13.561 – Neurologia – Estudo de 10 anos conclui que exercício cognitivo reduz risco de demência em 30%


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Azheimer’s & Dementia: Translational Research & Clinical Interventions afirma que pessoas que participaram de treinamento de velocidade de processamento tiveram menos chances de desenvolver demência 10 anos depois. O estudo, porém, tem alguns problemas reconhecidos pelos próprios autores, mas constrói uma base para que outros trabalhos examinem melhor a hipótese.
O estudo foi feito da seguinte forma: 2.802 adultos saudáveis com média de idade entre 74 e 84 anos foram divididos em quatro grupos. Três receberam algum tipo de treinamento cognitivo: o primeiro focou na memória; o segundo, em raciocínio; o terceiro, em velocidade de processamento. Já o quarto não recebeu nenhum tipo de treinamento, e foi denominado “grupo controle”. Todos os participantes sabiam que tipo de treinamento estava recebendo e que haviam outros grupos recebendo outros tipos. Este não foi um estudo cego.
Os três primeiros grupos receberam os treinamentos em dez sessões de uma hora cada, espalhadas em várias semanas. Um grupo menor recebeu sessões extras um ano depois e também três anos depois do início do estudo.
Os participantes passaram por testes que avaliavam suas funções cognitivas depois de 6 semanas e também depois de 1, 2, 3, 5 e 10 anos. O projeto do estudo, porém, não previa este acompanhamento da marca dos 10 anos, e outros pesquisadores apontam que isso pode significar que os resultados esperados não foram observados nos primeiros 5 anos e que outra observação foi improvisada depois. O problema desta observação extra é que quanto mais tempo passa, mais provável que as observações sejam mais resultado do acaso do que como consequência do treinamento cognitivo, especialmente levando em conta que o treinamento foi de pouquíssimas horas.
Dez anos depois do início do estudo, apenas 1.220 participantes ainda faziam parte do trabalho, seja por que morreram ou por outros motivos. Deles, 260 desenvolveram demência. Os voluntários não passaram por exame clínico pelos pesquisadores, os pacientes (ou seus familiares) apenas informaram aos cientistas se tinham demência ou não.
A observação de demência entre os grupos foi a seguinte: 24,2% no que focou na memória, 24,2% no que focou no raciocínio, 22.7% no que focou na velocidade de processamento e 28,8% no grupo controle.
Demência foi menos frequente no grupo de velocidade de processamento, comparado ao grupo controle, com 4,9% de chance de que esse resultado seja observado apenas pelo acaso. É importante lembrar que um valor-p próximo de 5% não é considerado evidência de um efeito.
Outro problema foi que o estudo afirmou que quanto mais sessões foram feitas, menor o risco de demência. Isso não é necessariamente causal, já que os participantes que frequentaram mais sessões podem ter características diferentes daqueles que não frequentaram, uma vez que o número de sessões não era distribuído de forma aleatória.

Ressalvas
“Este é um estudo importante com uma amostra relativamente grande que explora a possibilidade de prevenir a demência pelo uso repetido de um tipo específico de treinamento cerebral, e 29% de redução da incidência de demência parece promissor. Porém, em minha opinião, o maior problema é que o diagnóstico de demência não foi confirmado por exames clínicos robustos”, argumenta a psiquiatra geriatra Sujoy Mukerjee, da West London Mental Health Trust (Reino Unido), em texto opinativo publicado no Science Media Centre.

13.560 – Mega Crítica – “Parlamentares dizem que a ciência é importante, mas não fazem nada”


Opinião de Ildeu de Castro Moreira, então Presidente da SBPC

Em 2018 a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) completará 70 anos. Desde a fundação, a entidade participou de bons momentos da pesquisa no Brasil, como na criação dos órgãos de fomento CNPq e do Capes. Mas foram nas horas ruins que seu papel foi mais importante, como nos 20 anos da ditadura militar, atuando em resistência à perseguição de professores, pesquisadores e estudantes.
Entre contingenciamentos, cortes e restrições orçamentárias, a previsão de investimento para 2018 é R$ 3 bilhões menor do que estava previsto para 2017. Isso mesmo depois de muita briga, que resultou em um ganho de R$ 1,2 bilhões para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação.
Em entrevista por telefone à GALILEU, Ildeu Moreira conta como espera converter o panorama tenebroso para a ciência brasileira, e as consequências de um possível insucesso.

Trechos de uma entrevista a uma revista científica brasileira:

O senhor assumiu a presidência em um dos momentos mais difíceis para a ciência brasileira. Como está sendo essa experiência?
Está difícil mesmo. A SBPC sempre esteve envolvida na ciência, tecnologia e educação nas questões mais gerais da democracia do país, desde sua criação há 70 anos. Nesse período passamos por momentos muito difíceis, na época da ditadura, por exemplo. E esse é mais um. Nossa responsabilidade é grande, porque a SBPC tem uma tradição muito forte, uma presença na sociedade brasileira, em particular junto à comunidade científica acadêmica.

O argumento é sempre de que não tem recurso.
Estamos vivendo uma crise econômica e fiscal? É claro que a gente está vivendo uma crise. Mas países do mundo inteiro, em momentos de crise, em geral apostam mais na ciência e tecnologia como instrumento para sair dela. Aqui a gente faz o contrário. Corta as amarras da ponte e anda para trás. É um retrocesso. Tira a possibilidade de avançar. Os recursos que a gente está falando são de ordem muito inferior que as desonerações que a gente vê nos jornais todos os dias.

Esse posicionamento dúbio me parece que é porque ninguém está pensando muito a longo prazo. Pensam no máximo até outubro de 2018.
O efeito de desmontar laboratórios de pesquisa, por exemplo em epidemia, saúde pública, tem um efeito imediato. Tivemos uma resposta adequada para o zika, porque já tínhamos laboratórios. Os pesquisadores fizeram contribuições importantes para a ciência em escala mundial. Na agricultura, se hoje temos uma produtividade alta dos grãos, é porque tem ciência envolvida. O pré-sal tem quantos anos? É metade da produção de petróleo, mais de R$ 60 bilhões vem do pré-sal. Isso é real. É palpável.

Em pouquíssimos anos o impacto da ciência é gigantesco, em valores muito maiores do que estão cortando. É uma insensibilidade e falta de preocupação com a questão do país gigantesca. Os interesses que estão presidindo essas escolhas, não vou entrar na questão se é má fé ou ignorância, mas estão ameaçando profundamente a ciência brasileira. Nos últimos anos o impacto da ciência brasileiro cresceu muito. Daí você cria um potencial, construído com dinheiro público, de repente deixa desmontar. É muito difícil interpretar as razões por trás disso.

13.559 – Nordeste sertanejo: a região semi-árida mais povoada do mundo


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Fragmentos de Leitura – diversos autores

SEM QUE SE TENHA conhecimento de significativo número de regiões áridas e semi-áridas do mundo é extremamente difícil entender os atributos climáticos, fitogeográficos e antrópicos do Nordeste seco. Parte dessa questão foi resolvida pela contribuição ocasional do grande mestre francês Jean Dresch, um dos participantes da excursão realizada aos sertões semi-áridos por ocasião do Congresso Internacional de Geografia, ocorrido no Rio de Janeiro em agosto de 1956.
Dresch, grande conhecedor do Sahara – após percorrer trechos dos chamados altos dos sertões de Pernambuco e da Paraíba -, segredou aos seus colegas brasileiros uma observação comparativa que consideramos essencial. Afirmou que, nos poucos dias em que tivera contato com os espaços geográficos do Nordeste seco, pudera cotejar os atributos da região das caatingas com os fatos que estudara exaustivamente no deserto do Sahara. E, que meditando nessa direção, podia afiançar que o Nordeste interior não tinha “nada de deserto” na sua conjuntura fisiográfica e ecológica. Relatava inicialmente – aos seus guias de excursão – que, ao contrário do que acontecia nos mega-espaços saharianos, nos sertões nordestinos existia gente por todos os cantos e locais imagináveis. Nesse sentido, baseado nas diferentes regiões áridas que conhecia, podia afiançar que o Nordeste seco era a região semi-árida mais povoada do mundo. Por essa mesma razão era o espaço que, em função de sua inegável rusticidade, apresentava os maiores problemas e dramas para o homem-habitante e suas famílias.

Para reforçar sua assertiva de que os sertões secos em nada poderiam ser comparáveis aos grandes espaços áridos, Dresch lembrou que, no Sahara, apenas nos oásis – muito distantes uns dos outros – existiam comunidades residentes sedentárias: viventes em espaços exíguos, por entre ruelas e moradias de tipo casbah. Dependiam de atividades artesanais e comerciais, pela troca e venda em feiras labirínticas, além da produção reduzida de alimentos nos pomares do pequeno oásis, enquanto caravanas transportadoras de mercadorias produzidas em terras distantes percorriam rotas imensas, levando produtos essenciais para os contidos habitantes ilhados por entre enormes campos de dunas e espaços rochosos ou pedregosos, balizados por raros restos de montanhas.
Nos sertões do Nordeste há povoamento ao longo de rios que nascem em maciços cristalinos ou bordos de escarpas sedimentares, mas sempre chegam ao mar, a despeito de terem seu fluxo d’água cortado por cinco a sete meses (rios intermitentes sazonários, extensivamente exorréicos). Existem sertanejos vivendo em diferentes posições nas vertentes e altos das colinas, gente habitando os sopés de maciços, serras úmidas e cimeiras de chapadas e setores de planaltos cristalinos.
Em contrapartida, porém, o Nordeste seco é a região geográfica de estrutura agrária mais rígida e anti-social das Américas, do que resulta que a capacidade de suporte populacional dessa região tem de ser avaliada por critérios mais amplos e aprofundados, envolvendo tanto atributos endógenos e controles exógenos, quanto eventuais fatores extrógenos que interferem no destino dos homens e comunidades regionais.
Em estudo realizado sobre o Impacto da seca no sertão de Sergipe (Brasil), relativo às conseqüências da forte estiagem do período de 1981-1984, os geógrafos José Augusto Andrade e Raymond Pébayle produziram um excelente trabalho documentário altamente significativo. Na seqüência, serão reproduzidos fragmentos de leitura desse estudo, entre outros, por nós coletados.

Aziz Ab’Sáber
Fragmentos
“Em outubro de 1984, cinco meses apenas após o fim do período seco, as pastagens estavam verdes, os milharais se multiplicavam e os poços quase cheios. (…) À exceção das terras do município de Canindé de São Francisco, o espaço semi-árido do estado de Sergipe não é tão rústico quanto aquele do oeste de Pernambuco ou do Sertão de Canudos no estado da Bahia. A isoieta de 700 mm o distingue grosseiramente do Agreste, onde ocorrem terras menos quentes e mais úmidas. (…) Em 1980, as devastações da caatinga e as expulsões dos posseiros foi bastante forte. O ritmo das aquisições de terras pelos não-residentes de origem não identificada, nesse ano, atingiu 38% das terras colocadas à venda em alguns municípios do sertão sergipano: Carira, Monte Alegre e Poço Redondo. (…) As pesquisas de 1984, para entender ainda os impactos da fome para os mais despossuídos, nos revelaram qual foi a trajetória das estratégias de sobrevivência. Uma seqüência de comportamentos dramáticos parece se repetir um pouco por toda parte, pela busca desesperada de alimentos e água, que se compra a preço de ouro. Em seguida se fazem as primeiras vendas de gado, sobretudo do não-leiteiro, sem qualquer discriminação. Enfim, vende-se a terra e parte-se. Nesse último caso, ninguém ignora a terrível sentença emanada dos anos secos no sertão: ‘quem vende a terra na seca, não a compra mais’.”

[José Augusto Andrade & Raymond Pébayle
.L’impact de la sécheresse dans le Sertão de Sergipe (Brésil).
Extraído do livro de Bernard Bret (coord.)
Les hommes face aux sécheresses, 1989]

“No campo do Passarinho, além de Perizes de Cima (norte do Maranhão), um pesquisador, olhando para uma árvore, perguntou a um caboclo que por ali passava: ‘a madeira dessa pequena árvore é dura?’ E a resposta veio nos seguintes termos: ‘o cerne desse lenho é resistente’. Falou bonito o caboclo maranhense.”

[Transcrição do organizador]

“No alto ressequido e plaino de uma serra dos Gerais, no centro da Bahia, um motorista meninote dirigia um jeep, transportando o engenheiro de minas para a distante cidade mais próxima. De repente, viu uma tora de madeira atravessada no leito da estrada de terra batida. O passageiro não viu nada, até que o prevenido chofer entrou pelo entremeio dos arbustos secos, numa carreira desenfreada. De longe, veio um tiro de espingarda, dirigido para matar o jovem motorista. Assim, os dois passageiros se safaram da maldita emboscada. E o menino falou: ‘viu, sou mais esperto do que esse cangaceiro’. Só então o engenheiro geólogo compreendeu que ainda existiam resíduos solitários de cangaço entre a região de sua mina e a distante cidade do sertão. Que medo. Que lição!”

[Anônimo]
“E a velhinha simpática saiu da barraca coberta de plástico preto, no meio do calor radiante, mostrou aos forasteiros visitantes um prato raso com alguns minúsculos peixinhos mergulhados em água com sal e disse, circundada por crianças alvoroçadas: ‘estão vendo esses peixinhos, que chamamos de peixes da pedra? Eles foram pegos na laminha derradeira de uma lagoínha, d’onde a água já se foi. Não importa: o certo é que com eles vou fazer o banquete das crianças amanhã’. Eram tantas as crianças em volta, que se o forasteiro soubesse chorar, choraria.”

[Anônimo]
“Um jovem pesquisador, cruzando os sertões do Médio e Baixo Jaguaribe (Ceará), botou reparo nas cercas de taquara trançada, dispostas em posição transversal ao eixo do leito seco dos rios. O jovem universitário se perguntava sobre as razões que levaram os sertanejos a construir aquelas rústicas cercas que sincopavam setores dos rios sem água. Ao interrogar um ribeirinho astuto sobre a razão de ser das cercas transversais, obteve resposta imediata: ‘somos nós que pressionamos os fazendeiros pecuaristas para construir tais cercas no momento em que as águas perdem correnteza, a fim de que o gado não venha a comer as plantações que fazemos todo ano, na vazante do leito do rio. Um político que reforçou nossas pretensões foi eleito prefeito de Russas’. E assim ficou esclarecido, para sempre, a razão de ser das cercas transversais aos rios secos dos sertões. E o pesquisador, encantado com a beleza exemplar das culturas de vazante no leito do rio, perguntou ao ribeirinho que parecia o dono das plantações: ‘são seus esses lindos leirões produtivos, aí no leito do rio?’ A resposta veio direta e longa: ‘sim, são meus. Mas não sei por quanto tempo continuarei produzindo assim. Porque, se soltarem muita água do açude para beneficiar os fazendeiros da beira alta, eu vou perder todo o trabalho. A única terra que pobre tem para cultivar é o leito do rio que secou. Mas, nós, não temos força para garantir a produção de alimentos no único espaço que restou para o povo: o leito seco dos rios, onde existe muita água entranhada embaixo das areias’. Frente àquele magnífico exemplo de verdadeira horticultura do vale do Jaguaribe, o pesquisador entendeu logo que a idéia de progresso estava sempre voltada para poucos. Não para o povo. Atenção tecnocratas inconseqüentes! (…) O pesquisador perguntou à senhora envelhecida, rodeada de filhos emudecidos: ‘como é a vida da gente aqui no vilarejo?’ E a resposta veio rápida, com simplicidade: ‘a situação não pode ser boa. Sou viúva. Os filhos mais homens já se foram em busca de trabalho. Fiquei só com os cinco menores’. E, olhando para as estreitas cercas e cercados, de taquaras fincadas, completou: ‘nossa salvação são as cabras do quintal, que dão leite para as crianças. Quando se mata um bode, guardamos a carne no varal de cima do fogão, para que ela dure muito tempo. Por tudo isso não me acanho de pedir um ajutório a vocês!”

[Transcrição do organizador]

“Um dia, alguns pesquisadores em plena atividade de campo pediram pouso em uma fazenda comunitária, perdida em um remoto sertão do interior baiano. E a resposta veio rápida e sincera, por parte da dona da casa: ‘eu vou lhes dar abrigo, porque também tenho filho no mundo’.”

[A.N.Ab’Sáber]

“No final do século passado e início deste, os nossos antepassados viram na açudagem a única salvação possível e muito fizeram nesse sentido. O açude público Epitácio Pessoa, ex-Boqueirão, é exemplo desse fato. (…) Na década de 50 lutávamos pelo desenvolvimento do Nordeste pedindo estradas, o que conseguimos com o Plano Rodoviário Nacional. Não faltam estradas no Cariri paraibano, bem como em todo o Nordeste. (…) Na década de 60 dissemos que só conseguiríamos nos desenvolver se tivéssemos energia elétrica. Vieram as hidrelétricas e com elas as torres metálicas, os linhões e os cabos conduzindo a energia elétrica que hoje atinge todos os recantos do Nordeste e, naturalmente, o Cariri paraibano. (…) A prioridade dos anos 90 tem sido a água doce. Só conseguiremos o desenvolvimento sustentado se resolvermos o problema de suprimento de água doce da região. (…) Não podemos perder mais essa corrida, a da água doce, pois produzir, importar e reutilizar a água doce que necessitamos é mais do que uma questão de sobrevivência, é mesmo existencial.”

[Escritos de João Ferreira Filho
João Pessoa, PB, 12 de setembro de 1996]

“O sertão de Canudos é um índice sumariando a fisiografia dos sertões do Norte. Resume-os, enfeixa os seus aspectos predominantes numa escala reduzida. É-lhes de algum modo uma zona central comum. (…) As secas de 1710-1711, 1723-1727, 1736-1737, 1744-1745, 1777-1778, do século XVIII, se justapõem às de 1808-1809, 1824-1825, 1835-1837, 1844-1845, 1870, do atual. (…) Observa-se, então, uma cadência raro perturbada na marcha do flagelo, intercortada de intervalos pouco díspares entre 9 e 12 anos, e sucedendo-se de maneira a permitir previsões seguras sobre sua erupção.”

[Euclydes da Cunha: Os sertões, 1902]

“Descansamos uma tarde em casa do poeta popular Cordeiro Manso. Pernoitamos depois junto a um açude lamacento, onde patos nadavam. (…) Outras estações fugiram da memória. José Leonardo e Antônio Vale despediram-se – e com eles o sertão desapareceu. Xiquexiques e mandacarus foram substituídos por uma vegetação densa e muito verde; nos caminhos escuros os chocalhos calaram-se; surgiram regatos, cresceram, transformando-se em rios e atrasaram a marcha. (…) Tinham-se sumido os grandes espaços alvacentos, de areia e cascalho, despovoados, o mato franzino, bancos de macambira, cercas de pedra, chiqueiros e currais, dias luminosos riscados pelo vôo das arribações. Veredas subiam, desciam, torciam-se, e à beira delas arrumavam-se casas, jardins, hortas. Os transeuntes não se vestiam de couro. Em qualquer ponto, achava-me em um buraco entre morros. Água abundante e ruidosa, capinzais imensos, manhãs nevoentas. (…) Constrangi-me no ambiente novo, perdi hábitos e ganhei hábitos.”

[Graciliano Ramos: Infância]

“Consideramos a caatinga como denominação geral da vegetação das áreas semi-áridas do Nordeste, com exclusão das poucas intromissões do cerrado. Segundo este conceito, a caatinga subdivide-se em agreste e sertão e este em carrasco, carimataú, cariri, seridó, e outros tipos vegetacionais ainda menos precisos e incertos. (…) No estudo de uma área a percepção inicial é a de uniformidade generalizada, mas à medida em que o estudioso se aprofunda em suas observações, vai percebendo diferenciações sempre muito precisas em áreas sempre mais reduzidas.”

[Vasconcelos Sobrinho:
As regiões naturais do Nordeste, o meio e a civilização. Recife, Condepe, 1970]

“Uma seca pode-se fazer calamitosa no Ceará, no oeste do Rio Grande do Norte e nos sertões ocidentais da Paraíba sem que nas demais áreas do Nordeste ocidental seus efeitos alcancem o mesmo grau. (…) Os relatos acerca da famosa estiagem de 1877 que passou à crônica histórica como ‘seca do Ceará’ documentam claramente esse processo de crescente angústia que começa, num ano, com a escassez das precipitações no tempo próprio e se resolve em calamidade declarada quando, no verão-outono imediato, perdem-se de todas as esperanças; porque, nesse caso, só em dezembro do terceiro ano haverá outras possibilidades de ‘inverno’.”

[Gilberto Ozório de Andrade e Rachel Caldas Lins:
Os climas do Nordeste, 1971]

“As primeiras chuvas, chamadas do caju, são esperadas em dezembro. Elas transformam o sertão; se faltam, ainda há esperanças de chuva em fevereiro ou março; são as chuvas de Santa Luzia, do equinócio. Se faltam estas, não há mais esperanças e, pouco a pouco, esgotam-se os recursos; o gado ainda devora as últimas ‘ramas’, mas secos os rios e as cacimbas, é forçoso emigrar. Os retirantes se aglomeram nas cidades do litoral. As perdas de vida são, às vezes, avultadas; as perdas de gado são sempre consideráveis.”

[C. M. Delgado de Carvalho]

“Lançada sobre o quadro geográfico dos campos pobres e das caatingas do São Francisco, a expansão da gadaria só poderia se fazer na escala de imensas distâncias. (…) Se é verdade que o São Francisco no fundo de sua calha hidrográfica iria se tornar um ‘condensador de gentes’, numa avenida interior de povoamento, é nítido que esse adensamento longitudinal de população seria devido à atração que a água exerce sobre o homem e sobre o gado no tablado geográfico dos campos gerais e das caatingas secas.”

[Lucas Lopes: O vale do São Francisco.
Ministério da Viação de Obras Públicas, Serviço de Documentação]

“Na estação seca, isto é, de maio a janeiro, os ventos regulares se elevam e em sua marcha, de 100 a 120 km por hora, encadeiam e arrastam todos os vapores aquosos e deixam o Ceará na mais límpida e serena calmaria.”

[M.A. de Macedo: Observações sobre as secas no Ceará.
Rio de Janeiro, Typ. Nacional, 1878]

“Esta lida salutar da natureza principia, no Ceará, com as chuvas de outubro, chamadas ‘chuvas do caju’, as quais os aborígenes designam pelo nome de pyraoba; isto é, chuvas brandas, precursora da abundância pelo enverdecimento, vestidura, florescência e frutificação dos vegetais. (…) A estação das chuvas, anunciadas pelas ‘chuvas do caju’, principia em janeiro e termina em maio. Nesse tempo os ventos regulares, que giram constantemente d’este a oeste paralelos ao Equador e em suas vizinhanças, parecem abaixar-se e diminuir a rapidez de sua marcha ordinária. Então aparecem os ventos irregulares e variáveis, que importam vapores aquosos do oceano e os incorporam aos que se desprendem dos ventos constantes ou ‘geraes’, como vulgarmente os chamam. (…) A ‘indústria da seca’ existe e continua sendo um formidável fomento dos crescentes interesses conservadores da região: sua condição básica de existência é dada pela criação de mecanismos que asseguram a destinação de um fluxo contínuo de capital, sob a forma dinheiro, para alimentar a execução de programas dados como capazes de solucionarem os problemas da seca, mas que se sabe de antemão não serem eficientes. (…) Os flagelados entram nos esquemas estratégicos das políticas anti-seca, mais como elementos que legitimam a assistência de um estado de calamidade pública, do que como beneficiários efetivos das medidas concebidas e postas em prática em seu nome.”

[Otamar de Carvalho: A economia política do Nordeste:
secas, irrigação e desenvolvimento. Brasília, Campus, 1988]

“Existe uma estreita relação entre a limitação de águas e o baixo desempenho da produção agrícola. Atualmente a irrigação constitui a grande expectativa de desenvolvimento regional, não só pelo aumento da produção e produtividade agrícola, mas, sobretudo, pela garantia de emprego estável para a mão-de-obra rural. Apesar de a irrigação ser necessária e urgente, não se deve esquecer que, fora das margens dos dois rios perenes (São Francisco e Parnaíba) só se pode irrigar menos de 1% dos 118 milhões de hectares do Polígono das Secas. É preciso, portanto, ao lado da irrigação, desenvolver uma tecnologia apropriada ao aproveitamento das áreas secas marginais. A utilização de plantas e animais resistentes à seca, nas terras não irrigadas, é uma exigência para o desenvolvimento harmônico da região.”

[Benedito Vasconcelos Mendes: Plantas e animais para o Nordeste.
Rio de Janeiro, Globo Rural, 1987]

“Na década de 70, no século passado, as oito províncias nordestinas – ocupando 1.221.572 km2 apenas cerca de 14,5% dos 8.455.777 km2 do território brasileiro – abrigavam 4.638.500 habitantes, dos 9.930.478 que constituíam a população do país, ou seja, 46,7%. Em 1980, porém, após a grande expansão demográfica do Brasil, que contava com 121.150.549 habitantes, aquelas províncias, já agora estados federados, estavam povoadas por 35.419.156 pessoas, representando 29,23% do total.”

[Pinto de Aguiar: Nordeste: o drama das secas]

13.558 – Neurociência – Como Melhorar a Capacidade Cognitiva?


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Ações e hábitos simples podem ajudar você a ser mais produtivo e a raciocinar melhor. Planejar seu dia, fazer exercícios físicos, estudar, ter mais foco e outras atitudes que normalmente ignoramos fazem muita diferença nos resultados que alcançamos com nosso trabalho. Se você deseja ser mais inteligente e produtivo em seu expediente, veja quais são as dicas dos cientistas para você.

TENHA UMA ATITUDE POSITIVA
Em um estudo feito por Rosenthal e Lenore Jacobson em 1968, os pesquisadores escolherem alguns estudantes de maneira completamente aleatória e disseram aos seus professores que eles eram alunos acima da média. Nada mais foi feito pelos estudantes. Mesmo assim, no fim do ano escolar, esses estudantes ganharam, em média, 22 pontos em seus níveis de QI. Mais tarde, esse efeito foi nomeado como “profecia da auto-realização”.

EVITE A REJEIÇÃO
A rejeição pode diminuir drasticamente a capacidade de uma pessoa de pensar racionalmente e aumentar sua agressividade, além de diminuir seu QI. Esses são os resultados obtidos pelo pesquisador Roy Baumeister e sua equipe.

CONTROLE
Procure ter o controle de sua rotina e das tarefas que realiza. Estudos da Universidade Radboud, na Holanda, revelam que a sensação de perda de controle pode comprometer a performance das pessoas, por deixá-las inseguras.

VERMELHO
Diversas pesquisas investigam os efeitos da cor vermelha no comportamento das pessoas. Pesquisas da Universidade de Chichester, apresentadas em 2010, sugerem que a cor pode ter influencias inconscientes na percepção de fracasso, fazendo com que as pessoas apresentem resultados ruins.

FALAR EM VOZ ALTA
Um estudo feito em 1998 com 30 jovens e 31 adultos revelou que falar em voz alta pode aumentar o desempenho das pessoas, principalmente as mais velhas.

SUPERSTIÇÃO
Em um estudo publicado pelo jornal Psychological Science, os pesquisadores mostraram que atitudes supersticiosas, como dizer “boa sorte”, podem aumentar o desempenho das pessoas em tarefas como praticar golf e memorização.

SUPLEMENTES NUTRITIVOS
Substâncias como a anfetamina e modafinila tornaram-se populares por aumentar a capacidade cognitiva das pessoas em atividades e ambientes que exigem esse tipo de inteligência.

ACREDITE
Estudos e profissionais indicam que pensar na inteligência como algo flexível e mutável, ao invés de fixo e estável, pode causar resultados acadêmicos mais positivos, especialmente para pessoas que possuem estereótipos negativos (internos ou não) de sua inteligência.

POSTURA CORPORAL
Os resultados de um estudo feito em 2005 revelam que a postura corporal pode influenciar diretamente na solução de problemas. Os participantes do experimento que resolveram palavras cruzadas na posição de supino, ou deitado, apresentaram resultados melhores do que os que estavam de pé.

CUMPRA AS TAREFAS
Não deixe as coisas pela metade. Se você se concentrar em uma tarefa de cada vez, aumentará suas chances de apresentar resultados melhores em menos tempo. Os cientistas dizem que, mesmo quando você deixa de fazer determinada tarefa, parte de seu cérebro continua focada nessa atividade, podendo ocupar atenção e memória de maneira prejudicial para seu desempenho.

DURMA
O pesquisador Hans Van Dongen conduziu um experimento onde os participantes foram distribuídos em grupos que dormiam quatro, seis e oito horas por noite, durante duas semanas. Aqueles que dormiram mais tempo não apresentaram nenhum lapso de atenção ou declínios cognitivos durante os 14 dias de experimento.

MULHERES BONITAS
Em um estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology, os pesquisadores comprovaram a hipótese de que os homens teriam suas capacidades cognitivas comprometidas ao interagir com pessoas de outro sexo. O resultado foi ainda mais perceptível quando as mulheres eram consideradas como mais atraentes.

NÃO SEJA MULTITAREFA
Cientistas da Universidade de Amsterdã comprovam por meio de seus estudos que ser multitarefa reduz de maneira significativa o desempenho das pessoas. Os pesquisadores também afirmam que esses resultados são semelhantes para ambos os sexos.

APRENDA ALGO NOVO
Pesquisadores da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, submeteram 20 jovens a um mês de treino intenso de malabares. Eles descobriram que, apenas sete dias após o início dos treinos, os participantes já apresentavam um aumento na matéria cinza do cérebro.

FAÇA EXERCÍCIOS FÍSICOS
Praticar exercícios ajuda você a pensar melhor e mais rapidamente. Pesquisadores mostram que a prática de exercícios aeróbicos melhora o desempenho em atividades cognitivas. O estudo foi publicado no jornal Aviation, Space, and Environmental Medicine, em 2009.

13.557 – Maria Vai com as Outras – Efeito Psicológico na Black Friday


Black-friday
Enquanto uma parcela razoável da população está ansiosa à espera dos descontos monumentais da Black Friday, há um grupo seleto de economistas e psicólogos que aguardam o final de novembro por outro motivo: a data é um enorme (e imprevisível) experimento científico de economia comportamental, em que se joga dinheiro fora à rodo, de maneira irracional.
Pesquisadores como Richard Thaler – que levou um Nobel em outubro – fizeram história ao somar as nuances do comportamento humano à teoria econômica clássica. E é justamente em cima dessa união entre psicologia e dinheiro que as lojas trabalham para te convencer de que vale a pena torrar todas as moedas do porquinho em um dia só. Mesmo quando os descontos não estão tão bons assim.

Descontos são relativos
Se um produto custa R$ 2o em uma loja e R$ 30 na outra, você não tem dúvida: vai direto na primeira. Afinal, é uma diferença de preço considerável. Por outro lado, se um produto custa R$ 4490 em uma loja e R$ 5000 na outra, é bem provável que você nem perceba a diferença de valores. Talvez um amigo seu até diga que a segunda é mais honesta, por arredondar o preço.
Acontece que nos dois casos a diferença é a mesma: 10 reais. O que dá duas passagens de ônibus. Ou um café com pão de queijo na padaria. Pena que nosso cérebro não quer saber: ele trabalha com porcentagens, não com o valor em si.
Esse fenômeno está no cerne da Black Friday, em que é comum chutar o balde logo cedo – e sair na rua com uma geladeira nas costas às oito da manhã. Depois de deixar R$ 2000 em uma loja, todos os outros preços vão parecer melhores do que são de verdade. Camiseta por R$ 50? Leva. Celular por R$ 800? Leva também. Você, por mais pão duro que seja, vai no embalo da compra de maior porte – e se esquece do quanto realmente custa cada item menor.

Se todo mundo se jogar pela janela, você se joga também
Gastar dinheiro é um negócio que dói. Quem tem um filho que gosta da Kinder Ovo sabe bem disso.
Acontece que dói bem menos quando você olha em volta e todo mundo está fazendo a mesma coisa. Um artigo científico de 2009, da Universidade da Carolina do Norte, concluiu que nós não agimos de forma pouco ética só quando o custo benefício da ação é bom. Nós também nos baseamos no comportamento de quem está em volta, mesmo que de maneira inconsciente.
É claro que gastar dinheiro não é antiético. Mas é algo que te deixa culpado, com peso na consciência. Que te faz pensar duas vezes. Quando todos os vizinhos estão chegando em casa com TVs, porém, você tende a pensar que comprar algo um pouco mais barato – digamos, uma torradeira – não é tão grave assim.

A impressão geral é mais forte que as impressões específicas

Esse é um fenômeno chamado por psicólogos de Halo effect. Foi cunhado por Edward Thorndike em um artigo de 1920, chamado O Erro Constante nas Avaliações Psicológicas.
A ideia é simples, e já foi verificada experimentalmente várias vezes.
Se você pedir a funcionários de uma empresa que avaliem seus colegas de acordo com uma lista de qualidades e defeitos bem específicos (como inteligência, aparência física, capacidade de liderança, confiabilidade etc.), há uma tendência a que um pequeno grupo de pessoas seja muito bem avaliada em todas as categorias – mesmo que seja altamente improvável, do ponto de vista estatístico, que uma só pessoa seja ao mesmo tempo inteligente, confiável, bonita etc.
Isso acontece porque a boa impressão geral que essas pessoas passam convence os colegas de que elas são boas em tudo – mesmo que na prática não seja bem assim. Pelo mesmo raciocínio, pessoas pouco populares serão avaliadas de forma injusta em categorias em que, na verdade, se destacam.
Na Black Friday é parecido: os lojistas podem praticar preços que na verdade nem são tão bons assim. Eles se reverterão em vendas do mesmo jeito, porque pegam carona na boa impressão que o dia transmite, cultivada há anos em promessas de preço baixo e economia.

É mais fácil te pegar quando você está cansado, de cabeça cheia
Às vezes você já parou para pensar em toda a lista acima. E é mesmo um comprador racional em ocasiões normais. Mas a arma mais letal da Black Friday é justamente criar situações que te impedem de ser ponderado e racional. Ela ocorre no final da semana, quando você já está cansado. Te obriga a acordar cedo, o que te deixa meio zonzo. Te faz lidar com outros consumidores que não estão exatamente em um clima diplomático – o que te torna mais propenso a ficar de saco cheio com quem está na sua frente na fila. E inunda seu Facebook de ofertas das mais variadas, o que te obriga a decidir entre um enorme número de produtos muito diferentes entre si.
Um artigo científico publicado em 2009 pela Universidade Estadual da Flórida demonstrou que pessoas esgotadas mentalmente – do jeito que você fica depois de um longo de trabalho – são péssimas em tomar decisões. Isso acontece porque ter autocontrole é cansativo: você se segura uma vez. Duas. Na terceira, já se torna três mais propenso tanto a cometer atitudes como a cair no papo de pessoas que querem te passar a perna.
É claro que o teste acima não foi feito especificamente para compras: vale para golpes e jeitinhos em geral. Mas os descontos da Black Friday, muitas vezes, não são tão honestos assim, e te convencem justamente na base da insistência. Fica a dica: tome um banho e esfrie a cabeça antes de digitar o número do cartão.

13.556 – Mega Arquivo na Pré – História


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O que é Pré-história?

Pré-história é um período que compreende aproximadamente cinco milhões de anos, tendo se encerrado por volta de 6 mil a.C. Esse período é alvo de estudos multidisciplinares, isto é, envolve especialistas como arqueólogos, biólogos, paleontólogos, químicos, historiadores etc. Mas em termos propriamente restritos à linguagem historiográfica (utilizada por historiadores profissionais), a Pré-história pode ser qualificada como o período anterior ao aparecimento das cidades (organização urbana) e da escrita. Esse longo período é geralmente dividido em duas fases: o Paleolítico, ou Idade da Pedra Lascada, e Neolítico, ou Idade da Pedra Polida.

Homem pré-histórico
Geralmente, em uma tentativa de definição precária, tendemos a chamar nossos antepassados do período em questão de “homens pré-históricos”. Mas há uma denominação mais apropriada para isso: hominídeos. Os hominídeos pertencem a uma família taxonômica classificada pela Biologia e intitulada hominidae. Nós, humanos, estamos dentro dessa “família”, assim como os chimpanzés. Todavia, não somos da espécie dos chimpanzés e, muito menos, os hominídeos que nos precederam.
Os hominídeos conseguiram, ao longos de milhões de anos, desenvolver ferramentas e utensílios domésticos complexos. Conseguiram dominar o fogo, que passou a ser utilizado tanto para o aquecimento quanto para cozinhar alimentos, e conseguiram ainda o mais extraordinário: desenvolver sistemas simbólicos, como urnas e câmaras funerárias, esculturas e pinturas rupestres.
Esses hominídeos podem ser divididos em ordem cronológica. Os mais antigos pertencem ao grupo Ardipithecus ramidus, cujo aparecimento comprovado pela arqueologia varia de 5 e 4 milhões de anos. Há também outro exemplo, o Australopithecus afarensis, cujo aparecimento na Terra varia entre 3,9 e 3 milhões de anos. Por outro lado, houve, mais tarde, o surgimento do gênero Homo. Houve, por exemplo, o Homo habilis, que viveu entre 2,4 e 1,5 milhão de anos. O Homem erectus, entre 1,8 milhão e 300 mil de anos. Depois, o Homo neanderthalensis, entre 230 e 30 mil anos. Nós, humanos, pertencemos ao grupo Homo sapiens, que apareceu, provavelmente, há cerca de 120 mil anos.

Paleolítico e Neolítico
O período Paleolítico é o mais longo, indo de 3 milhões a.C. até 10.000 a.C. Ele é caraterizado pelo nomadismo e pelo uso ainda precário de utensílios. Foi nesse período que apareceram os hominídeos expostos acima. No Neolítico, segunda e mais importante fase da pré-história, ocorreu a revolução da “pedra polida”, o que possibilitou o sedentarismo e as primeiras formas de agricultura sistemática. Foi dentro da “revolução neolítica” que nasceu o Homo sapiens e, por consequência, as primeiras civilizações, caracterizadas pela fundição de metais, como o cobre e o ferro.

13.555 – Mega Byte – O que é bitcoin?


bitcoin
A bitcoin é uma moeda, assim como o real ou o dólar, mas bem diferente dos exemplos citados. O primeiro motivo é que não é possível mexer no bolso da calça e encontrar uma delas esquecida. Ela não existe fisicamente, é totalmente virtual.
O outro motivo é que sua emissão não é controlada por um Banco Central. Ela é produzida de forma descentralizada por milhares de computadores, mantidos por pessoas que “emprestam” a capacidade de suas máquinas para criar bitcoins e registrar todas as transações feitas.
No processo de nascimento de uma bitcoin, chamado de “mineração”, os computadores conectados à rede competem entre si na resolução de problemas matemáticos. Quem ganha, recebe um bloco da moeda.
O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa limitada, que é de até 21 milhões de unidades até o ano de 2140.
Esse limite foi estabelecido pelo criador da moeda, um desenvolvedor misterioso chamado Satoshi Nakamoto. De tempos em tempos, o valor da recompensa dos “mineiros” também é reduzido.
Quando a moeda foi criada, em 2009, qualquer pessoa com o software poderia “minerar”, desde que estivesse disposta a deixar o computador ligado por dias e noites. Com o aumento do número de interessados, a tarefa de fabricar bitcoins ficou apenas com quem tinha super máquinas. A disputa aumentou tanto que surgiram até computadores com hardware dedicado à tarefa, como o Avalon ASIC.
Além da mineração, é possível possuir bitcoins comprando unidades em casas de câmbio específicas ou aceitando a criptmoeda ao vender coisas. As moedas virtuais são guardadas em uma espécie de carteira, criada quando o usuário se cadastra no software.
Depois do cadastro, a pessoa recebe um código com letras e números, chamado de “endereço”, utilizado nas transações. Quando ela quiser comprar um jogo, por exemplo, deve fornecer ao vendedor o tal endereço. As identidades do comprador e do vendedor são mantidas no anonimato, mas a transação fica registrada no sistema de forma pública. A compra não pode ser desfeita.
Com bitcoins, é possível contratar serviços ou adquirir coisas no mundo todo. O número de empresas que a aceitam ainda é pequeno, mas vários países, como a Rússia se movimentam no sentido de “regular” a moeda. Em abril deste ano, o Japão começou a aceitar bitcoins como meio legal de pagamento. O esperado é que até 300 mil estabelecimentos no Japão aceitem, até o final do ano, este tipo de dinheiro.
Por outro lado, países como a China tentam fechar o cerco das criptomoedas, ordenando o fechamento de várias plataformas de câmbio e proibindo a prática conhecida como ICO (initial coin offerings), uma espécie de abertura de capital na bolsa, mas feita com criptomoedas (entenda melhor).
O valor da bitcoin segue as regras de mercado, ou seja, quanto maior a demanda, maior a cotação. Historicamente, a moeda virtual apresenta alta volatilidade. Em 2014, sofreu uma forte desvalorização, mas retomou sua popularidade nos anos seguintes.
Neste ano, o interesse pela bitcoin explodiu. No dia 1° de janeiro, a moeda era negociada a pouco mais de mil dólares. No início de outubro, já valia mais de 4 mil dólares.
Os entusiastas da moeda dizem que o movimento de alta deve continuar com o interesse de novos adeptos e a maior aceitação. Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha — semelhante à Bolha das Tulipas, do século XVII — que estaria prestes a estourar.

Saiba mais
Quem nunca ouviu falar na famosa moeda eletrônica bitcoin? Ela vem ocupando espaço nos noticiários desde que se tornou popular e conquistou ardentes entusiastas. É utilizada como moeda online em transações comuns e na Deep Web, a zona obscura onde ocorrem atividades ilegais (como tráfico de drogas) da internet. Mas o que a maioria do público não sabe é como funciona exatamente a moedinha virtual.
Mês passado, o bitcoin atingiu um marco histórico: o valor de uma moeda ultrapassou os 2 mil dólares. A alta continuou e em dias recentes, bateu 3 mil dólares por um breve período de tempo e agora negocia na casa dos US$2700. No Brasil, uma moedinha vale, hoje, em torno de R$9500.

O que o bitcoin tem de diferente?

Bom, vamos descrever algumas características dos bitcoins.

1. Eles são totalmente eletrônicos. Isso quer dizer que você nunca – nunca – vai ter a oportunidade de segurar um bitcoin nas mãos ou sacá-lo em um banco. Eles existem dentro de uma “carteira virtual” (como sua conta online em um banco comum) que só pode ser acessada pela internet. Existem softwares de diversas empresas para montar essas carteiras virtuais. A carteira não pode ser rastreada (se você tomar os devidos cuidados de segurança), o que significa que, se você esquecer a senha, nunca mais conseguirá acessá-la e perderá tudo que está lá dentro.

Eles funcionam com um registro blockchain. Uma das principais inovações do bitcoin é a maneira como as transações são executadas. Elas seguem um modelo chamado blockchain, no qual cada ordem de transação passa pelo computador de vários usuários e é “certificada” nesses computadores através de códigos de computação. Várias transações são então agrupadas e são adicionadas a um “bloco”, que será adicionado a blockchain e então as transações serão efetuadas (em breve retomamos esse ponto). A ideia é que se forme uma sequência de “blocos”, conectados de tal forma que seja impossível alterar um deles sem ter que alterar todos os blocos passados. Formalmente, o processo ocorre pela resolução de um problema matemático. O blockchain não é exclusivo dos bitcoins, pode ser utilizado para qualquer sequência de transações. Algumas características da tecnologia blockchain:

i) O registro é distribuído de maneira a ser compartilhado por todos os usuários sem que ninguém controle todas as informações. Todos têm acesso a todas as transações que acontecem. Quer ver? Acesse https://blockchain.info/, clique em um “bloco” e veja todas as transações que ocorreram naquele bloco.

ii) A transmissão é feita diretamente entre as partes, sem precisar de um operador central. Dessa forma, cada usuário encaminha as informações para outros usuários.

iii) Toda transação que é registrada no blockchain não pode ser alterada, pois elas estão conectadas às transações que vieram antes delas – por isso a palavra “chain”, que significa corrente. Vários algoritmos computacionais garantem que os registros sejam permanentes e cronológicos – de forma que, ao remover uma transação do sistema, todas as outras seriam invalidadas. Uma nota vale aqui: “imutabilidade” é um conceito relativo. Se você enviar um e-mail para uma lista de 30 amigos e depois quiser apagar os conteúdos, provavelmente não irá conseguir – você terá que convencer 30 pessoas a apagar o e-mail. Ou seja, em termos relativos, aquele conteúdo é imutável para você. Imutabilidade, portanto, se refere ao nível de dificuldade para a alteração de determinado conteúdo. No caso do blockchain, executado nas redes de bitcoin, a alteração é bem difícil, custosa e trabalhosa, de maneira que o registro é virtualmente imutável.

3. As transações são anônimas, porém transparentes. Isso parece contraditório, certo? A questão é que todas as transações de um blockchain têm um “endereço” (ou “chave”), como por exemplo, “3J98t1WpEZ73CNmQviecrnyiWrnqRhWNLy”. Sim, essa sequência feia de números e letras é um endereço. Para receber ou enviar uma quantidade de bitcoins, você precisa passar seu endereço para outra pessoa, então ele funciona exatamente como um endereço funcionaria se você estivesse mandando uma carta pelo correio, por exemplo. A diferença é que esses endereços têm a intenção de nunca serem repetidos. É como se você tivesse várias casas para receber várias entregas diferentes. Todas as transações executadas são marcadas na rede – então se você sabe o endereço de uma pessoa e ela só usa o mesmo endereço, você tem acesso a todas as transações dela.

Como as transações são anônimas então? É o seguinte: pela tecnologia do blockchain, todas as transações que passam pelo seu computador deixam uma marca, chamada de “nó”. Então, seu endereço de IP (não confundir com o “endereço” do bitcoin) carrega uma “marca” de todas as transações que passaram por ele. Assim, é como se você fosse a fonte de todas as transações que passaram pelo seu computador, mas, na verdade, você não é. Então como saber se o endereço que passou pelo seu computador é realmente um endereço de uma transação sua? Isso é impossível [1] – e é daí que vem o anonimato nos bitcoins.

Isso quer dizer que os pagamentos por bitcoins não têm restituição. Não há um banco ou uma empresa de cartão de crédito que possa sustar a transação. Se você pagar alguém e depois voltar atrás, não há como receber o dinheiro de volta, a não ser que a pessoa seja de confiança o bastante para aceitar desfazer a transação.

4. Como são criados novos bitcoins? O processo de criação de novos bitcoins é chamado de “mineração”. Funciona assim: a cada poucos minutos, as transações pendentes na rede são verificadas pelos mineradores e agregadas em um bloco, que então é transformado em um algoritmo matemático. Aí, esses mineradores usam computadores de alta performance para resolver esse algoritmo. Por convenção, a primeira transação de cada novo bloco da blockchain é uma transação especial, realizada pelo minerador cujo computador consiga primeiro solucionar o algoritmo. Esse minerador recebe um número de bitcoins pelo seu serviço, além de uma taxa para cada transação que ocorra no bloco que ele “criou” (na verdade, cujo algoritmo solucionou).
Isso gera um incentivo para que várias pessoas minerem bitcoins, pois elas ganham uma quantia de bitcoins ao fazer isso, o que permite que novas emissões da moeda sejam possíveis sem uma autoridade monetária central (por exemplo, quem emite novos reais no Brasil é o Banco Central). Além disso, o fato de o processamento das transações ser feito pela própria “mineração” agrega segurança ao sistema e põe os incentivos no lugar, o que veremos no próximo ponto.

5. Alterar, fraudar ou invadir o blockchain é virtualmente impossível. A partir do momento em que você realiza uma transação com o bitcoin, como já dissemos, essa transação se torna pública para toda a rede, além de haver uma ordem clara do timing de cada transação. Dessa forma, o sistema consegue verificar se aqueles bitcoins já foram utilizados ou não, garantindo que não seja possível a ocorrência de fraudes (dupla contagem). Essa é uma das características mais interessantes do bitcoin: normalmente, para evitar tal fraude, é necessária uma autoridade central pela qual todas as transações devem passar, de modo a garantir que não ocorram fraudes. Com o bitcoin, essa autoridade central não é mais necessária.

6. O sistema de incentivos é bem posicionado. A única maneira de ocorrer uma fraude é caso alguém possua poder computacional bastante (normalmente, diz-se que seria necessário possuir a maioria, ou 50%+1, do poder de computação da rede). Se isso ocorrer, é possível alterar o blockchain e fraudar operações. Mas, ao mesmo tempo, quem tem um poder computacional tão grande é favorecido no processo de “mineração”, por ter mais capacidade de solucionar o algoritmo. Assim, por que você iria fraudar o sistema, se pode jogar pelas regras do jogo e ainda assim ter um alto ganho?

De um lado temos os incentivos, que ajudam a tornar ações de fraude menos proveitosas; de outro, é praticamente impossível agregar tamanho poder computacional. Segundo reportagem da The Economist, os mineradores de bitcoin, juntos, possuem 13 mil vezes mais poder de cálculos numéricos do que os 500 maiores supercomputadores do mundo.

Há fraquezas, claro. A mesma reportagem afirma que um agrupamento de mineradores (que se juntam para resolver os algoritmos mais rápido, dividindo os ganhos) chegou perto de ter o limite necessário, antes que os mineradores desse agrupamento percebessem isso e voluntariamente trocassem de união (o que de fato ocorreu). Outro problema é que, conforme mais mineradores entram na rede e obtêm maior poder computacional, mais difícil se torna minerar e menores são os ganhos. Alguns temem que, se os ganhos diminuírem muito, certos mineradores vão desligar seus equipamentos (pois a eletricidade ficará mais cara que os ganhos com a mineração), podendo deixar o sistema vulnerável a quem possuir muito poder computacional.

A fim de se prevenir contra essa possibilidade, os criadores do bitcoin criaram uma “taxa de transação”: os mineradores que resolvem os algoritmos de um conjunto de transações (criando assim um novo bloco da blockchain) recebem taxas pelas transações efetuadas nesse bloco. Assim, na hipótese de o sistema se tornar grande o bastante, o ganho com as taxas transacionais passa a ser um incentivo importante na prevenção de fraudes.

7. O que impede o bitcoin de crescer ainda mais? Os recentes ataques de ransomware travaram os computadores de milhares de pessoas e organizações em todo o mundo. Em troca da liberação das máquinas, os “sequestradores” pediram um resgate… em bitcoins! O que ficou claro é uma das maiores limitações do bitcoin: nem todo mundo tem saco para abrir uma carteira virtual, entender como eles funcionam e passar a utilizá-los. Em economês, dizemos que usar bitcoins tem um custo muito alto, o que desincentiva a utilização da moeda.

Por outro lado, alguns problemas no próprio funcionamento do bitcoin impõem questionamentos à expansão da moeda. Um deles tem a ver com problemas no blockchain. Hoje, os blocos que processam as transações na moeda têm um limite de tamanho de 1 MB (entre em https://blockchain.info/pt/blocks e veja a coluna “tamanho”; quase todos os blocos tem quase 1MB). Essa limitação gera problemas, pode não aguentar a demanda por transações. O que acontece, nesse caso, é que as transações atrasam e o sistema inteiro é prejudicado. Duas soluções são propostas para esse problema: o Segwit e uma versão alternativa do bitcoin, o Bitcoin Ultimate. Ambas propõem maneiras de lidar com blocos maiores (leia mais sobre isso aqui).
As modificações que visam aprimorar o funcionamento da moeda digital esbarram em questionamentos sobre a possibilidade de uma centralização demasiada da rede de mineradores. Isso tornaria o bitcoin vulnerável a possíveis problemas como fraudes. Afinal, o propósito inicial é um sistema descentralizado e esse é um pilar importantíssimo da criptomoeda.
Além disso, o crescimento das altcoins, moedas digitais alternativas, pode por em xeque a dominância do bitcoin no mercado. Exemplos são a Litecoin e o Ethereum (leia mais sobre elas aqui e aqui, respectivamente).

Fato inegável é que a tecnologia blockchain e a ideia de uma moeda estabelecida por uma rede descentralizada, sem a necessidade de um fiador de confiança (um intermediário financeiro), são duas inovações que têm potencial para revolucionar a economia mundial.

[1] Tecnicamente, há alguns bugs que tornam possível a identificação, mas é um tópico muito mais complexo e bem difícil de acontecer.

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13.554 – Indústria do Golpe – Golpistas criam sites falsos da Casas Bahia e Americanas


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O consumidor deve ficar atento na hora de fazer compras pela internet durante a Black Friday. Segundo o site Reclame Aqui, golpistas criaram páginas dublês de redes varejistas famosas, como Ponto Frio, Casas Bahia e Americanas.
Com preços muito abaixo do mercado e visual idêntico ao das páginas oficiais das lojas, os golpistas tentam enganar os consumidores. Na página falsa da Americanas a smart TV da Samsung é vendida por 1.299 reais, enquanto no site verdadeiro o preço dela é de 4.498,99 reais.
A primeira dica para evitar cair em falsas promoções é sempre procurar a página oficial da loja. Os sites falsos podem até incluir parte do nome oficial da loja, mas nunca o verdadeiro.
Órgãos de defesa do consumidor são unânimes: é preciso desconfiar de preços muito abaixo da média do mercado.
O Reclame Aqui orienta o consumidor a desconfiar de sites que aceitam pagamento apenas em boleto bancário. “Golpistas utilizam dessa prática para receber o dinheiro do consumidor com rapidez e nunca entregar o produto prometido.”

Empresas
A Via Varejo, empresa que administra os sites da Casas Bahia e do Extra, dá outras dicas par os clientes não caírem em páginas falsas de promoção. Uma delas é observar se erros ortográficos ou de concordância nos textos, além de checar a url se a url do site corresponde ao endereço original da loja.

“A companhia recomenda limitar a busca de ofertas a e-commerces bem avaliados por órgãos competentes, não confiar em e-mails e sites que enviem links e arquivos anexos suspeitos, ou que peçam informações pessoais, e utilizar senhas com alto grau de dificuldade, porém, fáceis de serem lembradas para que não seja necessário armazená-las no computador”, informa o grupo.
A Americanas informa que o cliente deve checar sempre os produtos e preços no site, aplicativo e redes sociais oficiais da marca.

13.553 – Biologia – Este é o maior organismo vivo já encontrado


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Em 1998, um grupo de pesquisadores do Serviço Florestal dos EUA entrou na Floresta Nacional de Malheur para investigar a morte de várias árvores abeto, o famoso pinheirinho de Natal que cresce no Hemisfério Norte. O parque fica na região leste do estado de Oregon, nas Montanhas Azuis.
A área afetada foi identificada com a ajuda de fotografias aéreas e amostras de raízes de 112 árvores mortas ou que estavam prestes a morrer foram recolhidas. A análise delas mostrou que 108 estavam infectadas com o fungo Armillaria solidipes.
Este fungo cobre 9,6 km2, chegando a ter cerca de 3 km de extensão no maior ponto. Com base nos cálculos dos pesquisadores, o organismo está ali há 2,5 mil anos, mas alguns especialistas acreditam que ele esteja ali há 8 mil anos.
Este fungo gigante se espalha pelo sistema de raízes das árvores, matando-as lentamente. Por isso, não é apenas o maior organismo do mundo, mas também o mais mortal. Por algumas semanas em cada outono, o fungo aparece em aglomerados amarelados de corpo de frutificação e esporos, mas durante o resto do ano o micélio vegetativo fica escondido em uma camada fina branca embaixo da terra. É justamente quando está escondido que ele fica mais mortal.
As árvores costumam se beneficiar da presença de fungos em suas raízes, pois eles ajudam na movimentação de nutrientes no solo. Este tipo específico de fungo, porém, causa o apodrecimento das raízes, matando a árvore lentamente durante décadas. A árvore tenta lutar contra o fungo ao produzir uma seiva preta que escorre pela casca, mas esta é uma batalha perdida.
“As pessoas normalmente não pensam que cogumelos matam árvores. O fungo cresce ao redor da base da árvore e então mata todos os tecidos. Pode levar 20, 30, 50 anos antes que ela finalmente morra. Não há movimentação de água ou nutrientes para cima ou para baixo da árvore quando isso acontece”, explica um dos pesquisadores do Serviço Florestal, Greg Filip, ao Oregon Public Broadcasting.
fungo foi identificado pela primeira vez em 1988, e inicialmente acreditava-se que se tratava de vários organismos diferentes, mas experimentos mostraram que se tratava do mesmo organismo. Quando o micélio de fungos geneticamente idênticos se encontra, eles se unem e formam um indivíduo. Quando os genes dos fungos são diferentes, eles se rejeitam. Assim, os cientistas colocaram na mesma placa de Petri diferentes amostras recolhidas de diferentes pontos. O resultado foi que 61 deles tinham os mesmos genes.
Se todos esses cogumelos fossem reunidos e empilhados, eles pesariam até 31 toneladas. “Nunca vimos nada na literatura que sugere que qualquer outra coisa no mundo é maior em superfície”, diz Filip.
Esse cogumelo pode ser encontrado em outras partes dos EUA e na Europa, mas nenhum é tão grande quanto o encontrado em Oregon. “Quando você percebe que esse fungo se espalha entre 12 a 36 cm por ano e que temos alguma coisa tão grande assim, podemos calcular sua idade”, explica ele.
O fungo tem preocupado os lenhadores e madeireiras da região, que tentam encontrar uma forma de impedir seu crescimento. Eles já tentaram cortar árvores, cavar as raízes das plantas afetadas e em algumas áreas tentaram remover até a última fibra do fungo que eles encontraram. Este último método produziu o melhor resultado, já que mais pinheiros sobreviveram depois de serem plantados no solo tratado. Mesmo assim, esta técnica é cara e trabalhosa, e nunca será suficiente para eliminar o fungo todo da região.
Outra possível solução é encontrar uma espécie de pinheiro que sobreviva ao fungo e passar a plantar este tipo de árvore na região afetada. Pesquisadores do estado de Washington, vizinho ao norte de Oregon, estão pesquisando quais árvores são menos afetadas pelo fungo, já que o estado também está sofrendo com o problema. “Estamos procurando por uma árvore que possa crescer em sua presença. É besteira plantar a mesma espécie onde há infestação da doença”, diz Dan Omdal, do Departamento de Recursos Naturais de Washington.
O provável, porém, é que a atividade humana não influencie muito no crescimento do fungo, e ele continue existindo abaixo das florestas dos Estados Unidos e Europa por outros milhares de anos. [Odditycentral, BBC]

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13.552 – Primeiro modem comercial 5G da Intel já está sendo desenvolvido


modem 5g
A empresa anunciou o desenvolvimento do seu primeiro modem 5G comercial, que deve ser lançado no mercado nos próximos anos.
O XMM 8060 é o primeiro modem 5G da Intel. Ele tem capacidade de funcionar em redes 5G, 4G, 3G e 2G. A expectativa da Intel é que os primeiros dispositivos com o chip cheguem às lojas em meados de 2019. Isso inclui smartphones, computadores, veículos e mais.
A expectativa é que as conexões 5G atinjam velocidades superiores a 5 Gbps. Além da Intel, outra empresa que trabalha na área é a Qualcomm, que já realizou uma conexão 5G que bateu a marca de 1 Gbps – ainda longe do potencial real da tecnologia.
O 5G só deve começar a operar comercialmente em 2020, e ainda assim deve demorar bastante até que as redes com a quinta geração de internet móvel estejam disponíveis para muita gente. Até lá, a Intel trabalha para ser um nome forte na área.

13.551 – Neurologia – Alcoolismo Prejudica a Memória


Nascemos programados para esquecer. Mais cedo ou mais tarde, cada um de nós apagará da lembrança informações recentes, compromissos, conceitos, habilidades. A perda da memória é gradativa e determinada geneticamente com a morte das células nervosas em diferentes áreas do cérebro, provocada por um inimigo certo e igual a todos: o envelhecimento.
Ao longo da vida, muito antes mesmo de ficarmos velhos, nossa memória é atacada de diversas formas, sem que tenhamos um controle sobre isso. Traumas, doenças, medicamentos, exposições a componentes químicos podem causar lesões irreversíveis no cérebro. Mas muitas vezes nos tornamos aliados dos nossos inimigos com atitudes que tomamos conscientemente e, algumas vezes, com muito prazer.
Um dos inimigos mais agressivos é o álcool. Nas células nervosas, essa substância toma o lugar da glicose, mas não é capaz de produzir o mesmo volume de energia.

“O álcool destrói as células nervosas. Por causa da dificuldade de absorção do intestino, devido à lesão causada pelo álcool, elas têm deficiência das vitaminas B1 e B12. E a deficiência dessas duas vitaminas vai provocar uma lesão adicional no cérebro, além da lesão que o próprio álcool produz”, esclarece Benito Damasceno.
De acordo com os especialistas, a má alimentação é o segundo grande inimigo da memória. E ela também faz parte da rotina de Henrique. Ele troca refeições por salgados fritos. Gordura e altos níveis de colesterol têm um efeito direto na degeneração das células. Comer pouco ou muito açúcar também faz mal para a memória. Deixar de ingerir vitamina B1 também prejudica o funcionamento do cérebro. E ela é encontrada principalmente nos cereais.
De acordo com especialistas, o excesso de comida, seja ela qual for, também compromete a capacidade dos neurônios, porque ingerimos mais energia do que gastamos. Mas o que pouca gente sabe é que a forma como os alimentos são processados também pode provocar a liberação de toxinas que prejudicam o aprendizado e a memória. Os cuidados devem ser redobrados principalmente na hora de preparar alimentos que tenham proteína, como carnes e queijos.

13.550 – Astrofísica – Pressão Atmosférica em de Júpiter


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É a maior atmosfera planetária do Sistema Solar. É composta principalmente de hidrogênio molecular e hélio em proporções similares às do Sol. Outros elementos e compostos químicos estão presentes em pequenas quantidades e incluem metano, amônia, sulfeto de hidrogênio e água. Embora acredite-se que a água esteja presente nas profundezas da atmosfera, sua concentração é muito baixa. A atmosfera joviana também possui oxigênio, nitrogênio, enxofre e gases nobres. A abundância destes elementos excede três vezes a do Sol.
De baixo para cima, as camadas atmosféricas são troposfera, estratosfera, termosfera, e exosfera. Cada camada possui seu gradiente de temperatura característicos.
A camada mais baixa, a troposfera, possui um sistema complicado de nuvens, com camadas de amônia, hidrosulfeto de amônia, e água. As nuvens superiores de amônia são visíveis da superfície do planeta, e estão organizadas em um sistema de bandas paralelas ao equador, sendo limitadas por fortes correntes atmosféricas (ventos) conhecidas como jatos. As bandas alternam-se em cor: as bandas de cor mais escuras são chamadas de cinturões, enquanto as bandas de cor mais clara, de zonas. Zonas, que são mais frias que cinturões, correspondem às regiões nas quais o ar está movendo para cima, enquanto nos cinturões o ar está movendo em direção ao interior do planeta. Acredita-se que a cor das zonas seja o resultado de gelo de amônia; não se sabe ainda com certeza o mecanismo que dão aos cinturões suas cores típicas.
A atmosfera jupiteriana possui vários tipos de fenômenos ativos, incluindo instabilidades das bandas, vórtices (ciclones e anticiclones), tempestades e raios.
A circulação atmosférica em Júpiter é significantemente diferente da circulação atmosférica terrestre. O interior de Júpiter é fluido, e não possui nenhuma superfície sólida. Portanto, convecção pode ocorrer na camada de hidrogênio molecular do planeta. Nenhuma teoria compreensiva sobre a dinâmica da atmosfera jupiteriana foi desenvolvida até o presente. Uma teoria bem sucedida deste tipo precisa responder às seguintes questões: a existência de bandas e jatos estáveis estreitos e relativamente simétricos em relação ao equador jupiteriano; o forte jato prógrado observado no equador; a diferença entre cinturões e zonas; e a origem e a persistência de grandes vórtices tais como a Grande Mancha Vermelha.
Júpiter radia mais calor do que recebe do Sol, fato conhecido desde 1966. Estima-se que a razão entre o poder emitido pelo planeta e o poder absorvido do Sol é de 1,67 ± 0,09. O fluxo de calor interno de Júpiter é de 5,44 ± 0,43 W/m², enquanto o poder total emitido pelo planeta é de 335 ± 26 petawatts. O último valor é aproximadamente iqual a um bilionésimo do valor do poder total radiado pelo Sol. Este excesso de calor é primariamente calor primordial proveniente da formação do planeta, mas pode resultar também da precipitação de hélio no interior do planeta.
Os primeiros astrônomos, utilizando pequenos telescópios com olhos como detectores, registraram as mudanças de aparência da atmosfera de Júpiter. Os termos utilizados para descrever as características da atmosfera jupiteriana — cinturões, zonas, manchas vermelhas e marrons, plumas, jatos — ainda são utilizados. Outros termos, tais como vorticidade, movimento vertical, altura das nuvens, entraram em uso depois, no século XX.
As primeiras observações da atmosfera jupiteriana em resoluções maiores do que as possíveis com telescópios terrestres foram tomadas pelas sondas Pioneer 10 e Pioneer 11, embora as primeiras imagens em detalhes da atmosfera jupiteriana foram tomadas pelas sondas Voyager 1 e Voyager 2. As Voyagers tomaram imagens com resolução de até 5 km, em vários espectros, e também criaram filmes de aproximação, mostrando a circulação atmosférica jupiteriana. A sonda Galileu observou menos a atmosfera jupiteriana, embora suas imagens tenham tido, em média, uma resolução maior, e um espectro mais diversificado do que as imagens tomadas pelas Voyagers.
Atualmente, astrônomos possuem acesso contínuo à atividade atmosférica de Júpiter graças a telescópios tais como o Hubble.
Júpiter é composto principalmente de hidrogênio, sendo um quarto de sua massa composta de hélio, embora o hélio corresponda a apenas um décimo do número total de moléculas. O planeta também pode possuir um núcleo rochoso composto por elementos mais pesados, embora, como os outros planetas gigantes, não possua uma superfície sólida bem definida.
Júpiter é observável da Terra a olho nu, com uma magnitude aparente máxima de -2,94, sendo no geral o quarto objeto mais brilhante no céu, depois do Sol, da Lua e de Vênus.
Júpiter possui a maior atmosfera planetária do Sistema Solar, com mais de 5 000 km de altitude.
Como o planeta não tem superfície, a base de sua atmosfera é considerada o ponto em que sua pressão atmosférica é igual a 100 kPa (1.0 bar).
Júpiter é o planeta de maior massa (318 vezes a massa da Terra, mais que todos os outros planetas juntos) e maior raio (cerca de 71500 km, 11 vezes o raio terrestre). Na verdade, Júpiter é tão grande que se pensa poder ser uma estrela abortada – não tem ainda a massa suficiente para que as forças gravitacionais pudessem começar a fusão nuclear. Outro elemento em favor desta teoria é a composição da atmosfera joviana: 90% de hidrogénio, 10% de hélio e vestígios de metano, dióxido de carbono, água, amónia e silicatos – não muito diferente da Nebulosa Solar primordial. Assim, se Júpiter fosse maior (cerca de 80 vezes maior), o nosso Sistema Solar teria uma estrela dupla Sol-Júpiter.

A massa de Júpiter é suficientemente grande, contudo, para ter efeitos sobre todo o Sistema Solar. Na Terra, por exemplo, uma análise matemática das marés mostra que, para além do efeito dominante, bem conhecido, da Lua, há um segundo efeito de origem solar (embora o Sol esteja muito distante, a sua massa é bastante para se fazer sentir) e um terceiro efeito, muito mais fraco mas claramente originado por Júpiter. A cintura de asteroides, entre Marte e Júpiter, deve-se ao efeito de maré de Júpiter, que não permitiu que os planetesimais se aglutinassem num planeta. É também este efeito de maré que mantém ativo o vulcanismo de Io, a mais interna das luas galileanas de Júpiter. Como a composição de Júpiter é essencialmente gasosa, o seu raio é definido arbitrariamente como o raio da isóbara de 1 bar, posição que não corresponde a nada de sólido. As imagens que vemos do planeta correspondem aos topos das nuvens.

jupiter figura

13.549 – Por Que os Corais se alimentam de plástico?


recifes de coral
Corais, parece mineral, mas é animal

Pesquisadores da Universidade Duke, nos EUA, derrubaram uma antiga concepção de que corais marinhos se alimentariam de plástico acidentalmente. A princípio, eles acreditavam que os pedaços indesejados e nocivos eram ingeridos por engano. De acordo com essa concepção, corais comeriam fragmentos de plástico por confundi-los com seu alimento habitual: plâncton.
Só esqueceram de enxergar o óbvio: como corais não têm olhos, seria impossível cometerem esse tipo de escorregada na dieta. Ao notarem isso descobriram que o que importa mesmo para essa equivocada escolha alimentar dos corais é o sabor.
De acordo o doutorando Austin S. Allen, um dos autores da pesquisa, “os corais do experimento comeram todos os tipos de plástico oferecido, mas preferiram três vezes mais os plásticos lisos, sem ‘cobertura’, em relação a pedacinhos que tinham um biofilme de bactérias. Isso sugere que o plástico contém algo que o deixa mais saboroso quando ingerido puro.”
A suspeita é de que algum dos componentes químicos usados na fabricação de plásticos – ou uma combinação deles – é responsável por aguçar o paladar dos corais. Diante dessa constatação, Allen e seu parceiro de pesquisa Alexander C. Seymour esperam identificar esses agentes que estimulam o apetite dos corais. “Se somos capazes de fabricar, por acaso, um plástico que é saboroso para esses animais, pode ser que também sejamos capazes de fabricar plástico que intencionalmente não seja apetitoso”, explica Seymour.

13.548 – Primeiro transplante de cabeça efetuado (?)


transplante de cabeça
O neurocirurgião italiano Sergio Canavero em uma conferência de imprensa na recentemente, em Viena, na Áustria, afirmou ter completado o primeiro transplante de cabeça humana do mundo entre dois cadáveres, sem fornecer nenhuma prova para apoiá-lo.

O procedimento
Canavero, diretor do Grupo de Neuromodulação Avançada de Turim, disse ter retirado a cabeça de um cadáver e a anexado ao corpo de outro cadáver, fundindo a coluna vertebral, nervos e vasos sanguíneos. O médico também disse ter estimulado os nervos do cadáver depois do procedimento, para garantir que o método funcionou.
A “operação” durou 18 horas e foi realizada na China por uma equipe da Universidade Médica de Harbin, liderada pelo Dr. Xiaoping Ren.
O neurocientista fez parte da equipe, mas não divulgou detalhes da técnica utilizada, dizendo apenas que um artigo científico seria publicado nos “próximos dias”.

Críticas
Canavero não inspira muita confiança na comunidade científica.
Por exemplo, ele afirmou ter realizado o transplante em um macaco em 2016, mas não publicou nenhum artigo sobre isso.
Além disso, nos vários artigos que ele de fato publicou reivindicando ter cortado e juntado as medulas espinhais de animais, como ratos e cães, os textos não deixam claro como o procedimento funciona, nem foram revisados por outros cientistas.

O que sabemos
Quando Canavero discutiu seus planos para esse tipo de cirurgia no passado, ele se referiu ao processo como um transplante de cabeça ou de corpo inteiro. Seu último trabalho foi descrito de forma diferente.

“Meu principal objetivo não era um transplante de cabeça, era um transplante de cérebro”, disse na conferência de imprensa.

O procedimento que ele eventualmente quer completar – seja qual for o seu nome – envolverá cortar segmentos da medula espinhal de uma pessoa com lesão, a fim de substituir a parte cortada com segmentos da medula espinhal saudável de um doador, fundindo as duas partes.
Canavero planeja “colar” as espinhas usando polietileno glicol (PEG), uma substância comumente usada para encorajar células a se fundirem em laboratório.
Ele também disse que o procedimento entre cadáveres se provou um sucesso, e que ele e sua equipe tentariam realizar a mesma coisa em dois doadores de órgãos com morte cerebral antes de eventualmente tentar uma cirurgia semelhante em alguém paralisado do pescoço para baixo.

Prolongar a vida
Canavero acrescentou que sua maior meta, como cientista, não é curar a lesão da medula espinhal, mas sim prolongar a vida.
Da mesma maneira que o médico fictício Victor Frankenstein descobriu como dar vida a uma matéria inanimada, Canavero pretende enganar a morte.
O cirurgião prevê um futuro em que pessoas saudáveis possam optar por transplantes de corpo inteiro como uma forma de viver mais tempo, eventualmente até colocando suas cabeças em corpos clonados.

Ceticismo
A evidência existente de que um transplante de corpo inteiro poderia ter êxito se apoia em poucos experimentos feitos com animais que muitos especialistas dizem ser inconclusivos.
É possível que tudo o que Canavero disse ter feito seja verdade, e que o transplante de cabeça esteja mesmo iminente. Por mais que ele pareça maluco, ideias loucas são necessárias para romper fronteiras.
Mas estamos falando de ciência. Muito pouco estudo foi feito sobre este procedimento ou seus riscos. Se Canavero não começar a pesquisar de forma aberta, honesta e realista, será difícil que a comunidade científica o leve a sério.
Até que vejamos evidências convincentes de que tal transplante é realmente viável, permaneceremos céticos. [ScienceAlert]

13.547 – Mega Cult – Os Ditos Populares de outros países


“Quando um navio está afundando, os ratos são os primeiros a pular fora”
Alemanha
Esse provérbio , que tem equivalentes ao redor de todo o mundo, surgiu no tempo das grandes navegações. Seu significado é o de que, quando as coisas começam a ficar ruins, as pessoas egoístas – e também covardes – só se preocupam com si mesmas.

“A manhã tem ouro na boca”
(Morgenstund hat Gold im Mund)

Alemanha
Essa rima alemã (acredite, em alemão essas palavras rimam) é um recado direto para os dorminhocos e procrastinadores. Ele diz algo como o nosso “Deus ajuda quem cedo madruga”. Sua origem está em um antigo ditado latino: “Aurora musisamica” (algo como “A aurora é a amiga das musas”).

“Muito trabalho e pouca diversão tornam Jack um menino aborrecido”
(All work and no play makes Jack a dull boy)

Inglaterra
E vai dizer que isso não é a pura verdade? Quem só trabalha e não se diverte costuma se aborrecer muito – além de aborrecer os outros. O ditado, que surgiu na Inglaterra do século 17, faz referência à obra do sábio Ptah-Hotep, do Egito antigo.

“Da Espanha, nem bom vento, nem bom casamento”
(De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento)

Portugal
Foi da eterna rixa da Península Ibérica que surgiu esse ditado um tanto maldicente. As cortes de Portugal e da Espanha se notabilizaram por casamentos mal-sucedidos entre os nobres dos dois países – como no caso de Carlota Joaquina e dom João VI. Mas a expressão também tem uma explicação geográfica: como a Espanha tem um território montanhoso, os ventos que chegam a Portugal do leste, durante o inverno, são mais secos e rigorosos que os do oceano, ao oeste.

“Estão chovendo cães e gatos”
(It’s raining cats and dogs)

Inglaterra e EUA
Um clichê sobre o clima em língua inglesa (algo como “Estão chovendo canivetes”). Existem várias origens dessa expressão; a mais lúdica diz que seria uma espécie de conexão das tempestades a Odin (deus nórdico do trovão, associado a cães) e a bruxas (associadas a gatos).

“Veio para passar khol nos olhos dela, deixou-a cega”
(Ija mishan Kahila, Amaha)

Arábia Saudita
Às vezes, você quer melhorar algo e acaba piorando a situação… Isso não acontece só com você, acredite. Pois é exatamente o recado desse ditado árabe que usa a figura de uma mulher que quer deixar os olhos mais vistosos (khol é uma espécie de lápis preto), mas acaba se dando mal.

“Até a Virgem de Pilar, o tempo começa a mudar”
(Hacia la Virgen del Pilar comienza el tiempo a cambiar)

Espanha
A Virgem de Pilar é a padroeira da Espanha. Em 12 de outubro o povo de todo aquele país – e especialmente da cidade de Saragoza, no nordeste espanhol – celebra de o dia da santa em uma grande festividade. Como essa época do ano coincide com o final do calor e começo das chuvas no Hemisfério Norte, a cultura espanhola acabou cunhando esse ditado, que por aqui é um tanto desconhecido.

“Não existe tempo ruim, apenas roupas ruins”
(Det finns inget dåligt väder, bara dåliga kläder)

Suécia
Também encontrado em inglês no romance Dombey e Filho, de Charles Dickens, o provérbio é muito popular na Suécia. A ideia central é de que tudo é uma questão de adaptação. Assim como qualquer clima é aceitável se estivermos com as roupas certas, tudo na vida pode ser ajustado de acordo com a situação.

“Mais quente que sovaco de tosador de ovelhas”
(Hotter than a shearer’s armpit)

Austrália
Expressões sobre o tempo têm variantes em diversos idiomas. A cultura da Austrália, um país de clima quente e com uma população gigantesca de ovinos, moldou esse ditado, que, cá entre nós, faz sentido: afinal, não deve ser muito agradável segurar uma ovelha e tosar sua lã sob um calor escaldante.

“Primeiro vem a comida, depois a moral”
(Erstkommt das Fressen, dann die Moral)

Alemanha
Essa expressão popular que também parece uma regra deconduta é uma citação da obra A Ópera dos Três Vinténs, do dramaturgo Bertold Brecht. É uma amostra de que as necessidades básicas (a fome, no caso) conseguem impedir-nos de nos preocupar com as questões que deveriam ser mais importantes.

“Melhor bolinhos que flores”
(Hana-yoridango)

Japão
O ditado está relacionado ao Hanami, tradicional costume japonês de contemplar a beleza das cerejeiras na primavera. Aqui, a ideia é a ironia: durante os festivais é comum as pessoas levarem lanches para se alimentar e a gulodice acaba deixando de lado a apreciação das flores.

“Na falta de pão, boas são tortas”
(A falta de pan, buenas son tortas)

Espanha
A expressão espanhola vem de uma situação pela qual muita gente já passou alguma vez na vida: chegar tarde demais à padaria e não ter mais pão para comprar. A torta em questão era um tipo de pão seco que dura muitos dias, menos saborosa que o pão comum. Nosso equivalente mais conhecido seria “Quem não tem cão caça com gato”, que tem origem diferente, mas mesmo sentido.

“A neve é a manta do agricultor”
(Kar çiftçinin yorganidi)

Turquia
Surgiu a partir da atividade agrícola, importante para a economia turca. O sudeste turco tem invernos longos e é justamente a neve que protege o solo: ela é um bom isolante térmico e evita que as plantas congelem, garantindo as safras de inverno.

13.546 – Do Micro ao Macro


Microscópios e telescópios foram fundamentais para a ciência. Eles serviram para ajudar a fazer grandes descobertas e simbolizam o interesse do homem tanto pelo micro – as coisas pequenas, invisíveis a olho nu, quanto pelo macro – a vastidão do Universo. Hoje, como você vai ver nestas e nas próximas páginas, a ciência caminha ainda mais para o estudo dessas duas pontas, mas em uma escala nunca vista antes. O estudo de coisas previstas apenas na teoria, como partículas subatômicas muitas vezes menores que o átomo, passa a ser possível também na prática, assim como a observação de galáxias cada vez mais distantes. E o que empurra a ciência nessa direção é o avanço das técnicas de investigação da natureza, que ficam cada vez mais sofisticadas.
A verdade é que o homem sempre gostou de estudar esses dois extremos. Até o século 16, contudo, os experimentos nessa área eram limitados por aparelhos rudimentares e teorias difíceis de provar. Foi no século 17 que surgiram o microscópio e o telescópio, dois equipamentos fundamentais, que permitiram testar teorias e avançar na observação do céu e das partículas.
O telescópio foi criado em 1606 por um holandês e adaptado pelo astrônomo Galileu Galileu, o primeiro a usá-lo para estudar o céu. O aparato permitiu que o italiano de Pisa descobrisse fenômenos como o relevo da Lua, os satélites de Júpiter e a natureza da Via Láctea. Algumas décadas depois, veio o microscópio. O holandês Antonie van Leeuwenhoek foi o primeiro a usar o equipamento para observar materiais biológicos, como plantas, glóbulos de sangue e espermatozoides do sêmen.
Hoje, ambos evoluíram. Parece até coisa do Obama, mas o que motiva a realização de estudos em níveis tão profundos é, simplesmente, porque nós podemos. Assim como a astronomia e a biologia floresceram no século 17 graças ao telescópio e ao microscópio, hoje é possível desbravar as fronteiras mais longínquas do micro e do macro porque temos as ferramentas necessárias. Os instrumentos tradicionais ficaram bem mais poderosos – chegamos à era dos extremely large telescopes (“telescópios extremamente grandes”), que têm espelhos de mais de 30 metros e permitem fotografar e catalogar o céu inteiro.
Também surgiram outras tecnologias, impensáveis há até pouco tempo. A ferramenta mais significativa é o megaprocessamento de dados. A capacidade de armazenar e processar quantidades inimagináveis de informações é uma das formas de aprender sobre tudo que está ao redor de nós, em todas as escalas
Microscópios e telescópios modernos geram tanta informação por dia que é impossível para o ser humano compilá-la e condensá-la. Mas um computador consegue encará-la – e é na análise dessa montanha monstruosa de dados que moram respostas para muitas das nossas dúvidas.
Mas, quando os números são muito grandes, mesmo as respostas do computador podem ser difíceis de digerir. É para isso que surgiram técnicas como a visualização de dados. Na prática, são programas que produzem gráficos simples a partir de informações complexas. Só de olhar dá para entender o que eles querem dizer. Esse é o trabalho do arquiteto da informação Manuel Lima, criador do projeto Visual Complexity, que reúne projetos inovadores de visualização de redes, e do Many Eyes, que fornece ferramentas para a interpretação visual de dados. Com a técnica, é possível enxergar desde a interação entre proteínas até a forma como as pessoas usam a internet, e fica mais simples entender conhecimentos complexos, gerados a partir de um monte de estatísticas. O uso das novas ferramentas permite não só que as pessoas explorem o micro e o macro de uma forma nunca vista antes mas também que possam compreender com facilidade o que isso significa para elas.

13.545 – Medicina – Órgão artificial poderá criar células de combate ao câncer


celulas cancerigenas
Embora ainda não tenha sido testado em seres humanos, este órgão artificial poderia reduzir o tempo e o custo da imunoterapia com células T e torná-lo uma opção mais viável para pacientes com baixa contagem de glóbulos brancos.

Timo artificial
Muitos órgãos artificiais estão sendo desenvolvidos como uma alternativa aos órgãos de dadores, pois estes são apenas soluções temporárias que exigem que os pacientes mantenham um regimento vitalício de medicamentos.
Com os recentes avanços nas tecnologias biomédicas, a ajuda pode chegar a tempo e evitar que aqueles que necessitam de transplantes já não tenham de esperar nas listas de doação para substituir órgãos como rins e vasos sanguíneos. Agora, os cientistas adicionaram o Timo à lista de partes do corpo que podemos simular artificialmente.

Mas o que é o Timo?
O timo, (Thymus em inglês) é uma glândula linfoide primária, responsável pelo desenvolvimento e seleção de linfócitos T. Na anatomia humana, o timo é uma glândula endócrina linfática que está localizada na porção superior do mediastino e posterior ao osso externo, fazendo parte do sistema imunológico. Limita-se superiormente pela traqueia, a veia jugular interna e a artéria carótida comum, lateralmente pelos pulmões e inferior e posteriormente pelo coração.

13.544 – Folhas caídas no outono viram material de alta tecnologia para eletrônica e energia


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Da biomassa à eletrônica

As estradas do norte da China estão cercadas por árvores kiri, ou paulônia imperial, que são decíduas, ou seja, perdem as folhas no outono. Essas folhas geralmente são aproveitadas pela população, que as queima na estação mais fria.
Hongfang Ma, da Universidade Qilu de Tecnologia, estava pesquisando essas folhas em busca de novas formas de converter a biomassa em materiais de carbono porosos que pudessem ser usados para o armazenamento de energia – em eletrodos de baterias, por exemplo.
Nessa busca, ele desenvolveu um método para converter a massa de resíduos orgânicos em um material de carbono poroso que pode ser usado para produzir equipamentos eletrônicos de alta tecnologia – e justamente para armazenar energia.

Supercapacitor de carbono
Ma usou um processo de várias etapas, mas bastante simples, para converter as folhas caídas das árvores em uma forma de carbono que pode ser incorporada nos eletrodos como materiais ativos.
As folhas secas foram primeiro moídas e a massa resultante foi aquecida a 220º C por 12 horas. Isso produziu um pó composto de pequenas microesferas de carbono. Essas microesferas foram então tratadas com uma solução de hidróxido de potássio e aquecidas por aumentos graduais da temperatura em uma série de saltos, de 450 a 800º C.
O tratamento químico corrói a superfície das microesferas de carbono, tornando-as extremamente porosas. O produto final, um pó de carbono preto, tem uma área superficial muito alta graças a esses poros minúsculos. E essa superfície proporciona ao produto propriedades elétricas extraordinárias.
As curvas de corrente-tensão do material mostraram que a substância poderia ser usada para construir um capacitor excelente. Testes posteriores mostram que, na verdade, o material produz supercapacitores, com capacitâncias específicas de 367 Farads por grama – isto é mais de três vezes mais do que a capacitância dos supercapacitores de grafeno.

Materiais supercapacitivos
Os capacitores são componentes elétricos presentes em toda a eletrônica, armazenando energia entre dois condutores separados um do outro por um isolante. Já os supercapacitores geralmente podem armazenar de 10 a 100 vezes mais energia do que um capacitor comum e podem carregar e descarregar muito mais rapidamente do que uma bateria recarregável típica.
Por isso, materiais supercapacitivos são altamente promissores para uma grande variedade de aplicações de armazenamento de energia, dos computadores aos veículos híbridos e elétricos.
O professor Ma e seus colegas pretendem a seguir melhorar ainda mais as propriedades eletroquímicas do material poroso de carbono, otimizando o processo de preparação e permitindo a dopagem do material, ou seja, a modificação de suas propriedades para aplicações específicas mediante a adição de pequenas quantidades de outros elementos, como se faz com os demais materiais utilizados na eletrônica.

13.543 – Antigravidade – Como se consegue anular a gravidade nos laboratórios da Nasa?


antigravidade

Não se pode simplesmente “desligar” a gravidade. Cintos antigravitacionais só existem no cinema ou nas histórias em quadrinhos. A Nasa e outras agências espaciais utilizam um artifício que permite simular a ausência de gravidade: a queda livre. Imagine-se dentro de um elevador, carregando alguns livros na mão. Quando o elevador chega ao último andar, alguém corta os cabos e ele despenca. De repente, a sensação será de ausência de peso, os pés perderão o contato com o chão e os livros flutuarão no ar. Como o elevador está fechado, você irá flutuar sem sentir a resistência do ar, como em um ambiente sem gravidade. Nos experimentos das agências espaciais, um avião a jato sobe até determinada altitude e, em seguida, é posto em queda livre durante certo tempo – não mais que 30 segundos. Na acolchoada cabine de passageiros, os futuros astronautas sentem a ausência de peso, até que o piloto retome o curso da aeronave.
Os testes não são utilizados apenas como “curso preparatório” para viagens espaciais. Dentro dos aviões, pesquisadores submetem equipamentos, procedimentos médicos e substâncias químicas, por exemplo, às mesmas condições encontradas no espaço. O que passar no teste pode entrar na nave.

Queda livre simula ausência de peso 11 000 metros (início da descida)
Gravidade = 1 G (normal)

1. Na simulação de gravidade zero, o piloto sobe até uma determinada altitude – de 10 000 a 12 000 metros – e abaixa o nariz do avião em 45 graus. Se a inclinação for menor que isso, a ausência de peso não é total

11 000 a 8 000 metros (descida)

Gravidade = Zero

2. Na descida, que dura entre 20 e 25 segundos, os ocupantes da cabine de passageiros flutuam no ar. Nessa mínima fração de tempo, são realizados os testes médicos que avaliam os efeitos da ausência de gravidade no organismo humano

8 000 metros (final da descida)

Gravidade = 1 G (normal)

4. A sequência de descidas e subidas é repetida de 30 a 40 vezes pelo piloto, até completar um total de três horas de voo

5. Quando alcança a marca de 8 000 metros de altitude, o piloto retoma a subida. Nessa etapa do voo, a gravidade, em vez de diminuir, aumenta para 1,8 G (1 G equivale à força gravitacional ao nível do mar)

13.542 – Astronáutica – Impressora 3D no Espaço


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No Warm Up Wired Festival Brasil 2017, no MAM de SP, Andrew Rush, CEO da empresa americana Made In Space, líder no segmento de manufatura em gravidade zero, anunciou parceria com a empresa brasileira Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas. As duas empresas estão trabalhando juntas para a criação de peças e ferramentas no espaço, a partir de uma impressora 3D. O próximo passo é a reciclagem desses objetos fora da Terra, o que não deve demorar.