13.619 – Governo inglês autoriza criação de bebês com duas mães e um pai


Uma agência reguladora do governo britânico autorizou a criação, por fertilização in vitro, de bebês com duas mães e um pai . O procedimento será aplicado para impedir que mulheres com uma doença hereditária grave transmitam o problema para seus filhos.
A epilepsia mioclônica com fibras rotas vermelhas (síndrome MERRF) costuma se manifestar ainda na infância e tem consequências graves. Causa crises epiléticas, problemas de coordenação motora, surdez e perda de memória. Uma de suas características mais curiosas é que ela não é causada por uma mutação no DNA comum – o que fica dentro do núcleo das células.
Toda célula tem um componente (no jargão técnico, organela) chamado mitocôndria, que funciona como uma usina de produção de energia. Por razões que ainda não foram completamente esclarecidas pela biologia evolutiva, as mitocôndrias tem um pedacinho de DNA só para elas. São 37 genes, que produzem 14 proteínas.
É pouco perto dos 24 mil genes que ficam no núcleo da célula, mas tamanho não é documento, e as proteínas codificadas por esses 37 genes solitários também são importante para nós. A síndrome MERRF é causada justamente por um problema em um deles.
Enquanto o DNA normal, que fica no núcleo das células, é uma mistura do DNA dos dois membros do casal, a mitocôndria e seu DNA são herdados só da mãe. A mitocôndria que será passada para o bebê já está no óvulo quando o espermatozoide chega lá para fertilizá-lo.
A ideia do tratamento inédito que será aplicado na Inglaterra – duas mulheres, que preferiram se manter anônimas, serão as primeiras beneficiadas – é pegar o óvulo da mãe, o espermatozoide do pai e colocar uma mitocôndria nova, tirada de um doador sem relação com o casal. Assim, a mutação sai de campo e uma mulher doente pode ter uma criança saudável. O bebê resultante tem duas mães e um pai do ponto de vista genético. As características hereditárias, porém, vão vir só dos pais de fato – o casal que participou com seu DNA “não-mitocondrial”. Ou seja: o bebê não vai ter o nariz ou os olhos de quem doou a mitocôndria.
Embora a primeira tentativa só tenha sido aprovada agora pela Human Fertilisation and Embryology Authority (HFEA), o procedimento é permitido por lei desde 2015, após uma decisão histórica do parlamento inglês – foram 280 votos a favor, e só 48 contra. “Famílias que sabem como é cuidar de uma criança com uma doença devastadora é que tem que decidir se uma doação de mitocôndria é a opção certa”, afirmou na época Jeremy Farrar, da Universidade de Newcastle – justamente onde o procedimento será feito. A data e os demais detalhes foram mantidos em sigilo a pedido das pacientes.

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13.613 – Saúde – Tontura e Vertigem


vertigens
Tontura é um termo difícil de ser definido, sendo muitas vezes equivocadamente usado para descrever sensações como desequilíbrio, náuseas, hipotensão, fraqueza, visão dupla, turvação visual ou mal-estar. A tontura verdadeira é aquela que se apresenta como uma falsa sensação de movimento próprio ou do ambiente, estando frequentemente associada a desequilíbrio e/ou enjoos. Quando a tontura é causada por uma sensação de movimento rotatório, ou seja, parece que tudo ao redor está girando, damos o nome de vertigem. A vertigem é o tipo mais comum de tontura.

Neste texto vamos explicar por que a tontura surge e quais as doenças que a provocam. Se você está a procura de informações sobre cinetose, os enjoos que surgem ao andar de carro ou de navio, ou sobre desmaios e síncope, seus textos são estes:

– CINETOSE | ENJOO DE MOVIMENTO
– DESMAIO, SÍNCOPE E REFLEXO VAGAL
Para nos mantermos em equilíbrio, para saber em que posição estamos em relação ao meio ambiente (deitado, em pé, inclinado, de lado, pernas esticadas, braços levantados, etc.) e para saber se estamos parados ou em movimento, é preciso que o nosso corpo forneça informações detalhadas ao cérebro.

Temos basicamente três meios para mandar estas informações para o sistema nervoso central:

1. Visão, que nos orienta onde estamos e como está o meio ao nosso redor.
2. Propriocepção, que é a capacidade do cérebro reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. É a propriocepção que nos permite, de olhos fechados, reconhecer que estamos com o braço levantado, de cabeça para baixo, inclinados para frente, com as pernas dobradas, etc.
3. Ouvido interno, que é o maior responsável pelas tonturas e vertigens. É dele que vamos falar um pouco agora.

OUVIDO INTERNO – LABIRINTO E APARELHO VESTIBULAR
Dentro do ouvido interno temos um órgão chamado labirinto que faz parte do aparelho vestibular, responsável pela manutenção do equilíbrio.
O labirinto é um conjunto de arcos semicirculares que possuem líquidos em seu interior. A movimentação destes líquidos é interpretado pelo cérebro ajudando a identificar movimentos e a nos manter em equilíbrio.
As informações passadas pelo labirinto através da movimentação destes líquidos, ajudam o cérebro a interpretar movimentos angulares, acelerações lineares e forças gravitacionais.

Apenas como curiosidade: você sabe por que ficamos tontos depois de rodarmos várias vezes? Porque quando paramos de rodar, apesar de já estarmos parados, os líquidos dentro do nosso ouvido interno ainda ficam em movimento rotacional por alguns segundos, fazendo com que o cérebro interprete que ainda estamos rodando. Se fecharmos os olhos, a tontura aumenta ainda mais, pois de olhos abertos a visão consegue atenuar a mensagem errada que o ouvido interno está mandando ao cérebro.
Diferenças entre a vertigem e outros tipos de tontura
A caracterização de uma tontura como vertigem é importante porque este sintoma é típico de doenças do aparelho vestibular. As causas mais comuns de vertigens são as doenças que acometem assimetricamente o ouvido interno, seja por calcificação de áreas do labirinto, por inflamação, por infecções, por traumas ou por excesso de líquido dentro dos aparelho vestibular.
Como já foi citado na introdução deste texto, a vertigem é um tipo de tontura onde há ilusão de movimentos rotatórios. Este dado é essencial para distingui-la de outros tipos de tonturas. Também é característico da vertigem o fato da tontura ser intermitente, ou seja, vai e volta ao longo das semanas. Uma tontura permanente, que não melhora nunca, dificilmente se trata de vertigem. A vertigem costuma piorar com movimentos da cabeça, sendo um modo simples de identificar o tipo da tontura que o paciente apresenta.

SINTOMAS DA VERTIGEM
De forma resumida, os sintomas da vertigem são:

– Tonturas rotatórias. A sensação é de que você ou o ambiente estão rodando
– Dificuldade em manter o equilíbrio
– Tonturas que vão e voltam frequentemente ao longo de vários dias
– Tonturas que pioram com a movimentação da cabeça ou do tronco, quando tossimos ou quando espirramos
– Também podem estar associados a tontura: dor de cabeça, sensibilidade a luz ou barulho, sensação de fraqueza, visão dupla, taquicardia (coração acelerado) e dificuldades para falar.
Um sinal importante de vertigem é a presença do nistagmo: involuntários, rápidos e curtos movimento dos olhos, geralmente em direção lateral, como no vídeo abaixo.

CAUSAS DE VERTIGEM E TONTURAS
Cerca de 40% dos casos de tonturas se devem a doenças do aparelho vestibular, 10% são devidos a lesões cerebrais, 15% a distúrbios psiquiátricos, 25% não são verdadeiramente tonturas, mas sim pré-síncopes e desequilíbrios, e 10% são de origem indeterminada. Vamos citar rapidamente algumas causas comuns de tonturas e vertigens. Posteriormente escreverei um texto individual sobre cada uma destas causas.

a.Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB)

A vertigem posicional paroxística benigna, também chamada de vertigem posicional ou vertigem postural é a a causa nais comum de vertigem; é causado por calcificações nos pequenos canais dentro do sistema vestibular. A vertigem posicional apresenta curta duração (segundos a poucos minutos) e costuma ser desencadeada por certos movimentos da cabeça. A doença pode estar presente por várias semanas.

Para mais informações sobre a Vertigem posicional paroxística benigna, leia: VERTIGEM POSICIONAL PAROXÍSTICA BENIGNA.

b. Doença de Ménière

A doença de Ménière é causada por excesso de líquido no labirinto, o que provoca vertigens, perda auditiva e zumbidos. As crises de tonturas da doença de Meniere duram entre vários minutos até horas.
Na doença de Ménière o paciente pode apresentar perda permanente da audição e ficar com dificuldades de manter o equilíbrio de forma crônica.
Para mais informações sobre a doença de Ménière, leia: DOENÇA DE MÉNIÈRE.

c. Labirintite (neurite vestibular)

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A labirintite é causada por uma inflamação do labirinto ou do ramo vestibular do nervo auditivo que leva as informações do ouvido interno até o cérebro. A principal causa desta inflamação parece ser uma infecção viral. Pacientes com labirintite apresentam um quadro súbito de vertigem fortes, associado a náuseas, vômitos e dificuldade em se manter em pé. Podem também existir perda de audição e zumbidos. Na labirintite os sintomas podem durar vários dias. Para mais informações, leia: LABIRINTITE | Sintomas e tratamento.

d. Vertigens da enxaqueca
Pacientes com enxaqueca também podem podem apresentar episódios de vertigens (leia: DOR DE CABEÇA | Enxaqueca , cefaleia tensional e sinais de gravidade).

e. AVC ou ataque isquêmico transitório
Isquemia ou infarto cerebral podem causar tonturas (leia: AVC | ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL | DERRAME CEREBRAL). O quadro é mais comum em idosos, em pacientes com história de diabetes, hipertensão, tabagismo ou doenças cardiovasculares. No AVC costumam estar presentes outros sintomas além da tontura, como perda de movimentos e/ou sensibilidade em um ou mais membros, desorientação, dificuldades para falar, etc.

f. Medicamentos
Intoxicação por algumas drogas podem causar lesão do ouvido interno, entre elas, cisplatina, fenitoína e antibióticos da classe dos aminoglicosídeos.

g. Entupimento do ouvido por cera
Raramente, pacientes com impactação de cera no ouvido podem se queixar de tonturas (leia: CERÚMEN | Cera do ouvido).

h. Esclerose múltipla (leia: ESCLEROSE MÚLTIPLA | Sintomas, diagnóstico e tratamento)

i. Traumatismo craniano

j. Crises de ansiedade ou ataques de pânico

SINAIS DE GRAVIDADE DAS TONTURAS
A maioria dos casos de vertigens são autolimitados e, apesar dos sintomas serem bastante incômodos, não trazem maiores riscos. O otorrinolaringologista é o especialista indicado para avaliar casos de tonturas. Entretanto, se a tontura vier acompanhada de alguns outros sintomas, um quadro mais grave pode estar por trás.
Portanto, se você apresenta tonturas e alguns dos sinais e sintomas descritos abaixo, procure imediatamente atendimento médico:

– Febre alta.
– Dor de cabeça muito intensa (exceto nos pacientes já sabidamente portadores de enxaqueca).
– Fraqueza em algum membro.
– Dificuldade para falar.
– Perda da consciência.
– Dor no peito
– Desorientação.
– Vômitos incoercíveis.

13.605 – ESTRESSE EXTREMO E ESQUIZOFRENIA


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O Peso da Genética

Não se sabe a causa exata da esquizofrenia, mas são conhecidos alguns fatores que influenciam o seu aparecimento.“O estresse por si só não é capaz de provocar esquizofrenia. Não temos acesso detalhado ao diagnóstico nem ao histórico desse caso específico, mas pressupondo que ele não tivesse a doença antes, é pouco provável que tivesse desenvolvido lá”, afirma o dr. Mario Louzã, coordenador do Programa de Esquizofrenia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de SP. Em geral, o transtorno que o estresse causa é o chamado “pós-traumático”, caracterizado por insônia, sonhos e flashbacks, entre outros sintomas.
Segundo o psiquiatra, há alguns fatores de risco ambientais para o desenvolvimento de esquizofrenia. “A predisposição genética é um fator importante, assim como problemas durante a gestação, parto ou nos primeiros anos de vida. Quanto a fatores ambientais, o uso de drogas na adolescência, viver em zona urbana e até ser migrante contribui para o quadro”, explica Louzã. O peso da genética, entretanto, é o maior. “Sabemos que traumas são fatores de risco bem documentados. No entanto, a compreensão que prevalece é que somente indivíduos que apresentam predisposição genética desenvolvem a doença. De fato, sabemos que muitos indivíduos sofrem eventos traumáticos diariamente e apenas uma minoria desenvolverá esquizofrenia”, afirma o dr. Ary Gadelha, coordenador do Proesq (Programa de Esquizofrenia da Universidade Federal de São Paulo).
Ter os dois problemas – esquizofrenia e bipolaridade –, entretanto, não é possível. “São quadros com caraterísticas, curso e evolução diferentes. O que pode acontecer é um tipo de transtorno classificado como esquizoafetivo, em que a pessoa desenvolve sintomas tanto da esquizofrenia como do transtorno bipolar”, explica o dr. Alfredo Maluf, coordenador do Serviço de Psiquiatria do Hospital Albert Einstein.
A psiquiatria, em especial, é uma especialidade médica que lida frequentemente com investigações desafiadoras. Não pode contar com parâmetros fisiológicos, como aqueles que guiam a identificação precisa de uma úlcera ou até um câncer. Suas pistas são muito mais movediças e nebulosas, já que alguns sintomas são comuns a diversas patologias, e diferenças sutis levam o diagnóstico para diferentes direções.

13.603 – Em SP, 3 em cada 4 casos de febre amarela são de áreas sem risco


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São definidas como regiões com recomendação aquelas em que há risco de circulação do vírus. Nesses casos, devem se vacinar todos os moradores e viajantes que planejam visitar esses locais. Desde 2000, 445 dos 645 municípios paulistas, todos no interior, estão nesse grupo.
As áreas mais populosas do Estado, no entanto, como as regiões metropolitanas de Campinas e de São Paulo, não estavam nessa lista, mas foram as que registraram o maior número de casos no recente avanço da doença. Na terça-feira, 16, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que todo o Estado seja considerado de risco.
Foram também nas regiões sem recomendação de vacina em que o Estado registrou, já há quatro meses, o aumento expressivo de casos de macacos mortos pela doença, dado que já indicava o avanço do vírus para áreas antes consideradas livres dele. O número de animais doentes, que entre julho de 2016 e junho de 2017 foi de 187, saltou para 508 no mesmo período de 2017/2018.
Questionada sobre suposta falha na definição de áreas de risco, a Secretaria Estadual da Saúde informou que, desde o ano passado passou a oferecer a vacina em 77 municípios, além dos considerados de risco. “Quem define a área de recomendação é o Ministério da Saúde. Mas estamos promovendo vacinação nos municípios que registraram casos de macacos mortos pela doença”, disse Regiane de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da secretaria.
Já o Ministério da Saúde afirmou, em nota, que desde 2016 vem acompanhando a circulação viral da febre, “o que permitiu realizar ações de bloqueio de vacinação em localidades que não pertencem a áreas de recomendação permanente”, como São Paulo. O órgão afirmou que tais decisões são tomadas em conjunto com Estados e municípios.

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13.600 – Envelhecimento – Como Prevenir Demências


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O risco de demência aumenta com a idade. À medida que as sociedades envelhecem, a imagem de mulheres e homens alheios ao mundo que os cerca, é cada vez mais frequente no ambiente familiar.
Hoje, sabemos que as alterações cerebrais do processo demencial começam a aparecer anos antes que os sintomas se instalem. Esse longo período de latência oferece a possibilidade teórica de adoção de medidas preventivas.
Estudos epidemiológicos mais recentes sugerem que a prevalência da doença de Alzheimer e de outras demências esteja diminuindo nos países de renda per capita mais elevada. Embora as conclusões ainda sejam preliminares, começa a ganhar corpo a ideia de adotarmos estratégias preventivas que impeçam ou retardem a evolução dessas enfermidades.
Acaba de ser publicado um relatório da National Academies of Sciences, Engineering and Medicine, indicando que três intervenções oferecem “evidências inconclusivas mas encorajadoras” de que seja possível interferir com o declínio cognitivo.
São elas: treinamento cognitivo, controle da pressão arterial nos hipertensos e aumento da atividade física.
O relatório sugere que os médicos exponham aos pacientes os benefícios potenciais dessas três medidas, deixando claras as limitações do conhecimento atual. A orientação difere daquela publicada em 2010, na qual o mesmo comitê afirmava haver “evidências insuficientes para recomendar qualquer tipo de prevenção”.
A recomendação de treinamento cognitivo foi baseada principalmente no estudo Active, que apresentou resultados positivos de que o treinamento cognitivo consegue melhorar as funções como arrazoamento, resolução de problemas, memória e velocidade de processamento, por um período de pelo menos dois anos. Ganho que não se mantém por cinco a dez anos.
O relatório ressalta que o treinamento cognitivo se refere a “um largo espectro de intervenções que podem incluir o aprendizado de uma língua nova ou atividades diárias como palavras cruzadas e jogos no computador”.
As empresas que apregoam benefícios cognitivos nos jogos de computador desenvolvidos por elas, enfrentam forte oposição nos meios acadêmicos. Segundo os especialistas, os resultados apresentados não permitem chegar a essa conclusão.
As evidências de que o controle da pressão arterial (especialmente a partir dos 40 anos) é capaz de retardar a instalação das demências, foram baseadas em diversos estudos randomizados que confirmaram a associação, embora outros não tenham conseguido demonstrá-la.
No caso do aumento da atividade física, os dados são mais consistentes, mas existem publicações com resultados contraditórios.
Na verdade, o relatório está de acordo com as recomendações que os médicos devem fazer a seus pacientes mais velhos: é preciso permanecer ativo física, mental e socialmente, adotar dieta saudável para o sistema cardiovascular e controlar fatores de risco como obesidade, diabetes, hipertensão arterial e o colesterol.

13.599 – Medicina – Atividade Física = Panaceia?


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Nos últimos anos, diversos estudos comprovaram que o exercício incorporado à rotina diária reduz o risco de doenças cardiovasculares, diabetes do tipo 2, câncer, obesidade, problemas reumatológicos e ortopédicos, depressão e o declínio cognitivo característico das demências.
Essas publicações mostraram de forma consistente que a prática de exercícios está associada a cerca de 30% de redução dos índices de mortalidade.
Talvez a lógica devesse até ser invertida: não é que o exercício faça bem para o organismo, a vida sedentária é que faz muito mal. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o impacto nocivo do sedentarismo na saúde é comparável ao do cigarro.
Não é de estranhar: o corpo humano é uma máquina que a evolução de nossa espécie moldou para o movimento. Por esse longo processo que eliminou os menos aptos, chegaram até nós corpos com pernas e braços longos e articulações que fazem as vezes de dobradiças para ampliar a mobilidade e o alcance de objetos distantes.
Com base na experiência científica acumulada, os serviços de saúde passaram a recomendar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade mais intensa.
A crítica a esses trabalhos sempre foi a de que se baseavam na descrição dos níveis de atividade física colhidos em relatos individuais, que costumam ser imprecisos.
Um grupo da Universidade Harvard acaba de publicar, na revista “Circulation”, os resultados de um inquérito que envolveu 17.700 mulheres saudáveis, com idade média de 72 anos, cujos níveis de atividade foram avaliados por meio de acelerômetros, aparelhos que medem com mais acurácia a intensidade dos exercícios, o número de horas dedicadas a eles e o tempo gasto em inatividade.
As participantes usaram o acelerômetro os dias inteiros, durante uma semana típica de suas rotinas.
Metade das mulheres gastou 28 minutos diários na prática de exercícios moderados ou mais intensos (como andar bem depressa). A média diária de tempo dedicado a atividades leves (como o trabalho doméstico ou andar devagar) foi de 351 minutos.
Num período de observação, que teve a duração média de dois anos, ocorreram 207 óbitos.
De acordo com os níveis de atividade, as participantes foram divididas em quatro grupos. Na comparação com as menos ativas, as que se empenharam em exercícios mais intensos tiveram a mortalidade diminuída em 70%.
Os autores ressaltam que mesmo as que chegaram aos 80 anos se beneficiaram da prática de exercícios mais intensos e da redução do número de horas de inatividade.
A fragilidade mais importante desse estudo foi a de haver selecionado mulheres ativas e saudáveis. Teria sido interessante compará-las com sedentárias da mesma faixa etária.
O formato do estudo não permite estabelecer com segurança a relação de causa e efeito entre atividade física mais vigorosa e a longevidade, mas a probabilidade de se tratar de relação causal é alta.
No passado, os médicos recomendavam que as pessoas mais velhas fizessem repouso, para não “sobrecarregar” o organismo. A imagem dos avós aposentados que passavam os dias cochilando na poltrona da sala, até caírem fulminados pelo infarto do miocárdio ou derrame cerebral faz parte das memórias daquela época.
Pacientes operados ficavam proibidos de levantar da cama por três ou quatro dias para não “dificultar” a cicatrização.
Hoje, o coitado mal saiu do centro cirúrgico, o cirurgião aparece no quarto para expulsá-lo do leito, a pontapés, se necessário. O combate à imobilidade ajudou a reduzir significativamente o número de tromboses venosas e embolias pulmonares, responsáveis pelos altos índices de complicações e mortalidade pós-operatória daqueles dias.
A tendência atual é considerar tímida a recomendação de 150 minutos de exercícios leves ou 75 minutos de exercícios mais intensos, por semana, uma vez que o dia tem 1.440 minutos, e a semana 10.080.

13.597- Álcool pode causar câncer devido aos danos permanentes que provoca no DNA


Segundo uma recente pesquisa, o álcool é quebrado para formar um químico extremamente tóxico chamado acetaldeído que, quando em quantidades excessivas no corpo, é responsável pela formação de tumores. Ele também é capaz de “confundir” as hélices do DNA afetando as células do corpo.
Os pesquisadores consideraram os resultados do estudo, que foi publicado na revista Nature, como a primeira “explicação plausível” de como o álcool pode modificar nossas células, causando danos ao DNA. Este também explica como são formados diferentes tipos de tumores, incluindo os da boca e garganta, fígado, cólon, intestino e mama.
Estima-se que quase seis por cento de todas as mortes por cânceres no mundo estejam relacionadas ao álcool. Só no Reino Unido, as bebidas alcoólicas estão ligadas a 12.800 casos de cânceres (4% do total). Destes, 3.200 são casos de cânceres de mama causados ​​pelo consumo álcool, segundo a Cancer Research UK.
Para o estudo em questão, os pesquisadores usaram ratos para mostrar como a exposição ao álcool provocava danos genéticos irreparáveis ​​no DNA das células estaminais (células-tronco). Uma equipe do Medical Research Council Laboratory of Molecular Biology, em Cambridge, deu álcool diluído (quimicamente conhecido como etanol) aos roedores. Então, analisaram o DNA destes para determinar os danos causados pelo acetaldeído.
O acetaldeído há muito tempo é conhecido por ser cancerígeno. No entanto, o mecanismo pelo qual funciona ainda não ficou claro. Os pesquisadores descobriram que ele quebra e danifica o DNA dentro das células estaminais do sangue, alterando permanentemente suas sequências. Com isso, causa rupturas nas hélices duplas do DNA, tornando-as confusas.
“Alguns tipos de cânceres se desenvolvem devido aos danos do DNA em células estaminais”, explicou o Professor Ketan Patel, principal autor do estudo. “Enquanto alguns ocorrem por acaso, nossos achados sugerem que beber álcool pode aumentar o risco desse dano“.
Como um mecanismo de proteção, o corpo pode eliminar o acetaldeído produzindo enzimas que quebram o produto químico. Outra forma é uma variedade de sistemas de reparo de DNA que, na maioria das vezes, permite a correção de diferentes tipos de danos. No entanto, há limites para essa reparação e, em algumas pessoas, o processo ocorre de maneira defeituosa.
“Nosso estudo ressalta que não ser capaz de processar o álcool efetivamente pode levar a um risco ainda maior de danos causados ​​pelo álcool e, portanto, de certos tipos de cânceres”, ressaltou o pesquisador. “Mas, é importante lembrar que a eliminação de álcool e os sistemas de reparo de DNA não são perfeitos e o álcool ainda pode causar cânceres de diferentes maneiras – mesmo em pessoas cujos mecanismos de defesa estão intactos“.
De acordo com a professora Linda Bauld, especialista em prevenção do câncer da Cancer Research UK, e que financiou parcialmente o estudo, “a pesquisa estimulante destaca o dano que o álcool pode fazer às nossas células – custando a algumas pessoas mais do que apenas uma ressaca”.

13.595 – Inteligência Artificial na Medicina


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A Microsoft em parceria com a empresa Adaptive Biotechnologies pretende para usar a inteligência artificial para mapear e decodificar o sistema imunológico humano.
Segundo o vice-presidente corporativo da Microsoft IA e Pesquisa, Peter Lee, o objetivo é criar um exame de sangue universal que leia o sistema imunológico de uma pessoa para detectar uma grande variedade de doenças, incluindo infecções, cânceres e transtornos autoimunes em seu estágio inicial, quando podem ser mais efetivamente diagnosticados e tratados.
A resposta do sistema imunológico à presença de doença é expressa na genética de células especiais, chamadas células T e células B, que formam o comando distribuído e o controle para o sistema imune adaptativo. Cada célula T possui uma proteína de superfície correspondente chamada receptor de células T (TCR, na sigla em inglês), que possui um código genético que visa um sinal específico de doença ou um antígeno.
Mapear TCRs para antígenos é um desafio enorme, exigindo tecnologia de inteligência artificial muito profunda e recursos de aprendizado de máquina, juntamente com pesquisas emergentes e técnicas de biologia computacional aplicadas à genômica e ao imunosequenciamento.
Com o sequenciamento do sistema imunológico é possível descobris as doenças com as quais o corpo está lutando ou já lutou. “O potencial para ajudar clínicos e pesquisadores a conectar os pontos e entender a relação entre os estados da doença pode eventualmente levar a uma melhor compreensão da saúde humana em geral”, afirma Lee.

13.561 – Neurologia – Estudo de 10 anos conclui que exercício cognitivo reduz risco de demência em 30%


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Azheimer’s & Dementia: Translational Research & Clinical Interventions afirma que pessoas que participaram de treinamento de velocidade de processamento tiveram menos chances de desenvolver demência 10 anos depois. O estudo, porém, tem alguns problemas reconhecidos pelos próprios autores, mas constrói uma base para que outros trabalhos examinem melhor a hipótese.
O estudo foi feito da seguinte forma: 2.802 adultos saudáveis com média de idade entre 74 e 84 anos foram divididos em quatro grupos. Três receberam algum tipo de treinamento cognitivo: o primeiro focou na memória; o segundo, em raciocínio; o terceiro, em velocidade de processamento. Já o quarto não recebeu nenhum tipo de treinamento, e foi denominado “grupo controle”. Todos os participantes sabiam que tipo de treinamento estava recebendo e que haviam outros grupos recebendo outros tipos. Este não foi um estudo cego.
Os três primeiros grupos receberam os treinamentos em dez sessões de uma hora cada, espalhadas em várias semanas. Um grupo menor recebeu sessões extras um ano depois e também três anos depois do início do estudo.
Os participantes passaram por testes que avaliavam suas funções cognitivas depois de 6 semanas e também depois de 1, 2, 3, 5 e 10 anos. O projeto do estudo, porém, não previa este acompanhamento da marca dos 10 anos, e outros pesquisadores apontam que isso pode significar que os resultados esperados não foram observados nos primeiros 5 anos e que outra observação foi improvisada depois. O problema desta observação extra é que quanto mais tempo passa, mais provável que as observações sejam mais resultado do acaso do que como consequência do treinamento cognitivo, especialmente levando em conta que o treinamento foi de pouquíssimas horas.
Dez anos depois do início do estudo, apenas 1.220 participantes ainda faziam parte do trabalho, seja por que morreram ou por outros motivos. Deles, 260 desenvolveram demência. Os voluntários não passaram por exame clínico pelos pesquisadores, os pacientes (ou seus familiares) apenas informaram aos cientistas se tinham demência ou não.
A observação de demência entre os grupos foi a seguinte: 24,2% no que focou na memória, 24,2% no que focou no raciocínio, 22.7% no que focou na velocidade de processamento e 28,8% no grupo controle.
Demência foi menos frequente no grupo de velocidade de processamento, comparado ao grupo controle, com 4,9% de chance de que esse resultado seja observado apenas pelo acaso. É importante lembrar que um valor-p próximo de 5% não é considerado evidência de um efeito.
Outro problema foi que o estudo afirmou que quanto mais sessões foram feitas, menor o risco de demência. Isso não é necessariamente causal, já que os participantes que frequentaram mais sessões podem ter características diferentes daqueles que não frequentaram, uma vez que o número de sessões não era distribuído de forma aleatória.

Ressalvas
“Este é um estudo importante com uma amostra relativamente grande que explora a possibilidade de prevenir a demência pelo uso repetido de um tipo específico de treinamento cerebral, e 29% de redução da incidência de demência parece promissor. Porém, em minha opinião, o maior problema é que o diagnóstico de demência não foi confirmado por exames clínicos robustos”, argumenta a psiquiatra geriatra Sujoy Mukerjee, da West London Mental Health Trust (Reino Unido), em texto opinativo publicado no Science Media Centre.

13.548 – Primeiro transplante de cabeça efetuado (?)


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O neurocirurgião italiano Sergio Canavero em uma conferência de imprensa na recentemente, em Viena, na Áustria, afirmou ter completado o primeiro transplante de cabeça humana do mundo entre dois cadáveres, sem fornecer nenhuma prova para apoiá-lo.

O procedimento
Canavero, diretor do Grupo de Neuromodulação Avançada de Turim, disse ter retirado a cabeça de um cadáver e a anexado ao corpo de outro cadáver, fundindo a coluna vertebral, nervos e vasos sanguíneos. O médico também disse ter estimulado os nervos do cadáver depois do procedimento, para garantir que o método funcionou.
A “operação” durou 18 horas e foi realizada na China por uma equipe da Universidade Médica de Harbin, liderada pelo Dr. Xiaoping Ren.
O neurocientista fez parte da equipe, mas não divulgou detalhes da técnica utilizada, dizendo apenas que um artigo científico seria publicado nos “próximos dias”.

Críticas
Canavero não inspira muita confiança na comunidade científica.
Por exemplo, ele afirmou ter realizado o transplante em um macaco em 2016, mas não publicou nenhum artigo sobre isso.
Além disso, nos vários artigos que ele de fato publicou reivindicando ter cortado e juntado as medulas espinhais de animais, como ratos e cães, os textos não deixam claro como o procedimento funciona, nem foram revisados por outros cientistas.

O que sabemos
Quando Canavero discutiu seus planos para esse tipo de cirurgia no passado, ele se referiu ao processo como um transplante de cabeça ou de corpo inteiro. Seu último trabalho foi descrito de forma diferente.

“Meu principal objetivo não era um transplante de cabeça, era um transplante de cérebro”, disse na conferência de imprensa.

O procedimento que ele eventualmente quer completar – seja qual for o seu nome – envolverá cortar segmentos da medula espinhal de uma pessoa com lesão, a fim de substituir a parte cortada com segmentos da medula espinhal saudável de um doador, fundindo as duas partes.
Canavero planeja “colar” as espinhas usando polietileno glicol (PEG), uma substância comumente usada para encorajar células a se fundirem em laboratório.
Ele também disse que o procedimento entre cadáveres se provou um sucesso, e que ele e sua equipe tentariam realizar a mesma coisa em dois doadores de órgãos com morte cerebral antes de eventualmente tentar uma cirurgia semelhante em alguém paralisado do pescoço para baixo.

Prolongar a vida
Canavero acrescentou que sua maior meta, como cientista, não é curar a lesão da medula espinhal, mas sim prolongar a vida.
Da mesma maneira que o médico fictício Victor Frankenstein descobriu como dar vida a uma matéria inanimada, Canavero pretende enganar a morte.
O cirurgião prevê um futuro em que pessoas saudáveis possam optar por transplantes de corpo inteiro como uma forma de viver mais tempo, eventualmente até colocando suas cabeças em corpos clonados.

Ceticismo
A evidência existente de que um transplante de corpo inteiro poderia ter êxito se apoia em poucos experimentos feitos com animais que muitos especialistas dizem ser inconclusivos.
É possível que tudo o que Canavero disse ter feito seja verdade, e que o transplante de cabeça esteja mesmo iminente. Por mais que ele pareça maluco, ideias loucas são necessárias para romper fronteiras.
Mas estamos falando de ciência. Muito pouco estudo foi feito sobre este procedimento ou seus riscos. Se Canavero não começar a pesquisar de forma aberta, honesta e realista, será difícil que a comunidade científica o leve a sério.
Até que vejamos evidências convincentes de que tal transplante é realmente viável, permaneceremos céticos. [ScienceAlert]

13.545 – Medicina – Órgão artificial poderá criar células de combate ao câncer


celulas cancerigenas
Embora ainda não tenha sido testado em seres humanos, este órgão artificial poderia reduzir o tempo e o custo da imunoterapia com células T e torná-lo uma opção mais viável para pacientes com baixa contagem de glóbulos brancos.

Timo artificial
Muitos órgãos artificiais estão sendo desenvolvidos como uma alternativa aos órgãos de dadores, pois estes são apenas soluções temporárias que exigem que os pacientes mantenham um regimento vitalício de medicamentos.
Com os recentes avanços nas tecnologias biomédicas, a ajuda pode chegar a tempo e evitar que aqueles que necessitam de transplantes já não tenham de esperar nas listas de doação para substituir órgãos como rins e vasos sanguíneos. Agora, os cientistas adicionaram o Timo à lista de partes do corpo que podemos simular artificialmente.

Mas o que é o Timo?
O timo, (Thymus em inglês) é uma glândula linfoide primária, responsável pelo desenvolvimento e seleção de linfócitos T. Na anatomia humana, o timo é uma glândula endócrina linfática que está localizada na porção superior do mediastino e posterior ao osso externo, fazendo parte do sistema imunológico. Limita-se superiormente pela traqueia, a veia jugular interna e a artéria carótida comum, lateralmente pelos pulmões e inferior e posteriormente pelo coração.

13.538 – Oftalmologia – Uma lente pode evitar o transplante de córnea


oftalmologia
O segredo é uma pequena peça, feita de material acrílico, que é implantada nos olhos do paciente. Ela funciona como uma espécie de filtro e é muito mais simples do que o transplante de córneas.
“Já foram realizadas 52 cirurgias com acompanhamento de mais de três anos e, além daqui, essa cirurgia já foi realizada em alguns países, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Itália, na Argentina, nos Emirados Árabes e na Austrália, e realmente vem atraindo a atenção de oftalmologistas de todo o mundo”, diz Claudio Trindade, o criador do método.

Ceratocone:
Muitos casos de Ceratocone são diagnosticados como Astigmatismo irregular (distorção da imagem causada pela alteração da curvatura normal da córnea)ou Miopia.
Ceratocone é uma doença ocular que preocupa muitos pacientes, necessitando de diagnóstico precoce para interromper sua progressão e permitir um tratamento bem-sucedido. Estima-se que a doença atinja uma em cada 20 mil pessoas no Brasil e faz com que a córnea adquira formato cônico e irregular, resultando em visão distorcida, mas não se preocupe, ceratocone tem cura .
O tratamento do ceratocone visa sempre proporcionar uma boa visão ao paciente, bem como garantir seu conforto na utilização dos recursos que serão empregados e principalmente preservar a saúde da córnea. As alternativas de tratamento de modo geral são avaliadas nesta ordem: óculos, lentes de contato, e cirurgias.
O acompanhamento constante da doença é importante, pois o Ceratocone é uma doença progressiva. Tanto o diagnóstico da doença como a verificação de sua progressão dependem de exames especiais, destacando-se a topografia da córnea (estudo da superfície), tomografia de córnea (estudo 3D), acuidade visual e refração (avaliação da óptica ocular).
A primeira opção que o paciente recebe é a prescrição de óculos, na maior parte das vezes em casos iniciais da doença, quando o astigmatismo irregular ainda é baixo e é possível obter uma boa acuidade visual (visão). Quando há um avanço da doença, na maior parte das vezes, a acuidade visual (visão) satisfatória não corresponde a qualidade visual, ou seja, o paciente pode ler as letras na Tabela de Snellen (tabela utilizada para verificação da visão do paciente na consulta médica com Oftalmologista) mas a qualidade da imagem não é precisa.
A partir do momento em que os óculos não conseguem fornecer uma visão satisfatória, a lente de contato é a próxima alternativa. Em determinados casos, as lentes gelatinosas para a correção do Ceratocone possibilitam adaptação perfeita. Em outros, os pacientes adaptam-se melhor com as lentes rígidas gás permeável ou lentes esclerais e semi-esclerais.

A adaptação de lentes de contato no Ceratocone deve ser feita por médicos oftalmologistas experientes que possam dar o devido acompanhamento e orientação ao paciente. Com isso proporcionando a melhor visão possível, principalmente assegurando a saúde fisiológica da córnea do paciente.

As lentes de contato podem retardar ou estabilizar a progressão da ectasia?

Infelizmente não! Pois mesmo representando uma forma eficaz de melhora da visão
Uma lente mal adaptada ou de má qualidade pode causar erosão de córnea, ceratite, hidropsia seguida de leucoma, edema de córnea e infecções oculares.

Quando a cirurgia do Ceratonone está indicada?
O tratamento cirúrgico do Ceratonone está classicamente indicado com o objetivo de melhorar a visão e permitir reabilitação visual e para estabilizar a progressão da doença.

 

Quais procedimentos cirúrgicos podem ser indicados para casos de ceratocone?
O tratamento cirúrgico era exclusivamente o Transplante de Córnea até meados dos anos 1990. Entretanto, há cirurgias alternativas que podem ser indicadas para o ceratocone com diferentes objetivos em diferentes fases da doença

 

13.515 – Saúde – Relação entre a Depressão e o Vegetarianismo


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Homens vegetarianos correm maior risco de depressão do que homens que comem carne, segundo uma nova pesquisa. O estudo, feito pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA com mais de 9600 homens, mostrou que aqueles que relataram ser vegetarianos ou veganos tiveram pontuações significativamente maiores em uma escala de medição de depressão do que os não vegetarianos.
Além disso, significativamente mais pessoas do grupo vegetariano e vegano apresentaram uma pontuação maior que 10 na medida, o que significa depressão leve a moderada. “As deficiências nutricionais (por exemplo, em vitamina B12 ou ferro) são uma possível explicação para esses achados”, escreveram os pesquisadores.
O autor principal, Joseph R. Hibbeln, chefe interino da Seção sobre Neurociências Nutricionais no Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo no NIH, acrescentou que, como a carne vermelha é rica em vitamina B12, esse nutriente pode ter desempenhado um papel importante nos resultados.
“Se alguém optar por ser vegetariano ou optar por comer menos carne, deve seguir as recomendações para garantir que tenha um bom estado de vitamina B12”, disse o Dr. Hibbeln ao site Medscape Medical News.

Consequências adversas
Dietas vegetarianas já foram associadas a vários benefícios para a saúde, mas pouco se sabe sobre seus benefícios ou riscos para a saúde mental, observam os pesquisadores.
“As dietas vegetarianas têm sido associadas à diminuição dos riscos de morte cardiovascular, obesidade e diabetes, levando a perguntas sobre se os benefícios potenciais se estendem à saúde mental ou, em contraste, se a ingestão diminuída de nutrientes que são abundantes em alimentos excluídos causa conseqüências adversas para o bem-estar mental”, eles escrevem.
Pesquisas anteriores mostraram que baixos níveis de vitamina B12 e B9 estão associados a um risco maior de depressão e “uma meta-análise sugere que a intervenção com vitamina B12 pode prevenir sintomas depressivos em populações especializadas”, relatam os pesquisadores. No entanto, são necessários ensaios melhor construídos para aprofundar essas questões.
Os resultados obtidos agora na verdade começaram a ser obtidos no início da década de 90. O estudo populacional Avon Longitudinal Study of Parents and Children (ALSPAC), registrou 14.541 mulheres grávidas que viviam no Reino Unido. As datas de entrega esperadas estavam entre abril de 1991 e dezembro de 1992. Os questionários foram preenchidos pelas mulheres e por 9845 dos seus parceiros – 9668 desses homens foram incluídos na análise atual.
Os questionários pediram informações básicas, bem como informações sobre a dieta alimentar dos participantes. Como relativamente poucos dos homens se auto-declaravam veganos (39 deles), veganos e vegetarianos foram combinados em um único grupo (350 indivíduos, 3,6% do total).
Os homens também preencheram a Escala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo (EPDS), um questionário criado para verificar se as mulheres possuem depressão pós-parto, entre as semanas 18 e 20 da gestação de suas parceiras. Um resultado maior que 10 indicava uma alta probabilidade de depressão leve a moderada.
Os resultados mostraram que para o grupo vegetariano e vegano, o resultado médio do EPDS foi de 5,26, versus um resultado médio 4,18 para o grupo não vegetariano.
Além disso, 12,3% dos vegetarianos ou veganos contra 7,4% do grupo não vegetariano apresentaram um resultado maior que 10; 6,8% contra 3,9% tiveram uma pontuação maior que 12, significando uma provável depressão grave.
Embora não significativa, houve também uma tendência para uma associação entre os sintomas depressivos e a duração do vegetarianismo.
Os pesquisadores observam que nem todos os indivíduos que se identificam como vegetarianos comem as mesmas coisas, especialmente quando se trata de peixe, ovos e produtos lácteos. Não surpreendentemente, os não vegetarianos nesta análise comeram mais carne, salsichas, aves e peixe branco do que o grupo vegetariano. Mas os números de pessoas que comiam peixes oleosos e moluscos nos dois grupos eram bastante parecidos.

“Este é o primeiro grande estudo epidemiológico a mostrar uma relação entre vegetarianismo e sintomas depressivos significativos entre homens adultos”, escrevem os pesquisadores. “Uma vez que a exclusão da carne vermelha caracteriza principalmente os vegetarianos, as menores ingestões de vitamina B12 merecem consideração como fator contribuinte para a depressão”, acrescentam.
Ainda assim, eles observam que “a causalidade reversa não pode ser descartada”. O Dr. Hibbeln diz que mais estudos, especialmente ensaios controlados randomizados, são definitivamente necessários.
Mas o especialista está otimista em relação ao futuro – segundo ele, a primeira conferência da Sociedade Internacional de Pesquisa em Psiquiatria Nutricional (ISNPR), realizada na metade de 2016, atraiu mais de 500 participantes. “É minha opinião que, depois dos muitos anos que tenho trabalhado nesta área, ela está sendo reconhecida como um campo (de pesquisa)”, se alegra Hibbeln.

Dieta como tratamento para depressão
Segundo a especialista, não é possível generalizar a respeito dos hábitos alimentares. “As pessoas parecem metabolizar e responder aos alimentos de forma bastante diferente, com base no seu microbioma intestinal. E isso é algo em que estamos cada vez mais interessados ​​e pesquisando”, aponta. “À medida que avançamos para fazer recomendações individuais, acho que vamos conseguir muito mais detalhes nos dados”.
As conclusões do estudo SMILES da Dra. Jacka e seus colegas foram publicadas no início deste ano. SMILES foi um estudo controlado randomizado que avaliou uma intervenção alimentar em um grupo de 67 adultos com depressão grave.
Após 12 semanas, o grupo de intervenção alimentar apresentou melhora significativamente maior em relação à linha de base na Escala de Avaliação de Depressão de Montgomery-Ǻsberg (MADRS) do que um grupo de controle de “apoio social”.
Além disso, 32% do grupo tratado com base na dieta conseguiu remissão, definida como uma pontuação menor que 10 no MADRS, enquanto o grupo do apoio social conseguiu uma remissão de 8%.
No estudo atual do Dr. Hibbeln e colegas, bem como em outros estudos, “os dados observacionais mostram que não consumir carne vermelha pode ser um fator de risco para a depressão em algumas pessoas”. [Medscape]

13.508 – Psiquiatria – Gigantesco estudo em gêmeos conclui que a esquizofrenia é 80% genética


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Até quatro em cada cinco casos de esquizofrenia podem ser rastreados a partir de genes herdados dos pais da criança.
Ao aplicar uma nova abordagem estatística aos dados coletados em mais de 30 mil pares de gêmeos, os pesquisadores definiram a imagem mais precisa que já temos até o momento sobre os fatores de risco para a condição. A descoberta pode nos ajudar potencialmente a identificar os genes responsáveis pelos sintomas da esquizofrenia.

Cientistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, mergulharam em um conjunto de informações coletadas através do seu National Danish Twin Register e as combinaram com dados do Registro Dinamarquês de Pesquisas Centrais Psiquiátricas. Eles chegaram à amostragem de 31.524 pares de gêmeos, todos nascidos entre 1951 e 2000.

Hereditário ou desenvolvido por fatores ambientais?
Examinar gêmeos é uma maneira bastante sólida e promissora de determinar se uma condição foi herdada na concepção, ou se é o resultado de outros fatores ambientais.
Os chamados gêmeos idênticos – ou pares de gêmeos monozigóticos – herdaram os mesmos conjuntos de genes de seus pais. A comparação das características encontradas entre estes e aqueles que trazem pares de duplos dizigóticos (ou gêmeos não idênticos) pode fornecer uma forte indicação de se foi causada por genes ou por algo no ambiente à medida que se desenvolveram.
Embora isso pareça positivo em teoria, a biologia é um caso desordenado, em que muitos números e evidências são necessárias para se chegar a uma conclusão confiável. Pode ser difícil encontrar gêmeos suficientes com a condição estudada para participar de uma pesquisa.
No caso da esquizofrenia, a condição neurológica afeta, apenas, menos de cinco em cada mil indivíduos, o que torna especialmente difícil a coleta de dados suficientes sobre gêmeos.
Assim, o grande registro nacional da Dinamarca, combinado com ferramentas estatísticas adequadas, revelou-se um excelente caminho à ciência.

Herdabilidade em estudo na Finlândia
Um estudo com gêmeos não-idênticos, ou fraternos, realizado na Finlândia em 1998 usando uma amostra menor do Registro Nacional de População finlandês, concluiu que, ali, a herdabilidade da esquizofrenia era de 83%.
Outra análise conduzida na Suécia em 2007 dividiu a probabilidade de risco entre os sexos, encontrando genes que podem ser causa da esquizofrenia em 67 por cento das mulheres e 41 por cento no sexo masculino.
A interpretação desses números se torna mais complexa pelo fato de que a própria esquizofrenia é uma condição de difícil estudo e muito disputada. Como o autismo, num passado recente, a palavra tenta cobrir um amplo espectro de causas e sintomas que precisam ser mais bem avaliados ou classificados.
Na tentativa de alcançar uma melhor precisão nas estatísticas, os pesquisadores desse último estudo calcularam duas estimativas, tanto em uma definição restrita quanto em uma desordem mais ampla do espectro de esquizofrenia.
Para a definição mais específica, estimaram que os genes determinaram o diagnóstico da condição em 79 por cento dos casos totais.
Quando expandido para incluir aqueles com distúrbio do espectro de esquizofrenia, o número caiu para 73 por cento.

“Este estudo é agora a estimativa mais compreensível e completa da herdabilidade da esquizofrenia e sua diversidade diagnóstica”, diz o pesquisador Rikke Hilker, da Universidade de Copenhague.

“É interessante, pois indica que o risco genético para a doença parece ser de quase igual importância em todo o espectro da esquizofrenia”.

Em busca de um diagnóstico
A pesquisa também proporcionou uma idade média de 28,9 anos, quando os sintomas da condição tornam-se suficientemente significativos para um diagnóstico.
Estudos em gêmeos são ferramentas úteis, mas baseiam-se na suposição justa de que os gêmeos refletem os mesmos padrões de herança da população em geral.
Há também a questão de saber quanto de cada base de dados nacional pode ser generalizada e aplicável em outras partes do mundo.
O debate conflitante da natureza X educação social muitas vezes esconde a complexidade da doença e da deficiência.
Mesmo a herança de um gene pode ser complicada pelos efeitos editoriais da epigenética, ou as chamadas mutações do mosaico pós-zigótico que ocorrem logo após a concepção.
Os genes individuais têm sido associados à esquizofrenia no passado, e com base nos resultados deste estudo, deve haver mais a ser descoberto no futuro.
Os limites e as definições dessa condição mental séria podem mudar, mas, não importa como a chamemos, aqueles que sofrem de efeitos debilitantes da esquizofrenia se beneficiarão em conhecer mais sobre suas causas subjacentes.

Esta pesquisa foi publicada na Biological Psychiatry. [ScienceAlert]

13.499 – Descoberta a quarta fase da vida: quando o fim está próximo


espiral
Os biólogos separam a vida em três fases: desenvolvimento, envelhecimento e vida adiantada. Mas um crescente corpo de pesquisa agora sugere que há uma quarta fase imediatamente anterior à morte que os cientistas estão chamando de “espiral da morte”.
Embora a maioria das pesquisas sobre a “espiral da morte” tenha se concentrado nas moscas da fruta, os cientistas acham que esses estudos podem oferecer uma visão valiosa da última etapa da vida humana também.
“Acreditamos que isso faz parte do processo da morte geneticamente programada, basicamente”, explica Laurence Mueller, presidente do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade da Califórnia, nos EUA.

Morte das moscas
Ao longo da última década, vários estudos com moscas da fruta sugeriram que esta espiral pode ser vista na queda da taxa reprodutiva (fecundidade), de acordo com uma revisão desta pesquisa por Mueller e seus colegas, publicada no início deste ano na revista Biogerontology. Por exemplo, os pesquisadores descobriram que o primeiro dia em que uma mosca fêmea colocou zero ovos foi um preditor significativo do fim da vida: os indicadores de fecundidade começaram a diminuir cerca de 10 dias antes de moscas jovens da fruta terem zero ovos. Os pesquisadores acham que o que leva à morte das moscas também afeta sua capacidade de reprodução nos últimos dias.
Na nova revisão, Mueller disse que o momento dessa queda corresponde a outra estimativa anterior da duração da espiral da morte. 10 dias podem ser até um terço da vida de uma mosca. Pesquisas a partir de 2002 sobre moscas da fruta do Mediterrâneo, chamadas de moscas-do-mediterrâneo, descobriram que 97% dos machos começaram a ficar de cabeça para baixo cerca de 16 dias antes de morrer. Em termos relativos, esse indicador potencial de uma espiral da morte também é aproximadamente igual ao momento do declínio da fecundidade nas moscas da fruta.
Em outro estudo, cientistas observaram moscas da fruta, nemátodos e peixes-zebra para ver se seus intestinos exibiam maior vazamento antes da morte. Os pesquisadores testaram essa vazamento, chamado permeabilidade, dando corantes para cada animal. Se a permeabilidade aumentasse, esse corante escaparia para dentro do corpo do animal, e seu corpo mudaria de cor – azul nas moscas e nos peixes e verde fluorescente nos nemátodos. A pesquisa, publicada em 22 de março na revista Scientific Reports, concluiu que esse vazamento intestinal foi um marcador de morte nas três espécies.

Uma espiral de morte humana?
A esperança é que a investigação da espiral da morte em moscas da fruta e outros organismos poderia algum dia dizer aos cientistas mais sobre o declínio dos humanos antes da morte.
Em seu artigo de revisão, Mueller e seus colegas citaram um estudo de 2008 publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences que mostra evidências de que as pessoas podem experimentar a espiral da morte também. Nesse estudo, os pesquisadores analisaram os dados coletados sobre as habilidades físicas e cognitivas de 2.262 pessoas dinamarquesas, com idades entre 92 e 100 anos, entre 1998 e 2005. Eles descobriram que as pontuações físicas e cognitivas de indivíduos que morreram nos dois primeiros anos do estudo foram significativamente inferiores às pontuações daqueles que ainda estavam vivos em 2005. As avaliações incluíram medidas de força de aderência, capacidade de completar atividades diárias (como usar o banheiro e comer) e exames que ajudaram a avaliar o comprometimento cognitivo.
Basicamente, Mueller disse, uma espiral da morte nas pessoas poderia ser a razão pela qual muitas vezes vemos um aumento distinto na deficiências antes de uma pessoa morrer. Os seres humanos são desafios para assuntos de estudo, tanto por razões éticas como biológicas, mas a visão da espiral da morte em outros organismos poderia dar aos cientistas uma janela sobre como isso funciona em humanos, disseram os pesquisadores.
De acordo com Mueller, o próximo passo nesta pesquisa pode ser criar seletivamente as moscas para criar grupos que experimentam espirais de morte de diferentes durações.

“Uma vez que você cria populações que são geneticamente diferentes dessa maneira, você pode perguntar: ‘Que genes foram alterados para reduzir o comprimento da espiral da morte?”, prevê Mueller. Usando esse conhecimento, os pesquisadores poderiam procurar no genoma humano por marcadores genéticos similares. Os seres humanos são geneticamente semelhantes às moscas da fruta, observa Mueller. De acordo com o site yourgenome.com, um site do Wellcome Genome Campus, um grupo que concentra dados genéticos, 75% dos genes que causam doenças em seres humanos também estão presentes nas moscas da fruta.
É por isso que o “você” do pós-vida não seria você
Mueller diz que a pesquisa não é sobre parar ou mesmo atrasar a morte. Em vez disso, ele vê isso como uma forma de melhorar a qualidade de vida das pessoas quando elas estão chegando ao fim e, potencialmente, economizar imensas quantidades de dinheiro em cuidados de saúde no fim de vida.

“Mesmo que não sejamos capazes de afetar quando você morre, gostaríamos de torná-lo totalmente funcional até o dia da sua morte”, disse ele. [Live Science]

13.498 – Acredite se Quiser- Cirurgião que fará transplante de cabeça promete transplantar cérebros até 2020


transplante de crebro
Numa entrevista publicada ontem pela revista alemã Ooom, o cirurgião italiano Sergio Canavero deu mais detalhes sobre o primeiro transplante de cabeça do mundo, que deverá ser realizado nos próximos 10 meses. No entanto, Canavero também aproveitou para falar sobre seus planos para o futuro, que incluem uma iniciativa ainda mais arriscada: transplantes de cérebro.
“Estamos atualmente planejando o primeiro transplante de cérebro do mundo, e eu considero realístico dizer que estaremos prontos em três anos no máximo”, disse o cirurgião. Não se trata, segundo ele, de um próximo passo na evolução da cirurgia, mas de um desenvolvimento separado. “O processo já está encaminhado, nós estamos trabalhando nele em paralelo [ao transplante de cabeça].”
O procedimento, segundo Canavero, envolveria “transportar o seu cérebro para um crânio totalmente diferente”. Em outras palavras, o cérebro (e presumivelmente a consciência e a personalidade) do paciente seria transportado para um corpo “inteiramente novo”. O cirurgião reconhece que o processo pode ser traumático: “Isso cria uma situação nova que certamente não será fácil”.
Por outro lado, o cirurgião diz que o transplante tem “muitas vantagens”: “Primeiro, não há quase nenhuma reação imunológica, o que significa que o problema da rejeição não existe”. Num transplante de cabeça, os nervos, tendões, músculos e veias podem causar grandes problemas caso o novo corpo os rejeite, mas, com o cérebro, isso não acontece. “O cérebro é, de certa forma, um órgão neutro”, diz.

Transcendendo a morte
De certa forma, segundo Canavero, os transplantes de cérebro poderiam possibilitar que os humanos vivam para sempre. Durante a entrevista, ele fala sobre a empresa estadunidense Alcor, que congela corpos e cérebros humanos para que eles possam ser “revividos” no futuro. A ideia é que os “clientes” da empresa possam ser acordados em 100 ou 200 anos, quando a tecnologia para isso existir.
Mas o cirurgião italiano diz ter “boas notícias” para eles: assim que o primeiro transplante de cabeça for realizado com sucesso, ele e sua equipe começarão a tentar reviver os primeiros cérebros dos clientes da Alcor. Isso deve acontecer “no máximo em 2018”, segundo ele. O teste, mesmo que não dê certo, permitirá “descobrir se congelar cérebros [para reviver depois] faz sentido ou se toda essa abordagem pode ser esquecida”.
Ainda sobre o transplante de cabeça, Canavero considera que o procedimento, se funcionar, dará à humanidade um novo entendimento sobre a morte. “Nessa fase [quando a cabeça está separada do corpo], não há nenhuma atividade de vida – nem no cérebro, nem no resto do corpo. O paciente está morto, clinicamente morto. Se nós trouxermos essa pessoa de volta à vida, receberemos o primeiro relato real do que acontece após a morte”, comenta.

O sentido da vida
Com esse relato, o médico acredita que “as religiões serão exterminadas para sempre”: “Elas não serão mais necessárias, pois os humanos não precisarão mais ter medo da morte”. O paciente que sobreviver à operação poderá contar se manteve sua consciência, ou se não sentiu nada durante seu período de “morte”.
Nesse segundo caso, Canavero acredita que ficaria provado que o cérebro é que cria a consciência. “Então, começaremos a nos perguntar pelo sentido da vida: eu nasço, eu vivo, eu morro e em algum momento eu envelheço e adoeço. Qual é o propósito da minha vida?” Embora trate-se de uma perspectiva bem deprimente, o cirurgião se mostra mais otimista: “Eu sou pela vida, eu acredito na vida”.

13.497 – Cientistas criam cola cirúrgica capaz de fechar feridas em menos de um minuto


cola cirurgica
Os dias em que feridas graves exigiam que o paciente fosse costurado podem estar chegando ao fim. Pesquisadores da Universidade de Sydney, na Universidade Northeastern e da Faculdade de Medicina de Harvard desenvolveram uma cola cirúrgica capaz de fechar feridas desse tipo em menos de 60 segundos.
Segundo o artigo publicado pelos cientistas, a cola, que recebeu o nome de MeTro, é uma espécie de gel. Ela é feita com uma proteína humana modificada para reagir a luz ultravioleta. Ela é aplicada a uma ferida e, em seguida, exposta a esse tipo de luz. A luz agiliza a secagem da cola, o que, por sua vez, faz com que a ferida se feche.

A agilidade com a qual a cola se seca faz com que ela seja muito mais eficiente na selagem de feridas do que os tradicionais “pontos” que são usados em cirurgias atualmente. E como ela é feita com proteínas humanas, ela pode ser usada também em feridas em órgãos internos.
Por tratar-se de um gel, ela também é capaz de ser aplicada em tecidos flexíveis, como um coração ou pulmões, que precisam se expandir ou contrair com frequência. O tempo de degradação dela também pode ser modificado; assim, a cola pode ir se desfazendo automaticamente conforme o órgão vai se recuperando, e não é necessário, por exemplo, remover os pontos posteriormente.
Fora isso, de acordo a pesquisadora Nassim Annabi, uma das professoras de engenharia química associadas ao estudo, a cola “não é apenas um selante; ela também ajuda na regeneração dos tecidos”. Com isso, a MeTro poderia, por exemplo, ser aplicada diretamente em um coração logo após um ataque cardíaco.

Testes
No artigo, os pesquisadores descrevem o uso da MeTro nos pulmões de ratos. Durante os testes, eles reportaram que a cola funcionou melhor do que suturas e selantes já disponíveis. A principal vantagem dele era que ele permitia aos órgãos se mover de maneira mais natural durante o processo de recuperação.
Serão feitos ainda mais testes em animais antes de que os pesquisadores comecem a aplicar a MeTro em humanos. No entanto, o BGR estima que ella pode substituir técnicas tradicionais de selagem de feridas em hospitais ao longo dos próximos cinco anos.

13.490 – Imunologia – Soro antizika previne doença em macacos


vacina zika
Anticorpos produzidos em laboratório conseguiram bloquear totalmente a ação do vírus da zika em macacos. O resultado, relatado por pesquisadores no Brasil e nos EUA, ainda está longe da aplicação em seres humanos, mas mostra que seria possível proteger grávidas e seus futuros bebês da ação viral por meio de um coquetel de anticorpos desse tipo.
A estratégia, descrita em artigo na mais recente edição da revista especializada “Science Translational Medicine”, foi idealizada por pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), da USP e da Universidade de Miami, entre outras instituições. Um ponto importante é que a equipe conseguiu aumentar o tempo de circulação dos anticorpos no organismo, o que, consequentemente, também traria proteção mais duradoura para os pacientes.
“Com isso, poderíamos cobrir uma gestação inteira com apenas duas ou três injeções de anticorpos”, diz Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos autores brasileiros da pesquisa.

DA COLÔMBIA AO RIO
Para chegar à formulação que teve sucesso no teste em macacos, os pesquisadores começaram obtendo uma lista de 91 anticorpos derivados do organismo de um paciente colombiano que havia sido infectado com o causador da doença. A ideia era testar a eficácia dessas moléculas de defesa do organismo contra a ação de uma variante do vírus presente no organismo de uma grávida do Rio.
Quando um novo vírus começa a invadir as células de uma pessoa, começa a produção de diferentes formas de anticorpos, cada um deles com potencial diferente para se ligar às partículas virais e neutralizar a ação delas. Ao testar as 91 moléculas do paciente colombiano, em busca das que conseguiam reduzir em pelo menos 80% a taxa de infecção pela zika in vitro, a equipe brasileiro-americana acabou identificando três anticorpos especialmente potentes, que pareciam os mais promissores.
Antes de partir para o teste em animais, porém, os pesquisadores decidiram fazer alguns ajustes nessas moléculas. Existe, por exemplo, o risco de que um anticorpo acabe facilitando o trabalho de um vírus, em vez de derrotá-lo.
Digamos que uma pessoa que já teve dengue seja infectada pelo vírus da zika, que é aparentado ao causador da dengue. Nesses casos, é possível que os anticorpos contra dengue que essa pessoa já possuía acabem se ligando ao causador da zika – mas sem neutralizá-lo para valer.
Pior ainda, enquanto uma ponta da molécula de anticorpo está ligada ao vírus, a outra pode estar ligada a determinadas células de defesa do organismo. “Desse jeito, o anticorpo serve como cavalo-de-troia, jogando o vírus inteiro para dentro da célula” e facilitando sua multiplicação, explica Kallás.
Ainda não se sabe se um cenário desse tipo pode realmente acontecer envolvendo zika e dengue, embora ele pareça estar por trás do maior risco de dengue hemorrágica depois que alguém é infectado por dois ou mais tipos diferentes do vírus dessa doença. Seja como for, pequenos ajustes na conformação da molécula podem minimizar o risco do problema, bem como aumentar a “durabilidade” dos anticorpos na circulação sanguínea.
No teste final, feito com oito macacos-resos (da espécie Macaca mulata), metade dos primatas recebeu injeções com o vírus da zika e, um dia depois, doses do coquetel de anticorpos específicos contra o invasor viral, enquanto os outros bichos infectados só receberam injeções de um anticorpo genérico que não age contra a zika. A multiplicação do vírus foi totalmente barrada no primeiro grupo, coisa que não se deu no segundo grupo de animais.

LONGO PRAZO
Apesar do sucesso da estratégia, Kallás lembra que ainda falta um processo longo e caro para que os testes em seres humanos comecem. É preciso produzir os anticorpos com rigoroso grau de pureza, garantindo, por exemplo, que eles não afetem células humanas por engano. Para avançar, a equipe precisará de parcerias com a iniciativa privada.

Além disso, o pesquisador destaca que, num momento em que o financiamento à ciência no Brasil vai de mal a pior, é preciso levar em conta que resultados como esses dependem de investimentos de longo prazo.

“A gente nunca começa do zero esse tipo de coisa. Eu trabalho com o David Watkins [coordenador da pesquisa na Universidade de Miami] desde 2005, e a ideia original era trabalhar com dengue, não com zika. Mas, quando a crise ligada à zika começou, nós já estávamos preparados. A estrutura e a cooperação necessárias para descobertas assim nunca surgem de imediato. A restrição de investimentos do governo está gerando um fruto podre que vai acabar caindo daqui a alguns anos”.

Fases:
1) O primeiro passo da equipe foi obter informações sobre os anticorpos produzidos no organismo de uma pessoa da Colômbia que tinha sido infectada pelo vírus zika

2) A partir dessa análise, eles identificaram três anticorpos diferentes que mostraram maior capacidade de neutralizar o vírus

3) O trio de anticorpos foi injetado num grupo de quatro macacos-resos, que também foi infectado com uma cepa do zika originalmente isolada de uma grávida do Rio de Janeiro; outros quatro primatas receberam o zika, mas não os anticorpos

4) Os animais que receberam os anticorpos ficaram totalmente protegidos da ação do vírus, ao contrário do que ocorreu com o outro grupo de macacos

13.480 – Genética – Chineses mudam uma única ‘letra’ de DNA – e consertam mutação


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Pesquisadores da Universidade de Sun Yat-sen, na China, curaram parcialmente um embrião com talassemia beta – doença hereditária que tem consequências similares às da anemia – mudando uma única base nitrogenada de seu DNA. As bases são a menor unidade que compõe nosso código genético, representadas pelas letras A, T, G e C. Cada cromossomo contém vários milhões delas, enfileiradas em uma ordem precisa – e várias síndromes são causadas por pequenas alterações nessa ordem.
A técnica de edição de material genético usada desta vez é um pouco diferente do já conhecido CRISPR/Cas9, que também estreou na China, em 2015, e saiu em todos os jornais desde então. Em 2016, os chineses já haviam tentado curar a talassemia usando CRISPR, mas não deu certo – por isso a mudança de estratégia.
Para tornar o experimento possível, o primeiro passo foi pegar células da pele de pessoas que já têm talassemia, retirar o DNA delas e colocá-lo, em laboratório, no lugar do DNA de um óvulo. O óvulo, então, começa a se multiplicar e dá origem a um embrião que, naturalmente, carrega a mutação genética responsável pela doença.
A delicada ‘cirurgia’ no DNA desse embrião é feita com um método similar ao CRISPR/Cas9.
A diferença é que, em vez de cortar fora um pedaço inteiro da sequência e substituí-lo, os chineses alteraram apenas uma letra ‘G’ (a guanina), que em uma pessoa saudável seria um ‘A’ (adenina). Grosso modo, é como a diferença entre copiar e colar uma palavra inteira no Word e corrigir um erro ortográfico mais simples, como ‘Fransa’.
A eficiência da correção de genes, segundo o artigo científico, foi de 23%. Ou seja: na prática, só um quarto do embrião foi curado. Além disso, a técnica às vezes só corrige o ‘erro de digitação’ em uma das duas cópias que temos de cada gene – embriões nessa situação são chamados ‘mosaicos’. Sinal de que o novo método, conhecido pela sigla BE (base editing), ainda precisa ser muito aperfeiçoado.
“É promissor, mas todos os embriões dos quais eles colheram informações eram claramente mosaicos, com algumas células ainda carregando os dois alelos mutantes”, afirmou ao The Guardian o geneticista Robin Lovell-Badge, do Instituto Francis Crick, que não participou do estudo.
É sempre bom lembrar que, além das deficiências técnicas que precisam ser superadas, também há muitas barreiras éticas ao tratamento de embriões de verdade por meio de técnicas de edição de material genético. Afinal, se é possível curar um problema mudando uma única letra do DNA, também é possível causar um problema ainda maior alterando a letra errada por acidente.

13.468 – Ai da AIDS – Novo anticorpo ataca 99% das cepas de HIV


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Cientistas criaram um anticorpo que ataca 99% das cepas do HIV e pode, ainda, prevenir a infecção em primatas. Ele é formulado para atacar três das partes críticas do vírus – tornando mais difícil para o HIV resistir aos seus efeitos.
O trabalho é uma colaboração coletiva entre os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA e a empresa farmacêutica Sanofi.
A International Aids Society disse que se trata de um “avanço estimulante”. Os testes em seres humanos começarão em 2018 para verificar se é possível, também, prevenir ou tratar nossas infecções.
Nossos corpos lutam para combater o HIV devido à habilidade de mutação do vírus, que também modifica sua aparência. Essas variedades de HIV – ou cepas – em um determinado paciente são comparáveis ​​às da gripe num momento de epidemia mundial. Assim, o sistema imunológico se encontra em uma luta contra um número insuperável de mutações.

Super-anticorpos
Após anos de infecção, um pequeno número de pacientes desenvolve armas poderosas chamadas “anticorpos de neutralização ampla”, que atacam partes fundamentais ao HIV e podem matar grandes extensões de suas cepas.
Os pesquisadores têm tentado usar anticorpos amplamente neutralizantes como forma de tratar o vírus, ou, ainda, prevenir a infecção.
O estudo, publicado na revista Science, combina três desses anticorpos em um “anticorpo tri-específico” ainda mais poderoso. Gary Nabel, diretor científico da Sanofi e um dos autores do relatório, disse ao site da BBC: “Eles são mais potentes e têm uma amplitude maior do que qualquer anticorpo natural jamais descoberto”.
Os melhores anticorpos de ocorrência natural atingirão a maioria das cepas de HIV. “Estamos alcançando cobertura de 99%, mesmo em concentrações muito baixas na injeção”, disse o Dr. Nabel.
Experimentos realizados em 24 macacos mostraram que nenhum dos que receberam o anticorpo tri-específico desenvolveram infecção quando, mais tarde, foram tratados com a dose do vírus. “Verificamos um grau de proteção impressionante”, afirmou.

O trabalho incluiu cientistas da Harvard Medical School, do The Scripps Research Institute e do Massachusetts Institute of Technology.

“Avanço encorajador”

Ensaios clínicos para testar o anticorpo em seres humanos terão início no próximo ano.
A professora Linda-Gail Bekker, presidente da International Aids Society, informou à BBC: “Este artigo traz um avanço encorajador. Esses anticorpos super projetados parecem ir além da proteção natural e podem ter mais aplicações do que imaginamos até o momento. Ainda é cedo, e espero que os primeiros ensaios tenham início já em 2018. Como médica que atua na África, sinto a urgência de confirmar essas descobertas nas pessoas o mais rápido possível”.
O Dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, disse que esta se trata de uma abordagem intrigante.
Ele acrescentou: “As combinações de anticorpos que que se ligam de forma diferente ao HIV podem superar as defesas do vírus no esforço para conseguir um tratamento e prevenção efetivos baseados em anticorpos”. [BBC]