13.322 – Medicina – Venenos que Salvam Vidas


venenos
Como parte da medicina, a biomedicina é responsável por encontrar as substâncias tóxicas originadas no mundo animal que possam curar doenças. Abaixo, alguns exemplos de venenos que estão sendo estudados para combater algumas das patologias mais complicadas que afligem os humanos.

Víboras para combater o Alzheimer: O veneno da víbora de Russell (Daboia russellii) contém uma molécula poderosa que seria capaz de fragmentar a proteína beta-amilóide, responsável pelo Alzheimer.
Aranhas para combater a distrofia muscular: O veneno da aranha Rosa Chilena (Grammostola rosea) possui uma proteína que evita a deterioração das células musculares. Embora não cure a distrofia, consegue parar a degeneração muscular.
Anêmonas para combater a obesidade: O veneno da anêmona Stichodactyla helianthus possui uma toxina que seria capaz de agir no sistema imunológico para regular o ritmo metabólico, ativando a boa gordura.
Caramujos para combater as dores: Os conus produzem um tipo de toxina que modifica seletivamente a transmissão de sinais entre neurônios, o que permitiria bloquear a dor cem vezes mais que a morfina e sem causar vício.
Monstro-de-gila para combater a diabetes: Esse lagarto possui um veneno na saliva que permite tratar diabetes, fazendo com o que o pâncreas produza insulina e que o estômago se esvazie lentamente, de modo que a glicose possa ser absorvida em maior quantidade.
Pererecas para combater o câncer: A perereca Phyllomedusa sauvagii excreta proteínas que poderiam influenciar no crescimento dos vasos sanguíneos, impedindo a chegada de sangue aos tumores.
Serpentes para combater a hipertensão: O veneno da jararaca-da-mata (Bothrops jararaca) possui uma substância tóxica capaz de diminuir a pressão arterial. Dela deriva um medicamento que hoje já é receitado no mundo inteiro para tratar a hipertensão.

13.253 – Ta doente? Vai uma macoinha aí – Maconha pode ser regulamentada como planta medicinal


maconha
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária incluiu a Cannabis Sativa L. na sua lista de Denominação Comum Brasileira. A ação oficializa a cannabis, dando-lhe um número de identidade para referência posterior entre médicos e órgãos reguladores.
A medida foi oficializada com a publicação da Resolução nº 156, no dia 5 de maio de 2017. Agora, a maconha é uma substância reconhecida dentro do país, o que permite às agências reguladoras nacionais se referirem à planta em suas diretrizes.
“É um primeiro passo muito importante. A partir de agora, podemos esperar uma regulamentação da planta para fins medicinais”, explica Paulo Mattos, doutorando em Biologia Molecular pela UNIFESP e membro do Grupo Maconhabras do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) e da Associação Cultural Canabica de São Paulo (ACUCA).
A inclusão, porém, não altera as normas regentes atuais. “O cultivo e uso não autorizado da substância ainda é criminalizado”, explica ele. A Anvisa permite a prescrição de medicamentos derivados do canabidiol e tetrahidrocanabinol perante uma autorização especial dada por ela. Um dos exemplos mais conhecidos é o Mevatyl, responsável por diminuir a rigidez excessiva em pacientes que sofrem de esclerose múltipla.
Segundo Mattos, existem três famílias com autorização para cultivar a erva com fins medicinais, mas nenhuma produtora nacional. Com uma regulamentação oficial futura, a possibilidade para o cultivo em grande escala estará aberta.

Fonte: Galileu

13.236 – Estudo revela por que a maconha prejudica a memória


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Um novo estudo publicado na Nature acredita que conseguiu explicar, pela primeira vez, por que é difícil lembrar das coisas para quem fuma maconha.
A cannabis afeta a memória de curto prazo, impedindo que essas lembranças sejam solidificadas no cérebro. O efeito é temporário: parando de usar, o processo de armazenamento de informações volta ao normal rapidamente. O problema é que ninguém sabia explicar exatamente o que causava esse curto-circuito.
A mais nova descoberta mostra que as mitocôndrias são as responsáveis por esse bug cerebral. Para quem precisa de um lembrete das aulas de biologia da escola, mitocôndrias são organelas que ficam dentro de todas as nossas células. Sua função é prover energia através da respiração celular.
Para conseguir causar a “brisa” e os demais efeitos da cannabis, o THC, princípio ativo da maconha, se “prende” aos receptores de canabinoides que temos nos nossos neurônios. Essa ligação vai acontecendo em todo o sistema nervoso. O que os cientistas não sabiam é que as mitocôndrias também têm receptores de THC nas suas membranas. Ou seja: mitocôndrias também ficam chapadas e isso afeta a energia produzida nos seus neurônios.
O Instituto Neurocentre Magendie, na França, desenvolveu um estudo com ratinhos para analisar esse fenômeno. Os animais foram acostumados com um labirinto até saber percorrê-lo de cor. Depois, os pesquisadores injetaram THC no hipocampo dos ratos, região responsável pela memória. Quando os ratos chapados voltaram ao labirinto, agiram como se nunca tivessem estado lá antes.
Depois, os cientistas repetiram o experimento com ratos geneticamente modificados para não ter receptores de THC em suas mitocôndrias – e o defeito na memória deles não ocorreu.
Levando essas mitocôndrias para as placas de Petri, eles notaram que o THC interrompia o sistema de transporte de elétrons, que é uma etapa essencial no processo de produção de energia que ocorre dentro das mitocôndrias. Os neurônios do hipocampo, com as mitocôndrias prejudicadas, começavam a se comunicar menos entre si e, por isso, formavam menos memórias.
A mini-amnésia causada pela maconha é como se fosse, então, um regime de racionamento de energia que os neurônios adotam para conseguir manter sua atividade normal. Então, se você for do tipo que tem certeza que descobriu o significado da vida, do Universo e tudo o mais, tenha papel e caneta em mãos – ou então nem do número 42 você vai lembrar.

13.235 -Toxicologia – Maconha passa a ter o efeito oposto quando você envelhece


maconha
No equilíbrio entre os benefícios e os riscos da maconha, a idade parece ser um fator mais importante do que se imaginava. Pelo menos foi o que concluiu uma pesquisa feita com ratos na Universidade de Bonn, na Alemanha.
Os cientistas queriam ver qual seria o efeito do THC, a substância responsável pelo “barato” da maconha, se fosse dado aos ratos em doses baixas, mas diárias, por um longo período de tempo.
Eles dividiram os ratos em três grupos: um de jovens, outro de ratos na meia idade e um último de idosos. Os animais foram testados com relação à capacidade de aprender e à memória usando pequenos labirintos. Eles observaram quanto tempo os roedores levavam para explorar o trajeto certo e, depois, para perceber quando estavam num caminho já percorrido anteriormente.
A próxima etapa foi dar subdoses de THC durante um mês para cada rato. A quantidade era bem baixa, pequena demais até para causar efeitos psicoativos. Mesmo assim, ao fim do teste, o desempenho dos ratos jovens piorou muito dentro do labirinto.
O resultado é consistente com pesquisas em humanos, que mostram que a memória de curto prazo fica prejudicada enquanto durar o uso, ainda que os efeitos sejam reversíveis.
Mas o grupo de ratos idosos surpreendeu os pesquisadores. Porque, no caso deles, o uso do THC trouxe uma melhora cognitiva razoável, impulsionando a memória e a atenção e trazendo resultados melhores dentro do labirinto.

13.179 -Veneno de peixe do Pacífico pode ajudar a criar analgésico


Pequenos peixes da espécie Meiacanthus grammistes, que habita os recifes de corais do oceano Pacífico, possuem um veneno incomum que poderia ser usado como matéria-prima para um novo tipo de analgésico, afirmaram cientistas britânicos e australianos.
O veneno desses peixes, que têm de quatro a sete centímetros de comprimento, paralisa os predadores, sem causar dor, segundo um estudo publicado na revista “Current Biology”.
Uma análise mostrou que o veneno tinha três componentes: um neuropeptídeo encontrado no veneno de caracóis, uma enzima similar à do veneno de escorpião, e um composto opiáceo.
Os cientistas estimam que o neuropeptídeo e o componente opiáceo poderiam provocar uma queda repentina na pressão arterial. “O veneno faz com que o peixe mordido se mova mais lentamente e fique desorientado, ao agir sobre seus receptores opioides”.
Experimentos com ratos de laboratório revelaram que os roedores não mostraram nenhum sinal de dor quando foram injetados com o veneno do peixe. Fry disse que o veneno é “quimicamente único”, e que esta espécie é “a mais interessante”.
Seu comportamento também é intrigante, disse, devido à maneira como eles parecem não ter medo de predadores e lutam por territórios com peixes do mesmo tamanho.
O pesquisador afirma que as descobertas reforçam a necessidade de proteger a Grande Barreira de Corais australiana e outros ecossistemas frágeis.

13.062 -Toxicologia – Como é feito e como age o soro antiofídico?


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Apesar de existirem soros específicos para diferentes gêneros de cobras, o processo de produção de todos eles segue o mesmo padrão. O veneno da serpente é introduzido no organismo de um cavalo, que reage desenvolvendo anticorpos. E são esses anticorpos que, após serem retirados do cavalo, formam o soro. A eficiência do produto é grande e, diferentemente do que muitos pensam, uma picada de cobra não significa um convite quase certo para a morte. Segundo dados do Ministério da Saúde, das cerca de 20 mil pessoas picadas por serpentes venenosas a cada ano no Brasil, apenas 0,4% morrem. Mas é bom não bobear. As poucas mortes ocorrem justamente pelo uso incorreto ou tardio do soro ou ainda pela falta dele. A utilização incorreta do produto pode ser evitada com ajuda do diagnóstico de um especialista, já que o veneno de diferentes gêneros de cobras precisa ser combatido com diferentes tipos de sonoro. A confusão nesse aspecto só não é maior porque 90,5% dos casos de pessoas picadas no país envolvem serpentes de um mesmo gênero, Bothrops. Pertencem a ele cobras como jararaca, jararacuçu, caiçaca, urutu e cotiara, todas com peçonhas que podem ser combatidas com o mesmo tipo de soro. Em seguida, em número de picadas, aparecem as cascavéis (do gênero Crotalus), a surucucu (Lachesis) e as corais verdadeiras (Micrurus). Essas espécies ameaçadoras, porém, são minoria no Brasil. Dos 256 tipos de serpentes existentes por aqui, apenas 70 são peçonhentas, ou seja, capazes de inocular seu veneno. No país, os soros são feitos pelo Instituto Butantan, em São Paulo, pela Fundação Ezequiel Dias, em Minas Gerais, e pelo Instituto Vital Brazil, no Rio de Janeiro. Toda a produção é comprada pelo Ministério da Saúde e oferecida gratuitamente em hospitais e postos de saúde de todo o Brasil.

Socorro a galope Eqüinos produzem os anticorpos que barram o veneno das cobras
1. O primeiro passo para se produzir o soro é extrair o veneno de uma serpente — ou de um grupo delas do mesmo gênero, se o objetivo for uma vacina “multiuso”. Para coletar o veneno das glândulas que secretam a substância, basta pressioná-las com as mãos ou aplicar um pequeno choque. Em pouco tempo, a serpente repõe sua peçonha.

2. Um cavalo recebe o veneno em pequenas e sucessivas doses, que não prejudicam a sua saúde. Ele então começa a produzir anticorpos contra a peçonha. Por que são usados os cavalos? “Poderia ser qualquer animal, mas o cavalo é dócil e tem um rendimento maior na produção de anticorpos que outros mamíferos”, diz a bioquímica Hisako Higashi, do Instituto Butantan.

3. Após dez dias, amostras de sangue são retiradas do cavalo até se constatar que já há anticorpos suficientes no corpo do animal — o que leva, em média, 15 dias. Quando isso ocorre, até 16 litros de sangue são colhidos. Então, separa-se o plasma, parte do sangue onde ficam os anticorpos. O restante é reintroduzido no animal.

4. O plasma do sangue é purificado em reatores e diluído. Aí o soro já está pronto. Quando uma pessoa é picada por um cobra peçonhenta, precisa receber a substância salvadora o mais rápido possível. No organismo da vítima, os anticorpos do soro se misturam com o veneno, neutralizando sua ação pouco a pouco. Em geral, o paciente se restabelece após um dia de tratamento.

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12.902 – Pesquisa sugere que a maconha pode melhorar a visão noturna


maconha
Um laboratório com girinos em clima de Woodstock. Um grupo de filhotes de sapo usou acannabis em nome da ciência, e deu fortes indícios a favor de uma teoria que estava no ar há mais de 25 anos: a de que a erva pode turbinar a sensibilidade dos nossos olhos no escuro.
A pesquisa foi publicada pela equipe do canadense Lois Miraucourt, do Instituto Neurológico de Montreal, no periódico científico eLife. Na primeira fase da experiência, os pesquisadores injetaram nos olhos dos girinos um canabinóide sintético, ou seja, uma versão do princípio ativo da droga feita em laboratório. Depois, usaram microeletrodos para medir a atividade do nervo ótico dos animais — é ele que faz a ponte entre os olhos e o cérebro.
O resultado é que a plantinha mais polêmica do mundo melhorou a reação dos olhos do girino à luz de diferentes intensidades. Em outras palavras, diminuiu a chance do bebê sapo se assustar ao confundir um cabide de roupas em seu quarto com um fantasma durante a noite. O efeito não é uma surpresa: já se sabia há duas décadas que pescadores jamaicanos usavam a droga para aumentar a sensibilidade de seus olhos no mar noturno e evitar recifes de corais.
A explicação para esse boost na sensibilidade está no interior das células. Lá dentro, em escala microscópica, o canabinoide se une a um receptor chamado CB1R. Receptores são proteínas essenciais para nossas células. Em uma situação normal, são eles, por exemplo, que recebem e passam adiante um comando deixado por um hormônio na corrente sanguínea. Tudo em ritmo de telegrama.
O que o BD1 faz quando é cutucado pela maconha é inibir uma proteína que controla o potencial elétrico das células da retina. Com mais íons (átomos com carga elétrica) para fora do que para dentro, elas se tornam mais “excitáveis”, e o pequeno sapo passa a enxergar um pouco melhor.
Para testar o efeito na prática, eles aproximaram os girinos de pontos pretos que eles associariam institivamente a predadores. Não deu outra: no escuro, os que estavam sob efeito da cannabis fugiam com muito mais frequência. Ainda não dá para afirmar que o efeito é o mesmo em humanos — tampouco se sabe se isso causaria qualquer dano prolongado à visão. Mas a pesquisa pode dar alguma esperança ao tratamento de doenças como o glaucoma.

12.896 – Toxicologia – Boa Noite Cinderela


Boa noite Cinderela é um coquetel de drogas, dentre as quais: Lorax, Rohypnol, Lexotam, GHB (ácido gama-hidroxibutírico) e Ketamina (Special K). Elas são encontradas normalmente na forma de compridos ou líquidos.
Essas drogas agem diretamente no sistema nervoso central, podendo provocar amnésia durante a intoxicação. A pessoa perde a consciência de seus atos, a capacidade de discernimento, apresenta dificuldade de resistir a ameaças, se sujeita a ordens de estranhos, entre outros.
Devido aos efeitos apresentados, essas substâncias são muito utilizadas por assaltantes e agressores que dopam a vítima a fim de assaltá-la ou abusar sexualmente, sendo portanto, denominadas também de “rape drugs” (drogas de estupro).
Há inúmeros casos de pessoas que sofreram o “Golpe Boa Noite Cinderela”. Este golpe é freqüentemente aplicado em boates, mas também pode ocorrer em restaurantes. O meliante finge estar ingerindo determinada bebida – contendo substância entorpecente – e oferece à vítima, que, após ingerir o líquido contrafeito, fica a mercê do bandido.
O bandido que se utiliza dessas drogas para aplicar o golpe, muitas vezes é bastante apresentável, o que faz com que fique difícil duvidar de suas intenções.
Esses casos dificilmente são registrados em Delegacias de Polícia, pois normalmente as vítimas ficam constrangidas em narrar o ocorrido, sendo que por vezes não conseguem recordar, ou melhor, ter certeza do que realmente ocorreu.
Sendo assim, não há estimativa sobre a ocorrência dos referidos crimes. Além disso, devido ao método empregado, tornam-se muito difíceis ações dos agentes policiais, a fim de que se diminuam ou se estanquem este tipo de delito.
Portanto, faz-se importante que todos estejam atentos ao aceitarem qualquer coisa de desconhecidos, traduzindo-se nos ensinamentos que recebemos de nossos pais quando crianças.

12.895 – Toxicologia – A Psilocibina


É um alcaloide com estrutura análoga a da serotonina. Possui atividade alucinógena, produzindo efeitos como alucinações e distúrbios sensoriais, sendo encontrada em determinadas espécies de cogumelos. Utilizada desde os tempos ancestrais em rituais, tendo relatos de mais de 3000 anos. Foi extensivamente utilizada na década de 1960, quando acontecia o movimento hippie.
No Brasil existem diversas espécies de cogumelos com propriedades alucinógenas, sendo que a maioria pertence aos gêneros Pcilocybe, Panaeolus e Pluteus, que possuem alcaloides indólicos derivados do triptofano, como a psilocibina.
De sentimentos de bem estar a sensações de pânico e alucinações perturbadoras, a psilocibina também é conhecida como “cogumelos mágicos”, sendo frequentemente utilizada como droga de abuso, possuindo efeito semelhante ao LSD (dietilamida do ácido lisérgico).
Uma vez ingerida, a psilocibina (O-fosforil-4-hidróxi-N,N-dimetiltriptamina) é hidrolisada, seu metabólito psicoativo, que possui estrutura molecular análoga a da serotonina. Com isto, é considerada um agonista da serotonina, que ao se ligar aos receptores específicos deste neurotransmissor, culminam na ativação de suas respostas, porém mais profundas que podem incluir alucinações visuais e distúrbios sensoriais, como aquelas observadas em pacientes com esquizofrenia. Esses receptores se encontram distribuídos pelo sistema nervoso central, porém apresentam maior concentração no córtex pré-frontal, cuja área está envolvida com a regulação do humor, cognição e percepção.
Alguns estudos também demonstram que a psilocibina aumenta os níveis de dopamina estriatal, resultando em euforia. Porém, mesmo atuando nestes sistemas, a psilocibina não está relacionada a produção da dependência química à droga.
Os efeitos alucinógenos da psilocibina geralmente aparecem após 15 a 45 minutos de sua ingestão, que pode se dar na forma de chá, bem como desidratado e moído sendo consumidos diretamente ou em cápsulas. Os sintomas se iniciam com prováveis desconfortos gástricos, que podem levar ao vômito, e leves tonturas. Após, há uma sensação de bem estar que pode evoluir para alucinações visuais, perdendo a noção da realidade. Esses efeitos podem ter duração de 4 a 6 horas, havendo relatos de sintomas de alterações na percepção sensorial e de pensamentos que perduraram por dias.
Características envolvendo desde a espécie e origem do cogumelo, até as relacionadas ao cultivo e período da colheita podem determinar a sua potência. A forma como é ingerido é outro fator determinante, já que cogumelos secos podem conter até 10 vezes mais substâncias ativas, quando comparados aos frescos.
A psilocibina vem sendo estudada desde a década de 1960 em aplicações médicas, especialmente em condições psiquiátricas como a esquizofrenia e transtornos de personalidade. Estudos já comprovaram seus efeitos positivos no tratamento do transtorno obsessivo compulsivo (T.O.C), além da enxaqueca crônica, conseguindo atenuar a dor. Atualmente, pesquisas mostram seu potencial efeito benéfico no alívio da ansiedade de pacientes em terapia antitumoral, conseguindo melhorar o ânimo abalado desses indivíduos.
Algumas características relacionadas ao usuário podem determinar os efeitos que serão observados frente ao uso dessa substância. Com isto, pacientes mentalmente instáveis ou ansiosos tendem a experimentar os efeitos considerados ruins. Dentre os efeitos gerais mais relatados, estão:

Alterações visuais, especialmente das cores;
Confusão e desrealização;
Sentimentos de alegria (euforia);
Tranquilidade;
Sinestesia;
Tontura e sonolência;
Dilatação das pupilas (midríase);
Alterações gastrointestinais (náuseas e vômitos).
O tratamento da intoxicação por espécies psilocibínicas visa controlar os sintomas, já que geralmente não são letais. Para este fim, medicamentos benzodiazepínicos podem ser conduzidos a fim de controlar a hipertensão, agitação e alucinações, assim como as fenotiazinas (clorpromazina) podem ser utilizadas para controlar surtos psicóticos.
Atualmente, a psilocibina e seu metabólito ativo, a psilocina, fazem parte da Lista de Substâncias Psicotrópicas de uso proscrito no Brasil, segundo a portaria 344/98 (ANVISA).

12.660 – Toxicologia – Anti-inflamatórios barram efeitos do veneno de escorpião


escorpião
Escorpião é puro veneno

Os efeitos mais sérios do veneno do escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), o mais perigoso do Brasil, talvez possam ser barrados com o uso de anti-inflamatórios comuns, sugere uma pesquisa da USP de Ribeirão Preto.
Em experimentos com camundongos, esses remédios conseguiram evitar problemas severos nos pulmões e a morte dos animais, mesmo quando recebiam doses teoricamente letais da peçonha.
A equipe da USP (Universidade de São Paulo) está se preparando para testar a abordagem com amostras de sangue humano. Se os resultados forem promissores, pessoas picadas pelo animal poderão receber os anti-inflamatórios logo de cara, antes do soro que funciona como antídoto do veneno.
O estudo, que saiu na revista científica “Nature Communications”, ajudou a elucidar detalhes do mecanismo de ação do veneno que ainda eram misteriosos. O que os cientistas verificaram é que a peçonha do escorpião atua sobre o chamado inflamassoma, um conjunto de moléculas do interior das células que desencadeia reações inflamatórias –em geral quando o organismo é invadido por micróbios, por exemplo.
“Venenos como o do escorpião exploram o sistema imune do organismo. O veneno induz uma superativação do sistema imune e pode até matar. Isso ficou claro recentemente com pesquisas sobre o veneno de abelhas”, explica outro coautor do estudo, o biólogo Dario Zamboni.
O processo desencadeado pela picada do T. serrulatus é complexo, mas duas moléculas-chave na reação inflamatória são a PGE2 (prostaglandina E2, um tipo de lipídio ou gordura) e a IL-1beta (interleucina-1 beta). Ao que tudo indica, a primeira molécula a ser produzida nas células da defesa do organismo por conta da presença do veneno é a PGE2. Ela, por sua vez, ativa o inflamassoma, levando à produção de IL-1beta, um importante sinalizador do sistema imune –cuja presença desencadeia ainda uma nova e mais potente rodada de produção de PGE2.
Dependendo de fatores que podem estar ligados às características genéticas do indivíduo, esse processo pode sair do controle. O normal é que a picada provoque dor e inflamação apenas no local penetrado pelo ferrão, mas nos piores casos a inflamação desencadeia um edema nos pulmões, o que pode levar à morte. E nem sempre o soro pode reverter esse quadro.
A ideia é analisar o sangue de pessoas que acabaram de ser picadas por escorpiões e verificar se as mesmas moléculas mediadoras do processo inflamatório achadas em camundongos também estarão presentes. O teste definitivo envolveria fornecer aos pacientes os anti-inflamatórios logo após os ataques de escorpiões.

12.506 – Cogumelos alucinógenos podem curar depressão


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A psilocibina, que é a substância ativa do cogumelo alucinógeno, acaba de ser testada pela primeira vez como tratamento para depressão, com resultados impressionantes. Foi num estudo feito em Londres com 12 pacientes, todos eles deprimidos há muitos anos. Os 12 já haviam tentado tomar antidepressivos convencionais, sem resultados. Após uma única seção com a droga, acompanhada de perto por terapeutas para garantir a segurança e evitar surtos, todos os pacientes melhoraram significativamente seus sintomas. Três meses depois, os 12 foram analisados novamente – e, surpreendentemente, 5 deles não tinham mais nenhum sinal de depressão. “Remissão completa”, declararam os cientistas (que, assim como os oncologistas, não gostam da palavra “cura”, já que depressão sempre pode voltar). É um resultado muito melhor do que o que costuma aparecer com os anti-depressivos que estão no mercado, que têm uma “taxa de remissão” de apenas 20%.
A pesquisa, publicada numa das principais publicações médicas do mundo, o Lancet, é preliminar – servia para determinar se a terapia era segura e se merecia mais investigações (a resposta foi “sim” para as duas perguntas). O próximo passo agora é realizar um estudo maior, com centenas de pacientes, para checar se os bons resultados se confirmam.
O novo estudo aparece em meio a vários outros que têm sido publicados nos últimos meses envolvendo drogas ilegais psicodélicas, como a próprio psilocibina, o LSD e o MDMA (princípio ativo do ecstasy). Boa parte desses estudos – inclusive o da psilocibina – estão acontecendo no laboratório de David Nutt, no Imperial College de Londres. Numa entrevista à revista Scientific American, Nutt reclama da dificuldade de realizar pesquisas com substâncias tão carregadas de tabus. “Cada passo do processo – pedir licenças, esperar pelas licenças, recebê-las, fazer contratos para a produção da droga etc – envolveu um atraso de até dois meses. Foi imensamente frustrante e a maior parte dessas demoras era desnecessária”, disse. Por conta disso, a pesquisa levou quase três anos para ser feita.
A notícia da publicação foi recebida com expectativa pelo meio científico, e com preocupação pela indústria farmacêutica. Afinal, depressão é um dos males do nosso tempo – um mercado gigantesco para quem vende medicamentos. Se a psilocibina funcionar, esse mercado pode mudar radicalmente. O tratamento convencional para depressão envolve tomar um comprimido todos os dias, às vezes pelo resto da vida, com um custo de milhares de reais por ano. Já esse novo tratamento pode custar muito mais barato: o paciente faria apenas uma seção – talvez duas ou três -, acompanhada por terapeutas. A seção é intensa, geralmente caracterizada por uma experiência mística profunda – depois disso, os cientistas esperam que a depressão simplesmente vá embora.
O autor principal desse estudo é Robin Carhart-Harris, que trabalha no laboratório de Nutt e concebeu a teoria de que os psicodélicos teriam a capacidade de enfraquecer a chamada “rede de controle padrão”, uma área do cérebro que se desenvolve quando nos tornamos adultos e tem o papel de tornar nossa mente mais rígida. Por causa dela, adultos são menos criativos e menos capazes de aprender do que crianças. Segundo essa teoria, o papel dos psicodélicos nesses tratamentos equivaleria a “regredir” um paciente com distúrbios psiquiátricos à infância, de maneira a tornar seu cérebro mais “moldável” e aproveitar para eliminar conexões indesejadas. A droga não funciona sozinha – ela abre o caminho para o terapeuta trabalhar.

12.350 – Medicina – Intoxicação por monóxido de carbono


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Ocorre após uma inalação suficiente de monóxido de carbono (CO). Este gás tóxico é incolor, inodoro, insípido e de início não irritante, sendo por isso muito difícil às pessoas detectarem a sua presença.
O monóxido de carbono é um produto da combustão incompleta de matéria orgânica devido à falta de fornecimento de oxigénio para permitir uma completa oxidação para dióxido de carbono (CO2). Ocorre tanto em ambiente doméstico como industrial devido a motores antigos e outros mecanismos de combustão, aquecedores e equipamento de cozinha. A exposição a valores de 100 ppm ou superiores pode colocar em risco a vida humana.
Os sintomas de uma ligeira intoxicação por monóxido de carbono incluem desmaio, sensação de confusão, cefaleia, vertigens e outros similares aos da gripe. Exposições longas podem conduzir a uma toxicidade grave no sistema nervoso central e no coração, e mesmo à morte. Na sequência de uma intoxicação aguda, as sequelas são quase sempre permanentes. O monóxido de carbono pode ter efeitos graves no feto quando inalado pelas grávidas. A exposição crónica a baixos níveis de monóxido de carbono pode conduzir à depressão nervosa, confusão e perda da memória. O monóxido de carbono tem sobretudo efeitos negativos nas pessoas ao combinar-se com a hemoglobina para formar carboxihemoglobina (HbCO) no sangue, o que evita a ligação do oxigénio à hemoglobina pela redução da capacidade de transporte de oxigénio pelo sangue. O efeito grave que tal provoca é a hipóxia, e, além disso, supõe-se que a mioglobina e o citocromo c oxidase mitocondrial sejam fortemente afetados. A carboxihemoglobina pode tornar-se de novo em hemoglobina, mas tal processo demora porque o complexo HbCO é bastante estável.
O tratamento de intoxicações por monóxido de carbono consiste sobretudo na administração terapêutica de oxigénio puro ou oxigénio hiperbárico, embora o tratamento ideal não seja consensual.
O oxigénio age como um antídoto já que aumenta a remoção de monóxido de carbono na hemoglobina, mas também fornece ao corpo níveis normais de oxigénio. A intoxicação por monóxido de carbono pode ser evitada pela adequada ventilação do ambiente e recorrendo-se a um detetor de monóxido de carbono para verificar se os níveis estão abaixo do nível de risco.
As intoxicações por monóxido de carbono constituem um dos mais comuns tipos de envenenamento fatal em vários países.
Têm sido usadas como método de suicídio, normalmente pela inalação propositada dos fumos de queima de lareiras ou fogões, ou fumos de escape de gases da combustão em motores de veículos automóveis.
Os automóveis recentes, mesmo com combustão controlada eletronicamente e dispondo de conversores catalíticos, podem ainda assim produzir níveis de monóxido de carbono potencialmente fatais se a vítima estiver numa garagem ou se a saída de fumos de uma lareira ou fogão estiver obstruída (por exemplo, pela neve) e o gás de escape não possa sair normalmente do espaço em causa.
A intoxicação por monóxido de carbono poderá ainda apresentar-se como provável causa das casas assombradas: sintomas como delírios e alucinações poderão ter levado a que vítimas da intoxicação tenham sido levadas a pensar que tinham visto fantasmas ou a afirmar que a casa se encontra assombrada.

12.314 – Toxicologia – Qual a droga mais viciante?


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A pergunta parece simples, mas a reposta para ela depende do ponto de vista. A mais viciante é a que tem mais potencial de danos à saúde do usuário, a que tem preços mais baixos (e, consequentemente, mais facilidade de ser comprada), a que mais age no sistema de dopamina do cérebro, a que mais deixa o usuário fora de si ou a que causa mais sintomas?
O pesquisador David Nutt juntou uma equipe de estudiosos com o objetivo de perguntar a diversos especialistas quais eram as drogas mais viciantes, independentemente de qual critério usaram para construir seus próprios rankings. Com isso, o grupo conseguiu determinar as cinco drogas mais viciantes e por que são tão perigosas:
A nicotina é o ingrediente mais viciante do tabaco. Quando alguém fuma um cigarro, a nicotina é rapidamente absorvida pelos pulmões e entregue ao cérebro. Embora não pareça tão perigosa quanto outras drogas mais pesadas, a nicotina tem altos índices de desenvolvimento de vício.
Um estudo oficial do governo dos Estados Unidos concluiu que mais de dois terços dos norte-americano que fumaram mais de duas vezes na vida se tornaram dependentes. Em 2002, a Organização Mundial da Saúde estimou que o mundo tinha mais de um bilhão de fumantes e que cerca de oito milhões de pessoas morreriam anualmente por causa dos efeitos do tabaco. Testes feitos para testar os efeitos da nicotina no cérebro estimam que os níveis de dopamina crescem entre 25% e 40% quando a substância entra na corrente sanguínea.

Barbitúricos (calmantes)
A função primário dos barbitúricos é combater males como a ansiedade e a insônia. Estas drogas têm o efeito de “desligar” diversas regiões do cérebro. Em pequenas quantidades, causam euforia, mas, em grandes quantidades, podem até ser letais, porque travam o sistema respiratório. O vício em barbitúricos é preocupante porque estas são drogas facilmente adquiridas, visto que o dependente precisa apenas de uma prescrição.

A cocaína interfere diretamente no modo como o cérebro usa a dopamina para enviar mensagens entre um neurônio e outro. Basicamente, a cocaína evita que os neurônios “desliguem” o sinal receptivo de dopamina, resultando numa ativação anormal dos caminhos de recompensa. Em experimentos com animais, a cocaína eleva em três vezes os níveis de cocaína. Estima-se que entre 14 e 20 milhões de pessoas sejam dependentes de cocaína, droga que movimenta cerca de 75 bilhões de dólares anualmente. O entorpecente é tão perigoso que cerca de 21% das pessoas que o experimentam uma única vez tornam-se dependentes.

Álcool
Alguns especialistas colocam o álcool na primeira posição do ranking de drogas mais viciantes, não só por seus efeitos, mas também pelo acesso fácil à droga. Legalizado em boa parte dos países ocidentais, o álcool pode aumentar os níveis de dopamina do dependente em até 360%. A Organização Mundial da Saúde estima que 22% das pessoas que consumirem álcool se tornarão dependentes. Além disso, OMS concluiu que cerca de três milhões de pessoas morrem anualmente devido aos efeitos causados pela droga no corpo.

Heroína
Numa escala que varia de 0 a 3, a heroína recebeu 2,5 pontos, de acordo com os especialistas consultados na pesquisa. A droga é altamente viciante porque uma pequena dose aumenta os níveis de dopamina do usuário em cerca de 200%. Além de causar vício, a heroína é perigosa porque uma quantidade considerada alta aumenta em até cinco vezes as chances do dependente de ter uma overdose. Dados da OMS estimam que esta droga movimenta um mercado de cerca de 68 bilhões de dólares, anualmente.

12.218 – Drogas – DMT (dimetiltriptamina)


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É uma droga alucinógena e ilícita, classificada como tipo A, como a heroína e a cocaína. Porém este tipo de droga é natural e pode ser até produzido até pelo próprio organismo humano na Glândula Pineal e pesquisas recentes indicam que o DMT será produzido ao menos duas vezes, no nascimento e na morte. Esta droga é encontrada também em folhas de plantas da América do Sul como: Anadenanthera peregina, em folhas de Banisteriopsis rusbyana, Diplopterys cabrerana e principalmente na da planta brasileira epená (Virola calophylla). Além de ser encontrada em rapé, hoje já pode ser encontrada em pó e em cristais.
O DMT pode ser fumado através de um cachimbo ou então injetado no músculo. Seu uso não causa dependência física ou psicológica. Para usar o DMT via oral, deve-se misturá-lo com inibidores da monoamina oxidase, mas ainda causa alucinações. No caso de via oral, a forma mais conhecida é a do “chá ayahuaska” que é usado nos ritos do Santo Daime (uma religião), no seu preparo a uma reunião para a consagração do chá, para seus usuários neste ritual ele é um gerador da divindade interna. A ayahuaska causa alterações da consciência mesmo misturado com inibidores.

Os efeitos que a droga causa quando é injetada ou fumada são:

Primeiros instantes:

Visões e pensamentos muito rápidos;
Objetos perderem as formas;
Objetos se dissolverem;
Após os primeiros 5 minutos:

Pupilas dilatadas;
Batimento cardíaco acelerado;
Tensão arterial aumenta;
Dentro de 10 minutos:

Alucinações de olhos fechados e abertos;
Grande movimentação na visão
Dificuldade nas expressões e pensamentos;
Pressentimentos que podem levar ao medo.
Devido aos efeitos serem muito fortes, algumas pessoas podem até relatar contatos com pessoas já mortas e também extraterrestres, saindo da realidade. Após 60 minutos os efeitos já não existem mais, apenas em raros casos pessoas tiveram alguns sintomas na segunda hora do uso.
O DMT também pode causar depois do uso, irritações na garganta, distúrbios no sono e dificuldade de concentração para se fazer tarefas. Assim como ocorre com outras drogas alucinógenas, as pessoas que usam o DMT podem aumentar sua dose frequentemente, pois o efeito começa a ter menos intensidade e o período que os efeitos são percebidos se tornam mais curtos. Não é recomendada a mistura do DMT com outras drogas, e é muito perigoso o uso por pessoas que tem a pressão alta.

11.983 – Lei e Direito Justiça brasileira legaliza maconha para uso medicinal


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Justiça Federal do DF deu prazo de dez dias para a Agência de Vigilância Sanitária, que regula os medicamentos no país, retirar o THC da lista negra das substâncias proibidas. Isso já foi feito com o Canabidiol (CBD), em janeiro de 2015, por iniciativa da própria Anvisa. Mas o THC, princípio ativo responsável pelo barato da maconha, continua banido.
A outra novidade é que, segundo a sentença, estão autorizadas a prescrição e a importação de Cannabis sativa L. “Agora, um médico pode prescrever a planta in natura“, diz Emílio Figueiredo, consultor jurídico do Growroom, associação que defende o cultivo para uso pessoal.
A decisão é uma tutela antecipada: ou seja, o juiz ainda não proferiu sua decisão final sobre todos os pontos da ação. Mas antecipou a decisão sobre pontos que considera urgentes. Que são:
Reclassificar o THC. “Transferir, em dez dias, o THC da lista F2 do anexo da lei de drogas, que contém as substâncias psicoativas banidas, para uma lista de substâncias sujeitas à notificação de receita” – ou seja, ele passa a ser autorizado mediante prescrição médica.
Mudar, em dez dias, a portaria 344/98 para “permitir, por ora, a importação, exclusivamente para fins medicinais, de medicamentos e produtos que possuam como princípios ativos os componentes THC (TETRAHIDROCANNABINOL) e CDB (CANNABIDIOL), mediante apresentação de prescrição médica e assinatura de termo de esclarecimento e responsabilidade pelo paciente”.
Permitir a pesquisa e a prescrição “da Cannabis sativa L. e de quaisquer outras espécies ou variedades de cannabis, bem como dos produtos obtidos a partir destas plantas, desde que haja prévia notificação à ANVISA e ao Ministério da Saúde”.
A ação do MPF também pediu a autorização de importação de sementes e do cultivo pessoal para uso medicinal. Essas demandas estão entre as que ainda não foram julgadas pelo juiz Marcelo Rebello, da 16a Vara de Justiça Federal do DF.
Consultada, a Anvisa disse por meio de sua assessoria de imprensa que ainda não sabe se vai recorrer. “Não sabemos ainda. A Diretoria vai avaliar os efeitos da decisão e possíveis ações da Anvisa. Não temos uma resposta, até porque na verdade ainda não fomos sequer notificados, embora tenhamos acesso à decisão na internet.”
Em janeiro de 2015, quando a Anvisa reclassificou o CBD, o então presidente da Anvisa Jaime Oliveira disse a este blog que “Sem dúvida nenhuma, a situação do THC tem que ser explorada e analisada“.

10.813 – Nova enzima elimina a nicotina do sangue e pode ajudar os fumantes que desejam parar de fumar


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Ela poder ser uma ferramenta útil para ajudar os viciados a largarem o vício. O objetivo é transformar a enzima em uma droga terapêutica, capaz de ‘comer’ a nicotina no corpo de um fumante antes que o produto químico tenha a chance de causar o efeito viciante no cérebro. Sem a nicotina, nenhum impulso biológico será incisivo para a continuidade do vício.
“A bactéria é como o Pac-Man”, comparou o pesquisador-chefe Kim Janda, um biólogo químico do Instituto de Pesquisa Scripps, em um comunicado à imprensa. “Ele irá encontrar e comer a nicotina”.
Até agora, a enzima, que é chamada NicA2, só foi testada no sangue de ratos, mas os pesquisadores já estão testando o seu potencial como uma droga humana. “Nossa pesquisa está na fase inicial do processo de desenvolvimento de drogas, mas o estudo nos diz que a enzima tem as propriedades certas para eventualmente tornar-se uma terapia de sucesso”, disse Janda.
A descoberta de NicA2 aconteceu após Janda e sua equipe passarem os últimos 30 anos tentando criar uma enzima artificial capaz de procurar e destruir a nicotina no organismo. A ideia era eliminar a nicotina antes que ela pudesse estimular o sistema de recompensa do cérebro, que é o que mantém as pessoas viciadas em cigarros. No entanto, produzir esse tipo de enzima no laboratório provou ser muito mais difícil do que eles haviam pensado.
Mas acontece que tal enzima já existe na natureza, mais especificamente em bactérias que vivem no interior do solo de campos de tabaco. Uma dessas bactérias, Pseudomonas putida, utiliza nicotina como sua única fonte de carbono e azoto, e NicA2 é a enzima que ajuda a fazer isso.
Após alguns testes de compatibilidade no sistema sanguíneo de ratos, descobriu-se que em um coquetel de NicA2 a meia-vida da nicotina foi reduzida drasticamente, de 2 a 3 horas para 9 a 15 minutos. A equipe, então, submeteu a NicA2 a temperaturas de 36,7 °C durante três semanas e confirmou que ela devorou toda a nicotina.
Os resultados foram muito encorajadores, e os investigadores comentaram que, aumentando a dose de NicA2, a meia-vida da nicotina na corrente sanguínea pode diminuir ainda mais. “Espero que possamos melhorar a sua estabilidade com nossos estudos futuros, de modo que uma única injeção possa durar até um mês”, disse Song Xue, estudante graduado que trabalhou na pesquisa.
Os resultados foram publicados no The Journal of American Chemical Society e, embora ainda seja cedo transformar a enzima em um tratamento, a pesquisa é revolucionária. Atualmente, cerca de 80 a 90% dos fumantes que tentam largar o vício, usando cigarros elétricos e goma de mascar especial, acabam voltando. Se os cientistas puderem descobrir uma maneira de remover o vício compulsivo, essas estatísticas mudarão drasticamente.

10.811- Alerta: antídoto para picadas de cobra pode acabar


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Segundo um comunicado alarmante do Médicos Sem Fronteira (MSF), o mundo não terá mais reservas de um importante soro antiofídico a partir do ano que vem, por causa do fim de sua produção, colocando em risco a vida de dezenas de milhares de pessoas.
As reservas do soro Fav-Afrique, que era produzido pelo laboratório Sanofi Pasteur, acabarão em junho, quando vence o último lote produzido. Desde o ano passado, a empresa interrompeu sua produção para se dedicar à fabricação de um tratamento antirrábico. “Estamos enfrentando uma verdadeira crise”, afirmou o Dr. Gabriel Alcoba. O medicamento é capaz de neutralizar a ação de até dez diferentes tipos de veneno de cobras africanas, o que é muito importante, já que nem sempre as vítimas conseguem identificar qual cobra as picou.
De acordo com o MSF, não existirá substituto para o tratamento pelo menos nos próximos dois anos. Enquanto isso, um porta-voz do laboratório afirmou que o produto foi tirado do mercado por causa da concorrência, que estava vendendo produtos similares a preços muito mais baixos. Em 2010, o laboratório anunciou o fim da fabricação do soro antiofídico. “É estranho que as autoridades da saúde só tenham se dado conta desse problema cinco anos depois”, disse Alain Bernal, porta-voz da Sanofi Pasteur. O laboratório havia oferecido transferir a tecnologia de seu soro antiofídico a outros fabricantes, apesar de “nada ter se concretizado até o momento”.
Segundo as estatísticas, 5 milhões de pessoas são mordidas todos os anos por cobras venenosas, das quais, aproximadamente, 100 mil acabam morrendo, enquanto outras são amputadas ou se tornam deficientes.

11.809 – Nova droga sintética faz as pessoas correrem peladas e tentarem transar com árvores


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Flakka é, na verdade, o nome popular dado para a catinona alpha-PVP. Segundo Don Maines, conselheiro do tratamento de drogas no Escritório do Xerife Broward em Fort Lauderdale, na Flórida, a droga mexe com a química do cérebro dos usuários, fazendo com que eles não tenham controle de seus pensamentos ou ações. “Todos parecem achar que há algo ou alguém os seguindo. É uma droga muito perigosa”, afirma.

Não é de hoje que as autoridades estão de olho na flakka. Em 2014, o DEA, órgão do Departamento de Justiça do Estados Unidos responsável pela repressão às drogas, já havia proibido a substância. Ainda assim, por ser barata e acessível e, segundo relatos da Associated Press, a droga continua circulando tranquilamente pelo país, principalmente no estado da Flórida.

A flakka divide opiniões. Como os casos que chegam ao público ainda são escassos, não há informações o suficiente sobre os efeitos da droga — além dos relatos, no mínimo, embaraçosos como o contado acima — para tirar conclusões. O que há é espaço para especulações tomando outras drogas sintéticas como ponto de partida. A maconha sintética, por exemplo, tem efeitos como náusea, vômitos, alteração nos batimentos cardíacos e danos cerebrais. “Essas drogas sintéticas são como todos os estimulantes. Doses muito altas por períodos prolongados certamente causarão problemas”, diz Morris.
Outro argumento utilizado é o de que a durabilidade de muitas drogas no mercado é curta. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa sobre Vício de Amsterdã, na Holanda, mostra que 98% das drogas saem de circulação antes mesmo de serem introduzidas ao público. “O mercado se autorregula. Essas drogas ficam mal faladas e não muito depois a demanda por elas acaba”, diz Peter Reuter, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.
A dificuldade das autoridades é saber como lidar com essas drogas que, mesmo entrando e saindo rapidamente do mercado, podem ter consequências séries na saúde dos usuários e na segurança pública dos locais por onde circulam. A maior contradição até o momento é se a proibição tem algum efeito — neste sentido, o caso da flakka já pode servir para algumas conclusões.

11.672 – Leslie Keeley teria encontrado a cura para o alcoolismo no século 19, mas sua fórmula misteriosa nunca foi revelada


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A tradução literal seria “A Cura de Ouro de Keeley”. O objetivo era se livrar do vício do álcool. Quando os pacientes buscavam tratamento, recebiam um quarto agradável, encorajamento e quatro injeções de bicloreto de ouro por dia.
A substância era, obviamente, um segredo. A questão é que essa substância não existia, mas funcionava. O resto da comunidade médica estava curiosa para descobrir qual era o medicamento dado aos seus paciente. Eles arrancariam o “ouro” de Keeley a qualquer custo. Algumas amostras não eram difíceis de serem obtidas. Keeley vendia frascos de uma versão da cura para serem tomados por via oral, assim que o paciente chegasse em casa.
Mas eram as injeções que fascinaram as pessoas, que, muitas vezes, entravam no instituto disfarçados de alcoólatras ou de trabalhadores do instituto para tentar obter amostras. Muitos deles conseguiam o material para investigação da substância, mas cada análise produzia resultados diferentes. Alguns cientistas encontraram traços de álcool na composição. Alguns encontraram vestígios de extrato de coca. Outros encontraram estricnina, casca de salgueiro, amônia e aloe vera (popularmente chamada de babosa). Muitos encontraram vestígios de sais de ouro, mas ninguém poderia explicar por que aquilo realmente funcionava.
Alguns cientistas acreditavam que tudo não passava de um placebo, que incentivava os pacientes por conta do ouro, dando a impressão de que eles estavam recebendo um tratamento de alta classe e caro. Um químico afirmou que as injeções eram apenas sedativos.
Keeley nunca revelou o segredo de sua “substância de cura”. Independentemente disso, centros de Keeley ficaram populares durante todo o final de 1800 e início de 1900, e a última existiu até 1965.
Alguns teóricos da conspiração acreditam que Keeley realmente tinha encontrado um tratamento eficaz, mas foi suprimido. A maioria dos médicos, agora, acreditam que Keeley tinha uma alta taxa de sucesso, porque seus centros davam a cada pessoa uma atenção individual e incentivo. Visto dessa forma, ele fez uma descoberta médica até hoje desconhecida.
Não se tem notícia de clínicas que pratiquem o mesmo método ao redor do mundo. Também não se sabe se de fato existia algum fármaco descoberto por ele que conseguia ajudar os alcoólatras a saírem do vício. O fato é que, sendo ou não placebo, o número de pessoas que conseguiam abandonar completamente o álcool era bastante grande.

11.671 – Uma ajudinha contra a ressaca


Diversas equipes científicas têm se dedicado ao estudo de algo relativamente comum em nossa sociedade: o mal-estar causado pelo consumo excessivo de álcool. Mas, até hoje, ainda não haviam chegado a nenhuma conclusão definitiva. Desta vez, entretanto, a história pode ser diferente, pois um grupo de pesquisadores australianos anunciou a descoberta de um antídoto simples e muito eficaz para evitar a ressaca: a pera. Eles afirmam que o consumo de pera ou do suco dessa fruta antes da ingestão de bebidas alcoólicas evita os efeitos nocivos do álcool, como a perda de memória e a dificuldade de concentração.
Os cientistas da Australian Broadcasting Corporation constataram que o suco de pera ajuda a metabolizar o álcool no sangue, o que reduz os sintomas da ressaca, embora ainda não tenha sido provado que ele também possa ter o mesmo resultado com a embriaguez. Vale destacar que a descoberta evita a ressaca, mas não traz sua cura: ou seja, a pera deve ser ingerida antes do álcool, e não depois. “Uma vez com ressaca, não há provas que [a pera] vá lhe fazer algum bem”, explica Manny Noakes, chefe da pesquisa.
Depois de milhares de anos de bebedeira, a humanidade, finalmente, encontrou a solução para a ressaca de maneira mais simples. Nossos ídolos da história que o digam. Eles sim devem ter passado por maus bocados em épocas quando a ciência ainda não era tão avançada como hoje. Dá para imaginar se estes ícones históricos se encontrassem para um drink? Como seria a ressaca?