14.199 – Câncer na Mira das Células T


celula t
Pesquisadores da Universidade de Cardiff, no País de Gales, descobriram um novo tipo de célula no sistema imunológico humano que pode atacar e destruir a maioria dos tipos de câncer.
A descoberta é um tipo de “célula T” nunca visto. As células T são responsáveis pela defesa do organismo contra agentes desconhecidos, como vírus e bactérias. Mas o novo tipo, encontrado em uma amostra de um banco de sangue na região, tem um receptor diferente que permite que ela se “enganche” na maioria dos tumores que afetam os seres humanos, sem afetar as células saudáveis.
Em testes de laboratório, este tipo de células T foi capaz de identificar e matar células causadoras de câncer de pulmão, pele, sangue, cólon, mama, ossos, próstata, ovário, cervical e renal.
Segundo o Professor Andrew Sewell, autor do estudo e especialista em células T na Escola de Medicina da Universidade de Cardiff, a descoberta é “altamente incomum” e aponta para a possibilidade de um tratamento “universal” para diversos tipos de câncer.
Os pesquisadores ainda não conseguiram determinar o quão comum o novo tipo de célula T é. “Pode ser bastante raro, ou pode ser que muitas pessoas tenham estes receptores, mas que por algum motivo eles não sejam ativados.

14.198 – Física contra o Câncer – Acelerador de partículas que cabe num chip ajudará no combate ao câncer


ac contra cancer
Equipamento poderá ser usado para destruir tumores sem afetar as células saudáveis ao redor
Pesquisadores da Universidade de Stanford e do SLAC National Accelerator Laboratory, nos EUA, conseguiram construir um acelerador de partículas em um chip, que pode revolucionar áreas como a pesquisa científica e a medicina.
Aceleradores de partículas são geralmente estruturas gigantescas, alguns com quilômetros de extensão, onde partículas subatômicas são aceleradas a 94% da velocidade da luz. Para miniaturizar esta tecnologia os cientistas desenvolveram um software que trabalhou “ao contrário”: em vez de projetar um acelerador e ajustar seus elementos para obter a máxima potência dentro daquele design, os cientistas estabeleceram quanta energia o acelerador deveria produzir e deixaram o software se encarregar de projetar as estruturas necessárias para atingir o objetivo.
O chip consiste em um “canal” escavado em um substrato de silício, no qual desembocam elétrons transportados por “fios”. Em uma das pontas do canal está uma fonte de luz infravermelha que pulsa 10 mil vezes por segundo. A cada pulso os fótons produzidos se chocam com os elétrons, acelerando-os ao longo do chip.
Um fluxo de partículas útil para pesquisa científica ou médica tem um milhão de Elétron-volt (1 MeV). Para atingir esta marca, seriam necessários 1.000 dos novos aceleradores, cada um compondo um “estágio” de um sistema maior. Felizmente eles são autocontidos (todos os componentes necessários para a aceleração estão no chip) e podem ser combinados.
Ultrapassado o obstáculo inicial do design do acelerador, os pesquisadores agora irão se concentrar em aumentar sua potência, e esperam atingir a marca de 1 MeV ainda em 2020. Eles comparam seu trabalho ao dos pioneiros da computação, que condensaram os imensos computadores da década de 40, que ocupavam salas inteiras, em minúsculos componentes menores que uma unha.
A tecnologia poderá ser usada em novas terapias de radiação para combate ao câncer, entregando um feixe de elétrons preciso que destrói as células de um tumor sem afetar os tecidos ao seu redor.
“Os maiores aceleradores são como telescópios poderosos. Existem poucos no mundo e os cientistas precisam ir a lugares como o SLAC para usá-los”, disse Jelena Vuckovic, pesquisadora que liderou o projeto. “Queremos miniaturizar a tecnologia dos aceleradores de partículas de forma que a torne uma ferramenta de pesquisa mais acessível”.

14.197 – Usina de Oxigênio na Lua


oxigenio na lua
Cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA) descobriram como transformar a poeira da Lua em oxigênio respirável. Agora a equipe está desenvolvendo um protótipo de usina que pretende fazer isso em larga escala — algo que poderá auxiliar astronautas nas futuras missões para o nosso satélite natural.
Segundo os cientistas, estudos em amostras da superfície lunar mostram que o material é composto por 40% a 45% de oxigênio. Entretanto, a substância está ligada quimicamente a outros materiais, formando óxidos na forma de minerais ou vidro.
Para que esse oxigênio possa ser utilizado durante a respiração, esses óxidos precisam passar por um processo que os separa de outros elementos químicos. O método desenvolvido pela equipe da ESA é conhecido como eletrólise de sal fundido, no qual a “poeira” lunar é colocada em um recipiente de metal junto com sal de cloreto de cálcio fundido.

O sistema, então, é aquecido a 950 °C, temperatura que não é alta o bastante para que a poeira mude de estado físico, mas suficiente para que o oxigênio seja extraído do material. De lá, o oxigênio migra para um outro recipiente com ajuda das moléculas de sal, enquanto a matéria prima inicial se transforma em liga metálica.
Esse segundo material também é interessante para os cientistas, como explicou Alexandre Meurisse, um dos pesquisadores, em comunicado. “O processo de produção deixa para trás um emaranhado de metais diferentes, e essa é outra linha útil de pesquisa: ver quais são as ligas mais úteis que poderiam ser produzidas a partir delas e que tipo de aplicações elas poderiam ter”
Como explicam os especialistas, o processo já é realizado por algumas indústrias que produzem ligas metálicas, mas elas tendem a descartar o oxigênio ou utilizá-lo como combustível. Por isso, a ideia da equipe é desenvolver um equipamento que foque em armazenar a substância, tão essencial para sustentar a vida como a conhecemos.