14.327 – Coronavírus: Brasil vai começar a testar vacina de Oxford para Covid-19


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A vacina para Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, será testada em brasileiros. A análise terá apoio do Ministério da Saúde e começa ainda neste mês. Serão 2.000 voluntários ao todo, no Rio de Janeiro e em São Paulo. O Brasil fará parte do plano global de desenvolvimento da vacina e é o primeiro país, fora o Reino Unido, a ter acesso ao antídoto.
O procedimento foi aprovado pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em São Paulo, os estudos serão comandados pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). A infraestrutura médica e de equipamentos será financiada pela Fundação Lemann.
Cabera à Unifesp a tarefa de recrutar os primeiros 1.000 voluntários, que devem estar na linha de frente do combate à doença e, portanto, mais expostos ao contato com o vírus. Outras 1.000 pessoas farão parte do teste no Rio de Janeiro.
O país foi escolhido justamente por ainda enfrentar um momento de aceleração da pandemia, o que os especialistas chamam de curva de casos “ascendente”.
Outras nações também devem participar do trabalho de testagem da vacina. Os resultados serão fundamentais para que o antídoto consiga o registro oficial, previsto para o final deste ano.

14.305 -Transmissão assintomática é vantagem evolutiva para Sars-CoV-2


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A rápida disseminação da Covid-19 em todo o mundo é resultado, em partes, da capacidade do novo coronavírus de permanecer em seu hospedeiro sem causar sintomas. Essa habilidade, segundo pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, é uma estratégia evolutiva.
A conclusão é resultado de um estudo que examinou prós e contras da transmissão silenciosa na sobrevivência a longo prazo do Sars-CoV-2. Os resultados foram compartilhados em um artigo no Proceedings of the National Academy of Sciences.
Como organismos mais complexos, os vírus podem evoluir por seleção natural, ou seja, os seres vivos mais adaptados ao ambiente têm mais facilidade para sobreviver. Isso ocorre porque novas variantes de determinada espécie surgem como resultado de mutações genéticas e, se o organismo tiver os mecanismos evolutivos adequados para sua sobrevivência, conseguirá prosperá e reproduzir, gerando descendentes com as mesmas características.
No caso de um patógeno como o novo coronavírus, demorar para causar sintomas em seu hospedeiro pode ser vantajoso. Para compreender o porquê disso, basta imaginar o cenário oposto: se um microrganismo afeta seu hospedeiro e o mata muito rapidamente, ele não tem tempo para se reproduzir e é transmitido para menos pessoas — o que, para o patógeno, é uma desvantagem.
“A evolução viral envolve uma troca entre aumentar a taxa de transmissão e manter o hospedeiro como base de transmissão”, explicou Simon Levin, um dos pesquisadores, em comunicado. “As espécies que navegam nessa troca de forma mais eficaz do que outras virão para substituir essas outras na população.”
Como bem exemplificado pela pandemia de Covid-19, uma infecção silenciosa tem vantagens a curto prazo: ela dificulta a implementação de estratégias de controle como identificação, quarentena e rastreamento de contatos. Isso permite que quem está infectado mas ainda não apresenta sintomas continue circulando por aí e disseminando o novo coronavírus.
No entanto, também existem desvantagens evolutivas para esses vírus. De acordo com os especialistas, as pessoas assintomáticas geram menos partículas infecciosas e, portanto, menos microrganismos “escapam” quando elas espirram ou falam.

Método
Para estudar o efeito da transmissão assintomática, a equipe fez modificações em um modelo matemático padrão de como uma doença se espalha pela população. O modelo divide a sociedade em setores, representando indivíduos suscetíveis, infectados e recuperados.
Os especialistas de Princeton, então, dividiram os “infectados” em dois estágios: total ou parcialmente sintomáticos e os que apresentaram todos os problemas de saúde relacionados à Covid-19. Como explicam os pesquisadores, eles não se concentraram apenas no efeito da variação dos sintomas na propagação da doença, mas também nas consequências evolutivas dessa divergência.
A equipe descobriu que estratégias evolutivas bem-sucedidas (para o vírus) surgiram quando o primeiro estágio da infecção era completamente assintomático ou o extremo oposto. Além disso, os pesquisadores concluíram que o alcance do organismo (sua capacidade de não causar nenhum sintoma e de causar sintomas máximos) poderia ser alterado por pequenas mudanças nas estratégias de controle da doença.
Esta última parte da análise indica que as estratégias de controle de doenças podem influenciar qual aspecto evolutivo será mais bem-sucedido em determinado patógeno, o que tem impactos enormes em pandemias como a do novo coronavírus. “Com base em nosso modelo, [esta estratégia evolutiva] é um ponto final evolutivo natural para certas doenças”.

14.300 – Dr Garibaldo – Por que na peste bubônica médicos usavam máscaras com “bico de pássaro”?


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Causada por uma bactéria transmitida por pulgas de animais pequenos (principalmente ratos), a peste bubônica foi uma das doenças mais temidas do mundo. Com sintomas que se assemelhavam aos da gripe, incluindo febre, dor de cabeça e vômito, a enfermidade evoluía para inflamação dos gânglios linfáticos e, sem tratamento, provocava morte de 30% a 90% dos infectados em um período de dez dias. Não à toa, a pandemia que assolou Europa, Ásia e África no século 14 e vitimou 50 milhões de pessoas (cerca de um terço da população europeia na época) ficou conhecida como “Peste Negra”.
No século 17, novos surtos da doença fizeram surgir uma imagem que se tornou emblemática e até hoje é associada à peste: médicos com um vestido que os cobria da cabeça aos pés e uma máscara com um bico de pássaro. A razão por trás dos trajes esquisitos (e levemente assustadores) é o desconhecimento científico acerca das causas da doença.

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Naquela época, a teoria corrente para a disseminação de doenças infecciosas era a miasmática. Formulada pelo médico inglês Thomas Sydenham e o italiano Giovanni Maria Lancisi, defendia que as moléstias tinham origem nos miasmas, o conjunto de odores fétidos que vinham de matéria orgânica em putrefação e da água contaminada. Eles causariam um desequilíbrio nos fluidos corporais do paciente, e acreditava-se que perfumes fortes poderiam proteger da peste.

A lógica das máscaras era justamente essa: evitar que o miasma chegasse ao nariz dos médicos. Preenchidas com teriaga, uma combinação com mais de 55 ervas e outras especiarias que desde a Grécia Antiga era tida como um antídoto para qualquer envenenamento, a ideia era que a forma de bico proporcionasse tempo o suficiente para purificar o ar.
O responsável pela criação foi o médico Charles de Lorme, que cuidou da realeza francesa durante o século 17, entre eles o rei Luís XIII. Além da máscara esquisita, o visual era composto por uma camisa por dentro de calças que se conectavam a botas, um casaco coberto por cera perfumada, chapéu e luvas feitos de couro de carneiro, além de uma vara para afastar os doentes.
Séculos depois, ficou provado que a roupa só servia mesmo como fantasia — especialmente na Itália, o visual icônico aparecia em peças de teatro do gênero “commedia dell’arte” e no carnaval, utilidade que perdura até hoje (ironicamente, os últimos dois dias do carnaval de Veneza de 2020 foram cancelados por causa da propagação do novo coronavírus).
A teoria microbiana, confirmada no fim do século 19 e aceita até hoje, estabeleceu que os microrganismos são os verdadeiros causadores de inúmeras doenças, entre elas a peste. Os trajes deram lugar aos antibióticos, de fato eficazes e usados até hoje.

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14.299 – História – Peste bubônica também exigiu plano econômico dos governos medievais


A Peste Negra (1347-51) devastou a sociedade europeia. Escrevendo quatro décadas após o evento, o monge e cronista inglês Thomas Walsingham observou que “tanta miséria se seguiu a esses males que depois o mundo nunca poderia voltar ao seu estado anterior”.
Este comentário medieval reflete uma realidade vivida: um mundo virado de cabeça para baixo pelo medo em massa, contágio e morte. No entanto, a sociedade se recuperou. A vida continuou apesar da incerteza. Mas não foi “como de costume” depois disso — a ameaça da Peste permaneceu.
Recuperação lenta e dolorosa
O mundo pós-peste negra “não melhorou por sua renovação”. O monge francês Guillaume de Nangis lamentou que os homens se tornaram mais “avarentos e compreensivos”, “gananciosos e briguentos” e envolvidos em mais “brigas, disputas e ações judiciais”.

A escassez de trabalhadores na sequência da epidemia foi aguda. A contemporânea Historia Roffensis observa que áreas de terra na Inglaterra “permaneceram incultas”, em um mundo dependente da produção agrícola.
Uma escassez de mercadorias logo se seguiu, forçando alguns proprietários no reino a baixar ou ignorar os aluguéis para manter seus inquilinos. “Se os trabalhadores não trabalham”, brincou Thomas Wimbledon, pregador inglês, “padres e cavaleiros devem se tornar agricultores e pastores, ou então morrer por falta de sustento físico”.
Às vezes, o estímulo veio à força. Em 1349, o governo inglês emitiu sua Portaria dos Trabalhadores, que legislava que homens e mulheres saudáveis ​​recebessem salários equeivalentes aos do ano de 1346, anterior à praga.
Outras vezes, a recuperação foi mais orgânica. Segundo o frade carmelita francês Jean de Venette, “em todos os lugares as mulheres conceberam mais prontamente do que o habitual”; nenhuma era estéril e as mulheres grávidas abundavam. Várias deram à luz gêmeos e trigêmeos, sinalizando uma nova era após uma mortalidade tão grande.

Um inimigo comum e familiar
Então a praga voltou. Uma segunda pestilência atingiu a Inglaterra em 1361. Uma terceira onda afetou vários outros países em 1369. Uma quarta e quinta ondas se seguiram em 1374-79 e 1390-93, respectivamente.
A Peste era uma característica constante no final da vida medieval e no início da vida moderna. Entre 1348 e 1670, escreveram os historiadores Andrew Cunningham e Ole Peter Grell, foi um evento regular e recorrente: “Às vezes em vastas regiões, às vezes apenas em algumas localidades, mas sem omitir um único elo anual neste longo e triste período”.
A doença impactou comunidades, vilas e cidades com maiores riscos para os centros urbanos. Com sua densa população, Londres mal estava livre de doenças com grandes surtos em 1603, 1625, 1636 e a “Grande Praga” de 1665, que matou 15% da população da cidade. Nenhuma geração escapou da “ira da Peste”.

Controlando o desastre
Os governos não foram tímidos em suas respostas. Embora a experiência deles nunca possa impedir um surto, o manejo da doença tentou mitigar desastres futuros.
A Ordem da Praga da rainha Elizabeth I, de 1578, implementou uma série de controles para apoiar os infectados e suas famílias. Em toda a Inglaterra, uma iniciativa do governo garantiu que as pessoas infectadas não deixassem suas casas para comer ou trabalhar.
Também foram construídas estufas para abrigar os doentes e proteger os saudáveis. Em 1666, o rei Carlos II ordenou que cada cidade “estivesse pronta para o caso de ocorrer alguma infecção”. Se uma pessoa infectada fosse descoberta, ela seria removida da cidade e da sua casa, que ficaria fechada por 40 dias, com uma cruz vermelha e a mensagem “Deus tenha piedade de nós” afixada na porta.
Em alguns casos, barreiras ou cordões sanitários foram construídos em torno das comunidades infectadas. Mas às vezes as medidas faziam mais mal do que bem. De acordo com o historiador do Iluminismo Jean-Pierre Papon, em 1629 os habitantes da cidade provençal de Digne foram impedidos de sair, de enterrar seus mortos e de construir cabanes [edifícios] onde poderiam, de outra forma, se isolar da doença.

Estado e autoridade moral
A experiência e as medidas regulatórias nem sempre foram eficazes.
A Grande Praga que atingiu a cidade de Marselha, no sul da França, entre 1720 e 1722, matou cerca de 100 mil pessoas. Após a chegada do Grand Saint-Antoine, um navio mercante que voltava do Levante, “cuidados e remédios adequados” para evitar as consequências fatais dessa doença foram adiados e ignorados. A infecção se espalhou para todas as partes da cidade.
A praga começou a se espalhar por lá em questão de semanas. Um médico corrupto, falsos atestados de saúde, pressões políticas e econômicas para descarregar as mercadorias do navio e funcionários corruptos que investigavam a propagação inicial da doença contribuíram para um desastre que dificilmente poderia ser contido no sul da França.
Os hospitais estavam saturados, incapazes de “receber a grande quantidade de doentes que chegavam a eles em multidões”. Exercendo a “dupla diligência”, as autoridades construíram novos hospitais nos becos, “montaram grandes tendas” nos arredores da cidade, enchendo-as com “o maior número possível de camas de palha”.
Receoso de que a doença atingisse sua costa, o governo inglês rapidamente atualizou suas medidas de proteção. A Lei de Quarentena de 1721 ameaçou a violência, a prisão ou a morte de qualquer pessoa que tentasse escapar do confinamento forçado ou daqueles que se recusassem a obedecer às novas restrições.
Alguns consideraram essas medidas desnecessárias. “A infecção pode ter matado seus milhares”, escreveu um autor anônimo, “mas calar a boca matou seus dez mil”.
Edmund Gibson, o bispo de Londres e um apologista do governo, discordou. “Onde a doença está enorme”, escreveu ele, “o remédio também deve ser”. Para ele, dessa forma, não havia sentido em se ocupar “de direitos e liberdades, e da facilidade e conveniência da humanidade, quando havia uma praga pairando sobre nossas cabeças”.
O distanciamento social foi uma método inevitável — um mal necessário. Mas, como as experiências medievais e modernas da praga nos lembram, não é uma medida permanente.

14.273 – América Invadida Pelo Coronavírus


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Até terça 14 de abril de 2020, mais de 25.000 mortes causadas pela Covid-19 desde o final de fevereiro, quando foi anunciada a primeira vítima da doença no país. Com pouco mais de 8 milhões de habitantes, a cidade de Nova York sozinha contabilizou um total de 10.000 mortos após ter alterado nesta terça a sua forma de contagem.
A Secretaria de Saúde municipal inclui agora em suas estatísticas de mortes pela Covid-19 os casos suspeitos, mas que não testaram positivo. O objetivo desse método é compensar a escassez de testes de identificação para o novo coronavírus (SARS-CoV-2).
Antes da mudança nas estatísticas, segundo o jornal The New York Times, pelo menos 7.690 pessoas morreram pela Covid-19 na cidade de Nova York. Mesmo sem a revisão da Secretaria de Saúde novaiorquina, os Estados Unidos contam com pelo menos 25.191 mortes — mais do que qualquer outro país.
De fato, essa região é a mais atingida pelo surto de coronavírus no país. O estado de Nova York responde por 33% dos 597.000 casos da Covid-19 reportados nos Estados Unidos.
O presidente americano, Donald Trump, anunciou também nesta terça-feira a suspensão do financiamento americano à Organização Mundial da Saúde (OMS), que em 2019 alcançou 60 milhões dólares. Trump ameaçava cortar o aporte de recursos à OMS desde 7 de abril pelo menos por cosiderar que a organização havia “severamente mal gerenciando” a pandemia. Para ele, a OMS havia “acobertado” o surto de coronavírus entre o final de 2019 e o início deste ano, quando os primeiros casos de Covid-19 foram reportados na China. Não fosse por isso, a pandemia “poderia ter sido contida”, disse Trump.
Tendo investido 57,8 milhões de dólares na OMS no ano passado, os Estados Unidos são o principal contribuidor da organização internacional, em um universo de quase 200 países.

14.266 – Remédio pra Vermes Liquida Coronavírus em 48 hs


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Pesquisa na Austrália mostrou eficácia de medicamento contra coronavírus in vitro
Próximas fases do estudo vão definir se a droga pode funcionar em humanos
Uma única dose eliminou todo o código genético do vírus em 48 horas
Estudo deve ser visto com cautela e se soma a outros que mostraram eficácia em testes
Um remédio contra parasitas, usado normalmente no combate a piolhos, mostrou eficácia em testes feitos in vitro contra o coronavírus. O estudo foi feito por pesquisadores australianos da Universidade Monash e do laboratório de infecções virais do Hospital Real de Melbourne, sendo publicado no periódico Antiviral Research.
Na pesquisa, os cientistas usaram o remédio ivermectina, já utilizado no mercado e aprovado para tratamentos médicos, para inibir o coronavírus em cultura de células. O resultado do teste inicial foi efetivo: injetado duas horas após a infecção da célula, a droga com uma única dose erradicou em 48 horas todo o material genético do vírus – em 24 horas, a redução da infecção já era de 93%.
Apesar de animador, os próprios pesquisadores realçam que os testes são iniciais e que as próximas etapas do estudo determinarão se, de fato, o remédio pode ser efetivo ou não. A intenção é evitar usos desnecessários por pessoas pelo mundo com a possibilidade de intoxicação e morte, como já ocorreu com a cloroquina. “A ivermectina é muito usada e considerada uma droga segura. Mas agora precisamos entender se a dosagem que seria usada em humanos é efetiva e este é o próximo passo”, afirmou em comunicado Kylie Wagstaff, chefe da pesquisa e membro do Instituto de Biomedicina de Monash. A estratégia dos cientistas na pesquisa é semelhante à de outros pelo mundo: o reposicionamento de de fármacos. A intenção é abreviar o tempo para que um remédio contra o coronavírus fique disponível. No Brasil, cientistas usam a mesma tática e já selecionaram cinco compostos promissores que estão passando por testes in vitro.
A droga entra no rol de mais uma que se mostrou promissora contra o coronavírus em testes in vitro. Anteriormente, a cloroquina, remdesivir, lopinavir, emitine e outras também já se mostraram eficazes na replicação do coronavírus in vitro – ou seja, com células infectadas em laboratório. A OMS (Organização Mundial de Saúde) tem organizado testes clínicos com cinco compostos, em parcerias com instituições de todo o mundo, para ver se há eficácia de algum remédio em humanos de fato contra o coronavírus.
No estudo sobre a ivermectina, pesquisadores apontam que ela já se mostrou eficaz in vitro contra outros vírus como o HIV, dengue e influenza. No estudo envolvendo o coronavírus, os pesquisadores relembram que a droga deu resultados mistos após testes clínicos na Tailândia envolvendo a dengue.
Os pesquisadores ainda sugerem que a eficácia pode ser definida pelo regime de doses do medicamento, que pode ser alvo do estudo futuro para verificar a real eficácia em humanos contra o coronavírus. Eles avaliam que o remédio pode ser usado em infecções iniciais – o teste feito ocorreu com doses aplicadas após duas horas de infecção em células.

14.256 – Ma, temática da Pandemia de COVID-19


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Vivemos hoje, em 2020, uma pandemia: O coronavírus (SARS-CoV-2), causador da doença chamada COVID-19, que foi descoberto em 31/12/2019. Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa. O coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O contágio, que se iniciou na China, gerou uma pandemia, ou seja, o evento que é caracterizado por uma enfermidade epidêmica que é amplamente disseminada na população mundial.
A matemática pode nos ajudar a interpretar os futuros cenários de contágio e o crescimento da população infectada usando como base para este estudo as funções exponenciais. Funções exponenciais são ferramentas muito importantes devido ao número imenso de aplicações que ela nos proporciona. Alguns estudos que fazem uso desse tipo de funções são aqueles envolvendo cálculos financeiros, datação por carbono-14 de minerais e artefatos arqueológicos, crescimento de bactérias e populacional, entre outras diversas aplicações. Vamos apresentar algumas definições sobre esse tipo de função:
Seja uma função f:R→R e uma constante real α. Essa função é chamada de exponencial se, a lei de associação pode ser escrita da forma:
f(x)=ax
x (Interações) y=f(x)
(nº de infectados)
0 1
1 5
2 25
3 125
4 625
… …
10 9.765.625
Assustador, não? Com apenas 10 interações, alcançamos a marca de quase 10 milhões de infectados.
Neste caso, com apenas 14 interações, chegaríamos a marca de mais de 6 bilhões de infectados.
Felizmente, no mundo real, em situações pandêmicas possuem diversos fatores que podem conter a evolução do contágio. A quarentena é um desses meios de contenção que evitam que pessoas contaminem ou sejam contaminadas, o uso de máscaras, álcool, desinfetantes e entre outros produtos auxiliam na não proliferação de um vírus numa população. Mas, se não houver nenhum tipo de prevenção, é possível que um cenário como estes apresentados aconteça, mesmo que em pontos isolados como pequenas cidades ou bairros.

14.249 – Nova York pode ser o novo epicentro do coronavírus


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Com a cidade possuindo 35 mil infectados até o momento, a agência de saúde alerta para a possibilidade de um aumento significativo no número de casos.
No entanto, antes da divulgação do relatório consolidado, representantes da agência conversaram com alguns jornalistas na Suíça e revelaram que o mundo deve registrar um “aumento significativo” em comparação ao que foi contabilizado até o momento.
Até a noite de ontem, segunda-feira (23), a OMS reconheceu 334 mil casos, além de registrar 14,5 mil mortes em diversas partes do mundo. Com os EUA, mais especificamente Nova York, sendo o local com o maior registro de casos confirmados.
Com isso, a OMS acredita que os norte-americanos podem enfrentar o ápice da doença em breve. Eles ainda alertam para a possibilidade do país se tornar o novo epicentro da pandemia. “Estamos vendo uma progressão muito rápida do número de casos nos EUA”, alertou Margaret Harris, porta-voz da OMS.
Ainda segundo Harris, cerca de 85% dos novos casos registrados vem da Europa e dos EUA – com os norte-americanos sendo detentores de 40% desse total. Até o momento, 35 mil pessoas foram contaminadas pelo novo coronavírus nos Estados Unidos.
A OMS se preocupa principalmente com Nova York, apontada como principal local de transmissão dentro do país. A taxa de infecção na cidade é cinco vezes maior do que a média de todo os EUA. Esse rápido crescimento foi atribuído principalmente à demora para aplicação de medidas emergenciais e de isolamento social.
Margaret ainda alerta que os números podem ser ainda maiores do que os conhecidos. Isso porque, recentemente, a OMS destacou que os números divulgados até este momento– de infectados e de mortes – são reflexos da transmissão ocorrida há cinco ou seis dias. Por esse motivo, um aumento significativo nas confirmações pode acontecer a qualquer momento.

14.247 – Como a história ensina a lidar com pandemias


gripe espanhola
Qualquer semelhança, não é mera coincidência

Não confunda, você está no ☻Mega Arquivo

Gripe Espanhola matou milhões com transmissão acelerada.
O componente de História nas escolas, além de outros benefícios, tem como objetivo ensinar erros cometidos no passado para que a sociedade saiba como evitar que se repitam. Olhando para as grandes pandemias que já assolaram o mundo, uma que se assemelha bastante à atual crise do novo coronavírus (Covid-19) é a Gripe Espanhola. “Com os primeiros casos aparecendo no primeiro semestre de 1918, a Gripe Espanhola surgiu quando o mundo experimentava a Grande Guerra”, relembra o coordenador da assessoria de História, Filosofia e Sociologia do Sistema Positivo de Ensino, Norton Frehse Nicolazzi Junior. “Ela acabou sendo chamada de espanhola, cogita-se, pelo fato de a Espanha ser um país neutro na Guerra. Nenhum país naquele momento ia se responsabilizar por disseminar aquele vírus de mortandade tão grande”, explica.
Como o Brasil também participou da guerra, o professor lembra que os primeiros brasileiros infectados foram membros de uma frota contaminada na costa do mediterrâneo. Mas a chegada do vírus se deu em meados de setembro de 1918, com a vinda, ao Rio de Janeiro, de um navio britânico com aproximadamente 200 tripulantes doentes e outros infectados aparentemente saudáveis. A partir desse momento, esses marinheiros se misturaram com a população e acabaram transmitindo o vírus, causando um contágio em progressão geométrica”, descreve Nicolazzi. A situação ficou tão precária no país que o presidente da República no momento, Rodrigues Alves, morreu em 1919, em decorrência da pandemia.
As medidas de fechamento de fronteira e isolamento são lições aprendidas com a Gripe Espanhola e, anteriormente, com a Peste Bubônica. “Esse isolamento se mostra necessário se pensarmos na analogia histórica. No caso da Gripe Espanhola, a fronteira aberta permitiu que o vírus chegasse e rapidamente se espalhasse por diversas capitais brasileiras”, relata o coordenador do grupo de ensino paranaense. “No espaço de um mês, em capitais mais afastadas do litoral, tínhamos cerca de 20 óbitos por dia. Se houvesse um fechamento de fronteiras e isolamento, esse número certamente seria menor”. Nicolazzi afirma ainda que não existem condições de comparar a atual epidemia com as anteriores, mas essa expansão, da maneira como ela ocorre, é fruto do próprio processo de progresso técnico, de progresso econômico e da ideia de uma globalização. “As pessoas em trânsito favoreceram a disseminação da Peste no final do período medieval e a disseminação da Gripe Espanhola no início do século 20, com navios circulando o mundo inteiro em função da guerra. Isso tudo favoreceu muito a propagação das doenças, assim como hoje o vírus facilmente acessa o mundo todo”, detalha.
Quanto à desinformação notada nos dias atuais, o professor conta que, antigamente, era muito pior. “As principais potências envolvidas na guerra esconderam os casos de Gripe Espanhola para não transmitirem fraqueza durante o confronto. As pessoas achavam que não seriam contaminadas até o momento em que elas começam a ver os seus próximos adoecerem e morrerem em questões de poucos dias”, recorda. Para ele, a não aceitação da gravidade do problema no primeiro momento faz parte da própria dinâmica das pessoas de tentarem de alguma forma se protegerem.

14.246 – Supercomputador da IBM identifica substâncias para conter coronavírus


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33 quadrilhões de cálculos por segundo

O supercomputador Summit, da IBM, identificou 77 substâncias químicas que podem ser usadas para conter o avanço do contágio do novo coronavírus no mundo. Os pesquisadores do Laboratório Nacional Oak Ridge National publicaram os resultados no periódico científico ChemRxiv.
Um supercomputador pode fazer operações que um computador comum simplesmente não consegue. O Summit foi o primeiro do mundo a atingir velocidade de exaop, ou seja, um quintilhão de operações por segundo. Em uma análise genômica, ele já atingiu velocidade de 1,88 exaop.
Com isso, a máquina pode realizar uma série de cálculos para identificar potenciais tratamentos para frear o avanço da Covid-19. Mas, em média, ele realiza 200 quadrilhões de cálculos por segundo, o que é 1 milhão de vezes mais do que um notebook comum.
Após analisar mais de 8 mil substâncias, o supercomputador encontrou algumas que conseguem se ligar ao pico de material genético que o vírus libera no organismo, desse modo, contendo o contágio.
Com a identificação de substâncias, o Summit deixa a ciência global mais perto da criação de uma vacina contra o novo coronavírus.
Os pesquisadors agora irão executar simulações novamente com um modelo do vírus mais preciso para confirmar a eficácia dos resultados encontrados neste primeiro estudo.
“Os resultados que obtivemos não significam que encontramos uma cura ou um tratamento para novo coronavírus”, afirma Jeremy Smith, diretor de Universidade do Tennessee e do Centro de Biofísica Molecular do Laboratório Nacional de Oak Ridge.
A proposta das operações realizadas no Summit é fornecer um norte para as pesquisas científicas que podem levar à criação de tratamentos, vacina ou mesmo cura para o novo coronavírus.

14.245 – O que é a hidroxicloroquina?


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Hidroxicloroquina, cloroquina e remdesivir. Esses são os medicamentos que, segundo estudos científicos, podem ser eficazes no combate ao novo coronavírus.
A hidroxicloroquina, também conhecida pelo nome comercial Reuquinol, é a mais promissora. O remédio é usado para o tratamento da malária desde os anos 1930, mas também já foi usado para combater doenças como artrite reumatoide e lúpus.
O remédio chegou a ser substituído por outros recentemente porque o protozoário parasita plasmodium falciparum, causador da malária, tornou-se resistente à sua ação. A hidroxicloroquina podia ser usada para prevenir ou combater a malária.
O medicamento já se mostrara anteriormente eficaz contra a Sars, uma doença respiratória aguda que surgiu na China em 2002 e pertence ao grupo coronavírus, assim como o vírus causador da atual pandemia de Covid-19.
Em um estudo publicado por cientistas chineses em 18 de março na revista científica Nature, as drogas hidroxicloroquina e remdesivir se mostraram capazes de inibir a infecção do SARS-CoV-2 (nome do novo coronavírus) em simulação in vitro.
Outro estudo feito na França, realizado pelo Instituto Mediterrâneo de Infecção de Marselha, publicado no periódico científico International Journal of Antimicrobial Agents, mostra que a hidroxicloroquina teve desempenho positivo. Em alguns casos, foi usado também um antibiótico chamado azitromicina, que combate infecções pulmonares causadas por bactérias.
Gregory Rigano, orientador de pesquisa na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e coautor de um estudo sobre o uso de hidroxicloroquina em humanos para combater o coronavírus. Em um experimento feito com dois grupos, um que recebeu o medicamento e outro que não o recebeu, o resultado da droga no combate ao novo coronavírus foi eficaz. O antibiótico azitromicina foi usado em conjunto com a cloroquina, como no estudo feito na França.
O estudo ainda está para ser publicado, mas Rigano já concedeu uma entrevista a uma rádio americana falando sobre o tema. “Esse será o estudo mais importante a ser lançado sobre o tema. Ponto”, disse Rigano. O bilionário Elon Musk também publicou uma mensagem no seu perfil no Twitter nesta semana afirmando que a droga poderia ser eficaz contra o novo coronavírus. A FDA realiza testes com a cloroquina para combater a Covid-19.
Apesar de promissora, a droga ainda precisa de mais testes clínicos antes de ser distribuída amplamente para a população de forma segura. Por isso, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, pediu que a Federal Drug Administration, análoga à Anvisa brasileira, seja ágil com o processo de testes e aprovação do medicamento.
Outro medicamento que tem se mostrado promissor contra o novo coronavírus é o remdesivir. Porém, por ser um medicamento experimental, não se espera que ele esteja amplamente disponível para o tratamento de um grande número de pessoas tão cedo quanto a hidroxicloroquina. A farmacêutica americana Gilead detém a patente do remdesivir.
Os medicamentos anti-virais lopinavir e favipiravir chegaram a ser considerados como drogas em potencial para tratar a Covid-19, mas um estudo divulgado na noite de ontem mostrou que elas são ineficazes. Com isso, os esforços dos cientistas de todo o mundo agora se voltam à hidroxicloroquina.

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14.244 – Número de mortos por coronavírus na Itália supera o da China


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A Itália se tornou o país do mundo a registrar o maior número de mortes pelo novo coronavírus. Segundo o jornal italiano Corriere della Sera, citando fontes oficiais do governo italiano, o país agora acumula 3.405 mortes, superando a China, que registra 3.130 fatalidades e é o país no qual a doença surgiu no final do ano passado.
Nesta semana, a Itália é o país, ainda, a registrar o maior número de mortos em apenas um dia, 475, desde o início da epidemia. O número de hoje mostra uma leve desaceleração nas fatalidades. No entanto, o total de casos confirmados saltou de 35.713 para 41.035.
A Itália continua o segundo país do mundo mais afetado pela covid-19. Com a atualização do governo italiano, agora contabiliza 41.035 casos confirmados e é seguido por Irã, com 18.407, e Espanha, com 17.395. O total global de pessoas afetadas pelo novo coronavírus é de 229.390.
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Itália registra 793 mortes por coronavírus em um único dia
O país tem agora mais de 4,8 mil mortos.
O governo italiano pede para o mundo não desviar o olho da Itália. O caos nos hospitais ensina que é hora de ficar em casa.
Os primeiros dois casos no país aconteceram no penúltimo dia de janeiro. Uma semana depois houve mais um caso confirmado. Na quinzena seguinte, outro. No dia seguinte, já eram 11 confirmados; depois, 132. E o contágio vem crescendo exponencialmente.
As cidades de Bergamo, Brescia e Cremona, no norte do país, são o foco da doença. Profissionais da saúde de Bergamo acusaram a prefeitura de demorar duas semanas para atender o pedido deles de quarentena. Em outras regiões italianas, o isolamento da população conseguiu segurar o contágio.
E justo o norte da Itália foi o porto seguro para quase quatro mil pessoas. O desembarque do cruzeiro que partiu de Buenos Aires seria em Marselha, mas a França só permitiu que franceses pisassem em terra firme. O passageiro brasileiro não sabe quando volta para casa.

“Estamos todos a salvo dentro do navio, graças a Deus. Todos os passageiros e tripulantes, não há nenhum caso, não temos infecção, nada. Pedimos auxílio e atenção do governo e órgãos competentes para que possam nos tirar em segurança do navio”
A União Europeia concordou em estabelecer uma cláusula para pandemias, que derruba os limites de gastos públicos pelo menos até a crise se acalmar. Essa medida permite que os governos liberem empréstimos baratos para empresas se financiarem.

Na Espanha — o segundo país europeu mais atingido pela pandemia —, profissionais da saúde e militares correm para transformar um centro de conferências em Madri um hospital gigante. Médicos e enfermeiros da capital e de outras cidades alertam para a falta de equipamentos e material de proteção para as equipes. Em 24 horas, o número de casos deu um salto para quase 25 mil. As mortes passam de 1,3 mil.
O Reino Unido cogita comprar ações de companhias aéreas britânicas, segundo o jornal Financial Times. A preocupação também é em manter o abastecimento da população.
Um dos cientistas da equipe do governo tem vergonha do comportamento nos mercados. Ele pediu para população cuidar dos trabalhadores da saúde, uma referência ao desabafo de uma enfermeira exausta.
Ela tinha dobrado o turno e na volta para casa não encontrou o que precisava. Prateleiras vazias…
Mas os funcionários dos hospitais não estão esquecidos. O estádio de Wembley se iluminou para homenagear quem está na linha de frente contra o novo coronavírus. É para essas pessoas que lutam dia e noite que a torre Eiffel mandou neste sábado a sua luz.
Na noite deste sábado, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, determinou que todas as empresas do país devem fechar as portas até o dia 3 de abril — com exceção das consideradas essenciais.

14.243 – Fake News – Notícias Falsas se Propagam bem mais rápido que o vírus


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Os casos do novo coronavírus têm causado apreensão mundial. Após mortes em vários países, mensagens sobre a Covid-19 têm sido disseminadas na web.
Circulam pelas redes sociais mensagens que afirmam que tomar um banho bem quente (ou bem frio) pode prevenir o contágio ou mesmo combater o coronavírus. É #FAKE.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que tomar um banho quente não impede ninguém de pegar a Covid-19.
“A temperatura corporal normal permanece em torno de 36,5ºC a 37ºC, independentemente da temperatura do banho/chuveiro. Na verdade, tomar um banho com água extremamente quente pode ser prejudicial, pois pode provocar queimaduras”, diz a entidade.
“A melhor maneira de se proteger contra a Covid-19 é limpar frequentemente as mãos. Ao fazer isso, você elimina vírus que podem estar em suas mãos e evita infecções que podem ocorrer ao tocar seus olhos, boca e nariz”
ma das mensagens diz que, além do banho quente, uma chuveirada gelada logo em seguida é ainda melhor. “Confira super dicas de como você pode fortalecer sua imunidade da Covid-19. Ah! Antes que eu me esqueça acrescente BANHO GELADO por 1 minuto após banho quente para turbinar sua imunidade 👍.”
Um youtuber também afirma que, “além de vitamina C, você pode tomar banho quente e frio”. “Aumenta muito a imunidade. Você mesmo mata vírus. Mata bactérias quando você começar a esquentar o seu próprio corpo.”
Não é verdade.
O Ministério da Saúde diz que “não há evidências científicas que mostrem que vitamina C, vitamina D, inhame, própolis, banhos “quente/frio” e chá de erva doce sejam prevenções eficazes contra o novo coronavírus”.
O ministério reforça às pessoas que, antes de compartilharem mensagens sobre saúde, confirmem se elas são verdadeiras.
O virologista Rômulo Neris, formado pela UFRJ e pesquisador visitante da Universidade da Califórnia, em Davis, afirma que não existe nenhuma evidência científica de que banho quente ou frio diminua a carga viral de uma infecção. “Essa fake news mistura o tratamento de um sintoma com o tratamento da infecção. Banhos quentes podem ajudar a aliviar sintomas como nariz escorrendo ou entupido, dor de garganta e tensão muscular por dor. Isso, inclusive, é uma recomendação do CDC para resfriados comuns. O banho frio, por outro lado, pode ajudar a diminuir a percepção da febre no indivíduo. Apesar disso, ambos não têm nenhum efeito descrito contra o Sars-CoV-2.”
“O banho só é importante em um aspecto: se bem tomado, com água corrente e sabão, limpa nossa pele de potenciais exposições ao vírus no ambiente. Mas, novamente, não faz nada contra uma infecção já em curso.”

Sauna e calor
Também é possível encontrar na web quem diga que o vírus não sobrevive no calor e a 30 minutos de sauna.
Uma checagem feita pela equipe do Fato ou Fake também mostra que é falsa a afirmação de que o novo coronavírus não resiste ao calor.
Circula pelas redes sociais uma imagem que imita o padrão das feitas pelo governo federal com uma mensagem que afirma que, de acordo com a medida provisória 922, o cidadão com mais de 60 anos que estiver na rua terá sua aposentadoria suspensa por tempo indeterminado. O texto diz ainda que filhos e netos do infrator que tenham mais de 18 anos serão responsabilizados com multa de R$ 1.045. As medidas, segundo a mensagem, são para assegurar a saúde da população em meio à pandemia do novo coronavírus. É #FAKE.
Primeiro, a medida provisória 922 não é de 18 de março de 2020, como diz a mensagem falsa, mas de 28 de fevereiro. No texto da proposta, não há nenhuma menção ao trânsito de idosos e à penalidade por descumprimento do isolamento.
A MP, na verdade, permite que órgãos da administração federal realizem a contratação temporária de servidores civis federais aposentados. Como tem força de lei, a MP já está em vigor, mas o texto ainda precisa ser analisado por uma comissão parlamentar mista e votado nos plenários do Senado e da Câmara em até 120 dias.
Circula pelas redes sociais uma mensagem com o título “Ambev – retire seu álcool gel” que orienta as pessoas a clicar em um link, colocar o CEP e pesquisar qual o ponto de distribuição mais próximo de seu endereço. É #FAKE.
A Ambev diz que a mensagem é totalmente falsa. “Algumas mensagens estão circulando pelas redes sociais levando ao cadastro para retirada de álcool em gel em postos de recolhimento. Gostaríamos de alertar que nosso álcool em gel produzido será destinado para uso em hospitais públicos. Não clique em links suspeitos.”
Circula nas redes sociais um vídeo em que um homem apresenta uma caderneta de vacinação de seu cachorro com um adesivo da vacina “Vanguard HTLP 5/ CV-L”, destinada à prevenção do coronavírus canino. No vídeo, o homem diz: “Esse vírus não é novo, gente. Até meus cães estão imunes a esse vírus. Meu cachorro está mais imunizado do que eu? Eles vêm falar agora que estão fabricando essa vacina? Me poupe. Esse vírus é antigo”. A mensagem é #FAKE.
O gerente técnico e de pesquisa aplicada para animais de companhia da Zoetis, fabricante da vacina mencionada no vídeo, explica que o produto não se destina a humanos nem tem a ver com o novo coronavírus.
“O coronavírus da vacina é um coronavírus que é conhecido há bastante tempo. Ele é conhecido há décadas e provoca nos cães um quadro gastrointestinal, principalmente diarreia; às vezes, vômito. Então esse coronavírus que já é conhecido do cão há bastante tempo, embora pertença à mesma família de coronavírus, não tem relação com esse coronavírus novo, que é o Sars coronavírus 2, que acomete humanos. Essa vacina serve só para prevenir a coronavirose canina. Essa vacina não serve para tratar pessoas que têm infecção pelo coronavírus”
“Não existe nenhum relato ou proposição de que o novo coronavírus que está causando tudo que vemos hoje seja relacionado com cães e gatos. O coronavírus que ataca cães e gatos é da mesma família que está atacando a população mundial, porém ele corresponde a um outro gênero, que é o gênero alphacoronavírus. O que ataca humanos é o gênero betacoronavírus. Só aí eles já diferem bastante um do outro. Depois do gênero, ele ainda se diferencia em espécies. Há o coronavírus canino e o coronavírus felino. Para humanos, ele vai se dividir no que se apregoa chamar de Sars COV, Mers-Cov e o Sars COV 2, causador da pandemia de Covid 19.”

Quanto a temperatura ambiente
Uma revisão de 22 estudos sobre vários tipos de coronavírus publicada no Journal of Hospital Infection indica que, quanto maior a temperatura, menor o tempo de permanência do vírus em algumas superfícies. Ainda assim, os dados mostram que mesmo em temperaturas elevadas como 30ºC ou 40ºC os vírus resistem, às vezes por dias.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), faz o alerta de que o vírus pode, sim, ser transmitido em áreas mais quentes. “Segundo as evidências obtidas até agora, o vírus responsável pela Covid-19 pode ser transmitido em todas as áreas, incluindo áreas com clima quente e úmido”.
“Vírus não respeita temperatura. O H1N1 atingiu os Estados Unidos em pleno verão. A Influenza é um vírus de inverno e tem todo ano no Caribe [região tropical]. No ano passado, teve surto de H1N1 no Amazonas”
A mensagem circula com algumas variações no texto. Numa delas, há a informação de que, após ficar 3 ou 4 dias restrito à garganta e mais 5 ou 6 dias nos pulmões, o vírus se torna letal. Weissmann diz que o coronavírus pode, de fato, causar tosse seca, coriza e pneumonia, mas que está mais que comprovado que essa letalidade alardeada não se sustenta.
O Ministério da Saúde reforça que isso não faz qualquer sentido.

14.242 -Farmacologia – hidroxicloroquina e cloroquina na lista de remédios controlados


cloroquina
A procura por hidroxicloroquina aumentou depois que algumas pesquisas indicaram que o produto pode ser utilizado no tratamento do Sars-Cov-2. Mas não há nenhuma comprovação sobre o benefício da substância no tratamento do novo vírus.
As substâncias estão presentes em medicamentos contra a malária, reumatismo, inflamação nas articulações, lúpus, entre outros.
A medida é para evitar que pessoas que não precisam do medicamento provoquem o desabastecimento do mercado. A Anvisa informou que os medicamentos que possuem a substância não são recomendados no tratamento da Covid-19.
Com a nova determinação da Anvisa, os pacientes que já fazem uso de medicamentos com as substâncias poderão continuar utilizando a receita simples para a compra do produto durante o prazo de 30 dias.
Na nova categoria, o medicamento só poderá ser entregue mediante receita branca especial em duas vias. Médicos que fazem a prescrição de hidroxicloroquina ou cloroquina já devem começar a utilizar este formato. A venda irregular em farmácias é considerada infração grave.

14.241 -Saúde – Celebridades com Corona Vírus


celebs com corona

 

Tom Hanks e a esposa, Rita Wilson

O casal foi o primeiro do mundo das celebridades a divulgar o diagnóstico nas redes. Eles estão na Austrália, onde o ator filmava com o diretor Baz Luhrmann. Ambos já saíram do hospital e estão se recuperando em casa. Segundo o último post engraçadinho de Hanks, os dois passam bem e já realizam atividades cotidianas, como lavar louça e roupas. Ele publicou uma imagem de sua máquina de escrever favorita: que se chama, olha só, Corona.

Gabriela Pugliesi
A influenciadora fitness foi uma das 14 pessoas que contraíram o vírus durante o casamento de sua irmã, num resort de luxo em Itacaré, na Bahia. Agora, pouco mais de uma semana depois, ela afirmou nas redes sociais que continua com tosse, mas já se sente bem melhor. Durante a quarentena, continuou publicando vídeos com exercícios leves, como alongamentos, e posts patrocinados.

Preta Gil
A cantora foi outra que contraiu a doença no casamento da irmã de Pugliesi, em Itacaré. Ela está em quarentena desde então em um hotel em São Paulo, juntamente com o marido. Ativa nas redes sociais, Preta disse essa semana que tem se sentido melhor, mas continua em observação.
Fernanda Paes Leme
A atriz afirmou ter sofrido com os sintomas da doença, mas que sente uma melhora diária. Nas redes sociais, ela compartilhou que sua vizinha lhe entregou uma melancia, sabendo que ela estava doente e não poderia sair.

Kristofer Hivju
O ator norueguês conhecido pelo personagem Tormund, de Game of Thrones, afirmou que teve um resultado positivo para o coronavírus, mas que tem sentido poucos sintomas. Ele fez um apelo para que as pessoas fiquem em casa.

14.240 – Vacina do coronavírus será testada direto em humanos – sem passar por animais


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O primeiro caso confirmado do novo coronavírus foi detectado na China em 7 de janeiro. Pouco tempo depois do anúncio, a empresa de biotecnologia Moderna Therapeutics já estava trabalhando no desenvolvimento de uma vacina para o vírus. Agora, eles afirmaram que vão iniciar os testes diretamente em humanos, sem passar pelo protocolo padrão de testar em animais.
Os ensaios clínicos (com humanos) e pré-clínicos (com animais) que garantem a segurança de uma vacina levam meses ou anos em uma situação ideal. Porém, diante de uma pandemia global, as farmacêuticas estão interessadas em encontrar a uma forma de barrá-la o mais rápido possível – o que abre uma brecha para pular etapas e começar logo de cara as aplicações em voluntários Homo sapiens.
A Moderna começou a procurar voluntários saudáveis no início de março. A ideia é testar 45 pessoas entre 18 e 55 anos, que vão tomar duas doses da vacina com intervalo de um mês. Cada cobaia receberá US$ 100 por visita feita ao laboratório ao longo do estudo, e serão aproximadamente 11 visitas (com a cotação a R$ 5,00, muito brasileiro ficaria ouriçado para participar – e embolsar R$ 5,5 mil). Os experimentos estão rolando no Instituto de Pesquisa em Saúde de Seattle (EUA).
A atitude de pular os ensaios pré-clínicos evidentemente põe em risco a saúde dos voluntários e está gerando objeções éticas da comunidade científica. Muitos pesquisadores se manifestaram contrários à decisão. Para piorar, a Moderna desenvolveu um mecanismo de imunização inédito – não há nenhuma outra vacina no mercado que utilize a mesma técnica, o que torna a experiência ainda mais arriscada.
Explicando: atualmente, há dois tipos diferentes de vacina. Algumas utilizam o próprio micróbio, morto ou quimicamente atenuado, para que ele não seja capaz de causar infecção. Outras utilizam apenas um pedacinho do micróbio – no caso dos vírus, geralmente uma proteína – que sirva de gabarito para o sistema imunológico a criar anticorpos. Nos dois casos, a ideia é treinar o corpo para a chegada da ameaça real.
A vacina da Moderna, por outro lado, usa uma molécula chamada RNA mensageiro (RNAm). No nosso organismo, o RNAm transmite informações contidas em nosso DNA para os ribossomos e possibilita a produção de proteínas. A nova vacina nada mais é do que um monte de RNAm sintético – que instrui o corpo a produzir proteínas iguais às do coronavírus. A ideia é que nosso corpo, ao se ver inundado por essas proteínas alienígenas, aprenda a reconhecê-las para depois identificar e derrotar o corona de verdade.
Se vai funcionar é outra história. A Moderna tentou testar o truque em ratos de laboratório, mas os animais não se mostraram ideais para tal experimento, pois suas células não são atacadas pelo vírus da mesma maneira que as nossas (cada mamífero tem seus próprios parasitas, e eles raramente são intercambiáveis).
Alguns camundongos foram geneticamente modificados no ano 2000, durante o surto da SARS – que também foi causada por um coronavírus –, de maneira a torná-los mais suscetíveis a vírus humanos. Isso permitia utilizá-los como cobaias eficazes em ensaios pré-clínicos. Infelizmente, essa linhagem não sobreviveu aos últimos vinte anos – era muito caro mantê-la. O jeito é começar do zero: a Mersana já está trabalhando em ratinhos com especificações parecidas, que deverão ficar prontos em algumas semanas
Uma vacina que utiliza a técnica de RNAm foi desenvolvida contra o coronavírus causador da MERS, outra epidemia que encheu os jornais nas últimas décadas. Ela foi testada nos ratos mencionados anteriormente. A resposta imune foi suficiente para protegê-los, o que é um dado otimista. Obviamente, porém, não se pode afirmar nada sobre sua aplicabilidade à Covid-19.
Estima-se a vacina estará disponível para uso humano em cerca de um ano – o que obviamente não é rápido o suficiente para barrar a pandemia. Sem contar que, se algo der errado – e isso acontece com frequência em ensaios clínicos –, os testes recomeçam do zero, o que atrasa ainda mais a solução. Os fabricantes de vacinas acreditam que o caso do Covid-19 é um teste importante para demonstrar como lidaremos, no futuro, com surtos de outras infecções desconhecidas.

14.239 – Medicina – 4 vacinas que estão sendo testadas contra o coronavírus


vacina
Com a Covid-19 ultrapassando a marca de 100 mil casos confirmados no mundo, cientistas e empresas farmacêuticas estão correndo contra o tempo para desenvolver uma vacina capaz de conter o espalhamento da epidemia.
Há pelo menos oito iniciativas de desenvolvimento de vacinas contra o SARS-cov-2 em andamento. Mas o desafio é grande – qualquer vacina precisa passar muitos testes pré-clinicos e clínicos (isto é, com humanos) antes de ser fornecida à população. Para o setor privado, isso é sinônimo de um investimento alto em um produto que talvez não dê certo.
Uma vacina como a da gripe já é conhecida há anos: basta adaptá-la à versão do vírus que está pegando naquele inverno. Por isso, o processo é incomparavelmente mais rápido, e pode rolar anualmente. Por outro lado, nunca houve uma vacina contra os coronavírus. O trabalho está começando basicamente do zero.
Toda vacina se baseia no mesmo princípio: treinar o sistema imunológico para lutar contra os patógenos que se aventuram para dentro do seu corpo. Isso já acontece naturalmente – ninguém pega catapora duas vezes porque, depois da primeira infecção, seu corpo já aprendeu a lutar contra o vírus até então desconhecido e tem um exército de anticorpos prontos para eliminá-lo novamente, caso apareça. A vacina nada mais é do que um meio de ensinar seu corpo a se proteger sem precisar passar pelo perrengue da infecção.
Para isso, há dois tipos diferentes de vacina. Algumas utilizam o próprio patógeno, morto ou quimicamente atenuado – para que ele não seja capaz de causar infecção, mas seja o suficiente para fazer seus glóbulos brancos armazenarem a “impressão digital” da ameaça. Outras utilizam apenas um pedacinho do micróbio – no caso dos vírus, geralmente uma proteína – que sirva de gabarito para o corpo criar anticorpos.
A maioria das vacinas está sendo desenvolvida por empresas privadas ou em parceria com elas. Nenhum dos concorrentes quer divulgar detalhes de sua receita. Afinal, quem encontrar a bala de prata contra o coronavírus terá em mãos algo mais valioso que a receita do molho do Big Mac – e, no estágio atual, ainda é impossível saber qual é a solução mais promissora. O mais seguro é esconder o próprio baralho – e blefar.
Sabe-se que a Johnson & Johnson está estudando uma vacina baseada no vírus desativado, e a Clover Biopharmaceuticals, em parceria com a Universidade de Queensland, na Austrália, está pesquisando versões da vacina que usam uma proteína do vírus para gerar resposta imune. Perceba que essas são as duas estratégias clássicas, já mencionadas acima.
Há uma terceira forma de se fazer vacinas, mais moderna e talvez mais eficaz no caso do novo coronavírus. São as chamadas vacinas de mRNA. O RNA mensageiro, no interior de uma célula humana, é o responsável por carregar a receita para fabricar uma proteína do DNA, onde ela fica armazenada, para o ribossomo, a linha de produção onde ela será montada. Os coronavírus, porém, não têm DNA: armazenam seu código genético em RNA, mesmo.

Ao invés de injetar o patógeno inteiro ou uma proteína dele em você, essas vacinas injetam um trecho do código genético do vírus, que contém as instruções para fabricar alguma proteína reconhecível pelo nosso sistema imunológico. Repetindo: em vez de injetar a proteína pronta, essa vacina injeta a receita para fabricá-la.

Nossas células comuns não são muito boas em reconhecer que o material genético que vem na vacina é estrangeiro – então elas vão simplesmente ler aquela receita e produzir a proteína codificada nos ribossomos. Ou seja, a vacina transforma suas células em verdadeiras fábricas de proteínas virais. Nosso sistema imunológico, porém, é mais esperto na hora de reconhecer o que vem de fora, e vai ler as proteínas como corpos estranhos. Assim, começará a produção de anticorpos contra eles.
Essa é técnica pela qual optou a empresa de biotecnologia Moderna Therapeutics. As autoridades sanitárias dos EUA anunciaram recentemente que começaram a testá-la em humanos. Outra empresa, a alemã CureVac, também está desenvolvendo uma vacina de mRNA, mas ela ainda está em estágio pré-clínico (ou seja: não está sendo testada em humanos ainda)
Existe ainda um outro método parecido, que utiliza o mesmo mecanismo, mas com moléculas de DNA em vez de RNA. A ideia é soltar um pedacinho de DNA com a receita para uma proteína do vírus no interior das nossas células, e torcer para o maquinário de fabricação de proteínas detectar o dito cujo e começar a usá-lo inocentemente. Esse DNA não vem do vírus, naturalmente (afinal, o corona só tem RNA). Ele precisa ser “cultivado” com auxílio de estruturas bacterianas chamadas plasmídeos, que não vem ao caso explicar aqui.
É esse método que a Inovio Pharmaceuticals vem explorando em seus estudos. O único problema é o risco desse pedacinho de DNA se incorporar definitivamente ao nosso material genético nativo. O que não é legal por motivos óbvios – ninguém quer virar um transgênico de vírus (ainda que ao longo de nossa evolução muitos genes fornecidos por vírus tenham acabado nos beneficiando).
Enquanto nenhuma vacina fica pronta, diversas equipes pelo mundo também vem tentando desenvolver tratamentos para os infectados. Uma técnica é testar diversos medicamentos que já existem no mercado para outras doenças em pacientes com Covid-19. A lógica é mais ou menos assim: talvez esses medicamentos consigam afetar algum mecanismo de ação do novo coronavírus – qual, não sabemos. É um tiro no escuro.

Mas não custa tentar. Na lista dos candidatos, há drogas que são usadas no tratamento de HIV, ebola e malária, por exemplo. O mais avançado e promissor de todos é o remdesivir, desenvolvido pela Gilead Sciences inicialmente para tratar ebola, mas que se mostrou mais eficiente em vírus respiratórios. Mas, mesmo assim, estimativas iniciais dizem que as chances da substância de fato funcionar para a Covid-19 é só de 50%.

14.238 – Já era um Pandemônio agora é uma Pandemia


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A Organização Mundial da Saúde declarou estado de pandemia do novo coronavírus. Segundo o órgão, o número de casos, mortes e países afetados só deve aumentar. Mais de 100 países já são afetados pelo vírus – incluindo o Brasil, com mais de 200 casos confirmados até o fechamento desse artigo.
O nome “pandemia” assusta, mas não muda nada na realidade da proliferação do vírus. Ela é usada quando uma doença não se restringe apenas a uma região específica, mas sim por todo o globo. Inicialmente, o vírus estava apenas na China, mas se espalhou rápido assim que saiu da região. Metade dos países infectados pelo coronavírus apresentou seu primeiro caso nos últimos 10 dias.
Assim que surgiu, o coronavírus era classificado como um surto. Ele acontece quando há o aumento brusco de casos de uma doença em determinada região. Foi o que aconteceu na província de Hubei em janeiro deste ano. Um vírus misterioso apareceu na população em Wuhan, a maior cidade da província, e começou a se espalhar rapidamente. Em uma semana, os cientistas chineses já haviam sequenciado o genoma do coronavírus e compartilhado as informações com pesquisadores de todo o mundo por meio de um banco de dados.
Depois, o Covid-19 começou a se espalhar para outras regiões – primeiro a China, a Ásia, e depois chegou em países de todos os continentes. Alguns territórios classificaram a doença como uma epidemia, que é quando há um número de casos acima do esperado pelas autoridades em várias localidades. É comum, por exemplo, cidades ou estados brasileiros declararem epidemia de dengue, fazendo com que as ações de combate ao mosquito se intensifiquem.
Agora, o vírus não infecta apenas quem viajou para a China, mas também é transmitido entre outros países. O primeiro caso brasileiro, por exemplo, foi de um homem que pegou o vírus na Itália. Com a disseminação do coronavírus em escala global, a classificação evoluiu para pandemia. Na escala de disseminação de doenças, a pandemia é a mais abrangente. A gripe suína, causada pelo vírus H1N1, se encaixou nessa categoria em 2009, chegando a atingir 120 territórios do mundo em oito semanas.
Há ainda uma outra classificação, na qual o coronavírus não se encontra: a endemia. Ela não está relacionada ao número de casos, e sim à presença e sazonalidade da doença em determinada região. Acontece quando ela está permanentemente no local ano após ano. A febre amarela, por exemplo, é uma doença endêmica no Norte do Brasil.
“A declaração de uma pandemia não é como a de uma emergência internacional – é uma caracterização ou descrição de uma situação, não é uma mudança nela, disse o diretor-executivo de emergências da OMS, Michael Ryan. Segundo a OMS, o novo estado não muda a posição da organização frente ao vírus. As recomendações para o combate ao vírus continuam as mesmas. Tanto a OMS quanto os países afetados devem manter e ampliar as ações que já vêm sendo feitas.

14.237 – Corona Vírus – A Historia (Histeria) se repete


carona virus
Diante do coronavírus, é aconselhável evitar a psicose, mas também sua banalização: na maioria dos casos, o COVID-19 é uma doença benigna, mas também tira vidas entre os mais frágeis e pode acabar saturando hospitais, com consequências dramáticas.

Quem está mais exposto?
A mortalidade claramente aumenta com a idade: isso é o que demonstra uma ampla análise publicada em 24 de fevereiro por pesquisadores chineses na revista médica americana “Jama”.
Dos quase 45.000 casos confirmados, a taxa média de mortalidade foi de 2,3%, sem mortes entre crianças menores de 10 anos. Até 39 anos, a taxa é muito baixa, 0,2%. Aumenta para 0,4% entre os quadragenários, 1,3% entre 50-59 anos, 3,6% entre 60-69 anos e 8% entre 70-79 anos.
Pessoas com mais de 80 anos são as mais expostas, com uma taxa de mortalidade de 14,8%.
Outro fator de risco é o fato de sofrer uma doença crônica, como insuficiência respiratória, doença cardíaca, câncer, histórico de AVC…
Um estudo chinês publicado pela revista “The Lancet”, envolvendo 191 pacientes, estudou fatores associados ao risco de mortalidade.
“Uma idade avançada, o fato de apresentar sinais de sepse (ou septicemia, infecção generalizada) ao chegar no hospital e doenças subjacentes como hipertensão e diabetes foram fatores importantes associados à morte dos pacientes”, afirmou um dos autores, o doutor Zhïbo Liu.
Mas as pessoas mais expostas ao novo coronavírus não devem entrar em pânico.
“Quando uma pessoa infectada morre aos 85 anos, o coronavírus não é o que a mata”, mas muitas vezes “as complicações sofridas por seus órgãos que não estavam mais funcionando adequadamente”, afirma Michel Cymes, médico e figura televisiva na França.

O mesmo vale para pacientes com doenças crônicas.
Para o professor francês Jean-Christophe Lucet, o risco diz respeito principalmente a pacientes que sofrem de formas severas dessas doenças. “Devemos ser extremamente claros” sobre este ponto, enfatiza à AFP.

Quantas pessoas podem morrer?
Segundo o estudo de 24 de fevereiro, a doença é benigna em 80,9% dos casos, grave em 13,8% e crítica em 4,7%.
Do número total de casos confirmados no mundo, o COVID-19 matou cerca de 3,5% dos pacientes, com disparidades entre os países. O último número oficial de mortos é superior a 5.000.
Mas essa taxa não é confiável, já que se ignora o número de pessoas realmente infectadas. Como muitos pacientes quase não apresentam sintomas ou são assintomáticos, o número de infectados é provavelmente muito maior do que o detectado e, portanto, a taxa é certamente mais baixa.
Se considerarmos uma estimativa que inclui casos não detectados, “a taxa de mortalidade é de cerca de 1%”, afirmou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas dos EUA.
No entanto, o perigo de uma doença depende não apenas de sua letalidade, mas também de sua capacidade de expansão.
Mesmo com uma taxa de mortalidade de 1%, “esse número pode ser consistente se 30 ou 60% da população estiver infectada”, diz Simon Cauchemez, do Instituto Pasteur de Paris.
Por outro lado, entre os 130.000 casos registrados desde o início da pandemia no mundo, mais da metade já foi curada, segundo a Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Quais as diferenças com a gripe?
Apesar de compartilhar sintomas como febre e tosse, o coronavírus não é como uma “simples” gripe.
Em primeiro lugar, parece mais letal, já que a gripe tem “uma mortalidade de 0,1% e esta doença é 10 vezes mais mortal”, segundo Fauci. A OMS estima que a gripe deixa a cada ano entre 290.000 e 650.000 mortes em todo o mundo.
Além disso, os especialistas temem que formas graves do COVID-19 possam afetar uma parte maior da população do que a gripe.
O COVID-19 “não é uma simples gripe, pode se manifestar seriamente em pessoas não tão velhas”, enfatiza o número dois do ministério da Saúde da França, Jérôme Salomon.
De acordo com um estudo chinês – em um pequeno número de pacientes, de 1.099 – 41% dos casos graves tinham entre 15 e 49 anos e 31% entre 50 e 64 anos (em comparação com 0,6% para menores de 14 anos e 27% para os maiores de 65 anos).
Além disso, diferentemente da gripe, “não estamos protegidos” contra o COVID-19, Salomon lembra: “Não há vacinas, não há tratamento” e o ser humano não é naturalmente imunizado contra esse novo vírus.
Os vírus da gripe e do COVID-19 têm em comum que sua propagação é combatida da mesma maneira em nível individual.
Essas são as medidas de precaução: evitar apertar as mãos, beijar, lavar as mãos com frequência, tossir e espirrar na cavidade do cotovelo ou em um lenço descartável, usar máscara quando estiver doente…

Os hospitais ficarão saturados?
É o principal perigo da pandemia: um aumento brusco dos casos, o que levaria a um fluxo maciço de pacientes nos hospitais, causando a superlotação.
Isso não apenas complicaria a hospitalização de pacientes críticos com COVID-19, mas também de todos os outros. A situação pioraria se a equipe médica começasse a ser infectada, deixando de cuidar dos pacientes.

“Devido a esse duplo fator – uma sobrecarga de trabalho com menos funcionários -, os pacientes com patologias urgentes não poderiam ser tratados a tempo e correriam o risco de morrer”, explica à AFP o médico belga Philippe Devos, especialista em reanimação.
Nas redes sociais, muitos médicos alertam para o risco de saturação dos hospitais.
Esses especialistas lembram aos usuários da internet a importância de cada um aplicar as medidas para combater o coronavírus, com alertas no Twitter.
A comunidade médica procura, dessa forma, chamar a atenção para a responsabilidade de cada um, a fim de frear a epidemia prolongando-a ao longo do tempo. Desse modo, o “boom” será menos abrupto e o volume de pacientes simultâneos não sobrecarregará o sistema hospitalar.

– E os animais de estimação?
O caso de um cão diagnosticado “um pouco positivo” em Hong Kong com um dono infectado levantou a questão de possíveis contágios entre o ser humano e os animais.
Mas os cientistas insistem no fato de que este é um caso isolado e que não serve para tirar conclusões.
“À luz do conhecimento científico disponível, não há evidências de que animais de estimação ou de gado tenham um papel importante na disseminação do vírus SARS-CoV-2”, estimou a agência francesa de segurança sanitária ANSES na quarta-feira.
Segundo seus especialistas, a detecção do vírus nas cavidades nasais e orais do cachorro de Hong Kong não é prova de infecção do animal. Em vez disso, estão considerando a possibilidade de um “contágio passivo” (sobrevivência do vírus sobre uma mucosa sem que se reproduza), apesar de exigir estudos complementares.

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14.234 – Atenção Desempregados – Laboratório dá mais de 20 mil reais a quem topar ser infectado com coronavírus


Você estaria disposto a ser infectado com o coronavírus e ser pago por isso em prol de um bem maior? O Queen Mary BioEnterprises Innovation Centre, um laboratório de Londres, está a procura de 24 voluntários para injetar o coronavírus. O objetivo é testar a eficácia de uma vacina em desenvolvimento.
Os participantes que aceitarem o desafio serão recompensados com 4 mil euros, cerca de R$ 21.405. Antes de serem selecionados, os candidatos vão passar por uma bateria de exames.
Os selecionados vão receber duas doses mais fracas do vírus, que devem causar alguns sintomas respiratórios leves, e depois receberão vacinas tanto novas, como já existentes. Depois disso, ficarão em quarentena de 14 dias antes de testados novamente para verificar a eficácia do tratamento. Os resultados vão ajudar os pesquisadores a se concentrarem nos tratamentos mais eficazes para acelerar a cura da Covid-19.
O laboratório é apenas um dos 20 que estão na corrida global para encontrar uma vacina o mais rápido possível. “As empresas de medicamentos podem ter uma ideia muito boa dentro de alguns meses após o início de um estudo de vacina, trabalhando ou não, usando uma amostra tão pequena de pessoas”, afirmou Andrew Catchpole, principal cientista da pesquisa.
Antes de sair injetando as cobaias, o teste espera aprovação da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido. Por mais rápido que se iniciem os testes, os especialistas concordam que é impossível que a vacina fique pronta a tempo para combater a atual epidemia.