13.545 – Medicina – Órgão artificial poderá criar células de combate ao câncer


celulas cancerigenas
Embora ainda não tenha sido testado em seres humanos, este órgão artificial poderia reduzir o tempo e o custo da imunoterapia com células T e torná-lo uma opção mais viável para pacientes com baixa contagem de glóbulos brancos.

Timo artificial
Muitos órgãos artificiais estão sendo desenvolvidos como uma alternativa aos órgãos de dadores, pois estes são apenas soluções temporárias que exigem que os pacientes mantenham um regimento vitalício de medicamentos.
Com os recentes avanços nas tecnologias biomédicas, a ajuda pode chegar a tempo e evitar que aqueles que necessitam de transplantes já não tenham de esperar nas listas de doação para substituir órgãos como rins e vasos sanguíneos. Agora, os cientistas adicionaram o Timo à lista de partes do corpo que podemos simular artificialmente.

Mas o que é o Timo?
O timo, (Thymus em inglês) é uma glândula linfoide primária, responsável pelo desenvolvimento e seleção de linfócitos T. Na anatomia humana, o timo é uma glândula endócrina linfática que está localizada na porção superior do mediastino e posterior ao osso externo, fazendo parte do sistema imunológico. Limita-se superiormente pela traqueia, a veia jugular interna e a artéria carótida comum, lateralmente pelos pulmões e inferior e posteriormente pelo coração.

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13.538 – Oftalmologia – Uma lente pode evitar o transplante de córnea


oftalmologia
O segredo é uma pequena peça, feita de material acrílico, que é implantada nos olhos do paciente. Ela funciona como uma espécie de filtro e é muito mais simples do que o transplante de córneas.
“Já foram realizadas 52 cirurgias com acompanhamento de mais de três anos e, além daqui, essa cirurgia já foi realizada em alguns países, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Itália, na Argentina, nos Emirados Árabes e na Austrália, e realmente vem atraindo a atenção de oftalmologistas de todo o mundo”, diz Claudio Trindade, o criador do método.

Ceratocone:
Muitos casos de Ceratocone são diagnosticados como Astigmatismo irregular (distorção da imagem causada pela alteração da curvatura normal da córnea)ou Miopia.
Ceratocone é uma doença ocular que preocupa muitos pacientes, necessitando de diagnóstico precoce para interromper sua progressão e permitir um tratamento bem-sucedido. Estima-se que a doença atinja uma em cada 20 mil pessoas no Brasil e faz com que a córnea adquira formato cônico e irregular, resultando em visão distorcida, mas não se preocupe, ceratocone tem cura .
O tratamento do ceratocone visa sempre proporcionar uma boa visão ao paciente, bem como garantir seu conforto na utilização dos recursos que serão empregados e principalmente preservar a saúde da córnea. As alternativas de tratamento de modo geral são avaliadas nesta ordem: óculos, lentes de contato, e cirurgias.
O acompanhamento constante da doença é importante, pois o Ceratocone é uma doença progressiva. Tanto o diagnóstico da doença como a verificação de sua progressão dependem de exames especiais, destacando-se a topografia da córnea (estudo da superfície), tomografia de córnea (estudo 3D), acuidade visual e refração (avaliação da óptica ocular).
A primeira opção que o paciente recebe é a prescrição de óculos, na maior parte das vezes em casos iniciais da doença, quando o astigmatismo irregular ainda é baixo e é possível obter uma boa acuidade visual (visão). Quando há um avanço da doença, na maior parte das vezes, a acuidade visual (visão) satisfatória não corresponde a qualidade visual, ou seja, o paciente pode ler as letras na Tabela de Snellen (tabela utilizada para verificação da visão do paciente na consulta médica com Oftalmologista) mas a qualidade da imagem não é precisa.
A partir do momento em que os óculos não conseguem fornecer uma visão satisfatória, a lente de contato é a próxima alternativa. Em determinados casos, as lentes gelatinosas para a correção do Ceratocone possibilitam adaptação perfeita. Em outros, os pacientes adaptam-se melhor com as lentes rígidas gás permeável ou lentes esclerais e semi-esclerais.

A adaptação de lentes de contato no Ceratocone deve ser feita por médicos oftalmologistas experientes que possam dar o devido acompanhamento e orientação ao paciente. Com isso proporcionando a melhor visão possível, principalmente assegurando a saúde fisiológica da córnea do paciente.

As lentes de contato podem retardar ou estabilizar a progressão da ectasia?

Infelizmente não! Pois mesmo representando uma forma eficaz de melhora da visão
Uma lente mal adaptada ou de má qualidade pode causar erosão de córnea, ceratite, hidropsia seguida de leucoma, edema de córnea e infecções oculares.

Quando a cirurgia do Ceratonone está indicada?
O tratamento cirúrgico do Ceratonone está classicamente indicado com o objetivo de melhorar a visão e permitir reabilitação visual e para estabilizar a progressão da doença.

 

Quais procedimentos cirúrgicos podem ser indicados para casos de ceratocone?
O tratamento cirúrgico era exclusivamente o Transplante de Córnea até meados dos anos 1990. Entretanto, há cirurgias alternativas que podem ser indicadas para o ceratocone com diferentes objetivos em diferentes fases da doença

 

13.515 – Saúde – Relação entre a Depressão e o Vegetarianismo


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Homens vegetarianos correm maior risco de depressão do que homens que comem carne, segundo uma nova pesquisa. O estudo, feito pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA com mais de 9600 homens, mostrou que aqueles que relataram ser vegetarianos ou veganos tiveram pontuações significativamente maiores em uma escala de medição de depressão do que os não vegetarianos.
Além disso, significativamente mais pessoas do grupo vegetariano e vegano apresentaram uma pontuação maior que 10 na medida, o que significa depressão leve a moderada. “As deficiências nutricionais (por exemplo, em vitamina B12 ou ferro) são uma possível explicação para esses achados”, escreveram os pesquisadores.
O autor principal, Joseph R. Hibbeln, chefe interino da Seção sobre Neurociências Nutricionais no Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo no NIH, acrescentou que, como a carne vermelha é rica em vitamina B12, esse nutriente pode ter desempenhado um papel importante nos resultados.
“Se alguém optar por ser vegetariano ou optar por comer menos carne, deve seguir as recomendações para garantir que tenha um bom estado de vitamina B12”, disse o Dr. Hibbeln ao site Medscape Medical News.

Consequências adversas
Dietas vegetarianas já foram associadas a vários benefícios para a saúde, mas pouco se sabe sobre seus benefícios ou riscos para a saúde mental, observam os pesquisadores.
“As dietas vegetarianas têm sido associadas à diminuição dos riscos de morte cardiovascular, obesidade e diabetes, levando a perguntas sobre se os benefícios potenciais se estendem à saúde mental ou, em contraste, se a ingestão diminuída de nutrientes que são abundantes em alimentos excluídos causa conseqüências adversas para o bem-estar mental”, eles escrevem.
Pesquisas anteriores mostraram que baixos níveis de vitamina B12 e B9 estão associados a um risco maior de depressão e “uma meta-análise sugere que a intervenção com vitamina B12 pode prevenir sintomas depressivos em populações especializadas”, relatam os pesquisadores. No entanto, são necessários ensaios melhor construídos para aprofundar essas questões.
Os resultados obtidos agora na verdade começaram a ser obtidos no início da década de 90. O estudo populacional Avon Longitudinal Study of Parents and Children (ALSPAC), registrou 14.541 mulheres grávidas que viviam no Reino Unido. As datas de entrega esperadas estavam entre abril de 1991 e dezembro de 1992. Os questionários foram preenchidos pelas mulheres e por 9845 dos seus parceiros – 9668 desses homens foram incluídos na análise atual.
Os questionários pediram informações básicas, bem como informações sobre a dieta alimentar dos participantes. Como relativamente poucos dos homens se auto-declaravam veganos (39 deles), veganos e vegetarianos foram combinados em um único grupo (350 indivíduos, 3,6% do total).
Os homens também preencheram a Escala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo (EPDS), um questionário criado para verificar se as mulheres possuem depressão pós-parto, entre as semanas 18 e 20 da gestação de suas parceiras. Um resultado maior que 10 indicava uma alta probabilidade de depressão leve a moderada.
Os resultados mostraram que para o grupo vegetariano e vegano, o resultado médio do EPDS foi de 5,26, versus um resultado médio 4,18 para o grupo não vegetariano.
Além disso, 12,3% dos vegetarianos ou veganos contra 7,4% do grupo não vegetariano apresentaram um resultado maior que 10; 6,8% contra 3,9% tiveram uma pontuação maior que 12, significando uma provável depressão grave.
Embora não significativa, houve também uma tendência para uma associação entre os sintomas depressivos e a duração do vegetarianismo.
Os pesquisadores observam que nem todos os indivíduos que se identificam como vegetarianos comem as mesmas coisas, especialmente quando se trata de peixe, ovos e produtos lácteos. Não surpreendentemente, os não vegetarianos nesta análise comeram mais carne, salsichas, aves e peixe branco do que o grupo vegetariano. Mas os números de pessoas que comiam peixes oleosos e moluscos nos dois grupos eram bastante parecidos.

“Este é o primeiro grande estudo epidemiológico a mostrar uma relação entre vegetarianismo e sintomas depressivos significativos entre homens adultos”, escrevem os pesquisadores. “Uma vez que a exclusão da carne vermelha caracteriza principalmente os vegetarianos, as menores ingestões de vitamina B12 merecem consideração como fator contribuinte para a depressão”, acrescentam.
Ainda assim, eles observam que “a causalidade reversa não pode ser descartada”. O Dr. Hibbeln diz que mais estudos, especialmente ensaios controlados randomizados, são definitivamente necessários.
Mas o especialista está otimista em relação ao futuro – segundo ele, a primeira conferência da Sociedade Internacional de Pesquisa em Psiquiatria Nutricional (ISNPR), realizada na metade de 2016, atraiu mais de 500 participantes. “É minha opinião que, depois dos muitos anos que tenho trabalhado nesta área, ela está sendo reconhecida como um campo (de pesquisa)”, se alegra Hibbeln.

Dieta como tratamento para depressão
Segundo a especialista, não é possível generalizar a respeito dos hábitos alimentares. “As pessoas parecem metabolizar e responder aos alimentos de forma bastante diferente, com base no seu microbioma intestinal. E isso é algo em que estamos cada vez mais interessados ​​e pesquisando”, aponta. “À medida que avançamos para fazer recomendações individuais, acho que vamos conseguir muito mais detalhes nos dados”.
As conclusões do estudo SMILES da Dra. Jacka e seus colegas foram publicadas no início deste ano. SMILES foi um estudo controlado randomizado que avaliou uma intervenção alimentar em um grupo de 67 adultos com depressão grave.
Após 12 semanas, o grupo de intervenção alimentar apresentou melhora significativamente maior em relação à linha de base na Escala de Avaliação de Depressão de Montgomery-Ǻsberg (MADRS) do que um grupo de controle de “apoio social”.
Além disso, 32% do grupo tratado com base na dieta conseguiu remissão, definida como uma pontuação menor que 10 no MADRS, enquanto o grupo do apoio social conseguiu uma remissão de 8%.
No estudo atual do Dr. Hibbeln e colegas, bem como em outros estudos, “os dados observacionais mostram que não consumir carne vermelha pode ser um fator de risco para a depressão em algumas pessoas”. [Medscape]

13.508 – Psiquiatria – Gigantesco estudo em gêmeos conclui que a esquizofrenia é 80% genética


esquizofrenia 2
Até quatro em cada cinco casos de esquizofrenia podem ser rastreados a partir de genes herdados dos pais da criança.
Ao aplicar uma nova abordagem estatística aos dados coletados em mais de 30 mil pares de gêmeos, os pesquisadores definiram a imagem mais precisa que já temos até o momento sobre os fatores de risco para a condição. A descoberta pode nos ajudar potencialmente a identificar os genes responsáveis pelos sintomas da esquizofrenia.

Cientistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, mergulharam em um conjunto de informações coletadas através do seu National Danish Twin Register e as combinaram com dados do Registro Dinamarquês de Pesquisas Centrais Psiquiátricas. Eles chegaram à amostragem de 31.524 pares de gêmeos, todos nascidos entre 1951 e 2000.

Hereditário ou desenvolvido por fatores ambientais?
Examinar gêmeos é uma maneira bastante sólida e promissora de determinar se uma condição foi herdada na concepção, ou se é o resultado de outros fatores ambientais.
Os chamados gêmeos idênticos – ou pares de gêmeos monozigóticos – herdaram os mesmos conjuntos de genes de seus pais. A comparação das características encontradas entre estes e aqueles que trazem pares de duplos dizigóticos (ou gêmeos não idênticos) pode fornecer uma forte indicação de se foi causada por genes ou por algo no ambiente à medida que se desenvolveram.
Embora isso pareça positivo em teoria, a biologia é um caso desordenado, em que muitos números e evidências são necessárias para se chegar a uma conclusão confiável. Pode ser difícil encontrar gêmeos suficientes com a condição estudada para participar de uma pesquisa.
No caso da esquizofrenia, a condição neurológica afeta, apenas, menos de cinco em cada mil indivíduos, o que torna especialmente difícil a coleta de dados suficientes sobre gêmeos.
Assim, o grande registro nacional da Dinamarca, combinado com ferramentas estatísticas adequadas, revelou-se um excelente caminho à ciência.

Herdabilidade em estudo na Finlândia
Um estudo com gêmeos não-idênticos, ou fraternos, realizado na Finlândia em 1998 usando uma amostra menor do Registro Nacional de População finlandês, concluiu que, ali, a herdabilidade da esquizofrenia era de 83%.
Outra análise conduzida na Suécia em 2007 dividiu a probabilidade de risco entre os sexos, encontrando genes que podem ser causa da esquizofrenia em 67 por cento das mulheres e 41 por cento no sexo masculino.
A interpretação desses números se torna mais complexa pelo fato de que a própria esquizofrenia é uma condição de difícil estudo e muito disputada. Como o autismo, num passado recente, a palavra tenta cobrir um amplo espectro de causas e sintomas que precisam ser mais bem avaliados ou classificados.
Na tentativa de alcançar uma melhor precisão nas estatísticas, os pesquisadores desse último estudo calcularam duas estimativas, tanto em uma definição restrita quanto em uma desordem mais ampla do espectro de esquizofrenia.
Para a definição mais específica, estimaram que os genes determinaram o diagnóstico da condição em 79 por cento dos casos totais.
Quando expandido para incluir aqueles com distúrbio do espectro de esquizofrenia, o número caiu para 73 por cento.

“Este estudo é agora a estimativa mais compreensível e completa da herdabilidade da esquizofrenia e sua diversidade diagnóstica”, diz o pesquisador Rikke Hilker, da Universidade de Copenhague.

“É interessante, pois indica que o risco genético para a doença parece ser de quase igual importância em todo o espectro da esquizofrenia”.

Em busca de um diagnóstico
A pesquisa também proporcionou uma idade média de 28,9 anos, quando os sintomas da condição tornam-se suficientemente significativos para um diagnóstico.
Estudos em gêmeos são ferramentas úteis, mas baseiam-se na suposição justa de que os gêmeos refletem os mesmos padrões de herança da população em geral.
Há também a questão de saber quanto de cada base de dados nacional pode ser generalizada e aplicável em outras partes do mundo.
O debate conflitante da natureza X educação social muitas vezes esconde a complexidade da doença e da deficiência.
Mesmo a herança de um gene pode ser complicada pelos efeitos editoriais da epigenética, ou as chamadas mutações do mosaico pós-zigótico que ocorrem logo após a concepção.
Os genes individuais têm sido associados à esquizofrenia no passado, e com base nos resultados deste estudo, deve haver mais a ser descoberto no futuro.
Os limites e as definições dessa condição mental séria podem mudar, mas, não importa como a chamemos, aqueles que sofrem de efeitos debilitantes da esquizofrenia se beneficiarão em conhecer mais sobre suas causas subjacentes.

Esta pesquisa foi publicada na Biological Psychiatry. [ScienceAlert]

13.499 – Descoberta a quarta fase da vida: quando o fim está próximo


espiral
Os biólogos separam a vida em três fases: desenvolvimento, envelhecimento e vida adiantada. Mas um crescente corpo de pesquisa agora sugere que há uma quarta fase imediatamente anterior à morte que os cientistas estão chamando de “espiral da morte”.
Embora a maioria das pesquisas sobre a “espiral da morte” tenha se concentrado nas moscas da fruta, os cientistas acham que esses estudos podem oferecer uma visão valiosa da última etapa da vida humana também.
“Acreditamos que isso faz parte do processo da morte geneticamente programada, basicamente”, explica Laurence Mueller, presidente do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade da Califórnia, nos EUA.

Morte das moscas
Ao longo da última década, vários estudos com moscas da fruta sugeriram que esta espiral pode ser vista na queda da taxa reprodutiva (fecundidade), de acordo com uma revisão desta pesquisa por Mueller e seus colegas, publicada no início deste ano na revista Biogerontology. Por exemplo, os pesquisadores descobriram que o primeiro dia em que uma mosca fêmea colocou zero ovos foi um preditor significativo do fim da vida: os indicadores de fecundidade começaram a diminuir cerca de 10 dias antes de moscas jovens da fruta terem zero ovos. Os pesquisadores acham que o que leva à morte das moscas também afeta sua capacidade de reprodução nos últimos dias.
Na nova revisão, Mueller disse que o momento dessa queda corresponde a outra estimativa anterior da duração da espiral da morte. 10 dias podem ser até um terço da vida de uma mosca. Pesquisas a partir de 2002 sobre moscas da fruta do Mediterrâneo, chamadas de moscas-do-mediterrâneo, descobriram que 97% dos machos começaram a ficar de cabeça para baixo cerca de 16 dias antes de morrer. Em termos relativos, esse indicador potencial de uma espiral da morte também é aproximadamente igual ao momento do declínio da fecundidade nas moscas da fruta.
Em outro estudo, cientistas observaram moscas da fruta, nemátodos e peixes-zebra para ver se seus intestinos exibiam maior vazamento antes da morte. Os pesquisadores testaram essa vazamento, chamado permeabilidade, dando corantes para cada animal. Se a permeabilidade aumentasse, esse corante escaparia para dentro do corpo do animal, e seu corpo mudaria de cor – azul nas moscas e nos peixes e verde fluorescente nos nemátodos. A pesquisa, publicada em 22 de março na revista Scientific Reports, concluiu que esse vazamento intestinal foi um marcador de morte nas três espécies.

Uma espiral de morte humana?
A esperança é que a investigação da espiral da morte em moscas da fruta e outros organismos poderia algum dia dizer aos cientistas mais sobre o declínio dos humanos antes da morte.
Em seu artigo de revisão, Mueller e seus colegas citaram um estudo de 2008 publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences que mostra evidências de que as pessoas podem experimentar a espiral da morte também. Nesse estudo, os pesquisadores analisaram os dados coletados sobre as habilidades físicas e cognitivas de 2.262 pessoas dinamarquesas, com idades entre 92 e 100 anos, entre 1998 e 2005. Eles descobriram que as pontuações físicas e cognitivas de indivíduos que morreram nos dois primeiros anos do estudo foram significativamente inferiores às pontuações daqueles que ainda estavam vivos em 2005. As avaliações incluíram medidas de força de aderência, capacidade de completar atividades diárias (como usar o banheiro e comer) e exames que ajudaram a avaliar o comprometimento cognitivo.
Basicamente, Mueller disse, uma espiral da morte nas pessoas poderia ser a razão pela qual muitas vezes vemos um aumento distinto na deficiências antes de uma pessoa morrer. Os seres humanos são desafios para assuntos de estudo, tanto por razões éticas como biológicas, mas a visão da espiral da morte em outros organismos poderia dar aos cientistas uma janela sobre como isso funciona em humanos, disseram os pesquisadores.
De acordo com Mueller, o próximo passo nesta pesquisa pode ser criar seletivamente as moscas para criar grupos que experimentam espirais de morte de diferentes durações.

“Uma vez que você cria populações que são geneticamente diferentes dessa maneira, você pode perguntar: ‘Que genes foram alterados para reduzir o comprimento da espiral da morte?”, prevê Mueller. Usando esse conhecimento, os pesquisadores poderiam procurar no genoma humano por marcadores genéticos similares. Os seres humanos são geneticamente semelhantes às moscas da fruta, observa Mueller. De acordo com o site yourgenome.com, um site do Wellcome Genome Campus, um grupo que concentra dados genéticos, 75% dos genes que causam doenças em seres humanos também estão presentes nas moscas da fruta.
É por isso que o “você” do pós-vida não seria você
Mueller diz que a pesquisa não é sobre parar ou mesmo atrasar a morte. Em vez disso, ele vê isso como uma forma de melhorar a qualidade de vida das pessoas quando elas estão chegando ao fim e, potencialmente, economizar imensas quantidades de dinheiro em cuidados de saúde no fim de vida.

“Mesmo que não sejamos capazes de afetar quando você morre, gostaríamos de torná-lo totalmente funcional até o dia da sua morte”, disse ele. [Live Science]

13.498 – Acredite se Quiser- Cirurgião que fará transplante de cabeça promete transplantar cérebros até 2020


transplante de crebro
Numa entrevista publicada ontem pela revista alemã Ooom, o cirurgião italiano Sergio Canavero deu mais detalhes sobre o primeiro transplante de cabeça do mundo, que deverá ser realizado nos próximos 10 meses. No entanto, Canavero também aproveitou para falar sobre seus planos para o futuro, que incluem uma iniciativa ainda mais arriscada: transplantes de cérebro.
“Estamos atualmente planejando o primeiro transplante de cérebro do mundo, e eu considero realístico dizer que estaremos prontos em três anos no máximo”, disse o cirurgião. Não se trata, segundo ele, de um próximo passo na evolução da cirurgia, mas de um desenvolvimento separado. “O processo já está encaminhado, nós estamos trabalhando nele em paralelo [ao transplante de cabeça].”
O procedimento, segundo Canavero, envolveria “transportar o seu cérebro para um crânio totalmente diferente”. Em outras palavras, o cérebro (e presumivelmente a consciência e a personalidade) do paciente seria transportado para um corpo “inteiramente novo”. O cirurgião reconhece que o processo pode ser traumático: “Isso cria uma situação nova que certamente não será fácil”.
Por outro lado, o cirurgião diz que o transplante tem “muitas vantagens”: “Primeiro, não há quase nenhuma reação imunológica, o que significa que o problema da rejeição não existe”. Num transplante de cabeça, os nervos, tendões, músculos e veias podem causar grandes problemas caso o novo corpo os rejeite, mas, com o cérebro, isso não acontece. “O cérebro é, de certa forma, um órgão neutro”, diz.

Transcendendo a morte
De certa forma, segundo Canavero, os transplantes de cérebro poderiam possibilitar que os humanos vivam para sempre. Durante a entrevista, ele fala sobre a empresa estadunidense Alcor, que congela corpos e cérebros humanos para que eles possam ser “revividos” no futuro. A ideia é que os “clientes” da empresa possam ser acordados em 100 ou 200 anos, quando a tecnologia para isso existir.
Mas o cirurgião italiano diz ter “boas notícias” para eles: assim que o primeiro transplante de cabeça for realizado com sucesso, ele e sua equipe começarão a tentar reviver os primeiros cérebros dos clientes da Alcor. Isso deve acontecer “no máximo em 2018”, segundo ele. O teste, mesmo que não dê certo, permitirá “descobrir se congelar cérebros [para reviver depois] faz sentido ou se toda essa abordagem pode ser esquecida”.
Ainda sobre o transplante de cabeça, Canavero considera que o procedimento, se funcionar, dará à humanidade um novo entendimento sobre a morte. “Nessa fase [quando a cabeça está separada do corpo], não há nenhuma atividade de vida – nem no cérebro, nem no resto do corpo. O paciente está morto, clinicamente morto. Se nós trouxermos essa pessoa de volta à vida, receberemos o primeiro relato real do que acontece após a morte”, comenta.

O sentido da vida
Com esse relato, o médico acredita que “as religiões serão exterminadas para sempre”: “Elas não serão mais necessárias, pois os humanos não precisarão mais ter medo da morte”. O paciente que sobreviver à operação poderá contar se manteve sua consciência, ou se não sentiu nada durante seu período de “morte”.
Nesse segundo caso, Canavero acredita que ficaria provado que o cérebro é que cria a consciência. “Então, começaremos a nos perguntar pelo sentido da vida: eu nasço, eu vivo, eu morro e em algum momento eu envelheço e adoeço. Qual é o propósito da minha vida?” Embora trate-se de uma perspectiva bem deprimente, o cirurgião se mostra mais otimista: “Eu sou pela vida, eu acredito na vida”.

13.497 – Cientistas criam cola cirúrgica capaz de fechar feridas em menos de um minuto


cola cirurgica
Os dias em que feridas graves exigiam que o paciente fosse costurado podem estar chegando ao fim. Pesquisadores da Universidade de Sydney, na Universidade Northeastern e da Faculdade de Medicina de Harvard desenvolveram uma cola cirúrgica capaz de fechar feridas desse tipo em menos de 60 segundos.
Segundo o artigo publicado pelos cientistas, a cola, que recebeu o nome de MeTro, é uma espécie de gel. Ela é feita com uma proteína humana modificada para reagir a luz ultravioleta. Ela é aplicada a uma ferida e, em seguida, exposta a esse tipo de luz. A luz agiliza a secagem da cola, o que, por sua vez, faz com que a ferida se feche.

A agilidade com a qual a cola se seca faz com que ela seja muito mais eficiente na selagem de feridas do que os tradicionais “pontos” que são usados em cirurgias atualmente. E como ela é feita com proteínas humanas, ela pode ser usada também em feridas em órgãos internos.
Por tratar-se de um gel, ela também é capaz de ser aplicada em tecidos flexíveis, como um coração ou pulmões, que precisam se expandir ou contrair com frequência. O tempo de degradação dela também pode ser modificado; assim, a cola pode ir se desfazendo automaticamente conforme o órgão vai se recuperando, e não é necessário, por exemplo, remover os pontos posteriormente.
Fora isso, de acordo a pesquisadora Nassim Annabi, uma das professoras de engenharia química associadas ao estudo, a cola “não é apenas um selante; ela também ajuda na regeneração dos tecidos”. Com isso, a MeTro poderia, por exemplo, ser aplicada diretamente em um coração logo após um ataque cardíaco.

Testes
No artigo, os pesquisadores descrevem o uso da MeTro nos pulmões de ratos. Durante os testes, eles reportaram que a cola funcionou melhor do que suturas e selantes já disponíveis. A principal vantagem dele era que ele permitia aos órgãos se mover de maneira mais natural durante o processo de recuperação.
Serão feitos ainda mais testes em animais antes de que os pesquisadores comecem a aplicar a MeTro em humanos. No entanto, o BGR estima que ella pode substituir técnicas tradicionais de selagem de feridas em hospitais ao longo dos próximos cinco anos.

13.490 – Imunologia – Soro antizika previne doença em macacos


vacina zika
Anticorpos produzidos em laboratório conseguiram bloquear totalmente a ação do vírus da zika em macacos. O resultado, relatado por pesquisadores no Brasil e nos EUA, ainda está longe da aplicação em seres humanos, mas mostra que seria possível proteger grávidas e seus futuros bebês da ação viral por meio de um coquetel de anticorpos desse tipo.
A estratégia, descrita em artigo na mais recente edição da revista especializada “Science Translational Medicine”, foi idealizada por pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), da USP e da Universidade de Miami, entre outras instituições. Um ponto importante é que a equipe conseguiu aumentar o tempo de circulação dos anticorpos no organismo, o que, consequentemente, também traria proteção mais duradoura para os pacientes.
“Com isso, poderíamos cobrir uma gestação inteira com apenas duas ou três injeções de anticorpos”, diz Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos autores brasileiros da pesquisa.

DA COLÔMBIA AO RIO
Para chegar à formulação que teve sucesso no teste em macacos, os pesquisadores começaram obtendo uma lista de 91 anticorpos derivados do organismo de um paciente colombiano que havia sido infectado com o causador da doença. A ideia era testar a eficácia dessas moléculas de defesa do organismo contra a ação de uma variante do vírus presente no organismo de uma grávida do Rio.
Quando um novo vírus começa a invadir as células de uma pessoa, começa a produção de diferentes formas de anticorpos, cada um deles com potencial diferente para se ligar às partículas virais e neutralizar a ação delas. Ao testar as 91 moléculas do paciente colombiano, em busca das que conseguiam reduzir em pelo menos 80% a taxa de infecção pela zika in vitro, a equipe brasileiro-americana acabou identificando três anticorpos especialmente potentes, que pareciam os mais promissores.
Antes de partir para o teste em animais, porém, os pesquisadores decidiram fazer alguns ajustes nessas moléculas. Existe, por exemplo, o risco de que um anticorpo acabe facilitando o trabalho de um vírus, em vez de derrotá-lo.
Digamos que uma pessoa que já teve dengue seja infectada pelo vírus da zika, que é aparentado ao causador da dengue. Nesses casos, é possível que os anticorpos contra dengue que essa pessoa já possuía acabem se ligando ao causador da zika – mas sem neutralizá-lo para valer.
Pior ainda, enquanto uma ponta da molécula de anticorpo está ligada ao vírus, a outra pode estar ligada a determinadas células de defesa do organismo. “Desse jeito, o anticorpo serve como cavalo-de-troia, jogando o vírus inteiro para dentro da célula” e facilitando sua multiplicação, explica Kallás.
Ainda não se sabe se um cenário desse tipo pode realmente acontecer envolvendo zika e dengue, embora ele pareça estar por trás do maior risco de dengue hemorrágica depois que alguém é infectado por dois ou mais tipos diferentes do vírus dessa doença. Seja como for, pequenos ajustes na conformação da molécula podem minimizar o risco do problema, bem como aumentar a “durabilidade” dos anticorpos na circulação sanguínea.
No teste final, feito com oito macacos-resos (da espécie Macaca mulata), metade dos primatas recebeu injeções com o vírus da zika e, um dia depois, doses do coquetel de anticorpos específicos contra o invasor viral, enquanto os outros bichos infectados só receberam injeções de um anticorpo genérico que não age contra a zika. A multiplicação do vírus foi totalmente barrada no primeiro grupo, coisa que não se deu no segundo grupo de animais.

LONGO PRAZO
Apesar do sucesso da estratégia, Kallás lembra que ainda falta um processo longo e caro para que os testes em seres humanos comecem. É preciso produzir os anticorpos com rigoroso grau de pureza, garantindo, por exemplo, que eles não afetem células humanas por engano. Para avançar, a equipe precisará de parcerias com a iniciativa privada.

Além disso, o pesquisador destaca que, num momento em que o financiamento à ciência no Brasil vai de mal a pior, é preciso levar em conta que resultados como esses dependem de investimentos de longo prazo.

“A gente nunca começa do zero esse tipo de coisa. Eu trabalho com o David Watkins [coordenador da pesquisa na Universidade de Miami] desde 2005, e a ideia original era trabalhar com dengue, não com zika. Mas, quando a crise ligada à zika começou, nós já estávamos preparados. A estrutura e a cooperação necessárias para descobertas assim nunca surgem de imediato. A restrição de investimentos do governo está gerando um fruto podre que vai acabar caindo daqui a alguns anos”.

Fases:
1) O primeiro passo da equipe foi obter informações sobre os anticorpos produzidos no organismo de uma pessoa da Colômbia que tinha sido infectada pelo vírus zika

2) A partir dessa análise, eles identificaram três anticorpos diferentes que mostraram maior capacidade de neutralizar o vírus

3) O trio de anticorpos foi injetado num grupo de quatro macacos-resos, que também foi infectado com uma cepa do zika originalmente isolada de uma grávida do Rio de Janeiro; outros quatro primatas receberam o zika, mas não os anticorpos

4) Os animais que receberam os anticorpos ficaram totalmente protegidos da ação do vírus, ao contrário do que ocorreu com o outro grupo de macacos

13.480 – Genética – Chineses mudam uma única ‘letra’ de DNA – e consertam mutação


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Pesquisadores da Universidade de Sun Yat-sen, na China, curaram parcialmente um embrião com talassemia beta – doença hereditária que tem consequências similares às da anemia – mudando uma única base nitrogenada de seu DNA. As bases são a menor unidade que compõe nosso código genético, representadas pelas letras A, T, G e C. Cada cromossomo contém vários milhões delas, enfileiradas em uma ordem precisa – e várias síndromes são causadas por pequenas alterações nessa ordem.
A técnica de edição de material genético usada desta vez é um pouco diferente do já conhecido CRISPR/Cas9, que também estreou na China, em 2015, e saiu em todos os jornais desde então. Em 2016, os chineses já haviam tentado curar a talassemia usando CRISPR, mas não deu certo – por isso a mudança de estratégia.
Para tornar o experimento possível, o primeiro passo foi pegar células da pele de pessoas que já têm talassemia, retirar o DNA delas e colocá-lo, em laboratório, no lugar do DNA de um óvulo. O óvulo, então, começa a se multiplicar e dá origem a um embrião que, naturalmente, carrega a mutação genética responsável pela doença.
A delicada ‘cirurgia’ no DNA desse embrião é feita com um método similar ao CRISPR/Cas9.
A diferença é que, em vez de cortar fora um pedaço inteiro da sequência e substituí-lo, os chineses alteraram apenas uma letra ‘G’ (a guanina), que em uma pessoa saudável seria um ‘A’ (adenina). Grosso modo, é como a diferença entre copiar e colar uma palavra inteira no Word e corrigir um erro ortográfico mais simples, como ‘Fransa’.
A eficiência da correção de genes, segundo o artigo científico, foi de 23%. Ou seja: na prática, só um quarto do embrião foi curado. Além disso, a técnica às vezes só corrige o ‘erro de digitação’ em uma das duas cópias que temos de cada gene – embriões nessa situação são chamados ‘mosaicos’. Sinal de que o novo método, conhecido pela sigla BE (base editing), ainda precisa ser muito aperfeiçoado.
“É promissor, mas todos os embriões dos quais eles colheram informações eram claramente mosaicos, com algumas células ainda carregando os dois alelos mutantes”, afirmou ao The Guardian o geneticista Robin Lovell-Badge, do Instituto Francis Crick, que não participou do estudo.
É sempre bom lembrar que, além das deficiências técnicas que precisam ser superadas, também há muitas barreiras éticas ao tratamento de embriões de verdade por meio de técnicas de edição de material genético. Afinal, se é possível curar um problema mudando uma única letra do DNA, também é possível causar um problema ainda maior alterando a letra errada por acidente.

13.468 – Ai da AIDS – Novo anticorpo ataca 99% das cepas de HIV


Aids Health Disease Day Virus Hiv Care Sickness
Cientistas criaram um anticorpo que ataca 99% das cepas do HIV e pode, ainda, prevenir a infecção em primatas. Ele é formulado para atacar três das partes críticas do vírus – tornando mais difícil para o HIV resistir aos seus efeitos.
O trabalho é uma colaboração coletiva entre os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA e a empresa farmacêutica Sanofi.
A International Aids Society disse que se trata de um “avanço estimulante”. Os testes em seres humanos começarão em 2018 para verificar se é possível, também, prevenir ou tratar nossas infecções.
Nossos corpos lutam para combater o HIV devido à habilidade de mutação do vírus, que também modifica sua aparência. Essas variedades de HIV – ou cepas – em um determinado paciente são comparáveis ​​às da gripe num momento de epidemia mundial. Assim, o sistema imunológico se encontra em uma luta contra um número insuperável de mutações.

Super-anticorpos
Após anos de infecção, um pequeno número de pacientes desenvolve armas poderosas chamadas “anticorpos de neutralização ampla”, que atacam partes fundamentais ao HIV e podem matar grandes extensões de suas cepas.
Os pesquisadores têm tentado usar anticorpos amplamente neutralizantes como forma de tratar o vírus, ou, ainda, prevenir a infecção.
O estudo, publicado na revista Science, combina três desses anticorpos em um “anticorpo tri-específico” ainda mais poderoso. Gary Nabel, diretor científico da Sanofi e um dos autores do relatório, disse ao site da BBC: “Eles são mais potentes e têm uma amplitude maior do que qualquer anticorpo natural jamais descoberto”.
Os melhores anticorpos de ocorrência natural atingirão a maioria das cepas de HIV. “Estamos alcançando cobertura de 99%, mesmo em concentrações muito baixas na injeção”, disse o Dr. Nabel.
Experimentos realizados em 24 macacos mostraram que nenhum dos que receberam o anticorpo tri-específico desenvolveram infecção quando, mais tarde, foram tratados com a dose do vírus. “Verificamos um grau de proteção impressionante”, afirmou.

O trabalho incluiu cientistas da Harvard Medical School, do The Scripps Research Institute e do Massachusetts Institute of Technology.

“Avanço encorajador”

Ensaios clínicos para testar o anticorpo em seres humanos terão início no próximo ano.
A professora Linda-Gail Bekker, presidente da International Aids Society, informou à BBC: “Este artigo traz um avanço encorajador. Esses anticorpos super projetados parecem ir além da proteção natural e podem ter mais aplicações do que imaginamos até o momento. Ainda é cedo, e espero que os primeiros ensaios tenham início já em 2018. Como médica que atua na África, sinto a urgência de confirmar essas descobertas nas pessoas o mais rápido possível”.
O Dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, disse que esta se trata de uma abordagem intrigante.
Ele acrescentou: “As combinações de anticorpos que que se ligam de forma diferente ao HIV podem superar as defesas do vírus no esforço para conseguir um tratamento e prevenção efetivos baseados em anticorpos”. [BBC]

13.462 – Medicina – Patologia Clínica


COMO+SE+ESTUDA+PATOLOGIA
Medicina laboratorial é uma especialidade médica que tem por objetivo auxiliar os médicos de diversas especialidades no diagnóstico e acompanhamento clínico de estados de saúde e doença, através da análise de sangue, urina, fezes e outros fluidos orgânicos (como líquor, líquido sinovial, líquido ascítico, fluido seminal, etc).
No Brasil a especialidade é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) com o nome de patologia clínica ou medicina laboratorial”. Deve ser diferenciada de patologia cirúrgica ou anatomia patológica, especialidade que tem por objeto de análise os tecidos sólidos do corpo humano, geralmente obtidos por meio de biópsia.
A patologia clínica apresenta as subespecialidades:

Química clínica — Ocupa-se em analisar os componentes químicos do sangue, urina e fluidos orgânicos.
Hematologia — Analisa os componentes celulares do sangue, e eventualmente de outros fluidos orgânicos.
Imunohematologia — Avalia as reações imunes dentro do sangue, especializando-se na análise dos antígenos eritrocitários e suas interações com os respectivos anticorpos. Reveste-se de importância particular na Hemoterapia ou medicina transfusional.
Imunologia (sorologia) — Avalia o sangue (e eventualmente outros fluidos orgânicos) e componentes, através de suas interações imunológicas, ou seja, das reações antígeno – anticorpo.
Microbiologia — Estuda a flora microbiológica humana normal e patológica, detectando a presença de vírus, bactérias e fungos em amostras de procedência humana. Este estudo pode se estender também à análise dos microorganismos presentes nos ambientes ocupados pelo ser humano e objetos por ele utilizados.
Bacteriologia — Subespecialidade da microbiologia cujo objeto de estudo são as bactérias, incluindo sua identificação, caracterização e avaliação de susceptibilidade a antimicrobianos.
Micologia — Subespecialidade da microbiologia que estuda os fungos e micotoxinas.
Virologia — Subespecialidade da microbiologia que se ocupa da a análise dos vírus.
Parasitologia — É a subespecialidade da Patologia Clínica que analisa as características dos parasitas externos (ectoparasitas) e internos (endoparasitas) do homem. Inclui o estudo dos protozoários parasitas sistêmicos — como os plasmódios (causadores da malária), através de métodos de detecção direta e indireta, o estudo dos artrópodes parasitas e a coprologia ou estudo macroscópico, microscópico e químico das fezes com o objetivo de se determinar o diagnóstico e prognóstico de doenças e parasitoses do sistema gastrointestinal.
Uranálise — Analisa a urina e, eventualmente, outros fluidos orgânicos.
Biologia molecular — Compreende o estudo especializado de biomoléculas, tais como o DNA e RNA.
Genética médica — Ocupa-se do estudo da genética humana, em especial as’ cromossomopatias.
Genética Bioquímica — Estuda, através de análises bioquímicas, as anomalias genéticas caracterizadas como erros inatos do metabolismo.
As modernas exigências de qualidade dos resultados em análises clínicas fizeram surgir o que hoje já é por alguns considerada uma nova subespecialidade, a garantia de qualidade. Esta opera sobre todas as demais, visando a manter a excelência das análises, incluindo a sua precisão e exatidão, e o melhoramento continuado em todos os seus aspectos. Usa como instrumentos principais a estatística e a criação e análise de indicadores de qualidade.

Uma Longa Jornada
No Brasil, o médico patologista clínico passa por uma formação que inclui, além dos 6 anos regulamentares do curso superior em medicina, mais três anos de residência médica, sendo 1 ano em clínica médica e 2 anos em laboratório de análises clínicas.

No seu trabalho, o patologista clínico pode interagir com outros profissionais, dentre eles:

Nível superior:
Biólogo
Biomédico
Cirurgião-dentista
Farmacêutico
Médico veterinário
Nível médio:
Auxiliar técnico de laboratório.
Técnico de laboratório de análises clínicas.
Biotécnico.
São compartilhadas com estes profissionais, até o limite de responsabilidade de cada um, as diversas atividades e competências necessárias ao bom desempenho do ofício. As atribuições de cada profissional, bem como os limites de sua atuação, podem ser consultadas na CBO – Classificação Brasileira de Ocupações, no site do Ministério do Trabalho e Emprego.
Mediante a modernidade tecnológica que significa, hoje em dia, a automação e a informatização da maioria dos processos de análise, deve também o profissional possuir conhecimentos básicos nas áreas de engenharia e informática, que viabilizem sua interação freqüente com os respectivos profissionais, também comumente envolvidos como auxiliares valiosos em todos os processos de análise.

Existem certas ambiguidades envolvendo a patologia clínica que devem ser comentadas:

No Brasil e em Portugal, podem atuar como responsáveis técnicos por laboratórios de análises clínicas:
O médico patologista clínico;
O biólogo com formação superior, habilitado em análises clínicas através da comprovação de um currículo direcionado efetivamente realizado;
O biomédico com formação superior habilitado em análises clínicas;
O farmacêutico com formação superior enfatizando a área de patologia/análises clínicas, química clínica, e técnicas moleculares;
O especialista médico em hematologia e hemoterapia, habilitado a efetuar alguns procedimentos especializados como biópsia de medula óssea, é o profissional médico que realiza diagnóstico e acompanhamento clínico em patologias envolvendo oncologia hematológica, hemoterapia e coagulação/hemostasia. Este especialista normalmente não está habilitado em patologia clínica (a menos que também dotado de formação específica nesta área), fazendo portanto uso de seus serviços como cliente médico.
A análise da celularidade de certos fluidos orgânicos, como o líquido sinovial, o líquido cérebro-espinhal ou líquor, o líquido ascítico ou peritoneal, o fluido pleural e o fluido seminal podem ser compreendidos como escopo tanto da subespecialidade de hematologia como da urinálise. Estas análises incluem também a caracterização bioquímica desses fluidos, que recorre a técnicas próprias da bioquímica. Fala-se portanto em hematologia e análise de fluidos orgânicos ou urinálise e análise de fluidos orgânicos.
A patologia cirúrgica, também conhecida como anatomia patológica, é uma especialidade médica que interage com a patologia clínica, e compreende caracteristicamente a análise de matériais sólidos de origem humana, obtidos por meio de biópsia ou necrópsia. O patologista cirúrgico usualmente não é habilitado em patologia clínica, a não ser que também tenha desenvolvido formação específica na área, embora eventualmente uma especialidade possa emprestar técnicas características da outra.
A especialidade de química clínica encontrada nos Estados Unidos corresponde grosseiramente à bioquímica no Brasil. Entretanto não temos no Brasil uma Associação exclusiva como a American Association of Clinical Chemistry.

14.457 – Adesivo com injeções minúsculas combate obesidade e diabetes


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Pesquisadores norte-americanos deram um jeito de substituir a tradicional injeção da vacina da gripe por um adesivo com aparência de curativo.
A superfície inferior desse band-aid (a que adere à pele) é repleta de minúsculas agulhas – pequenas o suficiente para você não sentir dor, mas grandes a ponto de colocar a substância que precisa ser injetada dentro de você. Bônus: isso pode ser feito em casa. Nada de posto de saúde ou farmácia.
Se já parecia bom, acaba de ficar melhor. Pesquisadores da Universidade Columbia deram um jeito de usar adesivos similares para aplicar outro remédio: um que transforma gordura branca – a que cria barrigas salientes e pneuzinhos por aí – em gordura marrom, composta de células feitas para queimar energia, e não armazená-la. A técnica tem potencial para colaborar com o tratamento de obesos e diabéticos, mas, até agora, só foi testada em ratos.
“Há várias drogas disponíveis que promovem a transformação da gordura branca em marrom, mas elas precisam ser aplicadas com pílulas ou injeções”, afirmou em comunicado Li Qiang, um dos pesquisadores responsáveis pela pesquisa. “Isso expõe o corpo todo às drogas, o que pode causar efeitos colaterais, como irritação no estômago, ganho de peso e fraturas nos ossos. Nosso adesivo de pele alivia essas complicações levando a droga diretamente ao tecido adiposo.”
Em outras palavras, quando é colado na barriga, o remédio vai só onde interessa. Sem escalas, e na dose ideal. O princípio ativo é colocado em cápsulas microscópicas – centenas de vezes mais finas que um fio de cabelo – na extremidade das agulhas. “As nanopartículas foram projetadas para armazenar a droga em segurança e então se romperem gradualmente, liberando-a nos tecidos próximo de forma lenta e constante em vezes de espalhar a droga pelo corpo rapidamente”, explicou Zhen Gu, também envolvido na pesquisa.
Bebês recém-nascidos são cheios da gordura conhecida como marrom. Graças ao grande número de mitocôndrias que suas células possuem, esse tipo de gordura pode ser queimada rapidamente pelo corpo para mantê-lo aquecido. Conforme você cresce, porém, seu corpo para de queimar energia à toa e passa a estocá-la em forma de gordura branca – que resiste justamente para servir de reserva calórica em caso de emergência. “Convencer” a gordura branca a se tornar gordura marrom, hoje, é uma das principais linhas de pesquisa no combate à obesidade.

14.454 – Onde há Tumor há Temor – Por que nem sempre a quimioterapia faz efeito?


tumor
Tumor do temor

Não se engane: apesar de realmente acarretar efeitos colaterais bastante incômodos em certos casos, essa estratégia salva muitas vidas. Um levantamento de 2012 do Instituto Nacional de Câncer, por exemplo, indica que mais de 70% do orçamento brasileiro para tratar essa doença foi destinado a custear esses fármacos.
Para contextualizar à população qual o real impacto dos quimioterápicos — que inclusive evoluíram bastante ao longo das décadas —, médicos da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) listaram mitos bastante disseminados sobre o assunto. “A generalização de sintomas que nem sempre acontecem tem consequências negativas. Muitos pacientes sofrem antecipadamente com perdas que talvez nem ocorram”, comenta o oncologista Claudio Ferrari, secretário de comunicação da Sboc.
A quimioterapia, uma das mais importantes armas de que dispomos no tratamento contra o câncer, surgiu durante a Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos, quando as pessoas que trabalhavam em pesquisas com o gás mostarda (substância utilizada na guerra química) começaram a apresentar alterações nos glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas e anemia. Isso chamou a atenção dos pesquisadores que passaram a estudar o assunto, porque há doenças em cancerologia, como muitas leucemias e alguns linfomas, que evoluem com aumento dos glóbulos brancos (leucócitos) e queda dos vermelhos (hemácias).
Realmente, o gás mostarda foi o primeiro quimioterápico utilizado, a primeira droga química que se mostrou capaz de destruir as células tumorais. Depois, vieram outras que transformaram a quimioterapia num ramo da medicina que tem salvado muitas vidas e aliviado o sofrimento dos doentes.
Nos últimos 20 anos, foram descobertas algumas substâncias que conseguem fazer as células do sangue se dividirem de maneira mais rápida e intensa. Descobriu-se, ainda, que se forem administradas aos pacientes em paralelo à quimioterapia, seus efeitos adversos sobre o sangue serão diminuídos. Esses achados possibilitaram a prescrição de drogas quimioterápicas em doses mais altas e mais frequentes, uma vez que, não havendo diminuição maior das células do sangue e, consequentemente, perda das defesas do organismo, é menor a ocorrência de quadros infecciosos.
Em alguns casos o tratamento não reponde. Na realidade a quimio e a radio podem de fato não curar a doença, permitindo apenas um aumento da sobrevida. É verdade que muitas vezes o tumor desaparece e exames não detectam células cancerosas após um tratamento, mas isto será por um período de tempo, porque a químio não mata as células-tronco e em algum momento elas formarão novas células cancerosas.

O lado assustador:
Faz parte do protocolo de tratamento do câncer aguardar um período de cinco anos para dizer que a pessoa está de fato curada da doença. Mas o fato é que este é um período em que o retorno da doença é menor. O risco de retorno da doença começa a crescer a partir do segundo ano e atinge seu período de maior risco entre os cinco e os dez anos após o tratamento, muitas vezes voltando na forma de outros cânceres mais agressivos e metástases.

13.451 – Terapia reverte envelhecimento “aposentando” células idosas


Nosso processo de envelhecimento passa primeiro pelas células. Os cabelos brancos e as dores na coluna são fruto de uma ordem natural e até então aparentemente irreversível: as células já não acompanham mais o ritmo de renovação exigido, e passam a se replicar em velocidade bem menor do que demanda um corpo jovem e saudável. No entanto, cientistas holandeses parecem ter encontrado uma forma de contornar esse mecanismo. Utilizando uma terapia inovadora que “aposenta” as células idosas, eles conseguiram reverter o envelhecimento de ratos em laboratório – e até dar um jeitinho em sua queda excessiva de pelos.
A chave para o efeito está na utilização de um peptídeo especializado, que, no melhor estilo “exterminador do passado” tem a tarefa de encontrar e eliminar as células mais antigas, chamadas senescentes. As células senescentes são as que perderam sua capacidade de renovação celular e, apesar de não possuírem mais metabolismo, também se recusam a morrer por completo. E essa “teimosia” é perigosa: células mais velhas são também mais permissivas ao surgimento de doenças ou desenvolvimento de tumores, por exemplo.
Há um mecanismo que determina se uma célula permanecerá em estado de senescência, e ele é estabelecido pela interação entre as proteínas celulares FOXO4 e p53. A aplicação da técnica está justamente aí: o peptídeo FOXO4 é capaz de interromper a comunicação entre as duas proteínas, fazendo com que a célula sofra apoptose – algo como um “suicídio” celular.
Para testar o método, os pesquisadores utilizaram dois tipos de ratos. Havia aqueles que naturalmente já estavam no fim de suas vidas e também os que foram geneticamente modificados para se tornar idosos. O peptídeo foi aplicado nas cobaias três vezes por semana durante dez meses, e os resultados vieram rapidamente: os ratos modificados geneticamente começaram a recuperar sua pelagem após dez dias. Três semanas depois do início dos testes, os ratos idosos corriam o dobro da distância dos seus vizinhos que não receberam o tratamento. Eles também mostraram melhora em suas funções renais, um mês após começado o experimento. Segundo a pesquisa, não foram encontrados efeitos colaterais.
O próximo passo do grupo é adaptar a técnica para o tratamento de humanos, mantendo a eficiência e a ausência de efeitos colaterais. A ideia é que ela seja uma alternativa ao tratamento do glioblastoma multiforme, um tipo de tumor do cérebro que pode ser identificado pelo peptídeo FOXO4, afirmou Peter L.J. de Keizer, um dos autores do estudo, ao site Science Daily. A pesquisa foi publicada na revista científica Cell.

13.430 – Ratos surdos voltaram a ouvir após terapia genética


Uma das disfunções genéticas mais graves que existem é a Síndrome de Usher. Ela afeta um em cada 25 mil recém-nascidos (aproximadamente — a taxa muda de país para país), e tem consequências pesadas: os bebês nascem surdos, e na primeira década de vida também perdem, gradualmente, a visão. A doença era considerada incurável, mas a medicina está virando esse jogo.
Pesquisadores do Hospital Pediátrico de Boston, nos EUA, usaram terapia genética para impedir que as mutações afetassem o ouvido interno de ratinhos recém-nascidos que portam a síndrome. Graças ao tratamento, 19 dos 25 animais conseguiram ouvir ruídos superiores a 80 decibéis (quase um liquidificador), e o mais surpreendente: alguns reagiram a barulhos de apenas 25 decibéis (equivalentes a um sussurro) — um grau de recuperação sem precedentes na área. O melhor? Segundo os cientistas, a técnica provavelmente poderá ser adaptada para uso em bebês humanos em um futuro próximo – uma intervenção essencial para que eles tenham contato com a língua materna desde cedo e possam desenvolver habilidades linguísticas no período correto.
O truque para conter a síndrome não é difícil de entender. E saber como funciona uma guitarra pode te ajudar.
Seu ouvido e o instrumento do Keith Richards têm algo em comum: ambos transformam vibrações em sinais elétricos. Essa capacidade é tão útil que tanto a evolução biológica quanto a tecnologia do século 20 deram um jeito de desenvolve-la. Na guitarra, a peça responsável por transformar sons em elétrons é chamada captador magnético. Ele é um eletroímã, e aqui entra uma pitada de física básica do ensino médio: magnetismo e eletricidade são faces da mesma moeda. Não dá para cutucar um sem afetar o outro. Quando a vibração das cordas gera um distúrbio no campo magnético na parte de fora da guitarra, na parte de dentro esse distúrbio muda as características do sinal elétrico que é enviado ao amplificador, e é assim que ele descobre qual nota você tocou. Faça-se o barulho!
No ser humano, a peça equivalente é um pequeno tubo de osso em forma de caracol chamado cóclea. Esse rolinho fica escondido no interior do seu ouvido, é do tamanho de uma ervilha e, é óbvio, não gera um campo magnético. Seu truque para transformar vibrações em sinais elétricos é mais simpático: lá dentro há um exército de células em forma de pelinho, parecidas com cílios, que estão mergulhadas em um líquido.
Quando um som qualquer chega lá dentro, o líquido vibra e os cílios microscópicos saem do lugar, desencadeando um processo químico que cria sinais elétricos — como eles fazem isso não é nada fácil de entender, mas os corajosos, médicos e biólogos de plantão podem tentar.
Para a nossa explicação, o importante são duas coisas: a primeira é que essa operação complexa converte ondas sonoras em um “tipo de arquivo” que o cérebro é capaz de entender, feito de impulsos elétricos — da mesma forma que precisamos gravar música em um formato como .MP3 ou .WAV para que um computador seja capaz de entendê-la.
A segunda é que esses pelinhos são organizados como legionários romanos lá dentro, e essa organização toda é essencial para fazer a conversão. O problema de pessoas e animais com surdez congênita causada pela Síndrome de Usher é justamente que seus cílios vêm de fábrica “despenteados” e mal calibrados — como se fossem um captador de guitarra que não consegue sentir vibrações em seu campo magnético (e que, portanto, não manda sinais para o amplificador) Dá para entender melhor na imagem abaixo, fornecida pelos autores do estudo.

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A primeira coluna, com imagens de um animal saudável, mostra triângulos de células com uma camada azul, uma amarela e uma vermelha. A segunda, feita no interior da cóclea de um animal surdo, mostra os triângulos imperfeitos e as cores misturadas. O resultado da técnica de terapia genética aparece na terceira imagem: ela funciona como um pente, e põe os cílios de volta em um topete perfeito.
Isso é feito usando um vírus modificado, que não causa doença nenhuma. Pelo contrário: ele “infecta” entre 80% e 90% das células em forma de pelinho, tirando a parte do DNA que tem problemas e pondo uma versão atualizada no lugar. “O estudo é um marco” afirmou Jeffrey Holt, um dos autores do artigo científico. “Nós demonstramos, pela primeira vez, que fornecendo a sequência de genes correta a um grande número de células sensoriais do ouvido, nós conseguimos restaurar a audição.” Vale uma ressalva: a técnica, por enquanto, só dá certo se a intervenção for feita com recém-nascidos, praticamente após o parto — na primeira semana de vida.

13.429 – Hibernação induzida pode ajudar a combater o câncer


O físico italiano Marco Durante, autor de artigos sobre hibernação durante viagens espaciais, descobriu que o corpo humano se torna mais resistente à radiação solar quando é induzido a um estado chamado “torpor sintético” – uma versão de laboratório do sono de inverno dos ursos, que têm um mecanismo biológico para isso. E agora ele quer usar essa resistência para melhorar a resposta do corpo humano a outro tipo de radiação: a usada no tratamento contra o câncer.
Quando o mamífero favorito das lojas de bichos de pelúcia hiberna, a temperatura de seu corpo cai, em média, 6º C. A frequência cardíaca vai de 55 para nove (!) batimentos por segundo, e a pouca energia necessária para manter o metabolismo funcionando vem da queima do próprio estoque de gordura do urso.
Em resumo: a vida se move em câmera lenta, truque que o ser humano pode usar tanto para economizar recursos em uma nave espacial quanto para conter tumores em estágios mais avançados, em que intervenções cirúrgicas já não são mais possíveis. “Não dá para tratar todas as metástases, se você operar todas as partes do corpo que foram afetadas, você acaba matando o paciente conforme destrói o câncer”, afirmou Durante em uma palestra no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), que ocorreu no último domingo (19) em Boston. “Por outro lado, se você pudesse colocar o paciente em torpor sintético, você interromperia o crescimento do câncer. É um jeito de ganhar tempo.” Além disso, a radiação causa menos danos ao corpo quando nossas células não estão em ritmo de festa, o que permitiria, em teoria, aumentar a dose e a eficiência da radioterapia.
Mamíferos sem capacidade natural de hibernação, como ratinhos de laboratório, já foram apagados por longos períodos com sucesso. E há casos de hibernação acidental em seres humanos que ganharam as páginas de tablóides pelo jeitão de notícia falsa, como o da sueca Anna Bagenholm, que sobreviveu após passar oito horas presa sob a camada de gelo de um riacho – tempo suficiente para seu corpo atingir a temperatura de 13,7ºC.
Especialistas entrevistados pela New Scientist, porém, afirmam que a proposta deve ser encarada com ressalvas. “Os efeitos de uma técnica como hibernação induzida são difíceis de prever, afirmou o oncologista britânica Peter Johnson. “São necessários cuidadosos experimentos em laboratório antes de afirmar que a técnica é segura ou eficiente em seres humanos”, completou.
O Science Daily lembra que, em 2014, só 8% dos tratamentos para o câncer testados em ratos também deram certo em humanos.

13.428 – Cientista cria retina artificial à base d’água


A ideia básica desse tipo de implante é usar uma câmera para gerar sinais elétricos que o cérebro é capaz de interpretar da mesma maneira que lê o mundo a partir da sua retina. Ou seja: fazer pessoas com doenças genéticas degenerativas como a retinite pigmentosa voltarem a enxergar com olhos literalmente biônicos.
O problema é que instalar uma pequena máquina fotográfica dentro de alguém ainda é, por razões óbvias, um procedimento muito invasivo, com grandes chances de rejeição por parte do paciente. É por isso que a química Vanessa Restrepo-Schild, da Universidade de Oxford, criou uma retina sintética feita com um material maleável e muito similar ao real – um avanço inédito nas pesquisas com implantes eletrônicos.
“O olho humano é incrivelmente sensível, por isso, corpos estranhos como implantes metálicos na retina podem ser muito danosos, causando inflamações e ferimentos”, explicou Restrepo-Schild à assessoria de Oxford. “Um implante biológico sintético, por outro lado, é macio e solúvel em água, então é muito mais amigável no ambiente do interior do olho.”
Segundo a cientista, é preciso acabar com o imaginário popular que está por trás de seres humanos biônicos: pessoas de aparência metálica, robótica. “Eu quero pegar os princípios que estão por trás de funções vitais do nosso corpo, como a audição, o tato e a habilidade de detectar luz, e replicá-los no laboratório usando componentes naturais. Eu espero que minha pesquisa seja o primeiro passo em uma jornada para produzir tecnologia que seja macia e biodegradável em vez de rígida e descartável.”

13.427 – Medicina Milagrosa?


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A implantação de equipamentos no organismo começou em 1957, com o marcapasso, aparelhinho que se vale de impulsos elétricos para regular o batimento do coração. Quarenta anos depois, a convergência entre a informática e as neurociências já permite vislumbrar um objetivo muito mais ambicioso. Pesquisadores das principais universidades do mundo estão perto de uma solução que tornará realidade a fantasia de criar o homem biônico. A meta é descobrir um elo entre os circuitos eletrônicos dos microprocessadores e os circuitos orgânicos que compõem o sistema nervoso.

A partir daí, será possível instalar no organismo humano miniaturas de computador que funcionarão como peças de reposição. Chips enviarão ao cérebro as informações para que um cego volte a enxergar. No sentido oposto, transmitirão às pernas de um paralítico os comandos que regem os movimentos.

O sucesso em próteses mais simples, como os aparelhos de surdez de última geração, mostram que a idéia é viável. As experiências prosseguem em ritmo acelerado, com a promessa de novidades milagrosas para a virada do século. Confira nas próximas páginas.

Eu sou você amanhã
Graças aos avanços da informática, os órgãos e tecidos bioartificiais já deixaram de ser um sonho. Veja, abaixo, algumas das novidades que a Medicina promete para você nos próximos anos.

A cura da cegueira

Microcâmera converte as imagens em raios laser, enviados a chips instalados na retina. De lá, as imagens vão para o nervo óptico e, através dele, ao cérebro (veja a página ao lado).

Fígado de emergência

O órgão já é substituído por uma máquina (enorme) em casos de hepatite superaguda. O que se procura é uma versão portátil do aparelho.

Sangue artificial

Com a hemoglobina artificial, as transfusões ficam 100% seguras e acaba-se o problema da falta de doadores (veja página 26).

Chips na cuca

Implantes de células artificiais no cérebro eliminarão muitas doenças e ampliarão o tempo de vida.

Próteses ultrasensíveis

Novos materiais, como o plástico biológico, permitem a fabricação de aparelhos ortopédicos sofisticados, que chegam a reproduzir sensações táteis.

Ouvindo tudo

Em certos casos, já é possível voltar a ouvir, graças a um transmissor que estimula o nervo auditivo por meio de sinais magnéticos.

O fim das cáries

Pesquisadores buscam uma resina para envolver as partes mais vulneráveis dos dentes, protegendo-os do ataque das bactérias.

Bate, coração

Uma prótese substitui o coração doente e reproduz todas as funções do músculo normal. Com autonomia total, o paciente pode sair andando por aí (veja página 24).

Pele cultivada

Em laboratório, pode-se produzir 1 metro quadrado de pele para cada 2 centímetros quadrados do tecido natural (veja página 24).

No lugar dos olhos, câmera, laser e chips

No filme Até o Fim do Mundo, do alemão Wim Wenders, o protagonista procura incansavelmente um meio de fazer com que sua mulher, cega, consiga enxergar o mundo, com suas formas e cores. Ele inventa uma câmera especial que envia direto para o cérebro, através de eletrodos, imagens de vídeo previamente gravadas. E o aparelho funciona.

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Em 1991, quando o filme foi lançado, o tema estava restrito ao universo da ficção científica. Seis anos depois, pesquisadores de vários países travam uma corrida para inventar a prótese ocular que devolverá a visão aos cegos. Uma microcâmera de vídeo, parecida com a imaginada por Wenders, já foi desenvolvida nos Estados Unidos, num projeto conjunto das universidades de Harvard e Johns Hopkins. Com uma vantagem: ela transmite em tempo real, sem necessidade de gravação.

Resta o desafio de levar as imagens ao cérebro. O projeto mais promissor, até agora, é o do alemão Rolf Eckmiller, titular da cadeira de neuroinformática da Universidade de Bonn. Ele inventou uma retina artificial, com eletrodos ligados ao nervo óptico (veja infográfico). Esses eletrodos captam imagens transmitidas por uma microcâmera, com raios laser, e convertidas em impulsos elétricos que estimulam o nervo óptico. A imagem será semelhante à que você tem quando examina o negativo de uma foto. A retina biônica já está sendo testada em camundongos, com bons resultados.

A retina artificial
O projeto do cientista alemão Rolf Eckmiller visa devolver a visão nos casos de cegueira em conseqüência da morte das células da retina.

1. Uma microcâmera, instalada nos óculos, capta as imagens.

2. Emissores de raios laser, atrás das lentes, enviam as imagens para um chip implantado na retina inutilizada.

3. Eletrodos embutidos no chip convertem as informações recebidas via laser em impulsos elétricos, que estimulam o nervo óptico, na parte de trás do olho.

4. O nervo óptico transmite esses impulsos ao cérebro, onde a imagem é reconstituída.

O coração portátil não desafina

O que os médicos chamam hoje de coração artificial nada tem de parecido com o músculo de verdade. Trata-se de uma máquina, situada fora do corpo, que reproduz as funções cardíacas de pacientes à espera de um transplante. Mais de vinte projetos diferentes buscam superar essa limitação. O modelo de coração artificial mais conhecido é o Jarvik, inventado nos Estados Unidos. O Jarvik já foi aplicado em centenas de pacientes, mas mantém o problema da falta de autonomia. O doente fica preso a uma cama de hospital. O primeiro aparelho portátil, o Novocor, também americano, é um progresso, mas só substitui um dos vetrículos. Além disso, depende de uma bateria instalada do lado de fora, num cinturão No ano passado, o cardiologista francês Alain Carpentier, do Hospital Broussais, em Paris, apresentou o primeiro protótipo de um coração artificial que o paciente pode instalar no peito e sair andando por aí. “Os testes em animais já estão concluídos e deram bons resultados”, anima-se o professor Carpentier. “Agora estamos fabricando um modelo para ser testado em pacientes humanos.”

Adeus, cadeira de rodas

Na maior parte dos casos, o motivo que condena os paraplégicos à cadeira de rodas é um rompimento da medula espinhal, em conseqüência de um acidente. Os nervos que levam as ordens do cérebro às pernas ficam interrompidos, provocando a paralisia. Isso não significa que estejam mortos, mas apenas inertes. Se alguém descobrir uma maneira de reativar esses nervos, os músculos poderão recuperar seus movimentos.

Para enfrentar o desafio, cientistas de vários países europeus formaram uma equipe de pesquisa, sob o comando do francês Pierre Rabischong, professor na Faculdade de Medicina de Montpellier. O projeto tem como nome a expressão bíblica “levanta-te e anda”. É uma referência à ordem de Jesus ao cadáver de Lázaro, que obedeceu.

A equipe criou um aparelho portátil que substitui o trabalho do cérebro, acionando os nervos das pernas por meio de impulsos elétricos (veja infográfico ao lado). Em fase de testes, o aparelho não visa restabelecer a marcha normal. O paraplégico ainda precisará de bengalas para se equilibrar. “O que nós podemos fazer”, explica Rabischong, “é revitalizar os músculos inativos, por meio de estímulos elétricos, para que o paciente possa caminhar da maneira mais elegante possível.” Para um paciente em cadeira de rodas, isso já será um milagre e tanto.

Levanta-te e anda!
Graças à eletrônica, os paraplégicos voltarão a caminhar.
O aparelho para reanimar as pernas dos paraplégicos, inventado pela equipe do cientista francês Pierre Rabischong, prevê os movimentos de senta-levanta, subir degraus e a marcha em diversas velocidades. Veja como ele funciona.

1. O paciente controla os movimentos das pernas por meio de botões no suporte da bengala. Esses botões ativam um transmissor de rádio.

2. Um aparelho eletrônico de 4 cm de diâmetro, implantado debaixo da pele, à altura da barriga, capta os sinais enviados pelo transmissor. Dentro dele existe um microcomputador que traduz os sinais em impulsos elétricos.

3. Esses impulsos chegam aos nervos por meio de eletrodos acoplados aos músculos e às fibras nervosas. Estimulados, os músculos voltam a funcionar.

Sangue à vontade, sem riscos

Ele é incolor e absolutamente fluido. Olhando, parece água. Mas é sangue. Ou melhor, um substituto químico do sangue chamado Oxygent. Os laboratórios da empresa americana Alliance Pharmaceutical, em San Diego, Califórnia, conseguiram produzir aquilo com que sonham, há décadas, os cirurgiões do mundo inteiro: um líquido inofensivo e durável, capaz de captar o oxigênio nos pulmões e distribuí-lo por todos os órgãos do corpo, através dos vasos capilares. Igualzinho ao sangue de verdade. Sem depender da boa vontade dos doadores. Sem risco de infecção.

“Esse produto pode substituir perfeitamente o sangue nas transfusões e nas hemorragias”, garante o biólogo Peter Keipert, chefe da equipe de pesquisa. O Oxygent é o membro caçula da família dos perfluorocarbonos, substâncias artificiais compostas por cadeias de átomos de carbono e de flúor. Inertes quimicamente, os perfluorocarbonos são um veículo excelente para o transporte de gases. Daí a sua utilidade para a produção do sangue artificial. Os ingredientes são três: perfluobromo (um perfluorocarbono que pode ser facilmente eliminado em forma gasosa, pelos pulmões), fosfolipídios (substância tensoativa que potencializa o efeito da mistura) e água (veja infográfico abaixo).

O Oxygent, que entrará no mercado até o ano 2000, chega mesmo a ter algumas vantagens em relação ao sangue de verdade. O produto se conserva mais de quatro meses à temperatura de 5 graus, contra os quarenta dias do plasma usado hoje nas transfusões. Mas não é um substituto definitivo do sangue, já que se limita a repor uma de suas funções, o transporte do oxigênio. Seu uso é recomendado por períodos limitados, durante o tempo de que o organismo necessita para reconstituir o sangue natural.

Flúor nas artérias
Conheça o sangue artificial que chegará ao mercado até o ano 2000.
1. O produto é uma emulsão composta por perfluobromo (uma mistura de flúor, carbono e bromo), água e fosfolipídios.

2. A mistura aparece na forma de microgotas cuja função é levar o oxigênio do pulmão aos vasos capilares.

3. A emulsão com as microgotas entra na circulação sanguínea por meio de um cateter, na forma de soro.

4. Mistura-se com os glóbulos vermelhos, compensando a falta da hemoglobina nas hemorragias e nas transfusões.

Respire fundo
Esqueça essa chatice de injeção. Ela fura, dói e ainda traz riscos de contaminação, quando aplicada sem os devidos cuidados. Agulhada é coisa do passado. A novidade são os remédios que podem ser inalados. “Esse é o futuro”, disse W. Leigh Thompson, consultor que se aposentou recentemente no Laboratório Eli Lilly. Já estão em fase de testes, em diversos laboratórios nos Estados Unidos, as fórmulas gasosas da insulina, da morfina e medicamentos para a osteoporose, uma doença nos ossos.

Um lance de pele
Já existem alguns tipos de pele artificial em uso atualmente e vários outros em fase de pesquisas. Eles se destinam, quase sempre, a vítimas de queimaduras. Veja como se consegue, a partir de um pedaço de pele sadia, reconstruir o tecido usando como molde uma camada de colágeno.

7 dias

A pele está se regenerando. Após uma semana, os vasos sangüíneos começam a se espalhar pelo molde de colágeno.

Remoção da membrana de silicone

Em duas semanas, os vasos sanguíneos estão plenamente formados. A membrana que protegia o colágeno já pode ser retirada.

Pedaços de pele em formação

A pele da vítima começa a renascer na superfície do colágeno, na forma de uma trama ainda irregular, como uma colcha de retalhos.

Pele regenerada.

A pele, depois que nasce, torna-se permanente.

fluor nas artterias

13.413 – Medicina – Maconha pode deixar espermatozoides preguiçosos


infertilidade-masculina-espermatozoide
De acordo com estudo recente da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, a maconha pode influenciar negativamente não só na contagem de esperma, como também na função espermática das células reprodutivas masculinas.
Aparentemente, a droga faz com que eles nadem em círculos – ao invés de atingirem seu principal objetivo.
O mesmo efeito relaxante que a maconha tem sobre o corpo também teria nos espermatozoides. De acordo com Victor Chow, professor clínico da universidade, o consumo da erva afeta sua mobilidade espermática. Uma das razões pelas quais há um efeito tão imediato na fertilidade masculina, Chow explicou, é porque “o esperma é uma célula que gira muito rapidamente”.
Isso significa que, enquanto as mulheres nascem com todos os ovos, os homens produzem novos espermatozoides todos os dias.
De acordo com ele, é improvável que o consumo ocasional da erva cause muito mal, mas alertou que “definitivamente afetará a qualidade do esperma”.
Pesquisas anteriores já mostraram que o uso regular da erva pode reduzir a contagens de espermatozoides em até um terço.
Mas os problemas de fertilidade não são o único perigo de fumar maconha. A droga pode aumentar a frequência cardíaca e afetar a pressão arterial. Também foi revelado recentemente que a maconha pode afetar a forma como os joelhos, os cotovelos e os ombros de um fumante se movem quando estão caminhando.
Novos estudos são necessários para obter mais detalhes sobre o efeito da erva na fertilidade.

13.400 – Pela primeira vez terapia gênica é aprovada nos EUA; leucemia é o alvo


Terapia_genetica
A FDA, agência americana responsável por regular o mercado farmacêutico, anunciou a aprovação do primeiro tratamento que envolve terapia gênica do país, capaz de curar alguns casos de leucemia difíceis de tratar.
Ela envolve uma espécie de recauchutagem –fora do organismo– de células sanguíneas do sistema de defesa. Após a injeção das células turbinadas, o impacto na doença é notório.
A terapia com células CAR T (com receptor antigênico quimérico) tem obtido taxas de cura que chegam a 83% em um estudos clínicos com pacientes com leucemia linfoide aguda (LLA). A terapia está aprovada nos EUA para pacientes com LLA de até 25 anos e que tenham tentado, sem sucesso, outras formas de tratamento.

Para a recauchutagem, é necessária uma etapa chamada leucoferese, que remove do organismo as células brancas de defesa do sangue. O potencial impacto disso no organismo é severo: infecções “bobas”, como uma virose, podem matar.

Fora do organismo, essas células são tratadas e são transformadas, isto é, recebem um DNA exógeno. Elas são multiplicadas e passam a apresentar, em sua membrana, uma proteína quimérica, projetada para se ligar a um antígeno, no caso a molécula CD19, proteína geralmente presente nas células cancerosas.
Mirando no CD19, a terapia com células T recauchutadas, conseguem se ligar às células-alvo e descarregar todo seu arsenal antitumoral, tratando a doença.

PROBLEMAS
Fora o preço, outro problema da terapia com as células CAR T é que pode surgir uma resposta inflamatória exagerada que acompanha a ação antitumoral. Essa reação pode matar, se não for controlada adequadamente.
Além de desembolsar centenas de milhares de dólares pelo tratamento, o paciente (ou seu plano de saúde) tem de estar disposto a pagar pelos custos de viagem, estadia no hospital e drogas para minimizar os efeitos colaterais da Kymriah –nome da modalidade de tratamento, também conhecida como tisagenlecleucel (nome genérico).
Se comparado a um transplante de medula, pondera Phillip Scheiberg, coordenador de hematologia da Beneficência Portuguesa, no entanto, não há tanta discrepância no custo, levando em conta o mercado de saúde americano.

linfocitos