14.177 – Demorou mas Chegou – Pílula contra HIV


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O Ministério da Saúde passará a disponibilizar em até 180 dias a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) contra o vírus HIV. Na prática, um grupo inicial de 7 mil pessoas em grupos estratégicos deverão receber um medicamento para tomar no dia-a-dia e prevenir a infecção.
Inicialmente o governo deve priorizar 12 cidades brasileiras: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Manaus, Brasília, Florianópolis, Salvador e Ribeirão Preto. De acordo com o Ministério da Saúde, esses municípios foram escolhidos por terem participado de projetos piloto para o uso da pílula.
Além disso, poderão receber o remédio populações-chave, determinadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS): casais soro diferentes, gays; homens que fazem sexo com homens; profissionais do sexo e pessoas transgêneros (travestis e transexuais).
O remédio será distribuído para previnir a infecção pelo vírus HIV no Brasil e já é utilizado em outros países para o mesmo fim, como os Estados Unidos, e os estudos demonstram alta taxa de eficiência: 90%, de acordo com o Ministério da Saúde.
A marca mais conhecida é o Truvada, usada em alguns países. O Ministério da Saúde disse há possibilidade de importar o produto, mas que uma licitação deverá ser feita.
Ele combina dois medicamentos em um comprimido: o fumarato de tenofovir desoproxila (TDF, 300 mg) e a emtricitabina (FTC, 200 mg). Os dois, junto a uma terceira substância, já fazem parte do coquetel de tratamento contra a doença há muitos anos.
O que é PrEP?
A Profilaxia Pré-Exposição é a ingestão do medicamento em grupos de risco do HIV para evitar que novas pessoas sejam infectadas. Há, ainda, a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), feita no Brasil desde 2010 – quando a pessoa recebe um tratamento a base de um coquetel logo após um comportamento de risco, ou para profissionais de saúde que possam ter se infectado ao tratar pacientes.
O remédio impede a transcrição do material genético do vírus HIV, evitando se instale nas células do corpo.
Os dois médicos informaram que o medicamento mantém o efeito por um bom tempo no corpo. Então, esquecer de tomar um único dia não é o problema. De acordo com Kallas, ele geralmente é ingerido de três a quatro vezes por semana.
A longo prazo, de acordo com Timerman, o remédio pode causar problemas renais e alterar a calcificação dos ossos. Por isso, ele defende que os pacientes sejam acompanhados de seis em seis meses por um médico.
O total de pessoas cadastradas para receber a prevenção por meio da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), medicamento que previne a infecção do vírus HIV, aumentou 38% em cinco meses. O tratamento está disponível desde janeiro de 2018 no Sistema Único de Saúde (SUS). Desde então, 11.034 pessoas foram cadastradas, sendo 4.152 apenas entre janeiro e maio deste ano, de acordo com o Ministério da Saúde.

A “pílula anti-HIV” é uma combinação de medicamentos: tenofovir (300mg) + truvada (200mg). Ao tomar a dose diária, a pessoa se previne contra o vírus. Os grupos com maior risco passaram a ter acesso à PrEP na rede pública de saúde no Brasil: gays, homens que fazem sexo com outros homens (HSH), profissionais do sexo, homens trans, mulheres trans e travestis.
Em 2017, o Ministério da Saúde liberou a pílula para 7 mil pessoas, inicialmente. Foram priorizadas 12 cidades: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Manaus, Brasília, Florianópolis, Salvador e Ribeirão Preto. A escolha dos locais acompanhava a maior incidência da doença. Depois, a PrEP foi ampliada para outras partes do Brasil.
A Profilaxia Pré-Exposição já era utilizada em outros países, como os Estados Unidos. Desde 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar a prevenção para esses mesmos grupos. Estudos apontam uma taxa de eficiência maior do que 90%. Mais de 100 mil pessoas já tinham usado a pílula até o final de 2016.
Uma revisão de 21 trabalhos que somam quase 10 mil pacientes analisou se a PrEP induz à diminuição do uso de preservativo e a incidência de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O estudo aponta uma variação entre as populações estudadas e que não houve um aumento significativo no número de participantes que não usavam camisinha – a conclusão é que os HSH já transavam sem proteção. Mesmo assim, há um aumento geral no número de parceiros.
Os gays e homens que fazem sexo com outros homens (HSM) são os que mais aderiram à medida no Brasil – foram 2.898 novos cadastros neste ano. Do outro lado, estão travestis, homens trans e mulheres trans, que representam menos de 5% dos usuários da PrEP. Desde o início de 2019, entraram no programa de prevenção 30 travestis, 162 mulheres trans e 10 homens trans.
Mesmo que esse número pareça pequeno, é difícil estimar se essas populações estão sub representadas na política de prevenção. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pesquisas demográficas ainda não contabilizam o número de travestis, mulheres trans e homens trans no Brasil.
O instituto argumenta que, na hora de fazer um questionário nas residências, uma única pessoa responde por toda a família – e muitas vezes não informa a existência de um integrante dessas populações. Além disso, parte dos homens trans e mulheres trans acaba entrando nos índices de sexo feminino ou masculino, pois o gênero é autodeclaratório.