7216 – Geo-Política – O Contraste das Fronteiras


ESTADOS UNIDOS / MÉXICO

De um lado, Tijuana é caótica, cinzenta, densamente povoada, com uma proliferação de casas feitas de pneus e materiais reciclados. Sua expansão só é impedida por uma cerca. Isso porque do outro lado está San Diego, Califórnia. O cenário é opressor. O cercado é feito de chapas de metal usadas em pistas de pouso nas guerras do Vietnã e do Golfo. A imagem não deixa dúvida. Enquanto o centro de Tijuana avança rumo à fronteira e ao dinheiro americano, o de San Diego se afasta da pobreza mexicana. “Atravessar a fronteira pode levar até cinco horas. A segurança para entrar no lado americano é muito mais rígida, especialmente por causa do tráfico de drogas”, disse um americano que já fez a travessia mais de dez vezes – em alguns casos, só para comer em um restaurante mexicano. Segundo ele, a volta é tumultuada também porque policiais de Tijuana costumam exigir propina para seguir viagem. “São geralmente US$ 20, mas eles não deixam você sequer entrar na fila para cruzar a fronteira caso não pague”. E, se o trajeto México-EUA é bagunçado, o oposto é tranquilo: leva só dez minutos em média.

COREIA DO SUL / COREIA DO NORTE – PARALELO 38 N
Ao final da Guerra da Coréia, em 1953, os dois lados determinaram um cessar-fogo e estabeleceram uma zona de segurança na fronteira, no paralelo 38 graus ao norte do Equador. Sob a supervisão da ONU, a área é conhecida como “zona desmilitarizada” e acabou virando, sem querer, um dos maiores pontos turísticos da Coreia do Sul. Ninguém pode passar para o norte. E nem iria querer: placas avisam sobre as inúmeras minas terrestres que cercam as estradas. O fotógrafo brasileiro Ricardo Azoury esteve na fronteira. “Não é um turismo fácil. Você precisa se justificar o tempo todo. No meu caso, tive uma escolta”, diz. Estas casas são postos de fronteira e têm uma porta em cada lado para que soldados entrem sem invadir o país vizinho.

HOLANDA / BÉLGICA
Baarle tem limites complicados. Parte dela é da Holanda e se chama Baarle-Nassau, enquanto a outra pertence à Bélgica e é Baarle-Hertog. Cada uma tem sua prefeitura, policiais etc. Mas a divisa não é marcada por uma linha contínua: é toda feita de estilhaços. Há vários pedaços de Baarle-Nassau dentro de Baarle-Hertog e vice-versa. Os únicos indicadores do país em que você se encontra são marcações na rua e minúsculas bandeiras nacionais na porta das casas. A origem está no século 12, quando dois senhores feudais não chegaram a um consenso para dividir a área de maneira simples. Hoje, as fronteiras não têm importância política, mas são defendidas pelos habitantes: eles dizem que, se não fosse isso, a(s) cidade(s) seria(m) um lugar qualquer.

HAITI / REPÚBLICA DOMINICANA
A fronteira das duas nações que dividem a ilha de Hispaniola, no Caribe, tem contrastes extremos. “Em muitos lugares nessa área, podemos olhar para o leste [o lado dominicano] e ver florestas de pinheiros e, ao virar para o outro lado [o haitiano], vemos apenas campos quase desprovidos de árvores”, descreve o geógrafo Jared Diamond no livro Colapso. Originalmente, a ilha como um todo era conhecida pela exuberância de suas florestas. Hoje, 28% da cobertura vegetal está preservada na República Dominicana, contra apenas 1% no Haiti – e as poucas reservas haitianas estão ameaçadas por camponeses que derrubam árvores para fazer carvão vegetal. A razão é histórica. Apesar de ser hoje um dos países mais pobres do mundo, o Haiti desenvolveu uma pujante economia agrícola no século 18, chegando a ser a colônia mais rica da França. “Nessa época, o império francês decidiu investir em plantações intensivas baseadas em trabalho escravo, enquanto a Espanha não desenvolveu o seu lado da ilha [a República Dominicana]”, explica Diamond. Além disso, todos os navios que traziam escravos voltavam para a Europa com cargas de madeira. Isso contribuiu para o desmatamento mais rápido e a perda de fertilidade do solo – o que dá para ver do céu.

BRASIL / FRANÇA – PARIS, AMAPÁ
Sim, o Brasil faz fronteira com a França – e é a maior que eles têm, com quase 700 quilômetros, na Guiana Francesa, um departamento ultramarino da França que faz divisa com o Amapá. Lá, a moeda corrente é o euro, o que há anos atrai amapaenses em busca de trabalho. Tanto que há muitos brasileiros francófonos na fronteira. Mesmo assim, a única ponte que liga o Brasil à Guiana Francesa, sobre o rio Oiapoque, ainda não foi inaugurada. Ela está pronta desde 2011.

ISRAEL / EGITO / PALESTINA
Desde a criação de Israel, em 1948, a terra do país ficou de cara nova, com áreas irrigadas e cultiváveis, afastando-se da secura do país vizinho, o Egito. Hoje, Israel tem áreas maiores de agricultura comercial irrigada. Enquanto isso, o solo egípcio tem uma cor bem mais clara por causa da destruição de crostas biológicas que o recobrem – o que pode ter sido provocado pelo pisoteamento da terra por homens e animais, com o pastoreio excessivo. Já a Faixa de Gaza, território palestino situado em uma estreita faixa costeira ao longo do mar Mediterrâneo, se destaca por outra característica: a enorme concentração de pessoas, a maioria refugiados, em um pequeno espaço. São 4 mil habitantes por quilômetro quadrado, dez vezes mais que Israel – e a densidade demográfica do Egito é menor ainda: apenas 74 pessoas por quilômetro quadrado. Com todo esse povo, apenas 13% da Faixa de Gaza tem terras cultiváveis. Até do ponto de vista da Nasa, os contrastes na região são gritantes.

ÍNDIA / BANGLADESH
São mais de 200 enclaves (um território dentro dos limites de outro) e exclaves (território pertencente a outro, mas que não está fisicamente junto). Para se ter uma ideia, há um pedaço da Índia dentro de um pedaço de Bangladesh que, por sua vez, está dentro da Índia. E por aí vai. Mas não basta a complexidade das fronteiras, a disparidade também choca: o lado bengalês é devastado, enquanto o indiano tem florestas subtropicais. “De uma forma geral, a fronteira de Bangladesh é um reflexo do país como um todo”, afirma Moisés Lopes de Souza, especialista em Ásia do Núcleo de Pesquisas em Relações Internacionais da USP. “Ele sofre com a superpopulação, e quase metade de seus 150 milhões de habitantes sobrevive em condições miseráveis”. O país é majoritariamente agrário. Quase toda a terra arável na região tem sido cultivada ou urbanizada, resultando na devastação de grande parte das florestas originais.

LESOTO / ÁFRICA DO SUL
Praticamente todo o contorno do Lesoto, um reino do tamanho de Alagoas encravado no meio da África do Sul, pode ser visto do espaço. Na fronteira oeste, no lado sul-africano, a terra é densamente cultivada e irrigada, enquanto em Lesoto ela está devastada. Além da pobreza extrema e da Aids (uma em cada quatro pessoas tem o vírus HIV), a desertificação e a erosão do solo são um problema grave no país. A culpa, mais uma vez, é da exploração da madeira, usada como combustível, e do pastoreio desenfreado.

ÍNDIA / PAQUISTÃO
Wagah é uma cidade dividida ao meio: metade indiana, metade paquistanesa. É ali que, todas as tardes, desde 1959, há uma cerimônia militar de fechamento dos portões da fronteira. Idealizada e coreografada pelas patrulhas dos dois lados em respeito à soberania mútua, ela atrai turistas de todo o mundo. “A coreografia, tentativa de demonstração de bravura e intimidação, muitas vezes foi um indicativo das relações entre os países durante as guerras pelo controle da região da Caxemira”. Em 2010, ambas as partes assinaram um acordo para amenizar o tom belicoso da cerimônia e evitar provocações por parte do público.

6291 – Migração – Destino dos Nordestinos – Uma Vergonha de Décadas


Continuava na década de 1990, no sentido norte-sul.
Fugindo dos problemas da seca, 34 retirantes nordestinos foram descobertos sob a lona de um caminhão ao entrarem no Rio de Janeiro; eles haviam partido 2 dias antes de sobradinho na Bahia, com destino à São Paulo, em um percurso de mais de 2500 km, repetindo a saga de mais de milhões de miseráveis cuja tragédia rende emprego a sociólogos. No interior de São Paulo e outras regiões de relativa prosperidade, os serviços sociais remetem com frequência os migrantes de volta para a sua cidade de origem, enquanto perdurava a “indústria da seca”.
O fluxo de migrantes hoje diminuiu por causa de muitas ações sócio-econômicas do governo, mas o problema está longe de acabar. As disparidades sociais também ainda são enormes. Mendicância e criminalidade continuam sendo grandes flagelos na área metropolitana de S.Paulo.

6290 – Mega Memória Imigração


Em um interior de MG chamado Itabirinha de Mantena, num sobrado estilo colonial funcionava a exportação clandestina de mão de obra barata para Portugal.
A truculência da polícia de Portugal mexeu com os brasileiros e levou o então presidente Itamar Franco a um decreto em que no Brasil só poderiam trabalhar portugueses com visto antes da viagem. Tal atrito não abalaria a vontade de emigrar da população do canto leste de MG e que inclui a cidade de Governador Valadares. A notícia da abertura de promissoras oportunidades alastrou-se para as cidades vizinhas. Mantenópolis, no Espírito Santo, onde partiram 150 pessoas. Com a única novidade na economia brasileira era a volta do fusca, os brasileiros continuaram a procurar lá fora o que faltava no Brasil, mesmo que a busca levasse a lugares como o Zaire, um dos países mais pobres, corruptos e convulsionados da África. Numa certa quarta feira na década de 1990, desembarcaram operários contratados por uma empreiteira no Amazonas, para construir 650 casas populares em Kinshasa, a capital. Surpreendidos com o fogo-cruzado da guerra civil, foram roubados por soldados amotinados e salvaram-se com a roupa do corpo. Não ficaram porém aliviados em voltar para o Brasil; preferiam o Zaire, onde a inflação anual passava dos 3200%. Lamentaram ter deixado casas com ar-condicionado, escola, comida farta e pagamento em dólares nos 6 meses vividos lá. Adotaram também o costume local de comprar esposas. Um mestre de obras de 57 anos comprou uma esposa de 14 e deixou um salário de 1850 dólares, 12 vezes mais do que poderia ganhar em Manaus.

5556 – Grande Sampa – A Mais Paulista das Avenidas


AV Paulista à noite

Ela já foi eleita o símbolo de São Paulo

A Avenida Paulista é um dos logradouros mais importantes do município de São Paulo, a capital do estado homônimo. Está localizada no limite entre as zonas Centro-Sul, Central e Oeste; e em uma das regiões mais elevadas da cidade, chamada de Espigão da Paulista.
Considerada um dos principais centros financeiros da cidade, assim como também um dos seus pontos turísticos mais característicos, a avenida revela sua importância não só como pólo econômico, mas também como centralidade cultural e de entretenimento. Devido à grande quantidade de sedes de empresas, bancos, consulados, hotéis, hospitais, como o tradicional Hospital Santa Catarina e instituições científicas, como o Instituto Pasteur, culturais, como o MASP e educacionais, como os tradicionais Colégio São Luís e a Escola Estadual Rodrigues Alves. Movimentam-se diariamente pela avenida Paulista milhares de pessoas oriundas de todas as regiões da cidade e de fora dela.
Além disso,a avenida é um importante eixo viário da cidade ligando importantes avenidas como a Dr. Arnaldo, a Rebouças, a 9 de Julho, a Brigadeiro Luís Antônio, a 23 de Maio, a rua da Consolação e a Avenida Angélica.
A avenida foi criada no final do século XIX a partir do desejo de paulistas em expandir na cidade novas áreas residenciais que não estivessem localizadas imediatamente próxima às mais movimentadas centralidades do período, por essa época altamente valorizadas e totalmente ocupadas, tais como a Praça da República, o bairro de Higienópolis e os Campos Elísios. A avenida Paulista foi inaugurada no dia 8 de dezembro de 1891, por iniciativa do engenheiro Joaquim Eugênio de Lima, para abrigar paulistas que desejavam adquirir seu espaço na cidade.
Naquela época, houve grande expansão imobiliária em terrenos de antigas fazendas e áreas devolutas, o que deu início a um período de grande crescimento. As novas ruas seguiam projetos desenvolvidos por engenheiros renomados, e nas áreas mais próximas à avenida e a seu parque central os terrenos eram naturalmente mais caros que nas áreas mais afastadas; não havia apenas residências de maior porte, mas também habitações populares, casebres e até mesmo cocheiras em toda a região circundante. Seu nome seria avenida das Acácias ou Prado de São Paulo, mas Lima declarou:
Será Avenida Paulista, em homenagem aos paulistas
Joaquim Eugênio de Lima (1845-1902), uruguaio, associou-se a João Borges de Figueiredo e João Augusto Garcia e iniciaram a compra de terrenos no espigão entre os rios Tietê e Pinheiros. Em 1890 adquiriram na rua Real Grandeza (depois avenida Paulista) dois terrenos de José Coelho Pamplona e de sua mulher Maria Vieira Paim Pamplona e no mesmo ano mais dois lotes de Mariano Antonio Vieira e de sua mulher Maria Izabel Paim Vieira. Depois adquiriram a Chácara Bela Cintra de Candido de Morais Bueno. Toda a região local servia na época de passagem de boiadas a caminho do matadouro. O plano da avenida foi elaborado pelo agrimensor Tarquinio Antonio Tarant e, como deveria ser plana, exigiu o aterro de um vale na atual avenida 9 de julho. A avenida Paulista tinha cerca de três quilômetros de comprimento e trinta metros de largura e era dividida em três faixas: uma para bondes, a do centro para carruagens e a outra para cavaleiros, todas ladeadas por magnólias e plátamos. O piso carroçável era coberto por pedregulhos brancos. Foi inaugurada, juntamente com a linha de bondes em 1891. O bonde elétrico chegou nove anos depois, em 1900.
A avenida Paulista foi a primeira via pública asfaltada de São Paulo, em 1909, com material importado da Alemanha, uma novidade até na Europa e nos Estados Unidos.
No princípio era uma avenida residencial, durante as décadas de 60 e 70, porém, e seguindo as diretrizes das novas legislações de uso e ocupação do solo, e a valorização dos imóveis incentivada pela especulação imobiliária, começaram a surgir naquele local os seus agora característicos “espigões” – edifícios de escritórios com 30 andares em média.
A avenida possui muitos restaurantes que recebem diariamente milhares de pessoas que moram e trabalham na região. Nela se localiza o conceituado Museu de Arte de São Paulo, o MASP, e também o Parque tenente Siqueira Campos, também conhecido como Parque Trianon. Possui faixas largas para pedestres e é servida pelas estações Brigadeiro, Trianon-Masp, Consolação (da Linha 2-Verde) e Paulista (da Linha 4-Amarela) do Metrô de São Paulo. Tem o edifício da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a FIESP, que também abriga o Sesi, que, por sua vez, possui teatro para apresentações gratuitas como também biblioteca com acervo vasto e muitos livros novos, permitindo o empréstimo gratuito a qualquer pessoa que leve comprovante de endereço.
É famosa também a antena do prédio da Fundação Cásper Líbero, sendo a maior e mais alta da avenida e que chama a atenção devido à sua iluminação amarelada. O mesmo prédio também é famoso por suas escadarias, pelo Teatro Gazeta, pela sede da TV Gazeta, da Rádio Gazeta FM, da Faculdade Cásper Líbero e pelo cinema Reserva Cultural.

AV Paulista nos anos 70: sem Internet, sem metrô e com muitos fusquinhas e ônibus da CMTC

No seu conjunto arquitetônico, possuía vários casarões de famílias tradicionais de fazendeiros ligados ao café, denominados por muitos, os Barões do café, assim como de novos ricos, em sua maioria de origem árabe e italiana.
Na Praça Oswaldo Cruz, onde tem início a avenida, no lado da Subprefeitura de Vila Mariana (o outro lado pertence à da Sé), existe uma bela escultura do Índio Pescador.
Na Praça Marechal Cordeiro de Farias, no final da avenida, no seu centenário, em 1991, foi encomendada à artista plástica Lílian Amaral e ao Arquiteto Jorge Bassani, a escultura Arcos ou Caminho, (também chamada de Arco-íris metálico), composta por 12 arcos coloridos, seguindo uma sequência tridimensional que explora o espaço, o que permite passagem do público por entre os arcos.
O Museu de Arte de São Paulo, estabelecido outrora na Rua 7 de Abril, se instalou nem sua nova sede em 7 de novembro de 1968, sendo inaugurada pela rainha do Reino Unido, Elisabeth II, na presença do então governador Roberto Costa de Abreu Sodré e dona Maria do Carmo de Abreu Sodré.
A Feira de Antiguidades do Masp funciona desde 1979, sendo organizada pela Associação de Antiquários do Estado de São Paulo (AAESP) e ocorre no vão livre do museu, aos domingos, das 10h às 17hs. Reúne artefatos e uniformes de guerra, condecorações, câmeras fotográficas, porcelanas, cristais, joias, pratarias, entre muitos outros artigos.

Avenida Paulista com a Consolação

2316-Imigração: Paraíso,aqui?


O Brasil é ainda a Canaã, a terra promeida, mas só para sul-americanos. A maioria dos bolivianos, paraguaios, argentinos e uruguaios entarm no país como turistas e passam a viver e trabalhar ilegalmente. Hoje ultrapassam 400 mil. Calcula-se que 1,5 milhão de brasileiros vivam no exterior, muitos retornam após juntar algum dinheiro. O motivo da saída é o desnivelamento sócio – econômico e os péssimos salários. Vivemos num país onde a mão de obra tida como não- qualificada , embora necessária para a sociedade num contexto geral, é desvalorizadíssima, isso sem falar no preconceito social. O serviço pesado aqui é quase que trabalho escravo. E não se vislumbra nenhuma solução no horizonte. Soluções são possíveis, mas em primeiro lugar é preciso uma mudança de mentalidade. Enteder que todos nós somos peças importantes dentro de uma sociedade e que todos merecem uma chance.

2170-Ditadura Militar – “Brasil, ame-o ou deixe-o” – Semana da pátria / 1970


Nos anos 70, quando se vivia no Brasil uma época denominada de “sufoco”, com universidades policiadas e liberdades públicas mutiladas, a direita nacional provocava os descontentes com tais Slogans. Milhões de pessoas detestavam o regime tirânico que originou essas campanhas, porém não deixavam o país. Hoje, os motivos para deixar o país são econômicos. O regime ditatorial foi quebrado com a anistia de 1979 e o regime militar chegou ao final em 1985 O Canadá tem uma lei de imigração liberal e permitiu a entrada legal de mais de 2 mil brasileiros desde 1980. O governo assegura cursos de idioma de graça. EUA – Ainda é o país mais procurado, a cada ano aumenta o número de vistos, que pode demorar até 4 anos. Portugal – A língua, o boom econômico e a dispensa do visto de turista já atraíram dezenas de milhares de pessoas França – Refúgio histórico de brasileiros, com mais de 2 mil no país, tem hoje uma emigração dificultada. Espanha – O número de vistos tem crescido, a facilidade da língua atrai, mas trabalho é difícil. Itália e Nova Zelândia são também países muito procurados.

1470-Emigração – Cresceu o número de brasileiros deportados


Um funileiro aos 33 anos enfrentava a decepção de nunca ter conseguido um emprego estável com registro em carteira profissional e morava num barraco de 2 cômodos no município de Serra, ES. Dividindo o diminuto espaço com a mulher e 4 filhos. Tentou emigrar com um empréstimo de 2 milhões residentes em Boston, EUA; pagou U$10.500,00 (21 mil reais) a um agenciador de Valadares MG. Viajou em 30 de setembro de 2000. Três dias depois estava na Cidade do México. Em 18 de outubro, seu corpo foi achado pela polícia americana, seu sonho terminou de forma trágica, morrendo afogado ao tentar atravessar o Rio Grande, na fronteira entre o México e EUA. No mês de agosto já havia sido barrado no aeroporto de Lisboa em Portugal, havendo dado em vão 6.500 dólares a um despachante. O fenômeno é preocupante: nunca tantos brasileiros foram deportados. É cada vez maior o êxodo de brasileiros em busca de melhores condições de vida no exterior. O desemprego crônico e os baixos salários em reais aliaados á perspectiva de acúmulo de poupança no exterior em pouco tempo e com moeda forte são os principais motivos. Um pintor de paredes em Portugal ganha o equivalente a 2 mil reais por mês. O problema é que nem sempre se consegue trabalho lá fora, além dos problemas de adaptação, portanto, embora sair do país pareça ser a única solução para se livrar da injustiça social, é uma aventura cheia de riscos.

Uma Cidade Fantasma – Só restou o cemitério



Ararapira era uma Vila situada a leste do estado do Paraná. Seu último habitante faleceu a 12 anos: uma mulher de 60 anos, que morreu afogada, quando seguia para Paranaguá a 80 km. Uma tempestade virou a canoa. Sua casa permaneceu intacta e fechada desde o dia da sua morte. A Igreja de S. José, construída no fim do século 19, ainda conserva seus bancos de madeira, mas não há missas, nem padres, nem fiéis. Tal vilarejo foi fundado em 1850, quando 4 famílias se estabeleceram na região. Um beco que ficava de um lado de braço de mar, do outro fica a Ilha do cardoso, em SP. A Vila já foi próspera nas décadas de 1940 e 1950, com o comércio de farinha, arroz e peixe seco para outros municípios paranaenses. O lugar era também reduto de bêbados que de tempos em tempos lotavam a única cela da delegacia. Na festa S. José em 19 de março, eles passavam dos limites. O vilarejo mergulhou numa irremediável decadência com a construção de um canal em 1953, para a formação da ilha artificial de Superagui. Em 1989 a área foi transformada em parque nacional e 10 anos depois declarada patrimônio da humanidade. A região é uma das mais bem conservadas da Mata Atlântica. Não há projetos turísticos para a região, o que restringe as possibilidades de sobrevivência. As águas invadiram o vilarejo, forçando as famílias a seguir para outras cidades. Muitos comerciantes e pescadores tornaram-se favelados, mas fazem questão se serem sepultados em Ararapira. O cemitério é o único elo entre a Vila e os seus ex habitantes.
(história triste, sinistra, mas verdadeira)

Migração – Derrubando Mitos


A idéia de que o migarnte típico nordestino é um homem chefe de família que deixou a roça, mulher e filhos e foi para o sul ou sudeste está deixando de ser verdadeira, segundo o IBGE. Dos 2,7 milhões de nordestinos que migraram de 1991 a 1996, ametade não se aventurou além da fronteira de seus estados de origem e nesse grupo mulheres são a maioria. Com isso, em tese sobram mulheres em grandes cidades nordestinas com mais de 100 mil habitantes, enquanto nas pequenas, com menos de 30 mil, elas estão em falta. Dos 1502 pequenos municípios da região, 55% tem mais homens. Em cidades maiores como Salvador, Fortaleza e Recife ocorre o oposto. Um dos motivos de tal fenômeno pode ser a escassez de empregos tradicionalmente masculinos como nas indústrias e contrução civil, em contra partida, aumentaram as vagas para as mulheres com o aumento de supermercados e lojas. A única solução para a mulher do campo é migrar, pois, quanto menor for a cidade, mais estagnada é sua economia e menos capacidade tem de absorver mão de obra feminina. A Ilha de Itamaracá, a 49 km do Recife tem uma população de 13.800 habitantes e um contingente extra de 1800 homens.