrar feitos impressionantes que eles são capazes de atingir, mas para o novo modelo houve uma mudança de filosofia, e os cientistas querem mostrar uma utilidade prática para a criação.
Assim, o novo guepardo robótico foi desenvolvido para monitorar o ambiente e situações de emergência em uma área que representa muitos riscos para seres humanos. Ele não será o primeiro a frequentar o cenário radioativo de Fukushima: outros robôs, como o Packbot da Endeavor, já fez estudos na região.
Mas o Cheetah 3 pode ir mais longe do que outros robôs: por contar com quatro patas articuladas e não com rodas, ele consegue se locomover para áreas mais remotas do que outros robôs.
O professor Kim ressalta que o Cheetah 3 não está pronto para ser usado, e ainda falta muito desenvolvimento até que ele de fato possa andar pela região da usina nuclear de Fukushima. Atualmente, ele está sendo testado no campus do MIT, e a ideia é que a partir do ano que vem ele incorpore funções dos modelos anteriores. Portanto, ele ainda está em estágio inicial de desenvolvimento.

13.241 – Neurociência – Elon Musk: o projeto que mesclará cérebros humanos e inteligência artificial


neurociencia
Elon Musk, CEO da SpaceX e da Tesla, está no processo de desenvolvimento de uma nova empresa de interfaces cérebro-computador. Chamada Neuralink, ela será voltada à criação de dispositivos que poderão ser implantados no cérebro humano.
Sua função será unir o cérebro humano a um software, permitindo o aperfeiçoamento da memória e a criação de interfaces diretas com aparelhos informáticos.
Embora, até o momento, esse tipo de interface exista apenas na ficção científica, na medicina as matrizes de eletrodos e outros implantes já são utilizados para ajudar no alívio de sintomas do mal de Parkinson, da epilepsia e de outras doenças neurodegenerativas.
Operar o cérebro humano é bastante complexo e invasivo e, segundo os pesquisadores, temos um entendimento muito limitado sobre como os neurônios reagem no cérebro humano. Por isso, é compreensível que somente as pessoas que tenham uma condição médica muito séria e já tenham esgotado todas as outras possibilidades estejam suscetíveis à ideia de um implante cerebral – pelo menos, em uma primeira fase.

13.204 – Tecnologia – A era dos ciborgues chegou?


era dos cyborgues

 

Como todas as outras espécies, somos o resultado de milhões de anos de evolução. Agora, porém, estamos assumindo o comando desse processo.
Engenharia e medicina unem-se na criação de próteses comandadas por chip, sensores e software. Elas devolvem os movimentos a pernas, cotovelos, pés e mãos e substituem por perfeição até ouvidos.
Adam Jensen é um ex-policial americano que foi gravemente ferido enquanto tentava impedir um ataque ao laboratório em que trabalhava como segurança. À beira da morte em uma sala de cirurgia, conseguiu ser salvo por médicos que instalaram uma série de próteses cibernéticas em seu corpo.
Perfeitamente adaptados ao organismo de Jensen, os novos membros não foram apenas responsáveis por devolver-lhe a vida. Eles o transformaram em um super-homem: olhos que projetam informações digitais, ouvidos que funcionam como headphones, um braço capaz de esmagar paredes, pernas que realizam saltos inimagináveis.
Essas próteses sobre-humanas ainda não estão disponíveis. Fazem parte do enredo de Deus Ex: Human Revolution, game lançado no ano passado, ambientado na sociedade futurista de 2027. Na vida real, os pesquisadores ainda não conseguiram projetar membros capazes de expandir as habilidades humanas. Mas já fabricam próteses eletrônicas altamente tecnológicas que trazem conforto e segurança a milhares de pessoas, em todo o mundo, que sofrem com algum tipo de deficiência física.
Joelhos, pés, mãos, cotovelos, ouvidos. Com a ajuda de softwares e microprocessadores, engenheiros e médicos estão criando equipamentos artificiais cada vez mais semelhantes aos membros físicos, aproximando a ficção da realidade. “Trata-se de um conceito conhecido como biônico, quando a interface da prótese passa a ‘entender’ a necessidade do paciente”, afirma o fisioterapeuta José André Carvalho, diretor do Instituto de Prótese e Órtese (IPO), em Campinas, no interior de São Paulo.

Próteses inteligentes
Mesmo que a perfeita integração entre homem e máquina ainda não tenha sido totalmente alcançada, os membros eletrônicos disponíveis hoje já auxiliam seus usuários de maneira significativa. “Temos pacientes que jogam basquete, tênis, andam de skate, de bicicleta. Ao fazer essas atividades, eles esquecem que estão usando uma prótese”, diz o fisioterapeuta Carvalho.
O corretor de imóveis Reginaldo Dias de Souza, 39 anos, é um dos que nem percebem a falta do membro perdido. Primeiro, porque não tem tempo. Souza, que também é dono de uma empresa que realiza obras, passa o dia andando de um lado para outro, inspecionando a construção dos empreendimentos imobiliários.

Amputado da perna esquerda após sofrer um acidente de moto, em 2010, Souza é usuário da C-Leg, uma prótese eletrônica de joelho fabricada pela empresa alemã Otto Bock. “Não tenho mais medo de andar na rua e cair. Com a prótese consigo pular, descer uma rampa, andar em piso acidentado”, diz Souza. Antes da eletrônica, ele havia experimentado uma prótese convencional, mas não se adaptou. “Como ando muito, esquecia que estava usando uma prótese e acabava caindo com frequência. Não tinha segurança”, afirma Souza.

Após dez anos de pesquisas, a C-Leg foi lançada em 1997 e conta com mais de 50 mil usuários ao redor do mundo. O joelho eletrônico procura dar estabilidade total ao paciente na hora de caminhar, além de permitir realizar os movimentos com maior naturalidade. Para isso, o sistema é equipado com dois sensores internos responsáveis por fornecer informações como o ângulo e a velocidade de flexão do joelho. Um software interpreta esses dados e os envia ao microprocessador, que converte comandos para que um pequeno motor ative o sistema hidráulico, permitindo assim o movimento. Um detalhe importante: isso acontece 50 vezes a cada segundo.

Apesar da alta tecnologia empregada, o processo de adaptação do usuário à prótese não é simples. Antes de poder utilizá-la sem restrições, o paciente deve passar por um período de treinamento, ganhando confiança para voltar a andar. Além disso, o responsável pela instalação do membro artificial deve registrar algumas informações básicas no microprocessador interno da C-Leg, usando Bluetooth. “Quando o paciente está em treinamento na clínica, verifico seus movimentos usando gráficos e consigo fazer os ajustes necessários no software. Todas essas informações ficam armazenadas na prótese”, diz o fisioterapeuta José André Carvalho.

O usuário da C-Leg também conta com um controle remoto, que pode ser usado para a realização de atividades específicas. Caso queira andar de bicicleta, por exemplo, basta ligar uma função para que o joelho fique “livre”, sem nenhum tipo de travamento do controle hidráulico. Se preferir esquiar, é possível manter o equipamento em um ângulo específico, próprio para a prática da atividade. Apesar de todas essas possibilidades, o membro artificial ainda encontra uma limitação: não é à prova d´água. “Não poder entrar no mar com a prótese é uma coisa que me deixa chateado. Se elas tivessem algum tipo de blindagem seria limitação zero, daria para fazer qualquer coisa”, afirma Souza.

Mãos e ouvidos biônicos – Buscando explorar cada vez mais recursos, a Otto Bock lançou o Genium, um joelho eletrônico com tecnologia superior à da C-Leg. Já disponível no mercado europeu, o aparelho ainda depende da liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser comercializado no Brasil.
Mas a oferta de próteses eletrônicas não fica restrita a joelhos e pernas. A empresa islandesa Össur projetou o Proprio Foot, um pé biônico que busca recriar o funcionamento do tornozelo. Por meio de sensores, o equipamento se adapta ao terreno em que pisa, modificando o funcionamento na hora de subir rampas e escadas, facilitando, assim, a movimentação do usuário.

Para os membros superiores, a alta tecnologia fica por conta das próteses de mãos. Desenvolvida pela companhia escocesa Touch Bionics, a i-LIMB revolucionou o mercado ao criar um sistema que permite o funcionamento de todos os dedos do membro artificial, a partir de motores independentes. Além disso, a prótese é capaz de realizar movimentos de rotação do punho e do dedão, possibilitando ao usuário segurar objetos de maneira segura.
A mão eletrônica funciona a partir da transmissão de impulsos nervosos vindos da contração dos músculos existentes na parte não amputada do braço. Captados por sensores instalados na prótese, esses sinais são convertidos em cargas elétricas e levados ao microprocessador do equipamento, permitindo a execução dos movimentos. Com um software instalado em seu computador pessoal, o usuário pode alterar os níveis de sensibilidade e aderência da mão, usando Bluetooth.

O jovem inglês Matthew James, 14 anos, é um dos pacientes que perceberam imediatamente os benefícios da i-LIMB. A nova prótese do garoto, que nasceu sem a mão esquerda, veio de uma maneira especial. Apaixonado por Fórmula 1, Matthew enviou uma carta para Ross Brawn, chefe de equipe da escuderia Mercedes. Nela, contava o desejo de ganhar uma prótese que fosse mais confortável e o ajudasse na vida cotidiana. Comovida, a equipe de corrida se dispôs a pagar parte das 35 mil libras (cerca de 95 mil reais), o valor da prótese.
Matthew contou sobre o novo membro tecnológico, que usa desde agosto do ano passado: “Agora, tenho muito mais controle e precisão. Posso segurar uma maçã ou, até mesmo, uma uva sem medo de esmagá-la. Além disso, ela é muito bonita. A luva transparente é sensacional.” Matthew afirma que usava pouco sua antiga prótese, porque era muito pesada e limitava os movimentos. Pesquisadores vêm desenvolvendo também membros artificiais que poderão substituir plenamente órgãos vitais, como coração, rins, pâncreas e bexiga.
Entre as próteses internas mais bem-sucedidas está o ouvido biônico. Com um procedimento conhecido como implante coclear, pessoas com surdez parcial ou total são capazes de voltar a receber estímulos sonoros. Desenvolvido desde o início da década de 80, o ouvido biônico funciona a partir de duas unidades, uma externa e outra interna.

A primeira é um processador de som. Captada por um microfone, a frequência sonora é digitalizada e enviada por meio de uma antena FM para a unidade interna. Instalado dentro do ouvido, na região da cóclea, esse dispositivo transforma os dados recebidos em impulsos elétricos, que estimularão o nervo auditivo responsável por levar as informações ao cérebro.
Processado por um software, o som que chega aos ouvidos parece uma voz robótica. Segundo o médico otorrinolaringologista Ricardo Ferreira Bento, coordenador do Grupo de Implante Coclear da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o procedimento cirúrgico para a colocação da unidade interna é simples. “Um pequeno corte é feito atrás do ouvido para a instalação da unidade interna. A cirurgia demora cerca de uma hora e meia e o paciente sai do hospital no mesmo dia.”
Fabricado por quatro companhias, o ouvido biônico custa 60 mil reais. Mais de cem mil pessoas já fizeram o implante coclear no mundo. No Brasil, são realizados 800 procedimentos por ano. Só no Hospital das Clínicas de São Paulo, a equipe do doutor Bento realiza aproximadamente dez implantes por mês.
Ainda que o número de usuários seja alto, nem todas as pessoas que perderam a audição podem realizar o implante coclear. “O desenvolvimento do córtex cerebral deve ser levado em conta. Um indivíduo com 20 anos de idade que nasceu surdo e por isso nunca teve o cérebro estimulado terá um resultado pior do que o de um bebezinho de 1 ano. O ideal é que o implante seja feito o mais cedo possível”, afirma Bento.

Alto desempenho
Mesmo com tantos recursos tecnológicos, as próteses biônicas não são a única opção para as pessoas que perderam membros. É o que explica Ian Guedes, diretor do Centro Marian Weiss, de São Paulo, especializado na reabilitação de amputados. “A prótese mais avançada eletronicamente não é necessariamente a mais indicada. Precisamos sempre pensar quais são as necessidades e a expectativa do paciente.”
Um bom exemplo disso são os pés fabricados em fibra de carbono, como os desenvolvidos pela empresa Össur. Chamados Cheetah, são destinados a atletas e funcionam como molas. As próteses absorvem o impacto e devolvem essa energia na forma de impulsão. “Nesse caso, não podemos pensar em sistemas eletrônicos, pois não resistiriam aos choques intensos sofridos com o solo”, diz o fisioterapeuta José André Carvalho.

O atleta Alan Fonteles, 19 anos, já está acostumado a essa rotina de choques intensos. Nascido no Pará, o jovem sofreu uma biamputação abaixo dos joelhos quando tinha apenas 21 dias de vida, devido a uma infecção intestinal que se alastrou pela corrente sanguínea. Mas a amputação nunca lhe foi um empecilho. Com próteses mecânicas aprendeu a andar e a correr. Conheceu o atletismo aos 8 anos.
“Era doido para fazer algum esporte e, como alguns amigos praticavam atletismo, resolvi correr também. Em 2005 comecei a competir e em 2008 entrei para a seleção principal paraolímpica”, diz Alan, que conquistou duas medalhas de ouro no Mundial Juvenil, após vitórias nos 100 e 200 metros rasos, além de uma medalha de prata no revezamento 4 por 100 na Paraolimpíada de Pequim, na China.
Morando em São Paulo há quatro meses, Alan treina diariamente no Centro Olímpico do Ibirapuera, focado na Paraolimpíada de Londres, que acontece em agosto deste ano. Corre sobre pernas de fibra de carbono Cheetah que pesam 512 gramas cada e suportam até 147 quilos. “As próteses convencionais machucavam e não me permitiam melhorar o rendimento. Dei um salto no desempenho com a Cheetah”, diz Alan.
“Quando estou na pista de atletismo, tenho um retorno de energia muito grande, o que me permite correr em alta performance.” O modelo que o garoto pobre do Pará ganhou de presente e que mudou sua vida custa hoje cerca de 30 mil reais. Ele tem quatro pares. Fora das pistas, Alan usa próteses convencionais.

Competição de iguais – Com a Cheetah, alguns para-atletas já são capazes de competir em nível de igualdade com corredores olímpicos. É o caso do sul-africano Oscar Pistorius, 25 anos, que nasceu sem as fíbulas, osso localizado na parte lateral da perna. Biamputado que utiliza a Cheetah desde 2004, Pistorius é campeão paraolímpico em Atenas e Pequim. Conhecido como Blade Runner, em razão dos pés finos de fibra de carbono, o sul-africano participou, no ano passado, do Campeonato Mundial de Atletismo correndo ao lado de atletas não amputados.
Agora, na busca por vaga na Olimpíada de Londres, Pistorius tem até junho para conquistar o índice olímpico da prova dos 400 metros rasos, de 45s30. Em entrevista, Pistorius diz que quer fazer história nos Jogos Olímpicos ao tornar-se o primeiro atleta paraolímpico a disputar as competições regulares. “Tenho certeza de que serão os melhores jogos já disputados. Caso me qualifique, vou buscar ser consistente em cada corrida, vendo até onde consigo chegar.” Pistorius já está classificado para as competições paraolímpicas dos 100, 200 e 400 metros rasos.
Carro na vaga especial – Sem a necessidade de equipamentos eletrônicos, Daniela Raddi adaptou-se bem à sua prótese. Diretora de esportes do Instituto Paulo André, criado para inserir crianças e adolescentes carentes no mundo dos esportes, e ex-jogadora da Seleção Brasileira de Polo Aquático, Daniela sofreu uma amputação abaixo do joelho esquerdo em 2007, resultado de uma cirurgia malsucedida, e hoje utiliza uma prótese fabricada com fibra de vidro e carbono. No dia a dia, Daniela caminha com uma perna que possui um dispositivo capaz de inclinar o pé, o que possibilita até o uso de salto alto.
Para treinar natação, a atleta troca por uma prótese com nadadeira acoplada. “Tem gente que não faz ideia de que sou deficiente. Se manco um pouquinho, falam ‘você está com dor no joelho?’ E, muitas vezes, brigam comigo, dizendo que é um absurdo parar em vaga de carro para deficientes”, afirma Daniela.
Ainda que a reabilitação seja feita de maneira personalizada, de acordo com as necessidades de cada usuário, o desenvolvimento de próteses tecnológicas tende a disparar nos próximos anos. Mas por enquanto o cenário projetado em Deux Ex: Human Revolution está longe de ser concretizado. Quem sabe até 2027 não tenhamos uma nova geração de ciborgues aminhando pelas ruas?

O primeiro ciborgue
Neil Harbisson chama a atenção por si só. O cabelo em formato de tigela, as calças coloridas e o olhar zombeteiro fazem desse britânico de 29 anos uma figura peculiar. Mas é um pequeno dispositivo saindo de sua cabeça que o torna único: Harbisson é considerado o primeiro ciborgue do mundo. Ele nasceu com uma doença chamada acromatopsia, que o impede de enxergar cores. Mas seu mundo em preto e branco durou até 2004, ano em que desenvolveu o Eyeborg, um dispositivo que permite “escutar” as diferentes tonalidades de cor.
Capturada por uma webcam, a imagem é direcionada a um chip instalado em seu crânio e capaz de analisar a frequência da luz e transformá-la em som. Com as cores transformadas em frequências sonoras, Harbisson conseguiu expandir seus sentidos. Quando vai a um museu ou passeia pelas cidades, não só aprecia a beleza visual como também “ouve” as diversas tonalidades de cor presentes nos objetos.
Com seu Eyeborg, Harbisson consegue escanear os padrões de cores das metrópoles. Para ele, Londres é vermelha e amarela. São Paulo, uma mescla entre o azul e o vermelho. Formado em artes visuais, Harbisson fundou a Cyborg Foundation, cujo objetivo é ajudar humanos a se tornarem ciborgues. “A proposta é ampliar seus sentidos”, disse Harbisson.
Experimente perguntar a Harbisson como se sente sendo um ciborgue e a resposta será: “Fui gradualmente percebendo, ao notar que os componentes cibernéticos passaram a fazer parte de meus sentidos. Foi estranho porque não sabia quase nada sobre ciborgues quando comecei o projeto”. No início carregava um computador de 5 quilos com cabos. A grande mudança foi a instalação do chip, que é desenvolvido para que fique cada vez menor.

Esperança robótica
Épico. Esta foi a palavra encontrada pela mexicana Tamara Mena, 25 anos, para descrever um momento que jamais acreditou que viveria novamente. Moradora da Califórnia desde os 13 anos, ela e o namorado, Patrick, estavam num táxi em Rosarito Beach, na fronteira com o México, quando o carro atropelou um cavalo na estrada. O impacto lançou o animal para o ar. Ele caiu sobre o automóvel, matando na hora o motorista e Patrick. Tamara ficou paralisada do peito para baixo.
Era 2005 e, conformada de que nunca mais andaria, Tamara seguiu em frente. Concluiu o curso de comunicação na California State University e passou a fazer palestras e dar apoio a pessoas que vivem situação como a dela.
Foi num desses encontros que conheceu um projeto criado pela empresa Ekso Bionics. “Estava em um hospital e uma paciente comentou sobre um aparelho que estava sendo criado para pessoas paraplégicas”, disse Tamara. “Fui procurar mais informações e descobri uma tecnologia inimaginável.”
Fundada em 2005 na cidade de Berkeley, na Califórnia, a Ekso Bionics desenvolveu o Ekso, um exoesqueleto robótico capaz de devolver o movimento às pessoas que sofreram algum tipo de paralisia nos membros inferiores. Alimentados por duas baterias de íon de lítio, os quatro motores e quase 30 sensores espalhados pela estrutura de alumínio recriam os passos humanos. Com duas muletas, os pacientes ficam em pé e caminham, ainda que não tenham a sensibilidade do movimento.
“A primeira vez que usei o Ekso tive medo de cair. Era uma sensação diferente, já que não sentia as pernas. Parecia estar flutuando”, conta Tamara. “Após cinco anos e meio sem poder andar, era impressionante ver o meu pé tocando o solo, o joelho se dobrando. Estava caminhando, avançando.”
Tamara tornou-se “piloto de testes” da companhia desde fevereiro de 2011. Inicialmente, a concepção do exoesqueleto tinha fins militares. No ano 2000, a Darpa, agência americana vinculada ao Departamento de Defesa, iniciou o projeto Exoeskeletons for Human Performance Augmentation, que pretendia criar poderosas máquinas capazes de gerar mais força e resistência aos soldados no campo de batalha.
O processo de desenvolvimento comercial dos exoesqueletos começou em 2005, quando Homayoon Kazerooni, Russ Angold e Nathan Harding, professores do Laboratório de Engenharia Humana e Robótica de Berkeley, fundaram o que seria a Ekso Bionics. Em 2008, foi lançado o HULC (Human Universe Load Carrier), equipamento militar comprado pela empresa bélica Lockheed Martin. Três anos mais tarde seria a vez de a companhia anunciar o Ekso, versão “civil” do exoesqueleto.
Desde fevereiro deste ano, o Ekso está sendo vendido a hospitais americanos especializados no tratamento de pacientes com mobilidade comprometida. Por aproximadamente 130 mil dólares, o equipamento tem autonomia de três horas e necessita do auxílio de um especialista, responsável por ativá-lo e acompanhar os passos do usuário.

12.988 – Robô saltador pode ajudar socorristas em terremotos e desabamentos


Cientistas americanos criaram um ágil robô saltador que poderia se tornar uma ferramenta eficaz para as equipes de resgate que trabalham em terrenos difíceis, por exemplo entre os escombros de edifícios destruídos por um terremoto.
Este robô, inspirado no gálago, um pequeno primata que é o melhor saltador do reino animal, pesa 100 gramas e tem 26 centímetros de altura. Projetado por engenheiros da Universidade da Califórnia em Berkeley, foi apresentado na terça-feira, na primeira edição da revista “Science Robotics”.
Os engenheiros buscaram referências no reino animal e descobriram que a criatura mais apta para os saltos verticais em um ritmo rápido era o gálago, capaz de dar cinco pulos em quatro segundos, até uma altura combinada de 8,5 metros.
Para comparar a agilidade dos robôs e dos animais em saltos verticais, os pesquisadores desenvolveram um novo critério de avaliação, baseado na altura de um salto simples multiplicado pelo ritmo com o qual um animal ou um robô podem saltar.
Para este robô, chamado Salto (Saltatorial Locomotion on Terrain Obstacles), esta capacidade é de 1,75 metros por segundo, o que é superior ao rendimento da rã touro (1,71 m/seg), mas abaixo do desempenho do gálago (2,24 m/seg).
O segredo do gálago reside na sua capacidade particular de armazenar energia em seus tendões, o que lhe permite saltar alturas que não poderia atingir só com sua força muscular.
Para obter resultados semelhantes, os engenheiros robóticos desenharam as duas extremidades inferiores do Salto com um mecanismo que permite que seu motor elétrico armazene energia em uma mola, que é multiplicada pelos saltos sucessivos.
Assim, estas molas podem liberar quase três vezes a energia que o motor poderia produzir por si só para o primeiro salto.
“Combinar sistemas robóticos inspirados em mecanismos biológicos com tecnologia avançada permite reproduzir cada vez mais as destrezas animais”, afirma Ronald Fearing, professor de engenharia elétrica e informática em Berkeley, que dirigiu a pesquisa.
Outros robôs podem pular mais alto que o Salto de uma só vez, explicam os cientistas. Eles citam o exemplo do TAUB, desenvolvido por pesquisadores israelenses que se inspiraram no grilo, cujo salto pode atingir 3,2 metros de altura.