14.210 – Mega Curiosidades – Qual foi o 1º Filme?


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A história considera que foram as fitas exibidas pelos irmãos Auguste e Louis Lumière na primeira sessão pública do cinematógrafo, em 1895, em Paris. Durante cerca de 20 minutos, o público se maravilhou com o aparelho assistindo a imagens de Empregados Deixando a Fábrica Lumière e de Chegada de um Trem à Estação de la Ciotat. Mas, se estamos falando de longas-metragens, a honra pertence à Austrália. The Story of the Kelly Gang, de 1906, conta, em 70 minutos, a história de Ned Kelly, fora da lei que desafiou a preconceituosa Austrália colonial, transformando-se em herói nacional. O personagem foi tema de outra produção mais recente, de 2003, com Heath Ledger.

14.209 – Mega Bloco Biologia – O que é uma espécie invasora?


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Os cães, talvez os primeiros animais domesticados pelo homem, possivelmente surgiram através da seleção artificial de linhagens de lobos e chacais selvagens, e hoje têm uma população mundial estimada em 400 milhões de indivíduos. Em muitos lugares, principalmente onde existem populações de vida livre, eles são uma ameaça a espécies nativas

É aquela que, oriunda de certa região, penetra e se aclimata em outra onde não era encontrada antigamente (espécie introduzida), prolifera sem controle e passa a representar ameaça para espécies nativas, para a saúde e economia humanas e/ou para o equilíbrio dos ecossistemas que vai ocupando e transformando a seu favor.
Ainda que as invasões possam acontecer de maneira natural, e de fato já aconteceram inúmeras vezes na história da Terra, as atividades e movimentações humanas vêm desempenhando, em tempos históricos, o maior papel na introdução, em praticamente todas as regiões do mundo, de espécies exóticas que se tornaram invasoras, um processo que recentemente vem se acelerando tanto que assumiu a dimensão de crise global, gerando extensas repercussões negativas no equilíbrio ecológico, na economia, na sociedade e na cultura. A invasão de relativamente poucas espécies muito adaptáveis e competitivas sobre vastas áreas do globo tende a empobrecer e homogeneizar os ecossistemas, e é um dos principais fatores em ação na atualidade para a crescente e acelerada perda de biodiversidade mundial, cujo impacto continua a ser subestimado.
Além do declínio ou extinção de espécies nativas, as invasões acarretam prejuízos em colheitas, degradação de florestas, solos e pastagens, favorecem a disseminação de doenças e pragas, e, perturbando os ciclos físicos, químicos, biológicos e climáticos, afetam todos os serviços ambientais oferecidos pela natureza, que são fundamentais para a vida humana. Com a crescente a interferência do homem nos ambientes, projeta-se que as invasões se multipliquem no futuro e, com elas, seus impactos indesejáveis.
Ao contrário de outros problemas ambientais que podem se diluir e amenizar com o tempo, as invasoras muitas vezes se tornam espécies dominantes e as consequências negativas tendem a se agravar à medida que sua adaptação se completa. O combate às invasões nem sempre é possível e, quando tentado, em regra se revela um procedimento altamente complexo, custoso e nem sempre garante bons resultados, podendo ocorrer até mesmo efeitos adversos imprevistos.
Espécie nativa: espécie que evoluiu no ambiente em questão ou que lá chegou desde épocas remotas, sem a interferência humana.

Espécie exótica: espécie que está em ambiente diferente de seu local de origem, por ação do homem (intencional ou acidental).

Exótica casual: espécie fora de seu ambiente de origem, sem a capacidade de formar população persistente.

Exótica naturalizada: espécie fora de seu ambiente de origem, capaz de formar população persistente e de conviver com a comunidade nativa sem invadir ecossistema natural ou antrópico.

Invasora: espécie exótica em ecossistema natural ou antrópico, que desenvolve altas taxas de crescimento, reprodução e dispersão.

Praga: espécie exótica ou não, indesejável no local por razões geralmente econômicas.

Superdominante: espécie nativa que se comporta como invasora, mediante desequilíbrio ambiental.
Todos os grupos taxonômicos, incluindo as plantas, os animais, os fungos e os microrganismos, têm espécies de potencial invasivo, e qualquer ecossistema pode ser afetado.
As invasões podem se dar de forma natural, através de migrações de populações, transporte de sementes pelo vento, água ou animais, e ser provocadas por alterações geográficas e climáticas, entre outros meios. A flora e a fauna da Terra variaram radicalmente ao longo de sua história de milhões de anos, adaptando-se às sempre mutantes feições do planeta. Populações se dispersaram no espaço, eliminando competidores no caminho, e espécies conheceram grande florescimento somente para serem superadas por outras mais versáteis, mais equipadas ou mais resistentes, que apareciam no cenário da ininterrupta evolução dos seres e da luta pela vida sob condições ambientais cambiantes.
No entanto, desde que o homem apareceu sobre a Terra ele vem interferindo em seu ambiente. Entre as formas de interferência está a introdução de espécies exóticas em regiões onde elas originalmente não existiam. A domesticação, desde milhares de anos atrás, de animais como o cão, o gato, o gado, e de plantas como o milho e o trigo, espécies que adquiriram elevado valor alimentício, econômico, social ou cultural para o homem, as difundiu por grandes regiões do planeta à medida que a população humana migrava, aumentava em número e expandia seus domínios. Em tempos mais recentes, os usos ornamentais, sociais, medicinais, religiosos, científicos e paisagísticos de muitas espécies as difundiu por toda parte.
Com a crescente mobilidade do ser humano, muitas outras, como os ratos e as baratas, se transportaram inadvertidamente para regiões distantes de sua origem, ocultas em veículos, cargas, bagagens e mesmo pessoas, pois deve-se incluir neste cômputo as espécies que usam o homem como hospedeiro ou veículo habitual ou eventual, sendo especialmente ilustrativo o fato de que a maior parte das invasões acontece exatamente ao longo de linhas importantes de tráfego de bens e pessoas.
Também contribui significativamente o intenso comércio internacional – legal e ilegal – de animais de estimação e plantas ornamentais exóticas, e em alguns países é a principal causa de invasões; muitos desses indivíduos fogem, espalham sementes ou acabam liberados pelos donos em ambientes que lhes são estranhos, estabelecem populações com sucesso, e passam a ser invasores, alterando os sistemas ecológicos da região.
Outros fatores antropogênicos que têm levado a invasões são o desmatamento e a degradação de áreas verdes, abrindo espaços para a penetração de espécies exóticas, e o aquecimento global, que força populações para fora de suas áreas de origem em busca de locais mais propícios à sua sobrevivência.
Por exemplo, nos últimos 30 anos 9 milhões de km² de tundra do Hemisfério Norte já foram invadidos por espécies arbóreas e arbustivas nativas das regiões temperadas, em função do rápido aquecimento da região ártica.
Todos os biomas da Terra já foram de alguma maneira prejudicados por invasões, e os impactos mais acelerados ocorrem nas florestas temperadas e tropicais, nas zonas semiáridas do Mediterrâneo, nas savanas e campos tropicais e nas águas interiores.
Os efeitos da introdução de espécies exóticas são em geral imprevisíveis, mas elas só se tornam uma ameaça significativa quando passam a ser invasoras, quando os efeitos podem ser graves e extensos. Esse fenômeno ocorre não só quando a espécie exótica encontra no novo local boas condições para sua vida e reprodução, mas acima de tudo quando não encontra inimigos naturais capazes de efetivarem sobre sua população um controle biológico, preservando o equilíbrio dos ecossistemas invadidos. Por isso, as invasoras tendem a proliferar de maneira explosiva e serem grandes transformadoras dos ambientes conquistados, alterando suas características físicas, modificando as relações entre os seres vivos e os sistemas de dominância, se tornando predadoras, interferindo nas cadeias tróficas e na química dos substratos inorgânicos, na densidade e distribuição da biomassa, no balanço energético e genético, e competindo diretamente por espaço e nutrientes com espécies residentes. Às vezes as transformações são tão profundas a ponto de inviabilizar a sobrevivência de outros seres, causando sua extinção ou deslocamento para regiões mais favoráveis, e assim obrigando as espécies expulsas a se tornarem elas mesmas invasoras de outras áreas, num efeito de cascata.
Estima-se que seja cerca de 480 mil o número das espécies introduzidas modernamente em outros locais, e destas até 30% se tornaram invasoras em pelo menos uma das regiões que as receberam, causando uma série de efeitos danosos.
A extinção ou declínio de predadores que estão no topo da cadeia alimentar, por exemplo, em geral desencadeia um efeito cascata que altera o equilíbrio ecológico de toda a região, favorecendo a proliferação intensa das espécies que eles predavam, ora livres de sua maior ameaça. Estas, por sua vez, florescendo em grande número, esgotam as populações de suas próprias presas. Tal vem sendo o caso dos grandes tubarões, dizimados pela pesca predatória, causando uma multiplicação de antigas presas como as focas e de predadores secundários como arraias e tubarões menores, e ocasionando o declínio de outras espécies das quais essas se alimentam.
Em 1994 a população de leões do Parque Nacional de Serengueti, na Tanzânia, declinou em cerca de 30% em função uma epidemia transmitida por cães domésticos que viviam no entorno da reserva.
Vários estudos relataram casos de extinção de populações inteiras de certas espécies de regiões isoladas ou insulares pela introdução de um único indivíduo de espécie exótica.
Na região de Stellenboschberg, África do Sul, as bacias de captação pluvial foram invadidas por Pinus patula e Eucalyptus grandis, causando uma redução de 52% no volume captado nas áreas invadidas por P. patula, e de 100% nas invadidas por E. grandis, e reduzindo em 30% o fornecimento de água potável para a Cidade do Cabo, o que ocorre similarmente em outras regiões num país em que a água é escassa, além de causar a extinção de muitas outras espécies.
Os excrementos corrosivos dos pombos-comuns, nativos da Europa mas encontrados em bandos em todas as grandes cidades do mundo a ponto de se tornarem uma praga urbana, são uma importante causa de degradação de monumentos históricos e estruturas humanas, além de essas aves potencialmente transmitirem doenças para as pessoas e outros animais.
A introdução do cupim Coptotermes formosanus no Havaí foi responsável por intensos danos em estruturas de madeira e gasta-se anualmente mais de 60 milhões de dólares em seu controle;[36]
A introdução de ratos Rattus norvegicus nas Ilhas Seychelles desencadeou um declínio acentuado no turismo local pelas perdas que provocou na biodiversidade insular, que constituía um dos maiores atrativos locais.
O caracol argentino Pomacea canaliculata tem sido a causa de enormes quebras de safras de arroz em vários países asiáticos, além de veicular doenças humanas.
A introdução de coelhos Oryctolagus cuniculus na Inglaterra e na Austrália. Esses coelhos, originários da Península Ibérica, foram levados da França para a Inglaterra, no século XII e, em 1778, daí para a Austrália. Eles se tornaram praga tanto na Inglaterra como na Austrália, gerando grande prejuízo por perdas agrícolas. Seu controle foi tentado por meio de sua contaminação pelo vírus da mixomatose que, embora letal à grande maioria dos indivíduos, deixou de sê-lo na medida em que foi havendo a seleção de populações do coelho resistentes ao vírus.
A abelha europeia africanizada Apis mellifera, introduzida no Brasil para pesquisa científica, e que escapou do controle dos laboratórios, espalhando-se por toda a América do Sul e Central. Essa abelha é agressiva ao ser humano e também compete por recursos com as abelhas nativas.
Segundo o Secretariado da Convenção sobre a Biodiversidade, os prejuízos econômicos causados pelas espécies invasoras em todo o mundo, na forma de perdas em colheiras, pastagens e florestas, além das despesas nos planos de combate, podem chegar a 1,4 trilhões de dólares a cada ano, equivalendo a 5% da economia mundial. Nestes custos não estão incluídos o declínio da biodiversidade e as extinções de espécies, os danos estéticos e culturais às paisagens e comunidades, e a perda de serviços ambientais, que ainda não foram bem calculados em termos econômicos e às vezes nem podem sê-lo, mas que sem dúvida são altíssimos, afetando o homem e a natureza como um todo, ameaçando a estabilidade social e política das nações, o seu crescimento econômico, e o desenvolvimento de um futuro sustentável e equitativo para todos os seres.
A gravidade da situação é tanta que já em 1996 a ONU, através da Convenção sobre a Biodiversidade, elaborada por um grande grupo de especialistas de 80 países e ratificada por 168 governos nacionais, alertou que as invasões constituem um desafio “imenso, insidioso, crescente e irreversível”.
A Convenção sobre a Biodiversidade considera a prevenção como a melhor forma de combate às invasões, mas se ela não é possível, a erradicação é a medida indicada, mas deve ser iniciada preferencialmente assim que forem notados os primeiros sinais da invasão, pois mais tarde a propagação da espécie pode ficar inteiramente fora de controle. Muitas ações de erradicação já foram empreendidas, tendo se tornado rotineiras em muitos países.
A erradicação do ratão-do-banhado das Ilhas Britânicas custou 4 milhões de dólares e oito anos de esforço. Nos Estados Unidos foi tentada a erradicação do caracol exótico Achatina fulica, uma praga agrícola e vetor de doenças, com a introdução de um outro caracol, do gênero Euglandina, que em seu habitat de origem era um inimigo natural do outro. No entanto, a espécie da qual se esperava a solução gerou mais problemas, pois não demonstrou nenhum interesse pela sua presa potencial, preferindo em vez se alimentar de espécies nativas, tornando-se ele mesmo outra praga e provocando a extinção de pelo menos sete outras espécies.
Mas, como assinala enfaticamente o consenso virtualmente unânime dos especialistas e instituições internacionais como a ONU e seus organismos afiliados, é preciso lembrar que a invasão de espécies é um fenômeno que interage com outros problemas ambientais de origem humana, como a poluição, o aquecimento global, o desmatamento, os quais se reforçam mutuamente e que, juntos, estão atualmente levando o mundo a um perigoso estado crítico, sendo previstas consequências catastróficas em escala global se continuar inalterada a tendência predatória, imediatista e irrefletida do homem de superexplorar, destruir e perturbar o ambiente.
O Brasil não é uma exceção nesse contexto. Desde o século XVII se registram casos de invasões, mas apenas há poucos anos o problema vem recebendo atenção oficial e acadêmica, e foi somente em 2005 que apareceu a primeira listagem de espécies invasoras no Brasil, compilada por uma parceria entre várias instituições e o governo federal. Essa ausência de dados dificultou e dificulta o mapeamento da situação atual e a estimativa das mudanças já provocadas, bem como o planejamento de ações de manejo e combate às invasoras.
O estudo de espécies invasoras pode ser feito por várias áreas da biologia, mas a maior parte das procuras sobre organismos invasores tem sido feita pela ecologia e pela geografia, onde a questão das invasões biológicas é especialmente importante. Embora, por volta de 1860, Charles Darwin já tivesse chamado a atenção para o crescimento explosivo das espécies invasoras, foi só em 1958 que Charles Elton, em seu livro Ecology of invasions by animals and plants, adverte para a necessidade de se conhecer melhor essas espécies e estabelecer estratégias de controle.

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Rattus norvegicus, uma espécie com difusão mundial que causa grandes prejuízos de vários tipos para o homem e o ambiente.

14.208 – Árvore Genealógica Humana


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Os seres humanos (Homo sapiens) anatomicamente modernos originaram-se na África há cerca de 200 mil anos, atingindo seu comportamento moderno conhecido há apenas cerca de 50 mil anos. A evolução foi longa para chegarmos até aqui.
É como um quebra-cabeça que vai sendo montado lentamente enquanto são achados fósseis de nossos antepassados. No gráfico abaixo, você confere as peças dessa árvore genealógica humana que abrange nossa evolução desde 5 milhões de anos atrás até o presente.

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• Cada barra colorida representa o intervalo de tempo que se acredita que cada espécie viveu, com base nos fósseis encontrados até agora. As barras pontilhadas indicam os descendentes. Pesquisadores diferentes fazem essas ligações de maneiras distintas, preservando a mesma sequência cronológica.

• Sob o nome de cada espécie, você encontra as áreas em que a maioria dos fósseis foi encontrada.

• Os números em branco dentro das barras coloridas indicam aproximadamente quantos fósseis de indivíduos distintos de cada espécie foram encontrados.
• Como você pode observar, algumas regiões estão vagas, com pouquíssimos indivíduos conhecidos – muitos deles representados apenas por um dente ou fragmento de osso. As conexões evolutivas entre os australopitecos e o Homo erectus, incluindo as relações evolutivas entre as espécies de hominídeos Homo habilis, ergaster e erectus, ainda precisam de muitos esclarecimentos.

• Quatro espécies humanas propostas pela literatura científica – H. floresiensis, H. pekinensis, H. georgicus e H. rhodesiensis – foram omitidos da árvore genealógica.
Segundo a taxonomia atual (com base na genética, em vez de características comportamentais), o termo “hominídeo” refere-se aos membros da família Hominidae: pertencem a ela seres humanos atuais, todos os seres humanos ancestrais, os pertencentes ao gênero australopitecos e nossos parentes primatas mais próximos, nomeadamente o chimpanzé o gorila.

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Fósseis de hominídeos são preciosos – não importa o tamanho ou condições. Esqueletos completos são raros em nossos tempos. Dentes, ossos faciais e cranianos são os restos de fósseis mais comuns que sobrevivem ao longo dos séculos. Crânios quase nunca são encontrados intactos, e normalmente são reconstruídos a partir de fragmentos.
Quando cientistas chegam a conclusões específicas sobre comportamento de nossos antepassados, eles precisam de partes específicas do esqueleto. Por exemplo, a postura agachada ou em pé pode ser interferida a partir da conexão da coluna vertebral com o crânio, enquanto o bipedismo exige análise de ossos da coxa, joelho ou articulações do pé. Já os crânios são usados para investigar a evolução do cérebro dos hominídeos. [Handprint]

14.207 – Kant e as armadilhas do tempo


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Immanuel Kant – (Königsberg, 22 de abril de 1724 — Königsberg, 12 de fevereiro de 1804) foi um filósofo prussiano. Amplamente considerado como o principal filósofo da era moderna, Kant operou, na epistemologia, uma síntese entre o racionalismo continental (de René Descartes, Baruch Espinoza e Gottfried Wilhelm Leibniz, onde impera a forma de raciocínio dedutivo), e a tradição empírica inglesa (de David Hume, John Locke, ou George Berkeley, que valoriza a indução).

Por mais atrativo que seja, é muito questionável resumir o Esclarecimento a uma cega confiança nos valores da civilização ocidental. É verdade que empreendimentos como a Enciclopédia (1751-1772), editada por Diderot e D’Alembert, foram motivados pela convicção de que a difusão do saber contribuiria para o progresso moral dos homens. Mas, muito mais do que isso, o Esclarecimento foi uma meditação filosófica sobre a nossa inscrição na história. O que dá sentido à ideia do Esclarecimento é tomar o tempo histórico como um problema prático e moral, como uma questão que engaja o pensamento à ação, mesmo quando não faltam motivos para crer que vivemos em tempos sombrios.
Se o filósofo prussiano Immanuel Kant (1724-1804) ocupa um lugar de destaque neste debate, foi por ter realizado uma rigorosa amarração entre filosofia e atualidade. Isto fica claro em seu famoso texto “Resposta à questão: Que é Esclarecimento?”, publicado em 1784. A “questão” a que se refere o título havia sido proposta ao público pelo periódico Berlinische Monatsschrift (Mensário berlinense) no ano anterior. Kant inicia afirmando que o Esclarecimento “é a saída do homem da menoridade pela qual é o próprio culpado”. Esclarecer-se é emancipar-se. Mas do que exatamente? Da direção que os outros exercem sobre nós. Kant concebe a liberdade como autonomia, isto é, a possibilidade de extrairmos unicamente de nossa própria razão a norma de nossas condutas. Por isso o Esclarecimento liga-se diretamente com a moral: esclarecer-se é passar da heteronomia (sujeição à vontade de terceiros) para a autonomia.
A ideia mais importante deste texto de Kant, porém, é a de que a conquista da autonomia depende da relação que estabelecemos com o presente. Somos autônomos quando o presente se torna problema para nosso pensamento. O Esclarecimento não é uma utopia desmedida, mas uma perspectiva de reflexão e transformação do presente. Isto envolve reunir condições de cogitar sobre o sentido das formas através das quais existimos no dia a dia, que definem relações políticas e econômicas de poder. São formas bem palpáveis: o preço da condução que me leva de casa ao trabalho, as consequências das decisões públicas ou privadas que afetam minha vida, minha inserção em uma cultura ou em um gênero – tudo isso, Kant diria, diz respeito à relação entre liberdade e história. Pois a realização histórica da liberdade, aos olhos de Kant, depende fundamentalmente de pensarmos sobre o que estamos – ou sobre o que estão – fazendo de nossas vidas.
Esse pensar não é um conjunto de dogmas cuja verdade é estabelecida de uma vez por todas pela razão. Trata-se, isto sim, do que Kant chama de um “pensamento crítico”. O Esclarecimento, então, é uma atitude crítica sobre o presente, orientada por valores morais que dizem respeito à nossa existência conjunta.
Mas o que, afinal, Kant entende por “crítica”? Vejamos alguns exemplos concretos. Quando você julga bela uma obra de arte, reúne motivos que o fazem concluir pela sua beleza. O mesmo vale para um comportamento ou um costume: se você procura examiná-lo criticamente, deve mobilizar razões para justificar seu parecer, seja ele qual for. A pretensão de ser razoável e a ideia de fornecer razões da própria convicção indicam que a atividade crítica requer a presença de outros indivíduos, igualmente aptos para compreender o tema proposto e posicionar-se em relação a ele. Só há crítica em um debate público quando cada um de nós enuncia seus juízos, corrigindo-os através da comparação com o juízo alheio, quando se busca prevenir equívocos e formar consensos.
Ao contrário do que poderia parecer, é exatamente quando não dispomos de um critério último e definitivo sobre o assunto em pauta que se exercem a atividade e o juízo críticos. Ou seja, o fato de que nossos juízos possam modificar-se não significa que tenham sido formulados sem crítica. De forma oposta, a crítica traz consigo a necessidade de sua revisão a partir de novas razões que emergem a cada consideração que se faz do assunto. Não fosse assim, se transformaria em seu contrário: uma verdade que se espera que as pessoas aceitem sem questionar. O nome disso é dogma, e é o oposto do Esclarecimento.
Kant tinha motivos para crer que a transição da menoridade à maioridade estava em curso em sua época. As ideias circulavam como nunca antes na Europa, e 1789 foi o ano da Revolução Francesa, na qual Kant viu, com entusiasmo, um signo do progresso moral da humanidade.
Mas os frutos do Esclarecimento seriam postos à prova da própria razão crítica. O pensador alemão Karl Marx (1818-1883) viu na igualdade política iluminista, consagrada na revolução de 1789, a expressão ideológica da burguesia, que favorecia apenas uma minoria. Dois séculos depois, a literatura feminista mostrou que os textos canônicos do Esclarecimento deixaram de fora de sua proclamada emancipação as mulheres – e o mesmo se poderia dizer dos negros e dos árabes, por exemplo. Nos dois casos, a crítica ao Esclarecimento se encaminha para finalmente realizá-lo, seja pela revolução socialista proposta por Marx, seja pela incorporação dos excluídos à emancipação. Apontar que os ideais iluministas não foram verdadeiramente realizados pode ser bom motivo para reinterpretar o Esclarecimento à luz dos desafios contemporâneos, de modo a torná-lo abrangente e efetivo. Afinal, em Teoria e prática (1793), Kant recusa às mulheres o direito ao voto em uma legislação baseada na vontade popular; e nas aulas de antropologia, exprime prejuízos racistas de toda ordem contra povos não europeus. Como, diante disso, um partidário atual do iluminismo poderia se desincumbir de atualizá-lo? Mas será que algum dia haverá uma ruptura com a ideia de Esclarecimento? Isto tem um preço, mas não é impossível. E se nossa relação com a temporalidade, em vez de definir-se pela liberdade, fosse pautada, por exemplo, pela vida?
Algo assim foi pensado por Schopenhauer e, depois dele, por Nietzsche. De lá para cá, a ideia ganhou usos diversificados e até opostos entre si. Se nossa relação com a história é definida pela vida, não pela liberdade, tudo muda. Enquanto a liberdade unifica a espécie humana em torno de um ideal moral (mesmo sujeito a reformulações), a vida, ao contrário, torna a humanidade apenas uma forma de afirmação, entre outras. A própria história apresentaria outro rosto – talvez menos familiar do que o iluminista, mas nem por isso menos verdadeiro.
Ou você acha que a história, capaz de comportar perspectivas tão diversas, admitiria uma única aparência?

Obras
Pensamentos sobre o verdadeiro valor das forças vivas (1747);
História geral da Natureza ou teoria do céu (1755)
Monodologia Física (1756);
Meditações sobre o Optimismo (1759);
A Falsa Subtileza das Quatro Figuras Silogisticas (1762);
Dissertação sobre a forma e os princípios do mundo sensível e inteligível (1770);
Crítica da Razão Pura (1781);
Prolegômenos para toda metafísica futura que se apresente como ciência (1783);
Ideia de uma História Universal de um Ponto de Vista Cosmopolita (1784);
Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785);
Primeiros princípios metafísicos da ciência natural (1786);
Crítica da Razão Prática (1788);
Crítica do Julgamento (1790);
A Religião dentro dos limites da mera razão (1793);
A Paz Perpétua (1795);
Doutrina do Direito (1796);
A Metafísica da Moral (1797);
Princípios metafísicos da doutrina do direito (1797);
Antropologia do ponto de vista pragmático (1798)

14.206 – Neurônios Artificiais



Uma equipe internacional liderada por pesquisadores da Universidade de Bath (Inglaterra) realizou um feito inédito: conseguiu reproduzir a atividade biológica de neurônios usando chips de silicone.
E o que é ainda melhor: esses “neurônios artificias” requerem apenas 140 nanoWatts para funcionar, o que é um bilionésimo da energia necessária a microprocessadores utilizados em outros estudos.
Os chips têm inúmeras potenciais aplicações médicas, especialmente para curar doenças crônicas como o Alzheimer, nas quais os neurônios não funcionam adequadamente.

Também podem servir para restaurar a função em casos nos quais as células pararam de funcionar totalmente, como lesões na medula espinhal.

Por fim, também poderiam tratar condições como insuficiência cardíaca. Nesse caso, alguns neurônios na base do cérebro não trabalham adequadamente, de forma que não enviam os sinais corretos para o coração, que por sua vez não bombeia tão forte quanto deveria.
Criar os chips não foi nada fácil. Neurônios se comportam de maneira semelhante a circuitos elétricos, mas de forma muito menos previsível.
Assim, os pesquisadores tiveram que fazer cálculos e criar modelos para tentar elucidar como neurônios específicos respondiam a certos estímulos elétricos.

E essas respostas não eram lineares; por exemplo, quando um sinal se torna duas vezes mais forte, isso não significa necessariamente que vai liberar uma reação duas vezes maior.
Ao projetar os chips de silicone, os pesquisadores tentaram imitar a resposta dos neurônios a uma variedade de estímulos. E conseguiram replicar com sucesso a dinâmica dos neurônios respiratórios e do hipocampo em ratos.
“Nosso trabalho é paradigmático porque fornece um método robusto para reproduzir as propriedades elétricas de neurônios reais em mínimos detalhes”, disse o principal autor do estudo, Alain Nogaret, do Departamento de Física da Universidade de Bath.
Uma vez que os neurônios artificiais podem ser miniaturizados e implantados, isso cria diversas oportunidades para dispositivos médicos inteligentes e personalizados.

14.206 – Astronomia – Betelgeuse, O Início do Fim


Os astrônomos já confirmaram: uma das constelações mais famosas do nosso céu noturno – Órion, o caçador – cedo ou tarde perderá seu ombro direito. Isso vai acontecer porque sua segunda estrela mais brilhante, Betelgeuse, está morrendo. Mas ela definitivamente não terá uma morte serena, muito pelo contrário. Como uma boa supergigante vermelha (ela é 20 vezes mais massiva, 890 vezes maior e emite 125 mil vezes mais energia que nosso sol!), seu último suspiro promete ter desdobramentos cataclísmicos, resultando naquilo que a ciência considera um dos eventos mais violentos e extremos da natureza – uma supernova.
Quando isso acontecer, Betelgeuse vai deixar de ser uma das estrelas mais brilhantes da noite terrestre para virar um objeto muito, mas muito maior. Seu tamanho e brilho podem se tornar equivalentes aos da lua cheia, e ela será facilmente visível até durante o dia por alguns meses ou anos. Depois disso, desaparecerá por completo. Mas quando isso vai acontecer? Nem os astrônomos sabem ao certo.
As estimativas variam de cem mil até um milhão de anos, sendo que o primeiro cenário é o mais provável. Mas a verdade é que ainda sabemos pouco sobre Betelgeuse, até mesmo a distância da estrela continua sendo alvo de debates. Um estudo recente trouxe evidências de que ela está a 650 anos-luz da Terra – isso é longe o bastante para garantir que, quando vier a supernova, não correremos nenhum tipo de risco. Mesmo que para nós cem mil anos possa parecer muito tempo, em uma perspectiva cósmica isso é um piscar de olhos. E levando em conta o tanto que ainda não conhecemos sobre este sol distante, dá até pra nutrir uma (minúscula) esperança de que ele exploda hoje à noite!
De um jeito parecido com algumas pessoas aqui na Terra, as supergigantes vermelhas vivem rápido e morrem jovens: Betelgeuse está agonizando com “meros” 8,5 milhões de anos, enquanto o Sol existe há 4,5 bilhões de anos e deve viver até o dobro disso. Ainda comparando as duas estrelas, se Betelgeuse estivesse no centro de nosso sistema solar, a Terra e todos os planetas rochosos seriam engolidos, e seu diâmetro se estenderia até as proximidades de Júpiter.

No estágio atual, a gigante provavelmente já exauriu todo o hidrogênio de seu núcleo, principal combustível que acaba transformado em hélio. Agora, o hélio está sendo convertido em carbono, processo que libera uma imensa quantidade de energia e provoca grande perda de massa. Daqui a provavelmente cem mil anos, quando o hélio se esgotar, as coisas começam a ficar mais turbulentas – elementos cada vez mais pesados serão fundidos em um espaço cada vez mais curto de tempo. A morte chega junto com a fusão do silício em ferro, que rouba a energia que a estrela precisa para se sustentar.

O núcleo entra em colapso, esquenta ridiculamente e – CABUM! Explode em uma magnífica supernova. É o fim de Betelgeuse. Octilhões de toneladas de matéria serão lançadas no espaço interestelar junto de uma onda de choque que viajará a cerca de 13 quilômetros por segundo e vai demorar 6 milhões de anos para nos acertar. A bolha de partículas do Sol que protege todo o sistema que ele rege, chamada de heliosfera, deve nos proteger do impacto – nós estaremos seguros. De hoje até lá, inclusive, a Via Láctea provavelmente terá sido palco de umas mil supernovas – a média galáctica é de mais ou menos uma explosão por século, e a última foi observada pelo astrônomo Johannes Kepler em 1604. Considerando o “atraso”, é possível que uma supernova ilumine nossa galáxia a qualquer momento!
De um jeito parecido com algumas pessoas aqui na Terra, as supergigantes vermelhas vivem rápido e morrem jovens: Betelgeuse está agonizando com “meros” 8,5 milhões de anos, enquanto o Sol existe há 4,5 bilhões de anos e deve viver até o dobro disso. Ainda comparando as duas estrelas, se Betelgeuse estivesse no centro de nosso sistema solar, a Terra e todos os planetas rochosos seriam engolidos, e seu diâmetro se estenderia até as proximidades de Júpiter.

No estágio atual, a gigante provavelmente já exauriu todo o hidrogênio de seu núcleo, principal combustível que acaba transformado em hélio. Agora, o hélio está sendo convertido em carbono, processo que libera uma imensa quantidade de energia e provoca grande perda de massa. Daqui a provavelmente cem mil anos, quando o hélio se esgotar, as coisas começam a ficar mais turbulentas – elementos cada vez mais pesados serão fundidos em um espaço cada vez mais curto de tempo. A morte chega junto com a fusão do silício em ferro, que rouba a energia que a estrela precisa para se sustentar.

O núcleo entra em colapso, esquenta ridiculamente e – CABUM! Explode em uma magnífica supernova. É o fim de Betelgeuse. Octilhões de toneladas de matéria serão lançadas no espaço interestelar junto de uma onda de choque que viajará a cerca de 13 quilômetros por segundo e vai demorar 6 milhões de anos para nos acertar. A bolha de partículas do Sol que protege todo o sistema que ele rege, chamada de heliosfera, deve nos proteger do impacto – nós estaremos seguros. De hoje até lá, inclusive, a Via Láctea provavelmente terá sido palco de umas mil supernovas – a média galáctica é de mais ou menos uma explosão por século, e a última foi observada pelo astrônomo Johannes Kepler em 1604. Considerando o “atraso”, é possível que uma supernova ilumine nossa galáxia a qualquer momento!

14.205 – Mais Sobre o Cinturão de Asteroides


gaspra
É como se fosse uma estrada elíptica formada por bilhões de asteroides em volta de um corpo celeste com densidade suficiente para segurá-los nessa órbita.
Os asteroides são corpos celestes rochosos e metálicos que orbitam o sol e podem ser encontrados em várias regiões do sistema solar, mas a maioria se encontra entre a órbita de Marte e de Júpiter na região conhecida como Cinturão de Asteroides.
Os asteroides diferem dos planetas porque são menores e, atualmente, segundo a nova definição estipulada pelo IAU (International Astronomic Union), só são considerados planetas os corpos celestes que, além de outras características, têm a órbita livre, ou seja, não possuem outros corpos celestes na mesma órbita (o que no caso de um cinturão com bilhões de asteroides não ocorre).
O cinturão de asteroides se formou, provavelmente da colisão de diversos corpos maiores que, ao colidir, se partiram em diversos pedaços menores ainda na época de formação do sistema solar e continuam colidindo entre si enquanto permanecem no cinturão. Ou ainda, segundo uma outra teoria, teriam se originado do material que sobrou da formação dos outros planetas.
Asteroide “Gaspra 951”, localizado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter.
Alguns asteroides podem escapar do cinturão quando atraídos pela gravidade de algum planeta, ou mesmo pela gravidade do sol, se sua órbita sofrer algum tipo de perturbação. Neste caso, ele pode chegar a colidir com este planeta, ou com o sol, ou então ficar em órbita deste, como um satélite.
Esta é a origem, por exemplo, de algumas luas que orbitam Júpiter visto que ele está mais perto do cinturão de asteroides e tem uma força gravitacional muito grande.

14.204 – A Nuvem de Oort


nuvem de oort
É uma grande concentração de cometas que se acredita existirem no limite do sistema solar, a uma distância aproximada de 100.000 UA (UA significa unidade astronômica e corresponde a 149.598.000 Km ou a distância média entre a Terra e o Sol). Estatisticamente calcula-se que existam entre um e cem bilhões de cometas.
Sua existência foi inicialmente postulada, em 1932, pelo astrônomo, nascido na Estônia, chamado Ernst Öpik, que propôs que os cometas irregulares provinham de uma extensa nuvem de material nas fronteiras do Sistema Solar.
Em 1950, esta idéia foi retomada pelo astrônomo holandês Jan Oort para explicar a persistência dos cometas. Oort foi capaz de estudar a órbita de 19 cometas e pesquisar de onde vinham. A nuvem de Oort explica elegantemente um antigo aparente paradoxo. Se os cometas são destruídos quando se aproximam do Sol, já deveriam ter sido totalmente destruídos durante a história do Sistema Solar. A nuvem de Oort proporciona uma fonte contínua de material cometário que substitui os cometas destruídos.
O efeito gravitacional das estrelas próximas desvia os cometas de suas órbitas e os envia em direção ao Sol, onde se tornam visíveis.
As teorias mais aceitas sobre a formação do Sistema Solar consideram que os cometas se formaram muito mais proximamente ao Sol como parte do mesmo processo que formou os planetas e os asteroides. Os cometas na nuvem de Oort seriam ejetados, nesta etapa primitiva, dada a proximidade com planetas gigantes em formação, especialmente o jovem Júpiter. Tal proximidade expulsou gravitacionalmente estes corpos em órbitas extremadamente elípticas e de grande inclinação explicando, portanto, a distribuição esférica dos cometas. Com o passar do tempo, a interação gravitacional dos cometas e das estrelas longínquas contribuiu para circularizar suas órbitas. A partir desta teoria, estima-se que a massa total dos cometas na nuvem de Oort pôde ter sido, em sua origem, 40 vezes a massa da Terra.
Os objetos da nuvem de Oort são tão longínquos que, até agora, só foi descoberto um possível candidato a fazer parte dela, seu nome é 2003 VB12 (Sedna), descoberto em março de 2004 por astrônomos de Caltech e da Universidade de Yale. Sedna possui uma órbita elíptica de 76 a 850 UA, muito mais próxima do que se esperava, fato que poderia torná-lo um membro de uma nuvem interna de Oort.

14.203 – Os Satélites do Sistema Solar


luas sistema solar
Os planetas e os planetas anões oficiais do Sistema Solar são, até onde se sabe, orbitados por 214 satélites naturais ou luas. 19 satélites do Sistema Solar são grandes o suficiente para serem arredondados devido ao efeito de sua gravidade e, portanto, seriam considerados planetas ou planetas anões se estivessem em órbita direta ao redor do Sol.
Terra – 1 Lua
Marte – 2 Fobos, Deimos
Júpiter – 79 = Principais IO, Europa, Ganimedes e Calisto. Os satélites irregulares de Júpiter são substancialmente menores do que os satélites regulares, possuindo órbitas mais distantes e excêntricas. Estes satélites formam famílias que possuem parâmetros orbitais similares (tais como eixo semi-maior, inclinação e excentricidade) e composição. Acredita-se que estes grupos sejam, ao menos parcialmente, famílias dinâmicas que foram criados quando os corpos maiores (embora ainda relativamente pequenos) originais foram despedaçados em pedaços menores via impactos de asteroides capturados pelo campo gravitacional do planeta. Estas famílias possuem os nomes de seus maiores membros.
Saturno – 82 Principais = Mimas, Encelado, Tétis, Dione, Reia, Titã, Japeto. O sistema de satélites de Saturno é muito desequilibrado: uma lua, Titã, compreende mais de 96% da massa em órbita ao redor do planeta. As outras seis luas planômicas (elipsoidais) constituem aproximadamente 4% da massa, e as restantes 55 pequenas luas, juntamente com os anéis, compreendem apenas 0,04%.
Urano – 27 – Principais = Miranda, Ariel, Umbriel, Titânia, Oberon. O sistema de satélites uraniano é o menos massivo entre o dos gigantes gasosos; a massa combinada dos cinco maiores satélite equivale a menos da metade da massa de Tritão (a sétima maior lua do Sistema Solar).
Netuno – 14 Principais = Tritão, Nereida, Halimede, Sao, Laomedeia, Psámata, Neso. Satélites de Netuno recebem nomes de personagens da mitologia grega ou romana associados com o oceano ou com Netuno (Poseidon). Tritão recebeu o nome do deus marinho Tritão, filho de Poseidon. Ele não recebeu um nome oficial até o século XX.
Planetas Anões
Ceres – 0
Plutão – 5 Caronte, Cérbero, Nix, Hidra, Estige. Plutão e Caronte são considerados um planeta duplo porque Plutão e Caronte (que tem metade do diâmetro de Plutão) orbitam um ponto que está acima da superfície de Plutão, ou seja, o baricentro do sistema está em um ponto entre as superfícies de ambos.
Quando descoberto, Hidra era um pouco mais brilhante que Nix, e por isso pensava-se que Hidra era 20% maior que a outra lua, mas outras observações revelaram que as duas luas são praticamente do mesmo tamanho. É provável que a mudança no brilho se deva à curva de luz de Hidra, mas não se sabe se isso acontece devido à forma irregular ou a variações no brilho da superfície (albedo). O diâmetro dos objetos pode ser estimado a partir de seus albedos assumidos, que é de 35% assim como Caronte, mas as luas podem ter 130 km se elas tiverem o albedo 4% dos objetos do cinturão de Kuiper mais escuros. No entanto, dadas sua cor e similaridades química a Caronte, é provável que seus albedos sejam similares ao de Caronte e que seus diâmetros sejam próximos às estimativas mínimas.
Haumea – 2 Namaka, Hiʻiaka. Os satélites de Haumea parecem ser um sistema colisional (derivados de um grande impacto em Haumea). Aparentemente, o planeta está composto quase totalmente de rocha e conta com uma superfície de gelo; acredita-se que a maior parte do manto gelado originário se desprendeu com o impacto. Portanto, poderiam existir um grande quantidade de satélites menores que Namaka, os quais se encontrariam embaixo da capacidade de detecção terrestre atual. Hiʻiaka parece ser composto de água congelada.
Makemake – 1= S/2015. Atualmente, a órbita de S/2015 (136472) 1 ao redor de Makemake ainda não é conhecida com precisão, os pesquisadores vão necessitar de novas observações do Hubble para fazer medições precisas, a fim de determinar se sua órbita é elíptica ou circular, o que também deve lançar uma luz sobre sua origem. Uma órbita circular apertada significaria que o objeto provavelmente se formou a a partir de uma colisão entre Makemake e um outro objeto do cinturão de Kuiper.
Eris – 1 = Disnomia é o satélite natural de Éris. O nome significa “desordem” em grego (no original, Δυσνομία dysnomia), uma referência à entidade mitológica que, segundo Hesíodo, era filha de Éris, a Discórdia.

14.202 – Astronomia – O Observatório Nacional


obsv nacional
Trata-se de uma instituição científica localizada no número 77 da rua General José Cristino, no bairro imperial de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil.
Criado em 1827. A sua finalidade inicial foi a de orientar os estudos geográficos do território brasileiro e o ensino da navegação. Em nossos dias, desenvolve pesquisas, ensino e prestação de serviços tecnológicos, sendo responsável pela geração, distribuição e conservação da Hora Legal Brasileira e por diversas pesquisas e estudos em astronomia, astrofísica e geofísica. Oferece cursos de pós-graduação com mestrado e doutorado nessas áreas. Criou, entre outros institutos, a meteorologia (1909), o Laboratório Nacional de Astrofísica (1980), anteriormente Observatório Astrofísico Brasileiro e o Museu de Astronomia e Ciências Afins (1985).
A observação astronómica no Brasil remonta à época colonial. De acordo com o padre Serafim Leite, os jesuítas instalaram um observatório em seu colégio no Rio de Janeiro, no morro do Castelo em 1730. No mesmo local, em 1780, os astrônomos portugueses Sanches d’Orta e Oliveira Barbosa montaram um observatório e passaram a realizar observações regulares de astronomia, meteorologia e magnetismo terrestre. Com a transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1808, o acervo desse observatório foi transferido para a Academia Real Militar.
No começo do século findo esta cidade do Rio de Janeiro, com o influxo da Independência, havia tomado um grande desenvolvimento comercial e seu porto era um dos mais frequentados por numerosas embarcações, cujos capitães tinham necessidade de conhecer a declinação magnética, assim como a hora média, e a longitude, para regular seus cronômetros, a fim de poder empreender com segurança a viagem de retorno ou de continuá-la ao redor do mundo. Habitualmente as operações astronômicas necessárias à obtenção daqueles dados eram efetuadas com maior ou menor facilidade por processos aproximados, pelos comandantes de navios ou pelo oficial encarregado da navegação. Mas, muitos desses elementos poderiam ser obtidos com mais exatidão e facilidade por profissionais, providos de instrumentos instalados em um Observatório, e capazes, pela sua instrução especial e guiados pela experiência, de obtê-las com maior exatidão e segurança. Da mesma maneira, havia necessidade de conhecer os elementos geográficos de pontos do território, para construir a indispensável carta.
— H. Morize in Observatório Astronômico: um século de história 1827-1927
Em 27 de setembro de 1827, a Assembleia Geral Legislativa do Império, autorizou o governo a criar um Observatório Astronômico no âmbito do Ministério do Império e, em 15 de outubro de 1827, o imperador dom Pedro I decretou a sua criação. Ele foi instalado no torreão da Escola Militar, tendo sido dirigido, inicialmente, pelo professor de matemática Pedro de Alcântara Bellegarde.
Em 1845, o então Ministro da Guerra, Jerônimo Francisco Coelho, reorganizou a instituição como Imperial Observatório do Rio de Janeiro, quando assumiu, no cargo de diretor, o professor Soulier de Sauve, da Escola Militar, que o transferiu para a Fortaleza da Conceição e, em 1846, teve o seu primeiro Regulamento aprovado por decreto.
Entre 1846 e 1850, o diretor Soulier transferiu novamente o Observatório, dessa vez para as antigas instalações de uma igreja no Morro do Castelo, onde permaneceu até 1920. Após o falecimento de Soulier em 1850, o tenente-coronel engenheiro Antônio Manoel de Mello, também professor da Escola Militar, foi nomeado diretor, permanecendo no cargo até 1865, quando foi substituído pelo capitão-tenente Antônio Joaquim Cruvelo d’Avila. Nesse mesmo ano, o Observatório passou a ser subordinado da Escola Central, que foi desmembrada da Escola Militar, permanecendo nessa condição até 1871, quando foi criada a Comissão Administrativa do Imperial Observatório do Rio de Janeiro. Foi nomeado, para a direção, o cientista francês Emmanuel Liais, permanecendo em sua direção por dois períodos de gestão, de janeiro a julho de 1871 e de 1874 a 1881. Entre 1871 e 1874, Camilo Maria Ferreira Armond, Visconde de Prados, esteve à frente da direção.
Entre 1827 a 1871, o Observatório quase exclusivamente foi voltado à instrução de alunos das escolas militares de terra e mar. No ano de 1871, foi retirado da égide militar e reorganizado para dedicar-se com exclusividade à pesquisa e prestação de serviços à sociedade nos campos da meteorologia, astronomia, geofísica e na medição do tempo e na determinação da hora.
O engenheiro militar e astrônomo belga Luís Cruls sucedeu Liais em 1881, permanecendo no cargo até 1908. Em 1888, o Parlamento aprovou uma verba para iniciar a construção do novo Observatório na Fazenda Imperial de Santa Cruz, mas, no ano seguinte à proclamação da República do Brasil, o Observatório voltou a ser subordinado ao Ministério da Guerra e teve sua denominação alterada para Observatório do Rio de Janeiro, tendo, como anexo, o Serviço Geográfico. Foi, então, abandonada a ideia da sua mudança para Santa Cruz. Após o falecimento de Cruls, em 1908, o astrônomo Henrique Charles Morize assumiu a direção.
Em 1909, através do decreto 7.672, de 18 de novembro, foi criado, no Ministério da Agricultura, a Diretoria de Meteorologia e Astronomia, à qual ficou subordinado o Observatório Nacional, e foi extinto o Observatório do Rio de Janeiro.
Em 28 de setembro de 1913, foi assinada a ata de lançamento da pedra fundamental do novo Observatório Nacional, no morro de São Januário, no Rio de Janeiro.
Em 1915, foi implantado o Observatório Magnético de Vassouras, no Rio de Janeiro, até hoje integrado à estrutura do ON.
Em 1921, a Diretoria de Meteorologia teve, separadas, as duas áreas que a compunham, dando origem a dois institutos: um dedicado à meteorologia, denominado Diretoria de Meteorologia, e outro à astronomia, geofísica e metrologia, que conservou o nome de Observatório Nacional. Nesse ano, recebeu a visita de Albert Einstein, durante sua estada no Brasil.
Em 1922, o ON foi transferido do Morro do Castelo, atual Esplanada do Castelo, para o Morro de São Januário, em São Cristóvão, onde atualmente ainda se encontra instalado. Foi o final de uma demanda iniciada por Liais, cinquenta anos antes, por instalações adequadas para o Observatório.
Em 1930, o Observatório Nacional passou a integrar o recém criado Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Em 1955, o ON ampliou sua atuação de pesquisa em magnetismo terrestre com o funcionamento um observatório na ilha de Tatuoca, na foz do Rio Amazonas.
Em 1972, a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) aprovou um projeto de instalação de um observatório astrofísico a ser instalado em Brasópolis, em Minas Gerais. Em 22 de abril de 1980, já se encontrava instalado e iniciando operações um refletor cassegrain-coudé, de 1,60 metros (diâmetro do espelho principal).[4] Em fevereiro de 1981, o doutor Luiz Muniz Barreto, diretor do ON, inaugurou as instalações com o nome de “Observatório Astrofísico Brasileiro” (OAB). Em 13 de março de 1985, o OAB foi desmembrado do ON, dando origem ao atual Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA).
Em 2003, foram inauguradas, no campus do ON, as novas instalações do Serviço da Hora, no Prédio Carlos Lacombe. Em maio de 2004, o ON deu início a um outro serviço, o Carimbo do Tempo.
Ao longo do século XX, o ON foi a instituição pioneira no Brasil nos seguintes campos do conhecimento e pesquisa:
Execução continuada de pesquisas astronômicas,
Levantamentos geofísicos do território nacional, além das primeiras medidas sismológicas do país e
Geração, manutenção e disseminação da Hora Legal Brasileira, definida em lei (Lei 2 784, de 18 de junho de 1913, regulamentada pelo Decreto 10 546, de 5 de novembro de 1913).
Em 1982, o CNPq criou o Projeto de Memória de Astronomia e de Ciências Afins, a fim de preservar a história da astronomia, geofísica, meteorologia, metrologia, física e química, que, no Brasil, tiveram, como instituto pioneiro, o ON. Em 1985, esse projeto deu lugar à criação do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), sem vinculação com o Observatório mas ocupando suas instalações originais, no Morro de São Januário. Com o museu, está a guarda de todo o acervo histórico do ON, incluindo lunetas, cúpulas e centenas de instrumentos. Esse acervo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC), sendo alvo de cuidados especiais para sua preservação.
O Observatório Nacional teve participação no cenário científico mundial com trabalhos que contribuíram para o conhecimento nas áreas de sua atuação. Entre esses trabalhos alguns se destacam como o da determinação da paralaxe solar, durante a passagem do planeta Vênus pelo disco do Sol, na Estação da Ilha de São Thomás, nas Antilhas, em 1882.
O Observatório Nacional, no século XIX, auxiliou no estabelecimento e demarcação de parte das fronteiras brasileiras e na expedição chefiada por Cruls realizada ao Brasil Central que, entre 1892 e 1896, serviu para a escolha do local aonde seria construída, anos mais tarde, a nova capital: Brasília.
Em 1919, coordenou a expedição inglesa, também com a participação americana, que documentou o eclipse total do Sol, em Sobral (Ceará). Fenômeno também observado na Ilha do Príncipe, que veio a comprovar a teoria da Relatividade de Einstein, ao se constatar o desvio sofrido pela luz das estrelas no fundo do céu, causado pelo forte campo gravitacional provocado pela massa do Sol.
As pesquisas atuais na área de geofísica dão ênfase na integração de vários métodos para o estudos geológicos do território brasileiro, se concentrando nas áreas classificadas como:
Geofísica da Terra Sólida,
Geofísica da Exploração e
Geofísica Aplicada.
As atividades técnico-científicas relacionadas à Geofísica são caracterizadas pela aquisição sistemática de dados geofísicos nos observatórios de Vassouras (RJ) e Tatuoca (foz do Rio Amazonas), contando também com o apoio das estações da Rede Geomagnética Brasileira, da Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira e da Estação Sismológica do Rio de Janeiro.
Essas medidas regulares do campo geomagnético, realizadas rotineiramente nas 110 estações da Rede Geomagnética e nos Observatórios, propiciam subsídios para a pesquisa básica no estudo da morfologia do campo geomagnético no Brasil e sua evolução temporal, servindo de apoio as áreas aplicadas tais como: a prospecção de minerais, água subterrânea e de petróleo; navegação; pesquisas espaciais, em especial a pesquisa sobre o eletrojato equatorial e anomalia magnética do Atlântico Sul.
A Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira é composta por 520 pontos de medição distribuídos no país, servindo de base aos estudos do geoide, base fundamental da cartografia e prospecção mineral.
O ON possui um Programa de Pós-Graduação, credenciado pelo Conselho Federal de Educação, para a formação de Mestres e Doutores nas áreas de astronomia, astrofísica e geofísica. Atualmente, conta com mais de 170 dissertações/teses defendidas.
Em 1996, foi iniciado o Ciclo de Cursos Especiais com o objetivo de trazer aspectos atuais de diferentes áreas de astronomia e astrofísica, complementar a formação de alunos de pós-graduação e oferecer, aos recém-doutores e pesquisadores, oportunidade para atualizarem seus conhecimentos e interagirem com os convidados.
O Observatório Nacional organiza, desde 1997, o curso anual de Astronomia no Verão e Cursos de Atualização em astronomia e astrofísica, voltado para professores e estudantes de segundo grau e pessoas interessadas em conhecer o atual estágio das pesquisas observacionais e teóricas que estão sendo desenvolvidas em astronomia. Realiza também, anualmente, uma Escola de Verão em Astronomia e Geofísica para alunos de graduação e graduados nas áreas de ciências exatas e da terra.
Desde 2003, o curso a distância em astronomia e astrofísica, em nível de divulgação científica, é oferecido anualmente pela Divisão de Atividades Educacionais (DAED) do Observatório Nacional (ON). O seu principal objetivo é socializar o conhecimento científico através da Internet – veículo eletrônico que hoje é usado por grande parte da população. Este recurso permitiu que fosse alcançado todo o território nacional. Uma das grandes vantagens do curso a distância é permitir, a cada participante, definir o seu ritmo de estudo, avaliando o seu tempo disponível e programando, assim, a sua dedicação ao curso a qualquer hora. O conteúdo pode ser estudado diretamente no site do Observatório Nacional (online) ou ser copiado e estudado offline.
A proposta dos cursos promovidos pelo Observatório Nacional é possibilitar o acesso à informação científica correta, aproximar a sociedade de uma instituição de pesquisa e capacitar professores da rede de ensino, vetor fundamental para multiplicar o conhecimento adquirido.
Já foram ministrados cursos de astrofísica geral, astrofísica do Sistema Solar, evolução estelar e cosmologia, com mais de 42 000 alunos participantes.
A Biblioteca do Observatório Nacional, que iniciou a sua história em uma pequena parte da Escola Militar em 1826, possui um acervo especializado de aproximadamente 18 000 livros, 400 títulos de periódicos, teses e obras de referência nas áreas de astronomia, geofísica e ciências afins que auxiliam estudantes e pesquisadores nos seus estudos.

observatorio-nacional

14.201 – Vírus Desconhecidos são Detectados em Geleira no Tibete


tibete geleira
Cientistas temem que mudanças climáticas possam derreter as geleiras tibetanas e liberar vírus perigosos no meio ambiente, considerando que esse seria o pior cenário possível.
Nos últimos 15.000 anos, uma geleira no planalto tibetano da China alberga um conjunto de seres incomuns e deveras peculiares: vários tipos de vírus congelados, muitos deles ainda desconhecidos da ciência contemporânea.
Congelados mas vivos há milhares de anos
Recentemente, os cientistas, ao analisarem amostras de gelo desta geleira, detectaram a existência de 28 grupos de vírus antes desconhecidos.
Para os cientistas, segundo o artigo publicado pela bioRxiv, se trata de uma descoberta relevantíssima pois permitirá perceber como é que os vírus foram sobrevivendo e prosperando ao longo dos tempos em diferentes climas e ambientes, inclusive sob condições extremas.
Face às mudanças climáticas, os cientistas temem que o derretimento da geleira lance esses vírus desconhecidos no meio ambiente, pelo que urge estudá-los o melhor e o mais rapidamente possível, pois há sempre a possibilidade que alguns deles serem mortais.
Um mundo fascinante congelado
De acordo com o portal Livescience, ainda estamos muito longe de conseguir elencar a totalidade dos vírus da Terra, citando Chantal Abergel, uma especialista francesa em virologia ambiental.
As duas séries de amostras de gelo do planalto tibetano foram coletadas em 1992 e 2015. Contudo, houve contaminação exterior durante a perfuração, manuseio e transporte. Mas, para gáudio dos cientistas, o núcleo das amostras permaneceu intacto.
Recorrendo a técnicas sofisticadas e em ambiente de temperatura controlada, estanque e esterilizada, a equipe de pesquisa conseguiu identificar 33 grupos de gêneros de vírus nos núcleos de gelo. Desses, 28 eram completamente desconhecidos anteriormente pela ciência.
“Os micróbios das duas séries de amostras diferiam significativamente entre eles, presumivelmente devido as condições climáticas muito diferentes aquando da deposição”, refere-se no aludido estudo.
A pesquisa sobre vírus antigos representa um primeiro passo no estudo dos genomas dos vírus localizados em ambientes glaciares e do seu provável impacto microbiano em caso de degelo, concluíram os cientistas.

14.200 – Mega Sampa – Esse Ano tem Bolo no Bixiga


bolo bixiga 2020
Em 2020 teremos o maior bolo comunitário do mundo, o famoso bolo do Bixiga, que já foi alvo de muitas críticas e polêmicas.
O primeiro foi em 1986, quando Sampa completou 432 anos. O bolo foi crescendo a cada ano e ganhando fama.
Em 2009 a tradição foi interrompida e voltou em 2017.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) vai monitorar o trânsito nas imediações da Rua Rui Barbosa, que será interditada na pista sentido Brigadeiro, entre as ruas Conselheiro Carrão e Fortaleza, no Bexiga, Zona Central da cidade, no sábado (25), das 10h00 às 22h00, para a realização da “Festa do Bolo do Bexiga”.

Alternativas
Os veículos provenientes da Rua Rui Barbosa, sentido Av Brigadeiro Luís Antônio deverão virar à direita na Rua Conselheiro Carrão, virar à esquerda na Rua Treze de Maio e seguir até a Rua Fortaleza.
A Engenharia de Campo da CET vai monitorar e orientar o tráfego na região, visando manter as condições de trânsito e preservar a segurança de pedestres e motoristas.
Para informações de trânsito, ocorrências, reclamações, remoções e sugestões, ligue 156 ou acesse Portal 156. Atende 24 horas por dia.

 

14.199 – Câncer na Mira das Células T


celula t
Pesquisadores da Universidade de Cardiff, no País de Gales, descobriram um novo tipo de célula no sistema imunológico humano que pode atacar e destruir a maioria dos tipos de câncer.
A descoberta é um tipo de “célula T” nunca visto. As células T são responsáveis pela defesa do organismo contra agentes desconhecidos, como vírus e bactérias. Mas o novo tipo, encontrado em uma amostra de um banco de sangue na região, tem um receptor diferente que permite que ela se “enganche” na maioria dos tumores que afetam os seres humanos, sem afetar as células saudáveis.
Em testes de laboratório, este tipo de células T foi capaz de identificar e matar células causadoras de câncer de pulmão, pele, sangue, cólon, mama, ossos, próstata, ovário, cervical e renal.
Segundo o Professor Andrew Sewell, autor do estudo e especialista em células T na Escola de Medicina da Universidade de Cardiff, a descoberta é “altamente incomum” e aponta para a possibilidade de um tratamento “universal” para diversos tipos de câncer.
Os pesquisadores ainda não conseguiram determinar o quão comum o novo tipo de célula T é. “Pode ser bastante raro, ou pode ser que muitas pessoas tenham estes receptores, mas que por algum motivo eles não sejam ativados.

14.198 – Física contra o Câncer – Acelerador de partículas que cabe num chip ajudará no combate ao câncer


ac contra cancer
Equipamento poderá ser usado para destruir tumores sem afetar as células saudáveis ao redor
Pesquisadores da Universidade de Stanford e do SLAC National Accelerator Laboratory, nos EUA, conseguiram construir um acelerador de partículas em um chip, que pode revolucionar áreas como a pesquisa científica e a medicina.
Aceleradores de partículas são geralmente estruturas gigantescas, alguns com quilômetros de extensão, onde partículas subatômicas são aceleradas a 94% da velocidade da luz. Para miniaturizar esta tecnologia os cientistas desenvolveram um software que trabalhou “ao contrário”: em vez de projetar um acelerador e ajustar seus elementos para obter a máxima potência dentro daquele design, os cientistas estabeleceram quanta energia o acelerador deveria produzir e deixaram o software se encarregar de projetar as estruturas necessárias para atingir o objetivo.
O chip consiste em um “canal” escavado em um substrato de silício, no qual desembocam elétrons transportados por “fios”. Em uma das pontas do canal está uma fonte de luz infravermelha que pulsa 10 mil vezes por segundo. A cada pulso os fótons produzidos se chocam com os elétrons, acelerando-os ao longo do chip.
Um fluxo de partículas útil para pesquisa científica ou médica tem um milhão de Elétron-volt (1 MeV). Para atingir esta marca, seriam necessários 1.000 dos novos aceleradores, cada um compondo um “estágio” de um sistema maior. Felizmente eles são autocontidos (todos os componentes necessários para a aceleração estão no chip) e podem ser combinados.
Ultrapassado o obstáculo inicial do design do acelerador, os pesquisadores agora irão se concentrar em aumentar sua potência, e esperam atingir a marca de 1 MeV ainda em 2020. Eles comparam seu trabalho ao dos pioneiros da computação, que condensaram os imensos computadores da década de 40, que ocupavam salas inteiras, em minúsculos componentes menores que uma unha.
A tecnologia poderá ser usada em novas terapias de radiação para combate ao câncer, entregando um feixe de elétrons preciso que destrói as células de um tumor sem afetar os tecidos ao seu redor.
“Os maiores aceleradores são como telescópios poderosos. Existem poucos no mundo e os cientistas precisam ir a lugares como o SLAC para usá-los”, disse Jelena Vuckovic, pesquisadora que liderou o projeto. “Queremos miniaturizar a tecnologia dos aceleradores de partículas de forma que a torne uma ferramenta de pesquisa mais acessível”.

14.197 – Usina de Oxigênio na Lua


oxigenio na lua
Cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA) descobriram como transformar a poeira da Lua em oxigênio respirável. Agora a equipe está desenvolvendo um protótipo de usina que pretende fazer isso em larga escala — algo que poderá auxiliar astronautas nas futuras missões para o nosso satélite natural.
Segundo os cientistas, estudos em amostras da superfície lunar mostram que o material é composto por 40% a 45% de oxigênio. Entretanto, a substância está ligada quimicamente a outros materiais, formando óxidos na forma de minerais ou vidro.
Para que esse oxigênio possa ser utilizado durante a respiração, esses óxidos precisam passar por um processo que os separa de outros elementos químicos. O método desenvolvido pela equipe da ESA é conhecido como eletrólise de sal fundido, no qual a “poeira” lunar é colocada em um recipiente de metal junto com sal de cloreto de cálcio fundido.

O sistema, então, é aquecido a 950 °C, temperatura que não é alta o bastante para que a poeira mude de estado físico, mas suficiente para que o oxigênio seja extraído do material. De lá, o oxigênio migra para um outro recipiente com ajuda das moléculas de sal, enquanto a matéria prima inicial se transforma em liga metálica.
Esse segundo material também é interessante para os cientistas, como explicou Alexandre Meurisse, um dos pesquisadores, em comunicado. “O processo de produção deixa para trás um emaranhado de metais diferentes, e essa é outra linha útil de pesquisa: ver quais são as ligas mais úteis que poderiam ser produzidas a partir delas e que tipo de aplicações elas poderiam ter”
Como explicam os especialistas, o processo já é realizado por algumas indústrias que produzem ligas metálicas, mas elas tendem a descartar o oxigênio ou utilizá-lo como combustível. Por isso, a ideia da equipe é desenvolver um equipamento que foque em armazenar a substância, tão essencial para sustentar a vida como a conhecemos.

14.196 – Cogumelos alucinógenos


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Cogumelo é um termo popular para indicar o basidioma ou ascoma (antigamente referido como corpo de frutificação) de fungos pertencentes ao grupo dos basidiomicetos ou ascomicetos. Estes basidiomas ou ascomas são estruturas de reprodução sexuada que se diferenciaram do micélio, ou seja, o conjunto de hifas, células constituintes dos fungos. Quando se faz menção aos cogumelos, a maioria pertence aos basidiomicetos, enquanto que para ascomicetos, o cogumelo mais conhecido é uma espécie comestível, Morchella sp. Os cogumelos em basidiomicetos são estruturas macroscópicas e sua morfologia se caracteriza por apresentar píleo ou chapéu; himênio, a parte inferior do píleo onde se formam basídios e basidiósporos; o estipe ou pé, que pode ter a presença de um anel localizado na porção superior do estipe e a volva na base. Esta divisão foi feita por especialistas para facilitar estudos com o grupo.
Os cogumelos alucinógenos também podem ser referidos como cogumelos mágicos e são conhecidos por sintetizar substâncias cujo resultado altera o estado de consciência atingindo principalmente o sistema nervoso central. Com isso, civilizações antigas, como os maias faziam uso destes cogumelos em rituais religiosos, ou eram usados por curandeiros.
Existem cerca de 1000 espécies de cogumelos registradas e mais de 200 são conhecidas com propriedades alucinógenas. No Brasil, as espécies com esta propriedade encontram-se no gênero Psilocybe, Panaeolus e Pluteus. As substâncias responsáveis por este fenômeno são compostos conhecidos como alcaloides indólicos derivados do aminoácido triptofano. E para as espécies de Psilocybe, Panaeolus e Pluteus, os alcaloides indólicos são conhecidos psilocibina e psilocina. Estes alcaloides produzem efeitos profundos em seres humanos, como alucinações e distúrbios sensoriais semelhantes aqueles causados em indivíduos portadores de esquizofrenia. Os efeitos são comparados a droga LSD (Lysergsäurediethylamid, termo alemão que significa ácido lisérgico), porém com menor intensidade. Contudo, os sintomas característicos incluem alucinações visuais, sinestesia, confusão, desorientação, comportamento inapropriado, relaxamento muscular, taquicardia, entre outros. A intoxicação é letal. Os sintomas se iniciam após 20 ou 30 minutos da ingestão, com o pico em duas horas, decaindo após três ou quatro horas. Porém, a substância pode ser detectada no organismo após uma semana da ingestão. No Brasil, a psilocibina e psilocina entram na lista da ANVISA como substâncias psicotrópicas (portaria 344/98).
Outro cogumelo com efeitos alucinógenos é Amanita muscaria, uma das espécies conhecidas popularmente. O termo muscaria se deve a propriedade que este fungo tem para espantar moscas, cuja descoberta se deve a Alberto Magnus, no século XV. Estes fungos são colocados nos batentes de janelas na Romênia até hoje com o mesmo intuito. Outras espécies do gênero Amanita são consideradas tóxicas, comestíveis e há aquelas associadas a raízes de plantas formando micorrizas.

14.195 – A Hibernação


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É um estado letárgico pelo qual muitos animais homeotérmicos, em grande maioria de pequeno porte, passam durante o inverno, principalmente em regiões temperadas e árticas. Os animais mergulham num estado de sonolência e inatividade, em que as funções vitais do organismo são reduzidas ao absolutamente necessário à sobrevivência. A respiração quase cessa, o número de batimentos cardíacos diminui, o metabolismo, ou seja, todo o conjunto de processos bioquímicos que ocorrem no organismo, restringe-se ao mínimo. Pode-se dizer que qualquer animal que permanece inativo durante muitas semanas, com temperatura corporal inferior à normal, está em hibernação, embora as mudanças fisiológicas que acontecem durante o letargo sejam muito diferentes, de acordo com as diferentes espécies.
Normalmente este fenômeno ocorre em regiões onde existe um inverno rigoroso e escassez de comida, mas existem algumas espécies que dormem na estação quente e seca, porque para elas as maiores ameaças são a alta temperatura e a falta de água. Este caso é conhecido como estivação.
Muitos caracóis passam por este estado durante as estações quentes e secas, durante as quais há pouco alimento e a umidade é escassa.
Os animais que geralmente mergulham em letargo são os homeotérmicos . Os ursos, pinguins e os gansos da neve dormem durante o inverno, mas, como sua temperatura permanece relativamente alta – pouco abaixo do normal (de 30 a 35ºC), suas taxas respiratória e cardíaca se mantém, e seu sistema sensorial funciona normalmente, não são considerados animais hibernantes, ao contrário do que se difunde, e sim adaptados ao jejum, como se fosse uma hibernação menos profunda, na qual o urso pode acordar se algo externo ocorrer[carece de fontes].
Os verdadeiros animais hibernantes são: musaranho e o ouriço (o mamífero, não o ouriço do mar) que cavam suas tocas no solo; os esquilos, a marmota, que abrigam-se nos ocos das árvores; o morcego que se acomoda em velhas casas, cavernas e túmulos e alguns sapos. A única ave conhecida que hiberna é o noitibó-de-nuttall.
Nem sempre a mudança de temperatura é o estímulo para o letargo. Muitas vezes o estímulo é a falta de alimento, como ocorre com o Perognathus, pequeno roedor da América do Norte.
Outro fenômeno é o encistamento ou enquistamento, que consiste no enclausuramento do animal numa espécie de cápsula, denominada cisto, onde se mantém por um período de tempo variável e se manifesta apenas em seres de dimensões muito reduzidas ou microscópicas, como os protozoários, os rotíferos, os copépodos e os tardígrados.

14.194 – Como os ursos hibernam?


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Para enfrentar o frio e a escassez de alimentos do inverno do hemisfério norte, eles tiram o time de campo, passando um tempo sem beber, comer, urinar e defecar. No caso dos ursos-negros, esse período varia entre cinco e sete meses por ano. Segundo uma pesquisa da Universidade do Alasca divulgada em fevereiro, o metabolismo dessa espécie fica reduzido a 25% de sua capacidade, a temperatura do corpo baixa em média 6 ºC e a frequência cardíaca cai de 55 para só nove batimentos por minuto! A queima da gordura estocada no corpo libera a água e as poucas calorias de que ele necessita para sobreviver. Também acontece uma reciclagem de componentes nitrosos, como a ureia. Combinados com a glicerina resultante do uso da gordura, esses dejetos formam aminoácidos que ajudam a manter as proteínas corporais.
ATIVIDADE NORMAL
Esse é o período “tranquilo”, quando o clima está favorável, há alimento disponível e o metabolismo do animal funciona em 100% da capacidade. Em geral, começa ao final do primeiro mês da primavera e vai até a metade do verão

HIPERFAGIA
O nome já diz tudo: é hora de comer bastante! Desde o meio do verão até um pouco mais da metade do outono, os ursos-negros com acesso ilimitado a alimento bebem pelo menos 30 litros de água por dia e estocam calorias (enquanto o gasto calórico continua o mesmo de antes)

TRANSIÇÃO DE OUTONO
Começam a diminuir o metabolismo para a hibernação. Comem menos que na hiperfagia, mas o consumo de água e a urinação seguem em alta. Os batimentos cardíacos caem de cerca de 80 por minuto para cerca de 50 (e, durante as 22 horas diárias de sono, chegam a 22 por minuto).

HIBERNAÇÃO
Pode chegar a sete meses. Durante o período, o consumo de calorias diárias, extraídas da gordura acumulada na hiperfagia, cai para entre 4 e 6 mil. O metabolismo é reduzido a 25%. Até a entrada de oxigênio é muito reduzida: em geral, o urso respira só uma vez a cada 45 segundos

HIBERNAÇÃO AMBULANTE
Sabe quando você acorda e ainda está meio grogue? Imagina após dormir por meses! Por cerca de 20 dias, os ursos mantêm o metabolismo abaixo da capacidade total, embora a temperatura do corpo já volte ao normal. É o período de ajuste antes de retornar à vida regular

CAFOFO ANIMAL
Eles hibernam sob as raízes ou na base de uma grande árvore, debaixo de um rochedo ou em uma toca que cavam no solo, com ao menos 0,5 m de altura e quase 1 m de comprimento. O chão e o fundo são forrados com ramos de vegetação. Nas regiões muito frias, montam a toca em um ponto onde caia muita neve para aumentar o isolamento térmico. E costumam voltar ao mesmo abrigo todo inverno

CADA UM POR SI
Ursos são essencialmente solitários, exceto na época de acasalamento. Ou quando as ursas prenhas dão à luz, geralmente durante a hibernação. Elas ficam na toca com os filhotes (entre três e seis) durante todo o inverno, amamentando-os. Após a hibernação, cuida deles até os 2 anos. Depois disso, os pequenos têm que se virar para conseguir alimento e montar o próprio abrigo

E NO ZOOLÓGICO?
Longe do habitat natural, bicho perde o ciclo
Ursos em cativeiro dificilmente hibernam, já que, dependendo do lugar, não faz frio e sempre há alimento disponível. Aliás, por esse mesmo motivo, o panda não hiberna nem na natureza: seus brotos de bambu não escasseiam com a mudança das estações. E, como vivem no alto das montanhas, caso o frio aperte, basta procurar uma temperatura mais amena em altitudes mais baixas

• Outros animais que hibernam: esquilos, marmotas, morcegos, hamsters, ratos-silvestres e ouriços.

14.196 – Hibernação em Viagens Espaciais


hibernação marte
Os astronautas que estiverem escalados para a missão de visitar Marte pela primeira vez poderão ter que hibernar durante a viagem da Terra até o planeta vermelho. A Agência Espacial Europeia (ESA) está estudando a possibilidade de colocar os tripulantes espaciais em sono profundo durante o trajeto.
Por enquanto, a ESA está avaliando quais seriam as vantagens da prática. De acordo com as pesquisas, que estão sendo feitas em parceria com a Instalação de Design Simultâneo (CDF, na sigla em inglês), há efeitos psicológicos positivos e até uma redução nos custos financeiros com a hibernação.
Com esses resultados em mãos, os próximos passos da ESA consistem em aprofundar os estudos e, futuramente, iniciar o desenvolvimento de equipamentos de hibernação, como câmaras, suportes, monitores, entre outros dispositivos.
A ideia de hibernar surge também como forma de amenizar os efeitos de uma longa viagem. O percurso ida e volta tem quase 55 milhões de quilômetros e levaria quase mil dias para ser completado. Esse tempo não conta o período em que os astronautas permaneceriam estacionados em solo marciano. A Nasa, por sua vez, já informou que esse tempo pode ser reduzido para apenas 30 minutos no futuro.
Hibernar durante uma viagem espacial não é algo incomum, pelo menos em Hollywood. Clássicos de ficção científica como Avatar, 2001: Uma Odisseia no Espaço, entre outros, já exploraram o tema. Resta saber se a vida vai imitar a arte.

hibernação

14.192 – O Segredo do Tardígrado


Um gene específico os ajuda a sobreviver a situações de ebulição, congelamento e radiação. No futuro, acreditam cientistas, ele poderia ser usado para proteger as células humanas.
Já se sabia que tardígrados eram capazes de sobreviver a condições extremas, “murchando” a ponto de se tornarem bolinhas desidratadas.
Agora, o time que comandou a pesquisa, na Universidade de Tóquio, identificou uma proteína que protege o seu DNA – “embrulhando-o” como se fosse uma espécie de cobertor.
Os cientistas, que publicaram suas descobertas na revista científica Nature Communications, depois desenvolveram em laboratório células humanas que produziram a mesma proteína, e descobriram que ela também protegia as células, em especial de radiação.
A partir dessa descoberta, cientistas sugerem que os genes desses seres capazes de resistir a condições extremas poderiam, um dia, proteger seres vivos de raios-X ou de raios nocivos do sol.
“Estes resultados indicam a relevância das proteínas únicas do tardígrado que podem ser uma fonte abundante de novos genes e de mecanismos de proteção”, diz o estudo.
Antes do estudo, acreditava-se que os tardígrados, também conhecidos como “ursos-d’água”, sobreviviam a radiação por conseguirem recuperar danos causados ​​ao seu DNA.
Mas o professor Takekazu Kunieda, da Universidade de Tóquio, e seus colegas passaram oito anos estudando o genoma da microcriatura até identificar a fonte de sua notável capacidade de resistência.
Arma secreta
Para identificar essa “arma secreta” que explica a resistência dos tardígrados, pesquisadores analisaram o genoma de uma espécie específica – Ramazzottius varieornatus – à procura de proteínas que estivessem diretamente ligadas ao DNA e que poderiam ter um mecanismo de proteção.
Eles descobriram uma e a batizaram de “DSUP” (abreviação em inglês de “supressora de danos”).
Em seguida, a equipe inseriu a DSUP no DNA de células humanas e expôs essas células modificadas a raios-X. Elas sofreram menos danos que as células não tratadas.
O professor Mark Blaxter, da Universidade de Edimburgo, classificou o estudo como “inovador”. “Esta é a primeira vez que uma proteína individual, identificada a partir do tardígrado, se mostra ativa na protecção contra radiações”, observa. “Radiação é uma das coisas que certamente pode nos matar”.
Ao sequenciar e analisar o genoma do tardígrado, o estudo também parece ter resolvido uma polêmica sobre a estrutura genética dessas criaturas.
Um pesquisa publicada em 2015 sobre uma espécie diferente de tardígrado concluiu que ele tinha “adquirido” uma parte do seu DNA de bactérias por meio de um processo chamado de transferência horizontal de genes. Os achados desse estudo sugeriam que a impermeabilidade notória desses animais viria da transferência do código genético bacteriano.
O estudo de agora, conduzido no Japão, não encontrou nenhuma evidência dessa transferência de genes.
Em 2007, um satélite da Agência Espacial Europeia lançou milhares de tardígrados do espaço. O projeto ficou conhecido como Tardis – tardígrados no espaço – e indicou que os animais foram capazes não só de sobreviver mas também de reproduzir ao retornar à Terra.
Estima-se que haja mais de 800 espécies de tardígrados, mas há milhares ainda não nomeadas. Eles vivem em todos os lugares onde há água. Estão, por exemplo, no parque local, no fundo do mar ou até mesmo nas geleiras da Antártica.
Qualquer microscópio de luz normalmente permite visualizar essas criaturas. Para encontrá-las, basta, por exemplo, adicionar água num musgo e, em seguida, espremê-lo. Uma análise dessa água pode permitir visualizar, num microscópio, esses minúsculos animais.
O resultado da pesquisa conduzida em Tóquio indicou que os tardígrados se mostraram muito mais resistentes a raios-X do que as células humanas manipuladas pelos cientistas.
“[Então] tardígrados têm outros truques na manga, que ainda temos de identificar”, disse o professor Matthew Cobb, da Universidade de Manchester.
Com mais pesquisas, os cientistas acreditam que genes como o DSUP podem permitir o armazenamento e transporte mais seguro e fácil de células humanas – protegendo, por exemplo, delicados enxertos de pele humana de qualquer dano.
O professor Kunieda e seu co-autor do estudo, Takuma Hashimoto, deram início ao registro da patente do gene DSUP em 2015.
O professor Matthew Cobb, da Universidade de Manchester, observa que, em princípio, “estes genes poderiam até mesmo ajudar humanos a sobreviver em ambientes extremamente hostis, como na superfície de Marte, como parte de um projeto de terraformação para tornar o planeta mais ‘hospitaleiro’ para seres humanos”.
O professor Blaxter, da Universidade de Edimburgo, disse que a pesquisa japonesa pode até mesmo ajudar a explicar como radiação danifica o DNA, e como podemos prevenir danos no DNA de outras fontes.
O autor do estudo, o professor Takekazu Kunieda, disse à BBC esperar que mais pesquisadores se juntem à “comunidade tardígrada”, porque acreditar haver ali “um monte de tesouros”.