14.019 – Um milhão de espécies estão na linha de fogo da extinção, diz a ONU


EXTINCAO
Cientistas acabam de publicar o relatório mais abrangente já produzido sobre a “saúde” dos ecossistemas e da biodiversidade no planeta. E as coisas não vão nada, mas nada bem. Os resultados são sinistros. Todas as frentes avaliadas pelo documento elaborado por centenas de especialistas apontam: a natureza está se deteriorando rapidamente. E a não ser que mudanças profundas sejam implementadas logo, a humanidade está em perigo.
Entre as descobertas mais preocupantes do extensivo levantamento está o número de espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção. Nada menos que um milhão delas podem desaparecer, muitas já nas próximas décadas. Ao todo, a biodiversidade dos ambientes terrestres caiu 20%, sobretudo no último século. A pesquisa contou com a participação de 145 autores de 50 países, além da colaboração de outros 310 cientistas.
Foram revisadas sistematicamente 15 mil fontes governamentais e científicas para produzir uma análise baseada em evidências de como o desenvolvimento econômico impactou a natureza nos últimos 50 anos. Esse trabalho colossal divulgado ao mundo nesta segunda (6) foi coordenado pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), órgão da ONU criado em 2012 aos moldes do IPCC para o clima.
“A saúde dos ecossistemas dos quais nós e todas as outras espécies dependemos está se deteriorando mais depressa do que nunca”, disse em comunicado Robert Watson, dirigente do IPBES. “Estamos erodindo os próprios alicerces de nossas economias, sobrevivências, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida no mundo todo.” A mensagem aqui é muito clara: a vida na Terra é interconectada como uma rede. Ela está sendo perigosamente rasgada em vários pontos, esticada quase à beira de romper-se por completo.
Segundo a Avaliação Global do IPBES, pelo menos 680 espécies de vertebrados foram extintas desde o século 16, e as maiores culpadas são a agricultura e a pecuária. Mais de um terço das terras do planeta são dedicadas a essas duas atividades, que consomem 75% de toda a água doce disponível. Mas a degradação dos ecossistemas terrestres já derrubou 23% da produtividade das lavouras, e o risco de prejuízo anual decorrente da perda de polinizadores como as abelhas é estimado em US$ 577 bilhões.
Outros fatores responsáveis pela devastação da biodiversidade da Terra são, em ordem de culpa: exploração de organismos, mudanças climáticas, poluição e espécies invasoras. No ar, as emissões de gases estufa dobraram desde 1980, elevando a temperatura global em 0,7°C, impactando os ecossistemas e até a genética dos seres vivos. Nas águas, a situação também é dramática. Mais de um terço de todos os mamíferos marinhos estão ameaçados.
O lixo plástico aumentou dez vezes desde 1980. Entre 300 e 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes, resíduos tóxicos e outras sujeiras industriais vão parar nos mares todos os anos. Ecossistemas costeiros sofrem com os fertilizantes, que já produziram mais de 400 zonas mortas, com área combinada superior à do Reino Unido. Mas ainda há tempo de reverter a iminente catástrofe ecológica que paira sobre a civilização humana.
“O relatório também nos conta que não é tarde demais para fazer a diferença, mas só se começarmos agora em todos os níveis, do local ao global”, disse Watson. O químico e cientista atmosférico afirma que, através de uma “mudança transformadora”, a natureza ainda pode ser conservada, restaurada e usada sustentavelmente. “É uma reorganização fundamental de todo o sistema em fatores tecnológicos, econômicos e sociais, incluindo paradigmas, metas e valores.” Não vai ser fácil, mas é nossa única esperança.

14.018 – A extinção das abelhas pode acabar com a humanidade?


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A queda nas populações do inseto (Síndrome do Colapso das Abelhas), ocorre por fatores naturais e pela ação humana, por meio da destruição do ambiente das abelhas selvagens e do uso massivo de agrotóxicos e agroquímicos. No Reino Unido, por exemplo, o número de abelhas equivale a apenas 25% do necessário para a polinização. Segundo a doutora Maria Caldas Pinto, do Centro de Ciências Humanas e Agrárias da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), as abelhas são fundamentais para a humanidade.
Nesta semana, o US Fish and Wildlife Service (FWS), que funciona como o Ibama dos Estados Unidos, incluiu sete espécies de abelha na lista de animais em extinção. Só não dá para cravar um prazo para o desaparecimento completo – nosso e delas. “Dizer que ocorreria em uma determinada quantidade de anos é taxativo, mas, se não preservarmos os meios ambientes para mantermos os insetos, a previsão vai se cumprir”.

Fazendeiras naturais
O trabalho das abelhas para a agricultura é estimado em R$ 868 bilhões. Entre 2006 e 2008, uma misteriosa diminuição na quantidade de abelhas nos EUA causou um prejuízo de mais de US$ 14 bilhões

O zumbido do apocalipse
Sem as abelhas, o mundo como o conhecemos entraria em colapso1. Se as abelhas sumirem, boa parte dos vegetais também deixará de existir. Isso porque elas são responsáveis pela polinização de até 90% da população vegetal. Há, inclusive, apicultores que alugam abelhas para a polinização de fazendas. Pássaros e outros insetos também atuam na polinização, mas em escala muito menor2. Com a queda drástica na quantidade de vegetais disponíveis, as fontes de alimentação de animais herbívoros ficarão escassas, gerando um efeito dominó na cadeia alimentar. Os herbívoros irão morrer, diminuindo a oferta de alimento aos carnívoros, atingindo um número cada vez maior de espécies até chegar ao homem
3. Com poucos vegetais e carnes à disposição, valerá a lei da oferta e da demanda. A tendência é que os preços dos alimentos disparem, assim como os valores de outros artigos de origem animal e vegetal, como o couro, a seda e o etanol, para citar só alguns. Está formada uma crise econômica

4. Na luta pelo pouco alimento que restou, a população mundial pode iniciar conflitos e até guerras. A agropecuária em crise afetará vários setores da economia, gerando desemprego, queda geral de produtividade e insatisfação popular. Com fome, muitos morrerão ou ficarão doentes. Poucos conseguiriam sobreviver a esse caos

13.940 – Gelo da Groenlândia derrete a ritmo mais rápido em 350 anos


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O derretimento de gelo por toda a Groenlândia está cada vez mais acelerado. É o que mostra um artigo publicado recentemente no periódico científico Nature. O estudo, comandado por um glaciologista da Universidade Rowan, em Nova Jérsei, EUA, aponta que o volume de água decorrente do descongelamento alcançou níveis provavelmente inéditos em sete ou oito milênios.
A pesquisa revelou também que, ao longo das últimas duas décadas, o derretimento foi 33% maior do que a média do século XX, além de 50% maior do que na era pré-industrial. Para chegar a essas conclusões, os cientistas perfuraram geleiras de até 140 metros de comprimento entre 2014 e 2015. Depois, os pesquisadores compararam os dados coletados com informações antigas obtidas por meio de satélites e se basearam em modelos de clima regional.
O resultado final mostrou que o gelo da Groenlândia vem derretendo a um ritmo mais acelerado do que em qualquer ponto dos últimos 350 anos. O auge do descongelamento, segundo o artigo, foi em 2012, quando a quantidade de água liberada para os oceanos equivaleu a 240 milhões de piscinas olímpicas.
Em consequência, a região é uma das maiores responsáveis pelo aumento do nível do mar, contribuindo com uma parcela de 22% da água que sobrecarrega os oceanos.

13.917 – Meio Ambiente – As cidades mais poluídas do mundo


poluição
Porto Príncipe (Haiti)
Dakar (Bangladesh)
Baku (Azerbaijão)
Kolkata (Índia)
Antananarivo (Madasgascar)
Cidade do México (México)
Mumbai (Índia)
Bagdá (Iraque)
Nova Deli (Índia)
Lagos (Nigéria)
Os critérios utilizados nessa pesquisa são oferta de água doce presente nas cidades pesquisadas, volume de água potável, medidas adotadas para a remoção de resíduos, condição dos esgotos, poluição do ar e até o nível dos congestionamentos é levado em conta.
Em fevereiro de 2012, Lifen, na China, foi considerada a cidade mais poluída do mundo, não sendo considerados todos os aspectos supra citados, mas pelo nível de contaminação por carvão mineral presente na cidade.
Outros locais espalhados por diversas áreas do mundo e estudados pela organização ambientalista internacional, possuem altas taxas de poluição e contaminação por agentes específicos.
Na República Dominicana, na Cidade de HAINA, o ar é bastante poluído por partículas de chumbo. Tal contaminação pode causar sérios danos como problemas oculares, neurológicos, deformidades no nascimento e morte.
Em KABWE, na Zâmbia, a fundição pesada e a mineração espalharam resíduos de chumbo e de outros metais em uma área que atinge aproximadamente 255.00 habitantes. Um rio utilizado para destino do material poluente também é usado por populares para atividades como banho, dentre outras.
Em SUKINDA, na Índia, mais de 30 toneladas de resíduos de cromo e outros metais são lançados em zonas vizinhas e às margens do Rio Brahmani, que é a única fonte de água potável dos moradores da região. Sangramento gastrointestinal, tuberculose, asma, infertilidade, defeitos congênitos e abortos são alguns dos malefícios causados por esse tipo de poluição.
Segundo a consultoria Mercer, as cidades brasileiras mais limpas são Brasília e Rio de Janeiro. Enquanto São Paulo foi considerada a mais poluída. E a cidade do mundo mais livre da poluição, foi, ainda segundo a pesquisa, Calgary, no Canadá.

13.815 – Planeta Terra – Como surgiu a camada de ozônio?


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O gás ozônio, ou O3, é uma forma de oxigênio em que a molécula se compõe de três átomos, em vez de dois, como costuma ser encontrada na natureza. A exposição dessas moléculas de oxigênio comum (O2) à radiação solar e a cargas elétricas na estratosfera é que cria a camada envolvendo o planeta Terra. Na verdade, a camada está em perpétua formação, num processo de mão dupla: ao mesmo tempo em que o oxigênio é quebrado, formando moléculas de ozônio, estas também se desmancham para voltar a se reagrupar como oxigênio. Assim se explica o fato de a camada preservar a mesma espessura, desde sua formação inicial há cerca de 400 milhões de anos. Só assim foi possível a vida na Terra, já que ela funciona como um escudo protetor contra o excesso de radiação ultravioleta.
Mas, como se sabe, essa proteção encontra-se cada vez mais ameaçada, devido ao crescimento acelerado do buraco que foi criado pela emissão de gases de clorofluorcarbono, ou CFC, por aerossóis, geladeiras e aparelhos de ar-condicionado. “O rombo ocorre exclusivamente no Pólo Sul por dois motivos: é onde temos as menores temperaturas do globo e onde menos ocorre renovação do ar. Ambos os fatores aceleram a reação química que provoca a perda do ozônio na estratosfera”, afirma Volker Kirchhoff, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), onde chefiou durante muitos anos o laboratório de ozônio.

Operação desmanche
A dança dos átomos de oxigênio, ora em duplas, ora em trios, mantinha a camada de ozônio estável – até o homem arrombar a festa
A radiação ultravioleta (UV), contida na luz solar, quebra as moléculas de oxigênio (O2), cujos átomos voltam a se unir em moléculas de ozônio (O3). É o chamado processo de ganho, constituindo uma capa gasosa em torno da Terra, que a protege desses mesmos raios ultravioleta
A natureza preserva seu equilíbrio: simultaneamente ao processo de ganho descrito acima ocorre a perda natural de ozônio. As moléculas de O3 reagem com os óxidos nitrogenados (NO e NO2) presentes na atmosfera e são dissolvidas. Ocorre, então, o processo inverso: os átomos de oxigênio voltam a se unir em duplas (O2)

Tudo ia muito bem até a humanidade começar a usar aerossóis, geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, emitindo na atmosfera os gases CFC (clorofluorcarbono). Esses geram um segundo processo, desta vez artificial, de perda de ozônio, dissolvendo as moléculas de O3 em ritmo acelerado.
O uso do CFC em aerossóis foi proibido pelo Protocolo de Montreal em 1987 e os países desenvolvidos já substituíram, nos refrigeradores de alimentos e de ar, os mesmos gases pelo HCFC, menos prejudicial à camada de ozônio. Mesmo assim, o buraco deve continuar aumentando, pois o CFC pode demorar até 50 anos para agir na atmosfera.
A camada de ozônio da atmosfera se formou no nosso planeta há cerca de 700 milhões de anos. Tudo começou quando a produção de oxigênio por algas, bactérias e plantas foi tão alta que possibilitou a formação das moléculas de ozônio, que é um gás formado por três átomos de oxigênio (O3) que se combinam por meio de reações entre o gás oxigênio (O2) e a radiação solar. A camada de ozônio está aproximadamente a 25 quilômetros acima do nível do mar, bem longe da superfície, onde há todas as condições necessárias para a formação de ozônio. Essa camada filtra as radiações solares ultravioletas que são nocivas aos seres vivos. Porém, próximo à superfície da Terra, podem ocorrer reações de formação de ozônio, principalmente em centros urbanos poluídos. Neste caso, ele é prejudicial à saúde humana e é considerado um poluente.

13.809 – Pesquisador quer construir muralha para impedir degelo da Antártida


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Conforme o aquecimento global se agrava, os pesquisadores começam a elaborar soluções cada vez mais drásticas para reduzir os impactos das mudanças climáticas na humanidade.
Michael Wolovick, pesquisador do departamento de geociências da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, tem novos planos que, segundo ele, são “plausíveis dentro das realizações humanas”.
Conforme publicou no Cryosphere, ele quer construir uma muralha nos arredores das geleiras para impedir que o gelo vire água e, assim, impeça o aumento do nível do mar. “Estamos imaginando estruturas muito simples, simplesmente pilhas de cascalho ou areia no fundo do oceano”, disse Wolovick ao The Guardian.
A função dessa barreira seria dupla. A primeira e mais óbvia é deter o deslizamento das geleiras submarina à medida que elas se desintegram nas profundezas. Mas elas também podem impedir que as águas mais quentes atinjam as bases das geleiras sob o mar, o que limitaria o degelo.
Wolovick e seus colegas pesquisadores usaram modelos de computador para verificar os prováveis ​​impactos das estruturas que eles acreditam serem necessárias, tomando como ponto de partida a geleira Thwaites na Antártida, com aproximadamente 100 km de extensão, sendo uma das maiores geleiras do mundo.
A criação de uma estrutura de colunas isoladas ou montes no fundo do mar, cada um com cerca de 300 metros de altura, exigiria entre 0,1 e 1,5 km cúbicos de material agregado. Isso tornaria tal projeto semelhante à quantidade de material escavado para formar as Palm Islands de Dubai, que levaram 0,3 quilômetros cúbicos de areia e rocha, ou o canal de Suez, que exigiu a escavação de aproximadamente um quilômetro cúbico.
Tudo isso para garantir uma probabilidade de 30% de impedir o colapso descontrolado da camada de gelo no oeste antártico, conforme sugerem os modelos. Projetos com design mais complexo chegam a 70% de chance de bloquear que metade da água quente alcance a parede de gelo, mas seriam muito mais difíceis de realizar em condições adversas como do polo sul.
As geleiras derretendo sob temperaturas crescentes nos pólos têm o potencial de descarregar grandes quantidades de água doce nos oceanos, fazendo com que o nível do mar suba mais rápido do que nos últimos milênios.
Somente a geleira de Thwaites, uma corrente de gelo do tamanho da Grã-Bretanha e provavelmente a maior fonte isolada de futuros aumentos do nível do mar, poderia provocar o derretimento de água suficiente para elevar o nível do mar global em três metros.
Os autores esperam que, ao criar seus modelos experimentais, possam fomentar pesquisas futuras sobre a engenharia necessária para realizar esses projetos, que levariam muitos anos ou décadas para construídos.
O próprio pesquisador afirma que esse tipo de projeto serve mais como um remendo, que como solução. “Quanto mais carbono emitimos, menor a probabilidade de que as camadas de gelo sobrevivam a longo prazo”, disse ele.

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13.549 – Por Que os Corais se alimentam de plástico?


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Corais, parece mineral, mas é animal

Pesquisadores da Universidade Duke, nos EUA, derrubaram uma antiga concepção de que corais marinhos se alimentariam de plástico acidentalmente. A princípio, eles acreditavam que os pedaços indesejados e nocivos eram ingeridos por engano. De acordo com essa concepção, corais comeriam fragmentos de plástico por confundi-los com seu alimento habitual: plâncton.
Só esqueceram de enxergar o óbvio: como corais não têm olhos, seria impossível cometerem esse tipo de escorregada na dieta. Ao notarem isso descobriram que o que importa mesmo para essa equivocada escolha alimentar dos corais é o sabor.
De acordo o doutorando Austin S. Allen, um dos autores da pesquisa, “os corais do experimento comeram todos os tipos de plástico oferecido, mas preferiram três vezes mais os plásticos lisos, sem ‘cobertura’, em relação a pedacinhos que tinham um biofilme de bactérias. Isso sugere que o plástico contém algo que o deixa mais saboroso quando ingerido puro.”
A suspeita é de que algum dos componentes químicos usados na fabricação de plásticos – ou uma combinação deles – é responsável por aguçar o paladar dos corais. Diante dessa constatação, Allen e seu parceiro de pesquisa Alexander C. Seymour esperam identificar esses agentes que estimulam o apetite dos corais. “Se somos capazes de fabricar, por acaso, um plástico que é saboroso para esses animais, pode ser que também sejamos capazes de fabricar plástico que intencionalmente não seja apetitoso”, explica Seymour.

13.357 – Aquecimento global poderá trazer o caos aos aeroportos nos próximos anos


avião perigo
Segundo Jenna Gallegos, do The Washington Post, um estudo recente apontou mais um problema relacionado com o aumento das temperaturas.
De acordo com Jenna, pesquisadores da Universidade de Columbia, nos EUA, concluíram que o aquecimento global poderá trazer o caos a aeroportos de várias partes do mundo — incluindo alguns da Europa e das Américas que estão entre os mais movimentados do planeta. Conforme explicaram, com o aumento das temperaturas, a ocorrência de ondas de calor se torna mais frequente — e, com elas, as manobras de decolagem se tornam bem mais complicadas.

Questão de aerodinâmica
Segundo Jenna, o que acontece é que, basicamente, quando a temperatura do ar aumenta, sua densidade diminuiu e, com isso, o avião não consegue gerar “empuxo” suficiente para decolar. Com isso, os comandantes precisam levar uma série de aspectos em consideração antes de decolar para garantir que a manobra ocorra sem riscos, como a extensão da pista, o tipo da aeronave que estão pilotando e o peso que estão transportando.
No caso do peso especificamente, para contornar o problema, a solução seria se livrar do excesso dele — o que significa que os pilotos teriam que voar com menos combustível e remover bagagens e até passageiros para tornar as aeronaves mais leves.
Pois o estudo realizado pelos pesquisadores de Columbia apontou que, se as temperaturas continuarem subindo, entre 10 e 30% dos aviões (totalmente carregados) serão incapazes de decolar durante os períodos mais quentes do dia. Isso acabaria forçando as companhias aéreas a tomar as medidas que mencionamos acima — e que não agradariam nadinha aos passageiros. Outra opção seria esperar até as temperaturas voltarem a cair à noite ou de madrugada, mas isso poderia gerar atrasos, desconfortos e mais infelicidade entre os viajantes.
Calor e caos
No estudo, os pesquisadores explicaram que, desde 1980, a média das temperaturas no planeta aumentou em quase um grau Célsius, mas até o ano de 2100, se nenhuma medida for tomada para frear o aquecimento global, a previsão é que elas subam em mais três graus.
Acontece que, como comentamos no início da matéria, o aumento das temperaturas tornam as ondas de calor mais frequentes e, com elas, as temperaturas nos aeroportos em todo o mundo poderiam subir entre quatro e oito graus durante esses eventos. Com isso, os pesquisadores estimaram que, até 2080, o número de dias nos quais as restrições de peso para viajar passariam a ser aplicáveis ficaria entre 10 e 50 dias por ano.
Os aeroportos com as pistas mais curtas, situados em cidades mais altas e em regiões do mundo mais cálidas seriam os mais prejudicados, e entre eles estariam os de Bangkok, Dubai, Miami, Los Angeles, Phoenix, Denver, Washington, e La Guardia, em Nova York. Aeroportos situados em cidades menos quentes e cujas pistas são mais longas — como é o caso de Heathrow, em Londres, e Charles de Gaulle, em Paris —, teriam menos problemas, mas, mesmo assim, os pesquisadores previram que as restrições poderiam aumentar em até 50% em todos os aeroportos.
Na verdade, esse problema já foi observado anteriormente, como foi um caso que aconteceu em junho deste ano, no aeroporto de Phoenix, no Arizona, quando mais de 40 voos tiveram que ser cancelados — o que, por sua vez, gerou uma série de problemas e atrasos — depois que as temperaturas chegaram a escaldantes 49 °C. O problema é que, segundo o estudo apresentado agora, esses eventos passarão a ser muito mais frequentes nas próximas décadas.

13.346 – Ecologia – Corais da Amazônia podem ajudar a salvar outros do aquecimento Global


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No encontro do Rio Amazonas com o Oceano Atlântico, no norte do Brasil, está localizado um novo tipo de bioma que traz esperanças para a preservação de animais aquáticos durante o aquecimento global. Os Corais da Amazônia, que tiveram a existência confirmada em 2016 por um grupo de cientistas, são uma aposta para proteger diversas espécies dos efeitos das mudanças climáticas.
Em janeiro de 2017, a ONG Greenpeace promoveu uma expedição por submarino para explorar a região e registrar as primeiras imagens do ecossistema. Os pesquisadores encontraram esponjas, rodolitos (algas calcárias) e novas espécies de peixes em locais com profundidade entre 30 e 185 metros.
Justamente por ser um território fundo, de água turva e pouca luz solar, os cientistas acreditam que o bioma esteja imune aos efeitos do aquecimento global e, assim, pode ajudar a preservar formas de vida que correm o risco de desaparecer em outras partes do planeta.
É o caso da Grande Barreira de Corais da Austrália, um conjunto de recifes de águas rasas que corre o risco de morrer devido ao aumento da temperatura da água do mar. Em comunicado divulgado em maio deste ano, o governo australiano disse que um terço da área foi perdida em 2016.
“O que temos hoje como paradigma científico é que corais mesofíticos [profundos] em geral não sofrem com as mudanças climáticas. Portanto, em longo prazo, os corais de zonas rasas seriam repovoados através dos estoques profundos que não seriam afetados pelas mudanças climáticas”.
Isso significa que os corais australianos fundos salvariam os corais rasos da própria costa, e a mesma coisa aconteceria com os recifes de corais pelo mundo. “Os corais fundos do Atlântico, incluindo os corais da Amazônia, salvariam os corais rasos do Atlântico Central e Sul”.
A explicação para esse feito está na forma de reprodução dos acnidários — como são chamados animais aquáticos como corais, anêmonas e medusas. Eles geram larvas que ficam nadando à deriva até encontrar substratos duros, como bordas submersas de ilhas. “Uma vez encontrada uma nova superfície, eles se fixam, crescem e geram uma nova colônia”.

13.255 – Santos ganha 1º ônibus sustentável movido a energia elétrica e diesel


Santos ingressou para o seleto grupo de cidades do País a contar com ônibus híbrido, que funciona com um motor elétrico e outro a diesel. Um veículo do tipo entrou em operação na tarde desta terça-feira (16) na linha 20, que liga o Centro ao Gonzaga. Além da economia de combustível, o modelo reduz a emissão de poluentes e a geração de ruído.
O novo veículo chama a atenção pelo design moderno e é mais alongado que o ônibus convencional, com 12,40 metros de comprimento – o outro tem 11 metros -, oferecendo 36 assentos. Dispõe de ar-condicionado e acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.
Ao acompanhar a entrega do veículo na Praça Mauá, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa destacou que um dos tópicos do plano de melhorias do transporte coletivo é a modernização do sistema e a chegada do ônibus híbrido é mais um avanço.
“Estamos sempre buscando novas tecnologias”, disse o prefeito. Ele lembrou que hoje quase metade da frota está climatizada e 100% opera com wi-fi, além de o usuário contar com o aplicativo ‘Quanto Tempo Falta’, que informa o horário de chegada do ônibus no ponto.
A Viação Piracicaba informou que houve treinamento especial para os motoristas que vão trabalhar com o novo veículo adquirido pela empresa. A operação do híbrido deve atender as normas do fabricante, inclusive para que ocorra a recarga da bateria do motor elétrico.

Bateria elétrica
Os dois motores do ônibus híbrido funcionam de forma paralela ou independente. Quando o veículo está parado ou em velocidade de até 20km/h, é movido pela energia elétrica. Nas velocidades mais altas, entra em operação o sistema a diesel.
A bateria do motor elétrico é recarregada durante as frenagens. O veículo não emite ruído no arranque e fica silencioso quando parado em semáforos e nos pontos de embarque e desembarque de passageiros, momentos em que o motor a diesel permanece totalmente desligado.
Segundo a Volvo, fabricante do veículo, o híbrido gera economia de até 35% de combustível em relação ao veículo convencional e, por consequência, emite também 35% menos gás carbônico.

Saiba mais
No Brasil, há 41 unidades em circulação no momento. São 30 em Curitiba, cinco no Parque Nacional de Foz do Iguaçu, onde atende turistas, um em linha turística em São Paulo (onde há outros três em teste), além de um também em teste em Caxias do Sul e mais o de Santos. No mundo, são 3,3 mil veículos do tipo circulando em 21 países.

Cidades Sustentáveis

13.167 – Escritório japonês constrói edifício com material descartado


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Uma janela de oito metros foi feita com janelas de casas abandonadas e ajuda, junto com o pé direito alto, a refrescar o ambiente durante o verão. Outros materiais foram reutilizados, como baús e equipamentos agrícolas encontrados nos centros de reciclagem. Garrafas vazias se transformaram em lustres, jornais em papel de parede, e o exterior da casa foi revestido com cedro localmente produzido e colorido com tinta de origem natural – várias improvisações criativas visando desperdício zero.
A cidade japonesa Kamikatsu também se sentiu inspirada pela iniciativa e o projeto de arquitetura de baixo custo, que atingiu uma taxa de 80% de reciclagem, visa contribuir para a criação de um sistema social sustentável.

13.113 – Sustentabilidade – Em um ano, China mais que dobrou a capacidade em energia solar


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Quem iria imaginar que o maior emissor de carbono do mundo iria se tornar líder em produção de energia renovável? A China, que também tem o pior índice de poluição do ar, segundo dados de 2016 da Organização Mundial da Saúde, agora está no topo da lista dos países que mais produzem energia solar.
De acordo com o relatório da Administração Nacional de Energia (NEA) divulgado no último final de semana, a capacidade fotovoltaica chinesa mais do que dobrou: subiu para 77,42 gigawatts no final de 2016, com um acréscimo de 34,54 gigawatts ao longo do ano. Considerando que 1 gigawatt seria o suficiente para abastecer uma cidade com 1,5 milhão de habitantes, é uma façanha e tanto.
Entre as províncias que tiveram o maior aumento na capacidade estão Shandong, Xinjiang e Henan. Já as regiões de Gansu, Qinghai e o interior da Mongólia alcançaram potência máxima no fim do ano.
Com os EUA perto de recuar em acordos climáticos, a China parece estar pronta para assumir a liderança mundial em energia limpa. Até 2020, segundo o plano de desenvolvimento traçado por sua Agência Nacional de Energia, a China pretende instalar mais de 110 gigawatts em sua capacidade de energia solar, investindo mais de US$ 360 bilhões no projeto.

Momento crítico
O investimento em energias renováveis acontece em um momento em que a China enfrenta problemas sérios de poluição atmosférica. Em dezembro de 2016, dez cidades decretaram alerta vermelho, apresentando níveis de partículas tóxicas até 30 vezes maiores do que o limite permitido, segundo a Organização Mundial de Saúde.
A névoa poluente, chamada de “smog”, reduziu a visibilidade a quase zero e cancelou centenas de voos em Pequim. Cerca de cem milhões de chineses foram orientados a ficar em casa. De acordo com a OMS, tais partículas poluentes podem causar ataques cardíacos prematuros, câncer de pulmão, acidente vascular cerebral e problemas respiratórios.

13.092 – Eco Tour – O Parque Estadual Serra do Mar


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Fonte: Polo de ecoturismo de São Paulo

O Parque Estadual Serra do Mar – Núcleo Curucutu possui 37.518 hectares abrangendo 4 municípios, sendo São Paulo, Juquitiba, Itanhaém e Mongaguá. O Núcleo foi criado a partir da antiga Fazenda Curucutu, desapropriada pelo Estado em 1958, quando a principal atividade realizada em seus limites era a produção de carvão vegetal. O Núcleo não tem ocupação humana intensa e se localiza em um dos trechos mais intocados da Mata Atlântica de São Paulo. A APA Capivari-Monos sobrepõe o Núcleo Curucutu.
O Parque Estadual da Serra do Mar foi criado em 1977. Ele é considerado a maior área de proteção integral de toda a Mata Atlântica. O Parque protege cerca de um quinto de todas as espécies de aves que existem no Brasil, quase metade do total da Mata Atlântica. Algumas espécies ameaçadas de extinção, como a jacutinga, o macuco, o papagaio-de-cara-roxa, o papagaio-chaua, a sabiacica e o gavião-pombo-grande.
Existe o registro também de 270 espécies de mamíferos. Destas, 20% são exclusivas da Mata Atlântica e 22% estão ameaçadas de extinção, principalmente os macacos, como o mono-carvoeiro e o bugio.
O Parque Estadual Serra do Mar possui 332.000 hectares. Desta área, o Núcleo Curucutu protege 37.518 hectares de floresta atlântica de rara beleza.
As paisagens naturais da Serra do Mar são as escarpas, florestas, cachoeiras e campos nebulares. A vegetação é diversa, com destaque para as bromélias e orquídeas.
Clima de serra nos mares de morros e a presença marcante da neblina.

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Trilha da Bica – 1,4 km
Agradável caminhada na Floresta até chegar a uma bica d’água. Ideal para terceira idade e crianças, esta bica é a nascente do Rio Embu Guaçu que contribui para o abastecimento da Represa de Guarapiranga.

Trilha Mirante – 1,6 km
Por entre o divisor de águas dos rios Embu-Guaçu e Capivari, observando a diversidade de paisagens de mar de morros e encostas da Serra do Mar. Atinge o cume da serra, no limite entre os municípios de Itanhaém e São Paulo. Em dias de céu claro, é possível avistar as praias do litoral sul.

Trilha da Travessia – 15 km
Trilha histórico-cultural que atravessa a Serra, por onde passava a linha do telégrafo que fazia a ligação entre São Paulo e o sul do Brasil. Percurso com 8 horas de duração.
Obs.: Esta trilha está em fase final de estruturação.

Serviço:
Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Curucutu (70km de São Paulo)
Rua da Bela Vista, 7090 – Embura do Alto
Tel.: (11) 5975-2000
pesm.curucutu@fflorestal.sp.gov.br
De quarta a domingo, das 9h às 16h30. É necessário agendamento para visitas.

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13.059 – Meio Ambiente – Mata Atlântica perde 184 km² em um ano por desmatamento


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A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram os novos dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica.
O estudo aponta desmatamento de 18.433 hectares (ha), ou 184 Km², de remanescentes florestais nos 17 Estados da Mata Atlântica no período de 2014 a 2015, um aumento de apenas 1% em relação ao período anterior (2013-2014), que registrou 18.267 ha.
Minas Gerais, que vinha de dois anos de queda nos níveis de desmatamento, voltou a liderar o desmatamento no país, com alta de 37% na perda da floresta. A mineração foi a principal responsável pela baixa no estado.
O rompimento da barragem da Samarco, em novembro passado, respondeu por 65% do desmatamento de 258 hectares na cidade de Mariana. Porém, a maior parte do total de desmatamento no estado aconteceu na região de Jequitinhonha, no noroeste do estado, denominado Triângulo do desmatamento.
A vice-liderança fica com a Bahia, com 3.997 ha desmatados, 14% a menos do que o período anterior. Já o Piauí, campeão de desmatamento entre 2013 e 2014, ocupa agora o terceiro lugar, após reduzir o desmatamento em 48%, caindo de 5.626 ha para 2.926 ha. Os três estados se destacam no ranking por conta do desmatamento identificado nos limites do Cerrado.
Além de Minas Gerais, Piauí e Bahia, o Paraná também se encontra em estado de atenção. Enquanto os três primeiros lideram a lista geral, o Paraná foi o que apresentou o aumento mais brusco, saltando 116%, de 921 ha de florestas nativas entre 2013-2014 para 1.988 ha no último período.
O retorno do desmatamento nas florestas com araucária é o principal ponto de alerta, responsável por 89% (1.777 ha) do total de desflorestamento no estado paranaense no período. Restam somente 3% das florestas que abrigam a Araucaria angustifolia, espécie ameaçada de extinção conhecida também como pinheiro brasileiro.
Nesta edição, todos os 17 Estados apresentaram desmatamento. Enquanto o período anterior trouxe 9 estados no nível do desmatamento zero, ou seja, com menos de 100 hectares de desflorestamento, nesta edição há apenas 7 nesta situação: São Paulo (45 ha), Goiás (34 ha), Paraíba (11 ha), Alagoas (4 ha), Rio de Janeiro (27 ha), Ceará (3 ha) e Rio Grande do Norte (23 ha).

12.878 – Ecologia – Péssima qualidade da água ameaça grande barreira de corais


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Acredite se quiser, aqui só tem um recife!

Esse ecossistema gigante é vítima do escoamento da produção agrícola, do desenvolvimento econômico e da proliferação da estrela-do-mar “coroa de espinhos” (Acanthaster planci), que destrói os corais.
Além disso, a grande barreira sofreu nos últimos meses o seu pior episódio de branqueamento devido ao aquecimento global. Grande parte do recife perdeu sua cor e muitos dos seus corais morreram.
Camberra afirma que está fazendo mais do que nunca para proteger este local emblemático, mas o relatório anual do governo sobre a qualidade da água, da flora marinha e dos corais lhe deu uma nota “D”, que corresponde a uma “péssima” qualidade, pelo quinto ano consecutivo.
Os sedimentos arrastados pelas águas de 35 bacias hidrográficas que o local recebe reduzem a luminosidade, o que influencia no ecossistema de corais e o da flora marinha, afetando seu crescimento e sua capacidade de reprodução.
A grande barreira, de 345.000 km², escapou por pouco de ser inscrita pela Unesco na sua lista de lugares em perigo, e Camberra está realizando um plano de proteção para os próximos 35 anos.

12.877 – Brasileiros ganham prêmio de sustentabilidade na Alemanha


Dois brasileiros estão entre os 25 vencedores da 8ª edição do Green Talents Award, prêmio realizado pelo Ministério Federal da Educação e Pesquisa da Alemanha. A iniciativa tem como objetivo promover uma plataforma na qual cientistas de diferentes partes do mundo desenvolvam e compartilhem projetos de ciência e desenvolvimento sustentável.
Os mestrandos Marina Demaria Venâncio, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e Hani Rocha El Bizri, da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), foram selecionados entre 757 candidatos de 104 países. A dupla passará duas semanas na Alemanha participando do Fórum Internacional para Iniciativas de Alto Potencial em Desenvolvimento Sustentável, no qual poderão conhecer diversos laboratórios e profissionais especializados em ciência e sustentabilidade, além de participar de workshops e compartilharem ideias com os outros 23 participantes.
Durante o evento Venâncio e Bizri terão ainda a oportunidade de conhecer institutos alemães especializados em suas áreas de atuação, onde farão um estágio de três meses em 2017.

Agroecologia
Com apenas 23 anos, Marina Demaria Venâncio é uma das vencedoras mais jovens do Green Talents Awards. A estudante começou a se interessar por direito ambiental durante a graduação, ao longo da qual se dedicou a pesquisar biodiversidade, impactos ambientais e agricultura sustentável e mudanças climáticas, tema pelo qual se apaixonou e continuou a estudar.
Venâncio trabalha com um tema chamado de agroecologia, que trata da agricultura a partir da perspectiva de um ecossistema sustentável. Em sua pesquisa, ela analisa as políticas públicas feitas em relação a esse assunto.
Em 2015, ela publicou o livro A Tutela Jurídica da Agroecologia Brasil – Repensando a Produção de Alimentos na Era de Riscos Globais, no qual analisou as medidas realizadas antes da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, de 2012, e os efeitos desta na criação de iniciativas estuduais e mudanças climáticas — tudo sob a perspectiva do direito.
“Estudar esses mecanismos nos ajuda a fazer políticas que não sejam só bonitas, mas eficazes. Meu foco é tentar identificar e elencar essas boas práticas e ver o que a nossa legislação está fazendo direito”, explicou.
Sustentabilidade na caça
Além do mestrado em Saúde e Produção Animal na UFRA, Hani Rocha El Bizri, de 29 anos, atua como pesquisador associado do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM). Ele colabora com a organização desde a graduação em ciências biológicas, período em que teve contato com o estudo da biologia da conservação com foco na melhoria do bem-estar humano, área na qual decidiu se especializar.
A pesquisa de Bizri tem foco na subsistência da caça na Amazônia. Ao longo dos últimos anos, o mestrando e seus colegas do IDSM perceberam que a caça deixou de ser sustentável para as comunidades amazônicas. Como a maior parte delas vive isolada dos grandes centros, depende dos recursos da natureza para sobreviver. “Os moradores locais dependem dos recursos das matas e dos rios para se alimentar, produzir em pequena escala e vender”, explicou o pesquisador em entrevista à GALILEU. “Temos um problema de conservação dos animais e, principalmente, de segurança alimentar.”
Em parceria com um professor da Universidade Autônoma de Barcelona que atua no Peru, Bizri têm trabalhado em conjunto com as comunidades para coletar dados biológicos dos animais. “Em vez de descartar os resquícios dos animais caçados, os moradores nos fornecem os restantes que não vão comer para análise”, detalha. A partir desse material, o pesquisador tem feito uma revisão dos dados reprodutivos das espécies locais — as informações mais recentes são de 30 anos atrás! —, o que o ajuda a entender quais espécies podem ser abatidas em quais épocas, de forma que os animais não entrem em extinção e as comunidades não passem fome. “As pessoas precisam dessas informações”, afirma Bizri.

12.873 – Cientistas alertam: Terra está perdendo oxigênio


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Um estudo publicado recentemente pela revista Science revela que o nível de oxigênio da Terra está caindo.
A queda registrada foi de 0,7% nos últimos 800 mil anos. Para chegar a esses resultados, um grupo de geofísicos estudou o ar preso nas geleiras da Antártida e da Groelândia.
Os pesquisadores trazem duas hipóteses para explicar esse fenômeno. É possível que o aumento verificável no índice de erosão global, causada em grande parte pelo crescimento de geleiras, aumente a quantidade de pirita e carbono, o que poderá reagir com o oxigênio do planeta. Por outro lado, o resfriamento dos mares pode estar favorecendo a proliferação de micro-organismos consumidores de oxigênio.
Os níveis de oxigênio são fatores determinantes na evolução vital de um planeta. No entanto, os cientistas afirmam que a mudança verificada não teria por que influir em curto prazo no desenvolvimento vital da Terra.
Daniel Stolper, um dos responsáveis pela pesquisa e membro da Universidade de Princeton, nos EUA, explica que uma queda dessa magnitude no nível de oxigênio é normal para os ecossistemas, uma vez que somente ao subirmos ao trigésimo andar de um prédio, a 100 metros acima do nível do mar, já é possível constatar o mesmo decréscimo de oxigênio no ar.

12.846 – Planeta Terra – O aumento da população mundial e a ameaça da predação planetária


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No dia 14 de fevereiro de 1990, a sonda espacial Voyager 1 tirou uma fotografia do planeta Terra de uma distância recorde de 6 bilhões de quilômetros, cerca de 40 vezes e meia a distância entre o Sol e a Terra. Essa é a distância aproximada até Plutão. Na foto, nosso planeta mal preenche um pixel, um “pálido ponto azul” contra a imensidão do espaço. A ideia da imagem foi do astrônomo e divulgador de ciência Carl Sagan, que convenceu os técnicos da Nasa a girar a sonda, reorientando-a para que tirasse uma última foto da Terra. No dia 13 de outubro de 1994, num pronunciamento proferido na Universidade Cornell, onde lecionava, Sagan refletiu sobre o significado daquela imagem:
“Não há melhor demonstração da folia humana do que essa imagem distante de nosso pequeno mundo. Ela deveria inspirar compaixão e bondade nas nossas relações, mais responsabilidade na preservação desse precioso pálido ponto azul, nossa casa, a única.”
Quando medido contra as distâncias cósmicas, contra a enorme quantidade de mundos espalhados pelo vazio do espaço sideral, esse pequeno planeta é insignificante, apenas mais um dentre trilhões. Por outro lado, essa esfera girando em torno do Sol é tudo o que temos.
Aqui vivemos, e é aqui que continuaremos a viver por muitas gerações. “Nessa vastidão, não temos qualquer indicação de que exista alguém para nos salvar de nós mesmos”, disse Sagan. “A responsabilidade do que ocorre aqui é inteiramente nossa.”
A imagem de nossa casa cósmica ocupando um mero pixel flutuando em meio ao nada elucida sua fragilidade. A Terra é um planeta finito, com recursos limitados. Indiferente e ignorante disso, nos últimos 90 anos a população mundial cresceu de 2 para 7,5 bilhões de habitantes (os interessados podem consultar o “relógio” que estima em tempo real o tamanho da população mundial: goo.gl/HjGPZO). Em outubro de 2011, o Fundo Populacional das Nações Unidas projetou que a população chegará a 8 bilhões no ano 2025. A taxa de crescimento vem desacelerando, mas os números são assustadores e continuarão a aumentar, mesmo se mais lentamente do que no passado.
No final do século 18, o inglês Thomas Malthus argumentou que a taxa de crescimento da população era incompatível com a capacidade de o nosso planeta prover a subsistência necessária a tanta gente: “O poder da população é tão superior ao poder da Terra de prover sustento ao homem que a morte prematura deverá, de alguma forma, visitar a espécie humana”, escreveu.
Em sua previsão um tanto sombria, Malthus não considerou a habilidade que temos –e demonstramos inúmeras vezes no decorrer da história– de resolver nossos problemas de natureza tecnológica através da implementação de ideias científicas na prática. No caso, a otimização e a mecanização das técnicas utilizadas na agricultura, responsáveis por um aumento pronunciado da produção alimentícia nos últimos 150 anos.
Por outro lado, o fato é que a Terra tem apenas uma quantidade finita de terra arável, cerca de 31 milhões de quilômetros quadrados. (Mesmo que o planeta tenha em torno de 150 milhões de quilômetros quadrados de terra firme –aproximadamente 29% de sua superfície total–, há que se descontar regiões montanhosas de grande altitude, desertos, áreas pantanosas e outras não-irrigáveis ou utilizáveis para fins agrários.) Em 2013, só 14 milhões de quilômetros quadrados eram considerados aráveis, cerca de 10% do total.
Considerando a taxa de produção agrária atual, essa quantidade de terra arável pode produzir em torno de 2 bilhões de toneladas de grãos por ano. Isso é comida suficiente para alimentar cerca de 10 bilhões de vegetarianos, mas apenas cerca de 2,5 bilhões de omnívoros. A diferença de 75% vem da quantidade imensa de grãos necessários para sustentar o gado e as aves consumidos pela população mundial. A partir desses números, vemos que uma população vegetariana é bem mais sustentável globalmente do que uma população carnívora.
A estimativa acima leva em conta duas suposições essenciais: primeiro, que o abastecimento de água continuará ocorrendo no nível atual, isto é, que não haverá secas prolongadas, ataques terroristas que comprometam a qualidade da água em grandes reservatórios ou conflitos sociopolíticos devido ao desvio de rios para irrigação.
Ainda que estimativas sejam incertas, parece claro que estamos marchando resolutamente em direção a um ponto de saturação, no qual nossas práticas de extração e de exploração do solo e a demanda de uma população crescente e com afluência maior irão exaurir os recursos planetários.
A fé cega na ciência e na criação de soluções tecnológicas é uma posição perigosa, dado que é impossível basear o sucesso futuro no do passado: a ciência e suas aplicações práticas não avançam linearmente ou de forma previsível, mesmo supondo que o fomento à pesquisa continue inalterado tanto no nível governamental quanto no privado.
Existem algumas medidas que podem ser tomadas para atenuar a pressão inexorável de uma população cada vez maior e com maiores demandas sobre o ecossistema global. Iniciativas pedagógicas devem ser instituídas de modo a educar um número cada vez maior de pessoas sobre os perigos do crescimento populacional desmedido.
O conjunto de ações deve incluir o acesso fácil e pouco oneroso a contraceptivos, sobrepujando barreiras culturais e religiosas; a conversão do consumo desmedido da carne, base da alimentação de bilhões de habitantes, a uma dieta orientada à ingestão mais significativa de frutas e vegetais; a viabilização econômica de fontes de energia renováveis, de modo a atrair um número maior de usuários na população e nas empresas e órgãos governamentais; e a adoção, no currículo escolar e na rotina corporativa, de uma nova ética planetária baseada na sustentabilidade global.
Toda criança precisa ser educada sobre o planeta em que vive, e toda empresa precisa agir de acordo com parâmetros que reflitam a realidade global em que vivemos.
Cada um desses passos gera sérias controvérsias e é debatido longamente pelos diversos grupos de interesse, dos governos às lideranças religiosas e comunitárias. Com frequência, eles são rotulados como parte de uma agenda política liberal. Parece-me que essa atitude tradicionalista é profundamente equivocada e, em grande parte, responsável pela situação atual.
Educar as pessoas sobre os perigos de um crescimento populacional desenfreado (que, como sabemos, afeta com frequência regiões já extremamente pobres) ou sobre o que se come e de onde vem essa comida, ou sobre a necessidade urgente de se proteger o meio ambiente e, de modo mais geral, o planeta (para o benefício do homem e de todas as criaturas que dividem com ele esse espaço) deveria suplantar as divisões políticas que impedem uma mudança profunda em nossa atitude.
Deveríamos considerar essa nova atitude como uma extensão direta da regra ética mais essencial que seguimos todos: trate todas as formas de vida como quer ser tratado; trate o planeta como quer que sua casa seja tratada. Por quê? É muito simples. Esse pálido ponto azul é a única casa que temos e que teremos por um longo tempo.
A Terra existiu e continuaria, sem dúvida, a existir por bilhões de anos sem a gente. Mas nós não podemos existir sem ela.

12.790 – A perigosa “neve de melancia” que preocupa os cientistas


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O processo cada vez mais acelerado de degelo que se observa na região ártica tem deixado a comunidade científica em alerta há vários anos. O aquecimento global faz com que toneladas de água passem de estado sólido para líquido todos os anos, aumentado o nível dos oceanos e ameaçando ecossistemas inteiros.
Cientistas do German Research Centre for Geosciences, em Potdsam, e da Universidade de Leeds, no Reino Unido, acabam de publicar um artigo no qual explicam como o fenômeno conhecido como “neve de melancia” está fazendo estragos no Ártico.
A tonalidade rosada particular que a neve assume é causada por algas que, ao florescerem na estação quente do ano, mancham os gelos nos quais elas se desenvolvem. E, longe de ser um espetáculo inofensivo para o meio ambiente, essa coloração faz com que a neve absorva o calor do Sol em vez de refleti-lo, acelerando em 13% o processo de derretimento.
Ao subirem as temperaturas médias da região, cria-se um círculo vicioso no qual essas algas se reproduzem com maior facilidade.
Os pesquisadores responsáveis pelo estudo explicam que é essencial considerar os desajustes cada vez mais evidentes na biodiversidade dos territórios gelados para poder compreender o fenômeno em toda a sua complexidade.

12.783 – Efeito Nocivo – Usina de energia solar nos EUA mata 6 mil pássaros por ano


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Construir e usar meios não poluentes para a capacitação de energia elétrica é um dos objetivos de diversos países que querem causar menos estragos no planeta. Contudo, uma das usinas de energia solar dos Estados Unidos está pagando um preço caro para atingir esse objetivo: a vida de cerca 6 mil pássaros por ano.
De acordo com o Gizmodo, os animais morrem queimados quando sobrevoam a área da usina Ivanpah, localizada no deserto de Mojave, na Califórnia. Lá, existe uma área com mais de 13 km² de espelhos que acabam queimando as aves de forma instantânea, fazendo-as caírem no chão já sem vida.
Para piorar ainda mais, o brilho atrai insetos, presas naturais das aves. Também não ajuda o fato de que a usina está instalada em uma “rota de voo” dos pássaros que migram em direção ao Pacífico.
Felizmente, a administração da instalação não está nada satisfeita com isso, mas não consegue encontrar uma solução viável para evitar que os animais se machuquem durante a operação. Os espelhos ficam direcionados para cima por cima dele sofre com o calor absurdo que é refletido.
Segundo reportagem do Los Angeles Times, os funcionários estão trabalhando para reduzir o número de óbitos das aves. As medidas começaram em 2014 e tratam da troca dos refletores por lâmpadas de LED que atraem menos insetos, além da instalação de pregos anti-empoleiramento e de alto-falantes que emitem sons irritantes aos pássaros.
Os resultados, contudo, têm sido modestos.