7182 – Psiquiatria – O que é o TOC?


TOC, ou transtorno obsessivo-compulsivo, é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade descrito no “Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais” da Associação de Psiquiatria Americana, que se caracteriza pela presença de crises recorrentes de obsessões e compulsões.
Entende-se por obsessão pensamentos, idéias e imagens que invadem a pessoa insistentemente, sem que ela queira. Como um disco riscado que se põe a repetir sempre o mesmo ponto da gravação, eles ficam patinando dentro da cabeça e o único jeito para livrar-se deles por algum tempo é realizar o ritual próprio da compulsão, seguindo regras e etapas rígidas e pré-estabelecidas que ajudam a aliviar a ansiedade. Alguns portadores dessa desordem acham que, se não agirem assim, algo terrível pode acontecer-lhes. No entanto, a ocorrência dos pensamentos obsessivos tende a agravar-se à medida que são realizados os rituais e pode transformar-se num obstáculo não só para a rotina diária da pessoa como para a vida da família inteira.

Existem dois tipos de TOC:
Transtorno obsessivo-compulsivo subclínico – as obsessões e rituais se repetem com frequência, mas não atrapalham a vida da pessoa;
Transtorno obsessivo-compulsivo propriamente dito: as obsessões persistem até o exercício da compulsão que alivia a ansiedade.
As causas do TOC não estão bem esclarecidas. Certamente, trata-se de um problema multifatorial. Estudos sugerem a existência de alterações na comunicação entre determinadas zonas cerebrais que utilizam a serotonina. Fatores psicológicos e histórico familiar também estão entre as possíveis causas desse distúrbio de ansiedade.
Em algumas situações, todas as pessoas podem manifestar rituais compulsivos que não caracterizam o TOC. O principal sintoma da doença é a presença de pensamentos obsessivos que levam à realização de um ritual compulsivo para aplacar a ansiedade que toma conta da pessoa.
Preocupação excessiva com limpeza e higiene pessoal, dificuldade para pronunciar certas palavras, indecisão diante de situações corriqueiras por medo que uma escolha errada possa desencadear alguma desgraça, pensamentos agressivos relacionados com morte, acidentes ou doenças são exemplos de sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo.
O tratamento pode ser medicamentoso e não medicamentoso. O medicamentoso utiliza antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina. São os únicos que funcionam.
A terapia cognitivo-comportamental é uma abordagem não medicamentosa com comprovada eficácia sobre a doença. Seu princípio básico é expor a pessoa à situação que gera ansiedade, começando pelos sintomas mais brandos. Os resultados costumam ser melhores quando se associam os dois tipos de abordagem terapêutica.
É sempre importante esclarecer o paciente e sua família sobre as características da doença. Quanto mais a par estiverem do problema, melhor funcionará o tratamento.

7181 – Acidentes – O Afogamento


É a quarta causa de morte acidental em adultos e a terceira em crianças e adolescentes de todo o mundo. No Brasil, as características do clima, a vasta rede hidrográfica e o tamanho do litoral representam fatores de risco importantes para os afogamentos.
Segundo dados levantados pela Secretária da Saúde paulista, em 2010, só no Estado de São Paulo foram registradas 931 mortes por afogamento.
O afogamento ocorre, em geral, por asfixia em virtude da aspiração de líquido,
que obstrui as vias aéreas e é responsável por alterações nas trocas gasosas, que levam à hipoxemia (insuficiência das taxas de oxigênio no sangue) e acidose metabólica.
A asfixia pode ser provocada inicialmente por laringoespasmo, quando a pessoa, diante de uma situação de afogamento, prende a respiração e debate-se de maneira descoordenada até que, não conseguindo permanecer sem respirar, involuntariamente aspira grande quantidade de água e encharca os pulmões. Em 10% a 15% dos casos de afogamento, o espasmo é tão violento que impede a entrada não só de água, mas também de ar e a morte ocorre em poucos minutos.
Afogamento primário – é considerado um trauma provocado por uma situação inesperada que foge ao controle da pessoa. Sabendo ou não nadar, ela pode ser arrastada pela correnteza, por exemplo;
Afogamento secundário – ocorre como consequência do consumo de drogas, especialmente de álcool (o álcool é a principal causa de morte por afogamento em adultos), crises agudas de doenças, como infarto do miocárdio, AVC e convulsões. Pode ocorrer também em razão de traumatismos cranianos e de coluna decorrentes de mergulho em águas rasas, hiperventilação voluntária antes dos mergulhos livres, doença da descompressão nos mergulhos profundos, hipotermia e exaustão.
É importante considerar como causa de afogamento secundário a “síndrome de imersão”, popularmente conhecida como choque térmico. Ela pode ser desencadeada pela imersão em água com temperatura muito abaixo da temperatura do corpo da pessoa que mergulha.
Algumas pesquisas revelam que o risco de desenvolver essa síndrome diminui se, antes de entrar na água, a pessoa molhar a face, a nuca e a cabeça.
Os sintomas variam de acordo com a gravidade do caso, e estão associados ao tempo de submersão, à temperatura da água, ao volume ingerido e ao comprometimento pulmonar. O paciente pode perder a consciência ou não. Quando consciente, dá sinais de agitação.
Náuseas, vômitos, distensão abdominal, dor de cabeça e no peito, hipotermia, espuma rosada na boca e no nariz indicativa de edema pulmonar, sibilos, queda da pressão arterial, apneia e parada cardiorrespiratória são outros sintomas possíveis.
Alguns cuidados são fundamentais para diminuir o risco de afogamentos. O primeiro é evitar o consumo de bebidas alcoólicas antes de entrar na água. O outro é não perder as crianças de vista nos ambientes em que há água por perto. Especialmente aquelas que não sabem nadar, devem usar boias e coletes salva-vidas o tempo todo. O acesso a piscinas em residências e clubes deve ser dificultado pela colocação de grades.
É indispensável que, tão logo atinjam a idade conveniente, as crianças aprendam a nadar.
Os afogamentos podem ser classificados clinicamente em diferentes graus segundo a condição de insuficiência respiratória e, em geral, exigem internação hospitalar. No entanto, as manobras de recuperação cardiorrespiratória (RCR) ou cardiopulmonar (RCP) para combater a hipoxemia (insuficiência de oxigênio no sangue) devem começar imediatamente no local do acidente, porque são essenciais para a recuperação e sobrevida do paciente. Logo depois do resgate, portanto, é fundamental retirar as roupas molhadas da vítima, elevar sua temperatura corporal se apresentar hipotermia, proteger a coluna cervical quando houver suspeita de lesão e iniciar a respiração boca a boca.
No hospital, as medidas terapêuticas se voltarão para manter em boas condições o sistema respiratório e o suporte cardiovascular, a fim de evitar lesões cerebrais por hipóxia que podem ser irreversíveis.

Precauções
* Seja razoável e valha-se do seu bom senso, mesmo que saiba nadar bem. Não entre na água se tiver exagerado um pouco nas bebidas alcoólicas, não mergulhe em águas cuja profundidade desconhece, nem se aventure em mergulhos solitários e à noite;

* Lembre-se de que crianças exigem cuidados redobrados, mesmo quando estiverem com boias, próximas de pessoas conhecidas e num ambiente que lhes é familiar. É imperativo também que, tão logo atinjam a idade conveniente, sejam ensinadas a nadar;

* Não tente segurar uma pessoa que está se afogando. No desespero, ela pode arrastar você e colocar sua vida em risco. Ofereça-lhe um objeto que possa ajudá-la a flutuar e sair da água. Chame os bombeiros, tão logo seja possível, que têm treinamento especializado nesse tipo de salvamento.

7180 – Planeta Terra – Nasa desmente ‘fim do mundo’ e alerta sobre suicídios


Após receber uma enxurrada de cartas de pessoas seriamente preocupadas com teorias que preveem o fim do mundo no dia 21 de dezembro de 2012, a agência espacial americana (Nasa) resolveu “desmentir” esses rumores na internet.
A Nasa fez uma conferência online com a participação de diversos cientistas. Além disso, também criou uma seção em seu website para desmentir que haja indícios de que um fim do mundo esteja próximo.
Segundo o astrobiologista David Morrison, do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, muitas das cartas expondo preocupações com as teorias apocalípticas são enviadas por jovens e crianças.
Alguns dizem até pensar em suicídio, de acordo com o cientista, que também mencionou um caso, reportado por um professor, de um casal que teria manifestado intenção de matar os filhos para que eles não presenciassem o apocalipse.

O Calendário Maia
Um desses rumores difundidos pela internet justifica a crença de que o mundo acabará no dia 21 dizendo que essa seria a última data do calendário da civilização maia.
Outro rumor tem origens em textos do escritor Zecharia Sitchi dos anos 70. Segundo tais teorias, documentos da civilização Suméria, que povoou a Mesopotâmia, preveriam que um planeta se chocaria com a Terra. Alguns chamam esse planeta de Nibiru. Outros de Planeta X.
“A data para esse suposto choque estava inicialmente prevista para maio de 2003, mas como nada aconteceu, o dia foi mudado para dezembro de 2012, para coincidir com o fim de um ciclo no antigo calendário maia”, diz o site da Nasa.
Sobre o fim do calendário maia, a Nasa esclarece que, da mesma forma que o tempo não para quando os “calendários de cozinha” chegam ao fim, no dia 31 de dezembro, não há motivo para pensar que com o calendário maia seria diferente – 21 de dezembro de 2012 também seria apenas o fim de um ciclo.
A agência espacial americana enfatiza que não há evidências de que os planetas do sistema solar “estejam se alinhando”, como dizem algumas teorias, e diz que, mesmo que se isso ocorresse, os efeitos sobre a Terra seriam irrelevantes. Também esclarece que não há indícios de que uma tempestade solar possa ocorrer no final de 2012 e muito menos de que haja um planeta em rota de colisão com a Terra.
“Não há base para essas afirmações”, diz. “Se Nibiru ou o Planeta X fossem reais e estivessem se deslocando em direção à Terra para colidir com o planeta em 2012, astrônomos já estariam conseguindo observá-lo há pelo menos uma década e agora ele já estaria visível a olho nu”, diz o site da Nasa.

7179 – Como é feita a leitura biométrica de íris e retina?


Com máquinas que produzem imagens dos olhos em altíssima resolução e comparam as informações com um banco de dados. Mas os processos de identificação são diferentes: a leitura da retina analisa a formação dos vasos sanguíneos que irrigam o fundo do olho, enquanto o da íris examina os anéis coloridos e pontos existentes em torno da pupila. Por ser mais complexa, a decodificação da íris é mais segura e usada em maior escala. A biometria começou a ganhar destaque no começo do século 19 devido ao uso de traços físicos na resolução de casos judiciais. Mas toda essa precisão sai cara: uma leitora de retina custa em média R$ 8 mil, e uma de íris, pelo menos R$ 4 mil.
Na identificação da retina, é registrado o desenho dos vasos sanguíneos dentro do olho. O indivíduo deve ficar imóvel e olhar, levemente arregalado, para a câmera da máquina de biometria, que emite, por cerca de cinco segundos, uma luz branca pulsada de baixa intensidade
Para a leitura da íris, que identifica pontos e anéis na faixa colorida do globo ocular, o processo dura apenas três segundos. A luz (que pode ser infravermelha, para que a pupila se dilate) faz um movimento vertical sobre o olho. A distância comum entre o olho e a câmera é entre 7,5 e 25 cm
A imagem capturada ganha uma representação matemática, decodificada por um algoritmo, para que o computador possa compará-la às outras do arquivo. Cada tipo de biometria tem um ou mais algoritmos – da retina são dois e, da íris, cinco. Todos eles são patenteados.
O sistema pode cruzar o resultado matemático com outro dado, como o RG, para identificar o indivíduo entre todos os cadastrados. Ou então usar apenas esse resultado para buscar a pessoa no arquivo. Sistemas avançados podem varrer 10 milhões de registros em apenas dois segundos

• Além dos olhos e das digitais, a biometria pode ser aplicada ao timbre da voz e até mesmo à escrita de uma pessoa

7178 – Por que o carro “suja” quando chove?


Ele já estava sujo antes de a chuva cair. Por causa da poluição, partículas de poeira grudam na lataria do carro – e nem sempre isso é visível. “A chuva espalha a poeira existente no carro e dissolve parte dela, formando gotas de água suja. Quando evapora, fica o resíduo de sujeira, que deixa o veículo todo marcado”, explica o Instituto de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A chuva também pode carregar impurezas ao passar por telhados ou árvores. “Se o ar da região for poluído, a água pode absorver contaminantes, como fuligens e gases dissolvidos que provocam a chuva ácida”, completa Amilcar Machulek Jr., do Departamento de Química da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

7177 – Quando um raio cai no mar, até onde vai a eletricidade?


Depende do raio. Estima-se que uma descarga de 50 mil ampères, por exemplo, já seja inofensiva a um banhista a 125 m do ponto de incidência. A intensidade da corrente diminui segundo o inverso do quadrado da distância. Logo, com o dobro da distância, cai para 1/4. Com o triplo, baixa para 1/9. E assim por diante. Por isso que, quando um raio cai em Copacabana, alguém em Ipanema não morre eletrocutado. O raio se comporta da mesma maneira no mar ou na terra. A diferença é que, como a corrente sempre procura se concentrar no meio mais condutor, no mar aberto ela se divide igualmente entre o nosso corpo e a água. Já em terra firme, ela sempre se concentra no nosso corpo – e aí os danos são maiores.
Uma pessoa nadando a até 50 m do ponto de incidência da descarga elétrica sofreria um choque de mais de 300 mA (miliampère). Resultado: um ataque cardíaco fulminante.
Entre 50 m e 85 m, a descarga elétrica diminui, podendo variar entre 300 e 100 mA. O nadador sofreria queimaduras, asfixia e, em alguns casos, uma parada cardíaca, mas poderia se salvar.
Entre 85 m e 125 m, a intensidade fica entre 100 e 50 mA. Não é suficiente para matar ninguém, mas apenas porque a descarga elétrica de um raio dura pouco – cerca de um milésimo de segundo. Uma descarga mais duradoura nessa mesma intensidade, como no choque de um chuveiro, poderia, sim, matar.
Acima dos 125 m de onde o raio caiu, uma pessoa no mar receberia uma descarga elétrica de menos de 50 mA. Ela sentiria o formigamento típico, mas sem riscos

ATENÇÃO!

Esses valores são só representativos. A ME aconselha: durante uma chuva com raios, sempre saia da água e procure um local seguro

• Raio é a descarga elétrica atmosférica. Relâmpago é a luz e trovão é o som.

7176 – Como uma semente evolui até virar árvore?


A semente – óvulo maduro e fecundado da planta – inicia o crescimento absorvendo água do solo e consumindo reservas próprias de nutrientes. Quando as primeiras folhas aparecem, a planta passa a gerar nutrientes pela fotossíntese, absorvendo água, luz e gás carbônico do ambiente. Árvore é o nome dado a vegetações lenhosas de grande porte, com mais de 3 metros de altura e formadas por raiz, caule, ramos e folhas. Elas são classificadas em angiospermas (quando dão flores e as sementes são protegidas por um fruto) e gimnospermas (plantas sem frutos e cujas sementes não têm proteção). Estima-se que existam cerca de 100 mil espécies de árvores, o que representa 25% de todos os organismos vegetais do planeta, atualmente.
Evaporação de água pelas folhas estimula a subida de minerais capturados pela raiz

A árvore começa a “nascer” quando ocorre a germinação e as três partes principais da semente entram em ação:

• O tegumento protege o conteúdo interno;

• O embrião é formado por microestruturas,como a radícula (ou raiz embrionária) e os cotilédones, que darão origem às primeiras folhas;

• O endosperma é um tecido de reserva nutricional

Sob condições favoráveis de água, temperatura e luz, o embrião deixa o estado de latência e começa a se desenvolver. A semente absorve água do solo e aumenta de volume. Esse crescimento faz a casca se romper e a radícula, estrutura que dá origem à raiz, alonga-se em direção ao solo.
O passo seguinte é o desenvolvimento da plântula, nome dado pelos botânicos à planta jovem, ainda incapaz de fazer fotossíntese. Nessa etapa, a raiz se alonga e se ramifica terra adentro para fixar a árvore ao solo

Quase ao mesmo tempo, desenvolvem-se as partes aéreas como o caule e os cotilédones. Também chamados de “primeiras folhas”, eles são ricos em nutrientes e “alimentam” a plântula na fase inicial de crescimento, quando ela ainda não tem folhas “verdadeiras”, capazes de realizar a fotossíntese

Na fotossíntese,a luz solar é absorvida pelos cloroplastos – microestruturas que armazenam clorofila, substância que dá cor verde às folhas. A clorofila e a energia solar transformam, por meio de reações químicas, a água captada pela raiz e o gás carbônico (CO2) retirado da atmosfera em glicose e outros nutrientes.
Pequenos poros das folhas se abrem para capturar CO2 e perdem água por evaporação. Para compensar a desidratação, a água absorvida pela raiz, rica em sais minerais como potássio, fósforo e nitrogênio, viaja até o alto da planta por um conjunto de tecidos e vasos chamado xilema

Enquanto o xilema leva água e minerais para as folhas, o floema distribui a seiva que “alimenta” toda a planta. A seiva é um líquido formado por açúcares, aminoácidos e ácidos orgânicos resultantes da fotossíntese

O engrossamento do tronco e dos galhos ocorre quando as células do câmbio vascular se multiplicam, gerando o xilema e o floema. As células mortas do xilema formam as fibras do cerne – tecido que sustenta a planta. A clorofila se acumula nos tecidos mais internos e o caule deixa de ser verde.

7175 – Quando o homem chegar a Marte, como ele vai voltar?


As duas agências espaciais que querem levar seres humanos ao planeta vermelho – a Nasa, dos Estados Unidos, e a ESA, de 17 países europeus – ainda procuram respostas para os problemas do retorno. Um dos principais é a enorme duração da viagem. “Uma missão tripulada a Marte deve levar cerca de mil dias: 350 na ida, duas semanas no planeta e o resto na volta”, afirma o engenheiro holandês Dietrich Vennemann, da ESA. O que pode acontecer com os astronautas nesse período é um mistério. Até hoje, o recorde de permanência no espaço é do cosmonauta russo Sergei Krikalev, que ficou “apenas” 748 dias em órbita. Para reduzir o rolé, os cientistas projetam uma velocidade de 43 200 km/h – 35 vezes a velocidade do som e 120 vezes mais rápido que uma bala de fuzil! Essa rapidez pode fazer a nave explodir no atrito com a atmosfera da Terra. “Será preciso construir uma nave com materiais que suportem o superaquecimento”, diz o engenheiro americano Steve Wall, da Nasa. A previsão é de que a viagem consuma 120 bilhões de dólares, mais que o dobro do projeto Apollo, que levou o homem à Lua. Vale a pena? Os entusiastas não têm dúvidas.

Para retornar à Terra, o primeiro problema é arranjar combustível para voltar – por questões de espaço e peso, não dá para acoplar um “supertanque” à nave. Há duas soluções: mandar o combustível a Marte numa viagem anterior ou produzir combustível com recursos do planeta vermelho, usando o gás carbônico da atmosfera numa reação com hidrogênio levado da Terra para criar oxigênio e metanol.
Com combustível, o módulo espacial que desceu ao solo marciano precisará se acoplar a uma nave que ficará orbitando Marte. O desafio, aqui, é fazer a manobra sem causar danos à nave. O remédio é simples: basta o piloto do módulo ter perícia. Esse é tido como o menor dos problemas. O acoplamento é um procedimento-padrão em viagens espaciais: foi utilizado há quase 40 anos pela missão Apollo, que foi à Lua

O terceiro obstáculo é a nave conseguir impulso suficiente para voltar. Como a maior Marte da viagem espacial é feita em inércia (com os motores desligados), a velocidade da nave viria da gravidade de Marte – uma volta na órbita do planeta aceleraria a nave. Aí é que mora o problema: como Marte só tem 38% da gravidade da Terra, a velocidade proporcionada seria bem menor. Por isso, o retorno duraria cerca de duas vezes mais que a ida.
O retorno de Marte levaria cerca de dois anos. Essa temporada prolongada no espaço exige muitos suprimentos, além de gerar níveis de estresse elevados e problemas físicos imprevisíveis. Uma possível saída é caprichar na preparação psicológica e física dos astronautas, além de reaproveitar tudo o que for possível dentro da nave. A água, por exemplo, pode ser reciclada: no limite, até o xixi pode ser purificado e virar água potável.
Na chegada à Terra, um novo desafio: a reentrada. Como a nave vai estar a cerca de 43 mil km/h, a possibilidade de ela se incendiar no atrito com os gases da atmosfera é enorme. A solução é criar ligas metálicas melhores, capazes de resistir a temperaturas mais altas. É um desafio e tanto: com os materiais disponíveis hoje, a Agência Européia (ESA) só garante uma reentrada segura a no máximo 27 mil km/h
Vencida a reentrada, falta ainda o pouso na Terra. A idéia é que o módulo se desprenda da nave e caia em algum ponto do oceano, como fizeram os astronautas que foram à Lua. A Nasa costuma estipular de três a quatro locais de pouso diferentes. A nave, depois que o módulo se desprender, continua orbitando a Terra e vira uma espécie de lixo espacial.

7174 – Qual a origem dos nomes dos elementos químicos?


Ítrio (Y)
Ítrio, térbio, érbio e itérbio foram gerados de minérios raros encontrados em uma mina na vila sueca de Ytterby – daí seus nomes serem uma variação dessa palavra.
O manganês levou o nome por engano: seu minério foi confundido com a magnetita. Esta, por sua vez, herdou o nome de Magnes, suposto pastor grego que a teria descoberto.
Cobalto (Co)
Cobalto deriva de Kobold, um espírito maligno do folclore alemão. Isso porque está presente em minérios cuja exploração era tóxica aos trabalhadores.
Níquel deriva de uma palavra alemã para “diabo”. Quando foi descoberto, acreditava-se que se tratava de cobre. Mas, como sua extração era impossível, os trabalhadores culparam um espírito maligno.
Índio (In)
Não tem nada a ver com indígenas (ou a Índia). Quando colocado numa chama, o índio emite uma luz índigo, cor situada no espectro entre o azul e o violeta.
Antimônio (Sb)
O batismo vem do grego: antimônio significa “não está sozinho”. Isso porque o elemento geralmente não é encontado isolado, e sim combinado com enxofre ou oxigênio.
Túlio (Tm)
O nome é inspirado em Thule, uma ilha europeia registrada em diferentes locais de acordo com a época. Pode ser as ilhas Órcades, as ilhas Shetland, a Islândia ou até a Groenlândia.
Ununhéxio (Uuh)
Cada algarismo do número atômico destes últimos elementos foi convertido em uma “sílaba” do seu nome. O algarismo 1, por exemplo, se torna “un”, e o 6, “héxio”. Então
o elemento de número 116 virou “ununhéxio”.

7173 – Ciência e Magia – Os Fogos de Artifício


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Os desenhos traçados no céu são um espetáculo de pura tecnologia. As reações químicas são investigadas pela Ciência.
Os princípios dos fogos valem para a construção dos propulsores dos ônibus espaciais.
Nos fogos de artifício, o formato da bomba determina o efeito visual. A bomba cilíndrica, ao explodir, arremessa o conteúdo para os lados e como as incendiadas caem por força da gravidade, cria-se uma chuva de faíscas. Já a chamada bomba oriental, que é redonda, desenha espécies de crisântemos de fogo,porque espalha partículas incandescentes em toda a sua volta. A princípio, no entanto, os 2 tipos funcionam da mesma maneira: um estopim de combustão rápida contorna a bomba até explodir a pastilha de pólvora encarregada da propulsão. No caso da bomba oriental, essa 1ª explosão acende um fusível de tempo, que queima devagar, para o fogo alcançar a carga de combustão do recheio, basicamente tamb´m pólvora, apenas quando o material estiver distante do solo. As fórmulas são mantidas em segredo, passadas de geração em geração. A indústria é artesanal já que é impossível usar máquinas quando se trabalha om pólvora negra, a milenar invenção chinesa que explode quando há atrito ou faísca.
A cascata de fogos do Hotel Meridien no RJ aconteceu pela 1ª Vez no reveillon de 1977 e cresceu a cada ano com o desenvolvimento da fórmula. Para se obter 100 gramas de pólvora são necessárias 75 gramas de salitre, 15 gramas de carvão e 10 gramas de enxofre, sendo acrescentado ainda o breu.
Uma chama pirotécnica pode chegar a 3600°C, a temperatura de um fogão doméstico alcançano máximo 800°C. A primeira função da pólvora nos fogos de artifício é a propulsão, lançando a carga da bomba a 200 ou 300 m do chão.
Usa-se o estrôncio para se obter o vermelho e o cobre para se obter o azul. A Caramurú foi a indústria pioneira na fabricação de fogos no Brasil, fundada há 85 anos e fica numa colina no município de Santa Branca, a 88 km a leste de São Paulo.

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Uma atitude muito importante que devemos tomar como pais ou responsáveis é o de não deixar crianças terem acesso aos materiais explosivos, colocando esse tipo de material fora do alcance delas, assim assegurando uma festa sem acidentes. Os perigos dos explosivos são muito variados e podem até levar a morte, caracterizando em queimaduras, lacerações e até mutilações. Os cuidados devem ser dobrados para que não ocorram acidentes.
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de fogos de artifício, atrás apenas da China. O município de Santo Antônio do Monte na região Centro-Oeste de Minas Gerais é o maior pólo de produção do país. Santo Antônio do Monte produz e desenvolve fogos de artifício desde as matérias-primas de base, executando vários processos produtivos até o produto final. Santo Antônio do Monte é responsável por aproximadamente 51% da produção brasileira de fogos de artifício.
Os rojões são um tipo de fogo de artifício que possui uma quantidade maior de pólvora, no qual o efeito sonoro da explosão se destaque em relação ao efeito luminoso. Perigosos, esses fogos de artifício ainda são às vezes utilizados como armas, seja nas notórias guerras de rojões, entre torcidas rivais, seja através de disparos do alto de edifícios.
Dados do Ministério da Saúde de 2001, indicam que 471 crianças perderam suas vidas devido as queimaduras e, durante as festas juninas e comemorações de final de ano, o número de atendimentos a queimados costuma dobrar. Ainda assim, no Brasil, são bastante comuns em partidas de futebol e celebrações religiosas, como as festas em homenagem a Santo Antônio, no mês de junho.

Além de se valerem da luz e calor do sol, os homens, em seus primórdios, utilizavam também o fogo. Embora não soubessem provocar fogo, os homens talvez tenham aproveitado incêndios acidentais provocados por raios ou por lava incandescente de algum vulcão. Aprenderam inicialmente, a manter o fogo. Os “guardiões do fogo” vigiavam dia e noite esses incêndios acidentais, alimentando-os com gravetos, folhas, etc. Há 500 mil anos, o homem primitivo queimava madeira para conseguir luz e calor.
O domínio do fogo – saber fazer e usar controladamente o fogo proveniente da combustão (queima) – significou uma transformação profunda na vida dos homens. As transformações químicas que ocorrem no cozimento de alimentos, na produção de utensílios cerâmicos, de metais como ferro e ligas metálicas como bronze, só foram possíveis com a energia liberada nas combustões. Até o ano 1200, a madeira era a principal fonte de energia, o combustível gerador de calor e luz. Mas, já no século XIV, com a invenção do alto forno, o carvão vegetal passou a ser mais utilizado devido a sua maior eficiência.
No século XVIII, James Watt construiu a primeira máquina a vapor e o carvão mineral passou a ser utilizado como combustível. Nas máquinas a vapor, utiliza-se combustível para aquecer água e assim, gerar vapor d’água, o qual movimenta a máquina. Pode-se imaginar que o desenvolvimento industrial e o crescimento das cidades criavam a necessidade cada vez maior de energia e, consequentemente, de combustíveis que suprissem tal necessidade. O petróleo já era conhecido desde a Idade Antiga, mas era pouco utilizado como combustível pois o homem não sabia como extraí-lo do solo. Por volta de 1860 o petróleo passou a ser explorado comercialmente, com a perfuração dos primeiros poços na Califórnia, Estados Unidos. A iluminação pública começou a ser feita com lampiões a petróleo, em substituição aos de óleo animal.
A iluminação elétrica só foi possível quando o homem aprendeu a produzir energia elétrica em larga escala. Durante o século XIX muitos estudos foram realizados visando a transformação da energia mecânica em elétrica. A invenção do gerador de eletricidade, isto é, um gerador que transforma energia de movimento (mecânica) em elétrica, e a invenção da turbina hidráulica, tornou possível obter-se energia elétrica em grande quantidade. O petróleo passou a ser queimado para produzir imensas quantidades de vapor d’água para movimentar turbinas hidráulicas. Numa usina termelétrica, por exemplo, o vapor movimenta uma turbina, que, por sua vez, movimenta um gerador, ocorrendo a produção de energia elétrica. As usinas termelétricas são responsáveis ainda hoje por cerca de 90% da energia elétrica fornecida a todo o mundo. No Brasil, as usinas termelétricas são responsáveis por cerca de 5% da energia elétrica gerada. Nessas usinas são queimados derivados do petróleo, gás natural, carvão ou ainda bagaço de cana-de-açúcar. Ao longo de sua história, o homem, utilizando o calor proveniente das reações de combustão para diversos fins percebeu que materiais diferentes quando queimados, fornecem diferentes quantidades de energia. Assim, substituiu a madeira pelo carvão vegetal, este pelo carvão mineral, e todos esses pelo petróleo.
Mas, o que é uma reação de combustão? Que transformações ocorrem nos materiais fornecendo tanta energia? Somente no século XVIII, com a descoberta do oxigênio, é que se começou a entender tais reações. Estudos feitos por Lavoisier (1743-1794) permitiram concluir que a combustão era na verdade uma reação com o oxigênio contido no ar atmosférico. Assim, o carvão, os óleos, o petróleo reagem com oxigênio, formando outros materiais e liberando energia. É necessário, entretanto, fornecer certa quantidade de energia para que as reações iniciem. Quando são queimadas substâncias que contêm carbono (petróleo, óleos, carvão etc) ocorre à formação de dióxido de carbono (CO2), um dos gases responsáveis pelo aumento do efeito estufa.
A história da pirotecnia provavelmente iniciou-se na Ásia, já na Pré-História. Mas, seguramente, podemos afirmar que a pólvora foi fabricada pela primeira vez, por acaso, na China há cerca de 2000 anos. Um alquimista chinês juntou acidentalmente salitre (nitrato de potássio), enxofre, carvão e aqueceu a mistura. Esta mistura secou como um pó negro, floculante, que quando queimado apresentava grande desprendimento de fumaça e chamas. Tal produto recebeu o nome de huo yao (“fogo químico”) e posteriormente ficou conhecido como pólvora. A pólvora foi empregada como projéteis explosivos em armas elementares de bambu e de ferro, semelhantes a flechas, desde o ano de 1304. Para fins pacíficos, ela somente começou a ser utilizada nos fins do século XVII em minerações e construção de estradas. O “fogo químico” foi o único explosivo utilizado até o século XIX, quando surgiram a nitroglicerina e a dinamite.
Já os chamados fogos de artifício datam de alguns milhares de anos antes de Cristo, isto é, em uma época muito anterior ao conhecimento da pólvora. Eles surgiram quando se descobriu que pedaços de bambus ainda verdes explodiam quando colocados em fogueira. Isso ocorria devido ao fato de que os bambus crescem muito depressa. Com isso, formam-se bolsas de ar e de seiva, que ficam presas dentro da planta, inchando e explodindo quando aquecidas.
O conhecimento da pirotecnia era difundido na China e na Índia durante séculos antes de se estender até a Europa por meio dos árabes e gregos. A arte de construção de fogos de artifício foi muito desenvolvida na Arábia no século VII, sobretudo pelo fato de os sais oxidantes de potássio serem bastante utilizados pelos alquimistas do Islã.
Posteriormente, acresceu-se à pólvora o uso de magnésio e alumínio. Estes metais permitiam a obtenção de um brilho nunca visto e de um número muito grande de efeitos luminosos. Com o advento da química moderna e descoberta de suas leis, muitos elementos foram estudados, assim como suas reações. Hoje em dia, diversos efeitos visuais foram acrescidos aos fogos de artifício com a mistura de diferentes substâncias, como:
– Nitrato + carbonato ou sulfato de estrôncio = vermelho – Nitrato + clorato ou carbonato de bário = verde – Oxalato ou carbonato de sódio = amarelo – Carbonato ou sulfeto de cobre + cloreto mercuroso (calomenano) = azul
Atualmente existem diversos tipos de fogos de artifício, e seus efeitos dependem da composição ou da estrutura da peça.

7172 – Nasa localiza água congelada em Mercúrio


A sonda Messenger, da Nasa, confirmou o que há muito já se especulava: Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, tem água congelada “aprisionada” em crateras localizadas em seus polos.
A temperatura em certas regiões de Mercúrio ultrapassa os 400°C, quente o suficiente para derreter chumbo.
Mercúrio seria, então, um ambiente improvável para achar gelo, não fosse por um detalhe: seu eixo de rotação.
A pouca inclinação do planeta acaba fazendo com que regiões de seus polos nunca vejam a luz solar, possuindo temperaturas extremamente baixas.
A presença de água congela em Mercúrio é sustentada por três trabalhos diferentes publicados na versão online da revista “Science”.
A sonda, que em 2011 se tornou a primeira a orbitar Mercúrio, também localizou compostos orgânicos.
“[A mistura de compostos orgânicos] provavelmente foi levada até Mercúrio pelo impacto de cometas e asteroides ricos em compostos voláteis, os mesmos objetos que provavelmente
levaram a água até o planeta”, comentou David Paige, autor principal de um dos trabalhos e pesquisador da Universidade da Califórnia em Davis.
Os cientistas sugerem que, quando esses corpos gelados atingiram Mercúrio, passaram por repetidos processos de vaporização e precipitação, migrando por fim para os polos mais frios, onde ficaram presos nas crateras.

7171 – Parceria evita colisões entre barcaças e baleias na região de Abrolhos


Uma parceria entre biólogos, ambientalistas e a iniciativa privada está ajudando a evitar uma modalidade especialmente calamitosa de acidente de trânsito: trombadas entre baleias e barcos na região de Abrolhos, entre a Bahia e o Espírito Santo.
Criar um bom sistema de “semáforos” marinhos é crucial para esse pedaço da costa brasileira porque ele combina elementos que aumentam o risco de colisões.
Por um lado, Abrolhos e adjacências concentram cerca de 90% das 11 mil baleias-jubartes que passam pelo Brasil todos os anos. Esses cetáceos, lentos e de hábitos costeiros, são a segunda espécie mais atropelada de baleia (só “perdem” para as baleias-francas).
Por outro lado, a região abriga um movimentado tráfego de barcaças carregando toras de madeira e celulose oriundas das florestas de eucalipto da região -trânsito que ganhou porte com a instalação de um terminal de transporte marítimo em Caravelas (BA).
Deixada ao deus-dará, a situação degringolaria em considerável contagem de corpos de jubartes –e prejuízos para as empresas de madeira.
Por isso mesmo, o monitoramento das rotas das baleias na região foi uma das condicionantes ambientais impostas pelo governo para a criação do terminal de Caravelas, afirma uma bióloga do Instituto Baleia Jubarte.
O trabalho foi feito com apoio da Fibria, empresa de celulose que pretendia transportar madeira de Caravelas e Belmonte (BA) para Aracruz (ES) –no segundo caso, em “joint venture” com outra empresa, a Stora Enso.
A equipe do Instituto Baleia Jubarte mostrou que era possível evitar encontros trágicos com os cetáceos no trajeto de 275 km, desde que as barcaças mantivessem rotas não muito coladas à costa, região preferida pelos bichos.
Ao que tudo indica, a estratégia tem dado certo. Dez anos depois do estabelecimento do terminal de Caravelas, não há evidência de choque com as barcaças.
Os sons emitidos pelas jubartes são importantes para o acasalamento e o cuidado com as crias. O temor é que o barulho causado pelo tráfego marítimo atrapalhe a comunicação entre os animais.
Por enquanto, não há evidências de que isso esteja acontecendo em Abrolhos, diz Engel, apesar dos 5 milhões de metros cúbicos de madeira transportados ali entre 2010 e este ano.
Um dado mais preocupante tem vindo da população de botos-cinza do estuário do rio Caravelas. Com cerca de cem indivíduos, esse grupo parece estar se reduzindo. Ainda não é possível saber se isso é um impacto do tráfego.

7170 – Qual a maior teoria do século 20?


Apesar de quase desconhecida, a teoria quântica está presente em tudo – ela abriu caminho não apenas para a criação do laser, do computador e de todos os equipamentos digitais em uso atualmente, como também foi decisiva para os avanços espetaculares da química e da biologia nas últimas cinco décadas. Acredita-se que a comercialização de todos os produtos viabilizados pela teoria quântica movimenta 25% do Produto Interno Bruto dos Estados Unidos. Não admira que a elaboração da teoria tenha demorado 27 anos para ficar pronta e exigido o trabalho dos 15 ou 20 físicos mais brilhantes do século XX, inclusive Albert Einstein. O grande impacto da teoria deve-se, em grande parte, a duas descobertas desconcertantes. A primeira deu ao alemão Max Planck, seu autor, o título de fundador da mecânica quântica. Em dezembro de 1900, ele anunciou que um raio de luz é composto de pequenos “pacotes” de energia, desde então chamados de quanta (plural de quantum, “pacote”, em grego). Essa idéia violava o conceito consagrado nos dois séculos anteriores de que a luz é uma espécie de fluido e poucos deram atenção ao achado. Os quanta só emplacaram quando Einstein, em 1905, demonstrou cabalmente que eles existiam e, mais tarde, ensinou como usá-los para gerar os poderosos raios laser. A segunda descoberta fundamental postulava, pela primeira vez, que um corpo pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Esse conceito tem a ver com o cálculo das probabilidades e pode ser descrito da seguinte maneira: se um carro tem duas vagas em um estacionamento, se diz que ele ocupa as duas ao mesmo tempo, com 50% de probabilidade de estar em uma delas e 50% na outra. Parece uma idéia meio maluca, mas ela é essencial na construção dos chips dos computadores.

A física quântica precisou de vários cérebros geniais para ser desenvolvida
1900 – O alemão Max Planck descobre que os raios luminosos contêm uma infinidade de minúsculos “pacotes” de energia, chamados quanta de luz

1905 – Albert Einstein demonstra definitivamente a existência dos quanta e, mais tarde, mostra que podem gerar raios poderosos, os laseres

1913 – O dinamarquês Niels Bohr revela que, se um elétron em um átomo emite um pacote de luz, passa a girar mais perto do núcleo atômico; e volta à posição inicial se receber um pacote luminoso de outro átomo

1926 – Erwin Schroedinger escreve a fórmula segundo a qual um objeto pode estar em dois lugares simultaneamente, com 50% de chance de estar em um deles e 50%, no outro. Isso vale apenas para partículas atômicas

1927 – Werner Heisenberg postula o princípio da incerteza, segundo o qual não se pode saber ao mesmo tempo onde está um objeto e a sua velocidade. Se a velocidade é exata, a posição é imprecisa, e vice-versa

7169 – Como é um traje espacial?


Ele funciona como uma nave pessoal quando o astronauta está fora da estação ou do ônibus espacial.
A função da roupa é emular as condições que permitem a vida humana, fornecendo oxigênio e regulando a pressão para que os líquidos do corpo não evaporem.
Além disso, camadas térmicas protegem o corpo do frio e do calor, além de bloquear a radiação solar.
Os trajes começaram a ser usados nos anos 60, nas primeiras viagens espaciais, pelos programas Vostok (da União Soviética) e Mercury (dos EUA).
Mesmo após décadas de evolução, os trajes devem passar por adaptações para cumprir as exigências de futuras explorações na Lua e em Marte.
Alta-costura espacial
Quatorze camadas – que juntas não chegam a meio centímetro de espessura – protegem o astronauta das condições extremas do espaço:
Náilon e elastano: três camadas envolvem os canos e dispersam o calor gerado durante as atividades
Borracha e poliéster: duas camadas prendem o oxigênio dentro do traje e mantêm a pressão regulada
Ripstop: forro resistente a rasgos protege os outros tecidos e o corpo do astronauta
Filme de poliéster: sete camadas isolantes regulam a temperatura interna ORTHOFABRIC Mix de tecidos à prova de água, de fogo e até de balas – para conter o impacto de partículas espaciais
Um lacre de metal conecta as partes superior e inferior. Abaixo da cintura, anéis e amarras prendem o traje à nave. Nas pernas, faixas coloridas ajudam a tripulação a identificar quem está lá fora. Como as atividades duram horas, sem intervalo, os astronautas vestem fraldões de alta absorção.

7168 – Por que o ar é invisível?


Porque a atmosfera é composta de gases incolores. Para que possamos enxergar um gás qualquer, é preciso que ele possua alguma coloração. Isso só acontece quando seus elementos químicos absorvem luz visível, uma vez que, como ensina o arco-íris, cada um dos sete raios que compõem a luz corresponde a uma cor diferente. Funciona assim: quando os átomos de um gás são atingidos por luz eles retêm alguns raios. Se as partículas dele absorverem, por exemplo, um raio amarelo, a tonalidade do vapor será definida pela mistura das cores dos raios que sobraram – nesse caso, veríamos um gás roxo (uau!). Só que nem todos os raios que formam a luz são visíveis – e aqueles que o ar absorve são justamente alguns dos que não conseguimos enxergar. O nitrogênio e o oxigênio – que compõem 99% da atmosfera – só retêm os invisíveis raios ultravioleta.
Assim, como todas as cores que enxergamos atravessam o ar, ele se mantém transparente. “Se a atmosfera fosse formada, digamos, por um gás como o vapor de iodo, que absorve cores visíveis, o ar seria violeta”.

7167 – Fitness – Correr na rua pode fazer mal


Nas grandes cidades, é cada vez mais comum encontrar pessoas fazendo ginástica em ruas e avenidas de grande circulação de veículos. O hábito, no entanto, é condenado por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Segundo eles, quem se exercita em ambientes com taxas acima do normal de monóxido de carbono, poluente que sai pelo escapamento dos carros, tem mais chances de sofrer arritmias, perigosos descompassos do ritmo cardíaco. Primeiro um grupo de voluntários praticou exercícios em um ambiente sem poluição, em seguida, os pesquisadores introduziram monóxido de carbono na sala de ginástica, nos mesmos níveis de uma rua com trânsito congestionado. Ao se compararem as batidas cardíacas, notou-se que a frequência de arritmias aumentava com a poluição do monóxido, embora ainda ninguém saiba por que isso aconteça. É tentador imaginar que a poluição dos carros prejudique também o coração, admite o médico Victor Matsudo, especialista em esportes. Até então, só havia evidências de que, especialmente durante exercícios, essa poluição afeta os pulmões.

7166 – É possível correr sobre a água?


Para o ser humano, não! Para realizar a proeza, seria preciso dar 125 passos por segundo – 50 vezes mais que um velocista. Além disso, os pés teriam que atingir a água a velocidades sobre-humanas, empurrando a água para baixo com força suficiente para não afundar. Recentemente, a façanha foi “documentada” em uma campanha viral que rodou a internet. O vídeo mostrava esportistas correndo sobre as águas, supostamente graças a um tênis à prova d’água. O programa Pânico na TV copiou a brincadeira. Nos dois casos, o truque era correr sobre plataformas escondidas pouco abaixo do nível da água.

LAGARTO JESUS*
Lagartos do gênero Basiliscus andam sobre a água por pequenos trechos dando 20 passos por segundo. Eles são leves e membranas nas patas formam bolhas de ar que os ajudam a flutuar.

7165 – O que é zero absoluto?


É a menor temperatura que qualquer coisa pode atingir no universo.
Qualquer átomo ou molécula que chegar a zero da escala Kelvin (0K ou -273,15 °C) ficaria imóvel. Mas isso não passa de uma teoria, já que não foi possível atingir a temperatura nem mesmo em laboratório – o recorde de aproximação está em 0,000000000001K.
Em experiências, cientistas alemães e norte-americanos descobriram que em baixas temperaturas um corpo pode passar por três efeitos colaterais: a supercondutividade, a superfluidez e a condensação de Bose-Einstein. Como supercondutor, ele cria um campo magnético que seria capaz de levitar um imã.
Já a superfluidez, com a ausência de resistência mecânica, permitiria que um líquido subisse pelas paredes de um copo. A última teoria, a de Bose-Einstein, é a de que o comportamento da matéria muda radicalmente – um corpo composto de diversas partículas agiria como um condensado, ou seja, como um único átomo gigante.

A tese da condensação foi proposta por einstein em 1925, que deu continuidade ao trabalho do físico indiano Satyendra Nath Bose.
Bobinas do Colisor de Hádrons (lHC) chegam a 1,9K (-271 °C ) em resfriamento.

É possível dormir de olhos abertos?


Sim, mas só se houver algo de errado no corpo.
A condição médica que impede que os olhos se fechem totalmente se chama lagoftalmo – quando ocorre à noite, fazendo com que a pessoa durma de olhos abertos, é chamada de lagotftalmo noturno. O problema pode ser temporário ou permanente, e as causas geralmente são doenças musculares ou que atingem o nervo facial, como a hanseníase, uma das principais causadoras do problema no Brasil. Também dá para dormir de olhos abertos por causa de mal-formações na pálpebra, cistos, alergias, doenças congênitas (adquiridas durante a gestação), uso de depressores do sistema nervoso central (como bebidas alcoólicas e remédios sedativos) e até mesmo por causa de sonambulismo. As consequências são pesadas: ressecamento do globo ocular, vermelhidão, infecções e, em casos extremos, cegueira. Mas dá para curar com remédios, exercícios para as pálpebras e cirurgia. Só não vá pensando em treinar para ver se consegue dormir com os olhos abertos: como o sono está ligado ao relaxamento muscular, é impossível fazer isso por vontade própria.

7164 – Qual a diferença entre corrente alternada e corrente contínua?


A diferença é o sentido da tal corrente. Uma corrente elétrica nada mais é que um fluxo de elétrons (partículas que carregam energia) passando por um fio, algo como a água que circula dentro de uma mangueira. Se os elétrons se movimentam num único sentido, essa corrente é chamada de contínua. Se eles mudam de direção constantemente, estamos falando de uma corrente alternada. Na prática, a diferença entre elas está na capacidade de transmitir energia para locais distantes. A energia que usamos em casa é produzida por alguma usina e precisa percorrer centenas de quilômetros até chegar à tomada. Quando essa energia é transmitida por uma corrente alternada, ela não perde muita força no meio caminho. Já na contínua o desperdício é muito grande. Isso porque a corrente alternada pode, facilmente, ficar com uma voltagem muito mais alta que a contínua, e quanto maior é essa voltagem, mais longe a energia chega sem perder força no trajeto.
Se todos os sistemas de transmissão fossem em corrente contínua, seria preciso uma usina em cada bairro para abastecer as casas com eletricidade. O único problema da alta voltagem transportada pela corrente alternada é que ela poderia provocar choques fatais dentro das residências. “Por isso, a alta voltagem é transformada no final em tensões baixas. As mais comuns são as de 127 ou 220 volts”, diz um físico da USP. Portanto, a corrente que chega à tomada de sua casa continua sendo alternada, mas com uma voltagem bem mais baixa. Já a corrente contínua sai, por exemplo, de pilhas e baterias, pois a energia gerada por elas, usada nos próprios aparelhos que as carregam, não precisa ir longe. Também há muitos equipamentos eletrônicos que só funcionam com corrente contínua, possuindo transformadores internos, que adaptam a corrente alternada que chega pela tomada.

Alternada

Nesse tipo de corrente, o fluxo de elétrons que carrega a energia elétrica dentro de um fio não segue um sentido único. Ora os elétrons vão para a frente, ora para trás, mudando de rota 120 vezes por segundo. Essa variação é fundamental, pois os transformadores que existem numa linha de transmissão só funcionam recebendo esse fluxo de elétrons alternado. Dentro do transformador, a voltagem da energia transmitida é aumentada, permitindo que ela viaje longe, desde uma usina até a sua casa.
Nota: Thomas Alva Edson, o Pai da Eletrônica, inventor da lâmpada e de milhares de outros inventos era contra o uso da corrente alternada devido aos riscos de choques.

Thomas Alva Edson, o mago, um dos maiores inventores autodidatas de todos os tempos, na contra-mão do uso da corrente alternada

Contínua
Aqui o fluxo de elétrons passa pelo fio sempre no mesmo sentido. Como não há alternância, essa corrente não é aceita pelos transformadores e não ganha voltagem maior. Resultado: a energia elétrica não pode seguir muito longe. Por isso, a corrente contínua é usada em pilhas e baterias ou para percorrer circuitos internos de aparelhos elétricos, como um chuveiro. Mas ela não serve para transportar energia entre uma usina e uma cidade.