14.017 – Psiquiatria – Gênios com Transtornos Mentais


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Vincent van Gogh, (o homem que pintava o 7) famoso por quadros como A Noite Estrelada e A Cadeira de Van Gogh, sofria de transtornos mentais. Além disso, de tanto beber absinto, ele adquiriu uma lesão no cérebro que causava ataques epilépticos. Certa vez, devido a uma crise, decepou sua própria orelha esquerda. Alguns autores afirmam que ele poderia ter transtorno bipolar, pois tinha variações constantes de humor. Suicidou-se aos 37 anos de idade.

John Nash, o matemático que inspirou o filme Uma Mente Brilhante e ganhador do Nobel de Economia, tem esquizofrenia paranoide. Ele já passou por vários hospitais psiquiátricos, sempre contra sua vontade, nos quais recebeu tratamentos com drogas antipsicóticas e injeções de insulina (que provocam períodos de coma). Gradualmente, Nash se recupera e eventualmente dá aulas de matemática na Universidade de Princeton.

O aviador, produtor de filmes e empresário Howard Hughes tinha uma estranha fobia de germes. Por causa do transtorno, ele tornou-se recluso e adquiriu o vício em codeína. Era compulsivo por higienização e obrigava seus empregados a seguirem suas ordens à risca. Para servir comida, por exemplo, eles precisavam usar luvas de papel toalha. Em certa fase, Hughes tirava toda a roupa e ficava deitado por horas em quartos escuros (que chamava de zonas higiênicas); e calçava caixas de lenços nos pés.

De acordo com alguns autores, o escritor Edgar Allan Poe, famoso por suas histórias de terror, sofria de transtorno bipolar. Ele bebia muito e certa vez escreveu uma carta descrevendo seus pensamentos suicidas.

Ernest Hemingway, ganhador de um Nobel de Literatura e um prêmio Pulitzer, tinha depressão e alcoolismo. Sua saúde mental tornou-se debilitada por causa do uso intenso de medicamentos, pelas bebedeiras, e devido a uma terapia baseada em choques elétricos, que causou perda de memória. , Assim como seu pai, seu irmão e sua irmã, Hemingway se suicidou.

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Tennessee Williams, dramaturgo, autor de Um Bonde Chamado Desejo e vencedor do Prêmio Pulitzer, sofria de depressão, alcoolismo e dependência química. Seu quadro se agravou ainda mais quando, sua irmã esquizofrênica passou por uma lobotomia; e seu namorado de longa data morreu de câncer de pulmão.

O famoso compositor Ludwig Van Beethoven tinha transtorno bipolar, de acordo com autores. Quando jovem, sofreu muito com o pai – que o agredia fisicamente e o pressionava a estudar música. As surras constantes contribuíram para que ele perdesse a audição. Beethoven tinha períodos de grande excitação e energia , seguidos de momentos de extrema depressão. Para se ver livre das crises, usava drogas e álcool.

Abraham Lincoln é conhecido por seus grandes feitos como presidente dos Estados Unidos. Mas apesar do sucesso, ele era descrito como um indivíduo de tendências melancólicas. Tinha crises profundas de depressão e ficava debilitado com frequência. Alguns autores afirmam que Lincoln tentou cometer suicídio.

Isaac Newton foi um dos maiores gênios de todos os tempos. Ele inventou o cálculo, desenvolveu a Lei da Gravidade e construiu o primeiro telescópio refletor. Mas, apesar do brilhantismo, era conhecido por seus transtornos mentais. Newton era uma pessoa de difícil convivência e apresentava mudanças drásticas de humor. Alguns autores sugerem que ele tinha transtorno bipolar e esquizofrenia.

13.992 – Dica de Livro – Lou(cura) tem “Cura”?


 

A loucura tem cura? Se tiver, por que a ciência ainda não descobriu? É possível que a medicina humana desconheça as causas dessas patologias? Qual a explicação dada pelos médicos a diagnósticos com indicação à psiquiatria baseados apenas em sintomas, já que os exames de ressonância magnética, eletroencefalografia e escanografia feitas no cérebro do paciente não encontram nada conclusivo? Será então possível que a raiz do mal de todas as doenças mentais não esteja nos cérebros humanos? Este trabalho traz respostas a estas e outras questões, demonstrando que todas as doenças não curáveis tem sua raiz no espírito – inteligência criadora – e a loucura nada mais é do que um conjunto de consequências desastrosas de uma inteligência que contrariou a lei do amor.
Loucura tem Cura, A
autor : Maria Helena Azulay (médium), Luciano (espírito)
gênero Psicologia e Psiquiatria
assunto Psiquiatria
idioma Português

 

O que é loucura?
Louco é aquele sujeito que perdeu a razão, que tem pensamentos e ações sem sentido, tem comportamentos distorcidos que fogem à regra: é a “alienação mental” de Philippe Pinel, o pai da psiquiatria moderna – cujo sobrenome virou sinônimo de loucura -, que atuou na França entre o final do século XVIII e o começo do século XIX.

– Hoje em dia, podemos dizer que os sintomas psicóticos são o equivalente à loucura empregada nos meios psiquiátricos no passado. Os sintomas psicóticos ocorrem na esquizofrenia e também costumam ocorrem no transtorno bipolar – afirma o psiquiatra Deyvis Rocha
Muitas pessoas deixam de ir ao psiquiatra porque isso seria o mesmo que declarar-se louco ou obter um atestado de loucura. O indivíduo que já passou por essa fase crítica e vai ao psiquiatra por algum problema qualquer, como sintomas depressivos ou ansiosos, teme que o seu quadro clínico possa evoluir para um quadro de loucura.
Em psiquiatria, há um velho ditado utilizado para tranquilizar os pacientes que diz que a pessoa que está ficando louca não sabe que está ficando louca, o que significa que a capacidade de alguém se preocupar com o fato de poder ficar louco é uma segurança de que isso não vai acontecer.
Sendo assim, um transtorno de pânico ou outro transtorno ansioso, como a ansiedade generalizada, as fobias, uma depressão, não vão evoluir para um estado de loucura e de perda da razão, mesmo que seja essa a sensação que se tem quando ocorre uma crise de pânico.
Pode até ser que a pessoa tenha mais de um diagnóstico, como depressão e esquizofrenia, ansiedade e transtorno bipolar, mas não é que uma doença levou a pessoa a ter a outra, mas é que são quadros diversos que, por genética ou por coisas da vida, atingem a mesma pessoa.
Além do tratamento com os remédios chamados antipsicóticos, a psicoterapia pode auxiliar o paciente a lidar com as dificuldades de realizar atividades do dia a dia impostas pelos sintomas.
Conheça os principais transtornos psicóticos que podem levar um indivíduo a loucura:

:: Esquizofrenia
É uma doença mental que afeta a zona central do “eu” e altera a estrutura vivencial. O portador de esquizofrenia, quando em surto, costuma agir em função dos seus delírios e alucinações, perdendo a liberdade de escapar a essas vivências fantásticas. Cerca de 1% da população é acometida pela doença, geralmente iniciada antes dos 25 anos de idade.
– A esquizofrenia se caracteriza por distorções do pensamento, da percepção e por inadequação dos afetos. Usualmente o paciente com esquizofrenia mantém clara sua consciência – explica o psiquiatra Deyvis Rocha.

:: Transtorno delirante
É caracterizada pela ocorrência de ideias delirantes, em geral paranoide (de estar sendo perseguido, de estar sendo alvo de críticas, de as pessoas quererem prejudicá-lo intencionalmente). O delírio tende a ser persistente e algumas vezes crônico. Pode haver alucinações auditivas (ouve vozes que não existem na realidade) e visuais (vê imagens que não existem na realidade), embora alucinações sejam incomuns. O afeto tende a ser inexpressivo.

:: Transtorno esquizoafetivo
Manifesta-se pela ocorrência de episódios de humor intercalados por episódios psicóticos sem sintomas de humor. É importante salientar que dentro dos episódios de humor, quando graves, podem também ocorrer sintomas psicóticos. Existem dois tipos principais: depressivo, onde os episódios de humor são sempre depressivos, e misto, onde ocorrem episódios depressivos, maníacos, hipomaníacos e mistos.

:: Transtornos psicóticos agudos
Têm frequentemente um início repentino, desenvolvendo-se em geral rapidamente no espaço de poucos dias e desaparecendo também em geral rapidamente, sem recidivas. Quando os sintomas persistem, o diagnóstico deve ser modificado para esquizofrenia ou transtorno delirante persistente.

:: Transtorno Bipolar
É uma doença mental em que o paciente alterna estados de euforia e depressão, além de fases de “normalidade” intercaladas. A pessoa pode apresentar alguns sintomas de euforia e de depressão ao mesmo tempo, que são os estados mistos. A causa exata é desconhecida, mas os cientistas acreditam que esteja ligada à genética.

13.986 – Diversidade de Gêneros – O que diz a Biologia


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As identidades são características fundamentais da experiência humana, pois possibilita aos seres humanos a sua constituição como sujeitos no mundo social. O gênero refere-se à identidade com a qual uma pessoa se identifica ou se autodetermina; independe do sexo e está mais relacionado ao papel que o indivíduo tem na sociedade e como ele se reconhece. Assim, essa identidade seria um fenômeno social, e não biológico. Uma pessoa cisgênera é aquela que tem sua identidade ou vivência de gênero compatível com o gênero ao qual foi atribuído ao nascer. Já uma pessoa transgênera é aquela que se identifica com o gênero diferente do registrado no seu nascimento. As pessoas trans podem preferir serem tratadas no feminino ou no masculino ou, ainda, não se encaixar em nenhuma dessas definições (trans não binárias). Para muitos especialistas, esse encaixe em definições tradicionais começa logo na infância.
Se existe ou não uma “teoria do gênero” (uma ideologia de gênero) é questão muito controversa. Uma coisa é certa: não existe nenhuma “teoria científica do gênero”. Existem, ao invés – há pelo menos sessenta anos – “gender studies” , ”estudos do gênero”: ou seja, estudos interdisciplinares sobre a “identidade de gênero” e sobre a “representação de gênero” que, quase sempre, se sobrepõem aos estudos sobre a sexualidade. Os “gender studies” dizem respeito à análise científica da identidade e da representação de gênero, mas também da sexualidade, feminina, masculina e LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgênero).
Todavia, há um geral acordo em considerar os complexos comportamentos que, de modo direto ou indireto, concernem à esfera sexual como o fruto de pelo menos quatro dimensões diversas, embora não de todo independentes e por sua vez complexos: o sexo biológico, a identidade de gênero e a orientação sexual.

O sexo biológico
No passado era (relativamente) simples distinguir a humanidade em dois sexos bem definidos: o feminino e o masculino. As evidências eram (e são) macroscópicas: dado como eram (e são) órgãos sexuais. Por certo a natureza apresenta ambiguidades. Há espécies de animais nas quais os dois sexos são confusos. E, embora raramente, também entre os Homo sapiens há alguma ambiguidade. Não por acaso, entre os personagens da mitologia grega há um filho de Hermes e de Afrodite, Hermafrodita, que manifesta genitais tanto masculinos como femininos. Hoje a diferença entre os dois sexos é confirmada em nível molecular: são femininos os indivíduos que têm dois cromossomos X e são masculinos aqueles que têm um cromossomo Y e outro X.
Alguém poderia fazer parecer esta como a prova absoluta da existência de dois e somente dois sexos. A dupla de cromossomos sexuais é a essência da diversidade sexual. Mas, a natureza talvez faça blefe das nossas atitudes taxonômicas. Malgrado a clareza da linguagem cromossômica – XX, mulher; XY, homem [macho] – a manifestação dos órgãos sexuais não só cobre um espectro muito amplo por formas e tamanho, mas também pelas qualidades consideradas essenciais.
Em suma, nem sempre é fácil atribuir univocamente as características de um indivíduo a um e a um só dos dois sexos. O espectro vai de qualidades consideradas secundárias (machos sem pelos e fêmeas com pelos) a caracteres considerados primários. Neste segundo caso se fala de hermafroditismo. Um tema que concerne à biologia é aquele dos determinantes genéticos da homossexualidade.
Nasce-se homossexual ou a gente se torna tal? O tema é controverso. Porque não há provas definitivas da existência de genes da homossexualidade. É provável, todavia, que exista um componente genético que predispõe à homossexualidade, o qual se ativa somente em presença de outros cofatores, de natureza ambiental e cultural.
Em suma, já em nível biológico a natureza humana (e não só a humana) manifesta uma dose não banal de ambiguidades. Talvez não seja por acaso. Na natureza a ambiguidade e a diversidade são quase sempre fatores positivos, selecionados no decurso da evolução para melhor sobreviver às mudanças ambientais.

A identidade de gênero
Os estudos de gênero concordam com o senso comum: pode-se pertencer a determinado sexo e “sentir-se” do outro sexo. Há pessoas com um corpo masculino que se sentem mulheres e vice-versa. A identidade de gênero é uma percepção e se refere, portanto, à esfera psicológica. Isso não tolhe que a identidade de gênero tem (pode ter), seja determinantes biológicas, seja determinantes sociais. O entrelaçamento destes fatores não é jamais determinístico.
Como o demonstra a história que teve como coprotagonista John William Money e como protagonista David Reimer.
David nascera homem em Winneping, no Canadá. Mas, por uma circuncisão mal sucedida, havia perdido o seu pênis. A ideia que bastasse somente a presença do órgão genital masculino para definir a identidade masculina levou a família e os médicos a criarem, no corpo de David, um simulacro de órgão genital feminino. Money, depois, como psicólogo e sexólogo, trabalhou para “convencê-lo” a “sentir-se” mulher. Porém, mais tarde, outro sexólogo, de nome Milton Diamond, entendeu que David não se sentia de fato mulher. E assim, o rapaz, na idade de 15 anos, voltou a perceber-se como macho. O epílogo da história – David morreu suicidando-se em 2004, na idade de 39 anos – demonstra quão complexo e dramático seja a relação entre ‘soma’ [corpo] e psique. Naturalmente, há muitos outros casos nos quais a identidade de gênero se encontrou (e se encontra) conflitando com a identidade biológica e com o papel de gênero: ou seja, com aquilo que os outros esperam de ti.

O papel de gênero
O papel de gênero é, realmente, uma construção social. Te comportas como os outros esperam que tu faças. Te comportas como macho porque, tendo os caracteres masculinos prevalentes, as pessoas esperam que tu te comportes como macho, mesmo que tu te sintas mulher. E vice-versa.Ou, ao contrário, reages ao “papel de gênero” que te é impingido, não sem obstáculos e sofrimentos, e afirmas tua “identidade de gênero”.
O papel de gênero, preciso dizê-lo, se refere à dimensão sociológica da pessoa. Mas, certamente não é preciso transcurar os determinantes biológicos e psicológicos. No papel de gênero incidem os estereótipos de gênero: do tipo ‘o macho é caçador’ e a mulher é submissa. O papel de gênero é tão forte que com frequência determina a identidade de gênero. A gente se força a si mesmo, a gene se “sente” de um sexo quando os outros o esperam de ti e a gente se comporta como os outros o esperam de ti. Eis porque Simone de Beauvoir dizia que “não se nasce mulher, mas se torna tal”.

A orientação sexual
Todas as pessoas têm (ou não têm) atração, afeto e amor pelas outras pessoas. Se esta orientação é por pessoas do outro sexo, ela é de tipo heterossexual. Se for para pessoas do mesmo sexo, é de tipo homossexual. Se for para pessoas de ambos os sexos, é bissexual.
Há, enfim, uma orientação que não prevê atração e/ou amor por ninguém.
Na luz de tudo o que dissemos, a orientação sexual pode corresponder ou não ao sexo biológico, à identidade de gênero e ao papel de gênero. E tudo isto com ou sem estresse e até sem sofrimento. Os “estudos de gênero” não dão juízos morais. Não definem o que é “segundo” ou “contra” a natureza.
A boa ciência ajuda os homens, não os julga: e isso em relação a qualquer sexo biológico, identidade de gênero, papel de gênero e orientação sexual. Os juízos morais dizem respeito a outra dimensão, e não àquela estritamente científica. Para juízos morais, vale o que disse o Papa Francisco: quem sou eu, para julgar?
Pontos a Analisar
“Me enoja ver dois gays se beijando”, vi um comentário em um blog. Frase esta que explica a quantidade absurda de violência contra LGBTs. O relatório Anual de Assassinato de Homossexuais no Brasil (LGBT) do Grupo Gay da Bahia (GGB) relativo a 2013 apontou que foram documentados 312 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil, incluindo uma transexual brasileira morta no Reino Unido e um gay morto na Espanha. Segundo o grupo, esse número equivale a um assassinato a cada 28 horas. O documento apontou ainda que houve um decréscimo de 7,7% em relação a 2012, quando houve 338 mortes. O grupo divulgou no relatório que o Brasil continua sendo o campeão mundial de crimes homo transfóbicos, afirmando que segundo agências internacionais, 40% dos assassinatos de transexuais e travestis em 2012 foram cometidos no Brasil.

13.845 – Medicina – História da Psiquiatria


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Segundo Cataldo Neto, Annes e Becker, a história da psiquiatria se iniciou com o médico Hipócrates quando este desenvolveu a teoria humoral, e escreveu a obra Corpus Hippocraticum que continha descrições de enfermidades, como: melancolia, psicose pós-parto, fobias, delirum tôxico, demência senil e histeria. Estas doenças eram ocasionadas pelo desequilíbrio dos humores (fleuma, sangue, bile amarela e bile preta).
Galeno, que foi influenciado pelos textos de Platão, delimitou o cérebro como a sede da alma e, a partir disto, Galeno dividiu a alma em: razão e intelecto, coragem e raiva, apetite carnais e desejos. Outros romanos que contribuíram, de acordo com Ackerknecht, foram Celso, Areteo de Capadocia e Sorano de Efeso. Estes três, citados por Ackerknecht, produziram tratados com tratamentos para doenças tidas como crônicas e agudas, por exemplo, a mania e a melancolia.
Os primeiros que criaram hospitais para enfermos mentais foram os árabes, conforme Ackerknenecht. A cidade de Fez, em 700, foi a primeira a possuir um hospital para este fim. Najab ud-din Muhamed foi um exemplo de como algumas compreensões cientificas gregas foram conservadas, e ele descreveu 9 níveis de doenças mentais com 30 formas de tratamento clínico. No continente europeu, durante a Idade Média até o século XIII, por conta da religiosidade, acreditava-se que a enfermidade psíquica estava relacionada a bruxaria, libertinagem, e os enfermos eram excluídos do convívio social em estado de reclusão ou eram mortos.
Compreensões mais precisas sobre distúrbios psíquicos foram formuladas a partir do século XVI. Algumas destas novidades foram de: entendimento de estados depressivos por Robert Burton; classificação de sintomas de histeria, hipocondria e nervosismo por Thomas Sydenham; e investigação de motivos psicossomáticos para doenças por Johann Langermann.
As investigações de Albrecht von Haller eram sobre a sensibilidade do sistema nervoso e a irritabilidade dos músculos (contrações). Na segunda parte do século XVIII, Pierre Cabanis combinou as teoria dos pontos de vista psicológico e somático em Traité du Physique et du Moral de l´Homme (1799), que explica como os fenômenos morais se tornam fisiológicos, verificando os desvios como uma consequência fisiopatológica.
No século XIX, segundo Cataldo Neto, os médicos estavam investigando sobre diversas enfermidades, seus fatores e meios de melhorar tais distúrbios. Dentre os estudos que se destacam neste período se conseguiu: relacionar os fatores hereditários degenerativos (por Morel); identificar a esquizofrenia (por Breuler); e investigar os efeitos de drogas na mudança de comportamento, (por Moreau de Tours). Além destes, Charcot colaborou com a análise de como traumas seriam gerados, principalmente os de natureza sexual, e que poderiam ser curados os sintomas histéricos através da hipnose.
Freud, influenciado por Charcot, desenvolveu a teoria psicanalítica, e estudou pacientes neuróticos através do tratamento por hipnose. O método de Freud buscou tratar a neurose produzida por eventos traumáticos registrada no inconsciente, e trazer à consciência estas memórias através da psicanálise. Jung questionou o complexo de Édipo, defendido por Freud, pois acreditava que o apego aos pais era uma forma de busca de proteção e nada sexual. Jung desenvolveu a noção do inconsciente coletivo.
No século XX, tentaram-se tratamentos para esquizofrenia, como: malarioterapia, feito por Wagner-Jauregg, e eletroconvulsoterapia, por Cerletti e insulinoterapia feito Sakel.
Na década de 1950, diversos medicamentos passaram a ser utilizado como tratamentos psiquiátricos, e alguns deles foram: o lítio, com efeito antimaníaco; a clorpromazina e haloperidol, com efeito antipsicótico; e imipramina, com efeito antidepressivo, além do uso médico de anfetaminas e de metilfenidato para tratar transtorno de atenção, na década de 1980.
Então, a partir do século XX, com o desenvolvimento da psicofarmacologia, proporcionou-se melhores tratamentos, e a psicoterapia é adaptada para cada caso que acompanha o tratamento com remédios.

13.844 – Drogas – Como são as alucinações provocadas pelo LSD?


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Curto-circuito no cérebro

O químico suíço Albert Hofmann estava pesquisando um remédio para enxaqueca e achou um que iria lhe dar muita dor de cabeça. Em 1938, ele sintetizou, no Laboratório Sandoz, uma nova substância a partir do fungo Claviceps purpurea, existente no centeio. Testou o “analgésico” em animais e decepcionou-se. Hofmann esqueceu o preparado numa prateleira e, cinco anos depois, ingeriu acidentalmente uma partícula. Foi a primeira “viagem” a bordo das alucinações do LSD. Pasmo, o químico viu, sentiu e cheirou “uma torrente de imagens fantásticas de extrema plasticidade e nitidez, acompanhadas de um caleidoscópico jogo de cores”. Como bom cientista, repetiu a experiência três dias depois, com uma dose cavalar de 0,25 miligrama (constatou-se depois que 0,05 faria efeito) e teve de chamar o médico, aterrorizado com as alucinações. Hofmann, hoje vive em Basiléia, na Suíça, e integra o Comitê do Prêmio Nobel.
Sem querer, ele enveredou por uma estrada que vem sendo trilhada há milênios por xamãs e bruxos, que procuram nas plantas as chaves mágicas para visões de êxtase. Folhas, flores, caules, cascas, fungos e cogumelos estão na matriz das beberagens alucinógenas usadas por diversos povos em cerimônias místicas, transcendentais. O alucinógenos confundem os neurônios, embaralham as mensagens entre os circuitos nervosos, alteram os sentidos e até mesmo os estados da consciência. Sobrevêm ilusões com sons e imagens irreais – acompanhadas, às vezes, de náuseas e vômitos. Esses efeitos, nos cultos religiosos, são recebidos como revelações sagradas. As sensações e visões são processadas como a verdade sutil, límpida, em oposição às ilusões perversas do mundo exterior. Daí por que são ingeridos ritualmente, geralmente em grupos, às vezes sob um manto religioso, como é o caso da ayahuasca, chá servido nas cerimônias do Santo Daime e da União do Vegetal.

“Um demônio tomou posse da minha alma”

As coisas ao meu redor haviam se transformado de maneira terrível. Tudo no quarto girava, e objetos familiares e peças de mobília assumiam formas grotescas e ameaçadoras. Pareciam ani- mados. A vizinha, que veio me trazer leite, não era mais a sra. R., e sim uma bruxa malévola com uma máscara colorida.

Piores que essas transfor-mações demoníacas no mundo exterior foram as mudanças que eu percebi em mim mesmo. Cada esforço da minha vontade, cada tentativa de pôr um fim à desintegração do mundo exterior e à dissolução do meu ego, pareciam ser inúteis. Um demônio me havia invadido, tomado posse do meu corpo e da minha alma. Tre-cho do livro LSD, Meu Filho Proble-ma, de Albert Hof-mann, o cria-dor da droga.

Efeitos ainda intrigam os cientistas
O LSD foi a droga do sonho da geração underground, embalada na suposição de que ele abria a mente, liberava a criatividade, aprimorava o espírito e ninguém pagava ingresso para o nirvana. Depois de muitos estragos, sobrou a certeza de que é o mais poderoso alucinógeno jamais criado pelo homem. Uma dose pequena (0,05 miligrama) proporciona de 4 a 10 horas de alucinações. É, também, o menos conhecido dos psicotrópicos. Em quatro décadas de pesquisas, ainda não se descobriu como, exatamente, a droga afeta os circuitos nervosos e a percepção sensorial. Um dos mistérios do LSD é que ele não produz resultados em intervalos curtos – por isso, os mais aficionados o tomam apenas uma vez por semana. Meses depois, no entanto, a droga pode voltar a agir e as alucinações reaparecem.

O LSD pode ser um “barato” para indivíduos emocionalmente equilibrados e abrir caminho para psicoses em quem tiver essa tendência. Os usuários relatam alucinações coloridas (geladeira vira camelo, por exemplo), desorganização dos sentidos (o olho ouve, o ouvido vê) e um efeito de despersonalização (o usuário se vê em duplicata). Tudo isso acontece em estado de plena consciência. O drogado sabe o que está acontecendo, embora muitos tenham surtos psicóticos. Também há registros de suicídio.

Ficha técnica
Nome

Dietilamida de Ácido Lisérgico-25

(LysergSaureDiathylamide, em alemão).

Classificação

Alucinógeno.

De onde se extrai

Fungo Claviceps purpurea ou ergot, que cresce em cereais como o centeio e o trigo.

Origem

Laboratórios Sandoz, em Basiléia, Suíça.

Formas de uso

Ingerido. A forma mais comum é a famosa “figurinha”, com desenhos coloridos.

Destempero dos sentidos
O LSD bagunça as sensações.

Efeitos imediatos
Alucinações, despersonalização. O usuário pode ter uma “viagem” boa e ver formas coloridas ou uma crise depressiva, a chamada bad trip. Pode ter reações psicóticas ou cometer suicídio.

2. Aumento da sensibilidade auditiva e da percepção visual. Sinestesia (as sensações auditivas se traduzem em imagens, e vice-versa).

Efeitos a longo prazo
1. Não dependência comprovada. No entanto, resíduos da droga podem permanecer no cérebro por meses, provocando novas alucinações sem aviso. O efeito, conhecido como flashback, pode ser perigoso se o usuário estiver dirigindo.
Viagem na cuca
A ação dentro do cérebro.
O LSD é uma droga que imita o neu-rotransmissor serotonina, que atua no humor e na percepção. Os neurônios de serotonina estão concentrados no sistema reticular e, de lá, espalham-se pelo córtex cerebral. O LSD age principalmente nas áreas responsáveis pelos sentidos e no córtex somato-sensorial, que os analisa.

O tônico da contracultura
Eram garotos cabeludos que diziam “paz e amor”, amavam os Beatles e rolavam na grama de Woodstock (veja quadro na página ao lado). Seu lema era “o álcool mata, tomem LSD”. Eles tomavam. A legião de hippies, bichogrilos e malucos-beleza dos anos 60 e 70 ingeriu ácido lisérgico como seus pais tomavam aspirina. O “ácido da felicidade” foi o tônico da contracultura. Psicodélico, palavra antes reservada às drogas que proporcionariam a “expansão da mente”, virou sinônimo de extravagância e batizou, com música, cores, flores e sexo ao ar livre, a cultura da contestação pacífica. Aconteceram na época manifestações de centenas de milhares de jovens contra a Guerra do Vietnã.
As ousadias daqueles anos, hoje, viraram clássicos da pop art. As pinturas-cebolas do americano Andy Warhol (1927-1987), decompondo a estrela de cinema Marilyn Monroe e o líder chinês Mao Tsé-tung em camadas de cores, tornaram-se um símbolo da arte de vanguarda. No cinema, Dennis Hopper e Peter Fonda perambulavam Sem Destino (1969, direção de Hopper), na pele de dois motoqueiros movidos a ácido. Mas foi na música que a droga fez mais sucesso. Ídolos do rock, de Jimi Hendrix a Jim Morrison, líder da banda The Doors, consumiam LSD – e outras drogas – em volumes industriais. Morreram jovens. Syd Barret, fundador do Pink Floyd, “viajou” e não voltou mais. Foi expulso da banda e hoje, aos 52 anos, vive como um zumbi, com a mãe, num subúrbio de Cambridge, Inglaterra, dedicado à pintura e à coleção de selos.
A homenagem mais famosa – e polêmica – à droga foi prestada pelos Beatles, em sua música Lucy in the Sky with Diamonds, de 1967, cujas iniciais formam a sigla LSD. No Brasil, a Tropicália incorporou ingredientes psicodélicos nas roupas, capas de discos e na palavra de ordem “É proibido proibir”, de Caetano Veloso. Em 1972, Gilberto Gil inventariou e encerrou a viagem com a música O Sonho Acabou, que diz: “Quem não dormiu no sleeping-bag nem sequer sonhou.”

O cacto que promete o nirvana
A linha sinuosa de 3 326 km que separa o México dos Estados Unidos tem sido cruzada por dois fluxos migratórios opostos: mexicanos sobem à procura do paraíso material e americanos descem para encontrar o Éden espiritual. Desde o século XVI, o México tem atraído estrangeiros em busca dos vegetais mágicos que provocam alucinações surrealistas. A tendência chegou ao auge pelas mãos de gurus modernos como o escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963), o psicólogo americano Timothy Leary (1921-1996) e o antropólogo sem pátria Carlos Castañeda (1927-1988). Todos foram atraídos pela fama de uma planta típica do norte do México, o cacto peiote (Lophophora williamsii), usado há séculos pelos índios em rituais religiosos. O chá da polpa do peiote fornece a matéria-prima para a mescalina, um alucinógeno endeusado por Huxley no livro As Portas da Percepção (1954). Um professor da Universidade de Harvard, Timothy Leary, além de se interessar pela mescalina promovia sessões de LSD com os alunos. Expulso da universidade em 1963, Leary foi preso e correu o mundo como um “profeta da Nova Era” até morrer de câncer aos 75 anos.
O maior propagandista da via mexicana para o nirvana foi Carlos Castañeda. Para escrever uma tese em Antropologia, tornou-se discípulo de um bruxo a quem chamou de Don Juan em seu livro A Erva do Diabo. Ele popularizou o culto do peiote como uma chave para percepção extra-sensorial.

A química divina
Os alucinógenos são usa-dos há milhares de anos em rituais religiosos mundo afora. Conheça alguns desses vene-nos sagrados.
Peiote – O cacto de onde se extrai a mescalina é cultuado por diversas tribos na América do Norte. A Igreja Nativa Americana conseguiu a legalização de seu uso ritual nos Estados Unidos.
Amanita – O fungo Amanita muscaria é um dos alucinógenos mais antigos que o homem conhece. Seu uso data de 6 000 anos atrás.
Jurema – Os índios e sertanejos do Nordeste brasileiro fazem uma espécie de vinho com a Mimosa hostilis, uma planta da caatinga.
Beladona – Conhecida no Brasil como zabumba, a Atropa belladonna era usada nos cultos de bruxaria da Idade Média.
Paz, amor e ácido
Foram três dias com o melhor do rock, sexo a céu aberto e muita, muita droga. Nos Estados Unidos o Festival de Woodstock, em agosto de 1969, marcou o clímax do movimento hippie, que adotou o slogan “Faça amor, não faça a guerra” (ao lado, jovens preparam um cigarro de maconha).

13.605 – ESTRESSE EXTREMO E ESQUIZOFRENIA


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O Peso da Genética

Não se sabe a causa exata da esquizofrenia, mas são conhecidos alguns fatores que influenciam o seu aparecimento.“O estresse por si só não é capaz de provocar esquizofrenia. Não temos acesso detalhado ao diagnóstico nem ao histórico desse caso específico, mas pressupondo que ele não tivesse a doença antes, é pouco provável que tivesse desenvolvido lá”, afirma o dr. Mario Louzã, coordenador do Programa de Esquizofrenia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de SP. Em geral, o transtorno que o estresse causa é o chamado “pós-traumático”, caracterizado por insônia, sonhos e flashbacks, entre outros sintomas.
Segundo o psiquiatra, há alguns fatores de risco ambientais para o desenvolvimento de esquizofrenia. “A predisposição genética é um fator importante, assim como problemas durante a gestação, parto ou nos primeiros anos de vida. Quanto a fatores ambientais, o uso de drogas na adolescência, viver em zona urbana e até ser migrante contribui para o quadro”, explica Louzã. O peso da genética, entretanto, é o maior. “Sabemos que traumas são fatores de risco bem documentados. No entanto, a compreensão que prevalece é que somente indivíduos que apresentam predisposição genética desenvolvem a doença. De fato, sabemos que muitos indivíduos sofrem eventos traumáticos diariamente e apenas uma minoria desenvolverá esquizofrenia”, afirma o dr. Ary Gadelha, coordenador do Proesq (Programa de Esquizofrenia da Universidade Federal de São Paulo).
Ter os dois problemas – esquizofrenia e bipolaridade –, entretanto, não é possível. “São quadros com caraterísticas, curso e evolução diferentes. O que pode acontecer é um tipo de transtorno classificado como esquizoafetivo, em que a pessoa desenvolve sintomas tanto da esquizofrenia como do transtorno bipolar”, explica o dr. Alfredo Maluf, coordenador do Serviço de Psiquiatria do Hospital Albert Einstein.
A psiquiatria, em especial, é uma especialidade médica que lida frequentemente com investigações desafiadoras. Não pode contar com parâmetros fisiológicos, como aqueles que guiam a identificação precisa de uma úlcera ou até um câncer. Suas pistas são muito mais movediças e nebulosas, já que alguns sintomas são comuns a diversas patologias, e diferenças sutis levam o diagnóstico para diferentes direções.

13.508 – Psiquiatria – Gigantesco estudo em gêmeos conclui que a esquizofrenia é 80% genética


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Até quatro em cada cinco casos de esquizofrenia podem ser rastreados a partir de genes herdados dos pais da criança.
Ao aplicar uma nova abordagem estatística aos dados coletados em mais de 30 mil pares de gêmeos, os pesquisadores definiram a imagem mais precisa que já temos até o momento sobre os fatores de risco para a condição. A descoberta pode nos ajudar potencialmente a identificar os genes responsáveis pelos sintomas da esquizofrenia.

Cientistas da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, mergulharam em um conjunto de informações coletadas através do seu National Danish Twin Register e as combinaram com dados do Registro Dinamarquês de Pesquisas Centrais Psiquiátricas. Eles chegaram à amostragem de 31.524 pares de gêmeos, todos nascidos entre 1951 e 2000.

Hereditário ou desenvolvido por fatores ambientais?
Examinar gêmeos é uma maneira bastante sólida e promissora de determinar se uma condição foi herdada na concepção, ou se é o resultado de outros fatores ambientais.
Os chamados gêmeos idênticos – ou pares de gêmeos monozigóticos – herdaram os mesmos conjuntos de genes de seus pais. A comparação das características encontradas entre estes e aqueles que trazem pares de duplos dizigóticos (ou gêmeos não idênticos) pode fornecer uma forte indicação de se foi causada por genes ou por algo no ambiente à medida que se desenvolveram.
Embora isso pareça positivo em teoria, a biologia é um caso desordenado, em que muitos números e evidências são necessárias para se chegar a uma conclusão confiável. Pode ser difícil encontrar gêmeos suficientes com a condição estudada para participar de uma pesquisa.
No caso da esquizofrenia, a condição neurológica afeta, apenas, menos de cinco em cada mil indivíduos, o que torna especialmente difícil a coleta de dados suficientes sobre gêmeos.
Assim, o grande registro nacional da Dinamarca, combinado com ferramentas estatísticas adequadas, revelou-se um excelente caminho à ciência.

Herdabilidade em estudo na Finlândia
Um estudo com gêmeos não-idênticos, ou fraternos, realizado na Finlândia em 1998 usando uma amostra menor do Registro Nacional de População finlandês, concluiu que, ali, a herdabilidade da esquizofrenia era de 83%.
Outra análise conduzida na Suécia em 2007 dividiu a probabilidade de risco entre os sexos, encontrando genes que podem ser causa da esquizofrenia em 67 por cento das mulheres e 41 por cento no sexo masculino.
A interpretação desses números se torna mais complexa pelo fato de que a própria esquizofrenia é uma condição de difícil estudo e muito disputada. Como o autismo, num passado recente, a palavra tenta cobrir um amplo espectro de causas e sintomas que precisam ser mais bem avaliados ou classificados.
Na tentativa de alcançar uma melhor precisão nas estatísticas, os pesquisadores desse último estudo calcularam duas estimativas, tanto em uma definição restrita quanto em uma desordem mais ampla do espectro de esquizofrenia.
Para a definição mais específica, estimaram que os genes determinaram o diagnóstico da condição em 79 por cento dos casos totais.
Quando expandido para incluir aqueles com distúrbio do espectro de esquizofrenia, o número caiu para 73 por cento.

“Este estudo é agora a estimativa mais compreensível e completa da herdabilidade da esquizofrenia e sua diversidade diagnóstica”, diz o pesquisador Rikke Hilker, da Universidade de Copenhague.

“É interessante, pois indica que o risco genético para a doença parece ser de quase igual importância em todo o espectro da esquizofrenia”.

Em busca de um diagnóstico
A pesquisa também proporcionou uma idade média de 28,9 anos, quando os sintomas da condição tornam-se suficientemente significativos para um diagnóstico.
Estudos em gêmeos são ferramentas úteis, mas baseiam-se na suposição justa de que os gêmeos refletem os mesmos padrões de herança da população em geral.
Há também a questão de saber quanto de cada base de dados nacional pode ser generalizada e aplicável em outras partes do mundo.
O debate conflitante da natureza X educação social muitas vezes esconde a complexidade da doença e da deficiência.
Mesmo a herança de um gene pode ser complicada pelos efeitos editoriais da epigenética, ou as chamadas mutações do mosaico pós-zigótico que ocorrem logo após a concepção.
Os genes individuais têm sido associados à esquizofrenia no passado, e com base nos resultados deste estudo, deve haver mais a ser descoberto no futuro.
Os limites e as definições dessa condição mental séria podem mudar, mas, não importa como a chamemos, aqueles que sofrem de efeitos debilitantes da esquizofrenia se beneficiarão em conhecer mais sobre suas causas subjacentes.

Esta pesquisa foi publicada na Biological Psychiatry. [ScienceAlert]

13.383 – Comportamento (anti) Social – Pessoas neuróticas vivem por mais tempo (?)


neurose
Um novo estudo da Universidade de Southampton concluiu que pessoas neuróticas vivem consideravelmente mais. Mas o que quer dizer ser é neurótico? Não pense em Woody Allen ou em Freud. Não estamos falando de doença, e sim de personalidade.
Hoje, os testes psicológicos mais respeitados descrevem a personalidade com cinco traços, chamados de Big Five: extroversão, neuroticismo, consciência, afabilidade e abertura a novas experiências. As pessoas têm diferentes graus de cada um desses traços. Quem tem um alto grau de neuroticismo, nesse caso, são pessoas que gastam um baita tempo se preocupando, são pessimistas e se irritam facilmente (como o Lula Molusco).

O que o novo estudo concluiu é que esse tipo de personalidade pode trazer benefícios, como uma vida mais longa. Os pesquisadores analisaram dados de saúde de 500 mil habitantes do Reino Unido, com 37 a 73 anos. Para cada participante, foram levados em conta os resultados do teste de personalidade, sua dieta, seus hábitos de exercício e se eles fumavam ou bebiam. Além disso, cada voluntário fez uma autoavaliação do que achava da sua própria saúde.

E aí é que fica interessante: os neuróticos tendiam a fazer autoavaliações bem piores do que a média das pessoas. Elas sentiam que a saúde delas estavam pior. Mas, olhando os dados objetivos, os pesquisadores notaram que essas mesmas pessoas vivam mais e tinham chances menores de sofrer uma morte prematura do que a população em geral.
Para entender esses dados conflitantes, os pesquisadores criaram algumas hipóteses. Será que eles, por se sentirem mal com a própria saúde, tinham hábitos mais saudáveis?

Os dados diziam o contrário: pessoas com um grau maior de neuroticismo se exercitavam menos, comiam menos frutas e vegetais e tinham mais chances de beber e fumar quase todos os dias. Então como é que elas estavam vivendo mais?
Os autores voltaram, então, ao primeiro resultado do estudo: neuróticos vivem mais, mas sentem que têm uma saúde pior. Se pessoas com personalidade neurótica se sentem doentes o tempo todo, elas provavelmente vão mais ao médico.
Faltam dados que comprovem essa hipótese, mas, segundo os pesquisadores, essa foi a melhor interpretação possível para os dados que encontraram: o pessimismo e a preocupação dos neuróticos os torna mais vigilantes com a própria saúde. Se, por causa disso, eles frequentam o médico com mais frequência, têm maiores chances de diagnosticar doenças graves precocemente. E aí as chances de tratamento e recuperação são maiores. Vida longa – literalmente – ao neuroticismo.

13.330 – Saúde – Mitos e verdades sobre a ansiedade


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Animais de estimação podem ajudar pessoas ansiosas
VERDADE
Sabe aquela alegria ao encontrar seu animal de estimação ao chegar em casa? Pois é, estudos apontam que conviver com um bichinho traz inúmeros benefícios para a saúde — entre eles, diminuir a ansiedade. Segundo uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Virgínia (EUA), após sessões de recreação e terapia assistida com os pets, pacientes com distúrbios psicóticos, do humor e outros transtornos foram avaliados e apresentaram reduções significativas nos índices de ansiedade.

Certas bebidas amenizam e outras intensificam os sintomas da ansiedade
MEIA VERDADE
Água com açúcar, chás, bebidas com cafeína… Dependendo do momento e da sua situação, é bem provável que uma bebida quente traga algum conforto. Porém, é preciso dizer: chá de camomila e suco de maracujá, por exemplo, têm apenas efeito placebo (aquele sentimento de cura que não tem comprovação científica), ou nenhum efeito. “De maneira geral, para apresentar algum resultado, essas bebidas precisam ser ingeridas em grande quantidade”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva.
Já substâncias como a cafeína, presentes em alguns tipos de chás, refrigerantes em geral, achocolatados e, principalmente, no cafezinho, interferem nos níveis de vários neurotransmissores, funcionando como estimulantes. Em alguns casos, é possível associar a cafeína à ansiedade, dependendo da quantidade ingerida e do organismo de cada indivíduo.

A ansiedade está ligada ao envelhecimento
MEIA VERDADE
Não é que a pele fique mais enrugada instantaneamente ou que os pés de galinha se multipliquem. Mas, em nível celular, esse envelhecimento precoce pode mesmo acontecer. Transtornos de ansiedade podem ter conexão com o envelhecimento precoce das células de pessoas de meia-idade — é isso que aponta um estudo realizado por pesquisadores do Bringham and Women’s Hospital, ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Durante a pesquisa, o envelhecimento celular precoce era uma característica comum em todas as mulheres que descreveram sintomas do transtorno de ansiedade. Nessas participantes, as células aparentavam ser seis anos mais velhas que o normal.

Afastar-se da causa da ansiedade faz com que ela suma
MITO
Evitar a ansiedade tende a reforçá-la. De acordo com a Anxiety and Depression Association of America (ADAA), suprimir seus pensamentos torna-os mais fortes e frequentes. Esquivar-se do sentimento não é uma boa saída, pois passa a impressão de que nada está acontecendo — e quanto mais se evita o problema, pior ele fica. Inclusive, em fobias, as técnicas costumam ser de enfrentamento e não de evitação – passo a passo o paciente é aproximado do motivo da fobia.

Exercícios respiratórios podem ajudar durante crises
VERDADE
A respiração é um dos mecanismos de controle durante uma crise de ansiedade, mas seus efeitos variam para cada pessoa. Os exercícios respiratórios se mostram eficazes e estão presentes na terapia cognitivo-comportamental e na meditação, ambas eficazes no tratamento da ansiedade.

Bebidas alcoólicas ajudam a combater a ansiedade
MITO
Após um longo dia de trabalho, uma cerveja gelada no bar não é nenhum pecado, não é mesmo? Só que nem sempre aquele happy hour é inocente. Em muitos casos, as pessoas com ansiedade podem recorrer a artifícios como as bebidas, para tentar escapar de uma sensação, que, na verdade, precisa de acompanhamento médico. A impressão de tranquilidade trazida após goles e goles é passageira – e pode acarretar ainda mais problemas, como a dependência. Um artigo publicado pelo Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo (EUA) explica que pessoas com altos níveis de ansiedade relatam que o álcool as ajuda a se sentir mais confortáveis em situações sociais. Assim, não é surpreendente que indivíduos com transtorno de ansiedade social clinicamente diagnosticado tenham uma maior incidência de problemas relacionados ao álcool do que a população em geral, graças ao alívio temporário.

Impotência e ejaculação precoce são sintomas de ansiedade
MEIA VERDADE
Um grau leve da sensação pode ser positiva para homens e mulheres – induz a excitação e pode até facilitar o orgasmo. No entanto, casos mais graves de ansiedade são realmente prejudiciais. Homens com ejaculação precoce podem ter até 2,5 vezes mais chance de ter ansiedade grave. Há estudos que indicam prevalência de homens que apresentam disfunções sexuais entre os diagnosticados com transtornos de ansiedade.

Ter um hobby combate a ansiedade
MEIA VERDADE
Hobbies e passatempos em geral podem auxiliar pessoas com sintomas de ansiedade. Entretanto, se o indivíduo já foi diagnosticado com transtorno de ansiedade, apenas atividades ocupacionais ou de lazer não serão suficientes para que ele se cure. “Quando você usa medicação, psicoterapia e acrescenta hobbies, você ajuda o tratamento. Mas sempre temos que diferenciar a ansiedade sintoma da ansiedade doença”, afirma Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. Ou seja, apenas um ansioso não patológico pode melhorar.

Lugares, objetos e até cheiros podem gerar crises de ansiedade
VERDADE
Uma pessoa com transtorno de ansiedade pode ficar mais sensível até diante de uma situação corriqueira. De acordo com o presidente da ABP, lugares, objetos e cheiros podem, sim, agir como gatilhos para o aparecimento de sintomas da ansiedade e estão relacionados às vivências anteriores de cada indivíduo.

Ansiedade pode ter relação com doenças gastrointestinais
ADE
De acordo com um estudo realizado na McMaster University, no Canadá, o intestino humano abriga quase 100 trilhões de bactérias que são essenciais para a saúde — inclusive para sua cabeça. As vias de comunicação estabelecidas pelo intestino incluem, por exemplo, o sistema nervoso e o sistema imunológico. A pesquisa sugere, com base em recentes descobertas, que a microbiota intestinal é um importante fator na forma como o corpo influencia o cérebro e interfere no risco de doenças, incluindo ansiedade e transtornos de humor.

Maconha causa ansiedade
MEIA VERDADE
O uso da maconha pode despertar ansiedade da mesma forma que pode aliviar a tensão, tudo depende de como é usada: quantidade, experiência prévia e contexto. Pesquisas têm demonstrado o envolvimento da maconha na regulação das emoções. O artigo publicado pelo periódico científico Revista da Biologia, da USP, explica que o uso da cannabis pode causar efeitos ansiolíticos, ansiogênicos ou ocorrência de ataques de pânico. Usuários crônicos, de acordo com a publicação, relatam uma redução na ansiedade e alívio da tensão após
o consumo, uma das razões para o uso contínuo da maconha.

Drogas sintéticas como LSD podem funcionar em tratamentos contra ansiedade
MEIA VERDADE
A revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA publicou um estudo no final de 2016 que aponta que, em muitos distúrbios psiquiátricos, o cérebro age em padrões automatizados e rígidos. Nesses casos, as substâncias alucinógenas trabalham para quebrar as desordens. Ou seja: as drogas podem desligar os padrões que causam os transtornos e, assim, atuar no tratamento de problemas psicológicos. Vale lembrar que possíveis terapias teriam de ser acompanhadas por profissionais.

A ansiedade tem causas genéticas e ambientais
VERDADE
Os transtornos de ansiedade também estão relacionados à hereditariedade, ou seja, às informações genéticas que você recebe de seus pais. Fatores ambientais, como a exposição ao chumbo, “atuam como desencadeadores da patologia”, como afirma o presidente da ABP, Antônio Geraldo da Silva.

Tentar se distrair ajuda a acalmar pessoas ansiosas
MEIA VERDADE
Ações que distraem (como espreguiçar-se, contar o número de lâmpadas do ambiente ou enumerar objetos que estejam ao redor) são capazes de relaxar e retirar as pessoas do foco. Mas, atenção: isso só é válido para uma crise de ansiedade comum, diferente de crises em que a ansiedade já está no estágio de transtorno ou doença. “

13.301 – Mega Memória – Fundação do Alcoólicos Anônimos


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Em 10 de junho de 1935, em Nova York, dois alcoólatras em recuperação – um corretor e um médico – fundaram os Alcoólicos Anônimos (AA), um programa de reabilitação de 12 passos, que até hoje tem ajudado muitas pessoas a superar o alcoolismo.
Com base em técnicas psicológicas que suprimem traços perigosos da personalidade, membros da organização estritamente anônima controlam seus vícios através de discussões guiadas em grupo e confissões, confiando em um “poder superior” e em um retorno gradativo à sobriedade. A organização funciona através de grupos locais que não possuem regras formais além do anonimato, e também sem funcionários e taxas de cobrança. Qualquer um que tenha um problema com a bebida pode se tornar um membro. Hoje, existem mais de 80 mil grupos locais nos EUA, com um número estimado de quase 2 milhões de pessoas. Outras irmandades de apoio a viciados modelados nos AA incluem os Narcóticos Anônimos (NA) e os Jogadores Anônimos (JA).

13.244 – Ansiedade – Mitos e Verdades


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Animais de estimação podem ajudar pessoas ansiosas

VERDADE. Sabe aquela alegria ao encontrar seu animal de estimação ao chegar em casa? Pois é, estudos apontam que conviver com um bichinho traz inúmeros benefícios para a saúde — entre eles, diminuir a ansiedade. Segundo uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Virgínia (EUA), após sessões de recreação e terapia assistida com os pets, pacientes com distúrbios psicóticos, do humor e outros transtornos foram avaliados e apresentaram reduções significativas nos índices de ansiedade.

Certas bebidas amenizam e outras intensificam os sintomas da ansiedade
MEIA VERDADE. Água com açúcar, chás, bebidas com cafeína… Dependendo do momento e da sua situação, é bem provável que uma bebida quente traga algum conforto. Porém, é preciso dizer: chá de camomila e suco de maracujá, por exemplo, têm apenas efeito placebo (aquele sentimento de cura que não tem comprovação científica), ou nenhum efeito. “De maneira geral, para apresentar algum resultado, essas bebidas precisam ser ingeridas em grande quantidade”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva.
Já substâncias como a cafeína, presentes em alguns tipos de chás, refrigerantes em geral, achocolatados e, principalmente, no cafezinho, interferem nos níveis de vários neurotransmissores, funcionando como estimulantes. Em alguns casos, é possível associar a cafeína à ansiedade, dependendo da quantidade ingerida e do organismo de cada indivíduo.

A ansiedade está ligada ao envelhecimento

MEIA VERDADE. Não é que a pele fique mais enrugada instantaneamente ou que os pés de galinha se multipliquem. Mas, em nível celular, esse envelhecimento precoce pode mesmo acontecer. Transtornos de ansiedade podem ter conexão com o envelhecimento precoce das células de pessoas de meia-idade — é isso que aponta um estudo realizado por pesquisadores do Bringham and Women’s Hospital, ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Durante a pesquisa, o envelhecimento celular precoce era uma característica comum em todas as mulheres que descreveram sintomas do transtorno de ansiedade. Nessas participantes, as células aparentavam ser seis anos mais velhas que o normal.

Afastar-se da causa da ansiedade faz com que ela suma
MITO. Evitar a ansiedade tende a reforçá-la. De acordo com a Anxiety and Depression Association of America (ADAA), suprimir seus pensamentos torna-os mais fortes e frequentes. Esquivar-se do sentimento não é uma boa saída, pois passa a impressão de que nada está acontecendo — e quanto mais se evita o problema, pior ele fica. Inclusive, em fobias, as técnicas costumam ser de enfrentamento e não de evitação – passo a passo o paciente é aproximado do motivo da fobia.

Exercícios respiratórios podem ajudar durante crises
VERDADE. A respiração é um dos mecanismos de controle durante uma crise de ansiedade, mas seus efeitos variam para cada pessoa. Os exercícios respiratórios se mostram eficazes e estão presentes na terapia cognitivo-comportamental e na meditação, ambas eficazes no tratamento da ansiedade.

Bebidas alcoólicas ajudam a combater a ansiedade
MITO. Após um longo dia de trabalho, uma cerveja gelada no bar não é nenhum pecado, não é mesmo? Só que nem sempre aquele happy hour é inocente. Em muitos casos, as pessoas com ansiedade podem recorrer a artifícios como as bebidas, para tentar escapar de uma sensação, que, na verdade, precisa de acompanhamento médico. A impressão de tranquilidade trazida após goles e goles é passageira – e pode acarretar ainda mais problemas, como a dependência. Um artigo publicado pelo Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo (EUA) explica que pessoas com altos níveis de ansiedade relatam que o álcool as ajuda a se sentir mais confortáveis em situações sociais. Assim, não é surpreendente que indivíduos com transtorno de ansiedade social clinicamente diagnosticado tenham uma maior incidência de problemas relacionados ao álcool do que a população em geral, graças ao alívio temporário.

Impotência e ejaculação precoce são sintomas de ansiedade
MEIA VERDADE. Um grau leve da sensação pode ser positiva para homens e mulheres – induz a excitação e pode até facilitar o orgasmo. No entanto, casos mais graves de ansiedade são realmente prejudiciais. Homens com ejaculação precoce podem ter até 2,5 vezes mais chance de ter ansiedade grave. Há estudos que indicam prevalência de homens que apresentam disfunções sexuais entre os diagnosticados com transtornos de ansiedade.

Ter um hobby combate a ansiedade
MEIA VERDADE. Hobbies e passatempos em geral podem auxiliar pessoas com sintomas de ansiedade. Entretanto, se o indivíduo já foi diagnosticado com transtorno de ansiedade, apenas atividades ocupacionais ou de lazer não serão suficientes para que ele se cure. “Quando você usa medicação, psicoterapia e acrescenta hobbies, você ajuda o tratamento. Mas sempre temos que diferenciar a ansiedade sintoma da ansiedade doença”, afirma Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. Ou seja, apenas um ansioso não patológico pode melhorar.

Lugares, objetos e até cheiros podem gerar crises de ansiedade
VERDADE. Uma pessoa com transtorno de ansiedade pode ficar mais sensível até diante de uma situação corriqueira. De acordo com o presidente da ABP, lugares, objetos e cheiros podem, sim, agir como gatilhos para o aparecimento de sintomas da ansiedade e estão relacionados às vivências anteriores de cada indivíduo.

Ansiedade pode ter relação com doenças gastrointestinais
VERDADE. De acordo com um estudo realizado na McMaster University, no Canadá, o intestino humano abriga quase 100 trilhões de bactérias que são essenciais para a saúde — inclusive para sua cabeça. As vias de comunicação estabelecidas pelo intestino incluem, por exemplo, o sistema nervoso e o sistema imunológico. A pesquisa sugere, com base em recentes descobertas, que a microbiota intestinal é um importante fator na forma como o corpo influencia o cérebro e interfere no risco de doenças, incluindo ansiedade e transtornos de humor.

Maconha causa ansiedade
MEIA VERDADE. O uso da maconha pode despertar ansiedade da mesma forma que pode aliviar a tensão, tudo depende de como é usada: quantidade, experiência prévia e contexto. Pesquisas têm demonstrado o envolvimento da maconha na regulação das emoções. O artigo publicado pelo periódico científico Revista da Biologia, da USP, explica que o uso da cannabis pode causar efeitos ansiolíticos, ansiogênicos ou ocorrência de ataques de pânico. Usuários crônicos, de acordo com a publicação, relatam uma redução na ansiedade e alívio da tensão após
o consumo, uma das razões para o uso contínuo da maconha.

Drogas sintéticas como LSD podem funcionar em tratamentos contra ansiedade

MEIA VERDADE. A revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA publicou um estudo no final de 2016 que aponta que, em muitos distúrbios psiquiátricos, o cérebro age em padrões automatizados e rígidos. Nesses casos, as substâncias alucinógenas trabalham para quebrar as desordens. Ou seja: as drogas podem desligar os padrões que causam os transtornos e, assim, atuar no tratamento de problemas psicológicos. Vale lembrar que possíveis terapias teriam de ser acompanhadas por profissionais.

A ansiedade tem causas genéticas e ambientais
VERDADE. Os transtornos de ansiedade também estão relacionados à hereditariedade, ou seja, às informações genéticas que você recebe de seus pais. Fatores ambientais, como a exposição ao chumbo, “atuam como desencadeadores da patologia”, como afirma o presidente da ABP, Antônio Geraldo da Silva.

Tentar se distrair ajuda a acalmar pessoas ansiosas
MEIA VERDADE. Ações que distraem (como espreguiçar-se, contar o número de lâmpadas do ambiente ou enumerar objetos que estejam ao redor) são capazes de relaxar e retirar as pessoas do foco. Mas, atenção: isso só é válido para uma crise de ansiedade comum, diferente de crises em que a ansiedade já está no estágio de transtorno ou doença. “

12.987 – Neurologia – Doenças que causam insônia


insonia
Sinônimos: distúrbio do sono

A insônia é um distúrbio persistente que prejudica a capacidade de uma pessoa adormecer ou, ainda, de permanecer dormindo durante toda a noite. Pessoas com insônia geralmente começam o dia já se sentindo cansadas, têm problemas de humor e falta de energia e têm o desempenho no trabalho ou nos estudos prejudicado por causa deste distúrbio. A qualidade de vida da pessoa, em geral, costuma ficar comprometida pela insônia.

Muitos adultos apresentam insônia em algum momento da vida, mas algumas pessoas têm insônia crônica, que pode perdurar por um período de tempo muito maior do que o normal.

A insônia pode ser, ainda, um distúrbio secundário causado por outros motivos, como doença ou uso indevido de medicação.
Estresse

Preocupações relacionadas ao trabalho, estudos, saúde ou família podem manter sua mente ativa durante a noite, o que dificulta na hora de adormecer. Acontecimentos provocadores de grande estresse, como morte ou adoecimento de um ente querido, divórcio ou perda de emprego, também podem desencadear episódios de insônia.

Ansiedade

Ansiedade diária, bem como transtornos graves de ansiedade, como o transtorno de estresse pós-traumático, pode atrapalhar o sono. Preocupar-se com a dificuldade que terá para dormir também pode levar à insônia mais facilmente.

Depressão

Uma pessoa com depressão pode dormir mais do que o normal e pode também não conseguir dormir, simplesmente. Insônia é comum em casos de depressão.

Condições médicas

Dor crônica, dificuldade para respirar ou necessidade frequente de urinar podem levar à insônia. Exemplos de condições associadas à insônia incluem:

Artrite
Câncer
Insuficiência cardíaca
Doença pulmonar
Doença do refluxo gastroesofágico
Distúrbios da tireoide
AVC
Doença de Parkinson
Doença de Alzheimer
Mudança no ambiente ou horário de trabalho

Viajar ou alterar o horário de trabalho pode provocar uma mudança no ritmo cardíaco do corpo e no chamado “relógio biológico”, que dificulta o início do sono.

Maus hábitos de sono

Maus hábitos de sono também podem causar insônia. Estes incluem irregularidade do sono, como dormir e acordar em horários diferentes todos os dias; atividades estimulantes antes de deitar-se; dormir em ambientes inapropriados e desconfortáveis, como num lugar muito iluminado, dormir em frente à televisão ou dormir com a luz acesa.

Medicações

Muitos medicamentos podem interferir na capacidade de uma pessoa adormecer ou permanecer dormindo, incluindo antidepressivos, remédios para controle da pressão arterial, antialérgicos, estimulantes e corticosteroides. Outros medicamentos que contenham cafeína e outras substâncias estimulantes também podem desencadear em insônia.

Cafeína, nicotina e álcool

Café, chá, refrigerantes à base de cola e outras bebidas que contenham cafeína são estimulantes bastante conhecidos e comuns no dia a dia. Seu consumo não é proibido e não está diretamente relacionado à insônia, mas pode, eventualmente, ser um fator desencadeador do distúrbio. Beber café à noite, por exemplo, pode dificultar o início do sono. A nicotina em cigarros ou outros produtos derivados do tabaco é outro estimulante que pode causar insônia. O álcool pode até ajudar a dormir, mas impede os estágios mais profundos do sono e muitas vezes pode fazer com que uma pessoa desperte no meio da noite.

Comer muito tarde

Comer um lanche leve antes de dormir é recomendado, mas comer demais pode fazer com que uma pessoa se sinta fisicamente desconfortável na hora de deitar, o que pode dificultar na hora de adormecer. Muitas pessoas também apresentam azia e refluxo, que também prejudicam o sono.

Idade

A insônia pode, ainda, se tornar mais comum com a idade. Ruídos e outras alterações no ambiente podem despertar uma pessoa idosa mais facilmente do que alguém mais jovem. Com a idade, o relógio biológico muda, fazendo com que a pessoa se sinta cansada mais cedo à noite e acorde mais cedo na manhã. Apesar disso, idosos geralmente precisam da mesma quantidade de sono que pessoas mais jovens.

Com o tempo, a pessoa pode se tornar menos ativa fisicamente ou socialmente. A falta de atividades diárias pode interferir em uma boa noite de sono, pois quanto menos ativa uma pessoa for, mais tempo ela terá para tirar sonecas ao longo do dia, o que dificulta na hora de dormir à noite.

Dor crônica e condições como a artrite ou problemas nas costas, bem como depressão, ansiedade e estresse, podem interferir no sono. Os homens mais velhos desenvolvem frequentemente um aumento da próstata, o que pode levar à necessidade frequente de urinar, interrompendo o sono. Nas mulheres, sintomas da menopausa podem ser igualmente perturbadores e podem impedi-las de ter uma boa noite de sono.

Outros distúrbios relacionados, como apneia do sono e síndrome das pernas inquietas, também se tornam mais comum com a idade. Além disso, as pessoas mais velhas normalmente fazem maior uso de medicamentos do que pessoas mais jovens.

Fatores de risco
Muitas pessoas podem apresentar um quadro de insônia ocasionalmente. Mas o risco de insônia é maior em:

Muitas pessoas podem apresentar um quadro de insônia ocasionalmente. Mas o risco de insônia é maior em:

Pessoas do sexo feminino. As mulheres são muito mais propensas a sofrer de insônia, principalmente por causa de mudanças hormonais durante o ciclo menstrual e na menopausa. A insônia também é comum com a gravidez.
Pessoas acima dos 60 anos de idade, devido principalmente às alterações nos padrões de sono e a problemas de saúde.
Pessoas com algum distúrbio de saúde mental, como depressão, ansiedade, transtorno bipolar e o transtorno de estresse pós-traumático são mais propensas a apresentar insônia.
Pessoas sob estresse. Fatos estressantes podem causar insônia temporária.
Trabalhar à noite ou viajar a trabalho, que envolva trocas frequentes de fuso horário.
Sintomas de Insônia
Os principais sintomas de insônia podem incluir:

Dificuldade para adormecer à noite
Despertar durante a noite
Despertar muito cedo
Não se sentir descansado após uma noite de sono
Cansaço ou sonolência diurna
Irritabilidade, depressão ou ansiedade
Dificuldade para prestar atenção, concentrar-se em tarefas ou se lembrar de alguma coisa importante
Aumento do risco de acidentes
Dores de cabeça localizadas
Problemas gastrointestinais
Preocupações contínuas com o sono
Uma pessoa com insônia, muitas vezes, pode levar 30 minutos ou mais para adormecer e pode dormir por apenas seis horas ou menos a partir de três noites por semana por mais de três meses.
Entre as especialidades que podem diagnosticar insônia estão:

Clínica médica
Neurologista
Medicina do sono
Psiquiatria.
Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade.
O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

Você tem tido problemas para dormir?
Quantas horas você costuma dormir por noite?
Você desperta facilmente durante a noite?
Você costuma alimentar-se em grandes quantidades antes de deitar?
Você faz uso excessivo de cafeína, nicotina ou álcool?
Você passou ou passa por momentos de grande estresse recentemente?
Quais são seus hábitos noturnos?
Você se sente cansado ou improdutivo durante o dia?
A falta de sono tem prejudicado seu desempenho em atividades diárias, no trabalho ou nos estudos?
Quando os sintomas começaram?
Você faz uso de algum medicamento? Qual?
Você já foi diagnosticado com alguma outra condição médica?
Você tomou alguma medida para aliviar os sintomas? E funcionou?
Diagnóstico de Insônia
Além de fazer-lhe uma série de perguntas, o médico analisará seu padrão de sono e sonolência diurna. Para isso, você talvez tenha de manter um diário de sono por um determinado período de tempo e depois apresentá-lo ao médico.

Ele provavelmente também fará um exame físico para procurar sinais de outros problemas que possam estar causando insônia. Ocasionalmente, um exame de sangue pode ser feito para verificar a existência de problemas de tireoide ou outras condições que podem estar por trás da insônia.

Se a causa da insônia não estiver clara, ou caso você apresente sinais de outro distúrbio do sono, como a apneia do sono ou síndrome das pernas inquietas, você pode precisar permanecer durante uma noite em um centro especializado para analisar e diagnosticar distúrbios do sono. Lá, os testes são feitos para monitorar e gravar uma variedade de atividades corporais enquanto o paciente dorme, incluindo as ondas cerebrais, respiração, batimentos cardíacos, os movimentos dos olhos e os movimentos do corpo também.
Tratamento de Insônia
Uma mudança nos hábitos de sono e tratar as causas subjacentes da insônia, como condições médicas ou medicamentos, pode restaurar um padrão de sono saudável em muitos pacientes. Se essas medidas não funcionarem, o médico pode recomendar medicamentos para ajudar com o relaxamento e na readequação do sono.

Medicamentos para Insônia
Os medicamentos mais usados para o tratamento de insônia são:

Cloxazolam
Dormonid
Frontal
Maracugina Composta (comprimido revestido)
Maracugina Composta (solução)
Midazolam
Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.
Não importa qual a sua idade, tenha sempre em mente que insônia tem solução. A chave para tratar o distúrbio encontra-se justamente em adequações em sua rotina durante o dia e quando você vai para a cama. Bons hábitos de sono ajudam a restabelecer o sono saudável. Confira dicas básicas:

Exercitese e permaneça ativo. Atividade física ajuda a promover uma boa noite de sono.
Verifique seus medicamentos. Se você toma medicamentos regularmente, verifique com seu médico para ver se eles podem estar contribuindo para a insônia. Além disso, verifique os rótulos de produtos de venda livre para conferir se eles contêm cafeína ou outros estimulantes.
Evite cochilos durante o dia. Sonecas distribuídas ao longo do dia podem dificultar na hora de adormecer à noite. Se for tirar um cochilo, certifique-se de este não passará de aproximadamente 30 minutos e não ocorrerá após as três horas da tarde.
Evite ou limite o consumo de cafeína e álcool. Corte o uso de nicotina. Essas substâncias são estimulantes e podem tornar o adormecer mais difícil.
Se estiver sentindo dores, procure fazer uso de analgésico. Estar confortável e relaxado é imprescindível para uma boa noite de sono.
Regularize seu relógio biológico, estabeleça um horário fixo para dormir e acordar preocupando-se sempre na quantidade de horas dormidas.
Na hora de dormir

Evite grandes refeições e bebidas antes de dormir
Evite televisão no quarto, usar computadores, videogames, smartphones ou outras telas antes de dormir, pois a luz pode interferir no ciclo de sono
Torne seu quarto um ambiente confortável e próprio para o sono. Feche a porta, apague as luzes, mantenha a temperatura agradável e deite-se confortavelmente
Esconda os relógios do quarto para não ficar tão preocupado com o horário
O mais importante: relaxe. Um banho morno, músicas suaves e exercícios de relaxamento podem ajudar.
Complicações possíveis
O sono é tão importante para a saúde quanto uma dieta saudável e exercícios físicos regulares. Seja qual for o motivo para a perda do sono, insônia pode afetar e prejudicar a saúde física e mental. Pessoas com insônia possuem baixa qualidade de vida em comparação às pessoas que dormem bem. Complicações da insônia podem incluir:

Menor desempenho no trabalho ou nos estudos
Tempo de reação e reflexo mais lento, acompanhado de maior risco de acidentes
Problemas psiquiátricos, como depressão ou transtorno de ansiedade
Excesso de peso ou obesidade
Irritabilidade
Aumento do risco de adquirir doenças de longo prazo, como hipertensão, doenças cardíacas e diabetes
Abuso de substâncias, como cigarro, álcool, cafeína e outras drogas.
Expectativas
Quando se tem bons hábitos do sono, qualquer pessoa é perfeitamente capaz de dormir bem, tranquila e adequadamente. Consulte um médico se tiver insônia crônica.

É importante ter em mente que pessoas têm necessidades de sono diferentes. Algumas ficam bem com apenas 4 horas de sono por noite, enquanto outras só rendem bem se tiverem de 10 a 11 horas. A média, no entanto, costuma ser de 6 a 8 horas de sono diariamente.

As necessidades de sono também mudam de acordo com a idade. É importante ouvir os sinais de sono do corpo e não tentar dormir mais ou menos do que é revigorante para você.
Prevenção
Manter bons hábitos de sono é o principal e único meio de se evitar insônia. Alguns fatores desencadeadores do distúrbio, como eventos estressantes e traumáticos, no entanto, não podem ser evitados. Em todo caso, consulte um especialista do sono e um psiquiatra para aprender a lidar com a manutenção do sono.

Fonte: Escola Paulista de Medicina

12.983 – Vício em trabalho pode ser risco para a saúde


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Essa compulsão tem levado muita gente a consultórios de analistas e a grupos de auto-ajuda. E pode matar: no início de outubro, um estudo do governo japonês descobriu que um quinto da força de trabalho do país corre risco de morte por trabalho em excesso.
E não se trata nem de longe de um problema apenas japonês. Em junho, o Workaholics Anônimos (WA), um programa que se baseia nos famosos “12 passos” dos Alcoólicos Anônimos, realizou sua primeira reunião internacional, no Reino Unido, com a presença de delegados dos quatro cantos do mundo.
Há poucas pesquisas estudando como o vício em trabalho se desenvolve. Não é algo reconhecido oficialmente como doença pelo Manual de Distúrbios Mentais da Associação Americana de Psiquiatria, uma espécie de bíblia do assunto.
Mesmo sem essa chancela, o impacto do excesso de trabalho é ligado a efeitos na saúde.
Uma análise recente de pesquisadores da Universidade da Geórgia (EUA) examinou estudos acadêmicos existentes neste campo e concluiu que, entre outras coisas, workaholics, como são conhecidos os viciados em trabalho, são menos produtivos do que colegas com atitude mais saudável em relação ao trabalho.
Outro estudo em larga escala, publicado em maio pela Universidade de Bergen, na Noruega, viu correlação entre tendências de trabalho em excesso e outros distúrbios psiquiátricos, como transtorno obsessivo compulsivo, ansiedade e depressão.
Mas quando o trabalho duro se torna algo ruim? O workaholismo é uma compulsão –um impulso para trabalhar ou pensar em trabalho, explica Bryan Robinson, psicoterapeuta baseado na Carolina do Norte (EUA) e autor do livro “Chained to the Desk” (Acorrentado à Cadeira, em tradução livre), uma espécie de guia para viciados em trabalho.
“Não é uma questão de quantas horas passamos no trabalho, mas sim o que está acontecendo dentro de nós. O workaholic é uma pessoa que está em uma estação de esqui e sonha em voltar ao trabalho. O trabalhador saudável está no escritório, mas pensando na estação de esqui”, afirma Robinson.
O psicoterapeuta, que já cuidou de pacientes cujo excesso de devoção ao trabalho resultou em divórcios, demissões e crises de saúde, cita o caso de uma mulher que mentia para o marido que estava na academia, mas em vez disso ia para o trabalho e depois molhava as roupas de ginástica para dar a impressão de suor.
Malissa Clark, uma das acadêmicas envolvidas no estudo da Universidade da Geórgia, diz que viciados em trabalho relatam mais estresse, menos satisfação profissional e mais fadiga.
Como fazer para saber se você está com um problema? Há alguns testes que podem ser feitos. Os pesquisadores noruegueses criaram a Escala Bergen de Vício em Trabalho, que ajuda a medir nosso comportamento, sentimento e atitudes em relação ao trabalho. O WA conta com um questionário online que ajuda a determinar se você precisa de ajuda.
Especialistas dizem que o primeiro passo é reconhecer que há um problema. Robinson, por exemplo, define a si mesmo como um workaholic em recuperação. E recomenda um tratamento que inclua meditação, terapia, mudanças comportamentais e um trabalho que descubra algo mais por trás da obsessão com o trabalho.
“Há uma série de causas primordiais. Pode ser auto-estima ou mesmo uma forma de tentar controlar a ansiedade”, diz o psicoterapeuta.

ESCALA DE BERGEN

A escala conta com sete critérios básicos para identificar vício em trabalho. As situações têm frequência classificada como “nunca”, “raramente”, “às vezes”, “frequentemente” e “sempre”. Se você marcar “frequentemente” ou “sempre” em pelo menos quatro de sete situações, pode ser um workaholic.
As situações são: pensa em como pode conseguir mais tempo para trabalhar; passa muito mais tempo trabalhando do que pretendia originalmente; trabalha para reduzir sentimentos de culpa, ansiedade, desespero e depressão; já ouviu de outros para diminuir a carga de trabalho; fica estressado se não consegue trabalhar; sacrifica hobbies, lazer e exercício por causa do trabalho; e trabalha tanto que isso afeta sua saúde.
O californiano Bob, de 61 anos, que não revela seu sobrenome, como prega o programa do WA, percebeu que tinha um problema quando sua mulher se disse cansada de acordar no meio da noite e descobrir que ele não estava na cama, mas, sim, ainda no escritório. Bob agora trabalha como voluntário para o WA e diz que workaholics são “viciados em adrenalina”.
“Estresse, pressão, crise e prazos fazem justamente a adrenalina correr nas veias e possibilitam a habilidade de se trabalhar em um ritmo louco”, conta.
Bob teve seu primeiro trabalho aos cinco anos de idade, ajudando o irmão a entregar jornais, reciclar latas e garrafas, cortar grama e limpar a neve de calçadas e entradas de garagem. Ele se tornou um bem-sucedido homem de negócios, mas sua saúde começou a ter problemas e ele acredita que teria passado por sérios problemas com a família se não tivesse procurado ajuda.
“Minha mulher não querer mais viver daquele jeito me deu a força de vontade para eu que finalmente adotasse o programa (do WA) com compromisso.”
Mas o trabalho não é algo que podemos simplesmente deixar de lado, então como controlar nossos impulsos?

“É a diferença entre seguir um plano e simplesmente pegar o primeiro projeto que aparecer”, diz Bob. Na prática, significa programar horas de trabalho, concentrar-se em uma coisa de cada vez e, se algo inesperado aparecer, reavaliar prioridades em vez de simplesmente tentar encaixar tudo na agenda.
Outras opções incluem procurar um terapeuta especializado nesta área ou participar de workshops e programas.
Em alguns países há até clínicas de reabilitação para casos mais graves, como a Bridge to Recovery, no Estado americano de Ohio. Mas ainda há a necessidade de mais estudos. “Não temos pesquisa em como a condição se desenvolve e não há quase nada entre a relação entre o vício em trabalho e desordens clínicas”, diz Malissa.

12.975- O que é a Ninfomania?


ninfomania
Trata -se de uma descompensação do desejo sexual feminino. A mulher sente um apetite intenso demais, permeado por fantasias sexuais que a perseguem a ponto de prejudicar suas atividades cotidianas. Esta perturbação psíquica enquadra-se nos transtornos conhecidos como Desejo Sexual Hiperativo (DSH) e se expressa através de uma ausência do controle da sexualidade.
A paciente é acometida por uma compulsividade sexual praticamente incontrolável, o que lhe provoca uma grande dor emocional e repercute diretamente em seus relacionamentos afetivos. Mas é de certa forma um exagero pensar que esta mulher quer praticar sexo incessantemente, ela apenas tem dificuldades na satisfação de seus desejos, daí alimentar constantemente a vontade de praticar o ato. Quando essa pessoa tem a consciência de seu problema e tenta disciplinar seus pensamentos e suas fantasias, torna-se deprimida e ansiosa. Torna-se cada vez mais difícil para ela libertar-se destes pensamentos, uma vez que a própria cultura ocidental canoniza o sexo, estimulando ainda mais as compulsões sexuais.
É comum a ninfomaníaca sentir-se desprovida de vontade própria, uma escrava de seus próprios desejos. Geralmente essa sensação vem acompanhada de muita ansiedade antes do ato sexual, de um orgasmo intenso e satisfatório no primeiro momento, seguido de uma culpa profunda. Mas quais as causas desse problema? Ele não deixa de ter raízes nos mesmos fatores que provocam as demais dependências, como a busca de um bálsamo para as feridas da alma, uma compensação para a solidão e para a inadaptação social, um paliativo contra o medo e as expectativas comuns na vida de cada um, as frustrações e tantas outras emoções sombrias. Mas vários pesquisadores compreendem esse transtorno também como uma doença, provocada por mutações no equilíbrio dos neurotransmissores.
No discurso psicanalítico, a ninfomania é conhecida como hipersexualidade, uma cristalização do desenvolvimento sexual na etapa anal, ou seja, no momento da evolução da sexualidade em que as ansiedades deslocam-se para comportamentos repetitivos. De acordo com a causa estabelecida para este transtorno, deve ser prescrito um determinado tipo de tratamento. Principalmente no mundo contemporâneo, quando o surgimento da Internet gerou outro tipo de compulsão sexual – o sexo virtual -, que atinge aproximadamente dois milhões de pessoas.
Com dificuldades para enfrentar seus distúrbios de sexualidade e ao mesmo tempo mergulhados em um temor crescente do outro, principalmente por conta da violência cada vez maior nas grandes metrópoles, estes indivíduos optam por passar horas sem fim na frente de um computador, navegando em sites com conteúdo sexual. Estas pessoas procuram, assim, satisfazer seus desejos a cada momento mais fortes, já que a compulsão ao vício é sempre maior, quanto mais elas submergem nos meandros da dependência.

12.960 – Psiquiatria – A cleptomania


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É um transtorno caracterizado pela impossibilidade repetida de resistir aos impulsos de roubar objetos. Os objetos não são roubados por sua utilidade imediata ou seu valor monetário; o sujeito pode, ao contrário, querer descartá-los, dá-los ou acumulá-los. Este comportamento se acompanha habitualmente de um estado de tensão crescente antes do ato e de um sentimento de satisfação durante e imediatamente após sua realização. O roubo não é cometido para expressar raiva ou vingança e não é uma resposta ao delírio ou a alucinação.
Este termo foi criado há mais de dois séculos para descrever o impulso de roubar objetos desnecessários ou de pequeno valor. Esquirol notou, em 1838, que o indivíduo frequentemente se esforça para evitar este comportamento, mas por sua natureza, isto é irresistível. Ele escreveu: “o controle voluntário é profundamente comprometido: o paciente é constrangido a executar atos que não são ditados nem por sua razão, nem por suas emoções. – atos que sua conciência desaprova, mas que ele não tem intenção.
Os indivíduos afetados frequentemente têm outros distúrbios mentais, tais como distúrbio bipolar, anorexia nervosa, bulimia nervosa, ou distúrbio da ansiedade. Adultos com cleptomania roubam porque isto oferece alívio ou conforto emocional. Poucas pessoas procuram tratamento até que são pegas roubando.

Qual a incidência de cleptomania na população geral?
Presume-se que a cleptomania seja um distúrbio raro, embora poucos estudos tenham sido feitos sobre sua prevalência na população em geral. Estudos feitos com ladrões de lojas sugerem que somente uma pequena parcela (de 1 a 8%) representam casos verdadeiros de cleptomania.
Na verdade, o roubo de lojas é extremante comum, de acordo com um estudo. Um pesquisador relatou que dos 263 clientes visitando lojas randomicamente, 27 (10%) foram observados roubando. Um estimou que correm aproximadamente 140 milhões de roubos por ano, mas que somente 4 milhões são pegos. Além disso, a incidência de roubos em lojas está aumentando.

Como distinguir um ladrão comum de um cleptomaníaco?
Não existem estudos controlados da psicopatologia da cleptomania, mas numerosos relatos de casos descrevem uma ampla extensão de sintomas psiquiátricos e distúrbios com aparente cleptomania. Os sintomas mais comuns associados parecem estar relacionados ao distúrbio do humor. A maioria dos estudos de “ladrões anormais” (pessoas que foram apreendidas roubando e encaminhadas para avaliação psiquiátrica) têm descrito taxas elevadas de sintomas depressivos e depressão em seus sujeitos. Dos 57 pacientes cleptomaníacos descritos na literatura, 57% mostraram sintomas afetivos e 36% provavelmente encontrariam um critério diagnóstico para depressão ou distúrbio bipolar.
Alguns pacientes com cleptomania e distúrbio comórbido do humor têm descrito uma relação entre seus sintomas afetivos e cleptomaníacos, declarando que seus impulsos de roubar ocorrem quando eles estão deprimidos.

Tratamento
Não existem estudos controlados de tratamentos somáticos ou psicológicos em cleptomania. Relatos de casos individuais, entretanto, sugerem que várias formas de terapia comportamental podem ser efetivas em alguns pacientes. Existem também relatos isolados do sucesso do uso de psicoterapia psicanalítica, mas existem também muitos relatos negativos.
Outros relatos de caso sugerem que medicamentos antidepressivos ou com propriedades estabilizadoras do humor podem ser efetivos na cleptomania.

12.957 – O que é o C V V, Centro de Valorização da Vida?


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Fundado em São Paulo em 1962, o Centro de Valorização da Vida é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal em 1973, mantenedora e responsável pelo Programa CVV de Valorização da Vida e Prevenção ao Suicídio, desenvolvido pelos Postos do CVV em todo o Brasil.
Através dos Postos espalhados por todo o país, presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional, oferecido a todas as pessoas que querem e precisam conversar sobre suas dores e descobertas, dificuldades e alegrias.
Em 1977 começou a expandir-se para outras cidades do país, estando hoje em quase todas as capitais e diversas cidades do interior do Brasil. São aproximadamente 70 Postos e cerca de 2.000 Voluntários[1] que se revezam para o atendimento 24 horas por dia, inclusive aos domingos e feriados. Esse atendimento é prestado por telefone ( 141 para todo Brasil ou nos respectivos telefones de cada posto ), e-mail, pessoalmente nos postos e via chat, sendo a primeira entidade do gênero no mundo a prestar atendimento via chat.
O trabalho consiste no diálogo compreensivo e na doação incondicional do calor humano. O Voluntário trabalha no sentido de compreender a pessoa que procura o CVV, dessa forma, valorizando sua vida.
O atendimento é feito por telefone, pessoalmente, por correspondência, chat ou e-mail. A pessoa que procura o CVV tem o sigilo assegurado, a total privacidade e anonimato. O atendimento ocorre em clima de profundo respeito e confiança. Basta que a pessoa ligue para o telefone 141, ou acesse o site http://www.CVV.org.br para falar com o Posto CVV de sua região.
Pessoas com aptidões para o serviço voluntário que passam por um curso teórico e prático oferecido pelo Posto. Esse curso é gratuito e ministrado periodicamente com prévia divulgação na comunidade. São pessoas maiores de 18 anos, de boa vontade, que acreditam no valor da vida e dispostas a conversar com outras pessoas em seus momentos de vulnerabilidade emocional.

Quem mantém?
A instituição é mantida com as contribuições dos próprios Voluntários e também por doações feitas por pessoas e segmentos da sociedade que reconhecem a importância do trabalho.
Tem personalidade jurídica e não está vinculada a qualquer religião, governo ou partido político.
O CVV é hoje um dos serviços mais procurados do país, com uma média superior a um milhão de ligações por ano[1] .

Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, cerca de 3 mil pessoas por dia cometem suicídio em todo o mundo.
Segundo dados de 2015, 38 brasileiros tiram a própria vida por dia e outros cerca de 200 tentam o suicídio no mesmo período.
Organismos internacionais como a OMS e a AIPS-Associação Internacional para Prevenção do Suicídio reconhecem a importância de programas como o do CVV e, no Brasil, outras iniciativas foram criadas, inclusive pelo Ministério da Saúde.

No Brasil, o CVV é reconhecido como serviço de utilidade pública pelo Ministério da Saúde, pertencendo às organizações do terceiro setor.
Nos primórdios, o Programa CVV recebeu influência dos Samaritanos Internacionais, grupo fundado pelo Reverendo Chad Varah, em 1953 na Inglaterra.
Os atendentes do Programa CVV, todos voluntários, possuem as mais diversas formações. Enquanto em atividade no CVV, deixam ao lado seu ‘eu profissional’ (psicólogo, dona de casa, estudante, médico, professor, etc.) e focam apenas o seu ‘eu voluntário’.

12.956 – Depressão – Impacto e índice de morbidade


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Sutil e mais mortífera que câncer e AIDs, tem causado um alto custo social.
Estima-se que sua prevalência ao longo da vida, na população geral, situe-se em torno de 15%. Ou seja, entre 100 pessoas da população, 15 já apresentaram ou apresentam episódios depressivos durante suas vidas. É um transtorno que acomete mais frequentemente mulheres do que homens, numa proporção estimada em 2:1 (duas vezes mais mulheres do que homens). Sem um tratamento adequado, a depressão apresenta um curso crônico e recorrente. Estima-se que após o primeiro episódio o risco de recorrências seja de 50%; após o segundo episódio este risco se eleva para 70-80% e após três episódios depressivos, o risco de episódios seguintes é de 90%. O número de faltas ao trabalho ao longo de um período de 30 dias, entre pacientes deprimidos, chega a ser duas vezes maior, acarretando perdas salariais significativas.World Health Organization – WHO, 2001.
É também uma importante questão de saúde pública, pois está associada a altos índices de incapacitação, prejuízo no funcionamento global, elevados custos socioeconômicos, queda da qualidade de vida, maior risco de desenvolvimento de outras doenças de alta mortalidade (como por exemplo, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer), piores índices de saúde geral e elevado risco de suicídio.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é a primeira causa de incapacitação entre todas as doenças médicas. Ocupa a quarta posição entre todas as causas que contribuem para a carga global de doenças, de acordo com o “Global Burden of Diseases Project” da OMS, correspondendo a 4,4% dos anos de vida vividos com incapacitação. Para os indivíduos que estão na faixa etária compreendida entre 15 e 44 anos, a depressão é responsável por 8,6% dos anos vividos com incapacitação.
Os custos socioeconômicos com a depressão são elevados. Podem ser relacionados em custos diretos (p. ex.: custos com médicos, medicamentos), indiretos (p. ex.: custos decorrentes da incapacidade ocupacional, de morte prematura) e intangíveis (p. ex.: piora da qualidade de vida). Para se ter uma estimativa da gravidade, no Reino Unido, por exemplo, o custo total com a depressão supera os custos somados de diabetes e a hipertensão. Os custos diretos, especialmente com internações, são elevados. Segundo dados do Ministério da Saúde, calcula-se que para cada paciente internado no estado de São Paulo com diagnóstico de algum transtorno do humor, por exemplo, o custo seja de cerca de R$ 1.000,00 (dados de novembro/2007).
Custos com consultas, exames laboratoriais e hospitalizações, por exemplo, chegam a ser desde duas até quatro vezes maiores entre os portadores de depressão. Cerca de 50% dos pacientes que buscam serviços primários de saúde por queixas físicas apresentam depressão e, entre estes, de 40% a 60% não têm o diagnóstico firmado por médicos não psiquiatras. Entre os custos indiretos, a perda de produtividade e as faltas ao trabalho podem corresponder a 60% dos custos totais com a depressão.
O maior risco de pacientes de doenças crônicas apresentarem depressão é bem conhecido. Diabetes, doenças cardiovasculares, doenças hematológicas, doenças autoimunes e moléstias inflamatórias intestinais, por exemplo, co-ocorrem frequentemente com a depressão. A vulnerabilidade genética comum a estas doenças pode explicar a elevada frequências com que ocorrem concomitantemente, em um mesmo indivíduo – ou seja, como comorbidades. Este é um tema que tem recebido particular atenção em pesquisas na área dos transtornos do humor.
Concluindo, a depressão é uma das doenças médicas mais frequentes, e acarreta importantes prejuízos pessoais, ocupacionais, econômicos e sociais, além de se relacionar à maior morbidade e mortalidade por outras doenças clínicas, se não tratada. Portanto, sua identificação precoce e a instituição de um tratamento adequado, que leve à remissão dos sintomas, é fundamental. A depressão é recorrente, a cada novo episódio a possibilidade de recorrências aumenta o que reforça a importância da eficácia dos tratamentos antidepressivos, e a adesão ao tratamento.

12.940 – Psiquiatria – Silenciosa, sorrateira, mas muito agressiva


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É uma doença que ataca tão subrepticiamente, que a maioria dos que sofrem dela nem percebem que estão doentes. De cada dez pessoas que procuram o médico, pelo menos uma preenche os requisitos para o diagnóstico de depressão.
Do início insidioso, a depressão evolui continuamente para quadros que variam de intensidade e duração. Nos casos mais simples, a pessoa pode curar-se por conta própria em duas a quatro semanas. Passado esse período sem haver melhora, os especialistas recomendam atenção e tratamento, porque a depressão prolongada pode levar a suicídio e mortes por causas naturais.
Para ajudá-lo a identificar os sintomas da depressão acompanhe o algoritmo abaixo, retirado da quarta edição do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV):

1) Durante o último mês, você esteve frequentemente chateado por se sentir deprimido e desesperançado?
2) Durante o último mês você esteve frequentemente chateado por sentir falta de interesse nas atividades?

Se a resposta foi não a ambas as perguntas, é pouco provável que você tenha depressão. Mas, se uma das respostas foi sim, esteja atento a outros sintomas da doença.
O diagnóstico de depressão requer a presença de cinco ou mais dos seguintes sintomas que incluam obrigatoriamente espírito deprimido ou anedônia, durante pelo menos duas semanas, provocando distúrbios e prejuízos na área social, familiar, ocupacional e outros campos da atividade diária.

1) Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo, quase todos os dias;
2) Anedônia: interesse ou prazer diminuído para realizar a maioria das atividades;
3) Alteração de peso: perda ou ganho de peso não intencional;
4) Distúrbio de sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
5) Problemas psicomotores: agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias;
6) Falta de energia: fadiga ou perda de energia, diariamente;
7) Culpa excessiva: sentimento permanente de culpa e inutilidade;
8) Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar ou concentrar-se;
9) Idéias suicidas: pensamentos recorrentes de suicídio ou morte.

De acordo com o número de itens respondidos afirmativamente, o estado depressivo pode ser classificado em três grupos:
1) Depressão menor: 2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedônia;
2) Distimia: 3 ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido, durante dois anos, no mínimo;
3) Depressão maior: 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedônia.

ABSTINÊNCIA DE ANTIDEPRESSIVOS
Nos últimos anos, os chamados inibidores da recaptação da serotonina têm sido o grupo de drogas mais empregadas no tratamento de distúrbios psiquiátricos como depressão, ansiedade, bulimia, estresse pós-traumático, obsessão-compulsão, disforias pré-menstruais e outros.
Pertencem a esse grupo medicamentos como fluoxetina (Prozac, Daforin, Eufor), paroxetina (Aropax), sertralina (Zoloft) e outros. O sucesso dessas drogas na clínica se deveu especialmente à tolerabilidade e segurança de uso em comparação com os antidepressivos empregados anteriormente.

Síndrome de abstinência
No entanto, um dos problemas mais frequentes associados ao uso desses inibidores é o aparecimento de síndrome de abstinência, quando sua administração é interrompida abruptamente.
Fenômeno semelhante pode ocorrer com outros antidepressivos não pertencentes a esse grupo, como a venlafaxina (Efexor), mirtazapina (Remeron), etc.
Síndrome de abstinência, aqui, é definida como “um conjunto de sinais e sintomas de instalação e duração previsíveis, que envolve sintomas psicológicos e orgânicos previamente ausentes à suspensão da droga e que desaparecem depois que ela foi reiniciada”.

Sintomas da síndrome
A abstinência à descontinuação abrupta dos inibidores da recaptação de serotonina, surge 24 a 72 horas depois da interrupção do tratamento e provoca os seguintes sintomas:

1) Psiquiátricos: ansiedade, insônia, irritabilidade, explosões de choro, distúrbios de humor e sonhos vívidos;
2) Neurológicos e motores: tonturas, vertigens, sensação de cabeça vazia, cefaléia, falta de coordenação motora, alterações de sensibilidade da pele e tremores;
3) Gastrintestinais: náuseas, vômitos e alterações do hábito intestinal;
4) Somáticos: calafrios, fadiga, letargia, dores musculares e congestão nasal.

Na ausência de tratamento esses sintomas desagradáveis costumam durar de uma a três semanas. Embora sejam discretos ou de moderada intensidade na maioria dos casos, às vezes podem se tornar mais intensos e serem confundidos com outras enfermidades.
A probabilidade de desenvolver a sintomatologia descrita é tanto maior quanto mais longa tiver sido a duração do tratamento. As reações geralmente estão associadas com durações de pelo menos quatro a seis semanas, mas podem acontecer depois de períodos de uso mais curtos.
Quanto mais rapidamente for excretado o antidepressivo, maior a probabilidade de surgir a síndrome. No caso de drogas como a fluoxetina que têm meia-vida (tempo necessário para eliminar metade da droga administrada) de 2 a 3 dias, os sintomas de abstinência podem instalar-se mais tardiamente (até uma semana depois da interrupção).
Duas a três semanas depois de instalados os sintomas da abstinência, costuma ocorrer um fenômeno conhecido como “rebote”: o reaparecimento dos sintomas psiquiátricos que levaram à indicação do medicamento.

Tratamento
O tratamento da síndrome de abstinência é óbvio: basta reiniciar a droga cuja retirada intempestiva foi responsável por ela. Com o reinício do tratamento os sintomas começam a melhorar já nas primeiras 24 horas. Para evitar a repetição do quadro, as doses diárias devem ser diminuídas gradativamente no decorrer de quatro a seis semanas, até que a interrupção completa possa ser realizada com segurança.
O grande número de pessoas que faz uso de antidepressivos atualmente, deve estar informado de que os efeitos benéficos do tratamento pode levar até seis semanas para se tornar aparente, e que precisa ser continuado por períodos de seis meses a um ano, para evitar recaídas precoces. Em caso de quadros depressivos que se instalam antes dos vinte anos de idade, em pacientes com recaídas múltiplas ou distúrbio bipolar, o tratamento pode exigir mais tempo ainda, ou mesmo estar indicado para ser mantido pelo resto da vida.
Durante esse período é fundamental que as doses diárias sejam tomadas com regularidade, porque os sintomas de abstinência podem surgir depois de apenas dois ou três dias de interrupção.

12.939 – Depressão, uma doença silenciosa e agressiva


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Nós não vemos isso nas mídias sociais, não vemos na TV. Esse assunto não é gostoso, não é divertido, não é leve. E como não lidamos com o tema, não percebemos a severidade da depressão.
E é sério: a cada 30 segundos, em algum lugar do mundo, alguém tira a própria vida por motivos ligados à doença. E pode ser alguém a dois quarteirões de distância, a dois países ou continentes de distância, mas está acontecendo.
As pessoas precisam saber que depressão não é simplesmente estar triste quando algo não anda bem na vida. Quando você termina se relacionamento, quando você perde uma pessoa amada, ou quando não consegue aquele emprego que tanto queria, isso é tristeza –uma emoção natural.
A depressão real é estar triste mesmo quando tudo na sua vida vai bem.
Não sei qual é a solução, mas o primeiro passo é reconhecer que temos um problema –não vai ser possível encontrar a resposta enquanto temos medo da pergunta.
Se você está enfrentando a depressão, saiba que está tudo bem. Saiba que você só está doente, você não é fraco. A depressão é um problema, não uma identidade.
Sentir-se abatido de tempos em tempos é algo normal que faz parte da vida. Mas quando o vazio e o desespero tomam conta do seu dia-a-dia, tornando-se permanente, afetando-lhe a motivação e o sentido da vida, pode ser depressão. Mais do que apenas o humor diminuído, os pontos baixos da depressão podem afetar-lhe a sua funcionalidade e deixar de ter prazer na vida, como anteriormente tinha.
A questão da depressão é uma área complexa, mas é uma área que tem vindo a crescer no esclarecimento do seu tratamento. Quase todos os dias novas informações são transmitidas, ajudando na orientação do nosso conhecimento e o que fazer. Independentemente das várias formas de intervenção e das diferentes respostas ao tratamento por parte das pessoas que sofrem com o problema da depressão, ainda assim a grande maioria pode e consegue aprender como reduzir de forma significativa os seus níveis de depressão ou até mesmo um alívio total da angústia provocada por este terrível problema. As pessoas que podem obter grande alívio da depressão inclui todas aquelas que pensam que nunca irão conseguir ultrapassar os seus problemas pessoais e que consequentemente a sua depressão irá durar para sempre.
Muitas pessoas usam a palavra “depressão” para explicar estes tipos de sentimentos, mas a depressão é muito mais do que tristeza. Algumas pessoas descrevem a depressão como “viver num buraco negro” ou ter um sentimento de desgraça constante. No entanto, algumas pessoas deprimidas não se sentem tristes por tudo, em vez disso, sentem-se sem significado na vida, como se a vida fosse vazia e apática.
Seja qual for o sintoma, a depressão é diferente da tristeza normal ou da simples desmotivação, na medida em que anula o seu dia-a-dia, interferindo com a sua capacidade de trabalhar, estudar, comer, dormir e divertir-se. Os sentimentos de desamparo, desesperança, inutilidade são intensos e implacáveis, com pouco ou nenhuma alívio.
Enquanto todos nós, ocasionalmente, podemos ficar tristes ou “em baixo”, normalmente estes sentimentos tendem a passar muito rapidamente. Por outro lado, alguém com depressão tem experiências de extrema tristeza ou desespero, que dura pelo menos duas ou mais semanas. Os indivíduos deprimidos tendem a sentir-se impotentes e sem esperança culpando-se por terem esses sentimentos. O sentimento de culpa é muito vincado. A depressão interfere com as atividades da vida diária, tais como trabalhar ou concentrar-se em tarefas, ou mesmo comer e dormir. Outros possíveis sintomas da depressão incluem dores crónicas, dores de cabeça ou dores de estômago. Algumas pessoas podem sentir-se irritadas ou agitadas por longos períodos.
As pessoas que estão deprimidas podem sentir-se oprimidas e exaustas deixando completamente de participar em certas actividades quotidianas. Elas podem deixar de interessar-se por assuntos relacionados com a família e amigos. Deixam de importar-se com as suas vidas. Perdem o sentido de futuro, deixam de ter prazer nas coisas que anteriormente lhe eram significativas. A pessoa deixa de acreditar que consegue dar a volta à situação e por consequência deixa de fazer planos para o futuro. Algumas pessoas deprimidas podem chegar a ter pensamentos de morte ou suicídio como já referi anteriormente.

Sinais de Alerta
Você não consegue dormir ou dorme em excesso.
Você tem dificuldades de concentração, ou sente que algumas das tarefas que fazia facilmente são agora um tormento.
Você sente-se desesperançado e desamparado.
Você não consegue controlar os seus pensamentos negativos por mais que se esforce.
Você perdeu o apetite ou não consegue parar de comer.
Você está muito mais irritadiço e com humor diminuído do que é habitual.
Você tem pensamentos de que não vale a pena viver (se for o caso procure ajuda imediata).

DEPRESSÃO MAIOR (DEPRESSÃO UNIPOLAR)
A depressão maior é caracterizada pela incapacidade de aproveitar os prazeres da vida e experiência. Os sintomas são constantes, variando de moderada a grave. Sem tratamento adequado, a depressão maior geralmente dura cerca de seis meses. Algumas pessoas experimentam apenas um episódio depressivo único durante toda a sua vida, mas geralmente, a depressão maior é um transtorno recorrente. No entanto, existem muitas coisas que você pode fazer para melhorar o seu humor e reduzir o risco de recorrência. Não sofra desnecessariamente, procure ajuda.

DEPRESSÃO ATÍPICA

Depressão atípica é um subtipo comum de depressão maior. Ele apresenta um padrão de sintomas específicos, incluindo um elevador humor temporário em resposta a acontecimentos positivos. Você pode sentir-se temporariamente melhor depois de receber uma boa notícia, ou quando saí para uma festa com os amigos. No entanto, este impulso de humor é passageiro. Outros sintomas da depressão atípica incluem ganho de peso, aumento do apetite, sono excessivo, sensação de peso nos braços e pernas, e sensibilidade à rejeição. Tal como outras formas de depressão, você pode obter alívio e tratamento através de Terapia Cognitivo-comportamental

DEPRESSÃO DISTÍMICA (DEPRESSÃO LEVE RECORRENTE)
A distímia é um tipo de depressão crónica leve. São mais os dias em que se sente moderadamente deprimido, que os que não se sente, embora você possa ter breves períodos de humor normal. Os sintomas da distímia não são tão fortes como os sintomas de depressão maior, mas duram muito tempo (pelo menos dois ou mais anos). Estes sintomas crónicos tornam a vida muito difícil de viver viver. Algumas pessoas também têm episódios depressivos maior conjuntamente com a distímia, uma condição conhecida como “depressão dupla”. Se você sofre de distímia, você pode sentir que quase sempre se sentiu deprimido. Ou você pode pensar que o seu humor diminuído faz parte de você (é do jeito que você é).A distímia pode ser tratada com êxito, mesmo que os sintomas tenham sido ignorados ou tenha estado sem tratamento durante anos.

TRANSTORNO AFECTIVO SAZONAL
Quando o inverno se faz sentir com os seus dias frios, sombrios, curtos, enfadonhos, nublados, por vezes o humor é afetado. Algumas pessoas ficam deprimidas no outono ou inverno, principalmente pela limitação de sol. Este tipo de depressão é chamada de transtorno afetivo sazonal. Transtorno afetivo sazonal é mais comum em climas do norte e em pessoas mais jovens. Tal como outros tipos de depressão, este também é tratável. A terapia através da luz, um tratamento que envolve a exposição à luz artificial intensa, muitas vezes ajuda a aliviar os sintomas.

DEPRESSÃO BIPOLAR: QUANDO A DEPRESSÃO É APENAS UM DOS LADOS DA MOEDA
Depressão bipolar, também conhecida como psicose maníaco-depressiva, é caracterizada por alterações de humor cíclico. Os episódios de depressão alternam-se com episódios maníacos, podendo incluir comportamentos impulsivos, hiperatividade, fala rápida, e pouco ou nenhum sono. Normalmente, a mudança de um modo extremo para o outro é gradual, com cada episódio maníaco ou depressivo tendo a duração de pelo menos várias semanas. Quando deprimido, uma pessoa com transtorno bipolar apresenta os sintomas usuais de depressão maior. No entanto, os tratamentos para a depressão bipolar são muito diferentes dos outros tipos de depressão.

Fatores de Risco
Solidão
Falta de apoio social
Recentes experiências de vida estressantes
História familiar de depressão
Problemas de relacionamento ou conjugal
Tensão financeira
Trauma ou abuso de infância
Uso de álcool ou drogas
Situação de desemprego ou o subemprego
Problemas de saúde ou de dor crónica

12.930 – Comportamento – Timidez é genética?


timidez
Pode ser – pesquisadores acreditam que a genética é responsável por pelo menos 20% dos casos. Nos outros 80%, a causa é ambiental (veja abaixo). Mas a timidez não é considerada doença ou defeito. Ela só se torna um problema quando foge do controle e compromete a qualidade de vida do tímido. Por exemplo: quando o sujeito se recusa a comparecer a uma entrevista de emprego por medo, inibição ou vergonha. Nesses casos, ela passa a ser chamada de fobia social ou transtorno de ansiedade social. Tanto para a timidez de origem genética quanto para a de origem ambiental há tratamento. O mais indicado é a terapia comportamental, que consiste em treinar habilidades sociais específicas, como falar em público, puxar conversa com estranhos ou olhar nos olhos do interlocutor. No caso da fobia social, o médico também costuma prescrever antidepressivos.Tudo tem conserto: 70% das crianças tímidas tendem a se tornar mais expansivas até os 7 anos

TIMIDEZ DE CAUSA GENÉTICA

Um estudo da Universidade de Maryland mostra que o problema pode vir de uma mutação no gene 5-HTT, que transporta serotonina de um neurônio para o outro. Já outra pesquisa, da Universidade de Vanderbilt, mostra que o cérebro dos acanhados tem alterações em duas áreas: a amígdala e o hipocampo. Segundo um psicólogo de Harvard, a timidez genética se manifesta já nos primeiros dias de vida

TIMIDEZ DE CAUSA AMBIENTAL

A timidez pode ser fruto da convivência com pais rigorosos, que cobram muito dos filhos, ou negligentes, que raramente os elogiam. Com baixa autoestima, as crianças ficam suscetíveis a críticas, se sentem incapazes de conquistar algo sozinhas e têm pavor de rejeição. Situações estressantes, como a separação dos pais, ou traumáticas, como abuso sexual, também podem desencadear um perfil retraído

VOCÊ É TÍMIDO?

Se você tiver três ou mais destes sintomas e eles o incomodarem, considere procurar ajuda

– Quando está em público, sente a boca seca, rubor ou palidez, falta de ar e taquicardia ou transpira muito

– Sente insegurança e vergonha

– Tem medo de rejeição

– Tem baixa autoestima

– Gesticula pouco ou quase nada

– Evita olhar nos olhos

– Fala mais baixo que o habitual

– Sai pouco de casa e pratica poucas atividades

– Demora para se enturmar com grupos