12 929 – Cientistas tentam descobrir se elevou frequência de ressacas no Brasil


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Morar pertinho da praia pode ter inconvenientes bem piores do que a ferrugem nos móveis e eletrodomésticos, efeito da maresia. Volta e meia o mar se revolta e invade quiosques e avenidas com suas ondas, causando estragos consideráveis como os vistos recentemente no litoral do Sul e do Sudeste.
Ainda faltam métodos confiáveis de previsão das ressacas e dados que confirmem se elas estão ocorrendo com maior frequência. Por isso mesmo, o fenômeno oceano-meteorológico tem ganhado mais atenção e protagonismo nas discussões e pesquisas climáticas, numa tentativa de compreendê-lo melhor.
O problema é que não há um registro histórico detalhado nem muita informação a respeito das ressacas no litoral brasileiro, segundo Roberto Fontes, professor da Unesp de São Vicente. Daí a dificuldade em dizer se os fenômenos aumentaram em número e intensidade nos últimos anos –seja por causa do aquecimento global ou outras mudanças climáticas.
Uma estatística curiosa é o registro de que, entre eventos chamados de popularmente de “maré alta” e ressacas, 73% dos fenômenos se concentram na década de 2000, de acordo com uma pesquisa de 2008 baseada em acervos de jornais e em bancos de dados de desastres da cidade de Santos, no litoral de São Paulo. em 88 anos observados
Apesar de não existir uma capacidade observacional tão detalhada do clima para saber exatamente o que está acontecendo, para o estudioso do clima e professor da USP Paulo Artaxo o risco é claro. “Todos os modelos climáticos apontam claramente para um aumento contínuo nas ressacas e no nível do mar, que subiu 25 cm nos últimos cem anos.”
Para o físico e professor da USP Belmiro Castro, porém, é prematuro dizer que as mudanças climáticas estão causando um aumento na ressaca. Dentro do complexo sistema climático, o aquecimento global poderia até arrefecer as ressacas, caso reduzisse a intensidade das frentes frias, por exemplo.
A aparente indisciplina oceânica é produto da combinação de dois fatores: a presença de ventos fortes e da altura da maré –fenômeno determinado astronomicamente pelas posições relativas do Sol, da Lua e da Terra.
Os maiores efeitos (ou seja, maiores amplitudes de marés altas) acontecem quando os três astros formam uma linha reta, maximizando a ação da força gravitacional, que move as águas. Isso acontece nas fases de lua nova e de lua cheia.
Descontando os efeitos meteorológicos, a variação da altura do nível do mar é o que o cientistas chamam de um fenômeno determinístico, ou seja, é possível saber com certeza qual será a altura da maré a cada instante.
A preamar (pico da maré alta) e a baixamar (menor nível da maré baixa) se alternam em intervalos de um pouco mais de seis horas. A pior ressaca possível aparece principalmente quando há coincidência de ventos fortes, causados por frentes frias, com as marés cheias.
Para prever as ressacas, o difícil é saber quando a ventania virá. As massas geladas de ar que vão provar ressacas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil se formam na Antártida, ao sul. Ao passarem próximos à costa com grande intensidade –fenômeno que recebe o nome de ciclone extratropical–, os ventos provocam a ressaca.
(Quando os ventos vêm do norte, o efeito geralmente é oposto, diminuindo o nível do mar na costa, explica Castro.)
Não dá para afirmar ao certo quando um ciclone desses passará próximo à nossa costa e quão intensa será a força desses ventos. O que se sabe é que o período de maior incidência é em torno do inverno.
A previsão só funciona bem quando o evento já está bem perto de acontecer, relata Castro, que coordena um laboratório que estuda o tema. Um dos resultados da pesquisa é um mapa de risco que consegue prever, com confiabilidade maior que 80%, uma ressaca com até dois dias de antecedência.

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12.753 – Biologia Marinha – Um tubarão que vive 400 anos


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Se a puberdade já é ruim para os humanos, imagine o que é esperar mais de um século por ela. O tubarão da Groenlândia (Somniosus microcephalus) leva 156 anos para atingir a maturidade sexual. Mas isso não é nem metade do tempo de vida da espécie, que pode ultrapassar os 400 anos. Um novo estudo publicado na revista Science foi o primeiro a conseguir estabelecer a expectativa de vida do bicho – e ele hoje é considerado o vertebrado com a vida mais longa do planeta.
Esse tubarão leva a vida “devagar e sempre”: ao contrário de seus colegas de espécie mais ágeis, ele nada a 1,5 km/h – não dá nem para pensar em fazer um filme de terror nessa velocidade. Por causa da lerdeza, o Somniosus microcephalus não pode ter frescura para se alimentar: come de tudo, de baleia e polvo até um mamífero terrestre que caia na água.
Os cientistas já tinham encontrado algumas pistas de que o tubarão da Groenlândia chegava a idades muito avançadas. Eles crescem (de novo) extremamente devagar – cerca de 1 cm por ano. Quando nascem, têm apenas 42 cm. Mas os próprios pesquisadores viam tubarões adultos de 5 metros. A conta não fecha, a menos que eles vivam um ciclo de quatro séculos. Como ter certeza?
Primeiro, os cientistas tentaram analisar os ?anéis de crescimento? – como aqueles que ajudam a datar árvores e que alguns animais também possuem, nos ossos – mas não encontraram nenhum. A solução improvável foi olhar para o passado nuclear da Groenlândia.
O oceano ao redor da Groenlândia foi palco de uma série de testes de bombas nucleares nos anos 60. O fluxo de neutrons térmicos produzido pelas bombas atômicas reagiam com átomos de nitogênio, formando um tipo artificial de carbono-14 em quantidades muito maiores que as normais, tanto na atmosfera quanto no mar. O carbono extra foi se alojar em partes do corpo em desenvolvimento na época – como a retina dessa espécie de tubarões.
Os cientistas analisaram a concentração ocular de carbono-14 de uma série de carcaças do tubarão. Só encontraram uma quantidade anormal em três deles, o que indica que eles nasceram nos anos 60. Usando a técnica de datação por decaimento do carbono-14, eles conseguiram precisar que um deles nasceu em 1963.
Conforme a suspeita dos cientistas, esses eram também os tubarões menores, com menos de 2 metros. Os demais bichos não tinham concentrações anormais de carbono 14 porque já estavam completamente formados durante os testes nucleares, o que indica que são ainda mais velhos.
Juntando os dados que tinham sobre idade, tamanho e carbono, os cientistas estimaram que o tubarão mais velho da amostra tinha 400 anos – e a expectativa de vida média deles ficaria perto dos 392 anos, com uma margem de erro de 150 anos para mais ou para menos.
Com isso, o Somniosus microcephalus disparou no primeiro lugar de vertebrado mais velho do planeta. A antiga campeã, a vizinha baleia da Groenlândia (Balaena mysticetus), chega a meros? 211 anos de vida, ficando para trás por mais de um século.

12.559 – Dia Internacional dos Oceanos


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Desde 08-06-1992 D.C.

O Dia Mundial dos Oceanos foi criado em 8 de Junho do ano 1992 durante a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, pela Organização das Nações Unidas. Esta iniciativa oferece todo ano uma oportunidade para cuidar dos oceanos e motivar a mobilização internacional em sua defesa. Os oceanos cobrem 71% da superfície da terra e são fundamentais para o funcionamento do planeta. Constantemente os mares enfrentam os diversos e graves perigos causados pelas atividades do ser humano, entre os que se encontram: super exploração dos seus recursos naturais, destruição e modificação dos seus habitats e contaminação de suas águas e seus habitantes. Tendo em conta o dano que estas atividades ocasionam ao ecossistema, é prioritário conscientizar em nível mundial sobre esta situação, a fim de evitar a destruição deste recurso natural imprescindível, como o é a água.

12.395 – Planeta Terra – Fontes submarinas de água doce


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Agente aprende na escola que o mar é alimentado pelas chuvas e pelos rios. Um time de pesquisadores da Universidade da Carolina do Sul, Estados Unidos, concluiu que os canais subterrâneos fazem também importantes derrames de água, nutrientes e sedimentos que se depositam na beirada dos continentes. O geólogo William Moore mediu a quantidade de rádio, um elemento químico radioativo, nas costas do Estado da Carolina do Sul. E constatou uma concentração maior do que a esperada. Como os canais subterrâneos contêm mais rádio do que os rios e a chuva, Moore concluiu que pelo menos 40% da descarga vem do subsolo. “Isso significa que esses canais são importantes reguladores da química oceânica”.
“Por isso, qualquer produto químico ou lixo enterrado ou jogado na região costeira causa efeitos sobre o meio ambiente marinho muito mais dramáticos do que se sabia até hoje.”

Torneiras escondidas
A cada 100 litros de água que chegam ao oceano, 40 litros vêm por baixo da terra.
Cerca de 50% da água do mar vem dos rios a céu aberto, alimentados pelas chuvas.
Os canais subterrâneos vêm do interior do continente, com água carregada de sedimentos e nutrientes.
A água subterrânea chega ao mar diretamente ou se mistura a ela, passando pelo “filtro” das camadas superiores de solo marinho.

12.233 – Vai pra praia? Cuidado com eles – Ouriço e água-viva são principais causas de acidentes nas praias do Brasil


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Um estudo da Universidade Estadual Paulista apontou que os ouriços-do-mar estão envolvidos em mais de 50% dos acidentes ocorridos no litoral. Em segundo lugar, vêm as caravelas e águas vivas, com 25%. A primeira regra básica para se livrar desses acidentes é não tocar em nenhum animal trazido às praias pelas ondas, como diz o professor da Unesp, Vidal Haddad Junior.
Para se proteger dos ouriços, vale redobrar o cuidado ao caminhar sobre pedras – pois elas podem ter buracos onde os ouriços costumam ficar. Quando o ouriço atinge o pé de uma pessoa, os espinhos penetram profundamente, e é melhor que sejam retirados por um médico. Algumas espécies podem ser venenosas, o que torna o problema ainda pior. Caso sofra um acidente do tipo, é recomendado não colocar o pé no chão, para que os espinhos não entrem ainda mais fundo. Água quente pode ajudar a aliviar a dor da ferida.
É importante ter cuidado com as caravelas-portuguesas e com as águas-vivas também: não nade quando elas estiverem por perto, e nem se souber de acidentes na região, já que existe uma grande possibilidade de outros bichos estarem por perto. Além disso, não brinque com os animais que ficam encalhados na praia, pois eles também podem queimar a pele.

Se você sofrer alguma queimadura, o indicado é fazer compressas com água do mar gelada. Não tente lavar o local com água doce, pois isso não alivia a dor. O vinagre é um aliado, ajudando a inativar o veneno.
E não, usar xixi não ajuda – na verdade, pode atrapalhar.
E atenção especial com as crianças, que são mais sensíveis do que os adultos e podem sofrer consequências mais severas.

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12.123 – Pequeno país paradisíaco poderá ser varrido do mapa


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Tuvalu, um dos menores países do mundo, solicitou uma ajuda urgente à União Europeia para evitar que seu território desapareça debaixo d’água. Enele Sopoaga, primeiro-ministro do país, foi pessoalmente a Bruxelas com o objetivo de reunir o apoio dos líderes europeus na Conferência do Clima, realizada em Paris.
Tuvalu está localizada em uma pequena ilha da Polinésia, de 26 km², e conta com 10 mil habitantes. O ponto mais alto da região supera em apenas 2 metros o nível do mar, o que significa um risco extremo, sobretudo levando em consideração o aumento do nível do mar por causa do aquecimento global.
“Nos dizem que até mesmo um aquecimento global de dois graus Celsius é muito perigoso, porque significaria que Tuvalu desaparecia debaixo d’água. Sim, podemos evacuar os habitantes de Tuvalu para outros territórios, mas isso não vai deter as mudanças climáticas”, afirmou Spoaga, em declarações à mídia.
À medida que a temperatura planetária aumenta, o degelo das calotas polares se acelera e, consequentemente, aumenta o volume de água no mar, que tem seu nível elevado. “Temos que salvar Tuvalu para salvar o mundo (…). Temos que trabalhar juntos para salvar a espécie humana. O aquecimento global significa o desaparecimento do meu país”, declarou o primeiro-ministro tuvaluano.

12.108 – Descoberto tubarão “ninja”: ele é todo preto e brilha no escuro


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Na costa do Pacífico da América Central, a cerca de 1.000 metros de profundidade, vive uma espécie de tubarão estilosa e iluminada, recentemente descoberta: o Ninja Lanternshark. Ele faz jus ao nome: além de ser preto, produz um brilho fraco, que se mistura com a luz que penetra no oceano. Isso facilita a captura de pequenos peixes e também ajuda o Ninja a se esconder dos grandes predadores.
O nome Ninja Lanternshark veio de uma fonte inesperada. Os primos da pesquisadora Vicky Vásquez, com 8 e 14 anos, sugeriram o apelido “Tubarão Super Ninja”. Ela achou que seria mais fácil convencer a comunidade científica a utilizar “Ninja Lanternshark” e assim ficou. Mas esse é só o nome usual. O original é Etmopterus benchleyi, em homenagem a Peter Benchley, autor do romance “Tubarão”, que deu origem ao blockbuster do cinema.
“Cerca de 20% das espécies de tubarões conhecidas foram descobertas nos últimos 10 anos. Nosso trabalho é procurar por esses tubarões perdidos”, diz Dave Ebert, que trabalhou no estudo com Vásquez.

12.018 – Planeta Terra – Mancha azul no Oceano Atlântico deixa cientistas em estado de alerta


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Uma enorme e estranha mancha azul no Atlântico Norte preocupa os cientistas de todo o mundo. Trata-se de uma grande porção de água atipicamente fria em uma área próxima à Groelândia. Os pesquisadores acreditam que o derretimento das calotas polares poderia estar causando essa queda notável da temperatura oceânica.
A Groelândia forma, junto com a Antártida, 99% do gelo de água doce da Terra, razão pela qual o impacto climático que essa descoberta implica é uma grande ameaça global, podendo modificar o fluxo normal do Atlântico. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, adverte que a temperatura oceânica da área diminui a cada ano e que o consequente aumento do nível do mar significa um grande perigo para as cidades litorâneas de todo o mundo.
Os especialistas afirmam que o fenômeno pode estar ocorrendo por causa da mudança climática que atinge diferentes lugares do planeta. Embora não estejam previstas alterações drásticas e imediatas, como as que vemos em filmes apocalípticos, as consequências da descoberta poderão colocar em risco a vida humana e causar desastres naturais, assim como variações muito fortes na temperatura mundial.

11.180 – De ☻lho no Mapa – A Oceania


Sydney na Austrália
Sydney na Austrália

É um continente, composta por vários grupos de ilhas do oceano Pacífico (Polinésia, Melanésia e Micronésia). O termo Oceania foi criado em 1831 pelo explorador francês Dumont d’Urville. O termo é usado hoje em vários idiomas para designar um continente que compreende a Austrália e ilhas do Pacífico adjacentes.
Os limites da Oceania são definidos de várias maneiras. A maioria das definições reconhecem partes da Australásia como a Austrália, Nova Zelândia e Nova Guiné, e parte do Arquipélago Malaio como sendo partes da Oceania.
Embora as ilhas da Oceania não formem um continente verdadeiro, a Oceania, às vezes, é associada com o continente da Austrália ou com a Australásia, com o propósito de dividir o planeta em agrupamentos continentais. É o menor “continente” em área e em população (com exceção da Antártica).

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O topônimo Oceania foi recebido pelo continente por iniciativa do naturalista francês René Primevère Lesson. Lesson nasceu a 20 de março de 1794 em Rochefort e morreu em 28 de abril de 1848. O naturalista era médico e farmacêutico naval. Quando era tripulante da corveta Coquille, viajou por um bom tempo pelo Oceano Pacífico com a missão de realizar pesquisas científicas para servir de fonte de seus livros de anatomia e taxonomia de mamíferos, pássaros, beija-flores. Além disso, há depoimentos de viagem, livros de história e botânica datados de 1828. Daí a origem etimológica do termo: a palavra “oceano” mais o sufixo “ia”, da mesma forma que acontece com outros topônimos tais como Germânia, Betânia, Transilvânia, Tripolitânia, entre outros, porque na ortografia portuguesa, a letra “a” tem acento circunflexo, enquanto na ortografia brasileira não há acentuação, sendo utilizado com mais frequência a ortografia brasileira.
A forma “Oceania” (sem acento circunflexo, ou seja, com a sílaba tónica em “ni”) é usual e aceita no Brasil, sendo usual mas considerada incorreta em Portugal. A forma “Oceânia” é constante na maioria das fontes consagradas, ainda que o uso prefira a pronúncia “Oceania”.
Durante os Períodos Glaciais, Austrália, Nova Guiné e Tasmânia eram ligadas por pontes terrestres, formando um único continente, conhecido como Sahul. Os australoides, primeiro povo a habitar a região, eram os antepassados dos atuais papuas e dos aborígenes australianos, que devem ter chegado a Sahul há 60 000 anos.
A seguinte onda significativa de emigrantes só aconteceu em 6000 a.C., quando povos austronésios vindos de Taiwan se espalharam pelas Filipinas e Índias Orientais e chegaram à Nova Guiné, miscigenando-se com os nativos australoides, originando a heterogênea população da Melanésia. Por volta de 1500 a.C., esses austronésios, os maiores navegantes da pré-história, chegaram às Fiji – vindos de Vanuatu e, pouco depois, a Tonga e a Samoa, ponto de (partida) para a posterior expansão polinésia para o Pacífico Oriental, acabando na ocupação de ilhas tão distantes como o Havaí, ao norte, a Nova Zelândia ou Aotearoa (seu nome polinésio), ao sul e a ilha de Páscoa ou Rapa Nui, ao leste.
A povoação das ilhas da Micronésia teve origens étnicas distintas: filipinos em Palau e Yap, habitantes do arquipélago Bismarck nas ilhas Truk, tuvaluanos (que encontram origem nas Fiji ou MPI) nas Ilhas Marshall, por exemplo. Isso é comprovável por traços culturais e linguísticos. Já os povos da Polinésia encontram origens étnicas, linguísticas e culturais semelhantes. Símbolos da cultura polinésia conhecidos mundialmente são as estátuas tiki e a festa lūʻau, além de seu estilo de tatuagem.
Os austronésios guiaram-se unicamente com a localização dos astros, direção do vento e características das ondas – que revela a localização de ilhas. Dominavam a cerâmica, que foi um dos símbolos da cultura lápita, cujo estilo singular da mesma era ricamente decorado e que, em cerca de 500 a.C., foi substituída por peças simples e sem decoração na Samoa. Também dominavam a agricultura, encontrando subsistência no taro, no inhame, na batata-doce, na mandioca, na banana, no coco, na cana-de-açúcar e no arroz.
Os britânicos incorporaram a Austrália aos seus domínios em 1770. No ano da incorporação oficial, habitaram a ilha-continente cerca de 300 mil nativos, divididos em mais de 600 tribos, que falavam mais de 500 dialetos. Viviam num estágio cultural bastante primitivo, desconhecendo até a prática agrícola.
No século XVIII, a ocupação britânica restringiu-se à implantação de colônias penais, a mais importante delas nas proximidades da cidade de Sydney, e à fixação de um pequeno número de colonos, que constataram as grandes possibilidades de se desenvolver a pecuária com sucesso na colônia.
A pecuária e o coito, principalmente a ovina, cresceu em imponência no século XIX, bem como a atividade agrícola, principalmente voltada à produção do trigo. O que provocou um grande surto populacional na colônia ao longo desse século foi, no entanto, a descoberta de ouro na província de Vitória. Na virada do século, a população australiana era de aproximadamente três milhões de habitantes. Em 1901, a Austrália transformou-se numa federação autônoma, a Comunidade da Austrália, iniciando um acelerado processo de expansão da agropecuária e da indústria. Isso determinou a necessidade de se incrementar, particularmente no pós-guerra, as correntes migratórias. De 1945 a 1970, o país recebeu aproximadamente três milhões de imigrantes, cerca de 50% de origem britânica. Atualmente a Austrália é um dos países que exercem maior controle sobre a imigração estrangeira.
O Novíssimo Mundo – assim chamado por ter sido descoberto apenas em 1770, pelo inglês James Cook – está localizado entre os oceanos Índico e Pacífico e é formado por milhares de ilhas de diversas extensões, desde pequenos atóis coralígenos até a Austrália, pouco menor que o Brasil. Ocupa ao todo uma área de mais de 8.900.000 quilômetros quadrados nos quatro hemisférios: estende-se de 21 graus de latitude norte a 50 graus de latitude sul e de 111 graus de longitude leste a 119 graus de longitude oeste.11 Limita-se ao norte com o Estreito de Torres e os mares de Timor e Arafura, a leste com o Mar de Coral e o Mar da Tasmânia, ao sul com o Estreito de Bass e o Oceano Índico e as “Kamangas” a oeste novamente com o Oceano Índico.”
Atravessada pela linha do Equador e pelo Trópico de Capricórnio, a Oceania localiza-se nas zonas climáticas intertropical e temperada do sul. Devido à sua grande extensão de leste para oeste, abrange oito fusos horários, inclusive a linha que determina a mudança de data (Linha internacional de mudança de data).
Além de inúmeras possessões não independentes, administradas por países europeus, pelos Estados Unidos ou por nações desenvolvidas do continente, a Oceania inclui 14 Estados soberanos, entre os quais se destacam a Austrália e a Nova Zelândia, pelo grande desenvolvimento econômico, e a Papua-Nova Guiné, o segundo país do continente em população e área territorial.11
Os demais, de extensão reduzida, população numericamente inexpressiva e economia subdesenvolvida, são: Fiji, Samoa Ocidental, Nauru, Tonga, ilhas Salomão, Vanuatu, Kiribati, Palau, Estados Federados da Micronésia e Tuvalu.
Australásia: são as maiores ilhas, Austrália, Tasmânia, Nova Guiné e geograficamente, porém não cultural e historicamente, a Nova Zelândia;

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Melanésia (“ilhas negras”): o nome é derivado de melanina, pigmento escuro da pele, e alude à cor dos habitantes dessas ilhas pouco extensas, localizadas, em sua maioria, ao norte, nordeste e leste da Austrália. Grande parte delas são possessões francesas e britânicas; as que constituem países independentes são Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Vanuatu e Fiji;
Micronésia (“pequenas ilhas”): formada por ilhas muito pequenas, situadas ao norte e nordeste da Melanésia. O Reino Unido e os Estados Unidos possuem o maior número de territórios dessa área. Kiribati, Palau, Estados Federados da Micronésia, Ilhas Marshall e Nauru são os países independentes desse grupo;
Polinésia (“muitas ilhas”): corresponde às ilhas mais distantes da Austrália, dispersas por uma grande área do Pacífico. São em sua maioria possessões britânicas, francesas e Chilena. Os países independentes da Polinésia são Tonga, Samoa, Tuvalu e, historicamente e culturalmente (o último em relação aos seus povos aborígenes), a Nova Zelândia (nome polinésio: Aotearoa). O estado estadunidense do Havaí e a ilha chilena Rapa Nui ou ilha de Páscoa também fazem parte da Polinésia.
A Oceania é chamada de Novíssimo Mundo, pois foi o último continente a ser descoberto pelos europeus, que lá chegaram no século XVII. Só no fim do século XVIII teria início a colonização, com a chegada de prisioneiros britânicos obrigados a trabalhar na lavoura.
Quase todas as ilhas da Oceania têm a população composta majoritariamente por indígenas. Excetuam-se a Austrália e a Nova Zelândia, em que os brancos europeus – entre os quais predominam os de origem britânica – constituem a maioria dos habitantes.
A distribuição populacional está ligada, geralmente, ao grau de desenvolvimento econômico. Assim, Austrália e Nova Zelândia têm 85% ou mais de sua população estabelecidos nas zonas urbanas, enquanto o restante das ilhas a maioria dos habitantes ocupa as áreas rurais, o que indica uma industrialização inexpressiva. A agricultura e o extrativismo constituem a base de sua economia. Os primitivos habitantes da Austrália, conhecidos como aborígenes, habitam o país há pelo menos 5.000 anos.
As principais cidades da Oceania são: Sydney, Melbourne e Brisbane, na Austrália; Auckland e Wellington, na Nova Zelândia; Port Moresby, capital da Papua-Nova Guiné.
Com exceção da Austrália e da Nova Zelândia, todos os demais países da Oceania apresentam características de subdesenvolvimento. Suas principais atividades econômicas são o extrativismo e, com raras exceções, a agricultura.
Nas pequenas ilhas e na Papua-Nova Guiné, as indústrias, quando existem, são em geral instaladas para beneficiar algum produto originado do extrativismo. Enquadram-se nesse caso Papua-Nova Guiné (azeite de dendê e borracha) e Fiji (açúcar e pescado em conserva).
Condições totalmente diferentes são as encontradas na Austrália e na Nova Zelândia, cujo amplo parque industrial compreende desde as indústrias de base até as de bens de consumo. São os únicos países do continente que integram o bloco dos países desenvolvidos segundo o IDH.

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10.848 – Biologia Marinha – Um vírus misterioso está matando as estrelas-do-mar


Doença misteriosa intriga a Ciência

Está matando milhões de estrelas-do-mar. A epidemia atinge a costa do Pacífico do Alasca ao México. Ela vem reduzindo drasticamente a população desses animais marinhos e pode chegar a outras regiões do mundo.
O fenômeno foi observado pela primeira vez em junho de 2013, na costa noroeste dos Estados Unidos, como relata uma extensa reportagem do site The Verge. A estrela-do-mar doente fica coberta de lesões brancas. Depois, seus órgãos internos começam se projetar para fora da pele. Por fim, o animal se desintegra, perde seus braços e morre. A doença atinge mais de 20 espécies.
Ao longo de um ano, ela se alastrou para o norte, atingindo o Canadá e o Alasca, e para o sul, chegando à Califórnia e ao México. Até aquários que recebem água do mar foram contaminados. No aquário de Seattle, quase todas as estrelas-do-mar morreram. E já se observam alguns casos na costa Leste dos Estados Unidos, o que mostra que a doença também ocorre no Atlântico.
Biólogos vêm estudando o fenômeno. A principal suspeita deles recai sobre um vírus. O detalhe é que esse vírus já foi encontrado em estrelas-do-mar preservadas em museus, capturadas há mais de 70 anos.
Se o vírus existe há tanto tempo, por que só agora se tornou mortal? “Estou totalmente convencida de que isso tem relação com mudanças climáticas”, disse Lesanna Lahner, veterinária do Aquário de Seattle, ao Verge. “Só não tenho nenhuma prova disso ainda”, completa ela.
O aumento da temperatura e da acidez do oceano parecem ser os fatores que propiciaram a propagação da doença. Lesanna pegou algumas estrelas-do-mar doentes que estavam se desintegrando a 12°C e as colocou num tanque refrigerado a 10°C.
Para surpresa dela, as estrelas se curaram. Isso sugere que o aquecimento do Pacífico Norte, que foi de 0,5°C entre 1955 e 2013, pode ter contribuído para o vírus se alastrar. Mas as estrelas que estavam soltas no mar não se recuperaram no Inverno, quando a água se resfria.

Acidez do mar
O oceano absorve dióxido de carbono, gás que vem sendo produzido em quantidades crescentes desde que o mundo se industrializou. Esse gás reage com a água do mar, tornando-a mais ácida.
Os oceanos, que foram ligeiramente alcalinos nos últimos 300 milhões de anos, estão se tornando ácidos. Estudos já demonstraram que a acidez enfraquece as estrelas-do-mar, tornando-as mais vulneráveis a doenças.
A matança pode afetar outros animais marinhos. Há um estudo famoso publicado em 1966 pelo naturalista americano Robert Paine. Durante dois anos, ele removeu todas as estrelas-do-mar de uma piscina natural num costão rochoso.
Nesse período, o número de espécies na piscina rochosa havia se reduzido de 15 para 8. Paine concluiu que as estrelas-do-mar são espécies-chave, da qual dependem outros animais. Esse conceito de espécie-chave acabou sendo importante em estudos ecológicos posteriores.
Se essas são as más notícias, há também dados que trazem esperança. Pelo que se observou até agora, as estrelas-do-mar não desaparecem completamente das áreas afetadas. Em geral, morrem as maiores, mas resta um certo número de estrelas pequenas.
Isso sugere que os indivíduos mais resistentes sobrevivem à doença. Eles poderão, com o tempo, se reproduzir e levar a população desses animais a ser recuperar. De fato, já houve momentos na história em que a população das estrelas-do-mar declinou, recuperando-se depois. É possível que aconteça o mesmo na epidemia atual.

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10.843 – Biologia Marinha – Impactos no ciclo de nitrogênio afetam vida marinha e humana


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As mudanças induzidas pelo homem no ciclo do carbono, como seu aumento na atmosfera e no oceano, o que causa acidificação, são impactos observados há décadas. No entanto, um estudo publicado esta semana na Science mostra que atividades humanas, em particular processos industriais e agrícolas, têm também impactos significativos no ciclo de nitrogênio do mar.
A taxa de acumulação de nitrogênio reativo (como óxidos de nitrogênio da queima de combustíveis fósseis e amônia do uso de fertilizantes) mais que dobrou globalmente nos últimos 100 anos. E este aumento antropogênico da substância atingiu magnitude comparável a cerca de metade da fixação de nitrogênio pelo oceano (o processo natural pelo qual o gás atmosférico se torna um nutriente útil para organismos).
David Karl, diretor do Centro de Oceanografia Microbial da Universidade do Havaí, e pesquisadores da Coréia, Suíça e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA trabalharam conjuntamente para avaliar a concentração de nitrato em mar aberto do Pacífico Norte dos anos 1960 aos anos 2000.
A análise, capaz de discernir fixação de nitrogênio derivada de atividades humanas daquela natural, revelou que a concentração de nitrato aumentou substancialmente nas águas de superfície do Pacífico Norte nos últimos 30 anos, o que se deve em grande parte ao acúmulo de nitrogênio na atmosfera. “É um resultado preocupante que eu não teria previsto,” disse ontem Karl”. “O Pacífico Norte é tão vasto que é difícil imaginar que humanos pudessem impactar o ciclo natural de nitrogênio”.
Como a atividade biológica é limitada pela disponibilidade de nitrato no oceano, o acúmulo de nitrogênio da atmosfera pode aumentar a fotossíntese em suas camadas expostas ao sol e exportar material orgânico da superfície para águas profundas.
“A crescente população humana precisa de energia e alimento. Infelizmente, a poluição de nitrogênio é uma consequência indesejada, e nem o oceano aberto é imune a nossas atividades industriais”, afirmou Karl, de acordo com o Business Standard.

10.831 – Biologia Marinha – O peixe-diabo negro


Não confunda, você está no ☻Mega Arquivo

Peixe-Diabo Negro

(Melanocetus johnsonii) é uma espécie de peixe encontrada em todos os oceanos, porém, mais especificamente em profundidades que variam entre 100 e 2 mil metros. É capaz de atrair suas presas com uma falsa isca, uma espécie de saliência luminescente que se agita sobre a cabeça. Há um grande dimorfismo sexual em tais animais, uma vez que as fêmeas chegam a medir 18 centímetros, mas os machos, porém, crescem apenas até três centímetros. Por viverem em profundidades extremas onde, às vezes, é muito difícil encontra alimento, esses machos mordem a barriga de uma fêmea, passando a parasitar de seu corpo. A partir de então, ele passa a servir como um banco de esperma, pronto para entrar em ação sempre que a fêmea liberar seus ovos.

diabo negro recorte

10.703 – Planeta Água (?) – Escassez ou Abundância?


Iceberg,apenas uma fração está na superfície
Iceberg,apenas uma fração está na superfície

A água é o recurso natural mais abundante do planeta. De maneira quase onipresente, ela está no dia a dia dos 7 bilhões de pessoas que habitam o planeta. Além de matar a sede, a água está nos alimentos, nas roupas, nos carros e nos jornais impressos— se você está lendo a reportagem em seu tablet, saiba também que muita água foi usada na fabricação do aparelho. Mas o recurso mais fundamental para a sobrevivência dos seres humanos enfrenta uma crise de abastecimento. Estima-se que cerca de 40% da população global viva hoje sob a situação de estresse hídrico. Essas pessoas habitam regiões onde a oferta anual é inferior a 1 700 metros cúbicos de água por habitante, limite mínimo considerado seguro pela Organização das Nações Unidas (ONU). Nesse caso, a falta de água é frequente — e, para piorar, a perspectiva para o futuro é de maior escassez. De acordo com estimativas do Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar, com sede em Washington, até 2050 um total de 4,8 bilhões de pessoas estará em situação de estresse hídrico. Além de problemas para o consumo humano, esse cenário, caso se confirme, colocará em xeque safras agrícolas e a produção industrial, uma vez que a água e o crescimento econômico caminham juntos. A seca que atingiu os Estados Unidos no último verão — a mais severa e mais longa dos últimos 25 anos — é uma espécie de prévia disso. A falta de chuvas engoliu 0,2 ponto do crescimento da economia americana no segundo trimestre deste ano.
A diminuição da água no mundo é constante e, muitas vezes, silenciosa. Seus ruídos tendem a ser percebidos apenas quando é tarde para agir. Das dez bacias hidrográficas mais densa- mente povoadas do mundo, grupo que compreende os arredores de rios como o indiano Ganges e o chinês Yang-tsé, cinco já são exploradas acima dos níveis considerados sustentáveis. Se nada mudar nas próximas décadas, cerca de 45% de toda a riqueza global será produzida em regiões sujeitas ao estresse hídrico. “Esse cenário terá impacto nas decisões de investimento e nos custos operacionais das empresas, afetando a competitividade das regiões”, afirma um estudo da Veolia, empresa francesa de soluções ambientais.
Em muitos países em desenvolvimento e pobres, a situação é mais dramática. Falta acesso a água potável e saneamento para a esmagadora maioria dos cidadãos. Só o tempo perdido por uma pessoa para conseguir água de mínima qualidade pode chegar a 2 horas por dia em várias partes da África. Pela maior suscetibilidade a doenças, como a diarreia, quem vive nessas condições costuma ser menos produtivo. Essas mazelas já são assustadoras do ponto de vista social, mas elas têm implicações igualmente graves para a economia. Um estudo desenvolvido na escola de negócios Cass Business School, ligada à City University, de Londres, indica que um aumento de 10% no número de pessoas com acesso a água potável nos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) conseguiria elevar o crescimento do PIB per capita do bloco cerca de 1,6% ao ano. “O avanço econômico depende da disponibilidade de níveis elevados de água potável”, aponta Josephine Fodgen, autora da pesquisa.
Mais renda, mais consumo
Desde a década de 90, a extração de água para consumo nos centros urbanos do Brasil aumentou 25%, percentual que é o dobro do avanço do PIB per capita dos brasileiros no mesmo período. Quanto maior é a renda de uma pessoa, mais ela tende a consumir e maior é seu gasto de água. Isso é o que se convencionou chamar de pegada hídrica, a medida da quantidade de água utilizada na fabricação de tudo o que a humanidade consome — de alimentos a roupas. O conceito e os cálculos desenvolvidos na Universidade de Twente, na Holanda, permitem visualizar em números o impacto até mesmo da mudança da dieta dos povos que enriqueceram rapidamente. “Uma enorme quantidade de água é gasta hoje para que o mundo consuma mais carne”, explica Ruth Mathews, diretora executiva da Water Footprint Network, rede de pesquisadores que estudam o tema.

10.372 – Parado há mais de cinco anos, navio da USP deve ser doado ao Uruguai


Primeiro navio brasileiro a participar de uma operação na Antártida e uma das embarcações com mais história na oceanografia nacional, o Professor W. Besnard deve virar, em breve, propriedade do Uruguai. A reitoria da USP já está analisando a doação para o governo do país vizinho.
Sem condições físicas e de segurança para navegar após ser atingido por um incêndio no fim de 2008, a embarcação, construída em 1966, está parada há mais de cinco anos no porto de Santos.
Desde então, estuda-se o que fazer com o navio que, mesmo parado, gera custos com manutenção e com sua tripulação, que permanece recebendo salário.
Em 2009, a então reitora da USP, Suely Vilela, liberou R$ 2 milhões para o conserto da embarcação. Segundo o pedido de verba feito pelo Instituto Oceanográfico, o dinheiro serviria para reparos e aquisição de equipamentos.
O montante, porém, nunca chegou a ser usado no Besnard. Segundo a assessoria de imprensa da USP, o dinheiro serviu para reformas na embarcação mais nova da USP, o Alpha Crucis, e em equipamentos para um barco menor, o Alpha Delphini.
Apesar de ter usado a verba do Prof. Besnard, o próprio Alpha Crucis também enfrenta problemas.
Em maio,revelou que o novo navio, que recebeu um investimento de cerca de R$ 23 milhões, com verbas da USP e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), estava parado havia mais de seis meses também no porto de Santos, com problemas para voltar a realizar atividades de pesquisa.
O orçamento oficial da USP prevê gastos de mais de R$ 800 mil com as embarcações neste ano.
Entre as opções de destino do navio estava sua conversão em museu, uma doação e até mesmo um afundamento controlado, para fazer dele um recife artificial.
No entanto, o que prevaleceu foi a vontade de alguns setores, que preferiam a doação para o Uruguai. Fontes ligadas ao Instituto Oceanográfico disseram que a transferência para o Uruguai foi discutida em reunião da congregação do instituto.
A razão da escolha do país vizinho e outros pormenores técnicos não foram explicados pela USP.
Em maio, no entanto, Mahiques já havia mencionado a predileção pela doação. “Desde 2010, têm sido feitas gestões para um fim nobre para o Besnard e estamos tentando conseguir viabilizar, juridicamente, uma doação”, disse em um e-mail.
A assessoria da USP confirma que a universidade está analisando a doação para o governo do Uruguai.
“Processos desse gênero precisam passar pela aprovação das comissões do Conselho Universitário e, posteriormente, do próprio Conselho Universitário. No momento, a doação do navio está sendo analisada na Comissão de Orçamento e Patrimônio e não há prazo para conclusão do processo”, afirmou.
Apesar da concentração aparente de muita ferrugem e de outros pequenos danos no casco, a USP nega que o navio esteja abandonado.
A Prefeitura de Santos, que já disse querer ficar com o navio para transformá-lo em museu, afirmou que ainda tem interesse na embarcação e busca recursos e parcerias para viabilizar o projeto.

10.280 – Planeta Água – Terra pode ter reserva subterrânea de água três vezes maior que os oceanos


planet agua

Cientistas descobriram que uma vasta reserva de água, suficiente para encher os oceanos da Terra três vezes, pode estar confinada centenas de quilômetros abaixo da costra terrestre. A novidade, publicada nesta sexta-feira na revista Science, pode transformar o que se sabe atualmente sobre a formação do planeta.
A água estaria presa em um mineral chamado ringwoodita, cerca de 660 quilômetros abaixo da superfície. Devido à estrutura de cristal, esse mineral atrai hidrogênio e retém a água. Steve Jacobsen, pesquisador da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, e coautor do estudo, disse ao jornal britânico The Guardian que se 1% do peso das rochas localizadas na zona de transição (parte do manto terrestre, que fica abaixo da crosta, a superfície) for de água, essa quantidade seria equivalente a quase três vezes a dos oceanos.
A descoberta indica que a água da Terra pode ter vindo de seu interior, levada à superfície pela atividade tectônica, em vez de depositada por cometas que atingiram o planeta durante sua formação, como afirmam as teorias atuais. “Eu acredito que estamos finalmente vendo evidências de um ciclo da água completo na Terra, que pode ajudar a explicar a vasta quantidade de água líquida na superfície do nosso planeta. Os cientistas têm procurado essas águas profundas há décadas”, disse o pesquisador.
A pesquisa foi feita com base em dados do USArray, uma rede de sismógrafos americana, que mede as vibrações de terremotos. Para Jacobsen, essa água oculta pode servir como apoio para os oceanos na superfície, o que explicaria por que eles se mantiveram do mesmo tamanho por milhões de anos.

9937 – El Niño poderá chegar mais cedo no Hemisfério Norte


Fenômeno traria chuvas torrenciais sobre a América do Sul

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O temido El Niño, fenômeno de aquecimento de águas de superfície no Pacífico, e que pode provocar seca no sudeste da Ásia e na Austrália, e enchentes na América do Sul, deverá ocorrer no próximo verão do hemisfério norte.
Em seu alerta mais seguro em quase 18 meses, o Centro de Previsão do Clima dos EUA diz em seu relatório mensal que as condições neutras de El Niño devem continuar pela primavera, mas há uma chance de 52% de desenvolvimento de sua atividade no verão ou no outono.
“Temos uma probabilidade maior. Não muita, mas o bastante para sentirmos que devemos começar a chamar atenção para a situação”, disse na sexta-feira Michelle L’Heureux, cientista do clima do Centro, em Maryland. “Isto não é uma garantia, mas estamos divulgando este alerta para que as pessoas fiquem conscientes”.
A previsão está alinhada com a de outros meteorologistas, segundo os quais aumentou o potencial de retorno do El Niño este ano.
O Escritório de Meteorologia da Austrália havia afirmado em 25 de fevereiro que “o aquecimento do Pacífico provavelmente ocorrerá nos próximos meses”, notando que os modelos do clima mostram temperaturas oceânicas que “se aproximam ou ultrapassaram limiares do fenômeno no inverno austral”.
Borracha, açúcar, café e natural são algumas das commodities que podem flutuar por conta do El Niño, que geralmente ocorre a cada três ou cinco anos e dura meses. O fenômeno causa com frequência invernos mais quentes no norte dos EUA, chuvas mais fortes no Sul da Argentina e no Brasil, e condições mais secas no sudeste da Ásia e Indonésia.
O El Niño que aconteceu em 1982-83 causou U$ 8.1 bilhões de danos no mundo e levou a esforços de monitoração mais acuradas do aquecimento do oceano, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, informa a Bloomberg.

9910 – Caldeira no Mar – Em qual lugar a água do mar é mais quente?


Segundo o Guinness, o “livro dos recordes”, a maior temperatura já registrada no oceano é 404ºC. Só para dar uma ideia, o fogão da sua casa não passa de 300ºC! Esse calor infernal foi medido no oceano Pacífico, a cerca de 480 quilômetros da costa oeste dos Estados Unidos. Mas você nunca vai conseguir nadar nessa temperatura escaldante. Isso porque o recorde foi medido a mais de 2 mil metros de profundidade, junto a uma fonte hidrotermal, um lugar em que o magma vulcânico fica muito próximo do leito do oceano, aquecendo brutalmente a água. Se você estiver a fim de dar um tibum nas águas de superfície mais quentes do planeta, pegue um avião até a região onde ficam países como Filipinas, Indonésia, Brunei e Timor Leste. Por lá, em qualquer época do ano você pode se banhar em águas que passam dos 30ºC. Se você não quiser ir tão longe, dê uma chegadinha até o canal de Moçambique, entre o leste africano e a ilha de Madagascar. Nessa área, a água também costuma atingir temperaturas acima de 27ºC – no sudeste do Brasil, por exemplo, a temperatura média é de 24ºC. Tanto no sudeste asiático quanto na costa leste da África, a a água é quentinha porque as correntes marítimas que banham a região percorrem uma longa distância, partindo da costa oeste das Américas. Como boa parte do percurso rola na zona equatorial, as correntes recebem um monte de luz solar durante o trajeto. No final da viagem, as águas estão bem mais quentes que no resto do planeta.

9902 – Biologia – A Vida em Condições Extremas


Raposa do Ártico
Raposa do Ártico

Os seres humanos têm um gosto bastante peculiar. Sol, temperatura amena, ar fresco e bebidas refrescantes podem fazer a alegria de qualquer pessoa, mas seriam desagradáveis e até mortais para outros organismos. É que, na natureza, muitas espécies se especializaram em viver em ambientes tão diferentes do nosso que jamais se contentariam com sombra e água fresca. Para esses bichos, bons mesmo são lugares escaldantes, congelantes, com extremos de pressão, toxinas aos montes, falta de água ou de oxigênio. São os chamados seres extremófilos, os habitantes dos piores lugares do planeta.
Uma das maneiras de sobreviver a isso tudo é jogar na retranca e não encarar de frente as dificuldades – muitos deles “desligam” o metabolismo até que a situação volte ao normal. E olha que a espera pode demorar: esporos de bactérias achados em cristais de sal continuavam inteiros depois de 250 milhões de anos. Para alguns cientistas, é possível que eles nunca morram.
Os grandes desertos só são desertos na nossa imaginação. Não existe nesses locais nenhum terreno estéril: cada centímetro possui plantas, animais ou microorganismos. A dificuldade de se viver ali, como se sabe, é a escassez de água, um dos fatores mais essenciais à vida. Além de compor muitas moléculas, a água é o meio em que acontecem as reações químicas dos organismos.
A principal solução para escapar desse problema é fugir do calor. O maior refúgio do deserto é o subsolo, um lugar com bem menos sol e mais umidade que a escaldante areia da superfície. Em épocas de seca, um sapo do deserto de Sonora, Estados Unidos, se enterra a quase 1 metro de profundidade e permanece ali por até nove meses. Formigas e cupins, os principais invertebrados de muitos desertos, constroem a parte visível de seus ninhos em posições estratégicas para receber mais raios solares no início ou fim do dia, e menos quando o sol está mais forte. Os vegetais fazem diferente. As plantas do deserto têm de duas a seis vezes mais tecidos embaixo da terra do que em cima e, para aumentar suas chances de obter água, espalham-se por uma área enorme. Algumas chegam a lançar as raízes mais de 75 metros para os lados.
Quem quiser permanecer ativo durante os momentos mais secos precisa de algumas adaptações. O camelo é um animal valioso em desertos por viver até 15 dias sem beber em um calor de mais de 30 graus centígrados. Nos meses mais frios, ele retira toda a água que precisa dos alimentos que consome. O segredo é aguentar níveis de desidratação que matariam um ser humano e absorver o máximo de líquido quando tiver chance: ao encontrar água, ele pode beber 130 litros – ou uma banheira cheia – de uma só vez. Além disso, o pelo reflete a luz solar, a urina é concentrada, cavidades no nariz absorvem a umidade do ar e, em vez de tentar esfriar o organismo, ele simplesmente deixa a temperatura do corpo flutuar.
Cada espécie da região tem seus artifícios para descolar mais água. Um besouro da Namíbia, por exemplo, possui cavidades em seu corpo capazes de coletar a umidade do ar. Outros insetos são capazes de agüentar altos níveis de desidratação – ou seja, continuar funcionando mesmo quando o sangue está muito concentrado. O extremo dessa habilidade está nos organismos em que o metabolismo pára porque o corpo desidratou quase completamente – o maior animal a conseguir esse feito é a larva da mosca Polypedilium vanderplanki, com meio centímetro de comprimento. Nessa espécie de hibernação forçada, a larva resiste a situações ainda mais extremas, como temperaturas acima de 100 graus centígrados ou abaixo de zero.

Vida no gelo
Imagine morar em um lugar onde a temperatura média gira em torno de zero grau e você terá uma idéia do que é viver perto dos pólos. Para piorar, o frio não é o único problema da região: o ambiente tem alta incidência de raios ultravioleta e pouquíssima chuva. No deserto de Ross, a maior área da Antártida livre de gelo, não caiu sequer uma gota nos últimos 2 milhões de anos. Nas outras regiões polares, a água é até abundante, mas está congelada e, portanto, indisponível para os seres vivos. Mesmo assim, a vida está lá. Há, por exemplo, uma espécie de líquen na Antártida que continua a fazer fotossíntese em um frio de 10 graus negativos.
A estratégia de fugir das condições extremas funciona bem aqui – muitos bichos habitam as regiões mais frias apenas durante o verão. Pinguins e leões-marinhos, os maiores animais da Antártida, habitam e se reproduzem no continente, mas correm para o mar quando é preciso pegar comida ou fugir do frio (a água do mar que permanece líquida nunca está abaixo de 1,9 grau negativo). Os únicos animais que habitam o continente durante o inverno – acarinos e colêmbolos – não passam de 2 milímetros. A honrosa exceção fica para o pingüim-imperial, que passa o verão engordando e o inverno chocando os ovos de seus filhotes.
O grande perigo dessas regiões é congelar. Quando isso acontece, milhões de cristais de gelo se formam nos tecidos e separam as células. Além disso, rompem os vasos sanguíneos, o que significa que, ao descongelar, os tecidos ficam parecendo mingau. Os órgãos param e deixam de fornecer oxigênio ao corpo. Se isso não for suficiente para matar, à medida que a água se transforma em gelo, o sangue se torna muito concentrado e destrói várias células. Pense nisso se você tiver a intenção de se congelar numa câmara criogênica quando estiver à beira da morte.

Os animais maiores fogem desse risco migrando para o calor ou se aquecendo com camadas de gordura e pêlo. Mas como os pequeninos – que não podem viajar nem se proteger – fazem para sobreviver? O segredo é que a pequena quantidade de água desses organismos permanece líquida mesmo a dezenas de graus abaixo de zero. Isso acontece porque, para que o gelo se forme, é preciso que exista um primeiro cristal a partir do qual o resto da água congela. Esses seres eliminam de seu corpo substâncias que possam aglutinar o gelo, se protegem para evitar que a neve de fora invada seu corpo e ainda produzem substâncias anticongelantes. Manhas como essas são muito bem-sucedidas: uma mosca-do-ártico (Rhabdophaga strobiloides) aguenta até 56 graus abaixo de zero antes de congelar.
O problema é que a estratégia é arriscada. Basta um chacoalhão que forme o primeiro cristal e, pimba, o bicho vira gelo da maneira mais rápida e violenta possível. Por isso, algumas espécies preferem encarar o congelamento, mas de modo controlado e que garanta a sobrevivência ao derreter. A ideia é congelar lentamente para que o corpo se adapte e para evitar que o gelo invada o interior das células. Muitos desidratam os tecidos para diminuir a extensão do congelamento e evitar que os órgãos se destruam. Outros possuem proteínas que evitam que o gelo forme cristais muito grandes, que acabariam com algumas células. Com esses truques, a larva da mosca Chymomyza costata suporta até 100 graus negativos, enquanto um gafanhoto das montanhas da Nova Zelândia congela quase toda a água disponível em seu corpo.
As adaptações se sofisticam nas cinco espécies de sapo e duas de tartaruga capazes de aguentar o congelamento. A estratégia do sapo é liberar adrenalina, que acelera batimentos cardíacos para garantir o oxigênio para os tecidos. Também aumenta a glicose no sangue em até 200 vezes para diminuir a concentração de água no organismo. Dessa forma, ele lentamente se adapta à formação de gelo e ao derretimento, que pode levar um dia inteiro.

Vida sob pressão
Os seres vivos são como o ambiente de trabalho de qualquer empresa: precisam de um nível ideal de pressão para funcionar. Coloque no topo de uma montanha um animal acostumado a viver no fundo do mar e ele morrerá em segundos. Existem microorganismos capazes de sobreviver no vácuo e outros que vivem e crescem no ponto mais profundo dos oceanos, a nada menos que 11 mil metros de profundidade – um lugar onde a pressão é tanta que seria equivalente a ter um peso superior a mil quilos em cada centímetro quadrado do seu corpo.
Durante muito tempo, os cientistas imaginaram que o fundo do mar não tinha vida. Além da pressão, a região é longe da superfície e recebe dela pouquíssimos nutrientes. Foi só nos anos 60 que cientistas começaram a pesquisar o ambiente e perceber que havia vida por lá – e muita. Hoje, as apostas mais conservadoras sobre a diversidade no fundo dos oceanos avaliam que exista lá ao menos meio milhão de espécies (só para comparar, conhecem-se hoje 160 mil espécies marinhas). Mesmo o buraco mais profundo é habitado por bactérias, pepinos-do-mar e vermes. O fundo do mar passou a ser considerado o maior ambiente da terra.
Evitar ser esmagado pelo peso desse lugar é fácil – basta igualar a pressão interna e a externa – mas esse não é o único problema. Muitas das proteínas do nosso corpo são sensíveis à pressão e, além disso, algumas das reações químicas que ocorrem no nosso interior podem ser inibidas por tanto peso. Esse fatores forçam os organismos a desenvolverem um metabolismo diferente, com enzimas resistentes à pressão e membranas mais resistentes.
Existem duas formas de se conseguir comida por lá. A primeira é aproveitar os poucos nutrientes que afundam. A outra é fazer a própria matéria orgânica, como é o caso em um dos ambientes mais extremos que se conhece, uma espécie de filial do inferno. Essas regiões abissais, semelhantes a vulcões, jorram materiais superaquecidos, formando novos solos e separando as placas tectônicas. Ali, onde a água ultrapassa os 350 graus centígrados, vivem bactérias, moluscos gigantes, siris, peixes e vermes em forma de tubo com até 11,5 metros de comprimento. Esse povo todo sobrevive de uma fonte de energia bem pouco usual: os ferros e sulfetos que emergem junto à água quente. Bactérias presentes nesse ambiente conseguem reagir essas substâncias com oxigênio para obter energia e se desenvolver. Com essa habilidade, servem de base para todo o ecossistema. O problema é que, para conseguir essas substâncias, bactérias e animais precisam estar próximos das áreas mais quentes dos oceanos. Um desses seres, descoberto em agosto, é um tipo de bactéria capaz de crescer em temperaturas de até 121 graus centígrados, o que a faz a recordista de temperatura do planeta.
Parece o pior lugar do mundo, não? Talvez não, porque há outro, embaixo de seus pés, quase tão terrível. O subsolo reúne diversas bactérias, fungos e protozoários em profundidades que, estima-se, podem chegar a até 7 quilômetros. O estilo de vida é parecido: o calor é estúpido e a luz, inexistente. Os microorganismos chegam até lá pelo movimento da água e se fixam em minúsculos poros da rocha. Em terrenos mais recentes, eles vivem de decompor matéria orgânica enterrada há milhões de anos. Nas profundidades maiores, a única solução é apelar para o truque de decompor ferro e sulfetos. Algumas dessas comunidades podem ter se isolado da superfície há muitos milhões de anos. Por contar com poucos nutrientes à sua volta, elas se desenvolvem de forma muito, muito lenta, talvez se reproduzindo uma única vez em algumas centenas de anos. Mesmo com tanta dificuldade para sobreviver, o ambiente é tão grande que, para alguns cientistas, eles podem ser numerosos a ponto de rivalizar com a quantidade de matéria viva presente na superfície.

Existem em todo canto lugares ácidos ou alcalinos demais, com radioatividade ou sem oxigênio, que colocam desafios à vida – e que são habitados. O telhado de uma casa, por exemplo, pode ter um enorme calor durante o dia e geadas durante a noite. Apesar de receber chuvas, os líquidos logo escorrem e o lugar volta a ser um deserto. E, no entanto, eles abrigam insetos, musgos e vários outros seres.
Lugares inóspitos podem estar ainda mais perto. Seu estômago, por exemplo, é bem ácido. Uma camada de muco nos protege de seus efeitos, mas a maioria dos seres é destruída ao dar um rolê por ali. No entanto, todo mundo que já teve uma doença do sistema digestivo sabe que alguns micróbios passam ilesos pelos ácidos. A estratégia mais comum desses parasitas é atravessar o estômago na forma de cistos, protegidos por uma casca, e só se desenvolver quando já estiverem fora dali.
As condições em que vivemos são bem extremas e matariam boa parte dos animais dessa matéria. O nosso clima destruiria as bactérias dos vulcões submarinos e faria ferver alguns bichos polares. A pressão explodiria muitos dos seres do fundo dos oceanos. E, por fim, existem micróbios que seriam envenenados por oxigênio. O contato com esse gás produz substâncias tóxicas que seriam fatais se não tivéssemos enzimas que lidam com elas. No início da vida, quando os microorganismos não estavam acostumados com oxigênio, um ambiente como o nosso seria fatal. E, hoje, esse gás é vital para os animais. Assim como adquirimos a habilidade de respirar, os locais mais inóspitos podem ser confortáveis a quem desenvolve meios de sobreviver a eles. Se dermos tempo e chance para a evolução, poucas coisas serão realmente extremas para os seres vivos do planeta.

9830 – Biologia Marinha – Como os animais das regiões abissais conseguem sobreviver em profundidades tão grandes?


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Quem acha que vive sob pressão precisa conhecer o Anoplogaster cornuta. Ele mora no oceano a uma profundidade de 5 000 metros. A pressão que a água faz sobre seu corpo é 500 vezes maior do que aquela que o ar faz sobre nós aqui na superfície. Mas não rola nenhum estresse. Os animais que nadam abaixo dos 300 metros de profundidade têm adaptações no corpo que os tornam imunes às condições adversas desses lugares.
Alguns dos ajustes são invisíveis. O aperto produzido pela água, que seria capaz de esmagar as proteínas e comprometer suas funções em seres que habitam a crosta, não causam mal nenhum. “Isso porque, para protegê-las, boa parte desses animais conta, nas células, com uma substância chamada óxido de trimetilamina”. O óxido funciona como uma parede que absorve o aperto. A escuridão, que também poderia atrapalhar suas caçadas e paqueras, é driblada com a fosforescência. “Se pudessem se comunicar conosco, esses bichos também se perguntariam como podemos ficar fora da água e com uma pressão tão baixa”, brinca o biólogo marinho Edward Seidel, do Aquário da Baía de Monterey, nos Estados Unidos.

9790 – Altair, o navio encalhado


navio altair

Pego por uma forte tempestade, que o fez naufragar ao sul do litoral gaúcho, no inverno de 1976, o Navio Altair permanece encalhado a cerca de 12 quilômetros à direita da avenida Rio Grande, a principal do balneário, constituindo hoje em mais uma das atrações turísticas da Praia do Cassino.
Se pouco restou da imponência do Altair, abandonado pela proprietária de linhas de navegação Libra e saqueado num primeiro momento, o navio é hoje o habitat para muitas espécies. A ferrugem, nas últimas três décadas, já corroeu boa parte da estrutura do Altair, mas o limo – que se torna visível quando a maré está baixa, dando nova dimensão ao navio – é uma rica alimentação para a mais variada gama de animais marinhos.
O local é considerado excelente para a pesca e a prática de esportes náuticos, especialmente o surfe, abrigando também rica fauna marinha. A área em questão é rodeada por dunas de areia e sangradouros, onde podemos encontrar diversas aves migratórias e residentes: gaivota do manto negro, gaivota capuz de café, maçaricos, gaviões, pernaltas, etc.

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O cargueiro Altair vinha do Prata, no dia 06 de junho de 1976, com sua carga de 6.000 tons de milho , naufragou após ter enfrentado uma grande tempestade na costa sul do nosso estado (praia do Cassino, Rio Grande-RS), onde ondas com até seis metros passavam sobre seu convés, infiltrando-se nos porões e ameaçando partir suas anteparas, e ainda por cima já sem máquina auxiliar e a principal falhando, o Comandante decidiu leva-lo em direção à praia visando evitar uma tragédia maior.
Pescadores auxiliaram no resgate de todos seus tripulantes.Alguns aparelhos e outros objetos do navio foram igualmente resgatados. Atualmente, bem destruído pelo tempo e erosão, o Altair se vai findando aos poucos sem antes marcar a história do Cassino tornando-se um ponto turístico e suas fotos sempre são vistas em banners pelas ruas de Rio Grande.

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