13.699 – Neurologia – Dormir pouco faz o cérebro destruir seus próprios neurônios


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Dormir traz diversos benefícios para os seres vivos – principalmente para nosso cérebro. Além de repor as energias que gastamos durante o dia, o sono também “limpa” os restos da atividade neural que são deixados para trás durante o dia a dia e podem ser prejudiciais. Mas agora, em uma nova pesquisa, pesquisadores descobriram algo curioso: este mesmo mecanismo de limpeza acontece também em cérebros que estão sendo privados do sono ou que têm dormido pouco. Mas com um porém: ao invés de limpar os restos das sinapses, estes cérebros começam a limpar as próprias sinapses e neurônios, em um processo que beira o canibalismo.
A equipe, liderada pela neurocientista Michele Bellesi, da Universidade Politécnica de Marche, na Itália, examinou a resposta do cérebro de mamíferos aos maus hábitos de sono e descobriu essa semelhança bizarra entre os ratos descansados ​​e sem sono. E o pior: a recuperação do sono pode não ser capaz de reverter os danos nos cérebros que passam a se alimentar de si mesmos.
Como as células em outras partes do corpo, os neurônios do cérebro estão sendo constantemente atualizados por dois tipos diferentes de células gliais, que funcionam como uma espécie de cola do sistema nervoso.
Umas delas, as células da microglia, são responsáveis ​​por limpar as células velhas e desgastadas através de um processo chamado fagocitose. Já os astrócitos removem as sinapses desnecessárias no cérebro para refrescar e remodelar sua fiação.
Sabemos que esse processo ocorre quando dormimos para limpar o desgaste neurológico do dia, mas agora parece que a mesma coisa acontece quando começamos a perder o sono. Mas ao invés de ser uma coisa boa, o cérebro começa a devorar partes saudáveis de si mesmo e se machucar.
Para descobrir isso, os pesquisadores imaginaram os cérebros de quatro grupos de ratos: um grupo foi deixado para dormir por 6 a 8 horas (bem descansado); outro foi periodicamente acordado do sono (espontaneamente acordado); um terceiro grupo foi mantido acordado por mais 8 horas (privação de sono); e um grupo final foi mantido acordado por cinco dias seguidos (cronicamente privados de sono).Quando os pesquisadores compararam a atividade dos astrócitos entre os quatro grupos, identificaram-na em 5,7% das sinapses dos cérebros de camundongos bem descansados ​​e em 7,3% dos cérebros de camundongos espontaneamente acordados.

Nos camundongos privados de sono e cronicamente privados de sono, eles notaram algo diferente: os astrócitos aumentaram sua atividade para realmente comer partes das sinapses, como as células microgliais comem resíduos – um processo conhecido como fagocitose astrocítica.
Nos cérebros de camundongos privados de sono, descobriu-se que os astrócitos estavam ativos em 8,4% das sinapses e, nos camundongos cronicamente privados de sono, 13,5% das sinapses apresentavam atividade astrocitária.

Qual o rempo ideal por faixa etária?
Você já deve ter notado que um recém-nascido dorme praticamente o dia todo, enquanto uma pessoa idosa dorme poucas horas durante a noite. Em cada fase da vida há diferentes necessidades de descanso. Qual é a sua?
Recém-nascidos (0 a 3 meses): 14 a 17 horas por dia;
Bebês (4 a 11 meses): 12 a 15 horas por dia;
Crianças pequenas (1 a 2 anos): 11 a 14 horas por dia;
Crianças em idade pré-escolar (3 a 5 anos): 10 a 13 horas por dia;
Crianças em idade escolar (6 a 13 anos): 9 a 11 horas por dia;
Adolescentes (14 a 17 anos): 8 a 10 horas por dia;
Jovens (18 a 25 anos): 7 a 9 horas por dia;
Adultos (26 a 64 anos): 7 a 9 horas por dia;
Idosos (mais de 65 anos): 7 a 8 horas por dia.
Ao ler a lista, você deve estar se perguntando o que motivou os pesquisadores a dividirem a faixa etária de 18 a 64 anos em “jovens” e “adultos”, já que as horas de sono indicadas são as mesmas. Isso foi feito porque os especialistas também avaliaram que alguns indivíduos nessas idades podem ter necessidades de sono um pouco abaixo ou acima da recomendação, mas que isso não chega a ser um problema. Para os jovens, pode ser apropriado dormir entre 6 a 11 horas, enquanto para os adultos esse tempo cai levemente para 6 a 10 horas. Aí está a diferença entre as duas fases.
Os especialistas apontam que qualquer necessidade de sono muito acima ou muito abaixo da recomendada pode ser um sintoma importante de um problema de saúde sério que precisa ser investigado. Eles também alertam que pessoas que escolhem dormir muito menos do que o recomendado para o seu grupo etário podem estar comprometendo seu bem-estar.

12.204 – Memória – Deu Branco


Estresse? Não só. A avalanche de informações, uma das características mais marcantes do mundo contemporâneo, aqui ou em qualquer outro país, atinge em cheio a nossa habilidade de recordar. As folhas de fax, os programas de televisão, as notícias do jornal e até as matérias das revistas (opa!) representam uma quantidade de dados que parece ser maior do que aquilo que podemos guardar. Os psicólogos até já inventaram um nome para isso: síndrome da fadiga da informação. “Quando estamos abarrotados de dados, fica difícil se concentrar naquilo que realmente precisamos lembrar mais tarde”, diz a psicóloga Cynthia Green, coordenadora do programa de aprimoramento da memória da Escola de Medicina de Mount Sinai, em Nova York. “É muito mais um problema de assimilação do que de esquecimento.”
A assimilação (é bom repetir a palavra, isso ajuda a lembrar) é a primeira etapa do processo de memorização. Inicialmente, as imagens, os diálogos, movimentos, cheiros etc. são captados pelos sentidos. Há um rearranjo no circuito cerebral, uma alteração na taxa de disparos químicos entre os neurônios –– as células que fazem a comunicação de dados no cérebro. Essa é a memória de curto prazo, que você usa rapidamente e esquece em seguida. Exemplo disso são os números de telefone, que vão para o espaço assim que você acaba de discá-los. Para que você possa acionar um dado uma ou duas semanas depois de tê-lo captado, é preciso convertê-lo em memória de longo prazo. Esse trabalho fica a cargo do hipocampo (veja o infográfico na página XX). É ele que entra em ação quando você decide quais as frases, os rostos e os números que devem ser arquivados para uso futuro. O hipocampo envia os dados para diferentes locais do córtex cerebral. Lá ocorre uma alteração química, dessa vez mais profunda, que fortalece as conversas entre as células da massa cinzenta. Quanto mais extensa e bem enraizada for a rede de neurônios, mais fácil será o acesso ao escaninho depois. “Mas, se você lida com a informação de maneira superficial –– surfando como um possesso pela Internet, por exemplo ––, não vai conseguir reter nada”, diz a psicóloga Cândida Camargo, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Assim que as cenas, os sons, os cheiros etc. são integrados aos circuitos do cérebro, o hipocampo descansa e entra em cena o lobo frontal, estrutura responsável pelo processo de recordação. É ele que traz à tona todas as informações que foram devidamente estocadas. “O lobo frontal coordena as diversas memórias e é a parte do cérebro que o ser humano tem mais desenvolvida em relação aos animais”, diz o psicólogo Orlando Bueno, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). No lobo frontal, que é tão complexo quanto frágil, a memória de curto prazo e a de longo prazo se completam para formar aquilo que chamamos de raciocínio. Esse processo de recuperação de dados é o que falhou no cérebro do presidente Fernando Henrique Cardoso quando, há alguns dias, na inauguração de uma fábrica da General Motors elogiou, por engano, a Ford – arquiinimiga da GM.

Além do excesso de informações, a falta de memória pode ser provocada também pela depressão, pela ansiedade e pelo estresse. Uma pessoa com tendência ao baixo-astral, por exemplo, acaba se preocupando mais com o que a está aborrecendo do que com os outros aspectos da vida. Um ansioso tem muita dificuldade para se deter por muito tempo no mesmo assunto. O estresse, além de atrapalhar a concentração, pode interferir de outras maneiras. Suspeita-se que ele encolha o hipocampo e libere hormônios que danificam as moléculas transportadoras de energia, deixando o cérebro sem força suficiente para operar. Sem contar que existe um parentesco estreito entre o estresse e a síndrome da fadiga da informação. “Uma das principais causas da tensão é o excesso de conteúdo. Em qualquer função de chefia, a informação é tanta que o sujeito acaba esgotado. É quando você acorda à noite pensando em trabalho”, diz o neurologista Iván Izquierdo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e um dos cientistas brasileiros mais prestigiados fora do país.
Os brancos de memória motivaram e motivam muitas experiências. No ano passado, cientistas da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, começaram a desenvolver a mais promissora das drogas destinadas a ajudar a memória. Depois de alterar o código genético de alguns ratinhos, eles conseguiram elevar a quantidade de receptores de NMDA (um tipo de neurotransmissor, a substância responsável pela comunicação entre os neurônios). Quando esses receptores são repetidamente acionados, ocorrem reações químicas que produzem uma espécie de ponte entre os neurônios e ajudam a fixar a memória. Calcula-se que daqui a oito ou dez anos já esteja disponível no mercado uma droga inspirada nesses estudos. Ela será útil para pessoas que sofrem de doenças degenerativas do cérebro, como as diversas demências e o Alzheimer, que danificam os neurônios. Mas o mais interessante é que, segundo o neurologista Joseph Tsien, diretor da experiência, ela também será útil para pessoas saudáveis que experimentam leves esquecimentos.
Há outras novidades no horizonte. Além de estimular a comunicação entre os neurônios, os novos experimentos buscam induzir, com segurança, sua multiplicação. E isso é algo extremamente recente no mundo da ciência. Até dois anos atrás, era tido como certo que neurônios não se reproduziam. Quando um morria, não era substituído. Agora, está comprovado que a memória não é formada somente pelos neurônios que acompanham a pessoa desde o nascimento. “Mesmo na idade adulta é possível contar com uma reserva de novos neurônios”, diz o neurologista Paulo Bertolucci, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Eles surgem a partir de células primordiais (ou células-tronco), que existem em todo o sistema nervoso e podem se especializar em atuar no interior do hipocampo. O desafio do momento é conseguir aumentar a produção dessas novas células cerebrais. “Supondo que possamos determinar os genes que ordenam essa multiplicação, seria só mudar essa chave”, diz. Algo que, de acordo com Bertolucci, só vai acontecer daqui a muitos anos. De todo modo, a possibilidade de aportar novos neurônios é uma ótima notícia para cérebros cansados de guerra, que já estão na situação de esquecer mais do que lembrar.
Enquanto as pesquisas caminham, quem sofre com a perda de memória já achou alguns paliativos na farmácia. A droga mais popular é um medicamento fitoterápico de nome esquisito: o ginkgo biloba. O ginkgo é de uma família antiqüíssima de plantas, anterior até aos dinossauros. Para começar, ele deixa o sangue menos denso, fazendo-o correr mais rápido pelos vasos e levar mais energia e oxigênio para os neurônios. Além disso, o ginkgo degrada alguns inimigos do cérebro, como a enzima MAO, que atrapalha as comunicações cerebrais, e os radicais livres, que viajam pelo corpo todo depredando e envelhecendo os tecidos.
Em uma pesquisa da Unifesp feita este ano, 23 sexagenários –– todos saudáveis –– tomaram uma cápsula de ginkgo por dia durante seis meses e se submeteram a vários testes. Um deles consistia em repetir, em uma prancha com nove quadradinhos, a seqüência de posições demonstrada. Antes de usarem o remédio, conseguiam repetir em média 3,4 posições. Depois, foram capazes de acertar 5,4. “Eles demostraram uma melhora de memória, de atenção e de aprendizado”.
Há também exercícios mentais que podem estimular a memória. Um deles é acrescentar outros significados ao que você quer lembrar –– uma forma simples de fortalecer as conexões entre os neurônios. Todo bom professor de cursinho pré-vestibular sabe que isso funciona. “Não dá mais para passar conhecimento de uma maneira tradicional. A gente tem que usar piada, contar histórias, músicas e tudo o mais para que os estudantes consigam guardar o conteúdo das aulas”, diz Paulo Figueiredo, professor de Biologia do Curso Objetivo, em Lavras, Minas Gerais, que, aliás, está lançando o seu segundo CD com letras de biologia. O… humm, como é mesmo o nome dele?, ah, é mesmo, hipocampo terá seu nome mais facilmente gravado depois que você souber que ele deriva de uma palavra latina que significa cavalo-marinho. O nome é esse porque o formato do hipocampo lembra o do bicho.

12.017 – Evolução – Por que somos mais espertos que os chimpanzés?


Chimpanze
MISTÉRIOS DO CÉREBRO HUMANO

Chimpanzés vivem em sociedades complexas, usam ferramentas e têm cultura: as técnicas de sobrevivência de cada grupo são únicas e passadas de mãe para filho. Mas você nunca vai convidar um deles para uma partida de xadrez. O que, então, nos torna diferentes?
Alguém talvez tenha a resposta na ponta da língua: “nosso cérebro é maior”. Ou uma variação disso: “nosso cérebro tem mais neocórtex”, a massa cinzenta. Acontece que outros animais, como o golfinho, o elefante e o cachalote, têm cérebros e massa cinzenta muito maiores que os nossos e também não escreveram clássicos da literatura.
Um grupo de pesquisadores da Universidade George Washington buscou responder a questão da forma mais material possível: observando o formato dos cérebros. Usando ressonância magnética, escanearam os cérebros de 218 humanos e 206 chimpanzés. Nisso, mediram duas coisas: o tamanho e o formato dos sulcos – isto é, as “dobras” – cerebrais. E compararam os resultados entre cérebros que eles sabiam ser aparentados – de irmãos, alguns deles gêmeos idênticos – ou não relacionados. Isso foi para avaliar a influência dos genes nos resultados, já que irmãos têm genes parecidos – ou iguais, no caso dos gêmeos.
Em chimpanzés e humanos, tanto o tamanho do cérebro quanto seu formato, o desenho de seus sulcos, variam. Em ambos, o tamanho é bem parecido entre irmãos, o que quer dizer que a genética está determinando isso. O formato, porém, conta outra história. Em chimpanzés, os cérebros de dois irmãos têm sulcos muito mais parecidos que em irmãos humanos.
A conclusão é que a configuração final de nosso cérebro é bem menos determinada pela genética que a dos chimpanzés. Nosso cérebro, assim, se desenvolve na infância respondendo às pressões do ambiente. Em outras palavras, é mais flexível – ou plástico, no termo técnico.
“Com a genética assumindo um papel secundário em humanos, nossos cérebros são mais suscetíveis à influências externas”, afirma a neurocientista Aida Gómez-Robles, condutora do estudo. “Isso permite ao ambiente, experiência e interações sociais com outros indivíduos assumir um papel mais dramático em organizar o córtex cerebral. E esse incremento em plasticidade pode muito bem ser uma das características definidoras no que fez nossos ancestrais hominídeos ultrapassarem outros primatas em termos de inteligência.”
Como diria Buda, flexibilidade é fundamental. Um cérebro que pode se transformar é capaz de aprender qualquer coisa. Os bichos perdem para nós por serem, literalmente, cabeça-dura.

10.180 – Neurociência – Pesquisadores usam corrente elétrica para provocar sonhos lúcidos


É possível induzir sonhos lúcidos com a ajuda de correntes elétricas. Nesse tipo de sonho, a pessoa está dormindo, mas consciente de que não vivencia uma experiência real. Ela pode, inclusive, manipular os acontecimentos e suas reações dentro do sonho. O estudo foi publicado no periódico Nature Neuroscience.
Uma pesquisa anterior, feita pelos mesmos estudiosos do novo trabalho, da Universidade de Frankfurt, na Alemanha, sugeriu que o sonho lúcido mistura aspectos do sono REM — o estágio no qual a maior parte dos sonhos acontece — e o estado desperto. Por meio de eletroencefalogramas, os cientistas observaram que esses sonhos costumam ser acompanhados pela presença de um tipo de onda cerebral denominada gama, com cerca de 40 hertz de frequência.
Cientes de que a onda gama ocorre naturalmente durante os sonhos lúcidos, os pesquisadores se perguntaram o que aconteceria se uma corrente de mesma frequência fosse inserida no cérebro durante o sono.
Eles recrutaram 27 pessoas que nunca tinham vivenciado sonhos lúcidos. Em laboratório, esperaram que os voluntários estivessem em sono REM e aplicaram a corrente elétrica nas regiões correspondentes às áreas frontal e temporal do cérebro, por meio de eletrodos conectados ao couro cabeludo. Ao fim do experimento, todos os participantes relataram sonhos lúcidos.
A técnica poderia ser aperfeiçoada para o tratamento de pacientes que sofrem com transtorno de stress pós-traumático, no qual costumam reviver nos sonhos a experiência ruim da vida real. Com os sonhos lúcidos, essas pessoas poderiam dar um novo desfecho à sua história.

9892 – Farmacologia – O Ácido Gama-aminobutírico


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Também conhecido pela sigla inglesa GABA (Gamma-AminoButyric Acid), é um ácido aminobutírico em que o grupo amina está na extremidade da cadeia carbônica. É o principal neurotransmissor inibidor no sistema nervoso central dos mamíferos. Ele desempenha um papel importante na regulação da excitabilidade neuronal ao longo de todo o sistema nervoso. Nos seres humanos, o GABA também é diretamente responsável pela regulação do tônus muscular. Em espécies de insetos o GABA atua apenas em receptores excitatórios nos nervos.
Na diplegia espástica em seres humanos, a absorção de GABA por parte de alguns nervos fica danificada, o que leva a hipertonia dos músculos sinalizado por esses nervos.
Nos vertebrados, o GABA atua em sinapses inibitórias no cérebro através da ligação aos receptores específicos transmembranares na membrana plasmática de ambos os neurônios, pré e pós-sináptico, em processos neuronais. Essa ligação provoca a abertura de canais iônicos para permitir o influxo de íons de carga negativa como o íons cloreto na célula ou íons potássio carregados positivamente para fora da célula. Esta ação resulta numa mudança negativa no potencial transmembrana, normalmente causando hiperpolarização. Atualmente são conhecidas três classes de receptores GABA: GABAA e GABAC, que são receptores ionotrópicos, e GABAB, receptor metabotrópico, um receptor ligado a um proteína G, que abrem canais iônicos através de intermediários.

É um neurotransmissor importante, atuando como inibidor neurossináptico, por ligar-se a receptores específicos. Como neurotransmissor peculiar, o ácido gama aminobutírico induz a inibição do sistema nervoso central (SNC), causando a sedação. Isso porque as células neuronais possuem receptores específicos para o GABA. Quando este se liga aos receptores, abre-se um canal por onde entra íon cloreto na célula neuronal, fazendo com que a célula fique hiperpolarizada, dificultando a despolarização e, como consequência, dá-se a diminuição da condução neuronal, provocando a inibição do SNC.

Os neurônios que secretam GABA são chamados de GABAérgicos e têm ação inibitória principalmente em receptores no nos vertebrados adultos. Em contrapartida,o GABA exibe ações excitatórias em insetos, mediando ativação muscular em sinapses entre os nervos e células musculares, e também o estímulo de certas glândulas.
A atividade do GABA vai ser excitatória ou inibitória dependendo da direção (para dentro ou para fora da célula) e magnitude das correntes iônicas controlado pelo receptor GABAA. Quando o fluxo de íons positivos estiver direcionado para dentro das células a ação é excitatória, do contrário, o fluxo for para fora da célula, a ação é inibitória. A troca da maquinaria molecular que controlam a polaridade deste curso, durante o desenvolvimento, é responsável pelas alterações no papel funcional do GABA entre os estágios neonatal e adulto. Ou seja, o papel do GABA muda de excitatória para inibitória a partir do desenvolvimento do cérebro na idade adulta.
No hipocampo e no neocórtex dos cérebros dos mamíferos, o GABA tem inicialmente efeitos excitatórios no início do desenvolvimento, e é de fato o maior neurotransmissor excitatório em muitas regiões do cérebro antes da maturação das sinapses com glutamato.
Nas fases anteriores de desenvolvimento da formação de contatos sinápticos, o GABA é sintetizado por neurônios e atua tanto como um mediador de sinalização autócrina (agindo sobre a mesma célula) ou parácrina (agem em células vizinhas).
O GABA também regula o crescimento das células estaminais embrionárias e neurais. O GABA pode influenciar o desenvolvimento do cérebro através da expressão de células progenitoras neurais derivadas de fatores neurotróficos (BDNF).
O ácido gama-aminobutírico foi primeiramente sintetizado em 1883, e foi inicialmente conhecido apenas como um produto metabólico de plantas e micróbios. Em 1950, porém, o GABA foi descoberto como uma parte integrante do sistema nervoso central dos mamíferos.
Drogas que atuam como agonistas dos receptores GABA (conhecido como drogas gabaérgica ou análogos do GABA) ou aumentar o montante disponível do GABA normalmente têm efeitos relaxante, antiansiedade e anticonvulsivos. Muitas das substâncias abaixo são conhecidos por causar amnésia anterógrada e amnésia retrógrada.

Tem sido sugerido que administração oral de GABA aumenta a quantidade de secreção do hormônio do crescimento humano, mas isso é questionável, uma vez que se desconhece se o GABA pode ultrapassar a barreira hematoencefálica. No entanto, quando administrado por via oral, o GABA tem efeitos fora do do sistema nervoso central (por exemplo, diminuição do tônus muscular).
Por outro lado, uma nova pesquisa publicada no Journal of Alternative and Complementary Medicine mostra que uma hora de yoga eleva os níveis de GABA no cérebro, o que supostamente ajuda a combater a ansiedade e outros transtornos neuropsiquiátricos.
A pesquisa foi realizada na Boston University School of Medicine (BUSM) e no Hospital McLean e comprovou-se com imagens de ressonância magnética espectroscópica ao examinar dois grupos de pessoas antes e depois de uma prática de Yoga. O outro grupo leu um livro, como controle.
Os participantes do grupo de Yoga obtiveram um aumento de 27% nos níveis de GABA, enquanto que no grupo de leitura, permaneceram inalteradas. Os co-autores Chris Streeter da BUSM e Domenic Ciraulo salientaram que esta pesquisa mostra um método de tratamento de estados de baixa GABA e demonstra clara e inquestionavelmente um método não-farmacológico para o aumento dos níveis de GABA, que as pessoas podem utilizar agora, sem esperar que drogas sintéticas sejam criadas e ainda precisam passar por orgãos governamentais reguladores como o FDA.
Esta pesquisa ainda mostrou que, como os níveis de GABA caem na doença de Alzheimer, pode-se aplicar a lógica que o Yoga pode ser benéfico para aqueles que sofrem da doença de Alzheimer.

9702 – Neurociência – As Fibras Nervosas


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As fibras nervosas, ou neurofibras, são prolongamentos citoplasmáticos finos que compõem a estrutura dos neurônios. No sistema nervoso, essas fibras exercem a função de conduzir impulsos nervosos e ocorrem em dois tipos: dendritos e axônios.
Os dendritos são prolongamentos finos, curtos e ramificados (do grego dendron, árvore), cuja função é receber os estímulos do ambiente, de outros neurônios ou de células sensoriais e conduzi-los ao corpo celular (região mais volumosa do neurônio). A maior parte dos impulsos nervosos que alcançam o neurônio são captados pelos dendritos, mais especificamente, pelas suas projeções: as gêmulas (ou espinhas).
Os axônios são prolongamentos finos, em geral, mais longos do que os dendritos. São responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos provenientes dos dendritos e do corpo celular para as demais células, especialmente neurônios e células do tecido muscular. Cada neurônio possui apenas um axônio.
De acordo com a sua função, as fibras nervosas podem ser revestidas por um invólucro lipoproteico denominado bainha de mielina, sendo que aquelas que apresentam essa estrutura são as neurofibras mielinizadas, enquanto aquelas que não a possuem são chamadas de neurofibras não mielinizadas. No sistema nervoso central, a bainha de mielinia provém dos oligodendrócitos; já no sistema nervoso periférico, são originárias das células de Schwann. De modo geral, os dendritos não são mielinizados.
A bainha de mielina funciona como um isolante elétrico (devido à sua composição lipídica) e acelera a propagação dos impulsos nervosos pelo neurônio, além de impedir que tais impulsos sejam dispersos entre neurofibras vizinhas. Essa rapidez da condução dos impulsos nervosos se deve, principalmente, à presença dos nódulos de Ranvier, que são pontos de separação da bainha de mielina. Os espaços sem mielina provocam movimentos em saltos, o que estimula a transmissão dos impulsos nervosos.
As fibras nervosas são estruturas importantes na formação dos nervos, órgãos responsáveis pela transmissão do impulso nervoso. Cada neurofibra, seja ela mielinizada ou não, é revestida por uma camada de tecido conjuntivo, denominado endoneuro. Esse feixe de neurofibras, por sua vez, é envolto por outra camada de tecido conjuntivo: o perineuro. Por fim, esses conjuntos de feixes se organizam para formar os nervos, sendo revestidos por uma terceira camada de tecido conjuntivo, chamada epineuro. O endoneuro, o perineuro e o epineuro contêm vasos sanguíneos, que transportam oxigênio e nutrientes a todas as fibras nervosas.
Estima-se que, no corpo humano, existam aproximadamente 3 bilhões de fibras nervosas.

9634 – Consumo de álcool pode acelerar perda de memória


Os homens de meia-idade que consomem mais de duas doses de bebida alcoólica por dia podem acelerar a perda de memória em até seis anos, revela um estudo publicado no periódico Neurology.
O estudo foi feito com base em dados coletados de mais de 5.000 homens de 44 a 69 anos. Eles responderam perguntas sobre seus hábitos de consumo alcoólico em três ocasiões, durante um intervalo de dez anos. Também foram submetidos a testes cognitivos e de memória, repetidos duas vezes nos dez anos seguintes.
“Nosso estudo sugere que beber em alta quantidade está associado a uma queda mais rápida de todas as áreas da função cognitiva nos homens”, afirma Severine Sabia, pesquisadora da University College London e uma das autoras do estudo.
Não houve diferenças em perda de memória entre os homens que não bebiam e os que tomavam menos de duas doses (cerca de 20 gramas de álcool) por dia. Acima dessa quantidade, as habilidades mentais dos participantes começaram a declinar de forma mais rápida. Os homens que bebiam 36 gramas de álcool ou mais diariamente – cerca de duas latas e meia de cerveja – tiveram quedas mais acentuadas em sua memória e nas funções cerebrais, podendo chegar a um prejuízo equivalente ao envelhecimento de seis anos.

O corpo intoxicado
O consumo exagerado de gordura, sódio e álcool e a superexposição ao sol e ao cigarro, entre outros hábitos ruins da modernidade, podem comprometer o funcionamento de uma das mais nobres estruturas celulares, as mitocôndrias – pequenas usinas de energia existentes no interior das células. Quando agredidas, elas deflagram a produção excessiva de radicais livres, átomos ou moléculas altamente reativos que podem desequilibrar a bioquímica celular.
O cigarro e o açúcar agridem as células das artérias, provocando um quadro inflamatório e, consequentemente, estimulando a produção
de radicais livres. Ao entrarem em contato como colesterol circulante, eles alteram a bioquímica das moléculas de gordura, fazendo com que se depositem com mais facilidade nas paredes arteriais. Já as baixas doses de oxigênio características do ar poluído levam o órgão a aumentar as contrações musculares, desgastando-o.

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Fígado
O fígado depura cerca de 80% das impurezas circulantes no organismo. Uma das mais nocivas é o etanol. Para ser metabolizada, a substância exige grande esforço do órgão. Tal demanda aumenta a produção de radicais livres. Com isso,o fígado tem comprometida sua capacidade de processar lipídios, o que pode levar ao acúmulo exagerado de gordura (a esteatose).

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Pele
Uma das ações mais tóxicas do sol é danificar os telômeros, trechos do cromossomo que têm a função de proteger o DNA de agentes externos, assegurando que a informação genética seja perfeitamente copiada durante a divisão celular. Enfraquecidos, deixam o material genético vulnerável, estimulando o envelhecimento celular e facilitando o desenvolvimento de doenças

Cérebro
A barreira hematoencefálica filtra a maioria das substâncias químicas circulantes no sangue. Com moléculas diminutas, o álcool é um dos poucos compostos que conseguem vencer esse obstáculo. Ao atingir o tecido cerebral, a bebida estimula os neurônios a aumentar a quantidade de neurotransmissores, sobretudo o GABA, responsável por reduzir o funcionamento do sistema nervoso central. A consequência: sedação e perda de reflexos do organismo.

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Pâncreas
A alta toxicidade do álcool e do excesso de gordura agride as células do pâncreas, causando um processo inflamatório. A inflamação favorece o entupimento dos canais secundários do órgão – aqueles que transportam suco pancreático, envolvido no processo digestivo. Já o excesso de açúcar faz com que as células produtoras de insulina aumentem a fabricação do hormônio, o que pode levá-las à exaustão.

Rins
Os rins eliminam o excesso de sódio através da urina. Em excesso, a substância danifica as células renais, levando à inflamação, mecanismo que contribui para o estreitamento dos vasos.

Intestinos
Na tentativa de metabolizar grandes quantidades de gordura, álcool e açúcar, as células intestinais aumentam seu ritmo metabólico, o que incrementa a síntese de radicais livres. Uma das principais consequências desse processo é a intensificação dos movimentos peristálticos. Com isso, reduz-se a absorção de água e sal. Tem-se então um quadro de diarreia. A longo prazo, pode haver a formação de tumores.

9390 – Neurociência – Homens e mulheres têm conexões diferentes no cérebro


Todos sabem recitar a regra popular sobre a mente de homens e mulheres: enquanto o cérebro masculino é bom para ação motora e visão espacial, o feminino supera em linguagem e sociabilidade. Essa estereotipagem ainda é debatida, mas neurocientistas oferecem agora evidências físicas a favor da teoria.
Um estudo feito na Universidade da Pensilvânia indica que homens têm ênfase maior que mulheres nas conexões entre os neurônios dentro de cada hemisfério cerebral. E mulheres, por sua vez, têm em média mais conectividade entre um hemisfério e outro.
Segundo artigo dos cientistas na revista “PNAS” , essa diferença coincide com o tipo de funcionalidade cerebral associada às habilidades mais femininas e mais masculinas. O mapeamento de conectividade cerebral feito pelo grupo usou a ressonância magnética por difusão, uma técnica capaz de enxergar mechas finas de axônios, os “cabos” que conectam os núcleos dos neurônios.
Outros estudos já mostravam algumas diferenças que existem entre cérebros de homens e mulheres “mas não explicavam essa complementaridade” de habilidades, afirma o texto do artigo. O trabalho foi liderado pela neurocientista Ragini Verma e assinado por mais nove colegas.
Para chegar à conclusão, os cientistas submeteram 949 pessoas de 8 a 22 anos de idade ao mapeamento por ressonância magnética. A conclusão do estudo, apesar de fraseada de modo diferente, remete ao tipo de divisão de habilidades psicológica incorporado à cultura popular.
As diferenças mais acentuadas no novo estudo de mapeamento cerebral, porém, só foram vistas em adultos, afirmam os autores do trabalho. Meninas e meninos não exibiam, em média, a disparidade anatômica que foi vista em homens e mulheres. Isso abre espaço para que a origem das diferenças seja cultural e não de nascimento.
Outras diferenças anatômicas vistas pelo estudo de Verma já eram conhecidas. Uma delas é o fato de mulheres possuírem mais massa cinzenta (parte do cérebro que concentra núcleos de neurônios) do que homens, em relação ao tamanho de seu cérebro. Eles, por sua vez, têm mais massa branca (composta de axônios, os “cabos” que conectam neurônios).
Essa distinção, contudo, não parece ter relação com comportamento. E os estudos cognitivos nos quais Verma encaixa suas descobertas anatômicas, além disso, não parecem ser ainda consenso firme entre pesquisadores.
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8183 – Criado o Chip que Restaura a Memória


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Um grupo de neurocientistas de diversas universidades americanas estima que, em até dez anos, será possível reverter problemas de memória com o implante de um microchip no cérebro. Até agora, a estratégia já foi testada com ratos e macacos, e seus resultados levaram a revista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, a MIT Technology Review, a incluir a pesquisa entre os dez principais avanços tecnológicos de 2013.
Os autores analisaram o processo a partir do qual as memórias de longo prazo (aquelas das quais nos lembramos por dias ou anos) são criadas e armazenadas no cérebro, a fim de simulá-lo nos casos em que o cérebro sofreu algum dano. Eles têm como foco o hipocampo, região do cérebro na qual a memória de curto prazo, aquela que dura alguns segundos ou minutos, é transformada em memória de longo prazo.
Ted Berger, professor de engenharia biomédica da Universidade do Sul da Califórnia e integrante da equipe de pesquisadores, analisou como os sinais elétricos se propagam através dos neurônios dessa região e utilizou seu conhecimento na área da matemática para criar um modelo que imita essa movimentação.
De acordo com Berger, o processo não consiste em colocar as memórias de uma pessoa em seu cérebro, mas sim devolver a ele a capacidade de gerar memórias, estimulando uma área danificada a replicar a função das células sadias. Ainda não foram realizados testes com seres humanos, mas experimentos com animais mostraram que os eletrodos podem processar a informação da mesma forma que um neurônio.
Experimentos – Em testes com ratos, os pesquisadores treinaram os animais para puxar uma de duas alavancas para receber uma recompensa e gravaram as séries de pulsos elétricos no hipocampo quando faziam a escolha correta. Eles observaram como esses sinais se transformavam à medida que a lição aprendida se transformava em uma memória de longo prazo e então extraíram um código que representasse essa lembrança. Em um segundo momento, os cientistas deram aos ratos drogas que prejudicavam sua memória, fazendo com que eles esquecessem qual era a alavanca que oferecia a recompensa. Então, utilizaram o microchip para reproduzir os pulsos elétricos gravados no cérebro dos animais. Resultado: os ratos relembraram qual era a alavanca correta.
No ano passado, foram realizados experimentos similares com macacos, envolvendo o córtex pré-frontal, parte do cérebro que recupera as memórias criadas pelo hipocampo. Os pesquisadores posicionaram os eletrodos no cérebro dos animais para decodificar os sinais correspondentes à lembrança de uma imagem. Na etapa seguinte do experimento, deram cocaína aos macacos, droga que atua negativamente sobre córtex pré-frontal, comprometendo a memória dos animais. Depois, utilizando os eletrodos para enviar o código correto ao cérebro dos macacos, os pesquisadores melhoraram significativamente seu desempenho em uma tarefa de identificação das imagens.
Um dos principais objetivos no campo do estudo da memória é o tratamento do Alzheimer. Porém, diferentemente dos derrames e outras doenças cerebrais, o Alzheimer tende a afetar diversas partes do cérebro, especialmente quando já se encontra em estágio avançado. Por essa razão, os pesquisadores acreditam que essa técnica de implantes cerebrais não será uma opção viável para o tratamento da doença, pelo menos a curto prazo.