13.781 – O gene zumbi que protege os elefantes do câncer


elefante velho
Um elefante africano, em cativeiro, vive uns 70 anos. Mais ou menos o mesmo que um ser humano.
Um elefante africano pesa 6 mil kg. Mais ou menos 100 vezes o que pesa um ser humano.
Um corpo que pesa 100 vezes mais que o nosso, naturalmente, contém 100 vezes mais células, cada uma com sua própria cópia do DNA do animal. Isso significa que o elefante também está sujeito a um risco 100 vezes maior de sofrer um dano no DNA. Um erro que pode causar câncer.
Apesar disso, só 5% dos gigantes acinzentados morrem por causa de tumores, contra 17% dos Homo sapiens. O que os torna tão resistentes à doença? Bem-vindo ao paradoxo de Peto – batizado em homenagem ao biólogo Richard Peto, de Oxford, autor do primeiro texto que apontou essa anomalia estatística, de 1977.
Há três anos, em 2015, pesquisadores das universidades de Chicago e Utah deram um passo importante na solução do problema. Eles descobriram que os elefantes têm inacreditáveis 20 cópias de um gene chamado TP53. Já o ser humano tem só uma. E essa é uma daquelas situações em que 1 é bom, 2 é ótimo e 20 é excelente: a função do TP53 é justamente identificar que há um trecho de DNA danificado em uma célula – e consertá-lo antes que ela se multiplique e cause mais problemas. Quanto mais guardiões desses um animal tem, melhor.

13.686 – Veterinária – Otite Canina


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De certo você já viu um cão coçando o ouvido, sacudindo a cabeça e até chorando ao se coçar a orelha, isso pode ser otite canina. Uma inflamação do conduto auditivo que leva a produção de uma cera de coloração alterada e em excesso, coceira descontrolada, cheiro forte e desconforto tanto para o animal quanto para o dono.
Essa inflamação seguida de infecção causada no ouvido é muito comum nos cães devido ao formato de sua orelha, que tem um canal comprido e fechado, o que torna fácil o aparecimento e replicação de ácaros, fungos e bactérias. Algumas raças de cães apresentam otite canina com mais facilidade e frequência como Golden Retriver, Basset Hound e Cocker Spaniel por terem o orelhas maiores.
Tome cuidado durante o banho do cão, pois, ao deixarmos entrar água no ouvido deles, favorecemos o aparecimento da doença, já que o que os causadores dela se proliferam em locais úmidos e quentes. Uma dica interessante é colocar algodões nos ouvidos do cachorro, evitando a entrada de água, e sempre secá-lo bem ao final do banho.
Os sintomas são: coceira intensa, dor e choro ao coçar, cheiro forte no ouvido, excesso de cerúmen (cera), balançar demais a cabeça de um lado para outro, perda de audição, além da perda de apetite, que ocorre devido à dor que o cachorro sente.
A otite pode surgir nos cães por uma série de fatores e afetar diferentes partes da região auricular dos animais; sendo denominada de otite externa, otite média ou otite interna de acordo com o local específico prejudicado pelo problema – e as principais motivações para a sua ocorrência são:

Infecção Causada por bactérias, a otite infecciosa chega, geralmente, acompanhada por pus, e requer um tratamento medicamentoso feito, principalmente, por meio do uso de antibióticos injetáveis e por via oral associado a tratamento local tópico.
Fungos Provoca sintomas mais clássicos de otites com uma secreção normalmente enegrecida com cheiro adocicado característico, sendo é causada por um fungo, na maioria das vezes, a malassezia.
Parasitas O agente do problema, neste caso, são parasitas como carrapatos e ácaros, sendo que o seu tratamento também requer o uso de remédios específicos tópicos associados, quando necessário há medicamentos injetáveis ou por via oral.
Produção excessiva de cera O ouvido de alguns cães produz cera de maneira exagerada, e o acúmulo dessa cera causa uma fermentação que se transforma em inflamação.
Predisposição genética As características específicas de cada raça são as grandes responsáveis nestes casos, e os cães que contam com orelhas grandes, caídas e peludas são os mais propensos a desenvolver a complicação.
Outros fatores Traumas, alergias, tumores, questões hormonais e a presença de algum corpo estranho no ouvido do animal também podem exercer influência no aparecimento da otite canina.
Dito isso, vale lembrar que a melhor maneira de definir a origem correta do problema é por meio de uma consulta com um profissional veterinário – já que, em muitos casos, um diagnóstico preciso só pode ser obtido por meio de exames laboratoriais ou de imagem.

Raças mais afetadas pela otite
Orelhas grandes, caídas e peludas são as principais características genéticas que influenciam no aparecimento da otite canina, e as raças a seguir fazem parte do grupo de cães que mais tendem a apresentar esse tipo de problema:

Cocker Spaniel
Teckel
Basset Hound
Golden Retriever
Dachshund
Setter Irlandês
Labrador Retriever
Pastor Alemão
No entanto, é importante ressaltar que nem só os cães de orelhas maiores e caídas podem ser acometidos pela otite, e qualquer raça está sujeita ao aparecimento dessa complicação, caso os cuidados básicos de higiene não sejam realizados de maneira correta e constante.

Os sintomas da otite em cães
Cada tipo de otite canina pode apresentar diferentes sinais, em função do seu agente causador; no entanto, há um grupo de sintomas e comportamentos bastante conhecidos entre os cachorros que apresentam a enfermidade, conforme descrito abaixo.
Forte coceira na região das orelhas: cão passa a coçar, balançar e esfregar a cabeça onde puder para aliviar o sintoma, incluindo o chão e os móveis da casa.
Secreções: o ouvido do cachorro passa a apresentar secreções de cor amarelada e, em alguns casos, com pus.
Odor diferente e forte ou mau cheiro no ouvido do cachorro
Vermelhidão, escurecimento ou aparecimento de crostas no ouvido do animal
Inchaço na região da orelha
Perda de audição do cão
Forte dor nas orelhas: o cachorro aparenta sentir muita dor nas ocasiões em que a orelha se mexe ou é tocada
Ferimentos Peri-auriculares, que são ferimentos próximos às conchas auditivas, causados pela coceira constante

Prevenção da otite canina
Manter a higiene da orelha do seu pet é a melhor maneira de prevenir o surgimento da otite canina, e limpar os ouvidos do cachorro semanalmente é de grande ajuda. Caso haja pelos em excesso na região, levar o seu cão para uma tosa higiênica é uma ótima ideia; retirando a pelagem que ajuda a reter ainda mais sujeiras na região.
O pote de água pode acabar causando a otite, quando o animal tem orelhas muito compridas e o pote de água é muito largo, sempre que ele vai beber água acaba deixado as orelhas úmidas e essa umidade propicia a proliferação exagerada de fungos já existentes na orelha, causando a otite.
Outra medida importante é sempre enxugar bem as orelhas do cão quando forem molhadas, já que o acúmulo de água na região forma um ambiente extremamente propício para o surgimento do problema.
Visitas ocasionais ao veterinário também são importantes para ajudar na prevenção da otite canina, além de facilitarem o tratamento de qualquer complicação que o cão possa estar desenvolvendo.

Tratamento da otite em cachorros
O tratamento da otite canina dependerá tanto da sua origem como do nível de desenvolvimento da inflamação no ouvido do cão. Em alguns casos, a realização de uma limpeza profunda na região – feita com o uso de soluções específicas – já pode melhorar bastante o problema; mas, dependendo do agente causador da otite, medicamentos como antibióticos e anti-inflamatórios podem ser receitados.
Em muitos casos a dor do animal ao ter a região auricular tocada é tanta, que há a possibilidade de que ele tenha que ser sedado para que se faça a limpeza do ouvido, e a otite pode ser tão profunda que chega a alterar o sistema de equilíbrio do animal, o fazendo andar em círculos, por exemplo. Portanto, levar seu pet a um profissional veterinário é imprescindível para que ele possa ser tratado e curado da melhor e mais rápida maneira possível.

13.578 – Amigo do Homem ou Amigo da Onça?


Mulher morre atacada pelos próprios cães durante passeio

pit bull

A americana Bethany Lynn Stephens, de 22 anos, foi morta pelos próprios cães enquanto passeava com os animais em um bosque no estado da Virginia, situado no condado de Goochland, nos Estados Unidos. Os dois cachorros da raça pit bull teriam atacado a dona, que teve graves ferimentos na cabeça e na garganta, e permanecido em volta do corpo durante uma hora. Segundo o site Metrópoles.
O corpo da jovem teria sido encontrado pelo próprio pai, que estranhou a demora da filha em voltar para casa do passeio. Ao procurá-la no bosque onde Bethany costumava brincar com os animais, encontrou o corpo por volta das 20h, com os cães em volta. O homem chamou os serviços de emergência, que após examinarem o corpo constataram o ataque sofrido.
“A vítima tinha feridas defensivas em suas mãos e braços, tentando manter os cachorros afastados dela, o que seria consistente com o ataque enquanto ainda estava viva”, disse o xerife de Goochland, James Agnew, em depoimento reproduzido pelo site Metrópoles.
Após ser atacada no rosto e na garganta, ela teria caído no chão já inconsciente, sendo depois atacada em outras partes do corpo até a morte. O xerife ainda revelou que os cães são de grande porte e treinados para a luta.

14.453 – Cães Que Mudaram a História Da Ciência


belka-strelka
Belka and Strelka
Foram as primeiras cadelas do programa espacial soviético a voltarem vivas para a Terra. Decolaram na missão Sputinik 5 em 19 de agosto 1960, e passaram um dia em órbita. Não ficaram tão famosas quanto Laika, mas forneceram dados científicos ainda mais valiosos sobre as condições de vida no espaço. Segundo a CNN, Strelka teve uma ninhada de filhotes logo após a missão – um dos quais (chamado Pushinka) foi dado de presente à filha do então presidente John F. Kennedy, Caroline. Talvez a provocação mais criativa da Guerra Fria.

snupi

Snuppy, nascido na Coreia do Sul em 2004, é o primeiro cão clonado do mundo. A matriz para sua produção foi uma célula tirada da orelha de seu pai (ou seria irmão gêmeo? Na foto, o menor é Snuppy, ainda bebê, e o maior é sua matriz).

Ele também é, acima de tudo, um sobrevivente: foram implantados óvulos em 123 úteros. Destes, três chegaram ao final da gestação, e apenas Snuppy alcançou a vida adulta. Em 2008, seu esperma foi usado para inseminar artificialmente duas fêmeas que também eram clonadas. Nasceram 10 filhotes, nove sobreviveram.
A técnica se popularizou rápido. Em 2009, sete labradores retriever clonados – todos chamado Toppy – começaram a trabalhar na alfândega sul-coreana. O projetou custou 240 mil dólares, e o resultado foi bem fofo.

Marjorie
Em 1921, o médico canadense Frederick Banting e seu assistente Charles Best entraram para a história da medicina por terem isolado a insulina – o hormônio que os diabéticos quase não têm, responsável por manter sob controle o nível de açúcar no sangue (isso na tipo 1. Na tipo 2, o hormônio é produzido, mas o corpo não reage a ele.
O que ninguém sabe é que a primeira pacientes deles foi Marjorie, uma vira lata que sobreviveu 70 dias sem pâncreas. Não era um problema congênito. O órgão foi retirado só para fazer os testes, o que soa cruel hoje em dia, mas era uma prática aceitável no começo do século – vale lembrar que ratos de laboratório passam por isso até hoje.

Marjorie não foi a única. Segundo a Harvard Magazine, dez cães ao todo morreram nas mãos de Banting e Best. A descoberta – que salva a vida milhões de pessoas com diabetes todos os dias – até hoje divide opiniões e gera longas discussões sobre ética e direitos dos animais.

O cão marrom de William Bayliss
O cão marrom, até hoje sem nome, foi o gatilho de uma polêmica que tomou conta dos jornais da Inglaterra entre 1903 e 1910. O resumo da ópera: no final do século de 19, professores de medicina abriam animais vivos em aulas de anatomia – uma prática chamada vivissecção. A ideia era treinar futuros cirurgiões (e também fazer pesquisas científicas) usando organismos vivos, e não cadáveres.
Às vezes isso era feito com anestesia. Às vezes, sem. Em 1903, William Bayliss, professor do University College de Londres, levou um cão marrom à aula. E não fez questão de anestesiá-lo. Um grupo de ativistas suecas que assistiu à cena se revoltou, apurou o caso e levou a pauta para as ruas.
O acadêmico, é claro, alegou que o animal estava inconsciente, mas não colou – a vivissecção era considerada cruel até para os padrões da época, e sua prática era regulamentada por lei desde 1876. A causa mobilizou a opinião pública e uma estátua de bronze em homenagem ao cão marrom foi erguida em 1906.

A inscrição na base relata sua história – ele foi submetido a cirurgias “pedagógicas” por dois meses antes de perecer –, e então provoca a escola de medicina de Bayliss com um pouco de estatística: “Também em memória dos 232 cães (…) dissecados no mesmo local durante o ano de 1902. Homens e mulheres da Inglaterra, por quanto tempo isso ainda acontecerá?”
Os estudantes não gostaram nada do monumento. Após uma série de disputas judiciais, em dezembro de 1907 mil deles foram às ruas de Londres contra o movimento de defesa dos direitos dos animais. A manifestação virou pancadaria e a polícia precisou intervir – vários receberam multas de três libras por atacarem os guardas. Parece pouco? Pois, considerando a inflação, é equivalente a 239 libras em 2017, mais de R$ 1 mil na cotação atual.

Jofi
O felpudo chow chow Jofi era um dos vários mascotes de Freud – apesar de intelectual, ele era fã de cachorros, e não de gatos. Na opinião do pai da psicanálise, manter animais de estimação na sala durante a consulta era um ótimo jeito de confortar seus pacientes.

Em seus diários, ele observa que Jofi era um bom “termômetro” de emoções – se afastava de pacientes ansiosos e interagia com os mais amigáveis. Essas anotações são as primeiras menções ao uso de cães para fins de diagnóstico e terapia. Hoje eles são presenças comuns em hospitais infantis e asilos – e artigos científicos como este aqui comprovam que fazer carinho em um cachorro ajuda com picos de pressão alta.

Bluey
Agora um caso mais light. Bluey, da raça boiadeiro australiano, nasceu em 1910 e morreu em 1939 – viveu exatamente 29 anos e 5 meses. É o cão mais velho já verificado pelo Guinness Book, o livro dos recordes. Trabalhou no campo durante dois terços de sua vida.
Depois dele veio Chilla, um cruzamento entre boiadeiro australiano e labrador que teria vivido 32 anos. Jornais deram a notícia de sua morte em 1984, mas ele não bateu Bluey no Guinness Book – sua data de nascimento nunca foi comprovada com exatidão. Seja como for, os boiadeiros australianos são uma das raças mais longevas que existem: vivem em média 13 anos. Um fato científico útil se você quiser um mascote para passar um longo, longo tempo ao seu lado.

Do Guiness:
A maior idade confiável registrada para um cachorro é de 29 anos e 5 meses para um cão de gado australiano chamado Bluey, de propriedade de Les Hall of Rochester, Victoria, Austrália. Bluey foi obtido como cachorro em 1910 e trabalhou entre gado e ovelha por quase 20 anos antes de dormir para 14 de novembro de 1939.
A maioria dos cães vive por 8-15 anos, e registros autênticos de cães que vivem mais de 20 anos são raros e geralmente envolvem as raças menores.

13.350 – Biologia – É possível ter um macaco como animal de estimação?


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Segundo a bióloga Maria Izabel Gomes, coordenadora de monitoramento da fauna do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), é possível adquirir primatas nascidos em cativeiro desde que a venda esteja autorizada pela secretaria ambiental do respectivo estado. Além da emissão de nota fiscal, o criatório precisa emitir também o Certificado de Origem, documento que atesta a proveniência legal da espécie, no momento da compra.
A lista de animais cuja reprodução está autorizada em cativeiro varia conforme o estado, mas entre as mais comuns estão aves, répteis, primatas e jabutis. Apesar da regulamentação, a compra de animais silvestres tem caído no país em detrimento dos domésticos, afirma Maria Izabel. “A criação de animais silvestres faz parte da cultura do Brasil há centenas de anos. Mas como eles vivem muito mais tempo que gatos e cachorros e não são fáceis de lidar por conta de suas especificidades, estamos vivenciando uma tendência de queda na sua comercialização”.
Um macaco-prego pode viver por até vinte anos em cativeiro. Já um papagaio por até oitenta anos e o jabuti pode chegar a cem. “As pessoas têm que ter a consciência na hora de comprar esses bichos que eles vão passar de geração em geração dentro da família. O neto provavelmente terá que cuidar do papagaio adquirido pelo avô.”
O veterinário Matheus Rabello, especialista em animais silvestres, também alerta para a necessidade de se avaliar a compra. “É preciso saber as necessidades de cada espécie antes de comprar. Qual a alimentação adequada e demais cuidados necessários.
É preciso ter ainda um recinto com, pelo menos, três metros quadrados, que tenha brinquedos, esconderijos e galhos para que o macaco seja constantemente estimulado, de modo a evitar comportamentos agressivos e promover seu desenvolvimento apropriado, afirma o veterinário. Um treinador também é necessário, bem como o contato com outras pessoas, de modo a adestrar e acostumar o animal.

Macaco de estimação
De acordo com os especialistas, ter um macaco em casa apresenta riscos, já que todos os primatas desenvolvem um comportamento agressivo a partir da puberdade. Rabello, inclusive, não o recomenda como animal de estimação. Dessa forma, os cativeiros selecionam os mais mansos para venda, a cerca de 60.000 reais, e mantém os mais violentos para reprodução. Além disso, primatas também podem transmitir raiva se não forem devidamente vacinados.
Já quanto a febre amarela, a bióloga afirma que eles são apenas hospedeiros da doença que é transmitida exclusivamente pela picada do Aedes Aegypti. Caso um macaco de estimação porte a doença, é provável que seus donos também estejam contaminados por estarem na mesma área de atuação do mosquito transmissor.
É preciso observar a diferença entre animais silvestres e domésticos. Os primeiros podem ser encontrados tanto em cativeiros, como na natureza – caso dos animais selvagens –, tendo o mesmo código genético. Já os domésticos, não são mais encontrados na natureza por terem sido domesticados por milhares de anos. Por exemplo, um papagaio é um animal silvestre que pode ser criado em cativeiro ou encontrado em seu habitat natural. Já os cachorros não são mais encontrados na natureza e sua genética varia dos cães selvagens e dos lobos.

13.270 – Biologia – O Faro do Cão


cão faro
Muitos são treinados para auxiliar em operações de busca e resgate e de apreensão de drogas. Mas, além de desempenhar muito bem essas atividades, os cachorros também são — ou já foram — empregados para farejar muitas outras coisas, sendo que algumas delas são bem estranhas.
Os cães podem ser treinados para detectar um elemento chave na fabricação de DVDs. Tanto que os animais estão sendo utilizados por policiais no combate à pirataria em locais como o sudeste asiático. Os dois cachorros da imagem, por exemplo, ajudaram as autoridades a apreender um carregamento avaliado em US$ 3 milhões (cerca de R$ 6,7 milhões), levando criminosos malaios a oferecer US$ 30 mil (ou R$ 66 mil) como recompensa pela captura da dupla.
Apesar de não ser o material mais agradável do mundo, o cocô de baleia é utilizado por pesquisadores para monitorar as condições de saúde desses animais. O problema é que, ao contrário do que você possa imaginar, as fezes das baleias não ficam boiando por aí, indo parar no fundo do mar apenas meia hora depois de serem liberadas.
Para ajudar na coleta, alguns cães estão sendo treinados para detectar o cheiro do cocô, e alguns conseguem rastrear o odor a distâncias superiores a 1,5 quilômetro, indicando a localização dos dejetos aos cientistas.
É muito comum que grandes produtores lancem mão da inseminação artificial quando o assunto é aumentar o rebanho. Mas algumas vezes o sêmen utilizado é proveniente de touros famosos, e o custo desse material pode ser exorbitante. Assim, para evitar o desperdício, alguns fazendeiros começaram a utilizar cães especialmente treinados para farejar quando as vacas estão no cio, e alguns deles são melhores do que os touros em detectar o momento certo.
Não é nenhuma novidade que os cães são capazes de detectar uma série de cheiros liberados pelo organismo humano, e alguns estão sendo treinados para ajudar no diagnóstico de doenças como o câncer e o diabetes. No primeiro caso, segundo os pesquisadores, as células cancerígenas apesentam um odor específico, e pacientes com alguns tipos de câncer — como o de mama, pulmão e bexiga — podem liberar esse cheiro através do hálito. Sendo assim, os cachorros estão sendo adestrados para farejar a doença.
Já no caso do diabetes, os animais podem ser treinados para alertar os doentes quando a glicose atinge níveis perigosos, e alguns cães podem inclusive prever a ocorrência de ataques e até mesmo buscar o kit de insulina para os donos.
É evidente que o melhor amigo do homem é capaz de identificar o cheiro de inimigos, mas você sabia que os cães participaram ativamente durante a Guerra do Vietnã, ajudando os soldados norte-americanos a encontrar soldados vietcongues, armas, túneis e até armadilhas? Aliás, não é de hoje que os animais são empregados para atuar ao lado de militares, e existem registros de cachorros atuando em combates desde a antiguidade.

13.231 – Biologia – Como a evolução transformou os gatos em animais solitários


gato x rato
A vida em grupo é comum na natureza. Pássaros formam bandos e peixes, cardumes. Predadores frequentemente caçam juntos. Até mesmo o leão, parente do gato doméstico, vive em grupo.
Para as espécies que são caçadas por outras, obviamente há uma estratégia de maior segurança em um bando. “Chama-se efeito de diluição”, diz o biólogo Craig Packer, da Universidade de Minnesota (EUA).
“Um predador só consegue matar um, e se há cem da mesma espécie isso reduz as chances de cada um deles ser pego para 1%. Mas se você estiver sozinho você será escolhido 100% das vezes.”
Animais em bando também se beneficiam do efeito “muitos olhos atentos”: quanto maior o grupo, é mais provável que alguém perceba um predador se aproximando. “E quanto mais cedo você detectar o predador, mais tempo tem para iniciar a fuga”, diz Jens Krause, da Universidade de Humboldt em Berlim, Alemanha.
Essa vigilância coletiva traz outras vantagens. Cada um pode gastar mais tempo e energia procurando por comida. E não se trata apenas de evitar predadores. Animais que socializam em grupos não precisam perambular em busca de companheiros, o que é um problema para espécies solitárias que vivem em territórios amplos.
Uma vez que se reproduzem, muitos animais que vivem em grupo adotam a máxima “é necessária uma aldeia inteira para criar uma criança”, com os adultos trabalhando em equipe para proteger ou alimentar os mais novos.
Em várias espécies de pássaros, como a zaragateiro-árabe de Israel, os pequenos permanecem em grupos de familiares até que eles estejam prontos para procriar. Eles dançam em grupo, tomam banho juntos e até trocam presentes entre si.
Viver em grupo também poupa energia. Os pássaros que migram juntos ou os peixes que vivem em cardumes se movimentam com mais eficiência do que os mais solitários.
É o mesmo princípio que os ciclistas da Volta da França utilizam quando formam um pelotão. “Os que estão mais atrás não precisam investir tanta energia para atingir a mesma velocidade de locomoção”, diz Krause.
Como pinguins e morcegos podem atestar, a vida pode ser mais calorosa quando se vive cercado de amigos.
Com tantos benefícios, pode parecer surpreendente que qualquer animal rejeite seus companheiros. Mas, como os gatos domésticos demonstram, a vida em grupo não é para todos. Para alguns animais, os benefícios da coletividade não compensam ter que dividir comida.
Um fator-chave para essa decisão é ter alimentação suficiente, o que depende de quanta comida cada animal precisa. E os gatos têm um gosto caro. Por exemplo, um leopardo come cerca de 23 kg de carne em poucos dias. Para gatos selvagens, a competição por alimentos é cruel, e por isso leopardos vivem e caçam sozinhos.
Há uma exceção à regra de felinos solitários: leões. Para eles, é uma questão territorial, diz Packer, que passou 50 anos de sua vida estudando os leões africanos. Alguns locais da savana têm emboscadas perfeitas para a caça, então controlar esse lugar resulta em uma vantagem significativa em termos de sobrevivência.
O que torna essa vida em grupo possível é que a presa de um único leão –um gnu ou uma zebra– é grande o bastante para alimentar várias fêmeas de uma vez só. “O tamanho da caça permite que eles vivam em grupos mas é a geografia o que realmente os leva a viver em grupos”, diz Packer.
Não é a mesma situação dos gatos domésticos, já que eles caçam animais pequenos. “Eles vão comê-lo inteiro”, diz Packer. “Não há comida o suficiente para dividir.”
Essa lógica econômica está tão integrada ao comportamento dos gatos que parece improvável que até mesmo a domesticação tenha alterado essa preferência fundamental por solidão.
Isso é duplamente verdade quando você leva em consideração o fato de que os humanos não domesticaram os gatos. Em vez disso, em seu próprio estilo, os gatos domesticaram a si mesmos.
Todos os gatos domésticos são descendentes dos gatos selvagens do Oriente Médio (Felis silvestris), o “gato-do-mato”. Os humanos não coagiram esses gatos a deixar as florestas: eles mesmos se convidaram a entrar nos alojamentos de humanos, onde havia uma quantidade ilimitada de ratos ao seu dispor.
A invasão a essa festa de ratos foi o início de uma relação simbiótica. Os gatos adoraram a abundância de ratos nos alojamentos e depósitos e os humanos gostaram do controle grátis da infestação de ratos.
Os gatos domésticos não são completamente antissociais. Mas sua sociabilidade –em relação a outro humano ou entre eles– é determinada inteiramente por eles, em seus próprios termos.
Aliás, mesmo diante de um grande perigo, quando eles se unem para se defender, é pouco provável que os gatos colaborem entre si. “Não é que algo que eles tipicamente façam quando se sentem ameaçados”, diz Monique Udell, bióloga da Universidade de Oregon (EUA).
É preciso dizer que os gatos domésticos trilharam um longo caminho a partir de seus ancestrais até aqui em termos de tolerar a companhia um do outro. Mesmo que gatos morando em galpões formem laços frouxos, eles ainda demonstram um nível impressionante de aceitação da presença do outro nesses espaços confinados.
Em Roma, cerca de 200 gatos vivem lado a lado no Coliseu, enquanto na ilha de Aoshima, no Japão, o número de gatos supera o de pessoas em uma proporção de seis para um. Essas colônias podem não ter tanta cooperação, mas estão bem avançadas em relação ao passado solitário dos gatos domésticos.
Enquanto isso, pode ser mais fácil para pesquisadores encontrar os gatos “no meio do caminho” ao realizar seus experimentos, fazendo certas concessões.
Quando Udell fez suas primeiras experiências com gatos, enfrentou uma série de dificuldades ao tentar motivar suas cobaias a participar de certa atividade. Ela já havia trabalhado com cachorros, que estariam dispostos a fazer qualquer coisa em troca de um petisco.
Os gatos, contudo, eram mais exigentes. Com o passar do tempo, Udell percebeu que teria mais sucesso se desse aos gatos a opção de escolher sua recompensa.

13.188 – Veterinária – Gatos: Por que tanto barulho no acasalamento?


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As gatas começam a miar em alto volume já quando entram no cio para chamar atenção dos machos.Mas, essa gritaria toda tem um motivo. Alguns gatos que não foram castrados possuem o órgão genital espinhoso e isso acaba fazendo com que a gata sinta muita dor.
A função desses espinhos ainda não é muito clara, mas pensa-se que sirvam para estimular a ovulação de suas parceiras.Portanto, os espinhos podem desempenhar um papel importante na fecundação e reprodução desses animais. Quando acontece de um gato ser castrado ainda muito jovem os espinhos não se desenvolvem completamente, pois eles se formam a partir de estímulos hormonais.

13.170 – A raça de cães mais antiga e rara do mundo foi redescoberta na natureza


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De acordo com a análise de DNA, estes são os mais antigos canídeos existentes.
Uma recente expedição à área resultou em mais de 100 fotografias de pelo menos 15 indivíduos selvagens, incluindo machos, fêmeas e filhotes, florescendo em isolamento e longe do contato humano.
“A descoberta e confirmação deste cão selvagem pela primeira vez em mais de meio século não é apenas empolgante, mas uma oportunidade incrível para a ciência”, disse em um comunicado o grupo por trás da descoberta, o New Guinea Highland Wild Dog Foundation.
Se você não está familiarizado com essas criaturas, esses cães selvagens só eram estimados a partir de duas fotografias promissoras, mas não confirmadas, feitas em 2005 e 2012.
Eles não tinham sido documentados com certeza em seu ambiente nativo há mais de meio século, e os especialistas temiam que tivessem sido extintos.
Conduzida pelo zoólogo James K McIntyre, a expedição se reuniu com pesquisadores locais da Universidade de Papua, que também estavam na trilha dos cães.
Uma cópia enlameada de uma pata em setembro de 2016 finalmente iluminou o caminho de todos, oferecendo evidências de que os animais ainda vagavam as florestas densas das montanhas, 3.460 a 4.400 metros acima do nível do mar.
Esses animais são mais comumente dourados, mas também existem em tons mais escuros e amarelados. Suas caudas são altas e em forma de gancho, como as de um Shiba Inu. Em todos os indivíduos observados até agora, as orelhas são eretas e triangulares.
A pesquisa sobre esses animais ainda está em andamento, e um artigo científico sobre a descoberta será lançado nos próximos meses.
A boa notícia é que os pesquisadores estão otimistas sobre suas chances de sobrevivência. Empresas de mineração locais precisaram tomar medidas especiais de proteção ambiental para preservar o ecossistema em torno de suas instalações, o que significa que inadvertidamente criaram um santuário no qual os cães selvagens puderam prosperar. [ScienceAlert]

13.106 – Mundo Cão – Brasil tem 30 milhões de animais abandonados


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Fonte: Folha

O abandono de animais é um problema global. A estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) é de que cerca de 30 milhões de cães e gatos vivam em situação de abandono no Brasil. Em São Paulo, apesar de não haver números oficiais, mais de 500 animais são recolhidos todos os meses por ONGs e instituições de proteção.
Para alertar a população sobre os riscos do abandono de animais de estimação para a saúde pública e dos próprios bichinhos, o CRMV-SP (Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo) lança a campanha ‘Quando a gente gosta é claro que a gente cuida’. O nome da ação é trecho da música “Sozinho”, do compositor Peninha, que cedeu os direitos autorais.
Abandono e maus-tratos são crimes previstos em lei, mas poucos casos são denunciados e se tornam processo
Os animais abandonados estão mais suscetíveis a maus-tratos, a acidentes e, principalmente, a doenças, que podem ser, inclusive, uma ameaça para outras espécies, como animais silvestres, e para a saúde humana. Segundo a OMS, mais de 70% das doenças emergentes e reemergentes são provenientes de animais, ou seja, são zoonoses.

13.070 – Biologia – Saiba por que cachorros grandes vivem pouco


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Na maioria dos mamíferos, quanto maior o tamanho do animal, maior é a sua expectativa de vida. No caso dos cães, no entanto, essa lógica é invertida. Cachorros menores tendem a viver mais do que os de grande porte – e uma pesquisa apresentada durante o encontro anual da Sociedade para Biologia Integrativa e Comparativa, que ocorreu em Los Angeles, nos Estados Unidos, parece ter encontrado o motivo. A causa mais provável é que a maior concentração de radicais livres de oxigênio presente nos filhotes de raças grandes esteja diminuindo sua expectativa de vida.
Radicais livres
Para conseguir energia suficiente para crescer e realizar suas atividades, o corpo precisa quebrar nutrientes presentes no alimento ingerido. Porém, quando isso acontece, algumas moléculas chamadas de radicais livres também são fabricadas no processo – moléculas instáveis que apresentam um elétron e reagem facilmente, podendo oxidar. O problema desses subprodutos é que eles podem danificar as membranas das células e eventualmente contribuir para o desenvolvimento de câncer e outras doenças. Alguns estudos também sugerem que eles podem contribuir para o envelhecimento, embora essa afirmação ainda não seja consenso entre especialistas.
No intuito de comprovar a teoria de que a diferença na expectativa de vida entre os cães de diferentes tamanhos está ligada a esse processo, Josh Winward e Alex Ionescu, da Universidade Colgate, nos Estados Unidos, decidiram recorrer a testes de laboratório. Eles coletaram oitenta amostras de pele extraídas de partes da orelha, almofadas das patas e rabos de filhotes e adultos de raças grandes e pequenas. Em seguida, cultivaram células desses tecidos e, com a ajuda da fisiologista animal Ana Jimenez, também da universidade, fizeram análises.
Os dados obtidos mostraram que as células de cães adultos apresentavam uma produção de energia e radicais livres parecida, independentemente do tamanho de raça, enquanto no caso dos filhotes a quantidade desses elementos era maior nos de grande porte. Segundo os pesquisadores, isso ocorre porque filhotes de raças maiores têm um metabolismo mais acelerado, já que precisam de mais energia para crescer em comparação aos cães menores – e, mesmo com pouco tempo de vida, os radicais livres já podem causar prejuízos a longo prazo nos animais.
Os resultados são preliminares, porém, se estiverem corretos, os cientistas esperam que, no futuro, possam desenvolver suplementos de antioxidantes (que combatem os radicais livres) para aumentar a expectativa de vida dos cães de grande porte. A ideia da equipe é neutralizar o excesso da substância antes que ela prejudique o desenvolvimento dos filhotes.

12.862 – Cão mais antigo achado no Brasil indica domesticação pré-europeus


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Dois dentes (ambos molares) e fragmentos do maxilar encontrados pelos arqueólogos foram os indícios usados para determinar que se tratava de um cão doméstico, provavelmente de porte médio.
Os pedaços da anatomia do animal foram comparados com os de parentes selvagens dos cachorros que, ao contrário deles, são nativos da América do Sul, como o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e o graxaim (Lycalopex gymnocercus) -esses dois, na verdade, estão mais para raposas do que para lobos ou cães. Detalhes das cúspides (as partes “pontudas” dos dentes) e do esmalte dentário, por exemplo, são suficientemente diferentes entre uma espécie e outra para que a identificação seja feita de forma confiável.
Datações feitas com o método do carbono-14, a partir de amostras de colágeno do fragmento de maxilar, indicam que o cão morreu entre 1.700 e 1.500 anos atrás.
O local de origem dos fragmentos, conhecido como Pontal da Barra, abriga um complexo de 18 pequenos morros artificiais de um tipo relativamente comum no Rio Grande do Sul, no Uruguai e na Argentina. São os chamados cerritos, formados por séculos da presença de grupos de caçadores-coletores, muitos dos quais exploravam recursos marinhos (no caso dos cerritos do litoral propriamente dito) ou aquáticos (no caso da lagoa dos Patos).
Também há quem fale na construção de cerritos como monumentos funerários. Coincidência ou não, no morrinho de 36 m de largura apelidado de PSG-07, onde foram encontrados os restos do cachorro, também havia três fragmentos de um crânio humano e um dente de uma pessoa, cerca de meio metro abaixo dos ossos de cão.
Se havia mesmo uma associação entre funerais humanos e o enterro de um cão, a situação em Pelotas talvez não fosse muito diferente da registrada em alguns dos poucos sítios América do Sul afora onde também foram encontrados cachorros da época pré-colombiana. Em escavações na Argentina e no Uruguai, também foi revelada a presença de cães em contextos mortuários.
De fato, a história da domesticação dos cães parece ter sido mais complicada no continente americano do que no Velho Mundo. A espécie certamente foi o primeiro animal a se transformar em parceiro do ser humano em tempo integral, talvez há cerca de 20 mil anos, quando a nossa espécie estava prestes a colonizar as Américas.
Nas Américas do Norte e Central há registros da presença do cachorro doméstico com cerca de 10 mil anos de idade, enquanto na América do Sul só há sinais da espécie a partir de 7.500 anos atrás, com presença mais clara nas regiões montanhosas dos Andes. Por outro lado, entre as sociedades indígenas das chamadas terras baixas sul-americanas -termo que inclui todo o atual Brasil-, quase não se vê sinal dos cachorros domésticos antes da conquista europeia.
Essa história complexa pode indicar que a domesticação do animal ocorreu mais de uma vez de forma independente, e por motivos diferentes. No México pré-colombiano, por exemplo, cães de pequeno porte e pouco pelo, talvez aparentados aos chihuahuas modernos, eram criados como fonte de alimento.
Apesar dos restos esparsos do animal gaúcho, foi possível realizar uma análise química preliminar que indica a possibilidade de que ele tinha uma dieta baseada em recursos aquáticos, como peixes. Mais estudos são necessários para comprovar a hipótese -se esse era mesmo o caso, é plausível que os bichos fossem alimentados com a sobra das pescarias conduzidas pelos moradores da lagoa dos Patos.

12.774 – Biologia e Veterinária – Cães conseguem entender a entonação e as palavras humanas


cães
Em um teste feito com uma cocker, eis o resultado:
“Lana, vamos passear?”
Supõe-se que ela entende a frase, mas presumem que a entonação com que ela é dita surte mais efeito. No entanto, quando a palavra “passear” foi dita de modo neutro, a cachorrinha começou a saltitar em torno da gaveta onde fica sua guia.
É mais ou menos esse o teste que cientistas húngaros fizeram com 13 cães. A conclusão é que os pets entendem tanto o vocabulário quanto o tom da voz de humanos.
A pesquisa feita pela equipe de Attila Andics, da Universidade Eötvös Loránd, de Budapeste, Hungria, mostrou ainda que cães têm a capacidade de distinguir palavras de um vocabulário e captar a entonação da fala dos seus donos usando regiões cerebrais semelhantes àquelas usadas por seres humanos.
O estudo sairá na edição da próxima sexta na revista americana “Science”.
Para Andics, a aprendizagem do vocabulário “não parece ser uma capacidade exclusivamente humana que se segue a partir do surgimento da linguagem, mas sim uma função mais antiga que liga sequências sonoras arbitrárias a significados”.
Para chegar à conclusão do estudo, os pesquisadores mediram a atividade do cérebro dos cães, mas antes foi preciso treinar os cães para ficarem quietos dentro dos aparelhos de ressonância magnética. Eles ouviam então gravações de vozes de seus donos ou treinadores usando várias combinações de vocabulário e entonação, ou elogiando ou de modo neutro.
“A imagem por ressonância magnética funcional fornece um método não invasivo e inofensivo de medição de que os cães gostam”, diz Marta Gácsi, etóloga e coautora do estudo.
Independentemente da entonação, cães reconheceram cada palavra como algo distinto e o fizeram de uma forma similar aos seres humanos, usando o hemisfério esquerdo do cérebro.
Também como acontece com humanos, os pesquisadores descobriram que os cães processam a entonação separadamente do vocabulário, nas regiões auditivas no hemisfério direito do cérebro.
Andics e colegas observaram que o elogio ativa o “centro de recompensa” do cérebro dos cães –a região que responde a estímulos de prazer, como comida, sexo, ser acariciado. Mas o centro de recompensa só era ativado quando o cão ouvia tanto palavras de louvor e com entonação adequada.
Isso mostra que, para os cães, um elogio pode funcionar muito bem como recompensa, mas funciona melhor ainda se as palavras e a entonação baterem. Ou seja: os bichos não só separam o que dizemos e como dizemos, mas também podem combinar os dois para uma melhor interpretação do que aquelas palavras realmente querem dizer –de novo, algo bem similar ao que nós fazemos.
Foram estudados apenas 13 cães, por isso os resultados não indicam diferenças significativas entre raças. Foram usados seis border collies, cinco golden retrievers, um pastor alemão e um cão de crista chinês.
“O único critério é que o cão tem de ser capaz de ficar imóvel para ser digitalizado”, disse Andics à Folha. “Mais tarde, poderemos comparar os padrões cerebrais através dos grupos.”
“Estou certo de que existem diferenças individuais, mas também acho que todas as raças têm essa capacidade”, conclui o pesquisador.
Os resultados indicam que os mecanismos neurais para processar palavras evoluíram bem antes do que se imaginava. Os autores afirmam que é possível que forças seletivas durante a domesticação do lobo possam ter ajudado a criar a estrutura cerebral subjacente a esta capacidade nos cachorros.
“O que torna itens léxicos [palavras] singularmente humanos não é a capacidade neural para processá-los”, dizem os autores. Seres humanos são únicos na sua capacidade de inventar palavras.
Para os amantes de gatos, Andics adianta: “Escolhemos cães para os nossos estudos, porque eles podem fazer isso… Mas assim que um gato for treinado e ficar imóvel, poderemos digitalizá-lo também”, brinca Andics.

12.368 – Por que os cavalos são sacrificados quando quebram uma perna?


Nem sempre isso acontece. Depende da gravidade da fratura e do emprego do animal. Se for um cavalo de corrida e tiver uma fratura grave – como um osso quebrado em vários pedaços –, provavelmente será sacrificado por razões econômicas. O cavalo não é um doente bem-comportado. Ele se movimenta e, mesmo com gesso, a fratura pode não ficar bem consolidada. “Como o animal acaba incapacitado para correr, muitas vezes seu dono opta pelo sacrifício”, explica o veterinário Alexandre Gobesso, da Faculdade de Medicina Veterinária de Pirassununga, interior de São Paulo. Se for um bom reprodutor, as chances de sobreviver serão maiores. “Operamos o animal ou apenas engessamos”. O cavalo fica de molho por trinta dias, dentro de uma baia, e, mesmo que a emenda não fique perfeita, ainda poderá gerar filhotes.

11.772 – Por que nunca vemos os filhotes de pombos?


pombos
Pombos estão por toda parte. Nas praças, nos telhados, na calçada. Ainda assim, os filhotes da ave não parecem estar voando por ai.
Acontece que, apesar de serem bem espertinhos, na hora de se reproduzir, os pombos urbanos costumam ser bem discretos. Na maioria das vezes, eles gostam de manter em segredo a localização de seus ninhos. Os locais preferidos tendem a ser torres de igrejas, prédios abandonados e pontes.
Os filhotes costumam ficar bastante tempo no ninho: o período de aninhamento pode durar até 40 dias. Durante esse tempo, os pequenos são alimentados pelos pais. Logo, quando os pombos “saem de casa”, já estão crescidos e fisicamente parecidos com as aves adultas.
Prestando bastante atenção, é possível distinguir um pombo jovem de um mais velho. O primeiro provavelmente ainda não terá tiras verdes e roxas ao redor do pescoço.

11.454 – Comportamento – A casa agora é dos cães – e não das crianças


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Os bichinhos de estimação nunca foram tão acolhidos, mimados, enfeitados, bem cuidados e desejados no Brasil quanto agora. Nunca mesmo: uma questão incluída na Pesquisa Nacional de Saúde, parte de um levantamento inédito realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que o número de cães nos lares brasileiros superou o de pequenos humanos: de cada 100 famílias no país, 44 criam cachorros, enquanto só 36 têm crianças. A pesquisa foi feita em 2013, mas o resultado do cruzamento dos dados saiu apenas na semana passada. Ele apontou a existência de 52 milhões de cães, contra 45 milhões de crianças de até 14 anos – uma situação que se assemelha à de países como o Japão (16 milhões de crianças, 22 milhões de animais de estimação) e os Estados Unidos (em 48 milhões de lares há cães; em 38 milhões há crianças). Nesses lugares, assim como no Brasil, o principal motivo para essa revolução dos bichos (bem mais amigável que a descrita pela rebelião metafórica de George Orwell) é de ordem demográfica.
Além de entreterem as famílias que têm filhos, os bichinhos são frequentemente a alternativa escolhida para preencher o vazio em lares com pouca gente – e esses lares têm se tornado cada vez mais numerosos. Isso porque, na maioria dos países desenvolvidos, as mulheres vêm tendo menos bebês, e, quando os têm, decidem fazê-lo mais tarde. Ao mesmo tempo, há o aumento da população idosa, cujos filhos já saíram de casa. Ninho e berço vazios reunidos, sobram espaço, tempo e dinheiro para os bebês de quatro patas.

11.404 – Biologia – Cães entendem as palavras ditas a eles


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Cachorros são capazes de responder a diversos comandos feitos por seus donos, mas estes muitas vezes se perguntam se eles entendem o que é dito ou apenas a entonação ou alguma “dica” do que foi falado, respondendo de forma automática? Uma pesquisa publicada recentemente oferece as primeiras respostas para essa questão e indica que o melhor amigo do homem é capaz de processar a fala humana de forma mais sofisticada do que se imaginava.
O estudo, publicado no periódico Current Biology, traz evidências de que os cães são capazes de entender tanto componentes subjetivos da fala, como a entonação e o teor emocional, quando as palavras propriamente ditas.
“Apesar de não podermos dizer quanto ou de que forma os cães entendem informações da fala humana, podemos afirmar que os cães reagem tanto a informações verbais quanto a elementos relacionados à pessoa que fala e que esses componentes parecem ser processados em regiões distintas do cérebro deles”.
A pesquisa mostrou ainda que os cães processam a fala humana em um hemisfério do cérebro, e as informações adicionais no outro. Estudos anteriores já haviam mostrado essa tendência quando eles processam informações sonoras emitidas por outros cães.
Para realizar o teste, os pesquisadores reproduziram uma série de comandos diferentes para os cães, e observaram suas reações. Nesses sons, eles misturaram as variáveis do sentido da fala e as informações adicionais, criando palavras com sentido e sem entonação alguma, palavras sem sentido e sem entonação, com sentido e com entonação e assim em diante.
Os sons foram emitidos a partir de ambos os lados do animal, para que cada ouvido recebesse o estímulo ao mesmo tempo e com a mesma amplitude, e os pesquisadores observavam para que lado os cães viravam a cabeça após escutar cada comando. “O conteúdo que chega a cada ouvido é transmitido principalmente ao hemisfério oposto do cérebro. Se um hemisfério é mais especializado em processar certas informações do som, esses dados devem vir da orelha oposta”, explica Victoria.
Assim, quando o cachorro se virava para a esquerda, indicava que a informação no som reproduzido foi captada mais proeminentemente pela orelha esquerda, o que sugere que o hemisfério direito é mais especializado em processar esse tipo de informação.
Quando eram apresentados comandos falados familiares, os cães mostraram uma tendência de processar principalmente no hemisfério esquerdo (ou seja, se viravam para a direita), porém quando a entonação e outras características da fala eram mais exageradas, era o hemisfério direito que agia principalmente.
Qualquer dono de cachorro sabe que o bicho é perfeitamente capaz de compreender gestos e olhares, como a indicação de um local para o qual apontamos ou um olhar de reprovação. O que poucos sabem, porém, é que essa habilidade de compreensão da nossa linguagem corporal é extremamente rara entre os animais — nem mesmo os chimpanzés podem interpretar tão bem nossos gestos quanto os cachorros.
Além de entender nossos gestos e olhares, cães também podem ser treinados para aprender palavras e seus significados. Certa vez, uma pesquisadora da Alemanha descobriu que seu cachorro aprendeu os significados de dezenas de novas palavras por meio de um processo de dedução lógica igual ao que crianças usam para descobrir nomes de objetos desconhecidos. Em outro experimento, um professor de psicologia conseguiu fazer com que sua cadela aprendesse o nome de 1 000 objetos.
Os cachorros podem não falar, mas nem por isso são incapazes de se comunicar com os humanos. Assim como o choro de um recém-nascido pode ter vários significados, os cães usam diferentes tipos de latidos e rosnados para se expressar e ser compreendido pelos humanos — pesquisas mostram que os latidos representam apenas 3% das vocalizações dos lobos, provando que o hábito de latir é mesmo um recurso decorrente da domesticação. Outros estudos indicam ainda que a maioria dos donos parece entender os significados dos diversos latidos de seus cachorros.
Ao contrário do que acontece em outros grupos de animais, os líderes das matilhas não são um casal reprodutor dominante, mas sim os cães que têm mais amigos. Quanto maior a “rede de contatos” de um cachorro, maiores são as chances de que os outros o considerem um líder e o siga aonde ele for.
Existem fortes indícios de que o sentimento de empatia, ou seja, de se sentir mal ao ver alguém sofrendo e ficar feliz quando alguém sorri, está presente nos cães. Em 50% dos casos de briga entre dois cachorros, um terceiro elemento que não estava envolvido na luta se aproxima do perdedor. A aproximação aconteceu mesmo nos casos em que esse terceiro elemento não tinha visto o embate. Isso significa que os cães reagem ao comportamento do companheiro de espécie que indica a derrota.
A inteligência dos cachorros também tem seu lado negativo. Um estudo realizado na Universidade de Viena, na Áustria, mostrou que os cães sabem quando estão ou não sendo observados pelo dono e se comportam de formas diferentes de acordo com isso. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que os animais desobedecem mais ordens quando os donos não estão no mesmo ambiente que eles ou estão distraídos por alguma outra atividade, como ler ou ver TV.

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11.370 – Veterinária – Alimentos perigosos para gatos


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Muitos donos de gatos agradam seus pets com pedaços de comida humana. Mas esses petiscos podem fazer mal ao bichano. Alguns alimentos inofensivos ao homem são tóxicos aos felinos. Anemia, lesões intestinais e doenças renais são algumas das complicações causadas por comidas como cebola, leite e osso. “O gato é carnívoro e precisa basicamente de proteína em sua dieta”, diz o veterinário Wagner Luis Ferreira, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
A ração, seca ou molhada, é a melhor opção à alimentação do gato. “Comidas ingeridas por humanos dificilmente oferecem todos os aminoácidos que o gato precisa, como a taurina, essencial à saúde cardíaca do bicho”, explica Ferreira. “Mas agradar o gato de vez em quando com petiscos inofensivos, como iogurte e atum, não faz mal”, afirma o veterinário Marcio Antônio Brunetto, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP) e especialista em nutrologia de cães e gatos.

Comidas temperadas com alho e cebola
O alho e a cebola são alimentos altamente tóxicos para os gatos. “Eles têm, respectivamente, dissulfeto de alipropila e alicina, substâncias que desintegram os glóbulos vermelhos dos felinos e, assim, causam anemia”, diz o veterinário Marcio Antônio Brunetto, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP) e especialista em nutrologia de cães e gatos.
Osso
Ao roer ossos, gatos podem sofrer lesões nas mucosas do trato gastrintestinal, inclusive perfurações. O osso é um alimento mineral que eleva a concentração de sais mineirais, como o cálcio, na urina. “Por ser um animal de deserto, o gato bebe pouca água. Por isso, costuma ter complicações no trato urinário. A dieta rica em minerais pode piorar esse problema”, diz Marcio Antônio Brunetto.
Gordura animal
Agradar o felino com a gordura aparada da carne não é uma boa prática. A gordura animal é altamente calórica — 1 grama tem 9 calorias — e, por isso, favorece a obesidade, problema que afeta muitos bichanos. Além disso, ela pode causar vômito e diarreia. Em excesso, leva à pancreatite, um distúrbio gastrointestinal.
Uva
“Trata-se da fruta mais perigosa para os gatos”, diz o veterinário Wagner Luis Ferreira, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Se ingerida em grandes quantidade, ela pode causar lesão renal aguda nos felinos. Os veterinários ainda não sabem qual é o componente da uva que prejudica os bichanos.
Azeitona
A azeitona em si não é prejudicial ao pet. O sódio de seu tempero, no entanto, é perigoso para os animais hipertensos e portadores de doença renal crônica.
Leite
O gato pode ser alimentado com leite de vaca até os 45 dias de vida. Depois disso, a lactase, enzima que digere a lactose do leite, se torna inativa. Em adultos, o leite pode desencadear diarreia e vômito, e, por ser rico em cálcio, contribuir para a formação de pedra no rim.
Já o iogurte não ameaça a saúde do bichano. Ao contrário, suas bactérias probióticas são benéficas ao intestino do animal. “Mas o iogurte deve ser dado ao gato apenas como um agrado, e não fazer parte da dieta habitual dele”.
Pão
Para humanos, o carboidrato, encontrado em alimentos como pães, massas e arroz, é um alimento que fornece energia. Já para os felinos esse nutriente é dispensável. Os bichanos obtêm energia por meio de um processo chamado neoglicogênese, que consiste na formação de aminoácidos a partir da quebra de moléculas de proteína. Oferecer comidas ricas em carboidrato para gatos favorece a obesidade.
O café estimula o sistema nervoso central tanto de humanos, quanto de gatos. A bebida acelera o metabolismo e, assim, pode causar taquicardia em felinos hipertensos.

11.258 – Biologia – O Raciocínio Animal


Cãozinho esperto
Cãozinho esperto

O próprio Charles Darwin é um precursor da noção moderna de como a ciência vê os animais. Para o homem que descobriu a identidade do projetista de homens e animais (a seleção natural), a mente parecia seguir uma certa continuidade ao longo da evolução das espécies. Os bichos mais abaixo na escala evolutiva também teriam inteligência e sentimentos, só que em níveis distintos. E Darwin estava certo. “As evidências de hoje indicam que muitos animais sentem alegria, tristeza, pena…”, diz o biólogo Marc Bekoff, da Universidade do Colorado.
Claro que as pesquisas têm limitações: não existe uma máquina capaz de entrar na cabeça de um gorila, de um cachorro ou de uma galinha e mostrar o que é ver o mundo com os olhos de um gorila, de um cachorro ou de uma galinha. Mas dá para chegar mais perto do que você imagina.
Um camaleão não sabe que está mudando de cor quando se camufla. Cobras não têm consciência de que enganam predadores quando se fingem de mortas.
Por outro lado, um corvo que entorta um arame com o bico para utilizá-lo como vara de pesca não está agindo de forma programada. Corvos fazem isso para fisgar peixes. E tiveram de ser criativos para isso, tanto quanto nós, humanos, quando inventamos nossas varas e anzóis num dia qualquer há 80 mil anos. Os corvos agregaram uma nova ferramenta ao seu kit de instintos. Mas chamar isso de inteligência pode? Não só pode como deve.
Mas para começar a entender como funciona a inteligência em mentes que não são de Homo sapiens, temos que compreender como elas percebem o mundo. Para os humanos, uma rosa é uma flor romântica. Para um besouro, ela é um território de caça. Um leopardo mal percebe que as rosas existem. Um cachorro não vai ligar pra ela, a menos que ela contenha xixi de outro cachorro ou tenha sido tocada pelo dono.
Assim, o universo dos cachorros é um estrato de cheiros diferentes. Talvez por isso eles não liguem para a própria imagem no espelho. Mesmo que não concluam que a imagem é a deles, não sentem nenhum cheiro diferente, então não interpretam como sendo outro cachorro. Esse supernariz também lhes confere a habilidade de um detetive. Graças aos odores que você exala e às células epiteliais que deixa pelo caminho, seu cão sabe quase tudo sobre você: por onde andou, que objetos tocou, o que comeu, se beijou alguém ou se correu um pouco. Exceto a comida, claro, ele não se interessa pelos outros dados. O olfato do cão é capaz até de rastrear doenças em humanos, como mostra um recente estudo da Universidade Kyushi, no Japão. O labrador Marine, de 8 anos, detectou câncer de intestino ao cheirar o hálito e as fezes de pacientes. Tumores de pele, pulmão e bexiga também já foram farejados por cães em estudos anteriores.
Poucas coisas incomodam tanto quanto choro de gato com fome. Parece que ele vai morrer se você não der comida na hora. Mas não se desespere: pode ser um truque do bichinho. A cientista Karen McComb, da Universidade de Sussex, na Inglaterra, descobriu que alguns gatos emitem uma súplica de alta frequência, similar ao choro de um bebê, que dispara um senso de urgência no cérebro humano. Resultado: os donos se sentem compelidos a alimentá-los. Isso é um instinto que animais domésticos desenvolvem. Eles nascem sabendo isso. Então não é indício de inteligência para valer, certo? Errado: “Dos gatos que analisamos, só choravam assim os que viviam em casas habitadas por uma só pessoa. Ou seja: gatos aprendem a enfatizar dramaticamente o choro quando vivem com humanos numa relação de um para um”, diz McComb.
Uma pá de cal numa antiga noção da ciência: a de que sempre há uma relação direta entre o tamanho do cérebro e a capacidade cognitiva. Com seu cérebro de 9 g (o nosso tem 1 500 g), o papagaio era mais perspicaz que um cachalote – dono do maior cérebro do planeta, com quase 8 quilos. A proporção entre o tamanho do cérebro e o tamanho do corpo também não diz tudo, pois favorece bichinhos nada brilhantes. No esquilo, por exemplo, a relação entre o tamanho do cérebro e o do corpo é de 3%, contra 2% no homem.
Outra explicação clássica é o tamanho do neocórtex. É a parte mais externa do cérebro, justamente a que evoluiu por último no reino animal. Só os mamíferos têm (e o nosso é enorme). Mas hoje sabbe-se que ele não é indispensável para o pensamento.
O Homo sapiens é o único animal capaz de dominar sintaxe, formar frases complexas e registrar o que pensa. Fato. Mas alguns bichos podem compreender a nossa linguagem quase como se fossem uma pessoa – embora não consigam reproduzi-la com a desevoltura de um papagaio .
Mas poucos animais mostram suas emoções com tanta clareza quanto os elefantes. Eles ficam de luto, por exemplo. Quando reconhecem a ossada de um membro do grupo, eles gentilmente se reúnem em volta dele. Joyce Poole, que estuda elefantes há mais de 30 anos, acredita que órfãos dessa espécie sofrem de depressão, até: filhotes que presenciaram a mãe ser morta acordam gritando. Chimpanzés órfãos também são emotivos: passam horas se despedindo do corpo da mãe. Vacas também têm seus momentos down. Mas a maior característica delas é outra: são fofoqueiras. Formam pequenos grupos de amigas, têm rixas com outras vacas e guardam rancor por anos. Elas também sentem prazer ao vencer desafios. Um estudo da Universidade de Cambridge mostrou que, quando elas aprendiam a abrir uma porta para obter comida, por exemplo, suas ondas cerebrais e seus batimentos cardíacos mostravam um alto nível de excitação. Acontecia a mesma coisa quando elas estavam prestes a transar – mesmo quando quem vinha por trás era outra vaca, brincando de montar em cima dela.
O prazer com o sexo também parece universal. E entre os mamíferos é parecido com o nosso. Às vezes, melhor. As fêmeas de bonobo têm órgãos sexuais enormes, do tamanho de bolas de futebol. E clitóris comparável a um dedo. Elas passam o dia se masturbando e chamando para a cama qualquer macho que passe pela frente – até por isso os bonobos são os mais pacíficos entre os grandes macacos: os homens não brigam por mulher. E mulher não briga por homem: na falta de macho, elas se viram entre si.
Nada é tão comum entre nós e as outras coisas vivas do mundo quanto a busca pelo prazer. Hipopótamos estiram as pernas para deixar que os peixes mordisquem seus dedos, numa verdadeira sessão de massagem. Os batimentos cardíacos dos cavalos caem quando têm o cabelo da nuca escovado. Eles relaxam.
Galinhas se preocupam com o futuro. Cientistas ensinaram galinhas a bicar 2 botões para obter 2 recompensas distintas. Com o botão 1 elas esperavam pouco (2 segundos) para obter pouca recompensa (3 segundos de acesso a comida). Com o 2, elas esperavam muito (6 segundos) para obter muito (22 segundos de comilança). A conclusão? A pesquisadora britânica Christine Nicol resume: “Com incentivo, as galinhas foram capazes de exercer auto-controle”.

LÍNGUA PRIMATA

O vervet aqui em cima, um miquinho africano, tem um idioma próprio. É um sistema de alarmes sonoros, em que cada grunhido corresponde a um predador. Grandes macacos, como chimpanzés, também usam gestos e expressões faciais. E tentam levar vantagem em tudo. Um macaco que tem uma lesão na pata e descobre que, enquanto estiver ferido, não é atacado pelo macho dominante, continua mancando na frente dele depois de a ferida ter sarado completamente.

QI canino
Os mais inteligentes
• Border collie
• Poodle
• Pastor alemão
• Golden retriever
•Doberman

Os mais ou menos
• Dálmata
• Husky siberiano
• Greyhound
• Boxer
• Dinamarquês

Os menos
• Shih-tzu
• Chow chow
• Buldogue
• Basenji
• Afghan hound

Os mais espertos
1º Grandes macacos e cetáceos
Chimpanzés, gorilas, golfinhos e baleias se comunicam bem entre si e se entendem com os humanos.

2º Corvídeos
São aves superdotadas. Vivem em sociedades complexas, se reconhecem no espelho (coisa rara no mundo animal). E confeccionam ferramentas.

3º Carnívoros sociais (leões, hienas, lobos)
Não são grandes crânios, mas na hora da caça cooperam com mais eficiência que um time de futebol. Os cachorros, parte desse grupo, são os que melhor entendem nossa mente.

4º Animais de rebanho (vacas, cabras)
Têm cara de burros. São burros. Mas mantêm alguns vínculos sociais. E sentem prazer, excitação e ansiedade.

11.149 – Cão policial é homenageado por oficiais antes de ser sacrificado


cão homenageado

O cão policial aposentado Sultan, de 13 anos, recebeu uma emocionante homenagem da polícia antes de ser sacrificado.
Sultan foi o primeiro cachorro policial da cidade de Yarmouth, no estado norte-americano do Maine.
Ele se aposentou aos dez anos de idade, após fazer um ótimo trabalho farejando drogas e bandidos.
O oficial Shane Stephenson, que acabou adotando o pastor alemão após a aposentadoria dele, contou que o cão era amigável e brincava com seu filho bebê.
“Mas quando se tratava de trabalho, ele era um dos melhores também”, elogiou o policial.
Sultan sofria de convulsões e artrite e foi sacrificado logo após a homenagem, no dia 13 de fevereiro.