14.156 – Geólogos e arqueólogos determinam idade correta da civilização mais antiga do mundo


De acordo com o novo estudo, publicado na revista Scientific Reports, a cultura do Vale do Indo, tem pelo menos 8000 anos de idade, ao contrário dos 5500 estimados anteriormente.
Segundo as novas estimativas, a referida civilização supera o Antigo Egito e Mesopotâmia em antiguidade.
Os cientistas conseguiram determinar a idade da cultura do Vale do Indo, após terem submetido os fragmentos e ossos encontrados na localidade de Bhirrana a várias análises, entre elas à datação por carbono 14.
Além de precisar a idade, as observações desmentiram a teoria de que a queda da civilização de Harappa se possa ter devido a uma abrupta mudança climática. No entanto, a mudança da estratégia agropecuária associada à seca terá contribuído para a desurbanização e declínio gradual das cidades.
Um homem vestindo hábito maia passa na frente da pirâmide Kukulcan, no parque arqueológico Chichen Itzá, em 20 de dezembro de 2012
A cultura do Vale do Indo se situava no delta do rio Indo e tinha um grande nível de desenvolvimento cultural. Suas cidades contavam com canalização e banheiros públicos. No entanto, essa civilização começou decaindo no início do século XVII a.C.
Entre as teorias sobre o seu desaparecimento figura a versão da mudança climática, assim como a das invasões dos antepassados dos persas e indianos modernos.

14.106 – Estudo revela segredo de conservação dos Manuscritos do Mar Morto


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Manuscritos com textos bíblicos

Um estudo publicado no jornal Science Advances revelou a “tecnologia” de conservação que estaria por trás da incrível preservação dos Manuscritos do Mar Morto, um conjunto de textos hebraicos de mais de 2 mil anos achados entre as décadas de 1940 e 1950, por pastores que estavam à procura de suas cabras na região das cavernas de Qumran, atualmente localizado em território palestino, na Cisjordânia.
Um total de 900 documentos são o que sobraram dos manuscritos — para o estudo, os pesquisadores analisararam o chamado “Pergaminho do Templo”, o mais longo dos Manuscritos do Mar Morto, que mede mais de 7,5 metros.
O material do Pergaminho do Templo é um dos mais finos entre os manuscritos — a grossura dele é de apenas um décimo de um milímetro — mas é o documento que está mais limpo para se escrever e é provavelmente o mais bem conservado, segundo os cientistas.
Os pesquisadores recolheram um fragmento de 2,5 centímetros do Pergaminho do Templo e o investigaram com técnicas especiais para determinar a sua composição com o uso de um microscópio.
Havia no papel desse pergaminho específico ainda elementos químicos como sódio, cálcio e enxofre em proporções diferentes conforme a superfície. Os cientistas descobriram também que o documento é feito de uma mistura de sais com evaporitos — rochas sedimentares formadas por reações químicas feitas pelo contato de sais com a água.
O papel de todos os Manuscritos do Mar Morto foram feitos de pele animal limpa e colocada em uma solução para ser tratada. Por último, o material era seco e muitas vezes era esfregado no sal.
Segundo o co-autor do estudo, Ira Rabin, da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, o estudo que revelou a composição do pergaminho pode ter implicações que vão muito além dos Manuscritos do Mar Morto, podendo servir para identificar outros documentos que podem ser estudados por historiadores. “Esse estudo mostra que no amanhecer dos manuscritos do Oriente Médio, várias técnicas estavam em uso, o que contrasta com a única técnica usada na Idade Média”, afirmou Rabin.
Encontrado por pastores que percorriam as cavernas de Qumram, no final da década de 1940, os Manuscritos do Mar Morto contam com uma série de fragmentos da Bíblia Hebraica, além de livros apócrifos e os preceitos dos essênios, antigo grupo judaico que vivia de modo reservado em Qumram.

14.052 – Arqueologia – Cronologia das Descobertas


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No mar, na terra ou no espaço, há sempre uma equipe de pesquisadores procurando pistas sobre o nosso passado. Eles estudam a riqueza de nossa história em materiais de todos os tipos, como lixo, ossos e vestígios de construções. Conheça algumas das diversas modalidades da Arqueologia:
Bíblica
Seu objetivo inicial era comprovar os relatos da Bíblia por meio de restos materiais. Mas hoje ela estuda os vestígios relacionados à história das religiões judaico-cristãs. A principal região pesquisada é a chamada Terra Santa, no Oriente Médio.

Industrial
Realizados a partir das evidências encontradas em fábricas, manufaturas e meios artesanais, os estudos nessa área analisam as transformações sociais, culturais e econômicas ligadas à produção.

Pré-histórica ou proto-histórica
Envolve os aspectos materiais de populações que não deixaram textos escritos. No caso do Brasil, a pré-história engloba o período anterior à chegada de Cabral.

Histórica
Procura pistas nos objetos de sociedades que deixaram registros escritos. Recentemente, porém, a disciplina vem passando por questionamentos sobre o uso de datas fixas para delimitar o que é história ou pré-história.

Subaquática e náutica
Dedica-se a estudos nas águas: interiores (rios, lagos, represas), marítimas ou oceânicas. Os pesquisadores, que em geral dominam técnicas de mergulho, têm cuidados especiais para conservar os objetos submersos e trazê-los à superfície, quando isso é necessário.

Zooarqueologia
Analisa as interações entre os seres humanos e os animais, inclusive o processo de domesticação e o uso como força motriz ou como alimento. O estudo é feito a partir de ossos, dentes e outros vestígios da fauna.

Do lixo
Procura desvendar o comportamento de uma comunidade estudando seus restos. A investigação é centrada em lixos, lixões e aterros sanitários.

Espacial e de paisagem
Amplamente influenciadas pela geografia, buscam instrumentos para estudar as populações do passado através da paisagem e do meio ambiente. Muitas vezes usam tecnologia avançada, como imagens produzidas por satélites.

Etnoarqueologia
Com base em grupos contemporâneos, os etnoarqueólogos criam analogias para pensar sobre comportamentos e hábitos por meio de objetos feitos por sociedades que não conhecemos mais.

De gênero
Há duas formas de entender esta modalidade. A primeira, ligada aos estudos feministas, analisa os vestígios arqueológicos que possam contribuir com a história das mulheres. A segunda procura descobrir pistas da interação entre os diferentes grupos de gênero e de idade identificadas nas escavações.

Geoarqueologia
É a interação da geografia com a arqueologia. Através do recolhimento de sedimentos superficiais e da análise do solo, procura-se compreender como a paisagem, a terra e seus componentes se modificaram ao longo do tempo na interação com grupos humanos.

Pública
Pretende compartilhar o resultado das pesquisas obtidas nas escavações com diferentes comunidades como os quilombolas, os índios, os trabalhadores de uma fábrica, etc. Dessa interação, surge um conhecimento transformado e trabalhado em conjunto com a população.

Da arquitetura
Procurar retirar vestígios em edifícios históricos através de procedimentos de análise pouco destrutivos para identificar materiais, técnicas e procedimentos construtivos e artísticos utilizados no passado. É bastante utilizada em projetos de restauração de prédios tombados e preservados.

Incríveis descobertas

Século XVIII – 1772
Pompeia – ITÁLIA
Encoberta pelas lavas do Vesúvio no ano 79 d.C., a cidade permaneceu intacta até o século XVIII, quando foi descoberta por um agricultor que localizou vestígios de um muro.

Moais – Ilha de Páscoa – CHILE
Estátuas esculpidas em pedra de dois a 20 metros de altura, santuários e vários escritos que exaltavam ancestrais sagrados foram descobertos na costa da ilha pelo holandês Jacob Roggeveen em 5 de abril, um domingo de Páscoa.

1773
Palenque – MÉXICO
Durante uma expedição, soldados e missionários espanhóis reencontraram a cidade maia de Palenque. Até hoje, o santuário, rodeado de vegetação, é cenário de inúmeros achados. Entre as construções destaca-se o Templo das Inscrições, uma pirâmide na qual foram encontrados, em 1952, cerca de 619 hieróglifos.

1799
Pedra de Roseta – EGITO
Encontrada por soldados de Napoleão, a estela era um decreto que regulava o culto ao faraó Ptolomeu V (332 a.C.). Foi escrita em três idiomas: grego, demótico e hieróglifos. Esta descoberta foi fundamental para a decifração dos hieróglifos.

1843
O Povo de Lagoa Santa – MINAS GERAIS – BRASIL
O arqueólogo dinamarquês Peter Lund descobriu em uma gruta, na lagoa do Sumidouro, fósseis de animais extintos e restos de 30 humanos de várias idades, comprovando a coexistência desses humanos com animais da Idade do Gelo.

1868
Jericó – TERRITÓRIO PALESTINO
Considerada a cidade mais antiga do mundo, Jericó, que hoje se localiza em um dos territórios palestinos, comemorou no ano passado seus 10 mil anos. Nos relatos bíblicos, é chamada de cidade das palmeiras. As primeiras escavações são de 1868, feitas pelo inglês Charles Warren (1840-1927).

1873
Cidade de Troia – COSTA DA TURQUIA
Depois de anos de escavações na colina de Hissarlik, os arqueólogos Heinrich Schliemann e Wilhelm Dörpfeld encontraram sete camadas da cidade de Troia. Uma delas era a conhecida cidade de Ilion, palco da grande guerra descrita por Homero.

1895
Megalitos – AMAPÁ – BRASIL
O zoólogo suíço Emílio Goeldi (1859-1917) e o tenente-coronel Aureliano Pinto de Lima Guedes (1848-1912) organizaram uma expedição ao Amapá, onde encontraram o fascinante sítio arqueológico com megalitos e peças variadas de cerâmica.
Século 20
1911
Machu Picchu – PERU
O mês de julho deste ano marcou o centenário da descoberta da cidade sagrada inca de Machu Picchu pelo arqueólogo americano Hiram Bingham. O santuário histórico, localizado no topo de uma montanha, mais de dois mil metros acima do nível do mar, faz parte do Patrimônio Mundial da Unesco desde 1983.

1912
Busto de Nefertiti – EGITO/ALEMANHA
Apesar de ser uma obra inacabada de apenas 50 cm de altura, o famoso busto é razão de brigas constantes entre a Alemanha, onde está hoje, e o Egito, onde foi encontrado. A descoberta, em 1912, foi feita por uma equipe arqueológica da Sociedade Oriental Alemã. Alvo de controvérsias sobre sua autenticidade, ele representaria a esposa do faraó Amenófis IV (mais conhecido como Akhenaton), pai de Tutankamon.

1922
Tumba de Tutankâmon– EGITO
O arqueólogo e egiptólogo britânico Howard Carter descobriu a luxuosa tumba, ainda intacta, do jovem faraó que governou o Egito há mais de 3.000 anos e que morreu misteriosamente.

1947
Escritos do Mar Morto – ISRAEL
Nas cavernas do deserto da Judeia, na região do Mar Morto, foram encontrados mais de 900 manuscritos. Feitos em papiros e em pergaminhos, os documentos continham textos bíblicos e apócrifos. Calcula-se que foram escritos entre III a.C. e II d.C.

1958
Catal Huyuk – TURQUIA
Um dos primeiros centros urbanos do mundo, de mais de 9 mil anos atrás, é considerado o principal sítio arqueológico da Turquia. Foi descoberto no fim dos anos 1950 e começou a ser escavado por James Mellaart na década seguinte. Desde 1993, um grupo internacional de arqueólogos, liderado por Ian Hodder, faz escavações e conta as novidades no site oficial do projeto: http://www.catalhoyuk.com

Anos 1960
Gobekli Tepe – TURQUIA
Considerado o local de culto religioso mais antigo do mundo, o sítio arqueológico de Gobekli Tepe (que, em turco, significa morro com barriga) é do início do período neolítico. Ele foi descoberto nos anos 1960, mas só foi estudado profundamente na década de 1990, por conta de uma parceria entre arqueólogos turcos e alemães.

1970
Sweet Track – INGLATERRA
Um importante exemplo de engenharia do período neolítico é a Sweet Track, uma das mais antigas estradas conhecidas, que foi construída por volta de 3800 a.C. Os principais componentes da estrada são cinzas, cal e tábuas de carvalho. A maior parte dela continua em seu local de origem, embora algumas partes estejam expostas em espaços como o British Museum.

1973
Serra da Capivara – PIAUÍ – BRASIL
O Parque Nacional da Capivara, criado em 1979, concentra o maior número de pinturas rupestres do mundo. A região tem mais de mil sítios arqueológicos. A primeira missão de investigação, em 1973, teve a participação da arqueóloga Niède Guidon, que até hoje trabalha no local.
1974
Guerreiros de Xi’an – CHINA
Foi por acaso que agricultores encontraram um exército inteiro de 8.000 soldados feitos de terracota. Os Guerreiros de Xi’an estavam em funerárias construídas no governo do primeiro imperador da China, Qin Shi Huang (246-221 a.C.).

1977/2010
El Zotz – GUATEMALA
Na região florestal de Péten, El Zotz é a maior metrópole maia descoberta até o momento. Foi encontrada em 1977 por Marco Antonio Bailey. No ano passado, uma equipe de arqueólogos descobriu uma câmara mortuária sob a pirâmide El Diablo, a maior do templo.

1986
Yonaguni – JAPÃO
Mergulhadores encontraram uma imensa estrutura em forma de pirâmide. A descoberta data de aproximadamente 8000 a.C., e ainda não se sabe se ela é uma obra-prima da engenharia da época ou um acaso da natureza.

1987
A catacumba de Minas Gerais – BRASIL
Uma ossada infantil envolvida em tecido foi encontrada na Gruta do Gentio, na cidade de Unaí. Devido às condições climáticas, conservou-se embalsamada, e na época foi apontada como a mais antiga múmia brasileira, com cerca de 3.500 anos.

1995
Baía de Saint-Malo – FRANÇA
A cidade francesa de Saint-Malo, às margens do Canal da Macha, é uma das mais ricas em história náutica e arqueologia subaquática. Em 1995, dois grandes navios corsários foram descobertos. Anos de escavações sob o mar revelaram as embarcações La Dauphine e L’Amaible Grenot, ambas naufragadas no século XVIII.
1998
Luzia – MINAS GERAIS – BRASIL
O biólogo e antropólogo brasileiro Walter Neves analisou um crânio encontrado na região e concluiu que é o mais antigo do continente americano, com mais de 11.500 anos. O material integra a coleção única de 75 crânios depositados no Museu de Copenhague, na Dinamarca, coletados por Peter Lund em Lagoa Santa no século XIX.

Século 21
2004
Mazagão Velho – AMAPÁ – BRASIL
O último baluarte lusitano no Marrocos havia sido invadido pelos mouros em 1769. Sem saída, o rei português D. José I ordena a transferência da cidade inteira, que tem como destino final a província do Grão Pará. Só em 2004 pesquisadores da UFPE iniciaram o trabalho de escavação dos resquícios da cidade transferida há mais de 200 anos.

2008
Pinturas a óleo – AFEGANISTÃO
As pinturas a óleo mais antigas do mundo estão em cavernas afegãs. A equipe formada por arqueólogos japoneses, americanos e suíços que as encontrou afirma que datam do século VII d.C, ou seja, centenas de anos antes do início da pintura a óleo na Europa. Elas mostram cenas de seres míticos e figuras de Buda trajando vestes vermelhas.

2010
Pinturas rupestres – SOMÁLIA
Guerras e secas fizeram da Somália um país quase sem investigação arqueológica. No entanto, no ano passado, pinturas de animais, que devem ter sido feitas há mais de 4.000 anos, foram descobertas pela University College London.

2011
As novas pirâmides – EGITO
Este ano, imagens em infravermelho captadas por satélites detectaram a existência de 17 pirâmides enterradas no Egito. A equipe de arqueólogos liderada por Sarah Parcak já encontrou duas delas por meio de escavações.

2011
Embarcação do Faraó – EGITO
No mês de julho, arqueólogos egípcios e japoneses começaram a desenterrar um barco encontrado aos pés da pirâmide de Gizé, no Egito. Com idade aproximada de 4,5 mil anos, ele serviria para transportar a alma do faraó Quéops em viagens para acompanhar o deus-Sol Amon-Rá. Após um longo trabalho de remontagem, ele se juntará a outra embarcação, encontrada em 1917, como uma das maiores descobertas arqueológicas do Egito.

2011
Submarino alemão – SANTA CATARINA – BRASIL
Foram encontrados em julho os restos do primeiro dentre 11 submarinos alemães afundados em nossa costa durante a 2ª guerra mundial. O U513, que chegou a afundar um navio mercante brasileiro, foi localizado por uma equipe de pesquisadores e arqueólogos subquáticos da Univali e do Instituto Kat Schurmann. Os trabalhos de busca foram filmados e farão parte de um documentário.

2011
Jesuítas – PARANÁ – BRASIL
Depois de anos de busca, historiadores anunciaram a descoberta do sítio arqueológico da Missão Jesuítica San Joseph, fundada em 1625 na cidade de Cambé, no Paraná. O anúncio foi feito pela arqueóloga Cláudia Inês Parellada, do Museu Paranaense, e é de grande importância para o estudo das reduções jesuíticas no Brasil. A Missão San Joseph foi provavelmente destruída pelos bandeirantes em 1631.

2011
Erotismo na pré-história – ALEMANHA
Arqueólogos encontraram, pela primeira vez, imagens de mulheres nuas em cavernas da Idade da Pedra na Alemanha. Para os pesquisadores envolvidos, as gravuras foram utilizadas em rituais de fertilidade há mais de 12 mil anos.

2011
Santo Filipe – TURQUIA
Depois de anos de procura, arqueólogos acreditam ter achado a tumba – ainda não aberta – de São Filipe, um dos doze apóstolos de Jesus, em Pamukkale, no sudoeste da Turquia. Encontrada embaixo de escombros de uma Igreja, a descoberta, de acordo com os especialistas, é de grande importância para o mundo cristão e a arqueologia.

2011
Gatos olmecas – MÉXICO
Uma pedra da cultura olmeca com relevo de três gatos foi descoberta por pesquisadores do Instituto Nacional de Antropologia e História do México. O artefato possui mais de uma tonelada e data de, aproximadamente, 2,8 mil anos.

2011
Afro-descendentes – ESTADOS UNIDOS
Nan Rothschild, arqueóloga da Universidade de Columbia (EUA), encontrou vestígios de uma comunidade de afro-americanos construída no século XIX no coração de Nova Iorque. Há indícios de que o local foi desapropriado para dar lugar ao Central Park, o maior parque de Manhatan.

14.045 – Arqueologia – Brasileiros descobrem artefatos humanos mais antigos fora da África


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Uma expedição realizada no norte da Jordânia entre 2013 e 2015 por uma equipe de arqueólogos ítalo-brasileira encontrou artefatos de pedra lascada de 2,4 milhões de anos – provavelmente produzidos por hominídeos pertencentes ao gênero Homo.
Isso significa que os primeiros ancestrais humanos a saírem da África rumo ao Oriente Médio começaram essa jornada no mínimo 500 mil anos antes da data tida como consenso pela comunidade científica até então.
A descoberta foi anunciada em uma coletiva de imprensa no Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA). O artigo científico que detalha as conclusões do grupo foi publicado na revista Quaternary Science Reviews.
Também participaram da pesquisa o paleoantropólogo Walter Neves, da USP, Giancarlo Scardia, da Unesp de Rio Claro, e Fabio Parenti, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) – que explora o vale do rio Zarqa, próximo a Amã, capital da Jordânia, desde a década de 1990.
Para entender por que esses artefatos – os mais antigos já encontrados fora da África – podem virar de ponta cabeça a história da humanidade, primeiro é preciso entender essa história da maneira como ela é contada hoje.
Na biologia, toda espécie é batizada com um nome científico duplo. Quando duas espécies são muito próximas, elas pertencem ao mesmo gênero, e, assim, têm o primeiro nome igual. É o caso do lobo (Canis lupus) e do coiote (Canis latrans).
Hoje, não há nenhum animal aparentado o suficiente com o ser humano para carregar o nome Homo – mas 2 milhões de anos atrás, a situação era bem mais confusa.
O pioneiro de nossa linhagem foi o Homo habilis – que viveu na África entre 2,4 a 1,4 milhões de anos atrás. Ele ainda tinha uma aparência próxima a de um símio, um cérebro 30% maior que o de um chimpanzé e no máximo 1,4 metro de altura. Ele foi o primeiro a fabricar ferramentas. Até onde se sabe, a partir dele se ramificaram espécies como o Homo naledi (que não interessa para nós) e o Homo erectus (que interessa bastante para nós).
O erectus, que surgiu há 1,9 milhões de anos e compartilhou a Terra com o sapiens até bem recentemente, foi o primeiro a sair da África e explorar os demais continentes. Ele já era um bípede de pernas desenvolvidas, e tinha um cérebro com dois terços do volume do de um humano moderno.
Os erectus que se estabeleceram na Ásia e na Europa dariam origem aos homens de Neandertal e de Denisova. Uma parcela dos erectus que ficaram na África, por sua vez, deu origem a nós. No intervalo entre erectus e sapiens é provável que tenha existido uma terceira espécie, o heidelbergensis. Mas não vamos complicar a árvore genealógica sem necessidade.
A moral da história é: houve duas ondas migratórias para fora da África. É por isso que, quando o ser humano moderno (Homo sapiens) deixou seu berço, há meros 70 mil anos, ele encontrou a Ásia já habitada por Neandertais e Denisovanos. Esses humanos diferentões descendiam de erectus que haviam saído do continente muito antes, há 1,9 milhão de anos.

14.036 – Serra da Capivara – O Paraíso (quase) Escondido


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Falar do continente americano é falar de forasteiros: o Novo Mundo foi o penúltimo continente desbravado pelo Homo sapiens. Só a Antártida passou mais tempo sossegada. Mas como era a América antes dos humanos? E quando foi que estes primeiros imigrantes começaram a aparecer por aqui? Junto às respostas consensuais para essas perguntas, há uma série de controvérsias científicas que, curiosamente, convergem para um lugar inesperado: o interior do Piauí.
Nos paredões do semiárido brasileiro, homens pré-históricos registravam narrativas para a posteridade. É num pedaço da caatinga do tamanho da cidade de São Paulo que fica a maior concentração de pinturas rupestres do planeta. Há exatos 40 anos, em 1979, essa região foi transformada no Parque Nacional Serra da Capivara – sendo reconhecida, em 1991, como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.
A região sudeste do Piauí, onde fica a Serra da Capivara, ocupa uma zona de fronteira entre duas grandes formações geológicas: ao sul, um escudo cristalino do Período Pré-Cambriano, e a bacia sedimentar do mar Siluriano-Permiano, ao norte. Entre 440 e 360 milhões de anos atrás, esse mar cobria a região. Os paredões rochosos da Serra, com mais de 100 metros de altura, foram criados embaixo d’água.
Essa época deixou uma série de vestígios: na região da Serra, já foram encontradas dezenas de fósseis marinhos – mais especificamente, de trilobitas (artrópodes extintos de até 70 centímetros que andavam no fundo do oceano). Há 220 milhões de anos atrás, porém, mudanças geológicas profundas transformaram a paisagem, acabando com a farra dos animais aquáticos: um grande movimento tectônico levantou o fundo do mar no Piauí – e jogou toda a água para o Ceará. Os sedimentos desta tremedeira se tornaram parte dos paredões da Serra – e essa história toda ficou documentada nas camadas dos grandes cânions da Serra da Capivara.
Paredões que, centenas de milhões de anos depois, continuaram a testemunhar fatos pitorescos. Um deles aconteceu outro dia (geologicamente falando). Foi há 115 mil anos, quando começou a última Era do Gelo. O Piauí se tornou uma espécie de oásis – a região, próxima da linha do Equador, nunca congelou. Os planaltos da Serra viram nascer uma floresta tropical úmida, e nas planícies predominavam os campos e o cerrado. Vestígios paleontológicos mostram que o clima ameno atraiu uma fauna exuberante: tigres-dente-de-sabre, preguiças gigantes, mastodontes (parentes do mamute), paleolhamas (uma mistura de cavalo, tamanduá e, é claro, lhama).
Com o fim da Era do Gelo, há 12 mil anos, veio outra transformação climática: a umidade caiu e as temperaturas aumentaram severamente. Ao longo dos 3 mil anos seguintes, os animais da megafauna anterior foram extintos, e a vegetação mudou para se adaptar às novas condições: nascia a caatinga.
Nessa época, já havia humanos por lá. A abundância de sítios arqueológicos na Serra é prova disso. São mais de mil, cheios de instrumentos de pedra lascada, esqueletos humanos e, claro, pinturas rupestres.
Por falar em pinturas, a quantidade de desenhos isolados, chamados de “figuras”, é única no mundo: enquanto sítios europeus possuem de 10 a 12 figuras, apenas na Toca do Boqueirão da Pedra Furada, um dos pontos mais famosos da Serra, há 1.200 pinturas.
A maioria das pinturas rupestres da Serra da Capivara foram feitas entre 6 mil e 12 mil anos atrás. Só como base de comparação, as mais antigas do mundo têm mais de 30 mil.
A riqueza das imagens da Serra, porém, está nas cenas que elas mostram. Na Europa, por exemplo, o mais comum é encontrar animais e cenas de caça – episódios obviamente importantes para qualquer comunidade humana, e que também estão presentes na Serra.
Há quem defenda, porém, que a Serra estava ocupada por humanos bem antes de Zuzu, ou mesmo de Luzia. Estamos falando de Niède Guidon. A arqueóloga franco-brasileira de 86 anos foi a primeira a desconfiar do potencial científico escondido no meio do Piauí. Guidon fez da Serra o trabalho de sua vida. Sua obstinação foi o que levou a Capivara a atrair interesse arqueológico de cunho internacional. Mas a mesma insistência da pesquisadora em teorias controversas trouxe a Serra para o centro de disputas científicas que já duram décadas.
Em 1978, Niède Guidon começou a escavar o sítio Toca do Boqueirão da Pedra Furada, aquele que guarda 1.200 figuras rupestres. Lá, ela encontrou dois dos artefatos mais controversos de sua carreira: pedras que aparentavam ter sido lascadas por Homo sapiens e pedaços de carvão que pareciam vir de fogueiras feitas por humanos.
Ao final da escavação, Niède mandou o carvão para a França, para ser datado em laboratórios de lá. Para a surpresa da própria pesquisadora, os testes de carbono-14 indicavam que a amostra tinha 26 mil anos de idade. Nos anos seguintes, Guidon encontrou objetos progressivamente mais antigos, até que, em 1986, atingiu a data de 32 mil anos. Foi nesse ano que os vestígios da Serra da Capivara ficaram conhecidos mundialmente:” Niède publicou suas descobertas na prestigiosa revista científica Nature, em um artigo em que defende o carvão e as pedras como indícios da presença de seres humanos na América do Sul há 32 milênios.

Esse é um dado que distorce toda a história das ocupações na América: o consenso na comunidade arqueológica é o de que o homem chegou ao Novo Mundo há cerca de 15 mil anos – não muito mais, não muito menos.

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É preciso voltar no tempo para entender a polêmica: o Homo sapiens surgiu na África entre 200 mil e 300 mil anos atrás. De lá, espalhou-se por Europa e Ásia. Há 60 mil anos, nossa espécie atingia a Austrália. Depois, as Américas (de acordo com as teorias mais aceitas, via Estreito de Bering, que era terra seca na Era do Gelo).

E é aqui que a arqueologia chega aos homens de Clóvis – por muito tempo considerados o povo mais antigo da América. Nos anos 1920, nas cidades americanas de Folsom e Clóvis, no Novo México, foram encontradas pontas de lanças ao lado de fósseis de animais de grande porte. Eram armas humanas de 13 mil a 13.500 anos de idade, que comprovavam, pela primeira vez, a presença de homens na América em plena Era Glacial. Daí surgiu a teoria “Clovis First”, segundo a qual todo e qualquer outro grupo humano que habitou o continente teria vindo, necessariamente, depois deles.

Nas últimas décadas, porém, a primazia de Clóvis tem sido fortemente contestada entre os cientistas. Hoje, há centenas de sítios mais antigos ao longo do continente: na Venezuela, no Peru, no Brasil, na Argentina e nos próprios EUA. O sítio Monte Verde, no Chile possui datações de 14,6 mil anos. Mesmo assim, muitos arqueólogos americanos (chamados pejorativamente de “polícia de Clóvis”) ainda duvidam dessas descobertas. Defendem que os achados são só pedras comuns, não ferramentas humanas.

Perceba, porém, que mesmo os artefatos pré-clovis mais aceitos, datando de 15 mil anos, vieram apenas 2 mil anos antes da cultura Clóvis. É uma variação bem menos radical do que sugerem as datações de 20 a 30 mil anos dos achados da Serra – e, justamente por isso, elas são tratadas com amplo cetismo. A maior parte dos especialistas considera que as amostras de carvão de Niède foram criadas por incêndios naturais. Por raios de tempestade, não por pessoas. Números ainda mais antigos do que isso, então, são tidos como absurdos.
Niède, porém, foi encontrando pedras lascadas cada vez mais arcaicas na Serra, e segue certa de que entre elas há ferramentas humanas. Segundo ela, não poderia vir de fogo natural. Uma queimada produziria restos de carvão pra todo lado – os de Niède estavam concentrados num lugar só, protegidos sob paredões da Pedra Furada. Já sua defesa das pedras baseia-se no formado delas: as lascas estão presentes apenas de um lado da pedra, como se tivessem sido moldadas de forma contínua, em uma direção só, e não da maneira aleatória que uma pedra quebra após uma queda, por exemplo.
O mais antigo desses supostos instrumentos tem 100 mil anos de idade. Ele foi a peça final na teoria excêntrica que Niède defende até hoje: há 100 mil anos não apenas existiriam comunidades humanas no Piauí, como elas seriam formadas por homens vindos para a América diretamente do berço da humanidade: da África, e não pelo estreito de Bering.

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Alegações extraordinárias requerem provas extraordinárias, já diria Carl Sagan. A comunidade científica recebeu as teorias de Niède com tremenda cautela – para não dizer hostilidade. No Brasil, um de seus críticos mais ferrenhos foi o bioarqueólogo Walter Neves, conhecido como “pai” de Luzia. “Eu não acreditava em uma vírgula nas descobertas dela na Pedra Furada, e confesso que achava que era uma questão de incompetência. Mas, quando ela me convidou para visitar a Serra [em 2005] e eu vi os artefatos, foi um choque”, nos disse Walter sobre as pedras lascadas. “Saí da visita 99% convencido de que ali tinha mãos humanas de 30 mil anos atrás, a cronologia de Niède na época. Mas 1% de dúvida ainda é algo extremamente significativo.”

Se Walter é cauteloso quanto aos 30 mil anos, é abertamente cético com relação a qualquer objeto de 100 mil anos: “Isso é Guerra nas Estrelas, ficção científica, nem se discute”. A migração direta pela África também é amplamente descartada. Segundo o arqueólogo André Strauss, professor da USP que trabalhou na Serra da Capivara, mesmo que haja provas de uma migração mais antiga na Serra, esses homens precisariam ter vindo pelo Estreito de Bering mesmo. Para ele, essa suposição é pura extrapolação de Niède.

Apesar de seguir irredutível quanto às suas teorias, Guidon cercou-se de figuras conceituadas para dar continuidade ao seu trabalho na Serra. Quando se aposentou, convidou o arqueológo francês Eric Boeda para dar liderar as pesquisas por lá. Ele goza de respeito e admiração da comunidade arqueológica internacional: dirigiu escavações importantes na Europa, África e Ásia, e é um dos maiores especialistas do mundo em indústria lítica – ou, em bom português, no estudo de ferramentas antigas feitas de pedra.

Em seus 20 anos no Piauí, Boeda, de fato, fez datações mais conservadoras do que Niède – mas elas ainda vão bastante além do que a teoria oficial de ocupação humana no continente é capaz de explicar. Boeda defende que pedras de 22 mil anos sejam instrumentos humanos. Seus números mais extremos chegam à casa dos 40 mil. “Acredito que ele está com uma estratégia inteligente, passando por números mais palpáveis primeiro”, diz André Strauss. “Eric, além de ter prestígio internacional, está aberto ao diálogo, algo difícil com a Niède. Antes de tudo, ele está tentando recuperar a credibilidade dos achados humanos da Serra”, disse Strauss.
A fundadora teimosa
Entre pinturas, pedras lascadas e farpas, uma coisa ninguém contesta: Niède Guidon é uma exímia administradora. Ela vive permanentemente na Serra da Capivara desde 1998, ao lado de uma das instalações que ajudou a fundar, o Museu do Homem Americano. A arqueóloga recebeu a SUPER em sua casa para uma conversa. Com a saúde instável – além da idade avançada, ela já teve dengue, Zika e Chikungunya – Niède segue irredutível e linha-dura tanto em suas descobertas, quanto com sua proteção quase maternal à Serra da Capivara.
O relacionamento entre Guidon e o Piauí já ultrapassa as Bodas de Ouro. Tudo começou em 1963, quando a Serra da Capivara era uma completa desconhecida da arqueologia. Niède trabalhava bem longe, na curadoria do Museu do Ipiranga, em São Paulo, onde foi organizada uma exposição sobre figuras rupestre no Brasil – as únicas conhecidas até então, feitas em Minas Gerais. “Foi quando um senhor, que veio visitar a exposição, me mostrou fotos de outras pinturas, dizendo que também havia esses ‘desenhos de índios’ perto da cidade dele”, conta Niède.
Foi só em 1970 que Niède teve a chance de encontrar pessoalmente os tais “desenhos de índio”. Oito anos de estudo depois, ela criou uma comissão permanente de pesquisa, fruto de uma parceria entre a França e o Brasil. Reuniu biólogos, zoólogos, botânicos e paleontólogos para promover uma ampla investigação em toda a Serra da Capivara. “Não se conhecia nada daqui. Não tinha estrada, nada. Os moradores locais foram nossos primeiros guias, exploramos tudo a pé”.
Fauna, flora e riqueza arqueológica nunca antes documentadas pela ciência foram reunidos em um relatório, que Niède e sua equipe enviaram a Brasília. O pedido de “preservação absoluta” do local culminou, em 5 de junho 1979, no decreto Nº 83.548, que criava oficialmente Parque Nacional Serra da Capivara.
Estabelecer uma área totalmente dedicada a preservação e pesquisa, porém, foi um trabalho árduo. “O governo criou o parque, mas não colocou um funcionário sequer”, conta Niède. Tirar o Parque do papel significava não só torná-lo um instituto de ciências fechado, mas também um bem público, que atraísse turistas e movimentasse a economia da região. Conseguir tudo isso custa dinheiro. E não é pouco.
Quem pintou os paredões há milhares de anos, afinal, não estava pensando na facilidade de exibir sua arte a visitantes externos. O parque precisava ser alcançável, primeiro por estradas, mas também por passagem e pontes internas. Seus 130 mil hectares também tinham de ser protegidos e vigiados.
Guidon e sua equipe angariaram apoio técnico do antigo Banco Interamericano de Desenvolvimento, e receberam doações da Petrobras para manter o Parque de pé. Essas verbas, porém, não foram suficientes para fazer deslanchar o paraíso arqueológico escondido: ainda hoje, a serra recebe só 20 mil turistas por ano. O tamanho da estrutura, ironicamente, dificulta as coisas: a Serra ocupa a área de quatro municípios diferentes, todos com pouca estrutura hoteleira e de transporte, a 522 km distância da capital Teresina.
Se o turismo já é insuficiente para suprir a manutenção do Parque, a situação só piorou quando as verbas públicas ficaram escassas. Os repasses da Petrobras cessaram com a crise geral na empresa. De 270 funcionários que o Parque já teve, hoje só é possível manter 40. A estrutura, hoje, depende de pequenos repasses do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e do governo do Piauí.
Em 2014, porém, o BNDES aprovou verba para a construção do último sonho de Niède: o Museu da Natureza (MuNa). Nele, a pesquisadora quis contar a história da Serra de uma forma similar à que você leu nestas páginas: uma viagem no tempo por toda evolução natural da Capivara, que levasse o visitante da época em que o Piauí era mar, até os dias de hoje.
O dinheiro, pedido a primeira vez em 2001, veio sem correção monetária. Os R$ 13,7 milhões, graças à magia da inflação, já compravam três vezes menos tijolos, concreto e massa corrida quando a verba finalmente chegou. O MuNa, porém, insistiu em nascer e foi inaugurado em dezembro de 2018. Final feliz (e aguerrido) para Guidon e sua Serra.
E quanto à origem das pedras lascadas milenares? Elas realmente foram feitas por humanos? Estaria Niede totalmente enganada na tese que guiou toda sua carreira? Apontar para uma conclusão não é tão simples. “Nem todas as perguntas têm como resposta sim ou não. Há uma terceira opção, que talvez seja a mais frequente de todas: não sei”, diz André Strauss. No caso da Serra, essa é a conclusão mais honesta. E é uma resposta perfeitamente científica. Existia gente lá há 40 mil anos? Esse é um debate legítimo, e que segue em aberto.”

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14.014 – Parasita de 99 milhões de anos é encontrado intacto em âmbar


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O fóssil de um piolho-de-cobra de 99 milhões foi encontrado preservado em uma pedra de âmbar, em Myanmar. O artrópode da classe diploide é tão único que os especialistas tiveram de criar uma subordem própria para ele. A espécie foi nomea da Burmanopetalum inexpectatum.
O exemplar é o primeiro fóssil de um milípede pertencente à ordem Callipodida já encontrado, e é menor do que seus parentes da mesma época — apenas 8,2 milímetros. A descoberta também ajuda na compreensão de quando a espécie apareceu, sugerindo que esse grupo de artrópodes deve ter evoluído há pelo menos 100 milhões de anos.
“Foi uma grande surpresa para nós que este animal não possa ser colocado na atual classificação de milípedes”, disse o principal autor do estudo, professor Pavel Stoev, em comunicado. “Apesar de sua aparência geral ter permanecido inalterada nos últimos 100 milhões de anos, como nosso planeta sofreu mudanças dramáticas várias vezes nesse período, algumas características morfológicas na linhagem Callipodida evoluíram significativamente.”
De acordo com o co-autor do estudo, Dr. Thomas Wesener, apenas 12 espécies de diplóides da Era Mesozoica — um período de 185 milhões de anos — foram encontradas até então, mas as expectativas crescem com novas descobertas.
Isso porque o âmbar em que Burmanopetalum inexpectatum foi encontrado contém mais 528 milípedes, que vem sendo investigados: “Nos últimos anos, quase todas as 16 ordens vivas de milípedes foram identificadas neste âmbar de 99 milhões de anos de idade. Os belos dados anatômicos apresentados por Stoev mostram que Callipodida agora se junta ao clube”, disse Wesener.

13.979 – Borracha rupestre Extraída no Parque Nacional da Serra da Capivara


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A maniçoba, árvore típica da caatinga, produz um látex de grande qualidade. Além de pneus, até meados do século XX sua borracha natural era usada para produzir luvas cirúrgicas por conta de seu potencial de evitar rejeição durante operações. Entre 1900 e 1940, famílias de diversas localidades do Nordeste brasileiro foram ganhar a vida na extração de maniçoba, em uma região do Piauí onde hoje está o Parque Nacional da Serra da Capivara, declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco e maior sítio arqueológico da América Latina. Imerso em uma crise financeira que se estende há anos, o parque inaugurou recentemente a Trilha Caminho dos Maniçobeiros, com o objetivo de preservar a memória desses trabalhadores em diálogo com os vestígios pré-históricos. O circuito turístico inclui visita aos locais em que essas famílias costumavam habitar: abrigos formados por paredes de taipa (pedra, paus e barro amassado) e tocas de rocha adaptadas para moradia. Muitos deles ainda preservam inscrições rupestres, algumas feitas há 50 mil anos. O Caminho dos Maniçobeiros tem aproximadamente 20 quilômetros de extensão. Começa na Guarita da Serra Branca e o trajeto pode ser feito de carro ou ônibus até o Sítio Igrejinha, tendo o visitante que seguir a pé pela estrada e pelas trilhas abertas na mata de caatinga. Há locais sinalizados com árvores de maniçoba e muitas tocas onde vestígios rupestres e dos maniçobeiros se misturam. O modo de vida e trabalho dos maniçobeiros começou a ser investigado, na década de 1970, por pesquisadores da Fundação Museu do Homem Americano (Fundham), que administra o Parque da Serra da Capivara. A arquiteta Elizabete Buco, pesquisadora da Fundham, ressalta a importância da preservação dessa memória: “Resolvemos tirar do papel e mostrar o que o parque ainda guarda sobre esses homens que faziam das tocas suas moradias, convivendo com vestígios arqueológicos, reocupando a área e construindo um novo espaço, com novos simbolismos e manifestações culturais”. Naquele período, a extração do látex de maniçoba no Nordeste só perdia em quantidade para os seringais da Amazônia. Ainda assim, “a demanda era tão grande que o governo brasileiro incentivava a extração e o cultivo de toda árvore que produzisse borracha”, observa Ana Stela de Negreiros Oliveira, pesquisadora do Iphan no Piauí. Os maniçobeiros extraíam látex de forma diferente: enquanto na seringueira as incisões eram feitas no tronco da planta, na maniçoba o látex era retirado da raiz, com auxílio de um instrumento pontiagudo criado por eles, a léga. Mas as relações de trabalho de seringueiros e maniçobeiros se assemelhavam: eram ambos explorados ao contrair dívidas com seus patrões, que monopolizavam o acesso a produtos alimentícios. Isto explica por que as famílias utilizavam os abrigos pré-históricos como moradias.

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13.971- Linguística – Qual a língua mais antiga?


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O sumério foi uma das primeiras línguas escritas conhecidas. O seu sistema de escrita, chamado cuneiforme (que significa “em forma de cunha”), foi mais tarde também usado para as línguas acadiana e também adaptado a línguas indo-europeias como o hitita (que também era escrito com um sistema hieroglífico, tal como faziam os egípcios) e o persa antigo, muito embora esta última língua se limitasse a usar os mesmos instrumentos de escrita e as formas das letras não tivessem relação com as do cuneiforme.
A escrita era do tipo semanto-fonética com símbolos fonéticos para sílabas e também logogramas que representavam palavras inteiras. A direção da escrita era variável. Textos mais antigos se apresentavam em colunas verticais. mas por volta de 3.000 a.C a direção mudou para horizontal da esquerda para a direita. Nessa época os símbolos foram girados em 90º sentido anti horário e passaram a ser simplificados sendo formados somente por cunhas e traços.
Inicialmente havia até cerca de mil símbolos, quantidade que caiu para cerca de 400, depois para 255, que eram 8 para vogais, 98 sílabas de vogal+consoante e 149 de consoante + vogal; Um mesmo símbolo poderia ter diferentes pronúncias. Houve 5 períodos para essas simbologia com aletrações nos anos de 3000 a.C – 2800 a.C – 2500 a.C – 1800 a.C – 600 a.C.
O sumério era aglutinante e fazia grande uso da composição. Por exemplo, as palavras para grande e homem eram compostas para formar a palavra para rei, “lugal”.
O sumério é uma língua ergativa. Isto significa que o sujeito de uma frase, que obtém um objecto directo, está no chamado caso ergativo, que se marca com a posposição -e. O sujeito de um verbo intransitivo é “marcado” com um absolutivo, que não é escrito: por exemplo, lugal-e e2 mu-dru3 “o rei construiu a casa”; lugal ba-gen “o rei foi”.

13.875 – Arqueologia – O Manuscrito Liber Linteus Zagrabiensis


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Redigido em etrusco, um idioma usado em uma região que hoje corresponde à península itálica, o Liber Linteus Zagrabiensis — ou “Livro de Linho de Zagreb” em latim — é o único livro escrito em linho de que se tem notícia, assim como o texto mais extenso em etrusco já descoberto no mundo. O manuscrito se encontra em exposição em um museu da cidade de Zagreb, na Croácia, daí o seu curioso nome.
O documento de tecido — escrito em tinta vermelha e preta — foi utilizado para envolver uma múmia de aproximadamente 2,2 mil anos encontrada no Egito em meados do século 19. O livro consiste em um texto com cerca de 13 mil palavras distribuídas em aproximadamente 230 linhas que, por sua vez, se repartem em uma dezena de colunas verticais redigidas sobre um pedaço de linho dividido em 20 requadros retangulares.
Contudo, como apenas umas 1,2 mil palavras continuam legíveis, os cientistas não conseguiram decifrar completamente o texto. Atualmente, o consenso é de que o Liber Linteus seja um calendário ritualístico, embora as menções aos meses só apareçam a partir da sexta coluna do manuscrito.
Com relação à explicação de como um documento etrusco foi parar no Egito, os especialistas explicaram que, na época em que o corpo da múmia foi preparado, o comércio já havia se espalhado por todo o Mediterrâneo, e era comum que diversos materiais fossem reutilizados para envolver cadáveres ou produzir máscaras funerárias. Assim, não era incomum que itens produzidos na Itália circulassem por outras paragens.

13.874 – O Códice de Dresden


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É um antigo texto Maia com cerca de 800 anos que “apareceu” na Real Biblioteca de Dresden, na Alemanha, no século 18. O manuscrito consiste em 39 páginas ricamente ilustradas e redigidas na frente e no verso e, ao que tudo indica, ele traz registros das diferentes fases do planeta Vênus, presumivelmente para que os maias pudessem planejar diferentes cerimônias e rituais.
Ninguém sabe como é que o códice foi parar na Alemanha, já que a maioria dos textos maias (infelizmente) foi destruída pelos colonizadores e missionários cristãos na tentativa de eliminar as crenças pagãs daqueles povos. De qualquer forma, pesquisas recentes apontaram que os maias celebravam um elaborado conjunto de eventos e rituais conectados com o comportamento de Vênus e provavelmente usavam o códice como uma espécie de calendário.

13.744 – Arqueologia – Obras de nova linha do metrô de Roma revelam tesouros arqueológicos


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A construção da linha C, nova rota do metrô de Roma, na Itália, revelou pêssegos petrificados, cerâmicas de ânfora e estruturas antigas. Entre as construções estão um prédio datado do século 3 que foi destruído pelo fogo, a casa de um comandante militar e barracões de 2 mil anos de idade, usados pelo exército do Imperador romano Adriano (não, não é o jogador de futebol).
A estação San Giovanni é a mais recente da linha. Inaugurada em 12 de maio, ela oferece aos passageiros uma viagem não só de transporte, mas também ao passado da região. Os frenquentadores podem obversar mais de 40 mil artefatos descobertos durante a construção do metrô. Os itens pertencem à época do Pleistoceno até a queda do Império Romano do Ocidente, no ano de 476 da era comum.
Durante o auge do Império Romano, a região de San Giovanni era uma rica zona agrícola que produzia frutas, legumes e flores. O museu subterrâneo exibe pedras de pessegueiro de 2 mil anos, além de uma cesta de tecido e um frasco de perfume de vidro turquesa.
A próxima estação programada para abrir é Amba Aradam, perto do Coliseu. Em 2016, pesquisadores que escavavam a área descobriram um complexo de 39 quartos. Segundo o jornal The Independent, o espaço servia como quartel militar para a Guarda Pretoriana do Imperador Adriano, e guardava ossos humanos, pisos de mosaico e moedas de bronze.
Simona Morretta, a arqueóloga que supervisiona as escavações em Amba Aradam, contou ao The New York Times que a casa tem 14 quartos, um pátio central e uma fonte.
Representantes de Roma se comprometeram a preservar o quartel, propondo a criação da primeira “estação arqueológica” da cidade, e alterando o projeto que queria integrar as ruínas na estação moderna. Amba Aradam deve ser inaugurada em 2021, mas, com as escavações ainda em andamento, há a possibilidade de atrasos.

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13.740 – Civilizações Antigas – Enigma do disco de Faísto


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Dentre os grandes mistérios que intrigam os arqueólogos – e não são poucos – encontra-se o disco de Faísto (ou disco de Festo, ou ainda disco de Phaisto). O disco é uma peça de cerâmica, feita de argila fina, encontrada no palácio de Faísto, na ilha de Creta, e produzida pela civilização creto-minoica, entre os anos 1900 a.C. e 1450 a.C. O que principalmente intriga os historiadores e arqueólogos são os signos impressos nos dois lados do disco e que significado teriam.
Em razão do próprio fato de possivelmente ter sido impresso com selos que reproduziam os símbolos, o disco poderia indicar o mais antigo objeto tipográfico que se tem conhecimento. Porém, não há nenhuma certeza sobre o significado de cada um dos símbolos. A escrita cretense perdeu-se após a invasão dos povos dórios à região, por volta do século XI a.C.
O disco foi encontrado por uma equipe de arqueólogos liderada por Luigi Pernier, em 1908, na região centro-sul da ilha de Creta. Os arqueólogos estavam escavando as ruínas do antigo palácio, possivelmente destruído por terremotos, quando encontraram o disco de 16 centímetros de diâmetro por 16 milímetros de espessura. Entre os signos presentes no disco há representações humanas, animais, plantas e objetos do cotidiano. Esses signos formam 31 grupos de sinais no lado A e 30 grupos no lado B, contendo 241 símbolos impressos.
O que os estudiosos procuram é buscar relacionar a origem do povo que habitou a ilha durante o período minoico e a partir daí relacionar com escritas de outros povos que possivelmente tiveram contato com os cretenses, como os semitas e os egípcios. Os ícones poderiam ser ideogramas, como os utilizados pelos egípcios, o que possibilitaria tentar uma correspondência na leitura do disco. Linhas verticais que separam e agrupam alguns dos ícones, ao longo da disposição espiral das imagens, sugerem que esses grupos seriam palavras ou frases com significados específicos.
Nesse sentido, diversas tentativas de decifrações foram realizadas. Alguns apontam o disco como um calendário antigo. Outros estudiosos dizem ser o disco um jogo rudimentar utilizado pelos cretenses para seu lazer.
Há ainda uma possibilidade de o disco ser um hino sagrado, composto em homenagem à deusa-mãe. Existem fortes indícios de que os cretenses eram organizados socialmente em matriarcados, o que garantia às mulheres uma posição não subjugada na sociedade, como ocorria nas sociedades patriarcais da época. Esse papel das mulheres é inclusive indicado como decorrente do fato de os cretenses dedicarem-se ao comércio e à navegação, cabendo às mulheres uma função de organizadoras sociais das cidades.
Por fim, cumpre indicar que há inclusive hipóteses que decifram o disco como a representação histórica de parte da civilização cretense, indicando tomada de locais geograficamente próximos e invasões estrangeiras.
Mas o mais importante é perceber o quanto ainda não conhecemos sobre o passado da humanidade. Resta aceitarmos nossa ignorância e continuarmos nossas pesquisas para tentar preencher as lacunas de nosso conhecimento histórico.

13.671 – Arqueologia – Gelo da Groenlândia preserva a história do Império Romano


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Por volta de dois mil anos atrás, a Casa do Moeda dos impérios grego e romano trabalhavam com uma fusão de prata e chumbo. Essa indústria primitiva, como as de hoje, resultava em poluição. O chumbo contamina o ar e viaja por quilômetros carregados pelo vento.
Essa nuvem de chumbo, quando chega nas regiões mais frias do planeta, se transforma em neve e retorna à superfície. É assim há milênios na Groenlândia, que, ao longo dos anos, foi acumulando camadas e camadas que se transformaram em grandes blocos maciços de gelo.
Embora o meio ambiente padeça, para historiadores e arqueólogos essa contaminação representa um registro histórico sem igual. Uma equipe internacional liderada por pesquisadores do Desert Research Institute (DRI), em Nevada, analisou amostras de gelo extraídas pelo NGRIP (North Greenland Ice Core Project) para recontar a história da ascensão e queda de gregos e romanos.
Analisando cada camada que se acumulou nas geleiras ao longo da história, pela concentração de chumbo encontrada, é possível medir a intensidade da produção de moedas e, assim, o nível de atividade econômica.
“Eu não diria que o gráfico de poluição de chumbo é um reflexo próximo do PIB, mas é provavelmente a melhor indicador para a saúde econômica que temos”, disse ao New York Times um dos integrantes da equipe, o arqueólogo Andrew Wilson, da Universidade de Oxford. Não é a primeira vez que algo do tipo é tentado.

Na década de 90, 18 pontos de coleta de gelo em diferentes profundidades foram analisados. A diferença para esse estudo, porém, é a quantidade. São 21 mil medições, que abrangem profundidades de 159 metros a 580 metros, que resultaram em um panorama com precisão menor que um ano, de um período que vai de 1100 a.C. e 800 d.C.
“Descobrimos que a poluição por chumbo na Groenlândia acompanhava pragas conhecidas, guerras, distúrbios sociais e expansões imperiais durante a antiguidade européia”, contou um dos pesquisadores, o hidrólogo Joe McConnell.

13.657 – Parque Nacional Serra da Capivara


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A pintura que representa uma capivara e seu filhote se transformou em símbolo do Parque Nacional Serra da Capivara, tal obra é um exemplo de pintura rupestre com motivo naturalista e estilo Várzea Grande. As pinturas rupestres assim classificadas rtetratam figuras de animais como onça, pássaros, peixes, insetos. Neste estilo predomina o uso da cor vermelha.
Pinturas rupestres são pinturas feitas em rochas por povos que viveram há milhares de anos e sítio arqueológico é um local do qual os homens deixam algum vestígio de suas atividades: uma ferramenta de pedra lascada, uma fogueira na qual assaram a comida, uma pintura, uma sepultura ou a simples marca de seus passos. Iphan: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Criado em 13 de janeiro de 1937 pela lei n 378, no governo Getúlio Vargas e está hoje vinculado ao Ministério da Cultura.
O parque foi criado através do decreto de nº 83.548, emitido pela Presidência da República em 5 de junho de 1979, com a finalidade de proteger um dos mais importantes exemplares do patrimônio pré-histórico do país. Originalmente com 100 000 hectares, a proteção do Parque foi ampliada pelo decreto de nº 99.143 de 12 de março de 1990 com a criação de Áreas de Preservação Permanentes de 35 000 hectares.[1] A administração da unidade está a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO).[5]
O Parque Nacional Serra da Capivara é uma unidade de conservação arqueológica com uma riqueza de vestígios que se conservaram durante milênios. O patrimônio cultural e os ecossistemas locais estão intimamente ligados, pois a conservação do primeiro depende do equilíbrio desses ecossistemas. O equilíbrio entre os recursos naturais é o condicionante na conservação dos recursos culturais e foi o que orientou o zoneamento, a gestão e o uso do Parque pelo poder público.
É um local com vários atrativos, monumental museu a céu aberto, entre belíssimas formações rochosas, onde encontram sítios arqueológicos e paleontológicos espetaculares, que testemunham a presença de humanos e animais pré-históricos. O parque nacional foi criado graças, em grande parte, ao trabalho da arqueóloga Niéde Guidon, que hoje dirige a Fundação Museu do Homem Americano, instituição responsável pelo manejo do parque.
Área de maior concentração de sítios pré-históricos do continente americano e Patrimônio Cultural da Humanidade – UNESCO. Contém a maior quantidade de pinturas rupestres do mundo. Estudos científicos confirmam que a Serra da Capivara foi densamente povoada em períodos pré–históricos. Os artefatos encontrados apresentam vestígios do homem há 50.000 anos, os mais antigos registros na América.
No abrigo rochoso da Toca da Tira Peia os resultados trazem novas evidências de uma presença humana no Nordeste do Brasil já em 20.000 a.C. As idades obtidas, pela técnica de luminescência estimulada opticamente, variam de 22.000 a 3.500 anos antes do presente.

13.593 – Alimentação na Pré-história e evolução


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Diversas espécies do gênero homo desenvolveram-se ao longo de milhões de anos até a chegada à espécie dos homo sapiens, da qual os cientistas afirmam que nós, humanos contemporâneos, fazemos parte.
Muitos desses cientistas afirmam que a adoção de uma dieta também baseada em proteína animal teria contribuído para a evolução dos seres humanos e que essa adoção teria se dado ao longo de muito tempo, resultando na criação de diversas habilidades para conseguir esse tipo de alimento.
Durante o chamado período Paleolítico, uma divisão temporal que se estendeu por cerca de dois milhões de anos, até mais ou menos 10 mil anos atrás, os humanos ainda viviam da coleta de frutas, raízes e outras espécies vegetais, mas começaram a desenvolver o hábito de se alimentar de proteína animal, decorrente da caça, da pesca e da coleta de mariscos, mas também do aproveitamento de carcaças de animais deixadas por outros carnívoros.
Para o paleoantropólogo Henry Bunn, da Universidade de Wisconsin-Madison, a habilidade de obtenção da carne e a forma de dilacerar a carcaça dos animais sofreram alteração durante o paleolítico. Ele dividiu em três etapas o processo.
Primeiramente, os chamados hominídeos retalhavam a carne dos ossos das carcaças de animais, usando alguns instrumentos feitos de pedra ou de lascas de pedras. Esse primeiro período teria ocorrido entre 2,6 e 2,5 milhões de anos atrás, indicando ainda uma capacidade pequena dos hominídeos de obter alimentos com proteína animal.
Um segundo momento seria caracterizado por um procedimento mais comum de manuseio da carne a ser ingerida, além de passarem a desenvolver a habilidade de quebrar os ossos para também se alimentar do tutano de seu interior e carregarem as carcaças de animais para lugares distintos de onde haviam sido encontrados ou abatidos. Nesse estágio, entre 2,3 e 1,9 milhão de anos, os hominídeos ainda se apropriavam de carcaças de presas de outros carnívoros, mas também já conseguiam obter presas próprias.
O terceiro estágio nessa evolução “carnívora” dos hominídeos do Paleolítico caracterizar-se-ia pelo retalho extensivo dos restos dos animais, obtendo carcaças intactas, decorrentes de novas habilidades de apropriação de presas de outros carnívoros ou mesmo decorrentes da prática da caça, que se tornava rotineira. A datação dessa última fase é estimada entre 1,8 e 1,6 milhão de anos e demonstra que, além de caçar, os hominídeos do período atuavam na obtenção de partes de caça de outros mamíferos carnívoros.
Para outro especialista, o paleontólogo Lars Werdelin, esse desenvolvimento da habilidade de obtenção de carne pelos hominídeos teria causado uma diminuição no número de espécies carnívoras no leste da África, tendo possivelmente sido eliminadas muitas espécies de animais de grande porte. A entrada dos hominídeos na cadeia alimentar carnívora, somada a alterações climáticas, teria, dessa forma, mudado de forma drástica o ecossistema dessa região africana.

13.417 – Arqueologia – Cidade romana que desapareceu há 1,7 mil anos é encontrada no oceano


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Arqueólogos da Universidade de Sassari, na Itália, acharam os restos da cidade romana de Neápolis, desaparecida há 1,7 mil anos. O local fica onde atualmente está a Tunísia, e acredita-se que tenha submergido após um tsunami causado por um terremoto em 365 a.C.
Foram encontradas ruas, monumentos e cerca de cem de tanques usados ​​para produzir garum — molho de peixe fermentado que era popular na Roma antiga e na Grécia; era provavelmente muito significativo na economia cidade.
As buscas pelo que sobrou da cidade começaram em 2010, mas só foram encontradas recentemente graças à condição da água. “É uma grande descoberta. Pudemos estabelecer com certeza que a Neápolis era um importante centro para a fabricação de garum e peixe salgado, provavelmente o maiordo mundo romano”, afirma Mounir Fantar, chefe da expedição, à AFP.
Outro fato interessante é a falta de documentos escritos no 20 hectares de ruínas encontradas. Isso pode significar que a cidade estava sendo punida por ter uma aliança muito fraca com os romanos. Os cidadãos da cidade, inclusive, se uniram aos cartagineses durante a Terceira Guerra Punica em 149-146 a.C., antes que os romanos ganhassem e assumissem o controle da cidade.
Sobre o terremoto, os historiadores especulam que foram dois, na realidade, com magnitude de aproximadamente 8.0 na Escala de Richter — o que é muito, considerando que a medição vai até 10.

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12.897 – Local do enterro de Jesus é exposto pela primeira vez em séculos


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Pela primeira vez em séculos, cientistas expuseram a superfície original do que é considerada o túmulo de Jesus Cristo. Localizado na Basílica do Santo Sepulcro na parte antiga da cidade de Jerusalém, o túmulo está coberto com um revestimento de mármore desde pelo menos 1555 d.C..
“O revestimento de mármore foi retirado e ficamos surpresos com a quantidade de material de preenchimento que estava por baixo dele. Esta será uma long análise científica, mas vamos finalmente ver a superfície de pedra original que, de acordo com a tradição, foi o local de descanso do corpo de Cristo”, explica Fredrik Hiebert, arqueólogo da National Geographic Society, um dos parceiros do projeto de restauração.
De acordo com a bíblia, o corpo de Jesus Cristo foi preparado e colocado em um sepulcro esculpido em pedra na parede de uma caverna de calcário, que depois foi selada com uma pedra. Nos anos recentes, o sepulcro estava protegido por uma edícula que foi reconstruída em 1808 depois que foi destruída por um incêndio. A edícula e o túmulo interno estão passando por restauração com o trabalho de uma equipe de cientistas da Universidade Técnica Nacional de Atenas, com direção do professor Antonia Moropoulou.
A exposição do local de sepultamento está dando aos pesquisadores uma oportunidade sem precedentes para estudar a superfície original do que é considerado o local mais sagrado da cristandade. A análise da pedra original pode ajudá-los a melhor entender não apenas a forma original da câmera do túmulo, mas como ela evoluiu para se tornar o ponto mais importante de veneração desde sua primeira identificação em 326 d.C.
“Estamos em um momento crítico para reabilitar a edícula. As técnicas usadas para documentar este momento único vai permitir que o mundo estude nossas descobertas como se eles mesmos estivessem no túmulo de Cristo”, explicou Moropoulou.
As portas da Basílica foram fechadas horas antes do horário normal de fechamento, deixando uma multidão de turistas e romeiros frustrados do lado de fora das grandes portas de madeira. Lá dentro estavam a equipe de restauração e importantes convidados, como franciscanos, padres gregos ortodoxos, freiras católicas e representantes da igreja copta do Egito.
Desde o início da restauração houve preocupação com a integridade estrutural da edícula construída no século XIX. Ela sofreu danos no terremoto de 1927 e em 1947 recebeu o apoio de vigas externas que não são muito agradáveis aos olhos. A restauração demorou tanto tempo para ocorrer por dificuldades dos representantes das diferentes igrejas que administram a Basílica entrarem em um acordo sobre a reforma.
Em 2015, a Universidade Técnica Nacional de Atenas foi convidada a estudar a edícula, e em março de 2016 os representantes da Basílica entraram em um acordo sobre a restauração, que tem data de finalização marcada para o primeiro semestre de 2017. O projeto vai custar mais de US$4 milhões e recebeu enormes doações do mundo todo.
A National Geographic Society fez parceria com o projeto para produzir um documentário sobre a restauração e exposição do túmulo de Jesus, que deve ir ao ar em novembro de 2016. [National Geographic]

12.752 – Abandonada, a maior concentração de pinturas rupestres das Américas pede socorro


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O Parque Nacional da Serra da Capivara, que deve ser homenageado na cerimônia de encerramento da Olimpíada, está às moscas.
Ecologia e história são os dois grandes temas dos Jogos Olímpicos de 2016. No encerramento do evento, que acontece no próximo domingo (21), esse fio condutor deve continuar presente: a apresentação vai contar com uma homenagem ao Parque Nacional da Serra da Capivara. Além de ser uma reserva natural que mistura a caatinga à mata atlântica, o local é também a maior concentração de pinturas rupestres das Américas – e Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco desde 1991.
Mas o problema é que o parque está praticamente abandonado: sem recursos sequer para pagar os funcionários ou para cuidar das pinturas rupestres, a área está prestes a perder a proteção ambiental e arqueológica que existe desde os anos 70. A situação está tão ruim que a maior defensora do local, a arqueóloga Niède Guidon, já ameaçou largar tudo se algum dinheiro não fosse repassado pelo governo. Foi ela que pressionou o Estado a criar o parque, em 1978, e que dirige tudo por lá desde então – hoje, aos 83 anos, ela pode dizer que dedicou a vida ao lugar.
O Parque Nacional da Serra da Capivara fica em São Raimundo Nonato, a cerca de 500 quilômetros de Teresina, no Piauí. Faz todo o sentido que ele seja considerado um Patrimônio Cultural da Humanidade: com uma área de 135 mil hectares, a Serra abriga mais de 900 sítios arqueológicos, sendo que 500 deles têm pinturas rupestres. São mais de 30 mil dessas antigas marcas da passagem humana, que retratam dança, caça de vários animais e outras atividades cotidianas daquela época. Também há cerâmicas, fósseis de animais já extintos e o crânio de Zuzu, de 12 mil anos – o mais antigo do Brasil.
No meio de tudo isso, foram descobertos restos de duas fogueiras: uma de 22 mil anos e outra de 50 mil. Esses achados, de 2003, deram o que falar na comunidade científica, porque contestam a hipótese de que os seres humanos chegaram às Américas pelo Estreito de Behring, entre a Rússia e o Alasca – e que só teriam alcançado a América do Sul há apenas 13 mil anos. No lugar, Niède Guidon propôs outra ideia – a de que alguns homens teriam entrado aqui pelo Oceano Atlântico e povoado a região há mais de 50 mil anos.
Já deu para entender por que o parque é tão importante. No início, o local tinha uma estrutura impecável para cuidar de tudo: quatro carros para fazer rondas no local, 270 funcionários e uma guarita a cada 10 Km – com 28 guardas.
Mas, de uns tempos para cá, a Serra da Capivara tem perdido seus recursos. Ela é gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal, e pela a Fumdham (Fundação Museu do Homem Americano), criada por Niède em 1986. Essa combinação de administração pública e privada, incomum para parques nacionais, foi aos poucos dificultando os repasses de dinheiro do governo para a Serra.
Hoje, restam 36 funcionários (só em julho, 27 foram demitidos), apenas um veículo para as rondas e só quatro guaritas funcionando. Sem a segurança de antes, as sedes foram invadidas e saqueadas, e Niède chegou a ser ameaçada de morte por caçadores que, antes da crise, eram mantidos afastados da Serra. Para piorar, a equipe é insuficiente para fazer a manutenção dos sítios arqueológicos onde estão as pinturas rupestres – se nada for feito, a infiltração das cavernas pode acabar apagando a arte nas paredes.
A solução está longe de aparecer. Em fevereiro, a Justiça Federal determinou provisoriamente que o governo federal, o Ibama e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) repassassem R$ 4,49 milhões para o parque – e deu, também, um ano para que o ICMBio traçasse um novo plano de administração. Mas o parque continuou em apuros.
Na última quarta (17 de agosto) – um dia depois de Niède Guidon ter anunciado que desistiria de tudo se o parque não recebesse algum dinheiro -, o ministério do Meio Ambiente anunciou que doaria R$ 1 milhão para ajudar a Serra. Mas “só” isso não deve durar muito: segundo a Fumdham, nas condições ideais de segurança e manutenção, o parque gasta cerca de R$ 250 mil por mês.
Agora, é esperar os desdobramentos dessa história – e cruzar os dedos para que o encerramento da olimpíada ajude as pessoas a voltar a atenção para a Serra da Capivara.

12.689 – Adivinhações ou Alucinações? Conheça o Nekromanteion, o oráculo dos mortos da Grécia Antiga


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Na Grécia Antiga havia um lugar dedicado à comunicação com o mundo espiritual para obter informações do passado, do futuro ou do pós-vida pela evocação dos mortos.
O Nekromanteion era um templo de adoração dos deuses do submundo de Hades e Perséfone. Segundo as descrições feitas por Homero e Heródoto, o local possuía várias câmaras subterrâneas, onde eram praticadas estranhas cerimônias de necromancia.
Peregrinos de todo o mundo grego se dirigiam ao templo para contatar os espíritos à procura de conselhos e boa fortuna. Sacerdotes sombrios guiavam os viajantes corajosos através de rituais complexos de purificação, que, muitas vezes, incluíam a ingestão de cogumelos alucinógenos.
Depois de passar semanas em total isolamento e sacrificar uma ovelha, os peregrinos podiam, então, acessar o salão principal, onde se comunicavam com os mortos.
Em 1958, o arqueólogo Sotirios Dakaris descobriu, nas montanhas de Épiro, no noroeste da Grécia, várias construções que pareciam coincidir com as descrições antigas do oráculo dos mortos. O lugar se situa às margens do rio Aqueronte, que, segundo a lenda, flui pelo submundo.

12.587- Arqueologia – Primeiras e misteriosas construções neandertais são encontradas na França


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Pesquisadores encontraram em uma caverna, na região sudoeste da França, pistas de antigas e misteriosas estruturas feitas por humanoides há 176 mil anos.
De acordo com o estudo que relata a descoberta, publicado na revista Nature, estas estruturas não seriam obra do homem moderno, mas dos nossos parentes próximos, os neandertais.
Estas estruturas estão na caverna Burniquel, e foram encontradas pela primeira vez em 1990. Até então, o local estava fechado havia milhares de anos. Dentro da caverna, foram achados até rastros de uma espécie de urso já extinto – ali estavam preservadas suas pegadas, marcas de garras, pelo e tocas.
Explorando mais ao fundo da caverna, havia estruturas formadas por fragmentos de estalagmites, que não eram naturais do local. Elas foram estudadas mais profundamente em 2013, por pesquisadores da Universidade de Bordeaux, da França, que puderam averiguar sua idade: 176 mil anos.

Primeiras construções
Nesta época, os únicos humanos que viviam na Europa eram os neandertais, então, os pesquisadores acreditam que eles foram os criadores dessas estruturas. Desta maneira, elas seriam as uma das primeiras construções feitas por humanoides que se tem conhecimento.
A finalidade destas estruturas é um mistério. Algumas estão em forma de círculo ou semicírculo, algumas possuem uma coluna de fragmentos empilhados e outras têm laterais para impedir desabamentos. Em algumas áreas, as estalagmites parecem ter sido queimadas, o que sugere que elas podem ter servido de local para fogueiras.
Ainda não se sabe se essas essas estruturas eram recorrentes ou se o achado foi apenas uma criação acidental de algum grupo há centenas de milhares de anos.