10.923 – Por que a abelha morre ao picar uma pessoa?


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A abelha operária, encarregada pela natureza de proteger a colméia até com a própria vida, possui um ferrão com pequenas farpas que impedem que ele seja retirado facilmente. Depois de aplicar uma ferroada, o inseto tenta escapar voando, mas acaba arrancando todo o posterior de seu abdômen (junto com nervos, parte do tubo digestivo e a bolsa de veneno), que fica preso ao ferrão. Ainda assim, a bolsa continua bombeando. Por isso, o mais importante, ao levar uma picada, é retirar o ferrão rapidamente, para evitar a entrada de mais veneno. “Quando uma abelha pica, ela solta um tipo de feromônio – odor que serve de comunicação e atração sexual entre os animais – e esse cheiro funciona como um aviso de perigo para as outras abelhas”, afirma a zoóloga Márcia Ribeiro, do Instituto de Biociências da USP. “Uma colméia possui cerca de 50 000 indivíduos, por isso não faz diferença para a colônia se algumas morrerem”, diz ela. Mas nem todas as abelhas picam.
Existem espécies sem ferrão, que usam uma resina para imobilizar outros insetos, e outras que chegam a se enroscar nos pêlos dos animais para tentar defender a colméia.
É um tiro pela culatra
A arma da abelha – o ferrão – acaba provocando sua própria destruição
O ferrão, fixo à bolsa de veneno, tem farpas que ficam presas no corpo da vítima. Por isso, quando a abelha sai voando, parte do abdômen é arrancada.

9824 – Biologia – Abelhas domesticadas podem exterminar as primas silvestres


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Abelhas domesticadas doentes podem estar infectando suas primas silvestres, segundo um estudo publicado na revista Nature. A constatação é preocupante, porque esses insetos polinizadores são vitais para a agricultura de todo o mundo.
A população de abelhas, tanto a de cativeiro quanto a selvagem, está em declínio na Europa, na América e na Ásia por razões que os cientistas ainda tentam entender. No novo estudo, pesquisadores encontraram evidências de que as abelhas silvestres Bombus terrestris estão sendo afetadas por vírus ou parasitas das primas produtoras de mel.
Em um experimento em laboratório, os cientistas expuseram abelhas silvestres a dois patógenos — o vírus de asa deformada e o parasita Nosema ceranae —, para constatar se elas podiam contrair doenças conhecidas por afetar as produtoras de mel. “Nós detectamos que esses patógenos realmente são contagiosos e reduzem a longevidade dos insetos significativamente”, disse o coautor da pesquisa Matthias Fuerst, da Universidade de Londres. A expectativa de vida das operárias silvestres, que é de 21 dias, se reduz em um terço ou um quarto, em caso de infecção.
Em uma segunda etapa, os cientistas capturaram Bombus terrestris, conhecidas como abelhões, e abelhas melíferas em 26 regiões da Grã-Bretanha, examinando-as para identificar alguma infecção. Constataram que, nos mesmos locais, ambas tinham níveis similares dos patógenos analisados, o que indicava uma conexão entre elas.

Por fim, a equipe verificou que as abelhas melíferas e silvestres coletadas em lugares iguais tinham mais cepas intimamente ligadas do mesmo vírus do que os insetos de outros locais, um claro indicador de transmissão da doença entre as espécies. Embora não tenham conseguido demonstrar definitivamente que os patógenos passaram das abelhas melíferas para os abelhões, e não o contrário, os cientistas afirmaram que essa seria a conclusão lógica. Mais abelhas melíferas do que abelhões se infectaram, e as melíferas infectadas tinham níveis virais mais elevados do que os abelhões.
Segundo os cientistas, o principal veículo da infecção foi a visita às flores, uma vez que os animais transportam patógenos em sua trajetória. Os insetos também podem espalhar doenças ao invadir as colmeias umas das outras em busca de mel ou néctar.
Apicultores conseguem tratar doenças nas colmeias, mas insetos silvestres não podem ser medicados. “Não podemos sair procurando colmeias para tratar as abelhas”, explicou Mark Brown, coautor do estudo. “Já é um desafio tratar populações selvagens de mamíferos onde há um pequeno número de indivíduos e os animais são grandes.”
A solução, segundo Brown, é evitar a disseminação a partir de colmeias de melíferas. “Precisamos que elas sejam tão limpas quanto possível, de forma que a contaminação do meio ambiente seja mitigada.” O declínio na população mundial de abelhas tem sido atribuído a causas diversas, tais como o uso de pesticidas agrícolas, práticas de monocultura que destroem as fontes de alimento dos insetos, vírus, fungos, ácaros, ou uma combinação desses fatores.
Um informe da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) diz que os insetos polinizadores contribuem com a produtividade de pelo menos 70% dos grandes cultivos humanos. O valor econômico dos serviços de polinização foi estimado em 153 bilhões de euros (500 bilhões de reais) em 2005. As abelhas, especialmente os abelhões, respondem por 80% da polinização feita por insetos.