14.327 – Coronavírus: Brasil vai começar a testar vacina de Oxford para Covid-19


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A vacina para Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, será testada em brasileiros. A análise terá apoio do Ministério da Saúde e começa ainda neste mês. Serão 2.000 voluntários ao todo, no Rio de Janeiro e em São Paulo. O Brasil fará parte do plano global de desenvolvimento da vacina e é o primeiro país, fora o Reino Unido, a ter acesso ao antídoto.
O procedimento foi aprovado pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em São Paulo, os estudos serão comandados pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). A infraestrutura médica e de equipamentos será financiada pela Fundação Lemann.
Cabera à Unifesp a tarefa de recrutar os primeiros 1.000 voluntários, que devem estar na linha de frente do combate à doença e, portanto, mais expostos ao contato com o vírus. Outras 1.000 pessoas farão parte do teste no Rio de Janeiro.
O país foi escolhido justamente por ainda enfrentar um momento de aceleração da pandemia, o que os especialistas chamam de curva de casos “ascendente”.
Outras nações também devem participar do trabalho de testagem da vacina. Os resultados serão fundamentais para que o antídoto consiga o registro oficial, previsto para o final deste ano.

14.294 – Brasileiros combinam técnicas de biotecnologia para vacina contra Covid-19


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Pesquisadores do Instituto Butantan vão combinar técnicas inovadoras de biotecnologia para formular uma nova vacina contra Covid-19. O objetivo é induzir no organismo, de modo mais efetivo, diferentes tipos de resposta imune contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2).

A nova estratégia é inspirada em um mecanismo usado por certas bactérias para “despistar” nosso sistema imune: elas liberam pequenas esferas feitas com o material de suas membranas como iscas para desviar a defesa do organismo. Essas vesículas, denominadas membranas pelos pesquisadores, têm a propriedade de ativar intensamente o sistema imunológico e, por isso, atraem células e moléculas da defesa do organismo.
Os pesquisadores vão aproveitar esse artifício das vesículas de membrana e acoplar a elas proteínas de superfície do novo coronavírus. Criadas em laboratório, essas vesículas atrairiam a defesa imune contra as proteínas de superfície do Sars-CoV-2, induzindo uma memória a ser mobilizada no caso de uma eventual infecção. A formulação estimularia não só a produção de anticorpos, mas também de outras células ligadas ao sistema imune, como macrófagos e glóbulos brancos.
“Para essa abordagem, juntamos duas estratégias diferentes que já vínhamos utilizando no desenvolvimento de vacinas contra outras doenças. A nova técnica permite que as formulações contenham uma grande quantidade de um ou mais antígenos do vírus em uma plataforma fortemente adjuvante, induzindo uma resposta imune mais pronunciada”, diz Luciana Cezar Cerqueira Leite, pesquisadora do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do Instituto Butantan.

O estudo, apoiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), integra uma plataforma de pesquisa que envolve o desenvolvimento de vacinas para coqueluche, pneumonia, tuberculose e esquistossomose, com base em técnicas desenvolvidas para a BCG recombinante (usada para prevenir formas graves de tuberculose em crianças). Recentemente, foi criada uma nova linha no projeto voltada ao desenvolvimento de uma vacina para a Covid-19.
“No mundo todo, e aqui no Brasil também, estão sendo testadas diferentes técnicas. Muitas delas têm como base o que já estava sendo desenvolvido para outros vírus, como o que causou o surto de Sars em 2001. Esperamos que funcionem, mas o fato é que ninguém sabe se vão realmente proteger. Neste momento de pandemia, não é demais tentar estratégias diferentes. A nossa abordagem vai demorar mais para sair, mas, se aquelas que estão sendo testadas não funcionarem, já temos os planos B, C ou D”, diz a pesquisadora.

Muitas vacinas consistem em soluções com o patógeno morto ou atenuado. São as chamadas vacinas celulares que, ao serem injetadas no indivíduo, têm por objetivo desenvolver a resposta imune contra o microrganismo, como anticorpos específicos e outras células de defesa de modo seguro, sem sofrer as consequências da doença. Dessa forma o indivíduo fica imunizado, tendo uma “memória de combate” do próprio sistema imune contra um determinado patógeno.

“As vacinas celulares são formas simples, e com frequência eficazes, de se obter um imunizante, porém, essas abordagens nem sempre funcionam, principalmente para patógenos com grande variabilidade antigênica ou organismos mais complexos, com mecanismos de evasão do sistema imune mais sofisticados”.
Estratégias

O grupo do Butantan propõe a combinação de duas estratégias para o desenvolvimento de uma vacina acelular. De um lado, tem-se as proteínas recombinantes de antígenos de superfície do novo coronavírus, que têm o papel de deflagrar a produção de anticorpos específicos contra o Sars-CoV-2. De outro lado, utiliza-se vesículas de membrana externa (Outer membrane vesicles conhecidos como OMVs) como matriz suporte dos antígenos, para que a partícula mimetize o vírus.

“As vesículas de membrana externa podem modular a resposta imunológica, em geral, aumentando e melhorando a proteção. Muitas vacinas têm o hidróxido de alumínio como principal adjuvante. No nosso caso, usaremos as OMVs para uma apresentação do antígeno com forte poder adjuvante embutido, que garante uma resposta melhor”, diz.

Para isso, a vacina em desenvolvimento no Butantan usará uma plataforma inovadora de apresentação de antígenos chamada Multiple antigen presenting system (MAPS), desenvolvida por um colaborador da Universidade Harvard (Estados Unidos) e usada em uma formulação experimental contra o pneumococo.

Basicamente, o complexo molecular é montado por um sistema de acoplamento semelhante ao usado para detecção na reação de ELISA (ensaio de imunoabsorção enzimática), muito usada em diagnósticos. Esse tipo de teste de laboratório é usado para detectar anticorpos contra um determinado patógeno e assim diagnosticar doenças. No processo desenvolvido em Harvard, um ou vários antígenos são ligados a polissacarídeos das cápsulas das bactérias, como se fossem peças de encaixar.
A ideia de usar as OMVs partiu da observação de uma estratégia que determinadas bactérias gram-negativas adotam para escapar do sistema de defesa do hospedeiro. “Quando infectam organismos, as bactérias produzem essas vesículas a partir de sua própria membrana externa. O intuito é atrapalhar a resposta do sistema imunológico. Anticorpos e outras células relacionadas ao sistema imune ficam tentando matar as vesículas em vez de atacar as bactérias, que ficam livres para se multiplicar no organismo”, diz.
Na nova formulação, a presença dessas vesículas extracelulares tem a função de estimular a resposta imunológica. “Elas são muito imunogênicas. Estudos recentes mostram que têm grande capacidade de ativar células dendríticas e macrófagos”.

14.240 – Vacina do coronavírus será testada direto em humanos – sem passar por animais


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O primeiro caso confirmado do novo coronavírus foi detectado na China em 7 de janeiro. Pouco tempo depois do anúncio, a empresa de biotecnologia Moderna Therapeutics já estava trabalhando no desenvolvimento de uma vacina para o vírus. Agora, eles afirmaram que vão iniciar os testes diretamente em humanos, sem passar pelo protocolo padrão de testar em animais.
Os ensaios clínicos (com humanos) e pré-clínicos (com animais) que garantem a segurança de uma vacina levam meses ou anos em uma situação ideal. Porém, diante de uma pandemia global, as farmacêuticas estão interessadas em encontrar a uma forma de barrá-la o mais rápido possível – o que abre uma brecha para pular etapas e começar logo de cara as aplicações em voluntários Homo sapiens.
A Moderna começou a procurar voluntários saudáveis no início de março. A ideia é testar 45 pessoas entre 18 e 55 anos, que vão tomar duas doses da vacina com intervalo de um mês. Cada cobaia receberá US$ 100 por visita feita ao laboratório ao longo do estudo, e serão aproximadamente 11 visitas (com a cotação a R$ 5,00, muito brasileiro ficaria ouriçado para participar – e embolsar R$ 5,5 mil). Os experimentos estão rolando no Instituto de Pesquisa em Saúde de Seattle (EUA).
A atitude de pular os ensaios pré-clínicos evidentemente põe em risco a saúde dos voluntários e está gerando objeções éticas da comunidade científica. Muitos pesquisadores se manifestaram contrários à decisão. Para piorar, a Moderna desenvolveu um mecanismo de imunização inédito – não há nenhuma outra vacina no mercado que utilize a mesma técnica, o que torna a experiência ainda mais arriscada.
Explicando: atualmente, há dois tipos diferentes de vacina. Algumas utilizam o próprio micróbio, morto ou quimicamente atenuado, para que ele não seja capaz de causar infecção. Outras utilizam apenas um pedacinho do micróbio – no caso dos vírus, geralmente uma proteína – que sirva de gabarito para o sistema imunológico a criar anticorpos. Nos dois casos, a ideia é treinar o corpo para a chegada da ameaça real.
A vacina da Moderna, por outro lado, usa uma molécula chamada RNA mensageiro (RNAm). No nosso organismo, o RNAm transmite informações contidas em nosso DNA para os ribossomos e possibilita a produção de proteínas. A nova vacina nada mais é do que um monte de RNAm sintético – que instrui o corpo a produzir proteínas iguais às do coronavírus. A ideia é que nosso corpo, ao se ver inundado por essas proteínas alienígenas, aprenda a reconhecê-las para depois identificar e derrotar o corona de verdade.
Se vai funcionar é outra história. A Moderna tentou testar o truque em ratos de laboratório, mas os animais não se mostraram ideais para tal experimento, pois suas células não são atacadas pelo vírus da mesma maneira que as nossas (cada mamífero tem seus próprios parasitas, e eles raramente são intercambiáveis).
Alguns camundongos foram geneticamente modificados no ano 2000, durante o surto da SARS – que também foi causada por um coronavírus –, de maneira a torná-los mais suscetíveis a vírus humanos. Isso permitia utilizá-los como cobaias eficazes em ensaios pré-clínicos. Infelizmente, essa linhagem não sobreviveu aos últimos vinte anos – era muito caro mantê-la. O jeito é começar do zero: a Mersana já está trabalhando em ratinhos com especificações parecidas, que deverão ficar prontos em algumas semanas
Uma vacina que utiliza a técnica de RNAm foi desenvolvida contra o coronavírus causador da MERS, outra epidemia que encheu os jornais nas últimas décadas. Ela foi testada nos ratos mencionados anteriormente. A resposta imune foi suficiente para protegê-los, o que é um dado otimista. Obviamente, porém, não se pode afirmar nada sobre sua aplicabilidade à Covid-19.
Estima-se a vacina estará disponível para uso humano em cerca de um ano – o que obviamente não é rápido o suficiente para barrar a pandemia. Sem contar que, se algo der errado – e isso acontece com frequência em ensaios clínicos –, os testes recomeçam do zero, o que atrasa ainda mais a solução. Os fabricantes de vacinas acreditam que o caso do Covid-19 é um teste importante para demonstrar como lidaremos, no futuro, com surtos de outras infecções desconhecidas.

14.239 – Medicina – 4 vacinas que estão sendo testadas contra o coronavírus


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Com a Covid-19 ultrapassando a marca de 100 mil casos confirmados no mundo, cientistas e empresas farmacêuticas estão correndo contra o tempo para desenvolver uma vacina capaz de conter o espalhamento da epidemia.
Há pelo menos oito iniciativas de desenvolvimento de vacinas contra o SARS-cov-2 em andamento. Mas o desafio é grande – qualquer vacina precisa passar muitos testes pré-clinicos e clínicos (isto é, com humanos) antes de ser fornecida à população. Para o setor privado, isso é sinônimo de um investimento alto em um produto que talvez não dê certo.
Uma vacina como a da gripe já é conhecida há anos: basta adaptá-la à versão do vírus que está pegando naquele inverno. Por isso, o processo é incomparavelmente mais rápido, e pode rolar anualmente. Por outro lado, nunca houve uma vacina contra os coronavírus. O trabalho está começando basicamente do zero.
Toda vacina se baseia no mesmo princípio: treinar o sistema imunológico para lutar contra os patógenos que se aventuram para dentro do seu corpo. Isso já acontece naturalmente – ninguém pega catapora duas vezes porque, depois da primeira infecção, seu corpo já aprendeu a lutar contra o vírus até então desconhecido e tem um exército de anticorpos prontos para eliminá-lo novamente, caso apareça. A vacina nada mais é do que um meio de ensinar seu corpo a se proteger sem precisar passar pelo perrengue da infecção.
Para isso, há dois tipos diferentes de vacina. Algumas utilizam o próprio patógeno, morto ou quimicamente atenuado – para que ele não seja capaz de causar infecção, mas seja o suficiente para fazer seus glóbulos brancos armazenarem a “impressão digital” da ameaça. Outras utilizam apenas um pedacinho do micróbio – no caso dos vírus, geralmente uma proteína – que sirva de gabarito para o corpo criar anticorpos.
A maioria das vacinas está sendo desenvolvida por empresas privadas ou em parceria com elas. Nenhum dos concorrentes quer divulgar detalhes de sua receita. Afinal, quem encontrar a bala de prata contra o coronavírus terá em mãos algo mais valioso que a receita do molho do Big Mac – e, no estágio atual, ainda é impossível saber qual é a solução mais promissora. O mais seguro é esconder o próprio baralho – e blefar.
Sabe-se que a Johnson & Johnson está estudando uma vacina baseada no vírus desativado, e a Clover Biopharmaceuticals, em parceria com a Universidade de Queensland, na Austrália, está pesquisando versões da vacina que usam uma proteína do vírus para gerar resposta imune. Perceba que essas são as duas estratégias clássicas, já mencionadas acima.
Há uma terceira forma de se fazer vacinas, mais moderna e talvez mais eficaz no caso do novo coronavírus. São as chamadas vacinas de mRNA. O RNA mensageiro, no interior de uma célula humana, é o responsável por carregar a receita para fabricar uma proteína do DNA, onde ela fica armazenada, para o ribossomo, a linha de produção onde ela será montada. Os coronavírus, porém, não têm DNA: armazenam seu código genético em RNA, mesmo.

Ao invés de injetar o patógeno inteiro ou uma proteína dele em você, essas vacinas injetam um trecho do código genético do vírus, que contém as instruções para fabricar alguma proteína reconhecível pelo nosso sistema imunológico. Repetindo: em vez de injetar a proteína pronta, essa vacina injeta a receita para fabricá-la.

Nossas células comuns não são muito boas em reconhecer que o material genético que vem na vacina é estrangeiro – então elas vão simplesmente ler aquela receita e produzir a proteína codificada nos ribossomos. Ou seja, a vacina transforma suas células em verdadeiras fábricas de proteínas virais. Nosso sistema imunológico, porém, é mais esperto na hora de reconhecer o que vem de fora, e vai ler as proteínas como corpos estranhos. Assim, começará a produção de anticorpos contra eles.
Essa é técnica pela qual optou a empresa de biotecnologia Moderna Therapeutics. As autoridades sanitárias dos EUA anunciaram recentemente que começaram a testá-la em humanos. Outra empresa, a alemã CureVac, também está desenvolvendo uma vacina de mRNA, mas ela ainda está em estágio pré-clínico (ou seja: não está sendo testada em humanos ainda)
Existe ainda um outro método parecido, que utiliza o mesmo mecanismo, mas com moléculas de DNA em vez de RNA. A ideia é soltar um pedacinho de DNA com a receita para uma proteína do vírus no interior das nossas células, e torcer para o maquinário de fabricação de proteínas detectar o dito cujo e começar a usá-lo inocentemente. Esse DNA não vem do vírus, naturalmente (afinal, o corona só tem RNA). Ele precisa ser “cultivado” com auxílio de estruturas bacterianas chamadas plasmídeos, que não vem ao caso explicar aqui.
É esse método que a Inovio Pharmaceuticals vem explorando em seus estudos. O único problema é o risco desse pedacinho de DNA se incorporar definitivamente ao nosso material genético nativo. O que não é legal por motivos óbvios – ninguém quer virar um transgênico de vírus (ainda que ao longo de nossa evolução muitos genes fornecidos por vírus tenham acabado nos beneficiando).
Enquanto nenhuma vacina fica pronta, diversas equipes pelo mundo também vem tentando desenvolver tratamentos para os infectados. Uma técnica é testar diversos medicamentos que já existem no mercado para outras doenças em pacientes com Covid-19. A lógica é mais ou menos assim: talvez esses medicamentos consigam afetar algum mecanismo de ação do novo coronavírus – qual, não sabemos. É um tiro no escuro.

Mas não custa tentar. Na lista dos candidatos, há drogas que são usadas no tratamento de HIV, ebola e malária, por exemplo. O mais avançado e promissor de todos é o remdesivir, desenvolvido pela Gilead Sciences inicialmente para tratar ebola, mas que se mostrou mais eficiente em vírus respiratórios. Mas, mesmo assim, estimativas iniciais dizem que as chances da substância de fato funcionar para a Covid-19 é só de 50%.

14.234 – Atenção Desempregados – Laboratório dá mais de 20 mil reais a quem topar ser infectado com coronavírus


Você estaria disposto a ser infectado com o coronavírus e ser pago por isso em prol de um bem maior? O Queen Mary BioEnterprises Innovation Centre, um laboratório de Londres, está a procura de 24 voluntários para injetar o coronavírus. O objetivo é testar a eficácia de uma vacina em desenvolvimento.
Os participantes que aceitarem o desafio serão recompensados com 4 mil euros, cerca de R$ 21.405. Antes de serem selecionados, os candidatos vão passar por uma bateria de exames.
Os selecionados vão receber duas doses mais fracas do vírus, que devem causar alguns sintomas respiratórios leves, e depois receberão vacinas tanto novas, como já existentes. Depois disso, ficarão em quarentena de 14 dias antes de testados novamente para verificar a eficácia do tratamento. Os resultados vão ajudar os pesquisadores a se concentrarem nos tratamentos mais eficazes para acelerar a cura da Covid-19.
O laboratório é apenas um dos 20 que estão na corrida global para encontrar uma vacina o mais rápido possível. “As empresas de medicamentos podem ter uma ideia muito boa dentro de alguns meses após o início de um estudo de vacina, trabalhando ou não, usando uma amostra tão pequena de pessoas”, afirmou Andrew Catchpole, principal cientista da pesquisa.
Antes de sair injetando as cobaias, o teste espera aprovação da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido. Por mais rápido que se iniciem os testes, os especialistas concordam que é impossível que a vacina fique pronta a tempo para combater a atual epidemia.

14.177 – Demorou mas Chegou – Pílula contra HIV


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O Ministério da Saúde passará a disponibilizar em até 180 dias a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) contra o vírus HIV. Na prática, um grupo inicial de 7 mil pessoas em grupos estratégicos deverão receber um medicamento para tomar no dia-a-dia e prevenir a infecção.
Inicialmente o governo deve priorizar 12 cidades brasileiras: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Manaus, Brasília, Florianópolis, Salvador e Ribeirão Preto. De acordo com o Ministério da Saúde, esses municípios foram escolhidos por terem participado de projetos piloto para o uso da pílula.
Além disso, poderão receber o remédio populações-chave, determinadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS): casais soro diferentes, gays; homens que fazem sexo com homens; profissionais do sexo e pessoas transgêneros (travestis e transexuais).
O remédio será distribuído para previnir a infecção pelo vírus HIV no Brasil e já é utilizado em outros países para o mesmo fim, como os Estados Unidos, e os estudos demonstram alta taxa de eficiência: 90%, de acordo com o Ministério da Saúde.
A marca mais conhecida é o Truvada, usada em alguns países. O Ministério da Saúde disse há possibilidade de importar o produto, mas que uma licitação deverá ser feita.
Ele combina dois medicamentos em um comprimido: o fumarato de tenofovir desoproxila (TDF, 300 mg) e a emtricitabina (FTC, 200 mg). Os dois, junto a uma terceira substância, já fazem parte do coquetel de tratamento contra a doença há muitos anos.
O que é PrEP?
A Profilaxia Pré-Exposição é a ingestão do medicamento em grupos de risco do HIV para evitar que novas pessoas sejam infectadas. Há, ainda, a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), feita no Brasil desde 2010 – quando a pessoa recebe um tratamento a base de um coquetel logo após um comportamento de risco, ou para profissionais de saúde que possam ter se infectado ao tratar pacientes.
O remédio impede a transcrição do material genético do vírus HIV, evitando se instale nas células do corpo.
Os dois médicos informaram que o medicamento mantém o efeito por um bom tempo no corpo. Então, esquecer de tomar um único dia não é o problema. De acordo com Kallas, ele geralmente é ingerido de três a quatro vezes por semana.
A longo prazo, de acordo com Timerman, o remédio pode causar problemas renais e alterar a calcificação dos ossos. Por isso, ele defende que os pacientes sejam acompanhados de seis em seis meses por um médico.
O total de pessoas cadastradas para receber a prevenção por meio da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), medicamento que previne a infecção do vírus HIV, aumentou 38% em cinco meses. O tratamento está disponível desde janeiro de 2018 no Sistema Único de Saúde (SUS). Desde então, 11.034 pessoas foram cadastradas, sendo 4.152 apenas entre janeiro e maio deste ano, de acordo com o Ministério da Saúde.

A “pílula anti-HIV” é uma combinação de medicamentos: tenofovir (300mg) + truvada (200mg). Ao tomar a dose diária, a pessoa se previne contra o vírus. Os grupos com maior risco passaram a ter acesso à PrEP na rede pública de saúde no Brasil: gays, homens que fazem sexo com outros homens (HSH), profissionais do sexo, homens trans, mulheres trans e travestis.
Em 2017, o Ministério da Saúde liberou a pílula para 7 mil pessoas, inicialmente. Foram priorizadas 12 cidades: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Manaus, Brasília, Florianópolis, Salvador e Ribeirão Preto. A escolha dos locais acompanhava a maior incidência da doença. Depois, a PrEP foi ampliada para outras partes do Brasil.
A Profilaxia Pré-Exposição já era utilizada em outros países, como os Estados Unidos. Desde 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar a prevenção para esses mesmos grupos. Estudos apontam uma taxa de eficiência maior do que 90%. Mais de 100 mil pessoas já tinham usado a pílula até o final de 2016.
Uma revisão de 21 trabalhos que somam quase 10 mil pacientes analisou se a PrEP induz à diminuição do uso de preservativo e a incidência de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O estudo aponta uma variação entre as populações estudadas e que não houve um aumento significativo no número de participantes que não usavam camisinha – a conclusão é que os HSH já transavam sem proteção. Mesmo assim, há um aumento geral no número de parceiros.
Os gays e homens que fazem sexo com outros homens (HSM) são os que mais aderiram à medida no Brasil – foram 2.898 novos cadastros neste ano. Do outro lado, estão travestis, homens trans e mulheres trans, que representam menos de 5% dos usuários da PrEP. Desde o início de 2019, entraram no programa de prevenção 30 travestis, 162 mulheres trans e 10 homens trans.
Mesmo que esse número pareça pequeno, é difícil estimar se essas populações estão sub representadas na política de prevenção. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pesquisas demográficas ainda não contabilizam o número de travestis, mulheres trans e homens trans no Brasil.
O instituto argumenta que, na hora de fazer um questionário nas residências, uma única pessoa responde por toda a família – e muitas vezes não informa a existência de um integrante dessas populações. Além disso, parte dos homens trans e mulheres trans acaba entrando nos índices de sexo feminino ou masculino, pois o gênero é autodeclaratório.

13.610 – História – IDADE ANTIGA


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Quando adentramos o estudo da Antiguidade ou Idade Antiga, é bastante comum ouvir dizer que esse período histórico é marcado pelo surgimento das primeiras civilizações. Geralmente, ao adotarmos a expressão “civilização” promove-se uma terrível confusão que coloca os povos dessa época em uma condição superior se comparados às outras culturas do mesmo período.
Na verdade, a existência de uma civilização não tem nada a ver com essa equivocada ideia de que exista um povo “melhor” ou “mais evoluído” que os demais. O surgimento das primeiras civilizações simplesmente demarca a existência de uma série de características específicas. Em geral, uma civilização se forma quando apontamos a existência de instituições políticas complexas, uma hierarquia social diversificada e de outros sistemas e convenções que se aplicam largamente a uma população.
Ao contrário do que se possa imaginar, não podemos apontar uma localidade específica onde encontremos a formação das primeiras civilizações da história. O processo de fixação e desenvolvimento das relações sociais aconteceu simultaneamente em várias regiões e foi marcado pelo contato entre civilizações, bem como a incorporação de duas ou mais culturas na formação de outra civilização.
Reportando-se ao Mundo Oriental, podemos assinalar o desenvolvimento das milenares civilizações chinesa e indiana. Partindo mais a oeste, localizamos a formação da civilização egípcia e dos vários povos que dominaram a região Mesopotâmica, localizada nas proximidades dos rios Tigre e Eufrates. Também conhecidas como civilizações hidráulicas, essas culturas agruparam largas populações que sobreviviam da exploração das águas e terras férteis presentes na beira dos rios.
Na parte ocidental do planeta, costuma-se dar amplo destaque ao surgimento da civilização greco-romana. O prestígio dado a gregos e romanos justifica-se pela forte e visível influência que estes povos tiveram na formação dos vários conceitos, instituições e costumes que permeiam o Ocidente como um todo. Contudo, não podemos também deixar de dar o devido destaque aos maias, astecas, incas e olmecas que surgem no continente americano.
Sem dúvida, o estudo das civilizações antigas se mostra importante para que possamos entender melhor sobre as várias feições que a nossa cultura assume atualmente. Contudo, sob outro ponto de vista, o estudo da Antiguidade também abre caminho para que possamos contrapor os valores e parâmetros que um dia foram comuns a alguns homens e hoje se mostram tão distantes do que vivemos. É praticamente infinito o leque de saberes que se aplica a esse período histórico.

13.490 – Imunologia – Soro antizika previne doença em macacos


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Anticorpos produzidos em laboratório conseguiram bloquear totalmente a ação do vírus da zika em macacos. O resultado, relatado por pesquisadores no Brasil e nos EUA, ainda está longe da aplicação em seres humanos, mas mostra que seria possível proteger grávidas e seus futuros bebês da ação viral por meio de um coquetel de anticorpos desse tipo.
A estratégia, descrita em artigo na mais recente edição da revista especializada “Science Translational Medicine”, foi idealizada por pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), da USP e da Universidade de Miami, entre outras instituições. Um ponto importante é que a equipe conseguiu aumentar o tempo de circulação dos anticorpos no organismo, o que, consequentemente, também traria proteção mais duradoura para os pacientes.
“Com isso, poderíamos cobrir uma gestação inteira com apenas duas ou três injeções de anticorpos”, diz Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos autores brasileiros da pesquisa.

DA COLÔMBIA AO RIO
Para chegar à formulação que teve sucesso no teste em macacos, os pesquisadores começaram obtendo uma lista de 91 anticorpos derivados do organismo de um paciente colombiano que havia sido infectado com o causador da doença. A ideia era testar a eficácia dessas moléculas de defesa do organismo contra a ação de uma variante do vírus presente no organismo de uma grávida do Rio.
Quando um novo vírus começa a invadir as células de uma pessoa, começa a produção de diferentes formas de anticorpos, cada um deles com potencial diferente para se ligar às partículas virais e neutralizar a ação delas. Ao testar as 91 moléculas do paciente colombiano, em busca das que conseguiam reduzir em pelo menos 80% a taxa de infecção pela zika in vitro, a equipe brasileiro-americana acabou identificando três anticorpos especialmente potentes, que pareciam os mais promissores.
Antes de partir para o teste em animais, porém, os pesquisadores decidiram fazer alguns ajustes nessas moléculas. Existe, por exemplo, o risco de que um anticorpo acabe facilitando o trabalho de um vírus, em vez de derrotá-lo.
Digamos que uma pessoa que já teve dengue seja infectada pelo vírus da zika, que é aparentado ao causador da dengue. Nesses casos, é possível que os anticorpos contra dengue que essa pessoa já possuía acabem se ligando ao causador da zika – mas sem neutralizá-lo para valer.
Pior ainda, enquanto uma ponta da molécula de anticorpo está ligada ao vírus, a outra pode estar ligada a determinadas células de defesa do organismo. “Desse jeito, o anticorpo serve como cavalo-de-troia, jogando o vírus inteiro para dentro da célula” e facilitando sua multiplicação, explica Kallás.
Ainda não se sabe se um cenário desse tipo pode realmente acontecer envolvendo zika e dengue, embora ele pareça estar por trás do maior risco de dengue hemorrágica depois que alguém é infectado por dois ou mais tipos diferentes do vírus dessa doença. Seja como for, pequenos ajustes na conformação da molécula podem minimizar o risco do problema, bem como aumentar a “durabilidade” dos anticorpos na circulação sanguínea.
No teste final, feito com oito macacos-resos (da espécie Macaca mulata), metade dos primatas recebeu injeções com o vírus da zika e, um dia depois, doses do coquetel de anticorpos específicos contra o invasor viral, enquanto os outros bichos infectados só receberam injeções de um anticorpo genérico que não age contra a zika. A multiplicação do vírus foi totalmente barrada no primeiro grupo, coisa que não se deu no segundo grupo de animais.

LONGO PRAZO
Apesar do sucesso da estratégia, Kallás lembra que ainda falta um processo longo e caro para que os testes em seres humanos comecem. É preciso produzir os anticorpos com rigoroso grau de pureza, garantindo, por exemplo, que eles não afetem células humanas por engano. Para avançar, a equipe precisará de parcerias com a iniciativa privada.

Além disso, o pesquisador destaca que, num momento em que o financiamento à ciência no Brasil vai de mal a pior, é preciso levar em conta que resultados como esses dependem de investimentos de longo prazo.

“A gente nunca começa do zero esse tipo de coisa. Eu trabalho com o David Watkins [coordenador da pesquisa na Universidade de Miami] desde 2005, e a ideia original era trabalhar com dengue, não com zika. Mas, quando a crise ligada à zika começou, nós já estávamos preparados. A estrutura e a cooperação necessárias para descobertas assim nunca surgem de imediato. A restrição de investimentos do governo está gerando um fruto podre que vai acabar caindo daqui a alguns anos”.

Fases:
1) O primeiro passo da equipe foi obter informações sobre os anticorpos produzidos no organismo de uma pessoa da Colômbia que tinha sido infectada pelo vírus zika

2) A partir dessa análise, eles identificaram três anticorpos diferentes que mostraram maior capacidade de neutralizar o vírus

3) O trio de anticorpos foi injetado num grupo de quatro macacos-resos, que também foi infectado com uma cepa do zika originalmente isolada de uma grávida do Rio de Janeiro; outros quatro primatas receberam o zika, mas não os anticorpos

4) Os animais que receberam os anticorpos ficaram totalmente protegidos da ação do vírus, ao contrário do que ocorreu com o outro grupo de macacos

13.468 – Ai da AIDS – Novo anticorpo ataca 99% das cepas de HIV


Aids Health Disease Day Virus Hiv Care Sickness
Cientistas criaram um anticorpo que ataca 99% das cepas do HIV e pode, ainda, prevenir a infecção em primatas. Ele é formulado para atacar três das partes críticas do vírus – tornando mais difícil para o HIV resistir aos seus efeitos.
O trabalho é uma colaboração coletiva entre os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA e a empresa farmacêutica Sanofi.
A International Aids Society disse que se trata de um “avanço estimulante”. Os testes em seres humanos começarão em 2018 para verificar se é possível, também, prevenir ou tratar nossas infecções.
Nossos corpos lutam para combater o HIV devido à habilidade de mutação do vírus, que também modifica sua aparência. Essas variedades de HIV – ou cepas – em um determinado paciente são comparáveis ​​às da gripe num momento de epidemia mundial. Assim, o sistema imunológico se encontra em uma luta contra um número insuperável de mutações.

Super-anticorpos
Após anos de infecção, um pequeno número de pacientes desenvolve armas poderosas chamadas “anticorpos de neutralização ampla”, que atacam partes fundamentais ao HIV e podem matar grandes extensões de suas cepas.
Os pesquisadores têm tentado usar anticorpos amplamente neutralizantes como forma de tratar o vírus, ou, ainda, prevenir a infecção.
O estudo, publicado na revista Science, combina três desses anticorpos em um “anticorpo tri-específico” ainda mais poderoso. Gary Nabel, diretor científico da Sanofi e um dos autores do relatório, disse ao site da BBC: “Eles são mais potentes e têm uma amplitude maior do que qualquer anticorpo natural jamais descoberto”.
Os melhores anticorpos de ocorrência natural atingirão a maioria das cepas de HIV. “Estamos alcançando cobertura de 99%, mesmo em concentrações muito baixas na injeção”, disse o Dr. Nabel.
Experimentos realizados em 24 macacos mostraram que nenhum dos que receberam o anticorpo tri-específico desenvolveram infecção quando, mais tarde, foram tratados com a dose do vírus. “Verificamos um grau de proteção impressionante”, afirmou.

O trabalho incluiu cientistas da Harvard Medical School, do The Scripps Research Institute e do Massachusetts Institute of Technology.

“Avanço encorajador”

Ensaios clínicos para testar o anticorpo em seres humanos terão início no próximo ano.
A professora Linda-Gail Bekker, presidente da International Aids Society, informou à BBC: “Este artigo traz um avanço encorajador. Esses anticorpos super projetados parecem ir além da proteção natural e podem ter mais aplicações do que imaginamos até o momento. Ainda é cedo, e espero que os primeiros ensaios tenham início já em 2018. Como médica que atua na África, sinto a urgência de confirmar essas descobertas nas pessoas o mais rápido possível”.
O Dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, disse que esta se trata de uma abordagem intrigante.
Ele acrescentou: “As combinações de anticorpos que que se ligam de forma diferente ao HIV podem superar as defesas do vírus no esforço para conseguir um tratamento e prevenção efetivos baseados em anticorpos”. [BBC]

13.045 – Biologia – Os Anticorpos


anticorpos
Também conhecidos como imunoglobulinas (Ig) ou gamaglobulinas, são glicoproteínas sintetizadas pelos linfócitos B, utilizadas pelo sistema imunológico para identificar e neutralizar os antígenos. Eles podem se apresentar em duas formas: secretados pelos plasmócitos (B maduro), estando solúvel na corrente sanguínea; ou ligados à membrana de B, conferindo especificidade antigênica à célula.
Estruturalmente, os anticorpos são compostos por duas cadeias leves idênticas e de duas cadeias pesadas, também idênticas. As cadeias leves se ligam às cadeias pesadas através de pontes dissulfetos, que variam em quantidade e posições entre as diferentes classes de anticorpos. Além disso, ambas as cadeias possuem uma região variável e outra constante. O domínio variável confere especificidade ao anticorpo.
As moléculas de anticorpos podem ser digeridas por enzimas. Quando a digestão é feita pela papaína obtém-se dois fragmentos chamados Fab (fragmento ligante de antígeno), e um fragmento denominado Fc (fragmento cristalizável). Quando a digestão é feita pela pepsina, é produzido um fragmento chamado de Fab2, onde os dois braços do anticorpo permanecem unidos, e o restante é clivado em vários fragmentos menores.
A interação antígeno-anticorpo ocorre envolvendo sítios combinatórios, nos quais a interação é estabilizada por ligações não-covalentes, através da qual acontece a complementariedade entre o epítopo antigênico e o sítio de ligação do anticorpo.
As moléculas de anticorpo são subdivididas em classes de imunoglobulinas definidas pelos domínios constantes de suas cadeias pesadas. As cadeias pesadas são representadas pelas letras gregas μ, γ, α, δ, ε, e as imunoglobulinas são denominadas de IgM, IgG, IgA, IgD e IgE respectivamente. As diferentes classes se diferenciam-se entre si também por suas propriedades biológicas, localizações funcionais e mecanismos diferentes para a retirada de antígenos do organismo.
A IgM é a principal imunoglobulina da resposta primária aos antígenos, sendo a primeira classe a elevar-se na fase aguda dos processos imunológicos. Pode ser expressa na membrana dos linfócitos B durante o desenvolvimento deste, apresentando-se na forma monomérica e funcionando como receptor. Sua forma secretada é produzida antes da maturação dos linfócitos B e por isso tem baixa afinidade com os antígenos. Quando secretados formam pentâmeros, unidos pela cadeia J (juncional), conferindo mais eficiência à resposta imune. O mecanismo efetor da IgM é o desencadeamento do sistema complemento.
A IgG é a imunoglobulina mais abundante no sangue e nos espaços extravasculares. É o anticorpo mais importante da resposta imune secundária. Possui alta afinidade para ligação antígeno-específico. Seus mecanismos efetores são a aglutinação; opsonização (revestimento da superfície do antígeno permitindo o seu reconhecimento e fagositose pelas células do sistema imune); ativação da via clássica do sistema do complemento; neutralização de toxinas; citotoxicidade dependente de anticorpos mediada por células (para lise da célula antigênica). As IgG’s podem também estar associadas às reações de hipersensibilidade do tipo II e tipo III. Existem 4 subclasses de IgG, todas baseadas nas diferenças de suas cadeias pesadas γ (IgG1, IgG2, IgG3 e IgG4). Em humanos, as moléculas de IgG de todas as subclasses atravessam a barreira placentária e conferem um alto grau de imunidade passiva ao feto e ao recém-nascido.
A IgA é a principal imunoglobulina encontrada nas secreções exócrinas como saliva, lágrima e mucos dos tratos respiratório, genitourinário e digestivo. Confere a imunidade passiva da mãe para o filho, através da amamentação. Previnem a invasão de microrganismos e a penetração de toxinas nas células epiteliais. Pode ser encontrada na forma monomérica, dimérica, trimérica ou tetramérica. Existem duas subclasses de IgA que são a IgA1 e IgA2.
A IgD é co-expressa com a IgM na superfície dos linfócitos B maduros. A presença desta imunoglobulina na membrana dos linfócitos B sinaliza que estes migraram da medula óssea para os tecidos linfóides periféricos e estão ativos. Em pesquisas recentes, as IgD’s foram encontradas ligadas a basófilos e mastócitos, induzindo-os a produzir fatores antimicrobianos para a defesa do trato respiratório.
A IgE é uma imunoglobulina de resposta imune secundária normalmente relacionada à defesa contra verminoses e protozooses, e também, fenômenos alérgicos e reações anafiláticas. A resposta alérgica mediada por IgE acontece através de sua ligação aos receptores presentes nas superfícies de mastócitos e basófilos.

Anticorpos monoclonais
Os anticorpos monoclonais são anticorpos produzidos em laboratório especializado e possuem especificidade para somente um determinado epítopo do antígeno. Esta característica distingue os anticorpos monoclonais dos policlonais (produzidos no organismo), que produzem diversas imunoglobulinas para responder a epítopos distintos de uma mesma molécula antigênica. Por serem mais específicos, os monoclonais geram respostas mais confiáveis para testes diagnósticos.

13.033 – Bill Gates vai investir US$ 140 milhões em implante que pode prevenir o HIV


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A fundação de Bill Gates vai investir US$ 140 milhões em um implante que pode prevenir o HIV. O projeto, desenvolvido em parceria com uma empresa chamada Intarcia Therapeutics, é de um implante que entrega, em intervalos de seis e 12 meses, medicamentos anti-HIV, que funcionam como uma espécie de tratamento pré-exposição em locais de risco.
Um medicamento semelhante está sendo testado para pacientes com diabetes tipo 2.
Segundo a fundação, em locais como a África subsaariana, onde o vírus continua a se espalhar, o dispositivo pode ajudar a conter a epidemia, evitando que as pessoas contraiam a doença. O custo, no entanto, ainda é uma das preocupações, já que é possível que um implante do tipo não seja algo barato.
A chamada “bomba anti-HIV”, por enquanto, está em fase de testes.

12.764 – Vacina contra esquistossomose feita no Brasil terá teste decisivo no Senegal


vacina grafico
Pesquisadores do Brasil, do Senegal e da França estão começando um teste decisivo de sua vacina contra a esquistossomose, doença causada por vermes que coloca em risco a saúde de 200 milhões de pessoas mundo afora.
Cerca de 350 voluntários que vivem em regiões fortemente afetadas pelos parasitas devem receber a imunização, após uma avaliação inicial que indicou que a vacina é capaz de estimular o organismo a enfrentar os invasores.
Para os cientistas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro, a chamada fase 2 dos testes clínicos da vacina, cujo objetivo é testar sua eficácia num grupo relativamente grande de pessoas, tem um sabor especial.
Faz 30 anos que o principal ingrediente da fórmula começou a ser estudado por eles, e é a primeira vez no mundo que uma vacina contra um verme –e não contra um vírus ou uma bactéria, como é usual– avança tão longe no árduo processo que antecede a liberação comercial para uso em seres humanos.
O objetivo da vacina é cortar essa dificuldade pela raiz fazendo o que as vacinas fazem de melhor: gerando imunidade contra o parasita antes mesmo que ele entre em contato com o organismo humano. Foi com esse propósito que eles identificaram a proteína Sm14 (“Sm” é a sigla de Schistosoma mansoni, a espécie de verme causador da doença que é prevalente no Brasil). Presente na superfície do verme, ela serve para que ele obtenha lipídios (moléculas de gordura) do hospedeiro humano.
A vacina contendo a Sm14 faz com que o organismo das pessoas vacinadas produza anticorpos (moléculas de defesa) que atuam especificamente contra a presença do S. mansoni, bem como células especializadas em proteger o corpo da invasão, conforme revelaram testes com 20 voluntários sadios recrutados no Rio de Janeiro.
Outro ingrediente importante da vacina é o adjuvante conhecido como GLA, originalmente derivado de bactérias, que faz com que a reação do sistema de defesa do organismo seja ainda mais robusta.
Ao longo de décadas de pesquisa, a equipe da Fiocruz descobriu que a Sm14 é capaz de produzir imunidade para diversas espécies de vermes que parasitam a região intestinal aparentados ao S. mansoni.
Isso permitiu que a descoberta também levasse à criação de uma vacina para o gado, hoje em estágio avançado de desenvolvimento, e à possibilidade de testar a imunização no Senegal, em regiões onde há grande quantidade de casos de esquistossomose, causados por duas espécies diferentes de verme, o S. haematobium e o S. mansoni. Cada voluntário receberá três doses da vacina, com intervalos de um mês entre cada uma delas.
O teste clínico na África, que deve começar na segunda quinzena de setembro de 2016, será feito em parceria com a ONG “Espoir pour La Santé” (“Esperança para a Saúde”, em francês) e o Instituto Pasteur de Lille, na França. “Eles tinham uma estrutura muito boa para testar em campo uma molécula deles, que acabou não funcionando. Mas a estrutura ficou, tínhamos um contato bom com eles, que se empolgaram para nos ajudar”, conta Miriam.
A Fiocruz também está negociando a realização de outro braço da fase 2 numa região do Nordeste, área do país em que ainda há focos endêmicos da moléstia (os novos casos no país hoje são relativamente raros, chegando a pouco menos de 30 mil no ano passado).
Outra parceria crucial envolve a empresa Orygen Biotecnologia, que participará das etapas finais de desenvolvimento e de produção da vacina. “Nossa intenção é mudar o rumo do desenvolvimento de tecnologias contra as doenças parasitárias, que hoje não são um grande mercado comercial, não despertam um grande interesse da indústria. Estamos tentando inverter essa lógica, com um país endêmico desenvolvendo essa tecnologia para ajudar outros países endêmicos”, resume Miriam.

12.691 -Proteína-chave pode acelerar produção de vacina contra zika


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Pesquisadores americanos decifraram uma proteína-chave produzida pelo vírus da zika que o ajuda a se reproduzir no corpo de pessoas infectadas e interage com o sistema imunológico do paciente.
A descoberta pode acelerar a produção de uma vacina, afirma Janet Smith, da Universidade de Michigan, líder do estudo publicado na revista “Nature Structural and Molecular Biology”.
Segundo a pesquisadora, agora que a estrutura da NS1 é conhecida por completo, cientistas poderão avaliar qual parte da proteína pode ser usada com maior eficiência na produção de uma vacina contra o vírus. A NS1 pode ser usada ainda para melhorar o diagnóstico –o zika, do gênero dos flavivírus, é muitas vezes confundido com o vírus da dengue em testes de laboratório.
Além do Aedes aegypti, o pernilongo comum também transmite o vírus da zika, que pode causar microcefalia congênita e síndrome de Guillain-Barré. Até o momento, 1.709 casos de microcefalia foram confirmados no Brasil, segundo informações do Ministério da Saúde. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que a infecção pelo vírus da zika foi registrada em pelo menos 60 países.
A NS1 é conhecida dos pesquisadores: além da zika, ela também é produzida por outros flavivírus, como dengue, febre amarela e febre do Nilo Ocidental. “Mas a proteína tem muitas funções que ainda não são bem compreendidas”, comenta Smith, que se dedica ao estudo da molécula há mais dez anos.
Já se sabe que a NS1 participa ativamente das infecções virais. Dentro das células infectadas, ela ajuda a fazer cópias do vírus e contaminar outras células. Pesquisadores afirmam que as células doentes escondem “pacotes” da proteína na corrente sanguínea do infectado, e um nível mais elevado de NS1 estaria associado à manifestação de doenças mais graves.
O grupo passou anos tentando isolar a proteína em sua forma pura. Em 2013, pesquisadores conseguiram esse feito para os vírus da dengue e da febre do Nilo Ocidental. Na ocasião, os cientistas usaram um método conhecido como cristalografia, que estuda a matéria numa escala atômica, para visualizar a proteína em 3D. “Quando a crise causada pela infecção pela zika surgiu, colocamos como meta determinar a estrutura 3D da proteína NS1 do zika”, contou Smith.
O vírus da zika circula em vários continentes há alguns anos, mas se tornou uma emergência internacional após a infecção pelo vírus ser associada a doenças graves, como microcefalia em recém-nascidos e síndrome de Guillain-Barré. Até o momento, não existe uma vacina contra o vírus. Em todo o mundo, pesquisadores e empresas correm contra o tempo para atingir resultados confiáveis e iniciar testes clínicos.
A situação de alerta fez com que a colaboração entre pesquisadores aumentasse, avalia Smith. “Por isso, deveremos fazer um progresso mais rápido que o usual no sentido de entender os perigos e opções de tratamento”, comenta. A pesquisadora ressalta que a experiência acumulada no combate a outras epidemias que causaram muitas mortes, como Sars (Síndrome Respiratória Aguda Severa) e ebola, trouxe mudanças.

12.626 – Vacina de DNA contra zika consegue bons resultados em camundongos


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Uma nova vacina de DNA conseguiu eficácia de 100% de imunização em camundongos contra a infecção por vírus da zika.
A cepa utilizada nos experimentos foi isolada de casos da doença do Nordeste do Brasil em 2015 e foi produzida pela USP. Os resultados foram publicados pela revista “Nature”.
Os cientistas (a maioria, americanos) testaram em camundongos a nova vacina, composta por DNA recombinante – produzido em laboratório com o auxílio de microrganismos – que contém as instruções para fabricação de proteínas da estrutura do vírus da zika.
Em uma vacina convencional é injetado o vírus ou pedaços dele. Ao encontrar os invasores (antígenos), o organismo produz anticorpos e mobiliza as células de defesa. O sistema imune passa a ter uma postura de prontidão contra a infecção “pra valer”.
Na vacina de DNA, a produção desses antígenos (pedaços dos invasores) é feita pelas células do organismo, como as fibras musculares. A partir daí, a resposta é semelhante à das vacinas virais.
“O problema é que pode ser difícil controlar a quantidade de antígeno ‘fabricado’ e o tempo de produção, o que pode dificultar a imunização”. Outra desvantagem é que pode surgir tolerância aos antígenos produzidos e até câncer, por causa da inserção do novo DNA no genoma
Nos ensaios, a imunização dos camundongos durou pelo menos 8 semanas e foi completa para os animais que receberam uma versão “inteira” do DNA responsável por fazer proteínas do envelope e da membrana do vírus.
Os pesquisadores afirmam que uma vacina de DNA para testes em humanos poderia ser facilmente obtida.
Os cientistas também testaram uma versão de vírus inativado (morto) da vacina. No caso, a cepa foi obtida em Porto Rico. Os camundongos obtiveram mais proteção quando vacinados pela via intramuscular, em comparação à via subcutânea.

12.609 – Com parceria com EUA, Butantan pode testar vacina contra zika em 2017


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O Instituto Butantan fechou uma parceria com o governo dos Estados Unidos e com a OMS (Organização Mundial da Saúde) para desenvolver uma vacina contra o vírus da zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. A expectativa, segundo o instituto, é que a vacina possa ser testada em humanos já no primeiro semestre de 2017.
O instituto receberá US$ 3 milhões (cerca de R$ 44,1 milhões) da Autoridade de Desenvolvimento e Pesquisa Biomédica Avançada (Barda, na sigla em inglês), órgão do Ministério da Saúde americano para as pesquisas de uma vacina da zika com o vírus inativado.
O repasse financeiro se dará por meio de acordo entre a Barda e a OMS para a expansão da capacidade de pesquisa e produção de vacinas no Brasil. De acordo com a Secretaria do Estado da Saúde, os recursos serão investidos em equipamentos e insumos para o desenvolvimento da vacina contra a doença. O acordo também prevê cooperação técnica entre os especialistas em vacinas da Barda e os pesquisadores do instituto.
Atualmente, pesquisadores do Butantan já trabalharam no processo de cultura, purificação e inativação do vírus em laboratório. Na fase atual, a instituição vai aplicar o vírus inativado em roedores. Os próximos passos envolvem testes de toxidade do produto em animais e análise de uma área industrial para a produção do imunobiológico.

MICROCEFALIA
O Ministério da Saúde divulgou novo boletim no qual o Brasil já registra 1.616 casos confirmados de bebês com microcefalia, quadro geralmente associado à ocorrência de uma má-formação no cérebro durante a gestação.
Desde outubro, quando o aumento de casos de microcefalia começou a ser investigado no país, até 18 de junho, data dos dados mais recentes disponíveis, já foram notificados 8.049 casos de bebês com suspeita da má-formação. O alerta ocorre quando o perímetro da cabeça do bebê é menor do que o esperado. Destes, 62,5% já passaram por exames para confirmar ou descartar o quadro.

INFLAMAÇÃO INTRAOCULAR
Além dos casos de microcefalia associados ao vírus, pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto publicaram a primeira descrição de uma inflamação intraocular em adultos causada pelo vírus.
Até então, acreditava-se que o vírus adquirido causasse apenas conjuntivite, que é uma inflamação da parte mais superficial do olho, e que somente a zika congênita (aquela que acomete bebês infectados na barriga da mãe) pudesse gerar lesões oculares mais graves.
Essa também é a primeira vez que o material genético do vírus foi isolado a partir de amostras de líquido de dentro do olho, o chamado humor aquoso, que fica na câmara anterior do órgão.

12.547 – “Vacina universal” contra o câncer passa pelos primeiros testes


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Cientistas alemães deram um grande passo no sentido de desenvolver a primeira “vacina universal” contra o câncer.
Os resultados de testes preliminares em humanos, junto com a pesquisa em ratos, foram publicados recentemente na revista Nature e sugerem que a nova técnica poderia ser usada para ativar o sistema imunológico de pacientes contra qualquer tipo de tumor.

Como funciona
Ao contrário das vacinas com as quais estamos familiarizados, esta seria dada aos pacientes que já têm câncer, em vez de pessoas em risco de adquiri-lo.
Ela funciona basicamente atirando minúsculos “dardos” contendo pedaços de RNA extraídos de células cancerosas do próprio paciente, convencendo o sistema imunitário do doente a lançar um ataque sobre quaisquer tumores que atravessarem seu caminho.
Manipulando o RNA dentro desses dardos, a equipe pode, em teoria, mobilizar o sistema imunitário contra qualquer tipo de câncer. É isso que torna a vacina universal.
“Essas vacinas são rápidas e baratas de produzir, e praticamente qualquer antígeno tumoral pode ser codificado por RNA”, escreveu a equipe do estudo, liderada por pesquisadores da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, na Alemanha, na revista Nature.
Imunoterapia, que envolve o uso do próprio sistema imunológico do paciente para atacar o tumor, não é nenhuma novidade. Outros pesquisadores já utilizaram essa abordagem contra diferentes tipos de câncer com bons resultados.
Porém, até agora, os pesquisadores têm usado principalmente engenharia genética, manipulando células imunológicas em laboratório e depois injetando-as de volta no paciente, o que é um processo demorado e caro.
Já a nova técnica introduz o DNA do câncer nas células imunes dentro do corpo, o que é muito menos invasivo. Isso também significa que a vacina pode ser ajustada para caçar uma gama maior de tipos de câncer.
Por que o sistema imunológico não mata naturalmente esses tipos de câncer?
Uma das razões é que as células cancerosas são semelhantes em muitos aspectos às células normais e o sistema imunológico evita atacá-las.
Isso significa que, quando você desenvolve uma “vacina”, precisa usar um antígeno – uma molécula estrangeira. Respostas imunes fortes podem ser esperadas apenas quando as células cancerígenas expressam antígenos que não são normalmente expressos em células adultas normais.
É este tipo de antígeno específico que a nova vacina é projetada para fornecer. Funciona revestindo com uma membrana de ácido gordo simples o RNA do câncer, dando-lhe uma carga ligeiramente negativa.
Uma vez que a vacina é injetada num paciente, é atraída através de carga elétrica para as células dendríticas imunes no baço, nódulos linfáticos e medula óssea.
Estas células dendríticas, em seguida, “mostram” o RNA do câncer para as células T (as que combatem a doença) do organismo, indicando que esses são os intrusos que elas precisam exterminar em massa.
Foi exatamente isso que foi visto nas primeiras pesquisas da equipe alemã com ratos. Quando injetados com a vacina, os sistemas imunitários dos animais foram capazes de combater tumores agressivos.
Claro, muitos resultados em ratos não se traduzem para os seres humanos, por isso não podemos ficar muito animados ainda.
No entanto, a equipe também já avaliou uma versão da vacina em três pacientes com melanoma. A meta era apenas testar se a vacina era segura para utilização em humanos, não verificar se ela era eficaz.
Até agora, os resultados foram promissores. Os efeitos secundários foram limitados a sintomas semelhantes aos da gripe, o que é melhor do que a maioria dos tratamentos que usam quimioterapia.
A equipe precisa esperar um ano para o acompanhamento dos resultados deste ensaio clínico de segurança. Se tudo correr bem, os pesquisadores iniciarão um ensaio clínico maior para ver se a vacina realmente funciona.
Embora ainda seja cedo, temos mais uma razão para nos sentir esperançosos sobre o futuro do tratamento do câncer.

12.264 – Corrida por vacina contra vírus da zika movimenta laboratórios pelo mundo


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Ainda há alguns lapsos na investigação sobre o vírus da zika, como a comprovação de que ele de fato causa microcefalia em bebês, mas a corrida por uma vacina já movimenta laboratórios e farmacêuticas pelo mundo. A OMS (Organização Mundial da Saúde) relata que existem ao menos 15 iniciativas para desenvolver a vacina.
O processo, porém, ainda tem que percorrer um longo caminho. Não teremos tanta sorte quanto no caso da epidemia causada pelo vírus H1N1 em 2009 –a vacina ficou pronta apenas seis meses após a identificação do vírus.
“A tecnologia já estava incorporada, e o método de inativação do vírus, bem estabelecido. Havia fábricas produzindo vacina contra gripe em várias partes do mundo”, relata Esper Kallas, infectologista da USP e responsável pelos testes em humanos da vacina contra a dengue da colaboração entre os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), USP e Instituto Butantan.
Para fazer a vacina da zika, saem na frente os grupos que já desenvolveram, ainda que experimentalmente, vacinas contra outros vírus da mesma família do zika (a dos flavivírus), como os que causam dengue, febre amarela e encefalite japonesa.
Já se tem ideia de como é a epidemiologia e o padrão de espalhamento dessas arboviroses (transmitidas por artrópodes, como o Aedes aegypti ). Também será mais fácil estimar quantas pessoas devem participar dos testes e o que esperar de efeitos colaterais.
A francesa Sanofi, primeira a obter licença para vender uma vacina contra dengue, já divulgou sua intenção de entrar na corrida imunológica.

12.099 – Mega Mitos Sobre Vacinas


VACINA

Vacinas causam autismo.
O estudo que propôs essa ligação já foi há muito desbancado pela comunidade médica e hoje é tido como uma das maiores fraudes da história da medicina. Milhares de crianças foram submetidas a testes e nenhuma ligação entre autismo e vacinas foi encontrada.

Vacinas proporcionam 100% de proteção.
As vacinas com a maior taxa de proteção chegam a cerca de 95% de efetividade, e não mais do que isso.

As crianças recebem mais vacinas do que seu sistema imunológico pode aguentar.
O sistema imunológico de uma criança é capaz de responder a cerca de 100 bilhões de antígenos ao mesmo tempo. A vacina tríplice viral, por exemplo, contém 24 antígenos.

Como a maioria das doenças evitáveis por vacinas está sumindo, as vacinas não são mais necessárias.
Graças à chamada imunidade de rebanho (entenda nas ilustrações), algumas doenças necessitam de um nível de vacinação alto para que não se espalhem. O sarampo, por exemplo, precisa que 95% da população seja imunizada para que não se propague.

Vacinas enfraquecem o sistema imunológico.
As vacinas são desenvolvidas para fortalecer o sistema imunológico, e não o contrário.

Vacinas são 100% seguras.
Nada na medicina é 100% seguro. Até o mais inofensivo dos medicamentos pode causar efeitos colaterais. A maior parte deles, no caso das vacinas, são brandos. Mas isso não é regra.
A imunidade conferida pela contração da doença é melhor do que a imunidade vacinal.
Apesar da imunidade conferida pela doença ser, de fato, mais “potente”, os riscos que se corre contraindo-a são bem maiores que os possíveis riscos de uma vacina.

12.043 – Imunologia – A Vacina Antitetânica


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A vacina do tétano, também conhecida como vacina antitetânica, serve para prevenir complicações causadas pelo tétano e está inserida no plano de vacinação, sendo gratuita.
Normalmente a vacina do tétano é dividida em 3 doses e a primeira deve ser tomada durante a infância, a segunda, 1 mês depois da primeira e a terceira, 6 meses após a segunda. Depois disso, a vacina deve ser reforçada a cada 10 anos.
Após ferimento com alto risco de tétano em indivíduos que tomaram a vacina há mais de 5 anos, é recomendado fazer uma nova dose da vacina. Já nos indivíduos que nunca fizeram a vacinação ou que desenvolveram a doença, devem ser feitas as 3 doses iniciais.
Reações da vacina do tétano

As reações da vacina do tétano incluem:
Dor e vermelhidão no local da injeção;
Nódulo na pele;
Sonolência;
Febre nas primeiras 72 horas.
Para reduzir os sintomas da vacina do tétano deve-se tomar Paracetamol nos primeiros 3 dias, conforme indicação do médico, e aplicar uma compressa gelada sobre a o local da injeção.

Vacina do tétano na gravidez
A vacina do tétano na gravidez é segura e deve ser feita, principalmente na gestante que nunca foi vacinada, pois ajuda a produzir anticorpos que serão transmitidos para o feto, evitando casos de tétano neonatal.
Assim, a mulher que nunca foi vacinada contra o tétano deve fazer as 3 doses da vacina do tétano na gestação, até 2 semanas antes do parto, para ter tempo de produzir anticorpos.

12.042 – Vacina contra a dengue está na última fase de testes


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Só no primeiro trimestre de 2015 foram registrados 460,5 mil casos de dengue no Brasil. Em relação ao mesmo período do ano passado, esse número representa um aumento de 240%. Entre as iniciativas que buscam criar uma vacina para a doença, está a do laboratório francês Sanofi Pasteur, criador da Dengvaxia, que age contra os quatro tipos da doença. Atualmente, a Dengvaxia é a que está mais próxima de ser liberada no Brasil, mas existem outras pesquisas sendo realizadas. O Instituto Butantan, por exemplo, está começando a terceira fase dos testes clínicos, que é a última necessária para o registro do produto final. Essa etapa, que já foi concluída pela Sanofi, é a mais complicada, porque nela a eficácia da vacina tem que ser comprovada. A Fundação Oswaldo Cruz também procura uma solução para o problema da dengue, com o apoio do Ministério da Saúde.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) já aprovou a vacina, que agora passa por avaliação da Anvisa. O órgão não estipulou um prazo para resposta. Falando sobre todas as vacinas em desenvolvimento, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que é provavel que pelo menos uma delas comece a ser comercializada em 2018, “se tudo der certo na pesquisa”

Sobre a vacina da Sanofi, a bioquímica Maria Sueli Felipe, relatora do processo na CTNBio, diz: “A vacina traz um vírus atenuado, para não provocar a doença e sim uma resposta imunizante, e, para isso nós demos o ok, ela é segura”. O imunizante usa o vírus da febre amarela, que é modificado geneticamente. Assim, ele é atenuado, provocando a produção de anticorpos para a dengue, e não a doença em si.

O laboratório francês promete eficácia de 60,8%, contra todos os tipos da doença. Os casos graves supostamente diminuem em 95,5% e a hospitalização em 80,3%. A vacina age melhor em pessoas com mais de nove anos de idade, mas em tese também pode ser tomada por crianças. A técnica de atenuação do vírus também é utilizada na vacina que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan. Seus criadores afirmam que ela só precisa de uma aplicação para ser eficaz. A da Sanofi requer três doses, com seis meses entre cada.