13.717 – Neurologia – Choque na Memória


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O poema de Álvaro de Campos, um dos heterônimos mais conhecidos do escritor português Fernando Pessoa (1888-1935), remete ao conceito universal de que a memória é o que nós somos. Sem que tenhamos a possibilidade de recordar, a existência se esvazia por completo. A vida se sustenta com base nas ideias do presente, nas referências do passado e na forma como processamos e armazenamos as nossas experiências. Por isso, ninguém quer perder a memória, todos querem melhorá-la. Pois um novo e ousado procedimento médico foi capaz de impulsionar o mecanismo que forma e preserva as lembranças, um feito inédito na medicina. Eletrodos implantados em uma área específica do cérebro recuperaram 15% da memória de pacientes. A taxa equivale ao que se perde em dois anos e meio com a degeneração provocada pela doença de Alzheimer. Ou ao que se esvai naturalmente em dezoito anos de vida de uma pessoa saudável. Traduzindo: quem tem 56 anos hoje pode, em tese, voltar a ter a mesma memória que tinha aos 38 anos. Youssef Ezzyat, psicólogo da Universidade da Pensilvânia, autor principal da técnica: “O método abre um caminho de possibilidades para auxiliar as pessoas com problemas de memória”. Publicado na revista Nature Communications, o trabalho tem sido considerado por especialistas do mundo todo como um dos feitos mais promissores ocorridos na neurologia nas últimas décadas, desde a disseminação dos aparelhos de ressonância magnética que revelam o cérebro em atividade.
A dinâmica do método fascina. Dezenas de eletrodos minúsculos, de 2,3 milímetros cada um, foram implantadas no córtex lateral de 25 pacientes. O córtex lateral é a região do cérebro associada ao processamento de informações. A cirurgia para a implantação dos eletrodos dura, em média, três horas. Em seguida, os participantes foram orientados a memorizar uma lista com doze palavras aleatórias, como “bala”, “doce” e “carro”. Cada vocábulo foi exibido em uma tela durante dois segundos. Pediu-se a todos os pacientes, então, que fizessem contas matemáticas simples, tarefa cujo único objetivo era distraí-los da anterior. Na sequência, tinham de dizer aos pesquisadores de quais palavras conseguiam se lembrar. Durante todo o procedimento, a atividade cerebral dos pacientes era registrada pelos eletrodos. Com isso, os cientistas conseguiram definir dois padrões de ondas cerebrais: um para os momentos em que a memória funcionava bem, e o outro para quando ia mal. A partir daí, os eletrodos foram programados para liberar pequenos choques elétricos no cérebro do paciente (que não sente nada) sempre que sua onda cerebral não funcionasse bem. Resultado: as lembranças melhoraram em 15%.
O procedimento ainda é experimental e deverá ser realizado em um número maior de pessoas para que se verifiquem sua real segurança e eficácia. É um processo que deve demorar ainda mais uma década para ser concluído. “Mas já podemos dizer que se trata de um feito inédito para os estudos de melhora da memória”, diz o neurologista Renato Anghinah, da Universidade de São Paulo. Aqui, um parêntese importante. Todos os pacientes que se submeteram ao estudo tinham epilepsia, doença que costuma provocar deficiências de memória. No entanto, os efeitos da técnica dos eletrodos, teoricamente, poderiam ser igualmente positivos também em pessoas saudáveis.
O uso de descargas elétricas para melhorar a saúde do cérebro é coisa antiga. O médico grego Claudio Galeno (129-216) encostava peixes-elétricos no crânio dos pacientes para tratar dores de cabeça crônicas. Com seu método, Galeno intuiu o que só seria confirmado no século XVIII: que o organismo pode ser estimulado por impulsos elétricos — o princípio de ação dos eletrodos. Esses dispositivos são usados desde a década de 90 para tratar doenças neurológicas, como Parkinson e epilepsia. Atualmente são estudados para o tratamento de pacientes com depressão refratária a medicações. Implantados no cérebro, ficam ligados a uma bateria externa que libera choques em áreas que variam conforme a natureza da doença. O conceito por trás da técnica é que as pequenas descargas elétricas são capazes de interromper atividades cerebrais desreguladas, permitindo, assim, a predominância de atividades cerebrais em regiões com processamento normal. Cientistas já arriscam imaginar os próximos passos. Diz o neurocirurgião Arthur Cukiert: “No futuro, poderemos avançar a ponto de conseguir os mesmos efeitos com uma tecnologia não invasiva, que aja de fora do cérebro”.
A memória é uma das funções mais complexas do cérebro. Isso porque ela está associada a dezenas de áreas do órgão, sendo o hipocampo uma das principais. Em conjunto com o córtex, ele garante que o organismo colete, conecte e crie as lembranças a partir de experiências. É, portanto, o primeiro passo para a formação da memória. Quem quer que rememore o seu primeiro beijo possivelmente se lembrará das palpitações causadas pela ansiedade, do ambiente em que se encontrava, do perfume e das características físicas do parceiro. O fato de a experiência envolver tantos sentidos ajuda a fazer com que, mesmo alguns bons anos depois, a lembrança continue ali, armazenada. Os atores essenciais nesse processo são as conexões elétricas transmitidas pelos neurônios — as chamadas sinapses, que codificam e armazenam a memória.
Mais recentemente, a medicina identificou que o mecanismo da memória é ainda mais intrincado do que se imaginava. Ele está associado também aos hábitos de vida. Hoje, sabe-se que 30% dos casos de perda de memória grave podem ser evitados com comportamentos saudáveis. Há seis meses, a Academia Americana de Neurologia passou a recomendar exercícios físicos para prevenir a perda de memória — como 150 minutos semanais de caminhada, por exemplo.
A atividade física estimula o funcionamento do hipocampo. Já a privação de sono tende a provocar lapsos de memória — uma noite maldormida é capaz de afetar temporariamente a comunicação entre os neurônios. Ainda há controvérsia entre especialistas sobre a eficácia de atividades que pregam técnicas de memorização para retardar a perda das lembranças, como o jogo de xadrez ou sistemas de aprendizagem como o Kumon. Mas um novo estudo, publicado na revista da Sociedade Americana de Geriatria, descobriu que esses hábitos podem, sim, ajudar a memória, só que em uma situação mais específica, quando ela já está afetada por um transtorno cognitivo leve — o estágio entre o envelhecimento cerebral normal e a demência. Dificilmente, no entanto, essas atividades poderiam contribuir para reverter a perda natural de lembranças. O problema está, mais uma vez, na complexidade da formação da memória. “Não há um exercício suficientemente completo para abranger todas as variações da memória. É possível melhorá-la pontualmente”, diz Paulo Bertolucci, chefe do setor de Neurologia do Comportamento da Universidade Federal de Medicina, em São Paulo.
Esquecer é algo natural. Todo aquele que tiver uma vida longa em algum momento se queixará de ter ficado com “uma palavra na ponta da língua”. A chave de casa some, a carteira não está no lugar e o nome das pessoas desaparece repentinamente. A falta de memória saudável é um sintoma secundário de outros problemas. Antes de tudo, pode ser desatenção. Se um indivíduo não se importar com o lugar onde deixou o casaco, seu cérebro também não vai se preocupar em arquivar essa informação. Os lapsos podem ter a ver ainda com ansiedade, depressão, stress e abuso de álcool. Aos 60 anos, por causa do desgaste natural dos neurônios, mais da metade dos adultos apresenta dificuldades de memória que afetam o seu dia a dia em algum grau. Mas isso não é necessariamente sinal de problemas graves, como a doença de Alzheimer.
O mecanismo das lembranças é um tema debatido desde a Antiguidade. Sócrates, conforme relata Platão em Fedro, lamentou a popularização da escrita porque, segundo ele, a substituição do conhecimento acumulado no cérebro pela palavra desenhada tornaria a mente preguiçosa e prejudicaria a memória. “Essa descoberta provocará nas almas o esquecimento de quanto se aprende, devido à falta de exercício da memória, porque, confiadas na escrita, é do exterior, por meio de sinais estranhos, e não de dentro, graças a esforços próprios, que obterão as recordações”, disse. Bem mais adiante, o escritor português José Saramago retorquiu ao filósofo grego em seu livro de crônicas A Bagagem do Viajante, publicado originalmente em 1973: “Se passo as minhas lembranças ao papel, é mais para que não se percam (em mim) minutos de ouro, horas que resplandecem como sóis no céu tumultuoso e imenso que é a memória. Coisas que são também, com o mais, a minha vida”. Sócrates se preocupava com a influência do papel sobre a memória, mas nunca imaginaria o poder dos eletrodos sobre ela. Se pudesse fazê-lo, talvez levantasse outras questões: os implantes cerebrais poderão resultar em classes diferentes de cidadãos, os de memória aprimorada e os “normais”? E se, em algum momento, eles influenciarem pensamentos e comportamentos? Por outro lado: podemos estar subjugando a importância do esquecimento?.
Na ficção, a memória tem sido instrumento de roteiros extraordinários. Um exemplo é o filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, do diretor Michel Gondry. Lançado em 2004, o longa conta a história de Clementine, a personagem vivida por Kate Winslet que se submete a um procedimento experimental para apagar da memória o ex-namorado Joel, interpretado por Jim Carrey. Desconsolado, Joel decide fazer o mesmo. Mas, quando suas lembranças começam a se esvanecer, ele percebe que ainda ama Clementine — e tenta desesperadamente inverter o processo. A vida se faz por memórias, e, sem elas, sobra o vazio. A possibilidade de estendê-las por mais tempo é a possibilidade de prolongar o bom da vida.

A dádiva do esquecimento
Na mitologia grega, Mnemosine e Letes, os rios da memória e do esquecimento, corriam pelas planícies do Hades, a terra dos mortos, e a alma que lá chegava, conforme bebesse das águas de um ou de outro, teria o conhecimento ou a completa ignorância do que vivera sobre a terra. Outras versões do mito colocam o Letes à saída do Hades, pois a alma que retornava ao plano terreno tinha de apagar lembranças de vidas anteriores. No século XIV, Dante adaptou esses mitos da Antiguidade ao pensamento cristão em sua Divina Comédia: saindo do Purgatório, as almas que se encaminhavam para o Paraíso bebiam do Letes para esquecer os pecados, e de um rio chamado Eunoé para lembrar-se do bem que haviam feito. Essas narrativas já contemplavam uma intuição fundamental sobre o funcionamento de nossa mente: esquecimento e memória são faculdades complementares. Precisamos de ambas.
A vida seria perfeitamente infernal se nossa memória fosse irretocável. Imagine lembrar-se exatamente de tudo o que foi dito pelo apresentador de um programa dominical que você viu em um dia de 1995, ou da cor das meias que você calçou naquela ocasião. Uma pessoa que lembrasse de tais insignificâncias teria dificuldade para discernir que eventos merecem ser qualificados de memoráveis. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Stanford e publicado em 2007 demonstrou que a capacidade do cérebro de suprimir memórias irrelevantes facilita lembrar o que realmente importa. Há razões evolutivas para que seja assim: na competição pela sobrevivência em um ambiente hostil, torna-se fundamental guardar informações essenciais. Importa mais lembrar que certo cachorro é bravo do que recordar seu nome ou a forma de sua tigela de ração.
A ciência ainda não desvendou os mecanismos do esquecimento, mas já sabe que esquecer é tão vital quanto lembrar. Pesquisas recentes sugerem que certas pessoas com incapacidade de esquecer eventos traumáticos têm maior risco de desenvolver depressão e transtorno de stress pós-traumático. Como apontou o filósofo e psicólogo americano William James, pioneiro em estudos sobre a memória: “Se nos lembrássemos de tudo, seríamos, na maioria das vezes, tão doentes quanto se não nos lembrássemos de nada”.
Admirador de William James, o argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) talvez tenha sido o escritor de ficção que melhor compreendeu a importância do esquecimento. O francês Marcel Proust explorou os delicados processos involuntários que despertam a memória dos tempos perdidos — mas Borges aventurou-se em terreno mais perigoso: especulou como seria uma memória absoluta, no conto Funes, o Memorioso. Espécie de versão extrema da americana Jill Price — que consegue lembrar o dia exato em que determinado episódio de programa televisivo foi ao ar nos anos 80 —, Irineo Funes não consegue se esquecer de nada. Tem facilidade para línguas, mas é incapaz de pensamento consistente. “Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No mundo abarrotado de Funes, nada havia além de detalhes, quase imediatos”, ensina Borges.
Em um conto posterior, O Aleph, Borges imagina um objeto impossível: o aleph é um ponto único do espaço — localizado em um porão de Buenos Aires — em que é possível ver a totalidade do mundo em um só relance. Depois da experiência sobrenatural de olhar para o aleph, o personagem-narrador teme nunca mais vir a ter uma surpresa na vida, pois todas as pessoas com que cruza na rua já foram vistas antes. Depois de algumas noites de insônia, porém, o esquecimento faz seu trabalho. Borges tinha uma memória literária prodigiosa, conhecendo muitos textos e poemas de cor. Mas compreendia que o esquecimento é uma dádiva.

13.561 – Neurologia – Estudo de 10 anos conclui que exercício cognitivo reduz risco de demência em 30%


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Azheimer’s & Dementia: Translational Research & Clinical Interventions afirma que pessoas que participaram de treinamento de velocidade de processamento tiveram menos chances de desenvolver demência 10 anos depois. O estudo, porém, tem alguns problemas reconhecidos pelos próprios autores, mas constrói uma base para que outros trabalhos examinem melhor a hipótese.
O estudo foi feito da seguinte forma: 2.802 adultos saudáveis com média de idade entre 74 e 84 anos foram divididos em quatro grupos. Três receberam algum tipo de treinamento cognitivo: o primeiro focou na memória; o segundo, em raciocínio; o terceiro, em velocidade de processamento. Já o quarto não recebeu nenhum tipo de treinamento, e foi denominado “grupo controle”. Todos os participantes sabiam que tipo de treinamento estava recebendo e que haviam outros grupos recebendo outros tipos. Este não foi um estudo cego.
Os três primeiros grupos receberam os treinamentos em dez sessões de uma hora cada, espalhadas em várias semanas. Um grupo menor recebeu sessões extras um ano depois e também três anos depois do início do estudo.
Os participantes passaram por testes que avaliavam suas funções cognitivas depois de 6 semanas e também depois de 1, 2, 3, 5 e 10 anos. O projeto do estudo, porém, não previa este acompanhamento da marca dos 10 anos, e outros pesquisadores apontam que isso pode significar que os resultados esperados não foram observados nos primeiros 5 anos e que outra observação foi improvisada depois. O problema desta observação extra é que quanto mais tempo passa, mais provável que as observações sejam mais resultado do acaso do que como consequência do treinamento cognitivo, especialmente levando em conta que o treinamento foi de pouquíssimas horas.
Dez anos depois do início do estudo, apenas 1.220 participantes ainda faziam parte do trabalho, seja por que morreram ou por outros motivos. Deles, 260 desenvolveram demência. Os voluntários não passaram por exame clínico pelos pesquisadores, os pacientes (ou seus familiares) apenas informaram aos cientistas se tinham demência ou não.
A observação de demência entre os grupos foi a seguinte: 24,2% no que focou na memória, 24,2% no que focou no raciocínio, 22.7% no que focou na velocidade de processamento e 28,8% no grupo controle.
Demência foi menos frequente no grupo de velocidade de processamento, comparado ao grupo controle, com 4,9% de chance de que esse resultado seja observado apenas pelo acaso. É importante lembrar que um valor-p próximo de 5% não é considerado evidência de um efeito.
Outro problema foi que o estudo afirmou que quanto mais sessões foram feitas, menor o risco de demência. Isso não é necessariamente causal, já que os participantes que frequentaram mais sessões podem ter características diferentes daqueles que não frequentaram, uma vez que o número de sessões não era distribuído de forma aleatória.

Ressalvas
“Este é um estudo importante com uma amostra relativamente grande que explora a possibilidade de prevenir a demência pelo uso repetido de um tipo específico de treinamento cerebral, e 29% de redução da incidência de demência parece promissor. Porém, em minha opinião, o maior problema é que o diagnóstico de demência não foi confirmado por exames clínicos robustos”, argumenta a psiquiatra geriatra Sujoy Mukerjee, da West London Mental Health Trust (Reino Unido), em texto opinativo publicado no Science Media Centre.

13.558 – Neurociência – Como Melhorar a Capacidade Cognitiva?


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Ações e hábitos simples podem ajudar você a ser mais produtivo e a raciocinar melhor. Planejar seu dia, fazer exercícios físicos, estudar, ter mais foco e outras atitudes que normalmente ignoramos fazem muita diferença nos resultados que alcançamos com nosso trabalho. Se você deseja ser mais inteligente e produtivo em seu expediente, veja quais são as dicas dos cientistas para você.

TENHA UMA ATITUDE POSITIVA
Em um estudo feito por Rosenthal e Lenore Jacobson em 1968, os pesquisadores escolherem alguns estudantes de maneira completamente aleatória e disseram aos seus professores que eles eram alunos acima da média. Nada mais foi feito pelos estudantes. Mesmo assim, no fim do ano escolar, esses estudantes ganharam, em média, 22 pontos em seus níveis de QI. Mais tarde, esse efeito foi nomeado como “profecia da auto-realização”.

EVITE A REJEIÇÃO
A rejeição pode diminuir drasticamente a capacidade de uma pessoa de pensar racionalmente e aumentar sua agressividade, além de diminuir seu QI. Esses são os resultados obtidos pelo pesquisador Roy Baumeister e sua equipe.

CONTROLE
Procure ter o controle de sua rotina e das tarefas que realiza. Estudos da Universidade Radboud, na Holanda, revelam que a sensação de perda de controle pode comprometer a performance das pessoas, por deixá-las inseguras.

VERMELHO
Diversas pesquisas investigam os efeitos da cor vermelha no comportamento das pessoas. Pesquisas da Universidade de Chichester, apresentadas em 2010, sugerem que a cor pode ter influencias inconscientes na percepção de fracasso, fazendo com que as pessoas apresentem resultados ruins.

FALAR EM VOZ ALTA
Um estudo feito em 1998 com 30 jovens e 31 adultos revelou que falar em voz alta pode aumentar o desempenho das pessoas, principalmente as mais velhas.

SUPERSTIÇÃO
Em um estudo publicado pelo jornal Psychological Science, os pesquisadores mostraram que atitudes supersticiosas, como dizer “boa sorte”, podem aumentar o desempenho das pessoas em tarefas como praticar golf e memorização.

SUPLEMENTES NUTRITIVOS
Substâncias como a anfetamina e modafinila tornaram-se populares por aumentar a capacidade cognitiva das pessoas em atividades e ambientes que exigem esse tipo de inteligência.

ACREDITE
Estudos e profissionais indicam que pensar na inteligência como algo flexível e mutável, ao invés de fixo e estável, pode causar resultados acadêmicos mais positivos, especialmente para pessoas que possuem estereótipos negativos (internos ou não) de sua inteligência.

POSTURA CORPORAL
Os resultados de um estudo feito em 2005 revelam que a postura corporal pode influenciar diretamente na solução de problemas. Os participantes do experimento que resolveram palavras cruzadas na posição de supino, ou deitado, apresentaram resultados melhores do que os que estavam de pé.

CUMPRA AS TAREFAS
Não deixe as coisas pela metade. Se você se concentrar em uma tarefa de cada vez, aumentará suas chances de apresentar resultados melhores em menos tempo. Os cientistas dizem que, mesmo quando você deixa de fazer determinada tarefa, parte de seu cérebro continua focada nessa atividade, podendo ocupar atenção e memória de maneira prejudicial para seu desempenho.

DURMA
O pesquisador Hans Van Dongen conduziu um experimento onde os participantes foram distribuídos em grupos que dormiam quatro, seis e oito horas por noite, durante duas semanas. Aqueles que dormiram mais tempo não apresentaram nenhum lapso de atenção ou declínios cognitivos durante os 14 dias de experimento.

MULHERES BONITAS
Em um estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology, os pesquisadores comprovaram a hipótese de que os homens teriam suas capacidades cognitivas comprometidas ao interagir com pessoas de outro sexo. O resultado foi ainda mais perceptível quando as mulheres eram consideradas como mais atraentes.

NÃO SEJA MULTITAREFA
Cientistas da Universidade de Amsterdã comprovam por meio de seus estudos que ser multitarefa reduz de maneira significativa o desempenho das pessoas. Os pesquisadores também afirmam que esses resultados são semelhantes para ambos os sexos.

APRENDA ALGO NOVO
Pesquisadores da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, submeteram 20 jovens a um mês de treino intenso de malabares. Eles descobriram que, apenas sete dias após o início dos treinos, os participantes já apresentavam um aumento na matéria cinza do cérebro.

FAÇA EXERCÍCIOS FÍSICOS
Praticar exercícios ajuda você a pensar melhor e mais rapidamente. Pesquisadores mostram que a prática de exercícios aeróbicos melhora o desempenho em atividades cognitivas. O estudo foi publicado no jornal Aviation, Space, and Environmental Medicine, em 2009.

13.551 – Neurologia – Alcoolismo Prejudica a Memória


Nascemos programados para esquecer. Mais cedo ou mais tarde, cada um de nós apagará da lembrança informações recentes, compromissos, conceitos, habilidades. A perda da memória é gradativa e determinada geneticamente com a morte das células nervosas em diferentes áreas do cérebro, provocada por um inimigo certo e igual a todos: o envelhecimento.
Ao longo da vida, muito antes mesmo de ficarmos velhos, nossa memória é atacada de diversas formas, sem que tenhamos um controle sobre isso. Traumas, doenças, medicamentos, exposições a componentes químicos podem causar lesões irreversíveis no cérebro. Mas muitas vezes nos tornamos aliados dos nossos inimigos com atitudes que tomamos conscientemente e, algumas vezes, com muito prazer.
Um dos inimigos mais agressivos é o álcool. Nas células nervosas, essa substância toma o lugar da glicose, mas não é capaz de produzir o mesmo volume de energia.

“O álcool destrói as células nervosas. Por causa da dificuldade de absorção do intestino, devido à lesão causada pelo álcool, elas têm deficiência das vitaminas B1 e B12. E a deficiência dessas duas vitaminas vai provocar uma lesão adicional no cérebro, além da lesão que o próprio álcool produz”, esclarece Benito Damasceno.
De acordo com os especialistas, a má alimentação é o segundo grande inimigo da memória. E ela também faz parte da rotina de Henrique. Ele troca refeições por salgados fritos. Gordura e altos níveis de colesterol têm um efeito direto na degeneração das células. Comer pouco ou muito açúcar também faz mal para a memória. Deixar de ingerir vitamina B1 também prejudica o funcionamento do cérebro. E ela é encontrada principalmente nos cereais.
De acordo com especialistas, o excesso de comida, seja ela qual for, também compromete a capacidade dos neurônios, porque ingerimos mais energia do que gastamos. Mas o que pouca gente sabe é que a forma como os alimentos são processados também pode provocar a liberação de toxinas que prejudicam o aprendizado e a memória. Os cuidados devem ser redobrados principalmente na hora de preparar alimentos que tenham proteína, como carnes e queijos.

13.316 – Memória – 5 exercícios para fortalecer a memória


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Você já deve ter ouvido falar que nossos cérebros são verdadeiros computadores, capazes de armazenar uma quantidade infinita de informações. Mas, na hora de estudar, esse computador parece que já está meio desatualizado: com frequência, você esquece o que estudou no dia anterior, ou não lembra mais o que acontece naquele livro da lista obrigatória que leu no começo do ano.
Não há nada de estranho nisso: esquecer é algo completamente normal para o cérebro. O que você precisa, na verdade, é dar aquela “levantada” na máquina. Mas, ao invés de apenas trocar o HD ou atualizar os programas, como em um computador comum, com o cérebro você precisa fazer as coisas à moda antiga. E o melhor exercício para a memória é… treiná-la! Abaixo, citamos cinco exercícios bastante eficazes se praticados em rotina diária.

Cálculos mentais
Ao longo do dia, treine-se para fazer operações aritméticas simples, mas o mais depressa possível. Se você anda de ônibus ou a pé, procure somar cada algarismo dos números pelos quais você passa na rua: placas de carro, números de prédios, telefones em placas. Isso ajuda a “afiar” a mente, deixando-a mais rápida e ágil. Exemplo:

4 + 3 + 7 + 6 + 9 + 2 + 1 + 8 = 40

3 + 7 + 2 + 8 + 0 + 3 + 5 + 1 = 29

8 + 0 + 2 + 7 + 1 + 5 + 3 + 7 = 33

Recordar objetos e cenas
Esse funciona em qualquer lugar. Observe uma vitrine, uma paisagem, um quadro ou uma revista (o que estiver ao redor), por em torno de 30 segundos. Após isso, oculte a imagem (ou vire de costas) e anote em um papel todos os detalhes que conseguiu lembrar: cores, quais objetos compunham a cena, como estava o céu, posição dos móveis, como estão vestidas as pessoas.
É isso mesmo: arrume jogos de quebra-cabeça e da memória e mãos à obra! Essas atividades ajudam na concentração e exigem que o cérebro exercite a capacidade de associação por imagens e, com o tempo, você ficará mais habilidoso em memorizar onde está cada peça e onde ela deve ser encaixada. Outras opções são jogos como sudoku, palavras cruzadas, dominó e até jogos tradicionais de cartas.

Memorizar citações
Essa dica vai ajudar não só a aprimorar sua memória como a ir bem na redação ou nas provas dissertativas dos vestibulares. Quando estiver estudando, tente memorizar frases, citações de personagens históricos, enunciados gerais de física e química, etc. Ao estudar filosofia e sociologia, anote frases importantes das teorias em um caderno para ler diariamente e relembrar. Além de ajudar a fixar conteúdos, você também terá um ótimo repertório para usar nas provas.

Relembrar o dia
Antes de dormir, feche os olhos e tente relembrar de tudo que aconteceu durante o dia, desde o momento em que se levantou: o que você fez, quem encontrou, quais eram as roupas das pessoas, o que você disse a cada uma.

13.117 – Nutrição e Perda de Memória


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Certos alimentos podem aumentar a nossa capacidade mental e melhoram a nossa memória, pois fornecem os nutrientes corretos como, proteínas, gorduras, minerais e vitaminas, que o cérebro necessita para um bom desempenho. Saiba quais os alimentos que combatem a perda de memória.

Aumente a sua memória com alimentos para a memória
Certos alimentos oferecem nutrientes ao cérebro que o ajudam a pensar com mais clareza. O que você come ajuda a alimentar o seu corpo e o seu cérebro, ao comer os alimentos certos pode melhorar o desempenho do seu cérebro, melhorar o humor, estabilizar as emoções e melhorar a memória e capacidade de raciocínio.

Todos temos experiências de esquecimento ao longo do tempo isso é normalmente atribuído a pessoas idosas, mas na verdade qualquer faixa etária pode experimentá-lo. É um efeito colateral do stress, distrações, muitas tarefas e o envelhecimento. Graves lapsos de memória podem ser um sinal de demência, mas o esquecimento geralmente não é algo a se preocupar de uma forma drástica.

O que você pode fazer é ingerir mais de alimentos ricos em nutrientes protectores, como os antioxidantes, as vitaminas B, anti-inflamatórios óleos e especiarias.

Alimentos que beneficiam o cérebro e a memória
Frutas, legumes, nozes
As células cerebrais chamadas neurónios são particularmente vulneráveis à oxidação por radicais livres. os antioxidantes , encontrados em abundância na maioria das frutas e produtos hortícolas como as frutas e feijão, neutralizam os radicais livres. Quando você come o suficiente destes alimentos, o cérebro recebe antioxidantes, e isso oferece a protecção para várias partes do cérebro, incluindo o hipocampo, uma região que é fundamental para formar e reter memórias .

Mirtilos
Quando é verão não há nada como Mirtilos frescos. Mas aqui está uma razão para comê-los durante todo o ano: uma memória melhor. Eles agem como antioxidantes fortes, e podem, de acordo com estudos , melhorar a memória.

Ovos
Necessários para as células funcionarem correctamente, os ovos são particularmente importantes na dieta de mulheres grávidas, enquanto bebês seus cérebros estão se desenvolvendo. Gemas de ovos também contêm grande quantidade de vitamina B12, que é conhecido por ajudar a reduzir a homocisteína, que é tóxico para o cérebro e associada ao desempenho pobre cérebro.
Maçãs
Poderia a maçã ajudar a aguçar as suas habilidades de memória? É possível, especialmente se você comer a pele, onde a maioria da quercetina na maçã é armazenada. Em pelo menos um estudo, este antioxidante mostrou ser mais eficaz que a vitamina C a proteger células do cérebro dos danos oxidativos.

Farinha de aveia, rica em fibras, cereais integrais
Os cientistas suspeitam que possa ser a fibra de proteína de farinha de aveia e cereais integrais que ajuda a retardar a digestão, liberando glicose (açúcar no sangue) de forma mais gradual na corrente sanguínea. O cérebro usa a glicose como fonte de energia e um fluxo constante parece ajudar o cérebro a reter as informações para as tarefas que requerem habilidades de memória.

Chocolate Preto
Pequenas quantidades de chocolate preto pode reduzir a pressão arterial e o colesterol por causa de suas poderosas propriedades antioxidantes dos flavonóides. Mas um dos melhores usos de chocolate vem do seu estimulante natural: a cafeína. Porquê? Porque ajuda a focar a sua energia e concentração.Porém, demasiada cafeína pode ser prejudicial e pode funcionar contra você. Por isso coma chocolate em pequenas quantidades e de forma isolada.

Omega 3
Nem toda a gordura é má, porque o corpo requer ácidos graxos essenciais, pois o cérebro é composto por mais de 60% de gordura. As células nervosas no cérebro são cobertas por uma bainha de mielina, gordura que é fundamental na transmissão das mensagens de forma rápida. Os ácidos graxos ômega 3 são ácidos gordos essenciais para optimizar o desempenho do cérebro. A falta de omega-3 numa dieta pode levar à falta de memoria, depressão, concentração, e reduz a capacidade de aprendizagem e pode até mesmo causar outros transtornos mentais.
Alimentos ricos em gorduras omega-3: Óleo de peixe, como salmão, sardinhas, truta, atum, arenque, cavala, anchovas e alimentos de origem vegetal, como sementes de linhaça e abóbora.

Alimentos para evitar perda de memoria
É importante reconhecer os alimentos que diminuem a capacidade cerebral. O Álcool e outras drogas matam células cerebrais directamente, mas existem muitos alimentos menos óbvios que atacam o cérebro. Comer em excesso e alimentos que entopem as artérias pode levar à diminuição do fluxo sanguíneo para o cérebro, e alimentos com alto índice glicêmico, como pão branco, arroz branco, macarrão branco e alimentos ricos em açúcar podem provocar oscilações de glicose no sangue que fazem o corpo e a mente irritável e com menos capacidade.
Alimentos a evitar para prevenir a perda de memoria:

Álcool
Alimentos com corantes artificiais
Adoçantes artificiais
Colas
Xarope de milho
Bebidas com elevado nivel de acucar
Gorduras hidrogenadas
Nicotina
Pão branco
O cérebro humano é como um motor. O combustível certo, manutenção regular e uma corrida diária vai ajuda-lo a aumentar o seu desempenho global e evitar as perdas de memoria.

13.020 – Neurociência – Ayahuasca estimula proliferação de neurônios


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Uma das principais substâncias presentes na ayahuasca, bebida usada há séculos em rituais religiosos da América do Sul, é capaz de estimular a proliferação de células do cérebro, mostram experimentos realizados por pesquisadores brasileiros.
O trabalho ainda está no começo, mas os resultados sugerem que os princípios ativos achados na bebida têm potencial para serem aplicados contra a depressão e outros tipos de problemas mentais.
A ayahuasca, cujo nome significa algo como “cipó dos espíritos” em quíchua, idioma dominante no antigo Império Inca, é feita de acordo com receitas tradicionais que podem variar bastante.
Apesar dessa grande variabilidade, seus principais componentes costumam ser o cipó Banisteriopsis caapi e a folha de Psychotria viridis, ambas plantas encontradas na Amazônia e utilizadas pelos pajés da região desde tempos imemoriais.
Os usuários da bebida, que hoje são não apenas indígenas como também membros de religiões relativamente recentes, como o Santo Daime e a União do Vegetal, frequentemente sofrem efeitos tanto físicos quanto psicológicos.
Além de episódios de vômitos e diarreia, o consumo da ayahuasca costuma induzir visões e experiências auditivas, assim como sensações de iluminação espiritual, forte alegria ou medo. Nesse contexto ritual e religioso, o uso da ayahuasca é legal em diversos países, inclusive no Brasil.
A ayahuasca
Há alguns indícios de que a bebida feita a partir de plantas da flora amazônica e usada em rituais religiosos pode ter efeitos positivos sobre quem tem depressão.
Uma possibilidade é que esses efeitos aconteçam graças ao estímulo à proliferação dos neurônios, que é afetada pela depressão.
Alguns testes de pequena escala sugerem que o preparado amazônico pode ter rápido efeito positivo sobre pessoas com depressão, embora os estudos ainda sejam raros. Ao mesmo tempo, a molécula harmina, proveniente do cipó B. caapi e encontrada na circulação sanguínea das pessoas que ingerem a bebida, mostrou ter o mesmo efeito em camundongos com sintomas depressivos.
Isso chamou a atenção da equipe do novo estudo, liderada por Stevens Rehen, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e do Idor (Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino). Rehen e seus colegas estudam diversos aspectos da chamada neurogênese, o processo pelo qual certas células progenitoras dão origem aos neurônios e, portanto, às estruturas do cérebro. Em indivíduos adultos (tanto em humanos quanto em roedores), esse processo acontece principalmente em áreas especializadas do cérebro, como o hipocampo.
Ocorre que os medicamentos antidepressivos convencionais afetam de forma positiva justamente a neurogênese, que parece sofrer um baque durante a depressão.
O formato de “árvore” dos neurônios, com “galhos” que se estendem e se subdividem, está diretamente relacionado às conexões que eles estabelecem com outros neurônios, as quais, por sua vez, são cruciais para o aprendizado e a formação de memórias.
Para os pesquisadores, vale a pena colocar a molécula derivada da ayahuasca entre os candidatos a futuras drogas contra a depressão. Para isso, é claro, mais estudos são indispensáveis. Também é importante ressaltar que não se pode garantir que o uso da bebida original terá o mesmo efeito, já que diversas moléculas interagem entre si no organismo das pessoas que ingerem o preparado.

12.649 – Neurologia – Seus lugares favoritos são guardados em um lugar especial do cérebro


neurologia
Uma nova pesquisa descobriu que lugares especiais ficam armazenados de um jeito diferente na memória.
Para começar, sua cabeça funciona como um GPS. O hipocampo, área cerebral onde ficam as memórias, é cheio de células de localização, que nos ajudam a perceber o ambiente onde estamos e conseguir planejar caminhos e ir de um lugar a outro. Elas processam e armazenam as informações de onde você está. Até aí, nada de novo.
O que os cientistas descobriram é que seu GPS interno é emotivo: ele guarda os lugares mais importantes para você em uma camada mais profunda do hipocampo – de certa forma, a coisa funciona como as “memórias base” que aparecem no filme Divertida Mente e ajudam a moldar a personalidade e a vida de Riley.
Os cientistas da Universidade Columbia chegaram a essa conclusão estudando ratos – que, como mamíferos, têm mecanismos similares aos nossos no hipocampo. No experimento, a atividade cerebral dos animais era acompanhada enquanto eles andavam caminhavam.
Para o teste, os pesquisadores construíram uma esteira especial, feita de seis tipos de superfície: tecido de pom-pom, fita isolante colorida e laços de seda. Enquanto andavam na esteira, os ratinhos podiam lamber um sensor que liberava água.
Na primeira rodada, a água era liberada de forma aleatória. Já na segunda rodada, o sensor só era ativado quando os ratinhos passavam por uma das seis superfícies. Assim, os ratinhos aprenderam a coordenar as lambidas no sensor com o lugar especial que sempre lhes trazia água.
Nos dois casos, os bichos desenvolviam um “mapa” mental dos diferentes trechos da esteira, localizado na região CA1 do hipocampo. No primeiro teste, esse mapa era processado na parte mais superficial da CA1. Já na segunda etapa, o “lugar especial” da esteira era armazenado em uma camada mais profunda do cérebro.
A conclusão dos cientistas é que, no hipocampo dos mamíferos, a área superficial da CA1 serve para gerar uma impressão genérica dos ambientes por onde passamos. Já as informações armazenadas lá no fundo são as que têm algum contexto emocional – e é por isso que você lembra daquela praia das férias e da cozinha da sua vó como se elas estivessem gravadas em Ultra-HD na sua cabeça.

12.578 – Neurociência – Controlar memórias com ultrassom


A aplicação do ultrassom na neurociência agora pode permitir um controle e até a “edição” de nossas memórias num futuro.
Os primeiros passos dados neste sentido ficaram por conta de um experimento com minhocas em que cientistas usaram o ultrassom para controlar seletivamente células cerebrais de forma não-invasiva. Em outras palavras, controlaram remotamente as células individuais no cérebro.
Modificação das células cerebrais
Essa tecnologia subjacente foi cunhada sonogenetics e foi anunciada pela primeira vez como uma técnica que pode modificar as células do cérebro, em um artigo publicado pelo cientista Stuart Ibsen e seus colegas em 2015. Partindo da lógica que é possível mudar como as células do cérebro trabalham e, desta maneira, como se conectam, também haveria o potencial de alterar, pela aplicação do ultrassom, nossas memórias.
Hipoteticamente, com a sonogenetics seria possível deixar para trás memórias que não gostamos, como fortes emoções ou lembranças traumáticas. Essa tecnologia também nos permitirá mexer com as estruturas que sustentam nossas memórias. De qualquer maneira, antes que você se empolgue em fazer qualquer tipo de terapia do tipo, nós lembramos: os testes foram realizados em minhocas, mas a prova do conceito está aí para divagarmos a respeito.

12.261 – Neurociência – Medicamento que pode apagar uma memória indesejada está próxima de ser criado


memória
Que tal deletar uma lembrança ruim, um trauma ou uma fobia? Este dia parece não estar tão distante assim.
A coisa não é tão simples como apagar um arquivo do HD, mas um estudo na Holanda mostrou um componente eficaz que pode transformar em realidade cenas até então presentes apenas em roteiros de ficção científica.
A chave estaria em um medicamento chamado propanolol. Ele faz o bloqueio da norepinefrina, uma substância química envolvida na resposta de fuga do nosso organismo e responsável por provocar sintomas como suor nas mãos e coração acelerado.
Os pesquisadores holandeses testaram o medicamento em que pessoas que perderam o medo de aranhas em três meses. O mesmo efeito ocorreu em outro grupo que havia passado por traumas. As pessoas usaram a substância e, inicialmente, ainda se sentiram traumatizadas, mas depois relatavam suas experiências com mais tranquilidade.
A ideia é que o propanolol “amorteça” as memórias traumáticas, impedindo-as de ser associadas com emoções negativas.
Estudos comprovam que quanto mais reforçamos nossas memórias traumáticas, mais essas lembranças podem parecer irreversíveis, contudo elas não não são.
E seria possível acabar de vez com uma memória ruim? Cientistas acreditam que sim, dada a combinação certa de medicamentos e exercícios de revisitação da lembrança.

12.245 – Neurologia – Risco de desenvolver Alzheimer diminuiu


alzheimer grafico
Nos Estados Unidos e no Reino Unido, há estudos mostrando que o risco de desenvolver esse distúrbio neurológico está diminuindo. E parece que o nível de escolaridade está associado a isso.
A boa notícia foi apresentada no sábado (13) em concorrida sessão da reunião anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS). Nos Estados Unidos, o recuo de 2000 a 2010 foi de mais de 20%.
Os dados saíram do Estudo sobre Saúde e Aposentadoria (HRS, na abreviação em inglês), da Universidade de Michigan, em que 20 mil pessoas de 50 anos ou mais são monitoradas, a cada dois anos, desde 1992.
Kenneth Langa, de Michigan, informou que a prevalência de Alzheimer em pessoas acima de 65 anos recuou de 11,7% para 9,2%. Uma retração de 21,4%.
O número absoluto de casos, no entanto, se estabiliza, porque o crescimento no número de idosos compensa a menor proporção deles que desenvolve a demência. Mais de 5 milhões de americanos estão nessa condição; no Brasil, estima-se que seja 1,34 milhão.
Os dados dos EUA estão em linha com os do Reino Unido, apresentados na AAAS por Carol Brayne, do Instituto de Saúde Pública da Universidade de Cambridge.
Seu grupo repetiu entre 2008 e 2011 a metodologia aplicada em 1989 e 1994 no Estudo sobre Função Cognitiva e Envelhecimento (CFAS, na sigla em inglês) em três áreas (Cambridge, Newcastle e Nottingham). Ao todo, mais de 7.500 pessoas foram examinadas.
A prevalência recuou de esperados 8,3% para 6,5%, queda de 21,7%. Brayne ressalvou que diferentes padrões de diagnóstico podem distorcer um pouco essas estatísticas, em particular na comparação temporal.
A coincidência com o estudo americano, contudo, reforça a conclusão de que não se trata de um artefato. Além disso, todas as projeções anteriores previam que o risco de desenvolver Alzheimer iria aumentar com o tempo, e não diminuir.
A notícia mais animadora é que a demência, ao que parece, pode ser evitada, ou ao menos adiada.
“Cerca de 30% dos diagnósticos poderiam ser evitados”, concluiu Brayne, com melhor controle das condições de saúde dos idosos.
Como os estudos também investigavam os hábitos de saúde e a condição socioeconômica dos indivíduos, vários fatores associados com risco diminuído de desenvolver Alzheimer foram isolados. Ausência de diabetes e hipertensão, por exemplo, assim como tabagismo.
Além disso, a boa alimentação e atividade física são fatores positivos: ingerir ao menos cinco porções de frutas e verduras e fazer exercícios são hábitos que atuariam protegendo os idosos.
O fator mais poderoso, porém, é o nível de escolaridade. Não se sabe como se dá essa proteção, apenas que parece associada com atividades intelectuais exigentes desde a juventude.
Há coisas mais misteriosas, contudo. Eileen Crimmins, da Universidade do Sul da Califórnia, apresentou resultados extraídos do HRS similares aos de Langa, mas com mais detalhe sobre a quantidade de anos vividos por idosos com e sem comprometimento cognitivo, como Alzheimer.

12.204 – Memória – Deu Branco


Estresse? Não só. A avalanche de informações, uma das características mais marcantes do mundo contemporâneo, aqui ou em qualquer outro país, atinge em cheio a nossa habilidade de recordar. As folhas de fax, os programas de televisão, as notícias do jornal e até as matérias das revistas (opa!) representam uma quantidade de dados que parece ser maior do que aquilo que podemos guardar. Os psicólogos até já inventaram um nome para isso: síndrome da fadiga da informação. “Quando estamos abarrotados de dados, fica difícil se concentrar naquilo que realmente precisamos lembrar mais tarde”, diz a psicóloga Cynthia Green, coordenadora do programa de aprimoramento da memória da Escola de Medicina de Mount Sinai, em Nova York. “É muito mais um problema de assimilação do que de esquecimento.”
A assimilação (é bom repetir a palavra, isso ajuda a lembrar) é a primeira etapa do processo de memorização. Inicialmente, as imagens, os diálogos, movimentos, cheiros etc. são captados pelos sentidos. Há um rearranjo no circuito cerebral, uma alteração na taxa de disparos químicos entre os neurônios –– as células que fazem a comunicação de dados no cérebro. Essa é a memória de curto prazo, que você usa rapidamente e esquece em seguida. Exemplo disso são os números de telefone, que vão para o espaço assim que você acaba de discá-los. Para que você possa acionar um dado uma ou duas semanas depois de tê-lo captado, é preciso convertê-lo em memória de longo prazo. Esse trabalho fica a cargo do hipocampo (veja o infográfico na página XX). É ele que entra em ação quando você decide quais as frases, os rostos e os números que devem ser arquivados para uso futuro. O hipocampo envia os dados para diferentes locais do córtex cerebral. Lá ocorre uma alteração química, dessa vez mais profunda, que fortalece as conversas entre as células da massa cinzenta. Quanto mais extensa e bem enraizada for a rede de neurônios, mais fácil será o acesso ao escaninho depois. “Mas, se você lida com a informação de maneira superficial –– surfando como um possesso pela Internet, por exemplo ––, não vai conseguir reter nada”, diz a psicóloga Cândida Camargo, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Assim que as cenas, os sons, os cheiros etc. são integrados aos circuitos do cérebro, o hipocampo descansa e entra em cena o lobo frontal, estrutura responsável pelo processo de recordação. É ele que traz à tona todas as informações que foram devidamente estocadas. “O lobo frontal coordena as diversas memórias e é a parte do cérebro que o ser humano tem mais desenvolvida em relação aos animais”, diz o psicólogo Orlando Bueno, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). No lobo frontal, que é tão complexo quanto frágil, a memória de curto prazo e a de longo prazo se completam para formar aquilo que chamamos de raciocínio. Esse processo de recuperação de dados é o que falhou no cérebro do presidente Fernando Henrique Cardoso quando, há alguns dias, na inauguração de uma fábrica da General Motors elogiou, por engano, a Ford – arquiinimiga da GM.

Além do excesso de informações, a falta de memória pode ser provocada também pela depressão, pela ansiedade e pelo estresse. Uma pessoa com tendência ao baixo-astral, por exemplo, acaba se preocupando mais com o que a está aborrecendo do que com os outros aspectos da vida. Um ansioso tem muita dificuldade para se deter por muito tempo no mesmo assunto. O estresse, além de atrapalhar a concentração, pode interferir de outras maneiras. Suspeita-se que ele encolha o hipocampo e libere hormônios que danificam as moléculas transportadoras de energia, deixando o cérebro sem força suficiente para operar. Sem contar que existe um parentesco estreito entre o estresse e a síndrome da fadiga da informação. “Uma das principais causas da tensão é o excesso de conteúdo. Em qualquer função de chefia, a informação é tanta que o sujeito acaba esgotado. É quando você acorda à noite pensando em trabalho”, diz o neurologista Iván Izquierdo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e um dos cientistas brasileiros mais prestigiados fora do país.
Os brancos de memória motivaram e motivam muitas experiências. No ano passado, cientistas da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, começaram a desenvolver a mais promissora das drogas destinadas a ajudar a memória. Depois de alterar o código genético de alguns ratinhos, eles conseguiram elevar a quantidade de receptores de NMDA (um tipo de neurotransmissor, a substância responsável pela comunicação entre os neurônios). Quando esses receptores são repetidamente acionados, ocorrem reações químicas que produzem uma espécie de ponte entre os neurônios e ajudam a fixar a memória. Calcula-se que daqui a oito ou dez anos já esteja disponível no mercado uma droga inspirada nesses estudos. Ela será útil para pessoas que sofrem de doenças degenerativas do cérebro, como as diversas demências e o Alzheimer, que danificam os neurônios. Mas o mais interessante é que, segundo o neurologista Joseph Tsien, diretor da experiência, ela também será útil para pessoas saudáveis que experimentam leves esquecimentos.
Há outras novidades no horizonte. Além de estimular a comunicação entre os neurônios, os novos experimentos buscam induzir, com segurança, sua multiplicação. E isso é algo extremamente recente no mundo da ciência. Até dois anos atrás, era tido como certo que neurônios não se reproduziam. Quando um morria, não era substituído. Agora, está comprovado que a memória não é formada somente pelos neurônios que acompanham a pessoa desde o nascimento. “Mesmo na idade adulta é possível contar com uma reserva de novos neurônios”, diz o neurologista Paulo Bertolucci, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Eles surgem a partir de células primordiais (ou células-tronco), que existem em todo o sistema nervoso e podem se especializar em atuar no interior do hipocampo. O desafio do momento é conseguir aumentar a produção dessas novas células cerebrais. “Supondo que possamos determinar os genes que ordenam essa multiplicação, seria só mudar essa chave”, diz. Algo que, de acordo com Bertolucci, só vai acontecer daqui a muitos anos. De todo modo, a possibilidade de aportar novos neurônios é uma ótima notícia para cérebros cansados de guerra, que já estão na situação de esquecer mais do que lembrar.
Enquanto as pesquisas caminham, quem sofre com a perda de memória já achou alguns paliativos na farmácia. A droga mais popular é um medicamento fitoterápico de nome esquisito: o ginkgo biloba. O ginkgo é de uma família antiqüíssima de plantas, anterior até aos dinossauros. Para começar, ele deixa o sangue menos denso, fazendo-o correr mais rápido pelos vasos e levar mais energia e oxigênio para os neurônios. Além disso, o ginkgo degrada alguns inimigos do cérebro, como a enzima MAO, que atrapalha as comunicações cerebrais, e os radicais livres, que viajam pelo corpo todo depredando e envelhecendo os tecidos.
Em uma pesquisa da Unifesp feita este ano, 23 sexagenários –– todos saudáveis –– tomaram uma cápsula de ginkgo por dia durante seis meses e se submeteram a vários testes. Um deles consistia em repetir, em uma prancha com nove quadradinhos, a seqüência de posições demonstrada. Antes de usarem o remédio, conseguiam repetir em média 3,4 posições. Depois, foram capazes de acertar 5,4. “Eles demostraram uma melhora de memória, de atenção e de aprendizado”.
Há também exercícios mentais que podem estimular a memória. Um deles é acrescentar outros significados ao que você quer lembrar –– uma forma simples de fortalecer as conexões entre os neurônios. Todo bom professor de cursinho pré-vestibular sabe que isso funciona. “Não dá mais para passar conhecimento de uma maneira tradicional. A gente tem que usar piada, contar histórias, músicas e tudo o mais para que os estudantes consigam guardar o conteúdo das aulas”, diz Paulo Figueiredo, professor de Biologia do Curso Objetivo, em Lavras, Minas Gerais, que, aliás, está lançando o seu segundo CD com letras de biologia. O… humm, como é mesmo o nome dele?, ah, é mesmo, hipocampo terá seu nome mais facilmente gravado depois que você souber que ele deriva de uma palavra latina que significa cavalo-marinho. O nome é esse porque o formato do hipocampo lembra o do bicho.

12.173 – Neurociência – Memória armazena dez vezes mais informações do que se imaginava


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Imagine conseguir colocar na sua memória tanto conteúdo quanto existe na internet inteira. Aparentemente, nosso HD natural tem, sim, essa capacidade de armazenamento. Pesquisadores do Instituto Salk, especializado em pesquisas biológicos descobriram que, na verdade, nossa memória pode acumular 10 vezes mais informações do que se previa antes ? e essa estimativa é considerada conservadora.

É um tanto difícil entender como foi feita essa descoberta, afinal, as sinapses ainda escondem vários mistérios. Mas, vamos lá: nossas memórias e pensamentos são o resultado de atividades elétricas e químicas no nosso cérebro. Pense que nossos neurônios são fios elétricos, que precisam transmitir uma corrente. Um fio de saída se conecta a um fio de entrada e as mensagens, que são conduzidas na forma de neurotransmissores, viajam por meio das sinapses, que é justamente essa transmissão de impulsos elétricos. Cada neurônio pode ter milhares de sinapses com milhares de outros neurônios.

O ponto é que sinapses maiores – com mais área de contato entre os neurônios – são mais fortes, tornando-as mais propensas a despejar informações também nos neurônios que estão em volta. E mais: os pesquisadores notaram, reconstruindo em 3D o hipocampo de um rato – área responsável pela memória – que, em alguns casos, um único axônio é capaz de gerar duas sinapses para o neurônio seguinte. Isso acontecia em cerca de 10% dos casos analisados.
No início, os pesquisadores nem deram muita bola para essas informações que pareciam correr duplicadas. Mas ficaram curiosos: e se conseguissem medir as diferenças entre essas duas sinapses muito parecidas? Para isso, usaram microscopia avançada e algoritmos computacionais que eles tinham desenvolvido e reconstruíram a conectividade, as formas, os volumes e a área de superfície do tecido cerebral em um nível nanomolecular.
O que eles descobriram é que a diferença de tamanho entre os pares de sinapse variavam entre 8 e 10%. Como a capacidade de memória dos neurônios depende do tamanho da sinapse que eles conseguem fazer, os pesquisadores perceberam que conseguiriam medir a quantidade de informações armazenadas nessas conexões sinápticas. Acabaram descobrindo que podem existir cerca de 26 tamanhos possíveis de sinapses, o que aumentaria em pelo menos 10 vezes a capacidade de armazenamento da memória cerebral – com gastos irrisórios de energia, já que as sinapses mais fortes, inclusive, “esborram” informações para os neurônios vizinhos.
Esse resultado explica a eficiência surpreendente do cérebro, e pode ajudar cientistas da computação a construir supercomputadores com capacidade profunda de armazenamento e técnicas de aprendizado e análise mais sofisticadas, além de supereficientes em termos energéticos.

11.415 – Cientistas descobrem equações ligadas às lembranças cerebrais, podendo livrar a mente de traumas


Eles afirmam que suas equações são as mais precisas para descrever a recordação de acontecimentos. A descoberta poderia, um dia, permitir que médicos conduzam técnicas para apagar ou alterar memórias associadas com eventos traumáticos.
Cientistas da Ecole Polytechnique Federale de Lausanne (EPFL), na Suíça, analisaram a formação de memórias através de conexões cerebrais especializadas, chamadas de sinapses. Sinapses possuem muita plasticidade, permitindo que os neurônios mudem suas velocidades de comunicação e intensidade, alterando as memórias.
Uma equipa de investigação, liderada por Wolfram Gerstner, teve como foco a formação do que são conhecidos como ‘conjuntos de memória’. Eles são redes de neurônios, conectados via sinapses, que podem armazenar um segmento específico de uma memória. Quando há uma recordação de algo, suas assembléias individuais são remendadas em conjunto para produzir um todo.
Simulações da equipe sugeriram que a formação da memória e da recordação seguem uma ‘combinação bem orquestrada’. A partir de seus resultados, os cientistas foram capazes de derivar um algoritmo complexo que eles dizem ser, atualmente, a representação mais precisa desse fenômeno complexo.
O algoritmo pode ser adaptado para ajudar a desenvolver ferramentas que desencadeiem novas memórias no cérebro, ou até mesmo apagar memórias antigas por completo. “Se pudermos entender como sinapses trabalham juntas para forjar ou desmantelar as redes de memória, podemos avançar domínios como a cognição e psicoterapia”, diz Gerstner.
A pesquisa segue um outro estudo divulgado em março, no qual memórias conscientes foram implantadas nas mentes de ratos, enquanto eles dormiam. Os cientistas dizem que a mesma técnica poderia ser usada para alterar as memórias humanas, um dia, podendo ajudar as pessoas que reproduzem eventos traumáticos em suas mentes.
O cérebro, normalmente, repete as atividades do dia quando as pessoas ou animais dormem, o que lhes permitem reforçar ou aprender uma nova atividade, por exemplo. Os cientistas da Industrial Physics and Chemistry Higher Educational Institution, na França, usaram este processo de repetição para criar novas memórias no cérebro de ratos, enquanto eles dormiam.
Enquanto os ratos dormiam, eles monitoraram suas atividades cerebrais, e quando a célula local específica foi isolada, um eletrodo estimulava as áreas do cérebro ligadas à recompensa pelo feito. Quando os ratos acordavam, eles imediatamente corriam para o local que estava ligado ao sentimento gratificante, mostrando que uma nova lembrança agradável foi inserida no lugar da ruim.

11.202-Neurologia – Uma força pra Memória


memoria

Cada vez que a memória decai, e conforme a idade isso ocorre em maior ou menor grau, perde-se um pouco da interação com o mundo. Mas a ciência vem avançando no conhecimento dos mecanismos da memória e de como fazer para preservá-la. Pesquisas recentes permitem vislumbrar o dia em que será uma realidade a manipulação da memória humana. Isso já está sendo feito em animais. há 5 anos, cientistas americanos e brasileiros mostraram ser possível apagar, em laboratório, certas lembranças adquiridas por cobaias. Melhor: tudo indica que as mesmas técnicas podem ser usadas também para conseguir o efeito inverso: ampliar a capacidade de reter fatos e experiências na mente. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, detalharam como as proteínas estão relacionadas ao surgimento de lembranças nos neurônios. Como ocorreu com o DNA no século passado, os códigos fisiológicos que regulam a memória estão sendo decifrados.
O cérebro humano pesa, em média, 1,4 quilo e tem 100 bilhões de neurônios, que se comunicam por sinapses – estruturas por meio das quais as células cerebrais se conectam, transmitindo informações na forma de sinais químicos e elétricos. Existem trilhões de sinapses. Cada vez que o córtex cerebral recebe os dados sensoriais de uma nova experiência (um jantar, uma visita a um museu, uma situação de perigo), as sinapses formam certos padrões de comunicação entre os neurônios de diferentes áreas. Algumas redes de células organizam, então, tais informações, comparando-as a outras lembranças já existentes no cérebro, e, conforme a força e o padrão das sinapses, selecionam o que vai ser esquecido ou o que vai permanecer guardado por mais tempo. Quando uma pessoa entra em um restaurante, por exemplo, tem contato com uma infinidade de dados: o rosto do garçom, a cor das paredes, o aroma dos pratos, a conversa na mesa ao lado, o gosto da comida e a textura do guardanapo. A maior parte desses detalhes é apagada da lembrança tão logo se pisa na rua. Mas há aqueles registros que permanecerão por dias, meses e até anos – muitos de maneira inconsciente. O sabor da comida, por exemplo, quando novamente experimentado, pode inundar a cabeça do indivíduo com lembranças da primeira visita àquele restaurante. A maneira como uma memória é recuperada do arquivo mental e as emoções associadas a ela determinam a sua durabilidade. Todo esse processo, aparentemente óbvio quando se parte da simples observação do comportamento humano, agora está sendo desvendado do ponto de vista bioquímico.

A façanha dos pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara foi verificar como a destruição e a produção de proteínas no interior das células nervosas criam novas lembranças e modificam as já existentes. “O estudo confirma a ideia de que não existe memória fixa, imutável”, diz Rosalina Fonseca, neurocientista do Instituto Gulbenkian de Ciência, em Portugal, e autora do trabalho que serviu de base para a descoberta dos americanos. O papel da degradação e da síntese de proteínas pode ser explicado com a seguinte analogia: a memória é como uma casa em constante reforma e as proteínas são os tijolos. Muitas vezes, uma parede precisa ser derrubada para que um novo cômodo seja construído. Manter o equilíbrio dessa obra sem fim – da qual participa também mais de uma centena de substâncias químicas, entre neurotransmissores, receptores e hormônios – pode ser a chave para a cura de muitas doenças psiquiátricas e neurológicas. “As principais promessas terapêuticas nessa área vêm dos avanços no conhecimento desses processos químicos e nas descobertas, igualmente recentes, sobre como regiões específicas do cérebro agem nas etapas de formação dos diferentes tipos de memória”, diz o neurocientista americano Sam Wang, da Universidade Princeton, coautor do livro Bem-Vindo ao Seu Cérebro, publicado no Brasil pela editora Cultrix. De acordo com a classificação utilizada por Eric Kandel, a memorização, grosso modo, ocorre em dois estágios e divide-se em duas categorias principais. No que se refere aos estágios, a memória pode ser de curto prazo (lembrar-se da balada da noite anterior, por exemplo) ou de longo prazo (recordar-se de uma festa de anos atrás).
A habilidade para armazenar diferentes tipos de lembrança varia de pessoa para pessoa, seja por dom natural, seja por treino.
Um dos caminhos investigados pelos cientistas para deter as degenerações que resultam em perda é induzir a produção de novos neurônios – a neurogênese. Até pouco tempo atrás, acreditava-se que as células do cérebro não se regeneravam. Esse mito foi derrubado e hoje se sabe que, em algumas estruturas cerebrais, como o hipocampo, a área mais afetada pela doença de Alzheimer, o nascimento de células nervosas é um fenômeno comum. “Estudos com ratos mostram que, quando a produção de células no hipocampo é inibida, o aprendizado do animal diminui”, diz o geneticista brasileiro Alysson Renato Muotri, da Universidade da Califórnia em San Diego, que pesquisa como as células-tronco podem ser manipuladas para se transformar em novos neurônios. O experimento indica que, se os cientistas conseguirem estimular de maneira controlada a neurogênese, poderão aplicar essa técnica tanto para compensar a morte de células causada por uma doença degenerativa como, em tese, para melhorar a capacidade de memorização de uma pessoa saudável. Esse será, certamente, um dia inesquecível.
O fisiologista americano Eric Kandel, de 80 anos, recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 2000 por seus estudos sobre como a memória é formada e armazenada. Nascido na Áustria, Kandel começou sua carreira interessado em descobrir a localização cerebral do ego, do id e do superego – as três instâncias formadoras da personalidade, segundo a psicanálise. Com o tempo, ele enveredou na pesquisa sobre o que acontece dentro dos neurônios durante a memorização.

11.058 – Melhore a sua Mémória


estudo

Uma pesquisa feita em 2013 mostrou que jovens adultos (com idades entre 18 e 34 anos) têm mais dificuldade do que pessoas com mais de 55 anos de lembrar de datas (15% vs. 7%), onde guardam as chaves (14% vs 8%), de fazer o almoço (9% vs 3%) e até de tomar banho (6% vs 2%).
Você acha que se encaixaria nessas estatísticas? Está se sentindo esquecido? Vale testar as dicas que separamos, baseadas na ciência, para recuperar o controle sobre sua memória:
Associe suas memórias com objetos físicos
Você já deve ter passado por esse problema: acabou de ser apresentado a alguém e, assim que a pessoa vira as costas, você já esqueceu o nome dela. Acontece – mas é extremamente embaraçoso precisar perguntar o nome dela novamente. A dica é associar o nome a algum objeto. Por exemplo, se você acabou de conhecer a Giovana e ela estava próxima de uma janela, pense nela como a Giovana da Janela. Parece um truque estúpido, mas funciona. E, claro, não só para nomes de pessoas, mas para qualquer coisa: relatórios, documentos, marcas. Associando conceitos a objetos fica mais fácil de lembrar. E, claro, quanto mais absurdas forem as associações mais fácil é lembrar delas.

Não memorize apenas por repetição
Ao ver ou participar de apresentações você deve ter sentido isso – é muito claro quando alguém apenas decorou o que devia falar. Mas basta acontecer alguma mudança no roteiro ou um ‘branco’ para que a pessoa se perca. Memorizar algo de fato depende de compreensão. Então, ao pensar em falas e apresentações, tente entender o conceito todo ao redor do que você está falando. Pesquisas mostram que apenas a repetição automática pode até impedir que você entenda o que está expondo.

Rabisque!
Estudos indicam que rabiscar enquanto ‘ingerimos’ informações não visuais (em aulas, por exemplo) aumenta a capacidade de nossa memória. Uma pesquisa de 2009 mostrou que pessoas que rabiscavam enquanto ouviam uma lista de nomes lembravam 29% a mais dos nomes ditos. Da próxima vez que for a uma palestra, leve uma caneta e bloquinho e rabisque!

10.972 – Medicina – Estatina não causa problemas de memória


estatina

O resultado da pesquisa contraria a recomendação da FDA, agência americana que regula alimentos e remédios. Em 2012, a FDA determinou que os rótulos das embalagens de estatina informem que o uso da droga pode causar problemas cognitivos.
Os pesquisadores analisaram 25 estudos que investigavam a relação entre o tratamento com estatina e as habilidades mentais. No total, as pesquisas incluíram 46 836 pessoas.
Eles constataram que o uso da estatina não alterou significativamente a capacidade mental, tanto em indivíduos com funcionamento normal do cérebro, quanto naqueles com Alzheimer.
Para os pesquisadores, o benefício proporcionado pela droga supera seus efeitos adversos. Eles afirmam que as alterações mentais relatadas pelo FDA foram causadas por overdoses de estatina. “O alerta da FDA sobre o efeito da estatina nas funções cognitivas é questionável”, afirma Brian R. Ott, coautor do estudo e professor da Universidade Brown, nos Estados Unidos.

Contra a perda de memória dormir bem
É durante o sono que a memória e a aprendizagem se consolidam. Na fase denominada REM, o cérebro reúne as informações e lembranças adquiridas no dia e as repete para si mesmo — isto é, reativa os circuitos neurais utilizados durante o dia. A partir daí, o conteúdo migra para a chamada memória de longo prazo. “De dia, as informações estão bagunçadas no cérebro. No sono reparador, elas se organizam e passam a fazer sentido. Esse processo faz com que a pessoa não esqueça o que estudou, por exemplo”, explica Edson Issamu Yokoo, neurologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. Por isso, dormir bem é um conselho recorrente para estudantes.

10.866 – Mega Memória de Elefante -Memorize o que Você Aprende


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Pesquisas mostram que nos lembramos apenas de 10% daquilo que aprendemos. Os outros 90% são esquecidos rapidamente, logo depois que a gente aprende.
Infelizmente, não dá pra escrever esse argumento no vestibular e passar na faculdade, ou então dizer pro professor e esperar aprovação na prova. Especialmente no ensino tradicional, que quase sempre avalia a capacidade de reproduzir conteúdo, a memória é fundamental. Por isso, se você conhecer algumas técnicas que te ajudem a memorizar as coisas que você aprende, pode sair na frente.
A melhor maneira de aprender é discutindo em grupo ou ensinando o que se está tentando aprender. É que se concentrar é muito mais fácil (mandatório, até) quando você está conversando com alguém sobre um tema ou explicando aquilo. Ler ou ouvir alguém falando é muito mais suscetível a distrações e interrupções no seu processo de concentração.
É mais fácil lembrar de algo do seu interesse do que de algo que não lhe interessa – óbvio. É por isso que, se você gosta de uma matéria, provavelmente tem muito mais facilidade em aprendê-la. Tente achar um enfoque dentro de um assunto que não te interesse tanto, um recorte ou uma abordagem que tenha mais apelo pro seu gosto pessoal. Depois, na vida adulta, se possível, estude só o que você gosta. A vida vai ser mais fácil.
Concentre-se
Deixe de lado as notificações do celular e foque no que está estudando. Se você estiver cansado ou distraído, é muito mais difícil para o cérebro fixar o conteúdo com o qual você está tomando contato.
Há horas melhores e piores para se lembrar de algo que você aprendeu (e o resgate desse conteúdo ajuda você a fixar as coisas na memória). Se você precisa fixar algum conteúdo, a dica é: estude, estude de novo dali uma hora e depois de 24 horas. Ou use o SuperMemo, um site que calcula o tempo exato em que você vai se esquecer de algo e te ajuda a lembrar imediatamente antes de esquecer.
Descanse
Faça pausas entre os estudos. Não dá pra saber exatamente quanto e como você deve parar porque isso varia de indivíduo para indivíduo, mas uma boa técnica é estudar por 45 minutos, que é o tempo máximo que alguém consegue se focar em uma tarefa, na média, e dar uma pausa de 15 a 20 minutos antes de recomeçar. De novo, isso pode variar, então fique atento aos sinais da sua mente.
Aprender é um processo conectado, e não individual. Uma maneira excelente de fixar algo novo é conectando isso com algo que você já saiba ou conheça. Por exemplo: ao aprender uma palavra nova em outra língua, você pode tentar conectá-la com um som com que ela se pareça em uma língua que você já conheça, por exemplo.
Reserve 15 a 20 minutos entre cada sessão de estudo pra refletir sobre o que você acaba de aprender. Essa reflexão sobre o conteúdo, que provavelmente vai fazer você questionar e correlacionar o aprendizado com coisas que já sabe, também ajuda a fixar coisas na memória.

10.528 – Neurociência – Tratamento com corrente elétrica pode aperfeiçoar memória


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Pesquisadores descobriram que uma técnica que envia pulsos elétricos para o cérebro pode aperfeiçoar a memória de pacientes. O tratamento, conhecido como estimulação magnética transcraniana (EMT), é feito sem a necessidade de cirurgia ou anestesia e é aplicado no Brasil desde 2012, mas apenas para tratar casos mais graves de depressão e esquizofrenia. 

Segundo os especialistas, o achado pode abrir portas para tratar problemas de memória tanto relacionados ao envelhecimento natural quanto decorrentes de outros problemas de saúde, como traumatismo craniano, acidente vascular cerebral (AVC), parada cardíaca e estágios iniciais do Alzheimer.

“Nós mostramos pela primeira vez que é possível alterar especificamente a função da memória em adultos sem a necessidade de cirurgia ou medicamentos, os quais não se comprovaram eficazes”, diz Joel Voss, professor de medicina da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo, que foi publicado nesta quinta-feira na revista Science.

No estudo, os pesquisadores usaram a EMT para estimular uma região específica do cérebro que está conectada ao hipocampo, área responsável pela memória a curto e longo prazo e pelo aprendizado. Não é possível estimular diretamente o hipocampo com a técnica porque essa região está em uma parte muito profunda do cérebro, a qual a abordagem não alcança.

O estudo foi feito com 16 adultos saudáveis de 21 a 40 anos. Os participantes foram submetidos a um teste de memória no qual precisavam decorar palavras e imagens de outras pessoas. Depois, eles passaram por uma sessão de 20 minutos de EMT por dia e durante cinco dias. A cada sessão, eles realizavam novos testes de memória.

Segundo os resultados, todos os pacientes apresentaram uma melhora nos testes de memória a partir do terceiro dia de estimulação magnética. Esse benefício não ocorreu na semana seguinte, quando os voluntários foram submetidos a um tratamento falso para que os pesquisadores eliminassem a possibilidade de ter ocorrido um efeito placebo.

“Isso abre uma nova área para estudos nos quais descobriremos se é possível melhorar a função da memória em pessoas que realmente precisam”, diz Joel Voss. Sua equipe já começou um novo estudo no qual analisa o impacto da EMT sobre a cognição de pacientes que já apresentam perda de memória em estágio inicial.

Como prevenir a perda de memória:

É durante o sono que a memória e a aprendizagem se consolidam. Na fase denominada REM, o cérebro reúne as informações e lembranças adquiridas no dia e as repete para si mesmo — isto é, reativa os circuitos neurais utilizados durante o dia. A partir daí, o conteúdo migra para a chamada memória de longo prazo. “De dia, as informações estão bagunçadas no cérebro. No sono reparador, elas se organizam e passam a fazer sentido. Esse processo faz com que a pessoa não esqueça o que estudou, por exemplo”, explica Edson Issamu Yokoo, neurologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. Por isso, dormir bem é um conselho recorrente para estudantes.

O estado de stress crônico libera hormônios como adrenalina e cortisol, que prejudicam a fixação da memória. “Níveis elevados e prolongados de cortisol levam à diminuição das células do hipocampo, relacionado à memória”, diz Lucas Alvares. Já a depressão diminui a atenção do indivíduo. “A pessoa tem menos motivação para focar em determinadas situações cotidianas”, diz André Lima, neurologista membro da Academia Brasileira de Neurologia. Em casos mais graves, a depressão pode levar à demência por transtornos psiquiátricos.

A hipertensão pode fazer com que os vasos do cérebro se estreitem, já que estimula o aumento da musculatura dos vasos e diminui a permeabilidade para a passagem de nutrientes, oxigênio e gás carbônio. “Esse estado prejudica a circulação e favorece o derrame, causador da morte dos neurônios”, explica Eduardo Mutarelli, neurologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
 
Um estudo divulgado pela revista The Lancet constatou que a pressão arterial elevada em pessoas de 40 anos afeta de forma negativa as massas cinzenta e branca do cérebro, regiões envolvidas na memória e na cognição. Controlar a hipertensão, portanto, afasta diferentes males, como problemas cardíacos, AVC isquêmico e, consequentemente, a perda de memória.
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Níveis altos de colesterol LDL, chamado de colesterol “ruim”, leva ao depósito de gordura nas paredes das artérias de todo o corpo — inclusive no cérebro — e que causa o entupimento das veias. Esse fator acarreta em um AVC isquêmico que induz à morte de neurônios do local afetado e, assim, a dificuldades na memória. “É o que chamamos de demência vascular”.

A cafeína ativa a liberação de energia da célula. Com isso, os impulsos cerebrais têm um desempenho melhor, o que contribui para a melhor fixação da memória. “Estudos recentes estão voltados para interpretar como a cafeína atua mais detalhadamente no hipocampo”, explica Lima. O Ministério da Saúde recomenda o consumo de 300 a 500 mg de cafeína por dia, o que equivale de três a cinco xícaras de café.
 

 

9958 -Neurociência – Com a prótese na cabeça


Depois de dez anos de pesquisas, a Universidade da Califórnia testou a primeira prótese cerebral. Cientistas querem usar uma espécie de chip de silicone para reparar tecidos danificados e ajudar pessoas que sofrem de doenças como epilepsia e mal de Alzheimer. A ideia é fabricar um hipocampo, parte que fica bem no centro do cérebro, na altura dos lobos temporais. Como o hipocampo é de extrema importância na ativação da memória, ainda não se sabe exatamente como será a recuperação e quais serão os efeitos que a cirurgia pode causar. “Ainda estamos verificando se o comportamento dos animais em teste mudará”, diz Sam Deadwyler, que está conduzindo a experiência, observando o comportamento de ratos.