9202 – Nutrição – Qual a diferença entre ovos convencionais e orgânicos?


Se você quebrar um ovo convencional e um ovo orgânico, lado a lado, rapidamente perceberá a diferença entre um e outro. O ovo orgânico costuma ser mais “vistoso”, mais amarelo e com cheiro mais característico. E mesmo para paladares (mal) acostumados, o gosto também é diferente.
Em geral, alimentos que passam por processos industriais perdem características nutritivas, de sabor, de cor, de textura e de aroma. Prova disso são as enormes quantidades de aditivos químicos para acentuar artificialmente todas essas características nos produtos que, em primeira instância, foram feitos para vender, não para alimentar (alimentar de forma saudável, nutritiva, verdadeira).
Se você consegue imaginar uma linha de produção de iogurtes ou biscoitos, com equipamentos preenchendo as embalagens e esteiras rolantes velozes, pode partir do mesmo raciocínio para os ovos. Ao invés das máquinas, no entanto, coloque no lugar as galinhas. A lógica é a mesma, com uma diferença: seres que não são máquinas trabalham como se fossem – e isso pode ocasionar problemas para a galinha, para o ovo que ela produz e para quem consome.
Ao serem transformadas em máquinas, desprovidas de espaço e tempo para seus hábitos, instintos e necessidades, elas entram em um sistema de produção que aumenta (muito!) a quantidade de ovos produzidos, em detrimento, claro, da qualidade e da sanidade animal. A produção de ovos é só mais um exemplo de como a supervalorização da alta produtividade tem levado a humanidade a uma (sensação de) modernidade, que não se desenvolve sem estar acompanhada de diversos problemas sociais, ambientais, econômicos e de saúde.
Portanto, eis a principal diferença entre ovos convencionais e orgânicos: a forma como as galinhas são criadas para produzi-los.
O que é o sistema convencional
Na produção convencional, várias galinhas poedeiras (cuja função é produzir ovos) são colocadas nas chamadas “gaiolas em bateria”, pequenos espaços onde são praticamente incapazes de se mover e não podem expressar a maioria de seus comportamentos básicos como andar, ciscar, empoleirar, saltar ou esticar as asas. Cada galinha tem um espaço menor do que a superfície de uma folha de papel ofício, no qual permanece durante sua toda sua vida.
Segundo a organização de proteção animal Humane Society International (HSI), o principal problema das gaiolas é “a severa restrição do movimento e a privação da oportunidade de exibir comportamentos naturais importantes”. Por exemplo: esse tipo de sistema impede a nidificação, ato de buscar uma área isolada em que o animal possa cuidadosamente limpar uma superfície de solo para preparar seu ninho. Além disso, galinhas engaioladas sofrem com a perda de resistência óssea e fadiga de gaiola – distúrbio em que o sistema esquelético se enfraquece e pode levar a fraturas, paralisia e morte.
A produção em gaiolas convencionais foi proibida em toda a União Europeia em 2012 e leis em três estados americanos – Michigan, Ohio e Califórnia – já foram aprovadas para restringir o confinamento de poedeiras em gaiolas. A Índia agora também discute uma proibição nacional.
Outro ponto importante do sistema convencional é a alimentação das galinhas. “A ração varia conforme a idade da ave, pois suas necessidades mudam ao longo do ciclo produtivo. Basicamente, há uma boa fonte de cálcio (há uma alta demanda para a produção da casca do ovo), milho (fonte de energia), soja (fonte de proteína e aminoácidos), farinhas de origem animal (fonte de proteína), premix vitamínico e mineral”, explica Ana Paula O. Souza, médica veterinária especialista em Gestão da Qualidade de Alimentos, mestranda em Ciências Veterinárias, consultora e auditora de segurança alimentar e bem-estar animal.
Atualmente, mais da metade da soja e do milho produzidos no Brasil são de origem transgênica.
As farinhas de origem animal colocadas nas rações consistem em uma mistura de subprodutos não comestíveis de bovinos, suínos, aves e peixes, como penas, carcaças, carnes e vísceras. Além de serem fontes de proteína de baixo custo, são uma forma de escoar os resíduos oriundos dos abatedouros.
Outro problema dos sistemas intensivos de criação são os surtos de Salmonella. Um relatório da HSI internacional (por enquanto, disponível apenas em inglês) revisou 15 estudos publicados nos últimos anos e concluiu que ovos provenientes de granjas-fábrica são mais propensos a infecções pela bactéria, responsável por intoxicação alimentar que pode levar à morte. A organização mostra que a industrialização da produção animal tornou a doença um problema de saúde pública e que os fatores favoráveis à proliferação da doença vão desde o tamanho do lote de animais até a dificuldade de higienizar as gaiolas. As pesquisas também demonstram que as colônias de Salmonella tendem a ser mais resistentes em sistemas de confinamento do que nos sistemas sem gaiolas.
Alguns sistemas certificados como orgânicos buscam respeitar as necessidades do animal. Todos os parâmetros para esse tipo de produção podem ser vistos no guia de boas práticas para galinhas poedeiras da Ecocert, certificadora que atende as diretrizes da Human Farm Animal Care no Brasil. A certificação garante cuidados básicos na criação de galinhas poedeiras, cabras, frangos de corte, bovinos, ovelhas, perus e suínos.
O guia inclui, dentre outras coisas:
– Instalações físicas adequadas que favoreçam o bem-estar animal (com área mínima de piso disponível para as galinhas, controle de qualidade do ar e temperatura, ventilação e iluminação adequadas);
– Controle do número de aves em um mesmo local;
– Controle da disponibilidade de água para os animais;
– Padrões de higienização;
– Cuidados com a saúde dos animais;
– Procedimentos adequados para a remoção e transporte das galinhas;
– Planejamento e gerenciamento responsável e cuidadoso;
– Acesso dos animais à alimentação saudável e nutritiva ;
– Fornecimento de alimentos frescos, que não fiquem velhos nem sejam mantidos nos comedouros em condições de contaminação;
– Proibição ao uso de promotores de crescimento;
– Uso de antibióticos apenas com orientação de um veterinário.
O caso da maionese
A base do popular acompanhamento de hambúrgueres e saladas é… ovo. E se a maionese brasileira fosse orgânica? A demanda dos consumidores fez o assunto entrar na pauta até mesmo das multinacionais instaladas no Brasil, país que já está bem atrás da Europa na discussão do assunto. Por lá, a transição do sistema convencional para o orgânico já foi feita, e do Canadá e EUA, onde está em andamento.
No evento “Oportunidades de mercado para ovos caipira e orgânicos”, que aconteceu em setembro em Bastos, no interior de São Paulo, a fabricante da maionese Hellmann’s anunciou que todos os ovos usados na fabricação do produto serão 100% produzidos em sistemas sem gaiolas até 2020.
Como não poderia ser diferente, a adaptação no Brasil será lenta, uma vez que a cadeia de suprimentos de ovos não está preparada para atender todo o mercado. Sadala Tfaile, gerente nacional de vendas de postura comercial da Big Dutchman, uma das maiores fornecedoras de equipamento para produção de ovos no mundo, explicou que ao contrário do que muitos imaginam, as experiências americana e europeia provam que os sistemas ‘cage-free’ – sem gaiolas em galpões fechados – são atrativos para grandes produtores, pois podem ter grande escala e custos similares aos da produção em gaiolas, além de maximizar o uso de espaço por meio de pisos múltiplos e serem totalmente automatizados.

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9201- Tecnologia – O Celular em Bloco


cel em bloco

A Motorola Mobility, empresa que pertence ao Google, anunciou que está desenvolvendo um projeto de smartphone personalizável por meio de blocos, chamados de módulos, que devem ser encaixados para formar um celular.
Tais pedaços são componentes –podem ser uma bateria extra, um teclado, um processador. Dessa maneira, as funções, o preço e a aparência do celular poderiam ser decididas pelo usuário, diz a Motorola.
Denominado Ara, o projeto substitui um outro, chamado Sticky, que foi usado durante seis meses em oficinas itinerantes realizadas pela companhia nos EUA.
“Depois da viagem [os ‘workshops’], perguntamos para nós mesmos: Como levar os benefícios de um ecossistema aberto de hardware para seis bilhões de pessoas”, escreveu Paul Eremenko, do grupo de tecnologia avançada da Motorola e líder do projeto Ara, em um texto no blog da empresa divulgado recentemente.
Segundo a empresa americana, uma versão de testes “alfa”, para desenvolvedores, estará disponível “em algum momento deste inverno”. A estação fria começa no dia 21 de dezembro e termina no dia 19 de março no hemisfério norte.
A Motorola também está convocando voluntários para se tornarem “Ara Scouts” (observador ou escoteiro Ara), que participarão do desenvolvimento do projeto. A pesquisa, que incluirá esse trabalho de quem se dispuser a ajudar, levará entre seis meses e um ano, segundo a companhia.
“Queremos repetir no hardware [aparelhos] o que o Android fez para o software [programas]: criar uma rede de desenvolvedores vibrante, diminuir as barreiras, aumentar o ritmo de inovação, e diminuir substancialmente os períodos de desenvolvimento”, disse Eremenko.
“Nosso objetivo é incentivar uma relação entre usuários e seus telefones mais racional, aberta e expressiva, permitindo que você decida o que seu celular faz, sua aparência, o material de que é feito, quanto custa e quanto tempo você quer ficar com ele.”
O Google não disse qual a motivação para o nome do projeto. Em latim, Ara significa “altar” –é o nome de uma constelação.

9200 – Sábios do Século 18


sabios

Dedicaram-se a completar os trabalhos iniciados por Newton. Com 2 expedições enviadas pela Academia de Ciências de Paris ao Peru (1735) e a Lapônia (1736), foi possível determinar com precisão o achatamento da Terra nos polos e medir o arco do meridiano terrestre. Outras missões científicas conseguiam determinar as distâncias da Terra à Lua e ao Sol.

La Place
Publicando a sua obra “Tratado da Mecânica Celeste” (1799 – 1825), lançava a sua teoria sobre a formação do Universo. O alemão Herschet descobria um novo planeta, Urano, em 1781, Le Verrier descobria por meio de cálculos o planeta Netuno (1846). Mais recentemente, Einstein, falecido em 1955, enunciava a Teoria da Relatividade.

9199 – Be a Bá das Religiões – Qual a origem da Estrela de Davi?


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Não há registros da origem do tal hexagrama, chamado pelos místicos de “estrela de 6 pontas”.
O que se sabe é que ela já era conhecida na Índia por volta de 4 mil AC. Embora tenha ficado mais famosa como símbolo do Judaísmo, ela nunca foi de uso exclusivo dessa religião. Pode ser vista também na arte muçulmana e na decoração de muitas catedrais da Idade Média. O hexagrama sempre foi para vários povos, símbolo de proteção, representando a união do céu com a terra. O nome Estrela de Davi vem do hebraico Magen Davi, literalmente Escudo de Davi. Segundo a tradição, os soldados de Davi traziam no escudo o hexagrama para atrair proteção divina.
Só bem mais tarde, no século 17, a Estrela de Davi foi consagrada como símbolo oficial da comunidade judaica de Praga, atual República Checa. Dois séculos mais tarde, passou a representar o Judaísmo da mesma forma que a cruz representa o Cristianismo. O símbolo marcou também um episódio trágico no século 20: o nazismo alemão, que obrigou os judeus a usar, no braço, uma faixa com uma Estrela de Davi amarela para serem reconhecidos pelos soldados de Hitler.

9198 – Biologia Marinha – O Tubarão Azul


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A força de sua dentada pode chegar a 35 toneladas por centímetros cúbicos, quando ataca.

O Tubarão Azul possui este nome devido a sua cor azul.Ele possui grandes olhos,e uma longa nadadeira peitoral.
Cresce até 4 metros.
Ele adora mar aberto e raramente se aventura ficar muito perto da costa ou dos humanos.
Eles viajam milhares de milhas por ano,se alimentam de lulas e de pequenos peixes em qualquer lugar desde a superfície até 450 metros de profundidade.
Seus dentes são pontudos e serrados.São considerados os menores tubarões entre os ditos “Grandes Tubarões”
Ordem: Carchariniformes
Os tubarões-azuis (“Blue Sharks”) estão entre os mais comuns e melhores distribuídos, sendo normalmente vistos no alto-mar, e em certas ocasiões, em águas costeiras.
Eles são famosos pela sua capacidade migratória.
Há conhecimento de alguns exemplares que nadaram milhares de quilômetros entre dois continentes em apenas alguns meses.
Os tubarões-azuis são peixes de pesca esportiva muito popular e alvo de muitos pescadores.
Mas a verdadeira ameaça a eles vem dos barcos de pesca comercial, que podem apanhar cerca de 20 milhões de tubarões-azuis por ano, muitas vezes através das redes utilizadas para pescar outras espécies.
Grande parte das barbatanas utilizada nas famosas sopas de barbatanas vem desta espécie.
Tamanho Máximo: 3,8 metros
Distribuição: Águas tropicais e temperadas de mundo inteiro, principalmente em mar aberto.
Dieta: Pequenos peixes com espinhas e lulas.
Reprodução: Vivíparos. Entre 20 e 50 crias por ninhada.

9197 – Lei e Direito – O que é o Abandono de Incapaz?


Trata-se do nome dado a um crime previsto no artigo 133 do código penal brasileiro, definido pelo mesmo como abandono de pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, é incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono. Para tal ilícito é prevista a detenção de seis meses a três anos.
Há ainda algumas considerações supervenientes relacionadas a este tipo penal. Caso o abandono provoque lesão corporal de natureza grave, ou ainda a morte, a pena é aumentada de duas até vinte e quatro vezes. É também previsto o aumento de um terço caso o abandono ocorra em lugar ermo, ou se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da vítima, ou finalmente, se a vítima é maior de sessenta anos.
O ato de abandono coloca em xeque a relação jurídica de cuidado, guarda, vigilância ou autoridade. Na verdade, é comum, que vários desses aspectos coexistam, ao menos em parte. Um pai que saia a passeio com seu filho menor mantém sobre ele os deveres de cuidado, vigilância, guarda e autoridade. O médico em face de seu paciente assume dever de cuidado. Um diretor de penitenciária tem a custódia (guarda) dos sentenciados, exercendo sobre eles sua autoridade, nos termos da lei. O motorista que oferece carona a uma pessoa inválida assume compromisso de guarda e vigilância, não podendo deixá-la em lugar perigoso, do qual se afaste voluntariamente. Quando é mencionado o crime de abandono de incapaz, a primeira associação feita pelo público é o da quebra da relação de cuidado de um pai ou mãe para com seu filho ainda em tenra idade, mas, como visto pelos exemplos acima, o ilícito pode envolver diferentes pessoas.
Com o abandono, há o perigo concreto, que se traduz no ato de afastar-se da vítima, colocando-lhe em risco a vida ou a saúde. Haja vista a gravidade da conduta, é fundamental o distanciamento físico entre réu e ofendido, onde o sujeito ativo se aparta da pessoa da vítima, que permanece onde de hábito se encontrava ou a leva propositadamente para outro local, em que é exposta a perigo.
O estatuto do idoso, em seu artigo 98 criou uma nova figura delituosa dentro do âmbito do abandono: “Abandonar o idoso em hospitais, casas de saúde, entidades de longa permanência, ou congêneres, ou não prover suas necessidades básicas, quando obrigado por lei ou mandado. Pena — detenção de 6 (seis) meses a 3 (três) anos e multa”.

9196 – Lei e Direito – O que é Desacato?


Recebe o nome de desacato o crime praticado por particular contra a administração em geral, e que está previsto no artigo 331 do código penal brasileiro. O desacato consiste, de acordo com a redação do referido artigo, em desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela. A pena prevista para o crime é a detenção de seis meses a dois anos ou multa.
Na definição do dicionário o termo desacato, ou o ato de desacatar, são definidos como falta de acatamento ou de respeito, ofensa, profanação. A partir dessa definição, a crítica ou mesmo a censura, ainda que veementes, não constituem desacato, desde que, obviamente, não se apresentem de forma injuriosa. A maior parte da jurisprudência entende que é exigido o dolo específico para que haja o desacato.

Como exemplos mais comuns de desacato dentro da jurisprudência temos:
insultar ou estapear o funcionário;
palavras de baixo calão;
agressão física;
brandir arma com expressões de desafio;
tentativa de agressão física;
provocações de escândalo com altos brados;
expressões grosseiras;
caçoar do funcionário;
gesticulação ofensiva;
gesticulação agressiva;
rasgar ou atirar documentos ao solo.
O delito de desacato está previsto no capítulo que trata dos crimes praticados por particulares contra a administração pública. Trata-se de um crime comum, e pode ser praticado por qualquer pessoa. O bem jurídico em questão neste ilícito é o interesse em se assegurar o normal funcionamento do estado, de modo a garantir o prestígio do exercício da função pública. A proteção se refere mais à função pública do que a própria pessoa do funcionário.
Como sujeito ativo do delito, temos um indivíduo comum, um estranho. O funcionário público pode figurar como sujeito ativo do crime em questão, desde que em face de algum superior hierárquico. Há divergências na doutrina especializada se funcionário público também pode ser sujeito ativo do crime de desacato, mas a maioria aceita esta possibilidade, sem qualquer condição, quando este encontra-se despido da sua função, ou seja, agindo como particular.
A doutrina ainda trabalha com a possibilidade do desacato por omissão, que seria a falta de cortesia ou de comunicação, como por exemplo, a falta de resposta ao cumprimento de um funcionário. Esta hipótese, porém, é de difícil caracterização, considerando que a indelicadeza não pode ser elevada à conduta típica de desacato. Há a possibilidade, porém, de que se caracterize o desacato por omissão dentro do meio militar, onde os conceitos de hierarquia e disciplina são levados em alta conta.

9195 – Veterinária – A Dermatite Atópica Canina


Atopia é uma predisposição genética para o desenvolvimento de alergias aos fatores ambientais, afetando tanto o homem quanto os animais. No cão, normalmente se manifesta como uma doença de pele inflamatória, pruriginosa, crônica, sendo chamada de “dermatite atópica”. A principal manifestação da dermatite atópica é a coceira na pele, o que faz com que o animal arranhe, esfregue, lamba ou mastigue as áreas afetadas constantemente. A coceira é provocada pela inflamação da pele, que aparece como uma erupção vermelha. Pode ser localizada ou generalizada. Algumas áreas são mais comumente afetadas: face, lábios, olhos (conjuntivite), ouvidos (otite); extremidades: espaços interdigitais, tarso, carpo; dobras de pele: axilas, região inguinal/virilha, períneo e região da barriga.
Quando a dermatite começa, coceira pode ser tão insuportável que o cão vai se coçar dia e noite, se tornando rapidamente um problema para os proprietários. Sem tratamento, a doença pode se tornar um estado inflamatório crônico. Por causa da coceira e dos ferimentos secundários a ela, a dermatite atópica pode afetar de forma bastante grave a saúde do cão. A pele pode ficar avermelhada ou quebradiça nas áreas afetadas, como resultado da lambedura repetida. A pele também pode se tornar ulcerada, espessa e escura, com uma aparência grosseira.
A alergia é uma sensibilidade extrema a um elemento estranho chamado de: alérgeno, contra a qual o corpo libera suas defesas imunológicas excessivamente. Os principais alérgenos para cães atópicos são a poeira e o pólen, apesar de parasitas e de alimentos também poderem desempenhar algum papel.
O cão atópico foi fortemente sensibilizado em algum momento de sua vida para um ou vários alérgenos presentes no seu ambiente e, possivelmente, também sua alimentação. Seu corpo aprendeu a reconhecer e recordar esses alérgenos. Durante cada novo contato, ele reage violentamente, provocando uma reação alérgica cutânea. A reação alérgica geralmente aparece dentro de alguns minutos, embora possa também ser vista em até 24-48 horas após o contato.
Não há dúvidas de que fatores genéticos estão envolvidos, e sensibilidades podem ser transmitidas de um animal para sua prole. Por isso, é possível criar linhagens de cães atópicos, sensibilizando-os desde uma idade muito jovem com pequenas quantidades de alérgenos. Hoje há um número de raças reconhecidas como tendo tendência para este problema.

Principais raças de risco:

American Staffordshire Terrier
Boston Terrier
Boxer
Bull Terrier
Cairn Terrier
Cavalier King Charles
Dálmata
Bulldog inglês
Bulldog francês
Fox Terrier
Pastor Alemão
Golden Retriever
Jack Russell Terrier
Labrador Retriever
Lhasa Apso
Pug
Schnauzer
Scottish Terrier
Setters
Shar Pei
Shih Tzu
West Highland White Terrier

9194 – Medicina – O Ciclo Nasal


É como se chama um ritmo natural de congestão e descongestão das cavidades nasais nos seres humanos. É um congestionamento fisiológico da concha nasal, devido à ativação seletiva de uma metade do sistema nervoso autônomo pelo hipotálamo. Embora vários aspectos do ciclo nasal tenham sido estudados e discutidos na antiga literatura do Yoga, na literatura ocidental moderna ele foi descrito pela primeira vez pelo médico alemão Richard Kayser em 1895.
Em 1927 Heetderks citou que a turgescência alternada dos cornetos inferiores em estava presente em 80% da população saudável. As conchas em uma fossa se enchem, enquanto o o lado oposto é descongestionada. Este ciclo controlado pelo sistema nervoso autônomo, costumava ter uma duração média de duas horas e meia. Ele ainda observou e documentou que os cornetos da fossa nasal eram preenchidos quando o paciente estava em deitado lateralmente. Alguns estudiosos afirmaram que essa obstrução alternada tinha a a finalidade de forçar que uma pessoa trocasse de lado durante o sono. Em pacientes com desvio de septo, a obstrução nasal é intermitente, e a interação do ciclo nasal torna-se evidente, a sensação de obstrução se assemelha muito com o congestionamento causado por gripe.
A importância do ciclo nasal torna-se evidente quando consideramos que a função do nariz é para aquecer, umidificar e filtrar o ar inspirado. Estas funções de filtragem e de umidificação são dependentes da presença de epitélio respiratório úmido, que contém tanto as células caliciformes produtoras de muco e os cílios, que são pelos microscópicos cobertos com uma camada de muco, à qual as partículas inspiradas colam e são varridas (pelos cílios) para a garganta, onde são engolidas. A presença de duas fossas nasais, ou as câmaras, que funcionam num padrão alternado impedem uma secagem excessiva, crostas e infecções, que são resultados da passagem que está aberta ao fluxo de ar constante, especialmente em regiões do deserto. O ciclo persiste durante a respiração bucal, oclusão nasal e anestesia tópica, e fica ausente em pacientes traqueostomizados, sofrendo modificações na presença de infecções e durante o período de gestação.
Estudos demonstraram que, em um nariz que esteja funcionando normalmente, enquanto uma fossa nasal está congestionada, seu batimento ciliar diminui drasticamente, ou até mesmo cessa, para que a umidade se acumule, preparando-se para retomar as suas funções nasais quando aquele lado for descongestionado. Fisiologicamente falando, um ser humano tem dois narizes (tornando necessárias duas narinas) que trabalham em conjunto para proporcionar umidificação constante, filtragem e aquecimento.

9193 – AIDS – Descoberto o segredo dos “herois da resistência”


Superanticorpos’ contra HIV controlam infecção em macacos

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Nem todo mundo se defende contra o HIV da mesma forma: algumas pessoas produzem tipos raros de “superanticorpos” contra o vírus. A eficácia de uma terapia que usa esses anticorpos para controlar um vírus similar ao HIV em macacos é relatada em dois estudos publicados hoje na “Nature”.
Infusões dos “superanticorpos” clonados a partir do material colhido de humanos conseguiram reduzir, em uma semana, a carga de HIV a níveis indetectáveis em um grupo de macacos resos.
Esse controle da carga viral, no entanto, não foi duradouro na maioria deles: dois meses após a aplicação da terapia, em média, o número de vírus em circulação voltou a crescer na maioria dos macacos. O controle só permaneceu nos que já tinham uma carga viral mais baixa desde o início do estudo, o que sugere uma ação conjunta do sistema imune dos animais e dos “superanticorpos”.
A existência desses anticorpos poderosos já é conhecida há anos pelos pesquisadores. Eles se tornaram o objeto de estudo do brasileiro especialista em imunologia.

9192 – Irmão Quente da Terra – Astrônomos descrevem planeta com composição semelhante à da Terra


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Duas pesquisas forneceram novas informações sobre o primeiro planeta descoberto fora do Sistema Solar com massa, densidade, composição e tamanho semelhantes ao da Terra. O exoplaneta Kepler 78b foi descoberto em agosto, por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). À época, foi descrito como um planeta extremamente pequeno e quente, localizado a 700 anos-luz da Terra, mas de massa e composição desconhecidas.
Segundo os primeiros dados, sua órbita dura apenas 8,5 horas — extremamente curta em comparação aos 365 dias que a Terra leva para circundar o Sol. Os cientistas também haviam estimado que o planeta mede cerca de 1,2 vez o tamanho da Terra, tornando o Kepler 78b um dos menores exoplanetas já medidos.
Massa semelhante – Agora, dois novos estudos publicados na revista Nature mostram que o Kepler 78b compartilha outra característica com a Terra: sua massa é cerca de 1,7 vez a massa terrestre. A partir das mesmas medições, calcularam que a densidade do planeta é de 5,3 gramas por centímetro cúbico, valor muito próximo ao da densidade terrestre, que é de 5,5.
Segundo o estudo, essas novas informações sugerem que o Kepler 78b é composto principalmente por rocha e ferro, de maneira semelhante à Terra. Mas, devido à sua proximidade com a estrela, é muito provável que as temperaturas em sua superfície sejam altas demais para suportar vida.
“Ele é muito semelhante à Terra no tamanho e na massa, mas também extremamente diferente, uma vez que é, no mínimo, 2 000 graus Celsius mais quente”, diz Joshua Winn, pesquisador do MIT que participou do estudo.

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Planetas com órbitas pequenas como o Kepler 78b costumam fornecer uma grande variedade de dados para serem analisados nos laboratórios. A cada semana, por exemplo, o exoplaneta dá cerca de vinte voltas em torno de sua estrela, o que possibilita aos cientistas analisarem seu comportamento um grande número de vezes.
No estudo de agosto, os pesquisadores haviam determinado os valores de sua órbita e tamanho após analisar variações na luz emitida pela estrela em torno da qual o planeta gira. Cada vez que ele passava em frente à estrela, bloqueava um pouco de sua luz e diminuía o brilho que era captado pelos cientistas na Terra, por meio do telescópio espacial Kepler. Assim, eles conseguiram descobrir de quanto em quanto tempo o planeta completava uma volta em torno da estrela. Ao analisar o quanto o brilho variava, conseguiram também estimar o tamanho do exoplaneta.
Medir a massa do Kepler 78b foi uma tarefa mais complicada. Dessa vez, os pesquisadores tiveram de analisar os efeitos que a gravidade do planeta exercia na estrela enquanto girava ao seu redor. Como ele é muito menor, esses efeitos são pequenos e difíceis de medir, mas cruciais para descobrir a massa de planetas tão distantes.

A partir da Terra, o movimento estelar pode ser detectado como uma ligeira oscilação em seu brilho. Para encontrar os valores dessa oscilação, os cientistas utilizaram o Observatório Keck, no Havaí, um dos maiores telescópios do mundo. A equipe analisou os dados sobre a luz da estrela registrados ao longo de oito dias. Apesar da potência do telescópio, o sinal emitido pela estrela era incrivelmente fraco, o que tornou a tarefa um tormento para os cientistas. “A cada uma das oito noites pelas quais o estudo se estendeu, nos agonizávamos ao questionar se valia ou não a pena continuar com a pesquisa”.
Ao final, os pesquisadores conseguiram determinar que a massa do planeta era 1,7 a da Terra. A medida, junto com seu tamanho, sugeria que o planeta fosse composto principalmente de rocha e ferro. Segundo os cientistas, tal composição não é surpreendente, dado a sua órbita pequena. Um corpo menos maciço, — feito de gás, por exemplo — não seria capaz de se manter inteiro em uma região tão próxima à estrela.

9191 – AIDS – Cientistas traçam mapa da resistência humana ao HIV


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Um grupo de pesquisadores suíços elaborou o primeiro mapa de resistência humana ao HIV, vírus causador da aids, que mostra a defesa natural do corpo contra a doença. O avanço poderá ter aplicações como a criação de novos tratamentos personalizados.
Quando uma pessoa é infectada pelo HIV, seu sistema imunológico devolve estratégias de defesa. Em alguns casos, elas são tão bem sucedidas que permitem controlá-lo sem o uso de medicamentos, como é o caso dos chamados “controladores de elite”, indivíduos que possuem o vírus HIV, mas não desenvolvem a aids.
Infelizmente, isso não acontece na maioria dos casos, pois o genoma do vírus também se modifica rapidamente, a fim de driblar as estratégias do sistema imunológico. Mesmo assim, o esforço do organismo em combater o invasor deixa suas marcas no próprio vírus: mutações genéticas que indicam como ele reagiu aos ataques.
Analisando cepas do vírus que viveram em hospedeiros humanos, cientistas da Escola Politécnica de Lausanne e do Hospital Universitário de Vaud, ambos na Suíça, e diversas instituições de outros seis países, identificaram as mutações genéticas que ocorreram em resposta aos ataques do organismo. Dessa forma, reconstituíram toda a cadeia de eventos, criando o mapa da resistência ao HIV.
Para isso, foram estudados vírus de 1 071 pacientes soropositivos. Os pesquisadores cruzaram mais de 3 000 mutações potenciais no genoma viral com mais de 6 milhões de variações no DNA dos pacientes. Com uso de supercomputadores, eles estudaram todas as combinações possíveis e identificaram correspondências entre os pacientes.
“Tínhamos de estudar as cepas virais de pacientes que ainda não tivessem recebido nenhum tratamento, o que não é comum”, explicou o pesquisador Jacques Fellay, um dos autores do estudo, em um comunicado divulgado pela Escola Politécnica. Por esse motivo, os cientistas basearam o estudo em bancos de amostras criados nos anos 1980, quando ainda não havia tratamentos eficazes contra o vírus.
Segundo os autores do estudo, esse trabalho permitiu obter uma visão mais completa dos genes humanos e sua resistência ao HIV. Isso permite não só entender melhor como o organismo se defende, mas também como o vírus se adapta a esses mecanismos de defesa. “Agora nós temos uma base de dados que vai nos indicar qual variação genética humana vai provocar que tipo de mutação no vírus”, explicou Amalio Telenti, integrante da equipe.
As descobertas podem ajudar no desenvolvimento de novas terapias contra o HIV e tratamentos individualizados, que levem em consideração as virtudes e desvantagens genéticas do paciente.

9190 – Os Pilares da Fé – Quem é Deus segundo as Religiões


CRISTIANISMO
Natureza de Deus – É um, mas formado por 3 entes: Pai, Filho e Espírito Santo. O primeiro não tem forma, mas é descrito com atributos humanos. O segundo é Jesus. E o terceiro pode se revelar como vento, pomba etc.
Criação – Deus é o criador de tudo. Depois de criar Adão, o primeiro homem, tirou dele uma costela e transformou-a em Eva, a primeira mulher. O casal morava no paraíso, mas foi expulso de lá por pecar.
Vida após a morte – Os cristãos não acreditam em reencarnação, mas aceitam que a alma pode viver eternamente. No dia do Juízo Final, Cristo vai julgar a todos. Os bons irão para o céu – e os maus, para o inferno.
Literatura sagrada – A Bíblia Cristã é composta do Velho e do Novo Testamentos. Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João são considerados os livros mais importantes, pelo registro que eles fazem da vida de Jesus.
Seguidores – Com 2,1 bilhões de fiéis, é a maior religião do mundo.

JUDAÍSMO
Natureza de Deus – Os judeus acreditam que só existe um Deus, cujo nome (Yahweh) não deve ser pronunciado. É onipotente, onipresente e onisciente. Observa as ações de todos e conduz o destino da humanidade.
Criação – Deus criou o mundo em 6 dias e descansou no 7º. Deu vida ao homem a partir do barro, com um sopro divino. Segundo a crença judaica, Ele acabará com toda a Criação quando assim o decidir.
Vida após a morte – Os judeus não acreditam em reencarnação. Para alguns, a alma fica aguardando o julgamento no dia do Juízo Final. Outros preferem a ideia de que ela é julgada imediatamente após a morte.
Literatura sagrada – A Bíblia Hebraica contém leis e orientações para a vida mas também narra a história dos hebreus – começando pela criação do mundo e pela aliança entre Deus e os patriarcas Abraão e Moisés.

Seguidores – O número de judeus ultrapassa 13 milhões.

ISLAMISMO
Natureza de Deus – Os muçulmanos acreditam que só existe um Deus: Alá – tão perfeito que não se pode defini-Lo. Ao observar a natureza, contudo, é possível reconhecer Seus atributos: bondade, justiça etc.
Criação – Alá é o Criador de tudo, inclusive do bem e do mal. Cada detalhe do mundo e da vida é fruto da vontade Dele. Os seres humanos, por serem Suas criaturas, devem se submeter à vontade divina.
Vida após a morte – Não existe a ideia de reencarnação. Mas os fiéis acreditam que o indivíduo, depois da morte, fica aguardando o Juízo Final. Aqueles que cumprem em vida a vontade de Alá ganham o paraíso.
Literatura sagrada – O Alcorão é considerado a palavra de Deus, revelada ao profeta Maomé pelo anjo Gabriel. As traduções, no entanto, não são sagradas. Esse status só é conferido à versão escrita em árabe.
Seguidores – É a 2ª crença em número de seguidores: 1,34 bilhão.

HINDUÍSMO
Natureza de Deus – Brahman (não confunda com o deus Brahma) é o espírito supremo presente em todas as coisas. Não tem forma nem personalidade, mas Seus atributos se manifestam em milhões de divindades.
Criação – É cíclica: da destruição de um Universo anterior, o deus Brahma – filho de Brahman – surge para criar um novo. Muitas vezes Ele é representado como um homem de 4 cabeças e 4 braços.
Vida após a morte – Dependendo do carma (as ações em vida), a alma renasce numa forma física mais ou menos evoluída. A meta dos seres humanos é se libertar do ciclo de renascimentos por meio da devoção.
Literatura sagrada – Os primeiros ensinamentos hindus foram compilados nos Vedas, conjunto de documentos em sânscrito escritos por volta do ano 1000 a.C. Seus 4 volumes contêm tratados filosóficos e orações.
Seguidores – Terceira maior religião, com 950 milhões de devotos.

BUDISMO
Natureza de Deus – Alguns budistas reconhecem a existência de seres sobrenaturais, mas não acreditam em um espírito supremo que governa o mundo. Seguem o exemplo de sabedoria dos budas (pessoas iluminadas).
Criação – Se não há um criador, não há criação. Ou melhor, há, mas ela é cíclica. Não tem começo nem fim e é parte da roda de sofrimento a que todos os seres humanos estão ligados pelo renascimento.
Vida após a morte – Toda vida continua, seja sob a forma humana, divina ou animal. Tudo depende do comportamento na vida anterior. Livrar-se dos apegos materiais é o caminho para alcançar a iluminação.
Literatura sagrada – Os ensinamentos de Buda foram reunidos no Tripitaka. Dessas escrituras, sobreviveram até hoje 3 versões: uma (Teravada) em idioma páli e duas (Mahayana) escritas em chinês e tibetano.
Seguidores – Estima-se que o número de budistas seja de 350 milhões.

9189 – Jumbo 747, Um trambolho voador


Boeing 747
Boeing 747

Com 30 metros de comprimento e cerca de 24 toneladas de asas, um Jumbo 747 suporta cargas de quase meia tonelada para casa asa. Tem 54 m² de área e carrega no seu interior, cerca de 200 mil litros de combustível, além de sustentar turbinas de até 5 toneladas.

Jatos velhos
Em janeiro de 1954, um Havilland Comet, da família dos primeiros jatos comerciais, pertencente à hoje extinta companhia inglesa BOAC, explodiu no ar quando fazia a rota Roma-Londres. As investigações mostraram que o avião, embora não fosse idoso, apresentava sinais de desgaste, por culpa da concepção falha do modelo e da inexistência de certos testes, hoje em dia obrigatórios.
O atestado de óbito do Comet registrou como causa da morte uma doença implacável, até então desconhecida, que recebeu o nome fadiga de materiais e passou a fazer parte do vocabulário dos engenheiros aeronáuticos. Significa que, submetidos a esforços variáveis durante muito tempo, metais, plásticos e alguns tipos de madeira podem se romper subitamente, mesmo que o esforço com que estejam arcando naquele momento seja suportável. No caso do velho Comet, o desgaste na fuselagem trincou a ponta de uma das janelas, o que desencadeou a tragédia. Nas décadas seguintes, cientistas e engenheiros se debruçaram sobre as pranchetas na tentativa de evitar a repetição desse problema. Mas como, evidentemente não é possível blindar um avião feito um tanque de guerra, porque ele não sairia do chão, acidentes causados por fadiga de materiais continuam a engrossar as estatísticas dos desastres aéreos. Mesmo porque, jatos como o Boeing 737,o 727 e o DC-9, este da McDonnell Douglas, todos em operação há mais de vinte anos, apropriados para viagens curtas e médias, envelhecem rápido: as freqüentes decolagens e pousos provocam mais estresse na estrutura do que nos wide-bodies, geralmente utilizados em percursos maiores. Nem estes, porém, estão imunes ao problema. No ano passado, uma falha na trava da porta de um Jumbo 747 da empresa americana United Airlines, com dezoito anos de uso, provocou um rombo de 12 metros na fuselagem e a morte de nove passageiros. No caso da havaiana Aloha Airlines, ficou provado que parte da carcaça do Boeing 737 não agüentou o dano da fadiga acumulada de 35 000 horas de vôo, o equivalente, para os materiais, a 90 000 decolagens.
Nos tempos pioneiros, as lendárias máquinas voadoras não ofereciam dores-de-cabeça desse tipo. Afinal, o que iria corresponder à fuselagem neles não passava de uma armação de madeira normalmente reforçada com fios de aço e cantoneiras. Naqueles mais pesados que o ar, que certamente não eram projetados para durar vinte ou trinta anos, piloto e motor ficavam desconfortavelmente assentados sobre a asa inferior. Mais aperfeiçoados, os aviões de madeira continuaram a existir até os primeiros tempos da Segunda Guerra Mundial, quando os caças soviéticos Lavotchkin La-5 e La-7, feitos com esse material, deram muito trabalho aos alemães. Mas, em geral, a partir da década de 30, com o desenvolvimento das chapas de alumínio, o metal tornou-se componente obrigatório do revestimento dos aviões.
Apareceram os bimotores e trimotores metálicos, como o Junker Ju-52, alemão, e os americanos Douglas DC-2 e DC-3 — este último, o equipamento mais bem-sucedido da história da aviação, que ainda presta serviços em rincões perdidos do mundo.

9188 – Mega Byte – Flame, o malware


Trata-se de um malware descoberto em 2012, que ataca computadores que estejam rodando sistemas operacionais Microsoft Windows. O programa está sendo usado para ciberespionagem em países do Oriente Médio. Sua descoberta foi anunciada em 28 de maio de 2012 pelo Centro Iraniano Nacional de Computação, pelo Kaspersky ab e o CrySyS Lab da Universidade de Tecnologia e Economia de Budapeste. Esse último chegou a afirmar que esse era com certeza o malware mais sofisticado encontrado e, muito provavelmente, o malware mais complexo já encontrado. O Flame pode para outros sistemas através de uma conexão numa rede local (LAN) ou por dispositivos USB.
Ele pode fazer registros de áudio, imagens, atividades de digitação e tráfico de rede. Ele também é capaz de registrar conversas do Skype, além de poder transformar computadores infectados em repetidores de sinal Bluetooth que tentarão adquirir dados de outros dispositivos Bluetooth por perto. Esses dados são enviados para um dos muitos servidores de controle espalhados pelo mundo. O Flame então aguarda novas instruções desses servidores.
De acordo com estimativas feitas pelo Kaspersky em maio de 2012, o vírus tinha infectado, aproximadamente, 1.000 máquinas, com vítimas que incluíam representantes de organizações governamentais, instituições educacionais e outros indivíduos. Estima-se que 65% das infecções aconteceram no Irã, Israel, Sudão, Síria, Líbano, Arábia Saudita e Egito, com a maior parte dos alvos sendo iranianos. Registros do Flame foram também encontrados na Europa e na América do Norte. O malware também é capaz de receber um comando para limpar todos os seus traços do computador. As infecções iniciais do Flame pararam de funcionar quando a sua existência veio à tona, e então foi dado o comando para limpar seus traços.
Em 28 de maio de 2012, os iranianos anunciaram que tinha desenvolvido um programa de detecção do vírus, assim como ferramentas para removê-lo, dando início à distribuição dessas ferramentas para organizações selecionadas. A Symantec reportou que em 8 de junho, alguns computadores que funcionavam como servidores do Flame receberam comandos de “suicídio”, limpando totalmente os seus conteúdos.
Em 19 de junho de 2012, o jornal Washington Post publicou um artigo afirmando que o Flame foi desenvolvido em conjunto pela Agência de Segurança Nacional dos EUA, CIA e militares de Israel pelo menos cinco anos antes. O projeto foi considerado parte de um ação secreta de codinome Jogos Olímpicos, que se destinava a recolher informações, em preparação para uma campanha de cibersabotagem que visa conter os esforços nucleares iranianos. De acordo com a Kaspersky, a geografia das metas e também a complexidade da ameaça não deixa nenhuma dúvida sobre ele ser um produto diretamente patrocinado por grandes corporações, ou até mesmo países. Os Estados Unidos negaram participação na criação do malware, assim como Israel, apesar dos jornalistas e da opinião pública acreditar que de fato esses dois países participaram da criação do Flame.
Tecnicamente, o malware é considerado grande (tem cerca de 20 Mb), e foi desenvolvido parcialmente em linguagem interpretada Lua com código C++ compilado, e permite que outros módulos sejam carregados depois da infecção inicial. O malware usa cinco formas diferentes de encriptação e uma base de dados SQLite para armazenar informações. O método usado para infectar o código em vários processos é silencioso, de forma que os arquivos do malware não aparecem na lista de módulos carregados e as páginas de memória são protegidas com as permissões READ, WRITE e EXECUTE que o faz inacessível para as aplicações em modo usuário.

9187 – Bioecologia – O que são bioindicadores?


São organismos vivos que indicam de forma precoce a presença de alterações ambientais, sendo que esses indicadores podem identificar diversos tipos de modificações, antes que se agravem, além de determinar qual tipo de poluição pode afetar determinado ecossistema.
Bioindicadores podem ser indivíduos ou mesmo comunidades, cujas funções vitais se relacionam tão estreitamente com determinados fatores ambientais, que podem ser empregados como indicadores na avaliação de uma determinada área. Em geral, a alteração da abundância, diversidade e composição do grupo de indicadores mede a perturbação do ambiente. Existe tipos diferentes de Bioindicadores:
Sentinelas: introduzidas para indicar níveis de degradação e prever ameaças ao ecossistema.
Detectores: são espécies locais que respondem a mudanças ambientais de forma mensurável.
Exploradoras: reagem positivamente a perturbações.
Acumuladoras: permitem a verificação de bioacumulação.
Sensíveis: modificam acentuadamente o comportamento.
Todos os grupos de seres vivos podem ser potencialmente bioindicadores, entretanto os melhores organismos para o monitoramento biológico são os invertebrados, mais especificamente os macroinvertebrados, pois são mais simples para se amostrar, são de extrema eficácia, possuem tolerâncias e sensibilidades variadas. Em especial os grupos dos insetos são ótimos bioindicadores, como os Odonatas (Libélulas), Coleóptera (Besouros), Lepidóptera (Borboletas e Mariposas), Himenópteros (Formigas, Vespas e Abelhas) e os mais usados Ephemeroptera, Plecoptera, Trichoptera conhecidos pela sigla “EPT”.

bioecologia

Por que usar bioindicadores?

É um método simples, rápido e de baixo custo
Eles fornecem sinais rápidos sobre problemas ambientais, mesmo antes do homem saber sua ocorrência e amplitude.
Permitem que se identifiquem as causas e os efeitos entre os agentes estressores e as respostas biológicas.
Oferecem um panorama da resposta integrada dos organismos e modificações ambientais.
Permitem avaliar a efetividade de ações mitigadoras tomadas para contornar os problemas criados pelo homem.
Sabendo disso, podemos adequar o uso de alguns organismos para otimizar a eficiência para alguma área especifica, veja:

Bioindicadores da qualidade da água: comumente usados protozoários, por causa de sua alta abundância, tempo de multiplicação curto, são sensíveis a alterações na cadeia trófica e facilmente mantidos em laboratórios para os testes.
Bioindicadores de poluentes do ar: Leveduras e Liquens são usados para medir o nível de ao dióxido de enxofre, fluoretos, ozônio e dióxido de carbono, que é a poluição do ar. A presença delas em folhas de Ipê amarelo ou roxo ocorre em áreas com menores índices de poluição do ar.
Bioindicadores de poluentes do solo: Bactérias, fungos e diversos invertebrados podem desempenhar o papel de bioindicador, tais organismos permitem verificar a qualidade do solo, pois englobam atributos físicos, químicos e biológicos que são necessários.

9186 – Viajando no tempo para uma galáxia distante


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Sua luz, detectada originalmente pelo Telescópio Espacial Hubble e depois observada em mais detalhes pelo Observatório Keck, no Havaí, e pelo Telescópio Espacial Spitzer, é de uma época em que o Universo tinha “apenas” 700 milhões de anos.
Pode parecer muito, mas é menos de 5% da idade atual do Universo — 13,8 bilhões de anos.
Estudar as profundezas do espaço é como usar uma máquina do tempo. E foi basicamente isso o que fez a equipe liderada por Steven Finkelstein, da Universidade do Texas em Austin.
Eles partiram de uma amostra de alguns dos objetos mais antigos já detectados, a fim de estudar como era o Universo em sua infância. Isso é possível porque a velocidade da luz é finita (cerca de 300 mil km/s). Assim, a luz que saiu desse objeto quando o Universo era novo só chegou aqui agora, estando disponível aos astrônomos para estudos.
A galáxia, que leva o antipático nome z8_GND_5296, tem algumas características peculiares que ajudam a compreender o que estava rolando no cosmos nessa época. Embora ela não passe de uma manchinha de luz nas imagens colhidas pelos astrônomos, há muita informação para se extrair dela.
Um exemplo é a constatação de que essa galáxia antiga produzia novas estrelas a um ritmo 150 vezes maior que o da Via Láctea — a nossa galáxia — nos tempos atuais.
Especula-se que ela seja um dos primeiros objetos a emergir da chamada “era da reionização” — um nome complicado para definir a época em que o Universo deixou de ser opaco e a luz passou a circular livremente.
Se isso for confirmado, trata-se de uma ótima janela para observar as condições do cosmos numa época próxima à formação das primeiras galáxias.
O trabalho foi publicado na última edição da prestigiosa revista britânica “Nature”.

9185 – Medicina -Proteína de lagarta age contra vírus do sarampo e H1N1


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Pesquisa FAPESP

Mais da metade de todas as espécies animais conhecidas são insetos. Mas como espécies com um sistema imune tão pouco desenvolvido – principalmente se comparado aos mamíferos – evoluíram ao longo de 350 milhões de anos e sobrevivem hoje nos mais diversos ambientes do planeta, até nos mais hostis?

Estudos indicam que o segredo está em substâncias presentes na hemolinfa, o fluido que exerce a função de sangue nos insetos. Trata-se, no geral, de substâncias que, nesses animais, têm a capacidade de combater vírus, bactérias e fungos. Tem, portanto, potencial para reduzir a ação dos microrganismos em humanos. Conhecer essas substâncias e seu mecanismo de ação é um grande passo para o desenvolvimento de medicamentos.
Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, têm identificado substâncias promissoras em lagartas. “Há muito se produz substâncias antivirais originárias de organismos e produtos animais ou vegetais, como ouriço-do-mar e própolis. Mas pouco se investiga em insetos, e menos ainda em lagartas”, disse à Agência FAPESP o virologista Ronaldo Zucatelli Mendonça, responsável pela pesquisa “Bioprospecção de proteínas de interesse farmacológico e biotecnológico na hemolinfa de lagartas da família Megalopygidae”, que conta com apoio da FAPESP.
A equipe de Mendonça encontrou substâncias de alta potência antiviral em lagartas da família Megalopygidae. “Ainda não sabemos exatamente a composição química dessa substância”, disse. “No entanto, ela já demonstrou ter ação inequívoca: tornou 2 mil vezes menor a replicação do picornavírus (parente do vírus da poliomielite) e 750 vezes menor a do vírus do sarampo, além de ter neutralizado o vírus da influenza H1N1.”
Segundo o coordenador da pesquisa, esses dados são preliminares. “Até a conclusão do trabalho, podemos chegar a uma redução ainda maior”, disse.
O estudo com a Megalopygidae dá sequência a uma pesquisa anterior, na qual a equipe isolou e purificou uma proteína em outra lagarta, da família Saturniidae, a Lonomia obliqua.
A proteína encontrada na Lonomia tornou a replicação do vírus da herpes 1 milhão de vezes menor e a replicação do vírus da rubéola, 10 mil vezes menor. O trabalho foi publicado na revista Antiviral Research, em 2012.
As duas pesquisas, sobre a Lonomia e sobre as lagartas da família Megalopygidae, têm foco em substâncias que apresentam duas propriedades específicas: ação apoptótica e antiviral. A primeira promove a apoptose (morte celular programada ou desencadeada para eliminar de forma rápida células desnecessárias ou danificadas), um processo importante no mecanismo para controle do câncer. O foco atual da pesquisa com as lagartas Megalopygidae é sua ação antiviral.
As proteínas em estudo são produzidas pela tecnologia de DNA recombinante. O gene codificador da proteína é extraído da hemolinfa, clonado em um baculovírus (vírus que ataca insetos). Depois, é replicado em células de insetos, que, por sua vez, produzem as proteínas de defesa (as chamadas proteínas recombinantes) em grande quantidade.

“A principal vantagem em produzir a proteína recombinante é que isso torna possível a extração da substância de maneira mais simples e em maior escala”, comentou Mendonça. “Antes de chegar à indústria, porém, é preciso verificar sua ação em organismos, em testes in vivo, e avaliar sua viabilidade econômica”.
As lagartas estudadas pela equipe estão entre as taturanas urticantes que fazem mal ao homem. Suas cerdas liberam veneno capaz de levar à morte. A escolha delas para as duas pesquisas se deveu ao acúmulo de centenas de carcaças desses insetos no Instituto Butantan, que sobram depois da retirada do veneno para a produção de soro contra queimaduras. É dessas carcaças que é retirada a hemolinfa, de onde se extrai o gene codificante das substâncias de defesa.
A família Megalopygidae engloba mais de 200 espécies, entre elas a Megalopyge lanata e a Megalopyge albicollis.
Os estudos com a Lonomia e com as lagartas da família Megalopygidae constituem uma porta para outras pesquisas de grande relevância. “O Brasil tem uma megabiodiversidade em insetos. E todos podem ter substâncias desse tipo, de ação até maior do que as encontradas até agora”, disse o pesquisador, que realizou três pós-doutorados com bolsa FAPESP, dois em Portugal e um no México.

9184 – Geologia – A última grande alta do Atlântico


falesias

Ao passar pela região da atual Porto Seguro, sul da Bahia, a bordo da nau capitânia comandada por Pedro Álvares Cabral, Pero Vaz de Caminha se espantou com o tamanho do litoral da ilha de Vera Cruz, primeiro nome dado ao Brasil recém-descoberto, e registrou também a presença de vistosas escarpas na praia, quase lambendo o Atlântico: “[Esta terra] Traz ao longo do mar, em algumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas e delas brancas, e a terra, por cima, toda chã e muito cheia de grandes arvoredos”.
O escrivão português mirava um trecho do que hoje se denomina Formação Barreiras, constituída por camadas de areia e argila geralmente de algumas dezenas de metros de espessura que se estende por mais de 5 mil quilômetros ao longo da costa nacional, do Amapá até o Rio de Janeiro.
Para os geólogos, essas falésias, que fazem parte da primeira unidade geológica descrita no país, contam uma história muito mais antiga do que a saga do descobrimento. São testemunhas da última grande elevação do nível do Atlântico registrada em trechos da costa brasileira, especificamente no Norte e Nordeste, entre 25 e 16 milhões de anos atrás, final da época chamada Oligoceno e meio do Mioceno.
Grande parte dessas falésias se formou pela ação de correntes de maré ao longo da costa que arrastaram sedimentos continente adentro devido a esse aumento significativo do nível do mar. Segundo alguns estudos, os oceanos, durante o Mioceno, teriam subido até 180 metros em certos pontos do planeta em relação ao seu nível atual. No Brasil, a elevação média foi mais modesta, geralmente da ordem de 60 metros, com picos de até 140 metros na costa de Sergipe e Alagoas, de acordo com um amplo estudo sobre a Formação Barreiras publicado na edição de agosto da revista científica Earth-Science Reviews.
Mas esse talvez não seja o dado mais surpreendente revelado pelo artigo, assinado por três geólogos brasileiros. Segundo o trabalho, após esse período marcado por momentos de alta do oceano Atlântico em setores da costa do Norte e do Nordeste entre 25 e 16 milhões de anos atrás, o nível do mar ao longo do litoral do país passou por uma fase de baixa entre 15 e 10 milhões de anos atrás.
Paradoxalmente, essa queda no nível do Atlântico na costa brasileira ocorreu ao mesmo tempo que o nível dos oceanos atingiu sua subida máxima em outras partes do planeta. Por que o período de alta do Atlântico no Norte e no Nordeste não bate com o de elevação dos oceanos em todo o globo?
“Provavelmente, isso se deveu a movimentações de terreno provocadas pela atividade tectônica em trechos da costa brasileira”, diz a geóloga Dilce de Fátima Rossetti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espacias (Inpe), primeira autora do artigo, que estuda a Formação Barreiras há mais de duas décadas.
De acordo com os dados dos geólogos, o solo em muitas partes da costa brasileira teria afundado algumas dezenas de metros entre 25 e 16 milhões de anos atrás em razão de tectonismos. Embora, nesse período, os oceanos ainda não tivessem atingido seu pico de alta global, o rebaixamento do relevo em trechos do litoral do Norte e do Nordeste abriu caminho para a entrada no continente de material vindo do mar: criou bacias propícias para receber e armazenar sedimentos trazidos pelo Atlântico.
Dessa forma, a subida do nível do oceano em trechos da costa brasileira resultou na deposição de sedimentos que deram origem à Formação Barreiras e também à Formação Pirabas, esta última ligeiramente mais antiga e de menor extensão.
Entre 15 e 10 milhões de anos atrás, quando houve o pico de elevação global do nível dos oceanos, a atividade sísmica teria produzido justamente o efeito contrário sobre o relevo da costa brasileira. “Nesse período, o terreno se estabilizou ou até soergueu. Isso teria compensado o aumento do nível do mar global, que não conseguiu deixar nenhum registro sedimentar sobre essa região”, explica Dilce. “Nesse momento, uma ampla faixa do litoral do Norte e Nordeste do Brasil, que então se encontrava coberta pelo mar, emergiu, ficou exposta à erosão e se tornou um lugar favorável ao crescimento de vegetação.”
A hipótese dos pesquisadores se baseia numa constatação que ganhou força nas duas últimas décadas. Diferentemente do que sempre se acreditou, a costa brasileira não está situada numa região geológica totalmente estável. Embora todo o território nacional esteja assentado no meio da placa tectônica Sul-Americana, característica que o torna livre de grandes terremotos, a ocorrência de abalos sísmicos de nível médio e de alterações relevantes na altitude dos terrenos se dá com certa frequência.
“A topografia é dinâmica”, afirma o geólogo Francisco Hilário Rego Bezerra, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), outro autor do artigo. “Nossa costa era considerada estável, mas nosso trabalho mostra que não é bem assim. Existem evidências da presença de muitas falhas tectônicas nessa região e de que elas foram reativadas no Mioceno. Na verdade, há evidências de que ainda devem estar ativas até hoje.”
De forma simplificada, três grandes fatores podem influenciar a altura do mar num trecho da costa: o nível global de todos os oceanos; a estabilidade local do terreno (se ele está afundando ou levantando por causa de movimentos tectônicos); e a ocorrência de processos erosivos, que desgastam a superfície, ou de deposição de sedimentos, que acrescentam camadas ao solo.

De acordo com a intensidade de cada fator, a tendência global de aumento (ou redução) do nível do mar pode ser amplificada, mitigada ou mesmo anulada numa escala local ou regional. Parece contraditório, mas não é. Devido à interação desses fatores, o mar pode subir apenas em um ou em alguns pontos de uma costa, como no caso do Norte e do Nordeste durante o Mioceno, enquanto ocorre uma queda ou estabilização no nível dos oceanos na maior parte do planeta. “Os continentes não se mantêm fixos no plano vertical”, explica José Dominguez, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), outro autor do estudo, especialista em geologia marinha. “Eles estão sempre se deslocando.”
A borda leste da América do Sul está associada a um cenário geologicamente mais calmo e estável do que a oeste. Moldada durante o Mioceno pela subida dos Andes, fruto do choque das placas tectônicas Nazca e Antártica com a margem ocidental da placa Sul-Americana, a costa do Pacífico é até hoje frequentemente sacudida por movimentos tectônicos de forte intensidade. “Os Andes subiram aproximadamente 4 quilômetros durante o Mioceno”, diz Dilce, cujos estudos são parcialmente financiados pela FAPESP.
O último grande evento que moldou o relevo da região foi a separação da América do Sul do continente africano, iniciada há mais de 100 milhões de anos. A fratura que separou os dois blocos de terra foi preenchida pelas águas do Atlântico. Mas, como sugerem as pesquisas do trio de geólogos, isso não quer dizer que, desde então, não houve tremores e movimentações de terra ao longo da costa brasileira.

9183 – Brasileiros criam teste rápido para detectar leucemia


leucemia

Pesquisadores da USP de São Carlos desenvolveram um método que usa nanopartículas para fazer um diagnóstico rápido da leucemia.
O câncer no sangue é mais trabalhoso de ser identificado porque não há a formação de um tumor sólido. As células cancerosas ficam em circulação. Hoje, apesar de rotineiro e bem estabelecido, o processo é longo e envolve uma série de componentes laboratoriais importados e de alto custo.
“Um dos principais gargalos ao atendimento de saúde no Brasil é o diagnóstico. Se nós criarmos estratégias para que ele seja mais rápido e barato, poderemos salvar vidas”, diz Valtencir Zucolotto, do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia da USP de São Carlos.
Hoje, há diversos testes de diagnóstico de leucemia, com maior ou menor grau de complexidade. Além de detectar as células cancerosas, exames mais específicos podem informar ainda o subtipo da doença. Quanto mais detalhada for a análise, mais caro o exame. Alguns ultrapassam os US$ 2.000.
Segundo o Zucolotto, o método poderia ser uma alternativa para um diagnóstico rápido para pacientes com suspeita da doença, uma primeira abordagem para ver se há necessidade de fazer exames mais completos.
Para realizar o teste, os cientistas se aproveitaram de uma característica das células cancerosas: a produção excessiva de açúcares.
A partir daí, o grupo isolou em laboratório uma proteína, a jacalina –que, como o próprio nome indica, é extraída da jaca–, que é fortemente atraída por esses açúcares.
“Usando uma proteína de origem vegetal se simplifica mais o processo. Não há necessidade, por exemplo, de usar cultura de bactérias”, explica Valeria Maragoni, doutoranda da USP e autora principal do trabalho, que foi publicado na revista especializada “Colloids and Surfaces B: Biointerfaces”.
A proteína foi usada então como revestimento em uma nanopartícula: uma bolinha de ouro cerca de mil vezes menor do que a própria célula cancerosa.
Para fazer o teste, os cientistas retiram uma amostra de sangue do paciente e a deixam em contato com as nanopartículas por três horas. Depois, o material é enxaguado e passa por centrifugação.
Por fim, ele é analisado em um microscópio de fluorescência simples.
No microscópio, as células cancerosas são então facilmente identificadas porque, após a ligação com as nanopartículas, elas passam a ter uma coloração fluorescente, enquanto as células saudáveis não têm modificação.
Por enquanto, o trabalho está restrito a pequenas escalas em laboratório, mas os cientistas buscam parceiros para transforma-lo em uma opção real de diagnóstico.
O grupo já fez o pedido de patente da técnica.
O hematologista Carlos Chiattone, professor de medicina da Santa Casa de São Paulo, diz que não basta identificar se o paciente tem ou não leucemia. É importante investigar as características do câncer em cada indivíduo.
“Conhecendo isso podemos fazer um tratamento mais individualizado, cada vez mais efetivo e com menos efeitos colaterais.”