13.319 – Saúde – Amamentação reduz risco de doenças cardíacas em até 18%


amamentação
Alguns estudo já mostraram que a amamentação não só promove inúmeros benefícios para o bebê como também ajuda na perda de peso no pós-parto, reduz níveis de colesterol, glicose, pressão alta, riscos de câncer de mama e do ovário nas mães. Agora, a ciência comprova mais uma vantagem da prática para as mães: segundo estudo publicado recentemente no periódico científico Journal of the American Heart Association, amamentar pode prevenir derrames e o desenvolvimento de doenças cardíacas, mesmo uma década após o parto.
Pesquisadores da Universidade Oxford, na Inglaterra, e da Academia Chinesa de Ciências Médicas, na China, acompanharam cerca de 290.000 mulheres chinesas por oito anos. Os resultados mostraram que aquelas que tinham amamentado, corriam um risco 9% menor de desenvolver doenças cardíacas e 8% menor de sofrer derrames.
Além disso, os benefícios aumentaram de acordo com a duração da amamentação. Ou seja, as mães que amamentaram seus filhos por até dois anos ou mais diminuíram sua probabilidade de doenças cardíacas em até 18% e de derrames em 17%. Segundo o estudo, a cada seis meses adicionais de aleitamento, o risco de desenvolver os problemas diminuía em 4% e 3%, respectivamente.

“Apesar de não conseguirmos estabelecer a relação entre causa e efeito, os benefícios podem ser explicados pela aceleração do metabolismo que a amamentação promove depois do parto. A gravidez muda o metabolismo da mulher drasticamente enquanto armazena gordura para fornecer energia necessária para o crescimento do bebê e para o leite materno. Amamentar ajuda a eliminar essa gordura de forma mais rápida e completa.”, disse Sanne Peters, pesquisador na Universidade Oxford.

Benefícios da amamentação
Outra hipótese é que, em geral, as mulheres que amamentam são mais propensas a se engajarem em comportamentos mais saudáveis, reduzindo, consequentemente, os riscos de doenças, em comparação com as que não o fazem. Segundo os pesquisadores, o estudo é um dos primeiros a fornecer evidências dos benefícios em longo prazo do aleitamento.
O leite materno pode ajudar a proteger recém-nascidos de doenças e infecções, e é recomendado para, pelo menos, os primeiros seis meses de vida da criança, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). “As descobertas devem encorajar as mães a amamentarem por mais tempo, visto que promove benefícios que dependem disso”, disse Zhengming Chen, principal autor da pesquisa.

13.187 – Saúde – Cerca de 35% das mulheres com atraso menstrual têm aborto espontâneo e acham que só menstruaram


aborto
Normalmente a gravidez possui 38 semanas e corresponde ao período da fecundação até o nascimento do bebê.
O que todas as mães desejam é que a sua gestão seja tranquila e seu bebê nasça com saúde. Mas infelizmente, nem tudo sai como o planejado. Durante este período, muitas mulheres sofrem aborto espontâneo ou interrupção da gravidez (IIG). Este problema ocorre quando a gravidez não completa o tempo certo devido a complicações. O que também pode acontecer é o aborto esporádico, quando a mulher sofre o aborto, porém continua com as gestações normais. Outro caso típico é o aborto habitual, em que a mulher sofre três ou mais abortos seguidos.
Os especialistas consideram o aborto a interrupção da gravidez até a 20ª semana. O feto também deve ter menos que 500 gramas para se caracterizar como aborto espontâneo. Entre a 22ª até a 36ª semana, os médicos consideram como parto prematuro, que pode ser espontâneo ou iatrogênico – necessitando que o médico interrompa a gravidez por algum motivo.
O aborto espontâneo é muito comum nos seres humanos. Quando a mulher percebe a gravidez, a taxa de abortamento marca 15%. Quando considerado o período antes da confirmação da gravidez, essa taxa aumenta para 30% a 40%. Isso é comum depois do atraso menstrual, em que a mulher perde muito sangue acreditando ser a menstruação, quando na verdade estava eliminando o embrião recém-formado. São diversas as causas para este fenômeno, mas em 60% dos casos é possível saber a causa de acordo com o momento em que ocorreu o aborto. Muitos especialistas acreditam que o problema ocorre pelo sistema imunológico rejeitar o novo embrião no corpo da mulher.
Além disso, o aborto espontâneo é um sinal de malformação do feto ou de uma gravidez inadequada. Quanto mais cedo esta fatalidade ocorre, maior a chance de o feto não estar bem formado. O motivo pode ser explicado de acordo com a semana que o aborto ocorreu. Um aborto espontâneo, também chamado de precoce, acontece até a 12ª semana. Nestes casos, a principal causa é genética, infecciosa ou imunológica.
Já nos abortos tardios, (da 12ª à 20ª semana) o problema é com a dificuldade de expansão, de crescimento do útero, malformações uterinas e a incompetência cervica l– dificuldade de manter o colo do útero fechado para ter uma gravidez normal. No aborto precoce, o casal passa por uma avaliação genética para ver se há casos de problemas na família, além de realizar um mapa dos cromossomos do casal –cariótipo. Se o problema for genético, pode estar ocorrendo a translocação não balanceada. Este problema ocorre em 3% a 4% dos casais. Como é impossível mudar a genética, o casal pode tentar a fertilização assistida com a doação de oócitos ou de espermatozoides.
As grávidas devem ficar atentas com as infecções, como a toxoplasmose – doença transmitida pelo gato. A melhor forma para prevenir é não ter contato com as fezes ou urina do animal. É importante que, antes de engravidar,sejam feitos exames de sorologias para infecções como toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus e de outros possíveis empecilhos.
A alimentação não deve ficar de fora. Não é indicado comer carnes malcozidas, verduras sem lavar e sanduíches feitos em lugares sem higiene. A alimentação reflete na gestação, já que alivia a ansiedade. A mulher não é a única causa do abortamento. Os homens têm um papel fundamental na gravidez, tanto genético, quanto auxiliando em todas as fases.

Fonte: [ Diário de Biologia ]

13.169 – Reprodução Humana – Mulheres na menopausa passam por tratamento pouco tradicional e conseguem engravidar


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Duas mulheres que acreditavam ser inférteis por conta da menopausa engravidaram com seus próprios óvulos depois de usar uma técnica que parece rejuvenescer ovários. O tratamento ainda é experimental e seus pesquisadores não sabem explicar, exatamente, o mecanismo de seu funcionamento.
Os pesquisadores são da Genesis Athens Clinic (Grécia), e filtram o sangue da paciente, isolando o plasma rico em plaquetas, e o injeta diretamente nos ovários e útero. O plasma tem grande concentração de fragmentos de células que trabalham na coagulação do sangue, e já é utilizado no tratamento de machucados esportivos, apesar de sua efetividade ser questionado por algumas linhas de pesquisadores.
A clínica já forneceu este tratamento para mais de 180 mulheres de diferentes países, a maioria por ter um problema na camada interna do útero, enquanto outras procuram a clínica para tentar controlar alguns sintomas incômodos da menopausa, como ondas de calor, suor noturno e afinamento do cabelo. Neste último grupo estão 27 pacientes com idades entre 34 e 51 anos. É bom lembrar que a menopausa acontece a partir dos 50 anos, e que antes dos 40 é considerada menopausa precoce.
“Temos mulheres que vêm até da Mongólia”, diz o pesquisador Kostantinos Sfakianoudis. Aquelas que querem engravidar, retornam aos seus países para prosseguir com inseminação artificial tradicional. O pesquisador diz não saber quantas prosseguiram com o tratamento para engravidar, mas que conhece o caso de duas mulheres que conseguiram ficar grávidas.
Uma delas, identificada apenas como WS, é uma alemã de 40 anos que tentou ter um segundo filho por mais de seis anos, sem sucesso. Atualmente ela está no sexto mês de gestação, esperando uma menina. A outra paciente tem 39 anos e mora nos Países Baixos. Ela não conseguia menstruar há quatro anos e mostrava sinais de menopausa precoce. Ela passou pelo tratamento em dezembro de 2016 e voltou a menstruar. Logo em seguida passou por inseminação artificial e gerou um feto, mas teve um aborto espontâneo neste mês de março.
“Mesmo com o aborto, isso foi extremamente encorajador”, diz Sfakianoudis. Ele espera que a mulher tente novamente. Mulheres entre 35 e 39 anos têm 20% de ter abortos no primeiro trimestre da gestação.
Já WS conta que tinha perdido as esperanças de engravidar. Ela já havia feito seis inseminações na Alemanha, mas nenhuma deu certo. “Depois da sexta tentativa, o médico disse que deveríamos parar por ali e considerar uma doação de óvulo”, lembra ela. Ao invés de fazer isso, ela procurou a clínica grega e voltou à Alemanha para passar por mais uma tentativa de inseminação, que deu certo. “Tudo vai bem”, comemora ela.
O que faz este tratamento ser visto com desconfiança pelos médicos tradicionais é que ainda é preciso realizar mais testes para entender se o tratamento realmente funciona, e como funciona. A equipe de pesquisadores gregos também não tem certeza de como ele funciona.
Uma teoria é que o plasma “acorda” as células-tronco do ovário, fazendo com que eles voltem a produzir óvulos. Mas cientistas ainda estão debatendo se células-tronco que funcionem desta maneira sequer existam. Também é possível que o tratamento contenha células-tronco, sugere John Randolph, pesquisador da Universidade de Michigan (EUA). “Precisamos descobrir como isso funciona e se é seguro”, defende ele.
Outra possibilidade é que apenas o ato de furar o ovário com uma agulha já traga efeitos positivos, diz Claus Andersen, da Copenhagen Universty Hospital (Dinamarca). Causar danos controlados ao ovário pode alterar a formação dos vasos sanguíneos, o que pode fazer com que folículos isolados recebam uma melhor oferta de sangue pela primeira vez, fazendo com que liberem óvulos.
Sfakianoudis está planejando um estudo que envolve injeções de plasma no ovário e injeções placebo, para comparar o resultado. O pesquisador quer realizar estudos na Grécia e nos EUA. “A maioria das pessoas no campo vai aguardar por mais informações antes de oferecer este tratamento para suas pacientes”, argumenta Randolph. [New Scientist]

12.143 – Medicina – Técnica trata defeito de bebê ainda no útero


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O HCor (Hospital do Coração), em São Paulo, tem usado uma nova técnica para corrigir, ainda durante a gestação, um defeito congênito que causa o fechamento incompleto da coluna de bebês.
Com um corte de 2,5 cm no útero, os médicos dizem que é possível corrigir a mielomeningocele, também conhecida como espinha bífida, mais precocemente –por volta de 20 semanas de gestação.
A técnica cirúrgica considerada padrão faz um corte um pouco maior, de 4 cm a 5 cm, e numa fase mais adiantada da gravidez. Estudos demonstraram que a cirurgia fetal reduz pela metade os riscos de sequelas em comparação à feita após o bebê nascer. Por outro lado, a operação aumenta as chances de prematuridade.
O tratamento mais precoce faz com que a medula e as raízes nervosas do feto fiquem menos tempo expostas ao líquido amniótico e, por isso, há menos risco de lesões neurológicas, segundo Fábio Peralta, médico responsável pela cirurgia fetal do HCor, que desenvolveu a técnica com o neurocirurgião Antônio de Salles.
Peralta afirma ainda que o corte menor pode trazer benefícios também para a mãe, como menos sangramento e menor risco de ruptura uterina na gestação. “A cirurgia tem demonstrado bons resultados, principalmente em relação ao desenvolvimento das crianças visto até agora”, afirma ele.
As sequelas podem incluir paralisia nas pernas e perda do controle da bexiga. A principal é a hidrocefalia (acúmulo de água no cérebro), que pode requerer um dreno para a retirada do líquido. Cerca de 50 bebês já foram operados com essa técnica no HCor, e por volta de 10% deles precisaram colocar o dreno. Peralta afirma ainda que, até agora, as crianças têm se desenvolvido sem sequelas.

Observações
Precursor da cirurgia fetal para corrigir a mielomeningocele no Brasil, trazendo em 2011 a técnica desenvolvida nos EUA, o professor da Unifesp Antonio Moron faz ressalvas à novidade. “Parabenizo a equipe do HCor pelo esforço em aprimorar a cirurgia, mas não há necessidade de uma incisão um pouco menor do que a que fazemos e operar mais precocemente. Estudos demonstraram que a cirurgia antes das 23 semanas traz mais riscos de ruptura uterina e complicações”, afirma.

11.042 – Medicina – Medicamento receitado a mulheres que querem engravidar não funciona


heparina

Uma nova revisão de estudos mostrou que não há evidência de que um medicamento injetável muito usado em tratamentos de reprodução melhore as chances de gravidez ou evite abortos.
A heparina é um anticoagulante indicado originalmente para prevenir e tratar doenças que levam à formação de coágulos no sangue (trombose).
Há alguns trabalhos, com pouca evidência científica, apontando que ele poderia beneficiar também mulheres que sofram abortos habituais (mais de três sucessivos, sem causas genéticas) ou que tenham trombofilia [alterações na coagulação que predispõem a trombose].
Nos últimos anos, o remédio passou a ser indicado ainda a mulheres sem problemas de coagulação, que não estão tendo sucesso nas fertilizações in vitro (FIV) porque o embrião não se fixa no útero. O uso é “off-label” (fora das recomendações da bula).
A hipótese dos médicos, baseada em estudos experimentais, é que o medicamento evitaria a formação de “microcoágulos”, não detectáveis em exames, que atrapalhariam a implantação do embrião no endométrio (camada que reveste o útero).
Também teria a função de fazer com que as células da placenta cresçam com maior velocidade, o que aumentaria as chances da gestação.
Agora, um trabalho da Cochrane (rede de cientistas independentes que avalia a efetividade de tratamentos) revisou três estudos clínicos sobre o uso da heparina em tratamento de reprodução.
O resultado é que não há evidência de que a medicação melhore as chances de gravidez em mulheres sem problemas de coagulação.
“Não há justificativa para o uso”, concluem os autores em artigo na revista “Fertility and Sterility” deste mês. Em um dos estudos, de 5% a 7% das mulheres tiveram sangramentos, um dos efeitos colaterais da medicação.
A enfermeira Telma Santos, 34, diz ter tomado heparina por indicação do médico nas três tentativas de FIV, mesmo sem ter nenhum problema de coagulação sanguínea. Ela não engravidou.
“A gente se sente um rato de laboratório porque muita coisa usada no tratamento não tem evidência. Mas acaba topando tudo para ter um filho”, diz ela, que desistiu do tratamento reprodutivo.
Opinião dos especialistas
Para o médico Artur Dzik, diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, há um exagero hoje na indicação da heparina nos tratamentos reprodutivos, especialmente nos casos de falha de implantação do embrião.
“Falha de implantação não é igual ao aborto habitual. Falhas podem ser multifatoriais, relacionadas a questões como a estrutura dos laboratórios, treinamento e capacitação dos embriologistas, meio de cultura e idade do casal.”
Segundo ele, na ausência de problemas como a trombofilia, o uso da heparina é muito controverso.
O ginecologista Eduardo Motta, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), concorda. “Existe um uso irracional da heparina.”
Para ele, mesmo nos casos de trombofilias, a utilização é discutível. “Não é porque tenho um marcador que obrigatoriamente terei a doença.”

10.868 – Reprodução – Pré-eclâmpsia na gestação eleva risco de autismo em bebê


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A pré-eclâmpsia é uma condição que pode surgir entre a vigésima semana de gestação e a primeira semana após o parto. Ela se caracteriza pelo aumento da pressão arterial e pela perda de proteínas pela urina durante a gestação.
Os estudiosos selecionaram 517 crianças de dois a três anos com autismo, 194 com algum atraso de desenvolvimento e 350 com desenvolvimento normal. O risco de uma criança com autismo ter sido exposta à pré-eclâmpsia era duas vezes maior do que entre aquelas que tinham um desenvolvimento normal. Além disso, a incidência de problemas cognitivos aumentou de acordo com a gravidade das complicações na gestação.
Segundo os autores do estudo, a explicação para o fenômeno é que a pré-eclâmpsia causa déficit de nutrição e oxigenação no feto, prejudicando o desenvolvimento cerebral do bebê.
Antidepressivos: O uso desse tipo de medicamento durante e, principalmente, na reta final da gravidez duplica as chances de gerar filhos com problemas de hipertensão pulmonar persistente, uma doença rara que eleva a pressão no pulmão e provoca dificuldades na respiração, cansaço e tosse. Essa foi a constatação de um estudo desenvolvido pelo Centro de Farmacoepidemiologia do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia.
Anti-inflamatórios: Uma pesquisa publicada no periódico “Canadian Medical Association Journal” relacionou o uso de anti-inflamatórios como naproxeno e ibuprofeno no início da gravidez a 2,4 maiores riscos de aborto espontâneo. O perigo não foi associado ao uso da aspirina. A explicação seria a de que esses anti-inflamatórios afetam a produção de prostaglandina, um ácido graxo que tem sua produção declinada no útero no início da gravidez. Assim, eles alterariam os níveis normais do ácido nessa fase. O maior problema é utilizá-los durante o terceiro trimestre de gestação, quando termina a formação do feto. “Os anti-inflamatórios podem ter um impacto negativo no fechamento de canais do sistema cardiorrespiratório fetal. Isto é, eles podem causar problemas cardiológicos no bebê “.
Peso demais ou peso de menos pode prejudicar a gestação, por reduzir a oferta de nutrientes e oxigênio ao bebê. “O ganho de peso planejado contribui para a boa evolução do cérebro do feto, além de manter a mãe longe da diabetes gestacional e da doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG)”, diz Alberto d’Auria, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo.
Obesidade durante a gestação pode dobrar as chances de o bebê morrer antes de um ano de vida, de acordo com pesquisa da Universidade de Newcastle, na Inglaterra. A morte seria causada por problemas relacionados ao sobrepeso, como hipertensão e diabetes gestacional. Segundo os dados do estudo, o risco de vida dos filhos de mulheres com obesidade era de dezesseis mortes para cada 1 000 nascimentos (1,6%). Já entre aquelas que tinham o peso considerado normal, o risco era de nove mortes para cada 1 000 nascimentos (0.9%).
Outro estudo, este conduzido pela Universidade de Groningen, na Holanda, constatou que filhos de mulheres obesas e fumantes têm maiores riscos de sofrer problemas cardíacos. Segundo os pesquisadores, gestantes que apresentavam esses dois fatores tiveram 2,5 mais chances de gerar filhos com doenças congênitas do coração, comparadas às que eram fumantes ou às que estavam acima do peso.
Ferro: A deficiência deste mineral é a mais comum no mundo e a principal causa de anemia na gravidez. Um estudo da Universidade Harvard descobriu que grávidas que fazem o uso de suplementos diários de ferro de até 66 miligramas têm menores riscos de darem à luz a bebês com baixo peso. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que as gestantes façam o uso de 60 miligramas de ferro todos os dias.
Vitamina D e cálcio: A falta de vitamina D prejudica a absorção de cálcio pelo organismo e pode fazer com que grávidas tenham filhos com baixo peso. Segundo uma pesquisa da Universidade de Pittsburg, nos Estados Unidos, gestantes com menores índices da vitamina no primeiro trimestre da gravidez (ou até a 14ª semana) apresentam duas vezes mais risco de parir bebês com baixo peso, comparadas àquelas com níveis mais altos do nutriente.
Ácido fólico: Segundo um estudo realizado pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, a suplementação em 400 microgramas diárias no nutriente, também chamado de vitamina B9 ou folato, durante o período compreendido entre quatro semanas antes da concepção e oito semanas após o início da gestação reduz em 40% as chances de o filho ter autismo.
A hipertensão durante a gravidez (chamada de doença hipertensiva específica da gravidez) é maléfica não só para a gestante, mas para o bebê — a enfermidade afeta habilidades de pensamento, raciocínio e aprendizagem da criança em toda a sua vida. Essa foi a conclusão de uma pesquisa feita pela Universidade de Helsinki, na Finlândia. O impacto negativo seria consequência da mudança de ambiente do útero quando a pressão arterial está elevada, afetando o período pré-natal. Os cientistas constataram que os problemas de cognição apresentados até na velhice podem ter sido originários dessa fase. “Dieta controlada e hábitos saudáveis, como a prática de atividades físicas duas ou três vezes por semana, podem minimizar os efeitos maléficos dessa doença, já que sua causa não é comprovada”.
O diabetes gestacional, que aparece durante a gestação e some depois do parto, pode afetar o pâncreas do bebê e predispor mãe e filho ao diabetes no futuro. Além disso, a doença está relacionada ao risco da mãe desenvolver doenças cardíacas na meia-idade, segundo uma pesquisa publicada no periódico “Journal of the American Heart Association”. O estudo, que durou vinte anos, descobriu que o diabetes gestacional pode ser um fator de risco para o aparecimento da aterosclerose, caracterizada pelo entupimento dos vasos sanguíneos, e pode causar infarto e AVC.
Grávidas que se mantêm em movimento geram bebês com cérebros mais desenvolvidos. Pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, acompanharam a atividade cerebral de recém-nascidos até completarem doze dias de vida. Segundo eles, gestantes que praticavam ao menos 20 minutos de atividades cardiovasculares de intensidade moderada, como a caminhada, três vezes por semana a partir do segundo trimestre de gravidez tiveram filhos com o cérebro mais desenvolvido do que as mães sedentárias.

A lenda da cegonha
A lenda da cegonha

A recomendação é, duas ou três vezes por semana, praticar exercício que sejam de baixo impacto nas articulações e não obriguem a grávida a fazer um grande esforço no abdômen. As atividades mais recomendadas são hidroginástica, ioga, pilates e caminhada, sempre com acompanhamento de um profissional.
Manter uma boa dieta durante toda a vida é essencial, principalmente durante a gravidez. Seguir dietas extremamente restritivas no início da gravidez, porém, pode comprometer o desenvolvimento cerebral do feto, segundo uma pesquisa da Universidade do Texas, nos Estados Unidos. A carência de nutrientes e de calorias nesse período reduz a formação das conexões entre as células e das divisões celulares do bebê. Além disso, regimes drásticos podem afetar as sinapses entre as células cerebrais do feto, o que altera os genes e causa problemas comportamentais na criança.
Os anticorpos — principalmente os tipo igG (Imunoglobulina G), que protege contra a rubéola — atravessam a placenta e passam de mãe para filho. Por isso é tão importante a mulher se vacinar contra varicela, hepatite B, tríplice viral (tétano, difteria e coqueluche) e gripe, esta última durante a gestação.
A vacina contra a gripe, oferecida pelo sistema de saúde pública brasileiro, é de extrema importância para as grávidas, já que a mulher tem o sistema imune mais enfraquecido no período e pode manifestar a doença com maior intensidade. Além disso, um estudo realizado pelo hospital Wake Forest Baptist Medical Center, nos Estados Unidos, concluiu que filhos de gestantes imunizadas contra a gripe têm 48% menos chances de contrair o vírus nos seis primeiros meses de vida.

10.832 – Síndrome do Parto Prematuro Desafia a Medicina


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Pela primeira vez na história, o parto prematuro – aquele feito antes que as 37 semanas de gestação estejam completas – é a principal causa de mortalidade infantil em todo o mundo. De acordo com o mais amplo estudo do gênero, publicado no periódico The Lancet, as mortes por complicações desse tipo de nascimento chegaram a 1,1 milhão, superando doenças como pneumonia e diarreia, até então responsáveis pela maior quantidade de mortes de crianças até 5 anos.
No Brasil, são cerca de 9 000 óbitos anuais, o que torna o país o líder na América Latina em mortes ligadas a nascimentos precoces. Nossa taxa é de 22%, acima da proporção mundial de 17,4%.
As estatísticas revelam uma revolução no padrão da saúde infantil global: em países pobres e ricos, a desnutrição e as doenças infecciosas que matavam na infância foram vencidas, transformando as complicações de nascimentos precoces no próximo desafio ao combate da mortalidade infantil.
“Vivemos uma mudança no modelo da saúde, chamada transição epidemiológica. As mortes estão se aproximando cada vez mais do momento nascimento e precisamos, agora, de esforços para compreender e prevenir esse fenômeno extremamente complexo que se tornou um grande problema mundial”, diz o pediatra Fernando de Barros, pesquisador da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e uma das maiores autoridades do país em saúde infantil.
Os especialistas têm previsto essa transformação há pelo menos quatro décadas e alertado os sistemas de saúde para a importância dos cuidados durante o período pré-natal e após o nascimento, única forma eficaz de prevenir as mortes de bebês prematuros. Os altos números divulgados pelo estudo demonstram que, nesse período, pouco se avançou em estratégias de combate aos nascimentos antes da hora.
“O parto prematuro é um tipo de síndrome silenciosa, pouco conhecida e com consequências trágicas”, diz o médico Renato Passini Junior, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O maior número de bebês mortos por conta do nascimento precoce está em países pobres como a Índia, com 361 600 óbitos, Nigéria, com 98 300 mortes, ou Paquistão, onde foram registradas 75 000 mortes. No entanto, o drama dos nascimentos prematuros também atinge países desenvolvidos. Os lugares com as maiores proporções entre mortes ocorridas por complicações de partos prematuros são Macedônia (51%), Eslovênia (47,5%) e Dinamarca (43%).
Isso é explicado porque, nos países desenvolvidos, a taxa de nascimentos de prematuros é baixa – e a maior parte de mortes de prematuros nesses lugares não poderia ser evitada. “Nos países ricos, outras causas de mortalidade infantil como doenças infecciosas ou diarreia foram eliminadas e, por isso, a proporção é alta. Mas, em números absolutos, há poucas mortes relacionadas às complicações de partos prematuros em regiões desenvolvidas, ao contrário do que acontece na África ou Ásia”.
Esse cenário é o oposto do que acontece no Brasil. De acordo com dados do Sistema de Informações de Nascidos Vivos, do SUS e do Ministério da Saúde, utilizados no maior estudo sobre fatores de nascimentos prematuros no Brasil, 340 000 bebês nasceram prematuros em 2012. São 40 por hora, uma taxa de 12,4% – o dobro da Europa.
A pesquisa, coordenada por Renato Passini Junior, da Unicamp, foi publicada em outubro na revista Plos One e acompanhou durante um ano cerca de 30 000 nascimentos em maternidades das regiões Sul, Sudeste e Nordeste. O objetivo foi descobrir as causas de tantos nascimentos precoces no país — o que leva um bebê a nascer antes do tempo é uma soma de componentes complexos ainda não claramente compreendidos pela medicina.

9137- Herança Indesejável – Colesterol alto pode passar de mãe para filho


Mesmo antes de pensar em engravidar, uma mulher pode influenciar no fato de seu futuro filho ter ou não problemas de colesterol na idade adulta. Essa foi a conclusão de um trabalho apresentado no Congresso Cardiovascular do Canadá. Se uma mulher tiver altas taxas de colesterol ruim (LDL) — mesmo antes da gestação — as chances de seu filho também ter altos níveis de LDL no sangue quando adulto são cinco vezes maiores do que se ela apresentar índices normais.
Os cientistas responsáveis pela pesquisa analisaram dados de três gerações de participantes do Estudo do Coração de Framingham, que começou com 5.200 homens e mulheres adultos em 1948. Ao observar as informações dos filhos e netos da primeira geração de voluntários, os pesquisadores encontraram a ligação entre o risco de ter colesterol alto dos adultos e o histórico desse mesmo problema em suas mães.
Ainda segundo os cientistas, o estilo de vida das pessoas e os conhecimentos de genética atuais não são suficientes para explicar todos os motivos que podem aumentar o nível de LDL no sangue. Agora, o próximo passo é descobrir quais são os mecanismos que tornam possível a transmissão do problema de mãe para filho.
A alta taxa de colesterol ruim pode causar uma série de problemas, como aterosclerose, infarto e derrame cerebral. A descoberta do trabalho reforça a importância de monitorar a quantidade de colesterol no organismo por meio de consultas médicas e exames, além de adotar hábitos saudáveis que ajudam a regular os níveis da substância, como a prática de exercícios físicos e uma alimentação balanceada.

8465 – Reprodução – É possível uma mulher dar à luz gêmeos de pais diferentes?


A possibilidade existe, mas é raríssima. “A mulher geralmente apresenta uma única ovulação a cada ciclo menstrual, mas acontece, muito de vez em quando, de desenvolver dois ou mais óvulos”, nesse caso, se ela tiver relações sexuais com dois homens durante seu período fértil, poderá ser fecundada por ambos e ter gêmeos fraternos, ou não-idênticos (gerados por dois óvulos distintos, em vez de um único óvulo fertilizado por dois espermatozoides). De cada fecundação surgirá um embrião com diferentes características, mas ambos nascerão no mesmo dia.
Aparelho reprodutor feminino é capaz de mais de uma ovulação
Cerca de 14 dias após a menstruação, o folículo (bolsa onde se desenvolve a ovulação) se rompe e libera o óvulo pronto para ser fecundado.
Em raríssimos casos, ocorre uma segunda ovulação. Durante esse período fértil, que dura quatro ou cinco dias, a mulher pode, portanto, engravidar de dois homens diferentes.

8333 – Medicina – Enjoo de grávida protege o bebê


As mulheres que sentem enjoo nas primeiras semanas de gravidez deviam abençoá-lo e agradecer à natureza por isso. De acordo com os neurobiologistas Samuel Flaxman e Paul Sherman, da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, o mal-estar surgiu durante a evolução e evita que a mãe, ao comer alimentos contaminados, perca o bebê. Essa conclusão aparece claramente no estudo abrangente que Flaxman e Sherman fizeram com 79 000 grávidas de 16 países. A maioria delas têm náusea especialmente ao sentir cheiro de carne, de peixe ou de aves – os três produtos mais sujeitos a contaminação. Um parasita muito comum, nesses casos, é a bactéria toxoplasma, responsável por má-formação de fetos ou por abortos. Os pesquisadores americanos compararam seus resultados com dados coletados por antropólogos em 27 sociedades sobre os sintomas que mais afetam as gestantes no início da gravidez. Desse conjunto, sete povos baseavam sua alimentação em vegetais como o milho, o arroz e a batata ou a mandioca. Entre eles, o enjoo era uma experiência desconhecida. Nas outras 20 sociedades, consumidoras de carne, aves e peixe, o desconforto da gestação era um acontecimento comum.