13.885 – Elementos Químicos


quimica
1789 foi o ano em que o químico Antoine Lavoisier ensaiou a primeira formação de uma tabela com 33 elementos químicos conhecidos, dividindo-a em categorias. A partir daí, a famosa tabela periódica só foi ficando mais sofisticada, organizada e maior. Atualmente, os 118 elementos químicos são sistematicamente ordenados de acordo com seus números atômicos, camadas eletrônicas, número de elétrons na camada de valência (camada mais externa) e propriedades físicas. Bom, entre os metais, semimetais, não metais e novos elementos que nem puderam ser bem classificados ainda, destacam-se alguns casos muito interessantes.
O elemento mais abundante do universo – compõe 75% de sua matéria – é o átomo mais simples existente, com número atômico 1 e massa atômica de aproximadamente 1,00 U. Apesar de sua abundância, o hidrogênio em seu estado natural é muito raro na atmosfera da Terra, por causa de sua baixa densidade (a menor entre todos os elementos conhecidos), a qual permite que ele facilmente escape do campo gravitacional do planeta.
Nas condições normais de temperatura e pressão da Terra, este elemento existe como gás diatômico, o H2, e na forma de compostos químicos como hidrocarbonetos e água. O hidrogênio não se enquadra perfeitamente em nenhum grupo da tabela periódica e seu isótopo de maior ocorrência é formado por um único próton, um elétron orbitando à sua volta e nenhum nêutron. O mais incrível em relação a este elemento talvez seja sua importância para a formação das estrelas e como principal combustível no ciclo de fusão nuclear das mesmas, sendo, portanto, primordial na fabricação de outros elementos, a começar pelo Hélio.

13.778 – O que é o Ouro dos Tolos?


ouro dos tolos - C.E.
Será mesmo verdade: existe ouro falso? Esta história já deu muito que falar desde os primórdios da civilização. O ouro é um dos elementos conhecidos pelo homem desde a Antiguidade (2600 a.C.), e possui a propriedade de formar ligas metálicas com outros metais. O ouro pertence à classe de metais preciosos e compõe um interessante assunto para ser abordado em sala de aula.
O ouro em seu estado natural é chamado de ouro nativo, a estimativa é que existem cinco quilates de ouro para cada milhão de toneladas de terra, por isso é considerado precioso, por ser metal raro. O ouro nativo (100 % puro) é designado como ouro 24 quilates, ele é maleável, ou seja, não apresenta consistência para fabricar objetos. Por isso, no processo de obtenção de jóias preciosas se faz necessário adicionar prata (Ag), cobre (Cu) ou Níquel (Ni) que formam uma liga metálica com o ouro.

Veja a seguir as misturas que permitem obter ouro apropriado para confeccionar jóia e outros utensílios:
Ouro branco: liga de ouro que contém 20 a 50 % de níquel.
Ouro 12 quilates: mistura de 12 gramas de ouro + 12 gramas de prata (ou cobre).
Ouro 18 quilates: mistura de 18 gramas de ouro + 6 gramas de prata (ou cobre).
Essas misturas permitem maior dureza ao material, tornando possível a confecção de anéis, colares, relógios, etc.
O ouro foi valorizado pelo fato de ser quimicamente estável, ou seja, não é atacado pela maioria dos reagentes, preservando assim sua beleza. Por esta razão foi escolhido para compor jóias, e justamente por esta valorização do ouro surgiram as imitações, a Pirita (FeS2) é uma delas. A pirita é uma liga de estanho e enxofre que possui características parecidas com as do Ouro: a mesma cor e o mesmo brilho, e por esta razão foi apelidada de “Ouro dos Tolos”. A passagem de corrente elétrica permite diferenciar as espécies, uma vez que ouro conduz corrente e pirita não.

 

13.727 – Química – O que é a Eletrólise da água?


eletrolise
Trata-se da decomposição de água (H2O) em oxigênio (O2) e hidrogênio (2H2) por efeito da passagem de uma corrente elétrica pela água. No entanto, este processo eletrolítico raramente é usado em aplicações industriais uma vez que o hidrogênio pode ser produzido mais acessivelmente através de combustíveis fósseis. Uma fonte de energia eléctrica está ligada a dois elétrodos (geralmente feitos a partir de alguns metais inertes como a platina ou o aço inoxidável, no caso da imagem, é usada a grafite) que estão colocados na água. Se tudo estiver corretamente montado, origina-se hidrogênio no cátodo (o eléctrodo ligado ao terminal negativo da fonte de energia) e oxigênio no ânodo (o eléctrodo ligado ao terminal positivo da fonte de energia).
É necessária uma enorme quantidade de energia para fazer a eletrólise da água pura uma vez que esta não é boa condutora eléctrica. Sem o excesso de energia a electrólise da água pura ocorre muito lentamente. Isto deve-se á limitada auto-ionização da água: a cada 555 milhões de moléculas, somente uma se ioniza.
A condutividade elétrica da água pura é cerca de um milhão de vezes menor que a da água do mar. A eficácia da eletrólise da água pode ser aumentada adicionando um electrólito (como sal, um ácido ou uma base) e/ou utilizando eletro catalisadores.
terminal positivo da fonte de energia).
É necessária uma enorme quantidade de energia para fazer a eletrólise da água pura uma vez que esta não é boa condutora eléctrica. Sem o excesso de energia a electrólise da água pura ocorre muito lentamente. Isto deve-se á limitada auto-ionização da água: a cada 555 milhões de moléculas, somente uma se ioniza. A condutividade eléctrica da água pura é cerca de um milhão de vezes menor que a da água do mar. A eficácia da electrólise da água pode ser aumentada adicionando um electrólito (como sal, um ácido ou uma base) e/ou utilizando eletro catalisadores.
História
Jan Rudolph Deiman e Adriaan Paets van Troostwijk usaram em 1789 uma máquina electro estática para produzir eletricidade que foi descarregada em eletrodos de ouro em uma garrafa de Leyden com água. Em 1800, Alessandro Volta inventou a pilha. Algumas semanas mais tarde William Nicholson e Anthony Carlisle usaram-na para a eletrólise da água. Quando Zenobe Gramme inventou a máquina de Gramme, em 1869, a eletrólise da água tornou-se um método barato para a produção de hidrogênio.
Tal esse processo ocorre quando há uma passagem de corrente elétrica numa solução aquosa, isto é, com um sal, um ácido ou uma base, dissolvidos em água e que se ionizam ou sofrem dissociação iônica, originando íons livres.
Os íons da água interferem nas eletrólises em meio aquoso, porque eles podem se depositar nos eletrodos se a sua tendência for maior do que a dos íons da substância dissolvida.
Quando está na sua forma pura, porém, a água (destilada) é má condutora de eletricidade e não é possível realizar a sua decomposição eletrolítica. Isso acontece porque a autoionização da água é muito pequena e insuficiente para conduzir corrente elétrica.
Então, se quisermos causar uma eletrólise do cátion e do ânion da água, teremos que dissolver algum soluto que contenha íons mais reativos que os da água, que não participem das reações envolvidas.

13.646 – Mega 30 Anos + Sobre Marie Curie


mariecurie
Maria Salomea Sklodowska nasceu em 1867 na cidade de Varsóvia, na Polônia. Em qualquer outra família, Maria e suas três irmãs mais velhas teriam sido criadas para serem boas esposas, mas não foi o caso: os Sklodowska lutaram para que as quatro filhas tivessem as mesmas oportunidades acadêmicas que seu único filho homem.
Os esforços tiveram resultados: décadas depois, Maria — que mudou seu nome para Marie ao se mudar para a França — se tornou uma das pioneiras nos estudos relacionados à radioatividade. Perdemos esta incrível cientista nesta mesma data (4 de julho) , mas fomos privilegiados com os diversos conhecimentos e descobertas que ela nos deixou.
Marie teve que se esforçar muito mais por ser mulher. Como aponta Alexander Rivkin, da Escola de Medicina David Geffen da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos: “Marie Curie foi uma gênia da ciência quando as oportunidades para as mulheres, especialmente na academia, eram escassas”. Apesar de ter terminado o colegial quando tinha apenas 15 anos, Marie não conseguiu estudar na Universidade de Varsóvia, na Polônia, porque a instituição não aceitava estudantes do sexo feminino. Aos 17 anos, ela se mudou para Paris para estudar física na Universidade Paris-Sorbonne. Marie optou por morar em um apartamento péssimo, mas que era próximo da universidade, de forma que pudesse ter mais tempo para estudar. Ela vivia sem dinheiro, e por muito tempo sobreviveu de pão e chá. No fim, Marie colheu os frutos do esforço: ela foi uma das melhores alunas de sua turma, recebeu o diploma em física em 1893 e ganhou uma bolsa para estudar matemática na mesma instituição.
Ao estudar a descoberta da radioatividade espontânea, feita por Henri Becquerel, Marie e seu marido Pierre desenvolveram a teoria da radioatividade. A cientista descobriu que é possível medir a força da radiação do urânio; que a intensidade da radiação é proporcional à quantidade de urânio ou tório no composto e que a habilidade de emitir radiação não depende da disposição dos átomos em uma molécula e sim com o interior do próprio átomo.
Quando percebeu que alguns compostos tinham mais radiação do que o urânio, Marie sugeriu a existência de outro elemento com mais radiação do que o urânio e o tório. A cientista estava certa: em 1898, ela e Pierre descobriram dois novos elementos radioativos, o rádio (900 vezes mais radioativo que o urânio) e o polônio (400 vezes mais radioativo que o urânio), cujo nome é uma homenagem à Polônia, país de origem de Marie.
Em 1903, Marie e Pierre dividiram o Prêmio Nobel de Física com Henri Becquerel pela descoberta da radioatividade e, em 1911, a cientista foi agraciada com o Prêmio Nobel de Química pela descoberta e pelos estudos em torno dos elementos rádio e polônio. Ela foi a primeira pessoa e única mulher a ter ganhado o Nobel duas vezes em áreas distintas.
A descoberta do rádio e do polônio colaborou para o desenvolvimento dos aparelhos de raio X. Durante a Primeira Guerra Mundial, Marie foi a campo levando aparelhos portáteis de raio X para ajudar nos cuidados dos soldados feridos.

13.639 – Joseph Nicéphore Niépce


Joseph_Nicéphore_Niépce
Niépce, nascido em 7 de março de 1765 e morto aos 68 anos em julho de 1833

(Chalon-sur-Saône, 7 de março de 1765 — Saint-Loup-de-Varennes, 5 de julho de 1833) foi um inventor francês responsável por uma das primeiras fotografias

Niépce começou seus experimentos fotográficos em 1793, mas as imagens desapareciam rapidamente. Ele conseguiu imagens que demoraram a desaparecer em 1824 e o primeiro exemplo de uma imagem permanente ainda existente foi tirada em 1826. Ele chamava o processo de heliografia e demorava oito horas para gravar uma imagem.
Em 1793, enquanto servia como oficial do exército francês, Niépce tenta obter imagens gravadas quimicamente com a câmara escura, durante uma temporada em Cagliari. Aos 40 anos, Niépce retirou-se do exército francês para se dedicar a inventos técnicos, graças à fortuna que sua família possuía. Nesta época, a litografia era muito popular na França, e como Niépce não tinha habilidade para o desenho, tentou obter através da câmera escura uma imagem permanente sobre o material litográfico de imprensa. Recobriu um papel com cloreto de prata e expôs durante várias horas na câmera escura, obtendo uma fraca imagem parcialmente fixadas com ácido nítrico. Como essas imagens eram em negativo e Niépce pelo contrário, queria imagens positivas que pudessem ser utilizadas como placa de impressão, determinou-se a realizar novas tentativas.
Após alguns anos, Niépce recobriu uma placa de estanho com betume branco da Judeia que tinha a propriedade de se endurecer quando atingido pela luz. Nas partes não afetadas, o betume era retirado com uma solução de essência de alfazema. Em 1826, expondo uma dessas placas durante aproximadamente 8 horas na sua câmera escura fabricada pelo ótico parisiense Chevalier, conseguiu uma imagem do quintal de sua casa. Apesar desta imagem não conter meios tons e não servir para a litografia, todas as autoridades na matéria a consideram como “a primeira fotografia permanente do mundo”. Esse processo foi batizado por Niépce como heliografia, gravura com a luz solar.
Em 1827, Niépce foi a Kew, perto de Londres, visitar Claude, levando consigo várias heliografias. Lá conheceu Francis Bauer, pintor botânico que de pronto reconheceu a importância do invento. Aconselhado a informar ao Rei Jorge IV e à Royal Society sobre o trabalho, Niépce, cauteloso, não descreve o processo completo, levando a Royal Society a não reconhecer o invento. De volta para a França, deixa com Bauer suas heliografias do Cardeal d’Amboise e da primeira fotografia de 1826.
Em 1829 substitui as placas de metal revestidas de prata por estanho, e escurece as sombras com vapor de iodo. Este processo foi detalhado no contrato de sociedade com Daguerre, que com estas informações pode descobrir em 1831 a sensibilidade da prata iodizada à luz. Niépce morreu em 1833 deixando sua obra nas mãos de Daguerre.

13.391 – Química: Água dura em pedra mole…- O que é água dura?


agua dura
Muitas águas contêm os cátions cálcio (Ca2+(aq)), magnésio (Mg2+(aq)) e ferro II (Fe2+(aq)), que vêm acompanhados dos ânions carbonato, bicarbonato, cloreto e ou sulfato. É a quantidade dos cátions citados, principalmente o cálcio e o magnésio, que determina a dureza da água.
Se a água estiver apresentando teores desses cátions acima de 150 mg/L, então a água é dura; se estiver abaixo de 75mg/L, a água é mole; e se for entre 75 e 150 mg/L, a água é moderada.
A presença desses cátions dificulta a ação dos sabões na remoção da sujeira e da gordura. Os sabões são sais de ácidos graxos com uma longa cadeia apolar (hidrofóbica) formada por átomos de carbono e hidrogênio e uma extremidade hidrofílica. A longa cadeia polar é solúvel nas gorduras e a extremidade polar é solúvel em água. Desse modo, a parte apolar atrai as gorduras, possibilitando que a gordura desprenda-se na forma de pequenos aglomerados e, com todo o conjunto, é arrastada por água corrente.
O sabão é chamado de tensoativo aniônico, porque ele dissolve-se na água produzindo ânions e cátions. Seus ânions são os responsáveis por diminuir a tensão superficial da água e permitir a limpeza.
No entanto, os cátions de cálcio, magnésio e ferro II não são solúveis em água e reagem com os ânions do sabão formando compostos insolúveis. Dessa forma, esses cátions anulam a ação do sabão e aderem ao tecido que está sendo lavado (ou à beira da pia, do tanque, da banheira etc.).
Esse tipo de problema levou ao desenvolvimento dos detergentes sintéticos.
A água dura não pode ser usada na indústria, pois pode haver o risco de acidentes como a explosão de caldeiras, também não é boa para cozinhar vegetais, pois eles endurecem em vez de ficarem mais moles.
É possível abrandar ou eliminar essa dureza da água, sendo que o método utilizado dependerá dos ânions que acompanham os cátions cálcio, magnésio e ferro II. Por exemplo, se o ânion for o bicarbonato, a dureza da água é temporária e pode ser eliminada com apenas uma destilação, mas se os ânions forem o sulfato, o nitrato ou o cloreto, a dureza é permanente e são utilizados processos químicos.
Um desses processos é a adição de cal extinta ou soda, que reagem com os cátions e formam sais insolúveis.

13.387 – O Modelo Atômico de Niels Bohr


Bohr
Com a ideia do átomo consolidada, vários cientistas trabalhavam na tentativa de propor um modelo que explicasse de forma significativa as observações e resultados experimentais conhecidos. Um desses cientistas foi Rutherford que, em seu modelo, explicava o átomo como tendo quase toda sua massa em seu núcleo com carga positiva e que os elétrons com carga negativa giravam ao redor desse núcleo. Porém, pelas leis da física clássica, esse modelo não poderia existir, pois, de acordo com o eletromagnetismo clássico, os elétrons, como qualquer carga em movimento acelerado, ao girar ao redor do núcleo, emitem radiação e, ao emitir essa radiação, eles perdem energia. Assim, os elétrons perderiam toda sua energia e se chocariam com o núcleo.
Como era preciso a criação de um modelo para explicar a estrutura atômica, em 1913, Bohr propôs um modelo atômico. Seu modelo estava baseado em dois postulados:
1º. Os elétrons só podem girar ao redor do núcleo em órbitas circulares, essas órbitas são chamadas de órbitas estacionárias e enquanto eles estão nessas órbitas, não emitem energia.
2º. A energia absorvida ou emitida por um átomo é equivalente ao número inteiro de um quanta.

Cada quanta tem energia igual a h.f, em que f é a frequência da radiação e h é a constante de Planck. Portanto, a variação de energia produzida num átomo será igual à energia emitida ou recebida.
É importante ressaltar que as hipóteses de Niels Bohr tinham como objetivo explicar o comportamento do movimento do elétron ao redor do núcleo do átomo de hidrogênio e que não foi deduzida de teorias já conhecidas. Apesar de conseguir explicar o movimento do elétron no átomo de hidrogênio, o modelo proposto por Bohr não obteve o mesmo resultado quando aplicado a átomos de outros elementos, não sanando o problema da estrutura atômica. É aí que surge a mecânica quântica, para explicar de forma mais satisfatória a estrutura atômica.

13.386 – Física e Eletricidade – O Modelo Atômico de Thompson de 1897


Se a matéria é formada por átomos e também por cargas elétricas, é provável que estes também apresentem cargas elétricas. Novos experimentos com eletricidadem e transformações químicas, como a obtenção do metal alumínio a partir da bauxita, permitiu aos cientistas identificar e caracterizar as cargas elétricas.
O modelo até então aceito era o de Dalton, em que o átomo era considerado uma partícula maciça e indivisível, no entanto novos estudos exigiram alteração nesse modelo, acrescentando-se cargas elétricas.
Thomson propôs o modelo em que o átomo seria uma esfera positiva contendo corpúsculos de carga elétrica negativa.

thomson nobel

Joseph John Thompson ou JJ Thompson era um físico inglês que ganhou o prêmio Nobel de 1906 pela descoberta do elétron. Os estudos realizados por ele determinaram a relação entre carga elétrica, massa e partícula, como também o levaram a concluir que o átomo era formado por elétrons distribuídos em uma massa positiva, como as passas em um pudim.

13.304 – Por que a mistura de água e álcool libera calor?


Dentro das moléculas de cada uma dessas duas substâncias existe um átomo de hidrogênio unido a um oxigênio, formando o grupo OH. Nesse par, o H possui uma carga elétrica positiva e o O uma negativa. “Quando a água é misturada com o álcool, o hidrogênio de uma molécula de um deles se junta ao oxigênio da molécula do outro e vice-versa, já que as cargas opostas se atraem”, explica o químico Atílio Vanin, da Universidade de São Paulo. “Por haver um casamento tão perfeito entre as moléculas, a ligação química entre elas é muito estável: não precisam de muita energia para se manterem unidas. Quando as substancias estão separadas, a ligação entre elas não é tão estável: e suas moléculas necessitam de uma quantidade maior de energia para ficarem juntas. Como a energia indispensável para que as moléculas da mistura se unam é, comparativamente, bem menor que a necessária para manter a união das moléculas de cada uma das substancias separadas, a energia que sobra é liberada em forma de calor.”

13.266 – Bioquímica – Como os primeiros compostos orgânicos teriam se formado na terra primitiva?


terra primitiva
há cerca de 3 biliões de anos atrás, quando a Vida começou na Terra… A jovem Terra, com 1,5 biliões de anos, tinha todas as condições para a vida como a conhecemos: uma temperatura estável, nem muito quente nem muito fria, energia abundante proveniente do Sol, massa suficiente para manter uma atmosfera e alguns ingredientes de que os organismos vivos são formados – carbono, oxigénio, hidrogênio e azoto, elementos estes que formam 98% dos organismos vivos. E como é que tudo começou? Como é que as moléculas complexas que foram os seres vivos se formaram a partir destes átomos e moléculas simples que existiam no nosso planeta?
Em 1923 A. I. Oparin, um químico russo, apresentou uma teoria sobre a forma como teria aparecido o primeiro composto orgânico, o precursor da Vida. Segundo ele na atmosfera da Terra havia pouco ou nenhum oxigénio livre, mas havia um conjunto de gases contendo vapor de água (H2O), assim como dióxido de carbono (CO2), azoto (N2), amoníaco (NH3) e metano (CH4). O Sol diminuiu de intensidade, formaram-se nuvens, relâmpagos, e a chuva caiu. As substâncias radioativas no interior da Terra decaíram libertando energia. A conjunção de todos estes factores permitiu que as primeiras moléculas orgânicas se formassem e evoluíssem permitindo a Vida. Ou seja, gases simples desintegraram-se e os seus componentes juntaram-se de forma mais complexa.

Um pouco mais:
Estima-se que o planeta Terra surgiu há aproximadamente 4,6 bilhões de anos e que, durante muito tempo, permaneceu como um ambiente inóspito, constituído por aproximadamente 80% de gás carbônico, 10% de metano, 5% de monóxido de carbono, e 5% de gás nitrogênio. O gás oxigênio era ausente ou bastante escasso, já que sua presença causaria a oxidação e destruição dos primeiros compostos orgânicos – o que não ocorreu, propiciando mais tarde o surgimento da vida.
Nosso planeta foi, durante muito tempo, extremamente quente em razão das atividades vulcânicas, jorrando gases e lava; ausência da camada de ozônio; raios ultravioletas, descargas elétricas e bombardeamento de corpos oriundos do espaço. Sobre isso, inclusive, sabe-se que a maioria do carbono e de moléculas de água existentes hoje foi parte constituinte de asteroides que chegaram até aqui.
Foi esta água que permitiu, ao longo de muito tempo, o resfriamento da superfície terrestre, em processos cíclicos e sucessivos de evaporação, condensação e precipitação. Após seu esfriamento, estas moléculas se acumularam nas depressões mais profundas do planeta, formando oceanos primitivos.
Agregadas a outras substâncias disponíveis no ambiente, arrastadas pelas chuvas até lá; propiciaram mais tarde o surgimento de primitivas formas de vida. Muitas destas substâncias teriam vindo do espaço, enquanto outras foram formadas aqui, graças à energia fornecida pelas descargas elétricas e radiações.
Um cientista que muito contribuiu para a compreensão de alguns destes aspectos foi Stanley Lloyd Myller, que, em 1953, criou um dispositivo que simulava as possíveis condições da Terra primitiva; tendo como resultado final a formação de moléculas orgânicas a partir de elementos químicos simples.

13.185 – Química – Classificação de Ácidos Inorgânicos


bioquímica
Uma função química é caracterizada por um grupo de compostos que apresentam propriedades semelhantes. Inicialmente, pode-se ter compostos de natureza inorgânica (aqueles que não apresentam carbono, com algumas exceções) e orgânicos (os que apresentam carbono). As funções estudadas na química inorgânica são quatro: os ácidos, as bases, os sais e os óxidos.
Como meio teórico para identificação de uma função inorgânica pode-se adotar o critério estabelecido na tabela abaixo, a partir da fórmula molecular do composto.
A primeira das funções inorgânicas apresentadas, os ácidos, podem ser definidos conforme a teoria de Arrhenius, como sendo compostos que em solução aquosa se ionizam, liberando cátions H+.

O termo ionização refere-se à reação química que irá “produzir” cátions hidrônios (H+), liberados a partir de uma ligação química de natureza covalente.

Conforme seu comportamento físico e químico, os ácidos admitem algumas classificações essenciais, de acordo com os critérios abaixo:

QUANTO AO NÚMERO DE HIDROGÊNIOS
Monoácidos ou monopróticos: apresentam apenas um hidrogênio ionizável na molécula. Ex. ácido clorídrico (HCl).
Diácidos ou dipróticos: apresentam dois hidrogênios ionizáveis na molécula. Ex. ácido sulfúrico (H2SO4).
Triácidos ou tripróticos: apresentam três hidrogênios ionizáveis na molécula. Ex. ácido fosfórico (H3PO4).
QUANTO AO NÚMERO DE ELEMENTOS
Binários: apresentam apenas dois elementos distintos na molécula. Ex. ácido bromídrico (HBr).
Ternários: apresentam três elementos distintos na molécula. Ex. ácido fosfórico (H3PO4).
Quaternário: apresentam quatro elementos distintos na molécula. Ex. ácido tiocianóico (HSCN).
QUANTO À PRESENÇA DE OXIGÊNIO
Oxiácidos: possuem oxigênio na molécula. Ex. ácido perclórico (HClO).
Hidrácidos: não possuem oxigênio na molécula. Ex. ácido fluorídrico (HF).
QUANTO AO GRAU DE IONIZAÇÃO (força de acidez)
Os hidrácidos fortes são aqueles que apresentam os halogênios cloro, bromo ou iodo. Ex. ácido clorídrico (HCl).
Em relação aos oxiácidos, diminui-se o número de átomos de oxigênio pelo número de átomos de hidrogênio existentes na molécula. Quando a resposta for 2 ou mais, o ácido será considerado forte. Ex. ácido sulfúrico (H2SO4).
Os ácidos que não se enquadrarem em nenhuma das regras acima, incluindo todos os ácidos orgânicos (que apresentam carbono, excetuando-se o ácido carbônico, H2CO3, e o ácido cianídrico, HCN, que não são orgânicos, mas também são fracos) são considerados todos ácidos de baixo grau de ionização, portanto, fracos.
De acordo com as classificações ácidas apresentadas, os ácido clorídrico e sulfúrico, respectivamente mostradas abaixo, podem ser classificadas como:

HCl: monoácido, binário, hidrácido e forte.
H2SO4: diácido, ternário, oxiácido e forte.

13.011 – Qual é o elemento químico mais abundante no Universo? E na Terra?


hidrogenio

O hidrogênio está presente em 93% dos átomos do cosmo. Esse elemento químico tomou conta do Universo por causa da sua simplicidade: em um átomo de hidrogênio, há um único próton no núcleo, que, por sua vez, é rodeado por apenas um elétron. “Esses núcleos foram os primeiros a aparecer, menos de um milésimo de segundo após o Big Bang (a grande explosão que teria dado origem ao Universo)”, diz o astrônomo Antonio Mário Magalhães, da USP. Os 7% dos átomos restantes espaço afora são praticamente todos de hélio. A soma dos outros elementos químicos conhecidos não chega nem perto de 1%. Na Terra, porém, a história é bem diferente. Nosso planeta é feito basicamente de elementos mais pesados, com muitos prótons no núcleo, coisa rara no resto do cosmo. O mais abundante por aqui é o oxigênio, que responde pela metade dos átomos do planeta. Em segundo lugar, vem o ferro e, em terceiro, o silício – todos eles elementos insignificantes na grande escala universal.
Ingredientes planetários
Três elementos químicos formam, juntos, mais de 80% dos átomos da Terra
49,78% – Oxigênio
Domina a superfície do planeta e está presente na água, em rochas e no ar
16,78% – Ferro
Principal elemento químico do núcleo da Terra
14,64% – Silício
Encontrado nas areias que margeiam e cobrem o fundo dos oceanos.

12.982 – Química – Tabela periódica ganha quatro novos elementos


nova-tabela
Se você se lembra das aulas de química do colegial, deve recordar que a fileira de baixo da tabela periódica tinha um espaço sobrando do lado direito. Agora, porém, esse espaço vai deixar de existir: a União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC, na sigla em inglês) aceitou oficialmente quatro novos elementos pesados para inclusão na tabela.
De acordo com o New York Times, esses quatro elementos foram sintetizados pela primeira vez entre 2002 e 2010, mas a IUPAC só reconheceu oficialmente as descobertas em dezembro de 2015. Os cientistas responsáveis por cada um, então, enviaram à União suas sugestões de nomes em junho deste ano e precisaram esperar por cinco meses. Finalmente, nesta quarta-feira, 30 de novembro, os nomes foram aprovados.
Segundo o Engadget, os quatro elementos têm átomos extremamente pesados e instáveis. Por isso, eles têm a tendência a decair em átomos menores e mais estáveis, o que torna difícil a sua síntese e detecção. Eles foram descobertos por equipes estadunidenses, russas e japonesas de químicos.

Os novos nomes
Os quatro novos elementos pesados da tabela periódica têm respectivamente 113, 115, 117 e 118 como números atômicos. O número atômico é o que define um elemento químico, e ele é determinado pelo número de prótons em seu núcleo. Eles receberam respectivamente os nomes (em inglês) de Nihonium, Moscovium, Tennessine e Oganesson.
Nihonium (pronunciado “nirrônium”, que provavelmente será aportuguesado para Nihônio) recebeu esse nome por causa da palavra japonesa “Nihon”, que significa Japão. De fato, o átomo de número atômico 113 foi descoberto por químicos japoneses e terá o símbolo Nh.
Moscovium (que em português deverá ficar algo como Moscóvio) é um caso parecido: ele foi descoberto por cientistas russos e estadunidenses, e seu nome foi dado em homenagem a Moscou, a capital da Rússia. O elemento 115 terá como símbolo Mc.
De maneira semelhante foi dado o nome do elemento de número atômico 117, Tennessine (que deverá ser escrito como Tenessina em português). Descoberto pela mesma equipe de nacionalidade mista que descobriu o Moscovium, seu nome é uma homenagem ao estado de Tennessee, nos EUA, e seu símbolo será Ts.
Finalmente, o elemento mais pesado da tabela periódica, de número atômico 118, será chamado de Oganesson (talvez Oganécio ou Oganessom em português). Sua descoberta é devida a uma equipe russa de pesquisadores que resolveram nomeá-lo em homenagem ao químico Yuri Oganessian, um físico nuclear “caçador de elementos” que ajudou a descobrir alguns dos elementos mais pesados conhecidos. Seu símbolo será Og.

12.981 – Nobel de Química vai para cientistas que criaram máquinas feitas de moléculas


moleculas
Os pesquisadores Jean-Pierre Sauvage, Bernard L. Feringa e Sir J. Fraser Stoddart ganharam o Prêmio Nobel da Química de 2016 por seu “desenho e síntese de máquinas moleculares”. O trabalho dos pesquisadores permitiu uma nova forma de ligação e articulação de estruturas em nível molecular, que podem ter implicações revolucionárias para a medicina e a ciência da computação.

Mas o que é isso?
Basicamente, Sauvage deu o primeiro passo nesse trabalho em 1983, conforme a Royal Swedish Academy of Sciences explica (pdf). Moléculas geralmente se ligam umas às outras por meio de ligações covalentes, mas naquele ano ele descobriu uma maneira diferente de ligá-las, usando um íon de cobre.
Mais especificamente, ele descobriu como criar uma “corrente” de móléculas. Usando o íon de cobre, ele podia fazer com que moléculas fechadas se ligassem umas às outras, formando uma espécie de corrente. Feito isso, o íon de cobre podia ser removido. A imagem abaixo ilustra esse processo:
Ligadas dessa forma, as moléculas ainda têm liberdade de movimento, mas não se desprendem – da mesma forma que os elos de uma corrente. Com isso, foi possível começar a pensar em aplicações práticas para estruturas moleculares desse tipo.

De um ponto a outro
Uma das primeiras delas apareceria em 1991, no trabalho de Stoddart. O pesquisador usou essa técnica para criar um eixo de moléculas por meio do qual um anel podia se mover. Funcionava da seguinte forma: o eixo tinha alguns pontos com muitos elétrons. Em torno desse eixo ficava um anel (outra molécula) com poucos elétrons. Como o anel estava em torno do eixo, ele só podia se mexer sobre ele.
Tendo poucos elétrons, o anel ficava em um dos pontos com muitos elétrons. Quando calor era aplicado ao conjunto eixo-anel, no entanto, o anel se excitava e mudava de posição. Ele continuava, contudo, com poucos elétrons, e com isso acabava se deslocando até o próximo ponto com muitos elétrons. Era uma maneira de fazer uma molécula se mover por pontos determinados ao longo de outra.

Minimáquinas
Essa estrutura, conforme Stoddart mostraria depois, poderia ser usada para criar chips de computador extremamente pequenos – do tamanho de moléculas, aliás. Não apenas chips: estruturas desse tipo permitiam a reprodução de máquinas de diversos tipos em escalar molecular, com diversas possibilidades de aplicação.
Por exemplo, em 1999, Bernard Feringa mostrou como era possível criar motores mecânicos usando essa técnica. Para isso, ele utilizou moléculas específicas que giravam em uma única direção quando expostas a raios ultravioletas. Moléculas geralmente se movem de maneira errática, mas a criação de Feringa permitia o controle dessa rotação e, com isso, a criação de um motor molecular.
Feitos os motores, é possível fazer também o resto do carro. Foi isso que Feringa realizou em 2011: ele tinha motor, chassi e rodas e conseguia se mover após a aplicação de uma pequena tensão elétrica. Em 2016, segundo o Vox, acontecerá a primeira corrida de NanoCarros, na qual criações semelhantes à de Feringa em 2011 disputarão para ver qual delas consegue percorrer primeiro uma superfície de átomos de ouro.

12.561 – Química- Cientistas transformam CO2 em pedra para conter gases do efeito estufa


Pesquisadores relataram um experimento na Islândia em que injetaram gás carbônico e água no interior de rochas vulcânicas. Reações com os minerais nas camadas profundas de basalto converteram o dióxido de carbono em um sólido estável, com consistência de giz.
Outro resultado animador, como descreveu o grupo em artigo na revista “Science”, foi a velocidade do processo: questão de meses. “De 220 toneladas de gás carbônico injetado, 95% foi convertido em pedra calcária em menos de dois anos”, afirma o coordenador da pesquisa, Juerg Matter, da Universidade de Southampton, no Reino Unido.
“Foi uma grande surpresa para todos os cientistas envolvidos no projeto, e pensamos: ‘Uau, isso é realmente rápido!”, lembrou Matter em entrevista ao programa de rádio Science In Action (Ciência em Ação), da BBC.
Com o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, e o consequente aquecimento do planeta, pesquisadores estão ansiosos para investigar as chamadas soluções de sequestro e conservação de carbono.
Experimentos anteriores injetaram gás carbônico puro em arenito, ou aquíferos profundos de água salgada. As locações escolhidas –que incluíram poços desativados de petróleo e gás– se valiam de camadas impermeáveis de rochas resistentes para conter o dióxido de carbono. Mas o temor era que o gás sempre encontraria um jeito de voltar à atmosfera.
O chamado Projeto Carbfix na Islândia, por outro lado, busca solidificar o carbono indesejado. Trabalhando com a usina geotérmica de Hellisheidi, no entorno de Reykjavik, a iniciativa combinou gás carbônico e água para produzir um líquido levemente ácido, injetado centenas de metros até as rochas basálticas que compõem grande parte dessa ilha do Norte do Atlântico.
A água de baixo pH (3.2) serviu para dissolver os íons de cálcio e magnésio nas camadas de basalto, que reagiram com o dióxido de carbono para gerar os carbonatos de cálcio e magnésio. Tubos inseridos no local dos testes coletaram pedras com os característicos carbonatos brancos ocupando os poros das rochas.
Os pesquisadores também “marcaram” o CO2 com carbono-14, uma forma radioativa do elemento. Desta maneira puderam verificar se parte do CO2 injetado estava voltando à superfície ou escoando por algum curso d’água. Nenhum vazamento foi detectado.
A usina geotérmica de Hellisheidi agora já avançou para além do experimento descrito na revista “Science”, e está injetando CO2 rotineiramente no subsolo, e em grandes volumes. A companhia também está enterrado sulfeto de hidrogênio – outro subproduto da usina. Isso ajuda moradores que tiveram que conviver com o eventual cheiro de ovo podre invadindo suas propriedades.

12.492 – Curiosidades – Mortos transformados em Diamantes


Na Suíça, um homem é pioneiro em uma tendência que cresce mundialmente e permite transformar a degradação do tempo em obras belas e imutáveis.
Suas instalações estão localizadas no oeste da Suíça, onde um laboratório sofisticado faz a transfiguração de mais de 850 restos humanos todos os anos, por um valor de US$ 5 a US$ 22 mil, dependendo do tamanho do diamante que se queira comprar.
O processo consiste no tratamento das cinzas resultantes da cremação de um cadáver, aplicando nelas diferentes agentes químicos para extrair seu carvão. Em seguida, o carvão é convertido em grafite.
Depois, o grafite é processado com máquinas capazes de emular o processo natural pelo qual os diamantes são formados nas profundezas da terra, a mais de 1.500 graus Celsius e a uma pressão praticamente inconcebível.
Finalmente, após dois meses de trabalho, chega-se a um diamante sintético que possui todas as propriedades de um diamante natural, embora, dada a sua origem, seja muito mais barato.

12.350 – Medicina – Intoxicação por monóxido de carbono


Carbon-monoxide-3D-balls
Ocorre após uma inalação suficiente de monóxido de carbono (CO). Este gás tóxico é incolor, inodoro, insípido e de início não irritante, sendo por isso muito difícil às pessoas detectarem a sua presença.
O monóxido de carbono é um produto da combustão incompleta de matéria orgânica devido à falta de fornecimento de oxigénio para permitir uma completa oxidação para dióxido de carbono (CO2). Ocorre tanto em ambiente doméstico como industrial devido a motores antigos e outros mecanismos de combustão, aquecedores e equipamento de cozinha. A exposição a valores de 100 ppm ou superiores pode colocar em risco a vida humana.
Os sintomas de uma ligeira intoxicação por monóxido de carbono incluem desmaio, sensação de confusão, cefaleia, vertigens e outros similares aos da gripe. Exposições longas podem conduzir a uma toxicidade grave no sistema nervoso central e no coração, e mesmo à morte. Na sequência de uma intoxicação aguda, as sequelas são quase sempre permanentes. O monóxido de carbono pode ter efeitos graves no feto quando inalado pelas grávidas. A exposição crónica a baixos níveis de monóxido de carbono pode conduzir à depressão nervosa, confusão e perda da memória. O monóxido de carbono tem sobretudo efeitos negativos nas pessoas ao combinar-se com a hemoglobina para formar carboxihemoglobina (HbCO) no sangue, o que evita a ligação do oxigénio à hemoglobina pela redução da capacidade de transporte de oxigénio pelo sangue. O efeito grave que tal provoca é a hipóxia, e, além disso, supõe-se que a mioglobina e o citocromo c oxidase mitocondrial sejam fortemente afetados. A carboxihemoglobina pode tornar-se de novo em hemoglobina, mas tal processo demora porque o complexo HbCO é bastante estável.
O tratamento de intoxicações por monóxido de carbono consiste sobretudo na administração terapêutica de oxigénio puro ou oxigénio hiperbárico, embora o tratamento ideal não seja consensual.
O oxigénio age como um antídoto já que aumenta a remoção de monóxido de carbono na hemoglobina, mas também fornece ao corpo níveis normais de oxigénio. A intoxicação por monóxido de carbono pode ser evitada pela adequada ventilação do ambiente e recorrendo-se a um detetor de monóxido de carbono para verificar se os níveis estão abaixo do nível de risco.
As intoxicações por monóxido de carbono constituem um dos mais comuns tipos de envenenamento fatal em vários países.
Têm sido usadas como método de suicídio, normalmente pela inalação propositada dos fumos de queima de lareiras ou fogões, ou fumos de escape de gases da combustão em motores de veículos automóveis.
Os automóveis recentes, mesmo com combustão controlada eletronicamente e dispondo de conversores catalíticos, podem ainda assim produzir níveis de monóxido de carbono potencialmente fatais se a vítima estiver numa garagem ou se a saída de fumos de uma lareira ou fogão estiver obstruída (por exemplo, pela neve) e o gás de escape não possa sair normalmente do espaço em causa.
A intoxicação por monóxido de carbono poderá ainda apresentar-se como provável causa das casas assombradas: sintomas como delírios e alucinações poderão ter levado a que vítimas da intoxicação tenham sido levadas a pensar que tinham visto fantasmas ou a afirmar que a casa se encontra assombrada.