12.545 – Envelhecimento – Cadê minha fonte da juventude?


O soldado e explorador espanhol Juan Ponce de León (1460-1521) já havia acompanhado Cristóvão Colombo em sua segunda viagem à América quando começou sua busca pela mitológica Fonte da Juventude. Os nativos de Porto Rico, onde Ponce havia criado uma colônia, diziam existir tal fonte misteriosa capaz de proporcionar a jovialidade eterna para quem em suas águas se banhasse. O viajante nunca a encontrou — acabou foi descobrindo a Flórida, ironicamente o estado americano hoje com a maior proporção de idosos. Ponce de León não foi o único a procurar incansavelmente por uma forma de ser jovem para sempre. A busca pela imortalidade e pela juventude eterna sempre fascinou o homem, único animal que tem consciência da própria morte — e por isso sofre. Mas nunca esteve tão próxima de ser alcançada. Como Ponce de Leóns contemporâneos, os cientistas do século 21 vêm perseguindo o fim da maior causa de morte do mundo: a velhice. Por consequência, as doenças decorrentes dela. E parecem estar mais próximos de, no mínimo, postergá-la. “Os avanços da área biológica que surgem nesse começo de século indicam que muitos de nós poderemos chegar facilmente aos 100, 150 anos”, diz o professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Stevens Rehen.

Prolongar a vida seria apenas uma consequência de fazer as pessoas serem mais saudáveis por mais tempo. Esse é o principal objetivo da nova ciência do antienvelhecimento, que pretende atacar de uma só vez todas as formas de deterioração do corpo para fazer com que o nosso relógio biológico corra mais devagar. Assim, ficaríamos longe de doenças decorrentes da idade avançada — como Alzheimer, demência, diabetes e doenças cardíacas — por mais tempo. Atacar a velhice, portanto, seria a melhor e talvez única forma de nos afastarmos dos males provocados por ela. Combater uma a uma as doenças — algo que desde sempre fazemos — não surtiria grandes efeitos. Nos Estados Unidos, por exemplo, se os problemas de coração fossem totalmente eliminados, a expectativa de vida não subiria mais do que três anos. O mesmo que proporcionaria uma cura milagrosa para o câncer. “O risco de doenças fatais dispara após os 60 anos. Assim, mesmo que evitemos o ataque cardíaco, outros problemas vão nos pegar”, afirma o escritor de ciência e medicina americano David Stipp, autor do livro The Youth Pill (A Pílula da Juventude, sem edição no Brasil), lançado no ano passado. Por isso, a maneira de aumentar a expectativa e a qualidade de vida para valer é evitar chegar nesse estágio em que já estamos mais fracos e vulneráveis a doenças.

INJEÇÃO ANTIVELHICE
Em novembro passado, pesquisadores do Instituto de Câncer Dana-Farber, da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, publicaram um estudo que contrariou um dos principais conceitos sobre o processo de envelhecimento: o de que ele é irreversível. Eles conseguiram, pela primeira vez, rejuvenescer ratos de laboratório. O experimento foi baseado num mecanismo que rendeu, um ano antes, o Prêmio Nobel de Medicina a outros três cientistas americanos: a relação entre o processo de envelhecimento e os telômeros, uma espécie de capinha que protege a ponta de cada cromossomo dentro de nossas células — numa comparação grosseira, o telômero assemelha-se àquele revestimento plástico presente na ponta dos cadarços de um tênis. A cada vez que a célula se divide, essa capinha se encurta um pouco. Depois de 50 a 80 duplicações a célula não consegue mais se multiplicar — após os 35 anos de idade, os efeitos desse processo já começam a ser sentidos. O tempo passa e, sem células novas e com algumas mortas ou inativas, nossos órgãos começam a se deteriorar. É a velhice.

Nascemos com um mecanismo capaz de driblar esse processo, uma enzima chamada telomerase. Ela repara as tais capas protetoras dos cromossomos após cada divisão celular. Porém, após a infância, sua concentração cai drasticamente. Fazer com que ela volte a crescer é um dos caminhos para postergar o envelhecimento — ou até mesmo revertê-lo. No estudo de Harvard, os cientistas criaram ratos geneticamente modificados de forma que não produzissem a telomerase. Como resultado, os animais envelheceram rapidamente. Os sinais incluíram diminuição do cérebro e do olfato, danos no baço e intestinos, além de doenças como osteoporose e diabetes. Com apenas um mês de ingestão de telomerase, no entanto, tais sintomas sumiram. Os ratos voltaram inclusive a ser férteis e desenvolveram neurônios, sem contar uma invejável melhora na pele. “O que vimos não foi a desaceleração ou estabilização do envelhecimento, mas algo muito mais incrível: uma reversão dramática dele”, afirma Ronald DePinho, coordenador da pesquisa. “É possível imaginar que um homem de 90 anos voltaria a ter a saúde que possuía aos 40 ou 50”, diz. Porém, apesar de ter sido bem-sucedido em ratos, o tratamento ainda não foi testado em humanos. E não há perspectiva de que isso aconteça nos próximos anos. “Ainda temos muito trabalho pela frente. O próximo passo é descobrir em que estágio da vida as pessoas precisariam se submeter à injeção de telomerase”, afirma DePinho. Em paralelo a isso, ainda seria preciso ultrapassar um grande empecilho: o potencial risco de câncer.
Fora do período de gestação e infância, a telomerase só retorna em grandes quantidades nas células cancerosas — sabe-se que 90% dos tumores possuem a enzima. Aliás, é por isso que elas se reproduzem incessantemente. “Se você persegue a imortalidade, é o que, de um modo perverso, também fazem as células com câncer”, diz o oncologista e professor de medicina da Universidade Columbia, Estados Unidos, Siddhartha Mukherjee, autor do recém-lançado livro The Emperor of All Maladies: A Biography of Cancer (O Império de Todas as Enfermidades: Uma Biografia do Câncer, sem edição no Brasil).

Além da vantagem óbvia para todo mundo de postergar a chegada da velhice, um grupo específico de pessoas se beneficiaria caso os pesquisadores conseguissem resolver as contraindicações desse tipo de tratamento. Trata-se de indivíduos que, por conta de uma sequência genética, têm menos telomerase desde a gestação. Consequentemente, envelhecem mais rápido e chegam a ser biologicamente até dez anos mais velhos do que outras pessoas da mesma idade. Essa sequência de DNA foi mapeada em fevereiro do ano passado por cientistas da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Em um estudo com 3 mil pessoas, 45% delas carregavam ao menos um gene da sequência. Os pesquisadores acreditam que um mapeamento desse tipo possibilitaria prescrever estilos de vida saudáveis àqueles mais propensos aos males do envelhecimento. Além de exercícios físicos, uma dieta com poucas calorias entraria na receita. Pois é sabido, e cientificamente provado, que quem come menos, vive mais.
Uma dieta diária entre 1.200 e 1.400 calorias — 30% a menos do que a sugerida pela Organização Mundial da Saúde — poderia aumentar nossa expectativa de vida média para 120 anos. Algumas pessoas chegariam, então, aos 150. Mesmo que você começasse a comer menos aos 30, ainda teria chance de prolongar seu tempo na Terra em sete anos. É atrás dessas promessas que ao menos 2 mil pessoas praticam a dieta de baixa caloria no mundo. Esse é o número de membros da Sociedade de Restrição Calórica. Apesar da matriz estar localizada nos Estados Unidos, há integrantes de várias partes do planeta, inclusive cinco do Brasil (que não se identificam). Os resultados dos pratos moderados têm sido positivos. Dados divulgados pela Sociedade atestam que os adeptos da dieta registraram queda significativa da pressão sanguínea, perda de quase 70% da gordura corporal e redução de 80% do nível de insulina no sangue, o que, no mínimo, faz cair o risco de doenças cardíacas e diabetes. Pratos mais comportados também são a receita milenar dos habitantes do arquipélago japonês de Okinawa — é lá que estão as pessoas que mais vivem no mundo. A proporção de centenários nas ilhas é de 50 para cada 100 mil moradores, enquanto nos demais países cai para dez a cada 100 mil. A população de Okinawa é de cerca de 1,3 milhão. Não por acaso, um prato típico no arquipélago tem 17% menos calorias do que no restante do Japão.
Em cinco anos, o laboratório Sirtris Pharmaceutical promete colocar no mercado uma pílula que imita os efeitos de se comer pouco, mesmo que você siga uma dieta normal. O princípio ativo — já comercializado em medicamentos para diabéticos e como suplemento alimentar — é o resveratrol, substância encontrada na casca da uva roxa. É sua presença que confere ao vinho tinto benefícios ao coração. E explica o que os cientistas chamam de “paradoxo francês”: a baixa mortalidade por doenças cardíacas na França, mesmo com uma dieta tão rica em gordura. Graças ao hábito comedido que a população tem de beber vinho quase que diariamente. Além dos benefícios ao coração, também há evidências de que o resveratrol reduza o risco de Alzheimer, derrame, diversos tipos de câncer, perda de audição e osteoporose — todos problemas comuns no envelhecimento. Já provocar o aumento dos anos de vida é algo que ainda precisa ser provado em humanos. Mas o resultado em animais se mostrou estimulante.
Em 2006, pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard realizaram estudos liderados por David Sinclair — não por acaso, fundador da Sirtris Pharmaceutical, hoje pertencente à gigante inglesa GlaxoSmithKline. No experimento, cientistas superalimentaram roedores com uma dieta rica em gordura. Em paralelo, forneceram a eles doses de resveratrol. As cobaias ficaram obesas. Ainda assim, seu tempo de vida se estendeu a um patamar igual ao dos ratos que comiam com restrição. Para obter esses efeitos com vinho seriam necessárias 300 taças por dia, ou seja, algo impensável até para o mais bebum dos seres humanos. O que justifica a corrida da indústria farmacêutica atrás das pílulas.

Os medicamentos que imitam dietas metódicas serão uma aplicação mais concreta dos pioneiros estudos sobre antienvelhecimento. A primeira importante pesquisa científica que provou que restringir calorias poderia prolongar a vida foi divulgada em 1934. O estudioso de nutrição da Universidade de Cornell, Estados Unidos, Clive McCay, manteve ratos em um estado de quase fome por quatro anos e os assistiu viver 85% mais tempo do que a média. Um dos animais chegou aos 3 anos e 9 meses de idade. Como, cinco anos antes, dois cientistas tinham ganhado o Prêmio Nobel pela descoberta das vitaminas, pareceu uma pequena heresia dizer que passar um pouco de fome poderia nos fazer bem. Mais recentemente, no início dos anos 2000, cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Primatas de Wisconsin revelaram bons resultados com macacos mantidos em uma dieta 30% menos calórica do que seus colegas. Além de magros, estavam no auge da vida. Enquanto os que comiam normalmente se movimentavam lentamente e viam cair mais pelos, entre outros sinais de velhice.

Em 2015, 2016, com o medicamento nas farmácias, a Sirtris deve se tornar a indústria referência em antienvelhecimento. Além do resveratrol, seus laboratórios estudam outra substância capaz de imitar os efeitos de uma dieta de baixa caloria: a rapamicina. Hoje usado para evitar rejeição em transplante de órgãos, o princípio ativo fez com que ratos de meia-idade vivessem de 28% a 38% mais tempo, segundo um estudo divulgado pela revista Nature em meados de 2009. Mais uma pesquisa que mostra que há esperanças para prolongar a vida mesmo quando o corpo já está desgastado. Esta também é a promessa da medicina regenerativa.
No ano passado, um grupo de mulheres teve uma oportunidade de ouro: após serem mutiladas devido ao câncer de mama, viram crescer seios 100% naturais, a partir de suas próprias células. A técnica que soa como milagre foi desenvolvida após quase uma década de estudos pela empresa de biotecnologia americana Cytori Therapeutics, que pretende trazer o método para o Brasil ainda este ano. Permite dupla recauchutagem: as células que dão origem ao novo seio são extraídas de uma cirurgia plástica para tirar gordurinhas indesejadas. O procedimento começa com uma lipoaspiração, por exemplo, na barriga. Da gordura são colhidas células-tronco, capazes de se multiplicar para gerar tecidos de outras partes do corpo, como a mama. Elas são, então, aplicadas na região do peito. Conforme crescem, formam um novo seio, sem risco de rejeição.

celuas tronco

A descoberta de células-tronco na gordura foi um grande avanço para a medicina regenerativa. Somente no Brasil, são realizadas mais de 200 mil lipoaspirações por ano. No ano passado, Radovan Borojevic, diretor do Programa Avançado de Biologia Celular Aplicada à Medicina da UFRJ, conseguiu, de forma inédita no Brasil, autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para manipular células-tronco de gordura. “Esse material pode garantir reserva para a velhice, para sanar as doenças naturais do passar dos anos e até diminuir as rugas”, diz. Quem fizer uma lipoaspiração aos 20, por exemplo, pode chegar aos 60 e usar as células guardadas para preencher a pele envelhecida e se livrar dos pés de galinha. Como as células terão a memória de sua juventude, será possível fazer o que nenhum cosmético ou Botox jamais conseguiu: ter cara de 20, aos 60. O procedimento, cujo efeito dura de quatro a cinco anos, já está em fase de testes. Em três meses, Borojevic realizou 70 implantes de células antirrugas — os interessados podem se inscrever para os testes no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Mas esta é apenas a mais frívola das promessas da bioengenharia. “Com as técnicas, vamos envelhecer muito melhor do que os nossos avós”, afirma Borojevic.

Experimentos em humanos mostraram que o implante de células-tronco pode reparar órgãos vitais. Entre eles, o coração, que teria benefícios como o aumento da quantidade e bombeamento de sangue após infartos, diminuição da área de tecidos mortos e melhora da capacidade respiratória em casos de doenças cardíacas crônicas. Outro resultado positivo é a redução da incontinência urinária em pacientes que passaram por cirurgias de próstata. “A medicina regenerativa para problemas do envelhecimento será de fato composta por peças de substituição”, afirma o gerontologista inglês criador da Fundação Sens, de estudos de biotecnologia para rejuvenescimento, Aubrey de Grey, polêmico, entre outras coisas, por afirmar que a velhice é uma doença à espera de cura.

A HORA DA MORTE
Com sua aparência de Matusalém, apesar dos 47 anos de idade, De Grey acredita que podemos ser imortais e que os homens que vão viver mil anos já nasceram. Passar mais tempo na Terra do que o próprio personagem bíblico, que teria morrido aos 969, seria possível graças ao desenvolvimento da engenharia para impedir que nossas células envelheçam e da reposição de órgãos e tecidos. “Uma vez que a medicina regenerativa se desenvolver, o limite biológico do corpo desaparecerá.” A ideia gerou tanta controvérsia na comunidade científica que, em 2005, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) lançou um concurso que premiaria com US$ 20 mil quem conseguisse provar que a tese de Aubrey era descabida. Cinco inscrições foram analisadas por um júri composto por cabeças como o geneticista Craig Venter. Ninguém levou o prêmio.

A crença de que a ciência e a tecnologia nos permitirão redesenhar o próprio corpo para nos fazer viver muito mais, até indefinidamente, guia uma corrente filosófica chamada transhumanismo. Os seguidores do pensamento acreditam que por meio de áreas de conhecimento emergentes como biotecnologia, inteligência artificial, robótica e nanotecnologia, poderemos superar a própria condição humana. “O homem não é o final da evolução biológica, e sim o começo de uma evolução tecnológica”, afirma o engenheiro venezuelano formado pelo MIT e que já trabalhou para a Nasa, José Cordeiro, grande divulgador do transhumanismo na América Latina. Ele acredita que assistiremos à morte da morte — e que não há nada de antinatural nisso. “O propósito da vida é mais vida. Além do mais, ninguém quer morrer, ainda mais se tiver a oportunidade de não ficar velho.”
As transformações no mundo caso as pessoas passem a viver décadas ou até séculos a mais são inevitáveis. Mas, para De Grey, compensaria enfrentá-las. “Essas dificuldades não superam os benefícios da eliminação de doenças relacionadas à idade, como problemas cardiovasculares e câncer”, afirma. Mesmo porque esses problemas terão que ser pensados de imediato. Pois, antes mesmo das pirotecnias científicas se tornarem realidade, a longevidade no mundo só cresce. Para se ter ideia, vivemos 25 anos a mais do que um século atrás. Nos países desenvolvidos, a expectativa de vida aumenta cinco horas por dia. Ou seja, já há motivos suficientes para a ciência se preocupar com os muitos que, em tempos anteriores às pílulas que simulam fome ou injeções de enzimas e células-tronco, fazem muito mais aniversários do que um dia nossos avós jamais poderiam imaginar.
O profeta da imortalidade
O cientista do envelhecimento Aubrey de Grey afirma que, em 2030, estaremos vivendo até os 130 anos. E que os homens que farão mil aniversários já nasceram. A seguir ele conta como isso será possível
Trechos da entrevista:
* Por que envelhecemos?
Aubrey de Grey: Porque o corpo humano, como qualquer máquina, causa danos a si mesmo como efeito colateral natural de sua operação. Esse prejuízo se acumula ao longo da vida. Por um longo tempo quase não afeta a habilidade do corpo para funcionar, mas, eventualmente, provoca doenças e incapacidade.

* As pessoas que viveriam mil anos precisariam constantemente substituir peças, como um robô?
De Grey: De fato, a maior parte das técnicas serão compostas por peças de substituição, mas a um nível microscópico. Em alguns casos, podemos trocar órgãos inteiros. Porém, mais frequentemente, serão células ou moléculas.

* Mesmo pessoas sedentárias, com excesso de peso e estressadas serão capazes de viver mais?
De Grey: A medicina regenerativa vai permitir que as pessoas ultrapassem por uma larga margem a longevidade que qualquer um consegue atualmente, mesmo com a melhor vida possível, mesmo aqueles com uma genética privilegiada. Então, sim, estas terapias irão funcionar em todos, mesmo naqueles com um estilo de vida ruim.

* Existe limite biológico para a vida dos seres humanos?
De Grey: Há de fato um limite biológico para quanto tempo as pessoas podem viver, porque certos aspectos do nosso metabolismo, como a respiração, são inevitáveis e acumulam danos moleculares e celulares. Porém, uma vez que se desenvolvam técnicas de bioengenharia para reparar esses danos, não haverá mais limite para a vida do homem.

* Como lidar com as consequências sociais de se ter uma superpopulação?
De Grey: A eliminação do envelhecimento vai mudar o mundo. E precisaremos agir diante de muitas dessas transformações. No entanto, essas dificuldades não superam os benefícios da eliminação de doenças como câncer e problemas cardiovasculares.

* Viver mais significa viver melhor?
De Grey: Não necessariamente. Mas o trabalho em minha fundação de estudos em engenharia de rejuvenescimento, a Sens, foca em viver melhor, ou seja, adiar o processo das doenças da velhice. A longevidade será um efeito colateral: só ocorrerá porque as pessoas serão mantidas saudáveis.

* Você aplica técnicas de medicina regenerativa em si mesmo? Já testou alguma?
De Grey: Estou ansioso para me beneficiar destas terapias. Não faço isso simplesmente porque, na prática, elas ainda não existem.

11.400 – Conheça a nova classe de remédios que pode retardar dramaticamente o envelhecimento


medicamentos-envelhecimento-piotr-marcinski-shutterstock
Os senolíticos parecem ser a nova sensação do momento no processo contra o envelhecimento, o que inclui um coração livre de doenças por mais tempo e também uma maior qualidade de vida para esta etapa da vida. Estudos conduzidos por pesquisadores do The Scripps Research Institute (TSRI), laboratório de biomedicina dos EUA, e diversas instituições norte-americanas indicam que este tipo de substância poderia retardar ou prevenir doenças relacionadas com o envelhecimento.
Essa nova substância, que está sendo testada em camundongos, age nas células que pararam de se dividir por conta do nosso envelhecimento. Os pesquisadores agora tentam encontrar maneiras de aplicar o tratamento em humanos.
No momento existem dois tipo de senolíticos no mercado: o dasatinib (para o cancro) e a quercetina, um composto natural. De acordo com o estudo, foi realizada uma combinação destes dois compostos em cobaias, e o resultado deixou os pesquisadores animados, provocando um retardamento no processo de envelhecimento dos camundongos, com melhoras no sistema cardiovascular. O mais notável é que o efeito durou pelo menos sete meses após o tratamento com as drogas. Vale lembrar que ainda precisam ser realizados mais testes antes da aplicação dessa substância em humanos, por conta dos efeitos colaterais.

11.364 – Medicina – Expectativa de Vida para 100 Anos


COISAS 4 PG
A expectativa de vida durante o século 20 experimentou um salto quantitativo jamais vivido nos 5 milhões de anos da espécie humana. Em 1900, para quem nascia na Europa mais desenvolvida, ela andava ao redor do 40 anos; quando o século terminou, havia chegado aos 80 anos em diversos países. O salto espetacular atiça a esperança de repetirmos o feito nos próximos cem anos. Quem não gostaria de chegar saudável aos 120 ou 150 anos?
A duração da vida é tecnicamente definida pela idade atingida pelo indivíduo no dia da morte. Para grandes populações heterogêneas, os demógrafos calculam a expectativa de vida com base em tabelas que consideram os valores médios de duração da vida dos indivíduos.
Estatisticamente, à medida que a expectativa de vida, ao nascer, cresce numa população, ela se torna menos sensível a variações nos índices de mortalidade. Assim, num país com expectativa de vida de 20 anos, um aumento de longevidade para 80 anos em 10% da população puxaria a média mais para cima, do quem em outro cuja expectativa inicial fosse de 70 anos.
Esse fenômeno é conhecido com o nome de entropia das tabelas de vida. Para ilustrá-lo, a seguinte situação costuma ser citada: as mulheres francesas nascidas no início do século 20 apresentavam expectativa de vida ao redor de 50 anos. Para aumentar-lhes essa expectativa média em mais 365 dias, foi preciso reduzir a mortalidade da população feminina em 4,1% a cada ano de vida. Em contraste, para aumentar mais um ano na expectativa atual de cerca de 80 anos, seria preciso conseguir uma redução de 9,1% por ano de vida.
Ainda usando o caso das francesas, mulheres que em 1987 ultrapassaram a barreira dos 80 anos de expectativa de vida, a partir dessa data, seria necessário reduzir-lhes a mortalidade em 26%, ano por ano de vida, para chegarmos à expectativa de 85 anos.
Nos Estados Unidos, para essa expectativa atingir os mesmos 85 anos a mortalidade atual precisaria cair pela metade, em cada ano de vida.
Até entre as mulheres japonesas, cuja expectativa de 83 anos é a mais alta da espécie humana, a queda de mortalidade anual para ser atingida a meta dos 85 anos seria alta: 20%.
A diminuição dos índices de mortalidade entre as mulheres americanas possibilitou um aumento da expectativa de vida de 49 anos em 1900, para 79 anos em 2000. Se declínio idêntico de mortalidade puder ser repetido neste século 21, a expectativa aumentará para 89,1 anos. E, se no século 22 ele for novamente repetido, o aumento será de apenas mais 6,1 anos.
A persistirem entre os mais velhos índices de mortalidade semelhantes aos de hoje, a média de 100 anos de vida só será alcançada quando nenhum dos filhos dos leitores desta coluna estiver presente. A expectativa de vida dos franceses (homens e mulheres) atingirá meros 85 anos em 2033, a dos japoneses em 2035, e a dos americanos em 2182.
Na verdade, reduções de mortalidade na população abaixo de 50 anos da ordem daquelas ocorridas no século passado não serão mais possíveis em países desenvolvidos, porque as infecções e doenças parasitárias não representam mais causas de morte em massa. Isso quer dizer que se pretendermos aumentar significativamente a longevidade, seremos forçados a obter grandes quedas de mortalidade na população com mais de 50 anos.
Será preciso acrescentar décadas de vida aos que chegam aos setenta anos, o que significa convencer a imensa maioria a não fumar, beber pouco, praticar atividade física diária, comer com moderação. Significa, também, aprendermos a prevenir todas doenças cardiovasculares, encontrarmos a cura do câncer, das doenças reumatológicas e, a tarefa mais difícil, evitarmos a deterioração neurológica que aflige os que insistem em permanecer vivos. Teremos muito trabalho pela frente.

Três autores, S. Olshansky, B. Carnes e A. Désesquelles, acabam de publicar um estudo na revista “Science” que joga um balde de água fria em nossas pretensões de longevidade ilimitada.

Os autores compararam os dados demográficos de três países (Estados Unidos, França e Japão) no período de 1985 a 1995 e chegaram às seguintes conclusões:

1) nos três países, de fato, a expectativa de vida aumentou nesse período;

2) quando a média de duração da vida de uma população se aproxima de 80 anos, os ganhos futuros em longevidade caminham em passos cada vez mais lentos;

3) nas próximas décadas, para que a expectativa de vida alcance 85 anos, deverão ocorrer reduções muito drásticas nos índices de mortalidade em todas as faixas etárias. Para atingir esse objetivo entre as mulheres japonesas, o subgrupo que está mais próximo dele, a mortalidade geral deverá cair 20%; no caso das francesas, 26% e, no das americanas, mais do que 50%;

4) projetando os números obtidos no período de 1985 a 1995, a expectativa de vida dos franceses (homens e mulheres) só chegará aos 85 anos em 2033, a dos japoneses, em 2035 e a dos americanos, em 2182;

5) para a expectativa de vida ultrapassar 100 anos, mesmo em países com populações de grande longevidade, como França e Japão, será preciso eliminar todos os riscos de morte antes dos 85 anos.

ENTROPIA DAS TABELAS DEMOGRÁFICAS
Os números mostram que, à medida que aumenta, a expectativa de vida fica menos sensível à queda dos índices de mortalidade. Esse fenômeno, conhecido como entropia das tabelas demográficas, pode ser ilustrado com as mulheres francesas que, em 1900, tinham expectativa de vida ao redor de 50 anos. Nessa época, bastava uma redução de 4,1% na mortalidade para que a expectativa aumentasse um ano. Nos dias atuais, para aumentá-la de 80 para 81 anos, a mortalidade na França precisa cair 9,1% em todas as faixas etárias.
Nos países industrializados, o impacto da redução da mortalidade ocorrida no século XX dificilmente será repetido nos próximos cem anos porque foi conseqüência do controle das doenças infecciosas. No futuro, só haverá aumento significativo da expectativa de vida nesses países se ocorrer redução expressiva dos índices de mortalidade da população acima dos 50 anos, portadora de doenças degenerativas.
Os autores concluem que as análises demográficas do período estudado deixam claro que os próximos aumentos da expectativa de vida serão contados em dias ou meses, não em anos. Para saltos numéricos comparáveis aos do século passado, será necessário acrescentar décadas de vida aos que já viveram mais de 70 anos. Isso só será possível quando a ciência desenvolver métodos eficazes para retardar o envelhecimento do corpo humano.

longevidade japão

10.874 – Russos desenvolvem pílula que age contra a fonte do envelhecimento do nosso corpo


cronobiologia_envelhecimento

Uma equipe de cientistas da Universidade Estadual de Moscou, na Rússia, chefiada por Maxim Skulachev, descobriu um novo tipo de antioxidante, capaz de agir nas mitocôndrias celulares, responsáveis pela produção de energia e pelo envelhecimento.
“As mitocôndrias são as culpadas pelos ataques no coração e por doenças como o Alzheimer e o Parkinson”, afirma Skulachev, que também acrescenta: “Se as doenças passam a se desenvolver mais lentamente, então nossa ideia para combater o envelhecimento através das mitocôndrias está correta”.
Atualmente, o tratamento revolucionário está sendo testado em ratos, peixes e cães. Os cientistas reconhecem que ainda não foi possível alcançar um aumento significativo da esperança de vida destes animais, embora já tenham conseguido retardar o início de seu envelhecimento. O desafio é, portanto, tornar “tecnicamente possível” o medicamento de antienvelhecimento e, dessa forma, prolongar a vida do ser humano.

10.560 – SARCOPENIA – O Envelhecimento e a Perda da Massa Muscular


fitness na idade avançada
Sarcopenia é a perda de massa e função muscular, e é uma conseqüência importante do envelhecimento. O predomínio de sarcopenia, dependendo da definição usada, varia de 10% a 30% em homens na faixa dos 60 anos e em mulheres na faixa dos 50 anos. A causa da diminuição na massa magra está na perda de massa muscular; há uma pequena mudança na massa magra não muscular.

Entre 20 e 80 anos de idade, o declínio cumulativo na massa muscular do esqueleto equivale a 35% a 40%. A perda de massa muscular não resulta em perda de peso, devido à natural substituição correspondente de gordura corporal.
A perda de massa muscular resulta de uma diminuição do número e da área da seção transversal das fibras musculares. Há uma atrofia, principalmente da contração muscular rápida, nas fibras do tipo II, e há um aumento em gordura intramuscular e no tecido conjuntivo. Essas mudanças reduzem o volume de tecido contrátil disponível para locomoção e para as funções metabólicas. O envelhecimento está associado com a síntese reduzida de proteínas musculares do esqueleto, com as cadeias pesadas de miosina e com as taxas de síntese atenuadas, os quais são importantes também para geração de adenosina trifosfato (ATP).
A perda de massa muscular que ocorre com o envelhecimento está associada à redução na força e potência muscular entre os 50 e 70 anos de idade, devido, principalmente, à perda de fibra muscular e à atrofia seletiva das fibras do tipo II. A perda de força muscular é ainda maior depois dos 70 anos; 28% dos homens com 74 anos não conseguem levantar sobre suas cabeças objetos com peso maior que 25 quilos. Com o aumento da idade, há uma redução progressiva na potência muscular, na velocidade da geração de força e na resistência à fadiga, que acabam diminuindo a capacidade de persistir em uma tarefa.
A perda de força e massa muscular leva a uma deterioração da função física, como indicado pela prejudicada habilidade de levantar de uma cadeira, subir degraus, acelerar o passo e manter o equilíbrio. A deterioração da função física contribui para a perda da independência, para a depressão e para o aumento do risco de quedas e fraturas no idoso.

Fique longe de mentiras sobre combate à gordura
Existe muita informação falsa sendo dada sobre como perder gordura apenas na parte central, como perder celulite, ou enrijecer certa área. O mito diz que se você exercitar mais tais áreas, você irá perder gordura naquela área. Isto não é o que ocorre. As pessoas precisam exercitar o corpo inteiro para estimular o processo de queima de gordura. Mulheres podem se livrar da celulite e homens podem se livrar da barriga de cerveja, mas isso não acontece exercitando apenas aquelas determinadas partes. Isto ocorre seguindo-se um programa completo – uma abordagem equilibrada e integrada – que traz o corpo de volta para onde ele supostamente deveria estar.

Levantamento de peso reduz a pressão sanguínea
Sabemos que exercícios aeróbicos e treinamento de resistência trabalham de mãos dadas para prevenir, reduzir, ou até mesmo eliminar doenças cardíacas, pois atuam no combate à diabetes (o fator de maior risco para doença cardíaca), ao colesterol alto, à pressão sangüínea, etc. Ambas as formas de exercício fortalecem o músculo cardíaco, fazendo-o trabalhar muito mais eficientemente.

É sabido que exercícios aeróbicos fazem um grande trabalho na diminuição da pressão sangüínea sistólica e que ajudam a reduzir a pressão sangüínea diastólica. Agora, uma pesquisa mais recente sugere que um programa regular de exercícios de resistência pode, de fato, diminuir a pressão sangüínea em repouso. As pessoas que participavam de um programa regular de treinamento com pesos, evidenciavam uma redução de cerca de três pontos na pressão sistólica e diastólica. Enquanto essas reduções possam parecer pequenas, as reduções pequenas como até dois pontos têm sido suficientes para reduzir a mortalidade por doenças coronárias.
Agora, médicos estão encorajando seus pacientes, tanto os de corações saudáveis (não importa a idade ou sexo) quanto os de problemas cardíacos, a usarem treinamento de resistência e treinamento aeróbico como parte do programa de prevenção ou tratamento de doenças do coração.

Mais uma vez, há razão para manter-se no levantamento de pesos, não somente por diversão, mas também por ser saudável.
“Metabolismo” é a energia que nós gastamos para manter todas as mudanças físicas e químicas em nosso corpo. Nossa “Taxa Metabólica” reflete o quão rapidamente nós usamos a energia armazenada. Esta taxa é influenciada por muitos fatores, incluindo genética, sexo, secreção hormonal, composição corporal, nosso biótipo e idade. A idade, nós não podemos controlar. Mas, na verdade, a idade tem um efeito mínimo sobre nossa Taxa Metabólica. No cálculo da Taxa Metabólica Basal de um homem de 20 anos de idade, pesando 75 quilos, comparado com a de um homem de mesmo peso, com 60 anos, usando fórmulas ajustadas à idade, o gasto de energia no descanso do homem de 20 anos é de 1750 calorias por dia, enquanto a do homem de 60 anos é de 1691 calorias por dia – somente 59 calorias a menos!
Mas a boa notícia é que nós podemos controlar muitos outros fatores, incluindo a massa mais magra (músculo) que temos e o número de calorias que queimaremos ao longo do dia. Podemos melhorar nossa composição corporal através de exercícios (treinamento de resistência e exercício aeróbico), o que fará com que aumentemos nosso gasto diário de energia e queimemos o excesso da mesma armazenada (gordura), caso o exercício seja intenso. Sabe-se que algumas substâncias ou hormônios, tais como os análogos da Leptina, Sibutraminas e drogas de prescrição para tratar Resistência a Insulina, têm sido mostrados como “queimadores de gordura” e consumidores de calorias. A supervisão de um médico é requerida para monitorar a dosagem dos suplementos e das drogas citadas.
Nós também podemos controlar nossa nutrição, a proporção de proteínas e gorduras em nossa dieta. Essas substâncias demandam muito mais energia (calorias) para serem metabolizadas.
Em um estudo recente, publicado no American Journal of Physiology, pessoas que se exercitavam e mantinham uma dieta rica em proteínas, queimavam mais gordura do que pessoas que seguiam uma dieta de proteínas próxima às recomendações diárias americanas. Os pesquisadores afirmaram que isto ocorreu, parcialmente, devido ao maior efeito térmico, ou o aumento no metabolismo, depois de comer. No grupo com dieta rica em proteínas, o efeito térmico foi elevado 42% depois de comer, comparado com 16% do outro grupo. Dado que este efeito, então chamado térmico ou calorífero, alcança seu máximo em uma hora depois da refeição, e tendo-se seis refeições ao dia, podemos tirar vantagem da maior Taxa Metabólica.
Assim, nós podemos aumentar nossa Taxa Metabólica e nos tornamos “máquinas queimadoras de gordura”. Isso é possível através de exercícios, suplementos, massa muscular e pequenas refeições freqüentes.

Exercício pode ser um antidepressivo potente
De acordo com um estudo lançado neste ano por pesquisadores no Duke University Medical Center, exercício pode ser benéfico para ajudar a eliminar sintomas de depressão.
Nesse estudo, 156 pacientes diagnosticados com a principal desordem depressiva (MDD) foram distribuídos em três grupos para avaliação: exercício, medicação, ou combinação de medicação e exercício. Os resultados mostraram que depois de 16 semanas, todos os grupos mostraram resultados similares, com melhoras significativas nas avaliações das depressões, incluindo o grupo que se exercitou sem o acréscimo da medicação.
“Uma das conclusões que podemos tirar disto é que o exercício pode ser tão efetivo quanto a medicação, chegando a ser uma alternativa melhor para certos pacientes”, diz o psicólogo e líder de estudo, Dr. James Bluementhal. Estas descobertas poderiam mudar a conduta com que alguns pacientes depressivos são tratados, especialmente aqueles que não estão interessados em tomar antidepressivos. Embora tenha sido provado que essas medicações são realmente efetivas, muitas pessoas querem evitar os efeitos colaterais ou estão procurando um meio mais ‘natural’ de se sentirem melhor”.
Enquanto os pesquisadores ainda não sabem precisamente por que os exercícios conferem tais benefícios, Dr. Bluementhal sugere seja porque os pacientes estão, na verdade, assumindo uma posição ativa e tentando melhorar.

O triste ponto inicial: não há modo fácil de ficar saudável
Pesquisadores da Universidade de Wisconsins-La Crosse foram incapazes de documentar a alegação de que máquinas poderiam enrijecer os músculos. Isto serve de evidência científica para assegurar as afirmações de muitos especialistas em aptidão física, de que dispositivos de estímulos elétricos não fortalecem ou tonificam os músculos enquanto você realiza atividades simples como ler um livro ou trabalha no computador, por exemplo.
Após oito semanas comparando pessoas que usaram dispositivos de estimulação elétrica dos músculos ,três vezes na semana e durante 45 minutos, àquelas que não realizavam o tratamento, os pesquisadores constataram que os 16 estudantes que usaram o dispositivo não sofreram alterações na musculatura.
Outro fato constatado foi o de que a maioria dos voluntários disseram que prefeririam ir a uma academia de ginástica, levantar peso por uma sessão média de 45 minutos.

10.216 – Cadê o meu elixir? – Será possível uma medicina para a juventude eterna?


Um grupo de pesquisadores russos parece ter transformado em realidade uma das maiores fantasias da humanidade: uma medicina que assegure a juventude para sempre. Apesar de o experimento ainda não ter sido submetido a todos os testes necessários, ele foi colocado em prova nos próprios pesquisadores e o resultado foi positivo.
A principal característica desta nova medicina é devolver ao organismo a capacidade de regeneração, o que foi provado com testes em ratos de laboratório, que assim que começaram a receber o tratamento deixaram de sofrer os sintomas do envelhecimento e viveram por mais tempo.
Os testes que darão um panorama amplo sobre como esta medicina poderá ser aplicada serão realizados com pessoas doentes e voluntárias. A previsão é que isto tenha início dentro de alguns meses e será o começo de um trabalho que poderá levar cinco anos em sua fase de teste. No momento, esta aparente “receita mágica” será aplicada aos pacientes de cirrose hepática, uma doença que, atualmente, é praticamente incurável.

9948 – A morte pode esperar… Sentada!


Um famoso casal resolveu congelar o sangue do cordão umbilical de seu filho, um celeiro de células-tronco que estará “válido para uso” pelos próximos 50 anos. A esperança dos pais é que a medicina evolua a tal ponto de conseguir usar essas células (uma espécie de célula curinga que se especializa formando diferentes tecidos humanos) para produzir em laboratório órgãos inteiros, seja um rim, um fígado, um coração ou uma parte do cérebro, substituindo qualquer região doente do organismo. Ainda não se sabe exatamente como chegar lá, mas como as pistas não param de aparecer, a corrida pela longevidade já começa na maternidade: assim como a de José Pedro, estima-se que atualmente existam mais de 100 mil amostras de sangue de cordões umbilicais congelados em diversos locais do mundo.
Essas crianças serão salvas de uma série de doenças que assombram atualmente a humanidade – a leucemia, por exemplo – e conseguirão viver mais. Num futuro um pouco menos próximo, a batalha pela vida longa vai começar antes mesmo da concepção: destrinchando o papel dos genes do envelhecimento, cientistas poderão conseguir manipulá-los em laboratório, programando os bebês para viver muito mais.
Em linhas gerais, é na direção das pesquisas celular e genética que apontam os esforços para aumentar a longevidade humana. O que fazer para não morrer tão cedo, ou pelo menos para dominar o processo do envelhecimento, é o sonho da ciência – e a ideia fixa de todos nós. Só para se ter uma ideia, em 1999, os cremes e as loções antienvelhecimento movimentaram nada menos do que R$ 466 milhões. Foram feitas mais de 300 mil cirurgias plásticas nos hospitais brasileiros no mesmo ano, o que representa um crescimento de quase 500% em dez anos. Ninguém quer ficar velho, enrugado, e muito menos encarar a morte, momento, aliás, que estamos conseguindo prorrogar cada vez mais: em 1900, a expectativa média de vida no Brasil ao nascer era de 33 anos. Hoje, já estamos na marca dos 67.
Estudos demográficos apontam que, em 2025, o brasileiro viverá em média 75,3 anos e, por volta do ano de 2050, 2 bilhões de pessoas terão mais de 60 anos. “Quem consegue chegar bem aos 60 tem uma expectativa de pelo menos mais 23 anos pela frente”, afirma João Toniolo Neto, chefe da disciplina de geriatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Se estamos vivendo mais, é graças aos avanços no saneamento básico, a descobertas de novas drogas como antibióticos, a fatores ambientais e de prevenção. Para chegar mais longe, cientistas querem primeiro saber sobre o processo de envelhecimento em si, assunto que só vem sendo estudado com rigor científico há cerca de 30 anos. A primeira seta aponta para a descoberta dos genes que determinam a longevidade. Em condições normais, alguns genes existem para fabricar proteínas responsáveis pelo limite da vida de cada indivíduo. Se esses genes forem modificados em laboratório, poderiam então aumentar a longevidade. A divisão celular também está sendo pesquisada com rigor. Sabe-se que nossas células nascem com um número programado de divisões e que ele está diretamente ligado ao tempo de vida.
As células humanas podem se dividir 50 vezes e nosso limite de vida é de 122 anos – marca estabelecida pela francesa Jeanne Calment, morta em 1997, que, segundo registros oficiais, foi o ser humano mais longevo a passar pelo planeta. As células de ratos, por exemplo, que vivem cerca de três anos, se dividem apenas 15 vezes. A cada divisão celular, os cromossomos perdem uma parte de seu telômero – um emaranhado de DNA que fica na ponta do cromossomo – até que ele se acaba e a célula morre. Pois bem, uma pista para a imortalidade foi a descoberta de enzimas que evitam a perda do telômero e, portanto, a morte da célula. Acontece que são exatamente essas danadas que produzem células cancerosas. Por isso geriatras e oncologistas trabalham juntos para que tal “efeito colateral” desapareça.
Cientistas estão realizando inúmeros testes em laboratórios para prolongar a vida – por enquanto, as criaturas beneficiadas são vermes, leveduras e moscas de banana, que por incrível que pareça têm semelhanças genéticas com nossas células. Uma experiência interessante está acontecendo em um dos laboratórios na Universidade da Califórnia. Ali, vivem milhares de Drosophila melanogaster, as mosquinhas de frutas. O biólogo Michael Rose, coordenador da experiência, conseguiu dobrar a vida dos insetos mexendo em seu processo de seleção genética. Por gerações e gerações, os ovos do inseto foram colocados em locais ideais de crescimento. Depois de dois anos nascendo em condições melhores, o laboratório tem moscas que vivem duas vezes mais. No verme C. elegans, pesquisadores descobriram que a alteração de um único gene aumenta significativamente o tempo de vida. Esse gene fabrica, no verme, uma proteína que se parece com a insulina.
Nos seres humanos, a insulina controla diversas funções, tais como o metabolismo de glicose e o crescimento celular. Portanto, embora ainda não haja estudos conclusivos, especula-se que aí possa estar uma das chaves da longevidade. A questão agora é descobrir de que forma os seres humanos reagem a tais intervenções, uma vez que os genes interagem com os fatores ambientais. “As causas do envelhecimento estão 75% ligadas às condições de vida e apenas 25% à herança genética”, afirma Clineu de Mello Almada Filho, diretor do Instituto de Geriatria e Gerontologia da Unifesp.

Boca fechada não entra mosquito e aumenta a sobrevida
Até agora, o único método que vem demonstrando força para intervir no processo natural de envelhecimento é a restrição calórica – uma dieta de baixas calorias, correspondentes a dois terços do que se come normalmente, apenas o necessário para manter os sistemas vitais operando. Ainda não se sabe exatamente o porquê, mas a experiência já dobrou a expectativa de vida de ratos. Estudos em andamento com 75 macacos no Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos, em Maryland, parecem ir pelo mesmo caminho. Mas trata-se de um experimento um tanto radical – para não dizer temerário – para ser realizado em humanos. Segundo Donald Ingram, coordenador do trabalho com os macacos, suspeita-se que a dieta de fome reduza a produção de radicais livres, que nascem durante a transformação de glicose em energia dentro da célula.
São os radicais livres, aliás, os grandes vilões do envelhecimento. Por serem potencialmente reativos com moléculas biológicas, eles são capazes de causar a oxidação e danos irreversíveis às células. Com isso em mente, o uso de antioxidantes, como as vitaminas E e C, foi amplamente divulgado para o combate ao envelhecimento. O problema é que até agora não foi provado – a não ser em vermes – que doses extras de antioxidantes realmente funcionam em humanos. O mesmo pode-se dizer das tão badaladas reposições hormonais. É verdade, sim, que os hormônios são poderosas substâncias químicas que mantêm o funcionamento normal do organismo. E também é verdade que, com a idade, despenca a produção de hormônios, como a testosterona e o estrógeno. Mas não está claro como os hormônios influenciam diretamente no envelhecimento e, pior, quais os efeitos da reposição hormonal a longo prazo. “Cada caso deve ser analisado individualmente. Para algumas pessoas, a reposição pode ser benéfica.

O mal de Alzheimer, doença degenerativa que age no sistema nervoso central e que afeta pelo menos 15 milhões de pessoas no mundo, conta com uma novidade que consegue retardar sua evolução: um medicamento chamado memantina. Segundo Barry Reisberg, psiquiatra da Escola de Medicina de Nova York, que testou a droga por seis meses em doentes americanos, o tratamento é o primeiro a demonstrar uma resposta imediata do cérebro na proteção contra a doença. Para diabetes, outro mal que assombra idosos, médicos têm usado com sucesso o Xenical – sim, aquele remédio para dieta que provoca diarréia. “O Xenical atua diminuindo o índice de glicose em pacientes com predisposição a diabetes, impedindo, ou no mínimo retardando, o aparecimento da doença”, afirma João Toniolo Neto, chefe da disciplina de geriatria da Unifesp.
Mas não tem jeito. Enquanto as pesquisas ainda engatinham, quem quiser realmente retardar o envelhecimento e viver infinitamente mais e melhor vai ter de dar ouvidos à máxima dos médicos: levar uma vida saudável. Não fumar, não beber, praticar exercícios físicos e mentais, comer e dormir, não ficar muito estressado. Essa é a única fórmula que está cientificamente comprovada. Repare nas fotos do jovem senhor de 75 anos que ilustram esta reportagem. O engenheiro capixaba Joel Guimarães faz ginástica regularmente há pelo menos 20 anos. Atualmente, ele exagera um pouco: acorda todos os dias às 3h da manhã para treinar para suas maratonas, que já lhe renderam mais de uma centena de medalhas. A morte, por Joel Guimarães: “Para que viver 130 anos sofrendo em uma cama? Não penso em viver muito. Penso em viver bem”.

9269 – Medicina – A chave genética para frear o envelhecimento


O mistério em torno do mecanismo da vida, do envelhecimento e da morte vai aos poucos sendo desvendado. Um dos assuntos relacionados a este enigma é o processo de cicatrização: por que ele ocorre de maneira mais rápida em animais jovens do que nos mais velhos? A chave para responder esta pergunta, de acordo com um estudo da Escola de Medicina de Harvard, pode ser o gene Lin28. A diminuição da sua atividade, ao longo da vida, estaria associada à perda da eficiência do processo de cicatrização na medida em que o corpo envelhece. A identificação e a possibilidade de isolamento deste gene poderia representar um grande passo para o desenvolvimento de medicamentos para tratamento de tecidos em seres humanos. A eficácia desse gene já havia sido testada em jovens camundongos, nos quais a ativação do Lin28 acelerou o crescimento do pelo cortado e ajudou na recuperação de ouvidos e dedos lesionados. De acordo com George Daley, principal autor do artigo publicado na revista Cell, “isso soa como ficção científica, mas o Lin28 poderia fazer parte de um coquetel de cura que poderia ser oferecido a adultos para a recuperação de tecidos superiores”, ou seja, ao que tudo indica poderia ser uma receita para a juventude eterna.

9227 – Genética do Envelhecimento – Pesquisa mostra que o seio envelhece mais rapidamente do que o resto do corpo


Rugas e cabelos brancos não são os únicos sinais de envelhecimento. Cientistas desenvolveram um novo método para medir a idade de células, tecidos e órgãos humanos. E descobriram que o corpo envelhece em ritmos diferentes. O tecido dos seios das mulheres, por exemplo, é de dois a três anos mais velho do que o do resto do organismo. Ao comparar tumores a tecidos saudáveis, essa diferença pulou para 36 anos.
Mecanismos para avaliar a idade, denominados relógios biológicos, já haviam sido desenvolvidos em estudos anteriores. Os pesquisadores se baseavam em dados colhidos da saliva, nas taxas de hormônios ou no estudo dos telômeros – extremidades dos cromossomos, que encurtam ao longo do tempo – para determinar a idade de um organismo.
O novo dispositivo é o primeiro a medir separadamente e com precisão a idade de diferentes células e tecidos de uma mesma pessoa. Steve Horvath, professor de genética da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos, desenvolveu o dispositivo com base na metilação do DNA, um processo natural que altera quimicamente o material genético. O mecanismo é essencial para desenvolver e diferenciar as células em suas diversas funções.
Para criar o relógio, Horvath analisou cerca de 8.000 amostras de 51 tipos de tecidos e células de diversas partes do corpo. Ele então mapeou como a idade afeta a metilação desde antes do nascimento até os 101 anos. O estudo resultou em um relógio composto de 353 marcadores, que variam de acordo com a idade e englobam todo o organismo. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira, no periódico Genome Biology.
O pesquisador testou a precisão do relógio em alguns tecidos e, para sua surpresa, a idade biológica apontada correspondia à cronológica. Mas enquanto a maior parte das amostras seguiu essa correspondência, algumas apresentaram divergências significativas. O tecido dos seios femininos, por exemplo, revelou-se de dois a três anos mais velho do que o do resto do organismo. Para o autor, esse resultado pode ajudar a esclarecer por que o câncer de mama é o mais comum entre as mulheres.
Em caso de tumores, a diferença é ainda maior. “Se a mulher tiver câncer de mama, o tecido saudável ao redor do tumor será cerca de 12 anos mais velho”, afirma. Já os tecidos com tumor mostraram-se, em média, 36 anos mais velhos do que os saudáveis.
Horvath mostrou ainda que é possível reverter o envelhecimento a partir do desenvolvimento de células-tronco pluripotentes. Elas são criadas a partir da reprogramação de células adultas, que voltam a ter capacidade de se diferenciar em qualquer célula do organismo, como no estágio embrionário. “Minha pesquisa revelou que o processo de transformação em uma célula-tronco pluripotente faz o relógio celular voltar para o zero”, afirmou o cientista.
A velocidade do relógio também varia. Ele se acelera do nascimento até a adolescência e se torna constante por volta dos 20 anos. Para Horvath, uma grande questão a ser respondida com pesquisas futuras é se esse relógio controla o envelhecimento, o que o tornaria um marcador importante desse processo.

8230 – Bioquímica – O que as Vitaminas Podem Fazer por Você


vitamina

Os médicos estão reaprendendo quase tudo sobre as vitaminas. Algumas descobertas recentes mostram que essas substâncias podem retardar o aparecimento dos sinais da velhice, afastar alguns tipos de câncer e diminuir pela metade as chances de um ataque cardíaco. Mas atenção: as pesquisas mostram também que as dietas mais saudáveis e diversificadas, aquelas à base de legumes, carnes, peixes e frutas, fornecem apenas a quantidade e variedade de vitaminas necessárias à boa nutrição. É pouco. Para se beneficiar dos efeitos de cura, as pessoas precisam ingerir algumas vitaminas em dosagens tão elevadas que é preciso recorrer às cápsulas, à venda no mercado. A indústria farmacêutica está rindo à toa.
Os cientistas de alguns dos mais sérios centros de pesquisa do mundo garantem que não se trata de um golpe publicitário. “Os resultados são fortes demais para ser ignorados”, diz o americano Meir Stampfer, pesquisador da Escola de Medicina de Harvard, co-autor de um trabalho revolucionário sobre as vitaminas e a saúde do coração que saiu no mês passado no The New England Journal of Medicine, a mais respeitada publicação médica dos Estados Unidos. Stampfer e seus colegas chegaram à conclusão de que 100 unidades de vitamina E por dia, seis vezes mais que a dosagem convencionalmente recomendada pelos médicos, diminuem em mais de 40% o risco de ataques cardíacos em homens.
Para obter com alimentos 100 unidades de vitamina E, a pessoa precisa comer 1,5 quilo de alface, 3,5 quilos de gema de ovo ou 20 quilos de banana. A vitamina E é vendida em cápsulas de 100 a 1.000 unidades em farmácias brasileiras a preços que variam de 20 a 100 reais.
Se o que se busca é apenas a vitamina em questão, fica mais barato comprar a cápsula em vez de passar na feira. “A nova geração de pesquisas sobre vitaminas pode estar encontrando um jeito muito mais econômico de tratar e prevenir as doenças crônicas”, acredita o médico Charles Butteworth, da Universidade do Alabama. A conta de Butteworth se baseia em conclusões que muitas pesquisas estão revelando. Doses elevadas de vitaminas, além de proteger o coração, ajudam a combater a fadiga crônica e adiar a perda de cálcio dos ossos, que começa por volta dos 40 anos de idade.
Alguns tipos de câncer, como o de pulmão, ao qual os fumantes são mais suscetíveis, poderiam ser evitados em muitas pessoas com megadoses de vitaminas. Um estudo recente da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, mostrou que os fumantes que tomam vitamina B 12 e ácido fólico (1.000 microgramas por dia) têm menos chance de desenvolver câncer de pulmão que os fumantes que não ingerem suplementos. Esse novo poder atribuído às vitaminas está surpreendendo os médicos. A maior surpresa é que eles próprios estão se servindo das pílulas, convencidos de que elas podem ajudá-los a viver melhor e por mais tempo. O médico americano Jerome Cohen, professor de Medicina Interna da Universidade de Saint Louis, confessou à revista Newsweek que nunca acreditou que as vitaminas pudessem fazer alguma coisa “por um adulto já saudável”. Mudou de ideia. Hoje Cohen toma todos os dias uma cápsula com 400 unidades de vitamina E – a mesma quantidade de vitamina que seria fornecida por 25 xícaras cheias de amendoins.
Até bem pouco tempo atrás, havia muita resistência à idéia de que superdosagens de vitaminas pudessem ter um papel na prevenção de doenças cardíacas, de alguns tipos de câncer ou na atenuação dos sinais da velhice. Como regra geral, os médicos preferiam receitar a seus pacientes as pequenas dosagens recomendadas oficialmente pelas autoridades de saúde. As novas pesquisas abriram a possibilidade para os médicos de receitar doses maiores a si próprios e a seus pacientes. “Existem evidências concretas de que as vitaminas A, C e E desaceleram o envelhecimento. É por isso que eu as estou tomando”, diz Elisaldo Carlini, professor de Psicobiologia da Escola Paulista de Medicina. Uma das maiores autoridades brasileiras em drogas e medicamentos, Carlini é uma voz insuspeita. Ele dirige o Cebrid, um centro de pesquisas que há anos é uma trincheira de combate a laboratórios fraudulentos e à mania brasileira de automedicação. A trincheira de Carlini continua a mesma. A vitamina é que virou coisa séria.
O cardiologista carioca Carlos Scherr, um médico jovial de vida social intensa, é um entusiasta dos efeitos da vitamina C. Ele toma até 4 gramas dela todos os dias. A vitamina C parece ser uma boa aposta. As pesquisas mais recentes serviram para dinamitar um velho mito em torno dessa vitamina. Descobriu-se que, ao contrário do que se acreditava, ela pode pouco contra os resfriados. Em compensação, mostrou-se uma promissora arma de ataque contra alguns males mais insidiosos do mundo moderno. Toda a popularidade das vitaminas começou nos anos 60, quando o prestigiado cientista americano Linus Pauling, duas vezes ganhador do Prêmio Nobel, anunciou que curava suas gripes com doses de até 10 gramas diárias de vitamina C. Até hoje nenhuma pesquisa conseguiu mostrar que a vitamina C tem o poder de curar a gripe ou de preveni-la. O máximo que se comprovou nesse campo, numa pesquisa com 641 crianças americanas em 1974, é que os sintomas da gripe duram menos e são menos intensos em pessoas que tomam 500 miligramas diárias de vitamina C.
Pauling faleceu aos 92 anos de câncer de próstata. Quando vivo afirmou: “Ganhei vinte anos”, disse ele. O câncer de próstata se manifesta mais comumente por volta dos 70 anos de idade. Em Pauling a doença só apareceu depois dos 90.
Os cientistas conseguiram decifrar recentemente o que se passa no íntimo das células quando elas são banhadas com hiperdosagens de um coquetel de vitaminas C, E e betacaroteno. Esse grupo de vitaminas chamadas “antioxidantes” é uma das mais promissoras fronteiras de combate preventivo a doenças abertas pela medicina moderna.
O que os cientistas enxergaram no metabolismo celular regado por esse coquetel foi algo formidável. Essas vitaminas mostraram-se capazes de conter a ação dos chamados radicais livres, substâncias que, à semelhança de seus homônimos na política, destroem o tecido celular, deixando o organismo mais vulnerável a todo tipo de agressão. As vitaminas funcionariam como poderosos lança-chamas químicos, fortes o bastante para volatilizar os radicais livres, compostos tóxicos que vagam pela corrente sanguínea corroendo as membranas das células e perturbando o bom funcionamento dos órgãos internos. Os radicais livres, que as vitaminas combatem, estão na raiz de muitos males, desde a fadiga até doenças mais graves como o câncer e moléstias degenerativas como a catarata. Para muitos médicos as evidências atuais já bastam para que os adultos sadios aumentem seu consumo de vitaminas. Antes eles aconselhavam que, na dúvida, era preciso esperar mais para aderir aos coquetéis de vitaminas. Agora dizem que, mesmo que algumas dúvidas ainda persistam, o melhor a fazer é correr até a farmácia da esquina.
Só agora surgiram as primeiras evidências científicas incontestáveis de que o banho químico das vitaminas pode ser um bom investimento no corpo. No ano passado, o médico James Enstron, epidemiologista da Escola de Saúde Pública da Universidade da Califórnia, Los Angeles, divulgou um estudo que mostra o impacto do consumo de vitamina C na atenuação de alguns sinais de envelhecimento. Durante dez anos, Enstron monitorou 11.348 pessoas, com idade entre 25 e 74 anos. Descobriu diversos efeitos positivos em homens que tomaram uma boa quantidade de vitamina C – em média de 300 miligramas por dia, ou cinco vezes a dose mínima convencional. Em primeiro lugar, quem ingeriu vitamina C teve 42% menos ataques cardíacos do que o grupo que não tomou nenhum nutriente. Em segundo lugar, observou-se que os consumidores de altas doses de vitamina C tiveram menos distúrbios de visão ao longo do tempo. Com base em suas observações, Enstron fez uma projeção: as pessoas que tomam 300 miligramas de vitamina C por dia têm chances de viver, em média, seis anos mais do que aquelas que não ingerem suplementos vitamínicos.
A promoção das vitaminas da condição de alimento para a de remédio está permitindo aos médicos abordar certas doenças com mais sucesso do que podiam há alguns anos. Uma vitamina chamada ácido fólico, que até recentemente era receitada em pequenas doses para evitar o aparecimento de um tipo de anemia comum apenas entre populações miseráveis submetidas a uma fome etíope, agora é vista de outra forma. Médicos do Centro de Controle de Doenças de Atlanta descobriram que ele é capaz de reduzir à metade o risco de uma deformação congênita da espinha dorsal do embrião que ataca uma em cada 1.000 crianças. Para proteger-se, não basta que as mulheres grávidas comam alimentos ricos em ácido fólico. Segundo as pesquisas recentes, elas precisariam tomar pílulas com megadosagens de 400 a 800 microgramas diárias da substância durante as seis primeiras semanas de gravidez.
Outro exemplo de virada espetacular é a nicotinamida. Há décadas os médicos sabem que a ausência total dessa vitamina na dieta aprofunda as anemias. O que se descobriu agora é que altas doses de nicotinamida podem aliviar os efeitos de uma doença muito mais séria, a diabete juvenil. Uma pesquisa mostrou que os diabéticos juvenis que tomaram várias vezes a dosagem diária convencional de nicotinamida conseguiram preservar uma parte das células pancreáticas que normalmente são danificadas pela diabete. “Essa pesquisa é uma revolução no tratamento da diabete juvenil”, diz o endocrinologista paulista Geraldo Medeiros, um dos mais atualizados médicos brasileiros. “Doses grandes de nicotinamida administradas na idade certa podem preservar até metade das células que, de outra forma, seriam destruídas pela doença.”

Médicos da universidade americana de Tufts mostraram no ano passado que as pessoas com mais de 60 anos precisam tomar quase 3 miligramas de vitamina B 6 por dia, ou seja, 30% a mais do que os adultos jovens. O mesmo estudo demonstrou que a necessidade de vitamina D cresce com o passar dos anos. De 200 unidades diárias na idade adulta a pessoa deve aumentar o consumo para 400 unidades depois dos 60 anos, para evitar danos aos rins e adiar os efeitos da perda de cálcio pelos ossos. Os médicos recomendam que as mulheres depois da menopausa tomem também todos os dias até 500 microgramas de vitamina K. Essa vitamina, que nos organismos jovens regula a coagulação sanguínea, nas mulheres mais velhas ajudaria a diminuir em até 50% a velocidade da descalcificação óssea.
São chamadas vitaminas treze substâncias orgânicas que desempenham um papel vital no organismo: ajudam a regular as reações bioquímicas que mantêm vivas as células. Na primeira metade deste século, descobriu-se que doenças como o beribéri e o escorbuto são causadas pela escassez de vitaminas e que elas têm um papel no combate às deficiências nutricionais. A ciência vive hoje a segunda onda das vitaminas, marcada pela descoberta de que seus efeitos vão muito além da nutrição. Vitaminas são encaradas como remédios poderosos capazes de prevenir doenças crônicas e até segurar um pouco o passo do relógio do envelhecimento.
Os médicos advertem também que ninguém deve consumir cápsulas com muita vitamina B 5 na esperança de que o cabelo volte a crescer. Também é bobagem tomar superdoses de vitamina A na expectativa de enxergar melhor ou empanturrar-se de B 12 para aguçar a memória e a concentração. Não existe ainda a cápsula da beleza, da inteligência ou da vida eterna. Tampouco há a cápsula que substituiu todos os nutrientes de uma bela refeição – nem os prazeres. Mas já é possível, à luz da ciência, comer fartamente sem sobrepeso ao organismo ou à consciência. Pesquisas recentes mostram que o vinho tinto, o azeite de oliva e uma iguaria, o foie gras, apesar de saborosos fazem um bem enorme à saúde. O que se descobriu a respeito das superdoses de vitaminas aponta para ganhos extraordinariamente significativos que afastam o espectro de doenças fatais como o enfarte e o câncer. Mas não se trata, ainda, de uma droga mágica. Muitos médicos temem que o entusiasmo pelas vitaminas contamine os pacientes, que, sentindo-se protegidos, passem a negligenciar cuidados óbvios com a saúde, como fazer algum tipo de exercício físico, alimentar-se com uma dose razoável de bom senso e não abusar de álcool ou do fumo. “É um erro entupir-se de cápsulas de vitamina e achar que só isso dá saúde”, diz Scherr.
Há uma tendência entre os médicos de receitar cada vitamina em separado, em vez de recorrer aos complexos. As informações sobre as dosagens mudaram muito e nem todos os multivitamínicos acompanharam as novas pesquisas. Há compostos com ferro demais e vitamina E de menos que foram formulados numa época em que as pesquisas não haviam ainda mostrado a importância relativa dessas duas substâncias. Receitando vitaminas isoladamente, os médicos conseguem fazer uma cesta básica mais de acordo com as necessidades de cada paciente.
Estima-se que cerca de 1 milhão de brasileiros consome regularmente vitaminas em cápsulas, movimentando um mercado de 140 milhões de dólares por ano. São números que não se comparam à legião dos aficionados nos Estados Unidos, onde quatro em cada dez pessoas tomam cápsulas de vitaminas. Mas o número de brasileiros que colocam fé nas vitaminas está crescendo. Há cerca de dois anos, as vitaminas desbancaram os analgésicos no primeiro lugar do mercado de medicamentos vendidos sem receita médica.
Uma dieta de saúde que protege o coração e afasta o perigo do câncer deve incluir um copo de bom vinho tinto, de preferência um Bordeaux, patê de fígado, muito azeite e um pouco de alho. Parece bom demais para ser verdade? Segundo pesquisadores de algumas das escolas de medicina mais conceituadas do mundo, o único problema com a dieta acima é o preço. Com respeito à saúde não pode haver comida melhor. Em 1991 o Inserm, o equivalente francês do Ministério da Saúde, anunciou os resultados de uma longa pesquisa sobre hábitos alimentares. O Inserm concluiu que o vinho tinto protege o coração, dissipando as plaquetas, que provocam coágulos e entopem as artérias. “Os franceses comem mais gordura, exercitam-se menos, mas têm 40% menos ataques cardíacos do que os americanos graças ao consumo de vinho tinto”, afirma a pesquisa do Inserm.
Na mesma época descobriu-se que o componente benéfico da bebida é o resveratrol, presente em quase todos os tipos de vinho tinto mas especialmente abundante naqueles da região de Bordeaux. Viva a França! Poucos meses depois, os cientistas encontraram substâncias protetoras da saúde em outra glória da mesa francesa, o foie gras, o fígado de ganso. Isso mesmo, aquela deliciosa pasta gordurosa faz bem ao coração. Os habitantes da Gasconha, região francesa onde se come, em média, cinqüenta vezes mais foie gras do que no resto do mundo, têm as menores taxas de ataque cardíaco do país.
Da boa mesa de saúde já faziam parte dois outros ingredientes preciosos, o azeite de oliva e o alho. Embora contenha muitas calorias, o azeite de oliva apresenta certos componentes, como o ácido linoléico e o ácido oléico, que ajudam o fígado a sintetizar HDL, o chamado bom colesterol, que funciona como um desentupidor de artérias. As potencialidades do alho na supressão de células cancerosas estão sendo estudadas nas universidades de Yale e Stanford, ambas de grande tradição científica nos Estados Unidos. Os resultados preliminares são encorajadores. Na Alemanha, numa pesquisa supervisionada pelo governo, 261 pacientes receberam diariamente cápsulas com 800 miligramas de extrato de alho desodorizado. O resultado foi uma redução de 12% nas taxas de colesterol. Vinho, foie gras, azeite e alho já permitem fazer um belo almoço. No final, tendo ou não dor de cabeça por causa do vinho, pode-se tomar um comprimido de aspirina. Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine há quatro anos mostrou que um comprimido de aspirina a cada dois dias pode diminuir em 44% as chances de um ataque cardíaco.

8209 – Pesquisa para tratamento do vitiligo abre caminho para reverter cabelos brancos


Um estudo das universidades de Greifswald (Ernst-Moritz-Arndt-Universität Greifswald), na Alemanha e de Bradford, na Inglaterra, sobre um tratamento para o vitiligo, doença que causa despigmentação da pele, pode dar pistas para futuros tratamentos contra cabelos brancos. Isso é possível porque as duas condições apresentam ao menos uma causa em comum: o stress oxidativo, ou seja, o acúmulo de radicais livres, que provoca a perda de pigmentação.
O estudo utiliza um tipo de pseudocatalase (substância aplicada em forma de creme) denominado PC-KUS como forma de tratamento para o vitiligo. Essa substância faz a função da catalase, enzima que elimina os radicais livres do organismo. Ela é aplicada nos locais onde ocorreu a perda de pigmentação, e é ativada por meio de radiação ultravioleta B (UVB).
O estudo foi realizado com dados de 2.411 pacientes com vitiligo, dos quais 57 apresentavam vitiligo segmentar (uma variação da doença que atinge apenas a região correspondente a um determinado ramo neural, como um lado da face) e 76 apresentavam um tipo misto da doença, que engloba o vitiligo segmentar e o não segmentar (forma da doença que evolui de modo imprevisível). A pesquisa, publicada no Faseb, periódico da Federação das Sociedades Americanas de Biologia Experimental, mostrou pela primeira vez que o vitiligo segmentar também apresenta como uma das causas o stress oxidativo.
Cabelos brancos
Durante a realização do estudo, Karin Schallreuter, principal autora, observou a ocorrência de pigmentação também dos pelos presentes nas áreas afetadas pelo vitiligo após o uso da pseudocatalase. Com isso, a autora sugere que esse tratamento pode ter uma aplicação em potencial sobre os cabelos brancos, que também estão associados ao acúmulo de radicais livres. No entanto, ainda não foram realizados estudos clínicos que comprovem esse tipo de uso da pseudocatalase. “Tanto o cabelo branco quanto o vitiligo são condições causadas por diversos fatores. Há a questão da hereditariedade e, no caso do vitiligo, a doença pode ter relação com problemas autoimunes. O stress oxidativo é apenas mais um dos fatores”, afirma Celso Lopes, médico do ambulatório de vitiligo da Unifesp e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
A pseudocatalase é um tratamento já utilizado em alguns países, como Alemanha e Estados Unidos. “No Brasil o stress oxidativo também é levado em consideração, com o uso de suplementos orais antioxidantes”.
Conclusão
Os pesquisadores mostraram que o stress oxidativo (acúmulo de radicais livres) também está relacionado ao vitiligo segmentar (variação da doença que atinge apenas a região correspondente a um determinado ramo neural, como um lado da face). O tratamento com a pseudocatalase, que cumpre a função da catalase, enzima que retira os radicais livres do organismo, pode ser útil para o tratamento de cabelos brancos, que também são causados pelo acúmulo de radicais livres, mas ainda não há estudos que comprovem isso.

7618 – Expectativa de Vida – Muitas dúvidas na corrida contra o tempo


Dados do Banco Mundial indicaram que a expectativa de vida vem crescendo em todo o mundo.
Um alienígena que nos visitasse e examinasse os dados demográficos do século XX pensaria que a humanidade dominou o processo de envelhecimento. De fato, nossos números impressionam. Em 1900, a expectativa média de vida do brasileiro ao nascer era de 33 anos. Hoje, é de 68, mais que o dobro. Nos Estados Unidos, saltou de 47 para 75 anos, no mesmo período. “Em breve”, pensaria o alien, “esses terráqueos viverão centenas de anos”. O extraterrestre ficaria ainda mais impressionado se conhecesse as técnicas antienvelhecimento que vários profissionais de saúde oferecem por preços módicos.
Nada mais enganoso. Apesar de ser uma das mais antigas preocupações da humanidade, presente em escritos de mais de 5 000 anos, o envelhecimento só é estudado a sério, com rigor científico, há algumas décadas. E ainda não temos muitas certezas a respeito.
Mas há avanços. Na verdade, nosso conhecimento sobre o tema nunca evoluiu tanto, graças a dois fatos. O primeiro foi a explosão da população idosa que, nos países ricos, ultrapassou o número de jovens menores de 14 anos. Para dar bem-estar a essa multidão é preciso entender o que ocorre com ela. O avanço da pesquisa genética também ajudou, especialmente depois que o genoma humano foi desvendado.
Um exemplo conhecido do que acontece quando envelhecemos é o que ocorre na savana africana. Quando uma leoa ataca uma manada de antílopes, a maioria dos bichos escapam dando saltos assombrosos e, no final, quem acaba nas garras dos felinos são os animais velhos, que já não conseguem acompanhar os mais novos.
O envelhecimento é a perda gradativa das reservas que todos os organismos têm para usar em momentos de estresse.
Qual a razão biológica para envelhecer? A resposta é que não há razão. Envelhecemos porque, pela lógica da seleção natural, que é como “pensa” a natureza, o que acontece com o indivíduo depois que ele gerou descendentes não faz diferença para o futuro da espécie.
Em ambientes onde falta alimento, quem já passou da idade fértil representa uma competição extra. Aos poucos, portanto, a natureza privilegiou as espécies cujos integrantes deixavam o palco assim que seu papel acabasse.
Os genes prejudiciais a uma espécie são simplesmente banidos pela seleção natural ou desativados até depois da idade reprodutiva, porque seus portadores deixam menos descendentes. Pesquisas recentes mostram que muitos genes prejudiciais ao organismo na idade avançada são úteis na juventude. O câncer de pele, por exemplo, é uma versão fora de controle da capacidade da pele de curar as feridas, segundo o gerontologista americano Steve Austad.
Nosso corpo foi forjado há 130 000 anos, uma época em que os humanos, por mais fortes e saudáveis que fossem, morriam todos antes dos 30, vítimas de acidentes, predadores ou doenças. Mas nós domamos essas adversidades, elevando nossa expectativa de vida para muito além da idade reprodutiva. Ou seja, a degeneração que enfrentamos a partir dos 30 anos, ou, em outras palavras, o envelhecimento, nada mais é que a entrada em um período da vida para o qual a seleção natural não nos preparou. “A velhice é um produto da civilização. Só ocorre nos seres humanos, nos animais domésticos e nos mantidos em zoológicos ou laboratórios”, diz um professor norte-americano.
Mas não somos imunes à seleção natural. A capacidade de prolongar a idade fértil, por exemplo, é um indicador da longevidade e vale também para nós. Segundo um estudo realizado nos Estados Unidos, mulheres que tiveram filhos depois dos 40 anos têm quatro vezes mais chances de atingir os 100 anos que as demais.
O número de vezes que uma célula se divide, por exemplo, é programado para cada espécie e está diretamente relacionado à longevidade. As células do camundongo, animal que vive três anos, dividem-se 15 vezes. As nossas dividem-se 50 vezes. E as da tartaruga das ilhas Galápagos, que vive 175 anos, dividem-se 110 vezes. Os cientistas já sabem que o número de divisões é determinado pelo tamanho dos telômeros, um novelo de DNA localizado na extremidade dos cromossomos e que serve como uma sola. A cada divisão, os cromossomos perdem parte do telômero, até que a sola acaba e a célula pára de se dividir e morre. Há uma enzima que evita a perda do telômero e torna a célula imortal. Seria o elixir da imortalidade? Longe disso. É ela que produz células cancerosas.

7518 – Pesquisa brasileira usa carrapicho para fazer creme antirrugas


O trabalho de pesquisadores brasileiros resultou na criação de produtos que funcionam como cosméticos e, ao mesmo tempo, protegem a pele de doenças crônicas.
Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, o professor Luiz Claudio Di Stasi encontrou propriedades em uma planta chamada picão-preto que servem para dar mais elasticidade à pele – e devem ser usadas na produção de um creme antirrugas.
Essa planta é conhecida popularmente como “carrapicho”, comum em todo o Brasil. É muito resistente, o que favorece o cultivo para o uso comercial.
O objetivo da pesquisa era buscar na natureza um efeito semelhante ao dos chamados “retinoides”. Os retinoides são substâncias sintéticas que se ligam a receptores dentro das células e são usados em medicamentos para o tratamento de doenças de pele, como as acnes.
O produto aumentou a produção de colágeno e elastina, substâncias que mantêm a elasticidade da pele – e evitam as rugas. Além desse efeito, ele também ajudou a proteger o DNA das células da radiação do sol, o que previne contra possíveis tumores na pele.
A equipe agora está escrevendo um artigo para apresentar os resultados em uma revista científica. O produto ainda não está disponível para o mercado – a Chemyunion não produz cosméticos, apenas fornece a matéria-prima, e ainda não há um acordo nesse sentido com nenhuma fábrica.

7481 – Ciência da Vida – Os telômeros podem realmente prever a sua longevidade?


O lançamento feito pela companhia Life Length em Madrid de um kit que permitiria prever qual é a sua expectativa de vida a partir do tamanho dos seus telômeros causou um frenesi internacional.
Mas será que no futuro o tamanho dos telômeros será usado para avaliar a nossa saúde? Qual é realmente o valor preditivo dos telômeros na estimativa da nossa expectativa de vida? Para responder a essas perguntas a revista Nature entrevistou a maior expert no assunto: a doutora Elizabeth Blackburn, que ganhou o prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina, em 2009, justamente por suas pesquisas em telômeros. Ela também é consultora de uma companhia – Telome Health – que estuda os telômeros e seus impactos na nossa saúde. A resposta de Maria A. Blasco e outros pesquisadores que estão na Life Length foi imediata. As duas estão em companhias concorrentes.
Os telômeros são as pontas dos nossos cromossomos, como verdadeiros protetores contra danos externos. Eles funcionam mais ou menos como aquele plástico nas pontas de um cadarço de sapato, que não deixam que o cadarço se desfie, estrague e perca a sua função. Entretanto, da mesma forma como aquele plástico acaba se estragando com o passar do tempo e você não consegue mais passar o cadarço pelos buracos do sapato ou do tênis, o telômero também se desgasta e se encurta com as divisões da célula, impedindo que ela continue a se dividir. As células-tronco, para evitar esse desgaste, contêm uma enzima especial chamada telomerase, que repara os telômeros e preserva o seu comprimento, permitindo assim que essas células tão importantes continuem a se multiplicar e manter, por exemplo, as células do sangue constantemente durante toda a nossa vida, como os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

Entrevista da Nature para o ☻Mega
Nature: O telômero pode realmente predizer quanto tempo você vai viver?
Elizabeth Blackburn: Isso é uma bobagem, não? Há realmente uma conexão com a mortalidade, mas é bobagem dizer que o telômero vá prever a sua longevidade. Isso tem que ser considerado com outras informações.

P: Então o que ele pode dizer-lhe?
R: Nós e outros grupos estamos observando uma associação entre o encurtamento dos telômeros e o risco para várias doenças comuns complexas tais como doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer. Estudamos também alterações psicológicas crônicas tais como depressão e “stress” pós-traumático e cada vez mais estamos observando uma associação com o encurtamento dos telômeros. Um resultado muito interessante foi observado com alterações no tamanho dos telômeros com o tempo. Pessoas que tinham uma diminuição dos telômeros num período de 2.5 anos tinham uma probabilidade 3 vezes maior de morrer de problema cardíaco durante os próximos 9 anos do que as pessoas que mantinham os telômeros com o mesmo tamanho.

P:Por que os testes medem os telômeros em glóbulos brancos?
R:Por que são células fáceis de se obter. O tamanho do telômero varia em diferentes tecidos mas geralmente seu tamanho é comparável em diferentes tecidos.

R:Poderíamos desenvolver drogas para proteger ou aumentar o tamanho dos telômeros?
R:Nosso grupo não está interessado em drogas nesse momento apesar que tenho certeza que há gente interessada nisso. Todo mundo quer uma pílula mágica, mas há um longo caminho antes de se descobrir qualquer tipo de pílula. Não é uma ideia estúpida, mas precisamos ser realistas em relação a quanto tempo isso levará.

P:Como testes de telômeros podem ser úteis em medicina?
R:Eles mostram uma associação estatística com o risco para doenças comuns como cardiopatias e diabetes. As intervenções médicas poderiam incluir medidas para ajudar as pessoas a lidar com o stress e encorajar a prática de exercícios pois novos estudos estão mostrando que eles estão associados a uma manutenção no tamanho dos telômeros. Se você fizer exercício, talvez isso possa servir como um biomarcador para avaliar o efeito do exercício.

6984 – Medicina – Práticas do antienvelhecimento são vetadas pelo Conselho Federal de Medicina


A hormonioterapia anti-envelhecimento não convenceu as autoridades médicas no Brasil.
A indicação e a divulgação do uso de hormônios e outras substâncias com o objetivo de prevenir ou reverter o envelhecimento passa a ser uma prática vedada a médicos.
É o que determina uma resolução do CFM (Conselho Federal de Medicina), que já havia sido publicada como recomendação em agosto e agora tem força de lei para médicos.
Segundo o texto, a reposição hormonal só pode ser feita quando houver um deficit comprovado da substância e nos casos de o benefício dessa reposição ser cientificamente provado ou de haver um nexo causal entre a doença e a falta do hormônio.
Ou seja, fica proibido indicar doses extra de hormônios para pacientes que têm níveis normais da substância.
O texto também proíbe a prescrição de vitaminas, antioxidantes e dos chamados hormônios bioidênticos (com estrutura igual à do hormônio natural) com o apelo do antienvelhecimento.
O conselho entende que não há evidência científica que respalde tais terapias.
“Não se pode vender uma ilusão. E uma ilusão que custa caro”, afirma Gerson Zafalon, relator da resolução.
Uma prática atual –e agora condenada– é a de aumentar o nível hormonal para além do considerado normal para a faixa etária com o objetivo de aumentar a massa muscular, diz Silvia Pereira, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.
A sobrecarga no corpo pelas práticas agora proibidas, explica a médica, pode desencadear problemas como diabetes, hipertensão, distúrbios do sono e câncer.
A norma, que deve ser publicada hoje no “Diário Oficial da União”, tem validade imediata. O médico que não cumprir fica sujeito a punições que vão da censura reservada à cassação.
E o conselho ainda prepara nova resolução para regular a prática ortomolecular.

Contrapontos:
A médica Luciana Aun, autora do livro “Segredos do Antienvelhecimento” (ed. Livre Expressão, 165 págs.), afirma que a prática é mal compreendida até por causa do nome. “Não é uma coisa feita para estética, por motivos banais. É para prevenir as doenças da velhice.”
Segundo a cirurgiã, é preciso mesmo limitar o uso de hormônios. No entanto, afirma que a resolução do CFM foi feita com base em pareceres dos médicos geriatras, que, para ela, estão atacando algo que “não conhecem bem”. “Médicos sérios estão sofrendo com isso.”
Já para Edson Luiz Peracchi, presidente da Academia Brasileira de Medicina Antienvelhecimento, a resolução é “frustrada”, ilegal e não vai impedir prescrições baseadas em justificativa técnica.
“É uma tentativa de estancar a evolução científica, permitindo que a geriatria fique na mão do médico que trata o velho e não em quem trabalha com a prevenção.”

6754 – Bioquímica – Os Radicais Livres


Quando se respira, o oxigênio pode se transformar em radicais livres, moléculas capazes de atacar as células, até destruí-las. Ao observar essa metamorfose, os cientistas esperam descobrir novos tratamentos para uma série de doenças.
Ele são criadores de encrenca dentro das células, sempre furam a fila das substâncias que precisam ser usadas quebrando a ordem que garante o bom funcionamento do organismo. E isso não é nada perto da confusão que fazem ao arrancar moléculas das membranas celulares e dos genes. Esses verdadeiros anarquistas são os radicais livres, moléculas que reagem com qualquer substância que encontram pela frente. A cada cria, surgem novas evidências de que, agindo dessa maneira promíscua, os radicais estão por trás de problemas tão diversos como o câncer e os ataques cardíacos. Alguns cientistas também desconfiam que o processo de envelhecimento seria o acúmulo dos estragos provocados por esses baderneiros. À primeira vista, portanto, caso tudo se confirme, pode parecer simples acabar com uma série de males: em teoria, basta impedir a ação dos radicais. Mas tal como acontece na política, também para a Biologia isso tem sido impossível, por uma razão muito simples: a principal fonte dos radicais é o oxigênio, um gás indispensável para a maioria dos seres vivos.
Radicais livres são, por definição moléculas instáveis, cujos átomos possuem um número ímpar de elétrons – e o elétron, a partícula eletricamente negativa que gira em torno do núcleo atômico, prefere estar acompanhado. Quando isso não acontece, a molécula incompleta é capaz de capturar elétrons de qualquer outro átomo, para recuperar o número par. Só há 21 anos se confirmou que o oxigênio é capaz de formar essas moléculas altamente reativas dentro dos organismos. Foi quando os bioquímicos americanos Irwin Fridovich e Joe McCord descobriram que quase todos os seres aeróbicos, ou seja, que respiram, sintetizam uma enzima especializada em se livrar de certo radical derivado daquele gás — sinal de que a substância existia, ali, nas células e, pior, tinha efeitos nocivos, a ponto de haver um mecanismo natural para bloqueá-las. De lá para cá, cientistas do mundo inteiro investigam o papel dos radicais nos seres vivos.
Para se ligar a dois átomos de hidrogênio e formar uma molécula de água, o átomo de oxigênio da respiração precisa ganhar quatro elétrons. O problema é que nem sempre ele se transforma diretamente em água, pois em alguns pontos da mitocôndria aparece o que os cientistas chamam vazamentos. O nome do fenômeno não poderia descrevê-lo melhor: um elétron literalmente escapa e é logo capturado pela molécula de oxigênio. Esse gás tende naturalmente a receber um elétron de cada vez em vez de quatro, de supetão. Mas, ao receber elétrons um por um, ele passa por três estágios intermediários, antes de virar água. Nesses estágios o oxigênio é capaz de reagir com moléculas da própria célula.
O problema, que todos os químicos conhecem bem, é que não se tiram ou acrescentam impunemente elétrons em uma molécula, sem alterar as suas características. “No final da cadeia, podem surgir produtos tóxicos para a célula”.
Os radicais são capazes de reagir com o chamado lipídio de baixa densidade, ou mau colesterol, que circula no sangue. Essa gordura alterada pelo oxigênio chama a atenção de células imunológicas conhecidas por macrófagos, que fazem um serviço de limpeza no organismo, engolindo uma molécula de colesterol atrás da outra. Essas células, contudo, são convocadas para recuperar eventuais machucados na parede dos vasos e, chegando ali, muitas vezes estouram de tão gorduchas, espalhando o conteúdo oxidado pela lesão. Isso atrai mais macrófagos para o lugar, criando aos poucos um monte de colesterol depositado, que pode impedir o livre trânsito do sangue. Monteiro e Dulcinéa desconfiam que a ação dos radicais vai além disso.

Mocinhos e bandidos
A mitocôndria pode ser comparada ao motor que gera energia para a célula trabalhar, usando o oxigênio para queimar o combustível, transformando-o em água e gás carbônico. Eventualmente, vazamentos nas mitocôndrias deixam escapar espécies de oxigênio, como o radical peróxido e a água oxigenada, que podem reagir com moléculas das células.
Verdadeiros guardiões barram os baderneiros radicais e a água oxigenada, antes que desencadeiem reações perigosas para a organização celular. É o caso de enzimas fabricadas pela própria célula e das vitaminas C e E, ingeridas nos alimentos. Por azar, uma molécula de oxigênio reativo pode escapar. Se for de água oxigenada, ao encontrar uma molécula de ferro, faz surgir o radical hidroxila, capaz de reagir imediatamente com qualquer coisa. O radical hidroxila pode reagir com a membrana celular, provocando o envelhecimento.
Outro alvo desse radical são os lipídios de baixa densidade, ou mau colesterol, que passam a se depositar nos vasos sangüíneos. A hidroxila também pode cancelar as informações gravadas nos genes, o que eventualmente dispara o câncer.

Por que se respira
O aparecimento da respiração, há 500 milhões de anos, nos chamados seres aeróbicos, foi um tremendo avanço na evolução das espécies.
Assim, alguns seres puderam usar o oxigênio para transformar a glicose dos nutrientes em gás carbônico e água. Para formar esse líquido, as moléculas de glicose transferem, de uma só vez, quatro elétrons para o átomo do oxigênio, e este salto formidável gera muita energia. Os seres primitivos que não utilizavam oxigênio, como o levedo de cerveja, conseguem transformar a mesma glicose em gás carbônico e álcool, em vez de água.
Resultado: cem gramas de glicose produzem 381 000 calorias – unidade que mede a energia nos organismos – na reação com o oxigênio e apenas 31 000 calorias na reação típica das espécies que não respiram. Uma célula do pulmão humano produz 38 vezes mais energia do que gasta para trabalhar.
É uma economia e tanto: se o homem não respirasse, deveria ingerir doze vezes mais nutrientes para sobreviver.

Oxigênio extra
Durante dois meses, um grupo de ratinhos nadou uma hora por dia na piscina montada em um laboratório na Universidade de São Paulo. Após as sessões diárias, os cientistas examinavam a taxa de enzimas antioxidantes no sangue das cobaias, que parecia sempre maior do que o normal. “O aumento nessa defesa indicava que os ratinhos produziam mais radicais livres, por causa da respiração acelerada durante o exercício”, raciocina o bioquímico Etelvino Bechara, um dos coordenadores da pesquisa, cujos resultados ainda estão sendo analisados. Mas já se sabe que, depois desse período de treinamento, cerca de uma em cada cem fibras musculares vermelhas dos animais acabou danificada por radicais livres.

6650 – Saúde – Restrição calórica melhora a saúde mas não aumenta a longevidade


A dieta da longevidade se baseia numa premissa simples e atraente: a ingestão de menos calorias do que o habitual adicionaria anos à vida das pessoas.
Uma nova pesquisa publicada recentemente na revista “Nature”, entretanto, mostrou que uma dieta mais pobre em calorias não aumentou o tempo de vida de macacos resos, os parentes mais próximos do homem a serem submetidos a um estudo rigoroso e de longo prazo sobre o assunto.
“Se existir alguma maneira de manipular a dieta humana a fim de nos fazer viver mais, não descobrimos ainda e talvez nem seja possível”, disse o biólogo Steven Austad, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, que escreveu uma análise do estudo para a revista “Nature”.
Desde de 1934, pesquisas têm mostrado que ratos de laboratório, camundongos e as moscas da fruta (“Drosophila melanogaster”) alimentados com uma quantidade 10% a 40 % menor de calorias do que o habitual viveram 30% mais. Em alguns estudos, os resultados foram de até o dobro de tempo de vida.
Tais descobertas geraram uma crescente comunidade de crentes em dietas que buscam obter mais saúde e tempo de vida por meio de alimentação com restrição de calorias.
O novo estudo, feito pelo Instituto Nacional do Envelhecimento, ligado aos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, sugere uma surpreendente desconexão entre saúde e tempo de vida das cobaias. A maioria dos 57 macacos sob a dieta de restrição de calorias apresentou um sistema imunológico e cardíaco melhores e taxas de diabetes, câncer e outras doenças menores do que os 64 macacos do grupo-controle. Mas não houve ganhos na longevidade.
O estudo, iniciado em 1987, investigou se uma dieta que promovesse a ingestão de 70% da quantidade normal de calorias traria mais anos de vida aos primatas testados.
Talvez o resultado mais surpreendente da pesquisa é que os indicadores de saúde eram muitas vezes piores em macacos que foram submetidos a dietas de restrição calórica quando jovens adultos do que aqueles que a começaram mais velhos, justamente o oposto da expectativa dos cientistas. Além disso, animais que iniciaram tal dieta quando jovens morreram mais de causas não relacionadas ao envelhecimento que os não submetidos à dieta. “Existe algo sobre a restrição de calorias que torna os animais mais suscetíveis a morrer de outras causas”, disse Austad.
É muito cedo para avaliar se o estudo divulgado na quarta-feira afetará o desenvolvimento de drogas que buscam replicar os supostos benefícios da dieta de restrição de calorias sem provocar fome. Tais drogas incluem um composto derivado de abacates verdes que “engana as células de modo que elas ajam como se o corpo tivesse ingerido menos comida”, disse George Roth, CEO da empresa GeroScience.
Roth, que é coautor do estudo, acredita que, apesar dos resultados da pesquisa, ainda existem boas evidências a favor da restrição de calorias.
A equipe do Instituto Nacional do Envelhecimento continua coletando dados para observar se a dieta especial será, em algum momento, mais benéfica. “Mas o que se pode depreender dos resultados é que a magreza extrema não é o paradigma correto. Se eu fosse um deles (companhias ou cientistas que defendem isso), eu estaria preocupado”, concluiu o biólogo Steven Austad, da Universidade do Texas.

6620 – Bioquímica – A Vitamina C


O ácido ascórbico ou vitamina C (C6H8O6, ascorbato, quando na forma ionizada) é uma molécula usada na hidroxilação de várias outras em reacções bioquímicas nas células. A sua principal função é a hidroxilação do colágeno, a proteína fibrilar que dá resistência aos ossos, dentes, tendões e paredes dos vasos sanguíneos. Além disso, é um poderoso antioxidante, sendo usado para transformar os radicais livres de oxigênio em formas inertes. É também usado na síntese de algumas moléculas que servem como hormônios ou neurotransmissores. Em gêneros alimentícios é referido pelo número INS 300.
O ácido ascórbico(Vitamina C) é um sólido cristalino de cor branca, inodoro, hidrossolúvel e pouco solúvel em solventes orgânicos. O ácido ascórbico presente em frutas e legumes é destruído por temperaturas altas por um período prolongado. Também, sofre oxidação irreversível, perdendo a sua atividade biológica, em alimentos frescos guardados por longos períodos.
Aos valores de pH normalmente encontrados no meio intracelular, o ácido ascórbico encontra-se predominantemente na sua forma ionizada, o ascorbato.
Uma das actividades mais importantes do ascorbato no organismo humano é na desidratação de resíduos de prolina no colagénio. O colagénio, uma proteína estrutural fundamental, necessita ter determinados resíduos de prolina na forma hidroxiprolina para manter uma estrutura tridimensional correcta. A hidroxilação é feita pela enzima prolil-4-hidroxilase; o ascorbato não intervém diretamente nesta hidroxilação, pelo que é assumido que é necessário para reduzir o íon Fe3+ que participa na catálise enzimática (nesta, o íon passa do estado Fe2+ para Fe3+, sendo necessário o seu restabelecimento para novo ciclo catalítico).

Na dieta humana

Tem os seguintes efeitos no organismo em doses moderadas:
Favorece a formação dos dentes e ossos;
Ajuda a resistir às doenças.
Previne gripes, fraqueza muscular e infecções. Este ponto é discutível, havendo estudos que não mostram qualquer efeito de doses aumentadas. Contudo, seus efeitos parecem ser mais evidentes em doentes já com escorbuto.
Ajuda o sistema imunológico e a respiração celular, estimula as glândulas supra-renais e protege os vasos sanguíneos.
A vitamina C é importante para o funcionamento adequado das células brancas do sangue. É eficaz contra doenças infecciosas e um importante suplemento no caso de câncer.
A carência desta vitamina provoca a avitaminose designada por escorbuto.
É importante observar que a vitamina C (ácido ascórbico) é extremamente instável. Ela reage com o oxigênio do ar, com a luz e até mesmo com a água. Assim que é exposta têm-se início reações químicas que a destroem, daí o surgimento do gosto ruim no suco pronto. Estima-se que, em uma hora, quase que a totalidade do conteúdo vitamínico já reagiu e desapareceu, por isso é importante consumir as frutas ou o suco fresco feito na hora, deste modo, temos certeza que o teor de vitaminas está garantido. No caso das frutas, deve-se levar em conta o estado das mesmas (cascas, cor e etc.), caso estejam ‘feridas’ pode ser que já se encontre em estado avançado de reação e não tenha o ‘teor’ vitamínico que se deseja.

Farmacologia
Meia-vida biológica 13 – 40 dias (humanos)
3 dias (porquinho da Índia

A vitamina C é um nutriente essencial necessário para várias reações metabólicas. Os seres humanos não fabricam vitamina C, a qual é obtida pela alimentação e suplementos vitamínicos. A falta de vitamina C no organismo causa escorbuto. Vitamina C também é um antioxidante, o que significa que tem capacidade de proteger o organismo dos danos provocados pelo estresse oxidativo. As necessidades diárias de vitamina C são atualmente tema de debate.
A vitamina C tem função antioxidante potente, a qual age diminuindo o estresse oxidativo. Vitamina C também tem importância como um co-fator de enzima para a biossíntese de vários bioquímicos importantes.

Falta e deficiência de vitamina C
O escorbuto é resultante da falta de vitamina C. Sem a vitamina C o colágeno sintetizado é muito instável para desempenhar sua função. Escorbuto ocasiona a formação de feridas na pele, gengiva esponjosa e sangramento das membranas mucosas. As feridas são mais abundantes nas coxas e pernas. No estágio avançado do escorbuto há feridas supuradas abertas, perda dos dentes, e eventualmente morte.
O organismo humano é capaz de armazenar apenas uma certa quantidade de vitamina C, então para que não haja deficiência é preciso ingerir novos suprimentos. Fumar cigarros tem uma relação negativa com a quantidade de vitamina C na circulação sanguínea.

Quantidade diária requerida de vitamina C

Há um debate contínuo sobre a melhor quantidade diária a ser ingerida de vitamina C. Em termos gerais concorda-se que uma dieta balanceada e sem suplementos contém vitamina C suficiente para prevenir escorbuto em adultos saudáveis, enquanto mulheres grávidas, aqueles que fumam ou estão sob estresse precisam de um pouco mais. Altas doses (milhares de miligramas) podem resultar em diarréia em adultos saudáveis. Proponentes da medicina alternativa (especificamente a medicina ortomolecular) defendem que a diarréia é uma indicação de onde está o requerimento verdadeiro do organismo para a vitamina C.

Doses recomendadas por entidades governamentais de vitamina C:
* United Kingdom’s Food Standards Agency – 40 miligramas por dia.
* Organização Mundial da Saúde – 45 miligramas por dia.
* Health Canada – 60 miligramas por dia.
* United States’ National Academy of Sciences – 60-95 miligramas por dia.
Os Estados Unidos definem o limite máximo tolerável para um homem de 25 anos em 2.000 miligramas por dia.

Efeitos colaterais do excesso de vitamina C

A vitamina C possui pouca toxidade. O excesso de vitamina C pode causar indigestão, particularmente quando ingerida de estômago vazio. Quando tomada em altas doses, a vitamina C causou diarréia em adultos saudáveis. Sinais de intoxicação por excesso de vitamina C podem incluir náusea, vômito, diarréia, dor de cabeça, rubor na face, fadiga e perturbação no sono. Como a vitamina C melhora a absorção de ferro, o envenenamento por esse mineral é possível em pessoas com desordens raras de acúmulo de ferro, como hemocromatose.

Fontes e alimentos ricos em vitamina C

Os alimentos mais ricos em vitamina C são frutas e vegetais. A vitamina C também está presente em certos cortes de carne, especialmente o fígado. Vitamina C também está disponível em várias formas de suplementos nutricionais. Dentre as fontes vegetais de vitamina C destacam-se: acerola, frutas cítricas, kiwi, brócolis, papaia, melão, uva, espinafre, manga, batata, tomate, couve-flor, repolho, morango, abacaxi, abricó, melancia, abacate, banana, maçã e pêra. Com relação às fontes animais, a vitamina C está mais presente no fígado e menos nos músculos.

6162 – A Medicina Ortomolecular


Trata-se de um princípio das atividades da chamada Medicina Preventiva no qual se constitiu que as doenças são resultado de desequilíbrios químicos. Assim, os tratamentos ortomoleculares buscam a restauração dos níveis de vitaminas e minerais considerados ideais no organismo.
Medicina Ortomolecular é o ramo da ciência cujo objetivo primordial é restabelecer o equilíbrio químico do organismo. Este acerto (orto=certo) das moléculas se dá através do uso de substâncias e elementos naturais, sejam vitaminas, minerais, e/ou aminoácidos. Estes elementos,além de proporcionarem um reequilíbrio bioquímico, combatem os radicais livres.
Mas por que o organismo se desequilibra?
Para entendermos como isto se dá, podemos partir de uma analogia. O organismo é uma máquina que está permanentemente se produzindo. Durante este processo de produção podem surgir falhas, seja na chegada de matéria-prima (vitaminas, minerais, etc.), seja na própria integração de todo e qualquer sistema que compõe a máquina.Estes sistemas devem trabalhar de forma harmoniosa, como uma engrenagem. Estas engrenagens são os sistemas : NEUROENDÓCRINO, PSÍQUICO E IMUNE. Qualquer falha em algum ponto ou mecanismo desta máquina (ser humano) compromete toda a produção (vida), surgindo os defeitos (doença).
Por exemplo: uma pessoa deprimida tem mais chances de apresentar infecções recorrentes, já que uma falha no sistema psíquico leva conseqüentemente a alterações no sistema imune. Outro fator importante na gênese de várias enfermidades, como artrite e câncer, é a formação de radicais livres. Podemos entendê-los da seguinte forma: o organismo utiliza cerca de 98 a 99% do oxigênio que consumimos para produzir energia. A pequena parcela que sobra (1 a 2%) não participa do processo, formando as espécies tóxicas reativas do oxigênio – os radicais livres. Estes correspondem a átomos ou grupos de átomos com um elétron não emparelhado em sua órbita mais externa, sendo, portanto, muito reativos pois para recuperar o equilíbrio precisam ‘doar’ o elétron desemparelhado. Desta forma, combinam avidamente com as várias estruturas celulares do corpo, o que resulta em destruição e, conseqüentemente, em enfermidades. Entre estas podem ser citadas o câncer, osteoartrite, lúpus, enfisema e doenças cardio vasculares.
O Homem está sendo permanentemente submetido a condições que levam ao excesso de radicais livres como, por exemplo, o estresse, o fumo, a poluição, exposições prolongadas ao sol, entre outras. A Medicina Ortomolecular, através do uso de vitaminas e minerais, objetiva, entre outros, neutralizar os efeitos tóxicos destas espécies reativas, proporcionando uma melhor qualidade de vida.
A Medicina Ortomolecular também trata das deficiências de uma série de nutrientes. Sabe-se, por exemplo, que um fumante gasta 25 mg de vitamina C a cada cigarro que consome. Caso esta pessoa fume um maço por dia, estará perdendo 500 mg desta vitamina diariamente. E, hoje em dia, sabemos os inúmeros benefícios que esta vitamina proporciona, seja no combate a radicais livres, na síntese de hormônios, ou mesmo estimulando o sistema imunológico. Todavia, apesar da medicina ortomolecular ter um sentido curativo, ela também é eminentemente preventiva. Assim, p. ex.,é possível tratar uma pessoa com estresse antes que ele evolua para uma hipertensão arterial. Da mesma forma, é possível tratar obesidade antes que ela ocasione diabetes. O mais importante é que com a Medicina Ortomolecular o paciente volta a ser encarado como um todo, um conjunto que deve funcionar em harmonia.
Com esta visão global, qualquer tratamento torna-se muito mais vantajoso, pois encontra a origem dos problemas, a verdadeira raiz a partir da qual todo o processo patológico se desenvolve. Ou, ainda, voltando à analogia, se encontrarmos o defeito exatamente onde ele origina-se na máquina, é muito mais fácil consertá-la antes que o problema atinja toda a produção, que nada mais é do que a própria vida.
É fundamental saber que a Medicina Ortomolecular através dos seus componentes pode ser adquirida em qualquer farmácia tradicional e sem prescrição médica, mas o ideal é que se consulte um médico para não causar hipervitaminose no organismo.

6161 – Medicina – Suplementos


Os de antioxidantes não curam o mal já existente, ainda que sen sintomas. Mas é provável que moléculas de vitamina C e E retardem o avanço da doença, o que já é alguma coisa. O ideal é o indivíduo ter, desde a juventude, um bom nível de antioxidantes. Eles formam barreiras impedindo que os radicais avancem. Câncer, osteosporose, catarata, hipertensão, são exemplos de moléstias mais frequentes de quem envelheceu, e nenhum cientista afirma que comer saladas e se entupir de suplementos possa curá-las. A vitamina C, como antioxidante, pode ser um ácido, afetando o estômago de alguns pacientes.Os pesquisadores ortomoleculares estão tentando descobrir qual o antioxidante é o melhor em cada caso.
O uso controlado de tais substâncias não oferece risco.