13.468 – Ai da AIDS – Novo anticorpo ataca 99% das cepas de HIV


Aids Health Disease Day Virus Hiv Care Sickness
Cientistas criaram um anticorpo que ataca 99% das cepas do HIV e pode, ainda, prevenir a infecção em primatas. Ele é formulado para atacar três das partes críticas do vírus – tornando mais difícil para o HIV resistir aos seus efeitos.
O trabalho é uma colaboração coletiva entre os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA e a empresa farmacêutica Sanofi.
A International Aids Society disse que se trata de um “avanço estimulante”. Os testes em seres humanos começarão em 2018 para verificar se é possível, também, prevenir ou tratar nossas infecções.
Nossos corpos lutam para combater o HIV devido à habilidade de mutação do vírus, que também modifica sua aparência. Essas variedades de HIV – ou cepas – em um determinado paciente são comparáveis ​​às da gripe num momento de epidemia mundial. Assim, o sistema imunológico se encontra em uma luta contra um número insuperável de mutações.

Super-anticorpos
Após anos de infecção, um pequeno número de pacientes desenvolve armas poderosas chamadas “anticorpos de neutralização ampla”, que atacam partes fundamentais ao HIV e podem matar grandes extensões de suas cepas.
Os pesquisadores têm tentado usar anticorpos amplamente neutralizantes como forma de tratar o vírus, ou, ainda, prevenir a infecção.
O estudo, publicado na revista Science, combina três desses anticorpos em um “anticorpo tri-específico” ainda mais poderoso. Gary Nabel, diretor científico da Sanofi e um dos autores do relatório, disse ao site da BBC: “Eles são mais potentes e têm uma amplitude maior do que qualquer anticorpo natural jamais descoberto”.
Os melhores anticorpos de ocorrência natural atingirão a maioria das cepas de HIV. “Estamos alcançando cobertura de 99%, mesmo em concentrações muito baixas na injeção”, disse o Dr. Nabel.
Experimentos realizados em 24 macacos mostraram que nenhum dos que receberam o anticorpo tri-específico desenvolveram infecção quando, mais tarde, foram tratados com a dose do vírus. “Verificamos um grau de proteção impressionante”, afirmou.

O trabalho incluiu cientistas da Harvard Medical School, do The Scripps Research Institute e do Massachusetts Institute of Technology.

“Avanço encorajador”

Ensaios clínicos para testar o anticorpo em seres humanos terão início no próximo ano.
A professora Linda-Gail Bekker, presidente da International Aids Society, informou à BBC: “Este artigo traz um avanço encorajador. Esses anticorpos super projetados parecem ir além da proteção natural e podem ter mais aplicações do que imaginamos até o momento. Ainda é cedo, e espero que os primeiros ensaios tenham início já em 2018. Como médica que atua na África, sinto a urgência de confirmar essas descobertas nas pessoas o mais rápido possível”.
O Dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, disse que esta se trata de uma abordagem intrigante.
Ele acrescentou: “As combinações de anticorpos que que se ligam de forma diferente ao HIV podem superar as defesas do vírus no esforço para conseguir um tratamento e prevenção efetivos baseados em anticorpos”. [BBC]

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13.462 – Medicina – Patologia Clínica


COMO+SE+ESTUDA+PATOLOGIA
Medicina laboratorial é uma especialidade médica que tem por objetivo auxiliar os médicos de diversas especialidades no diagnóstico e acompanhamento clínico de estados de saúde e doença, através da análise de sangue, urina, fezes e outros fluidos orgânicos (como líquor, líquido sinovial, líquido ascítico, fluido seminal, etc).
No Brasil a especialidade é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) com o nome de patologia clínica ou medicina laboratorial”. Deve ser diferenciada de patologia cirúrgica ou anatomia patológica, especialidade que tem por objeto de análise os tecidos sólidos do corpo humano, geralmente obtidos por meio de biópsia.
A patologia clínica apresenta as subespecialidades:

Química clínica — Ocupa-se em analisar os componentes químicos do sangue, urina e fluidos orgânicos.
Hematologia — Analisa os componentes celulares do sangue, e eventualmente de outros fluidos orgânicos.
Imunohematologia — Avalia as reações imunes dentro do sangue, especializando-se na análise dos antígenos eritrocitários e suas interações com os respectivos anticorpos. Reveste-se de importância particular na Hemoterapia ou medicina transfusional.
Imunologia (sorologia) — Avalia o sangue (e eventualmente outros fluidos orgânicos) e componentes, através de suas interações imunológicas, ou seja, das reações antígeno – anticorpo.
Microbiologia — Estuda a flora microbiológica humana normal e patológica, detectando a presença de vírus, bactérias e fungos em amostras de procedência humana. Este estudo pode se estender também à análise dos microorganismos presentes nos ambientes ocupados pelo ser humano e objetos por ele utilizados.
Bacteriologia — Subespecialidade da microbiologia cujo objeto de estudo são as bactérias, incluindo sua identificação, caracterização e avaliação de susceptibilidade a antimicrobianos.
Micologia — Subespecialidade da microbiologia que estuda os fungos e micotoxinas.
Virologia — Subespecialidade da microbiologia que se ocupa da a análise dos vírus.
Parasitologia — É a subespecialidade da Patologia Clínica que analisa as características dos parasitas externos (ectoparasitas) e internos (endoparasitas) do homem. Inclui o estudo dos protozoários parasitas sistêmicos — como os plasmódios (causadores da malária), através de métodos de detecção direta e indireta, o estudo dos artrópodes parasitas e a coprologia ou estudo macroscópico, microscópico e químico das fezes com o objetivo de se determinar o diagnóstico e prognóstico de doenças e parasitoses do sistema gastrointestinal.
Uranálise — Analisa a urina e, eventualmente, outros fluidos orgânicos.
Biologia molecular — Compreende o estudo especializado de biomoléculas, tais como o DNA e RNA.
Genética médica — Ocupa-se do estudo da genética humana, em especial as’ cromossomopatias.
Genética Bioquímica — Estuda, através de análises bioquímicas, as anomalias genéticas caracterizadas como erros inatos do metabolismo.
As modernas exigências de qualidade dos resultados em análises clínicas fizeram surgir o que hoje já é por alguns considerada uma nova subespecialidade, a garantia de qualidade. Esta opera sobre todas as demais, visando a manter a excelência das análises, incluindo a sua precisão e exatidão, e o melhoramento continuado em todos os seus aspectos. Usa como instrumentos principais a estatística e a criação e análise de indicadores de qualidade.

Uma Longa Jornada
No Brasil, o médico patologista clínico passa por uma formação que inclui, além dos 6 anos regulamentares do curso superior em medicina, mais três anos de residência médica, sendo 1 ano em clínica médica e 2 anos em laboratório de análises clínicas.

No seu trabalho, o patologista clínico pode interagir com outros profissionais, dentre eles:

Nível superior:
Biólogo
Biomédico
Cirurgião-dentista
Farmacêutico
Médico veterinário
Nível médio:
Auxiliar técnico de laboratório.
Técnico de laboratório de análises clínicas.
Biotécnico.
São compartilhadas com estes profissionais, até o limite de responsabilidade de cada um, as diversas atividades e competências necessárias ao bom desempenho do ofício. As atribuições de cada profissional, bem como os limites de sua atuação, podem ser consultadas na CBO – Classificação Brasileira de Ocupações, no site do Ministério do Trabalho e Emprego.
Mediante a modernidade tecnológica que significa, hoje em dia, a automação e a informatização da maioria dos processos de análise, deve também o profissional possuir conhecimentos básicos nas áreas de engenharia e informática, que viabilizem sua interação freqüente com os respectivos profissionais, também comumente envolvidos como auxiliares valiosos em todos os processos de análise.

Existem certas ambiguidades envolvendo a patologia clínica que devem ser comentadas:

No Brasil e em Portugal, podem atuar como responsáveis técnicos por laboratórios de análises clínicas:
O médico patologista clínico;
O biólogo com formação superior, habilitado em análises clínicas através da comprovação de um currículo direcionado efetivamente realizado;
O biomédico com formação superior habilitado em análises clínicas;
O farmacêutico com formação superior enfatizando a área de patologia/análises clínicas, química clínica, e técnicas moleculares;
O especialista médico em hematologia e hemoterapia, habilitado a efetuar alguns procedimentos especializados como biópsia de medula óssea, é o profissional médico que realiza diagnóstico e acompanhamento clínico em patologias envolvendo oncologia hematológica, hemoterapia e coagulação/hemostasia. Este especialista normalmente não está habilitado em patologia clínica (a menos que também dotado de formação específica nesta área), fazendo portanto uso de seus serviços como cliente médico.
A análise da celularidade de certos fluidos orgânicos, como o líquido sinovial, o líquido cérebro-espinhal ou líquor, o líquido ascítico ou peritoneal, o fluido pleural e o fluido seminal podem ser compreendidos como escopo tanto da subespecialidade de hematologia como da urinálise. Estas análises incluem também a caracterização bioquímica desses fluidos, que recorre a técnicas próprias da bioquímica. Fala-se portanto em hematologia e análise de fluidos orgânicos ou urinálise e análise de fluidos orgânicos.
A patologia cirúrgica, também conhecida como anatomia patológica, é uma especialidade médica que interage com a patologia clínica, e compreende caracteristicamente a análise de matériais sólidos de origem humana, obtidos por meio de biópsia ou necrópsia. O patologista cirúrgico usualmente não é habilitado em patologia clínica, a não ser que também tenha desenvolvido formação específica na área, embora eventualmente uma especialidade possa emprestar técnicas características da outra.
A especialidade de química clínica encontrada nos Estados Unidos corresponde grosseiramente à bioquímica no Brasil. Entretanto não temos no Brasil uma Associação exclusiva como a American Association of Clinical Chemistry.

14.457 – Adesivo com injeções minúsculas combate obesidade e diabetes


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Pesquisadores norte-americanos deram um jeito de substituir a tradicional injeção da vacina da gripe por um adesivo com aparência de curativo.
A superfície inferior desse band-aid (a que adere à pele) é repleta de minúsculas agulhas – pequenas o suficiente para você não sentir dor, mas grandes a ponto de colocar a substância que precisa ser injetada dentro de você. Bônus: isso pode ser feito em casa. Nada de posto de saúde ou farmácia.
Se já parecia bom, acaba de ficar melhor. Pesquisadores da Universidade Columbia deram um jeito de usar adesivos similares para aplicar outro remédio: um que transforma gordura branca – a que cria barrigas salientes e pneuzinhos por aí – em gordura marrom, composta de células feitas para queimar energia, e não armazená-la. A técnica tem potencial para colaborar com o tratamento de obesos e diabéticos, mas, até agora, só foi testada em ratos.
“Há várias drogas disponíveis que promovem a transformação da gordura branca em marrom, mas elas precisam ser aplicadas com pílulas ou injeções”, afirmou em comunicado Li Qiang, um dos pesquisadores responsáveis pela pesquisa. “Isso expõe o corpo todo às drogas, o que pode causar efeitos colaterais, como irritação no estômago, ganho de peso e fraturas nos ossos. Nosso adesivo de pele alivia essas complicações levando a droga diretamente ao tecido adiposo.”
Em outras palavras, quando é colado na barriga, o remédio vai só onde interessa. Sem escalas, e na dose ideal. O princípio ativo é colocado em cápsulas microscópicas – centenas de vezes mais finas que um fio de cabelo – na extremidade das agulhas. “As nanopartículas foram projetadas para armazenar a droga em segurança e então se romperem gradualmente, liberando-a nos tecidos próximo de forma lenta e constante em vezes de espalhar a droga pelo corpo rapidamente”, explicou Zhen Gu, também envolvido na pesquisa.
Bebês recém-nascidos são cheios da gordura conhecida como marrom. Graças ao grande número de mitocôndrias que suas células possuem, esse tipo de gordura pode ser queimada rapidamente pelo corpo para mantê-lo aquecido. Conforme você cresce, porém, seu corpo para de queimar energia à toa e passa a estocá-la em forma de gordura branca – que resiste justamente para servir de reserva calórica em caso de emergência. “Convencer” a gordura branca a se tornar gordura marrom, hoje, é uma das principais linhas de pesquisa no combate à obesidade.

14.454 – Onde há Tumor há Temor – Por que nem sempre a quimioterapia faz efeito?


tumor
Tumor do temor

Não se engane: apesar de realmente acarretar efeitos colaterais bastante incômodos em certos casos, essa estratégia salva muitas vidas. Um levantamento de 2012 do Instituto Nacional de Câncer, por exemplo, indica que mais de 70% do orçamento brasileiro para tratar essa doença foi destinado a custear esses fármacos.
Para contextualizar à população qual o real impacto dos quimioterápicos — que inclusive evoluíram bastante ao longo das décadas —, médicos da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) listaram mitos bastante disseminados sobre o assunto. “A generalização de sintomas que nem sempre acontecem tem consequências negativas. Muitos pacientes sofrem antecipadamente com perdas que talvez nem ocorram”, comenta o oncologista Claudio Ferrari, secretário de comunicação da Sboc.
A quimioterapia, uma das mais importantes armas de que dispomos no tratamento contra o câncer, surgiu durante a Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos, quando as pessoas que trabalhavam em pesquisas com o gás mostarda (substância utilizada na guerra química) começaram a apresentar alterações nos glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas e anemia. Isso chamou a atenção dos pesquisadores que passaram a estudar o assunto, porque há doenças em cancerologia, como muitas leucemias e alguns linfomas, que evoluem com aumento dos glóbulos brancos (leucócitos) e queda dos vermelhos (hemácias).
Realmente, o gás mostarda foi o primeiro quimioterápico utilizado, a primeira droga química que se mostrou capaz de destruir as células tumorais. Depois, vieram outras que transformaram a quimioterapia num ramo da medicina que tem salvado muitas vidas e aliviado o sofrimento dos doentes.
Nos últimos 20 anos, foram descobertas algumas substâncias que conseguem fazer as células do sangue se dividirem de maneira mais rápida e intensa. Descobriu-se, ainda, que se forem administradas aos pacientes em paralelo à quimioterapia, seus efeitos adversos sobre o sangue serão diminuídos. Esses achados possibilitaram a prescrição de drogas quimioterápicas em doses mais altas e mais frequentes, uma vez que, não havendo diminuição maior das células do sangue e, consequentemente, perda das defesas do organismo, é menor a ocorrência de quadros infecciosos.
Em alguns casos o tratamento não reponde. Na realidade a quimio e a radio podem de fato não curar a doença, permitindo apenas um aumento da sobrevida. É verdade que muitas vezes o tumor desaparece e exames não detectam células cancerosas após um tratamento, mas isto será por um período de tempo, porque a químio não mata as células-tronco e em algum momento elas formarão novas células cancerosas.

O lado assustador:
Faz parte do protocolo de tratamento do câncer aguardar um período de cinco anos para dizer que a pessoa está de fato curada da doença. Mas o fato é que este é um período em que o retorno da doença é menor. O risco de retorno da doença começa a crescer a partir do segundo ano e atinge seu período de maior risco entre os cinco e os dez anos após o tratamento, muitas vezes voltando na forma de outros cânceres mais agressivos e metástases.

13.451 – Terapia reverte envelhecimento “aposentando” células idosas


Nosso processo de envelhecimento passa primeiro pelas células. Os cabelos brancos e as dores na coluna são fruto de uma ordem natural e até então aparentemente irreversível: as células já não acompanham mais o ritmo de renovação exigido, e passam a se replicar em velocidade bem menor do que demanda um corpo jovem e saudável. No entanto, cientistas holandeses parecem ter encontrado uma forma de contornar esse mecanismo. Utilizando uma terapia inovadora que “aposenta” as células idosas, eles conseguiram reverter o envelhecimento de ratos em laboratório – e até dar um jeitinho em sua queda excessiva de pelos.
A chave para o efeito está na utilização de um peptídeo especializado, que, no melhor estilo “exterminador do passado” tem a tarefa de encontrar e eliminar as células mais antigas, chamadas senescentes. As células senescentes são as que perderam sua capacidade de renovação celular e, apesar de não possuírem mais metabolismo, também se recusam a morrer por completo. E essa “teimosia” é perigosa: células mais velhas são também mais permissivas ao surgimento de doenças ou desenvolvimento de tumores, por exemplo.
Há um mecanismo que determina se uma célula permanecerá em estado de senescência, e ele é estabelecido pela interação entre as proteínas celulares FOXO4 e p53. A aplicação da técnica está justamente aí: o peptídeo FOXO4 é capaz de interromper a comunicação entre as duas proteínas, fazendo com que a célula sofra apoptose – algo como um “suicídio” celular.
Para testar o método, os pesquisadores utilizaram dois tipos de ratos. Havia aqueles que naturalmente já estavam no fim de suas vidas e também os que foram geneticamente modificados para se tornar idosos. O peptídeo foi aplicado nas cobaias três vezes por semana durante dez meses, e os resultados vieram rapidamente: os ratos modificados geneticamente começaram a recuperar sua pelagem após dez dias. Três semanas depois do início dos testes, os ratos idosos corriam o dobro da distância dos seus vizinhos que não receberam o tratamento. Eles também mostraram melhora em suas funções renais, um mês após começado o experimento. Segundo a pesquisa, não foram encontrados efeitos colaterais.
O próximo passo do grupo é adaptar a técnica para o tratamento de humanos, mantendo a eficiência e a ausência de efeitos colaterais. A ideia é que ela seja uma alternativa ao tratamento do glioblastoma multiforme, um tipo de tumor do cérebro que pode ser identificado pelo peptídeo FOXO4, afirmou Peter L.J. de Keizer, um dos autores do estudo, ao site Science Daily. A pesquisa foi publicada na revista científica Cell.

13.430 – Ratos surdos voltaram a ouvir após terapia genética


Uma das disfunções genéticas mais graves que existem é a Síndrome de Usher. Ela afeta um em cada 25 mil recém-nascidos (aproximadamente — a taxa muda de país para país), e tem consequências pesadas: os bebês nascem surdos, e na primeira década de vida também perdem, gradualmente, a visão. A doença era considerada incurável, mas a medicina está virando esse jogo.
Pesquisadores do Hospital Pediátrico de Boston, nos EUA, usaram terapia genética para impedir que as mutações afetassem o ouvido interno de ratinhos recém-nascidos que portam a síndrome. Graças ao tratamento, 19 dos 25 animais conseguiram ouvir ruídos superiores a 80 decibéis (quase um liquidificador), e o mais surpreendente: alguns reagiram a barulhos de apenas 25 decibéis (equivalentes a um sussurro) — um grau de recuperação sem precedentes na área. O melhor? Segundo os cientistas, a técnica provavelmente poderá ser adaptada para uso em bebês humanos em um futuro próximo – uma intervenção essencial para que eles tenham contato com a língua materna desde cedo e possam desenvolver habilidades linguísticas no período correto.
O truque para conter a síndrome não é difícil de entender. E saber como funciona uma guitarra pode te ajudar.
Seu ouvido e o instrumento do Keith Richards têm algo em comum: ambos transformam vibrações em sinais elétricos. Essa capacidade é tão útil que tanto a evolução biológica quanto a tecnologia do século 20 deram um jeito de desenvolve-la. Na guitarra, a peça responsável por transformar sons em elétrons é chamada captador magnético. Ele é um eletroímã, e aqui entra uma pitada de física básica do ensino médio: magnetismo e eletricidade são faces da mesma moeda. Não dá para cutucar um sem afetar o outro. Quando a vibração das cordas gera um distúrbio no campo magnético na parte de fora da guitarra, na parte de dentro esse distúrbio muda as características do sinal elétrico que é enviado ao amplificador, e é assim que ele descobre qual nota você tocou. Faça-se o barulho!
No ser humano, a peça equivalente é um pequeno tubo de osso em forma de caracol chamado cóclea. Esse rolinho fica escondido no interior do seu ouvido, é do tamanho de uma ervilha e, é óbvio, não gera um campo magnético. Seu truque para transformar vibrações em sinais elétricos é mais simpático: lá dentro há um exército de células em forma de pelinho, parecidas com cílios, que estão mergulhadas em um líquido.
Quando um som qualquer chega lá dentro, o líquido vibra e os cílios microscópicos saem do lugar, desencadeando um processo químico que cria sinais elétricos — como eles fazem isso não é nada fácil de entender, mas os corajosos, médicos e biólogos de plantão podem tentar.
Para a nossa explicação, o importante são duas coisas: a primeira é que essa operação complexa converte ondas sonoras em um “tipo de arquivo” que o cérebro é capaz de entender, feito de impulsos elétricos — da mesma forma que precisamos gravar música em um formato como .MP3 ou .WAV para que um computador seja capaz de entendê-la.
A segunda é que esses pelinhos são organizados como legionários romanos lá dentro, e essa organização toda é essencial para fazer a conversão. O problema de pessoas e animais com surdez congênita causada pela Síndrome de Usher é justamente que seus cílios vêm de fábrica “despenteados” e mal calibrados — como se fossem um captador de guitarra que não consegue sentir vibrações em seu campo magnético (e que, portanto, não manda sinais para o amplificador) Dá para entender melhor na imagem abaixo, fornecida pelos autores do estudo.

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A primeira coluna, com imagens de um animal saudável, mostra triângulos de células com uma camada azul, uma amarela e uma vermelha. A segunda, feita no interior da cóclea de um animal surdo, mostra os triângulos imperfeitos e as cores misturadas. O resultado da técnica de terapia genética aparece na terceira imagem: ela funciona como um pente, e põe os cílios de volta em um topete perfeito.
Isso é feito usando um vírus modificado, que não causa doença nenhuma. Pelo contrário: ele “infecta” entre 80% e 90% das células em forma de pelinho, tirando a parte do DNA que tem problemas e pondo uma versão atualizada no lugar. “O estudo é um marco” afirmou Jeffrey Holt, um dos autores do artigo científico. “Nós demonstramos, pela primeira vez, que fornecendo a sequência de genes correta a um grande número de células sensoriais do ouvido, nós conseguimos restaurar a audição.” Vale uma ressalva: a técnica, por enquanto, só dá certo se a intervenção for feita com recém-nascidos, praticamente após o parto — na primeira semana de vida.

13.429 – Hibernação induzida pode ajudar a combater o câncer


O físico italiano Marco Durante, autor de artigos sobre hibernação durante viagens espaciais, descobriu que o corpo humano se torna mais resistente à radiação solar quando é induzido a um estado chamado “torpor sintético” – uma versão de laboratório do sono de inverno dos ursos, que têm um mecanismo biológico para isso. E agora ele quer usar essa resistência para melhorar a resposta do corpo humano a outro tipo de radiação: a usada no tratamento contra o câncer.
Quando o mamífero favorito das lojas de bichos de pelúcia hiberna, a temperatura de seu corpo cai, em média, 6º C. A frequência cardíaca vai de 55 para nove (!) batimentos por segundo, e a pouca energia necessária para manter o metabolismo funcionando vem da queima do próprio estoque de gordura do urso.
Em resumo: a vida se move em câmera lenta, truque que o ser humano pode usar tanto para economizar recursos em uma nave espacial quanto para conter tumores em estágios mais avançados, em que intervenções cirúrgicas já não são mais possíveis. “Não dá para tratar todas as metástases, se você operar todas as partes do corpo que foram afetadas, você acaba matando o paciente conforme destrói o câncer”, afirmou Durante em uma palestra no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), que ocorreu no último domingo (19) em Boston. “Por outro lado, se você pudesse colocar o paciente em torpor sintético, você interromperia o crescimento do câncer. É um jeito de ganhar tempo.” Além disso, a radiação causa menos danos ao corpo quando nossas células não estão em ritmo de festa, o que permitiria, em teoria, aumentar a dose e a eficiência da radioterapia.
Mamíferos sem capacidade natural de hibernação, como ratinhos de laboratório, já foram apagados por longos períodos com sucesso. E há casos de hibernação acidental em seres humanos que ganharam as páginas de tablóides pelo jeitão de notícia falsa, como o da sueca Anna Bagenholm, que sobreviveu após passar oito horas presa sob a camada de gelo de um riacho – tempo suficiente para seu corpo atingir a temperatura de 13,7ºC.
Especialistas entrevistados pela New Scientist, porém, afirmam que a proposta deve ser encarada com ressalvas. “Os efeitos de uma técnica como hibernação induzida são difíceis de prever, afirmou o oncologista britânica Peter Johnson. “São necessários cuidadosos experimentos em laboratório antes de afirmar que a técnica é segura ou eficiente em seres humanos”, completou.
O Science Daily lembra que, em 2014, só 8% dos tratamentos para o câncer testados em ratos também deram certo em humanos.

13.428 – Cientista cria retina artificial à base d’água


A ideia básica desse tipo de implante é usar uma câmera para gerar sinais elétricos que o cérebro é capaz de interpretar da mesma maneira que lê o mundo a partir da sua retina. Ou seja: fazer pessoas com doenças genéticas degenerativas como a retinite pigmentosa voltarem a enxergar com olhos literalmente biônicos.
O problema é que instalar uma pequena máquina fotográfica dentro de alguém ainda é, por razões óbvias, um procedimento muito invasivo, com grandes chances de rejeição por parte do paciente. É por isso que a química Vanessa Restrepo-Schild, da Universidade de Oxford, criou uma retina sintética feita com um material maleável e muito similar ao real – um avanço inédito nas pesquisas com implantes eletrônicos.
“O olho humano é incrivelmente sensível, por isso, corpos estranhos como implantes metálicos na retina podem ser muito danosos, causando inflamações e ferimentos”, explicou Restrepo-Schild à assessoria de Oxford. “Um implante biológico sintético, por outro lado, é macio e solúvel em água, então é muito mais amigável no ambiente do interior do olho.”
Segundo a cientista, é preciso acabar com o imaginário popular que está por trás de seres humanos biônicos: pessoas de aparência metálica, robótica. “Eu quero pegar os princípios que estão por trás de funções vitais do nosso corpo, como a audição, o tato e a habilidade de detectar luz, e replicá-los no laboratório usando componentes naturais. Eu espero que minha pesquisa seja o primeiro passo em uma jornada para produzir tecnologia que seja macia e biodegradável em vez de rígida e descartável.”

13.427 – Medicina Milagrosa?


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A implantação de equipamentos no organismo começou em 1957, com o marcapasso, aparelhinho que se vale de impulsos elétricos para regular o batimento do coração. Quarenta anos depois, a convergência entre a informática e as neurociências já permite vislumbrar um objetivo muito mais ambicioso. Pesquisadores das principais universidades do mundo estão perto de uma solução que tornará realidade a fantasia de criar o homem biônico. A meta é descobrir um elo entre os circuitos eletrônicos dos microprocessadores e os circuitos orgânicos que compõem o sistema nervoso.

A partir daí, será possível instalar no organismo humano miniaturas de computador que funcionarão como peças de reposição. Chips enviarão ao cérebro as informações para que um cego volte a enxergar. No sentido oposto, transmitirão às pernas de um paralítico os comandos que regem os movimentos.

O sucesso em próteses mais simples, como os aparelhos de surdez de última geração, mostram que a idéia é viável. As experiências prosseguem em ritmo acelerado, com a promessa de novidades milagrosas para a virada do século. Confira nas próximas páginas.

Eu sou você amanhã
Graças aos avanços da informática, os órgãos e tecidos bioartificiais já deixaram de ser um sonho. Veja, abaixo, algumas das novidades que a Medicina promete para você nos próximos anos.

A cura da cegueira

Microcâmera converte as imagens em raios laser, enviados a chips instalados na retina. De lá, as imagens vão para o nervo óptico e, através dele, ao cérebro (veja a página ao lado).

Fígado de emergência

O órgão já é substituído por uma máquina (enorme) em casos de hepatite superaguda. O que se procura é uma versão portátil do aparelho.

Sangue artificial

Com a hemoglobina artificial, as transfusões ficam 100% seguras e acaba-se o problema da falta de doadores (veja página 26).

Chips na cuca

Implantes de células artificiais no cérebro eliminarão muitas doenças e ampliarão o tempo de vida.

Próteses ultrasensíveis

Novos materiais, como o plástico biológico, permitem a fabricação de aparelhos ortopédicos sofisticados, que chegam a reproduzir sensações táteis.

Ouvindo tudo

Em certos casos, já é possível voltar a ouvir, graças a um transmissor que estimula o nervo auditivo por meio de sinais magnéticos.

O fim das cáries

Pesquisadores buscam uma resina para envolver as partes mais vulneráveis dos dentes, protegendo-os do ataque das bactérias.

Bate, coração

Uma prótese substitui o coração doente e reproduz todas as funções do músculo normal. Com autonomia total, o paciente pode sair andando por aí (veja página 24).

Pele cultivada

Em laboratório, pode-se produzir 1 metro quadrado de pele para cada 2 centímetros quadrados do tecido natural (veja página 24).

No lugar dos olhos, câmera, laser e chips

No filme Até o Fim do Mundo, do alemão Wim Wenders, o protagonista procura incansavelmente um meio de fazer com que sua mulher, cega, consiga enxergar o mundo, com suas formas e cores. Ele inventa uma câmera especial que envia direto para o cérebro, através de eletrodos, imagens de vídeo previamente gravadas. E o aparelho funciona.

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Em 1991, quando o filme foi lançado, o tema estava restrito ao universo da ficção científica. Seis anos depois, pesquisadores de vários países travam uma corrida para inventar a prótese ocular que devolverá a visão aos cegos. Uma microcâmera de vídeo, parecida com a imaginada por Wenders, já foi desenvolvida nos Estados Unidos, num projeto conjunto das universidades de Harvard e Johns Hopkins. Com uma vantagem: ela transmite em tempo real, sem necessidade de gravação.

Resta o desafio de levar as imagens ao cérebro. O projeto mais promissor, até agora, é o do alemão Rolf Eckmiller, titular da cadeira de neuroinformática da Universidade de Bonn. Ele inventou uma retina artificial, com eletrodos ligados ao nervo óptico (veja infográfico). Esses eletrodos captam imagens transmitidas por uma microcâmera, com raios laser, e convertidas em impulsos elétricos que estimulam o nervo óptico. A imagem será semelhante à que você tem quando examina o negativo de uma foto. A retina biônica já está sendo testada em camundongos, com bons resultados.

A retina artificial
O projeto do cientista alemão Rolf Eckmiller visa devolver a visão nos casos de cegueira em conseqüência da morte das células da retina.

1. Uma microcâmera, instalada nos óculos, capta as imagens.

2. Emissores de raios laser, atrás das lentes, enviam as imagens para um chip implantado na retina inutilizada.

3. Eletrodos embutidos no chip convertem as informações recebidas via laser em impulsos elétricos, que estimulam o nervo óptico, na parte de trás do olho.

4. O nervo óptico transmite esses impulsos ao cérebro, onde a imagem é reconstituída.

O coração portátil não desafina

O que os médicos chamam hoje de coração artificial nada tem de parecido com o músculo de verdade. Trata-se de uma máquina, situada fora do corpo, que reproduz as funções cardíacas de pacientes à espera de um transplante. Mais de vinte projetos diferentes buscam superar essa limitação. O modelo de coração artificial mais conhecido é o Jarvik, inventado nos Estados Unidos. O Jarvik já foi aplicado em centenas de pacientes, mas mantém o problema da falta de autonomia. O doente fica preso a uma cama de hospital. O primeiro aparelho portátil, o Novocor, também americano, é um progresso, mas só substitui um dos vetrículos. Além disso, depende de uma bateria instalada do lado de fora, num cinturão No ano passado, o cardiologista francês Alain Carpentier, do Hospital Broussais, em Paris, apresentou o primeiro protótipo de um coração artificial que o paciente pode instalar no peito e sair andando por aí. “Os testes em animais já estão concluídos e deram bons resultados”, anima-se o professor Carpentier. “Agora estamos fabricando um modelo para ser testado em pacientes humanos.”

Adeus, cadeira de rodas

Na maior parte dos casos, o motivo que condena os paraplégicos à cadeira de rodas é um rompimento da medula espinhal, em conseqüência de um acidente. Os nervos que levam as ordens do cérebro às pernas ficam interrompidos, provocando a paralisia. Isso não significa que estejam mortos, mas apenas inertes. Se alguém descobrir uma maneira de reativar esses nervos, os músculos poderão recuperar seus movimentos.

Para enfrentar o desafio, cientistas de vários países europeus formaram uma equipe de pesquisa, sob o comando do francês Pierre Rabischong, professor na Faculdade de Medicina de Montpellier. O projeto tem como nome a expressão bíblica “levanta-te e anda”. É uma referência à ordem de Jesus ao cadáver de Lázaro, que obedeceu.

A equipe criou um aparelho portátil que substitui o trabalho do cérebro, acionando os nervos das pernas por meio de impulsos elétricos (veja infográfico ao lado). Em fase de testes, o aparelho não visa restabelecer a marcha normal. O paraplégico ainda precisará de bengalas para se equilibrar. “O que nós podemos fazer”, explica Rabischong, “é revitalizar os músculos inativos, por meio de estímulos elétricos, para que o paciente possa caminhar da maneira mais elegante possível.” Para um paciente em cadeira de rodas, isso já será um milagre e tanto.

Levanta-te e anda!
Graças à eletrônica, os paraplégicos voltarão a caminhar.
O aparelho para reanimar as pernas dos paraplégicos, inventado pela equipe do cientista francês Pierre Rabischong, prevê os movimentos de senta-levanta, subir degraus e a marcha em diversas velocidades. Veja como ele funciona.

1. O paciente controla os movimentos das pernas por meio de botões no suporte da bengala. Esses botões ativam um transmissor de rádio.

2. Um aparelho eletrônico de 4 cm de diâmetro, implantado debaixo da pele, à altura da barriga, capta os sinais enviados pelo transmissor. Dentro dele existe um microcomputador que traduz os sinais em impulsos elétricos.

3. Esses impulsos chegam aos nervos por meio de eletrodos acoplados aos músculos e às fibras nervosas. Estimulados, os músculos voltam a funcionar.

Sangue à vontade, sem riscos

Ele é incolor e absolutamente fluido. Olhando, parece água. Mas é sangue. Ou melhor, um substituto químico do sangue chamado Oxygent. Os laboratórios da empresa americana Alliance Pharmaceutical, em San Diego, Califórnia, conseguiram produzir aquilo com que sonham, há décadas, os cirurgiões do mundo inteiro: um líquido inofensivo e durável, capaz de captar o oxigênio nos pulmões e distribuí-lo por todos os órgãos do corpo, através dos vasos capilares. Igualzinho ao sangue de verdade. Sem depender da boa vontade dos doadores. Sem risco de infecção.

“Esse produto pode substituir perfeitamente o sangue nas transfusões e nas hemorragias”, garante o biólogo Peter Keipert, chefe da equipe de pesquisa. O Oxygent é o membro caçula da família dos perfluorocarbonos, substâncias artificiais compostas por cadeias de átomos de carbono e de flúor. Inertes quimicamente, os perfluorocarbonos são um veículo excelente para o transporte de gases. Daí a sua utilidade para a produção do sangue artificial. Os ingredientes são três: perfluobromo (um perfluorocarbono que pode ser facilmente eliminado em forma gasosa, pelos pulmões), fosfolipídios (substância tensoativa que potencializa o efeito da mistura) e água (veja infográfico abaixo).

O Oxygent, que entrará no mercado até o ano 2000, chega mesmo a ter algumas vantagens em relação ao sangue de verdade. O produto se conserva mais de quatro meses à temperatura de 5 graus, contra os quarenta dias do plasma usado hoje nas transfusões. Mas não é um substituto definitivo do sangue, já que se limita a repor uma de suas funções, o transporte do oxigênio. Seu uso é recomendado por períodos limitados, durante o tempo de que o organismo necessita para reconstituir o sangue natural.

Flúor nas artérias
Conheça o sangue artificial que chegará ao mercado até o ano 2000.
1. O produto é uma emulsão composta por perfluobromo (uma mistura de flúor, carbono e bromo), água e fosfolipídios.

2. A mistura aparece na forma de microgotas cuja função é levar o oxigênio do pulmão aos vasos capilares.

3. A emulsão com as microgotas entra na circulação sanguínea por meio de um cateter, na forma de soro.

4. Mistura-se com os glóbulos vermelhos, compensando a falta da hemoglobina nas hemorragias e nas transfusões.

Respire fundo
Esqueça essa chatice de injeção. Ela fura, dói e ainda traz riscos de contaminação, quando aplicada sem os devidos cuidados. Agulhada é coisa do passado. A novidade são os remédios que podem ser inalados. “Esse é o futuro”, disse W. Leigh Thompson, consultor que se aposentou recentemente no Laboratório Eli Lilly. Já estão em fase de testes, em diversos laboratórios nos Estados Unidos, as fórmulas gasosas da insulina, da morfina e medicamentos para a osteoporose, uma doença nos ossos.

Um lance de pele
Já existem alguns tipos de pele artificial em uso atualmente e vários outros em fase de pesquisas. Eles se destinam, quase sempre, a vítimas de queimaduras. Veja como se consegue, a partir de um pedaço de pele sadia, reconstruir o tecido usando como molde uma camada de colágeno.

7 dias

A pele está se regenerando. Após uma semana, os vasos sangüíneos começam a se espalhar pelo molde de colágeno.

Remoção da membrana de silicone

Em duas semanas, os vasos sanguíneos estão plenamente formados. A membrana que protegia o colágeno já pode ser retirada.

Pedaços de pele em formação

A pele da vítima começa a renascer na superfície do colágeno, na forma de uma trama ainda irregular, como uma colcha de retalhos.

Pele regenerada.

A pele, depois que nasce, torna-se permanente.

fluor nas artterias

13.413 – Medicina – Maconha pode deixar espermatozoides preguiçosos


infertilidade-masculina-espermatozoide
De acordo com estudo recente da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, a maconha pode influenciar negativamente não só na contagem de esperma, como também na função espermática das células reprodutivas masculinas.
Aparentemente, a droga faz com que eles nadem em círculos – ao invés de atingirem seu principal objetivo.
O mesmo efeito relaxante que a maconha tem sobre o corpo também teria nos espermatozoides. De acordo com Victor Chow, professor clínico da universidade, o consumo da erva afeta sua mobilidade espermática. Uma das razões pelas quais há um efeito tão imediato na fertilidade masculina, Chow explicou, é porque “o esperma é uma célula que gira muito rapidamente”.
Isso significa que, enquanto as mulheres nascem com todos os ovos, os homens produzem novos espermatozoides todos os dias.
De acordo com ele, é improvável que o consumo ocasional da erva cause muito mal, mas alertou que “definitivamente afetará a qualidade do esperma”.
Pesquisas anteriores já mostraram que o uso regular da erva pode reduzir a contagens de espermatozoides em até um terço.
Mas os problemas de fertilidade não são o único perigo de fumar maconha. A droga pode aumentar a frequência cardíaca e afetar a pressão arterial. Também foi revelado recentemente que a maconha pode afetar a forma como os joelhos, os cotovelos e os ombros de um fumante se movem quando estão caminhando.
Novos estudos são necessários para obter mais detalhes sobre o efeito da erva na fertilidade.

13.400 – Pela primeira vez terapia gênica é aprovada nos EUA; leucemia é o alvo


Terapia_genetica
A FDA, agência americana responsável por regular o mercado farmacêutico, anunciou a aprovação do primeiro tratamento que envolve terapia gênica do país, capaz de curar alguns casos de leucemia difíceis de tratar.
Ela envolve uma espécie de recauchutagem –fora do organismo– de células sanguíneas do sistema de defesa. Após a injeção das células turbinadas, o impacto na doença é notório.
A terapia com células CAR T (com receptor antigênico quimérico) tem obtido taxas de cura que chegam a 83% em um estudos clínicos com pacientes com leucemia linfoide aguda (LLA). A terapia está aprovada nos EUA para pacientes com LLA de até 25 anos e que tenham tentado, sem sucesso, outras formas de tratamento.

Para a recauchutagem, é necessária uma etapa chamada leucoferese, que remove do organismo as células brancas de defesa do sangue. O potencial impacto disso no organismo é severo: infecções “bobas”, como uma virose, podem matar.

Fora do organismo, essas células são tratadas e são transformadas, isto é, recebem um DNA exógeno. Elas são multiplicadas e passam a apresentar, em sua membrana, uma proteína quimérica, projetada para se ligar a um antígeno, no caso a molécula CD19, proteína geralmente presente nas células cancerosas.
Mirando no CD19, a terapia com células T recauchutadas, conseguem se ligar às células-alvo e descarregar todo seu arsenal antitumoral, tratando a doença.

PROBLEMAS
Fora o preço, outro problema da terapia com as células CAR T é que pode surgir uma resposta inflamatória exagerada que acompanha a ação antitumoral. Essa reação pode matar, se não for controlada adequadamente.
Além de desembolsar centenas de milhares de dólares pelo tratamento, o paciente (ou seu plano de saúde) tem de estar disposto a pagar pelos custos de viagem, estadia no hospital e drogas para minimizar os efeitos colaterais da Kymriah –nome da modalidade de tratamento, também conhecida como tisagenlecleucel (nome genérico).
Se comparado a um transplante de medula, pondera Phillip Scheiberg, coordenador de hematologia da Beneficência Portuguesa, no entanto, não há tanta discrepância no custo, levando em conta o mercado de saúde americano.

linfocitos

13.390 – Engenharia Genética – Google quer liberar 20 milhões de mosquitos nos EUA


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A empresa Verily, que pertence ao Google (e até 2015 se chamava Google Life Sciences) pretende soltar 20 milhões de mosquitos em Fresno, cidade de 500 mil habitantes no sul da Califórnia – e, com isso, interromper a disseminação dos vírus da dengue, zika e chikungunya no local. A Califórnia começou a sofrer com esse problema em 2013, quando foram detectados os primeiros mosquitos Aedes aegypti por lá.

Os mosquitos que serão soltos foram criados em laboratório pela Verily, e também são da espécie A. aegypti, mas com uma diferença crucial: eles foram propositalmente infectados com uma bactéria, a Wolbachia pipientis, que os torna estéreis. A ideia é que eles acasalem com as fêmeas de A. aegypti na natureza. Além de não gerar descendentes (já que os mosquitos são inférteis), isso também impediria que os Aedes machos saudáveis se reproduzam – já que as fêmeas estarão ocupadas com os outros mosquitos. Com o tempo, isso levaria à extinção da espécie.
No Brasil, há um projeto similar. Ele é capitaneado pela empresa inglesa Oxitec, que desde 2014 produz mosquitos transgênicos estéreis em Campinas, no interior de São Paulo, e já os utilizou em testes pelo país.

13.383 – Comportamento (anti) Social – Pessoas neuróticas vivem por mais tempo (?)


neurose
Um novo estudo da Universidade de Southampton concluiu que pessoas neuróticas vivem consideravelmente mais. Mas o que quer dizer ser é neurótico? Não pense em Woody Allen ou em Freud. Não estamos falando de doença, e sim de personalidade.
Hoje, os testes psicológicos mais respeitados descrevem a personalidade com cinco traços, chamados de Big Five: extroversão, neuroticismo, consciência, afabilidade e abertura a novas experiências. As pessoas têm diferentes graus de cada um desses traços. Quem tem um alto grau de neuroticismo, nesse caso, são pessoas que gastam um baita tempo se preocupando, são pessimistas e se irritam facilmente (como o Lula Molusco).

O que o novo estudo concluiu é que esse tipo de personalidade pode trazer benefícios, como uma vida mais longa. Os pesquisadores analisaram dados de saúde de 500 mil habitantes do Reino Unido, com 37 a 73 anos. Para cada participante, foram levados em conta os resultados do teste de personalidade, sua dieta, seus hábitos de exercício e se eles fumavam ou bebiam. Além disso, cada voluntário fez uma autoavaliação do que achava da sua própria saúde.

E aí é que fica interessante: os neuróticos tendiam a fazer autoavaliações bem piores do que a média das pessoas. Elas sentiam que a saúde delas estavam pior. Mas, olhando os dados objetivos, os pesquisadores notaram que essas mesmas pessoas vivam mais e tinham chances menores de sofrer uma morte prematura do que a população em geral.
Para entender esses dados conflitantes, os pesquisadores criaram algumas hipóteses. Será que eles, por se sentirem mal com a própria saúde, tinham hábitos mais saudáveis?

Os dados diziam o contrário: pessoas com um grau maior de neuroticismo se exercitavam menos, comiam menos frutas e vegetais e tinham mais chances de beber e fumar quase todos os dias. Então como é que elas estavam vivendo mais?
Os autores voltaram, então, ao primeiro resultado do estudo: neuróticos vivem mais, mas sentem que têm uma saúde pior. Se pessoas com personalidade neurótica se sentem doentes o tempo todo, elas provavelmente vão mais ao médico.
Faltam dados que comprovem essa hipótese, mas, segundo os pesquisadores, essa foi a melhor interpretação possível para os dados que encontraram: o pessimismo e a preocupação dos neuróticos os torna mais vigilantes com a própria saúde. Se, por causa disso, eles frequentam o médico com mais frequência, têm maiores chances de diagnosticar doenças graves precocemente. E aí as chances de tratamento e recuperação são maiores. Vida longa – literalmente – ao neuroticismo.

13.375 – Filosofia – Fique por Dentro com o ☻ Mega


hipocrates
Hipócrates (460-377 aC) é até hoje conhecido como o pai da Medicina. É provavelmente o primeiro ocidental a escrever tratados exclusivamente sobre doenças, suas causas e possíveis tratamentos.
Viveu no mesmo período que surgiu a Filosofia clássica. Naquela época, a Filosofia possibilitou aos médicos reflexões no que diz respeito a busca racional das causas dos fenômenos. Ele defendia que uma doença não seria o resultado de interferência divina, que suas causas poderiam ser conhecidas, explicadas, e o mal ser tratado. Sua contribuição para a Medicina é reconhecida e todo médico, ao preparar-se para exercer sua profissão, deve fazer o “juramento de Hipócrates”, que pode ser visto na íntegra no site do Conselho Regional de Medicina.

13.369 – CIENTISTAS EXPLICAM A EXPERIÊNCIA EMOCIONAL DE MORRER


snt morte
O temor à morte é uma experiência comum a todos os seres humanos – ela está associada à dor, à incerteza e ao medo. Porém uma pesquisa feita por cientistas psicólogos da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos EUA, revela que as emoções sentidas antes de morrer costumam ser felizes e positivas.
Os pesquisadores analisaram os escritos de vários doentes terminais e entrevistaram pacientes internados em unidades de cuidados paliativos e presos no corredor da morte. Surpreendentemente, na maioria dos casos, as sensações relatadas pelos entrevistados foram agradáveis.
O estudo demonstrou que as pessoas que, de fato, enfrentam uma morte iminente estão muito mais propensas a descrever a experiência com palavras doces e otimistas do que aqueles que imaginam a proximidade da morte sem sofrer nenhum risco.
Embora os resultados não sejam conclusivos, a pesquisa pode jogar um pouco de luz sobre a experiência misteriosa da morte.

13.361 – O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo


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A construção do Hospital das Clínicas foi planejada desde 1915, com a assinatura de um convênio entre o Governo do Estado de São Paulo e a Fundação Rockfeller, para a edificação da sede da Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Fazia parte deste acordo a construção de um hospital-escola para o aprimoramento dos estudantes e assistência médica gratuita à população carente da capital e do interior.
Em 25 de janeiro de 1928 foi lançada a pedra fundamental do edifício da Faculdade de Medicina, sendo esta inaugurada em 15 de março de 1931, à Estrada do Araçá, hoje Avenida Dr. Arnaldo.
Somente em 1938, na Interventoria Federal do Dr. Adhemar Pereira de Barros foi iniciada a construção do Hospital das Clínicas.
O HCFMUSP foi criado pelo Decreto nº 13.192, de 19 de janeiro de 1943 e desde a sua inauguração oficial, em 19 de abril de 1944, vem avançando e consolidando-se como centro de excelência e referência no campo de ensino, pesquisa e assistência.

Endereço:
Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 255
Cerqueira César
05403-000
São Paulo – Brasil
Tel.: (0xx11) 2661-0000

Metrô Estação Clínicas – Linha Verde

hc agora

Inaugurado em 19 de abril de 1944, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – HCFMUSP é uma autarquia estadual vinculada à Secretaria de Estado da Saúde para fins de coordenação administrativa e associada à Faculdade de Medicina da USP para fins de ensino, pesquisa e prestação de ações e serviços de saúde de alta complexidade destinados à comunidade.

Instituto Central
Inaugurado em abril de 1944, o Instituto Central do Hospital das Clínicas (ICHC) deu origem ao HCFMUSP. Pioneiro em procedimentos médico-hospitalares, sua estrutura concentra a maior parte das especialidades do Complexo HC – 31 especialidades médicas e cirúrgicas – e conta com dois edifícios interligados: o precursor Edifício Central, com a Unidade de Emergência Referenciada; e o Prédio dos Ambulatórios (PAMB), inaugurado em 1981.

IC

Instituto de Psiquiatria
Concebido nos moldes internacionais das organizações hospitalares psiquiátricas, desde o seu início foi visto como um marco na psiquiatria paulista e brasileira, quando comparado às outras instituições destinadas ao mesmo atendimento.
Pioneiro na assistência, abrange todos os transtornos psiquiátricos, nas diferentes fases da vida, sendo a única unidade de internação no País especializada em crianças. Seu pioneirismo também se expressa na formação especializada de profissionais, nas diversas áreas de conhecimento das ciências da saúde. O atendimento não se concentra nas instalações hospitalares, pois, após a alta, o paciente pode seguir o tratamento em hospital-dia e nos inúmeros ambulatórios especializados, além de participar dos programas de treinamento e reinserção no trabalho, que facilitam a sua reintegração social.

Instituto da Criança
Inaugurado em agosto de 1976, o Instituto da Criança (ICr), referência nacional em saúde infantil, reúne 20 especialidades pediátricas, provendo atendimento de alta complexidade ao recém-nascido, à criança e ao adolescente. Considerando como prioridade o atendimento global, integra a visão biológica, psicológica e social do paciente, o que se revela no pioneirismo em projetos de Humanização desde a sua concepção (década de 70), propiciando a permanência dos pais e/ou responsáveis, em tempo integral, durante a internação, antes mesmo da edição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Instituto do Coração
O InCor é hoje um dos maiores centros cardiológicos do mundo em volume de atendimento e em número de subespecialidades da cardiologia e da pneumologia.
Por meio da ação integrada das equipes multiprofissionais e da adoção dos mais modernos recursos de procedimentos diagnósticos e terapêuticos, o Instituto oferece assistência ambulatorial e de internação, além de uma Unidade de Emergência Referenciada, que conta com o sistema de classificação de risco cardiológico, seguindo protocolos internacionais para priorizar os casos de maior gravidade.

Instituto de Ortopedia e Traumatologia
O IOT presta atendimento especializado a pacientes com afecções ortopédicas e traumatológicas, sendo centro de referência para lesões raquimedulares, reimplantes de membros, reconstruções com endopróteses ou com banco de tecidos nas grandes ressecções de tumores.

Instituto de Radiologia
O Instituto é reconhecido, nacional e internacionalmente, como centro de excelência em métodos e procedimentos diagnósticos e terapêuticos por imagem, em radiologia intervencionista e em medicina nuclear.
Constituído de dois edifícios, o principal concentra os recursos ambulatoriais de radiologia convencional e intervencionista e de radioterapia e o prédio anexo abriga o Centro de Medicina Nuclear (CMN), pioneiro, na história da medicina nuclear sulamericana, no desenvolvimento de radiofármacos, produzidos por Cíclotron, para o tratamento e pesquisa em oncologia e neurologia.

Instituto de Medicina Física e de Reabilitação
Reconhecida, desde sua concepção, em 1975, como referência no atendimento a pessoas com deficiência, a Divisão de Reabilitação Profissional Vergueiro (DRPV) do Hospital das Clínicas da FMUSP tornou-se a Divisão de Medicina de Reabilitação (DMR) em 1994 e, em 2009, o Instituto de Medicina Física e Reabilitação (IMRea).
A partir da ação integrada entre as equipes médicas e multiprofissionais e da adoção dos mais modernos recursos tecnológicos, o IMRea atende pessoas com deficiência física, transitória ou definitiva, necessitadas de receber atendimento de reabilitação, desenvolvendo seu potencial físico, psicológico, social e educacional, visando a reabilitação integral e a inclusão social.

Instituto do Câncer do Estado de São Paulo
Inaugurado em maio de 2008, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) foi concebido para ser o maior hospital público especializado em tratamento de câncer da América Latina, abrangendo todas as fases do atendimento aos pacientes, do diagnóstico à reabilitação, integradas no mesmo local.
O edifício principal, com 28 andares, realiza todas as atividades assistenciais, desde o centro de atendimento de intercorrências oncológicas, ambulatórios, hospital-dia, quimioterapia e radioterapia, bem como unidades de internação, terapia intensiva e centro cirúrgico. Em agosto de 2014, foi inaugurada uma nova unidade no município de Osasco, na grande São Paulo, com consultas ambulatoriais, hospital-dia, quimioterapia e radioterapia.

Hospital Auxiliar de Cotoxó
Inaugurado em 1971, no bairro da Pompéia, no município de São Paulo, o HAC foi concebido para ser retaguarda dos Institutos do HC, prestando assistência médico-hospitalar especializada a pacientes em cuidados intermediários, por meio de uma equipe multiprofissional integrada.
Atualmente, o hospital encontra-se em obras para ampliação da sua capacidade instalada, agregando à assistência prestada, modernos recursos de procedimentos diagnósticos e terapêuticos, além de novos espaços dedicados para o ensino e pesquisa na área da saúde.

Centro de Convenções Rebouças
Um dos mais tradicionais espaços de eventos da capital paulista, fundado em 1982, o Centro de Convenções Rebouças (CCR) apresentou nos últimos anos expressivo crescimento em número de clientes, de eventos e em faturamento. O CCR também aumentou o seu espaço físico após ampla reforma, resultando no novo prédio, com mais de 10 mil m² de área construída.
O projeto, com 2,4 mil m2 exclusivos para eventos nacionais e internacionais, buscou oferecer versatilidade e melhor aproveitamento dos espaços, podendo receber qualquer tipo de evento, de um congresso a um evento social, podendo comportar até 2,3 mil pessoas.

13.352 – Neurociência – Mitos sobre o cérebro


neurociencia
Os mitos sobre o cérebro estão tão intrincados na nossa mente e no senso comum que, até para quem passa anos estudando neurociência, pode ser difícil desmarcará-los. Afinal, mitos tendem a ser empolgantes: quantas séries e filmes são baseados na premissa de que só usamos 10% do nosso cérebro?
Para entender o quanto os mitos sobre o cérebro estão espalhados na população, um grupo de pesquisadores da Universidade de Houston recrutou participantes no site Testmybrain.org, que hospeda uma série de testes divertidos que também ajudam em pesquisas científicas oficiais. A enquete que eles publicaram foi respondida por mais de 3,8 mil pessoas. Delas, 598 eram professores e 234 neurocientistas treinados.
A enquete incluía 32 frases sobre o cérebro. Quatorze delas eram verdadeiras, enquanto outras 18 eram mitos, inclusive o famoso “Só usamos 10% do cérebro”.
É claro que a maioria dos especialistas e professores acreditam menos nas informações falsas do que o público em geral. Mesmo assim, cinco deles eram defendidos por uma porcentagem surpreendente de neurocientistas.
Você já deve ter ouvido falar que algumas pessoas são mais visuais, outras mais auditivas.
E que, portanto, elas aprendem mais e melhor quando são ensinadas de acordo com seu estilo de aprendizado. Ainda que a preocupação dos professores com as características individuais de cada aluno seja benéfica, estudos científicos mostram que estilos de aprendizado não fazem essa diferença toda. Uma das pesquisas mais relevantes sobre o tema chegou à conclusão de que não, crianças não aprendem melhor quando o professor adapta seu estilo ao delas, pelo menos na sala de aula. Os cientistas indicam que, na verdade, o estilo depende mais do tema que está sendo ensinado do que da preferência do aluno (ou seja, mesmo alunos mais auditivos aprendem melhor geometria com aulas focadas em recursos visuais).

Público em geral: 93% acredita neste mito
Professores: 76% acredita neste mito
Neurocientistas: 78% acredita neste mito

Inverter letras é sinal de dislexia?
Confundir a ordem das letras ou ler d ao invés de b são propagandeados como os grandes “sintomas” da dislexia. Mas isso simplesmente não é verdade. Disléxicos tem dificuldades em processar linguagem escrita. Isso significa, sim, que eles cometem mais erros lendo em voz alta e identificando palavras. Eventualmente, vão inverter letras, mas isso é só uma mínuscula parte de todos os erros de português que eles cometem.
Sabe quem inverte muito as letras? Crianças com menos de 6 anos. Mas, até aí, elas também cometem milhares de outros erros. Isso não quer dizer que elas “enxergam” as letras invertidas. Só que ainda têm dificuldades de processar a escrita – assim pessoas como dislexia. Ninguém sabe exatamente qual é a raiz dessa dificuldade, mas não tem nada a ver com enxergar espelhado. A causa mais provável é a dificuldade de processar fonemas, as pequenas unidades que formam as palavras e seus sons, quando estão escritos. Se elas confundem letras, nesse caso, é porque não estão certas de que “som” um fonema escrito deveria produzir.

Público em geral: 76% acredita neste mito
Professores: 59% acredita neste mito
Neurocientistas: 50% acredita neste mito

Ouvir música clássica aumenta capacidade cerebral em crianças?
Conhecido como Efeito Mozart, é a ideia de que um bebê exposto às obras dos gênios da música clássica teriam seu desenvolvimento cognitivo turbinado. Mas, como já explicamos aqui isso é balela. O estudo que investigou isso não conseguiu explicar os resultados e novas tentativas de reproduzí-lo deram errado. Ou seja: desencane do CD de Mozart, a menos que seu bebê pareça gostar… Todo mundo merece se divertir, afinal.

Público em geral: 59% acredita neste mito
Professores: 55% acredita neste mito
Neurocientistas: 43% acredita neste mito

Crianças ficam agitadas depois de consumir muito açúcar?
Sugar high: a ideia de que exagerar na sobremesa vai deixar seu filho doidão, agitado, incontrolável. Para testar essa ideia, um estudo reuniu mães que diziam que os filhos de 5 a 7 anos eram “sensíveis” ao açúcar. Para metade do grupo, deram doce. Para outra metade, deram um placebo – mas não contaram para a mãe. As crianças não tiveram comportamentos diferentes, mas as mães do grupo placebo tinham mais chance de brigar com os filhos por qualquer coisa e classificá-los como “hiperativos” depois do lanche. Então porque as crianças ficam agitadíssimas depois de um bolo de aniversário ou do Halloween? Porque elas gostam de festa, apenas.

Público em geral: 59% acredita neste mito
Professores: 50% acredita neste mito
Neurocientistas: 39% acredita neste mito

O lado dominante do cérebro afeta sua personalidade?
Seu cérebro é destro ou canhoto? Os hemisférios cerebrais já foram usados para justificar porque algumas pessoas são mais criativas e outras mais racionais (e também para comercializar a ideia de que dá para aprender a usar mais o seu lado do cérebro mais “atrofiado”). Não é bem por aí: na maior parte das suas atividades, seja para um lado mais criativo ou mais racional, seu cérebro coordena áreas e funções de ambos os lados do cérebro. Essa coordenação é misteriosa, mas ajuda a explicar porque nosso cérebro é uma máquina tão produtiva e poderosa.

Público em geral: 64% acredita neste mito
Professores: 49% acredita neste mito
Neurocientistas: 32% acredita neste mito

Mais ou menos nessa linha vai a ideia de que usamos só parte do cérebro quando, na realidade, estamos coordenando e acionando diferentes áreas do cérebro o tempo inteiro. Não há parte dele que fique intocado durante a árdua rotina de ser um ser pensante. E, falando em ser pensante, felizmente 86% dos neurocientistas não acreditam nesse último mito. Mas os demais 14% certamente precisam usar melhor o próprio cérebro…

13.349 – Oftalmologia – Ler no escuro prejudica a visão?


ler-a-noite
“Leitura em ambientes mal iluminados pode provocar um cansaço temporário dos olhos, mas isso passa assim que a iluminação adequada é restabelecida”, diz o americano Aaron Carroll, professor de pediatria do Instituto Regenstrief, em Indianápolis, nos EUA. De acordo com Carroll, o número de pessoas com problemas de visão não era maior no passado, quando nem existia luz elétrica. “Se ler com a iluminação proporcionada por velas, tochas ou lampiões realmente provocasse danos irreversíveis, todo mundo seria praticamente cego naquela época.”
Com pouca luminosidade, nossas pupilas se dilatam para aumentar a entrada de luz, reduzindo a profundidade de foco. Por isso, quem lê no escuro faz mais esforço com os olhos. O resultado, muitas vezes, é fadiga ocular e dor de cabeça. Mas nada disso tem relação com o eventual aparecimento de ametropias (miopia, hipermetropia, astigmatismo) ou com o aumento do grau de suas lentes corretivas. Para uma leitura mais confortável em ambientes escuros, use uma fonte de luz direcional. Isso aumenta o contraste do material a ser lido e evita o cansaço dos olhos.

13.354 – Microbiologia – Superbactérias avançam no Brasil e levam autoridades de saúde a correr contra o tempo


bacteria resistente
Bactérias que não respondem a antibióticos vêm aumentando a taxas alarmantes no Brasil e já são responsáveis por ao menos 23 mil mortes anuais no país, afirmam especialistas.
Capazes de criar escudos contra os medicamentos mais potentes, esses organismos infectam pacientes geralmente debilitados em camas de hospitais e se espalham rapidamente pela falta de antibióticos capazes de contê-los. Por isso, as chamadas superbactérias são consideradas a próxima grande ameaça global em saúde pública pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

PERIGOSAS
Um exemplo é a Acinetobacter spp. A bactéria pode causar infecções de urina, da corrente sanguínea e pneumonia e foi incluída na lista da OMS como uma das 12 bactérias de maior risco à saúde humana pelo seu alto poder de resistência.
De acordo com a Anvisa, 77,4% das infecções da corrente sanguínea registradas em hospitais por essa bactéria em 2015 foram causadas por uma versão resistente a antibióticos poderosos, como os carbapenems.
Essa família de antibióticos é uma das últimas opções que restam aos médicos no caso de infecções graves.
utro exemplo é a Klebsiella pneumoniae. Naturalmente encontrada na flora intestinal humana, é considerada endêmica no Brasil e foi a principal causa de infecções sanguíneas em pacientes internados em unidades de terapia intensiva em 2015, segundo dados da Anvisa.
O mais preocupante é que ela tem se tornado mais forte com o passar do tempo. Nos últimos cinco anos, a sua taxa de resistência aos antibióticos carbapenêmicos (aqueles usados em pacientes já infectados por bactérias resistentes) praticamente quadruplicou no Estado de São Paulo –foi de 14% para 53%, segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica paulista.
A capacidade de bactérias de passar por mutações para vencer medicamentos desenvolvidos para matá-las é chamada de resistência antimicrobiana –ou resistência a antibióticos.
Essa extraordinária habilidade é algo natural: os remédios, ao atacar essas bactérias, exercem uma “pressão seletiva” sobre elas, que lutam para sobreviver. Aquelas que não são extintas nessa batalha são chamadas de resistentes. Elas, então, multiplicam-se aos milhares, passando o gene da resistência a sua prole.
Esse processo natural pode ser acelerado por alguns fatores, como o uso excessivo de antibióticos. Um agravante é o emprego desses medicamentos também na agricultura, na pecuária e em outras atividades de produção de proteína animal.
Muitos fazendeiros injetam regularmente medicamentos em animais saudáveis como um aditivo de performance. Isso acelera a seleção de bactérias no ambiente e em animais, que podem vir a contaminar humanos.
De acordo com especialistas, o número crescente de infecções –que poderiam ser barradas por mais higiene e saneamento básico– também é um problema, porque demanda maior uso de antibióticos, o que, por sua vez, seleciona mais bactérias resistentes, perpetuando um círculo vicioso.
Um estudo encomendado pelo governo britânico no ano passado estima que tais organismos irão causar mais de 10 milhões de mortes por ano após 2050. Atualmente, 700 mil pessoas morrem todos os anos vítimas de bactérias resistentes no mundo.
Os efeitos na economia também podem ser devastadores. Países como o Brasil estariam sob o risco de perder até 4,4% de seu PIB em 2050, segundo estimativas do Banco Mundial.

PECUÁRIA
Características específicas, como hospitais superlotados e alta atividade agropecuária com uso de antibióticos, fazem do Brasil um grande facilitador a bactérias resistentes.
O país é hoje o terceiro no mundo a mais utilizar antibióticos na produção de proteína animal, atrás apenas da China e dos Estados Unidos –e deve continuar nessa posição até pelo menos 2030, aponta um estudo coordenado por Thomas P. Van Boeckel, da Universidade de Princeton (EUA).
Consultado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento diz que atua para diminuir o uso desses produtos em animais. A pasta afirma que já é proibido utilizar antibióticos como as penicilinas e as cefalosporinas para melhorar o desempenho dos animais.
No ano passado, a colistina, um antibiótico considerado a última opção de tratamento a bactérias resistentes também teve seu uso proibido em animais saudáveis.
Na área hospitalar, a Anvisa monitora as infecções da corrente sanguínea em UTIs, associadas ao uso de instrumentos para aplicação de remédios, como o cateter. Somente em 2015, foram mais de 25 mil infecções desse tipo –a maioria causada por bactérias com altos índices de resistência.
Desde dezembro, o Ministério da Saúde vem elaborando, com diferentes ministérios e a Anvisa, um plano nacional de combate a bactérias resistentes, a pedido da OMS. Alguns dos objetivos do material são fortalecer o conhecimento científico sobre o tema e expandir a rede de saneamento básico no país para ajudar a prevenir infecções.
O governo diz que também pretende educar melhor profissionais e pacientes sobre a urgência do tema.
De acordo com o Ministério da Saúde, o plano estratégico está pronto, mas ainda é necessário definir como será a implementação e o monitoramento das ações.
A proposta brasileira está prevista para ser colocada em ação a partir de 2018, com expectativa de conclusão até 2022. Comparado com outras economias em desenvolvimento, o país está atrasado: a África do Sul começou a colocar seu plano em prática ainda em 2014, enquanto a China implementa o seu desde 2016. Já a Índia começou nesse ano.
O país é também um dos únicos Brics (sigla para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) que ainda não disponibilizou o documento publicamente no site da OMS, juntamente com a Rússia.
Consultada, a OMS disse que os países não são obrigados a compartilharem seus planos, mas que ela encoraja a prática “como uma forma de transparência e de boas práticas”.
Mas enquanto o governo trabalha numa estratégia, bactérias aprimoram sua capacidade de sobreviver aos remédios mais poderosos.
Em outubro, a Anvisa emitiu um alerta sobre a detecção no Brasil de cepas da E. coli, resistentes a uma família de antibióticos chamada polimixinas. que se tornaram a última escolha de médicos frente a bactérias resistentes.
O mais preocupante é que essas cepas da E.coli têm a capacidade de trocar material genético com outras espécies de bactérias e transferir o gene da resistência às polimixinas a outros organismos –não apenas a sua prole.
O novo mecanismo de resistência exemplifica o quanto o assunto é urgente, diz Sampaio, da USP, para quem “a cada dia há uma surpresa” no universo desses organismos.

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13.349 – Medicina – Aparelho quase igual ao pâncreas chega ao país


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O número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 61,8% nos últimos 10 anos, de acordo com dados recentes do Ministério da Saúde. Significa que 8,9% da população sofre da doença — eram 5,5% em 2006. Ao todo, estima-se que há mais de 14 milhões de homens e mulheres vivendo com diabetes e, a cada ano, surgem 60 mil novos casos no país.
Assegurar que os níveis de glicose no sangue estejam sempre adequados é um desafio para a maioria desses pacientes. A hipoglicemia (queda drástica destas taxas de açúcar no sangue), por exemplo, pode levar à perda de consciência, convulsões e, em casos mais graves, ao óbito. A boa notícia é que agora eles poderão contar com uma novidade: a primeira bomba de infusão de insulina (equipamento computadorizado e portátil), com liberação contínua do hormônio em pacientes diabéticos que, pela primeira vez, é capaz de suspender o hormônio antes do episódio de hipoglicemia– evitando, assim, até 75% destes casos.
De tamanho de um celular, o aparelho é o primeiro no país a, automaticamente, suspender a infusão de insulina quando prevê uma crise de hipoglicemia e a reiniciar a administração do hormônio quando a taxa de glicose volta a atingir um nível seguro. “Sem dúvida é um passo à frente para um dia chegarmos no caminho do pâncreas artificial”, observa Freddy Eliaschewitz, endocrinologista.
Já existem bombas de insulina no Brasil. Essa, no entanto, é a primeira de circuito fechado, ou seja: o glicosímetro (que mede o nível de glicose, ou açúcar no sangue) e a bomba de insulina (que libera a insulina na corrente sanguínea) estão no mesmo sistema e se “comunicam”. O glicosímetro avisa a bomba de insulina o quanto de insulina o corpo está precisando, ou se é necessário interromper a entrega da mesma, evitando o episódio de hipoglicemia (queda de açúcar no sangue), que pode causar desmaios, coma e até levar a óbito.

Dispositivo:
Fabricado pela irlandesa Medtronic, a bomba MiniMed 640G libera insulina através de um pequeno tubo e uma cânula (conhecidos como conjunto de infusão), colocada sob a pele do paciente. Com uma espécie de dispositivo inovador, o sistema imita a forma como um pâncreas saudável fornece insulina ao corpo.
Com base nos valores de glicose enviados pelo sensor a cada cinco minutos,durant 24 horas por dia, a tecnologia SmartGuard do sistema MiniMed640 consegue prever, com 30 minutos de antecedência, quando o nível de glicose do paciente estará próximo do limite mínimo e, assim, interrompe automaticamente a administração de insulina.
Totalmente personalizável, o novo dispositivo possibilita ao paciente configurar múltiplos limites ao longo do dia, de acordo com suas necessidades individuais, proporcionando conforto e mais proteção contra a hipoglicemia. Quando o nível de glicose no sangue diminui ou aumenta fora dos parâmetros, um alarme de advertência é ativado.
Pessoas de todas as idades com diabetes de tipo 1 ou tipo 2 podem usar a bomba de infusão de insulina. No entanto, um médico deve aconselhar sobre o melhor tratamento para cada paciente.
O Brasil é o terceiro país da América Latina, além do México e Colômbia, a disponibilizar a tecnologia.