14.014 – Parasita de 99 milhões de anos é encontrado intacto em âmbar


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O fóssil de um piolho-de-cobra de 99 milhões foi encontrado preservado em uma pedra de âmbar, em Myanmar. O artrópode da classe diploide é tão único que os especialistas tiveram de criar uma subordem própria para ele. A espécie foi nomea da Burmanopetalum inexpectatum.
O exemplar é o primeiro fóssil de um milípede pertencente à ordem Callipodida já encontrado, e é menor do que seus parentes da mesma época — apenas 8,2 milímetros. A descoberta também ajuda na compreensão de quando a espécie apareceu, sugerindo que esse grupo de artrópodes deve ter evoluído há pelo menos 100 milhões de anos.
“Foi uma grande surpresa para nós que este animal não possa ser colocado na atual classificação de milípedes”, disse o principal autor do estudo, professor Pavel Stoev, em comunicado. “Apesar de sua aparência geral ter permanecido inalterada nos últimos 100 milhões de anos, como nosso planeta sofreu mudanças dramáticas várias vezes nesse período, algumas características morfológicas na linhagem Callipodida evoluíram significativamente.”
De acordo com o co-autor do estudo, Dr. Thomas Wesener, apenas 12 espécies de diplóides da Era Mesozoica — um período de 185 milhões de anos — foram encontradas até então, mas as expectativas crescem com novas descobertas.
Isso porque o âmbar em que Burmanopetalum inexpectatum foi encontrado contém mais 528 milípedes, que vem sendo investigados: “Nos últimos anos, quase todas as 16 ordens vivas de milípedes foram identificadas neste âmbar de 99 milhões de anos de idade. Os belos dados anatômicos apresentados por Stoev mostram que Callipodida agora se junta ao clube”, disse Wesener.

13.979 – Borracha rupestre Extraída no Parque Nacional da Serra da Capivara


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A maniçoba, árvore típica da caatinga, produz um látex de grande qualidade. Além de pneus, até meados do século XX sua borracha natural era usada para produzir luvas cirúrgicas por conta de seu potencial de evitar rejeição durante operações. Entre 1900 e 1940, famílias de diversas localidades do Nordeste brasileiro foram ganhar a vida na extração de maniçoba, em uma região do Piauí onde hoje está o Parque Nacional da Serra da Capivara, declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco e maior sítio arqueológico da América Latina. Imerso em uma crise financeira que se estende há anos, o parque inaugurou recentemente a Trilha Caminho dos Maniçobeiros, com o objetivo de preservar a memória desses trabalhadores em diálogo com os vestígios pré-históricos. O circuito turístico inclui visita aos locais em que essas famílias costumavam habitar: abrigos formados por paredes de taipa (pedra, paus e barro amassado) e tocas de rocha adaptadas para moradia. Muitos deles ainda preservam inscrições rupestres, algumas feitas há 50 mil anos. O Caminho dos Maniçobeiros tem aproximadamente 20 quilômetros de extensão. Começa na Guarita da Serra Branca e o trajeto pode ser feito de carro ou ônibus até o Sítio Igrejinha, tendo o visitante que seguir a pé pela estrada e pelas trilhas abertas na mata de caatinga. Há locais sinalizados com árvores de maniçoba e muitas tocas onde vestígios rupestres e dos maniçobeiros se misturam. O modo de vida e trabalho dos maniçobeiros começou a ser investigado, na década de 1970, por pesquisadores da Fundação Museu do Homem Americano (Fundham), que administra o Parque da Serra da Capivara. A arquiteta Elizabete Buco, pesquisadora da Fundham, ressalta a importância da preservação dessa memória: “Resolvemos tirar do papel e mostrar o que o parque ainda guarda sobre esses homens que faziam das tocas suas moradias, convivendo com vestígios arqueológicos, reocupando a área e construindo um novo espaço, com novos simbolismos e manifestações culturais”. Naquele período, a extração do látex de maniçoba no Nordeste só perdia em quantidade para os seringais da Amazônia. Ainda assim, “a demanda era tão grande que o governo brasileiro incentivava a extração e o cultivo de toda árvore que produzisse borracha”, observa Ana Stela de Negreiros Oliveira, pesquisadora do Iphan no Piauí. Os maniçobeiros extraíam látex de forma diferente: enquanto na seringueira as incisões eram feitas no tronco da planta, na maniçoba o látex era retirado da raiz, com auxílio de um instrumento pontiagudo criado por eles, a léga. Mas as relações de trabalho de seringueiros e maniçobeiros se assemelhavam: eram ambos explorados ao contrair dívidas com seus patrões, que monopolizavam o acesso a produtos alimentícios. Isto explica por que as famílias utilizavam os abrigos pré-históricos como moradias.

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13.971- Linguística – Qual a língua mais antiga?


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O sumério foi uma das primeiras línguas escritas conhecidas. O seu sistema de escrita, chamado cuneiforme (que significa “em forma de cunha”), foi mais tarde também usado para as línguas acadiana e também adaptado a línguas indo-europeias como o hitita (que também era escrito com um sistema hieroglífico, tal como faziam os egípcios) e o persa antigo, muito embora esta última língua se limitasse a usar os mesmos instrumentos de escrita e as formas das letras não tivessem relação com as do cuneiforme.
A escrita era do tipo semanto-fonética com símbolos fonéticos para sílabas e também logogramas que representavam palavras inteiras. A direção da escrita era variável. Textos mais antigos se apresentavam em colunas verticais. mas por volta de 3.000 a.C a direção mudou para horizontal da esquerda para a direita. Nessa época os símbolos foram girados em 90º sentido anti horário e passaram a ser simplificados sendo formados somente por cunhas e traços.
Inicialmente havia até cerca de mil símbolos, quantidade que caiu para cerca de 400, depois para 255, que eram 8 para vogais, 98 sílabas de vogal+consoante e 149 de consoante + vogal; Um mesmo símbolo poderia ter diferentes pronúncias. Houve 5 períodos para essas simbologia com aletrações nos anos de 3000 a.C – 2800 a.C – 2500 a.C – 1800 a.C – 600 a.C.
O sumério era aglutinante e fazia grande uso da composição. Por exemplo, as palavras para grande e homem eram compostas para formar a palavra para rei, “lugal”.
O sumério é uma língua ergativa. Isto significa que o sujeito de uma frase, que obtém um objecto directo, está no chamado caso ergativo, que se marca com a posposição -e. O sujeito de um verbo intransitivo é “marcado” com um absolutivo, que não é escrito: por exemplo, lugal-e e2 mu-dru3 “o rei construiu a casa”; lugal ba-gen “o rei foi”.

13.875 – Arqueologia – O Manuscrito Liber Linteus Zagrabiensis


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Redigido em etrusco, um idioma usado em uma região que hoje corresponde à península itálica, o Liber Linteus Zagrabiensis — ou “Livro de Linho de Zagreb” em latim — é o único livro escrito em linho de que se tem notícia, assim como o texto mais extenso em etrusco já descoberto no mundo. O manuscrito se encontra em exposição em um museu da cidade de Zagreb, na Croácia, daí o seu curioso nome.
O documento de tecido — escrito em tinta vermelha e preta — foi utilizado para envolver uma múmia de aproximadamente 2,2 mil anos encontrada no Egito em meados do século 19. O livro consiste em um texto com cerca de 13 mil palavras distribuídas em aproximadamente 230 linhas que, por sua vez, se repartem em uma dezena de colunas verticais redigidas sobre um pedaço de linho dividido em 20 requadros retangulares.
Contudo, como apenas umas 1,2 mil palavras continuam legíveis, os cientistas não conseguiram decifrar completamente o texto. Atualmente, o consenso é de que o Liber Linteus seja um calendário ritualístico, embora as menções aos meses só apareçam a partir da sexta coluna do manuscrito.
Com relação à explicação de como um documento etrusco foi parar no Egito, os especialistas explicaram que, na época em que o corpo da múmia foi preparado, o comércio já havia se espalhado por todo o Mediterrâneo, e era comum que diversos materiais fossem reutilizados para envolver cadáveres ou produzir máscaras funerárias. Assim, não era incomum que itens produzidos na Itália circulassem por outras paragens.

13.874 – O Códice de Dresden


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É um antigo texto Maia com cerca de 800 anos que “apareceu” na Real Biblioteca de Dresden, na Alemanha, no século 18. O manuscrito consiste em 39 páginas ricamente ilustradas e redigidas na frente e no verso e, ao que tudo indica, ele traz registros das diferentes fases do planeta Vênus, presumivelmente para que os maias pudessem planejar diferentes cerimônias e rituais.
Ninguém sabe como é que o códice foi parar na Alemanha, já que a maioria dos textos maias (infelizmente) foi destruída pelos colonizadores e missionários cristãos na tentativa de eliminar as crenças pagãs daqueles povos. De qualquer forma, pesquisas recentes apontaram que os maias celebravam um elaborado conjunto de eventos e rituais conectados com o comportamento de Vênus e provavelmente usavam o códice como uma espécie de calendário.

13.744 – Arqueologia – Obras de nova linha do metrô de Roma revelam tesouros arqueológicos


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A construção da linha C, nova rota do metrô de Roma, na Itália, revelou pêssegos petrificados, cerâmicas de ânfora e estruturas antigas. Entre as construções estão um prédio datado do século 3 que foi destruído pelo fogo, a casa de um comandante militar e barracões de 2 mil anos de idade, usados pelo exército do Imperador romano Adriano (não, não é o jogador de futebol).
A estação San Giovanni é a mais recente da linha. Inaugurada em 12 de maio, ela oferece aos passageiros uma viagem não só de transporte, mas também ao passado da região. Os frenquentadores podem obversar mais de 40 mil artefatos descobertos durante a construção do metrô. Os itens pertencem à época do Pleistoceno até a queda do Império Romano do Ocidente, no ano de 476 da era comum.
Durante o auge do Império Romano, a região de San Giovanni era uma rica zona agrícola que produzia frutas, legumes e flores. O museu subterrâneo exibe pedras de pessegueiro de 2 mil anos, além de uma cesta de tecido e um frasco de perfume de vidro turquesa.
A próxima estação programada para abrir é Amba Aradam, perto do Coliseu. Em 2016, pesquisadores que escavavam a área descobriram um complexo de 39 quartos. Segundo o jornal The Independent, o espaço servia como quartel militar para a Guarda Pretoriana do Imperador Adriano, e guardava ossos humanos, pisos de mosaico e moedas de bronze.
Simona Morretta, a arqueóloga que supervisiona as escavações em Amba Aradam, contou ao The New York Times que a casa tem 14 quartos, um pátio central e uma fonte.
Representantes de Roma se comprometeram a preservar o quartel, propondo a criação da primeira “estação arqueológica” da cidade, e alterando o projeto que queria integrar as ruínas na estação moderna. Amba Aradam deve ser inaugurada em 2021, mas, com as escavações ainda em andamento, há a possibilidade de atrasos.

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13.740 – Civilizações Antigas – Enigma do disco de Faísto


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Dentre os grandes mistérios que intrigam os arqueólogos – e não são poucos – encontra-se o disco de Faísto (ou disco de Festo, ou ainda disco de Phaisto). O disco é uma peça de cerâmica, feita de argila fina, encontrada no palácio de Faísto, na ilha de Creta, e produzida pela civilização creto-minoica, entre os anos 1900 a.C. e 1450 a.C. O que principalmente intriga os historiadores e arqueólogos são os signos impressos nos dois lados do disco e que significado teriam.
Em razão do próprio fato de possivelmente ter sido impresso com selos que reproduziam os símbolos, o disco poderia indicar o mais antigo objeto tipográfico que se tem conhecimento. Porém, não há nenhuma certeza sobre o significado de cada um dos símbolos. A escrita cretense perdeu-se após a invasão dos povos dórios à região, por volta do século XI a.C.
O disco foi encontrado por uma equipe de arqueólogos liderada por Luigi Pernier, em 1908, na região centro-sul da ilha de Creta. Os arqueólogos estavam escavando as ruínas do antigo palácio, possivelmente destruído por terremotos, quando encontraram o disco de 16 centímetros de diâmetro por 16 milímetros de espessura. Entre os signos presentes no disco há representações humanas, animais, plantas e objetos do cotidiano. Esses signos formam 31 grupos de sinais no lado A e 30 grupos no lado B, contendo 241 símbolos impressos.
O que os estudiosos procuram é buscar relacionar a origem do povo que habitou a ilha durante o período minoico e a partir daí relacionar com escritas de outros povos que possivelmente tiveram contato com os cretenses, como os semitas e os egípcios. Os ícones poderiam ser ideogramas, como os utilizados pelos egípcios, o que possibilitaria tentar uma correspondência na leitura do disco. Linhas verticais que separam e agrupam alguns dos ícones, ao longo da disposição espiral das imagens, sugerem que esses grupos seriam palavras ou frases com significados específicos.
Nesse sentido, diversas tentativas de decifrações foram realizadas. Alguns apontam o disco como um calendário antigo. Outros estudiosos dizem ser o disco um jogo rudimentar utilizado pelos cretenses para seu lazer.
Há ainda uma possibilidade de o disco ser um hino sagrado, composto em homenagem à deusa-mãe. Existem fortes indícios de que os cretenses eram organizados socialmente em matriarcados, o que garantia às mulheres uma posição não subjugada na sociedade, como ocorria nas sociedades patriarcais da época. Esse papel das mulheres é inclusive indicado como decorrente do fato de os cretenses dedicarem-se ao comércio e à navegação, cabendo às mulheres uma função de organizadoras sociais das cidades.
Por fim, cumpre indicar que há inclusive hipóteses que decifram o disco como a representação histórica de parte da civilização cretense, indicando tomada de locais geograficamente próximos e invasões estrangeiras.
Mas o mais importante é perceber o quanto ainda não conhecemos sobre o passado da humanidade. Resta aceitarmos nossa ignorância e continuarmos nossas pesquisas para tentar preencher as lacunas de nosso conhecimento histórico.

13.671 – Arqueologia – Gelo da Groenlândia preserva a história do Império Romano


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Por volta de dois mil anos atrás, a Casa do Moeda dos impérios grego e romano trabalhavam com uma fusão de prata e chumbo. Essa indústria primitiva, como as de hoje, resultava em poluição. O chumbo contamina o ar e viaja por quilômetros carregados pelo vento.
Essa nuvem de chumbo, quando chega nas regiões mais frias do planeta, se transforma em neve e retorna à superfície. É assim há milênios na Groenlândia, que, ao longo dos anos, foi acumulando camadas e camadas que se transformaram em grandes blocos maciços de gelo.
Embora o meio ambiente padeça, para historiadores e arqueólogos essa contaminação representa um registro histórico sem igual. Uma equipe internacional liderada por pesquisadores do Desert Research Institute (DRI), em Nevada, analisou amostras de gelo extraídas pelo NGRIP (North Greenland Ice Core Project) para recontar a história da ascensão e queda de gregos e romanos.
Analisando cada camada que se acumulou nas geleiras ao longo da história, pela concentração de chumbo encontrada, é possível medir a intensidade da produção de moedas e, assim, o nível de atividade econômica.
“Eu não diria que o gráfico de poluição de chumbo é um reflexo próximo do PIB, mas é provavelmente a melhor indicador para a saúde econômica que temos”, disse ao New York Times um dos integrantes da equipe, o arqueólogo Andrew Wilson, da Universidade de Oxford. Não é a primeira vez que algo do tipo é tentado.

Na década de 90, 18 pontos de coleta de gelo em diferentes profundidades foram analisados. A diferença para esse estudo, porém, é a quantidade. São 21 mil medições, que abrangem profundidades de 159 metros a 580 metros, que resultaram em um panorama com precisão menor que um ano, de um período que vai de 1100 a.C. e 800 d.C.
“Descobrimos que a poluição por chumbo na Groenlândia acompanhava pragas conhecidas, guerras, distúrbios sociais e expansões imperiais durante a antiguidade européia”, contou um dos pesquisadores, o hidrólogo Joe McConnell.

13.657 – Parque Nacional Serra da Capivara


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A pintura que representa uma capivara e seu filhote se transformou em símbolo do Parque Nacional Serra da Capivara, tal obra é um exemplo de pintura rupestre com motivo naturalista e estilo Várzea Grande. As pinturas rupestres assim classificadas rtetratam figuras de animais como onça, pássaros, peixes, insetos. Neste estilo predomina o uso da cor vermelha.
Pinturas rupestres são pinturas feitas em rochas por povos que viveram há milhares de anos e sítio arqueológico é um local do qual os homens deixam algum vestígio de suas atividades: uma ferramenta de pedra lascada, uma fogueira na qual assaram a comida, uma pintura, uma sepultura ou a simples marca de seus passos. Iphan: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Criado em 13 de janeiro de 1937 pela lei n 378, no governo Getúlio Vargas e está hoje vinculado ao Ministério da Cultura.
O parque foi criado através do decreto de nº 83.548, emitido pela Presidência da República em 5 de junho de 1979, com a finalidade de proteger um dos mais importantes exemplares do patrimônio pré-histórico do país. Originalmente com 100 000 hectares, a proteção do Parque foi ampliada pelo decreto de nº 99.143 de 12 de março de 1990 com a criação de Áreas de Preservação Permanentes de 35 000 hectares.[1] A administração da unidade está a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO).[5]
O Parque Nacional Serra da Capivara é uma unidade de conservação arqueológica com uma riqueza de vestígios que se conservaram durante milênios. O patrimônio cultural e os ecossistemas locais estão intimamente ligados, pois a conservação do primeiro depende do equilíbrio desses ecossistemas. O equilíbrio entre os recursos naturais é o condicionante na conservação dos recursos culturais e foi o que orientou o zoneamento, a gestão e o uso do Parque pelo poder público.
É um local com vários atrativos, monumental museu a céu aberto, entre belíssimas formações rochosas, onde encontram sítios arqueológicos e paleontológicos espetaculares, que testemunham a presença de humanos e animais pré-históricos. O parque nacional foi criado graças, em grande parte, ao trabalho da arqueóloga Niéde Guidon, que hoje dirige a Fundação Museu do Homem Americano, instituição responsável pelo manejo do parque.
Área de maior concentração de sítios pré-históricos do continente americano e Patrimônio Cultural da Humanidade – UNESCO. Contém a maior quantidade de pinturas rupestres do mundo. Estudos científicos confirmam que a Serra da Capivara foi densamente povoada em períodos pré–históricos. Os artefatos encontrados apresentam vestígios do homem há 50.000 anos, os mais antigos registros na América.
No abrigo rochoso da Toca da Tira Peia os resultados trazem novas evidências de uma presença humana no Nordeste do Brasil já em 20.000 a.C. As idades obtidas, pela técnica de luminescência estimulada opticamente, variam de 22.000 a 3.500 anos antes do presente.

13.593 – Alimentação na Pré-história e evolução


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Diversas espécies do gênero homo desenvolveram-se ao longo de milhões de anos até a chegada à espécie dos homo sapiens, da qual os cientistas afirmam que nós, humanos contemporâneos, fazemos parte.
Muitos desses cientistas afirmam que a adoção de uma dieta também baseada em proteína animal teria contribuído para a evolução dos seres humanos e que essa adoção teria se dado ao longo de muito tempo, resultando na criação de diversas habilidades para conseguir esse tipo de alimento.
Durante o chamado período Paleolítico, uma divisão temporal que se estendeu por cerca de dois milhões de anos, até mais ou menos 10 mil anos atrás, os humanos ainda viviam da coleta de frutas, raízes e outras espécies vegetais, mas começaram a desenvolver o hábito de se alimentar de proteína animal, decorrente da caça, da pesca e da coleta de mariscos, mas também do aproveitamento de carcaças de animais deixadas por outros carnívoros.
Para o paleoantropólogo Henry Bunn, da Universidade de Wisconsin-Madison, a habilidade de obtenção da carne e a forma de dilacerar a carcaça dos animais sofreram alteração durante o paleolítico. Ele dividiu em três etapas o processo.
Primeiramente, os chamados hominídeos retalhavam a carne dos ossos das carcaças de animais, usando alguns instrumentos feitos de pedra ou de lascas de pedras. Esse primeiro período teria ocorrido entre 2,6 e 2,5 milhões de anos atrás, indicando ainda uma capacidade pequena dos hominídeos de obter alimentos com proteína animal.
Um segundo momento seria caracterizado por um procedimento mais comum de manuseio da carne a ser ingerida, além de passarem a desenvolver a habilidade de quebrar os ossos para também se alimentar do tutano de seu interior e carregarem as carcaças de animais para lugares distintos de onde haviam sido encontrados ou abatidos. Nesse estágio, entre 2,3 e 1,9 milhão de anos, os hominídeos ainda se apropriavam de carcaças de presas de outros carnívoros, mas também já conseguiam obter presas próprias.
O terceiro estágio nessa evolução “carnívora” dos hominídeos do Paleolítico caracterizar-se-ia pelo retalho extensivo dos restos dos animais, obtendo carcaças intactas, decorrentes de novas habilidades de apropriação de presas de outros carnívoros ou mesmo decorrentes da prática da caça, que se tornava rotineira. A datação dessa última fase é estimada entre 1,8 e 1,6 milhão de anos e demonstra que, além de caçar, os hominídeos do período atuavam na obtenção de partes de caça de outros mamíferos carnívoros.
Para outro especialista, o paleontólogo Lars Werdelin, esse desenvolvimento da habilidade de obtenção de carne pelos hominídeos teria causado uma diminuição no número de espécies carnívoras no leste da África, tendo possivelmente sido eliminadas muitas espécies de animais de grande porte. A entrada dos hominídeos na cadeia alimentar carnívora, somada a alterações climáticas, teria, dessa forma, mudado de forma drástica o ecossistema dessa região africana.

13.417 – Arqueologia – Cidade romana que desapareceu há 1,7 mil anos é encontrada no oceano


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Arqueólogos da Universidade de Sassari, na Itália, acharam os restos da cidade romana de Neápolis, desaparecida há 1,7 mil anos. O local fica onde atualmente está a Tunísia, e acredita-se que tenha submergido após um tsunami causado por um terremoto em 365 a.C.
Foram encontradas ruas, monumentos e cerca de cem de tanques usados ​​para produzir garum — molho de peixe fermentado que era popular na Roma antiga e na Grécia; era provavelmente muito significativo na economia cidade.
As buscas pelo que sobrou da cidade começaram em 2010, mas só foram encontradas recentemente graças à condição da água. “É uma grande descoberta. Pudemos estabelecer com certeza que a Neápolis era um importante centro para a fabricação de garum e peixe salgado, provavelmente o maiordo mundo romano”, afirma Mounir Fantar, chefe da expedição, à AFP.
Outro fato interessante é a falta de documentos escritos no 20 hectares de ruínas encontradas. Isso pode significar que a cidade estava sendo punida por ter uma aliança muito fraca com os romanos. Os cidadãos da cidade, inclusive, se uniram aos cartagineses durante a Terceira Guerra Punica em 149-146 a.C., antes que os romanos ganhassem e assumissem o controle da cidade.
Sobre o terremoto, os historiadores especulam que foram dois, na realidade, com magnitude de aproximadamente 8.0 na Escala de Richter — o que é muito, considerando que a medição vai até 10.

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12.897 – Local do enterro de Jesus é exposto pela primeira vez em séculos


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Pela primeira vez em séculos, cientistas expuseram a superfície original do que é considerada o túmulo de Jesus Cristo. Localizado na Basílica do Santo Sepulcro na parte antiga da cidade de Jerusalém, o túmulo está coberto com um revestimento de mármore desde pelo menos 1555 d.C..
“O revestimento de mármore foi retirado e ficamos surpresos com a quantidade de material de preenchimento que estava por baixo dele. Esta será uma long análise científica, mas vamos finalmente ver a superfície de pedra original que, de acordo com a tradição, foi o local de descanso do corpo de Cristo”, explica Fredrik Hiebert, arqueólogo da National Geographic Society, um dos parceiros do projeto de restauração.
De acordo com a bíblia, o corpo de Jesus Cristo foi preparado e colocado em um sepulcro esculpido em pedra na parede de uma caverna de calcário, que depois foi selada com uma pedra. Nos anos recentes, o sepulcro estava protegido por uma edícula que foi reconstruída em 1808 depois que foi destruída por um incêndio. A edícula e o túmulo interno estão passando por restauração com o trabalho de uma equipe de cientistas da Universidade Técnica Nacional de Atenas, com direção do professor Antonia Moropoulou.
A exposição do local de sepultamento está dando aos pesquisadores uma oportunidade sem precedentes para estudar a superfície original do que é considerado o local mais sagrado da cristandade. A análise da pedra original pode ajudá-los a melhor entender não apenas a forma original da câmera do túmulo, mas como ela evoluiu para se tornar o ponto mais importante de veneração desde sua primeira identificação em 326 d.C.
“Estamos em um momento crítico para reabilitar a edícula. As técnicas usadas para documentar este momento único vai permitir que o mundo estude nossas descobertas como se eles mesmos estivessem no túmulo de Cristo”, explicou Moropoulou.
As portas da Basílica foram fechadas horas antes do horário normal de fechamento, deixando uma multidão de turistas e romeiros frustrados do lado de fora das grandes portas de madeira. Lá dentro estavam a equipe de restauração e importantes convidados, como franciscanos, padres gregos ortodoxos, freiras católicas e representantes da igreja copta do Egito.
Desde o início da restauração houve preocupação com a integridade estrutural da edícula construída no século XIX. Ela sofreu danos no terremoto de 1927 e em 1947 recebeu o apoio de vigas externas que não são muito agradáveis aos olhos. A restauração demorou tanto tempo para ocorrer por dificuldades dos representantes das diferentes igrejas que administram a Basílica entrarem em um acordo sobre a reforma.
Em 2015, a Universidade Técnica Nacional de Atenas foi convidada a estudar a edícula, e em março de 2016 os representantes da Basílica entraram em um acordo sobre a restauração, que tem data de finalização marcada para o primeiro semestre de 2017. O projeto vai custar mais de US$4 milhões e recebeu enormes doações do mundo todo.
A National Geographic Society fez parceria com o projeto para produzir um documentário sobre a restauração e exposição do túmulo de Jesus, que deve ir ao ar em novembro de 2016. [National Geographic]

12.752 – Abandonada, a maior concentração de pinturas rupestres das Américas pede socorro


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O Parque Nacional da Serra da Capivara, que deve ser homenageado na cerimônia de encerramento da Olimpíada, está às moscas.
Ecologia e história são os dois grandes temas dos Jogos Olímpicos de 2016. No encerramento do evento, que acontece no próximo domingo (21), esse fio condutor deve continuar presente: a apresentação vai contar com uma homenagem ao Parque Nacional da Serra da Capivara. Além de ser uma reserva natural que mistura a caatinga à mata atlântica, o local é também a maior concentração de pinturas rupestres das Américas – e Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco desde 1991.
Mas o problema é que o parque está praticamente abandonado: sem recursos sequer para pagar os funcionários ou para cuidar das pinturas rupestres, a área está prestes a perder a proteção ambiental e arqueológica que existe desde os anos 70. A situação está tão ruim que a maior defensora do local, a arqueóloga Niède Guidon, já ameaçou largar tudo se algum dinheiro não fosse repassado pelo governo. Foi ela que pressionou o Estado a criar o parque, em 1978, e que dirige tudo por lá desde então – hoje, aos 83 anos, ela pode dizer que dedicou a vida ao lugar.
O Parque Nacional da Serra da Capivara fica em São Raimundo Nonato, a cerca de 500 quilômetros de Teresina, no Piauí. Faz todo o sentido que ele seja considerado um Patrimônio Cultural da Humanidade: com uma área de 135 mil hectares, a Serra abriga mais de 900 sítios arqueológicos, sendo que 500 deles têm pinturas rupestres. São mais de 30 mil dessas antigas marcas da passagem humana, que retratam dança, caça de vários animais e outras atividades cotidianas daquela época. Também há cerâmicas, fósseis de animais já extintos e o crânio de Zuzu, de 12 mil anos – o mais antigo do Brasil.
No meio de tudo isso, foram descobertos restos de duas fogueiras: uma de 22 mil anos e outra de 50 mil. Esses achados, de 2003, deram o que falar na comunidade científica, porque contestam a hipótese de que os seres humanos chegaram às Américas pelo Estreito de Behring, entre a Rússia e o Alasca – e que só teriam alcançado a América do Sul há apenas 13 mil anos. No lugar, Niède Guidon propôs outra ideia – a de que alguns homens teriam entrado aqui pelo Oceano Atlântico e povoado a região há mais de 50 mil anos.
Já deu para entender por que o parque é tão importante. No início, o local tinha uma estrutura impecável para cuidar de tudo: quatro carros para fazer rondas no local, 270 funcionários e uma guarita a cada 10 Km – com 28 guardas.
Mas, de uns tempos para cá, a Serra da Capivara tem perdido seus recursos. Ela é gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal, e pela a Fumdham (Fundação Museu do Homem Americano), criada por Niède em 1986. Essa combinação de administração pública e privada, incomum para parques nacionais, foi aos poucos dificultando os repasses de dinheiro do governo para a Serra.
Hoje, restam 36 funcionários (só em julho, 27 foram demitidos), apenas um veículo para as rondas e só quatro guaritas funcionando. Sem a segurança de antes, as sedes foram invadidas e saqueadas, e Niède chegou a ser ameaçada de morte por caçadores que, antes da crise, eram mantidos afastados da Serra. Para piorar, a equipe é insuficiente para fazer a manutenção dos sítios arqueológicos onde estão as pinturas rupestres – se nada for feito, a infiltração das cavernas pode acabar apagando a arte nas paredes.
A solução está longe de aparecer. Em fevereiro, a Justiça Federal determinou provisoriamente que o governo federal, o Ibama e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) repassassem R$ 4,49 milhões para o parque – e deu, também, um ano para que o ICMBio traçasse um novo plano de administração. Mas o parque continuou em apuros.
Na última quarta (17 de agosto) – um dia depois de Niède Guidon ter anunciado que desistiria de tudo se o parque não recebesse algum dinheiro -, o ministério do Meio Ambiente anunciou que doaria R$ 1 milhão para ajudar a Serra. Mas “só” isso não deve durar muito: segundo a Fumdham, nas condições ideais de segurança e manutenção, o parque gasta cerca de R$ 250 mil por mês.
Agora, é esperar os desdobramentos dessa história – e cruzar os dedos para que o encerramento da olimpíada ajude as pessoas a voltar a atenção para a Serra da Capivara.

12.689 – Adivinhações ou Alucinações? Conheça o Nekromanteion, o oráculo dos mortos da Grécia Antiga


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Na Grécia Antiga havia um lugar dedicado à comunicação com o mundo espiritual para obter informações do passado, do futuro ou do pós-vida pela evocação dos mortos.
O Nekromanteion era um templo de adoração dos deuses do submundo de Hades e Perséfone. Segundo as descrições feitas por Homero e Heródoto, o local possuía várias câmaras subterrâneas, onde eram praticadas estranhas cerimônias de necromancia.
Peregrinos de todo o mundo grego se dirigiam ao templo para contatar os espíritos à procura de conselhos e boa fortuna. Sacerdotes sombrios guiavam os viajantes corajosos através de rituais complexos de purificação, que, muitas vezes, incluíam a ingestão de cogumelos alucinógenos.
Depois de passar semanas em total isolamento e sacrificar uma ovelha, os peregrinos podiam, então, acessar o salão principal, onde se comunicavam com os mortos.
Em 1958, o arqueólogo Sotirios Dakaris descobriu, nas montanhas de Épiro, no noroeste da Grécia, várias construções que pareciam coincidir com as descrições antigas do oráculo dos mortos. O lugar se situa às margens do rio Aqueronte, que, segundo a lenda, flui pelo submundo.

12.587- Arqueologia – Primeiras e misteriosas construções neandertais são encontradas na França


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Pesquisadores encontraram em uma caverna, na região sudoeste da França, pistas de antigas e misteriosas estruturas feitas por humanoides há 176 mil anos.
De acordo com o estudo que relata a descoberta, publicado na revista Nature, estas estruturas não seriam obra do homem moderno, mas dos nossos parentes próximos, os neandertais.
Estas estruturas estão na caverna Burniquel, e foram encontradas pela primeira vez em 1990. Até então, o local estava fechado havia milhares de anos. Dentro da caverna, foram achados até rastros de uma espécie de urso já extinto – ali estavam preservadas suas pegadas, marcas de garras, pelo e tocas.
Explorando mais ao fundo da caverna, havia estruturas formadas por fragmentos de estalagmites, que não eram naturais do local. Elas foram estudadas mais profundamente em 2013, por pesquisadores da Universidade de Bordeaux, da França, que puderam averiguar sua idade: 176 mil anos.

Primeiras construções
Nesta época, os únicos humanos que viviam na Europa eram os neandertais, então, os pesquisadores acreditam que eles foram os criadores dessas estruturas. Desta maneira, elas seriam as uma das primeiras construções feitas por humanoides que se tem conhecimento.
A finalidade destas estruturas é um mistério. Algumas estão em forma de círculo ou semicírculo, algumas possuem uma coluna de fragmentos empilhados e outras têm laterais para impedir desabamentos. Em algumas áreas, as estalagmites parecem ter sido queimadas, o que sugere que elas podem ter servido de local para fogueiras.
Ainda não se sabe se essas essas estruturas eram recorrentes ou se o achado foi apenas uma criação acidental de algum grupo há centenas de milhares de anos.

12.497- Ocupação da América é mais antiga do que se pensava, dizem arqueólogos


Aconteceu há 14.550 anos. Um mastodonte morreu e foi descarnado e devorado por antigos índios na região onde hoje fica a Flórida, estado americano no sudeste do país.
Não se sabe se esse extinto “elefante peludo” foi caçado e morto pelos índios ou se morreu por outro motivo, mas fato é que sua carne com certeza serviu para várias refeições humanas pré-históricas. Um bicho desses pesava várias toneladas. Era carne para não acabar mais.
O que se sabe agora, graças a uma nova escavação arqueológica, é que esse episódio comprova uma ocupação do continente americano centenas de anos mais antiga do que costumava ser o consenso.
A descoberta dá ainda pistas sobre rotas de migrações humanas e sobre a extinção da “megafauna”, grandes animais como mastodontes, camelos e bisões que eram uma excelente fonte de comida para os antigos índios americanos.
O sítio arqueológico Page-Ladson, no noroeste da Flórida, já tinha sido pesquisado antes, nas décadas de 1980 e 1990. Foram achados ossos de animais, incluindo uma presa de mastodonte, e prováveis ferramentas de pedra. Mas a ligação dos achados com a possibilidade de isso indicar uma atividade humana foi colocada em dúvida.
Uma dificuldade é que o sítio da Flórida está debaixo d’água, em um poço no leito do rio Aucilla. Mas isso também se revelou uma vantagem para os pesquisadores. Logo se viu que os sedimentos no rio não tinham sido perturbados ao longo de milhares de anos. As camadas estavam perfeitas para serem achadas e analisadas.
Por isso foi possível produzir datações precisas dos ossos e restos de plantas e vincular isso a objetos de pedra achados no mesmo local. Um “machado de mão” biface tipicamente usado para descarnar ossos foi encontrado debaixo d’água.
Um dos pioneiros do estudo prévio de Page-Ladson voltou ao local junto com outros pesquisadores em 2012. James Dunbar, hoje funcionário do Instituto de Pesquisa Aucilla, é um dos autores do artigo científico publicado na última edição da revista científica “Science Advances”. Os líderes do estudo são Michael Waters, da Universidade Texas A&M, e Jessi Halligan, da Universidade do Estado da Flórida.

12.346 – Arqueologia – Forte, alto e morto há 1400 anos


Como se não fosse surpresa suficiente achar o esqueleto de um cavalo enterrado há 1 milênio e meio, com suas rédeas e ornamentos, tudo bem conservado, a equipe de arqueólogos liderada pela inglesa Joanna Caruth ainda topou com o dono do animal, que havia sido sepultado junto à montaria. Sobre os ossos dos braços e do peito, ele tinha peças de metal – provavelmente restos de sua lança, seu escudo e sua espada. A conclusão dos especialistas é que se tratava de um típico guerreiro anglo-saxão do século VI. O achado ocorreu na cidade de Lakenheat, sudeste da Inglaterra, numa área que já foi um cemitério. A reconstituição do cavaleiro e sua cavalgadura revelou um cidadão de 30 anos de idade, robusto, com 1,78 metro de altura – alto para a época. O cavalo é que mereceu risos dos pesquisadores: muito bem enfeitado, com acessórios de bronze e prata, era nanico, pouco maior que um pônei.

12.278 – Arqueologia – A cidade que poderá surgir do fundo das águas


Fundada pelo rei trácio Seutes III e construída entre 325 a.C. e 315 a.C, suas ruínas foram descobertas na região central da Bulgária em 1948, durante a construção de uma importante represa. Em 1954, o lago transbordou e a antiga cidade desapareceu sob a água.
Modelo da engenharia civil e do planejamento, Seutópolis ficou por décadas debaixo d’água, o que favoreceu sua conservação. Em 2005, surgiu o projeto para descobrir, preservar e reconstruir a cidade, cercando as ruínas com uma parede circular que delimita o local como Patrimônio da Humanidade, e que poderá se tornar uma grande atração mundial do turismo histórico.
De acordo com o planejado, os visitantes serão transportados ao local através de barcos e, lá, poderão observar a cidade a 20 metros de altura. Essa atração será incrementada com cafés, restaurantes e centros de lazer e recreação, como um serviço de pesca. No nível superior do dique, haverá um museu, uma sala de conferências e um hotel. Essa parede circular de 420 metros de diâmetro, conhecida como “o anel”, “é uma fronteira entre o passado e o presente, a história e a contemporaneidade, a terra e a água…”, conforme explicaram seus criadores.
A exposição in situ das ruínas da cidade submersa de Seutópolis será parte integral do chamado Vale dos Reis Trácios.

12.177 – Encontradas ferramentas anteriores à existência de seres humanos


Por conta da idade da descoberta, o fato traça uma nova história com relação à ocupação da região e suscita um enigma sobre os verdadeiros autores de tais objetos.
De acordo com um artigo publicado pela revista Nature, os artefatos de pedra encontrados na ilha de Celebes têm, no mínimo, 118 mil anos de idade, dado que contrasta com a chegada dos primeiros Homo sapiens à região, há 50 mil anos.
Essas ferramentas do Pleistoceno intrigam os cientistas que investigam a descoberta do sítio arqueológico de Talepu, que afirmam que a ilha teria sido habitada por hominídeos primitivos pertencentes tanto à espécie do Homo floresiensis, procedente da ilha de Flores, quanto à do Homo erectus, da ilha de Java.
A origem mais provável dos colonizadores de Celebes são a ilha de Bornéu e as ilhas Filipinas. A questão que permanece em aberto é quem construiu as ferramentas de pedra ou como eles chegaram até a ilha em uma época em que ela ainda não era habitada por seres humanos.

12.168 – Segredos da Antiguidade que serão descobertos neste século


Cidades e civilizações latino-americanas desconhecidas: especialistas estão utilizando a tecnologia a laser LIDAR para literalmente “ver” debaixo das densas florestas de Honduras e Belize. Dessa forma, será possível localizar assentamentos e até mesmo civilizações ainda desconhecidas.

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O túmulo de Gengis Khan e Alexandre, o Grande: ferramentas tecnológicas como o georradar (ou radar de penetração no solo) tornam possível a pesquisa em regiões subterrâneas sem precisar de escavação. Isso traz a possibilidade de analisar grandes porções de terra, o que aumenta a probabilidade de encontrar túmulos como o de Gengis Khan ou o de Alexandre, o Grande.

O mausoléu do primeiro imperador da China: embora seja conhecida a localização do complexo funerário de Qin Shihuang e de seus soldados, o risco de danificar objetos milenares impede qualquer tentativa de avanços em escavações. A teledetecção permitirá a visão de estruturas interiores, enquanto pequenos robôs entrarão no túmulo para colher dados sem causar alterações significativas no sítio arqueológico.

A língua dos antigos minoicos: a poderosa civilização minoica (3.000 a.C.–1.450 a.C.) foi descoberta no Mediterrâneo há mais de um século. No entanto, os especialistas ainda não conseguiram decifrar sua língua complexa, conhecida como Linear A. Os mais de 1.400 exemplos idiomáticos poderão ser decifrados com a ajuda de poderosos sistemas informáticos de inteligência artificial.

O objetivo das linhas de Nasca: desde sua descoberta, os pesquisadores continuam teorizando sobre o significado das linhas de Nasca. Elas representariam constelações estelares? Ou será que apontam para questões referentes a fontes aquáticas? A análise eletrônica de uma enorme quantidade de dados geográficos e arqueológicos poderia ser de  vital importância para se chegar a uma resposta.linhas-de-nasca

Um Neandertal intacto: apesar de ser possivelmente o efeito colateral mais sério da tecnologia, é verdade que o aquecimento global, ao derreter calotas polares, revelará algum espécime de Neandertal perfeitamente conservado, da mesma forma que um mamute foi descoberto praticamente intacto em 2011, na Sibéria.

A presença viking na América do Norte: quando o mesmo aquecimento global revelar os segredos guardados pelas geleiras, serão encontrados os assentamentos vikings do litoral canadense, obrigando uma reescrita da história da chegada de outros povos na América.

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