12.459 – Mega Conto – O Náufrago


Após um naufrágio, o único sobrevivente agradeceu a Deus por estar vivo. E este único sobrevivente foi parar numa ilha deserta e fora de qualquer rota de navegação. E ele agradeceu novamente. Com muita dificuldade e os restos dos destroços, ele conseguiu montar um pequeno abrigo para que pudesse se proteger do sol, da chuva e de animais.
O tempo foi passando e a cada alimento que conseguia, ele agradecia. Um dia, voltando depois de caçar e pescar viu que seu abrigo estava em chamas, envolto em altas nuvens de fumaça. Desesperado, ele se revoltou e gritava chorando: “O pior aconteceu! Perdi tudo. Deus por que fez isso comigo?” Chorou tanto que adormeceu profundamente, cansado.
No dia seguinte, bem cedo, foi despertado por um navio que se aproximava. “Viemos resgatá-lo”, disseram. “Como souberam que eu estava aqui?”, perguntou. “Nós vimos o seu sinal de fumaça”, responderam eles.

12.458 – Cinema – Mel Brooks


melbrooks__120530014715-e1338342476832
Mel Brooks, nome artístico de Melvin Kaminsky, (Nova Iorque, 28 de junho de 1926) é um ator e cineasta norte-americano de origem judaica.
Sua estreia no cinema foi The Producers, uma comédia de 1968 que escreveu e dirigiu. Apesar de críticas divisivas e baixo faturamento, Brooks acabou vencendo o Oscar de Roteiro Original, e anos depois criaria uma versão musical do filme para a Broadway (gerando uma refilmagem em 2005). A partir daí se tornou especializado em paródias, seguindo o caminho aberto ao parodiar o Filme de espionagem com Agente 86: a partir da década de 70 Brooks faria o mesmo com os gêneros western (Banzé no Oeste), terror (Young Frankenstein e Dracula: Dead and Loving It), aventura (A louca louca história de Robin Hood), Suspense (Alta Ansiedade), épico-histórico (História do Mundo – parte 1), ficção científica (S.O.S. – Tem um louco solto no espaço) e cinema mudo (A última loucura de Mel Brooks).
Sua produtora Brooksfilms também foi responsável por aclamadas produções não-cômicas, como os dramas biográficos O Homem Elefante (estreia americana do realizador britânico David Lynch) e Frances, e o remake de ficção científica A Mosca.
Gosta de dirigir um grupo seleto de comediantes, que se repetem em seus filmes, sejam como protagonistas, sejam em participações especiais: (Gene Wilder, Dom DeLuise — que apareceu em 12 filmes de Brooks — Madeline Kahn), além de sua esposa Anne Bancroft que trabalhou com ele em Sou oou Não Sou? e A Última Loucura de Mel Brooks.
Tem uma extensa filmografia, incluindo sucessos dos anos 80, História do Mundo 1ª Parte e To Be Or Not To Be, ocasião em que também gravou as músicas Its good to be the king e To Be Or Not To Be.
Ganhou o Óscar de Melhor Argumento Original, por seu trabalho em “The Producers” (1968).
Recebeu uma nomeação ao Óscar, na categoria de Melhor Argumento Adaptado, por seu trabalho em “Young Frankenstein” (1974).
Recebeu uma nomeação ao Óscar, na categoria de Melhor Canção Original, pela canção “Blazing Saddles”, de “Blazing saddles” (1974).
Recebeu duas nomeações ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Actor – Comédia/Musical, pelo desempenho em “Silent movie” (1976) e “High anxiety” (1977).
Recebeu uma nomeação ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Argumento, por “The Producers” (1968).
Recebeu uma nomeação ao BAFTA, na categoria de Melhor Argumento, por “Blazing saddles” (1974).
Mel Brooks é uma das poucas pessoas a receberem um Óscar(prêmio de cinema),um Grammy(prêmio de música),um Emmy(prêmio de TV) e um Tony(prêmio de teatro).Todos esses prêmios,os maiores em sua categoria:Cinema, Música, TV e Teatro.

12.457 – Ufologia – Cientistas podem ter encontrado megaestrutura extraterrestre


estrutura-alienigena-alien-extraterrestres-planetas-vadim_sadovski-shutterstock

Uma estrutura extraterrestre pode estar orbitando a estrela, chamada de KIC 8462852,que está a 1.500 anos-luz de distância da Terra, na constelação de Cygnus. O fenômeno é tão inexplicável que muitos cientistas já consideram a possibilidade de que algum elemento extraterrestre gigante esteja interferindo na observação.
Embora a distância seja grande, os telescópios conseguiram captar vários escurecimentos repentinos da luz vinda da estrela. No início, os cientistas imaginaram se tratar de uma enorme nuvem de cometas, que se interpunham, mas essa hipótese foi descartada quando eles perceberam que seriam necessários 648 mil cometas circulando simultaneamente para causar esse efeito.
A teoria de uma megaestrutura alienígena, apesar de plausível, é também improvável, ainda mais se considerarmos que estamos falando de um objeto com um tamanho equivalente a cem vezes a distância entre a Terra e a Lua e que teria que escurecer em 20% a luz que vem da estrela.
A hipótese suscita mais perguntas que respostas: é possível que uma civilização extraterrestre consiga montar uma estrutura desse tipo? Se sim, por que não dispõe de tecnologia para colonizar outros planetas, ou enviar sinais de vida? A discussão está aberta.

12.456 – Na Índia, energia solar já tem o mesmo preço que o carvão


A Índia tem um problema sério de energia. De seus 1,2 bilhão de habitantes, 300 milhões não têm acesso à rede elétrica nacional, e grande parte das cidades estão sujeitas a apagões. Além disso, 60% da energia do país é gerada pela queima de carvão – um processo que emite muito CO2. O país tem 13 das 20 cidades mais poluídas do mundo. Mas o ministro da energia, Piyush Goyal, afirmou que a energia solar pode ser a solução: pois alcançou um custo de produção quase igual ao do carvão.
Segundo Goyal, o preço do quilowatt-hora de energia solar atingiu 6 centavos de dólar, sendo que o do carvão varia entre 5 e 6 centavos. Esse barateamento aconteceu porque, já há algum tempo, o país vem investindo em tecnologia e em infraestrutura para a implantação da energia solar no país – tudo por causa de uma promessa do primeiro ministro, Narendra Modi.
Desde 2014, Modi vem trabalhado em um plano para substituir o carvão, principal fonte de energia da Índia, pela energia solar até 2022. A ideia é tornar o país capaz de gerar 100 gigawatts de energia solar no período – para se ter uma ideia, os EUA só conseguem produzir 20. O objetivo é ambicioso e difícil de alcançar, já que algo assim nunca foi realizado antes por outras nações.
Mesmo assim, a Índia tem trabalhado duro para cumprir a promessa: no ano passado, construiu o primeiro aeroporto do mundo que funciona apenas com energia solar, que fica na cidade de Cochim, e projetou a maior estação de produção de energia solar do mundo, que ficaria no estado de Madhya Pradesh. Além disso, durante a Conferência das Partes (COP-21) da Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, a Índia também assinou um acordo junto com os 121 outros países que mais poluem no mundo, com o objetivo de unir forçar para investir em energia solar – uma iniciativa que tem sido chamada de aliança solar.
Com todo esse investimento, o custo de produção caiu – e a projeção da Índia é que em 2020 o preço da energia solar esteja 10% mais baixo que o do carvão. É uma boa notícia, inclusive porque o consumo de energia da Índia deve dobrar até 2030.

12.455 – Google constrói maior usina solar dos EUA


usina_solar
O Google é um enorme consumidor de energia: tem centenas de milhares de computadores espalhados pelo mundo, funcionando 24 horas por dia. Por isso, faz vários investimentos em tecnologias de geração de energia. Inclusive uma usina solar gigantesca, que já está quase pronta. Ela se chama Ivanpah Solar Electric Generating System, está sendo construída no deserto de Mojave, no sul da Califórnia, e é a maior usina solar dos EUA. Ela terá a capacidade de gerar eletricidade suficiente para abastecer 140 mil residências. Sozinha, vai aumentar em 60% toda a produção de energia solar dos Estados Unidos.
A obra, que vai custar US$ 2,2 bilhões, é um investimento conjunto do Google e das empresas BrightSource e NRG Energy. Ela ocupa uma área correspondente a 1 300 campos de futebol, na qual estão distribuídos 346 mil espelhos. Esses espelhos refletem a luz solar para torres onde há caldeiras com água. O calor ferve a água, que vira vapor e movimenta as turbinas da usina, gerando eletricidade. A usina vai evitar a emissão de 640 mil toneladas de CO2 por ano – o equivalente a retirar 70 mil carros das ruas. “Precisamos construir um futuro de energias limpas”, declarou Rick Needham, diretor de negócios verdes do Google.

12.454 – FBI pode conseguir poder legal para hackear qualquer computador pelo mundo


hacker-cracker-computador-20130328-01-original
A Corte Suprema dos Estados Unidos aprovou uma alteração nas regras federais de procedimento criminal que pode dar ao FBI poder para hackear qualquer computador do país – e, potencialmente, do mundo.
A norma em questão é a Rule 41, que determina quando e sob quais circunstâncias um juiz pode emitir mandatos de busca e apreensão. Até então o texto dizia que o juiz só podia agir dentro de sua jurisdição, mas com a alteração essa restrição deixa de existir.
A mudança, que foi pedida pelo Departamento de Justiça em 2014, deixa claro que o juiz só pode extrapolar suas barreiras regionais se os alvos investigados estiverem usando mecanismos que escondem a origem do acesso (como Tor) ou se eles fizerem parte de uma rede infectada (botnets).
O Congresso americano tem até o dia 1º de dezembro para se pronunciar sobre a alteração, que caso contrário será transformada em lei. Se isso acontecer, ao menos um senador, Ron Wyden, de Oregon, já prometeu introduzir uma legislação capaz de reverter o texto.
O problema, como destaca o The Next Web, é que para que a atuação do Congresso seja efetiva os membros das duas Casas precisam concordar em agir de forma conjunta, o que parece improvável em ano de eleição presidencial.

12.453 – Medicina – Impressora 3D será capaz de imprimir órgãos


impressora orgaos
A empresa de software Autodesk se uniu com a firma de bioimpressão Organovo para criar impressoras 3D que possam trabalhar com tecido humano. O plano imediato é criar órgãos para serem usados em pesquisas científicas. Mas as duas empresas acreditam que, com o avanço da tecnologia, eles possam substituir órgãos de verdade em transplantes.
A Organovo foi a primeira empresa a criar impressoras 3D capazes de trabalhar com material biológico, mas para produzir estruturas funcionais, precisa de softwares específicos. Afinal, não é simples replicar as estruturas complexas de órgãos.
“Temos o material, mas não temos o design”, explica o diretor do Laboratório de Mecânica Criativa da Universidade de Cornell, Hod Lipson. Ele se refere à impressora NovoGen MMX Bioprinter, que é capaz de transformar células tronco de um doador em tecido humano. Estima-se que mais de cinco anos serão necessários entre o desenvolvimento dessa tecnologia e seus testes clínicos.

impressora2

12.452 – A nanotecnologia e as suas atuais aplicações na Medicina e na Informática


nanotecnologia (1)
Os nanorobôs

A nanotecnologia é o estudo da manipulação da matéria, certamente em escala nanométrica (1 nanômetro equivale a 1 bilionésimo de um metro). Os trabalhos são realizados em média nas variações de 1 a 100 nanômetros pelo menos em uma das dimensões. Portanto essa área embora nova se faz presente no mundo, recebendo novas tecnologias afim de aumentar cada vez mais o alcance, mas uma pergunta que certamente você se faz é o por que de tantas pesquisas nessa área, o que há de mais nessas novas tecnologias?
Pois essa “ciência” que foi criada no japão vem demonstrando resultados muito promissores, em várias áreas como a medicina, engenharia, química, física, biologia, computação entre outras áreas. Esse estudo utiliza de microscópios altamente precisos, como os microscópios eletrônicos de varredura. O objetivo geral não é tentar manipular e controlar individualmente dos átomos e sim elaborar estruturas estáveis com eles. Agora que você conhece um pouco sobre essa promissora ciência vamos as aplicações atuais da nanotecnologia na medicina e na informática

Atuais aplicações da Nanotecnologia
Na Informática: Hoje em dia se pode encontrar processadores de computadores com o tamanho médio de 45nm (obviamente o tamanho do processador não é em escala nanométrica, mas as peças que os constituem), eles são desenvolvidos para trabalhar em alta velocidade. Além de processadores grandes empresas como a NVIDIA e ATI vem desenvolvendo placas de vídeo, com tamanhos microscópios, se superando a cada novo modelo por serem menores e mais rápidos. Atualmente o ultimo modelo de placa gráfica da NVIDIA passou a marca de 55nm. Outro fato curioso ainda na área da computação é que se não fosse a nanotecnologia, controles de vídeo-games (os mais modernos) não seriam capazes de exercer suas funções tão perfeitamente, incluindo componentes nanométricos na sua composição interna. Já a Intel lançou um processador (o menor atualmente existente) no tamanho de 32nm, mas tendo um projeto para um outro com o tamanho de 22nm.
Na Medicina: O uso da nanotecnologia na medicina é com certeza uma das área mais promissoras no ramo do controle de doenças que hoje são aparentemente incuráveis. Contudo atualmente ela já atua de certa forma na medicina com aparelhos que servem para diagnosticar doenças que com exames comuns não seria possível. A fabricação de remédios também é algo que vem fazendo a nanotecnologia trabalhar, pois lidar com componentes tão pequenos e concentrados é algo realmente complicado. O fato é que a nanotecnologia está atuando no aumento da eficácia dos remédios e reduzindo efeitos colaterais. Ainda nesta área, pesquisadores da Universidade de Stanford nos Estados Unidos, desenvolveram um material sintético, flexível, sensível ao toque e capaz de se regenerar rapidamente a temperatura ambiente, esse novo material irá revolucionar o mundo das próteses, quando for lançado.

Creme dental
Efeito da nanotecnologia: reconstitui o esmalte, o que aumenta a proteção do dente.
Como funciona: Durante a escovação, cristais em escala nano, adicionados à pasta, aderem aos dentes e ajudam na reposição do esmalte – cujas irregularidades são bastante frequentes, mas pouco visíveis. Daí a maior proteção. A propaganda também sugere que os dentes ficam mais limpos, uma vez que a pasta elimina algo como 650 tipos de germe. Mas é o que faz qualquer outro creme dentalDiferença no rótulo: menção à hidroxiapatita (um tipo de mineral) e a nano-cristais de prata.
Impacto no preço: custa até quatro vezes mais. São cremes dentais importados do Japão e da Coréia do Sul.

Cremes hidratantes e antienvelhecimento
Efeito da nanotecnologia: contribui para que o creme chegue às camadas mais profundas da pele, sem que perca suas propriedades pelo caminho.
Como funciona: Os princípios ativos dos cosméticos são transformados em nanopartículas e é justamente essa escala que facilita sua travessia das camadas mais superficiais para as mais profundas da pele. Constituídos de moléculas relativamente grandes, muitos cremes comuns não conseguem chegar lá ou, mesmo quando atingem esse ponto, não o fazem em concentração suficiente para proporcionar o efeito completo.
Diferença no rótulo: referência à nanotecnologia.Impacto no preço: os cremes custam até duas vezes mais.

Brinquedos
Efeito da nanotecnologia: torna-os mais resistentes e imunes à proliferação de germes.
Como funciona: Durante a fabricação de algumas das matérias-primas dos brinquedos, como plástico ou borracha, adicionam-se nano-partículas de argila. São elas que aumentam a elasticidade do material, o que o torna cerca de 25% mais resistente. Outro avanço se deve à presença de nano-partículas de prata. Elas ajudam a repelir os germes que proliferam nos brinquedos
Diferença no rótulo: “produto resistente à ação de germes” ou “inquebrável”
Impacto no preço: saem 20% mais caro do que brinquedos que prescindem de nanotecnologia.
Roupas
Efeito da nanotecnologia: acrescenta funções aos tecidos. Eles podem se tornar bacteriostáticos, repelentes a insetos ou impermeáveis.Como funciona: As nano-partículas são adicionadas às fibras durante a fabricação do tecido. Nessas partículas ficam as substâncias encarregadas das diferentes propriedades. Elas proporcionam o efeito esperado, mas desaparecem depois de até cinquenta lavagens
Diferença no rótulo: “ação bacteriostática” ou “íons de prata”Impacto no preço: as roupas ficam, em média, 30% mais caras.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=49

12.451 – Biologia – Répteis têm atividade cerebral típica de sonhos humanos


biologia-a-cincia-da-vida-1-728
Trata-se do chamado sono REM (sigla inglesa da expressão “movimento rápido dos olhos”), que antes parecia ser exclusividade de mamíferos como nós e das aves. No entanto, a análise da atividade cerebral de um lagarto australiano, o dragão-barbudo (Pogona vitticeps), indica que, ao longo da noite, o cérebro do animal fica se revezando entre o sono REM e o sono de ondas lentas (grosso modo, o sono profundo, sem sonhos), num padrão parecido, ainda que não idêntico, ao observado em seres humanos.
Liderado por Gilles Laurent, do Instituto Max Planck de Pesquisa sobre o Cérebro, na Alemanha, o estudo está saindo na revista especializada “Science”. “Laurent não brinca em serviço”, diz Sidarta Ribeiro, pesquisador da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e um dos principais especialistas do mundo em neurobiologia do sono e dos sonhos. “Foi feita uma demonstração bem clara do fenômeno.”
A metodologia usada para verificar o que acontecia no cérebro reptiliano não era exatamente um dragão de sete cabeças. Cinco exemplares da espécie receberam implantes de eletrodos no cérebro e, na hora de dormir, seu comportamento foi monitorado com câmeras infravermelhas, ideais para “enxergar no escuro”. Os animais costumavam dormir entre seis e dez horas por noite, num ciclo que podia ser mais ou menos controlado pelos cientistas do Max Planck, já que eles é que apagavam e acendiam as luzes e regulavam a temperatura do recinto.
O que os pesquisadores estavam medindo era a variação de atividade elétrica no cérebro dos dragões-barbudos durante a noite. São essas oscilações que produzem o padrão de ondas já conhecido a partir do sono de humanos e demais mamíferos, por exemplo.
Só foi possível chegar aos achados relatados no novo estudo por causa de seu nível de detalhamento, diz Suzana Herculano-Houzel, neurocientista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e colunista da Folha. “Estudos anteriores menos minuciosos não tinham como detectar sono REM porque, nesses animais, a alternância entre os dois tipos de sono é extremamente rápida, a cada 80 segundos”, explica ela, que já tinha visto Laurent apresentar os dados num congresso científico. Em humanos, os ciclos são bem mais lentos, com duração média de 90 minutos.
Além da semelhança no padrão de atividade cerebral, o sono REM dos répteis também tem correlação clara com os movimentos oculares que lhe dão o nome (os quais lembram vagamente a maneira como uma pessoa desperta mexe os olhos), conforme mostraram as imagens em infravermelho.

DORMIR, TALVEZ SONHAR
A primeira implicação das descobertas é evolutiva. Embora dormir seja um comportamento aparentemente universal no reino animal, o sono REM (e talvez os sonhos) pareciam exclusividade de espécies com cérebro supostamente mais complexo. “Para quem estuda os mecanismos do sono, é um estudo fundamental”, afirma Suzana.
Acontece que tanto mamíferos quanto aves descendem de grupos primitivos associados aos répteis, só que em momentos bem diferentes da história do planeta – mamíferos já caminhavam pela Terra havia dezenas de milhões de anos quando um grupo de pequenos dinossauros carnívoros deu origem às aves. Ou seja, em tese, mamíferos e aves precisariam ter “aprendido a sonhar” de forma totalmente independente. O achado “resolve esse paradoxo”, diz Ribeiro: o sono REM já estaria presente no ancestral comum de todos esses vertebrados.
O trabalho do pesquisador brasileiro e o de outros especialistas mundo afora tem mostrado que ambos os tipos de sono são fundamentais para “esculpir” memórias no cérebro, ao mesmo tempo fortalecendo o que é relevante e jogando fora o que não é importante. Sem os ciclos alternados de atividade cerebral, a capacidade de aprendizado de animais e humanos ficaria seriamente prejudicada.
Tanto Ribeiro quanto Suzana, porém, dizem que ainda não dá para cravar que lagartos ou outros animais sonham como nós. “Talvez um dia alguém faça ressonância magnética em lagartos adormecidos e veja se eles mostram a mesma reativação de áreas sensoriais que se vê em humanos em sono REM”, diz ela. “Claro que os donos de cachorro têm certeza que suas mascotes sonham, mas o ideal seria fazer a decodificação do sinal neural”, uma técnica que permite saber o que uma pessoa imagina estar vendo quando sonha e já foi aplicada com sucesso por cientistas japoneses.

12.450 -Religião – A Teoria do Carma


lei-do-carma-1-728
Ação e Reação

Na lei do carma cada um colhe o que planta.
Quem realiza o bem recebe o bem. Se fizer o mal, cedo ou tarde colherá os amargos frutos.
Está presente no hinduísmo, Budismo e Espiritismo. Tal conceito nasceu entre os hindus e é como a lei de Newton, a lei de ação e reação.
O carma positivo ou negativo seria o resultado de todo a qualquer ação cometida nessa vida ou em outra.
“Quer você goste ou não, tudo o que está acontecendo neste momento é o resultado de escolhas feitas no passado (uma vez que o carma define o nosso destino). Infelizmente, muitos fazem escolhas inconscientes e, por isso, acham que não são escolhas. Mas, são !

Se eu o insulto, é provável que você escolha se ofender. Se eu lhe faço um cumprimento, é provável que você escolha sentir-se grato e envaidecido. Pense bem: É sempre uma escolha.

Eu posso insulta-lo e ofende-lo e você escolher não se ofender. Da mesma maneira, posso lhe fazer um cumprimento e você escolher não se sentir envaidecido.
Em outras palavras, toda pessoa constitui – mesmo sendo um escolhedor infinito – um feixe de reflexos condicionados. Eles são disparados, constantemente, por circunstâncias e por pessoas, resultando em comportamentos previsíveis. Esses reflexos condicionados são iguais são iguais ao condicionamento pavloviano. Pavlov é conhecido por demonstrar que um cão, ao receber comida sempre que se fizer soar uma campainha, começará a salivar sempre que ouvir a campainha. Ou seja, o animal desenvolve um reflexo condicionado, ao associar um estímulo (comida) ao outro (som da campainha).
Também nós, devido ao condicionamento, temos respostas repetitivas e previsíveis aos estímulos do ambiente. Nossas reações parecem ser disparadas automaticamente por pessoas e por circunstâncias. No entanto, esquecemos um fato: Essas reações são ,também, escolhas que fazemos a todo momento. Simplesmente, estamos escolhendo inconscientemente.
Se você parar um pouco e começar a observar suas escolhas no momento em que elas ocorrem, mudará esse aspecto de inconsciência. O simples ato de observá-las transfere todo o processo do terreno do inconsciente para o terreno do consciente. Esse procedimento – escolher e observar conscientemente – é muito enriquecedor.
Quando você faz uma escolha – qualquer uma – pergunte-se duas coisas: Primeira, “Quais serão as conseqüências da escolha que estou fazendo ?”; Segunda, “Essa escolha trará felicidade a mim e aos outros ao meu redor ?” A resposta à primeira questão você sentirá no seu coração e saberá imediatamente quais serão as conseqüências. Quanto à segunda questão, se a resposta for sim, então persista nessa escolha. Se for não, escolha outra coisa.”

12.449 – A Nanotecnologia e a Imortalidade


nanotecnologia
A imortalidade é uma ideia que assusta e fascina todos os seres humanos. Filmes e livros, de ficção científica, abordam esse tema o tempo todo. Mesmo sendo tão surreal, a ideia de imortalidade, não parece tão distante. A exploração da nanotecnologia está evoluindo para um futuro onde alguns organismos possam ser imortais.
A nanotecnologia é a uma forma de manipulação de nanoparticulas, que são partículas do tamanho de átomos. Os cientistas são capazes de modificar essas nanoparticulas e transformá-las para a criação de novos insumos ou mudarem as capacidades de um mesmo produto. Armas, roupas, remédios tudo pode ser modificado com o advento da nanotecnologia, a imortalidade de alguns organismos, está sendo pesquisada e desenvolvida em laboratórios norte-americanos.
A polêmica que existe em torno desse tipo de exploração da nanotecnologia é: como os países vão usar essas descobertas? A imortalidade pode ser utilizada para criar super soldados que teriam vantagem nos campos de batalha, por mais que essas possibilidades soem saídas de um roteiro de ficção científica, elas podem tornar-se reais e perigosas. Outro problema que envolve é a ética, até que ponto modificar organismos é certo? Será que eles não podem ser usados em grandes e terríveis guerras?
Por outro lado a nanotecnologia molecular pode ser capaz de regenerar ferimentos, dessa maneira ajudando os militares durante a guerra em um campo de batalha, já que nessas condições é muito difícil de tratar um ferimento.

12.448 -Medicina – Rim Artificial é Criado no Japão


rins
Em um estudo divulgado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (PNAS), a equipe de pesquisadores da Universidade Jikei, em Tóquio, explica que os órgãos, desenvolvidos a partir de células-tronco, foram transplantados para os animais e funcionaram como rins naturais no que diz respeito à passagem de urina.
Anteriormente, essa operação tinha sido um problema, com a pressão da urina causando inchaços. O problema foi resolvido com a criação de mais canais para o escoamento do líquido.

Fila
O anúncio dos cientistas japoneses representa uma esperança para as milhares de pessoas no mundo que estão na fila de espera para transplantes de rim. No Brasil, segundo diversas entidades, há pelo menos 35 mil pessoas na fila.
Existem no mundo outros projetos de criação de órgãos em laboratório, mas o que faz o projeto da Universidade Jikei diferente é que ele também inclui a criação de uma bexiga extra. Quando conectada ao aparelho urinário de ratos, o conjunto funcionou por pelo menos oito semanas sem problemas.

Os mesmos resultados foram obtidos nos testes com os porcos.

“Trata-se de um interessante passo adiante. Os dados relacionados aos testes com animais são fortes”, afirma Chris Mason, especialista em células-tronco da University College London.
“Mas não podemos dizer se vai funcionar em humanos. Ainda estamos anos longe disso. Mas no caso dos rins, ao menos temos terapias como a diálise, que podemos usar em pacientes enquanto tentamos tornar possível a criação de rins em laboratório”.
Outras técnicas sendo estudadas por cientistas incluem o “rejuvenescimento de órgãos”. Na Universidade Harvard, nos EUA, a equipe chefiada por Harald Ott desenvolveu uma técnica que “lava” o tecido de órgãos mortos e deixa uma estrutura que pode ser “repopulada” com novas células. Ott e sua equipe já conseguiram desenvolver rins e pulmões com essa técnica.

12.447 – Medicina – Pâncreas artificial, que será testado em 2016, é esperança para diabéticos


artificial-pancreas
Um disco ultrafino de polímero, pouco maior do que um CD, implantado no abdômen poderia mudar a vida de milhões de diabéticos que dependem de insulina. O pâncreas bioartificial, desenvolvido por pesquisadores franceses, será testado pela primeira vez em humanos em 2016.
Com o dispositivo, os pacientes não terão mais de receber injeções diárias de insulina: o hormônio será fabricado naturalmente pelas células do pâncreas (obtidas por engenharia genética a partir de células-tronco), dispostas dentro do bolso artificial.
Este projeto, cuja aplicação em grande escala não deve ocorrer antes de 2020, “levanta muitas esperanças e expectativas” para 25 milhões de pessoas com diabetes do tipo 1 em todo o mundo, diz Séverine Sigrist, pesquisadora da start-up francesa Defymed, responsável pelo protótipo.
A ideia de um pâncreas bioartificial foi inspirada na técnica de transplante de células pancreáticas, destinadas a suprir a deficiência do pâncreas e fazer com que o organismo passe a fabricar a insulina por conta própria, regulando assim a quantidade de açúcar no sangue. O problema dessa técnica é que, com a escassez de células para transplante, ela só pode beneficiar uma pequena minoria de doentes. Ela também exige o tratamento com medicamentos imunossupressores, que trazem vários efeitos colaterais.
“Daí a ideia de projetar um tipo de uma pequena caixa dentro da qual seriam colocadas as células pancreáticas, para que elas fiquem abrigadas contra o ataque do sistema imunológico”, diz Séverine.
O desafio foi projetar uma membrana semipermeável, que garanta tal proteção ao mesmo tempo em que permita a passagem da insulina e também dos açúcares, para que as células pancreáticas “saibam” o quanto de insulina devem produzir.
O disco de polímero será implantado no abdômen durante uma pequena cirurgia, e deve ser substituído a cada 4 ou 6 anos. No interior, as células pancreáticas serão renovadas, por meio de uma injeção subcutânea, a cada 6 ou 12 meses. Os pesquisadores observam que essa quantidade de injeções não tem nem comparação com o tanto de picadas que um paciente que depende de insulina tem que levar ao longo da vida.
20 anos de pesquisa
O desenvolvimento dessa membrana levou mais de 20 anos de pesquisa e 6 milhões de euros. O valor corresponde ao imenso potencial econômico da inovação, estimado em 4 bilhões de dólares.
Depois de testes em animais, um estudo com 16 voluntários deverá começar no fim de 2015 ou início de 2016, em Montpellier, no sul da França e em Oxford, no Reino Unido. Os primeiros resultados devem estar disponíveis no final de 2017.
Se for bem-sucedido, o tratamento poderá libertar os diabéticos do “fardo” que representa o tratamento diário com insulina, diz o médico Michel Pinget, diretor do Centro Europeu para o Estudos da Diabetes (CEED), que lidera o projeto em Estrasburgo.
“Quando você é diabético, gosta de toda novidade que possa melhorar o cotidiano”, diz Éric Dehling, presidente da associação Insulib, que reúne mais de uma centenda de pacientes do leste da França. Para ele, as novas tecnologias, como as canetas e as bombas de insulina, já melhoraram a vida dos diabéticos. Mas o pâncreas bioartificial permite que eles sonhem com uma “qualidade de vida ainda melhor”.

12.446 – Marvel no Cinema – CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL


capitão am
Steve Rogers (Chris Evans) é o atual líder dos Vingadores, super-grupo de heróis formado por Viúva Negra (Scarlett Johansson), Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Visão (Paul Bettany), Falcão (Anthony Mackie) e Máquina de Combate (Don Cheadle). O ataque de Ultron fez com que os políticos buscassem algum meio de controlar os super-heróis, já que seus atos afetam toda a humanidade. Tal decisão coloca o Capitão América em rota de colisão com Tony Stark (Robert Downey Jr.), o Homem de Ferro.

Crítica
Antes, um lembrete aos fãs da cultuada série de HQ nas quais o filme é baseado. Não é de agora que as adaptações para o cinema dos quadrinhos (sobretudo da Marvel) se distanciaram das obras originais, seja por questões econômicas referentes aos direitos dos estúdios, seja por motivos contratuais (econômicos?) envolvendo os atores. O fato é que Civil War se distancia – e muito – do arco de sete revistinhas que contam o núcleo dessa história, mas se mantém fiel ao espírito do texto original.
Depois que o ataque de Ultron – e a defesa dos Vingadores, como consequência – deixou um rastro de destruição em Vingadores: Era de Ultron, os políticos resolveram que os super-heróis deveriam se registrar, como medida para conter possíveis futuros estragos envolvendo esse tipo de conflito em larga escala (e ter a quem responsabilizar em caso de erros). Steve Rogers (Chris Evans) é contra a medida (para ele, o anonimato é uma das condições que possibilitam que a turma realize um bom trabalho); já Tony Stark (Robert Downey Jr.) acredita que os heróis devem cooperar com o Estado. Com seguidores em ambos os lados, está armado o cenário para o confronto.
O grande barato dessa trama é que não há um lado certo – mérito maior, portanto, do time de autores dos quadrinhos, encabeçado por Mark Millar. Cada um briga pelo ideal em que acredita, o que tira a pecha maniqueísta que costuma dominar o mundo ilustrado da luta do bem contra o mal. O ponto de partida – mantido no filme, embora muito menos explorado – credencia essa como a trama mais madura do Universo Cinematográfico da Marvel (UCM) até aqui. É um conflito de ideias (bom, até a página… três, pelo menos) antes de ser um embate pessoal.
Mas trata-se de um enredo mais universal – e aqui entra o talento dos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely –, já que a briga tem repercussão em diversos pontos da Terra – e não só em Nova York, Gotham ou Metrópolis (mesmo que o longa-metragem coloque o bairro do Queens no mesmo nível de importância de uma cidade como Berlim). Enquanto as HQ´s apresentam um início e fim muito claros, com um desenvolvimento um tanto repetitivo em termos de narrativa, há mais nuances no desenrolar do texto do filme que, inclusive, resgata o vilão Zemo (Daniel Brühl), de outros carnavais do Capitão América.
Visualmente, a opção é por uma estética solar – outro ponto que distancia a Marvel da DC nos cinemas, aliás –, o que favorece uma melhor visualização das cenas de luta, tão (mais) bem coreografadas, quanto executadas. Ponto para os diretores Anthony e Joe Russo.
Com um filme-solo previsto para estrear em 2018, o Pantera Negra não só debuta, como ganha peso, claro. Chadwick Boseman dá conta da responsabilidade, adotando uma postura comprometida e um sotaque perfeito para o personagem originário da fictícia Wakanda. Mas, caso você esteja se perguntando, a resposta é sim, quem rouba a cena é o novo Homem-Aranha. A (re)introdução de um personagem já tão explorado nos cinemas veio a calhar com a versão teen do Cabeça de Teia (Tom Holland, no auge do carisma), que vai fazer com que você torça por (mais) uma aventura individual do rapazinho nos cinemas. Parte da santíssima trindade da Marvel da galhofa (ao lado do Homem de Ferro e do Homem-Formiga de Paul Rudd), a ele cabem os melhores diálogos.
Tramas de super-heróis, em maior ou menor grau, pecam – necessariamente – pela falta de lógica científica (nem o mais experiente físico é capaz de defender as trajetórias que o escudo do Capitão América percorre) e a (re)introdução do Homem-Aranha como um herói de primeira viagem serve como uma autoironia para este universo – até uma autocrítica ao próprio roteiro, numa segunda análise. (Afinal, convenhamos, se o Visão, Paul Bettany, resolvesse entrar na briga pra valer, o confronto estaria fadado ao fiasco e, consequentemente, não haveria filme).
No fim, a cumplicidade entre os heróis aqui é mais nítida do que em Vingadores 1 e 2 (não à toa, Capitão América: Guerra Civil vem sendo chamado de “Vingadores 2,5”), mesmo em um cenário que os coloca em lados opostos. E o resultado é não só divertido, como emocionante, palatável tanto para gregos, quanto troianos, ou seja, vale para iniciantes e fanboys.

12.445 – A Nanotecnologia na Medicina


nanotecnologia (1)
Os nanorobôs

A nanotecnologia tornou-se uma importante aliada para a área de saúde nos últimos anos, em especial na medicina que a cada dia se beneficia das novas descobertas que envolvem a manipulação dos elementos em escala atômica. O aumento da longevidade, terapias mais eficientes e rápidas são os grandes diferenciais da nanotecnologia em relação à medicina convencional e projetam um cenário futurístico na maneira de combatermos doenças e o envelhecimento.
A medicina já dispõe atualmente de algumas ferramentas provenientes da nanotecnologia que já são capazes de exemplificar a potencialidade da área, como por exemplo, a utilização de sensores retinianos que auxiliam na melhora da visão, estimuladores cerebrais que combatem doenças degenerativas cerebrais, desfibriladores portáteis que regulariam o fluxo cardíaco entre outras aplicações que os medicamentos tradicionais não conseguiriam resolver.
Entre as tecnologias que já estão em fase de testes ou poderão ser aplicadas em um futuro próximo, podemos citar a utilização de nanorrobôs que combatem patógenos em nosso organismo, a transferência de nossas memórias para um computador, terapias gênicas que alterem genes que possam transmitir doenças congênitas e a mais polêmica das aplicações que seria a imortalidade através de nanorrobôs que reparassem os danos celulares causados pela idade, chegando a esse ponto certamente teremos um grande marco para a humanidade.
É importante pensar na nanotecnologia como uma tecnologia a ser usada a serviço do bem estar da sociedade, a utilização dessa tecnologia para objetivos menos nobres como armas e manipulações genéticas sem propósitos terapêuticos pode significar uma regressão de valores de uma promissora área da ciência contemporânea.

12.444 – Biônica e Inteligência Artificial – Fusão entre o Homem e a Máquina, Ficção ou Realidade?


cyborgintro-s-
Neste artigo, vamos ver como estas duas áreas tendem a se aproximar, inexoravelmente, entre a “mecanização” do homem e a “humanização” das máquinas, tanto fisicamente quanto “espiritualmente”. Vamos ver os progressos mais significativos desses dois campos de pesquisa, que devem impactar profundamente o nosso modo de vida nas próximas décadas.

O Cyborg : a fronteira entre o homem e a máquina
Chamamos de “cyborg” todo ser vivo – geralmente humano – o que teria sido “reforçado” por adições mecânicas em seu corpo. Aliás, o termo “cyborg” é a contração de “cybertenic organism” (organismo cibernético) e apareceu na década de 60 durante as primeiras explorações espaciais. Os pesquisadores refletiam sobre o conceito de um ser humano “evoluído” que pudesse sobreviver em ambientes extraterrestres.
Mas esse conceito surgiu bem antes. Voltemos para meados do século XIX, nos livros de Edgar Allan Poe, autor que já descrevia um homem com próteses mecânicas em seu conto “The man that was used up” (O Homem que foi refeito), publicado em 1839. Desde então, a ideia ganhou terreno e os cyborgs e robôs tornaram-se muito populares com obras e personagens tais como Terminator, Robocop, O homem de seis milhões de dólares, os Cybermen Dr Who, ou o recente I, Robot. Se esses filmes ou séries famosas levantaram a questão dos limites da humanidade, partindo do humano, obras como a série Robots, de Isaac Asimov, buscam o limite entre o homem e a máquina, questionando a noção de “consciência artificial”, a do robô, com todas as questões filosóficas e éticas envolvidas.
Hoje fala-se cada vez mais de cyborg, não em termos de ficção, mas como evoluções científicas. Com os avanços e a miniaturização das tecnologias, percebe-se qua as próteses, cada vez mais discretas e eficientes, são capazes de substituir perdido ou superar um membro perdido ou a falência de um órgão. Frequentemente, o termo “transhumanismo” é usado para definir estes desenvolvimentos técnicos. O transumanismo é um movimento que reúne cada vez mais adeptos e que consiste em atenuar as “fraquezas” do homem (recursos físicos, doenças, invalidez, velhice, morte), graças aos progressos tecnológicos e aos enxertos mecânicos capazes de tornar o homem mais “poderoso”. Alguns falam até mesmo de pós-humanidade, prevendo a generalização destas práticas em todos os seres humanos.
Homens cuja capacidade física ou mental dependem de máquinas? Daí a falar de cyborgs, há apenas um passo.

Nós já somos “cyborgs” ?
A questão pode parecer irônica, mas tudo vai depender do ângulo em que é tratada. Se um cyborg é um homem cuja capacidade foi aumentada pelos avanços tecnológicos, então uma boa parte da humanidade pode ser definida como tal. Segundo alguns pesquisadores, nós já entramos na era dos cyborgs, com a proliferação de aparelhos eletrônicos, que invadem nossas vidas até se tornarem indispensáveis. Televisores, telefones, satélites, Internet: todas essas ferramentas nos permitem interagir com o mundo e, assim, aumentar o abrangência de nossas ações e ideias. Para a maioria das pessoas, essa explicação é muito “fictícia”, pois a evolução é uma característica própria do homem e as ferramentas tecnológicas que ele utiliza, não podem alterar a sua condição primária de “animal pensante”. Falemos sim de um homem “aumentado”.

tecnologia

Assim, vamos enfatizar uma definição mais real de cyborg, que consiste em mudar o corpo do homem para dar-lhe novas possibilidades físicas ou mentais. A fusão entre o homem e a máquina, através de transplantes ou implantes de chips no organismo.As pesquisas no campo são inúmeras e envolvem vários setores, incluindo a medicina, robótica, cibernética, nanotecnologia, biotecnologia, NTIC (Novas Tecnologias de Informação e Comunicação), ciência cognitiva, etc. E o progresso é rápido. Os transplantes mecânicos já existem há muito tempo, como os marca-passos, e membros artificiais, mas isso não significa criar seres diferentes. Poderíamos até falar dos óculos ou aparelhos auditivos como melhorias técnicas do homem. Melhor do que ser humano “aumentado”, falaremos aqui de ser humano “consertado”. É óbvio que ainda não atingimos a fase de cyborg como foi explicado acima, inúmeras são as pesquisas neste sentido.

Atualmente procura-se atuar na parte interna do corpo humano, seja em termos genéticos ou mecânicos, através de chips implantados, por exemplo.
Hoje, chegamos a um real limite entre o homem e a máquina. Nos acostumamos a um mundo ultra-conectado, onde os nossos aparelhos fazem parte integrante de nossas vidas e face aos quais nos tornamos cada vez mais dependentes. Implantar esses dispositivos diretamente em nosso corpo pode vir a ser uma solução do futuro, embora essa ideia levante importantes questões técnicas e sociais.
Quando observamos os avanços tecnológicos, podemos pensar que isso poderia se concretizar em um futuro, cada vez mais próximo. Hoje, já existem: o doping químico, implantes de dispositivos eletrônicos (principalmente medicais) ou próteses, tão avançadas que podem corresponder ou superar um membro humano.
Em paralelo, é interessante notar que, damos cada vez mais características humanas aos robôs, aprimorando os movimentos físicos e, acima de tudo, a inteligência artificial, que está crescendo na velocidade da luz. Estamos assistindo a uma aproximação cada vez maior entre os dois mundos.

O futuro à nossa porta
A tecnologia e a medicina estão evoluindo rapidamente e mudaram, radicalmente, o estilo de vida do homem, sempre em busca de poder. O virtual lhe permitiu alavancar sua capacidade de comunicar com os outros, com vantagens (partilha de conhecimentos e ideias, economia de tempo, desejo de criatividade) e desvantagens (desvios, manipulação de massa, violação de privacidade) inerentes.
Também melhorou a qualidade de vida dos seres humanos através de avanços da medicina, que nos permitem viver uma vida mais longa e saudável. Tudo se conecta, cada vez mais rapidamente e a maioria das pessoas não conseguem acompanhar o rítmo. Se antes, foram necessários muitos anos para uma tecnologia se expandir (como o telefone ou a televisão), hoje adotamos novas tecnologias com uma velocidade estonteante, quase mecânica, compulsiva. Não temos mais dificuldades em pensar que o homem poderia aceitar, sem muita resistência, se conectar interiormente a dispositivos eletrônicos, para se tornar, finalmente, um cyborg.
Mas onde nos encontramos, exatamente, hoje? Quais são os avanços mais marcantes? E o que podemos imaginar para a humanidade nas próximas décadas? Exceto uma catástrofe global, é provável que nossa evolução veja uma séria aceleração “graças” às novas ferramentas tecnológicas.

Os braços biônicos
Dentre os avanços mais significativos, estão as novas próteses ligadas ao sistema nervoso, acionadas por vários motores, capazes de reproduzir todos os movimentos do membro original. Hoje em dia, somos capazes de criar mãos, pés, braços ou pernas com um realismo impressionante mas, mais interessante ainda, com alta eficiência, chegando a ultrapassar os membros em carne e osso. Estes avanços anunciam novas possibilidades em termos de desempenho e estética. Podemos ver o exemplo de Aimee Mullins, atriz e atleta americana, nascida sem pernas, que ficou famoso no meio esportivo e de modelagem graças à próteses sofisticadas. Aliás, ela faz muita publicidade a fim de promover essas próteses expondo a nova perspectiva que podemos trazer para as pessoas portadoras de deficiência.

protese

Mais impressionante ainda, este jovem austríaco que, depois de um acidente de trabalho, perdeu o uso de seu braço esquerdo. Há poucos meses atrás, ele decidiu amputá-lo para substituí-lo por um braço biônico, diretamente ligado ao seu cérebro. Os comandos do seu braço artificial são ativados por sinais elétricos do cérebro, e parece estar bem no ponto, como o mostra este vídeo realizado pela BBC. Substituir um membro inválido por uma prótese biônico parece ser uma ideia perfeitamente aceitável, mas isso poderia ser usado também em indivíduos perfeitamente válidos. Uma ideia subliminar nas palavras de Aimee Mullins, durante uma entrevista: “A amputação voluntária, eu acho que ainda vai acontecer […] Os atletas farão de tudo para obter o melhor desempenho possível”.
Aqui temos o exemplo de próteses para pernas ou braços, mas essa ideia é totalmente válida para determinados órgãos, como os rins, coração ou olhos. Não é ilusório pensar que nossos corpos poderão ser, um dia, “consertados” como um carro, cujas peças precisariam ser trocadas. Obviamente, algumas partes do corpo são mais complexas do que outras. Não se pode imaginar, por exemplo, substituir a totalidade ou parte do cérebro após um acidente grave. O olho também é um órgão difícil de ser reproduzido e, sobretudo, ligar ao cérebro humano. Os últimos avanços são encorajadores e preveem o primeiro olho biônico explorável dentro de dois anos. Para enfrentar os elementos mais delicados, outras ciências veem sendo exploradas, como a nanotecnologia ou os microchips.

Os chips implantados
Além de “consertar” ou “aumentar” o ser humano, muitos experimentos foram realizados a fim de conectá-lo às máquinas diretamente pelo pensamento, ou mais concretamente, por sinais elétricos enviados pelo cérebro, já que todas as nossas ações são controladas pelo nosso cérebro. As pesquisas se dividem em dois métodos: o primeiro, o mais suave, consiste em colocar uma tampa coberta com eléctrodos, que capta as ondas emitidas pelo cérebro, e que, em seguida, são analisadas por um computador, antes de acionar a máquina à qual ele está ligado.
O método tem evoluído, mas também tem se mostrado pouco preciso e muito lento. É por isso que certos cientistas teem estudado um método alternativo, visando implantar um chip diretamente no cérebro. Isso aumenta a precisão, mas cria riscos significativos de infecção; assim sendo, os testes em seres humanos são muito limitados atualmente. Mais uma vez, esses estudos são destinados, principalmente, para pessoas com deficiência, que não podem contar com seus corpos para realizar ações, daí o interesse de uma interface homem-máquina controlada pelo pensamento.

Mas outros estudos tentam tornar o homem um verdadeiro controle remoto, capaz de interagir com as máquinas com um simples movimento do braço ou, mais ambiciosamente, pelo pensamento. Entre os pesquisadores mais influentes no campo, Kevin Warwick, professor de cibernética da Universidade Reading, no Reino Unido, tornou-se conhecido por ter feito implantes no seu próprio corpo. Em março de 2002 ele implantou um microchip no nervo do braço para controlar máquinas simples com um simples movimento (mão robótica, lâmpada). Ele vê o progresso tecnológico como uma forma de melhorar o ser humano e não apenas para tratá-lo. Ele até conseguiu transmitir um sinal para uma mão mecânica, do outro lado do planeta, pela Internet.
Esta experiência criou algum desconforto, porque podemos imaginar possíveis abusos de tal poder (dirigir objetos à distância, no comando). Kevin Warwick pretende ser o primeiro representante de uma “nova espécie” pós-humana, um cyborg, por assim dizer. Seu próximo passo: implantar chips em seu próprio cérebro para se comunicar com o cérebro de outro indivíduo, também equipado com um chip.
Uma experiência que visa, nada mais, nada menos, a telepatia entre os humanos e, que deveria, segundo o cientista, se concretizar nos próximos dez anos. Experiências que continuam a ser altamente especulativas e que, provavelmente, enfretarão muitas críticas devido aos riscos envolvidos.
Hoje, além de reparar, as pesquisas levam a “melhorar” o homem, para torná-lo um ser híbrido de carne e metal. Estas pesquisas causam muitos controvérsia porque elas desafiam a própria identidade do homem, até separá-lo, gradualmente, do seu ambiente natural para criar, no final, totalmente artificial. Alguns anos atrás, foram publicados artigos anunciando o aparecimento de úteros artificiais.
Sem falar das experiências de reprodução assistida, que fornecem bebês “à la carte” (cor dos olhos, pele, características físicas, sensibilidade às doenças, etc) graças as manipulações genéticas. Pesquisas que enfrentaram grande controvérsia, da parte de grupos religiosos, ou mesmo alguns cientistas, que apontam o dedo para os problemas éticos associados a essas práticas.

A revolução da nanotecnologia
Além dos chips, a nanotecnologia poderia ter um papel importante no futuro. Se a técnica é aplicável a muitas indústrias, ela também é importante em medicina. Muitas equipes estão trabalhando para desenvolver micro-robôs (metálicos ou orgânicos) capazes de analisar e reparar o nosso corpo por dentro. Melhor ainda, deveria ser possível, a médio prazo, substituir as partes defeituosas do nosso corpo, tais como a retina. As nanotecnologias atuam a nível molecular, o que permite a intervenção, de uma maneira focada, sobre o corpo humano, entregando medicamentos, por exemplo, e, assim, eliminando ou retardando doenças da velhice, ou mexendo no código genético dos nossos cromossomos.

nanotecnologia

As nanotecnologia interessam muito os militares do exército americano, que tem investido centenas de milhões de euros em pesquisa e exploração dessas micromáquinas, para melhorar o desempenho dos soldados. O objetivo é produzir “super soldados” capazes de resistir aos ferimentos e até mesmo se auto-reparar, através destas nanomáquinas.
Além da evolução da Biotecnologia e a Robótica, esses avanços poderiam dar origem a super-soldados geneticamente modificados, a fim de superarem os exércitos inimigos. Nas Forças Armadas, assim como no meio civil, essas mudanças tecnológicas futuras deveriam cavar um pouco mais o fosso entre ricos pobres, como o fosso digital atual.

Até aqui nós falamos de cyborgs, ou seja, homens “aumentados”, mas existe uma outra área que merece nossa atenção especial: a inteligência artificial (IA). Esta ciência procura reproduzir artificialmente a capacidade intelectual dos seres humanos, e transpô-la através de programas usados em sistemas de criptografia, videogames, motores de busca, softwares (aprendizagem, tradução, reconhecimento facial, etc ), a robótica ou a medicina, com sistemas de órgãos autônomos. A inteligência artificial é a fonte de muitas fantasias ilustradas pela ficção científica, com robôs dotados de consciência artificial, quase ou totalmente, indistinguível de uma consciência humana, dotados de uma inteligência própria e, até mesmo, de “emoções”.

IA, ou a independência das máquinas
A inteligência artificial é uma vasta área de pesquisa, que envolve muitos pesquisadores e industriais de todos os setores, pois suas aplicações são enormes. As pesquisas na área tem como objetivo desenvolver programas capazes de executar tarefas específicas de maneira, parcial ou totalmente, autônoma.
O termo “inteligência artificial” é muitas vezes debatido entre os especialistas, que questionam a noção de inteligência, que continua muito vaga. Falamos de “inteligência” para descrever a capacidade de compreender e relacionar os conceitos, a fim de se adaptar a uma determinada situação. Existem vários níveis de complexidade, do simples reflexo face ao perigo, até a elaboração de códigos de comunicação, podendo levar a raciocínios complexos que, se continuarmos a pensar, levam à emoções e à consciência de si mesmo . Assim sendo, tendemos a resumir o conceito de inteligência à tomada de consciência de sua existência e sua relação com o grupo, permitindo a sua adaptação ao meio ambiente, e obedecendo aos seus códigos (potencial físico, contexto social, etc).

Da IA baixa para a IA alta
Evocamos assim dois tipos de Inteligência Artificial: a fraca e a forte. A primeiras busca simular a inteligência com algoritmos capazes de resolver problemas pouco complexos. Ela pode ser encontrada, por exemplo, em softwares de conversa, estes robôs que tentam imitar a conversa humana, mas que ainda teem uma certa dificuldade para convencer a grande maioria dos testes, como o famoso Teste de Turing. Essa é a grande dificuldade desse tipo de pesquisa, que quer reproduzir o raciocínio humano: ela é sempre mal compreendida pelos cientistas, que continuam a debater sobre os mecanismos da consciência humana e a comlexidade do seu raciocínio.

A IA fraca também está presente em muitos robôs virtuais (que digitalizam a web à procura de informações específicas, antes de processá-las com um objetivo dado), como nos algoritmos do Google ou robôs de conversação. Também podemos citar os robôs industriais ou os veículos autónomos. Aliás, esta área tem se beneficiado dos avanços espetaculares, como mostra este vídeo que deu a volta na web, há alguns meses, durante um demonstração técnica do Google, que está na primeira linha de muitas pesquisas sobre a IA.
Por outro lado, a IA forte, que alimenta todas as fantasias, implica, além de um comportamento inteligente, em ter uma real consciência de si, o que implica na presença de emoções e sentimentos. Claro que, tal grau de inteligência não existe atualmente em nossas máquinas mas, para a maioria dos cientistas, isto é só uma questão de tempo. Partindo do princípio que a nossa inteligência e a nossa consciência são o resultado de interações biológicas e materiais, poderia ser possível, um dia, criar uma inteligência consciente em um outro suporte material, que não seja o biológico.
Se essa ideia era impensável durante os primeiros frutos da IA, nos anos 50, ela parece muito mais realista hoje em dia. Estima-se que o poder de cálculo do cérebro humano, constituído de trilhões de neurônios, é equivalente a 2 x 1014 operações lógicas por segundo. O mais poderoso supercomputador atual pode calcular a 8 petaflops, ou seja, 8×1015 operações por segundo, e o progresso é muito rápido na área (recorde de 7 teraflops, dez anos atrás, ou seja, 1000 vezes menos).

Aplicativos cada vez mais ambiciosos
Hoje em dia, muitos aplicativos que fazem uso da inteligência artificial já fazem parte de nosso cotidiano: motor de busca, robôs de suporte, softwares de tradução ou jogos de vídeo. É nesta última área que o progresso é mais impressionante, onde os desenvolvedores tentam dar ainda mais realismo e credibilidade a esse mundo virtual, começando pelos personagens. Além dos gráficos e da animação, o comportamento dos personagens desempenha um papel importante na credibilidade da coisa. Vamos tentar usar scripts ou sistemas multi-agentes que se baseiem nas possíveis ações dos personagens conforme as situações.

Assim, é possível dar um comportamento super realista, já que não é real, a personagens virtuais que também beneficiam de uma modelagem cada vez mais trabalhada, o que nos aproxima gradualmente do conceito da “Uncanney Valley” (Vale da estranheza), muito conhecido por causa dos seus jogos super modernos. Um conceito que se aplica igualmente aos robôs humanóides, às vezes, extremamente realista.
As pesquisas em matéria de inteligência artificial progridem rapidamente e, muitas vezes, surpreendem a todos com o desenvolvimento de programas, capazes de suplantar os seres humanos em determinadas áreas. O caso mais divulgado foi o do Deep Blue, um supercomputador especializado em xadrez, que em 1997, derrotou o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov, depois de várias partidas.

Muitos criticarão esta vitória do Deep Blue lembrando do cansaço de Kasparov depois de seis paridas consecutivas. Um ponto a ser considerado é, que uma das vantagens da máquina sobre o homem, é que ela não conhece o cansaço – físico ou psicológico – pelo menos se estivermos falando de IA fraca. Mais profundamente, o o programa Watson, desenvolvido pela IBM, derrotou dois adversários humanos em um quiz da televisão americana, respondendo às questões formuladas em linguagem natural. Melhor ainda, o Watson poderá vir a ajudar os médicos, como um “consultor” do serviços de clientes ou para cuidados médicos.
Mas o mais impressionante na IA, é quando ela é aplicada aos autômatos. Fazem décadas que os homens sonham com robôs capazes de imitar o comportamento humano, ou torná-los capazes de realizar as tarefas mais árduas. De maneira mais ambiciosa e, também, mais sonhadora, sonhamos com humanóides, ou seja, robôs com aparência humana, com quem poderíamos viver em perfeita harmonia, misturando-os com a população humana, atribuindo-lhes diferentes funções, do serviço até a pessoa, passando pelos robôs sexuais. Um cenário visto em vários filmes de grande sucesso como o “AI: Inteligência Artificial”, que situa a ação na segunda metade do XXI século, onde os “mecas”, os humanóides, vivem entre os humanos e serão, aliás, os únicos a sobreviver com as mudanças climáticas. Um cenário que levanta muitas questões sobre o futuro da humanidade e, que revela um futuro bastante provável diante dos avanços que temos visto.
Mais voltado para o risco de tais “máquinas” entre nós, o filme iRobot é baseado na série Robots do Asimov, e imagina, em 2035, a compra em massa de robôs humanóides, particularmente avançados, para casas do mundo inteiro, com as vantagens e os abusos que tal situação possa gerar. Um desses robôs ainda consegue desenvolver uma consciência própria, com sentimentos que imaginamos humanos, tipo: medo, raiva, tristeza, compaixão, etc.

A Inteligência Artificial e as máquinas
Hoje em dia, em 2011, ainda estamos longe desses robôs, mas estamos progredindo rapidamente. Estamos nos referindo, é claro, à domótica e aos dispositivos, mais ou menos úteis, para nos ajudar em nosso cotidiano, em nossa casa, pelo menos. Soluções que se integram gradualmente em nossas casas, assim como os computadores e as telas de alta definição e, que deveriam se generalizar em uma década. Podemos mencionar também o Aibo da Sony, abandonado em 2006 por falta de rentabilidade.

Quanto aos robôs humanóides, não podemos deixar de ficar impressionados com a velocidade com que as equipes de pesquisa estão progredindo em seus respectivos campos. Alguns modelos particularmente inovadores também têm sido apresentados na mídia, como o caso do famoso Asimo, da Honda, hoje capaz de andar em baixa velocidade, reconhecer pessoas e ter uma “discussão” básica. A versão mais recente, publicada em 2007, traz a conexão Wi-Fi, que permite que vários Asimos dividam suas tarefas entre si, ou se substituam, quando outros teem que recarregar suas baterias. Entre os robôs mais populares citemos também o Nao, desenvolvido por uma empresa francesa, a Aldebaran Robotics, e que deveria ser lançado em 2012, em supermercados. Um pouco parecido com o I, Robot. A sua gama de programação permite um grande número de utilizações possíveis para o Nao: robô de companhia, parceiro de jogos, assistência pessoal, etc.
Obviamente, a IA interessa muito as forças armadas. Em 2010, a Força Aérea dos EUA pediu a concepção de um programa capaz de identificar os setores mais vulneráveis do inimigo, em vista de um ataque. E mais preocupante ainda, o exército americano, provavelmente seguido por outras nações, quer se equipar com armas autônomas, capazes de localizar e atacar o inimigo por sozinhas. Assim, em 2020, mais de mil bombardeiros e aviões de caça, da última geração, começarão a ser equipados de modo que, até 2040, todos os aviões de guerra americanos serão controlados por inteligência artificial, além dos 10 000 veículos terrestres e dos 7000 aparelhos aéreos já controlados remotamente. Vendo isto, e indo ainda mais longe, não podemos deixar de pensar nas cenas apocalípticas de alguns filmes futuristas como “Matrix”.

A ciência que já não é quase mais uma ficção
É claro que, atualmente, é impossível ter-se uma visão clara do que nos aguarda nos próximos dez, vinte ou cinquenta anos. Este artigo foi uma oportunidade para mostrar as muitas possibilidades exploradas em termos de cibernética, biotecnologia e inteligência artificial (e muitas outras ciências que giram em torno). Não seria correto insistir quanto à gravidade de diversos cenários utilizados pelos filmes de ficção científica, porque a realidade é, muitas vezes, mais complexa e difícil de prever, especialmente em áreas tão em evolução, como estas.

O professor Kevin Warwick já explicou, muitas vezes, que o homem vai evoluir junto com as máquinas para não serem superado. Temos uma certa dificuldade para pensar que os seres humanos seriam imprudentes o bastante para deixar as máquinas assumirem o poder sobre nossa espécie de alguma maneira. Mas a sede de poder e a curiosidade dá lugar a todas as possibilidades.
Vamos concluir este artigo com uma citação do professor Irving John Good, estatístico britânico famoso, que trabalhou com inteligência artificial e “lógica robótica”; ele morreu em 2009:

“Suponhemos que exista uma máquina que supere, em inteligência, tudo o que o homem é capaz de fazer, mesmo sendo extremamente brilhante. Como a concepção de tais máquinas faria parte das atividades intelectuais, esta máquina poderia, por sua vez, criar melhores máquinas do que ela mesma. Isto seria, sem dúvida, uma reação em cadeia do desenvolvimento da inteligência, enquanto que a inteligência humana permaneceria praticamente no mesmo ponto. Resultaria então que, a máquina ultra-inteligente seria a última invenção que o homem precisaria criar, desde que a dita máquina fosse dócil o suficiente para continuar a obedecê-lo permanentemente”.

12.443 – Biologia – Ecolocalização de morcegos e golfinhos evoluiu por uma mesma mutação


golfinho-e-morcego
Golfinhos e morcegos não têm muito em comum, mas eles compartilham um super poder: ambos caçam suas presas, emitindo sons de alta frequência e ouvindo os ecos. Agora, um estudo mostra que esta capacidade surgiu de forma independente, em cada grupo a partir das mesmas mutações genéticas.
Este trabalho sugere que a evolução dessas novas características seguiu uma mesma sequência de passos, mesmo em animais muito diferentes.
A pesquisa também indica que esta evolução convergente é comum e oculta nos genomas, potencialmente complicando a tarefa de decifrar algumas relações evolutivas entre os organismos.
A natureza é cheia de exemplos de evolução convergente, onde organismos muito distantes possuem habilidades e características semelhantes: pássaros, morcegos e insetos todos têm asas, por exemplo. Os biólogos assumiram que estas novidades foram concebidas, em um nível genético, de forma fundamentalmente diferente. Esse também foi o caso de duas espécies de morcegos e baleias dentadas, um grupo que inclui golfinhos e algumas baleias, que convergiram em uma estratégia de caça especializada chamada ecolocalização. Até recentemente, os biólogos pensavam que genes diferentes dirigiam cada instância de ecolocalização e que as proteínas relevantes poderiam mudar de inúmeras maneiras para assumir novas funções.
Mas em 2010, Stephen Rossiter, um biólogo evolucionista da Queen Mary, Universidade de Londres, e seus colegas determinaram que os dois tipos de morcegos usando ecolocação, bem como golfinhos, tinham as mesmas mutações em uma proteína especial chamada prestina, que afeta a sensibilidade do ouvir . Olhando para outros genes conhecidos envolvidos na audição, eles e outros pesquisadores descobriram vários outros cujas proteínas foram igualmente alteradas nesses mamíferos.
Agora, a equipe de Rossiter ampliou a busca por essa chamada convergência molecular de todo o genoma. Eles sequenciaram o genoma de quatro espécies de vários ramos da árvore genealógica do morcego, dois que usam a ecolocalização e duas que não. Eles acrescentaram nas seqüências genômicas existentes do grande “raposa-voadora” e do pequeno morcego marrom, outro ecolocalizador. O biólogo evolucionista Joe Parker, também do Queen Mary, Universidade de Londres, comparou as seqüências genéticas de morcegos para mais de uma dúzia de outros mamíferos, incluindo o golfinho. Ele se concentrou sobre os 2.300 genes que existem em cópias simples em todos os morcegos, golfinho, e pelo menos cinco outros mamíferos.
Ele avaliou como cada gene foi semelhante com os seus homólogos em vários morcegos e os golfinhos. A análise revelou que 200 genes haviam mudado independentemente da mesma forma, Parker, Rossiter e seus colegas relataram esta pesquisa na Nature. Vários dos genes estão envolvidos na audição, mas os outros não têm nenhuma ligação clara com a ecolocalização, até agora, alguns genes com alterações comuns são importantes para a visão, mas a maioria tem funções que são desconhecidas.

“A maior surpresa”, diz Frédéric Delsuc, um filogeneticista molecular na Universidade de Montpellier, na França, “é provavelmente a medida em que a evolução molecular convergente parece ser generalizada no genoma.”
O genomicista Todd Castoe da Universidade do Texas, Arlington, também está impressionado: “Estou muito convencido de que eles estão encontrando algo real, e é realmente emocionante e muito importante.” No entanto, ele é crítico sobre a forma como a análise foi feita, sugerindo que a abordagem encontraram apenas uma evidência indireta de convergência molecular.
A descoberta de que a convergência molecular pode ser generalizada em um genoma é “agridoce”, acrescenta Castoe. Os biólogos que estão construindo árvores genealógicas provavelmente estão sendo levados a sugerir que alguns organismos estão intimamente relacionados porque os genes e as proteínas são semelhantes devido à convergência, e não porque os organismos tiveram um ancestral comum recente. Há árvores genealógicas totalmente protegidas contra estes efeitos enganosos, Castoe diz. “E nós temos atualmente nenhuma maneira de lidar com isso.” (Fonte: Science).

12.442 – Economia – O Euro


Euro
O euro é atualmente a moeda única de 19 Estados Membros da União Europeia, que em conjunto formam a zona euro. A introdução do euro em 1999 representou um passo muito importante no processo da integração europeia e constitui também um dos seus maiores êxitos: cerca de 337.5 milhões de cidadãos da União Europeia utilizam-no atualmente como moeda e usufruem de vantagens que continuarão a aumentar à medida que outros países da União Europeia forem adaptando a moeda única.
O euro
O euro é actualmente a moeda única de 19 Estados-Membros da União Europeia, que em conjunto formam a zona euro. A introdução do euro em 1999 representou um passo muito importante no processo da integração europeia e constitui também um dos seus maiores êxitos: cerca de 337.5 milhões de cidadãos da União Europeia utilizam-no actualmente como moeda e usufruem de vantagens que continuarão a aumentar à medida que outros países da União Europeia forem adoptando a moeda única.
Quando o euro foi introduzido, em 1 de Janeiro de 1999, tornou-se a nova moeda oficial de 11 Estados-Membros, substituindo, em duas fases, as antigas moedas nacionais – como o marco alemão e o franco francês. Foi inicialmente utilizado como moeda virtual nas operações de pagamento que não envolviam notas e moedas, bem como para fins contabilísticos, enquanto as antigas moedas continuavam a ser utilizadas nas operações de pagamento em numerário e a ser consideradas subdivisões do euro. Posteriormente, em 1 de Janeiro de 2002, o euro foi introduzido fisicamente sob a forma de notas e moedas.
O euro não é a moeda de todos os Estados-Membros. Dois países, a Dinamarca e o Reino Unido, acordaram uma opção de exclusão no Tratado, que os dispensa de participar na zona euro, enquanto os restantes (muitos dos novos Estados-Membros e a Suécia) ainda não preenchem as condições estabelecidas para a adopção da moeda única. Quando preencherem, substituirão as suas moedas nacionais pelo euro.
A moeda é ainda usada por mais 210 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais 182 milhões em África, que usam moedas de câmbio fixo em relação ao euro. O euro é a segunda maior moeda de reserva e a segunda moeda mais transaccionada no mundo a seguir ao dólar dos Estados Unidos.
Com base em estimativas do Fundo Monetário Internacional do PIB e da paridade do poder de compra, a zona euro é a segunda maior economia do mundo.
O nome “euro” foi oficialmente adotado em 16 de dezembro de 1995. O euro foi introduzido nos mercados financeiros mundiais enquanto unidade de conta a 1 de janeiro de 1999, em substituição da antiga Unidade Monetária Europeia (ECU), a um câmbio de 1:1 (1,1743 USD). As moedas e notas físicas de euro entraram em circulação a 1 de janeiro de 2002, tornando-a a moeda de uso corrente entre os membros originais.
Embora nos primeiros dois anos a cotação do euro tenha descido para 0,8252 USD (26 de outubro de 2000), a partir do fim de 2002 começou a ser transacionada a valores superiores ao dólar, atingindo um máximo de 1,6038 USD em 18 de julho de 2008.
A ideia do estabelecimento da moeda única na CEE nasceu já na década de 70. Teve como principais defensores os Economistas Fred Arditti, Neil Dowling, Wim Duisenberg, Robert Mundell, Tommaso Padoa-Schioppa e Robert Tollison. No entanto, só pelo Tratado de Maastricht, de 1992 esta ideia passou da teoria para o Direito. Este tratado foi celebrado pelos doze países que à data faziam parte da Comunidade Económica Europeia. O Reino Unido e a Dinamarca optaram neste tratado por ficar de fora da moeda única. Na teoria os países que aderissem posteriormente à União teriam que aderir à moeda única. A Suécia aderiu à União em 1995 mas negociou entrar numa fase posterior. Os critérios para adesão à nova moeda única foram estabelecidos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento de 1997.
O primeiro nome para o sistema de conversão entre as moedas que se uniriam foi o ECU (European Currency Unit em Inglês). O nome de Euro é atribuído ao Belga German Pirloit que assim o sugeriu a Jacques Santer em 1995. O valor da nova moeda foi ancorado ao do ECU por resolução do Conselho da União Europeia de 31 de dezembro de 1998. Esta entrou em vigor a 1 de janeiro de 1999 em forma não material (transferências, cheques, etc.) e a 1 de janeiro de 2002 em notas e moedas.
A Zona Euro é composta pelos seguintes países da União Europeia, que adotaram a moeda comum: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal, prevendo-se que com a expansão da União Europeia alguns dos aderentes mais recentes possam nos próximos anos partilhar também o euro como moeda oficial.
O governo dinamarquês anunciou no seu programa de 22 de novembro de 2007 a sua intenção de organizar um referendo sobre a entrada do país na Zona Euro.
Alguns países pequenos que não praticam políticas de moeda própria usam também o euro: Andorra, Mónaco, São Marino e Vaticano. Montenegro também utiliza o euro como sua moeda oficial. Também no Kosovo, o euro passou a circular mesmo antes da sua declaração de independência.
Outros países tinham a sua moeda fixada a uma antiga moeda europeia. Este era o caso do escudo cabo-verdiano, que estava ligado ao escudo português, e do franco CFA, que era indexado ao franco francês, em circulação em diversos países africanos, e o Franco CFP, dos territórios franceses no Pacífico.
O banco que controla as emissões do euro e executa a política cambial da União Europeia é o Banco Central Europeu, com sede em Frankfurt , na Alemanha.

12.441 – Projeções – O Ser Humano será um Homem Máquina?


homem maquina
Vários cientistas já alertaram para os riscos possíveis da inteligência artificial e diversos escritores de ficção científica também imaginaram um planeta futuro dominado por máquinas.
Agora, um futurólogo estabeleceu um prazo determinado para isso acontecer e deu nome à espécie que nos substituirá: o Homo optimus.
Para Ian Pearson, a partir de 2050, o trans-humanismo será algo comum, e as pessoas se tornarão seres evoluídos graças à tecnologia, sendo capazes até de conversar com seus animais de estimação. Pele eletrônica, collants que aumentarão o poder, maquiagem inteligente, monitoramento e reparo nanotecnológico do corpo e dentes substituíveis automaticamente serão parte da realidade cotidiana desses novos habitantes da Terra – seres humanos e também máquinas.
E não apenas nossos descendentes diretos serão diferentes: também seus animais de estimação, que se tornarão mais inteligentes e serão capazes de aprender idiomas para se comunicar com seus donos.
O Homo optimus, segundo Pearson, vai pôr em xeque a noção de identidade, já que o cérebro poderá se conectar a vários computadores e se carregar em diversos corpos. Haverá o fim do “eu”, tal como o conhecemos e o começo de uma raça de androides, o que implicará em mudanças sociais, geo e biopolíticas radicais e ainda impensáveis.

12.440 – Envelhecimento, uma corrida contra o tempo


elixir_da_juventude_-_envelhecimento_-_history_channel
Um alienígena que nos visitasse e examinasse os dados demográficos do século XX pensaria que a humanidade dominou o processo de envelhecimento. De fato, nossos números impressionam. Em 1900, a expectativa média de vida do brasileiro ao nascer era de 33 anos. Hoje, é de 68, mais que o dobro. Nos Estados Unidos, saltou de 47 para 75 anos, no mesmo período. “Em breve”, pensaria o alien, “esses terráqueos viverão centenas de anos”. O extraterrestre ficaria ainda mais impressionado se conhecesse as técnicas antienvelhecimento que vários profissionais de saúde oferecem por preços módicos. “A imortalidade está ao alcance das posses de qualquer um!”, diria o ET.
Nada mais enganoso. Apesar de ser uma das mais antigas preocupações da humanidade, presente em escritos de mais de 5 000 anos, o envelhecimento só é estudado a sério, com rigor científico, há algumas décadas. E ainda não temos muitas certezas a respeito.
Na verdade, nosso conhecimento sobre o tema nunca evoluiu tanto, graças a dois fatos. O primeiro foi a explosão da população idosa que, nos países ricos, ultrapassou o número de jovens menores de 14 anos. Para dar bem-estar a essa multidão é preciso entender o que ocorre com ela. O avanço da pesquisa genética também ajudou, especialmente depois que o genoma humano foi desvendado. O que você vai ler nas próximas páginas é um resumo do que se sabe e do que ainda falta saber sobre o assunto.

O que é envelhecimento?
Um exemplo conhecido do que acontece quando envelhecemos é o que ocorre na savana africana. Quando uma leoa ataca uma manada de antílopes, a maioria dos bichos escapam dando saltos assombrosos e, no final, quem acaba nas garras dos felinos são os animais velhos, que já não conseguem acompanhar os mais novos. “Em linhas gerais, o envelhecimento é isso: a perda gradativa das reservas que todos os organismos têm para usar em momentos de estresse”, diz o professor de Geriatria Clineu de Mello Almada Filho, da Universidade Federal Paulista (Unifesp), que também é gerontologista (profissional que estuda o envelhecimento). Em humanos, é essa perda que torna mais difícil, ano após ano, varar a noite estudando ou enfrentar uma maratona de trabalho. Na juventude, essas coisas são menos desgastantes.

Mas por que isso acontece? Qual a razão biológica para envelhecer? A resposta é que não há razão. Envelhecemos porque, pela lógica da seleção natural, que é como “pensa” a natureza, o que acontece com o indivíduo depois que ele gerou descendentes não faz diferença para o futuro da espécie. Assim, a perda das reservas – aquele “algo mais” para atravessar momentos difíceis – após a idade reprodutiva não prejudica a espécie. Em alguns casos, pelo contrário, a beneficia. Em ambientes onde falta alimento, quem já passou da idade fértil representa uma competição extra. Aos poucos, portanto, a natureza privilegiou as espécies cujos integrantes deixavam o palco assim que seu papel acabasse.
Pesquisas recentes mostram que muitos genes prejudiciais ao organismo na idade avançada são úteis na juventude. O câncer de pele, por exemplo, é uma versão fora de controle da capacidade da pele de curar as feridas, segundo o gerontologista americano Steve Austad.
A espécie humana foi a primeira a reverter esse estado de coisas. Nosso corpo foi forjado há 130 000 anos, uma época em que os humanos, por mais fortes e saudáveis que fossem, morriam todos antes dos 30, vítimas de acidentes, predadores ou doenças. Mas nós domamos essas adversidades, elevando nossa expectativa de vida para muito além da idade reprodutiva. Ou seja, a degeneração que enfrentamos a partir dos 30 anos, ou, em outras palavras, o envelhecimento, nada mais é que a entrada em um período da vida para o qual a seleção natural não nos preparou. “A velhice é um produto da civilização. Só ocorre nos seres humanos, nos animais domésticos e nos mantidos em zoológicos ou laboratórios”, diz o professor Leonard Hayflick, professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, e membro fundador do Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos.
Mas não somos imunes à seleção natural. A capacidade de prolongar a idade fértil, por exemplo, é um indicador da longevidade e vale também para nós. Segundo um estudo realizado nos Estados Unidos, mulheres que tiveram filhos depois dos 40 anos têm quatro vezes mais chances de atingir os 100 anos que as demais.

O que nos faz ficar velhos?
As teorias sobre as causas do envelhecimento podem ser divididas em dois grupos: as primeiras dizem que o envelhecimento é um processo programado, que sucede o desenvolvimento embrionário e o crescimento; as outras defendem que o envelhecimento é um processo aleatório, causado por danos que vão se acumulando no organismo. Hoje, a segunda é mais aceita entre os cientistas que estudam o assunto, embora haja alguns fatos importantes que não se encaixam nela.
O número de vezes que uma célula se divide, por exemplo, é programado para cada espécie e está diretamente relacionado à longevidade. As células do camundongo, animal que vive três anos, dividem-se 15 vezes. As nossas dividem-se 50 vezes. E as da tartaruga das ilhas Galápagos, que vive 175 anos, dividem-se 110 vezes. Os cientistas já sabem que o número de divisões é determinado pelo tamanho dos telômeros, um novelo de DNA localizado na extremidade dos cromossomos e que serve como uma sola. A cada divisão, os cromossomos perdem parte do telômero, até que a sola acaba e a célula pára de se dividir e morre. Há uma enzima que evita a perda do telômero e torna a célula imortal. Seria o elixir da imortalidade? Longe disso. É ela que produz células cancerosas.
Richard Lerner, do instituto de pesquisa The Scripps, em La Jolla, na Califórnia, descobriu que alguns genes responsáveis pela divisão celular se modificaram com o tempo, provocando alterações que acarretam os sinais visíveis da degeneração e doenças. “O envelhecimento é predominantemente um problema de divisão da célula”.
Ninguém sabe ao certo o que causa os danos à célula. Entre os vários suspeitos, os mais famosos são os radicais livres, que são moléculas altamente reativas produzidas aos bilhões dentro da célula, como resíduo tóxico da transformação da glicose em energia. Os radicais são um perigo porque reagem com qualquer molécula que encontram, modificando-a. Dentro da célula, isso significa deformações no DNA, enzimas e proteínas importantes para o seu funcionamento.

O que fazer para viver mais?
Preocupados com a proliferação dos tratamentos que prometem evitar a velhice, um grupo de 51 cientistas emitiu, há dois meses, um relatório importante. Nele, os autores fizeram um resumo do que se sabe sobre o tema e lançaram um alerta. À luz do conhecimento atual, disseram, “nenhum dos métodos comercializados provou-se capaz de retardar, parar ou reverter o envelhecimento humano”. E acrescentaram: “Alguns desses métodos podem inclusive ser perigosos”. Ou seja, embora a ciência pareça ter domado a natureza, ela ainda não descobriu a fonte da juventude, se é que um dia descobrirá.
Portanto, esqueça as fórmulas mágicas. Não é possível frear o envelhecimento e impedir as mudanças que ocorrem com a idade (veja quadro ao lado). Mas é possível evitar males maiores. “Não há como evitar as perdas decorrentes do processo de envelhecimento. Mas é possível aumentar a eficiência da parte que sobrevive a cada ano”, diz Clineu de Mello Almada Filho, da Unifesp.
Um coração enfartado ainda pode bater por anos, uma pessoa vive bem com um só pulmão e um idoso pode aumentar sua capacidade aeróbica e sua força, até o ponto de poder correr para alcançar o ônibus sem morrer fulminado. É aqui que entra em cena o estilo de vida de cada um. Calcula-se que o estilo de vida responde por 70% da longevidade de uma pessoa. Só 30% se devem a fatores genéticos. Imagine uma pessoa de 60 anos com pneumonia. A doença compromete os pulmões e reduz o nível de oxigênio no sangue, obrigando o coração a acelerar seu ritmo para bombear mais sangue e suprir a carência de oxigênio. Se a pessoa estiver bem condicionada, ela tomará seus antibióticos e ficará curada da pneumonia. Mais lentamente do que se fosse mais jovem, mas dará conta do recado. Se ela for sedentária, porém, seu coração tem mais chance de sucumbir ao esforço extra, ter uma insuficiência cardíaca e precisar de cuidados extras.
Mas qual é o estilo de vida ideal? Acredite, ele é mais óbvio do que você pode imaginar e pode ser resumido em oito atitudes saudáveis.

Coma direito As escolhas alimentares, sozinhas, podem aumentar ou diminuir a vida de uma pessoa em 13 anos. E os cientistas já têm uma razoável certeza do que é uma boa dieta. A maior parte dos estudos diz que o regime mais saudável é baseado em frutas, vegetais, grãos integrais, peixe, nozes e poucas porções de carne sem gordura.
Não fume O cigarro é o primeiro fator de risco para o câncer e aumenta a incidência de doenças cardíacas, duas das principais causas de morte.
Beba com moderação Evidências sugerem que consumir uma taça de vinho por dia faz bem ao coração e às artérias. Mais que isso, porém, pode trazer complicações, principalmente ao fígado e ao cérebro.
Controle seu peso Pessoas muito magras e muito gordas vivem menos. Nas tabelas peso-altura, que indicam o peso desejável para várias estaturas, a expectativa de vida é maior para quem se mantém no centro da faixa de peso desejável. Pesquisas recentes aumentaram esse limite para até 20% acima do ponto médio.
Exercite-se Os benefícios mais conhecidos do exercício ocorrem no coração. O famoso Framingham Heart Study, que monitora, há mais de 50 anos, a saúde dos habitantes de Framingham, nos Estados Unidos, descobriu que andar uma hora por dia durante a vida adia a morte por dois anos. Outros órgãos também ganham. As incidências de diabete e de câncer no cólon caem. E o cérebro corre menos risco de falhas.

Mantenha a cabeça ativa Estudar, aprender línguas, enfim, obter novos conhecimentos gera novas conexões entre neurônios, mantendo o cérebro saudável. Há indícios de que isso reduz o risco de doenças como o Alzheimer.
Relacione-se com os outros Homens bem relacionados socialmente, bem-humorados e otimistas têm mais chance de envelhecer saudavelmente e sem problemas psicológicos.

Encontre um modo de lidar com o estresse Estudos sugerem que otimistas tendem a viver mais que os pessimistas. E os religiosos sobrevivem aos ateus. Aliás, se rir não for o melhor remédio, como diz o ditado, certamente é um deles. Risadas exercitam o coração, reduzem os níveis dos hormônios do estresse, aumentam a imunidade e limpam os pulmões.
Essas são dicas de prevenção. Para quem já chegou à idade avançada, a geriatra Andrea Prates, coordenadora do Centro de Informação sobre o Envelhecimento Saudável, em São Paulo, acrescenta outros dois conselhos: procure manter a autonomia e a independência. Segundo pesquisas realizadas com idosos, velhinhos que tomam conta de si têm menos chance de morrer que os que dependem de outras pessoas para realizar suas atividades diárias.

Qual o limite biológico para o ser humano?
Em boa parte da literatura médica sobre envelhecimento, o limite de 120 anos aparece como sendo um dado científico. Não é. Segundo Olshansky, a origem desse número é a Bíblia. O Antigo Testamento diz que Adão viveu 930 anos, Noé alcançou os 950 anos e Matusalém, até hoje sinônimo de pessoa longeva, comemorou 969 aniversários. Mas Deus mudou as regras do jogo. Logo antes do Dilúvio, Ele disse: “Meu Espírito não irá disputar com o homem, pois ele é mortal. Seus dias serão 120 anos” (Gênesis, 6:3).

Seja qual for a origem desse suposto limite, ele já foi superado. Em 1997, a francesa Jeanne Calment morreu aos 122 anos e 164 dias e é a pessoa que, oficialmente, mais tempo viveu, quebrando inclusive o limite de 115 anos que Leonard Hayflick estipulara no início dos anos 90, em seu livro Como e Por Que Envelhecemos (Editora Campus, esgotado no Brasil).

A verdade é que não há como saber nosso limite, mas o assunto ainda gera discussão porque institutos de previdência e empresas seguradoras, entre outros ramos de atividade, vivem de calcular quanto tempo viveremos e uma mudança no limite de idade teria influência direta na expectativa de vida. Em um documento assinado por James W. Vaupel, da Duke University, Carolina do Norte, Estados Unidos, e por Jim Oeppen, da Universidade de Cambridge, Inglaterra, que estudam demografia e populações, os dois cientistas afirmam que “a expectativa de vida não parece estar chegando a um limite” e dizem que tentar demarcar essa fronteira pode levar a erro. “Todas as tentativas de prever qual seria a expectativa de vida no futuro foram quebradas, desde as que foram feitas em 1928 até as elaboradas em 1990. Em média, a realidade ultrapassou a expectativa projetada em cinco anos.”
Do outro lado desse debate estão cientistas como Olshansky, também munidos de bons argumentos. O crescimento da expectativa de vida no século XX, diz ele, deve-se principalmente à redução das causas de morte entre crianças e jovens, graças a conquistas como saneamento, vacinação e medicamentos. Hoje, restaria pouca margem para avanços nessas faixas etárias: se eliminássemos todas as causas de morte existentes antes dos 50 anos nos países ricos, a expectativa de vida de um recém-nascido aumentaria apenas 3,5 anos. Para que a expectativa de vida aumente ainda mais, será preciso adicionar anos às pessoas de mais de 70 anos, o que não é tão fácil.

Quais os últimos avanços da ciência?
Há muita pesquisa hoje procurando tratamentos e remédios que retardem, parem ou revertam o envelhecimento. Mas os cientistas esbarram em um problema metodológico: não há como provar suas descobertas em humanos. Primeiro porque as pessoas têm hábitos diferentes, o que multiplica as variáveis que afetam o tempo de vida. Para provar, por exemplo, o efeito de um alimento sobre o envelhecimento, seria necessário selecionar, desde o nascimento, algumas centenas de pessoas para submetê-las à dieta escolhida. Essas pessoas teriam de ser representativas da população que se quer estudar (a mesma proporção de cada raça, de cada nível social etc.). Para comparar, seria preciso selecionar um grupo idêntico, que mantivesse os hábitos normais da população. Difícil, não?
Pois há uma exigência a mais. Essas pessoas teriam que ser controladas durante toda a vida, até que a última morresse, porque ninguém descobriu ainda um indicador para medir o envelhecimento humano, além do método mais óbvio, o tempo de vida.

Na falta de dados como esses, indispensáveis ao rigor científico, os cientistas testam suas idéias em animais, o que limita o alcance das descobertas.
A ironia é que, a despeito da tecnologia empregada nas pesquisas, a técnica mais eficaz até hoje descoberta para retardar o envelhecimento e aumentar a longevidade foi descoberta há 70 anos e consiste, simplesmente, em passar fome. Essa técnica, chamada de restrição calórica ou subnutrição sem desnutrição, nada mais é que uma dieta de baixas calorias, correspondente a dois terços do que o animal come normalmente e suficiente apenas para manter os sistemas vitais operando. O benefício é evidente. A dieta dobrou a longevidade média de ratos e já foi testada, com sucesso, em fungos, moscas, vermes, peixes, aranhas, ratos e camundongos. Estudos em andamento em macacos rhesus mostram que os resultados serão idênticos.
Como isso ocorre? Ninguém sabe. Suspeita-se que a dieta reduz a produção de radicais livres, que nascem durante a transformação de glicose em energia dentro da célula.
O próximo passo é fazer testes em humanos, o que não vai ser fácil, porque a técnica tem menos efeito quanto mais tardiamente é adotada. Além disso, mesmo que fique comprovada, será que as pessoas se submeteriam a isso? Há indícios de que a restrição calórica causa desconforto, além, claro, de uma baita fome. Os cientistas estão agora procurando mimetizar seu efeito sem a necessidade de jejum e já há notícias promissoras. No mês passado, foi anunciada a descoberta de uma substância que impede o metabolismo da glicose, imitando o efeito de uma dieta rigorosa e enganando a célula.

Outra técnica famosa é o uso de antioxidantes, que combatem os radicais livres, impedindo-os de danificar a célula. Essas substâncias realmente existem e são conhecidas. Muitas são, inclusive, produzidas pelo organismo ou encontradas em alimentos, como as vitaminas E e C. O desafio dos cientistas é provar que doses extras de antioxidantes podem aumentar o combate aos radicais livres sem causar outros males à saúde. Até agora, a prova não surgiu, embora haja experiências de sucesso em animais como vermes.
Um dos maiores riscos das pesquisas nessa área é que as pessoas podem pensar que não têm nada a perder se usarem uma substância cuja eficácia não foi comprovada. Mas a interrupção de uma grande pesquisa sobre reposição hormonal em mulheres pelo governo dos Estados Unidos acendeu um alerta. Depois de cinco anos de reposição, concluíram os cientistas, os riscos do tratamento superaram os supostos benefícios.
A teoria da reposição hormonal tem uma boa base científica. A produção hormonal de fato cai com o avanço da idade. Mas não se sabe se isso é causa ou efeito da velhice. Preocupado com isso, o Instituto Nacional do Envelhecimento, nos Estados Unidos, emitiu o seguinte comunicado no ano passado: “Contrariamente ao rumor popular, nenhum complemento demonstrou eficácia na prevenção ou na reversão do envelhecimento”.