13.857 – Mega Techs – China apresenta sua futura estação espacial


estação espacial chinesa
Com um manequim usando traje de astronauta e adornada com bandeiras chinesas vermelhas e amarelas, a nave branca foi uma das grandes atrações da Feira Aeronáutica e Aeroespacial realizada em Zhuhai, no sul do país.
Deve se tornar a única no espaço após a retirada planejada da Estação Espacial Internacional (ISS).
A Estação Espacial Chinesa (CSS), também chamada de Tiangong (“Palácio Celestial”), terá três partes: um módulo principal com cerca de 17 metros de comprimento (local de vida e trabalho) apresentado nesta terça-feira e dois anexos (para experiências científicas).
Três astronautas poderão viver continuamente na estação, com um peso total de pelo menos 60 toneladas e equipada com painéis solares. Eles poderão realizar pesquisas em ciências, biologia e microgravidade.
A montagem da CSS deve começar por volta de 2022. Sua expectativa de vida é estimada em 10 anos.
A estação chinesa deve se tornar a única estação que voa no espaço após a retirada planejada em 2024 da ISS, que associa os Estados Unidos, Rússia, Europa, Japão e Canadá. Será, no entanto, muito menor.
“A China vai utilizar sua estação espacial da mesma maneira que os parceiros da ISS utilizam a sua atualmente: pesquisa, desenvolvimento de tecnologia e preparação das equipes chinesas para voos de longa duração”, explicou Chen Lan, analista para o GoTaikonauts.com, site especializado no programa espacial chinês.
A China anunciou, por outro lado, junto ao Escritório de Assuntos Espaciais da ONU, que sua estação estará aberta a todos os países para realizar experimentos científicos.
Institutos, universidades e empresas públicas e privadas foram convidadas a apresentar projetos. A China recebeu 40 propostas de 27 países e regiões, que agora devem passar por um processo de seleção, disse a televisão estatal CCTV em outubro.
“Ao longo do tempo, tenho certeza que a China colherá bons frutos”, prevê Bill Ostrove, especialista em questões espaciais na Forecast International, escritório de aconselhamento americano.
“Muitos países e um número crescente de empresas privadas e universidades têm programas espaciais, mas não o dinheiro para construir sua própria estação espacial. A possibilidade para eles (graças a China) de enviar cargas úteis para uma plataforma de voo habitada e realizar experimentos é algo extremamente precioso”, observa.
A Agência Espacial Europeia (ESA) já está enviando astronautas para treinar na China com o objetivo de viajar um dia para a estação chinesa.
Apesar da rivalidade entre Pequim e Washington, engajados numa guerra comercial, um astronauta americano poderia trabalhar a bordo da CSS.
“A agência espacial chinesa e a ONU poderiam planejar algo assim. Mas não é certo que o Congresso americano seja da mesma opinião”, apontou Chen.
Pequim investe milhões de dólares em seu programa espacial, coordenado pelo exército. Coloca os satélites em órbita, por conta própria (observação da Terra, telecomunicações, sistema de geolocalização Beidu) ou para outros países. Também espera enviar um robô a Marte e humanos à Lua.
O gigante asiático se tornará “uma das grandes potências do espaço”, mas a Rússia, o Japão e a Índia continuarão a desempenhar “um papel importante” e “os Estados Unidos continuam sendo o poder espacial dominante atual”, diz Bill Ostrove.
“As empresas privadas também estão se tornando cada vez mais importantes no mercado espacial, tornando difícil para um ou dois países dominar a indústria da mesma forma que os Estados Unidos fizeram durante a Guerra Fria”. aponta.
“Dominar o espaço nunca foi uma meta para a China”, disse Lan. “Mas as questões comerciais estão se tornando cada vez mais importantes no espaço, e ela percebe a inovação e a ciência como importantes impulsionadores econômicos”.

13.843 – Curiosidades – Quanto Ganha um Astronauta?


astronauta ganhos
Depende do tipo da carreira do cidadão. Astronautas podem ser tanto civis, com formação em ciências exatas (como engenharia ou medicina, por exemplo), como militares. Mas o fato de estarem ou não neste miserável planeta não interfere nos honorários.
Galerinha da geração que quer saber de grana, felicidade, mimo e burro na sombra, é o seguinte: um astronauta civil recebe, segundo informações da Nasa, entre US$ 64.724 e US$ 141.715 por ano. Esse salário varia conforme um sistema de cargos do governo americano. Já os astronautas militares são nomeados para a Nasa por um tempo de serviço especificado e permanecem recebendo seus salários de militares. No Brasil, o único astronauta era militar: tenente-coronel Marcos Pontes está hoje na reserva.
Ou seja, eram os astronautas milionários? Não. Mas dá para fazer um estrago na Black Friday (mas não na Black Fraude).
Segundo Tom Jones, astronauta e membro da Association of Space Explorers (Exploradores do Espaço), não há garantia de bônus ou promoções após um voo espacial. O que o astronauta pode receber é, no máximo, um reembolso da viagem de menos de US$ 100 (cerca de R$ 200), usado para cobrir algumas despesas com acessórios feitas antes ou depois da missão. Grana do cafezinho.

13.841 – Má Ideia – Rússia deseja lançar missão a Marte em 2019


trajetoria foguete
O programa espacial russo é ambicioso, já que a Lua também está no pacote. Os planos para explorar nosso satélite natural incluem um pouso para 2019, testes com tecnologias que podem ser usada em uma base permanente em 2023, retorno para a Terra com solo lunar em 2025 e estabelecimento da tão sonhada base por volta dos anos 2040 e 2050.
Esse plano parece muito mais promissor que a ideia de ir para Marte. Isso porque não é tão simples sair voando e chegar no Planeta Vermelho. Além de toda tecnologia, é preciso esperar a hora certa. Um momento em que as órbitas dos dois planetas se coincidam, com apenas 56 milhões de quilômetros separando Marte e a Terra.
O momento, conhecido como janela de lançamento, ocorre a cada 26 meses. A próxima começa em maio e se encerra em junho deste ano. A NASA pretende, inclusive, aproveitar para lançar a missão Insight Lander no dia cinco de maio, viajando por sete meses até chegar ao nosso vizinho, no dia 25 de novembro.
Depois disso, somente na metade de 2020. Ou seja, se a Rússia realmente quiser mandar uma missão para marte, seu foguete teria que pegar um caminho mais longo, dando uma volta pelo Sol e percorrer uma distância de 401 milhões de quilômetros. Alguém manda um recado para o Putin: é melhor esperar uns meses a mais.

13.836 – Astronomia – A comunicação entre a Terra e robôs em Marte


Robô Curiosity
Robô Curiosity

Em 2012 a Agência Espacial Americana, a NASA, enviou ao planeta Marte uma sonda robotizada com a missão de explorar o desconhecido astro, analisando as suas formações rochosas, solo, atmosfera e tudo mais, a procura da existência ou não de vidas passadas (muito provavelmente seres vivos microbianos) e estudar a formação do planeta afim de saber se o seu ambiente alguma vez na história já possa ter sido conveniente para a formação da vida como nós a conhecemos hoje.
Essa sonda recebeu o nome de Curiosity e é o primeiro laboratório móvel completo enviado a outro a planeta; terá por função estudar o solo marciano por cerca de dois anos. Essa sonda está equipada com um braço mecânico capaz de fazer furos, câmeras, sensores térmicos e de movimentos, etc, mas um de seus componentes mais importantes são as antenas, que são usadas para a transmissão de dados para a Terra. Existem três diferentes antenas acopladas à sonda: uma de baixo ganho, uma de alto ganho e uma antena do tipo UHF (Ultra High Frequency; Frequência Ultra Alta).
A primeira antena está ligada a um rádio lento, de baixa potência UHF. Ele é capaz de transmitir uma pequena taxa de dados para outras sondas orbitantes em Marte ou também diretamente para a Terra. Foi projetado para ser usado em situações de emergência, quando os demais dispositivos de transmissão falharem.
A segunda antena está ligada a um rádio UHF de alta velocidade. Este por sua vez transmite as informações rapidamente para as sondas orbitantes do planeta (Odyssey, Mars Reconnaissance Orbiter e Mars Express), a taxas entre 256 kbits/s a 2 Mbits/s e possui um consumo de apenas 15 watts. É o principal meio de comunicação, estima-se que cerca de 31 megabytes de dados cheguem à Terra por dia através deste canal.
Por fim, a antena de alto ganho. Ela conecta diretamente a sonda Curiosity com os cientistas e engenheiros aqui na Terra e por tal motivo este canal só se encontra disponível durante três horas do dia, devido ao alinhamento dos planetas e questões de energia. Esta antena usa um rádio que consome 40 watts e transmite apenas 12 kilobits por segundo. Existe um atraso de 20 minutos na transmissão das informações, pois o sinal precisa percorrer a distâncias superiores entre 100 a 400 milhões de quilômetros entre a Terra e Marte. Por ser um canal de comunicação direto, a NASA o utiliza para enviar comandos a sonda e também para receber dados críticos.
Na Terra, os sinais são captados por antenas de até 70 metros de diâmetro, que fazem parte da Deep Space Network (utilizada também para comunicação com todos os outros satélites e outras missões espaciais).

13.802 – SpaceX vai levar um passageiro em viagem ao redor da Lua


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Viajar a passeio até a Lua ainda é um sonho impossível, mas um privilegiado vai poder chegar perto dela: a SpaceX, do bilionário (e agora polêmico) Elon Musk, revelou que irá transportar o seu primeiro turista espacial ao redor da Lua. O valor da “passagem” não foi informado.
Pelo Twitter, a companhia afirma ter fechado o primeiro contrato do mundo para levar um passageiro a uma volta ao redor da Lua. O nome da pessoa foi não anunciado, mas a SpaceX promete dizer quem é o felizardo (ou felizarda) na próxima segunda-feira (17-09-2018). Quando perguntado sobre isso na rede social, Musk respondeu com uma bandeira do Japão. É uma pista.
Em fevereiro do ano passado, a Space relatou planos de fazer a primeira viagem de turismo espacial com dois passageiros até o fim de 2018, mas utilizando o foguete Falcon Heavy e a nave Dragon. Porém, neste ano, Musk revelou que não pretendia empregar a Falcon Heavy em missões tripuladas.
Em vez da Falcon, a SpaceX deve usar o foguete Big Falcon Rocket (BFR) e a nave Big Falcon Spaceship (BFS). Quando a viagem acontecerá? Eis outro mistério: talvez essa informação seja revelada na segunda-feira, mas, muito provavelmente, não será em um prazo curto, pois a missão depende, entre outros fatores, do nível de desenvolvimento do BFR e da BFS.
Projetado para ser reutilizável, o BFR foi anunciado oficialmente em setembro de 2017. Com custo de desenvolvimento estimado em US$ 10 bilhões, sabe-se que o foguete transportará até 150 toneladas e poderá substituir os veículos Falcon 9 e Falcon Heavy. Mas não está claro quando o equipamento estará efetivamente pronto.
A BFS também está em desenvolvimento e, por ter um projeto mais complexo do que a Dragon, não vai ficar pronta tão cedo. A SpaceX espera que os testes iniciais com a nave comecem até o fim de 2019, porém.
Por conta desses fatores, há quem aposte que o misterioso turista espacial só irá realizar a sua viagem a partir de 2024. É verdade que Musk chegou a dizer que o BFR fará o seu primeiro voo (para Marte) em 2022, o que poderia antecipar a viagem turística para o mesmo ano ou para 2023, mas as previsões dele costumam ser demasiadamente otimistas.

13.723 – Programa Espacial Russo – Gagárin na Pele dos 3 Mosqueteiros


programa russo
O baú de segredos do programa espacial russo, aberto com a perestroika de MikhaiI Gorbachev,  revelou histórias curiosas. Yuri Gagarin, por exemplo, o astronauta que em 1961 realizou o primeiro voo orbital tripulado, não sabia exatamente para qual missão estava sendo preparado. Só na hora de entrar na cápsula é que ele tomou conhecimento de que seria o primeiro homem a cruzar o espaço. Surpreso, não se fez de rogado e aproveitou para fazer sua profissão de fé: “Camaradas, abrirei o caminho no espaço e, se houver dificuldades, superarei como convém a um comunista”. No momento de deixar a Terra, porém, o astronauta deve ter se lembrado das leituras de infância e dos três mosqueteiros, lendários personagens de Alexandre Dumas. E, do alto da rampa de lançamento, bradou o solidário grito de guerra do famoso trio: “Amigos, um por todos e todos por um”.

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13.661 – Astronomia – Saiba como avistar a Estação Espacial Internacional a olho nu


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Três astronautas estão a mais de 400 quilômetros do chão, girando ao redor de nosso planeta a incríveis 27 mil quilômetros por hora. A esta velocidade, eles completam 15 órbitas por dia em volta da Terra (e pensar que há pouco tempo já chegamos a achar uma façanha dar uma única volta ao mundo em 80 dias). A mega-obra de engenharia que abriga esta tripulação é a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), fruto de um esforço multinacional que resultou na conclusão do projeto em 2000. Desde então, o satélite habitável jamais ficou sem seres humanos – são 14 anos ininterruptos no espaço, um recorde absoluto na história da exploração espacial.

DE TEMPOS EM TEMPOS, A ISS PODE SER VISTA A OLHO NU DE QUALQUER LUGAR DO BRASIL

A própria NASA oferece um serviço muito bacana para conseguir achar com exatidão a ISS: o site Spot The Station (Detecte a Estação) tem um catálogo de milhares de cidades pelo mundo, basta procurar pela sua localidade para ter acesso a uma lista detalhada com todas as próximas oportunidades de observação, incluindo dia, hora e o local do céu para onde se deve olhar. Confira um exemplo para São Paulo. Outro ótimo recurso disponibilizado é o de alertas, que te avisa por e-mail ou SMS quando a estação passará por cima de onde você mora.
O site ISS Astro Viewer oferece algumas ferramentas bem interessantes em tempo real: ele mostra o que os astronautas da tripulação estão vendo quando olham para baixo, além de determinar em um mapa a localização exata do satélite em relação à superfície e de sua rota. O serviço também conta com um localizador de cidades e oportunidades, mas com um diferencial – ele inclui em barrinhas verdes o quão brilhante a ISS estará na ocasião. Conseguimos saber, por exemplo, que em São Paulo a estação estará mais visível no dia 10 de dezembro, com brilho máximo.
A última dica é baixar um dos vários aplicativos existentes que ajudam a achar a ISS. Se você tem um aparelho Android, recomendamos o ISS Detector, que indica por GPS para onde olhar e também emite alertas e monitora até as condições climáticas. Para sistemas iOS, o ISS Spotter é uma boa opção, com funções bastante parecidas.

13.660 – Estação Espacial Internacional estará visível de São Paulo


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Foi em 23/04 de 2018

O que diferencia essa passagem da estação é o fato de ser em um horário acessível para que mais pessoas possam vê-la. Segundo previsão da NASA, a ISS ficará visível por cinco minutos a partir das 18h37.
A estação apareceu pelo noroeste e saiu na direção sudoeste, chegando a uma altitude máxima de 80º. A previsão é de um céu claro e que favoreça a observação.
É possível acompanhar os movimentos da ISS e a perspectiva dos astronautas que estão nela por meio do site da estação. Além disso, a agência espacial americana tem uma seção que ajuda os visitantes a encontrarem os pontos e datas em que poderão observar a estação.

13.653 – Agência espacial russa descobre formas de vida na superfície da ISS


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Testes realizados na superfície da Estação Espacial Internacional (ISS) já sugeriam que micrometeoritos e poeira de cometas que recaem sobre a órbita terrestre baixa poderiam conter formas de vida alienígenas ou extraterrestres. Agora, após pesquisas com amostras de poeira coletadas na ISS, cientistas russos informaram à agência de notícias Tass seu avanço nos estudos. De acordo com a agência espacial russa Roscosmos, há motivos para acreditar que pode haver formas de vida microbianas e de origem inteiramente extraterrestre na superfície da ISS.
“Os micrometeoritos e as poeiras das cometas que se fixam à superfície ISS podem conter substância biogênica de origem extraterrestre em sua forma natural”, afirmou a Roscosmos em comunicado divulgado na sexta-feira, segundo a Tass.
Entenda o caso
Astronautas russos coletaram 19 amostras de poeira da área em questão durante expedições espaciais conduzidas desde 2010, como parte de uma série de experimentos denominados “Test”. Experimentos laboratoriais anteriores, realizados com as amostras, trouxeram a suspeita de que o pó contido na superfície da ISS poderia conter “biomateriais” de origem extraterrestre ou alienígena.
No entanto, de acordo com informações da Newsweek, os analistas teriam que realizar testes mais exaustivos e precisos antes de poder confirmar que as suspeitas de “substâncias biogênicas” referem-se de fato a micróbios de origem extraterrestre. Mesmo assim, os russos expressaram a convicção de que uma análise mais cuidadosa poderá trazer resultados mais definitivos, porque “os especialistas descobriram que a ISS gasta 60% do seu tempo em voos por dentro dos fluxos de substâncias dos cometas”, informou a Tass.
Como prioridade, os pesquisadores teriam que determinar, conclusivamente, se as supostas “substâncias biogênicas” são de origem alienígena ou nativas da própria Terra.

Estudos anteriores
No início de 2014, cientistas da Rocosmos anunciaram a descoberta de vestígios de formas de vida simples, como plânctons microbianos, algas e “DNA bacteriano” em amostras de poeira coletadas na superfície da ISS. Vladimir Soloyev, líder da missão orbital russa na ISS, confirmou, na época, que cientistas haviam encontrado formas microbianas vivas, incluindo o plâncton, em material coletado na superfície externa das janelas da ISS.
“Os resultados da experiência são absolutamente singulares. Encontramos vestígios de plâncton marinho e de partículas microscópicas na superfície do iluminador. Isso deve ser estudado mais a fundo”, disse Soloyev à Tass, segundo informações da Newsweek.
Na ocasião, a equipe de pesquisadores russos informou que os plânctons não poderiam ser levados ao espaço pela própria nave espacial porque não faziam parte da vegetação típica de Baikonur, no Cazaquistão, de onde os russos lançaram seu módulo rumo à ISS.
Porém, os russos sugeriram que os plânctons poderiam ter “se erguido” rumo ao laboratório em órbita a partir de outras regiões da Terra, através de correntes de ar de altitudes mais elevadas. Embora os pesquisadores russos tenham pensado que o organismo não se tratava de micróbios alienígenas, eles constataram que a descoberta forneceu evidências de que formas de vida microbianas poderiam sobreviver no vácuo espacial, mesmo sob temperaturas abaixo de zero e com o bombardeio constante de radiação cósmica. De acordo com os cientistas da Roscosmos, a descoberta sugere que micrometeoritos e poeiras estelares poderiam conter micróbios alienígenas, ou seja, formas de vida microscópica que se desenvolveram integralmente no espaço ou que se originaram em outro planeta.
Polêmicas e divergências
As pistas estimularam os russos a focar o interesse na busca por micróbios alienígenas em amostras de poeira coletadas na superfície da ISS. O porta-voz da Nasa, Dan Duot, confirmou na época que os russos não estavam, originalmente, procurando por micróbios alienígenas quando começaram a coletar amostras na superfície externa das janelas do segmento russo da ISS.
“O que eles procuravam de fato eram resíduos que podem se acumular em elementos visualmente delicados, como janelas, assim como no casco da nave em si que irá se acumular sempre que forem feitos disparos de fogo para garantir a impulsão”, disse Huot à Space.com. “Foi com esse objetivo que eles coletavam amostras”.
Ao mesmo tempo, Huot e outros funcionários da Nasa expressaram seu ceticismo sobre a afirmação dos russos, quando estes indicaram a descoberta de microorganismos vivos na ISS.
“Até onde sabemos, não ouvimos falar de nenhum relatório oficial dos nossos colegas da Roscosmos informando que encontraram plânctons marinhos”, disse Huot em resposta a uma entrevista da Space.com.
No entanto, o Centro Aeroespacial Alemão (DLR) confirmou, mais tarde, estar ciente de que os pesquisadores russos encontraram o “DNA bacteriano” na superfície da ISS. Mas também informou que não poderia confirmar os detalhes da afirmação, nem se responsabilizar pela metodologia adotada no estudo.
“O método por meio do qual as amostras foram analisadas, nesse caso, é questionável, pois não pode detectar todos os tipos de bactéria nem testar se elas estão vivas e se reproduzindo, ou não”, disse a porta-voz do DLR, Alisa Wilken.

Sequência das pesquisas
Embora a Roscosmos não tenha contestado a declaração do DLR, fica evidente a partir da última série de testes que os especialistas russos haviam suspeitado da existência de organismos alienígenas microscópicos ou “DNA” extraterrestre nas amostra de poeira. Os testes atuais estão, portanto, projetados para confirmar ou refutar suspeitas de que o material coletado contém vida extraterrestre.
Enquanto isso, o astrobiólogo britânico e professor Chandra Wickramasinghe, da Universidade de Buckingham, saudou o estudo russo como, potencialmente, o “desenvolvimento mais significativo do século”, que poderia revolucionar a nossa compreensão sobre a vida na Terra e no espaço.
“Estamos mais perto do que nunca de reconhecer que as formas de vida extraterrestre de fato existem. É uma evolução impressionante”, acrescentou, conforme informações da Express. “Durante anos, as pessoas tentaram desmascarar teorias sobre a vida em outros planetas, mas muito em breve isso simplesmente não será mais possível”.
O professor Milton Wainwright, da Universidade de Sheffield e do Centro de Astrobiologia da Universidade de Buckingham, afirmou em uma série de estudos preliminares que havia encontrado partículas semelhantes a algas, de origem extraterrestre, na estratosfera da Terra. Ele também parabenizou as pesquisas russas.
“Estes relatórios em que os cientistas afirmam ter encontrado vida em poeira cósmica é surpreendente”, afirmou. “Formulados a partir de estudos da agência espacial russa, a Roscosmos, são capazes de dar um impulso real ao que dizemos há muitos anos: existe vida fora da Terra”, concluiu. [Inquisitr]

13.623 – Astronáutica – Você sabia que brasileiro chefia missão de Marte na Nasa?


brasileiro na nasa
Ramon Perez de Paula – chefão em missões de Marte

Se você nunca tinha ouvido falar nesse nome, guarde-o. Ele é um dos brasileiros que está há mais tempo na Nasa: começou na agência em 1985. Natural de Guaratinguetá (SP), o cientista de 64 anos foi para os Estados Unidos com a família aos 17 anos por causa do pai, que trabalhava na Força Aérea Brasileira e foi deslocado para o território norte-americano. Nos Estados Unidos, terminou o colegial e seguiu no país mesmo após o retorno do pai. Paula cursou duas faculdades de engenharia (elétrica e nuclear), um doutorado e chegou à Nasa após fazer uma palestra no laboratório JPL (Jet Propulsion Lab) da agência. Anos depois, já estava no quartel-general da empresa. Na Nasa, chefiou missões importantes relativas a Marte como a Mars Reconnaissance Orbiter e a Odyssey. E já está envolvido com projetos futuros como a missão InSight, que vai ser lançada em 2018.

13.622 – SpaceX vai lançar seu primeiro foguete Falcon Heavy destinado a Marte


falcon-heavy
O Falcon Heavy vai ser lançado da mesma plataforma utilizada pela maioria das missões Apollo, destinadas à lua, e terá a maior capacidade de elevação de qualquer espaçonave americana desde a Saturn V, da Apollo.
O atual foguete da companhia, Falcon 9, lança cargas para a Estação Espacial Internacional e coloca satélites em órbita. Os primeiros estágios do foguete frequentemente são reutilizados em outros lançamentos.
O novo Falcon Heavy é uma versão extrema deste foguete, construída para suportar mais carga e ir mais longe: os três primeiros estágios do Falcon 9 irão impulsionar o Heavy para o espaço, e a SpaceX tentará pousar todos os três. Dois serão colocados em terra, enquanto o central, que irá viajar mais longe, pousará em uma grande barca no mar.
O Heavy tem 70 metros de altura e será o foguete operacional mais poderoso do mundo, capaz de levantar cargas úteis de até 57 toneladas métricas em órbita. Para este lançamento, no entanto, terá uma carga útil menor: o carro de Elon Musk, um Tesla Roadster vermelho. Além de CEO da SpaceX, Musk também é CEO da empresa de automóveis elétricos Tesla.
Se tudo der certo, o carro acabará em uma órbita em torno do sol longe o suficiente para alcançar Marte, e vai levar câmeras que devem fornecer “vistas épicas”.

Alto risco
Musk enfatizou que este é um lançamento de alto risco, estabelecendo expectativas baixas para um voo inaugural bem-sucedido.
Os 27 motores do primeiro estágio do veículo terão que acender no momento certo, por exemplo, e o primeiro estágio central sofrerá muito estresse durante o lançamento.
Dito isso, o Falcon Heavy já fez um teste de fogo dos seus motores bem-sucedido, no qual todos do primeiro estágio se acenderam por cerca de 10 segundos na plataforma de lançamento.
“Se algo der errado, espero que vá mal no meio da missão, para pelo menos aprendermos tanto quanto for possível ao longo do caminho. Eu consideraria uma vitória se simplesmente não explodisse no lançamento”, Musk afirmou.
Reconstruir a plataforma de lançamento demoraria de 8 a 12 meses, o que seria um fator limitante para realizar um novo teste rapidamente. “Vamos nos divertir, não importa o que aconteça. Será emocionante de uma forma ou de outra – ou um sucesso emocionante ou um fracasso emocionante”, disse Musk. [Space.com, SpaceX]

Últimas Notícias
O evento foi visto por milhões de pessoas na internet e chegou a derrubar o site da companhia.
O palco principal foi a plataforma 39A, do Centro Espacial Kennedy, da Nasa, a agência espacial dos EUA. De lá, desde 1973 não subia um lançador com capacidade comparável à do Falcon Heavy.
Com efeito, o único a batê-lo em poder de inserção orbital em toda a história do programa espacial americano foi o Saturn V, que levou o homem à Lua nos anos 1960 e 1970.
Uma diferença fundamental separa os dois lançadores, contudo: enquanto o venerável foguete projetado por Wernher von Braun para bater os soviéticos na corrida espacial do século passado foi financiado por um brutal aporte de recursos governamentais – a Nasa então consumia cerca de 5% de todo o orçamento federal -, o Falcon Heavy foi desenvolvido pela SpaceX com dinheiro privado, e seu custo é uma fração do que consumia seu predecessor.
A diferença poderia ser tida como um sinal dos tempos, mas não é só a evolução tecnológica que explica a mudança. Atualmente, a mesma Nasa desenvolve um foguete de alta capacidade similar ao Saturn V, o SLS, e seu custo estimado é de cinco a dez vezes maior que o do Falcon Heavy.
Enquanto um lançamento do novo foguete da SpaceX pode sair por US$ 90 milhões (custo mínimo), um SLS (ainda sem preço exato definido) está mais perto de US$ 1 bilhão.
Essa é a medida do quanto a SpaceX está mudando a noção do custo de acesso ao espaço e incomodando a concorrência, nos EUA e fora dele. De onde vem a diferença? A palavra-chave é inovação, e é o que explica os eventos testemunhados nesta terça na Flórida.

MUDANDO AS REGRAS
O Falcon Heavy tem três propulsores no primeiro estágio, e um no segundo. Todos são baseados nos sistemas desenvolvidos para o Falcon 9, o foguete “velho de guerra” da SpaceX. Na verdade, a melhor definição para o primeiro estágio dele seria a de três primeiros estágios do Falcon 9 amarrados.
Pois bem, esses propulsores não só sobem ao espaço com uma potência incrível como retornam a pousam suavemente após cumprirem sua missão.
Com isso, podem ser reutilizados, algo que inverte completamente a lógica de como transporte espacial tem sido feito até hoje, e o aproxima mais de outras modalidades de transporte criadas pelo ser humano. Ninguém joga fora um helicóptero depois de um único voo. O mesmo se aplica a um avião. Por que jogariam fora um foguete após um único voo?
Musk estava determinado a provar que era possível recuperar as partes do lançador descartadas durante a subida e reutilizá-las. Isso está mais que cabalmente demonstrado a essa altura.

Por sinal, os dois propulsores laterais do Falcon Heavy vieram de missões anteriores do Falcon 9. Fizeram duas viagens ao espaço, portanto, a segunda nesta terça. E pousaram suavemente, ao mesmo tempo, em plataformas em solo. Feito inédito.
O propulsor central do primeiro estágio desceu numa balsa no oceano, mas não conseguiu fazer um pouso suave e terminou seu voo num evento que Musk costuma descrever como RUD, sigla para “Rapid Unscheduled Disassembly”, ou “Desmontagem Rápida Não Agendada”. Eufemismo para destruição completa (e geralmente explosiva).
De toda forma, o segundo estágio já confirmou os dois disparos necessários para colocar numa órbita alta ao redor da Terra. Uma terceira queima, marcada para a 1h de quarta-feira, colocaria o carro Tesla Roadster de Elon Musk e um boneco chamado Starman, em homenagem à música de David Bowie, a caminho de uma trajetória interplanetária na direção da órbita de Marte.
“Reinício do estágio superior normal, apogeu atingido de 7.000 km”, escreveu Musk no Twitter pouco após o lançamento. “Ele vai passar 5 horas sendo banhado pelos cinturões [de radiação] de Van Allen e então tentará o disparo final para Marte.”
Enquanto isso, a SpaceX transmitia imagens ao vivo pelo YouTube do veículo cor cereja da meia-noite girando pacificamente ao redor da Terra — que acabou de ficar um pouquinho menor e menos isolada no Universo depois deste lançamento.

13.542 – Astronáutica – Impressora 3D no Espaço


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No Warm Up Wired Festival Brasil 2017, no MAM de SP, Andrew Rush, CEO da empresa americana Made In Space, líder no segmento de manufatura em gravidade zero, anunciou parceria com a empresa brasileira Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas. As duas empresas estão trabalhando juntas para a criação de peças e ferramentas no espaço, a partir de uma impressora 3D. O próximo passo é a reciclagem desses objetos fora da Terra, o que não deve demorar.

13.510 – Propulsor quebra recordes e pode nos levar para Marte


íons
Um propulsor que está sendo desenvolvido para uma futura missão da NASA para Marte quebrou vários recordes durante seus testes, sugerindo que a tecnologia está no caminho para levar os humanos ao planeta vermelho nos próximos 20 anos, segundo membros da equipe do projeto.
O propulsor X3, projetado por pesquisadores da Universidade de Michigan, em cooperação com a NASA e a Força Aérea dos EUA, é um propulsor Hall – um sistema que impulsiona a espaçonave acelerando uma corrente de átomos eletricamente carregados, conhecidos como íons. Na recente demonstração realizada no Centro de Pesquisa Glenn da NASA, o X3 quebrou recordes do máximo de potência, impulso e corrente operacional alcançados por um hélice Hall até hoje, de acordo com a equipe de pesquisa da Universidade de Michigan e representantes da NASA.
“Nós mostramos que o X3 pode operar com mais de 100 kW de potência”, disse Alec Gallimore, que lidera o projeto, em entrevista ao site Space. “Ele funcionou em uma enorme variedade de energia de 5 kW a 102 kW, com corrente elétrica de até 260 amperes. Ele gerou 5,4 Newtons de impulso, que é o maior nível de impulso alcançado por qualquer propulsor de plasma até o momento”, acrescentou Gallimore, que é decano de engenharia da Universidade de Michigan. O recorde anterior era de 3,3 Newtons.

40 km por segundo
Os propulsores Hall e outros tipos de motores de íons usam eletricidade (geralmente gerada por painéis solares) para expelir o plasma – uma nuvem semelhante a gás de partículas carregadas – para fora de um bocal, gerando impulso. Esta técnica pode impulsionar a nave espacial a velocidades muito maiores do que os foguetes de propulsão química podem, de acordo com a NASA.
É por isso que os pesquisadores estão tão interessados ​​na aplicação potencial de propulsão iónica para viagens espaciais de longa distância. Considerando que a velocidade máxima que pode ser alcançada por um foguete químico é de cerca de 5 quilômetros por segundo, um propulsor Hall poderia levar uma embarcação até 40 quilômetros por segundo, diz Gallimore.

Os motores de íons também são conhecidos por ser mais eficientes do que os foguetes de potência química. Uma nave espacial com propulsão Hall levaria carga e astronautas para Marte usando muito menos material propulsor do que um foguete químico. Um propelente comum para propulsores de íons é o xenônio. A nave espacial Dawn da NASA, que atualmente está em órbita no planeta anão Ceres, usa esse gás.
Em busca de mais Watts

O ponto negativo dos propulsores de íons, no entanto, é que eles possuem um impulso muito baixo e, portanto, devem operar por um longo tempo para acelerar uma nave espacial a altas velocidades, de acordo com a NASA. Além disso, os propulsores de íons não são poderosos o suficiente para superar a atração gravitacional da Terra, portanto não podem ser usados ​​para lançar a nave espacial.

“Os sistemas de propulsão química podem gerar milhões de kilowatts de energia, enquanto os sistemas elétricos existentes só conseguem 3 a 4 quilowatts”, explica Gallimore. Os propulsores Hall comercialmente disponíveis não são poderosos o suficiente para impulsionar uma nave tripulada até marte, acrescentou.

“O que precisamos para a exploração humana é um sistema que pode processar algo como 500.000 watts (500 kW), ou mesmo um milhão de watts ou mais”, aponta Gallimore. “Isso é algo como 20, 30 ou mesmo 40 vezes o poder dos sistemas convencionais de propulsão elétrica”.

É aí que entra o X3. Gallimore e sua equipe estão abordando o problema da energia, tornando o propulsor maior do que esses outros sistemas e desenvolvendo um design que aborda uma das falhas da tecnologia. “Nós descobrimos que, em vez de ter um canal de plasma, onde o plasma gerado é esgotado do propulsor e produz impulso, teríamos vários canais no mesmo propulsor”, explica. “Nós chamamos isso de canal aninhado”.
De acordo com Gallimore, o uso de três canais permitiu que os engenheiros tornassem o X3 muito menor e mais compacto do que um propulsor de Hall de canal único equivalente deveria ser. A equipe da Universidade de Michigan vem trabalhando na tecnologia em cooperação com a Força Aérea desde 2009. Primeiro, os pesquisadores desenvolveram uma hélice de dois canais, o X2, antes de passar para o X3, mais poderoso e com três canais.
Em fevereiro de 2016, a equipe se associou ao fabricante de foguetes com sede na Califórnia Aerojet Rocketdyne, que está desenvolvendo um novo sistema de propulsão elétrica, chamado XR-100, para o programa NASA Next Space Technologies for Exploration Partnerships ou NextSTEP. O propulsor X3 é uma parte central do sistema XR-100.
Scott Hall, doutorando da Universidade de Michigan que trabalhou no projeto X3 nos últimos cinco anos, disse que o trabalho tem sido bastante desafiador devido ao tamanho do propulsor.
“É pesado – 227 quilos. Tem quase um metro de diâmetro”, diz Hall. “A maioria dos propulsores Hall são o tipo de coisa que uma ou duas pessoas podem pegar e carregar ao redor do laboratório. Precisamos de um guindaste para mover o X3”.
No próximo ano, a equipe executará um teste ainda maior, que visa provar que o propulsor pode operar a plena potência por 100 horas. Gallimore diz que os engenheiros também estão projetando um sistema especial de blindagem magnética que deixaria o plasma longe das paredes do propulsor para evitar danos e permitir que o propulsor funcione de forma confiável por períodos de tempo ainda mais longos. Gallimore diz que, sem a blindagem, uma versão de vôo X3 provavelmente começaria a ter problemas após várias mil horas de operações. Uma versão blindada magneticamente pode ser executada por vários anos com força total, segundo ele. [Space]

13.143 – Terra já teve atmosfera como a de Titã


Antes do oxigênio, havia o metano. Essa é, em essência, a mensagem de um novo trabalho realizado por cientistas americanos e britânicos.
O estudo, que envolveu análises de amostras de rocha da bacia da Gricualândia Ocidental, na África do Sul, e modelos teóricos da atmosfera terrestre antiga, sugere que a Terra já teve, há bilhões de anos e ao menos por curtos períodos de tempo, uma atmosfera similar à de Titã, a maior das luas de Saturno, com uma densa névoa de hidrocarbonetos.
A hipótese, se confirmada, ajudará a explicar de que maneira a atmosfera terrestre deu um salto expressivo e rápido na quantidade de oxigênio há 2,4 bilhões de anos, no chamado Grande Evento de Oxigenação.
O trabalho, que tem como primeiro autor Gareth Izon, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, se concentrou em investigar o padrão de distribuição de átomos de enxofre e de carbono orgânico ao longo de camadas sucessivas de rocha que remontam a até cerca de 2,8 bilhões de anos atrás.
Com base nessa análise, combinada a modelos atmosféricos, ficou claro que pelo menos um evento em que a atmosfera foi tomada por névoa de hidrocarbonetos aconteceu antes que o ar ganhasse quantidades apreciáveis de oxigênio.
A exemplo do que acontece em Titã, a névoa surge pela separação dos átomos nas moléculas de metano — o mais simples dos hidrocarbonetos — quando expostas à radiação ultravioleta solar. Experimentos em laboratório mostram como esse processo se dá. Mas existe uma diferença entre isso acontecer num recipiente fechado e na atmosfera.
No ar, sobretudo nas camadas mais altas, a destruição das moléculas também leva a grandes fugas de hidrogênio, o átomo mais leve que existe, para o espaço. O metano, CH4, é quebrado e o H escapa facilmente da gravidade do planeta, deixando apenas o carbono para trás.
Em Titã, esse processo é muito mais suave por conta da distância ao Sol, que resulta em nível de radiação menor e em energia contida nas moléculas e nos átomos, idem. Mas na Terra, sugerem os cientistas, essa perda de hidrogênio seria bastante relevante — e serviria como gatilho para o aumento posterior de oxigênio na atmosfera.
“Altos níveis de metano significavam que mais hidrogênio, o principal gás impedindo o aumento do oxigênio, podia escapar para o espaço, abrindo caminho para a oxigenação global”, disse Aubrey Zerkle, pesquisador da Universidade de St. Andrews e co-autor do estudo.
BIOLOGIA MOLDA O PLANETA
O curioso é que tanto o metano atmosférico quanto o posterior oxigênio atmosférico são produtos da vida na Terra. O primeiro é produzido pelos metanógenos — vida microbiana capaz de gerar o gás como subproduto de seu metabolismo — e o segundo pelas cianobactérias — vida microbiana capaz de fazer fotossíntese e converter CO2 em O2. (Em Titã, é importante ressaltar, o metano é muito provavelmente produto de reações não biológicas.)
OLHO NOS EXOPLANETAS
A importância de compreender a atmosfera da Terra no passado torna-se maior conforme passamos a investigar a composição do ar de exoplanetas lá fora, como os do recém-anunciado sistema Trappist-1. É comum mencionarmos a ambição de detectar uma atmosfera rica em oxigênio, como a nossa atual, indicativa da presença de vida.
Contudo, é igualmente possível que encontremos atmosferas em outras circunstâncias, e não necessariamente indicativas de um planeta morto. Pelo contrário, elas podem meramente representar etapas diferentes da vida, como as que o nosso próprio planeta já vivenciou. Saber como as coisas aconteceram por aqui é fundamental se quisermos interpretar corretamente as histórias que as atmosferas exoplanetárias tentarão nos contar nos próximos anos.

13.032 – Google cria prêmio milionário para quem levar minijipe à Lua primeiro


minijipe
Trata-se do Prêmio X Lunar Google (GLXP), patrocinado pela gigante da internet para fomentar o desenvolvimento de tecnologias espaciais de baixo custo e a exploração do satélite natural da Terra.
A maior bolada –US$ 20 milhões– vai para o primeiro grupo que conseguir pousar na Lua um módulo robótico capaz de se deslocar por no mínimo 500 metros pela superfície e transmitir vídeos e fotos em alta definição de lá.
O segundo colocado, se houver, não sairá de mãos abanando; levará US$ 5 milhões. É importante colocar esses valores em perspectiva, porém. O preço de tabela para o lançamento de um foguete Falcon 9, da SpaceX –o mais barato do mercado com capacidade para levar uma carga útil até a Lua–, não sai por menos que US$ 62 milhões.
E as regras da premiação exigem que 90% do financiamento do projeto seja privado. Ou seja, as equipes precisam ter um plano de negócios que justifique o investimento todo na missão.
Isso explica a intensa movimentação no grid até o último dia de 2016: das 16 equipes atualmente inscritas (antes eram 29), apenas 5 conseguiram apresentar contratos de lançamento. E como o contrato assinado até o fim do ano é pré-condição para seguir na disputa, várias delas estão se associando.
É o caso da brasileira SpaceMETA, liderada pelo engenheiro Sergio Cavalcanti. Ela chegou a ter um acordo assinado para usar o primeiro voo do foguete Cyclone-4 a partir de Alcântara, mas o lançador se desmaterializou com o cancelamento da parceria entre brasileiros e ucranianos.
Agora, para ter alguma chance, ela e outras três equipes tentam se reunir num grupo em torno do grupo internacional Synergy Moon. “Montamos a estratégia de desaparecer e reaparecer com um time global”, disse Cavalcanti à Folha. Detalhe: o contrato da Synergy, embora reconhecido pelos juízes do GLXP, envolve um foguete ainda não testado sequer uma vez em voo.
Movimento similar de emparceiramento de última hora fez a equipe japonesa Hakuto, que se juntou à indiana Team Indus para viajar junto com ela. Mas nesse caso a chance de sucesso é bem maior: elas têm voo assegurado no foguete indiano PSLV –lançador que inclusive já realizou uma missão lunar, a Chandrayaan-1. (Será esse mesmo lançador que levará a Garatéa-L, primeira missão lunar brasileira, em 2020.)

Objetivos
> Pousar suavemente uma espaçonave na Lua

> Viajar 500 metros no solo lunar

> Enviar fotos e vídeos em alta definição

Prêmios

1º colocado – US$ 20 milhões
2º colocado – US$ 5 milhões
Prêmios-bônus – US$ 5 milhões

Prazo final
31 de dezembro de 2017

Equipes
> Team SpaceIL (Israel)
> Team Indus (Índia)
> Part-Time Scientists (Alemanha)
> Moon Express (EUA)
> Synergy Moon (internacional)
> STELLAR (EUA)
> Independence-X (Malásia)
> Omega Envoy (EUA)
> Euroluna (internacional)
> Hakuto (Japão)
> Astrobotic (EUA)
> Team Puli (Hungria)
> SpaceMETA (Brasil)
> Team Plan B (Canadá)
> AngelicvM (Chile)
> Team Italia (Itália)

12.948 – Nasa comprova: motor “impossível” funciona


foguete-nasa
É uma máquina simples: emite-se um feixe de microondas dentro de uma câmara de ressonância – um cone truncado de metal, fechado em todos os lados. Isso produz movimento na direção oposta da base do cone. Sem que nada saia dele, nem o feixe de microondas.
Não é preciso ser físico para ver como essa máquina parece absurda. Para que uma coisa se mova, é preciso que interaja com outra coisa. O jato move o avião forçando ar contra a atmosfera atrás dele. O foguete expele gases, exercendo força contra esses próprios gases – o que explica como funciona no vácuo.
É Terceira Lei do velho e bom Isaac Newton, uma parte de sua física que está longe de ser aposentada. A famosa ação e reação: o movimento é a reação que acontece ao se empurrar outra coisa – a ação.
Mas, como diria Galileu: “no entanto, se move”. A Nasa acaba de provar que o EmDrive produz uma força de 1,2 millinewtons por kilowatt no vácuo. Não é lá grandes coisas: o Hall Thruster, um foguete avançado de plasma, produz 60.
Mas o Hall Thruster precisa, como todo o foguete, de um propelente – isto é, gases a serem expelidos. E esses gases precisam ser carregados até o espaço, tornando o foguete mais pesado e exigindo mais gases ainda para sair da Terra. Esse é o maior custo e o maior empecilho para viagens espaciais, principalmente de longa distância. O EmDrive está em seus primeiríssimos passos: acabam de provar que ele existe. Talvez ele tenha um potencial bem maior, que ainda não conhecemos.
Então chegamos à pergunta de um milhão de dólares: como funciona? E a verdade é que ninguém faz a menor ideia. A Nasa tentou um palpite arriscadíssimo: a máquina está empurrando o vácuo, o que seria possível por meio de uma interação quântica.
O problema é que, para isso ser válido, seria preciso se adotar toda uma explicação heterodoxa para a física quântica, a teoria da onda piloto. Basicamente abandonada nos anos 1930, ela afirma que a incerteza quântica não existe. Isso vai de encontro a tudo o que se entende por física quântica, atirando pela janela o gato de Schrödinger e 80 anos de conhecimento.
O EmDrive não é só uma possível revolução em viagens espaciais, mas algo que está, já agora, só por existir, bagunçando o coreto aqui na bolinha azul.

12.941 – Ciclo do sono faz parte de experiências da nova missão na ISS


iss
Três astronautas –um russo, um francês e uma americana–, decolam do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, rumo à Estação Espacial Internacional. Durante seis meses, eles farão cerca de 200 experiências, entre elas uma sobre o impacto da luz no ciclo do sono. O retorno à Terra será em maio de 2017.
No total, 200 experiências serão realizadas na Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês). O astronauta francês, Thomas Pesquet, 38, vai ajudar diretamente nesses estudos. Equipado com um casaco “inteligente”, ele transmitirá, através de captores, todos os dados sobre sua saúde e ajudar os cientistas a evoluírem nas pesquisas.
Entre as experiências que serão realizadas, estudos sobre o sono, diminuição da massa óssea e o envelhecimento das artérias. “Seis meses no espaço equivale a um envelhecimento de dez anos das artérias na Terra”, disse ao jornal 20 Minutes Pierre Boutouyrie, pesquisador do Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica (Inserm). De fato, Pesquet deve voltar com as artérias de um homem de 48 anos.
O objetivo da pesquisa é conhecer as possibilidades de inverter o fenômeno e propor medidas para desacelerá-lo. De acordo com os cientistas, isso pode ajudar na prevenção de todas as doenças cardiovasculares, as que mais causam mortes no mundo.
Outro interesse desta missão é inventar ferramentas adaptadas ao espaço e que também poderiam ser utilizadas na Terra, como por exemplo um mini scanner.
O trio decola nesta quinta na cápsula Soyuz MS-03 para se posicionar a 200 quilômetros acima da Terra, em uma viagem que terá a duração de 48 horas. Eles devem chegar na Estação Espacial Internacional na noite de sábado (19de nov de 2016).

12.316 -Foguete Proton é lançado com missão russo-europeia ExoMars 2016 a bordo


foguete
Um foguete russo Proton decolou nesta segunda-feira (14 de março) do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, levando a bordo a Exomars 2016, a missão russo-europeia destinada a buscar potenciais testes de atividade biológica no planeta Marte.
O foguete Proton, que decolou das estepes do Cazaquistão, transporta uma sonda capaz de detectar gases em nível de vestígios, chamada TGO (Trace Gaz Orbiter), que “será como um grande nariz no espaço”, explica o argentino Jorge Vago, responsável científico deste programa para a ESA (Agência Espacial Europeia).
O foguete também transporta um módulo de testes de pouso, batizado de Schiaparelli, nome do astrônomo italiano do século 19 Giovanni Schiaparelli, famoso por ter observado os famosos canais de Marte.
Se tudo correr bem, após uma viagem de sete meses na qual percorrerá 496 milhões de quilômetros, o módulo de aterrissagem se separará da sonda em 16 de outubro para pousar sobre o planeta vermelho três dias depois.
O módulo Schiaparelli pesa 600 quilos e tem dimensões de um carro pequeno. Diante da ausência de painéis solares, sua vida útil será de entre dois e quatro dias. É equipado com uma estação meteorológica básica.
Uma vez lançado o módulo de pouso, a sonda TGO entrará em uma órbita elíptica e irá diminuindo sua velocidade para se localizar em uma órbita circular a 400 km de altitude.
No fim de 2017 começará sua tarefa científica. Equipada com instrumentos europeus e russos, a sonda TGO buscará vestígios de gases na atmosfera do planeta, especialmente aqueles com base em carbono, como o metano.
Este gás interessa particularmente os cientistas porque na Terra aparece em 90% das origens biológicas. Além disso, sua vida tem uma duração limitada. Consequentemente, sua eventual detecção pela TGO pode ser um índice possível da presença atual de uma vida em nível de micro-organismos em Marte.
A missão Exomars 2016, que inicialmente foi contemplada em colaboração com os Estados Unidos, foi finalmente realizada junto à Rússia após a deserção da Nasa em 2011 por razões orçamentárias.

12.306 – Astronáutica – Da Terra a Marte em meia hora


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Uma técnica de lançamento de espaçonaves estudada pela NASA poderia reduzir o tempo de viagem para Marte para apenas 30 minutos.
Vale ressaltar que isso ainda está no plano das ideias, pois uma viagem para Marte, hoje em dia, leva de seis a oito meses para ser realizada.
A técnica que poderia reduzir dramaticamente essa jornada espacial é chamada propulsão de energia direcionada. Ela consiste no disparo de um laser de alta potência – entre 50 e 100 gigawatts – em uma espaçonave e, com isso, numa aceleração a uma fração significativa da velocidade da luz, de, aproximadamente, 30%. Desta maneira, o percurso poderia ser realizado em 30 minutos ou em até três dias, no cenário mais pessimista, de acordo com pesquisadores.
A ideia da NASA é aplicar a técnica na exploração de exoplanetas que poderiam abrigar vida num raio de 25 anos-luz da Terra.
A técnica é pesquisada por Philip Lubin, do Grupo de Cosmologia Experimental da Universidade de Santa Bárbara. Ele garante que existe tecnologia para colocar essa revolucionária viagem galáctica em prática:
“Poderíamos impulsionar um veículo robótico de 100 kg [com 1 m de altura] para Marte em poucos dias”.
Apesar da animação toda em torno da técnica, a NASA ainda não tem projetos oficiais em andamento para utilizar esse tipo de propulsão na exploração espacial, apesar da existência de algumas propostas.

12.234 – Nasa vai lançar “pipa espacial” movida a energia solar


pipa
Se a partir de agora, quando estiver lendo sobre o espaço, você se deparar com a imagem de um grande losango prateado flutuando pelo infinito, não se assuste. Na verdade, é melhor você até se acostumar: essa gigantesca pipa espacial é o Near-Earth Asteroid Scout (Observador de Asteroides Próximos à Terra, em português), ou simplesmente NEA Scout, e pode ser o futuro da astronomia.
O NEA, diferentemente dos satélites que existem atualmente no espaço, não utiliza baterias de Ion para ativar sua propulsão. O novo sistema se utiliza dos chamados “ventos solares”. Acontece que o Sol bombardeia tudo que existe à sua volta com fótons, e o corpo do NEA – feito de plástico com revestimento de alumínio – consegue reagir à essas partículas da mesma forma que uma pipa comum reage ao vento. Na prática, isso significa que enquanto houver sol no sistema solar, o NEA se movimenta, enquanto as propulsões iônicas vão ficando mais lentas conforme queimam sua carga.
A invenção é gigantesca, tem aproximadamente o tamanho de um ônibus, é fino como um fio de cabelo, isso ligado às suas propriedades faz com que ela seja extremamente veloz no espaço. O NEA voa em uma velocidade de 28,6 quilômetros por segundo. Só para efeito de comparação, o Voyager I, módulo explorador da NASA, levou 38 anos para chegar nos limites do sistema solar, enquanto o NEA faria o mesmo percurso em 20 anos. “No futuro, essas velas solares poderão levar espaçonaves as regiões mais distantes do Sistema solar, mais rápido do que nunca”, afirmou ao site da NASA Les Johnson, diretor de pesquisas do NEA.
E a primeira missão da invenção já está definida. Ele será enviado ao espaço em 2018, junto com outros 13 satélites, e terá que chegar em um asteroide chamado 1991 VG. O NEA conseguirá reconhecer informações do asteroide como composição, tamanho e movimento, assim a NASA consegue mais dados para um dia conseguir mandar seres humanos para o corpo celeste.