14.164 – Biologia – Reino dos Invertebrados


Os animais invertebrados são aqueles que não possuem crânio, nem coluna dorsal.

Em muitos casos, possuem corpo mole, entretanto, há alguns, como os artrópodes, que são conhecidos por possuírem um exoesqueleto associado às funções do esqueleto interno dos vertebrados, que por sua vez tem o objetivo de sustentação, oferecendo maior facilidade para locomoção, bem como o de proteção.

O exoesqueleto está associado às funções do esqueleto interno dos vertebrados, com o objetivo de sustentação, maior facilidade para locomoção, bem como o de proteção.
Os animais invertebrados apresentam características que podem ser dividida em duas categorias, podendo ser de acordo com sua estrutura óssea e com o local em que vivem

Segundo a estrutura corpórea dos animais invertebrados, suas principais características são:

Características Descrição
Aeróbicos Retiram o oxigênio do ar ou da água conforme o meio em que vivem (há diversos tipos de sistema respiratório).
Pluricelulares Possuem o corpo formado por muitas células.
Eucariontes Suas células tem núcleo envolvido por membrana.
Heterótrofos Necessitam ingerir outros seres vivos, uma vez que não possuem clorofila e não são capazes de produzir o próprio alimento.
Reprodução Sexuada A maioria se reproduz de forma sexuada, ou seja, através de gametas, embora haja espécies que se reproduzem de forma assexuada.
Presença de tecidos e órgãos Possuem essas estruturas, com exceções dos filos mais simples como os Poríferos.
Simetria bilateral A maioria possui simetria bilateral, ou seja, duas metades do corpo simétricas. Todavia, os equinodermos têm simetria radial (vários planos longitudinais a partir do centro do corpo) e as esponjas não têm nenhuma simetria.
Segundo o local em que vivem, os animais invertebrados podem ser classificados em:
Classificação Descrição
Invertebrados terrestres como formigas, caracóis e minhocas; outros possuem a capacidade de voar, como moscas, joaninhas e gafanhotos.
Invertebrados aquáticos que vivem tanto de água doce como salgada, como o camarão, siri, polvo e estrela do mar.
Além disso, alguns vivem no corpo humano e de outros animais, como são chamados os parasitas (pulga e piolho).
Os animais invertebrados são divididos em diversos filos, são eles: poríferos, cnidários, platelmintos, nematelmintos, moluscos, anelídeos, artrópodes e equinodermos.
Conheça a seguir as principais características e exemplos de cada filo.
Os poríferos, popularmente chamados de esponjas-do-mar, são conhecidos por serem invertebrados aquáticos e que vivem grudados em algum tipo de substrato.
Sua principal característica é a presença de poros pelo corpo, daí surge seu nome. Ele pode apresentar vários formatos, tamanhos e cores, dependendo da qualidade da água e das substâncias que ele absorve.
Os cnidários, também conhecidos como Ctenóforos, são organismos pluricelulares e em sua maioria aquáticos e marinhos.
Eles possuem um tipo específico de célula nos tentáculos, que contém um filamento com espinho e um líquido urticante.
Este espinho possibilita que o animal injete uma substância tóxica na presa ou ainda como forma de defesa. Nos seres humanos costuma causar queimaduras.
Os exemplos mais populares deste filo são as águas-vivas e anêmonas-do-mar.

Platelmintos
Os platelmintos são os vermes com corpo achatado e pouca espessura. São animais que se desenvolvem na água, porém apresentam vida livre, ou seja, podem viver na terra.
Este animal invertebrado possui poucos centímetros de comprimento, sendo que na cabeça estão localizadas as estruturas sensoriais. Apresenta um sistema digestivo incompleto.
Os exemplos mais comuns deste tipo de animal invertebrado são a tênia e esquistossomos.
Nematelmintos
Os nematelmintos, ou nematódeos, são os vermes com corpo cilíndrico. Seu desenvolvimento se dá na água e podem viver em terra, desde que o solo seja úmido.
É conhecido por ser o transmissor de diferentes doenças, como ascaridíase, amarelão, elefantíase e bicho-geográfico.
O exemplo mais comum de nematelminto é a lombriga.

Anelídeos
Os anelídeos são os vermes divididos em “anéis”, como as minhocas e os sanguessugas. Sua principal característica é o corpo mole, alongado, cilíndrico e segmentado, parecendo uma divisão por anéis.
Este tipo de animal invertebrado pode ser encontrado tanto em água doce quanto em água salgada, ou ainda em solos úmidos.
Os moluscos são animais invertebrados que apresentam corpo mole. Dependendo da espécie podem ser envoltos por uma concha, que exercem a função de proteção do corpo e para evitar perda de água.
Podem ser encontrados em ambientes aquáticos marinhos, de água doce ou em solo úmido.
Como exemplo de moluscos podemos citar polvos, lulas, lesmas, caramujos, ostras, mariscos e mexilhões.
Os equinodermos são animais invertebrados exclusivamente marinhos. Seu corpo é simétrico e suas partes são distribuídas em forma de circunferência.
O formato e tamanho são variados, vivem isoladamente e fixos a um substrato.
Alguns exemplos de equinodermos são os pepinos-do-mar, estrelas-do-mar e ouriços-do-mar.

Artrópodes
Os artrópodes são um filo muito diverso, representam cerca de 99% do reino animal. Suas principais características são as patas articuladas, o exoesqueleto (esqueleto externo) e corpo segmentado.
São divididos nos diferentes grupos: insetos, aracnídeos, miriápodes e crustáceos.

Insetos
Os insetos representam o grupo com maior diversidade entre os animais, possuindo cerca de 900 mil espécies.
Seu corpo possui 3 pares de patas, 2 pares de antenas e 1 ou 2 pares de asas.
Os animais que compõem o grupo dos insetos são: cigarras, borboletas, gafanhotos, percevejos, besouros, formigas, abelhas, libélulas, cupins, baratas, moscas, traças, pernilongos, pulgas, baratas.
Os aracnídeos são os animais invertebrados que representam as aranhas, escorpiões, ácaros, carrapatos.
Eles não apresentam antenas e mandíbulas, porém possuem quelíceras, que nos escorpiões são pinças preensoras e nas aranhas são os ferrões. Além disso, os aracnídeos possuem 4 pares de patas.

Aranha armadeira
Aranha-marrom
Aranha caranguejeira
Aranhas venenosas
Miriápodes
Os miriápodes são também conhecidos como unirremes, pois não apresentam apêndices ramificados. Seu corpo é formado por um par de antenas, cabeça e tronco alongados, sua mandíbula não é articulada e possui diversas pernas.
São animais exclusivamente terrestres, não havendo espécies que vivem em ambiente aquático.
Como exemplo de miriápodes, destacam-se as centopeias e lacraias.
Os crustáceos são animais invertebrados que vivem, em sua maioria, em ambiente aquático marinho ou de água doce.
Desempenham um importante papel ecológico, formando a base da cadeia alimentar nos ecossistemas marinhos.
Seu corpo é segmentado, possui 2 pares de antenas que desempenham função sensorial e de equilíbrio, mandíbulas e maxilas, além de apêndices locomotores.
Como exemplos de crustáceos destacam-se os caranguejos, lagostas, camarões, siris e cracas.
A maioria dos animais do planeta são invertebrados, representando 97% das espécies, o que dá um total de cerca de 1,5 milhão de espécies.
No processo de evolução, os cientistas não tem uma conclusão sobre como os invertebrados surgiram. Duas teorias são mais populares, sendo uma considerando que foi originário de um ancestral unicelular primitivo; já a outra teoria é que eles tiveram diferentes origens.

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13.860 – Dinossauros – Eles Estão Entre Nós


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Uma vez por ano o paleontólogo americano Mark Norell troca o conforto do Museu de História Natural de Nova York, com sua privilegiada vista do Central Park, por uma temporada de dois meses no hostil Deserto de Gobi, na Mongólia. Ali, com a ajuda de pesquisadores da Academia de Ciências da Mongólia, ele procura, desde 1990, fósseis de dinossauros, sua grande paixão e principal atração do museu onde trabalha, e de outros animais igualmente antigos. O sacrifício valeu a pena: em abril passado, Norell apresentou ao mundo o resultado desse trabalho, um quase completo exemplar de um pequeno dinossauro, ainda desconhecido, que na pia batismal recebeu o nome grego de Mononychus, devido a uma singular característica: a garra única dos membros anteriores.

O Mononychus integra o grupo dos celurossauros, tem 75 milhões de anos e sua descoberta causou alvoroço muito além das fronteiras da província científica — a revista Time, por exemplo, dedicou-lhe nada menos que o artigo de capa da edição de 26 de abril. Não poderia ser de outra forma: bípede, pedacinhos afiados de dentes, pescoço e cauda compridos, longas pernas boas para correr, muito a propósito do tamanho de um peru, a descoberta reaqueceu o debate em torno de uma velha — e jamais decidida — questão da Paleontologia: seriam as aves modernas descendentes dos dinossauros? Somado a outras evidências que se acumulam sobretudo a partir da década passada, o achado de Norell aponta para uma conclusão: anatomicamente, as aves pertencem à árvore genealógica dos dinossauros.
O Mononychus não tinha asas nem evidências de penas, ao contrário do arqueoptérix — que, no entanto, não se pode garantir tenha sido um animal voador. Porém, possui outras características pouco tradicionais para um dinossauro e muito próximas das aves modernas, tais como a quilha no osso esterno, isto é, uma estrutura muito reforçada nesse osso, que serve de apoio aos músculos peitorais (os que auxiliam no vôo) e ossos pélvicos muito unidos e alongados.
Na verdade, essa é uma das correntes que tentam explicar a evolução das aves. A outra, alternativa mas não oposta, sustenta que dinossauros e aves têm um ancestral comum — o tecodonte, um réptil muito variável, às vezes bípede, outras vezes quadrúpede. Para essa corrente, muitas semelhanças aproximam as aves dos celurossauros, levando à suposição de que ambos evoluíram paralelamente. Tais teorias não chegam a ser exatamente uma novidade, estão na pauta dos especialistas desde o século XIX, e são reavivadas a cada nova evidência que aparece. O Mononychus parece ser a mais importante dos últimos tempos.
Os tiranossauros, velociraptors, alossauros e cia. estão por aí. A diferença é que agora eles atendem por nomes menos glamourosos – pintassilgo, tico-tico, galinha caipira, pato, pombo… Das quase 10 mil espécies de aves que existem, todas são descendentes diretas dos dinossauros. O parentesco entre os dois é um fato bem conhecido da biologia. A diferença é que, agora, começam a surgir evidências de que a relação entre os penosos e os escamosos é bem mais estreita. A começar pelas penas. Em 2012 por exemplo, paleontólogos alemães encontraram um indício de que boa parte dos dinossauros tinha penas. E bico. Conheça agora as características que as aves herdaram de seus avós, as criaturas mais fascinantes que já pisaram sobre a Terra.
Pescoço em “S”
Uma diferença marcante entre dinossauros e crocodilos, por exemplo, é que só os primeiros têm pescoço em forma de “S” – justamente uma característica das aves. Ela provavelmente evoluiu nos primeiros dinossauros como uma adaptação para ampliar o campo de visão (igual o bipedismo – seja nos dinos, seja nos homens). E o resultado foi o pescoço esguio. Os cisnes agradecem.

Instinto maternal
Tartarugas são péssimas mães. Botam os ovos e tchau: a filhotada que se cuide depois. Até pouco tempo atrás o consenso era que os dinossauros também se comportavam desta maneira, digamos, reptiliana. Mas não. Hoje sabemos que vários deles faziam como os pássaros: eram pais exemplares, que construíam ninhos e cuidavam dos filhotes. É o caso deste dino-ave aqui ao lado, o citipati, cujo fóssil mostra o bicho chocando ovos.

Bico
Nós usamos as mãos para cavar. Então desenvolvemos unhas (com os cachorros aconteceu a mesma coisa). Outros usam a boca para cavar, então desenvolveram unhas. Na cara. O bico é um par de unhas facial. Essa proteção evoluiu em alguns dinossauros, e desse grupo passou para todas as aves. Um dos dinos bicudos era o Citipati. Mas alguns pesquisadores acreditam que até grandes carnívoros, como o tiranossauro, tivessem alguma espécie de bico, ainda que dentado.
Pés de passarinho
Responda em um segundo, valendo um milhão de reais: os pés de um dinossauro pareciam mais com: a) os de um crocodilo; b) os de um periquito. Pois é: a certa é a alternativa B. O grupo de dinossauros que deu origem às aves, os terópodes (dos quais faz parte o glorioso tiranossauro), já tinha pés de passarinho, com três dedos para frente e um para trás – dedo extra que os pombos usam para se empoleirar nos fios elétricos.

Ossos pneumáticos
Os terópodes, ramo dos dinossauros mais próximos das aves, e que inclui o tiranossauro, têm ossos pneumáticos, ou seja, com câmaras internas cheias de ar, como as aves modernas (e pneus!). É uma característica essencial para o voo. Mas claro: tiranossauros não voavam – os ossos pneumáticos deixavam o gigante mais leve e ágil.

“Osso da sorte”
Cada um pega de um lado do ossinho. E quem ficar com o pedaço maior ganha. É o “osso da sorte” – brinquedo que as galinhas forneciam para as crianças na era pré-videogame. Ele é formado pela fusão das duas clavículas e ajuda na sustentação dos ossos do tórax durante o voo. Mas também era encontrado em vários dinossauros, como o aerosteon aqui.

Sacos aéreos
Aves não têm sistema respiratório – têm um metrô respiratório. O ar circula por uma rede intrincada de canais ligando reservatórios de ar. São os sacos aéreos. Eles mantêm os pulmões sempre cheios, mesmo quando a ave expira. Isso confere um poder invejável de respiração – e possibilita às aves voar a altitudes rarefeitas. Mas tudo começou aqui no chão, para ajudar certos dinos a correr mais.

Punhos articulados
A articulação do punho das aves de hoje permite uma ampla movimentação das asas. Alguns dinossauros tinham essa mesma característica – caso dos maniraptores. O nome disso na biologia é “exaptação”: o uso de uma estrutura antiga para uma função nova (igual aconteceu com os sacos aéreos e com as penas). Nos dinos, o punho articulado só servia para deixar as mãos mais ágeis.

Penas
Já encontraram dezenas de dinossauros penosos – a maior parte do grupo dos coelurosaurus, que inclui de tiranossauros a dinos voadores. Mas o achado mais recente, o Sciurumimus, desenterrado em julho, na Alemanha, é uma exceção: pertence ao grupo dos megalosauros, um ramo bem diferente. Isso sugere que o ancestral comum entre os dois grupos podia ter penas – e mais: que todos os dinossauros talvez tenham tido pelo menos algum tipo de penugem. A função? A mesma que os pelos têm nos mamíferos: regular a temperatura.

galinhassauro

 

13.817 – Quais foram os Primeiros Primatas?


cranio humano
A busca pelas origens do homem nos leva até o surgimento dos primeiros primatas, há 70 milhões de anos. Só que nessa época nossos parentes se pareciam mais com ratos do que com os atuais macacos.
Elo ainda perdido
Quando a teoria de Charles Darwin foi confirmada, uma idéia rapidamente se difundiu: de que haveria um elo perdido entrehomens e macacos. Uma espécie intermediária, da qual os dois se teriam desenvolvido. Hoje, os cientistas acreditam que a história não é tão simples assim: homens e macacos provavelmente se desenvolveram paralelamente, a partir de outras espécies de primatas. Por isso, voltar até as origens do ser humano significa chegar ao momento em que surgiram os primeiros primatas – ordem de mamíferos à qual pertencem tanto homens quanto macacos.

Há 70 milhões de anos…
…surgiram os primeiros primatas. Um dos mais antigos, o Pleisiadapis, ainda era semelhante a um roedor. Só os de 35 milhões de anos atrás se assemelhavam aos atuais macacos. Nessa época, surgiu o Aegiptopiteco, animal arborícola e frutívoro, já com o cérebro um pouco desenvolvido e capaz de distinguir cores e relevos. Dele se originou o grupo dos hominóides, que inclui os gibões, os orangotangos, os chimpanzés, os gorilas e os homens. Há mais ou menos 30 milhões de anos, os gibões se separaram da linhagem que conduziu ao ser humano. Logo depois — há 17 milhões de anos — aconteceu a separação da linhagem dos orangotangos. Por fim, respectivamente há 7 e 12 milhões de anos, surgiram os gorilas e chimpanzés. Por terem se separado da nossa linhagem a menos tempo, esses dois animais ainda mantêm muitas semelhanças com os humanos, tanto na fisionomia quanto no comportamento.
E o cérebro cresce
Durante todo o processo de evolução do ser humano, um dado foi constante: o aumento do volume cerebral. Isso permitiu, a longo prazo, o desenvolvimento de instrumentos, da linguagem e da cultura.

Os primeiros hominídeos
O mais antigo hominídeo conhecido, com cerca de 4,5 milhões de anos, é o Ardipithecus ramidus. Eram animais ainda muito parecidos com os atuais chimpanzés, mas provavelmente já andavam sobre duas pernas. Os machos eram duas vezes maiores do que as fêmeas. Hoje, os cientistas acreditam que os A. ramidus viviam nas florestas, o que derruba a teoria de que o bipedismo tenha surgido quando nossos antepassados foram viver nas savanas. Então por que nos tornamos bípedes? Essa pergunta ainda não tem uma resposta definitiva, mas certamente andar sobre duas pernas proporcionava mais vantagens também na floresta. Nas savanas, o bipedismo permitia percorrer maiores distâncias em menor tempo, facilitando a busca por alimentos.
Os Australopithecus
O primeiro esqueleto de A. afarensis encontrado foi o da famosa Lucy. Ela recebeu esse nome porque a música Lucy in the Sky with Diamonds, dos Beatles, tocava no rádio no momento em que a equipe de arqueólogos percebeu que havia encontrado um esqueleto de mulher.
Ao contrário do que se pensava antigamente, a evolução humana não foi linear. Várias espécies surgiram e desapareceram, e até chegaram a conviver durante algum tempo. Há pouco mais de 4 milhões de anos surgiram os primeiros Australopithecus. Os mais antigos deles são o Australopithecus anamensis e o A. afarensis, já com características fisionômicas mais parecidas com as dos humanos atuais. Mas seu cérebro ainda mantinha a mesma dimensão do dos atuais chimpanzés. A primeira espécie a apresentar crescimento cerebral foi a A. africanus — que se alimentava de frutos e folhas e tinha a pele negra. Logo depois, surgiram três espécies quase simultâneas: a Australopithecus aethiopicus, a A. robustus e a A. boisei.
Em outro ramo evolutivo surgiu o Homo habilis, espécie de hominídeos com o cérebro mais desenvolvido da época. Foram os primeiros a talhar utensílios, em vez de simplesmente utilizar pedras e gravetos em estado bruto, como faziam alguns Australopithecus e como até hoje fazem os chimpanzés. Também foi a primeira espécie a organizar uma forma rudimentar de fala e a construir abrigos. Foi também com o H. habilis que os hominídeos adotaram hábitos carnívoros, alimentando-se inclusive de Australopithecus. Calma! Isso não quer dizer que fossem canibais. Não se esqueça de que os Australopitecus pertenciam a outra espécie animal.
Grupos de caçadores
Um primo distante do Homo habilis, chamado Homo ergaster, foi o primeiro a fazer armas e a se especializar na caça. Para aumentar sua eficiência contra grandes presas, passou a viver em pequenos grupos. A necessidade de coordenar as táticas de caça obrigou o desenvolvimento da comunicação e das linguagens oral e gestual. O Homo erectus descendeu do H. ergaster e já tinha capacidade cerebral próxima à nossa. Foi a primeira espécie a controlar o fogo e, com isso, tornaram-se capazes de migrar para regiões de climas mais frios. Os hominídeos deixavam a África e partiam para a Europa e Ásia. Mas o H. erectus ainda não seria a espécie a dominar o mundo. Outra estava por surgir, também descendente do H. ergaster: o Homo sapiens primitivo.
Ao contrário do que se pensava, o homem de Neanderthal não é um de nossos antepassados. Mas surgiu quase ao mesmo tempo que o Homo sapiens. Este último deu origem ao Homo sapiens sapiens, espécie à qual pertencemos.
Com suas roupas de pele, machados e lanças, os homens de Neanderthal viveram os rigores da glaciação.

O primo do H. sapiens
Quando o primeiro fóssil de Homo neanderthalensis — também conhecido como homem de Neanderthal — foi encontrado, em 1856, os pesquisadores acreditaram tratar-se de um de nossos antepassados na cadeia evolutiva. Estavam enganados. Hoje se sabe que o homem de Neanderthal era um “primo” do H. sapiens e chegou a conviver durante algum tempo com o homem moderno — o H. sapiens sapiens. Mas pesquisas mais recentes indicam que o homem de Neanderthal foi responsável por uma cultura muito mais avançada do que se supunha. Foram os primeiros artistas da Pré-História, criando flautas a partir de ossos, e os primeiros humanos a viver sob as duras condições das eras glaciares. Viviam em pequenos grupos familiares e os mais fracos eram apoiados pelos companheiros. Os mortos eram enterrados com utensílios, o que demonstra a prática de rituais e certa consciência religiosa. Já possuíam uma linguagem rudimentar, embora não fossem capazes de produzir um leque muito variado de sons. Faziam machados, facas e pontas de lanças, construíam cabanas de madeira, pedra e peles de animais. Desapareceram misteriosamente há 30 mil anos.
Finalmente, o homem moderno
Nessa longa linha evolutiva, por fim surgiu o Homo sapiens sapiens, há 130 mil anos. Desenvolveu vestuário, habitações, ornamentos, práticas medicinais e rituais. Também foi responsável pela criação de novas formas de arte, como a escultura e a pintura. Há 12 mil anos, o Homo sapiens sapiens descobriu a agricultura e domesticou os animais. Tornou-se sedentário e criou as primeiras cidades. Há 5 mil anos surgiram as primeiras civilizações e foi inventada a escrita. Era o fim da Pré-História e o início de uma nova aventura humana.
As pinturas encontradas em cavernas em várias partes da Europa são herança dos primeiros Homo sapiens sapiens.

Paleolítico
Esse período começou há cerca de 2 milhões de anos e terminou há 10 mil. Foi uma época de evolução física e cultural do homem.

Neolítico
Esse foi o período da Pré-História no qual aconteceram as maiores transformações da humanidade. Foi a época da domesticação dos animais e da criação da agricultura.

Idade dos Metais
A evolução humana originou as primeiras cidades no Oriente Médio. E, juntamente com a vida urbana, surgiu a escrita. A existência de documentos escritos determina o final da Pré-História e o início da História.

13.816 – Evolução das Espécies – De quem Evolui O Macaco?


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Foi de um animal do tamanho de um ratinho, que morava escondido em buracos de árvores, comendo insetos, e que viveu há 100 milhões de anos. Fora isso, sabemos apenas que ele era parecido com pequenos mamíferos que existem hoje em dia, como o musaranho. Esse antepassado distante ainda não era um primata – ordem à qual os macacos e o homem pertencem e cujo primeiro representante só apareceria 40 milhões de anos depois. Esse lapso de tempo é enorme e até hoje ainda não são conhecidas as espécies que completariam esse período da árvore genealógica dos macacos. “Existe um buraco na evolução. Todos os fósseis encontrados, que fariam a ponte entre os insetívoros e os primatas, foram desconsiderados”, afirma o biólogo Walter Alves Neves, da Universidade de São Paulo (USP). O termo “desconsiderado” soa esquisito, mas significa que pesquisas posteriores mostraram que esses fósseis realmente não compunham os elos perdidos tão procurados pelos especialistas.
Se essa parte da história evolutiva dos macacos é nebulosa, pelo menos os capítulos mais adiante são bem conhecidos. Ao longo de milhões de anos, os primatas foram crescendo de tamanho e ganharam um cérebro maior. O hábito de viver de galho em galho ajudou nessa última transformação, pois nas árvores os primatas aprimoraram o tato e a visão para fugir de predadores e encontrar comida. A evolução dos sentidos levou esses animais a expandirem uma área do cérebro fundamental para o desenvolvimento de capacidades, como a associação de idéias e o aprendizado. Sem esse avanço, os primatas poderiam não ter sobrevivido e o homem nem sequer pisado na Terra.

A grande famíliaPrimos próximos
Os macacos simiiformes evoluíram a partir de antigos prossímios, ganhando mais agilidade e inteligência. Eles surgiram cerca de 45 milhões de anos atrás. Hoje há perto de 200 espécies desses animais, que se dividem entre os chamados macacos do novo mundo (que habitam as Américas), como o mico-leão, e os do velho mundo (África), como o mandril

Quase humano
O ancestral comum entre humanos e grandes primatas viveu há cerca de 6 milhões de anos e ainda é desconhecido. Há 5 milhões de anos surgiram os primeiros hominídeos: os australopitecos, parecidos com os macacos, mas bípedes. O primeiro ancestral do gênero Homo, o Homo habilis, surgiu 2 milhões de anos atrás e já manipulava bem objetos
Os grandes primatas vieram dos mesmos animais que deram origem aos macacos do velho mundo. A separação entre os ancestrais de um grupo e de outro foi há 25 milhões de anos. Os grandes primatas têm o cérebro maior e mais complexo. Hoje, são os gibões, gorilas, orangotangos, chimpanzés e bonobos – dos quais os dois últimos são nossos parentes mais próximos
Os primeiros primatas, chamados prossímios, surgiram há 60 milhões de anos. Alguns de seus representantes ainda estão por aí, como o moderno társio. Esses animais se diferenciaram de seus ancestrais insetívoros por terem uma dieta mais variada, corpos mais bem adaptados à vida nas árvores e um cérebro bem maior
Os mais distantes ancestrais dos macacos eram de uma extinta família de insetívoros (animais comedores de insetos) chamada Leptictidae, que viveu entre 100 milhões e 38 milhões de anos atrás. Seus membros se pareciam com o musaranho, um pequeno mamífero moderno. Além dos primatas, eles deram origem a outros animais, como cavalos e bois
Os lemurídeos se separaram do tronco evolutivo que deu origem ao társio e aos macacos modernos há mais de 50 milhões de anos, formando uma linhagem própria, que originou os atuais lêmures. Esses animais conservam uma aparência primitiva, com rosto de raposa e corpo de macaco.

13.814 – Biologia – O Primeiro Animal a Andar Sobre a Terra


animal terrestre
Fósseis de um animal de transição entre peixes e animais terrestres com 375 milhões de anos contestam um conceito amplamente aceito da teoria da evolução de que grandes apêndices posteriores que dariam origem às patas teriam aparecido depois que os vertebrados migraram da água para a terra.
Descobertos em 2004, os fósseis bem preservados da pélvis e de parte da nadadeira pélvica do Tiktaalik roseae, que parecia um híbrido de crocodilo e peixe, indicam que as patas traseiras na verdade tiveram origem em nadadeiras posteriores, afirmaram cientistas em uma pesquisa publicada na edição online da revista científica americana “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), com datas de 13 a 17 de janeiro.
“Até então, os paleontólogos pensavam que uma transição havia sido produto de uma locomoção com duas nadadeiras nos peixes, anterior a uma locomoção ‘em quatro apêndices’ entre os tetrápodes”, explicou Neil Shubin, professor de anatomia da Universidade de Chicago, um dos principais autores da descoberta.
Segundo ele, “aparentemente esta transição teria ocorrido antes de tudo nos peixes e não entre os animais terrestres quadrúpedes”, como se supunha.
Os primeiros tetrápodes eram, de fato, animais exclusivamente aquáticos, ainda mal diferenciados dos peixes. Seus descendentes atuais são os anfíbios, as aves, os répteis e os mamíferos.
Hoje extinto, o Tiktaalik roseae tinha cabeça achatada como a de um crocodilo e dentes cortantes de um predador. Ele tinha 2,7 metros de comprimento e possuía uma morfologia muito similar à dos peixes, mas a articulação de suas nadadeiras peitorais leva a crer que este animal conseguia sustentar o peso de seu corpo.
O Tiktaalik roseae representa a espécie de transição mais conhecida entre os peixes e os tetrápodes terrestres, segundo os autores desta pesquisa.
“O Tiktaalik era uma combinação de características primitivas e avançadas. Aqui, não só suas características eram distintas, mas elas sugerem uma função avançada. Eles parecem ter usado a nadadeira de uma forma mais sugestiva do modo como um membro é usado”, explicou outro autor do estudo, Edward Daeschler, curador associado de Zoologia de Vertebrados na Academia de Ciências Naturais da Universidade de Drexel.
As primeiras análises sobre o animal foram realizadas em fósseis encontrados em 2004 no Ártico canadense, na altura da ilha de Ellesmere.
Sem dúvida alguma, as nadadeiras eram utilizadas como remos para nadar, mas poderiam também servir como patas em algumas ocasiões, explicaram os autores deste estudo.
Os trabalhos também permitiram aos cientistas fazer uma nova simulação, mostrando como o Tiktaalik se parecia e como se deslocava em seu hábitat.

13.418 – Dinossauro ‘Frankstein’ pode ser chave para entender evolução da espécie


chilesaurus
Chilesaurus, que foi descoberto em 2015, apresenta características que o colocam entre os grupos do animais carnívoros e herbívoros. Pelo menos é o que aponta um novo estudo dos fósseis encontrados no Chile, da Universidade de Cambridge e do Museu de História Natural do Reino Unido.
“Sua estranha mistura de características o coloca em uma posição-chave na evolução dos dinossauros e ajuda a mostrar como algumas das grandes divisões entre os principais grupos podem ter surgido”, afirma Paul Barrett, um dos pesquisadores, em comunicado oficial.
Acredita-se que o animal tenha tido um crânio pequeno, pescoço longo e corpo com cerca de 3 metros. Supõe-se que ele tenha vivido há cerca de145 milhões de anos, durante o Período Jurásico. Enquanto sua cabeça se assemelhava à de um carnívoro, o Chilesaurus tinha dentes planos mais adequados para comer plantas, o que o torna um mistério.
“Houve uma divisão na árvore genealógica dos dinossauros, e os dois ramos tomaram diferentes direções evolutivas”, afirma Matthew Baron, da Universidade de Cambridge. “Isso parece ter acontecido por causa da mudança na dieta para Chilesaurus. Parece que se tornou mais vantajoso para alguns animais que comiam carne começar a comer plantas, possivelmente até por necessidade”.
Se essa espécie for do grupo Ornitópode em vez do Terópoda, como se acreditava antes, a explicação para a evolução dos dinossauros ficará muito mais clara, pois mostrará que esses animais estão mais próximos do que era imaginado antes. Ou seja, o Chilesaurus será a prova disso.

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13.243 – Universidade Mackenzie de SP abre centro que questiona a evolução


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A Universidade Presbiteriana Mackenzie, uma das mais tradicionais de São Paulo, acaba de inaugurar um núcleo de ciência, fé e sociedade que tem como um de seus objetivos a realização de pesquisas sobre a chamada teoria do DI (Design Inteligente).
Os defensores do DI, cujas ideias são rejeitadas pela maioria da comunidade científica, argumentam que os seres vivos são tão complexos que ao menos parte de suas estruturas só poderia ter sido projetada deliberadamente por algum tipo de inteligência.
O novo centro recebeu o nome de Núcleo Discovery-Mackenzie por causa da parceria entre a universidade brasileira e o Discovery Institute, nos EUA.
A instituição americana está entre os principais promotores da causa do DI e já sofreu derrotas judiciais em seu país por defender que a ideia fosse ensinada em escolas públicas em paralelo com a teoria da evolução, hoje a explicação mais consolidada sobre a diversidade da vida.
Tribunais dos EUA consideraram que o DI seria, na essência, muito semelhante ao criacionismo bíblico (a ideia de que Deus criou diretamente o homem e os demais seres vivos) e, portanto, seu ensino violaria a separação legal entre religião e Estado no país.
“É importante destacar que não é um núcleo de DI, e sim um núcleo de fé, ciência e sociedade”, declarou à Folha o teólogo e pastor presbiteriano Davi Charles Gomes, chanceler da universidade. “Nossa instituição é confessional, o que significa que ela tem uma visão segundo a qual o mundo tem um significado transcendente. E não existe ciência que, no fundo, não reflita também sobre coisas transcendentes.”

DE BACTÉRIAS AO TRÂNSITO
Segundo Gomes, o contato com o Discovery Institute já acontece desde a década passada, quando a universidade começou a organizar o ciclo de simpósios Darwinismo Hoje, trazendo biólogos defensores da teoria da evolução e palestrantes que questionam o consenso científico.
Para especialistas, o projeto tem sabor de fracasso. “É triste e extremamente preocupante”, diz o paleontólogo Mario Alberto Cozzuol, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). “As premissas do DI foram derrubadas e expostas já faz muito tempo. Seus proponentes não têm aportado nenhuma novidade para a discussão. O único motivo pelo qual isso continua atraindo gente é a falta de educação em ciências.”

argumento pro

argumento contra

13.222 – Ciências Biológicas – O Predatismo


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O Predador

Esse tipo de relação ocorre principalmente em seres carnívoros (leão, lobo, tigre, homem), contudo também entre os herbívoros. Neste caso, com denominação de herbivorismo, bem caracterizado pelo ataque de formigas, gafanhotos ou lagartas a uma lavoura, destruindo velozmente uma cultura.
Dessa forma, o ato predatório do ponto de vista particular, favorece a espécie predadora, enquanto as presas são desfavorecidas. E do ponto de vista ecológico, o predatismo representa um mecanismo que regula a densidade populacional mediante uma cadeia alimentar, controlando a quantidade de indivíduos de uma determinada comunidade.
Contudo, evolutivamente surgiram adaptações desenvolvidas pelas presas utilizadas como defesa à predação, por exemplo, o mimetismo, a camuflagem e o aposematismo (cores de advertência), formas que permitem às presas escaparem de um ataque e assim prolongar a existência de seu genótipo.
É uma relação de grande importância, pois isso garante a transferência da energia captada pelos vegetais (seres produtores) aos demais níveis tróficos das cadeias alimentares. São exemplos de animais herbívoros os bovinos (Bos taurus) e a lagarta do bicho-da-seda (Bombyx mori).
Muitas espécies possuem características que atuam na defesa contra predadores, como tartarugas e jabutis, que se retraem em seus cascos na presença do predador, ou plantas que produzem substâncias tóxicas em pelo menos uma de suas partes, como a mandioca-brava (Manihot utilissima). Suas folhas e raízes são dotadas de substâncias que, quando ingeridas, causam cansaço, falta de ar, taquicardia, agitação e até a morte.

Predação na regulação das populações
Do ponto de vista individual, as espécies predadoras beneficiam-se, ao passo que as presas são prejudicadas. Já do ponto de vista ecológico, a predação é um fator que atua na regulação da densidade populacional, tanto das presas como dos predadores.
Um exemplo do papel da predação no equilíbrio ambiental foi o caso observado no Planalto de Kaibab, nos Estados Unidos, no início do século XX.
O veado da espécie Odocoileus hemionus teve sua caça proibida, ao mesmo tempo que a caça de seus predadores naturais – coiotes, pumas e lobos – foi estimulada. Como consequência disso, a população de veados aumentou rapidamente, indo, em cerca de 20 anos, de 4 mil a 100 mil indivíduos.
Os campos, porém, já não suportavam tantos veados, pois podiam comportar, no máximo, até 30.000 animais. Em resposta a isso, o ambiente não pôde mais fornecer alimento aos veados, pois estes se alimentaram das gramíneas até suas raízes, além de terem pisoteado o solo a tal ponto que já não era mais possível a recuperação das pastagens.
Com a capacidade suporte do ambiente ultrapassada, os veados começaram a morrer de fome e doenças, e o número de animais diminuiu bruscamente. Em cerca de 15 anos, sua população reduziu-se a menos de 10 mil indivíduos, porém, ainda assim o capim não voltou a brotar como antes, uma vez que o solo já estava comprometido.

12.993 – Evolução – Mutação em gene pode ter ajudado cérebro humano a ficar gigantesco


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Uma mutação aparentemente insignificante no DNA dos ancestrais da humanidade pode ter contribuído para que nosso cérebro alcançasse o tamanho descomunal que tem hoje (três vezes maior que o dos grandes macacos).
Bastou inserir o gene que contém essa mutação em fetos de camundongo para que dobrasse o número de células que dão origem aos neurônios do córtex, a área cerebral mais “nobre”.
A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto Max Planck (Alemanha), é um dos primeiros frutos da tentativa de usar o genoma para entender como a evolução humana se desenrolou. Por enquanto, isso não tem sido fácil –tanto que o gene analisado pelos pesquisadores no novo estudo, designado pela indigesta sigla ARHGAP11B, é o único específico da linhagem humana a ser associado com a proliferação das tais células do córtex cerebral.
Desde quando esse fenômeno acontece no cérebro dos membros da linhagem humana? “A mutação deve ter acontecido antes de 500 mil anos atrás”, diz Huttner –isso porque ela não é exclusiva do DNA dos seres humanos modernos.
Os colegas do pesquisador Max Planck estão entre os responsáveis por resgatar o genoma de dois parentes extintos da nossa espécie, os neandertais e os denisovanos. Ao desvendar o DNA completo de ambas as espécies, os cientistas identificaram o gene ARHGAP11B –mas nada de encontrá-lo em outros primatas ou mamíferos.
Segundo o pesquisador alemão, uma possibilidade é que essa mutação tenha acontecido no DNA do Homo erectus, primeiro ancestral do homem a ter passado por um grande aumento de sua capacidade cerebral. O estudo saiu na revista especializada “Science Advances”.

SE MACACOS FALASSEM
Na mesma edição da revista, outro estudo pode ter resolvido uma polêmica antiga: será que macacos são capazes de falar?
Por incrível que pareça, a resposta é sim –ao menos quando se examina o aparato vocal dos bichos, ou seja, as pregas vocais, a língua e o formato da boca.
Até hoje, ninguém conseguiu fazer com que chimpanzés ou outros primatas dominassem os rudimentos da linguagem falada humana (embora alguns desses macacos tenham aprendido elementos da linguagem de sinais).
O debate que havia em torno do assunto era o seguinte: essa incapacidade se deve à falta de flexibilidade do aparato vocal das criaturas ou aos seus cérebros mais rudimentares que os nossos, que não lhes permitem controlar a emissão de sons de forma tão sofisticada quanto o homem?

12.969 – Biologia e Evolução – O voo das aves


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A capacidade de voar das aves é totalmente dependente de uma série de adaptações que permitiram a conquista do ambiente aéreo. No sistema respiratório pulmões alveolares são combinados com sacos aéreos que não participam das trocas gasosas, mas criam um fluxo de ar contínuo e em uma única direção nos pulmões. Esses sacos aéreos possuem aproximadamente nove vezes o volume dos pulmões, ocupam a maior parte da cavidade dorsal do corpo e se estendem por cavidades internas dos ossos, formando os ossos pneumáticos que são leves e resistentes. Além disso, o fluxo de ar de sentido único maximiza a eficiência das trocas gasosas, permitindo o voo em altas altitudes, e dissipam o calor produzido pelos altos níveis de atividade muscular durante o voo através dos fluxos de corrente cruzada de ar e sangue nos pulmões.
Além dos ossos pneumáticos, algumas características dos órgãos internos das aves também reduzem sua massa corpórea. Elas não têm bexiga urinária e a maioria das espécies tem somente um ovário. As gônadas, tanto de machos quanto de fêmeas, são geralmente pequenas e regridem ainda mais quando a época de reprodução termina. Por outro lado, os corações são grandes e a velocidade de fluxo sanguíneo é alta para garantir a demanda de oxigênio durante o voo.
As penas também são estruturas protagonistas do voo, em especial as rêmiges (penas da asa) e as rectrizes (penas da cauda). Ao contrário de um avião, nas aves as asas não só promovem estabilidade durante o voo, mas também fazem a propulsão do animal. As rêmiges primárias, inseridas nos ossos da mão, são responsáveis pela maior parte da propulsão quando a ave bate suas asas, e as secundárias, inseridas no antebraço, fornecem a força de ascensão. Com a mudança da forma e da área das asas, assim como sua disposição em relação ao corpo, a ave consegue controlar a velocidade e a força de ascensão, o que permite a realização de manobras, mudança de direção, aterrissagem e decolagem. Aves que levantam vôo rapidamente têm asas largas e arredondadas, que lhes dão aceleração. Já as aves que voam por um longo período têm asas longas. Aquelas que voam em alta velocidade (aves de rapina, por exemplo) possuem asas longas e curvas com extremidades pontiagudas, para reduzir o atrito com o ar, e as aves que realizam muitas manobras de mudança de direção terão, por sua vez, caudas profundamente bifurcadas.
Obviamente, a capacidade de voo desenvolvida pelas aves é muito vantajosa evolutivamente, pois se mantém até hoje. Porém, como toda atividade desenvolvida por qualquer organismo vivo, gera um custo energético, o qual neste caso é muito alto. Por esse motivo, é tão comum vermos as aves que voam longas distâncias voarem em grupos, geralmente em uma formação específica. Pelicanos, por exemplo, quando voam em formação, alternam entre si o batimento das asas e planeio em uma sucessão regular. Dessa forma, esses animais aumentam seu tempo planando e, consequentemente, diminuem sua frequência cardíaca e seu gasto energético em comparação com o voo individual.

12.870 – Dinossauros não cantavam como pássaros


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Apesar de dinossauros serem considerados os antepassados diretos dos pássaros modernos, segundo novas pesquisas, eles tinham uma grande diferença dos bichos voadores de hoje em dia: eles não cantavam. A descoberta foi feita a partir da análise de fósseis – mais precisamente da procura por siringes, o órgão responsável pelo canto em aves. Ele nunca foi encontrado em animais que viveram antes de 66 milhões de anos – e mesmo nessa ocasião já existiu em um parente dos gansos. Tudo indica que dinossauros, portanto, não teriam as ferramentas para se arriscar na cantoria.
A descoberta indica que a capacidade de cantar tenha se desenvolvido em um ponto mais avançado da evolução dos pássaros, quando eles já estavam se diferenciando dos dinossauros. “Esse é um passo importante para descobrir qual é o barulho que os dinossauros faziam, além de dar pistas sobre a evolução das aves”, disse Julia Clarke, paleontóloga e autora da pesquisa.
A siringe mais antiga do mundo, datada do mesozóico, foi encontrado na espécie Vegavis igaai, que viveu onde hoje é a Antartica. A ave era uma espécie de tataravô dos gansos e já voava. Arqueólogos acreditam que ele soltava ganidos parecidos com uma buzina graças a uma siringe especialmente assimétrica. A descoberta foi feita comparando o órgão a 12 pássaros vivos.
Geralmente, siringes não fossilizam bem, pois são compostos por anéis de cartilagem. Esses anéis servem de suporte para um tecido mole que vibra com a passagem do ar, isto é, com a cantoria. Há esperanças, portanto, de que o órgão seja encontrado em espécies mais antigas também – embora isso nunca tenha acontecido até agora.

12.664 – Evolução – Macacos brasileiros entraram na Idade da Pedra há 700 anos


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A humanidade não é mais a única espécie na Terra a entrar na Idade da Pedra.
Novos indícios indicam que, por volta de 700 anos atrás, macacos-prego no Brasil já usavam ferramentas para quebrar castanhas de caju e extrair a parte comestível.
“É o primeiro relato de ferramentas de macacos-prego no registro arqueológico”, disse o biólogo Tiago Falótico, pesquisador de pós-doutorado do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP) à agência FAPESP.
Falótico realizou a pesquisa com Eduardo Ottoni. Ambos estudam o comportamento de macacos-prego e, especificamente, o uso de ferramentas por primatas da espécie Sapajus libidinosus. Nos últimos três anos, eles aprofundaram os estudos em uma em parceria com o arqueólogo Michael Haslam, da Universidade de Oxford, na Inglaterra.
O grupo fez escavações em uma área no Parque Nacional da Serra da Capivara e descobriu que os mesmos tipos de ferramentas observadas hoje aparecem em camadas correspondentes a um período que remonta ao século XIII, de acordo com artigo publicado no dia em 11 de julho na revista Current Biology.
Até agora, 69 ferramentas foram escavadas. As mais antigas datam de 600 a 700 anos de idade, o que significa que 100 gerações de macacas-prego, pelo menos, já usam ferramentas de pedra. Os pesquisadores acreditam que é uma questão de tempo até que ferramentas mais antigas sejam encontradas.
“É possível”, observa Haslam, “que os primeiros humanos a chegar aqui tenham aprendido sobre este alimento desconhecido após terem visto como era o processo dos macacos com o caju.” Então, neste caso, teriam sido os humanos que imitaram os primatas, e não o contrário.

12.606- Plâncton pode colocar teoria da superioridade humana em xeque


Dois pesquisadores da Universidade de Barcelona publicaram um estudo sobre a perda de genes na evolução, que coloca em xeque a noção da superioridade humana.
A pesquisa foi conduzida pelos professores Ricard Albalat e Cristian Cañestro, do Departamento de Genética, Microbiologia e Estatística e do Instituto de Pesquisa da Biodiversidade da universidade. Os biólogos estudaram o organismo planctônico Oikopleura dioica, um animal marinho minúsculo bastante propenso a perder genes.
Cristian Cañestro explicou, em entrevista ao jornal espanhol El País, que “a maioria dos nossos genes está também nas medusas. Nosso ancestral comum os tinha. Não é que nós tenhamos ganhado genes; eles é que os perderam. A complexidade genética é ancestral”. E Albalat acrescenta: “Não existem animais superiores nem inferiores. Nossas ‘peças de Lego’ são basicamente as mesmas, apesar de construirmos coisas diferentes com elas”.
Dadas as semelhanças entre o genoma humano e o do Oikopleura dioica, esse plâncton é ideal para entender quais são os genes essenciais. Ele mede três milímetros, tem boca, ânus, coração e cérebro, perdeu 30% dos nossos genes comuns, mas não apenas conseguiu sobreviver como sua espécie está em crescimento.

12.443 – Biologia – Ecolocalização de morcegos e golfinhos evoluiu por uma mesma mutação


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Golfinhos e morcegos não têm muito em comum, mas eles compartilham um super poder: ambos caçam suas presas, emitindo sons de alta frequência e ouvindo os ecos. Agora, um estudo mostra que esta capacidade surgiu de forma independente, em cada grupo a partir das mesmas mutações genéticas.
Este trabalho sugere que a evolução dessas novas características seguiu uma mesma sequência de passos, mesmo em animais muito diferentes.
A pesquisa também indica que esta evolução convergente é comum e oculta nos genomas, potencialmente complicando a tarefa de decifrar algumas relações evolutivas entre os organismos.
A natureza é cheia de exemplos de evolução convergente, onde organismos muito distantes possuem habilidades e características semelhantes: pássaros, morcegos e insetos todos têm asas, por exemplo. Os biólogos assumiram que estas novidades foram concebidas, em um nível genético, de forma fundamentalmente diferente. Esse também foi o caso de duas espécies de morcegos e baleias dentadas, um grupo que inclui golfinhos e algumas baleias, que convergiram em uma estratégia de caça especializada chamada ecolocalização. Até recentemente, os biólogos pensavam que genes diferentes dirigiam cada instância de ecolocalização e que as proteínas relevantes poderiam mudar de inúmeras maneiras para assumir novas funções.
Mas em 2010, Stephen Rossiter, um biólogo evolucionista da Queen Mary, Universidade de Londres, e seus colegas determinaram que os dois tipos de morcegos usando ecolocação, bem como golfinhos, tinham as mesmas mutações em uma proteína especial chamada prestina, que afeta a sensibilidade do ouvir . Olhando para outros genes conhecidos envolvidos na audição, eles e outros pesquisadores descobriram vários outros cujas proteínas foram igualmente alteradas nesses mamíferos.
Agora, a equipe de Rossiter ampliou a busca por essa chamada convergência molecular de todo o genoma. Eles sequenciaram o genoma de quatro espécies de vários ramos da árvore genealógica do morcego, dois que usam a ecolocalização e duas que não. Eles acrescentaram nas seqüências genômicas existentes do grande “raposa-voadora” e do pequeno morcego marrom, outro ecolocalizador. O biólogo evolucionista Joe Parker, também do Queen Mary, Universidade de Londres, comparou as seqüências genéticas de morcegos para mais de uma dúzia de outros mamíferos, incluindo o golfinho. Ele se concentrou sobre os 2.300 genes que existem em cópias simples em todos os morcegos, golfinho, e pelo menos cinco outros mamíferos.
Ele avaliou como cada gene foi semelhante com os seus homólogos em vários morcegos e os golfinhos. A análise revelou que 200 genes haviam mudado independentemente da mesma forma, Parker, Rossiter e seus colegas relataram esta pesquisa na Nature. Vários dos genes estão envolvidos na audição, mas os outros não têm nenhuma ligação clara com a ecolocalização, até agora, alguns genes com alterações comuns são importantes para a visão, mas a maioria tem funções que são desconhecidas.

“A maior surpresa”, diz Frédéric Delsuc, um filogeneticista molecular na Universidade de Montpellier, na França, “é provavelmente a medida em que a evolução molecular convergente parece ser generalizada no genoma.”
O genomicista Todd Castoe da Universidade do Texas, Arlington, também está impressionado: “Estou muito convencido de que eles estão encontrando algo real, e é realmente emocionante e muito importante.” No entanto, ele é crítico sobre a forma como a análise foi feita, sugerindo que a abordagem encontraram apenas uma evidência indireta de convergência molecular.
A descoberta de que a convergência molecular pode ser generalizada em um genoma é “agridoce”, acrescenta Castoe. Os biólogos que estão construindo árvores genealógicas provavelmente estão sendo levados a sugerir que alguns organismos estão intimamente relacionados porque os genes e as proteínas são semelhantes devido à convergência, e não porque os organismos tiveram um ancestral comum recente. Há árvores genealógicas totalmente protegidas contra estes efeitos enganosos, Castoe diz. “E nós temos atualmente nenhuma maneira de lidar com isso.” (Fonte: Science).

12.430 – Biologia – Sementes salvaram ancestrais das aves de extinção


aves
Águias, gaviões, flamingos, sabiás, andorinhas, periquitos; a enorme variedade de espécies de aves hoje existentes tornou-se possível porque os ancestrais delas conseguiram sobreviver comendo sementes depois de um evento catastrófico de extinção, 66 milhões de anos atrás, indica um estudo publicado na revista “Current Biology”.
Aves são os únicos dinossauros que sobreviveram ao letal meteoro que criou a cratera de Chicxulub na península de Iucatã, México.
Apesar do nome “dinossauro” ter sido criado a partir do grego, significando algo como “lagarto terrível”, ou melhor, “assustadoramente grande lagarto”, os dinos não eram lagartos. Eles eram bem diversificados, e incluíam um grupo de animais emplumados, os ancestrais das aves modernas.
Segundo os autores do estudo liderado pelo paleontólogo canadense Derek Larson, logo depois do impacto do meteoro que marca o fim do período geológico Cretáceo, as cadeias alimentares terrestres que contavam com a fotossíntese das plantas teriam entrado em colapso.
Sem plantas, não sobrevivem os herbívoros que as comem; sem herbívoros, não há comida para os carnívoros.
Os dinossauros aviários incluíam carnívoros com dentes nos bicos, que terminaram extintos também por conta da massiva mudança ecológica. Já seus colegas sem dentes foram capazes de sobreviver comendo sementes.
O estudo de Larson incluiu a análise de 3.104 dentes de dinossauros da clade chamada Maniraptora, que inclui tanto as aves como outros dinos não aviários. Os dentes pertencem a animais que viveram nos últimos 18 anos do Cretáceo.
Os cientistas concluíram que a extinção dos Maniraptora com dentes e a sobrevivência dos outros foi obra da capacidade destes de utilizar melhor a única comida abundante disponível, sementes.
“Os pequenos dinossauros semelhantes a pássaros do Cretáceo, os maniraptoranos, não são um grupo bem conhecido. Eles são alguns dos parentes mais próximos das aves modernas, e no final do Cretáceo, muitos foram extintos”, diz Larson.
Sobreviver ao impacto do meteoro não foi fácil. Houve um grande pulso inicial de calor, literalmente cozinhando muitos animais e plantas, além de incêndios posteriores; chuva ácida, escuridão e inverno causado pelo bloqueio da luz solar ajudaram a extinguir ainda mais espécies.
Mas os pássaros comedores de sementes resistiram. Hoje se sabe que sementes em florestas temperadas modernas podem permanecer viáveis por mais de 50 anos. E em casos de incêndios em habitats, os pássaros “granívoros” –comedores de sementes– estão entre os primeiros a reocupar o local.
Os mais de três mil dentes foram analisados em busca de padrões de diversidade. Se a variação ao longo do tempo diminuísse seria um sinal de que a perda de diversidade indicaria que o ecossistema estava em declínio. Mas se os dentes permanecessem diferentes durante o período seria a indicação de que o ecossistema esteve estável durante milhões de anos.
Ou seja, os dinossauros aviários com dentes estavam vivendo bem até receberem o abrupto golpe do meteoro.
Os pesquisadores também estudaram pássaros atuais para ajudar e entender seu passado comum. E concluíram que o ancestral comum de todos –mesmo aqueles cuja dieta é de carne, ou de peixes, insetos ou plantas– era um discreto comedor de sementes com um bico desdentado.

12.427 – Evolução – Da Bactéria ao Homem


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Desde que Darwin elaborou a Teoria da Evolução, cientistas têm tentado encontrar o modelo ideial para mostrar toda a história da evolução. A árvore da vida se tornou um dos desenhos mais simbólicos e interessantes para esse propósito: partindo de um tronco único, a origem da vida, surgem galhos cheios de ramificações, que mostram como as espécies se diversificaram ao longo do tempo.
O modelo mais exato de uma árvore genealógica da vida até hoje era o chamado “Hillis Plot”: um diagrama que mostra toda a evolução biológica desde o surgimento da vida, há 3,5 bilhões de anos. E vai dos primeiros seres unicelulares até os humanos, felinos, insetos, conchas e esponjas modernas que dividem o planeta com a gente – todos filhos de um ancestral comum, a primeira forma de vida da Terra.
A ciência já classificou 1,7 milhão de espécies, e imagina que existam mais ou menos 9 milhões no planeta – a imensa maioria espécies distintas de bactérias.
O Hillis Plot, porém, é só uma simplificação. Ele foi feito a partir da análise do material genético de 3 mil espécies, e desenhado de acordo com a semelhança genética entre eles. Essa árvore clássica, porém, subestimou o papel das bactérias no desenvolvimento evolutivo.
Agora, um grupo de mais de 15 cientistas de universidades dos EUA e do Japão apresentou uma nova versão da árvore da vida, bem diferente. Ela mostra que a história das bactérias ao longo da evolução é incrivelmente mais rica e complexa do que se imaginava.
Com isso, a árvore cresceu dramaticamente. Com o já conhecido narcisismo humano, versões passadas do diagrama tinham um grande foco no domínio dos eucariontes, o grupo que inclui o Homo sapiens. A nova árvore da vida nos força a uma posição de mais humildade: todos os eucariontes – animais, fungos e plantas – ficam espremidos em um pequeno galho, pois são caçulas da evolução com meros de 2 bilhões de idade, completamente ofuscados pelo imenso histórico evolucionário do grupo das bactérias, que remonta à própria origem da vida.
Para isso, os cientistas analisaram o genoma de mais de mil microrganismos jamais catalogados – em muitos casos, bactérias que vivem em ambientes remotos, como o sal do Deserto do Atacama e ecossistemas subterrâneos no Japão.

A grande árvore e suas ramificações
Na biologia, Charles Darwin usou o conceito de “árvore da vida” em seu livro A Origem das Espécies (1859): “A grande árvore da vida preenche as camadas da crosta terrestre com seus ramos mortos e quebrados enquanto que as suas magníficas ramificações, sempre vivas e renovadas incessantemente, cobrem a superfície”. Só a descrição da árvore nesse trecho já serve de metáfora para toda a teoria de Darwin. Os galhos mal adaptados se quebram e morrem e são substituídos por galhos novos, e melhor adaptados.
Alguns anos mais tarde, o biólogo Ernst Haeckel criou uma série de árvores da vida. Haeckel chegou a desenhar uma árvore mostrando a suposta linha de antepassados do homem, começando em espécies mais simples como bactérias, evoluindo para espécies progressivamente complexas, até chegar ao homo sapiens.
Essa visão linear e progressiva da evolução era comum nos séculos XIX e XX. As teorias da época partiam do princípio de que a seleção natural tornava as formas de vida cada vez mais complexas, até chegar às de hoje – tendo o Homo sapiens no papel de supra-sumo da evolução, musa definitiva da saga da vida. Nada mais equivocado. Hoje, as evidências apontam para uma evolução não-direcional: de acordo com as condições do ambiente, a seleção natural pode tanto favorecer um aumento quanto uma diminuição da complexidade dos organismos que ali vivem. Daí que as unhas dos tigres são máquinas de matar, e as nossas mal servem para roer; daí para as baleias conversarem com desenvoltura dentro d’água, o ambiente delas, e nós não travarmos grandes diálogos enquanto estamos com a cabeça submersa na pscina.

A primeira árvore universal
Foi nos anos 70 que foi desenhada a primeira árvore a apresentar o histórico evolutivo de todos os seres vivos. Os americanos Carl Woese e George E. Fox dividiram todas as formas de vida entre três grandes galhos partindo do tronco do primeiro antepassado comum: o domínio Bacteria, o Eukarya (em que estão incluídos os animais, as plantas e os fungos) e, por último, o domínio Archea, classificado pela primeira vez por Woese e Fox, composto por micróbios que vivem em ecossistemas extremos, muito quentes, ricos em ácido ou sem oxigênio.

A mais bonita
A década passada viu nascer a mais bonita das árvores da vida. Conhecida como “Hillis plot”, ela foi criada pelos pesquisadores David M. Hillis, Derrick Zwickl, and Robin Gutell, da Universidade do Texas. O desenho é resultado do estudo de amostras genéticas de 3 mil espécies – cerca de 0,18% do 1,7 milhão de espécies formalmente classificadas pela ciência. Desde que foi publicado, em 2003, o desenho já virou papel de parede, entalhe em tronco de árvore e até tatuagem.
Tatuagens circulares como o Hillis plot estão até na moda. Mas agora, com o modelo atualizado, é que os fãs da ciência vão se destacar de verdade – pelo menos aqueles que tiverem coragem de tatuar esse novo catavento evolutivo.

12.372 – Biologia – Unicórnios Existiram?


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Sim.
Estamos falando do sibiricum Elasmotherium, uma espécie que até então pensava-se ter sido varrida do planeta há 350 mil anos, mas que novas pesquisas apontam que foi extinta há 29 mil anos, na região onde atualmente está o Cazaquistão.
O novo estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Tomsk (TSU), na Rússia. A equipe chegou à conclusão após analisar um crânio de rinoceronte encontrado perto da aldeia Kozhamzhar, do Cazaquistão. Foi feita uma análise de radiocarbono pelo método AMS. A equipe determinou que o animal morreu por volta de 29 mil anos atrás, quando o homem já existia.
Os pesquisadores esperam que a descoberta revele ainda algo sobre os fatores ambientais específicos que levaram à extinção da criatura, bem como a forma como a espécie conseguiu sobreviver tanto tempo.
Os resultados foram publicados na edição de fevereiro do American Journal of Applied Sciences.

12.017 – Evolução – Por que somos mais espertos que os chimpanzés?


Chimpanze
MISTÉRIOS DO CÉREBRO HUMANO

Chimpanzés vivem em sociedades complexas, usam ferramentas e têm cultura: as técnicas de sobrevivência de cada grupo são únicas e passadas de mãe para filho. Mas você nunca vai convidar um deles para uma partida de xadrez. O que, então, nos torna diferentes?
Alguém talvez tenha a resposta na ponta da língua: “nosso cérebro é maior”. Ou uma variação disso: “nosso cérebro tem mais neocórtex”, a massa cinzenta. Acontece que outros animais, como o golfinho, o elefante e o cachalote, têm cérebros e massa cinzenta muito maiores que os nossos e também não escreveram clássicos da literatura.
Um grupo de pesquisadores da Universidade George Washington buscou responder a questão da forma mais material possível: observando o formato dos cérebros. Usando ressonância magnética, escanearam os cérebros de 218 humanos e 206 chimpanzés. Nisso, mediram duas coisas: o tamanho e o formato dos sulcos – isto é, as “dobras” – cerebrais. E compararam os resultados entre cérebros que eles sabiam ser aparentados – de irmãos, alguns deles gêmeos idênticos – ou não relacionados. Isso foi para avaliar a influência dos genes nos resultados, já que irmãos têm genes parecidos – ou iguais, no caso dos gêmeos.
Em chimpanzés e humanos, tanto o tamanho do cérebro quanto seu formato, o desenho de seus sulcos, variam. Em ambos, o tamanho é bem parecido entre irmãos, o que quer dizer que a genética está determinando isso. O formato, porém, conta outra história. Em chimpanzés, os cérebros de dois irmãos têm sulcos muito mais parecidos que em irmãos humanos.
A conclusão é que a configuração final de nosso cérebro é bem menos determinada pela genética que a dos chimpanzés. Nosso cérebro, assim, se desenvolve na infância respondendo às pressões do ambiente. Em outras palavras, é mais flexível – ou plástico, no termo técnico.
“Com a genética assumindo um papel secundário em humanos, nossos cérebros são mais suscetíveis à influências externas”, afirma a neurocientista Aida Gómez-Robles, condutora do estudo. “Isso permite ao ambiente, experiência e interações sociais com outros indivíduos assumir um papel mais dramático em organizar o córtex cerebral. E esse incremento em plasticidade pode muito bem ser uma das características definidoras no que fez nossos ancestrais hominídeos ultrapassarem outros primatas em termos de inteligência.”
Como diria Buda, flexibilidade é fundamental. Um cérebro que pode se transformar é capaz de aprender qualquer coisa. Os bichos perdem para nós por serem, literalmente, cabeça-dura.

11.071 – Evolução – Macaco mais velho das Américas teria atravessado o Atlântico


paleosagui

Fósseis amazônicos de 36 milhões de anos podem ser o mais antigo indício da presença de macacos nas Américas e, de quebra, fortalecem a ideia de que os ancestrais dos micos-leões cruzaram o Atlântico para chegar até aqui.
Embora os pesquisadores tenham descoberto apenas quatro dentes –molares superiores e inferiores–, os achados já foram suficientes para batizar uma nova espécie de primata extinto, o Perupithecus ucayaliensis.
O paleomacaquinho é “quase” brasileiro: foi achado na Amazônia peruana, mas a menos de 10 km da fronteira com o Brasil, na localidade de Santa Rosa. Além de Campbell Jr., paleontólogos de diversas instituições argentinas participaram da pesquisa.
Pode parecer meio maluco batizar uma espécie com base apenas num molar, mas coisas do tipo na verdade são rotina em estudos paleontológicos de mamíferos. É que as espécies do grupo em geral possuem dentição bastante especializada.
Extraindo o máximo de informações dos molares, os paleontólogos verificaram que o P. ucayaliensis não se parece muito com os macacos sul-americanos modernos –mas lembra um primata da Líbia que viveu na mesma época, o Talahpithecus.
O dado bate com a hipótese dominante hoje sobre a origem dos macacos das Américas, segundo a qual eles teriam vindo da África para cá por mar, talvez “saltando” de ilha em ilha até cruzar de vez o Atlântico.
Parece absurdo, mas estudos com outros grupos de animais mostraram que isso é possível –basta que uma fêmea grávida encarapitada numa palmeira, por exemplo, seja arrastada para o mar aberto durante uma tempestade.
É relativamente comum que pedaços substanciais de terra virem “jangadas” oceânicas dessa maneira. Espécies de roedores e répteis da América do Sul também teriam tido origem semelhante, segundo biólogos.
Tais viagens pelo mar parecem ter acontecido, na verdade, em vários lugares do mundo, das Galápagos ao Havaí.
Até anfíbios, para os quais a água salgada do oceano costumar ser letal, já realizaram essas jornadas, seja em troncos ou quando a força da água na foz dos grandes rios lança para longe grandes pedaços de terra, verdadeiras ilhas flutuantes –ao longo de milhões de anos, isso acontece uma quantidade razoável de vezes.

10.815 – O que é Vida? A Nasa tenta definir


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Definir o que constitui vida é complicado, ainda mais porque não sabemos que outros tipos de vida, sem ser as que conhecemos aqui na Terra, podem existir.
Por outro lado, é preciso que haja alguma acepção, para justamente podermos procurar pela vida fora do planeta.
Muitos cientistas tentaram listar características básicas da vida para que pudéssemos identificá-la. Mas uma lista precisa de um quadro teórico maior. Caso contrário, é difícil argumentar que estas características seriam universais, encontradas entre as formas de vida que nós ainda não conhecemos.
Em 1994, um grupo de cientistas da NASA criou uma definição de apenas sete palavras para guiar a agência espacial norte-americana nas suas missões em busca de vida extraterrestre.
Segundo eles, a vida é um: “sistema químico autossustentável capaz de evolução darwiniana”. Mas será que isso realmente abrange toda a vida, incluindo os tipos que ainda temos que descobrir?
“Sistema químico” é um termo que reconhece que a vida é a integração de vários processos metabólicos, interdependentes. A palavra “sistema” também faz uma distinção entre “vida” e “viva”, que não são necessariamente a mesma coisa. Uma célula de sangue em seu corpo é viva – é um tecido vivo -, mas, por si só, não é vida.
Já “autossustentável” não quer dizer que a vida não precisa comer para crescer e se desenvolver. Neste contexto, significa que a vida não precisa de intervenção contínua – seja por um ser inteligente, seja por Deus, por um estudante de pós-graduação ou por um jardineiro – para fornecer o seu sustento. Dado um ambiente com recursos suficientes, ele pode sobreviver por conta própria.
Por fim, “capaz de evolução darwiniana” é uma expressão que se refere ao mecanismo por trás da seleção natural que permite que a vida sobreviva e se adapte a ambientes em constante mudança. No sentido mais amplo, a evolução darwiniana significa que a “vida” deve ser capaz de fazer cópias perfeitas de informação imperfeita durante a reprodução, e depois ser capaz de passar essa informação para sua prole, através das gerações. Nas formas de vida terrestres, essa informação é codificada no DNA.
Tal expressão é especialmente crítica para diferenciar entre um verdadeiro organismo vivo de outros processos químicos que podem imitar a vida, como os cristais. Um cristal de clorato de sódio pode ser usado para semear o crescimento de outros cristais de clorato de sódio. Ou seja, pode se reproduzir. Além disso, as características do cristal podem ser passadas para seus descendentes.
No entanto, a replicação é imperfeita. E a informação nestes defeitos em si não é hereditária: os defeitos do cristal pai não são reproduzidos nos cristais descendentes. Assim, as informações contidas nos defeitos no cristal são totalmente independentes das informações armazenadas nos defeitos do pai. Por isso, o cristal de cloreto de sódio não pode suportar a evolução darwiniana, o que significa que um sistema de cristais de clorato de sódio não se qualifica como vida.
Aliás, como “capaz de evolução darwiniana” é o predicado do sujeito “sistema químico”, é o sistema vivo que precisa se adaptar e evoluir. Um único indivíduo pode parecer ser capaz de sofrer evolução darwiniana, mas pode de fato estar morto, ser um resto fóssil ou até ser incapaz de encontrar um companheiro ou companheira.
Outro ponto importante é que informações químicas são o produto da evolução darwiniana. Assim, todas as informações necessárias para que o sistema se submeta a evolução darwiniana devem ser parte do sistema.
Muitas coisas não se encaixam nessa definição, de forma que o pente parece de fato ser fino o suficiente para identificarmos vida.
No entanto, um dos primeiros organismos que logo pode não caber mais nesta descrição são os próprios seres humanos.
Em poucos anos, poderemos ser capazes de identificar as sequências de DNA que são melhores para nossos filhos e ter a tecnologia que permite que estas sequências sejam colocadas em nossas linhas germinativas. Se isso acontecer, então a nossa espécie vai começar a escapar de mecanismos darwinianos para melhorar os nossos genes.
A boa notícia é que não vamos mais precisar ver crianças morrerem de doenças genéticas; um grande número de más mutações é o custo da evolução darwiniana.
Através desta possível nova tecnologia, a humanidade seria capaz de evoluir de uma forma mais “lamarckiana”. Assim, quem sabe devêssemos começar a pensar em uma melhor definição da teoria da vida agora mesmo.