14.156 – Geólogos e arqueólogos determinam idade correta da civilização mais antiga do mundo


De acordo com o novo estudo, publicado na revista Scientific Reports, a cultura do Vale do Indo, tem pelo menos 8000 anos de idade, ao contrário dos 5500 estimados anteriormente.
Segundo as novas estimativas, a referida civilização supera o Antigo Egito e Mesopotâmia em antiguidade.
Os cientistas conseguiram determinar a idade da cultura do Vale do Indo, após terem submetido os fragmentos e ossos encontrados na localidade de Bhirrana a várias análises, entre elas à datação por carbono 14.
Além de precisar a idade, as observações desmentiram a teoria de que a queda da civilização de Harappa se possa ter devido a uma abrupta mudança climática. No entanto, a mudança da estratégia agropecuária associada à seca terá contribuído para a desurbanização e declínio gradual das cidades.
Um homem vestindo hábito maia passa na frente da pirâmide Kukulcan, no parque arqueológico Chichen Itzá, em 20 de dezembro de 2012
A cultura do Vale do Indo se situava no delta do rio Indo e tinha um grande nível de desenvolvimento cultural. Suas cidades contavam com canalização e banheiros públicos. No entanto, essa civilização começou decaindo no início do século XVII a.C.
Entre as teorias sobre o seu desaparecimento figura a versão da mudança climática, assim como a das invasões dos antepassados dos persas e indianos modernos.

14.117 – História – O Que a Cerveja Tem a ver com o Conhecimento Humano?


cerveja antiga
Em 2016, pesquisadores britânicos descobriram uma placa com símbolos cuneiformes — uma das primeiras técnicas de escrita desenvolvidas pela humanidade — em uma região do Iraque onde viveu a civilização Assíria há mais de 5 mil anos. O objeto arqueológico revelava uma particularidade curiosa: na placa estavam registradas as palavras equivalentes a “cerveja” e a “holerite”, o que levou os cientistas à conclusão de que a bebida alcoólica era o pagamento dos trabalhadores da época.

Nada como um happy hour animado após um dia duro de labuta. Mais do que uma ode às alegrias (e às tragédias) vividas pela humanidade, entender a relação das primeiras civilizações com a cerveja é também uma maneira de estudar como o conhecimento humano foi capaz de desenvolver tecnologias que solidificaram as relações econômicas, sociais e culturais ao longo da História.
Obtido por meio da fermentação de açúcares, o álcool etílico acompanha a humanidade há pelo menos 10 mil anos: pesquisadores descobriram vestígios da bebida em jarros encontrados no Irã. A data coincide com o advento da agricultura, quando a humanidade passou a dominar a terra e conseguir produzir em larga escala as matérias-primas que dariam origem a alimentos como o pão e à cerveja.

No Egito Antigo, consumir o “pão líquido” era uma questão de pura necessidade. De acordo com o especialista Michael Klutstein, da Universidade de Jerusalém, todos bebiam cerveja, até mesmo as crianças. “A água era contaminada e imprópria para consumo. Cada pessoa ingeria entre 3 e 6 litros de cerveja por dia na época”.
Klutstein faz parte da equipe israelense que recriou a “cerveja dos Faraós”, de 5 mil anos de idade. O feito foi possível porque os pesquisadores descobriram uma levedura da época utilizada no processo de fermentação da bebida, o que lhes permitiu atingir um resultado parecido com a gelada feita no passado. “Degustadores profissionais descreveram o gosto como ‘frutado’ e ‘caseoso’”, conta.
Para quem não está acostumado com a linguagem gourmet, caseoso significa uma aparência ou um gosto similar ao de um queijo (e você pensando que as cervejas artesanais diferentonas eram exclusividade do século 21). Klutstein também explica que a produção de cervejas era vital para a sociedade egípcia daquele período, mais importante até que a fabricação de pães.

Tal particularidade, entretanto, não era exclusiva dos povos que viviam naquela região do planeta. Um time de arqueólogos dos Estados Unidos publicou, no início de 2019, um estudo que revela a importância do consumo da bebida local, conhecida como chicha, para o fortalecimento de traços culturais e a estabilidade política do império Tiauanaco-Huari. Esse povo viveu nas montanhas de Cerro Baúl, ao sul do Peru, estabelecendo seu poder na região entre 500 d.C e 1000 d.C. De acordo com as análises realizadas, as mulheres da elite local eram responsáveis pela preparação da bebida — que provavelmente só era consumida por pessoas da mesma classe social e em comemorações.
Segredo medieval
Enquanto ditava costumes e castigava os fiéis que fugiam da retidão moral apregoada durante a Idade Média, a Igreja Católica produzia litros e mais litros de cerveja em suas abadias na Europa. Detentores do conhecimento, os monges eram responsáveis por criar receitas para a produção de cervejas de boa qualidade (a bebida era considerada mais segura do que a água infectada dos castelos e vilarejos).

A tradição se manteve com o passar dos séculos (veja abaixo). Em maio de 2019, monges de uma abadia na Bélgica encontraram um caderno recheado de receitas para fermentação alcoólica. Segundo Michael Parker-McCrory, porta-voz da abadia, os registros foram escondidos por padres em 1798, quando o templo foi incendiado.
Encontrar o livro motivou os membros da cervejaria belga Grimbergen a lançar uma edição especial da bebida dos monges, que será vendida em uma rede de mercados na Europa. “A nova microcervejaria apresentará a fabricação de cervejas de volta ao seu ponto de partida medieval”, relatou McCrory. A ideia, diz, é “combinar a tradição com técnicas modernas”. Isso porque, sem a utilização de ingredientes contemporâneos, o sabor da cerveja seria literalmente parecido com o de um “pão líquido”. Afinal de contas, nem sempre aquilo que é retrô é necessariamente gostoso.

Cervejarias antigas que ainda estão na ativa

WEIHENSTEPHAN
Fundada em 1040 em um mosteiro alemão na região da Baviera. É considerada a cervejaria mais antiga do mundo ainda em operação.

WELTENBURG
Instalados em um convento alemão desde o século 7, os monges iniciaram a produção da cerveja em 1050.

AUGUSTINER-BRÄU
É a cervejaria mais antiga da cidade de Munique: foi fundada em 1328 na terra do Oktoberfest.

GROLSCH
Cervejaria criada em 1615 na cidade holandesa de Groenlo, passou pelo controle de diferentes famílias e hoje faz parte do grupo japonês Asahi.

SMITHWICK’S
Fundada na Irlanda em 1710, utiliza uma receita típica da região para produzir uma cerveja mais “encorpada” em relação ao gosto brasileiro.

14.106 – Estudo revela segredo de conservação dos Manuscritos do Mar Morto


manuscritos
Manuscritos com textos bíblicos

Um estudo publicado no jornal Science Advances revelou a “tecnologia” de conservação que estaria por trás da incrível preservação dos Manuscritos do Mar Morto, um conjunto de textos hebraicos de mais de 2 mil anos achados entre as décadas de 1940 e 1950, por pastores que estavam à procura de suas cabras na região das cavernas de Qumran, atualmente localizado em território palestino, na Cisjordânia.
Um total de 900 documentos são o que sobraram dos manuscritos — para o estudo, os pesquisadores analisararam o chamado “Pergaminho do Templo”, o mais longo dos Manuscritos do Mar Morto, que mede mais de 7,5 metros.
O material do Pergaminho do Templo é um dos mais finos entre os manuscritos — a grossura dele é de apenas um décimo de um milímetro — mas é o documento que está mais limpo para se escrever e é provavelmente o mais bem conservado, segundo os cientistas.
Os pesquisadores recolheram um fragmento de 2,5 centímetros do Pergaminho do Templo e o investigaram com técnicas especiais para determinar a sua composição com o uso de um microscópio.
Havia no papel desse pergaminho específico ainda elementos químicos como sódio, cálcio e enxofre em proporções diferentes conforme a superfície. Os cientistas descobriram também que o documento é feito de uma mistura de sais com evaporitos — rochas sedimentares formadas por reações químicas feitas pelo contato de sais com a água.
O papel de todos os Manuscritos do Mar Morto foram feitos de pele animal limpa e colocada em uma solução para ser tratada. Por último, o material era seco e muitas vezes era esfregado no sal.
Segundo o co-autor do estudo, Ira Rabin, da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, o estudo que revelou a composição do pergaminho pode ter implicações que vão muito além dos Manuscritos do Mar Morto, podendo servir para identificar outros documentos que podem ser estudados por historiadores. “Esse estudo mostra que no amanhecer dos manuscritos do Oriente Médio, várias técnicas estavam em uso, o que contrasta com a única técnica usada na Idade Média”, afirmou Rabin.
Encontrado por pastores que percorriam as cavernas de Qumram, no final da década de 1940, os Manuscritos do Mar Morto contam com uma série de fragmentos da Bíblia Hebraica, além de livros apócrifos e os preceitos dos essênios, antigo grupo judaico que vivia de modo reservado em Qumram.

14.053 – História – Arqueologia Industrial


fabrica antiga
Para abastecer a cidade de São Paulo em época de estiagem, no início do século XX, foi instalada uma bomba d’água a vapor na Serra da Cantareira. O equipamento – fabricado em Lincoln, na Inglaterra, em 1898 – elevava as águas da represa do Engordador. Assim como o fornecimento de energia elétrica e de gás, esse abastecimento permitiu a instalação e a expansão da industrialização de São Paulo. A importância da máquina foi tão grande que ela está preservada e tombada pelos órgãos de preservação do patrimônio, como relíquia histórica dos primórdios do abastecimento da cidade.
Para fazer investigações como essa, foi aplicada a metodologia da Arqueologia Industrial, ciência que tem como objetivo promover a pesquisa da herança industrial da humanidade e ajudar a compreender o que se perdeu com a mecanização dos hábitos e a banalização dos bens.
Outro exemplo de estudo feito a partir deste ramo da Arqueologia foi o da Fábrica de Tecidos São Luiz, de Itu, no interior de São Paulo. Construída em 1869, ela representa um tempo em que o cultivo do algodão era valorizado na região. Tanto que o brasilianista Warren Dean (1932-1994), em 1976, propôs que ela fosse estudada, como um dos marcos da industrialização têxtil em São Paulo.

complexo fepasa

14.052 – Arqueologia – Cronologia das Descobertas


Piedra-de-Rosetta
No mar, na terra ou no espaço, há sempre uma equipe de pesquisadores procurando pistas sobre o nosso passado. Eles estudam a riqueza de nossa história em materiais de todos os tipos, como lixo, ossos e vestígios de construções. Conheça algumas das diversas modalidades da Arqueologia:
Bíblica
Seu objetivo inicial era comprovar os relatos da Bíblia por meio de restos materiais. Mas hoje ela estuda os vestígios relacionados à história das religiões judaico-cristãs. A principal região pesquisada é a chamada Terra Santa, no Oriente Médio.

Industrial
Realizados a partir das evidências encontradas em fábricas, manufaturas e meios artesanais, os estudos nessa área analisam as transformações sociais, culturais e econômicas ligadas à produção.

Pré-histórica ou proto-histórica
Envolve os aspectos materiais de populações que não deixaram textos escritos. No caso do Brasil, a pré-história engloba o período anterior à chegada de Cabral.

Histórica
Procura pistas nos objetos de sociedades que deixaram registros escritos. Recentemente, porém, a disciplina vem passando por questionamentos sobre o uso de datas fixas para delimitar o que é história ou pré-história.

Subaquática e náutica
Dedica-se a estudos nas águas: interiores (rios, lagos, represas), marítimas ou oceânicas. Os pesquisadores, que em geral dominam técnicas de mergulho, têm cuidados especiais para conservar os objetos submersos e trazê-los à superfície, quando isso é necessário.

Zooarqueologia
Analisa as interações entre os seres humanos e os animais, inclusive o processo de domesticação e o uso como força motriz ou como alimento. O estudo é feito a partir de ossos, dentes e outros vestígios da fauna.

Do lixo
Procura desvendar o comportamento de uma comunidade estudando seus restos. A investigação é centrada em lixos, lixões e aterros sanitários.

Espacial e de paisagem
Amplamente influenciadas pela geografia, buscam instrumentos para estudar as populações do passado através da paisagem e do meio ambiente. Muitas vezes usam tecnologia avançada, como imagens produzidas por satélites.

Etnoarqueologia
Com base em grupos contemporâneos, os etnoarqueólogos criam analogias para pensar sobre comportamentos e hábitos por meio de objetos feitos por sociedades que não conhecemos mais.

De gênero
Há duas formas de entender esta modalidade. A primeira, ligada aos estudos feministas, analisa os vestígios arqueológicos que possam contribuir com a história das mulheres. A segunda procura descobrir pistas da interação entre os diferentes grupos de gênero e de idade identificadas nas escavações.

Geoarqueologia
É a interação da geografia com a arqueologia. Através do recolhimento de sedimentos superficiais e da análise do solo, procura-se compreender como a paisagem, a terra e seus componentes se modificaram ao longo do tempo na interação com grupos humanos.

Pública
Pretende compartilhar o resultado das pesquisas obtidas nas escavações com diferentes comunidades como os quilombolas, os índios, os trabalhadores de uma fábrica, etc. Dessa interação, surge um conhecimento transformado e trabalhado em conjunto com a população.

Da arquitetura
Procurar retirar vestígios em edifícios históricos através de procedimentos de análise pouco destrutivos para identificar materiais, técnicas e procedimentos construtivos e artísticos utilizados no passado. É bastante utilizada em projetos de restauração de prédios tombados e preservados.

Incríveis descobertas

Século XVIII – 1772
Pompeia – ITÁLIA
Encoberta pelas lavas do Vesúvio no ano 79 d.C., a cidade permaneceu intacta até o século XVIII, quando foi descoberta por um agricultor que localizou vestígios de um muro.

Moais – Ilha de Páscoa – CHILE
Estátuas esculpidas em pedra de dois a 20 metros de altura, santuários e vários escritos que exaltavam ancestrais sagrados foram descobertos na costa da ilha pelo holandês Jacob Roggeveen em 5 de abril, um domingo de Páscoa.

1773
Palenque – MÉXICO
Durante uma expedição, soldados e missionários espanhóis reencontraram a cidade maia de Palenque. Até hoje, o santuário, rodeado de vegetação, é cenário de inúmeros achados. Entre as construções destaca-se o Templo das Inscrições, uma pirâmide na qual foram encontrados, em 1952, cerca de 619 hieróglifos.

1799
Pedra de Roseta – EGITO
Encontrada por soldados de Napoleão, a estela era um decreto que regulava o culto ao faraó Ptolomeu V (332 a.C.). Foi escrita em três idiomas: grego, demótico e hieróglifos. Esta descoberta foi fundamental para a decifração dos hieróglifos.

1843
O Povo de Lagoa Santa – MINAS GERAIS – BRASIL
O arqueólogo dinamarquês Peter Lund descobriu em uma gruta, na lagoa do Sumidouro, fósseis de animais extintos e restos de 30 humanos de várias idades, comprovando a coexistência desses humanos com animais da Idade do Gelo.

1868
Jericó – TERRITÓRIO PALESTINO
Considerada a cidade mais antiga do mundo, Jericó, que hoje se localiza em um dos territórios palestinos, comemorou no ano passado seus 10 mil anos. Nos relatos bíblicos, é chamada de cidade das palmeiras. As primeiras escavações são de 1868, feitas pelo inglês Charles Warren (1840-1927).

1873
Cidade de Troia – COSTA DA TURQUIA
Depois de anos de escavações na colina de Hissarlik, os arqueólogos Heinrich Schliemann e Wilhelm Dörpfeld encontraram sete camadas da cidade de Troia. Uma delas era a conhecida cidade de Ilion, palco da grande guerra descrita por Homero.

1895
Megalitos – AMAPÁ – BRASIL
O zoólogo suíço Emílio Goeldi (1859-1917) e o tenente-coronel Aureliano Pinto de Lima Guedes (1848-1912) organizaram uma expedição ao Amapá, onde encontraram o fascinante sítio arqueológico com megalitos e peças variadas de cerâmica.
Século 20
1911
Machu Picchu – PERU
O mês de julho deste ano marcou o centenário da descoberta da cidade sagrada inca de Machu Picchu pelo arqueólogo americano Hiram Bingham. O santuário histórico, localizado no topo de uma montanha, mais de dois mil metros acima do nível do mar, faz parte do Patrimônio Mundial da Unesco desde 1983.

1912
Busto de Nefertiti – EGITO/ALEMANHA
Apesar de ser uma obra inacabada de apenas 50 cm de altura, o famoso busto é razão de brigas constantes entre a Alemanha, onde está hoje, e o Egito, onde foi encontrado. A descoberta, em 1912, foi feita por uma equipe arqueológica da Sociedade Oriental Alemã. Alvo de controvérsias sobre sua autenticidade, ele representaria a esposa do faraó Amenófis IV (mais conhecido como Akhenaton), pai de Tutankamon.

1922
Tumba de Tutankâmon– EGITO
O arqueólogo e egiptólogo britânico Howard Carter descobriu a luxuosa tumba, ainda intacta, do jovem faraó que governou o Egito há mais de 3.000 anos e que morreu misteriosamente.

1947
Escritos do Mar Morto – ISRAEL
Nas cavernas do deserto da Judeia, na região do Mar Morto, foram encontrados mais de 900 manuscritos. Feitos em papiros e em pergaminhos, os documentos continham textos bíblicos e apócrifos. Calcula-se que foram escritos entre III a.C. e II d.C.

1958
Catal Huyuk – TURQUIA
Um dos primeiros centros urbanos do mundo, de mais de 9 mil anos atrás, é considerado o principal sítio arqueológico da Turquia. Foi descoberto no fim dos anos 1950 e começou a ser escavado por James Mellaart na década seguinte. Desde 1993, um grupo internacional de arqueólogos, liderado por Ian Hodder, faz escavações e conta as novidades no site oficial do projeto: http://www.catalhoyuk.com

Anos 1960
Gobekli Tepe – TURQUIA
Considerado o local de culto religioso mais antigo do mundo, o sítio arqueológico de Gobekli Tepe (que, em turco, significa morro com barriga) é do início do período neolítico. Ele foi descoberto nos anos 1960, mas só foi estudado profundamente na década de 1990, por conta de uma parceria entre arqueólogos turcos e alemães.

1970
Sweet Track – INGLATERRA
Um importante exemplo de engenharia do período neolítico é a Sweet Track, uma das mais antigas estradas conhecidas, que foi construída por volta de 3800 a.C. Os principais componentes da estrada são cinzas, cal e tábuas de carvalho. A maior parte dela continua em seu local de origem, embora algumas partes estejam expostas em espaços como o British Museum.

1973
Serra da Capivara – PIAUÍ – BRASIL
O Parque Nacional da Capivara, criado em 1979, concentra o maior número de pinturas rupestres do mundo. A região tem mais de mil sítios arqueológicos. A primeira missão de investigação, em 1973, teve a participação da arqueóloga Niède Guidon, que até hoje trabalha no local.
1974
Guerreiros de Xi’an – CHINA
Foi por acaso que agricultores encontraram um exército inteiro de 8.000 soldados feitos de terracota. Os Guerreiros de Xi’an estavam em funerárias construídas no governo do primeiro imperador da China, Qin Shi Huang (246-221 a.C.).

1977/2010
El Zotz – GUATEMALA
Na região florestal de Péten, El Zotz é a maior metrópole maia descoberta até o momento. Foi encontrada em 1977 por Marco Antonio Bailey. No ano passado, uma equipe de arqueólogos descobriu uma câmara mortuária sob a pirâmide El Diablo, a maior do templo.

1986
Yonaguni – JAPÃO
Mergulhadores encontraram uma imensa estrutura em forma de pirâmide. A descoberta data de aproximadamente 8000 a.C., e ainda não se sabe se ela é uma obra-prima da engenharia da época ou um acaso da natureza.

1987
A catacumba de Minas Gerais – BRASIL
Uma ossada infantil envolvida em tecido foi encontrada na Gruta do Gentio, na cidade de Unaí. Devido às condições climáticas, conservou-se embalsamada, e na época foi apontada como a mais antiga múmia brasileira, com cerca de 3.500 anos.

1995
Baía de Saint-Malo – FRANÇA
A cidade francesa de Saint-Malo, às margens do Canal da Macha, é uma das mais ricas em história náutica e arqueologia subaquática. Em 1995, dois grandes navios corsários foram descobertos. Anos de escavações sob o mar revelaram as embarcações La Dauphine e L’Amaible Grenot, ambas naufragadas no século XVIII.
1998
Luzia – MINAS GERAIS – BRASIL
O biólogo e antropólogo brasileiro Walter Neves analisou um crânio encontrado na região e concluiu que é o mais antigo do continente americano, com mais de 11.500 anos. O material integra a coleção única de 75 crânios depositados no Museu de Copenhague, na Dinamarca, coletados por Peter Lund em Lagoa Santa no século XIX.

Século 21
2004
Mazagão Velho – AMAPÁ – BRASIL
O último baluarte lusitano no Marrocos havia sido invadido pelos mouros em 1769. Sem saída, o rei português D. José I ordena a transferência da cidade inteira, que tem como destino final a província do Grão Pará. Só em 2004 pesquisadores da UFPE iniciaram o trabalho de escavação dos resquícios da cidade transferida há mais de 200 anos.

2008
Pinturas a óleo – AFEGANISTÃO
As pinturas a óleo mais antigas do mundo estão em cavernas afegãs. A equipe formada por arqueólogos japoneses, americanos e suíços que as encontrou afirma que datam do século VII d.C, ou seja, centenas de anos antes do início da pintura a óleo na Europa. Elas mostram cenas de seres míticos e figuras de Buda trajando vestes vermelhas.

2010
Pinturas rupestres – SOMÁLIA
Guerras e secas fizeram da Somália um país quase sem investigação arqueológica. No entanto, no ano passado, pinturas de animais, que devem ter sido feitas há mais de 4.000 anos, foram descobertas pela University College London.

2011
As novas pirâmides – EGITO
Este ano, imagens em infravermelho captadas por satélites detectaram a existência de 17 pirâmides enterradas no Egito. A equipe de arqueólogos liderada por Sarah Parcak já encontrou duas delas por meio de escavações.

2011
Embarcação do Faraó – EGITO
No mês de julho, arqueólogos egípcios e japoneses começaram a desenterrar um barco encontrado aos pés da pirâmide de Gizé, no Egito. Com idade aproximada de 4,5 mil anos, ele serviria para transportar a alma do faraó Quéops em viagens para acompanhar o deus-Sol Amon-Rá. Após um longo trabalho de remontagem, ele se juntará a outra embarcação, encontrada em 1917, como uma das maiores descobertas arqueológicas do Egito.

2011
Submarino alemão – SANTA CATARINA – BRASIL
Foram encontrados em julho os restos do primeiro dentre 11 submarinos alemães afundados em nossa costa durante a 2ª guerra mundial. O U513, que chegou a afundar um navio mercante brasileiro, foi localizado por uma equipe de pesquisadores e arqueólogos subquáticos da Univali e do Instituto Kat Schurmann. Os trabalhos de busca foram filmados e farão parte de um documentário.

2011
Jesuítas – PARANÁ – BRASIL
Depois de anos de busca, historiadores anunciaram a descoberta do sítio arqueológico da Missão Jesuítica San Joseph, fundada em 1625 na cidade de Cambé, no Paraná. O anúncio foi feito pela arqueóloga Cláudia Inês Parellada, do Museu Paranaense, e é de grande importância para o estudo das reduções jesuíticas no Brasil. A Missão San Joseph foi provavelmente destruída pelos bandeirantes em 1631.

2011
Erotismo na pré-história – ALEMANHA
Arqueólogos encontraram, pela primeira vez, imagens de mulheres nuas em cavernas da Idade da Pedra na Alemanha. Para os pesquisadores envolvidos, as gravuras foram utilizadas em rituais de fertilidade há mais de 12 mil anos.

2011
Santo Filipe – TURQUIA
Depois de anos de procura, arqueólogos acreditam ter achado a tumba – ainda não aberta – de São Filipe, um dos doze apóstolos de Jesus, em Pamukkale, no sudoeste da Turquia. Encontrada embaixo de escombros de uma Igreja, a descoberta, de acordo com os especialistas, é de grande importância para o mundo cristão e a arqueologia.

2011
Gatos olmecas – MÉXICO
Uma pedra da cultura olmeca com relevo de três gatos foi descoberta por pesquisadores do Instituto Nacional de Antropologia e História do México. O artefato possui mais de uma tonelada e data de, aproximadamente, 2,8 mil anos.

2011
Afro-descendentes – ESTADOS UNIDOS
Nan Rothschild, arqueóloga da Universidade de Columbia (EUA), encontrou vestígios de uma comunidade de afro-americanos construída no século XIX no coração de Nova Iorque. Há indícios de que o local foi desapropriado para dar lugar ao Central Park, o maior parque de Manhatan.

14.045 – Arqueologia – Brasileiros descobrem artefatos humanos mais antigos fora da África


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Uma expedição realizada no norte da Jordânia entre 2013 e 2015 por uma equipe de arqueólogos ítalo-brasileira encontrou artefatos de pedra lascada de 2,4 milhões de anos – provavelmente produzidos por hominídeos pertencentes ao gênero Homo.
Isso significa que os primeiros ancestrais humanos a saírem da África rumo ao Oriente Médio começaram essa jornada no mínimo 500 mil anos antes da data tida como consenso pela comunidade científica até então.
A descoberta foi anunciada em uma coletiva de imprensa no Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA). O artigo científico que detalha as conclusões do grupo foi publicado na revista Quaternary Science Reviews.
Também participaram da pesquisa o paleoantropólogo Walter Neves, da USP, Giancarlo Scardia, da Unesp de Rio Claro, e Fabio Parenti, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) – que explora o vale do rio Zarqa, próximo a Amã, capital da Jordânia, desde a década de 1990.
Para entender por que esses artefatos – os mais antigos já encontrados fora da África – podem virar de ponta cabeça a história da humanidade, primeiro é preciso entender essa história da maneira como ela é contada hoje.
Na biologia, toda espécie é batizada com um nome científico duplo. Quando duas espécies são muito próximas, elas pertencem ao mesmo gênero, e, assim, têm o primeiro nome igual. É o caso do lobo (Canis lupus) e do coiote (Canis latrans).
Hoje, não há nenhum animal aparentado o suficiente com o ser humano para carregar o nome Homo – mas 2 milhões de anos atrás, a situação era bem mais confusa.
O pioneiro de nossa linhagem foi o Homo habilis – que viveu na África entre 2,4 a 1,4 milhões de anos atrás. Ele ainda tinha uma aparência próxima a de um símio, um cérebro 30% maior que o de um chimpanzé e no máximo 1,4 metro de altura. Ele foi o primeiro a fabricar ferramentas. Até onde se sabe, a partir dele se ramificaram espécies como o Homo naledi (que não interessa para nós) e o Homo erectus (que interessa bastante para nós).
O erectus, que surgiu há 1,9 milhões de anos e compartilhou a Terra com o sapiens até bem recentemente, foi o primeiro a sair da África e explorar os demais continentes. Ele já era um bípede de pernas desenvolvidas, e tinha um cérebro com dois terços do volume do de um humano moderno.
Os erectus que se estabeleceram na Ásia e na Europa dariam origem aos homens de Neandertal e de Denisova. Uma parcela dos erectus que ficaram na África, por sua vez, deu origem a nós. No intervalo entre erectus e sapiens é provável que tenha existido uma terceira espécie, o heidelbergensis. Mas não vamos complicar a árvore genealógica sem necessidade.
A moral da história é: houve duas ondas migratórias para fora da África. É por isso que, quando o ser humano moderno (Homo sapiens) deixou seu berço, há meros 70 mil anos, ele encontrou a Ásia já habitada por Neandertais e Denisovanos. Esses humanos diferentões descendiam de erectus que haviam saído do continente muito antes, há 1,9 milhão de anos.

14.036 – Serra da Capivara – O Paraíso (quase) Escondido


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Falar do continente americano é falar de forasteiros: o Novo Mundo foi o penúltimo continente desbravado pelo Homo sapiens. Só a Antártida passou mais tempo sossegada. Mas como era a América antes dos humanos? E quando foi que estes primeiros imigrantes começaram a aparecer por aqui? Junto às respostas consensuais para essas perguntas, há uma série de controvérsias científicas que, curiosamente, convergem para um lugar inesperado: o interior do Piauí.
Nos paredões do semiárido brasileiro, homens pré-históricos registravam narrativas para a posteridade. É num pedaço da caatinga do tamanho da cidade de São Paulo que fica a maior concentração de pinturas rupestres do planeta. Há exatos 40 anos, em 1979, essa região foi transformada no Parque Nacional Serra da Capivara – sendo reconhecida, em 1991, como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.
A região sudeste do Piauí, onde fica a Serra da Capivara, ocupa uma zona de fronteira entre duas grandes formações geológicas: ao sul, um escudo cristalino do Período Pré-Cambriano, e a bacia sedimentar do mar Siluriano-Permiano, ao norte. Entre 440 e 360 milhões de anos atrás, esse mar cobria a região. Os paredões rochosos da Serra, com mais de 100 metros de altura, foram criados embaixo d’água.
Essa época deixou uma série de vestígios: na região da Serra, já foram encontradas dezenas de fósseis marinhos – mais especificamente, de trilobitas (artrópodes extintos de até 70 centímetros que andavam no fundo do oceano). Há 220 milhões de anos atrás, porém, mudanças geológicas profundas transformaram a paisagem, acabando com a farra dos animais aquáticos: um grande movimento tectônico levantou o fundo do mar no Piauí – e jogou toda a água para o Ceará. Os sedimentos desta tremedeira se tornaram parte dos paredões da Serra – e essa história toda ficou documentada nas camadas dos grandes cânions da Serra da Capivara.
Paredões que, centenas de milhões de anos depois, continuaram a testemunhar fatos pitorescos. Um deles aconteceu outro dia (geologicamente falando). Foi há 115 mil anos, quando começou a última Era do Gelo. O Piauí se tornou uma espécie de oásis – a região, próxima da linha do Equador, nunca congelou. Os planaltos da Serra viram nascer uma floresta tropical úmida, e nas planícies predominavam os campos e o cerrado. Vestígios paleontológicos mostram que o clima ameno atraiu uma fauna exuberante: tigres-dente-de-sabre, preguiças gigantes, mastodontes (parentes do mamute), paleolhamas (uma mistura de cavalo, tamanduá e, é claro, lhama).
Com o fim da Era do Gelo, há 12 mil anos, veio outra transformação climática: a umidade caiu e as temperaturas aumentaram severamente. Ao longo dos 3 mil anos seguintes, os animais da megafauna anterior foram extintos, e a vegetação mudou para se adaptar às novas condições: nascia a caatinga.
Nessa época, já havia humanos por lá. A abundância de sítios arqueológicos na Serra é prova disso. São mais de mil, cheios de instrumentos de pedra lascada, esqueletos humanos e, claro, pinturas rupestres.
Por falar em pinturas, a quantidade de desenhos isolados, chamados de “figuras”, é única no mundo: enquanto sítios europeus possuem de 10 a 12 figuras, apenas na Toca do Boqueirão da Pedra Furada, um dos pontos mais famosos da Serra, há 1.200 pinturas.
A maioria das pinturas rupestres da Serra da Capivara foram feitas entre 6 mil e 12 mil anos atrás. Só como base de comparação, as mais antigas do mundo têm mais de 30 mil.
A riqueza das imagens da Serra, porém, está nas cenas que elas mostram. Na Europa, por exemplo, o mais comum é encontrar animais e cenas de caça – episódios obviamente importantes para qualquer comunidade humana, e que também estão presentes na Serra.
Há quem defenda, porém, que a Serra estava ocupada por humanos bem antes de Zuzu, ou mesmo de Luzia. Estamos falando de Niède Guidon. A arqueóloga franco-brasileira de 86 anos foi a primeira a desconfiar do potencial científico escondido no meio do Piauí. Guidon fez da Serra o trabalho de sua vida. Sua obstinação foi o que levou a Capivara a atrair interesse arqueológico de cunho internacional. Mas a mesma insistência da pesquisadora em teorias controversas trouxe a Serra para o centro de disputas científicas que já duram décadas.
Em 1978, Niède Guidon começou a escavar o sítio Toca do Boqueirão da Pedra Furada, aquele que guarda 1.200 figuras rupestres. Lá, ela encontrou dois dos artefatos mais controversos de sua carreira: pedras que aparentavam ter sido lascadas por Homo sapiens e pedaços de carvão que pareciam vir de fogueiras feitas por humanos.
Ao final da escavação, Niède mandou o carvão para a França, para ser datado em laboratórios de lá. Para a surpresa da própria pesquisadora, os testes de carbono-14 indicavam que a amostra tinha 26 mil anos de idade. Nos anos seguintes, Guidon encontrou objetos progressivamente mais antigos, até que, em 1986, atingiu a data de 32 mil anos. Foi nesse ano que os vestígios da Serra da Capivara ficaram conhecidos mundialmente:” Niède publicou suas descobertas na prestigiosa revista científica Nature, em um artigo em que defende o carvão e as pedras como indícios da presença de seres humanos na América do Sul há 32 milênios.

Esse é um dado que distorce toda a história das ocupações na América: o consenso na comunidade arqueológica é o de que o homem chegou ao Novo Mundo há cerca de 15 mil anos – não muito mais, não muito menos.

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É preciso voltar no tempo para entender a polêmica: o Homo sapiens surgiu na África entre 200 mil e 300 mil anos atrás. De lá, espalhou-se por Europa e Ásia. Há 60 mil anos, nossa espécie atingia a Austrália. Depois, as Américas (de acordo com as teorias mais aceitas, via Estreito de Bering, que era terra seca na Era do Gelo).

E é aqui que a arqueologia chega aos homens de Clóvis – por muito tempo considerados o povo mais antigo da América. Nos anos 1920, nas cidades americanas de Folsom e Clóvis, no Novo México, foram encontradas pontas de lanças ao lado de fósseis de animais de grande porte. Eram armas humanas de 13 mil a 13.500 anos de idade, que comprovavam, pela primeira vez, a presença de homens na América em plena Era Glacial. Daí surgiu a teoria “Clovis First”, segundo a qual todo e qualquer outro grupo humano que habitou o continente teria vindo, necessariamente, depois deles.

Nas últimas décadas, porém, a primazia de Clóvis tem sido fortemente contestada entre os cientistas. Hoje, há centenas de sítios mais antigos ao longo do continente: na Venezuela, no Peru, no Brasil, na Argentina e nos próprios EUA. O sítio Monte Verde, no Chile possui datações de 14,6 mil anos. Mesmo assim, muitos arqueólogos americanos (chamados pejorativamente de “polícia de Clóvis”) ainda duvidam dessas descobertas. Defendem que os achados são só pedras comuns, não ferramentas humanas.

Perceba, porém, que mesmo os artefatos pré-clovis mais aceitos, datando de 15 mil anos, vieram apenas 2 mil anos antes da cultura Clóvis. É uma variação bem menos radical do que sugerem as datações de 20 a 30 mil anos dos achados da Serra – e, justamente por isso, elas são tratadas com amplo cetismo. A maior parte dos especialistas considera que as amostras de carvão de Niède foram criadas por incêndios naturais. Por raios de tempestade, não por pessoas. Números ainda mais antigos do que isso, então, são tidos como absurdos.
Niède, porém, foi encontrando pedras lascadas cada vez mais arcaicas na Serra, e segue certa de que entre elas há ferramentas humanas. Segundo ela, não poderia vir de fogo natural. Uma queimada produziria restos de carvão pra todo lado – os de Niède estavam concentrados num lugar só, protegidos sob paredões da Pedra Furada. Já sua defesa das pedras baseia-se no formado delas: as lascas estão presentes apenas de um lado da pedra, como se tivessem sido moldadas de forma contínua, em uma direção só, e não da maneira aleatória que uma pedra quebra após uma queda, por exemplo.
O mais antigo desses supostos instrumentos tem 100 mil anos de idade. Ele foi a peça final na teoria excêntrica que Niède defende até hoje: há 100 mil anos não apenas existiriam comunidades humanas no Piauí, como elas seriam formadas por homens vindos para a América diretamente do berço da humanidade: da África, e não pelo estreito de Bering.

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Alegações extraordinárias requerem provas extraordinárias, já diria Carl Sagan. A comunidade científica recebeu as teorias de Niède com tremenda cautela – para não dizer hostilidade. No Brasil, um de seus críticos mais ferrenhos foi o bioarqueólogo Walter Neves, conhecido como “pai” de Luzia. “Eu não acreditava em uma vírgula nas descobertas dela na Pedra Furada, e confesso que achava que era uma questão de incompetência. Mas, quando ela me convidou para visitar a Serra [em 2005] e eu vi os artefatos, foi um choque”, nos disse Walter sobre as pedras lascadas. “Saí da visita 99% convencido de que ali tinha mãos humanas de 30 mil anos atrás, a cronologia de Niède na época. Mas 1% de dúvida ainda é algo extremamente significativo.”

Se Walter é cauteloso quanto aos 30 mil anos, é abertamente cético com relação a qualquer objeto de 100 mil anos: “Isso é Guerra nas Estrelas, ficção científica, nem se discute”. A migração direta pela África também é amplamente descartada. Segundo o arqueólogo André Strauss, professor da USP que trabalhou na Serra da Capivara, mesmo que haja provas de uma migração mais antiga na Serra, esses homens precisariam ter vindo pelo Estreito de Bering mesmo. Para ele, essa suposição é pura extrapolação de Niède.

Apesar de seguir irredutível quanto às suas teorias, Guidon cercou-se de figuras conceituadas para dar continuidade ao seu trabalho na Serra. Quando se aposentou, convidou o arqueológo francês Eric Boeda para dar liderar as pesquisas por lá. Ele goza de respeito e admiração da comunidade arqueológica internacional: dirigiu escavações importantes na Europa, África e Ásia, e é um dos maiores especialistas do mundo em indústria lítica – ou, em bom português, no estudo de ferramentas antigas feitas de pedra.

Em seus 20 anos no Piauí, Boeda, de fato, fez datações mais conservadoras do que Niède – mas elas ainda vão bastante além do que a teoria oficial de ocupação humana no continente é capaz de explicar. Boeda defende que pedras de 22 mil anos sejam instrumentos humanos. Seus números mais extremos chegam à casa dos 40 mil. “Acredito que ele está com uma estratégia inteligente, passando por números mais palpáveis primeiro”, diz André Strauss. “Eric, além de ter prestígio internacional, está aberto ao diálogo, algo difícil com a Niède. Antes de tudo, ele está tentando recuperar a credibilidade dos achados humanos da Serra”, disse Strauss.
A fundadora teimosa
Entre pinturas, pedras lascadas e farpas, uma coisa ninguém contesta: Niède Guidon é uma exímia administradora. Ela vive permanentemente na Serra da Capivara desde 1998, ao lado de uma das instalações que ajudou a fundar, o Museu do Homem Americano. A arqueóloga recebeu a SUPER em sua casa para uma conversa. Com a saúde instável – além da idade avançada, ela já teve dengue, Zika e Chikungunya – Niède segue irredutível e linha-dura tanto em suas descobertas, quanto com sua proteção quase maternal à Serra da Capivara.
O relacionamento entre Guidon e o Piauí já ultrapassa as Bodas de Ouro. Tudo começou em 1963, quando a Serra da Capivara era uma completa desconhecida da arqueologia. Niède trabalhava bem longe, na curadoria do Museu do Ipiranga, em São Paulo, onde foi organizada uma exposição sobre figuras rupestre no Brasil – as únicas conhecidas até então, feitas em Minas Gerais. “Foi quando um senhor, que veio visitar a exposição, me mostrou fotos de outras pinturas, dizendo que também havia esses ‘desenhos de índios’ perto da cidade dele”, conta Niède.
Foi só em 1970 que Niède teve a chance de encontrar pessoalmente os tais “desenhos de índio”. Oito anos de estudo depois, ela criou uma comissão permanente de pesquisa, fruto de uma parceria entre a França e o Brasil. Reuniu biólogos, zoólogos, botânicos e paleontólogos para promover uma ampla investigação em toda a Serra da Capivara. “Não se conhecia nada daqui. Não tinha estrada, nada. Os moradores locais foram nossos primeiros guias, exploramos tudo a pé”.
Fauna, flora e riqueza arqueológica nunca antes documentadas pela ciência foram reunidos em um relatório, que Niède e sua equipe enviaram a Brasília. O pedido de “preservação absoluta” do local culminou, em 5 de junho 1979, no decreto Nº 83.548, que criava oficialmente Parque Nacional Serra da Capivara.
Estabelecer uma área totalmente dedicada a preservação e pesquisa, porém, foi um trabalho árduo. “O governo criou o parque, mas não colocou um funcionário sequer”, conta Niède. Tirar o Parque do papel significava não só torná-lo um instituto de ciências fechado, mas também um bem público, que atraísse turistas e movimentasse a economia da região. Conseguir tudo isso custa dinheiro. E não é pouco.
Quem pintou os paredões há milhares de anos, afinal, não estava pensando na facilidade de exibir sua arte a visitantes externos. O parque precisava ser alcançável, primeiro por estradas, mas também por passagem e pontes internas. Seus 130 mil hectares também tinham de ser protegidos e vigiados.
Guidon e sua equipe angariaram apoio técnico do antigo Banco Interamericano de Desenvolvimento, e receberam doações da Petrobras para manter o Parque de pé. Essas verbas, porém, não foram suficientes para fazer deslanchar o paraíso arqueológico escondido: ainda hoje, a serra recebe só 20 mil turistas por ano. O tamanho da estrutura, ironicamente, dificulta as coisas: a Serra ocupa a área de quatro municípios diferentes, todos com pouca estrutura hoteleira e de transporte, a 522 km distância da capital Teresina.
Se o turismo já é insuficiente para suprir a manutenção do Parque, a situação só piorou quando as verbas públicas ficaram escassas. Os repasses da Petrobras cessaram com a crise geral na empresa. De 270 funcionários que o Parque já teve, hoje só é possível manter 40. A estrutura, hoje, depende de pequenos repasses do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e do governo do Piauí.
Em 2014, porém, o BNDES aprovou verba para a construção do último sonho de Niède: o Museu da Natureza (MuNa). Nele, a pesquisadora quis contar a história da Serra de uma forma similar à que você leu nestas páginas: uma viagem no tempo por toda evolução natural da Capivara, que levasse o visitante da época em que o Piauí era mar, até os dias de hoje.
O dinheiro, pedido a primeira vez em 2001, veio sem correção monetária. Os R$ 13,7 milhões, graças à magia da inflação, já compravam três vezes menos tijolos, concreto e massa corrida quando a verba finalmente chegou. O MuNa, porém, insistiu em nascer e foi inaugurado em dezembro de 2018. Final feliz (e aguerrido) para Guidon e sua Serra.
E quanto à origem das pedras lascadas milenares? Elas realmente foram feitas por humanos? Estaria Niede totalmente enganada na tese que guiou toda sua carreira? Apontar para uma conclusão não é tão simples. “Nem todas as perguntas têm como resposta sim ou não. Há uma terceira opção, que talvez seja a mais frequente de todas: não sei”, diz André Strauss. No caso da Serra, essa é a conclusão mais honesta. E é uma resposta perfeitamente científica. Existia gente lá há 40 mil anos? Esse é um debate legítimo, e que segue em aberto.”

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14.014 – Parasita de 99 milhões de anos é encontrado intacto em âmbar


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O fóssil de um piolho-de-cobra de 99 milhões foi encontrado preservado em uma pedra de âmbar, em Myanmar. O artrópode da classe diploide é tão único que os especialistas tiveram de criar uma subordem própria para ele. A espécie foi nomea da Burmanopetalum inexpectatum.
O exemplar é o primeiro fóssil de um milípede pertencente à ordem Callipodida já encontrado, e é menor do que seus parentes da mesma época — apenas 8,2 milímetros. A descoberta também ajuda na compreensão de quando a espécie apareceu, sugerindo que esse grupo de artrópodes deve ter evoluído há pelo menos 100 milhões de anos.
“Foi uma grande surpresa para nós que este animal não possa ser colocado na atual classificação de milípedes”, disse o principal autor do estudo, professor Pavel Stoev, em comunicado. “Apesar de sua aparência geral ter permanecido inalterada nos últimos 100 milhões de anos, como nosso planeta sofreu mudanças dramáticas várias vezes nesse período, algumas características morfológicas na linhagem Callipodida evoluíram significativamente.”
De acordo com o co-autor do estudo, Dr. Thomas Wesener, apenas 12 espécies de diplóides da Era Mesozoica — um período de 185 milhões de anos — foram encontradas até então, mas as expectativas crescem com novas descobertas.
Isso porque o âmbar em que Burmanopetalum inexpectatum foi encontrado contém mais 528 milípedes, que vem sendo investigados: “Nos últimos anos, quase todas as 16 ordens vivas de milípedes foram identificadas neste âmbar de 99 milhões de anos de idade. Os belos dados anatômicos apresentados por Stoev mostram que Callipodida agora se junta ao clube”, disse Wesener.

13.979 – Borracha rupestre Extraída no Parque Nacional da Serra da Capivara


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A maniçoba, árvore típica da caatinga, produz um látex de grande qualidade. Além de pneus, até meados do século XX sua borracha natural era usada para produzir luvas cirúrgicas por conta de seu potencial de evitar rejeição durante operações. Entre 1900 e 1940, famílias de diversas localidades do Nordeste brasileiro foram ganhar a vida na extração de maniçoba, em uma região do Piauí onde hoje está o Parque Nacional da Serra da Capivara, declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco e maior sítio arqueológico da América Latina. Imerso em uma crise financeira que se estende há anos, o parque inaugurou recentemente a Trilha Caminho dos Maniçobeiros, com o objetivo de preservar a memória desses trabalhadores em diálogo com os vestígios pré-históricos. O circuito turístico inclui visita aos locais em que essas famílias costumavam habitar: abrigos formados por paredes de taipa (pedra, paus e barro amassado) e tocas de rocha adaptadas para moradia. Muitos deles ainda preservam inscrições rupestres, algumas feitas há 50 mil anos. O Caminho dos Maniçobeiros tem aproximadamente 20 quilômetros de extensão. Começa na Guarita da Serra Branca e o trajeto pode ser feito de carro ou ônibus até o Sítio Igrejinha, tendo o visitante que seguir a pé pela estrada e pelas trilhas abertas na mata de caatinga. Há locais sinalizados com árvores de maniçoba e muitas tocas onde vestígios rupestres e dos maniçobeiros se misturam. O modo de vida e trabalho dos maniçobeiros começou a ser investigado, na década de 1970, por pesquisadores da Fundação Museu do Homem Americano (Fundham), que administra o Parque da Serra da Capivara. A arquiteta Elizabete Buco, pesquisadora da Fundham, ressalta a importância da preservação dessa memória: “Resolvemos tirar do papel e mostrar o que o parque ainda guarda sobre esses homens que faziam das tocas suas moradias, convivendo com vestígios arqueológicos, reocupando a área e construindo um novo espaço, com novos simbolismos e manifestações culturais”. Naquele período, a extração do látex de maniçoba no Nordeste só perdia em quantidade para os seringais da Amazônia. Ainda assim, “a demanda era tão grande que o governo brasileiro incentivava a extração e o cultivo de toda árvore que produzisse borracha”, observa Ana Stela de Negreiros Oliveira, pesquisadora do Iphan no Piauí. Os maniçobeiros extraíam látex de forma diferente: enquanto na seringueira as incisões eram feitas no tronco da planta, na maniçoba o látex era retirado da raiz, com auxílio de um instrumento pontiagudo criado por eles, a léga. Mas as relações de trabalho de seringueiros e maniçobeiros se assemelhavam: eram ambos explorados ao contrair dívidas com seus patrões, que monopolizavam o acesso a produtos alimentícios. Isto explica por que as famílias utilizavam os abrigos pré-históricos como moradias.

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13.971- Linguística – Qual a língua mais antiga?


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O sumério foi uma das primeiras línguas escritas conhecidas. O seu sistema de escrita, chamado cuneiforme (que significa “em forma de cunha”), foi mais tarde também usado para as línguas acadiana e também adaptado a línguas indo-europeias como o hitita (que também era escrito com um sistema hieroglífico, tal como faziam os egípcios) e o persa antigo, muito embora esta última língua se limitasse a usar os mesmos instrumentos de escrita e as formas das letras não tivessem relação com as do cuneiforme.
A escrita era do tipo semanto-fonética com símbolos fonéticos para sílabas e também logogramas que representavam palavras inteiras. A direção da escrita era variável. Textos mais antigos se apresentavam em colunas verticais. mas por volta de 3.000 a.C a direção mudou para horizontal da esquerda para a direita. Nessa época os símbolos foram girados em 90º sentido anti horário e passaram a ser simplificados sendo formados somente por cunhas e traços.
Inicialmente havia até cerca de mil símbolos, quantidade que caiu para cerca de 400, depois para 255, que eram 8 para vogais, 98 sílabas de vogal+consoante e 149 de consoante + vogal; Um mesmo símbolo poderia ter diferentes pronúncias. Houve 5 períodos para essas simbologia com aletrações nos anos de 3000 a.C – 2800 a.C – 2500 a.C – 1800 a.C – 600 a.C.
O sumério era aglutinante e fazia grande uso da composição. Por exemplo, as palavras para grande e homem eram compostas para formar a palavra para rei, “lugal”.
O sumério é uma língua ergativa. Isto significa que o sujeito de uma frase, que obtém um objecto directo, está no chamado caso ergativo, que se marca com a posposição -e. O sujeito de um verbo intransitivo é “marcado” com um absolutivo, que não é escrito: por exemplo, lugal-e e2 mu-dru3 “o rei construiu a casa”; lugal ba-gen “o rei foi”.

13.875 – Arqueologia – O Manuscrito Liber Linteus Zagrabiensis


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Redigido em etrusco, um idioma usado em uma região que hoje corresponde à península itálica, o Liber Linteus Zagrabiensis — ou “Livro de Linho de Zagreb” em latim — é o único livro escrito em linho de que se tem notícia, assim como o texto mais extenso em etrusco já descoberto no mundo. O manuscrito se encontra em exposição em um museu da cidade de Zagreb, na Croácia, daí o seu curioso nome.
O documento de tecido — escrito em tinta vermelha e preta — foi utilizado para envolver uma múmia de aproximadamente 2,2 mil anos encontrada no Egito em meados do século 19. O livro consiste em um texto com cerca de 13 mil palavras distribuídas em aproximadamente 230 linhas que, por sua vez, se repartem em uma dezena de colunas verticais redigidas sobre um pedaço de linho dividido em 20 requadros retangulares.
Contudo, como apenas umas 1,2 mil palavras continuam legíveis, os cientistas não conseguiram decifrar completamente o texto. Atualmente, o consenso é de que o Liber Linteus seja um calendário ritualístico, embora as menções aos meses só apareçam a partir da sexta coluna do manuscrito.
Com relação à explicação de como um documento etrusco foi parar no Egito, os especialistas explicaram que, na época em que o corpo da múmia foi preparado, o comércio já havia se espalhado por todo o Mediterrâneo, e era comum que diversos materiais fossem reutilizados para envolver cadáveres ou produzir máscaras funerárias. Assim, não era incomum que itens produzidos na Itália circulassem por outras paragens.

13.874 – O Códice de Dresden


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É um antigo texto Maia com cerca de 800 anos que “apareceu” na Real Biblioteca de Dresden, na Alemanha, no século 18. O manuscrito consiste em 39 páginas ricamente ilustradas e redigidas na frente e no verso e, ao que tudo indica, ele traz registros das diferentes fases do planeta Vênus, presumivelmente para que os maias pudessem planejar diferentes cerimônias e rituais.
Ninguém sabe como é que o códice foi parar na Alemanha, já que a maioria dos textos maias (infelizmente) foi destruída pelos colonizadores e missionários cristãos na tentativa de eliminar as crenças pagãs daqueles povos. De qualquer forma, pesquisas recentes apontaram que os maias celebravam um elaborado conjunto de eventos e rituais conectados com o comportamento de Vênus e provavelmente usavam o códice como uma espécie de calendário.

13.803 – Fotos Raras do Interior do Real Titanic


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O naufrágio do RMS Titanic foi descoberto em 1985 por Robert Ballard. Antes disso, houve várias expedições que falharam. A razão por trás da descoberta do Titanic foi a invenção do Argo, um submersível em águas profundas que pode ser controlado remotamente.
Graças ao Argo, uma das três hélices foi encontrada nos destroços do navio. A mesma era, na verdade, do lado estibordo do navio. As hélices laterais do Titanic tinham 23 pés de largura, enquanto a do meio tinha 16 pés de diâmetro.

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A imagem que foi feita perto do final da construção do Titanic dá uma idéia clara de quão enorme era o navio e suas hélices. O navio tinha 883 pés de comprimento, tornando-o mais alto do que qualquer edifício que existia naquela época se o navio fosse colocado na posição vertical.
O Titanic transportou vários passageiros, incluindo dois recém-casados, Sr. e Sra. George A. Harder, que estavam em viagem de lua de mel. A mulher sobreviveu ao naufrágio, mas o marido morreu, infelizmente. O fotógrafo que tirou uma foto dos dois, Bernie Palmer, vendeu os direitos de suas fotos por apenas US$10. Ele não teria feito isso se soubesse o quanto suas fotos valeriam anos depois.

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Quando o Titanic e seu navio irmão Olympic foram construídos, eles eram os maiores navios criados até então. Naquela época não havia nenhuma via de circulação que pudesse acomodar sua construção. Então, para seguir em frente, a empresa teve que construir uma rampa gigante primeiro. A rampa de lançamento foi chamada de “Grande Pórtico” e custou cerca de US $150.000.
O leme é uma das partes essenciais do navio, usado para dirigir esse transporte gigantesco. O leme do RMS Titanic era enorme e pesava mais de 20.000 libras.
Quando comparado a todos os outros navios no cais, o Titanic realmente se destacava. Porém, mover a estrutura gigantesca da terra para a água foi um processo bastante desgastante. O processo em si durou apenas 62 segundos, mas, para completá-lo, foram necessárias 23 toneladas de lubrificantes. Óleo de trem, sabão e graxa foram usados ​​como lubrificantes.
O RMS Titanic deixou Belfast com a ajuda de rebocadores. Cinco rebocadores foram necessários para guiar a grande embarcação para fora do cais. Isso foi feito durante um teste no mar, que é uma das fases de teste perto do final da construção de um navio.
Havia cerca de 700 tripulantes no Titanic. Edward J. Smith, o homem de barba branca no meio da fila da frente, era o capitão do navio. Havia rumores de que a viagem inaugural do Titanic seria sua última viagem antes da aposentadoria. Os outros homens apresentados na foto são vários oficiais e engenheiros, incluindo o Engenheiro Chefe.
Edward John Smith era o comandante da companhia de transporte White Star Line e também o capitão do RMS Titanic. Existem vários relatos das últimas palavras e ações de Smith, bem como sua morte no desastre. Mas todos sugerem que suas ações finais foram verdadeiramente heróicas. Algumas pessoas culparam o Capitão Smith pelo incidente, sugerindo que ele erroneamente correu através do gelo a toda velocidade. No entanto, ele foi exonerado postumamente já que o que ele fez era uma prática comum na época.
Vários dos sobreviventes alegaram em suas cartas que o capitão Smith estava bebendo logo antes do incidente. A carta de um sobrevivente escrita a bordo do navio de resgate Carpathia foi vendida em um leilão em 2012.
O infame iceberg foi a causa do naufrágio do Titanic. Ele quebrou o lado do navio gigante e perfurou todos os cinco estanques da nave que deveriam mantê-lo à tona.
O convés de passeio estava localizado diretamente abaixo do convés superior. Este convés foi feito para uso geral, mas havia quatro cabines que contavam com seus próprios decks privados de 50 pés. Essas cabines eram chamadas de Suítes Parole e eram os quartos mais caros do navio. A mais cara delas custou mais de US $ 4.000 em 1912, o que equivale a cerca de US $ 100.000 hoje.
O RMS Titanic foi carregado com quase 6.000 toneladas de carvão para sua viagem inaugural. O navio queimou cerca de 690 toneladas por dia e pessoas tiveram que trabalhar dia e noite para cavar carvão em caldeiras, a fim de criar energia a vapor.
A sala de comunicações do navio era administrada pela Marconi Company. Os operadores a bordo do Titanic eram, na verdade, funcionários da empresa, e não os tripulantes do navio.
O Titanic tinha 20 botes salva-vidas no convés que poderiam transportar cerca de 1.200 pessoas na capacidade máxima. Embora a capacidade fosse maior do que a exigida na época, ainda era menos da metade da ocupação da embarcação, que era cerca de 2.500, incluindo os passageiros e a tripulação.
Mais de 700 sobreviventes foram resgatados por um transatlântico chamado Carpathia. Os sobreviventes estavam no meio do oceano, sofrendo de estresse e hipotermia. A tripulação do transatlântico imediatamente entregou aos sobreviventes algumas roupas quentes.
Foram tiradas fotos de botes salva-vidas cheios de passageiros fugindo do navio afundando. Mas há uma triste história por trás deles. Os tripulantes temiam que as cordas não suportassem o peso dos botes salva-vidas a plena capacidade. Assim, muitos dos botes salva-vidas foram lançados abaixo da capacidade. O primeiro bote salva-vidas que foi lançado estava com menos da metade de sua capacidade para 65 pessoas, e outro saiu com apenas 12 pessoas a bordo.
Passageiros a bordo do transatlântico Carpathia tiraram algumas fotos dos sobreviventes sendo resgatados dos botes salva-vidas. Carpathia foi o navio que respondeu a um sinal de emergência e veio para resgatar os sobreviventes. Apenas cerca de 700 pessoas foram realmente resgatados.
Os passageiros que fugiram em botes salva-vidas passaram pelo menos duas horas no frio antes de o Carpathia conseguir chegar. E, como já mencionado, muitos dos botes salva-vidas estavam pouco cheios e havia espaço para muito mais passageiros.
Depois que os passageiros foram trazidos de volta ao Pier 54 sãos e salvos em Nova York, todos os botes salva-vidas ficaram vazios. Este cais, na verdade, pertencia à White Star Lines.
O Titanic foi bem equipado com muitas comodidades de luxo, incluindo uma academia. Assim como o navio-irmão Olympic, o Titanic foi o primeiro transatlântico a incluir uma academia. Outras amenidades que chamavam atenção eram a piscina, uma quadra de squash e até mesmo uma banheira turca.
Uma das partes mais maravilhosas do Titanic foi sua grande escadaria, que também foi reproduzida no filme. Olímpico, navio irmão do Titanic, tinha praticamente o mesmo. As únicas imagens existentes das escadarias são as do Olympic. Não existem imagens conhecidas da escadaria do Titanic.
A primeira parte do Titanic que foi encontrada por Robert Ballard em sua expedição de 1985 foi uma grande caldeira. Ballard comparou a caldeira às imagens do navio de 1911. No dia seguinte, ele usou seu Argo novamente e descobriu uma grande parte do naufrágio.
A expedição de Ballard em 1985 também é responsável pela descoberta da popa do navio ou, pelo menos, pelo que restou dela. Até o naufrágio ser descoberto, muitos cientistas não acreditavam que o casco do navio tivesse partido pela metade antes de o navio afundar. No entanto, depois de descobrir a popa e a proa a um terço de uma milha de distância, foi confirmado que o navio se dividiu em duas partes.
O Titanic foi construído na gigante rampa de lançamento do “Grande Pórtico”. A localização da construção foi no Estaleiro Harland & Wolff, e mais de 11.000 trabalhadores foram necessários para concluir o projeto.
Quando os destroços foram descobertos, uma das três âncoras foi encontrada dentro de seu compartimento. O Titanic na verdade tinha três âncoras e cada uma pesava cerca de 10 toneladas.
Acredita-se que o personagem de Jack Dawson foi inspirado em Emilio Portaluppi. Ele embarcou no Titanic com um bilhete de segunda classe. Ele deveria estar em um navio diferente, mas, em vez disso, a rica família Astor o convidou a bordo do Titanic. Alguns dizem que ele tinha uma queda por Madeleine Astor.
É impossível mencionar o verdadeiro Jack sem dizer nada sobre a verdadeira Rose. Madeleine Talmage Astor era a esposa de John Jacob Astor IV, um magnata dos negócios. Acredita-se por alguns que ela tenha sido a inspiração para a Rose do filme Titanic. No entanto, nunca foi sugerido que ela realmente teve um caso com Emilio Portaluppi.
John Jacob Astor IV foi a pessoa mais rica a morrer no naufrágio. No início dos anos 1900, ele era uma das pessoas mais ricas do mundo. John Astor e sua esposa embarcaram no Titanic porque Madeleine estava grávida e insistiu que queria dar a luz a seu filho nos EUA.
Após o incidente, muitos jornais começaram a publicar histórias relacionadas ao Titanic. Alguns mencionaram as pessoas que desapareceram, como Astor. Na época da morte de John Astor IV, seu patrimônio líquido era de US $ 87 milhões, o que equivale a cerca de US $ 2,16 bilhões nos dias de hoje. Comparado com as pessoas mais ricas agora, isso não colocaria Astor nem entre os dez primeiros!
Uma foto do menu de 12 de abril de 1912 mostra as opções que estavam disponíveis para o almoço a bordo do Titanic. As refeições apresentam uma quantidade aparentemente infinita de carne, peixe, salgadinhos e itens especiais.
Uma incrível imagem de toda a proa do navio foi feita durante uma missão de retorno aos destroços do RMS Titanic, quase 20 anos depois de ter sido descoberto. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) lançou a missão para estudar a deterioração do navio.
O número de passageiros de primeira classe era restrito apenas a alguns dos membros mais altos da tripulação e a um pequeno número de famílias ricas. A maioria dos passageiros de elite eram membros da família Astor e Allison, que asseguraram que suas empregadas domésticas, enfermeiras e criados também estivessem na primeira classe.
Depois de ouvir sobre o naufrágio, um grande número de parentes e amigos foram para as docas de Southampton e esperaram os sobreviventes chegarem. Claro, muitas fotografias foram tiradas para gravar este evento. As pessoas que estavam sorrindo nas fotos eram provavelmente aquelas que sabiam que seus amigos ou familiares haviam sobrevivido ao desastre e estavam voltando em segurança.

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13.780 – Luzia: a vítima mais preciosa do incêndio no Museu Nacional


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Entre 11 mil e 8 mil anos atrás, as grutas de pedra calcária que se espalham pela região do atual município de Lagoa Santa, a cerca de 50 quilômetros de Belo Horizonte, eram frequentadas por uma gente muito especial. A mais famosa representante desse grupo é a mulher apelidada de Luzia, cujo crânio foi descoberto na década de 1970 e que é considerada o mais antigo habitante do continente americano. O fóssil foi consumido pelas chamas que tomaram o Museu Nacional na noite de ontem. “A gente não vai ter mais Luzia. Ela morreu no incêndio”, disse Kátia Bogéa, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, ao jornal O Estado de S. Paulo.
Trata-se de uma perda descomunal, pois, para os pesquisadores brasileiros que estudam Luzia e sua “família”, não restam dúvidas: eles eram representantes de um povo ancestral que chegou à América do Sul antes dos antepassados dos índios atuais.
As pistas sobre as características únicas desses “paleoíndios” de Lagoa Santa, como são conhecidos, estão em seus crânios, dezenas dos quais já foram encontrados no município mineiro. A análise detalhada do formato da cabeça de Luzia e companhia e sua comparação com os crânios de outros povos do mundo inteiro sugerem que eles são muito mais parecidos com os de aborígenes australianos, de habitantes da Melanésia e mesmo com os dos africanos modernos. Seriam negros, portanto. Por outro lado, os indígenas brasileiros de hoje são geneticamente bem mais próximos dos povos do nordeste da Ásia, como os grupos nativos da Sibéria.
Isso significa que os primeiros seres humanos a caminhar por aqui se aventuraram numa jornada épica pelo mar, atravessando o Atlântico (se vindos da África) ou o Pacífico (se saídos da Austrália)? Provavelmente não, afirmam os cientistas que defendem o caráter único do povo de Luzia. O mais provável, segundo essa corrente, é que os paleoíndios de Lagoa Santa sejam descendentes de populações que compartilhavam ancestrais comuns com os aborígenes da Austrália, mas que acabaram migrando rumo ao norte da Ásia e chegando ao continente americano pelo estreito de Bering. Só depois de se espalharem pelas Américas é que eles teriam chegado a Lagoa Santa.
A jornada
O coordenador do grupo que defende a origem peculiar para o povo de Luzia é o bioantropólogo Walter Alves Neves, que lidera o Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da USP. Ele conta que, no final dos anos 1980, decidiu fazer uma análise do formato de crânios de Lagoa Santa pertencentes ao acervo de um museu de Copenhague, na Dinamarca, em parceria com um colega argentino, Héctor Puciarelli.
A hipótese ganhou mais força em 1998, quando ficou provado que Luzia tinha as mesmas características dessa amostra de crânios e que, com 11.500 anos, ela realmente era o mais antigo ser humano das Américas. Neves e sua equipe conseguiram financiamento para um grande projeto de escavações em Lagoa Santa, descobrindo vários outros crânios com a mesma morfologia “australomelanésia” e com idades um pouco mais recentes – algo entre 9.500 e 8.500 anos. Fora daquela região, curiosamente, há pouquíssimos crânios americanos tão antigos, mas Neves e seus colegas afirmam que outros exemplares, achados em lugares distantes, como o México e a Colômbia, têm morfologia que parece coincidir com a de Luzia e companhia.
Como explicar, então, a diferença entre os paleoíndios e os índios encontrados por Cabral e Colombo? Os pesquisadores acreditam que houve duas grandes ondas migratórias para o nosso continente. A primeira teria cruzado o estreito de Bering por volta de 15 mil anos atrás e corresponderia aos paleoíndios. A ideia é que eles seriam parentes relativamente próximos dos nativos australianos e melanésios, com uma morfologia craniana considerada “generalizada” -ou seja, próxima do “modelo básico” dos crânios de seus ancestrais africanos (lembre-se de que o Homo sapiens moderno evoluiu na África e depois se espalhou pelos demais continentes). Ao se expandir pela costa da Ásia de forma relativamente rápida, eles teriam mantido esse padrão craniano ancestral.
Alguns milhares de anos depois, por volta de 10 mil a.C., teria chegado às Américas uma segunda onda de povoamento humano, dessa vez formada pelos ancestrais dos índios atuais. Esse povo teria passado mais tempo nas regiões frias do nordeste da Ásia e desenvolvido a morfologia craniana tipicamente oriental, com os olhos puxados.
O que teria acontecido, então, com os paleoíndios? Eles poderiam ter se miscigenado com os recém-chegados ou guerreado com eles e perdido. Mas existe a possibilidade de que alguns grupos deles tenham sobrevivido até bem perto do presente.
Análises cranianas sugerem que os principais candidatos são os botocudos, grupo de caçadores-coletores do interior de Minas Gerais e do Espírito Santo que foram exterminados no século 19. “Está cada dia mais claro que eles são descendentes dos paleoamericanos”, afirma Neves.
Uma pista intrigante a esse respeito veio da pesquisa genética: em 2013, cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) identificaram DNA típico de grupos da Polinésia em crânios de botocudos preservados no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Os polinésios seriam parte do grande grupo de humanos com crânio “modelo básico”. “Mas isso talvez indique, também, que ocorreu de fato uma migração marítima, ideia à qual eu sempre resisti”, diz o bioantropólogo.
O DNA polinésio de alguns botocudos, na verdade, é o único indício genético que, por enquanto, parece apoiar os pesquisadores da USP. O calcanhar de aquiles da teoria é mesmo o DNA, porque praticamente todas as tribos indígenas modernas carregam genes compartilhados com populações da Sibéria. Para os críticos de Walter Neves, seria muito difícil que os paleoíndios não deixassem nenhum rastro genético em pessoas vivas hoje.
Tigres e ursos
Seja como for, o certo é que os estudos levados a cabo na região de Lagoa Santa têm ajudado a traçar um retrato fascinante de como era a vida desses primeiros americanos. A começar por um paradoxo: está comprovado que Luzia e seu povo conviveram com os últimos exemplares das feras da Era do Gelo – animais como tigres-dente-de-sabre, grandes ursos e preguiças-gigantes. As datas da última aparição desses bichos no interior mineiro giram em torno de 9.500 anos – bem depois da própria Luzia, portanto. Mas não há sinais de que os paleoíndios brasileiros comessem essas feras.
Difícil saber se esse fato tinha a ver com algum tabu ou com a simples dificuldade de capturar os animais, mas o fato é que os restos de almoços pré-históricos achados nas cavernas mineiras são de uma dieta à base de plantas e de animais de pequeno e médio porte, como porcos-do-mato, veados, tatus e lagartos. Poucos artefatos de pedra feitos pelo povo de Luzia foram encontrados por enquanto, mas há muitas lascas de quartzo nos abrigos rochosos, provavelmente restos do trabalho de produção dessas ferramentas rudimentares.
Os paleoíndios faziam pinturas e gravuras rupestres (leia mais no quadro a seguir), mas sua principal forma de arte parece ter envolvido os mortos. As mais recentes escavações em Lagoa Santa revelaram sepultamentos nos quais o crânio de uma pessoa era pintado, queimado ou usado para abrigar uma coleção de ossos de outro indivíduo. Também foram identificados casos em que os dentes de um morto acabaram sendo arrancados de sua boca e encaixados na mandíbula de outro cadáver. Os motivos desse tipo de ritual bizarro dificilmente serão esclarecidos algum dia.

13.744 – Arqueologia – Obras de nova linha do metrô de Roma revelam tesouros arqueológicos


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A construção da linha C, nova rota do metrô de Roma, na Itália, revelou pêssegos petrificados, cerâmicas de ânfora e estruturas antigas. Entre as construções estão um prédio datado do século 3 que foi destruído pelo fogo, a casa de um comandante militar e barracões de 2 mil anos de idade, usados pelo exército do Imperador romano Adriano (não, não é o jogador de futebol).
A estação San Giovanni é a mais recente da linha. Inaugurada em 12 de maio, ela oferece aos passageiros uma viagem não só de transporte, mas também ao passado da região. Os frenquentadores podem obversar mais de 40 mil artefatos descobertos durante a construção do metrô. Os itens pertencem à época do Pleistoceno até a queda do Império Romano do Ocidente, no ano de 476 da era comum.
Durante o auge do Império Romano, a região de San Giovanni era uma rica zona agrícola que produzia frutas, legumes e flores. O museu subterrâneo exibe pedras de pessegueiro de 2 mil anos, além de uma cesta de tecido e um frasco de perfume de vidro turquesa.
A próxima estação programada para abrir é Amba Aradam, perto do Coliseu. Em 2016, pesquisadores que escavavam a área descobriram um complexo de 39 quartos. Segundo o jornal The Independent, o espaço servia como quartel militar para a Guarda Pretoriana do Imperador Adriano, e guardava ossos humanos, pisos de mosaico e moedas de bronze.
Simona Morretta, a arqueóloga que supervisiona as escavações em Amba Aradam, contou ao The New York Times que a casa tem 14 quartos, um pátio central e uma fonte.
Representantes de Roma se comprometeram a preservar o quartel, propondo a criação da primeira “estação arqueológica” da cidade, e alterando o projeto que queria integrar as ruínas na estação moderna. Amba Aradam deve ser inaugurada em 2021, mas, com as escavações ainda em andamento, há a possibilidade de atrasos.

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13.740 – Civilizações Antigas – Enigma do disco de Faísto


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Dentre os grandes mistérios que intrigam os arqueólogos – e não são poucos – encontra-se o disco de Faísto (ou disco de Festo, ou ainda disco de Phaisto). O disco é uma peça de cerâmica, feita de argila fina, encontrada no palácio de Faísto, na ilha de Creta, e produzida pela civilização creto-minoica, entre os anos 1900 a.C. e 1450 a.C. O que principalmente intriga os historiadores e arqueólogos são os signos impressos nos dois lados do disco e que significado teriam.
Em razão do próprio fato de possivelmente ter sido impresso com selos que reproduziam os símbolos, o disco poderia indicar o mais antigo objeto tipográfico que se tem conhecimento. Porém, não há nenhuma certeza sobre o significado de cada um dos símbolos. A escrita cretense perdeu-se após a invasão dos povos dórios à região, por volta do século XI a.C.
O disco foi encontrado por uma equipe de arqueólogos liderada por Luigi Pernier, em 1908, na região centro-sul da ilha de Creta. Os arqueólogos estavam escavando as ruínas do antigo palácio, possivelmente destruído por terremotos, quando encontraram o disco de 16 centímetros de diâmetro por 16 milímetros de espessura. Entre os signos presentes no disco há representações humanas, animais, plantas e objetos do cotidiano. Esses signos formam 31 grupos de sinais no lado A e 30 grupos no lado B, contendo 241 símbolos impressos.
O que os estudiosos procuram é buscar relacionar a origem do povo que habitou a ilha durante o período minoico e a partir daí relacionar com escritas de outros povos que possivelmente tiveram contato com os cretenses, como os semitas e os egípcios. Os ícones poderiam ser ideogramas, como os utilizados pelos egípcios, o que possibilitaria tentar uma correspondência na leitura do disco. Linhas verticais que separam e agrupam alguns dos ícones, ao longo da disposição espiral das imagens, sugerem que esses grupos seriam palavras ou frases com significados específicos.
Nesse sentido, diversas tentativas de decifrações foram realizadas. Alguns apontam o disco como um calendário antigo. Outros estudiosos dizem ser o disco um jogo rudimentar utilizado pelos cretenses para seu lazer.
Há ainda uma possibilidade de o disco ser um hino sagrado, composto em homenagem à deusa-mãe. Existem fortes indícios de que os cretenses eram organizados socialmente em matriarcados, o que garantia às mulheres uma posição não subjugada na sociedade, como ocorria nas sociedades patriarcais da época. Esse papel das mulheres é inclusive indicado como decorrente do fato de os cretenses dedicarem-se ao comércio e à navegação, cabendo às mulheres uma função de organizadoras sociais das cidades.
Por fim, cumpre indicar que há inclusive hipóteses que decifram o disco como a representação histórica de parte da civilização cretense, indicando tomada de locais geograficamente próximos e invasões estrangeiras.
Mas o mais importante é perceber o quanto ainda não conhecemos sobre o passado da humanidade. Resta aceitarmos nossa ignorância e continuarmos nossas pesquisas para tentar preencher as lacunas de nosso conhecimento histórico.

13.671 – Arqueologia – Gelo da Groenlândia preserva a história do Império Romano


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Por volta de dois mil anos atrás, a Casa do Moeda dos impérios grego e romano trabalhavam com uma fusão de prata e chumbo. Essa indústria primitiva, como as de hoje, resultava em poluição. O chumbo contamina o ar e viaja por quilômetros carregados pelo vento.
Essa nuvem de chumbo, quando chega nas regiões mais frias do planeta, se transforma em neve e retorna à superfície. É assim há milênios na Groenlândia, que, ao longo dos anos, foi acumulando camadas e camadas que se transformaram em grandes blocos maciços de gelo.
Embora o meio ambiente padeça, para historiadores e arqueólogos essa contaminação representa um registro histórico sem igual. Uma equipe internacional liderada por pesquisadores do Desert Research Institute (DRI), em Nevada, analisou amostras de gelo extraídas pelo NGRIP (North Greenland Ice Core Project) para recontar a história da ascensão e queda de gregos e romanos.
Analisando cada camada que se acumulou nas geleiras ao longo da história, pela concentração de chumbo encontrada, é possível medir a intensidade da produção de moedas e, assim, o nível de atividade econômica.
“Eu não diria que o gráfico de poluição de chumbo é um reflexo próximo do PIB, mas é provavelmente a melhor indicador para a saúde econômica que temos”, disse ao New York Times um dos integrantes da equipe, o arqueólogo Andrew Wilson, da Universidade de Oxford. Não é a primeira vez que algo do tipo é tentado.

Na década de 90, 18 pontos de coleta de gelo em diferentes profundidades foram analisados. A diferença para esse estudo, porém, é a quantidade. São 21 mil medições, que abrangem profundidades de 159 metros a 580 metros, que resultaram em um panorama com precisão menor que um ano, de um período que vai de 1100 a.C. e 800 d.C.
“Descobrimos que a poluição por chumbo na Groenlândia acompanhava pragas conhecidas, guerras, distúrbios sociais e expansões imperiais durante a antiguidade européia”, contou um dos pesquisadores, o hidrólogo Joe McConnell.

13.657 – Parque Nacional Serra da Capivara


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A pintura que representa uma capivara e seu filhote se transformou em símbolo do Parque Nacional Serra da Capivara, tal obra é um exemplo de pintura rupestre com motivo naturalista e estilo Várzea Grande. As pinturas rupestres assim classificadas rtetratam figuras de animais como onça, pássaros, peixes, insetos. Neste estilo predomina o uso da cor vermelha.
Pinturas rupestres são pinturas feitas em rochas por povos que viveram há milhares de anos e sítio arqueológico é um local do qual os homens deixam algum vestígio de suas atividades: uma ferramenta de pedra lascada, uma fogueira na qual assaram a comida, uma pintura, uma sepultura ou a simples marca de seus passos. Iphan: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Criado em 13 de janeiro de 1937 pela lei n 378, no governo Getúlio Vargas e está hoje vinculado ao Ministério da Cultura.
O parque foi criado através do decreto de nº 83.548, emitido pela Presidência da República em 5 de junho de 1979, com a finalidade de proteger um dos mais importantes exemplares do patrimônio pré-histórico do país. Originalmente com 100 000 hectares, a proteção do Parque foi ampliada pelo decreto de nº 99.143 de 12 de março de 1990 com a criação de Áreas de Preservação Permanentes de 35 000 hectares.[1] A administração da unidade está a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO).[5]
O Parque Nacional Serra da Capivara é uma unidade de conservação arqueológica com uma riqueza de vestígios que se conservaram durante milênios. O patrimônio cultural e os ecossistemas locais estão intimamente ligados, pois a conservação do primeiro depende do equilíbrio desses ecossistemas. O equilíbrio entre os recursos naturais é o condicionante na conservação dos recursos culturais e foi o que orientou o zoneamento, a gestão e o uso do Parque pelo poder público.
É um local com vários atrativos, monumental museu a céu aberto, entre belíssimas formações rochosas, onde encontram sítios arqueológicos e paleontológicos espetaculares, que testemunham a presença de humanos e animais pré-históricos. O parque nacional foi criado graças, em grande parte, ao trabalho da arqueóloga Niéde Guidon, que hoje dirige a Fundação Museu do Homem Americano, instituição responsável pelo manejo do parque.
Área de maior concentração de sítios pré-históricos do continente americano e Patrimônio Cultural da Humanidade – UNESCO. Contém a maior quantidade de pinturas rupestres do mundo. Estudos científicos confirmam que a Serra da Capivara foi densamente povoada em períodos pré–históricos. Os artefatos encontrados apresentam vestígios do homem há 50.000 anos, os mais antigos registros na América.
No abrigo rochoso da Toca da Tira Peia os resultados trazem novas evidências de uma presença humana no Nordeste do Brasil já em 20.000 a.C. As idades obtidas, pela técnica de luminescência estimulada opticamente, variam de 22.000 a 3.500 anos antes do presente.

13.537 – Tumba de esqueleto grego de 3.500 anos possui obra-prima detalhada gravada em uma minúscula pedra preciosa


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Uma impressionante obra de arte gravada em uma pedra preciosa com pouco mais de três centímetros foi descoberta por pesquisadores da Universidade de Cincinnati (EUA), depois que eles lavaram milhares de anos de calcário e sujeira do artefato.
A obra-prima foi encontrada há dois anos, mas, na época, foi difícil perceber sua importância.
A arte fazia parte de uma coleção de 1.400 artefatos desenterrados no túmulo de 3.500 anos de um guerreiro da Idade do Bronze, enterrado no sudoeste da Grécia.
A pedra, denominada “Pylos Combat Agate”, provavelmente era usada como uma pequena joia.
tendo em vista que abrigava o esqueleto bem conservado do chamado “Griffin Warrior”, sendo que “warrior” significa “guerreiro”, e “griffin” remete a uma criatura mitológica chamada “grifo”, um animal com cabeça, bico e asas de águia e corpo de leão. O guerreiro foi enterrado com uma placa descrevendo tal criatura.
Entre as riquezas encontradas com o esqueleto, havia uma coleção de anéis dourados e uma espada de bronze. A pedra preciosa também foi coletada, mas sua arte só foi revelada após uma limpeza rotineira dos artefatos.
Os pesquisadores levaram quase um ano para conseguir ver os intrincados detalhes esculpidos em sua superfície. Seus achados foram publicados na revista Hesperia.

Repensando toda a história da arte
A escultura só pode ser bem observada com uma lente fotomicroscópica. Alguns dos detalhes do desenho possuem apenas meio milímetro.
Uma lupa pode ter sido usada para criar essa obra, mas, de acordo com Shari Stocker, uma das principais escavadoras da tumba, nenhum tipo de ferramenta de ampliação desse período já foi encontrado.
Na verdade, obras de arte feitas com tanto detalhe só aparecem cerca de 1.000 anos mais tarde.

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Que lenda esta pedra conta?
O túmulo em que a pedra foi encontrada está localizado na península do Peloponeso, em Pylos, no local do palácio do rei Nestor, conforme escrito no poema épico de Homero, “Odisseia”.
A cena mostra um guerreiro vitorioso que, depois de vencer seu primeiro oponente, levanta sua espada para mergulhá-la no pescoço de outro inimigo. Até músculos individuais podem ser vistos nos corpos humanos esculpidos na pedra. A representação tem toda a grandiosidade de outros épicos gregos posteriores, como “A Ilíada” e “Odisseia”.
Exatamente qual história retrata, no entanto, é um mistério. Os pesquisadores não têm pistas suficientes para vincular a descrição pictórica às tradições orais que mais tarde inspirariam Homero, em 700 aC.
Stocker e seus colegas pesquisadores acreditam que a cena provavelmente descreve uma lenda que teria sido bem conhecida na época.

Quem foi este guerreiro?
Os historiadores precisam agora repensar o calibre da arte sendo feita durante esse período, uma vez que não foram encontradas outras esculturas comparativamente detalhadas da Idade do Bronze.
O “Griffin Warrior” foi enterrado por volta de 1450 aC, durante um momento politicamente tumultuado da Grécia antiga – os micênicos, moradores do continente grego, haviam conquistado os minoicos, nativos da ilha de Creta. A arte minoica influenciou grandemente o continente grego, e muitos dos artefatos minoicos encontrados durante este período podem ter sido importados ou roubados.
Quanta influência os minoicos exerceram sobre a Grécia continental tem sido objeto de debate, e a descoberta do túmulo do guerreiro foi importante, porque indicou um alto nível de intercâmbio cultural.
O número de artefatos minoicos em seu túmulo sugere que o indivíduo enterrado poderia ter sido um membro da elite minoica, ou um micênico cativado pela cultura minoica. [NatGeo]

13.522 – Pré História – Homens homenageiam seus mortos (c. 50.000 a.C. – Europa/Ásia)


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Elaborados ritos de sepultamento vêm sendo adotados por comunidades do homem de Neandertal na Europa e na Ásia, indicando crescente respeito pelos mortos e sugerindo que idéias e crenças sobre algum tipo de vida após a morte são agora geralmente aceitas.

Ritos Fúnebres
Na gruta de Shanidar, no Iraque, um homem é enterrado em meio a coroas de flores de cores vivas e doces aromas. Na França, um jovem desce à cova com ferramentas de pedra e ossos de animal espalhados em torno dele. Num abrigo rochoso em La Ferrassie, na França, um homem, uma mulher, duas crianças e um recém-nascido são enterrados em um pequeno cemitério. Na Ásia Central, uma criança é enterrada com um anel de chifres de cabra montado na terra em torno de sua cabeça. Não se sabe se esses enterros são de membros especialmente importantes das comunidades, mas um fato tem sido notado: os homens são geralmente sepultados com alimentos, ferramentas ou outros itens, enquanto as mulheres não parecem conseguir semelhante tratamento. Menos Respeito Nem todas as comunidades Neandertal mostram tanto respeito pelos mortos. Em Krapina, no norte da Iugoslávia, ossos humanos esmagados foram atirados à terra juntamente com ossos de animais, sem nenhuma tentativa de enterrá-los, e alguns mostram marcas de cortes. Suspeita-se de canibalismo, mas não há nenhuma certeza disso.