13.273 – Astronomia – As Luas de Saturno


luas de saturno,
Saturno tem mais de 60 luas misteriosas. Elas têm oceanos subterrâneos, vulcões de gelo e seriam boas para esquiar. Veja a seguir uma lista com algumas descobertas curiosas sobre algumas luas desse complexo planeta.
A Nasa, agência espacial americana, divulgou a notícia de que Encélado, uma das 60 luas de Saturno, pode conter vida microscópica. Esse oceano fica no polo sul de Encélado e pode abranger boa parte da lua, que tem 500 quilômetros de diâmetro. O mar tem 10 quilômetros de profundidade sob uma grossa espessura de 30 a 40 quilômetros de gelo. No seu fundo estão rochas que podem favorecer o desenvolvimento de pequenas formas de vida.
O oceano subterrâneo não é a única característica impressionante de Encélado. O Observatório espacial Herschel já fotografou vapor de água deixar a lua e formar um grande anel em torno de Saturno. Os cerca de 250 kilos de vapor são expelidos em direção ao planeta a cada segundo por meio de jatos na região do seu polo sul. O anel de vapor possui um raio 10 vezes maior que o do planeta dos anéis mas, apesar de seu enorme tamanho, ele nunca havia sido detectado por ser transparente na luz visível. Com comprimentos infravermelhos do Herschel, no entanto, ele aparece.
Encélado também poderia ser o destino perfeito para turistas espaciais em buscas de esportes na neve. De acordo com dados obtidos pela sonda Cassini, a lua possui, em alguns pontos, uma grossa cobertura de neve. Mapas em alta resolução confirmaram a existência de cristais de gelo mais finos do que talco em pó e que seriam perfeitos para esquiadores. Ao analisar o gelo, os cientistas descobriram que a neve se precipita em um padrão previsível e muito lento: para formar os 100 metros de cristais acumulados, foram necessários cerca de 10 milhões de anos. As grandes ondulações, que escondem um terreno não tão uniforme, terminam em cânions de até 500 metros de profundidade e 1,5 quilômetro de comprimento.
A sonda espacial Cassini, da Nasa, já encontrou um ingrediente do plástico em Titã, maior lua de Saturno. Pequenas quantidades de propileno foram detectados nas camadas mais baixas da atmosfera do satélite. Na Terra, o propileno se junta em longas cadeias e forma o polipropileno, usado na fabricação de copos, brinquedos, material hospitalar, entre outros. Um instrumento da sonda mediu o calor vindo de Saturno e de suas luas, o que comprovou a existência do material. Segundo a Nasa, a detecção reforça a esperança dos cientistas de encontrar outros produtos químicos escondidos na atmosfera de Titã. Essa lua de Saturno tem uma crosta de gelo em sua superfície. A atmosfera é densa, rica em materiais orgânicos, e formada por hidrocarbonetos, compostos químicos constituídos de átomos de carbono e hidrogênio, que se ligam a oxigênio, nitrogênio e enxofre (componentes que estão na base do petróleo e dos combustíveis fósseis da Terra).
Um estudo da Nasa indicou uma possível existência de blocos de gelo na superfície de lagos e mares em Titã. As informações coletadas pela sonda Cassini indicam que Titã pode ter blocos de compostos de hidrogênio e carbono (hidrocarbonetos) congelados na superfície dos lagos e mares de hidrocarboneto líquido. Antes, os pesquisadores imaginavam que os lagos de Titã não tinham gelo flutuante porque o metano sólido é mais denso do que o metano líquido e afundaria. Agora, eles sabem que é possível obter metano e etano em blocos finos que congelam juntos. Etano e metano são moléculas orgânicas cruciais em uma química complexa que pode fazer surgir vida. Apesar da possibilidade de vida em Titã, a temperatura no local é muito baixa. O único líquido que existe em maior abundância na superfície é o metano. Embora tenha uma riqueza em elementos orgânicos, as temperaturas na superfície são muito baixas.
Cientistas da Nasa já descobriram que existe oxigênio em Dione, uma das luas de Saturno. Cassini detectou íons de oxigênio molecular perto da superfície gelada da lua, devido ao bombardeamento por partículas presas no campo magnético de Saturno. Dione é um mundo árido e gelado. Segundo os astrônomos, o astro possui alguns atributos que o tornam adequado para a vida como a conhecemos. Segundo os cientistas, a produção de oxigênio parece ser um processo universal em luas geladas, banhadas por uma forte radiação e presos em um ambiente de plasma.
A sonda Cassini, da Nasa, também já encontrou um rio Nilo em versão miniatura na superfície de Titã. Segundo a Nasa, o curso hídrico tem 400 quilômetros de extensão. Embora o rio tenha alguns meandros, ele é praticamente reto e apresenta um curso na forma líquida. A diferença entre o Nilo e o rio de Titã não está apenas em um deles estar na Terra e o outro em Saturno. O rio encontrado por Cassini não é composto por água, mas por hidrocarbonetos como o metano ou o etano. De acordo com a Nasa, a trajetória do rio de Titã é praticamente reta. Isso indica que o rio segue uma fratura presente na superfície da lua de Saturno. Essas fraturas não significam que exista uma placa tectônica em Saturno, como acontece na Terra. Mas elas podem levar à formação de bacias e de grandes mares.
Além de gelo flutuante, Cassini encontrou evidências que indicam a presença de um possível vulcão de gelo em Titã. A tese é a de que algum tipo de atividade geológica subterrânea possa aquecer o interior dos corpos gelados e, assim, derreter gelo e outros materiais que sairiam através de uma abertura na superfície. Tais vulcões funcionariam de forma similar aos que expelem lava na Terra e em Júpiter, por exemplo. Utilizando radares, a nave Cassini conseguiu juntar informações para acriação de um mapa 3D da região, que se revelou bastante parecida ao monte Etna, na Itália, e ao Laki, na Islândia.

encelado

13.272 – Astrobiologia – Cometa explorado pela sonda Rosetta contém ingredientes da vida


cometas vida
No dia 27 de maio de 2016 foi confirmado pelo espectômetro de massa da sonda Rosetta, a presença de substâncias relacionadas à origem da vida na cauda do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko: o aminoácido glicina, o elemento fósforo, além de metilamina, etilamina, sulfeto de hidrogênio e cianeto de hidrogênio.
Tratam-se de ingredientes considerados cruciais para a origem da vida na Terra que foram encontrados pela espaçonave da Agência Espacial Europeia que tem explorado o cometa por quase dois anos – entre 2014 e 2015, por meio de módulo Philae, dotado de instrumentos científicos.
Eles incluem o aminoácido glicina, que é comumente encontrado em proteínas, e fósforo, um componente-chave do DNA e membranas celulares.
Os cientistas há muito debatem a possibilidade de que a água e as moléculas orgânicas foram trazidas pelos asteróides e cometas quando a Terra era jovem e depois esfriou após sua formação, fornecendo alguns dos principais blocos de construção para o surgimento da vida.
Enquanto alguns cometas e asteroides já são conhecidos por ter água em sua composição, assim como os oceanos da Terra, a sonda Rosetta encontrou uma diferença significativa no seu cometa – alimentando o debate sobre seu papel na origem da água da Terra.
Contudo, os novos resultados revelam que os cometas têm o potencial de ingredientes importantes para o surgimento da vida como a conhecemos.

13.269 – Mega Byte – A Ciência da Computação


ciencia da computacao

“ Ciência da Computação tem tanto a ver com o computador como a astronomia com o telescópio, a biologia com o microscópio, ou a química com os tubos de ensaio. A ciência não estuda ferramentas, mas o que fazemos e o que descobrimos com elas. ”

É a ciência que estuda as técnicas, metodologias e instrumentos computacionais, que automatiza processos e desenvolve soluções baseadas no uso do processamento digital. Não se restringe apenas ao estudo dos algoritmos, suas aplicações e implementação na forma de software, extrapolando para todo e qualquer conhecimento pautado no computador, que envolve também a telecomunicação, o banco de dados e as aplicações tecnológicas que possibilitam atingir o tratamento de dados de entrada e saída, de forma que se transforme em informação. Assim, a Ciência da Computação também abrange as técnicas de modelagem de dados e os protocolos de comunicação, além de princípios que abrangem outras especializações da área.
Enquanto ciência, classifica-se como ciência exata, apesar de herdar elementos da lógica filosófica aristotélica, tendo por isto um papel importante na formalização matemática de algoritmos, como forma de representar problemas decidíveis, i.e., os que são susceptíveis de redução a operações elementares básicas, capazes de serem reproduzidas através de um qualquer dispositivo mecânico/eletrônico capaz de armazenar e manipular dados. Um destes dispositivos é o computador digital, de uso generalizado, nos dias de hoje. Também de fundamental importância para a área de Ciência da Computação são as metodologias e técnicas ligadas à implementação de software que abordam a especificação, modelagem, codificação, teste e avaliação de sistemas de software.
Os estudos oriundos da Ciência da Computação podem ser aplicados em qualquer área do conhecimento humano em que seja possível definir métodos de resolução de problemas baseados em repetições previamente observadas. Avanços recentes na Ciência da Computação tem impactado fortemente a sociedade contemporânea, em particular as aplicações relacionadas às áreas de redes de computadores, Internet, Web e computação móvel que têm sido utilizadas por bilhões de pessoas ao redor do globo.

abaco

Um pouco de História
A primeira ferramenta conhecida para a computação foi o ábaco, cuja invenção é atribuída a habitantes da Mesopotâmia, em torno de 2700–2300 a.C.. Seu uso original era desenhar linhas na areia com rochas. Versões mais modernas do ábaco ainda são usadas como instrumento de cálculo.
No século VII a.C., na antiga Índia, o gramático Pānini formulou a gramática de Sânscrito usando 3959 regras conhecidas como Ashtadhyāyi, de forma bastante sistemática e técnica. Pānini usou transformações e recursividade com tamanha sofisticação que sua gramática possuía o poder computacional teórico tal qual a Máquina de Turing.
Entre 200 a.C. e 400, os indianos também inventaram o logaritmo, e partir do século XIII tabelas logarítmicas eram produzidas por matemáticos islâmicos. Quando John Napier descobriu os logaritmos para uso computacional no século XVI, seguiu-se um período de considerável progresso na construção de ferramentas de cálculo.
No século VII, o matemático indiano Brahmagupta explicou pela primeira vez o sistema de numeração hindu-arábico e o uso do 0. Aproximadamente em 825, o matemático persa al-Khwarizmi escreveu o livro Calculando com numerais hindus, responsável pela difusão do sistema de numeração hindu-arábico no Oriente Médio, e posteriormente na Europa. Por volta do século XII houve uma tradução do mesmo livro para o latim: Algoritmi de numero Indorum. Tais livros apresentaram novos conceitos para definir sequências de passos para completar tarefas, como aplicações de aritmética e álgebra. Por derivação do nome do matemático,actualmente usa-se o termo algoritmo.

Lógica binária
Por volta do século III a.C., o matemático indiano Pingala inventou o sistema de numeração binário. Ainda usado atualmente no processamento de todos computadores modernos, o sistema estabelece que sequências específicas de uns e zeros podem representar qualquer informação.
Em 1703 Gottfried Leibniz desenvolveu a lógica em um sentido formal e matemático, utilizando o sistema binário. Em seu sistema, uns e zeros também representam conceitos como verdadeiro e falso, ligado e desligado, válido e inválido. Mais de um século depois, George Boole publicou a álgebra booleana (em 1854), com um sistema completo que permitia a construção de modelos matemáticos para o processamento computacional. Em 1801, apareceu o tear controlado por cartão perfurado, invenção de Joseph Marie Jacquard, no qual buracos indicavam os uns e, áreas não furadas, indicavam os zeros. O sistema está longe de ser um computador, mas ilustrou que as máquinas poderiam ser controladas pelo sistema binário.

Foi com Charles Babbage que o computador moderno começou a ganhar forma, através de seu trabalho no engenho analítico. O equipamento descrito originalmente em 1837, mais de um século antes de seu sucessor, nunca foi construído com sucesso, mas possuía todas as funções de um computador moderno. O dispositivo de Babbage se diferenciava por ser programável, algo imprescindível para qualquer computador moderno.
Durante sua colaboração, a matemática Ada Lovelace publicou os primeiros programas de computador em uma série de notas para o engenho analítico. Por isso, Lovelace é popularmente considerada como a primeira programadora.

Nascimento da Ciência da Computação
Antes da década de 1920, computador era um termo associado a pessoas que realizavam cálculos, geralmente liderados por físicos. Milhares de computadores eram empregados em projetos no comércio, governo e sítios de pesquisa. Após a década de 1920, a expressão máquina computacional começou a ser usada para referir-se a qualquer máquina que realize o trabalho de um profissional, especialmente aquelas de acordo com os métodos da Tese de Church-Turing.
O termo máquina computacional acabou perdendo espaço para o termo reduzido computador no final da década de 1940, com as máquinas digitais cada vez mais difundidas. Alan Turing, conhecido como pai da Ciência da Computação, inventou a Máquina de Turing, que posteriormente evoluiu para o computador moderno.
Os fundamentos matemáticos da Ciência da Computação moderna começaram a ser definidos por Kurt Gödel com seu teorema da incompletude (1931). Essa teoria mostra que existem limites no que pode ser provado ou desaprovado em um sistema formal; isso levou a trabalhos posteriores por Gödel e outros teóricos para definir e descrever tais sistemas formais, incluindo conceitos como recursividade e cálculo lambda.
Em 1936 Alan Turing e Alonzo Church independentemente, e também juntos, introduziram a formalização de um algoritmo, definindo os limites do que pode ser computador e um modelo puramente mecânico para a computação. Tais tópicos são abordados no que atualmente chama-se Tese de Church-Turing, uma hipótese sobre a natureza de dispositivos mecânicos de cálculo. Essa tese define que qualquer cálculo possível pode ser realizado por um algoritmo sendo executado em um computador, desde que haja tempo e armazenamento suficiente para tal.
Turing também incluiu na tese uma descrição da Máquina de Turing, que possui uma fita de tamanho infinito e um cabeçote para leitura e escrita que move-se pela fita. Devido ao seu caráter infinito, tal máquina não pode ser construída, mas tal modelo pode simular a computação de qualquer algoritmo executado em um computador moderno. Turing é bastante importante para a Ciência da Computação, tanto que seu nome é usado para o Prêmio Turing e o teste de Turing. Ele contribuiu para a quebra do código da Alemanha pela Grã-Bretanha[3] na Segunda Guerra Mundial, e continuou a projetar computadores e programas de computador pela década de 1940; cometeu suicídio em 1954.
Até a década de 1930, engenheiros eletricistas podiam construir circuitos eletrônicos para resolver problemas lógicos e matemáticos, mas a maioria o fazia sem qualquer processo, de forma particular, sem rigor teórico para tal. Isso mudou com a tese de mestrado de Claude Shannon de 1937, A Symbolic Analysis of Relay and Switching Circuits. Enquanto tomava aulas de Filosofia, Shannon foi exposto ao trabalho de George Boole, e percebeu que poderia aplicar esse aprendizado em conjuntos eletro-mecânicos para resolver problemas. Shannon desenvolveu a teoria da informação no artigo de 1948: A Mathematical Theory of Communication , cujo conteúdo serve como fundamento para áreas como compressão de dados e criptografia.
Apesar de sua pequena história enquanto uma disciplina acadêmica, a Ciência da Computação deu origem a diversas contribuições fundamentais para a ciência e para a sociedade. Esta ciência foi responsável pela definição formal de computação e computabilidade, e pela prova da existência de problemas insolúveis ou intratáveis computacionalmente.
Também foi possível a construção e formalização do conceito de linguagem de computador, sobretudo linguagem de programação, uma ferramenta para a expressão precisa de informação metodológica flexível o suficiente para ser representada em diversos níveis de abstração.
Para outros campos científicos e para a sociedade de forma geral, a Ciência da Computação forneceu suporte para a Revolução Digital, dando origem a Era da Informação.
A computação científica é uma área da computação que permite o avanço de estudos como o mapeamento do genoma humano (ver Projeto Genoma Humano).

Blaise Pascal, desenvolveu a calculadora mecânica e tem seu nome em uma linguagem de programação;
Charles Babbage, projetou um computador mecânico, a máquina analítica;
Ada Lovelace, considerada a primeira pessoa programadora, deu nome à uma linguagem de programação;
Alan Turing, participou do projeto Colossus e foi um dos cérebros que decifra a Enigma. Também inventou um tipo teórico de máquina super-simples capaz de realizar qualquer cálculo de um computador digital, a Máquina de Turing
John von Neumann, descreveu o computador que utiliza um programa armazenado em memória, a Arquitetura de von Neumann, que é a base da arquitetura dos computadores atuais
John Backus, líder da equipe que criou o Fortran e criou a notação BNF
Maurice Vicent. Wilkes, inventor do somador binário
Howard Aiken, inventor do Mark I
Walter H. Brattain, inventor do transístor
William Shockley, inventor do transístor
John Bardeen, inventor do transístor
Fred Williams, inventor da memória RAM
Tom Kilburn, inventor da memória RAM
Konrad Zuse, inventor independente do computador digital e de linguagens de programação na Alemanha nazista
John Atanasoff, inventor do primeiro computador digital, o Atanasoff–Berry Computer, ABC
Clifford Berry, assistente de Atanasoff
Almirante Grace Hopper, programadora do Mark I, desenvolveu o primeiro compilador; primeira mulher a receber um Ph.D. em matemática
Edsger Dijkstra, líder do ALGOL 60, publicou o artigo original sobre programação estruturada
J. Presper Eckert, criador do ENIAC
John William Mauchly, criador do ENIAC

Abrange
Arquitetura de computadores — o desenvolvimento, a organização, a otimização e a verificação de sistemas computacionais
Computação distribuída — computação sendo executada em diversos dispositivos interligados por uma rede, todos com o mesmo objetivo comum
Computação paralela — computação sendo executada em diferentes tarefas; geralmente concorrentes entre si na utilização de recursos
Computação quântica — representação e manipulação de dados usando as propriedades quânticas das partículas e a mecânica quântica
Sistemas operacionais — sistemas para o gerenciamento de programas de computador e para a abstração da máquina, fornecendo base para um sistema utilizável
Por ser uma disciplina recente, existem várias definições alternativas para a Ciência da Computação. Ela pode ser vista como uma forma de ciência, uma forma de matemática ou uma nova disciplina que não pode ser categorizada seguindo os modelos atuais. Várias pessoas que estudam a Ciência da Computação o fazem para tornarem-se programadores, levando alguns a acreditarem que seu estudo é sobre o software e a programação. Apesar disso, a maioria dos cientistas da computaçao são interessados na inovação ou em aspectos teóricos que vão muito além de somente a programação, mais relacionados com a computabilidade.
Apesar do nome, muito da Ciência da Computação não envolve o estudo dos computadores por si próprios. De fato, o conhecido cientista da computação Edsger Dijkstra é considerado autor da frase “Ciência da Computação tem tanto a ver com o computador como a astronomia com o telescópio […]”. O projeto e desenvolvimento de computadores e sistemas computacionais são geralmente considerados disciplinas fora do contexto da Ciência da Computação. Por exemplo, o estudo do hardware é geralmente considerado parte da engenharia da computação, enquanto o estudo de sistemas computacionais comerciais são geralmente parte da tecnologia da informação ou sistemas de informação.
Por vezes a Ciência da Computação também é criticada por não ser suficientemente científica, como exposto na frase “Ciência é para a Ciência da Computação assim como a hidrodinâmica é para a construção de encanamentos”, credita a Stan Kelly-Bootle.
Apesar disso, seu estudo frequentemente cruza outros campos de pesquisa, tais como a inteligência artifical, física e linguística.
Ela é considerada por alguns por ter um grande relacionamento com a matemática, maior que em outras disciplinas. Isso é evidenciado pelo fato que os primeiros trabalhos na área eram fortemente influenciados por matemáticos como Kurt Gödel e Alan Turing; o campo continua sendo útil para o intercâmbio de informação com áreas como lógica matemática, teoria das categorias e álgebra. Apesar disso, diferente da matemática, a Ciência da Computação é considerada uma disciplina mais experimental que teórica.

Várias alternativas para o nome da disciplina já foram cogitadas. Em francês ela é chamada informatique, em alemão Informatik, em espanhol informática, em holandês, italiano e romeno informatica, em polonês informatyka, em russo информатика e em grego Πληροφορική. Apesar disso, tanto em inglês quanto em português informática não é diretamente um sinônimo para a Ciência da Computação; o termo é usado para definir o estudo de sistemas artificiais e naturais que armazenam processos e comunicam informação, e refere-se a um conjunto de ciências da informação que engloba a Ciência da Computação. Em Portugal, no entanto, apesar de a palavra estar dicionarizada com esse sentido amplo, o termo é usado como sinónimo de Ciência da Computação.
De forma geral, cientistas da computação estudam os fundamentos teóricos da computação, de onde outros campos derivam, como as áreas de pesquisa supracitadas. Como o nome implica, a Ciência da Computação é uma ciência pura, não aplicada. Entretanto, o profissional dessa área pode seguir aplicações mais práticas de seu conhecimento, atuando em áreas como desenvolvimento de software, telecomunicação, consultoria, análise de sistemas, segurança em TI, governança em TI, análise de negócios e tecnologia da informação. O profissional de computação precisa ter muita determinação na apreensão tecnológica, uma vez que esta área sofre contínuas transformações, modificando rapidamente paradigmas.

13.266 – Bioquímica – Como os primeiros compostos orgânicos teriam se formado na terra primitiva?


terra primitiva
há cerca de 3 biliões de anos atrás, quando a Vida começou na Terra… A jovem Terra, com 1,5 biliões de anos, tinha todas as condições para a vida como a conhecemos: uma temperatura estável, nem muito quente nem muito fria, energia abundante proveniente do Sol, massa suficiente para manter uma atmosfera e alguns ingredientes de que os organismos vivos são formados – carbono, oxigénio, hidrogênio e azoto, elementos estes que formam 98% dos organismos vivos. E como é que tudo começou? Como é que as moléculas complexas que foram os seres vivos se formaram a partir destes átomos e moléculas simples que existiam no nosso planeta?
Em 1923 A. I. Oparin, um químico russo, apresentou uma teoria sobre a forma como teria aparecido o primeiro composto orgânico, o precursor da Vida. Segundo ele na atmosfera da Terra havia pouco ou nenhum oxigénio livre, mas havia um conjunto de gases contendo vapor de água (H2O), assim como dióxido de carbono (CO2), azoto (N2), amoníaco (NH3) e metano (CH4). O Sol diminuiu de intensidade, formaram-se nuvens, relâmpagos, e a chuva caiu. As substâncias radioativas no interior da Terra decaíram libertando energia. A conjunção de todos estes factores permitiu que as primeiras moléculas orgânicas se formassem e evoluíssem permitindo a Vida. Ou seja, gases simples desintegraram-se e os seus componentes juntaram-se de forma mais complexa.

Um pouco mais:
Estima-se que o planeta Terra surgiu há aproximadamente 4,6 bilhões de anos e que, durante muito tempo, permaneceu como um ambiente inóspito, constituído por aproximadamente 80% de gás carbônico, 10% de metano, 5% de monóxido de carbono, e 5% de gás nitrogênio. O gás oxigênio era ausente ou bastante escasso, já que sua presença causaria a oxidação e destruição dos primeiros compostos orgânicos – o que não ocorreu, propiciando mais tarde o surgimento da vida.
Nosso planeta foi, durante muito tempo, extremamente quente em razão das atividades vulcânicas, jorrando gases e lava; ausência da camada de ozônio; raios ultravioletas, descargas elétricas e bombardeamento de corpos oriundos do espaço. Sobre isso, inclusive, sabe-se que a maioria do carbono e de moléculas de água existentes hoje foi parte constituinte de asteroides que chegaram até aqui.
Foi esta água que permitiu, ao longo de muito tempo, o resfriamento da superfície terrestre, em processos cíclicos e sucessivos de evaporação, condensação e precipitação. Após seu esfriamento, estas moléculas se acumularam nas depressões mais profundas do planeta, formando oceanos primitivos.
Agregadas a outras substâncias disponíveis no ambiente, arrastadas pelas chuvas até lá; propiciaram mais tarde o surgimento de primitivas formas de vida. Muitas destas substâncias teriam vindo do espaço, enquanto outras foram formadas aqui, graças à energia fornecida pelas descargas elétricas e radiações.
Um cientista que muito contribuiu para a compreensão de alguns destes aspectos foi Stanley Lloyd Myller, que, em 1953, criou um dispositivo que simulava as possíveis condições da Terra primitiva; tendo como resultado final a formação de moléculas orgânicas a partir de elementos químicos simples.

13.264 – Astronomia – Estrela da ‘megaestrutura alienígena’ volta a piscar


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Astrônomos de todo o planeta se mobilizaram neste fim de semana, após detectarem que a estrela KIC 8462852, responsável pela emissão de uma luz misteriosa, voltou a piscar. Os cientistas apontaram seus telescópios para o corpo celeste, localizado a cerca de 1.500 anos-luz de distância (cada ano-luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros) da Terra, entre as constelações de Cisne e Lira, na esperança de, pela primeira vez, acompanhar a atividade da estrela em tempo real. Com isso, pretendem obter novas evidências que ajudem a decifrar os padrões incomuns de seu brilho.
A KIC 8462852, descoberta em 2011, exibe uma luz tão bizarra que, em 2015, os cientistas chegaram à conclusão de que a explicação científica mais plausível para seu comportamento seria uma incrível megaestrutura construída por alienígenas. A hipótese – levada a sério pelos astrônomos – foi levantada por pesquisadores liderados por Tabetha Boyajian, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e pelo astrônomo Jason Wright, da Universidade Penn State. Por Tabetha estar à frente dos estudos, a estrela também recebe o nome de “Tabby’s Star”, ou Estrela de Tabby, na tradução em português.
Meses depois, cientistas da Nasa, afirmaram que um ‘enxame’ de cometas poderia estar por trás dos padrões incomuns do brilho da estrela: uma família deles estaria viajando em órbitas longas e bastante excêntricas a seu redor, causando estranha luminosidade. A ideia da estrutura construída por extraterrestres, no entanto, não foi descartada.
O maior enigma da Estrela de Tabby, segundo os astrônomos, é a grande diminuição de seu brilho, entre 15% e 25% – o mais comum é que esse número esteja entre 1% e 2%.
Em setembro de 2015, um artigo no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society descreveu a KIC 8462852, estrela observada pelo telescópio Kepler, o mais competente caçador de planetas fora do Sistema Solar, lançado em 2009. As lentes do poderoso instrumento captam o brilho das estrelas – quando há uma diminuição padronizada da luz emitida por elas, isso significa que algo está passando entre a estrela e o telescópio. Na maior parte das vezes, é um planeta (que costuma ter tamanho intermediário entre a Terra e Netuno). No entanto, a KIC 8462852 emitia um padrão luminoso inédito. Normalmente, quando um planeta passa por uma estrela, seu brilho diminui entre 1% e 2%. Mas, durante os quatro anos de observações do Kepler, a luz de KIC 8462852 diminuiu entre 15% e 25%, e em intervalos aleatórios. Ela tem 1,5 vezes o tamanho do Sol e, para escurecê-la dessa forma, seria necessário um objeto muito grande – bem maior que um planeta.
Após descartarem várias explicações, os cientistas passaram a considerar a hipótese de que o comportamento bizarro da estrela poderia ser consequência de uma incrível estrutura construída por alienígenas para captar a energia da estrela, chamada Esfera de Dyson (por ter sido proposta em 1960 pelo físico britânico Freeman Dyson). Ela seria composta por gigantescos painéis solares que, aos poucos, bloqueariam o brilho do corpo celeste. Em novembro do mesmo ano, o astrônomo Massimo Marengo, da Universidade do Estado de Iowa, nos Estados Unidos, afirmou que o padrão incomum poderia ser causado por cometas gelados que estariam rodeando a estrela e causando a sombra misteriosa – mas a nova explicação não foi suficiente para invalidar a hipótese da megaestrutura.
No fim da última sexta-feira, o Instituto de Astrofísica das Canárias, deu o alerta da atividade da estrela – ela estaria novamente se apagando e teria reduzido seu brilho em 2%. Com as novas observações, os cientistas pretendem recolher mais dados sobre a luz de KIC 8462852, que dariam suporte ou descartariam as hipóteses sobre as explicações de seu brilho.

13.261 – Física – O campo magnético da Terra


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É como o campo magnético de um gigantesco ímã em forma de barra, que atravessa desde o Pólo Sul até o Pólo Norte do planeta. Mas é importante lembrar que os Pólos Magnéticos da Terra tem uma inclinação de 11,5° em relação aos Pólos Geográficos. Lembremos também que o Pólo Norte Geográfico também é inclinado em relação à linha perpendicular ao plano da órbita da Terra.

“… Note que o pólo norte magnético é, na realidade, um pólo sul do dipolo que representa o campo da Terra. O eixo magnético está aproximadamente na metade entre o eixo de rotação de rotação e a normal ao plano da órbita da Terra…” HALLIDAY (2004) pg.268.
É interessante salientar que os Pólos Norte e Sul determinados geograficamente são na verdade os pontos onde emergem as extremidades do eixo em torno do qual a Terra gira. O Pólo Norte Magnético considerado é o ponto de onde emergem as linhas de campo magnético mostradas na figura. E o Pólo Sul Magnético é na verdade o ponto para onde convergem as linhas de campo magnético que emergem do Pólo Sul Geográfico. No caso de um ímã, o norte é atraído pelo sul. Ou seja, o norte do ímã apontará para o pólo sul do campo magnético do interior da Terra.
Esse campo magnético do planeta é percebido e utilizado por diversas espécies de animais, como aves migratórias.

13.252 – Farmacologia – Brasileiros criam nanoantibióticos contra infecções resistentes


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Da Folha para o ☻Mega

Pesquisadores brasileiros criaram um método que combina minúsculas partículas de prata com um antibiótico para tentar vencer a crescente resistência das bactérias aos medicamentos convencionais.
Em testes preliminares de laboratório, a abordagem mostrou bom potencial para enfrentar formas resistentes do micróbio Escherichia coli, que às vezes causa sérios problemas no sistema digestivo humano.
“Alguns sistemas podem até funcionar melhor no que diz respeito à capacidade de matar as células bacterianas, mas o ponto-chave é que as nossas partículas combinam um efeito grande contra as bactérias com o fato de que elas são inofensivas para células de mamíferos como nós”, explica um dos responsáveis pelo desenvolvimento da estratégia, Mateus Borba Cardoso, do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas (SP).
Cardoso e seus colegas assinam estudo recente na revista especializada “Scientific Reports”, no qual descrevem o processo de produção da arma antibacteriana e seu efeito sobre os micróbios.
Esse mesmo grupo já utilizou nanopartículas para inativar o HIV e atacar somente as células tumorais, em caso de câncer de próstata, poupando as células saudáveis.
O aumento da resistência das bactérias causadoras de doenças aos antibióticos tradicionais é um caso clássico de seleção natural em ação que tem preocupado os médicos do mundo todo.
Em síntese, o que ocorre é que é quase impossível eliminar todos os micróbios durante o tratamento. Uma ou outra bactéria sempre escapa, e seus descendentes paulatinamente vão dominando a população da espécie e espalhando a resistência, já que os micro-organismos suscetíveis morreram sem deixar herdeiros.
Para piorar ainda mais o cenário, tais criaturas costumam trocar material genético entre si com grande promiscuidade, numa forma primitiva de “sexo”. Assim, os genes ligados à resistência diante dos remédios se disseminam ainda mais.
Já se sabe, porém, que as nanopartículas de prata (ou seja, partículas feitas a partir desse metal com dimensão de bilionésimos de metro) têm bom potencial para vencer as barreiras bacterianas e, de quebra, parecem induzir muito pouco o surgimento de variedades resistentes.
Por outro lado, essas nanopartículas, sozinhas, podem ter efeitos indesejáveis no organismo.
A solução bolada pelos cientistas brasileiros envolveu “vestir” as partículas de prata com diferentes camadas à base de sílica, o mesmo composto que está presente em grandes quantidades no quartzo ou na areia.
Testes feitos pela equipe mostraram que o conjunto afeta de forma específica as células da bactéria E. coli, tanto as de uma cepa de ação mais amena quanto a de uma variedade resistente a antibióticos, sem ter o mesmo efeito sobre células humanas –provavelmente porque a ampicilina se conecta apenas à parede celular das bactérias.
É claro que ainda é preciso muito trabalho antes que a abordagem dê origem a medicamentos comerciais.
Segundo Cardoso, o primeiro passo seria o uso de sistemas semelhantes em casos muitos graves, nos quais pacientes com infecções hospitalares já não respondem a nenhum antibiótico.
Para um emprego mais generalizado, provavelmente será necessário substituir o “recheio” de nanopartículas de prata por outras moléculas, mais compatíveis com o organismo.
O trabalho teve financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

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13.250 – Biologia – A Tartaruga-das-galápagos


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O nome científico é Chelonoidis nigra (Quoy & Gaimard, 1824), é uma espécie de tartaruga da família Testudinidae, endêmica do arquipélago de Galápagos, no Equador.
É a maior espécie de tartaruga terrestre existente e o 10º réptil mais pesado do mundo, podendo chegar a 400 kg, com um comprimento de mais de 1,8 m. É também um dos vertebrados de vida mais longa. Um exemplar mantido em um zoológico australiano, chamado Harriet, atingiu a idade de 170 anos. São conhecidas várias subespécies, embora sua classificação seja polêmica. São herbívoras e se alimentam de, frutas, líquens, folhas e cactos.
Desde o descobrimento do arquipélago no século XVI elas foram caçadas intensamente para alimentação, especialmente de marinheiros, e seu número original, que se calcula em torno de 250 mil indivíduos, decaiu para pouco mais de 3 mil na década de 1970. Outros fatores também contribuíram para o declínio acentuado, como a introdução de novos predadores pelo homem e a destruição de seu habitat. Em breve começaram a ser realizados projetos de recuperação das populações, e hoje o total de indivíduos chega a quase 20 mil. Mesmo assim ainda é considerada uma espécie vulnerável pela IUCN. Pelo menos duas subespécies já foram extintas – C. n. abingdoni e C. n. nigra – e somente dez das cerca de quinze originais ainda existem em liberdade.
As características morfológicas da carapaça óssea das tartarugas-das-galápagos variam de acordo com o ambiente de cada ilha. Esta variabilidade permite subdividir a espécie em vários subtipos, cada um característico de uma ilha, ou de uma parte dela. Esta diversidade morfológica foi reconhecida por Charles Darwin, durante a sua visita ao arquipélago em 1835, e foi um dos argumentos para a sua teoria da evolução das espécies.
As Ilhas Galápagos foram descobertas em 1535, mas só foram incluídas nos mapas em torno de 1570.
A primeira pesquisa sistemática sobre esses animais foi realizada em 1875 por Albert Günther, associado ao Museu Britânico. Ele identificou pelo menos cinco populações diferentes nas ilhas Galápagos, e três nas ilhas do oceano Índico. Em 1877 a sua lista foi expandida para cinco populações nas Galápagos, quatro nas ilhas Seychelles e quatro nas ilhas Mascarenhas. Günther imaginava que todas derivavam de uma única população ancestral que havia se dispersado através de pontes de terra mais tarde submersas.
Sua teoria foi refutada quando se compreendeu que as Galápagos, bem como as Seychelles e as Mascarenhas, eram ilhas de formação vulcânica recente, e jamais haviam sido interligadas por pontes de terra. Hoje se acredita que as tartarugas-das-galápagos provêm de um ancestral sulamericano. No fim do século XIX Georg Baur e Walter Rothschild reconheceram a existência de mais cinco populações.
Em 1906 a Academia de Ciências da Califórnia coletou espécimens os confiou a John Van Denburgh para que os estudasse, resultando identificadas quatro populações adicionais e postulando a existência de quinze espécies diferentes.
Hoje sobrevivem na natureza apenas cerca de dez subespécies – o número exato também é polêmico. Charles Darwin visitou as ilhas em 1835, a tempo de ver cascos dos últimos representantes da subespécie Chelonoidis nigra nigra, supostamente extinta na década de 1850. Em 24 de junho de 2012 a subespécie Chelonoidis nigra abingdoni foi extinta com a morte do último exemplar, conhecido como “Jorge Solitário”.

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Último exemplar da espécie extinta

13.238 – História da Aviação – Impulsionada pela Guerra


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Pode não ser ou parecer bonito, mas o melhor incentivo para o desenvolvimento de inovação em tecnologia é o conflito armado. A guerra incentiva os militares a buscar equipamentos melhores que os do inimigo. E eles têm a verba para isso. Nesse sentido, a aviação militar foi a grande parteira da aviação civil.
Quando você entra hoje em um avião de passageiros produzido pela maior empresa da área, a americana Boeing, fundada em 1916 no meio da guerra, mas antes de os americanos entrarem nela, você está literalmente seguindo nos passos de uma velha tradição de aviões de guerra produzidos pela companhia americana baseada em Seattle.
O bombardeiro Boeing B-17 “Flying Fortress” (Fortaleza Voadora) transformou a Alemanha em ruínas; o Boeing B-29 “Superfortress” (Super Fortaleza) incendiou o Japão e lançou sobre o país asiático duas bombas atômicas; o Boeing B-52 “Stratofortress” (Fortaleza Estratosférica) foi projetado para levar a União Soviética de volta à Idade da Pedra com armas nucleares, mas, como não houve a 3a Guerra Mundial, passou boa parte do tempo lançando bombas em lugares como o Vietnã, o Iraque e o Afeganistão.
Isso tudo ajudou a produzir, por exemplo, o bimotor Boeing 737, o avião a jato mais vendido na história da aviação comercial, e um clássico da ponte aérea Rio-São Paulo.

História Antiga
A ficha de que a aviação tinha vocação militar caiu em 1909, quando Louis Blériot fez a travessia do Canal da Mancha e chegou à Grã-Bretanha. O feito horrorizou os militares britânicos: eles possuíam a maior marinha de guerra do mundo e de repente poderiam ser vulneráveis a um ataque pelo ar.
Também em 1909 os franceses criaram o Service Aéronautique, a primeira força aérea do planeta. Em 1910 os alemães criam a sua. Mas o primeiro uso em combate da nova arma foi obra dos italianos. Em 1911 eles fizeram os primeiros voos de reconhecimento e de bombardeio na guerra com o Império Otomano travada na Líbia.
Paralelamente, o que viria a ser chamado de aviação civil engatinhava. E parou de vez com o início da 1a Guerra Mundial, em 1914. Motores mais poderosos foram criados, aviões com mais motores também. Terminada a guerra, estavam prontos para levar passageiros no lugar de bombas.
No período entre as duas guerras mundiais a tecnologia também evoluiu e foi quando os aviões de lona e madeira, em geral biplanos, foram substituídos por monoplanos de metal bem mais velozes e com maior alcance. Rotas de transporte aéreo civil passaram a ser comuns. Nas décadas de 1920 e 1930 foi criada a base da aviação civil moderna. Não só muitos modelos de aviões foram produzidos por empresas como Sikorsky, Tupolev ou Boeing; foram lançadas linhas aéreas como KLM, Air France e Pan Am. Além da brasileira Condor, estabelecida no país pela alemã Lufthansa.
Novos desenvolvimentos tecnológicos decolaram na 2a Guerra; três exemplos bastam para mostrar sua contundência. São fundamentais para a aviação comercial hoje: radar, propulsão a jato e computador. Todos são frutos de pesquisas com fins militares e, sem eles, a indústria moderna da aviação civil não teria sido possível.

13.232 – Mega Sampa – Por que São Caetano do Sul é a nº1 do Brasil em IDH


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São Caetano do Sul (SP) mais uma vez liderou o ranking das cidades mais desenvolvidas do Brasil, divulgado pelo Pnud, órgão das Nações Unidas para o desenvolvimento, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro. É a terceira vez que o levantamento, intitulado IDHM, é lançado. E é a terceira vez que a cidade do ABC paulista aparace em primeiro.
A cidade alcançou pontuação de 0,862 na avaliação realizada pela ONU com dados do IBGE, referentes ao Censo 2010. Embora a pesquisa nacional use padrões ligeiramente diferentes daqueles aplicados no exterior pela ONU, o IDHM de São Caetano do Sul hoje é maior que o de países como Grécia (0,860) e Chile (0,819).
A escala do IDH vai de 0 a 1, com indicadores positivos em educação, longevidade e renda per capita correspondendo a valores maiores. As cidades brasileiras já haviam sido avaliadas em levantamentos feitos em 1991 e 2000.

Renda per capita
Embora esteja em segundo lugar em relação à educação e em 19ª no quesito longevidade da população, o dinheiro de São Caetano justifica sua avaliação como maior IDH do país. De acordo com o levantamento divulgado hoje, a renda per capita média da cidade de cerca de 145 mil habitantes supera 2 mil reais.
O valor é mais de 20 vezes maior do que o a renda per capita de Marajá do Sena (MA), cidade mais mal-avaliada do país em relação a renda per capita. O fortalecimento da área de serviços sem descuidos em relação à presença industrial é apresentado pelos administradores municipais como uma das razões para cerca de 45% da população de São Caetano se encontrar hoje na classe B.

Educação e longevidade
Além da economia, São Caetano também apresenta bons números em relação à educação. Embora Águas de São Pedro (SP) apresente as melhores estatísticas da área no país, São Caetano está na vice-liderança dos indicadores. A cidade investe cerca 35% do seu orçamento na formação educacional e conta hoje com mais de 100 escolas, um centro de formação de professores e uma universidade municipal.
Entretanto, problemas como a contratação emergencial de professores ainda fazem parte do cotidiano do município. Apesar dos ótimos indicadores, cerca de 4% das crianças de 5 a 6 anos não estão na escola. Na faixa que vai dos 18 aos 20 anos, a porcentagem cresce para mais de 30%.
Hoje, a expectativa de vida em São Caetano do Sul gira em torno de 78 anos. Dos três indicadores que influenciam no IDH, a longevidade é o quesito em que a cidade tem o pior desempenho – a ponto de ficar fora da lista dos 15 municípios do país com melhores indicadores no quesito. Ainda assim, consta no site da prefeitura de São Caetano do Sul a existência de quatro centros voltados para atender a terceira idade.

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13.231 – Biologia – Como a evolução transformou os gatos em animais solitários


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A vida em grupo é comum na natureza. Pássaros formam bandos e peixes, cardumes. Predadores frequentemente caçam juntos. Até mesmo o leão, parente do gato doméstico, vive em grupo.
Para as espécies que são caçadas por outras, obviamente há uma estratégia de maior segurança em um bando. “Chama-se efeito de diluição”, diz o biólogo Craig Packer, da Universidade de Minnesota (EUA).
“Um predador só consegue matar um, e se há cem da mesma espécie isso reduz as chances de cada um deles ser pego para 1%. Mas se você estiver sozinho você será escolhido 100% das vezes.”
Animais em bando também se beneficiam do efeito “muitos olhos atentos”: quanto maior o grupo, é mais provável que alguém perceba um predador se aproximando. “E quanto mais cedo você detectar o predador, mais tempo tem para iniciar a fuga”, diz Jens Krause, da Universidade de Humboldt em Berlim, Alemanha.
Essa vigilância coletiva traz outras vantagens. Cada um pode gastar mais tempo e energia procurando por comida. E não se trata apenas de evitar predadores. Animais que socializam em grupos não precisam perambular em busca de companheiros, o que é um problema para espécies solitárias que vivem em territórios amplos.
Uma vez que se reproduzem, muitos animais que vivem em grupo adotam a máxima “é necessária uma aldeia inteira para criar uma criança”, com os adultos trabalhando em equipe para proteger ou alimentar os mais novos.
Em várias espécies de pássaros, como a zaragateiro-árabe de Israel, os pequenos permanecem em grupos de familiares até que eles estejam prontos para procriar. Eles dançam em grupo, tomam banho juntos e até trocam presentes entre si.
Viver em grupo também poupa energia. Os pássaros que migram juntos ou os peixes que vivem em cardumes se movimentam com mais eficiência do que os mais solitários.
É o mesmo princípio que os ciclistas da Volta da França utilizam quando formam um pelotão. “Os que estão mais atrás não precisam investir tanta energia para atingir a mesma velocidade de locomoção”, diz Krause.
Como pinguins e morcegos podem atestar, a vida pode ser mais calorosa quando se vive cercado de amigos.
Com tantos benefícios, pode parecer surpreendente que qualquer animal rejeite seus companheiros. Mas, como os gatos domésticos demonstram, a vida em grupo não é para todos. Para alguns animais, os benefícios da coletividade não compensam ter que dividir comida.
Um fator-chave para essa decisão é ter alimentação suficiente, o que depende de quanta comida cada animal precisa. E os gatos têm um gosto caro. Por exemplo, um leopardo come cerca de 23 kg de carne em poucos dias. Para gatos selvagens, a competição por alimentos é cruel, e por isso leopardos vivem e caçam sozinhos.
Há uma exceção à regra de felinos solitários: leões. Para eles, é uma questão territorial, diz Packer, que passou 50 anos de sua vida estudando os leões africanos. Alguns locais da savana têm emboscadas perfeitas para a caça, então controlar esse lugar resulta em uma vantagem significativa em termos de sobrevivência.
O que torna essa vida em grupo possível é que a presa de um único leão –um gnu ou uma zebra– é grande o bastante para alimentar várias fêmeas de uma vez só. “O tamanho da caça permite que eles vivam em grupos mas é a geografia o que realmente os leva a viver em grupos”, diz Packer.
Não é a mesma situação dos gatos domésticos, já que eles caçam animais pequenos. “Eles vão comê-lo inteiro”, diz Packer. “Não há comida o suficiente para dividir.”
Essa lógica econômica está tão integrada ao comportamento dos gatos que parece improvável que até mesmo a domesticação tenha alterado essa preferência fundamental por solidão.
Isso é duplamente verdade quando você leva em consideração o fato de que os humanos não domesticaram os gatos. Em vez disso, em seu próprio estilo, os gatos domesticaram a si mesmos.
Todos os gatos domésticos são descendentes dos gatos selvagens do Oriente Médio (Felis silvestris), o “gato-do-mato”. Os humanos não coagiram esses gatos a deixar as florestas: eles mesmos se convidaram a entrar nos alojamentos de humanos, onde havia uma quantidade ilimitada de ratos ao seu dispor.
A invasão a essa festa de ratos foi o início de uma relação simbiótica. Os gatos adoraram a abundância de ratos nos alojamentos e depósitos e os humanos gostaram do controle grátis da infestação de ratos.
Os gatos domésticos não são completamente antissociais. Mas sua sociabilidade –em relação a outro humano ou entre eles– é determinada inteiramente por eles, em seus próprios termos.
Aliás, mesmo diante de um grande perigo, quando eles se unem para se defender, é pouco provável que os gatos colaborem entre si. “Não é que algo que eles tipicamente façam quando se sentem ameaçados”, diz Monique Udell, bióloga da Universidade de Oregon (EUA).
É preciso dizer que os gatos domésticos trilharam um longo caminho a partir de seus ancestrais até aqui em termos de tolerar a companhia um do outro. Mesmo que gatos morando em galpões formem laços frouxos, eles ainda demonstram um nível impressionante de aceitação da presença do outro nesses espaços confinados.
Em Roma, cerca de 200 gatos vivem lado a lado no Coliseu, enquanto na ilha de Aoshima, no Japão, o número de gatos supera o de pessoas em uma proporção de seis para um. Essas colônias podem não ter tanta cooperação, mas estão bem avançadas em relação ao passado solitário dos gatos domésticos.
Enquanto isso, pode ser mais fácil para pesquisadores encontrar os gatos “no meio do caminho” ao realizar seus experimentos, fazendo certas concessões.
Quando Udell fez suas primeiras experiências com gatos, enfrentou uma série de dificuldades ao tentar motivar suas cobaias a participar de certa atividade. Ela já havia trabalhado com cachorros, que estariam dispostos a fazer qualquer coisa em troca de um petisco.
Os gatos, contudo, eram mais exigentes. Com o passar do tempo, Udell percebeu que teria mais sucesso se desse aos gatos a opção de escolher sua recompensa.

13.230 – Biologia – Mitocôndria pode chegar à espantosa temperatura de 50°C


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Um grupo internacional de cientistas está tentando pôr em xeque boa parte do que se sabe a respeito das pequenas usinas de força da célula, as mitocôndrias. Elas funcionariam também como pequenos braseiros.
Segundo alguns experimentos, as organelas podem chegar à espantosa temperatura de 50°C –o corpo humano saudável tende a permanecer em torno dos 37°C.
Os resultados foram obtidos com o auxílio de sondas intracelulares fluorescentes e, caso confirmados, adicionam uma bela uma camada de complexidade à biologia celular.
Isso porque em vez de adotar um modelo de célula em que todos os compartimentos têm a mesma temperatura (e proteínas, que compõem a maquinaria celular têm uma temperatura ótima para operar), seria necessário pensar que há zonas celulares que podem ter seu desempenho “ótimo” em outra faixa de temperatura.
Algumas enzimas importantes para a típica atividade mitocondrial de produzir ATP (molécula energética usada em processos fisiológicos como a contração muscular) podem ter um comportamento muito diferente na realidade do que aquele observado em testes laboratoriais in vitro conduzidos na temperatura “errada” de 37°C.
Outra coisa que pode mudar é a interpretação do papel da localização da mitocôndria na célula.
Sabendo que a organela pode funcionar como um pequeno braseiro, o fato de ela estar perto de determinadas regiões da célula, como o núcleo, pode significar não só um fornecimento mais rápido de ATP para os processos celulares daquela região, mas também uma fonte de calor para fazê-los funcionar de forma otimizada.
O estudo, realizado por cientistas da França, Alemanha, Coreia do Sul, Finlândia, Líbano e Cingapura, está publicado na plataforma bioRxiv, que abriga trabalhos que ainda não foram revisados por cientistas independentes.
Dado o impacto dos resultados, provavelmente haverá um grande número cientistas interessados em testar a novidade com novos experimentos e ajudar a reescrever as regras da biologia.

13.227 – Instituições de Ensino – A Universidade de Utah


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É uma universidade pública norte-americana de pesquisa, localizada em Salt Lake City, no estado de Utah.
Ela é uma das dez instituições que fazem parte do sistema de ensino de nível superior de educação do estado de Utah. Fundada em 28 de fevereiro de 1850, possui cerca de 30 mil estudantes (2008).
Foi elencada como uma das 50 melhores universidades dos Estados Unidos em 2008.
Fundada pelo mórmon Brigham Young, foi chamado inicialmente de University of Deseret. Dois anos depois, a escola fechou por problemas financeiros, reabrindo em 1867 como universidade privada, sob a direção de David O. Calder.

A universidade tem 17 faculdades com aproximadamente 100 departamentos. A universidade oferece aproximadamente 160 cursos de graduação, mais de 100 cursos de mestrado, e mais de 100 cursos de doutorado.

Faculdade de Administração
Faculdade de Advocacia
Faculdade de Arquitetura e Planejamento
Faculdade de Artes e Ciências Liberais
Faculdade de Belas Artes
Faculdade de Ciência
Faculdade de Ciências Humanas
Faculdade de Ciências Sociais
Faculdade de Enfermagem
Faculdade de Engenharia
Faculdade de Farmácia
Faculdade de Medicina
Faculdade de Minas e Ciências da Terra
Faculdade de Odontologia
Faculdade de Pedagogia
Faculdade de Saúde
Faculdade de Serviço Social

Ed Catmull, B.S. 1969, Ph.D. 1974, co-fundador de Pixar, presidente de Walt Disney Animation Studios e Pixar Animation Studios foi um de seus alunos famosos.
Também John Warnock, B.S. 1961, M.S. 1964, Ph.D. 1969, co-fundador de Adobe Systems, entre outros.

13.226 – Internet e Conhecimento – China lançará enciclopédia virtual para concorrer com a Wikipedia


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O governo chinês chamou 20 mil cientistas e acadêmicos do próprio país para criar uma versão estatal da Wikipedia, a maior enciclopédia virtual do mundo. Segundo a agência estatal responsável, a obra ambiciosa, que terá conteúdo de mais de 100 áreas do conhecimento, entrará no ar em 2018.
A plataforma online é novidade, mas a enciclopédia em si, não. Essa é a terceira edição da Enciclopédia Chinesa, cuja primeira edição foi impressa em 1993 após 15 anos de trabalho. Ela tinha 74 volumes físicos.
O projeto prevê 300 mil verbetes de mil palavras cada um. Se tudo der certo, afirma o jornal neozelandês NZ Herald, o resultado final será duas vezes maior que a Encyclopædia Britannica. Do ponto de vista numérico, ela não chegará aos pés da Wikipedia chinesa, com 939 mil artigos.
Essas comparações, porém, são arriscadas. Desde 1974 a Britannica é publicada em três partes: a primeira é reservada a verbetes curtos, de consulta rápida. A segunda, a versões aprofundadas dos principais tópicos mencionados antes. A terceira, a índices e informações sobre os autores.
Essas diferenças tornam uma comparação direta muito difícil – critérios de contagem diferentes trarão resultados diferentes.
Além disso, tamanho não é documento. A padronização do conteúdo e a seleção de boas fontes e colaboradores são essenciais, e, nesse aspecto, a Wikipedia inevitavelmente perde para suas concorrentes de papel mais antigas.

 

13.223 – História – Amazônia já teve partes inundadas e teve até tubarões


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Durante dois momentos no passado partes da Amazônia no Brasil e Colômbia estiveram temporariamente ocupadas por mar. Não era muito profundo e tinha menos salinidade que os atuais oceanos, mas sua fauna incluía até tubarões. Mas isso, que pareceria ser apenas uma curiosidade científica, foi de vital importância para o aumento da biodiversidade da região –a maior do planeta.
Uma equipe internacional de 16 pesquisadores –incluindo o brasileiro Carlos D’Apolito Júnior, da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso)–, distribuídos por instituições de oito países, publicou a descoberta na atual edição da revista científica americana “Science Advances”.
Os dois “eventos de inundação” ocorreram na época geológica conhecida como Mioceno, que durou de 23 a 5,3 milhões de anos atrás. Essa época constitui o momento mais antigo do período geológico chamado Neogeno, que terminou há 2,5 milhões de anos, passando então para o atual período Quaternário. Cada época ou período é caracterizado por mudanças importantes na geologia, na fauna e na flora da Terra.
Hoje cerca de 80% da Amazônia é ocupada por florestas em terra firme e 20% por regiões inundáveis. A equipe, cujo principal pesquisador é Carlos Jaramillo, do Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais, Panamá, examinou sedimentos em núcleos obtidos nas bacias de Llanos, Colômbia, e Amazonas/Solimões, Brasil.
Um total de 933 tipos de microfósseis (“palinomorfos”), ou 54.141 indivíduos, foram contados nos dois núcleos geológicos de Saltarin (Colômbia) e 105-AM (Brasil).
O brasileiro Carlos D’Apolito Júnior obteve seu doutorado, no ano passado na Universidade de Birmingham, Reino Unido, justamente sobre a evolução antiga, durante o Mioceno, da paisagem da Amazônia ocidental na Formação Solimões.
A evidência marinha fez o pesquisador analisar mais amostras; “comecei a encontrar mais e mais dinoflagelados. Bem, o resultado você já sabe –evidência direta e inquestionável de ambientes costeiros na Amazônia ocidental durante o Mioceno”.
O próximo passo foi comparar os resultados com o material colombiano que vinha sendo coletado pelo grupo de Jaramillo. “Vimos que tínhamos ali a comprovação de uma ideia antiga de que esses ambientes costeiros avançaram via Caribe durante o Mioceno”.

13.213 – Mossoró: a cidade que disse NÃO ao Lampião


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Ele distribuía algumas moedas para crianças pobres, mas não tinha nada a ver com Robin Hood.
O jogo era o seguinte: Lampião chantageava políticos, em especial prefeitos de pequenas e médias cidades do Norte e Nordeste do Brasil.
Os políticos deveriam pagar altas quantias ao cangaço. Se isso não acontecesse, uma invasão violenta da trupe de Lampião praticamente liquidaria o que visse pela frente.
Saques, estupros, humilhações, decapitações…Essas eram algumas das atitudes tomadas pelos cangaceiros ao invadirem uma cidade.
O natural era que os políticos cedessem. Isso mudou quando Rodolfo Fernandes, prefeito da cidade de Mossoró, resolveu encarar.
A cidade se juntou para uma defesa nunca antes vista. Mordidos pela inédita negativa, os cangaceiros atacariam Mossoró com tudo.

O resultado dessa briga?

13.205 – Quem foi Tiradentes e por que ele tem um feriado?


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Tiradentes, ou Joaquim José da Silva Xavier, basicamente é personagem de uma complexa história relacionada à Inconfidência Mineira. Tido como herói nacional, ele foi um dentista, minerador, militar e ativista político que nasceu em 12 de novembro de 1746 e morreu em 21 em abril de 1792, na Fazenda do Pombal (atual Ritápolis), em Minas Gerais.
Nesta época, o Brasil ainda era governado pela corte portuguesa, e embora viesse a se tornar um ativista, a princípio ele sequer gostava de política.
Filho de portugueses, quando tinha apenas 15 anos perdeu ambos os pais. Sob a tutela de seu tio, um cirurgião dentista, ele aprendeu a profissão, embora oficialmente fosse considerado um tropeiro, minerador e militar.

Participação na Inconfidência Mineira
Mas, foi como minerador que ele começou a se interessar pela política, quando viu que a corte portuguesa não fazia muito bem aos brasileiros. Devido à queda na atividade mineradora, a Coroa criou um sistema de impostos chamado Derrama, que cobrava preços abusivos para garantir as receitas do Quinto, uma espécie de imposto cobrado por Portugal de suas colônias.
Logo, e porque ficou revoltado com essa situação, ajudou a articular um grupo que lutasse contra esse tipo de abuso. Esse movimento, que tinha intenções separatistas, uma vez que queria libertar a capitania das Minas Gerais do Estado do Brasil, e consequentemente da coroa portuguesa, ficou conhecido como Inconfidência Mineira.
O fato é que no meio de seu grupo havia um delator, que denunciou a revolta ao governo. Então, dia antes de um ato público, muitos dos ativistas do grupo foram presos. E, embora o herói Tiradentes tivesse conseguido liberar alguns deles, a ação resultou em sua condenação à morte.
Então, em 1792, quando já estava com 45 anos e prestes a receber seu destino imposto pela Coroa, percorreu as ruas do Rio de Janeiro em direção ao seu local de execução. Os habitantes da região foram em peso acompanhar o evento, que foi marcado por discursos e fanfarras a favor dos governantes portugueses. A ideia deles era que as pessoas ficassem cientes do que aconteceria no caso de revoltas contra o Coroa.
Tiradentes então foi enforcado e posteriormente esquartejado para que seus restos mortais fossem exibidos em diferentes vias públicas.
No entanto, o que originalmente foi tido como um processo de intimidação, eventualmente se tornou motivo de inspiração para outras revoltas. Tiradentes logo se tornou um herói nacional e o dia de sua execução, em 21 de abril, se tornou motivo de feriado – embora este só tenha sido promulgado em 1965.
Enquanto essa é apenas uma das muitas homenagens que recebeu após a morte, outra especialmente relevante foi registrada em 1992, quando seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis da Pátria.

13.199 – Geografia do Brasil – Arroio Chuí


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É um pequeno curso de água localizado na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, sendo conhecido por ser o ponto extremo sul do Brasil.
O arroio nasce num pequeno pântano no município de Santa Vitória do Palmar e, inicialmente, corre de norte para sul. Atravessando o município do Chuí, o arroio muda sua direção para leste, passando a marcar, então, a fronteira do Brasil com o Uruguai até desaguar no oceano Atlântico junto à Praia da Barra do Chuí, balneário de Santa Vitória do Palmar, tendo na margem uruguaia a povoação de Barra del Chuy.
O arroio Chuí é, frequentemente, citado como o ponto mais meridional do Brasil, entretanto, a afirmação não está totalmente certa. Geograficamente, o verdadeiro extremo sul do país é apenas um ponto em seu trajeto. A localização exata desse ponto sem nome é uma pequena curva do arroio, aproximadamente 2,7 quilômetros antes de sua foz, a 33° 45′ 03″ de latitude sul e 53° 23′ 48″ de longitude oeste. Por sua vez, a foz do arroio é, ao mesmo tempo, os extremos sul e oeste do litoral brasileiro (não do território nacional) e também os extremos norte e leste do litoral uruguaio.
Até 1978, as cheias e a ação das marés frequentemente alteravam o curso final do arroio, causando problemas diplomáticos entre o Brasil e o Uruguai – pois se tornava difícil delimitar exatamente a fronteira. Naquele ano, de comum acordo entre os dois países, foram feitas obras de dragagem e canalização que tiveram sucesso em estabilizar o curso inferior do arroio.

13.195 – Quando Surgiu a Paleontologia?


paleontologia
A paleontologia é a disciplina científica que estuda o registro fóssil deixado pelos organismos vivos, procurando compreender a história da vida na Terra. Apesar de ser um campo da biologia, durante o seu desenvolvimento inicial esteve mais relacionada com a geologia, pois os fósseis eram objeto de estudo de áreas como a mineralogia e a estratigrafia. Até praticamente o final do século XVIII a palavra fóssil denominava qualquer objeto escavado, não importando sua origem, e mediante este tratamento os fósseis eram estudados por aquelas áreas científicas.
A história da paleontologia analisa a trajetória da relação que o homem estabeleceu com os fósseis desde a pré-história humana. Primeiramente, vistos como “joguetes da natureza” ou curiosidades, os fósseis somente passaram a ser objeto de um estudo sistematizado, após a constatação de sua origem biológica e de sua posição em uma escala de tempo, também ampliada por este mesmo estudo. Assim o estudo dos fósseis (o termo paleontologia, somente viria a ser cunhado no século XIX, por Ducrotay de Blainville) emergiu como parte integral das mudanças na filosofia natural que ocorreram durante a Idade da Razão.
A origem dos fósseis e o seu significado na História Natural passaram a ser melhor compreendidos no final do século XVIII e início do século XIX, quando a comunidade científica passou a adotar como modelo os resultados dos trabalhos de Georges Cuvier (1769-1832). Estes estudos estavam baseados em seus princípios da anatomia comparada e levaram a instauração da paleontologia como ciência moderna, assim como da geologia . Desta forma, durante a primeira metade do século XIX houve um grande incremento na aquisição do conhecimento sobre a história da vida na Terra e também uma ampliação na escala de tempo geológico. Isto possibilitou a constatação de que houve algum tipo de ordenamento sucessivo no desenvolvimento da vida na Terra. Este fato contribuiu para a formulação de teorias de transmutação de espécies.
Após 1859, com a publicação do livro de Charles Darwin, A Origem das Espécies, a paleontologia passou a ter como um de seus principais objetivos a composição de sequências filogenéticas, procurando estabelecer as vias evolutivas.
Durante a segunda metade do século XIX houve uma grande expansão na atividade paleontológica, especialmente na América do Norte. A tendência continuou no século XX, com regiões adicionais da Terra tornando-se abertas ao estudo sistemático dos fósseis, como por exemplo a China, onde importantes descobertas foram realizadas. Na última metade do século XX intensificou-se o interesse no esclarecimento das extinções em massa e o seu papel na evolução da vida na Terra.
Ainda no século VI a.C., Xenófanes de Cólofon foi mencionado por escritores posteriores de ter observado os restos de conchas de moluscos pelágicos nas montanhas, impressões de folhas em rochas de Paros, assim como várias evidências da presença antiga do mar nas terras altas de Malta, e atribuiu essas aparições às invasões periódicas do mar.
historiador Xanthus da Sardenha (circa 500 a.C.) também chamou a atenção para a ocorrência de conchas fósseis na Armênia, Frígia e Lídia, regiões distantes do mar, e concluiu que as localidades onde tais restos ocorriam tinham sido anteriormente o leito do oceano, e que os limites da terra e do oceano vinham constantemente sofrendo mudanças.
Leonardo da Vinci (1452-1519), em um trabalho não publicado, chegou à mesma conclusão dos antigos gregos sobre as variações dos oceanos. No entanto, em ambos os casos, os fósseis eram restos completos de organismos marinhos que detinham grande semelhança com espécies atuais e como tal fáceis de serem identificadas, permanecendo a questão se os fósseis não assemelhados à nenhuma forma de organismo conhecida, também tinham origem orgânica.
No século XVII Nicolau Steno (1638 – 1686), estabeleceu um ordenamento temporal para os estratos geológicos, nos quais os fósseis eram encontrados. Esta relação estendeu-se para os fósseis contidos nestes estratos, levando-os a serem tratados como registros da história da vida na Terra.
Com este tratamento surgiu o questionamento sobre o destino dos organismos que somente eram encontrados na forma fóssil. Os naturalistas que estudavam os fósseis, dividiam-se entre a defesa da ocorrência da extinção e a defesa da hipótese que propunha que tais organismos ainda deveriam ser descobertos em algum lugar do Globo. Somente após os trabalhos da anatomia comparada de Georges Cuvier serem aceitos pela comunidade científica, esta questão foi resolvida, pois possibilitaram as reconstruções paleontológicas, inclusive destes organismos extintos.
Shen Kuo (chinês: 沈括) (1031 – 1095), da dinastia Song, usou a evidência de fósseis marinhos escavados nas montanhas Taihang para inferir a existência de processos geológicos de geomorfologia e alterações do nível do mar ao longo do tempo.[9] Usando a suas observações de bambus preservados e petrificados, encontrados soterrados em Yan’an, região de Shanbei, província de Shaanxi province, defendeu uma teoria de mudança do clima gradual, uma vez que Shaanxi ao se tratar de uma região de clima seco não seria um habitat propício para o crescimento de bambus.
Como resultado da nova enfase na observação, classificação e catalogação da natureza, os filósofos naturais do século XVI na Europa começaram a estabelecer extensivas coleções de objetos fósseis, assim como também coleções de espécimes vegetais e animais, que eram frequentemente armazenados em gabinetes construídos para ajudá-los a organizar as coleções. Conrad Gesner publicou em 1565 um trabalho sobre fósseis que continha uma das primeiras descrições detalhadas sobre gabinetes e coleções. A coleção pertencia a um membro da extensa rede de correspondentes que Gesner se baseou para suas obras. Tais redes de correspondência informal entre os filósofos naturais e colecionadores tornou-se cada vez mais importante durante o curso do século XVI e foram precursores diretos das sociedades científicas que começam a se formar no século XVII. Essas coleções de gabinete e redes de correspondência desempenharam um papel importante no desenvolvimento da filosofia natural.
Durante a Idade da Razão, mudanças fundamentais na filosofia natural foram refletidas na análise dos fósseis. Em 1665, Athanasius Kircher atribuiu os ossos gigantes à extintas raças de humanos gigantes em seu livro Mundus subterraneus. No mesmo ano, Robert Hooke publicou o Micrographia, uma coleção ilustrada das suas observações com um microscópio. Uma dessas observações foi intitulada Of Petrify’d wood, and other Petrify’d bodies, que incluía uma comparação entre madeira comum e petrificada. Hooke acreditou que os fósseis provinham evidência sobre a história da vida na Terra.
Em 1667, Nicholas Steno escreveu um artigo sobre uma cabeça de tubarão que tinha dissecado. Ele comparou os dentes do tubarão com o com objetos fósseis comuns conhecidas como línguas de pedra. Ele concluiu que os fósseis deviam ter sido dentes de tubarão. Steno então teve um interesse na questão dos fósseis, e para abordar algumas das objeções à sua origem orgânica começou a estudar estratos rochosos. O resultado deste trabalho foi publicado, em 1669, como um precursor para a Forerunner to a Dissertation on a solid naturally enclosed in a solid. Neste livro, Steno estabeleceu uma distinção clara entre objetos como cristais de rocha que realmente se formaram dentro das rochas e dos fósseis, como conchas e dentes de tubarão, que se formaram fora dessas rochas. Steno percebeu que certos tipos de rochas foram formados pela deposição sucessiva de camadas horizontais de sedimentos e que os fósseis eram os restos de organismos vivos que tinham sido enterrados naqueles sedimentos. Steno que, como quase todos os filósofos naturais do século XVII, acreditava que a Terra tinha apenas alguns milhares de anos, recorreu ao dilúvio bíblico como uma possível explicação para os fósseis de organismos marinhos que estavam longe do mar.

13.189 – Mega Techs – Trem que viaja em tubo a vácuo tem primeiros projetos apresentados


trem vacuo
Em 2013, Elon Musk, executivo da SpaceX, publicou uma ideia de transporte super-rápido em que um trem viajava por dentro de um grande tubo a vácuo. Com isso, era possível conseguir grande eficiência energética e, ainda assim, altas velocidades. Meses depois, uma empresa foi criada para materializar essa ideia e, recentemente, os primeiros progressos no projeto foram apresentados.
A empresa em questão se chama Hyperloop Transportation Technologies (HTT) e já tem projetos que precisam agora serem construídos em caráter experimental. A ideia original do Hyperloop de Musk foi alterada a certo ponto para se tornar economicamente mais viável. Agora, a companhia precisa de financiamento para tirar os esquemas do papel.
Quem trabalha na HTT
Entre os engenheiros que estão trabalhando na HTT, temos pessoas que também fazem parte da SpaceX, da NASA, Boeing e outras grandes instituições como essas. Acontece que, por enquanto, nenhum deles está recebendo nenhum centavo pelo seu trabalho. A estrutura da companhia prevê que os colaboradores recebam seus pagamentos somente quando ela começar a dar lucro. Quando isso acontecer, todos serão “sócios” do negócio que pode render bilhões.
A primeira rota do Hyperloop que poderia ser construída considerava operar em San Francisco e Los Angeles, nos EUA. Entretanto, acredita-se que o trecho possa ser alterado para Las Vegas e Los Angeles. De qualquer maneira, estima-se que sejam gastos de US$ 6 bilhões a US$ 10 bilhões para cada 650 km de percurso construído. Isso levando em conta estações e trens.
O funcionamento do veículo seria basicamente o de um metrô mais elaborado que corre por um tubo sem ar e, portanto, praticamente sem atrito. Dentro da cabine, haveria pressão e oxigênio para os ocupantes permanecerem vivos durante a viagem. Mesmo assim, a eficiência energética do veículo seria alta. Ele percorreria seus tubos a velocidades um pouco menores que a do som, chegando a 1,2 mil km/h.