14.274 – Arma Brasileira contra Coronavírus – Remédio encontrado apresenta 94% de eficácia


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O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, afirmou, em coletiva de imprensa que um novo fármaco cujo nome não foi divulgado, encontrado por cientistas brasileiros foi aprovado pelo Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para testes clínicos em pacientes com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.
De acordo com o representante do Governo, o medicamento apresentou eficácia de 94% em testes contra o vírus, conduzidos em ambientes controlados.
O nome do remédio não será divulgado, enquanto os experimentos perdurarem. O ministério, no entanto, adiantou que o medicamento é economicamente acessível, bem como é utilizado por pessoas de diversos perfis de saúde.
A pesquisa será realizada com 500 pacientes em sete hospitais do Brasil, dos quais cinco estão no Rio de Janeiro e os outros dois em Brasília e São Paulo. Após assinarem um termo de voluntariado, os pacientes serão divididos em dois grupos: um deles vai receber doses diárias do medicamento, enquanto o outro será submetidos a placebos – isto é, a simulações de tratamento. Segundo Pontes, a expectativa é que os resultados sejam revelados nas próximas semanas.
O fármaco promissor foi descoberto em meio ao estudo de 2 mil medicamentos. Os cientistas observaram as interações de cada uma das substâncias com as enzimas e propriedades já conhecidas do novo coronavírus, por meio de supercomputadores equipados com recursos de inteligência artificial.
A partir dos experimentos, foram selecionados seis fármacos para os testes em ambientes controlados nos laboratórios. Agora, essa única substância seguirá para testes clínicos com pacientes infectados pela Covid-19.

Vacina BCG
Na coletiva, o ministro Marcos Pontes também citou que a pasta formalizou o repasse de R$ 600 mil para testes relacionados à vacina BCG, substância aplicada geralmente em crianças para prevenir a ocorrência de turberculose. A ideia é testar se vacinados são mais resistentes ao coronavírus.
De acordo com informações da Agência Brasil, dados recentes indicam que países que mantêm o uso da BCG apresentaram menores proporções de Covid-19 em comparação a nações que suspenderam o uso da vacina, como EUA, Espanha e Itália. A eficácia do tratamento também já é testada em outros países, como a Austrália.

14.266 – Remédio pra Vermes Liquida Coronavírus em 48 hs


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Pesquisa na Austrália mostrou eficácia de medicamento contra coronavírus in vitro
Próximas fases do estudo vão definir se a droga pode funcionar em humanos
Uma única dose eliminou todo o código genético do vírus em 48 horas
Estudo deve ser visto com cautela e se soma a outros que mostraram eficácia em testes
Um remédio contra parasitas, usado normalmente no combate a piolhos, mostrou eficácia em testes feitos in vitro contra o coronavírus. O estudo foi feito por pesquisadores australianos da Universidade Monash e do laboratório de infecções virais do Hospital Real de Melbourne, sendo publicado no periódico Antiviral Research.
Na pesquisa, os cientistas usaram o remédio ivermectina, já utilizado no mercado e aprovado para tratamentos médicos, para inibir o coronavírus em cultura de células. O resultado do teste inicial foi efetivo: injetado duas horas após a infecção da célula, a droga com uma única dose erradicou em 48 horas todo o material genético do vírus – em 24 horas, a redução da infecção já era de 93%.
Apesar de animador, os próprios pesquisadores realçam que os testes são iniciais e que as próximas etapas do estudo determinarão se, de fato, o remédio pode ser efetivo ou não. A intenção é evitar usos desnecessários por pessoas pelo mundo com a possibilidade de intoxicação e morte, como já ocorreu com a cloroquina. “A ivermectina é muito usada e considerada uma droga segura. Mas agora precisamos entender se a dosagem que seria usada em humanos é efetiva e este é o próximo passo”, afirmou em comunicado Kylie Wagstaff, chefe da pesquisa e membro do Instituto de Biomedicina de Monash. A estratégia dos cientistas na pesquisa é semelhante à de outros pelo mundo: o reposicionamento de de fármacos. A intenção é abreviar o tempo para que um remédio contra o coronavírus fique disponível. No Brasil, cientistas usam a mesma tática e já selecionaram cinco compostos promissores que estão passando por testes in vitro.
A droga entra no rol de mais uma que se mostrou promissora contra o coronavírus em testes in vitro. Anteriormente, a cloroquina, remdesivir, lopinavir, emitine e outras também já se mostraram eficazes na replicação do coronavírus in vitro – ou seja, com células infectadas em laboratório. A OMS (Organização Mundial de Saúde) tem organizado testes clínicos com cinco compostos, em parcerias com instituições de todo o mundo, para ver se há eficácia de algum remédio em humanos de fato contra o coronavírus.
No estudo sobre a ivermectina, pesquisadores apontam que ela já se mostrou eficaz in vitro contra outros vírus como o HIV, dengue e influenza. No estudo envolvendo o coronavírus, os pesquisadores relembram que a droga deu resultados mistos após testes clínicos na Tailândia envolvendo a dengue.
Os pesquisadores ainda sugerem que a eficácia pode ser definida pelo regime de doses do medicamento, que pode ser alvo do estudo futuro para verificar a real eficácia em humanos contra o coronavírus. Eles avaliam que o remédio pode ser usado em infecções iniciais – o teste feito ocorreu com doses aplicadas após duas horas de infecção em células.

14.245 – O que é a hidroxicloroquina?


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Hidroxicloroquina, cloroquina e remdesivir. Esses são os medicamentos que, segundo estudos científicos, podem ser eficazes no combate ao novo coronavírus.
A hidroxicloroquina, também conhecida pelo nome comercial Reuquinol, é a mais promissora. O remédio é usado para o tratamento da malária desde os anos 1930, mas também já foi usado para combater doenças como artrite reumatoide e lúpus.
O remédio chegou a ser substituído por outros recentemente porque o protozoário parasita plasmodium falciparum, causador da malária, tornou-se resistente à sua ação. A hidroxicloroquina podia ser usada para prevenir ou combater a malária.
O medicamento já se mostrara anteriormente eficaz contra a Sars, uma doença respiratória aguda que surgiu na China em 2002 e pertence ao grupo coronavírus, assim como o vírus causador da atual pandemia de Covid-19.
Em um estudo publicado por cientistas chineses em 18 de março na revista científica Nature, as drogas hidroxicloroquina e remdesivir se mostraram capazes de inibir a infecção do SARS-CoV-2 (nome do novo coronavírus) em simulação in vitro.
Outro estudo feito na França, realizado pelo Instituto Mediterrâneo de Infecção de Marselha, publicado no periódico científico International Journal of Antimicrobial Agents, mostra que a hidroxicloroquina teve desempenho positivo. Em alguns casos, foi usado também um antibiótico chamado azitromicina, que combate infecções pulmonares causadas por bactérias.
Gregory Rigano, orientador de pesquisa na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e coautor de um estudo sobre o uso de hidroxicloroquina em humanos para combater o coronavírus. Em um experimento feito com dois grupos, um que recebeu o medicamento e outro que não o recebeu, o resultado da droga no combate ao novo coronavírus foi eficaz. O antibiótico azitromicina foi usado em conjunto com a cloroquina, como no estudo feito na França.
O estudo ainda está para ser publicado, mas Rigano já concedeu uma entrevista a uma rádio americana falando sobre o tema. “Esse será o estudo mais importante a ser lançado sobre o tema. Ponto”, disse Rigano. O bilionário Elon Musk também publicou uma mensagem no seu perfil no Twitter nesta semana afirmando que a droga poderia ser eficaz contra o novo coronavírus. A FDA realiza testes com a cloroquina para combater a Covid-19.
Apesar de promissora, a droga ainda precisa de mais testes clínicos antes de ser distribuída amplamente para a população de forma segura. Por isso, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, pediu que a Federal Drug Administration, análoga à Anvisa brasileira, seja ágil com o processo de testes e aprovação do medicamento.
Outro medicamento que tem se mostrado promissor contra o novo coronavírus é o remdesivir. Porém, por ser um medicamento experimental, não se espera que ele esteja amplamente disponível para o tratamento de um grande número de pessoas tão cedo quanto a hidroxicloroquina. A farmacêutica americana Gilead detém a patente do remdesivir.
Os medicamentos anti-virais lopinavir e favipiravir chegaram a ser considerados como drogas em potencial para tratar a Covid-19, mas um estudo divulgado na noite de ontem mostrou que elas são ineficazes. Com isso, os esforços dos cientistas de todo o mundo agora se voltam à hidroxicloroquina.

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13.291 – Remédio é aprovado para câncer – em qualquer parte do corpo


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Os médicos sempre falam de um futuro onde o câncer será tratado de acordo com características moleculares, e não por causa do local em que surgiu. Uma notícia tornou esse futuro uma realidade, o que abre as portas para uma Oncologia ainda mais personalizada e efetiva.
A FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora norte-americana, aprovou pela primeira vez na história um medicamento com base em alterações biológicas do tumor. Isso significa que, desde que a doença apresente essa particularidade — já falaremos dela —, pode receber a droga, independentemente se está na mama, no intestino, no pâncreas, na pele…

“Todas as indicações anteriores se baseavam no órgão afetado. A revolução está no fato de que um aspecto molecular do câncer, descoberto com exames relativamente simples, foi priorizado”, contextualiza o médico Jacques Tabacof, coordenador geral da Oncologia Clínica e da Hematologia do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.
Na prática, a medicação — chamada de pembrolizumabe, da farmacêutica MSD — poderá ser empregada em quaisquer tipos de tumor avançado que não respondam aos tratamentos convencionais. Isso, claro, desde que a doença possua a tal alteração, presente em 5% de todos pacientes. Ainda é pouca gente, mas a perspectiva de termos mais armas que atuam em várias frentes é certamente positiva aos pacientes, principalmente entre os que, hoje, têm um arsenal exíguo à disposição.

Outra coisa: o Brasil ainda não aprovou o pembrolizumabe para esse fim. Por aqui, ele só é empregado contra o melanoma, uma versão especialmente agressiva de câncer de pele. Nos Estados Unidos, mesmo antes dessa novidade, o princípio ativo já vinha sendo usado contra linfoma de Hodgkin e nódulos no pulmão.

Por dentro do câncer… e da aprovação
A tal característica molecular que define o uso ou não do remédio se chama instabilidade de microssatélite. Não fique com medo do nome complicado: “Trata-se de uma alteração na célula que dificulta reparos no nosso DNA”, explica Tabacof, que também atua no Centro Paulista de Oncologia (CPO). Com isso, uma mutação perigosa que normalmente seria consertada segue incólume e pode originar um câncer.
Acontece que essa particularidade torna a moléstia, digamos, mais vulnerável à ação do pembrolizumabe, um medicamento pertencente ao grupo da imunoterapia. O remédio, na verdade, estimula as células de defesa do próprio organismo a identificarem o câncer e o atacarem.

“Embora tenha chamado a atenção ultimamente, a droga não é a única a seguir esse princípio. É possível que, no futuro próximo, outras farmacêuticas busquem aprovações similares com seus imunoterápicos”, raciocina Tabacof. Seguindo essa lógica, talvez nos próximos anos mais fármacos sejam liberados para atuar em diversos tipos de câncer. Entendeu quão relevante é a decisão da FDA?!

13.271 – Medicina – Estatina reduz risco de infarto, derrame e insuficiência cardíaca


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Um novo estudo acaba de comprovar mais um benefício das estatinas para a saúde cardíaca. Além de ter o colesterol controlado, pessoas que tomam estatinas têm menor probabilidade de terem o músculo do coração espesso, condição conhecida como hipertrofia ventricular esquerda, que aumenta o risco de infarto, insuficiência cardíaca e derrame no futuro.
No estudo, apresentado durante o EuroCMR 2017, conferência sobre exames de imagem cardíaca realizada em Praga, na República Tcheca, pesquisadores da Universidade de Londres analisaram, por meio de exames de ressonância magnética, o coração de 4.622 pessoas na Inglaterra, das quais 17% tomavam estatinas. Os resultados mostraram que, em comparação com quem não fazia tratamento com o medicamento, aqueles que faziam tinham câmaras ventriculares esquerdas com uma porcentagem de massa muscular 2,4% menor. Seu volume de massa ventricular esquerda e direita também eram menores.
Mas, na prática, o que isso significa? De acordo com Nay Aung, autor do estudo, essas características correspondem a uma redução no risco de desfechos adversos associados a um coração grande e espesso, como infarto, insuficiência cardíaca e derrame, em pacientes que, teoricamente já estavam em risco mais alto de desenvolver problemas cardíacos, em comparação com aquelas que não usam o medicamento.
Os resultados foram confirmados mesmo após os cientistas contabilizaram outros fatores que podem afetar o coração, como etnia, gênero, idade e índice de massa corporal (IMC).

Possível explicação
Segundo informações do jornal britânico The Guardian, outros benefícios já comprovados das estatinas incluem melhoria da função dos vasos sanguíneos, redução da inflamação e estabilização dos depósitos de gordura nas paredes das artérias.
Embora o estudo atual não tenha analisado o porquê desse efeito benéfico das estatinas na estrutura e função cardíaca, pesquisas anteriores já haviam mostrado que o medicamento reduz o stress oxidativo e a produção de fatores de crescimento, químicos naturais que estimulam o crescimento celular. Essas características podem ter influência em seu efeito sobre a estrutura cardíaca. As estatinas também ajudam a dilatar as veias sanguíneas, levando a uma melhora no fluxo e redução do stress do coração.

13.179 -Veneno de peixe do Pacífico pode ajudar a criar analgésico


Pequenos peixes da espécie Meiacanthus grammistes, que habita os recifes de corais do oceano Pacífico, possuem um veneno incomum que poderia ser usado como matéria-prima para um novo tipo de analgésico, afirmaram cientistas britânicos e australianos.
O veneno desses peixes, que têm de quatro a sete centímetros de comprimento, paralisa os predadores, sem causar dor, segundo um estudo publicado na revista “Current Biology”.
Uma análise mostrou que o veneno tinha três componentes: um neuropeptídeo encontrado no veneno de caracóis, uma enzima similar à do veneno de escorpião, e um composto opiáceo.
Os cientistas estimam que o neuropeptídeo e o componente opiáceo poderiam provocar uma queda repentina na pressão arterial. “O veneno faz com que o peixe mordido se mova mais lentamente e fique desorientado, ao agir sobre seus receptores opioides”.
Experimentos com ratos de laboratório revelaram que os roedores não mostraram nenhum sinal de dor quando foram injetados com o veneno do peixe. Fry disse que o veneno é “quimicamente único”, e que esta espécie é “a mais interessante”.
Seu comportamento também é intrigante, disse, devido à maneira como eles parecem não ter medo de predadores e lutam por territórios com peixes do mesmo tamanho.
O pesquisador afirma que as descobertas reforçam a necessidade de proteger a Grande Barreira de Corais australiana e outros ecossistemas frágeis.

12.980 – Farmacologia – O antimicótico cetoconazol


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Cetoconazol é um fármaco antimicótico ou antifúngico derivado do imidazol usado topicamente (creme, gel ou xampu). Descoberto nos anos 80. Não se usa mais na forma oral por ser muito mais tóxico que outros antifúngicos.

Indicações
Pé de atleta (tinea pedis);
Micose corporal (tinea corporis);
Micose da virilha (tinea cruris);
Dermatite seborreica;
Micose do sol (Tinea versicolor ou pitiríase versicolor);
Candidíase cutânea
Tem acção antimicótica in vitro sobre os seguintes fungos: Blastomyces dermatitidis, Candida spp., Coccidioide immitis, Epidermophyton floccosum, Histoplasma capsulatum, Malassezia spp., Microsporum canis, Paracoccidioide brasiliensis, Trichophyton mentagrophytes e Trichophyton rubrum. É bastante eficaz, para pele.

Efeitos colaterais
É incomum (4% dos usuários) que cause coceira, ardor, queimação, vermelhidão ou irritação no local onde foi aplicada. Mudar de medicamento se ocorrer. Também é incomum (1%) deixar a pele mais seca ou mais oleosa ou causar dor de cabeça. Outros efeitos colaterais são raros (menos de 1%). Como comprimido era hepatotóxico (15%) e causava problemas gastrointestinais (3%) por isso parou de ser usado.

Lista de nomes comerciais
Aciderm – Brasil
Arcolan – Brasil
Candicort – Brasil
Candiderm – Brasil
Candoral – Brasil
Cetoconazol – Brasil
Cetohexal – Brasil
Cetomed – Brasil
Cetonax – Brasil
Cetoneo – Brasil
Cetonil – Argentina, Brasil
Cetozan – Brasil
Cetozol – Brasil
Cemicort – Brasil
Cezolin – Grécia
Cortifungin – Brasil
Dermitrat – Brasil
Frisol – Portugal
Frisolac – Portugal
Fungoral – Alemanha, Áustria, Brasil, Grécia, México, Noruega, Suécia
Ketomicol – Brasil
Ketonan – Brasil
Ketonazol – Argentina, Brasil, Tailândia
Lozan – Brasil
Miconan – Brasil
Micoral – Argentina, Brasil
Nizale – Portugal
Nizoral – África do Sul, Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos da América, Finlândia, França, Hong Kong, Holanda, Hungria, Inglaterra, Irlanda, Israel, Itália, Malásia, México, Nova Zelândia, Portugal, Singapura, Suíça, Tailândia
Nizoretic – Brasil
Noriderm – Brasil
Noronal – Brasil
Rapamic – Portugal
Tedol – Portugal
Kanazol – Cabo Verde
Letoconazol – Moçambique

12.881 – Tranquilizante de cavalo vai virar antidepressivo


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Um pózinho amarelo que fazia sua alma descolar do corpo. Essa era o slogan do Special K nos anos 90, uma droga chegava aos narizes dos festeiros das ruas refinada a partir de tranquilizantes usados em cavalos e gatos. Duas décadas depois, é essa a substância que promete mudar a vida de muita gente que sofre com depressão e revolucionar o tratamento da doença.
A ketamina é um anestésico relativamente barato que também pode ser usado em humanos em hospitais. Mas o negócio ficou famoso mesmo nas baladas. Ao contrário de drogas como o ecstasy, que são estimulantes, a ketamina é um depressor do sistema nervoso. O resultado é que a pessoa, por dentro, está vivendo uma fantasia incrível, cheia de alucinações – podendo até dançar pessoalmente com a Madonna – enquanto por fora, ela está parada, quase babando. Exagerar no Special K tinha um efeito tão assustador que ganhou o apelido de K Hole, o buraco de onde é difícil de sair e no qual fica difícil de reconhecer a realidade.
Só que da experiência das ruas começaram a aparecer histórias de gente que se curou da depressão com a ketamina. E a indústria farmacêutica começou a levar a história a sério e a pesquisar os efeitos da droga.
A busca por um remédio mais eficiente foi o que fez os laboratórios olharem mais de perto para a ketamina. O efeito da droga é imediato. Uma dose é sentida pelos pacientes em minutos e o resultado como antidepressivo pode durar por semanas.
A ketamina tem dois obstáculos importantes a ultrapassar para chegar nas farmácias. Em primeiro lugar, a parte recreativa precisa ir embora. Não tem condições de um alucinógeno ser aprovado como remédio de uso frequente por agências reguladoras (para a tristeza de algumas pessoas). Para isso, alguns laboratórios estão testando a esketamina, um isômero óptico da ketamina que tem os mesmo efeitos antidepressivos, mas sem visões e experiências metafísicas.
Outro problema é econômico. A ketamina já foi patenteada anos atrás. O tempo passou, a patente caiu e qualquer um pode produzir a substância, diminuindo bastante o potencial de lucro da empresa farmacêutica que desenvolver um remédio com ela. Mas também tem formas de contornar isso, criando melhorias patenteáveis, como novas formas de administração da droga (que não seja intravenosa, como nos hospitais, nem cheirada em pó, como nas festas).
A verdadeira revolução que o Special K pode provocar, porém, não é a criação de um único remédio novo. O principal mecanismo de ação da droga é completamente diferente dos antidepressivos convencionais como Prozac. Os remédios atuais são inibidores seletivos de recaptação de serotonina. O uso deles se baseia na hipótese de que existe um desequilíbrio químico de serotonina no cérebro que causa a depressão. Aí a produção desse neurotransmissor bomba e as pessoas se sentem melhor. O problema é que o efeito no cérebro é imediato, mas o quadro de depressão em si demora umas duas semanas para aliviar. Isso quando dá certo – o tratamento só funciona para 58% dos pacientes.
Já principal mecanismo de ação da ketamina não tem nada a ver com as monoaminas, grupo de substâncias da qual a serotonina faz parte – o que põe em cheque a hipótese atual sobre o que a depressão de fato faz no cérebro. O estudo da explosão que o Special K causa no cérebro pode então revelar neurotransmissores que ninguém nunca tinha associado com a depressão. A notícia é boa para os 42% que nunca se acertaram com o Prozac: tem muito mais “pílulas da alegria” vindo por aí.

12.744- Medicina – Medicamento de menos de R$ 20 combate Alzheimer em ratos


Um novo aliado no tratamento do Alzheimer pode ter sido encontrado. Os problemas de memória característicos da doença foram totalmente controlados, em um estudo com ratos, com a administração de medicamentos já conhecidos no dia a dia da prática clínica.
Os cientistas, liderados por David Brough, da Universidade de Manchester, conseguiram os resultados positivos ao utilizarem ácido mefenâmico, um anti-inflamatório não-esteroide, no tratamento da doença. O medicamento custa menos de R$ 20 no Brasil e só pode ser comprado com receita (tarja vermelha). Ele costuma ser prescrito para casos de artrite reumatoide e para dores menstruais.
Os possíveis desencorajadores efeitos colaterais incluem infarto do miocárdio, derrame, hipertensão, reações cutâneas graves, insuficiência renal, anafilaxia, problemas psiquiátricos, respiratórios, auditivos, oculares, de fertilidade e gastrointestinais.
O alvo era o inflamassoma NLRP3, um complexo proteico (várias proteínas juntas, com múltiplas funções) ativo durante quadros inflamatórios. Esse amontoado de proteínas tem um papel central no desenvolvimento da inflamação, da patologia e para os defeitos de memória encontrados em ratos com Alzheimer. Atualmente não são conhecidos inibidores eficientes da NLRP3.
Os ratos começaram a ser tratados em idades em que já apresentavam déficit de memória. Após 28 dias recebendo ácido mefenâmico, todos os problemas relacionados a esquecimento haviam sido completamente controlados.
Os anti-inflamatórios em questão, segundo o estudo, são candidatos atraentes para uma abordagem polivalente no tratamento de doenças inflamatórias. Isso porque, quando administrados, seus alvos são múltiplos, fazendo-os serem mais ativos, mesmo com doses menores. Segundo o estudo, há chance real de a medicação utilizada ser uma terapia inovadora para doenças relacionadas a inflamações, como o Alzheimer.
Os resultados animadores, porém, não podem ser estendidos para casos humanos. Há evidências robustas em ratos da ligação entre a NLRP3 e as doenças inflamatórias, mas o mesmo não ocorre para pessoas. Por conta disso, os especialistas afirmam que há necessidade de mais estudos para uma avaliação mais segura.
Os pesquisadores acreditam que o sucesso dos experimentos com ratos pode acelerar testes de eficácia clínica em humanos. Além disso, a medicação utilizada no experimento não é uma novidade. Ela é conhecida e rotineiramente utilizada na prática clínica e, desse modo, poderia rapidamente ser direcionada para outras condições de saúde.
Os cientistas reforçam que a droga não tem indicação específica contra Alzheimer. O uso continuado sem indicação médica pode trazer versões agravadas dos efeitos colaterais. O estudo foi publicado nesta semana na revista “Nature Communications”.

12.575 – Farmacologia – Medicamento produzido no Brasil vai beneficiar por ano 30 mil pacientes com acromegalia


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Em 2015, o Ministério da Saúde vai ofertar dois milhões e cinquenta mil comprimidos de Cabergolina, medicamento para tratar a acromegalia, doença rara, caracterizada pela produção exagerada de hormônio do crescimento que provoca o aumento de extremidades do corpo como mãos, pés, orelhas e nariz; bem como de órgãos internos como coração e fígado.
A aquisição desse medicamento, que vai beneficiar cerca de 30 mil pacientes do SUS por ano, será produzido no Brasil, conforme explica o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha:”É uma parceria da Bahiafarma, de Farmanguinhos e Fiocruz. É um marco histórico que mostra o acerto de uma política que vem sendo perseguida, particularmente, nos últimos seis anos e que está implicando no renascimento da produção nacional em saúde que, praticamente, tinha sido destruída na vertente das instituições públicas no passado.”
De acordo com o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Carlos Gadelha, com a compra do medicamento Cabergolina, produzido no Brasil, o Ministério da Saúde vai economizar 50% do valor que era investido para aquisição do mesmo no mercado internacional: “Se eu for comparar o preço da Parceria de Desenvolvimento Produtivo com o preço que vigia antes da parceria, o Ministério ainda consegue uma economia de, praticamente, 17 milhões de reais do que era pago antes da parceria ter se iniciado. Ele já era um produto incorporado, mas, agora com a produção nacional, a gente torna ele mais econômico e mais estável o abastecimento, com menor risco de, por exemplo, frente à flutuação do mercado internacional, frente qualquer vulnerabilidade externa, a gente vai ter a produção nacional garantida.”
Somente em 2015, o Ministério da Saúde vai investir 17 milhões e 400 mil reais na compra de mais de dois milhões de comprimidos para tratar pacientes do SUS com a doença rara, caracterizada pela produção exagerada de hormônio do crescimento.
O medicamento, até o momento importado, é fruto de parceria de desenvolvimento produtivo entre a Bahiafarma, que detém o registro do medicamento junto a Anvisa, e a indústria farmacêutica brasileira Cristália que adquiriu a tecnologia fora do país e que está em fase avançada de incorporação pela Bahiafarma.
O fornecimento ao SUS da Cabergolina beneficia pessoas que possuem distúrbios hormonais relacionados ao hormônio prolactina, afetando o mecanismo do leite materno, além de acromegalia que promove crescimento de nariz , orelhas
A diretora da Bahiafarma, Julieta Palmeira, disse que a Cabergolina é o primeiro medicamento da Bahiafarma a ser adquirido pelo Ministério da Saúde em compra centralizada e a ser distribuído ao SUS de todo o país.

12.558- Combinação de novas drogas deve turbinar luta contra o câncer


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A estratégia de tirar o “disfarce” do tumor para que o próprio organismo lute contra a doença tem tido bons resultados e, em geral, com poucos efeitos colaterais.
O consenso é de que ela dominará o futuro da oncologia. Agora, o uso de múltiplas drogas simultaneamente parece ser a próxima fronteira para combater a doença.
Entre os vários estudos apresentados no encontro anual da Asco (Sociedade Americana da Oncologia Clínica), que terminou nesta terça (7) em Chicago, casos de sucesso dessas terapias combinadas ganharam destaque.
O objetivo na luta contra o câncer é buscar moléculas melhores e menos agressivas ao organismo. Como juntar moléculas de alta toxicidade para obter melhores resultados é praticamente impensável, é aí que a eficaz, menos danosa e cara imunoterapia ganha espaço.
Dois anticorpos imunoterápicos, o nivolumabe e o ipilimumabe (ambos da farmacêutica Bristol-Myers Squibb), se combinados, podem ter um efeito bastante positivo no tratamento do melanoma (tumor de pele). Foi esse, aliás, o primeiro tipo de câncer a chamar atenção com a nova estratégia, por volta de 2010.
De acordo com as farmacêuticas, não há obstáculo nem mesmo em testar combinação entre drogas concorrentes. “Isso interessa aos dois lados”, afirma Ronit Simantov, líder médica do setor de oncologia da Pfizer.
Para ela, se não houvesse essa disposição de colaborações, seriam desperdiçadas oportunidades de trazer um melhor tratamento aos pacientes – o que também significaria menos vendas.
Nessa disputa por espaço também está a MSD com sua droga pembrolizumabe, que vem sendo estudada em várias doenças, como melanoma, tumores do sistema digestivo e de pulmão de pequenas células.
O problema é como pagar por esses medicamentos. O custo do nivolumabe pode ser de mais de US$ 150 mil, e o do ipilimumabe, de mais de US$ 100 mil. A combinação sai cara, mas com sobrevida quatro vezes maior do que a do uso isolado do “ipi”.
“Combinação de vários tratamentos não funciona para todo mundo com câncer. É muito caro, não há sistema que aguente. Temos de conhecer cada vez mais os tumores e achar os biomarcadores para saber em que casos vale a pena gastar mais”, afirma Luciana.
O custo de produção, envase e distribuição para países pobres não teria grande impacto nas receitas se a droga fosse vendida a eles a um preço menor – o que tem se tornado uma prática cada vez mais comum. Isso dá esperança de que o acesso aos mais novos tratamentos inovadores com imunoterápicos possam chegar mais rapidamente às redes privada e (quem sabe) pública do país.
São alternativas enquanto não se tenha tecnologias realmente revolucionárias, o que se espera para breve.

12.557 – Saúde – Falta de remédios de alto custo prejudica doentes crônicos


Doentes crônicos que procuram a farmácia de medicamentos de alto custo do governo do Distrito Federal e também em outros estados, enfrentam a falta contínua de remédios para tratamento. Dos 225 que compõem a lista de distribuição gratuita, cerca de 45 estão fora do estoque.
De acordo com a presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, o sindicato acompanha as licitações para compra de medicamentos muito caros e concluiu que o número de remédios comprados é menor que a demanda.
“A falta de medicação vem se agravando a cada dia de passa devido à falta de planejamento. Não se pensou a saúde pelos próximos 10, 20 anos”, ressalta a dirigente do sindicato que representa os empregados em estabelecimentos prestadores de serviço em saúde.
Em relatório ao qual a Agência Brasil teve acesso, o sindicato destaca que diversos fatores influenciam a falta de medicamentos de alto custo na capital federal. Entre eles estão a demora na tramitação de processos internos na Secretaria de Saúde, atraso na entrega dos remédios, falta de dinheiro, além da demora na tomada de decisões pelo governo local.
De acordo com o gerente de programação da Secretaria de Saúde, Emmanuel Carneiro, o problema está no atraso da entrega pelo fornecedor em 90% dos casos de falta de medicamentos.
Atualmente, a Farmácia de Medicamentos Excepcionais atende a 40 mil pacientes. Em geral, os remédios são destinados ao tratamento de doenças crônicas e têm indicação de uso contínuo.
Por meio de protocolo, o Ministério da Saúde define as doenças contempladas, entretanto, os estados e o Distrito Federal têm autonomia para acrescentar tratamentos e, por consequência, medicamentos liberados ao público.
Segundo o gerente de programação da Secretaria de Saúde, Emmanuel Carneiro, não há data certa para recomposição de todo o estoque. “Mas o processo é dinâmico e a previsão é que sejam reestabelecidos o mais rápido possível. Estamos em contato diário com os fornecedores para agilizar essa entrega”, disse.
A falta dos remédios é o segundo assunto mais procurado na Defensoria Pública do Distrito Federal. Em 2016, no mês de janeiro, foram feitos 323 atendimentos, dos quais 16 geraram ações judiciais. No ano passado, foram 3.937 atendimentos, e 474 ações na Justiça.

12.309 – Farmacologia – Valproato de Sódio


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Ou ácido valpróico é um anticonvulsivantes e estabilizante de humor muito usado no tratamento de epilepsia (generalizadas ou focais), convulsões, transtorno bipolar e migrânea. Está na lista da Organização Mundial da Saúde de Medicamentos Essenciais em um sistema básico de saúde. Seu uso é aprovado pelo FDA desde 1978.
Disponível em comprimido, cápsulas e xarope que devem ser armazenados a temperatura ambiente (15-30ºC) em lugar seco e sem sol. Pode ser em cápsulas de ação imediata, retardada ou prolongada e de 125mg, 250mg ou 500mg. Demora alguns dias para chegar ao efeito máximo.

Indicado para:
Epilepsia
Convulsões
Transtorno bipolar
Episódio maníaco
Prevenir enxaquecas/migrânea

Também se usa no controle de impulsos, por alguns estudos de casos bem-sucedidos, porém faltam mais estudos comprovando sua eficácia. Também está sendo estudado seu uso como parte do tratamento do câncer de mama, cervical e leucemia mieloide. Aprovado em fase II.
Tal como a fenitoína e a carbamazepina, o valproato bloqueia as descargas repetidas e prolongadas dos neurônios, que estão por trás de uma crise epilética. Estes efeitos devem-se, em doses terapêuticas, à diminuição da condutância dos canais de sódio voltagem-dependentes e inibindo a degradação do GABA.
Inibe o CYP2C9, a glucuronil transferase e o epóxido hidroxilase. Interage medicamentosamente com vários anticoagulantes, ansiolíticos, antidepressivos, antipsicóticos, anticonvulsivantes e com a zidovudina. Potencializa os efeitos do álcool. Nunca deve-se usar junto com Amifampridina
Relativamente aos seus efeitos secundários, os agudos incluem náuseas, vómitos, dor abdominal, aumento de peso e alopécia.

12.308 – Farmacologia – A Carbamazepina


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É um dos principais fármacos utilizados no tratamento da epilepsia. Quimicamente é parecida com a imipramina e demais antidepressivos tricícliclos. Possui grupamento carbamil na posição 5 e é derivada de iminostilbeno.
A carbamazepina foi descoberta pelo químico Walter Schindler da J.R. Geigy AG, que atualmente é parte da Novartis, em 1953. Schindler obteve êxito em sintetizar o fármaco em 1960 antes de que seus efeitos antiepiléticos fossem descobertos.
Foi comercializada inicialmente para tratar a neuralgia do trigêmeo em 1962 e depois em 1965 começou a ser utilizada como antiepilético no Reino Unido. No ano de 1972 foi aprovado seu uso nos Estados Unidos. É considerada medicamento de segunda geração de agentes anticonvulsivantes, depois do fenobarbital.
A carbamazepina é um bloqueador dos canais de sódio das membranas dos neurónios. Ela é específica para o estado conformacional dessa proteína que ela adapta logo após abrir o seu poro. Assim, a carbamazepina inibe a função dos canais mais usados. Como o influxo de sódio é que inicia a propagação do potencial de ação, os neurónios que apresentam a maior frequência de disparo (incluindo aqueles que disparam desreguladamente dando origem às convulsões, mas também outros) reduzem a sua atividade.
Potencializa a ação do GABA um neurotransmissor fisiológico que inibe a geração de potenciais das ações.
Deprime a atividade elétrica excessiva no cérebro, sem afetar demasiadamente a atividade normal.
A carbamazepina possui uma série de interações farmacológicas. Entre eles, podem ser citados o valproato, fenitoína e fenobarbital pois induzem CYP3A4 o que eleva o metabolismo da carbamazepina. O fármaco também reduz a concentração plasmática de haloperidol, interferindo em seu efeito terapêutico. Ainda, propoxifeno, eritromicina, cimetidina, fluoxetina e isoniazida pode interromper o metabolismo da carbamazepina. Com relação aos anticoncepcionais orais, o fármaco pode reduzir o efeito destes medicamentos. O paracetamol pode aumentar a toxicidade da carbamazepina.Pode reduzir a tolerância ao álcool. IMAO pode produzir convulsões, hipertensão e crises de febre. Existem outras interações.

Indicada para
Prevenção de episódios convulsivos na epilepsia do grande mal (convulsões tónico-clónicas generalizadas).
Convulsões tónico-clónicas parciais: fármaco de primeira escolha.
Antiepiléptico na epilepsia focal.
Eficaz na epilepsia psicomotora do lobo frontal.
Alivio de desvios comportamentais e emocionais no epiléptico.
Doença bipolar (ou maníaco-depressiva).
Síndrome de Abstinência Alcoólica
Nevralgia do trigêmeo e glossofaríngeo.
Dor da tabes

12.259 – Alcoolismo – As proteínas que podem salvar o fígado dos bêbados


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Isso merece um brinde, mas trocadilhos a parte;
Não há a menor dúvida: o excesso do consumo de bebidas alcoólicas destrói seu fígado. Só que os pesquisadores nunca souberam explicar como exatamente isso acontece. Agora, um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, parece ter encontrado o ponto de partida da cirrose no organismo – o intestino. E o melhor: o achado pode ajudar a proteger seu corpo contra o desenvolvimento da doença.
Isso porque, sob efeito do álcool, duas proteínas responsáveis por eliminar bactérias deixam de ser produzidas no intestino. E parte desse excedente acaba migrando para o fígado. Aí o corpo reage: células brancas são enviadas para reduzir essa população de bactérias. O problema é que, acionadas durante tempo prolongado, essas células também agridem o tecido – é quando surge a cirrose.
Para chegar a essa conclusão, Bernd Schnabl, líder da pesquisa, injetou álcool em dois grupos de roedores. Metade deles havia sido geneticamente alterado para apresentar deficiência dessas duas proteínas específicas (lectinas REG3B e REG3G), enquanto a outra turma era perfeitamente normal. Oito semanas depois, os ratos modificados apresentaram 50% mais de bactérias do que os outros – e o fígado ficou bem mais estragado.
Em um segundo experimento, os pesquisadores aumentaram a produção dessas duas lectinas nos animais e repetiram as injeções diárias de álcool. Nenhum deles apresentou qualquer dano no fígado.
Schnabl e sua equipe já começaram a estudar a população de bactérias no corpo de alcoólatras e não alcoólatras. Ao que tudo indica, o fígado humano reage da mesma maneira que o de roedores. Quem sabe, em um futuro próximo, a descoberta se transforme no remédio mais eficaz contra a cirrose.

12.227 – Morfina pode ser substituída por novo medicamento muito mais eficiente sem causar vício


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Os cientistas desenvolveram um novo medicamento que pode ser uma alternativa mais segura para a morfina.
Os pesquisadores descobriram que as variantes modificadas da endomorfina, um produto químico que ocorre naturalmente no corpo, são tão fortes quanto a morfina quando se trata de camuflar a dor.
O mais interessante é que a medicação não produz nenhum dos efeitos colaterais indesejados das drogas à base de ópio, que são extremamente viciantes. Porém, os resultados se referem apenas a testes em ratos, mas é um começo promissor para o que poderia ser um analgésico poderoso e menos problemático.
Analgésicos opiáceos são comumente usados ​​para tratar a dor severa e crônica, mas além de serem viciantes, os pacientes também desenvolvem uma tolerância aos efeitos ao longo do tempo. Com o risco de dependência, doses mais elevadas podem ser tomadas e overdoses podem ocorrer. Isto pode causar comprometimento motor e depressão respiratória potencialmente fatal, resultando em milhares de mortes anuais, principalmente nos EUA, local do estudo.
Os pesquisadores descobriram que a endomorfina produziu um alívio da dor semelhante à morfina, em ratos, sem apresentar os problemas decorrentes de medicamentos à base de ópio. “Estes efeitos secundários se mostraram ausentes ou reduzidos com a nova droga”, revelou o neurocientista e farmacologista James Zadina, da Faculdade de Medicina da Universidade de Tulane.
Em seus testes, os cientistas descobriram que as variantes de endomorfina produziram o alívio da dor de forma igual ou maior que a morfina, sem causar respiração substancialmente mais lenta em ratos. Quando dada uma dose semelhante da morfina aos animais, eles experimentaram depressão respiratória significativa. Problemas de coordenação motora também não foram evidentes nos ratos que receberam endomorfina modificada, embora o prejuízo tenha sido significativo em animais que receberam morfina. A tolerância à nova droga também foi menor, tornando-a mais efetiva.
Para determinar se a nova medicação foi viciante, os pesquisadores fizeram vários testes que eles dizem serem preditivos ao abuso de drogas humano, incluindo um experimento no qual os animais são observados em relação ao tempo que gastam em um compartimento onde receberam as substâncias. Com a morfina, sempre ficavam em volta do local, mas com a endomorfina, isso não aconteceu.
Os resultados, publicados na Neuropharmacology, são favoráveis aos medicamentos que não levam ópio, mas outras variantes neuroquímicas ainda precisam ser mais estudadas, segundo os pesquisadores. A equipe espera começar os testes clínicos em seres humanos dentro dos próximos dois anos.
Se os resultados mostrarem efeitos semelhantes aos observados em ratos, o medicamento seria muito importante, levando em conta que, segundo novos dados, mortes por overdoses de drogas atingiram um novo recorde em 2014, nos EUA, totalizando cerca de 47.055 pessoas. Como grande parte dos casos envolvem opiáceos – incluindo medicamentos prescritos – quanto mais cedo os analgésicos deixarem de ser viciantes, melhor será para as estatísticas, salvando a vida de milhares de pessoas.

12.095-Farmacologia – Após confirmar mortes ligadas à pílula, França suspende vendas da Diane 35


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A Agência Nacional de Segurança de Medicamentos e Produtos de Saúde (ANSM, sigla em francês) da França suspendeu nesta quarta-feira a autorização para a venda a pílula Diane 35, da farmacêutica alemã Bayer, e seus genéricos no país. A decisão foi tomada dias após a ANSM ter confirmado que o uso do medicamento, utilizado para combater a acne e também como anticoncepcional, está diretamente associado a quatro mortes por trombose ocorridas nos últimos 27 anos na França. De acordo com Dominique Maraninchi, diretor-geral da agência francesa, a suspensão deve começar a valer dentro de três meses. Ele recomenda que os pacientes não interrompam bruscamente seu tratamento nesse intervalo de tempo.

TROMBOSE VENOSA PROFUNDA

É a formação de coágulos (trombos) nas veias profundas do corpo, causando uma inflamação que pode ser leve ou grave. Os trombos podem se originar nas veias profundas ou superficiais da perna. Como o sangue das pernas vai ao coração e aos pulmões, pode ocorrer uma obstrução das artérias pulmonares (embolia pulmonar). A trombose venosa profunda pode ocorrer devido a uma lesão no revestimento da veia, um aumento das chances de o sangue coagular ou a uma diminuição da velocidade do fluxo sanguíneo. Cerca de metade das pessoas com o problema não apresenta sintoma algum.

A ANSM anunciou que iria pedir que as autoridades sanitárias do país proibissem a prescrição da Diane 35 para fins anticoncepcionais – originalmente, a pílula era um medicamento contra a acne. “É preciso parar com esse uso ambíguo e sua utilização como contraceptivo. É uma situação que durou tempo demais”, disse Maraninchi, em entrevista à rádio parisiense RTL.

Em resposta ao anúncio da ANSM, o laboratório BNesta segunda-feira,ayer divulgou uma nota na qual frisou que os riscos de coágulos sanguíneos ligados ao tratamento contra acne com Diane 35 “são conhecidos e estão claramente indicados na bula de informação ao paciente”. De acordo com a companhia alemã, o medicamento só deve ser prescrito em casos de acne e “no respeito de suas contraindicações.”

Brasil – A Diane 35 também é amplamente utilizada como anticoncepcional no Brasil. “Essa pílula está no país há mais de 20 anos. O tipo de progesterona presente no remédio é a ciproterona, conhecida por melhorar a pele e o cabelo das mulheres, além de inibir a ovulação. Por isso, ela á muito prescrita a pacientes que sofrem de síndrome do ovário policístico, por exemplo, já que essa condição faz com que a paciente seja mais propensa a ter muitas espinhas”

12.040 – Farmacologia – Taladafila


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É um fármaco da classe dos prescritos e usados na terapêutica da disfunção erétil (uma das formas da chamada impotência sexual, mas não a única).
Foi desenvolvido pela empresa biotecnológica ICOS e comercializado pelo Laboratório Farmacêutico Eli Lilly, sob o nome Cialis.
Nos Estados Unidos, tadalafila recebeu a aprovação da entidade Food and Drug Administration, havendo-se tornado disponível em Dezembro de 2003, como “a terceira pílula contra impotência masculina”, sucedendo sildenafila (Viagra, “a primeira pílula”) e vardenafila (Levitra, “a segunda pílula”).
Devido ao seu efeito prolongado quando comparado com os antecessores (dura cerca de 36 horas), é algumas vezes chamado de pílula do fim-de-semana.
A história do Cialis não pode ser discutida sem mencionar o fármaco da Pfizer, o Viagra. A sua aprovação pela FDA em 27 de março de 1998, levou esta droga prescrita para um grande sucesso logo no seu primeiro ano no mercado, vendendo quantias equivalentes a bilhões de dólares. Entretanto, as coisas mudaram consideravelmente para o gigante das drogas de disfunção erétil quando a FDA também aprovou o Levitra em 19 de agosto de 2003 e o Cialis em 21 de novembro de 2003. Em 1993 a companhia farmacêutica Icos começou a estudar o IC351, que é um inibidor da enzima PDE5, inibição esta que é basicamente o processo pela qual os medicamentos de disfunção erétil trabalham. Em 1994, os cientistas da Pfizer descobriram que o citrato de sildenafila, que é um pó cristalino branco que temporariamente normaliza a função erétil do pênis (ao bloquear a enzima que é conhecida como inibidora das reações químicas que causam as ereções), fez com que os pacientes cardíacos que estavam participando de um estudo clínico cardiológico tivessem ereções. Embora os cientistas não estivessem testando o composto químico IC351 para a disfunção erétil, o composto demonstrou ter um efeito colateral que potencialmente poderia valer milhões, se não bilhões de dólares. Logo a Icos recebeu seu primeiro paciente em 1994 para os estudos do IC351, e os testes clínicos da primeira fase iniciaram em 1995. Em 1997, a segunda fase dos estudos clínicos foi iniciada e a Icos realizou seu primeiro estudo com pacientes que tinham disfunção erétil. A segunda fase durou cerca de dois anos, e logo em seguida a terceira fase começou.
Em 1998, a corporação Icos, e Eli Lilly e Company, comercializaram a droga para a disfunção erétil, e dois anos depois, eles fizeram outro registro da droga com a FDA para o IC351; a única diferença é a de que eles decidiram chamar a droga de Cialis. Em maio de 2002, Icos e Eli Lilly e Company relataram à Associação Americana de Urologia que a terceira fase dos testes mostrou que o Cialis trabalha por até 36 horas, e um ano após a Icos e Eli Lilly e Company receberam a aprovação da FDA para a comercialização do Cialis. Uma vantagem que o Cialis tem sobre o Viagra é a de que a tadalafila tem uma meia-vida de eliminação de 17,5 horas (e conseqüentemente o Cialis pode trabalhar por até 36 horas) se comparada com as 4 horas de meia-vida da sildenafila (Viagra). O atraso do início varia significativamente mais do que com sildenafil (30 minutos a várias horas).
Eli Lilly comprou a corporação Icos por $2,1 bilhões de dólares em 2006.
O processo fisiológico da ereção envolve a liberação de óxido nítrico (NO) ao corpo cavernoso do pênis. O óxido nítrico liga-se a receptores da enzima guanilato ciclase, o que provoca um aumento nos níveis de guanosina monofosfato cíclico (GMPc). O GMPc promove um relaxamento da parede muscular dos vasos sanguíneos do pênis, aumentando o fluxo sanguíneo e possibilitando a ereção.

A tadalafila é um potente inibidor seletivo da PDE5 (fosfodiesterase tipo 5), uma enzima encontrada principalmente nas paredes das artérias do pênis e dos pulmões e responsável pela degradação do GMPc no corpo cavernoso. A estrutura química da tadalafila possui certa semelhança à estrutura do GMPc, e compete com este pela ligação à PDE5. Disso resulta um aumento nos níveis de GMPc e melhores ereções. A tadalafila não é capaz de produzir ereções por si só, sem a presença de estímulos sexuais, pois sem estes não há ativação do sistema óxido nítrico/GMPc. A sildenafila (Viagra) e a vardenafila (Levitra) agem de modo semelhante.
A tadalafila está sendo estudada como um possível tratamento para a hipertensão arterial pulmonar, graças a seu efeito sobre o GMPc. Espera-se que a tadalafila possibilite a abertura dos vasos sanguíneos pulmonares, reduzindo a pressão e a resistência nas artérias pulmonares, e diminuindo a carga de trabalho do ventrículo direito do coração.
Os efeitos colaterais mais comumente encontrados após o uso de tadalafila são cefaléia, indigestão, dores nas costas e nos músculos, rubor facial, e coriza ou congestão nasal. Os efeitos colaterais normalmente desaparecem em algumas horas. As dores musculares podem ocorrer até 12 a 24 horas após a ingestão do medicamento, e normalmente desaparecem em dois dias. Em maio de 2005, o FDA apurou que a tadalafila—assim como outros inibidores da PDE5—pode ocasionar perda da visão em certos pacientes, inclusive diabéticos. Este efeito está sendo investigado mais a fundo.

12.039 – Urologia – Como usar o Viagra? (Sildenafil)


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Fale com o seu médico. Você pode ser um candidato ao uso do medicamento se você tiver disfunção erétil ou inabilidade de manter a ereção durante o ato sexual. Entretanto, essas condições precisam de uma consulta detalhada para esclarecer suas causas, e definir se o Viagra é o tratamento ideal para você. Procure um urologista ou médico de confiança.
Informe seu médico se você for alérgico a qualquer medicamento.
Informe também sobre quaisquer outros remédios que você esteja utilizando, inclusive remédios para hipertensão, suplementos, vitaminas, etc.

Não tome Viagra se estiver usando nitratos. A nitroglicerina e outros nitratos de ação prolongada são utilizados no tratamento da angina e hipertensão, e são fortemente contraindicados de serem utilizados com o Viagra, o que pode causar numa queda de pressão muito abrupta, podendo causar parada cardíaca ou AVCs.
Não use Viagra em conjunto com alfa-bloqueadores. Essas drogas também são usadas no tratamento da pressão alta e doenças da próstata, e podem causar hipotensão severa em conjunto.

O Viagra é de uso oral, na posologia conforme prescrição do médico. A dose recomendada é geralmente de 50 mg, mas em alguns casos a dose pode ser ajustada para mais ou para menos.
Os comprimidos estão disponíveis em 25 mg, 50 mg, ou 100 mg.
A dose máxima recomendada é de 100 mg. Não tome mais do que isso.
Use o Viagra de 30 a 60 minutos antes da relação sexual. O Viagra é mais efetivo se tomado nesse intervalo de tempo, porque demora a entrar na circulação sanguínea.
Não tome o Viagra mais de uma vez por dia. O cuidado maior deve ser para não exceder a dose de 100 mg.
Coma refeições de baixo teor de gordura antes de ingerir o medicamento. Refeições gordurosas podem atrasar a ação do medicamento, por sua rota de metabolismo. Evite carnes vermelhas, frituras e outras gorduras.

12.032 – Pílula Contra o Câncer vai ser Liberada em São Paulo


O governador Geraldo Alckmin (PSDB) deve solicitar à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorização para que pessoas com câncer utilizem a substância fosfoetanolamina, nos casos em que os pacientes não demonstrem melhora em seus tratamentos.
Segundo o governador, o pedido para a liberação da “pílula anticâncer” será feito em regime compassivo –que abre exceção até aprovação do governo federal– por uma questão humanitária, permitida por lei em casos excepcionais. “O paciente não pode esperar anos e anos por uma aprovação”, afirmou.
“A experiência tem mostrado que ela [fosfoetanolamina] pode ajudar [no tratamento de câncer], o custo de produção é baixo, até agora não teve nenhum caso de contraindicação, então, o Estado de São Paulo quer auxiliar e vai levar o pedido à Anvisa”, disse Alckmin.
Questionado se a liberação não seria um ato precipitado, Alckmin, que também é médico, disse ter tido acesso a relatos de sucesso. “Eu não sou especialista em oncologia, mas até o momento, todos os depoimentos de pacientes que usaram a substância são positivos”.
Especialistas, no entanto, têm sido unânimes ao afirmar que não existem evidências suficientes para o uso clínico da substância. Os dados pré-clinicos (testes em animais e em culturas de células) apontam melhoras para apenas alguns tipos de câncer.
Em humanos, não foi realizado nenhum estudo controlado, ou seja, não é possível saber se a melhora relatada por alguns pacientes acontece por acaso ou por causa do efeito placebo –por acreditar que está tomando algo que vai melhorar seu estado de saúde– ou por uma propriedade da droga.
Caso o pedido seja aprovado pela Anvisa, governador prometeu disponibilizar a rede de hospitais de São Paulo para acelerar o processo de pesquisas clínicas para o uso da substância. “Nós estamos disponibilizando toda a rede de hospitais de câncer do Estado de São Paulo para ajudar a completar a fase para a aprovação do medicamento.”
Durante o anúncio, Alckmin relatou o caso de uma paciente com metástase óssea que fez o tratamento com a droga. “Ela sentia muita dor, tomava morfina, e já estava na cadeira de rodas. Ela tomou fosfoetanolamina, continuou paralelamente o tratamento e saiu da cadeira de rodas. Não precisa mais de morfina e continua o tratamento clássico”, contou.
A pesquisa clínica com a fosfoetanolamina está, no entanto, longe de acontecer no cenário federal. Há uma semana, o ministro de Ciência e Tecnologia, Celso Pansera, afirmou que o governo deve obter os primeiros resultados de testes da substância em animais em até sete meses.
Alckmin afirmou que a fosfoetanolamina vem sendo testada há mais de 20 anos e que “boa parte dos testes foi feita no hospital do câncer, em Jaú”. O hospital nega a informação e diz que, se ocorreu algum exame, foi de forma irregular.

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Um pouco +
A fosfoetanolamina é um composto químico orgânico presente naturalmente no organismo de diversos mamíferos. Ela ajuda a formar uma classe especial de lipídeos, os esfingolipídeos, moléculas que participam da composição estrutural das membranas das células e das mitocôndrias. Do ponto de vista bioquímico, trata-se de uma amina primária envolvida na biossíntese de lipídeos. Além dessa função estrutural de formar a membrana celular, ela possui ainda uma função sinalizadora, ou seja, a fosfoetanolamina informa o organismo de algumas situações que as células estão passando.
Alega-se ter função antitumoral, ou seja, ação antiproliferativa, e estimula a apoptose.
A fosfoetanolamina está intimamente relacionada com os mecanismos de regulação do potencial de membrana mitocondrial.
Fosfoetanolamina foi estudada em ratos com leucemia e apresentou resultados satisfatórios. Porém, estudos em humanos ainda estão sendo realizados para que a liberação de produção comercialização e uso da droga seja segura.

Argumentação Contrária
Em novembro de 2011 a Academia Brasileira de Ciências (ABC) manifestou-se contrariamente ao uso da droga em seres humanos. Dentre outras razões, o comunicado da ABC informa que não há evidências pré-clínicas documentadas e oficiais sobre a toxicologia, testes em animais, testes da farmacologia, a eficiência da droga sua segurança e não há, também, estudos clínicos (testes em humanos) comparando sua eficiência aos tratamentos convencionais contra o cancer. Portanto, não é possível garantir a qualidade e a estabilidade dos lotes produzidos pelo USP de São Carlos. O comunicado recomenda que a droga não seja utilizada em seres humanos até que estudos pré-clínicos e clínicos sejam realizados, documentados oficialmente e demonstrem a segurança e eficácia da fosfoetanolamina.
Sob esses argumentos, o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF – SP), em inspeção sanitária, autuou o Instituto de Química de São Carlos, por produzir composto sem estar regulamentado, não possuir registro de fabricação e nem possuir as condições mínimas sanitárias para produzir qualquer substância química que receba o nome de medicamento.[24] Em comunicado, o CRF-SP não inspecionou antes o instituto pois não considerava a fosfoetanolamina um medicamento, por não contar com nenhum relatório oficial da sua atividade farmacológica contra o cancro e ainda estar em fase de desenvolvimento. E, com a judicialização da medicina, e após a decisão judicial, o composto saiu do status de composto candidato a fármaco em fase preliminar de desenvolvimento, para composto utilizado em terapia medicamentosa com potencial risco sanitário e à saúde. O Instituto de Química de São Carlos – USP, em comunicado, compartilha do mesmo entendimento legal de que não tem condições sanitárias de produzir nenhum medicamento. A Vigilância Sanitária, órgão a quem compete uma possível interdição do laboratório, foi notificada mas ainda não se pronunciou sobre o caso.
Em novembro de 2015 o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou a destinação de R$ 10 milhões para as atividades ligadas à pesquisa da fosfoetanolamina em um período de 2 anos, visando a determinar se há ou não eficácia e segurança da substância no tratamento do câncer.