12.370 – Por que o bico do avião Concorde é móvel?


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O bico abaixa para que o piloto possa ver a pista na hora do pouso. O Concorde é um avião supersônico – voa a 2 150 quilômetros por hora, 921 a mais que o som. Um dos motivos dessa ligeireza é sua forma: para reduzir o atrito com o ar, o bico é bem mais comprido e afilado do que o dos aviões a jato comuns. Só que, no pouso, ele atrapalha a visibilidade. “Por isso, pelo menos 10 minutos antes de tocar o chão, a parte dianteira do avião começa a abaixar”, conta o engenheiro aeronáutico Dawilson Lucato, da Universidade de São Paulo, em São Carlos. Mas nem todos os aviões supersônicos têm o bico flexível. O do caça Mirage é fixo e o piloto só vê a pista pela lateral. Tem de contar com os instrumentos de voo e com sua habilidade para chegar bem ao chão.

12.369 – Por que aparecem bolhas de ar na água enquanto ela esquenta?


Apesar das aparências, essas bolhas não contêm ar. São moléculas de água muito agitadas. “Elas vão se formando nos pontos em que a superfície da panela está mais quente, a cerca de 100 graus Celsius”, explica o físico Cláudio Furukawa, da Universidade de São Paulo. Isso acontece primeiro no fundo do recipiente, perto da chama. As moléculas que estão por ali ganham tanta energia que se movimentam muito e rapidamente, passando para o estado gasoso. As demais continuam líquidas até ferver. Nesse momento, como as bolhas de vapor d’água têm menor densidade que o líquido – são mais leves –, elas sobem. Ao entrar em contato com o ar, evaporam.

12.368 – Por que os cavalos são sacrificados quando quebram uma perna?


Nem sempre isso acontece. Depende da gravidade da fratura e do emprego do animal. Se for um cavalo de corrida e tiver uma fratura grave – como um osso quebrado em vários pedaços –, provavelmente será sacrificado por razões econômicas. O cavalo não é um doente bem-comportado. Ele se movimenta e, mesmo com gesso, a fratura pode não ficar bem consolidada. “Como o animal acaba incapacitado para correr, muitas vezes seu dono opta pelo sacrifício”, explica o veterinário Alexandre Gobesso, da Faculdade de Medicina Veterinária de Pirassununga, interior de São Paulo. Se for um bom reprodutor, as chances de sobreviver serão maiores. “Operamos o animal ou apenas engessamos”. O cavalo fica de molho por trinta dias, dentro de uma baia, e, mesmo que a emenda não fique perfeita, ainda poderá gerar filhotes.

12.367 – Física – O átomo mais gordo que já se viu


Físicos nucleares russos e americanos fabricaram um gigante atômico, o núcleo do elemento químico número 114. Trata-se de um novo ingrediente do Universo, já que na natureza existem apenas 92 átomos, como o oxigênio, o ouro ou o carbono. Mas a ciência, aos poucos, está fazendo elementos sintéticos – são sólidos, gases e líquidos nunca vistos que, no futuro, talvez venham a ser usados em tecnologias de ponta. A construção do 114 foi prevista há três décadas pelo americano Glenn Seaborg, que morreu no dia 25 de fevereiro). O átomo contém em seu núcleo 289 partículas chamadas prótons e nêutrons (que logo são rodeados por uma nuvem de elétrons). Nasce assim um átomo bem maior que o urânio, o campeão de obesidade entre os elementos naturais, com 238 prótons e nêutrons. Na experiência, o 114 levou 30 segundos para se desintegrar, o que é uma eternidade nesse tipo de pesquisa.
Na última tentativa de criar a robusta partícula, em 1995, ela durou só alguns milionésimos de segundo.
No choque, alguns estilhaços voaram para longe. A maioria das partículas se manteve unida num único corpo. Nasceu, assim, um novo núcleo atômico, contendo 114 prótons e 175 nêutrons.
Superobeso, o bloco tendia a desmoronar em milionésimos de segundo, gerando radioatividade. Apesar disso, conseguiu resistir por longos 30 segundos.

12.366 – Medicina – Transplante de Mão


Ataque ao estranho
O corpo não reconhece como seu o órgão transplantado e dispara o processo de rejeição.
Quando o cérebro se dá conta do corpo estranho, manda a medula produzir mais linfócitos, células de defesa, que são enviadas para a mão pela corrente sanguínea.
Os soldados atacam as células não reconhecidas e começam a destruí-las. São tantos que às vezes chegam a entupir os vasos sanguíneos.
O resultado é que o tecido morre. Por isso, o processo tem de ser revertido com medicamentos, tomados diariamente e para sempre.
Ligações delicadas
Os cirurgiões uniram vários tipos de tecidos, cada qual com funções diferentes.

A parte dura
O braço do doador foi cortado na medida para se encaixar perfeitamente. Primeiro ligaram-se os ossos com fios grossos de metal, parecidos com pinos, que depois foram retirados.
Ajuste fino
A parede das artérias tem só 0,4 milímetro de espessura. Para costurá-la usou-se um fio de náilon de 0,03 milímetro de diâmetro. Por isso – e para fazer pontos bem juntinhos –, a área precisou ser ampliada em trinta vezes com um microscópio.
A chave do movimento
A emenda do tendão, de 1 centímetro de diâmetro, é menos delicada. Mas deve ser muito resistente para não arrebentar com o movimento. O fio tem 3 milímetros e os pontos são feitos em forma de U.
Caminho de volta
Juntar as veias é a parte mais árdua. Ao contrário das artérias, suas paredes são moles e mais finas ainda (menos de 0,4 milímetro). Como não têm músculos, tendem a grudar.
Recuperação lenta
Com os nervos, o principal cuidado é não costurar tipos diferentes, um motor com um sensitivo. Feita a identificação, religam-se quatro feixes de cada um dos grupos. Eles vão se regenerar no máximo 1 milímetro por dia.
Toque final
Na última fase, a pele foi costurada como em outras cirurgias.

12.363 – Espiritismo – Quem vê espíritos?


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No rádio tocava Oceano, de Djavan. Maurício ia de São Paulo a Santos e acabava de entrar no primeiro túnel da Rodovia dos Imigrantes. Foi quando sentiu um calafrio e ouviu:

– Ai, gosto tanto dessa música.

– Tia, o que a senhora está fazendo aqui?, disse Maurício, reconhecendo a voz.

– Ué, estou indo para a praia, responde a tia, com naturalidade.

– Mas a senhora não pode. A senhora está morta faz uma semana.

Dona Rosa, a tia de Maurício que apareceu no carro de repente, reclamava de que estava perdida e ninguém tinha ido buscá-la. “Só vi o Zé [o irmão dela], mas parecia que ele estava de fogo”, disse. Sem saber o que fazer, o sobrinho sugeriu que­ ela aguardasse pa­ra seguir seu caminho. Antes de sumir do veículo, a mulher agradeceu a coroa de flores e só não deixou mais perplexo o administrador e engenheiro eletricista Mau­rício Casagrande porque essa não era a primeira vez que algo parecido acontecia. As primeiras manifestações estranhas apareceram na infância, mas foi depois dos 27 anos que ele passou a protagonizar cenas de horror: acordava durante a noite e via figuras cadavéricas no quarto, ouvia vozes e começou a adivinhar data e hora da morte de pessoas próximas. Entre o susto e o incômodo, buscou ajuda médica com psicólogos, psiquiatras, neurologistas. Nun­ca encontrou nada errado.
Para a ciência, espíritos não existem. Nossa personalidade, nossa inteligência, nosso caráter, tudo é determinado pelas conexões cerebrais. Quando morremos, as células têm o mesmo fim, sem deixar possibilidade para alma ou fantasmas aflorarem. Mas os próprios cientistas reconhecem que relatos de experiências sobrenaturais e de contato com os mortos, como o do engenheiro Maurício, estão presentes em diversas civilizações e são quase tão antigos quanto a escrita. A possessão por deuses e demônios aparece desde 2000 a.C. O Tratado do Diagnóstico Médico e do Prognóstico, um conjunto de 40 pedras ba­bilônicas dedicadas à medicina, descreve as alucinações auditivas e as ausências súbitas com um caráter sobrenatural. Hieróglifos também revelam que os egípcios acreditavam que mortos ou demônios entravam no corpo dos vivos e provocavam tais sintomas. O caráter sagrado também esteve presente na Grécia antiga, onde alucinações eram chamadas de “doença sagrada” ou “doen­ça da Lua”. Com o advento do cristianismo, os inúmeros deuses deixaram de ser a causa para esses fenômenos. Surgiram as explicações naturais, como a de que a Lua provocava o aquecimento da Terra e isso faria o cérebro derreter, gerando as crises. Na Idade Média, quem tinha alucinações era considerado herege. Joana D’Arc, queimada em 1431 quanto tinha 29 anos, começou a ouvir vozes e perceber luzes estranhas ainda adolescente. Hoje, os espíritos inspiram todo um gênero de cinema – os filmes de terror -, sem falar em contos da literatura universal, novelas e conversas em família. Com tantas histórias distantes, porém parecidas, é muito fácil acreditar que há algo além ao nosso redor.
Apesar de tantos relatos semelhantes, só nos últimos 20 anos é que o assunto saiu dos filmes de terror e voltou a ocupar as páginas de estudos científicos sérios. As pesquisas focam desde o perfil dos chamados médiuns a análises neurológicas que relacionam alucinações a epilepsia e ao fenômeno do déjà vu. Ainda não existe uma explicação definitiva do fenômeno da mediunidade, mas há conclusões suficientes para destruir vários mitos sobre o tema.
Primeiro mito: o de que pessoas que afirmam ver espíritos são malucas. Em boa parte dos casos, quem vive esse fenômeno são profissionais com ensino superior, pais e mães de famílias de classe média e alta, que mantêm a experiência em segredo e recorrem a dezenas de médicos para saber o que está acontecendo. Em 2005, o psiquiatra Alexander Moreira de Almeida, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora e membro do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos (Neper) da USP, aplicou testes psicológicos em 115 médiuns da capital paulista. A maioria deles era formada por pessoas que afirmavam incorporar espíritos, falar coisas que estão sendo ditas por mortos, ter visões e ouvir vozes. Almeida descobriu que pessoas bem instruídas e ocupadas formavam sua amostra: 46,5% tinham escolaridade superior e apenas 2,7% estavam desempregados. “Esses dados mostram que não são pessoas desajustadas socialmente”, diz. A maior revelação veio dos resultados do SQR (Self-Report Psychiatric Screening Questionnaire), um questionário aplicado para detectar transtornos mentais. Quanto mais respostas positivas, mais alta é a probabilidade de a pessoa ter um transtorno. “Em menos de 8% delas o resultado deu positivo, o que é muito pouco. Na população brasileira, esse índice fica entre 15% e 25%.” Outra surpresa veio com o teste de Escala de Adequação Social. O psiquiatra verificou que os médiuns que relatavam incorporar espíritos com uma frequência maior eram os mais ajustados socialmente e também aqueles que menos tinham sintomas de transtornos psiquiátricos.
O medo de ter problemas mentais impede muitas pessoas de falarem abertamente sobre o assunto. “A literatura médica diz que de 15% a 30% da população tem algum tipo de vivência sobrenatural. Essas pessoas não contam para ninguém por medo de acharem que estão loucas”, afirma o psiquiatra Almeida.
De fato, os cientistas que começaram a estudar esses fenômenos foram os que tratavam doenças mentais. Em 1889, o psiquiatra francês Pierre Janet foi o primeiro a propor a existência de uma segunda consciência. Para ele, quando a personalidade perdia a coesão (o fluxo normal de idéias e pensamentos), uma corrente secundária de idéias, vontades e imagens se sobrepunha à consciência, gerando automatismos motores e sensoriais – responsáveis pelos chamados fenômenos paranormais. O contemporâneo William James, psicólogo americano, defendeu a tese de que a possessão mediúnica era uma forma de personalidade alternativa em pessoas que não tinham problemas mentais: uma espécie de dupla personalidade. Ele não descartou que um espírito desencadeasse essa segunda identidade. Já o professor de cultura clássica Frederic Myers dedicou-se a estudar o inconsciente. Ele defendeu que existia na mente uma consciência subliminar, que raramente emergia – quando isso acontecia, o resultado era a manifestação mediúnica. Até mesmo Sigmund Freud deu palpites sobre a mediunidade. Para ele, os estados de possessão correspondiam às nossas neuroses: os demônios seriam os desejos considerados maus que foram reprimidos. “Aos nossos olhos, os demônios são desejos maus e repreensíveis, derivados de impulsos instintivos que foram repudiados e reprimidos”, afirmou ele no livro Uma Neurose Demoníaca do Século 17, de 1923.

A neurologia também tentou cercar o mistério. O inglês John Hughlings Jackson sugeriu que as crises não passavam de uma descarga ocasional, excessiva e inadequada do tecido nervoso sobre os músculos, assim como a epilepsia. Na década de 1950, os médicos Wilder Penfield e Theo­dore Brown Rasmussen, do Instituto Neurológico de Montreal, no Canadá, fizeram cirurgias em pacientes com epilepsia acordados. Graças a elas, o mundo descobriu muito sobre o cérebro. Quando os médicos estimulavam uma área do cérebro, o paciente mexia a mão; em outra, o pé. Ao estimularem áreas relacionadas à gustação, o paciente sentia um gosto na boca. Também ouvia sons sem sentido, via bolas e estrelas.
A busca por explicações para os fenômenos tidos como paranormais rendeu também descobertas de instrumentos da neurologia usados até hoje, como o ele­­­troencefa­lograma, que registra a atividade elétrica do cérebro por meio de eletrodos colocados na cabeça do paciente. O a­pa­relho foi criado pelo psiquiatra alemão Hans Berger, fascinado pelos poderes da mente desde a década de 1890, quando foi soldado do Exército alemão. Durante um exercício militar, Berger sofreu um acidente de cavalo. Logo depois, seu pai, sem saber o que havia acontecido, enviou-lhe um telegrama para saber como o filho estava – a irmã de Berger tinha dito ao pai que sabia que ele havia sofrido um acidente. O psiquiatra ficou fascinado pela adivinhação da irmã: passou a acreditar em paranormalidade e decidiu estudá-la.

O que diz a ciência
Depois da criação do eletroencefalograma, apareceram a ressonância magnética, a tomografia computadorizada e a ressonância funcional. Com elas, já se conseguiu mapear no cérebro até as á-reas que despertam as emoções e controlam funções específicas do corpo, como enxergar em profundidade ou reconhecer faces. Mas esses equipamentos não são suficientes para detectar a química envolvida na troca de impulsos elétricos e as alterações celulares de quem afirma ver espíritos. Para os cientistas, é por causa dessa falta de recursos mais precisos que os exames feitos pelo engenheiro Maurício não apontam anormalidades. ,
Mesmo assim, no mundo das hipóteses médicas, os relatos de retorno dos mortos à Terra não passam de ficção criada pela máquina chamada cérebro. Desde os primeiros estudos, a epilepsia virou explicação para manifestações de mediunidade, idéia que é seguida até hoje. Ataques epilépticos são o ponto máximo da hiperexcitabilidade do cérebro, que responde mandando ao corpo reflexos não só motores. Epilépticos sofrem também reações olfativas – como sentir cheiros estranhos repentinamente – visuais e sonoras, como ter alucinações. Isso mesmo, alucinações, muito parecidas com as de quem afirma ver espíritos.
Ou seja: para a neurologia, ver espíritos é resultado de uma disfunção cerebral ainda não diagnosticada. Os sintomas são parecidos com os de doenças como epilepsia, esquizofrenia (que provoca alucinações auditivas e delírios de perseguição), tumores cerebrais (que podem causar alucinações) e transtorno de identidade dis­sociativa, quando o doen­te tem dupla identidade, ouve vozes e muda sua caligrafia. Mas a causa seria bem diferente da dessas doen­ças e estaria relacionada a erros de sinapse do cérebro.
Mais longe ainda está a explicação para fenômenos como previsões do futuro, o meio como os médiuns costumam saber da morte de parentes. Como alguém pode ser capaz de atravessar o tempo? Será só uma coincidência? Também há o problema dos relatos de luzes que acendem sozinhas à noite, gavetas, portas que aparecem inexplicavelmente abertas.

O que diz o espiritismo
Seguidores acreditam que espíritos vivem em simbiose com os vivos
É por causa de perguntas sem respostas satisfatórias que doutrinas como o espiritismo fazem adeptos. Por dia, passam pela sede da Federação Espírita de São Paulo cerca de 9 mil pessoas. O entra e sai não é só de quem vê assombração – aliás, essa é uma minoria. Muitos chegam lá à procura da cura para uma doença ou desejam se comunicar com mortos. Para o espiritismo, não há dúvida: espíritos existem e vivem em simbiose com pessoas de carne e osso, algumas vezes dando uma forcinha e em outras tocando o terror.
Segundo a religião, existem vários mundos em diferentes estágios de evolução. Espíritos de luz, mais evoluídos, dificilmente são vistos vagando por aí – em geral, só os médiuns conseguem senti-los. Nós, pobres mortais, estamos mais sujeitos a topar com um brincalhão – daqueles que gostam de assustar, fazer caretas e atrapalhar o bom andamento da vida. “Podemos ver esses espíritos zombeteiros principalmente em situações de desequilíbrio. Se aceitarmos vibratoriamente a sua condição, e isso acontece quando não estamos desprendidos do egoísmo, do orgulho, das vaidades e do apego material, eles poderão nos acessar”, diz Silvia Cristina Puglia, presidente da Federação Espírita de São Paulo. O que vemos, explica ela, não é o espírito em si, mas seu perispírito – um meio-termo entre o corpo e a alma. “Temos mais condição de ver espíritos atrasados, que parecem carnais.” Para a doutrina, a comunicação só acontece por causa de uma troca do que Allan Kardec, o pai do espiritismo, chamou de “fluido”.
O protestante francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), que mais tarde viria a adotar o nome “Allan Kardec”, teve o primeiro “contato espiritual” aos 50 anos. Na época, as festas francesas eram animadas pelos fenômenos das mesas girantes – as mesas giravam, pulavam e responderiam a perguntas dando pancadas no chão. Dessas e de outras observações, Rivail chegou à conclusão da existência de um plano espiritual e reuniu suas idéias em O Livro dos Espíritos (1857).
“Os espíritos revelaram a Kardec que a natureza material é uma coisa fluida, que tem o mesmo princípio da matéria densa, mas é mais sutil”, afirma o físico espírita Alexandre Fontes da Fonseca, da USP. “Há hipóteses tratando os fluidos como ondas eletromagnéticas.”
Os fluidos seriam a base da explicação para a materialização das assombrações e fenômenos como as portas que abrem sozinhas, os copos que mexem e os ruídos inexplicáveis.

12.362 – Espiritismo – A Psicografia


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Segundo o vocabulário espírita, é a capacidade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens ditadas por Espíritos.
Objeto de estudo da pseudociência da parapsicologia, o consenso científico atual não suporta as alegações deste e de outros supostos fenômenos paranormais.
Segundo a doutrina espírita, a psicografia seria uma das múltiplas possibilidades de expressão mediúnica existentes. Allan Kardec classificou-a como um tipo de manifestação inteligente, por consistir na comunicação discursiva escrita de uma suposta entidade incorpórea ou espírito, por intermédio de um homem.
O mecanismo de funcionamento da psicografia, ainda segundo Kardec, pode ser consciente, semi-mecânico ou mecânico, a depender do grau de consciência do médium durante o processo de escrita.
No primeiro caso, o menos passível de validação experimental, o médium tem plena consciência daquilo que escreve, apesar de não reconhecer em si a autoria das ideias contidas no texto. Tem a capacidade de influir nos escritos, evitando informações que lhe pareçam inconvenientes ou formas de se expressar inadequadas.
No segundo, o médium poderia até estar consciente da ocorrência do fenômeno, perceber o influxo de ideias, mas seria incapaz de influenciar voluntariamente o texto, que basicamente lhe escorreria das mãos. O impulso de escrita é mais forte do que sua vontade de parar ou conduzir voluntariamente o processo.
No terceiro caso, o mais adequado para uma averiguação experimental controlada, o médium poderia escrever sem sequer se dar conta do que está fazendo, incluindo-se aí a possibilidade de conversar com interlocutores sobre determinado tema enquanto psicografa um texto completamente alheio ao assunto em pauta .
Isso porque, segundo Kardec, esses médiuns permitiriam ao espírito agir diretamente sobre sua mão ou seu braço, sem recorrer à mente.
Além da doutrina espírita, há várias correntes espiritualistas em que é bem evidente a admissão da possibilidade de ocorrência desse fenómeno, como a Teosofia e a Umbanda.
Entre os textos ditos psicografados encontram-se obras atribuídas a autores famosos — uns adeptos, em vida, de doutrinas compatíveis com esta prática, como Victor Hugo e Bezerra de Menezes.
A Classificação das obras psicografadas, segundo o CIP-Brasil (do Sindicato Nacional dos Editores de Livros) é feita no tema Espiritismo, devendo ser citado como autor aquele que assina a obra, seguida da indicação de que foi um ser espiritual. Por exemplo: Ângelis, Joanna de (Espírito).
Já para citações, segue-se o modelo: título, autor espiritual, médium, local, editora, ano e edição (da segunda em diante), como se vê no modelo:
Plenitude/ Joanna de Ângelis; psicografado por Divaldo Pereira Franco – Niterói, Arte & Cultura, 1991.
Em bibliotecas de instituições espíritas a autoria de obras psicografadas é atribuída ao espírito que as teria ditado; em bibliotecas normais a autoria é atribuída ao médium, com a referência à alegada autoria do espírito sendo indicada sob “Observações”.
O pesquisador da Universidade Estadual de Londrina Carlos Augusto Perandréa estudou 400 cartas psicografadas por Chico Xavier em transes mediúnicos, utilizando as mesmas técnicas com que avalia assinatura para bancos, polícias e o Poder Judiciário, a grafoscopia. Perandréa comparou a letra padrão dos indivíduos antes da morte e depois nas cartas psicografadas, chegando à conclusão de que todas as psicografias que estudou possuem autenticidade gráfica dos referidos mortos.
Mais recentemente, em 2008 foi feita uma pesquisa científica nos EUA por cientistas da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal de Juiz de Fora, da Universidade Federal de Goiás, da Universidade da Pensilvânia e da Universidade Thomas Jefferson, em que utilizando-se recursos da Neurociência moderna foram medidas as atividades cerebrais de dez médiuns brasileiros saudáveis, enquanto psicografavam. Os cientistas constataram que durante os transes psicográficos, as áreas menos ativadas no cérebro dos médiuns foram as que são as mais ativadas enquanto qualquer pessoa escreve em estado normal de vigília (ou seja, as áreas relacionadas ao raciocínio, ao planejamento e à criatividade), sendo que os textos psicografados resultaram mais complexos que os produzidos em estado normal de vigília. Como a pesquisa registra, nos textos psicografados os médiuns produziram mensagens espelhadas – escritas de trás para a frente -, redigiram em línguas que não dominavam bem, descreveram corretamente ancestrais dos cientistas que os próprios cientistas diziam desconhecer, entre outras coisas. Para tais cientistas, os resultados da pesquisa são compatíveis com a hipótese que os médiuns defendem – a de que autoria dos textos psicografados não seria deles, mas sim dos espíritos comunicantes. E um dos outros pontos em comum que observaram em tais médiuns, foi que são enormes admiradores de Chico Xavier.
Em 1990 a Associação Médico-Espírita de São Paulo realizou uma pesquisa sobre 45 cartas psicografadas por Chico Xavier e consideradas autênticas pelos destinatários, concluindo que “As evidências da sobrevivência do espírito são muito fortes. A vida é uma fatalidade, segundo o depoimento desses 45 companheiros que se expuseram, por inteiro, revelando as nuances de suas personalidades através das mãos humildes do medianeiro”.

Nos Tribunais
No Brasil, em alguns casos, a psicografia foi utilizada como prova em tribunal. Textos psicografados por Chico Xavier foram aceitos como provas judiciais (entre outras que também foram apresentadas pela defesa) e mostraram-se como elementos decisivos nas sanções aplicadas em três casos de julgamento de homicídio internacionalmente repercutidos, ocorridos nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná entre os anos de 1976 e 1982.
Um dos casos mais recentes registrou-se em maio de 2006, em Porto Alegre (RS), tendo a ré, Iara Marques Barcelos sido inocentada do assassinato do ex-amante, Ercy da Silva Cardoso, graças a uma carta que teria sido ditada pelo falecido.
Mais recentemente, em 17 de maio de 2007, o julgamento do réu, Milton dos Santos, pelo assassinato de Paulo Roberto Pires (o “Paulinho do Estacionamento”) em abril de 1997, foi suspenso devido a uma carta recebida pelo médium Rogério Leite em uma sessão espírita realizada em 2004, na qual Paulinho inocenta o acusado. No entanto, o advogado Roberto Selva da Silva Maia indicou em um artigo que os documentos psicografados podem ser aceitos no tribunal como documento particular, mas não como prova judicial. Segundo ele, isso se dá porque a lei estabelece que a morte extingue a personalidade humana, logo um morto não poderia gerar documento legal. Também segundo ele, a psicografia depende da aceitação de premissas religiosas, e o judiciário não é religioso visto que nosso estado é laico e, não haveria forma de se usufruir do princípio do contraditório e da ampla defesa.
“Verificamos que a prova psicografada não ofende o princípio do Estado Laico, que prevê a liberdade de crenças e cultos religiosos, haja vista que a psicografia, como fenômeno mediúnico, é faculdade natural do ser humano, estudado pela ciência e não se trata de elemento religioso”.

12.358 – Cidades Industriais


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Cidades do século 19 como Londres ou Paris, cresceram sem planejamento, operários e burgueses não dividiam a mesma vizinhança, trabalhadores moravam junto as fábricas enquanto os patrões moravam nos subúrbios arborizados. As casas dos operários eram pequenas, miseráveis e grudadas umas as outras. O trabalho nas fábricas consumia 15 horas por dia de homens, mulheres e crianças.

12.356 – Água, um recurso muito caro


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Para chegar em nossas torneiras o caminho é bem complicado, um conjunto de poderosas bombas retira a água do manancial e leva até a estação de tratamento e lá recebe uma série de processos até que fique potável e finalmente é distribuída. Mas isso consome tempo e dinheiro, por isso, em países desenvolvidos, o reaproveitamento da água e a proteção dos mananciais tem se tornado uma regra.

 

12.354 – Mega Gráficos – Biologia


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Quando não compensa ser original

Borboletas imitadoras não são um caso isolado na natureza; o colorido brilhante da cobra coral é quase sempre suficiente para afastar inimigos. Quando isso não funciona, se fingem de mortas. Moscas parecidas com vespas fazem os predadores se afastarem em busca de alimentos menos picantes.

A Arte do disfarce

Borboletas são conhecidas por possuírem desenhos nas asas que lembram um grande par de olhos. Pousadas em um galho, dão impressão de serem animais muito maiores.

O louva deus se disfarça de galhos. Tais formas de autoproteção são conhecidas como camuflagem. As listras da zebra por exemplo, são muito mais úteis na sombra de uma árvore, a leoa pode ter dificuldade em vê-la, já alguns animais como o camaleão, alteram a cor.

 

12.352 – Como Surge um Iceberg?


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Iceberg,apenas uma fração está na superfície

Eles são criados pelas geleiras que escorregam no interior do continente antártico.
A água evapora dos mares e se acumula na forma de nuvens carregadas de cristais de gelo, no inverno esses cristais caem na forma de flocos de neve e cobrem a superfície do continente.
A neve endurece e forma placas que escorregam para o mar, cobrindo o litoral. Tais placas se acumulam e no calor derretem, são partidas pelas ondas e seus pedaços flutuam soltos no mar.
Assim nascem os icebergs, que podem levar anos para derreter virando água que evapora e o ciclo recomeça.
Do iceberg aproximadamente um décimo de seu volume total fica visível, deste modo, estas gélidas massas são um perigo para a navegação, visto que podem alcançar grandes dimensões. Exemplo disto é o que aconteceu ao famoso transatlântico Titanic, que afundou no dia 14 de abril de 1912.
O iceberg não procede da água marinha porque o gelo que se forma na superfície do Oceano Ártico, por exemplo, nunca chega a ter uma grande espessura, já que a pressão que a água recebe a vários metros de profundidade é suficientemente grande para impedir que ela congele. O gelo é menos denso do que a água, por isso flutua e, também por este motivo, o gelo não pode formar-se a certa profundidade.

12.351 – Mais um grande passo para a cura da AIDS


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Cientistas da Universidade Temple, nos EUA, conseguiram remover o genoma do HIV das células imunológicas de um paciente com o vírus da AIDS.
Para atingir esse grande feito, eles usaram a revolucionária técnica de edição genética chamada CRIPSR/Cas9. Com ela, nunca antes os cientistas puderam, com tanta facilidade, editar ou remover partes específicas do DNA. Isso permitiu direcionar mutações particulares, dando esperança de cura para certas doenças hereditárias e, agora, atacar por uma outra frente o vírus HIV.
Os cientistas usaram a impressionante precisão da técnica CRIPSR/Cas9 para localizar e remover as partes derivadas do DNA de células T infectadas (que são os glóbulos brancos). Eles removeram todo o genoma do HIV sem quaisquer outros efeitos secundários sobre as células hospedeiras, que continuaram a crescer e se dividiram normalmente. Não só isso, mas as células T, agora sem o HIV, ficaram, inclusive, imunes a uma nova infecção.
“Os resultados são importantes em vários níveis”, disse o geneticista Kamel Khalili, líder da equipe de pesquisadores responsável pelo experimento.
“Eles (resultados) demonstram a eficácia do nosso sistema de edição de genes na eliminação do HIV a partir do DNA das células T e, através da introdução de mutações no genoma viral, inativação de forma permanente a sua replicação. Além disso, eles mostram que o sistema pode proteger as células de reinfecção e de que a tecnologia é segura para as células, sem efeitos tóxicos. ”
Os pesquisadores realizaram as experiências utilizando células T obtidas de pacientes infectados pelo HIV e, em seguida, cultivadas em laboratório, o que permite esperar que a técnica possa ser melhorada mediante determinando nível que os médicos não terão somente que cuidar da infecção de células, mas poderão oferecer tratamentos para, finalmente, curar as pessoas.