13.996 – Economia a Passo de Tartaruga – O Brasil está em 40º lugar entre os que mais crescem


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No topo da lista das economias que mais crescem no mundo, figuram as Filipinas e a China, ambos com expansão de 6,8% no trimestre passado, que são seguidos pela República Dominicana (6,4%), Malásia (5,4%) e Egito (5,4%).

O Chile é país sul-americano mais bem posicionado, no 14º posto, depois de crescer 4,2% nos primeiros três meses do ano. O Peru, com alta de 3,2% no PIB, é o 22º, e a Colômbia, com 2,2%, a 33ª.
Segundo levantamento feito pela agência de classificação de risco Austin Rating, o crescimento da economia brasileira no período igualou-se ao do Reino Unido (1,2%) e superou apenas o do Japão (0,9%) e Noruega (0,3%).
Crescimento X Poluição
A maior economia da Ásia, a China, é conhecida há tempos pelo céu poluído. Mas atualmente a vizinha Índia trava uma batalha ainda maior contra a poluição: o país do sul da Ásia abriga as 10 cidades mais poluídas do mundo. Nos arredores da capital da Índia, Nova Déli, Kusum Malik Tomar conhece o preço pessoal e econômico de respirar esse ar, um dos mais tóxicos do mundo. Aos 29, ela descobriu que a poluição é a provável causadora do câncer que cresce em seus pulmões. Ela nunca tocou em um cigarro. O marido, Vivek, vendeu terras para pagar o tratamento. Eles pediram dinheiro emprestado para a família. As economias deles lentamente desapareceram. “O governo está pensando no crescimento econômico do país, mas as pessoas estão morrendo de doenças ou sofrendo de doenças”, afirmou. “Como é possível crescer economicamente quando, dentro do país, os cidadãos têm problemas econômicos devido à poluição do ar?”
A Índia tem dificuldades há tempos para implementar o tipo de abordagem nacional coordenada que ajudou a China a reduzir a poluição. O governo do primeiro-ministro Narendra Modi está promovendo novas iniciativas que começam a combater esse ar prejudicial. Mas qualquer vitória teria que ser suficiente para se sobrepor a outras facetas do crescimento desenfreado da Índia, da poeira deixada pelos milhares de novos canteiros de obras à fumaça de milhões de carros novos.
Se fossem implementadas políticas rigorosas de combate à poluição, os cidadãos e o governo da Índia seriam muito mais ricos. Segundo cálculos do Banco Mundial, os gastos em saúde e a perda de produtividade causados pela poluição custam à Índia cerca de 8,5 por cento do PIB. Diante do tamanho atual de US$ 2,6 trilhões, a fatia equivale a US$ 221 bilhões por ano.
A Índia é atualmente a grande economia que mais cresce no mundo e a economia chinesa, de US$ 12,2 trilhões, é cinco vezes maior. O país do sul da Ásia ainda tenta desesperadamente promover a manufatura básica, o que pode piorar a poluição, disse Raghbendra Jha, professor de economia da Universidade Nacional da Austrália.

13.957 – Mega Byte – Uber acumulou prejuízo de quase US$ 2 bilhões em 2018


Uber
A Uber continua sendo um buraco negro de dinheiro. A empresa continua perdendo quantias bilionárias ano após ano, como revela o relatório financeiro mais recente divulgado pela companhia de transporte. Em 2018, o prejuízo acumulado foi de US$ 1,8 bilhão.
Apesar de o valor parecer assustador, a notícia não é exatamente ruim. A Uber conseguiu reduzir o prejuízo anual na comparação com 2017, quando havia perdido US$ 2,2 bilhões. Da mesma forma, as receitas anuais chegaram à casa dos US$ 11,3 bilhões, o que representa uma alta considerável de 43% na comparação com o aferido em 2017.
Os números da empresa são importantes porque a empresa está se preparando para a abertura de capital. Espera-se que o processo de IPO, que foi aberto confidencialmente (mas que já vazou), seja um dos maiores da história, movimentando quantias gigantescas. A empresa precisa provar a investidores que seu modelo de negócios é viável a longo prazo para isso se concretizar.
Um dos desafios enfrentados pela Uber é a concorrência pesada em múltiplos mercados. Nos EUA, a Lyft é um exemplo; no próprio Brasil, a 99, que pertence à gigante chinesa Didi Chuxing, se estabeleceu como um desafiante à altura. Outros países e regiões veem situações similares, o que força a Uber a reduzir preços de corridas, reduzir margens de lucro para pagar mais a motoristas e investir pesado em marketing e recrutamento.
Os números anunciados pela Uber mostram que a empresa ainda está em franca expansão, o que são boas notícias. No entanto, a empresa ainda precisa provar que pode transformar esse crescimento em lucro em algum momento. Até então, a Uber tem se sustentado graças a investimentos bilionários feitos por empresas interessadas em ter uma participação na companhia.

13.883 – Automóvel – Os 10 carros mais vendidos de todos os tempos no Brasil


Dentre os diversos modelos de automóveis que são lançados anualmente no Brasil, alguns sempre se destacam e viram um sucesso de vendas. Este fator, por ir além das expectativas das montadoras, faz com que nos anos seguintes estes modelos voltem a liderar o ranking com seus modelos atualizados.
Seja um carro compacto, um sedan ou até mesmo um carro para maior número de passageiros, alguns destes veículos fazem tanto sucesso que acabam por se tornarem ícones da indústria automobilística até mesmo anos após suas produções se encerrarem.
1º lugar: Volkswagen Gol

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Comercializado pela montadora alemã Volkswagen, o Gol teve sua produção iniciada em 1980 e hoje é o modelo mais exportado do Brasil, abrangendo mais de 50 países. Atualmente o Gol atinge a marca de mais de 6 milhões de unidades vendidas, e este número só tende a aumentar, visto que a cada ano é lançado um novo modelo.

2º lugar: Fiat Uno

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Modelo compacto e econômico, o Uno foi inicialmente lançado na década de 1980 na Europa. Seu preço reduzido ajudou a colocá-lo no segundo lugar do ranking atual dos mais vendidos com mais de 3 milhões de unidades comercializadas. Em 2010 foi lançado o novo Uno que tem se atualizado anualmente com novas atualizações.

3º lugar: Volkswagen Fusca

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Com certeza um dos mais clássicos dessa lista é o Fusca, o primeiro automóvel da Volkswagen. Sua produção teve início em 1938, vindo para o Brasil na década de 1950 e encerrando sua produção em 1996, atingindo 3 milhões de unidades vendidas.

4º lugar: Fiat Palio

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Modelo compacto e de muito sucesso, o Palio foi lançado em 1996 ganhando preferência no mercado ao longo dos anos e passando por algumas modificações. Atualmente ocupa o quarto lugar entre os mais vendidos no Brasil, com cerca de 2,5 milhões de unidades comercializadas.

5º lugar: Chevrolet Celta
Lançado no ano 2000 como um carro popular, o Celta entrou no mercado para competir com modelos como Ford Ka, Fiat Uno, Gol e Palio. Teve grande retorno em vendas ao longo dos anos e atualmente já foram vendidos 1,7 milhões de unidades.

6º lugar: Chevrolet Chevette
Outro modelo clássico é o Chevette. Ele teve sua produção iniciada em no Brasil em 1973, encerrando em 1993. Ao longo dos anos ganhou fama e teve algumas variações como a picape Chevy 500. O Chevette entra na lista dos mais vendidos com 1,6 milhões de unidades comercializadas.
7º lugar: Chevrolet Classic (Corsa)
Modelo sedan de quadro portas da Chevrolet, o Classic é basicamente uma modificação do Corsa Sedan. A fim de diferenciá-los, passou a se chamar Corsa Classic ou apenas Classic. Suas vendas no Brasil são de aproximadamente 1,5 milhões de unidades até a atualidade.

8º lugar: Volkswagen Kombi
A Kombi também entra na lista dos clássicos mais vendidos, como o Fusca e o Chevette. A produção no Brasil teve início na metade do século 1950 e foi até o ano de 2013. Na classe de vans, a Kombi lidera como o automóvel mais vendido e, dentre os demais, aparece em oitavo lugar, com 1,5 milhões de unidades vendidas.

9º lugar: Ford Corcel

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Modelo fabricado pela montadora Fiat, o Corcel foi comercializado no Brasil de 1968 a 1986. Durante os dezoito anos de produção teve diversos modelos como o Corcel GT, Corcel Bino e GTXP. Entra na lista dos mais vendidos com 1,3 milhões de unidades vendidas.

10º lugar: Ford Fiesta
Produzido pela Ford deste 1976, o Fiesta só chegou ao Brasil na metade dos anos 1990. Ele se destaca mundialmente como um dos modelos mais vendidos da Ford. Atualmente são 1,2 milhões de unidades comercializadas no Brasil.

13.604 – Mal das Pernas – Recuperação do nível de emprego ainda será lenta em 2018


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O desemprego deve continuar caindo em 2018, mas em velocidade menor. A redução de ritmo será influenciada pelo aumento da procura por emprego – pessoas que tinham desistido de achar uma vaga voltarão a tentar a sorte no mercado de trabalho.
Com a recessão na economia, a taxa de desemprego quase dobrou em três anos, indo de um patamar mínimo histórico no fim de 2014 para mais de 13,3% no início de 2017. Desde então, o indicador que calcula a quantidade de pessoas que não conseguiram emprego em relação ao total da população em condições de trabalhar vem caindo. A última leitura, de novembro, indicava 11,9%, e as estimativas indicam que deve subir para mais de 12% em dezembro, cuja divulgação será feita pelo IBGE no fim de janeiro.
A avaliação é que esse movimento de queda vai permanecer em 2018, impulsionado pela forma como a economia está se recuperando: sustentada no aumento do consumo das famílias – efeito que deve se refletir na indústria pelo aumento da demanda por produto.
Para Carlos Henrique Corseuil, do Ipea, é importante notar que mesmo com mais busca, a recuperação tem se refletido no mercado de trabalho. “Tem mais gente participando do mercado de trabalho e, mesmo assim, o desemprego tem caído”, disse.
O país voltou a registrar aumento na atividade no último ano, após dois anos em queda, e a aposta dos economistas é de que a produção do país crescerá 2,69%, segundo o último Boletim Focus. “Setores ligados ao consumo costuma ser intensivos na contratação de mão de obra”, afirma Gustavo Arruda, economista do BNP Paribas.
Um problema é que o ritmo ainda está baixo e deve ter mais gente procurando emprego, com o fim do que os economistas chamam do “efeito desalento”. Quando a situação está difícil, uma parcela dos desempregados deixa de procurar emprego porque o mercado fica menor, o que reduz a taxa de desocupação.
Além do contingente que deve voltar a procurar emprego, existe outro grupos de pessoas que deve aumentar na busca por vagas, o de pessoas que chegaram à idade de trabalhar. Segundo o economista Bruno Ottoni, do Ibre/FGV, esse movimento acontece sempre, e o crescimento da economia tem que ser forte o bastante para absorver tanto quem chega quanto quem já estava desempregado. “Um crescimento na casa de 3% já começa a entrar na esfera de robusto. O necessário para uma queda mais significicativa talvez seria em torno de 4%”, estima.
Para o especialista, a taxa de desocupação (pessoas procurando emprego em relação ao total da força de trabalho) deve subir no começo de ano, como sempre ocorre neste período, chegando a 13,4% em março. Depois, deve cair e fechar o ano em 11%.

Mudanças na ocupação
A queda no desemprego até agora tem sido puxada pelas informalidade e pelo trabalho por conta própria. Para Rodolfo Margato, economista do Santander, deve haver migração desse tipo de ocupação informal para o trabalho com carteira assinada. “Num primeiro momento, em saídas de recessão, é normal haver crescimento de emprego informal. Mas o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Empregados, do Ministério do Trabalho) também indica uma criação líquida de vagas formais”, explica.

Reforma trabalhista
Em relação aos efeitos da reforma trabalhista, que o governo alardeava que elevaria o número de empregos formais, os especialistas ainda têm dúvidas sobre seu efeito no curto prazo.
Em novembro, foram criadas apenas 3.120 vagas de emprego intermitente, modalidade criada na nova lei trabalhista. Segundo os especialistas, a reforma trabalhista deve ter mais resultados conforme dúvidas sobre a legalidade de alguns itens for resolvida, e houver mais segurança jurídica. “É difícil alguém falar que a reforma trabalhista vai atrapalhar”.

13.557 – Maria Vai com as Outras – Efeito Psicológico na Black Friday


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Enquanto uma parcela razoável da população está ansiosa à espera dos descontos monumentais da Black Friday, há um grupo seleto de economistas e psicólogos que aguardam o final de novembro por outro motivo: a data é um enorme (e imprevisível) experimento científico de economia comportamental, em que se joga dinheiro fora à rodo, de maneira irracional.
Pesquisadores como Richard Thaler – que levou um Nobel em outubro – fizeram história ao somar as nuances do comportamento humano à teoria econômica clássica. E é justamente em cima dessa união entre psicologia e dinheiro que as lojas trabalham para te convencer de que vale a pena torrar todas as moedas do porquinho em um dia só. Mesmo quando os descontos não estão tão bons assim.

Descontos são relativos
Se um produto custa R$ 2o em uma loja e R$ 30 na outra, você não tem dúvida: vai direto na primeira. Afinal, é uma diferença de preço considerável. Por outro lado, se um produto custa R$ 4490 em uma loja e R$ 5000 na outra, é bem provável que você nem perceba a diferença de valores. Talvez um amigo seu até diga que a segunda é mais honesta, por arredondar o preço.
Acontece que nos dois casos a diferença é a mesma: 10 reais. O que dá duas passagens de ônibus. Ou um café com pão de queijo na padaria. Pena que nosso cérebro não quer saber: ele trabalha com porcentagens, não com o valor em si.
Esse fenômeno está no cerne da Black Friday, em que é comum chutar o balde logo cedo – e sair na rua com uma geladeira nas costas às oito da manhã. Depois de deixar R$ 2000 em uma loja, todos os outros preços vão parecer melhores do que são de verdade. Camiseta por R$ 50? Leva. Celular por R$ 800? Leva também. Você, por mais pão duro que seja, vai no embalo da compra de maior porte – e se esquece do quanto realmente custa cada item menor.

Se todo mundo se jogar pela janela, você se joga também
Gastar dinheiro é um negócio que dói. Quem tem um filho que gosta da Kinder Ovo sabe bem disso.
Acontece que dói bem menos quando você olha em volta e todo mundo está fazendo a mesma coisa. Um artigo científico de 2009, da Universidade da Carolina do Norte, concluiu que nós não agimos de forma pouco ética só quando o custo benefício da ação é bom. Nós também nos baseamos no comportamento de quem está em volta, mesmo que de maneira inconsciente.
É claro que gastar dinheiro não é antiético. Mas é algo que te deixa culpado, com peso na consciência. Que te faz pensar duas vezes. Quando todos os vizinhos estão chegando em casa com TVs, porém, você tende a pensar que comprar algo um pouco mais barato – digamos, uma torradeira – não é tão grave assim.

A impressão geral é mais forte que as impressões específicas

Esse é um fenômeno chamado por psicólogos de Halo effect. Foi cunhado por Edward Thorndike em um artigo de 1920, chamado O Erro Constante nas Avaliações Psicológicas.
A ideia é simples, e já foi verificada experimentalmente várias vezes.
Se você pedir a funcionários de uma empresa que avaliem seus colegas de acordo com uma lista de qualidades e defeitos bem específicos (como inteligência, aparência física, capacidade de liderança, confiabilidade etc.), há uma tendência a que um pequeno grupo de pessoas seja muito bem avaliada em todas as categorias – mesmo que seja altamente improvável, do ponto de vista estatístico, que uma só pessoa seja ao mesmo tempo inteligente, confiável, bonita etc.
Isso acontece porque a boa impressão geral que essas pessoas passam convence os colegas de que elas são boas em tudo – mesmo que na prática não seja bem assim. Pelo mesmo raciocínio, pessoas pouco populares serão avaliadas de forma injusta em categorias em que, na verdade, se destacam.
Na Black Friday é parecido: os lojistas podem praticar preços que na verdade nem são tão bons assim. Eles se reverterão em vendas do mesmo jeito, porque pegam carona na boa impressão que o dia transmite, cultivada há anos em promessas de preço baixo e economia.

É mais fácil te pegar quando você está cansado, de cabeça cheia
Às vezes você já parou para pensar em toda a lista acima. E é mesmo um comprador racional em ocasiões normais. Mas a arma mais letal da Black Friday é justamente criar situações que te impedem de ser ponderado e racional. Ela ocorre no final da semana, quando você já está cansado. Te obriga a acordar cedo, o que te deixa meio zonzo. Te faz lidar com outros consumidores que não estão exatamente em um clima diplomático – o que te torna mais propenso a ficar de saco cheio com quem está na sua frente na fila. E inunda seu Facebook de ofertas das mais variadas, o que te obriga a decidir entre um enorme número de produtos muito diferentes entre si.
Um artigo científico publicado em 2009 pela Universidade Estadual da Flórida demonstrou que pessoas esgotadas mentalmente – do jeito que você fica depois de um longo de trabalho – são péssimas em tomar decisões. Isso acontece porque ter autocontrole é cansativo: você se segura uma vez. Duas. Na terceira, já se torna três mais propenso tanto a cometer atitudes como a cair no papo de pessoas que querem te passar a perna.
É claro que o teste acima não foi feito especificamente para compras: vale para golpes e jeitinhos em geral. Mas os descontos da Black Friday, muitas vezes, não são tão honestos assim, e te convencem justamente na base da insistência. Fica a dica: tome um banho e esfrie a cabeça antes de digitar o número do cartão.

13.452 – Economia – A Crise Não Chegou em Rondônia


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A crise econômica que se arrasta há quase uma década tem tirado a confiança do empresariado, gerado desemprego e levado vários estados brasileiros ao colapso financeiro. Esse cenário, no entanto, é bem diferente da realidade de Rondônia, estado com DNA agropecuário que cresce de forma constante desde 2011 e que fechou o ano de 2016, um dos piores da história recente do Brasil, com um aumento de 4,7% no PIB. As perspectivas para os próximos anos são ainda mais animadoras, o que tem atraído empresários dos mais variados segmentos, desde produtores rurais até indústrias processadoras, passando por fornecedores de insumos, logística e serviços e executivos altamente qualificados.
O cultivo de café, cacau, soja e milho, além da suinocultura, também tem crescido substancialmente nos últimos anos, sempre de forma sustentável, especialmente por conta da qualificação de pequenos produtores e da adoção de tecnologias que possibilitam o aumento da produtividade no campo.

Isenções fiscais e logística privilegiada também fazem parte do pacote de atrativos do estado de Rondônia. Existem incentivos para os mais diversos segmentos, que vão da doação de terrenos públicos ao desconto de até 85% do ICMS. “Um exemplo é a linha de crédito especial para pequenos frigoríficos com abate de até 100 cabeças por dia, com juros subsidiados pelo Banco da Amazônia. Também há incentivos para o ramo de curtumes, já que hoje quase todo o couro produzido em Rondônia é processado fora do estado”.
Outra atividade que vem atraindo cada vez mais investimentos no estado é a suinocultura, impulsionada principalmente pela crescente oferta de grãos na região. O exemplo do criador Rudi Deros é emblemático. O empresário, que deixou Santa Catarina rumo ao município de São Miguel do Guaporé há 13 anos levando consigo 20 matrizes, hoje comanda uma produção totalmente verticalizada, com um plantel de 230 reprodutoras. Em uma propriedade de 600 hectares, planta os grãos que alimentam os animais, cerca de 20% da produção, e vende o excedente para as tradings da região. Graças aos incentivos do estado, também construiu um frigorífico, onde abate os suínos. “Rondônia é uma terra de oportunidades. Como pequeno agropecuarista, eu vi muitas vantagens, como terras férteis, clima favorável e uma demanda muito grande por carne de porco. Isso nos dá competitividade”, afirma Deros.
Existem também outras iniciativas interessantes do governo no sentido de fomentar a produção na região, especialmente nas áreas de piscicultura e cafeicultura. O estado, que colhe atualmente 2,1 milhões de sacas de café por ano, tem como objetivo produzir 4 milhões de sacas até o fim de 2018. Para isso, vem subsidiando a substituição de cafezais antigos, cuja média de produtividade é de apenas 20 sacas por hectare, por variedades muito mais produtivas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que podem render até 160 sacas por hectare. Já a piscicultura é vista como atividade com maior potencial de crescimento em Rondônia. A expectativa do governo é que a produção de peixes alcance 200 000 toneladas nos próximos cinco anos, um volume considerável, mas ainda distante do potencial do estado, estimado em até 1 milhão de toneladas por ano.

A localização privilegiada, porém, tem despontado como principal diferencial competitivo de Rondônia. Com fácil acesso à nova Rodovia Transoceânica, que liga o Brasil ao Oceano Pacífico, a rota permite às empresas estabelecidas no estado fácil conexão a mais de 150 milhões de consumidores localizados nos países andinos, como Peru, Bolívia, Chile, Equador e Venezuela, além do Suriname. São todos pouco industrializados e importam, juntos, cerca de 192 bilhões de dólares por ano – atualmente, o Brasil responde por somente 8,5% dessas importações. “A incompetência do nosso país em abastecer os vizinhos é absurda. O lado positivo é que existe um potencial gigantesco para as empresas brasileiras explorarem”, completa o economista Valdemar Camata Júnior, superintendente do Sebrae em Rondônia.

13.359 – Economia: Se a moda pega – Devedor de aluguel poderá ter salário penhorado para pagar dívida


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Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) abre precedente para a possibilidade de penhora de um percentual do salário das pessoas com aluguel em atraso. Até então o salário o salário só poderia ser penhorado para pagamento da pensão alimentícia em atraso. Mas o STJ permitiu a penhora de 10% do rendimento do devedor.
“O objetivo da decisão é permitir que a pessoa, ainda que devedora, não seja colocada em uma situação que mitigue a sua sobrevivência e da sua família, mas que o locador também não saia prejudicado”, afirma Maria Victoria Costa, sócia-fundadora do escritório Costa Marfori Advogados, especializada em Direito Civil.
Mas a decisão não abrange todos os casos em que ocorrem atrasos, segundo ela. A decisão estende a interpretação do artigo que impedia a penhora do salário. Nesse caso, o devedor estava há 10 anos sem se pronunciar e tinha um bom salário, mas não dá para penhorar de uma pessoa que ganha um salário mínimo”.
Segundo a advogada, essa possibilidade de penhora existe em outros países, como a Argentina, e juízes de São Paulo e Rio de Janeiro já vinham relativizando a lei “desde que não afrontasse a dignidade da pessoa”.
Dados mais recentes do Tribunal de Justiça mostram um aumento de 33,4% no número de ações envolvendo contratos de aluguéis no estado de São Paulo. Em fevereiro de 2017 foram registrados 1.566 processos contra 1.174 em 2016. Do total de casos, 87,9% estão relacionados a ações por falta de pagamento de aluguel.
A possibilidade de penhorar o salário em caso de dívidas de aluguel havia sido proposto no ano passado na elaboração do novo Código de Processo Civil, mas refutado pelo relator, de acordo com Maria. Antes disso, a proposta também foi vetada pelo ex-presidente Lula.

13.353 – Economia – Pela 1ª vez, China compra um quarto de todas as exportações brasileiras


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A China nunca teve tanta importância para o comércio exterior brasileiro. Nos primeiros seis meses deste ano, 25% de tudo o que o Brasil exportou teve como destino o país asiático.
Esse percentual é recorde e é mais uma marca da ascensão da segunda maior economia mundial no Brasil. No primeiro semestre de 2007, a fatia chinesa nas exportações brasileiras era de 6,7% —os EUA eram líderes, com 16,4%.
Alimentada pela demanda por soja, minério de ferro e petróleo, a compra chinesa de itens do Brasil somou US$ 26,9 bilhões de janeiro a junho, um aumento de 36% em relação ao mesmo período do ano passado.
Na média, as vendas brasileiras para o resto do mundo cresceram 19%.
Sozinhos, os asiáticos compraram mais do Brasil do que os três demais principais compradores do Brasil: EUA, Argentina e Holanda, pela ordem.
Fazia mais de dez anos que nenhum país era tão dominante na compra de produtos brasileiros. No início do século, os EUA chegaram a responder por mais de um quarto das exportações.
Mas, enquanto os americanos eram grandes clientes de produtos manufaturados (que tem preços mais estáveis), o que os chineses querem mesmo é matéria-prima e alimentos, cujas cotações costuma flutuar mais.
Ter um cliente tão poderoso tem seus benefícios, já que há um mercado quase cativo para os produtos, porém, os riscos são mais expressivos.
Uma desaceleração forçada da China teria forte impacto para as exportações, um dos raros pontos de destaque da economia brasileira neste começo de ano.
Seria muito difícil encontrar um mercado que conseguisse dar conta de tamanha demanda: 45% da soja comprada pelos chineses vem do Brasil, além de 21% do minério de ferro —considerando dados de janeiro a maio.
Além disso, uma crise em um “player” tão importante geraria, sem dúvida, uma queda abrupta nos preços.
Ou seja, o produtor brasileiro não só venderia menos como por um preço menor.
Uma freada mais forte da economia chinesa foi apontada recentemente pelo FMI como um dos principais riscos externos para o Brasil, só atrás de um aperto nas condições financeiras globais.

13.020 – Mega Memória Comércio Varejista – A Mesbla


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Foi uma cadeia de lojas de departamentos brasileira que iniciou suas atividades em 1912, como filial de uma firma francesa, e teve sua falência decretada em 1999.
No prédio de número 83 da rua da Assembleia , no centro da cidade do Rio de Janeiro, foi instalada em 1912 uma filial da firma Mestre & Blatgé, com sede em Paris e especializada no comércio de máquinas e equipamentos.
A filial brasileira tinha pouca importância dentro da organização francesa espalhada pelo mundo. Quatro anos depois de sua instalação, sua administração foi entregue ao francês Louis La Saigne, até então subgerente da filial em Buenos Aires. Em 1924 La Saigne transformou o estabelecimento carioca numa firma autônoma, com o nome de Sociedade Anônima Brasileira Estabelecimentos Mestre et Blatgé, que em 1939 passou a denominar-se Mesbla S.A. A nova denominação era uma combinação das primeiras sílabas do nome original, que foi sugerida pela secretária de Louis La Saigne, Isaura, por meio de um concurso interno. A preocupação era que no início da Segunda Guerra Mundial a França se manifestou solidária a Adolf Hitler, o que poderia ocasionar represálias no Brasil com referência ao nome.
La Saigne teve quatro filhas, e a mais velha casou-se com Henrique de Botton. Após um dia de intenso trabalho, Louis La Saigne, o fundador da MESBLA, morreu em sua residência na noite do dia 18 de janeiro de 1961. Com sua morte foram eleitos presidente e vice-presidente dois de seus mais antigos funcionários, respectivamente, Silvano Santos Cardoso e Henrique de Botton. No ano seguinte, em 12 de agosto de 1962, a MESBLA celebraria seu Jubileu de Ouro já como uma empresa genuinamente brasileira, com seus mais de 8.000 funcionários operando em 13 filiais, lojas de varejo e agências de venda estabelecidas em pontos estratégicos do território nacional, após a morte de Silvano Santos Cardoso em de 29 de fevereiro de 1968, Henrique assumiu a presidência, e depois da morte de Henrique, seu filho André também assumiu a presidência. Ambos comandaram a expansão e o declínio da empresa até os anos 1980. Na década de 1950 a empresa tinha lojas instaladas nas principais capitais do país e em algumas cidades do interior. Nos anos 1980 a Mesbla tinha 180 pontos de venda e empregava 28 mil pessoas. Suas lojas de grande porte, com áreas raramente inferiores a 3 mil metros quadrados, eram pontos de referência nas cidades onde a Mesbla se fazia presente.
Por quase três décadas reinou praticamente sozinha no mercado de varejo, por ser a única empresa do gênero de abrangência nacional. Orgulhavam-se seus funcionários em afirmar que a Mesbla só não vendia caixões funerários, que são para os mortos; para os vivos tinham todas as mercadorias, desde botões até automóveis, lanchas e aviões.

Anos 80
No entanto, a expansão da Mesbla se fez com estratégias de mercado que logo se mostraram ultrapassadas. Quando decidiu incrementar a venda de vestuário e roupas de cama e mesa, os artigos eram expostos junto às máquinas e aos equipamentos, mercadorias tradicionais da empresa. A mesma mistura desorganizada se via nos catálogos.
Também as compras da empresa junto a fornecedores apresentavam falhas. Por exemplo, tão logo o Brasil reatou relações diplomáticas com a União Soviética, no governo de João Goulart, a Mesbla importou daquele país grande quantidade de máquinas fotográficas e câmeras de filmar de baixa qualidade. Como as importações não tiveram continuidade, a Mesbla se viu em dificuldades para prestar assistência técnica dos produtos vendidos.
A luz vermelha acendeu em 1981, quando a Mesbla passou do primeiro para o terceiro lugar entre as maiores empresas de varejo do Brasil e começou a enfrentar uma concorrência mais forte. Uma consultoria mercadológica foi contratada, e as lojas da Mesbla passaram por uma completa reformulação, com mudanças na decoração das lojas, arrumação das vitrines, uniformes dos vendedores e comunicação dos clientes. Passou também a cuidar melhor da publicidade, apresentando catálogos em cores e anúncios bem cuidados para a televisão. Atraiu os melhores executivos do mercado, oferecendo bons salários.
Além das lojas de departamentos, tinha estabelecimentos próprios para venda de móveis, automóveis, lanchas, além de uma financeira. Atuou também no comércio internacional através de uma empresa subsidiária, que tinha filial em Nova York. Dentre os vários negócios milionários realizados pela Mesbla Comércio Internacional, mereceu destaque até no jornal The New York Times a venda de 60 mil caminhões à China, no valor de 900 milhões de dólares. Em 1986 foi escolhida pela revista Exame, especializada em economia e negócios, como a melhor empresa do Brasil.
André De Botton foi consagrado como rei do varejo. Seu nome fazia parte do quarteto que formava a nobreza empresarial dos anos 1970 e 1980, completada por Octavio Lacombe, do Grupo Paranapanema, Olavo Monteiro de Carvalho, do Monteiro Aranha e Augusto Trajano, da Caemi. Além dos escritórios das grandes corporações e dos gabinetes de ministros e políticos de Brasília, eles circulavam pelas esferas da alta sociedade carioca da época. De Botton foi escolhido por duas vezes o Varejista Estrangeiro do Ano pela organização americana National Retail Federation.

Anos 90
Apesar dessas mudanças de estratégia, alguns problemas persistiram. A Mesbla tinha quarenta diretores, o que tornava as decisões lentas. Ao final do governo Sarney, em 1989, a diretoria, acreditando que o país caminhava para uma hiperinflação, começou a estocar mercadorias em excesso e passou a contar basicamente com recursos gerados por sua financeira.
O advento do Plano Real, com o fim da inflação alta, mostrou as fragilidades da Mesbla, e a empresa passou a enfrentar constantes prejuízos, que tentou resolver com fechamento de lojas e dispensa de empregados. Para agravar, tinha que enfrentar a concorrência de lojas de departamento e hipermercados estrangeiros, com facilidade de obter capitais no exterior a juros mais baixos.
As empresas estrangeiras conquistaram a clientela de melhor poder aquisitivo, sempre atenta a novidades, com uma maior variedade de mercadorias e facilidades de crediário, em especial com a criação de cartões de crédito próprios. Quando a Mesbla tentou se igualar aos concorrentes, criando marcas exclusivas de roupa e seu próprio cartão de crédito, já era tarde. No ano de 1994 já havia fechado várias lojas e reduzido seu quadro para 4,5 mil funcionários, sem conseguir estancar os prejuízos.

Mansur e a Falência
Em 1997, com dívidas superiores a um bilhão de reais, pediu concordata. No mesmo ano, o controle acionário da Mesbla foi adquirido pelo empresário Ricardo Mansur, que arrematou 51% das ações por 600 milhões de reais, a ser pagos em dez anos, além de assumir a dívida fiscal de 350 milhões de reais da concordatária. Nove meses antes havia comprado as lojas do Mappin, tradicional empresa de varejo paulista. Tinha intenção de fazer a fusão das duas empresas, torná-las rentáveis e revendê-las com lucro.
Empresário polêmico, Mansur, dono de empresas de laticínios e de um banco, era conhecido tanto pelo seu estilo agressivo como pelo seu gosto pela ostentação. Mantém uma mansão em Londres, onde patrocina um time de polo, para o qual fornece cavalos puro-sangue de sua própria criação. Para satisfazer os desejos de uma filha, encomendou a um conceituado arquiteto paulista uma casa de bonecas, no valor de 300 mil dólares, que instalou em sua fazenda em Indaiatuba.
Na tentativa de salvar a Mesbla e o Mappin, Mansur colocou à frente das empresas o executivo João Paulo Amaral. Mas João Paulo logo se deu conta de que estava diante de uma daquelas missões tidas como impossíveis. A falta de dinheiro no caixa era mais grave do que se pensava, os atrasos do pagamento de fornecedores, crônicos. Em seguida, começou uma série de pedidos de falência, além de ameaças de despejo em todos os shoppings onde as lojas exibiam suas marcas.
Mansur tentou usar de seu prestígio junto a políticos e até mesmo da pressão dos funcionários da Mesbla e do Mappin, por meio de passeatas, para conseguir dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, um banco público. Ao mesmo tempo, buscava algum grupo estrangeiro interessado em adquirir as lojas. Sua credibilidade, no entanto, começou a ser posta em dúvida quando passou a divulgar informações falsas para concretizar o negócio. Ao mesmo tempo, a administração de seu banco começou a ser investigada e se apuraram práticas fraudulentas, que resultaram em sua liquidação. Por conta dessas práticas, Mansur chegou a ser preso e teve seus bens bloqueados. Um novo pedido de prisão foi feito por sua ex-mulher, a quem não pagava pensão alimentícia.
Diante de tantos problemas, Mansur se desinteressou da sorte da Mesbla e do Mappin. Voou para Londres e não voltou mais ao Brasil. A falência de ambas as empresas foi decretada em julho de 1999, e a última loja da Mesbla a fechar suas portas foi a filial de Niterói, em 24 de agosto de 1999.
Na mesma época, encerraram suas atividades as Lojas Brasileiras e a G. Aronson, duas empresas varejistas de capital nacional. Desde então, o mercado de varejo brasileiro teve de concorrer com empresas estrangeiras.
Em 2009, chegou a ser anunciada a volta da Mesbla: uma empresa de comércio eletrônico negociou a compra dos direitos de uso do nome com Mansur e pretendia inaugurar um site voltado ao público feminino em março de 2010, com lançamento oficial em maio do mesmo ano. “A marca ainda tem um apelo positivo entre as consumidoras”, avaliava um diretor da empresa. Segundo a colunista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo de 3 de junho de 2009, o ex-dono da Mesbla, Ricardo Mansur, teria ido a Nova York para acelerar os contatos para adiantar o mais rápido possível a reinauguração da Mesbla. Porém, a iniciativa não deu resultados.

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12.961 – Mega Sampa – Há 50 anos, Iguatemi tornou-se 1º shopping de SP


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Então maior centro de compras da América do Sul, o Shopping Center Iguatemi foi inaugurado oficialmente no dia 27 de novembro de 1966, às 17h. Na ocasião, o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Agnelo Rossi, celebrou uma missa, momento antes de o governador Laudo Natel e o prefeito Faria Lima, com outras autoridades, visitarem as dependências do local.
Naquele dia, um dos destaques da festa para o público de 5.000 pessoas foi uma série de apresentações musicais, realizada a partir das 19h, que contou com Chico Buarque, Nara Leão, Chico Anysio, Eliana, Booker Pittman e Caçulinha.
A construção do local já era anunciada desde 1964, quando, por meio de anúncios, o engenheiro-arquiteto civil Alfredo Mathias (1906-1982), que liderava construtora com seu nome e a Shopping Centers Reunidos do Brasil S.A., anunciava que o shopping seria “a mais importante concentração de varejo de São Paulo e forma nova e racional de aplicação imobiliária, que proporcionará rendimentos crescentes com absoluta segurança“.
Com o intuito de atrair investimentos e mostrar a viabilidade do lançamento, sucessivos anúncios foram publicados na Folha explicando o conceito de shopping center e quais as possibilidades de ganhos e os potenciais da região, além de convocar corretores e investidores.
Mathias, que se formou engenheiro-arquiteto e civil na Escola Politécnica de São Paulo (“Os Arquitetos da Poli – Ensino e Profissão em São Paulo”, de Sylvia Ficher, pela EdUSP, págs. 229 e 230), chegou a levar a promoção do shopping para a televisão, com um pronunciamento feito em cadeia pela TV Tupi, TV Record e TV Excelsior em 10 de junho de 1965.
Foram realizadas 14 pesquisas de mercado para assegurar que o lançamento nos bairros Pinheiros, Jardim América, Jardim Europa, Jardim Paulistano e proximidades tinha potencial para vender para 800 mil pessoas, cuja renda atingia Cr$ 54,5 bilhões.
O sucesso foi tanto que, após o lançamento da pedra fundamental em 3 de abril de 1965, o Shopping Center Iguatemi foi erguido em apenas 16 meses e contava à época de sua abertura com 23 mil donos, que compraram 60 mil cotas de participação no empreendimento.
Além de abrigar 72 lojas, o shopping gabava-se de contar com cerca de 1.000 vagas de estacionamento, prontas para atender a região que, apesar de contar com 20% da população paulistana, ostentava mais da metade dos carros da cidade.
Mathias tornou-se o primeiro administrador do local, com mandado de cinco anos. Nesse primeiro período à frente do shopping, ele viu o número de lojas saltar para 160, com um fluxo de quase 1 milhão de pessoas por mês.
O shopping, que desde 1966 chamou a atenção para campanhas natalinas, com triunfais chegadas do Papai Noel, chegou a sortear nos anos 90 um BMW para os consumidores durante as compras de Natal.
Foi também a partir de um incêndio no Cine Iguatemi, em 1994, que destruiu toda a instalação, que salas de cinema passaram a contar com instruções de segurança.
Hoje, em que ostenta um relógio d’água na entrada (foto no alto) –ele foi criado pelo francês Gitton Bernard e utiliza tubos de vidro e líquido colorido para marcar as horas e os minutos–, do qual existem apenas quatro no mundo, o shopping Iguatemi possui 314 lojas e registra mais de 1,5 milhão de visitantes por mês.
Em setembro deste ano, a revista sãopaulo publicou especial sobre shopping centers com 25 curiosidades sobre o “cinquentão” Iguatemi.
A publicação mostrou, por exemplo, que apenas 9 lojas continuam no local desde a inauguração: Giuliano Joias, AB Uniformes, Fotóptica, Jogê, Americanas, Pão de Açúcar, Renata, Sinhá e Drogaria Iguatemi.
Uma mostra de que as expectativas de Alfredo Mathias estavam corretas é que, de acordo com a consultora imobiliária Cushman & Wakefield, nos últimos anos o shopping figurou no ranking dos 20 endereços mais caros do varejo, ao lado de estabelecimentos famosos da 5ª Avenida (Nova York) e Champs-Elysées (França).

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12.953 – Comércio – Black Friday ou Black Fraude?


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Comprar produtos eletrônicos na Black Friday nem sempre pode ser a melhor coisa a ser feita se o intuito é economizar algum dinheiro. Principalmente por algumas lojas ainda insistirem em uma prática que pode ser considerada bastante desonesta com o consumidor: aumentar o preço de seus produtos antes da sexta-feira para oferecer “descontos altos” no tal dia.
Em um levantamento realizado com alguns produtos, foi possível observar que o preço mais baixo encontrado na internet variou durante as últimas duas semanas, principalmente no produtos eletrônicos bastante procurados pelos internautas.
Para realizar a comparação dos preços, foi utilizada a ferramenta de histórico de valores do site Já Cotei. Para ela fosse justa, alguns critérios foram adotados como a data limite do dia 13/11, há dez dias da data de publicação desta reportagem, para considerar o aumento. Em alguns casos isso não foi possível já que não havia registros no site, então foi considerado o preço da data posterior.
É preciso destacar também que os preços abaixo são decididos pelas próprias lojas usando como base o preço oficial indicado pelas fabricantes. Os valores quebrados geralmente significam descontos por pagamentos à vista no boleto bancário.

Alguns Exemplos:
Notebook Samsung Expert X22 – alta de 35,5% desde o dia 16/11

Preço em 16/11: R$ 1.759,99
Preço atual: R$ 2.384,99
Maior preço: R$ 2.799,99 em 11/06
Menor preço: R$ 1.759,99 em 16/11
Observação: Esse é o maior preço registrado para o produto desde o dia 20/08 quando ele estava custando a partir de R$ 2.399,00
Notebook Lenovo Ideapad 310 – alta de 20,6% desde o dia 14/11

Preço em 14/11: R$ 1.495,12
Preço atual: R$ 1.804,05
Maior preço: R$ 1.804,05 em 23/11
Menor preço: R$ 1.495,12 em 14/11
Observação: Esse é o maior preço já registrado pelo produto
Notebook HP 14-AP020 – alta de 17,6% desde o dia 13/11

Preço em 13/11: R$ 1.399,99
Preço atual: R$ 1.699,99
Maior preço: R$ 2.279,05 em 28/05
Menor preço: R$ 1.399,99 em 13/11
Observação: Esse é o preço inicial mais alto desde 20/08 quando o aparelho estava R$ 1.899,05

12.944 – Psicologia Empresarial – O que é Coaching?


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Segundo a coach e consultora de imagem Waleska Farias, o coaching é um processo de investigação que promove o autodesenvolvimento do profissional e lhe dá condições para validar seus reais objetivos e identificar os fatores que o distanciam de alcançá-los.
“O coach auxilia o profissional a descobrir o que ele realmente quer para poder construir, de modo estratégico, sua trajetória profissional”, diz.,
Entre os benefícios que o coaching pode proporcionar aos profissionais estão a percepção de suas limitações e resistências; iniciativa de mudanças; clareza em relação a metas; planejamento da carreira; equilíbrio entre vida pessoal e trabalho; ampliação da auto-estima e da auto-confiança; aumento da motivação.
Para Waleska, uma das formas mais eficazes de alcançar os objetivos é saber o que quer e quem você realmente é. “Todos querem encontrar o equilíbrio. Nesse processo, quanto mais claros os objetivos, mas rápido manifestam-se as conquistas.”

Cinco perguntas a que o coaching ajuda a responder

De acordo com a coach e colunista do UOL Empregos e Carreiras Daniela do Lago, o momento ideal para procurar a ajuda de um coach de carreira é quando começam a surgir questionamentos sobre alguns aspectos da vida profissional, o que ela costuma chamar de “momento será que?”

Ela revela cinco questões a que o processo de coaching pode ajudar o profissional a responder:

– Será que devo mudar de emprego?
– Será que está na hora de abrir meu próprio negócio?
– Será que é hora de mudar de área na na empresa?
– Será que estou trabalhando no lugar certo?
– Será que estou realmente utilizando todos meus talentos no trabalho?

Daniela explica que apesar do coaching ser vital para alguns profissionais, não se trata de um processo fácil e não há garantias de que dê certo, pois é um processo de parceria onde o desenvolvimento comportamental necessário para alcançar os objetivos depende muito do profissional.

Nem todos precisam de um coach
Entretanto, a especialista alerta que nem todos as pessoas necessitam de um coach de carreira e, por isso, é importante saber escolher um bom profissional para não perder tempo nem dinheiro.
Segundo Daniela, antes de tudo, o coach qualificado irá fazer com que o profissional responda a uma séria de perguntas e após analisar as respostas, saberá dizer se realmente é hora de fazer coaching ou indicar o melhor caminho se o cliente não estiver pronto para este processo.
“Todo coach tem que ter certificado de formação para exercer a atividade. No Brasil, o período mínimo para se formar é de um ano de curso.”
A confiança no coach, segundo Daniela, também é fundamental para que o processo dê resultados e o profissional consiga seguir no caminho certo para atingir seus objetivos na carreira.

12.808 – Maior aquisição da história da tecnologia se torna oficial


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A Dell anunciou a compra da empresa EMC, produtora de sistemas de armazenamento de dados, por um total de US$ 67 bilhões. O valor fez da aquisição a maior da história no mercado de tecnologia. Hoje, conforme anunciado pelas empresas, marca o dia em que o acordo se torna oficial após a superação de todos os obstáculos regulatórios.
De acordo com o TechCrunch, o principal empecilho para o fechamento do acordo foram as autoridades regulatórias chinesas. O Ministério do Comércio da China só liberou a aquisição na semana passada, retirando o último entrave à oficialização do acordo. A partir desse momento, a Dell Technologies, empresa resultante da fusão, se torna a maior empresa privada (que não vende ações) de tecnologia do mundo.
Com essa etapa encerrada, as duas empresas tem pela frente o desafio de se integrar. A EMC, por exemplo, tem 70 mil funcionários. Ela também controla, entre outras empresas, a VMWare, companhia de nuvem e virtualização de serviços. Acredita-se, porém, que o principal objetivo da fusão era unir o setor de armazenamento da EMC com a participação da Dell no mercado de dispositivos.

Altos negócios
Naturalmente, a união de duas empresas desse tamanho gera problemas igualmente grandes. Por exemplo: ainda segundo o TechCrunch, as agências regulatórias tinham dúvidas sobre como tributar a transação; o site estima que os impostos devidos por causa do acordo chegam na casa dos US$ 40 bilhões (mais que o dobro do que a Comissão Europeia pretende cobrar da Apple).
O mercado de tecnologia frequentemente vê uma série de fusões e aquisições desse tipo.

12.272 – Economia – Telefônica registra queda de 10% nos lucros no final de 2015


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A Telefônica Brasil anunciou os resultados fiscais do último trimestre de 2015. Entre outubro e dezembro, a empresa registrou um lucro líquido de US$ 1,1 bilhão de reais, uma queda de 10% em relação ao mesmo período de 2014. A operadora fechou o ano de 2015 com 96,8 milhões de linhas, uma queda de 6,3% em relação ao ano anterior.
No período, as linhas móveis pré-pagas caíram 18,2%. Segundo a Telefônica, a queda reflete a “política restritiva de desconexão de clientes não rentáveis, evidenciando o foco em clientes de maior valor”.

Internet móvel
Enquanto o número de linhas pré-pagas caiu, o faturamento com a internet móvel teve aumento de 52,9% em relação ao ano de 2014, gerando US$ 2,1 bilhões de lucro.

TV por assinatura
A TV por assinatura também cresceu em 2015. De acordo com a empresa, o aumento foi de 9,7, com 1,7 milhão de assinantes.

Inadimplentes
Entre outubro e dezembro do ano passado, o número de clientes devedores também caiu, atingindo os 272 milhões, uma queda de 4,8% em relação ao mesmo período de 2015.

Investimentos
Para 2016, a Telefonica prevê um investimento de R$ 8,9 bilhões no país, um aumento de 7,1% em relação a 2015.

12.028 – Indústria Farmacêutica – Criadora do Viagra compra fabricante do Botox


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A operação é a maior no setor de cuidados com a saúde e a segunda maior da história: a primeira foi a fusão da Mannesmann com Vodafone, na área de telecomunicação, com US$ 171,9 bilhões. Viagra e Botox têm em comum o fato de serem medicamentos blockbuster ? Mais de um milhão de pessoas já utilizaram o Botox ao redor do mundo e, só no Brasil, foram vendidos 114 milhões de comprimidos de Viagra em 15 anos. Também dividem as origens inusitadas – ambos tinham propósitos originais bem diferentes do que acabaram se tornando.
O citrato de sildenafila, mais conhecido como Viagra, foi sintetizado e estudado inicialmente para cuidar da hipertensão e da angina, um tipo de doença cardiovascular. Os pesquisadores da Pfizer perceberam que o composto não tratava as doenças com eficácia, mas que induzia ereções em homens que duravam de 30 a 60 minutos, graças à irrigação sanguínea no pênis. Atenta ao potencial da descoberta, a empresa farmacêutica patenteou o produto em 1996, e, dois anos depois, ele era aprovado pela FDA, órgão que regula os remédios nos Estados Unidos. Se você acha que a pílula azul funciona só para os humanos, está enganado: ela também ajuda a manter flores em pé, evitando que elas murchem, durando até uma semana a mais. O óxido nítrico, presente no medicamento, também é utilizado pelas plantas.
A toxina botulínica, mais conhecida pela marca Botox, só foi descoberta através de uma doença, o botulismo. O botulismo é um tipo de intoxicação alimentar, causada por uma toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, que fica em solos e alimentos. Essa toxina é capaz de paralisar os músculos do corpo todo, o que pode levar à morte. No Botox, ela é utilizada em pequenas quantidades, mas o princípio é o mesmo da doença: a acetilcolina, que conecta o cérebro aos músculos, é bloqueada. Isso significa que o músculo não recebe a mensagem para contrair, o que auxilia a suavização de rugas. Mas o seu primeiro uso não foi estético. No final dos anos 60, um oftalmologista norte-americano procurava um tratamento não cirúrgico para o estrabismo, e descobriu na toxina botulínica uma boa alternativa. Depois, um casal de médicos canadenses, Jean e Alastair Carruthers, oftalmologista e dermatologista, notaram que alguns dos pacientes que faziam tratamento com a toxina apresentavam menos rugas. A partir daí ela começou a ser utilizada como cosmético.

10.463 – Pirâmides – Quer perder dinheiro? Pergunte-me como


piramides financeiras

Não caia nessa canoa furada

abre um negócio: a Quéops Empreendimentos. E vai atrás de sócios. Arranja cinco. Cada um pagou R$ 10 mil para estar na jogada com você. Mas não é o bastante. Então você pede para que cada um deles arranje mais cinco sócios cada. “Quem conseguir vai ter o nome gravado aqui, nesta placa de marfim. Para sempre”, você diz. E os caras, motivados pelas suas palavras inspiradoras, conseguem mesmo. Você termina com 25 sócios novos. Então paga R$ 10 mil para cada um dos cinco sócios-fundadores. Todo mundo fica contente: cada um deles embolsa um retorno total do investimento logo de cara. E você, o chefe da coisa toda, acaba com R$ 200 mil para investir na Quéops.
Mas espera um pouco. Se deu para levantar R$ 200 mil tão rápido, por que não fazer outra rodada de recrutamento de sócios? Aí você dá uma palestra para aqueles 25 que acabaram de entrar e pede para que eles chamem mais cinco sujeitos cada um: “E quem conseguir vai ganhar uma cadeira vitalícia no conselho diretor!”. Como você é um gênio da motivação, dá certo de novo. Só que agora a escala é outra, de gente grande: a operação rende R$ 1.250.000.
Você, que além de gênio é generoso, distribui R$ 300 mil de bônus para a sua diretoria toda, que agora tem 30 pessoas (os cinco primeiros e os 25 que vieram depois). Cada um leva R$ 10 mil. Os 25 sócios mais recentes acham lindo: mal entraram para a Quéops e já conseguiram retorno. Mas bom mesmo fica para aqueles cinco originais. Eles levantam mais R$ 10 mil cada um, dobrando o investimento inicial. E dessa vez sem fazer nada. Poderiam ter ficado em casa assistindo Video Show que teriam ganhado 100% de retorno do mesmo jeito.
Mas bom mesmo está para você. Sobrou quase R$ 1 milhão na sua mão. Um empresário comum pegaria esse dinheiro e investiria em equipamentos e funcionários. Mas você não é um empresário comum. É um gênio. Descobriu que isso de “equipamentos e funcionários” é coisa para losers: o que dá dinheiro mesmo é conseguir mais sócios. A maior prova de que isso não tem erro? Seus próprios sócios! Eles mesmos estão ganhando mais do que conseguiriam em qualquer outro tipo de investimento. E o melhor: conforme a notícia do dinheiro fácil se espalha por aí, fica cada vez mais fácil amealhar gente. Ser sócio da Quéops vira uma ambição coletiva. As pessoas começam a pedir dinheiro emprestado só para poder entrar nessa.
Fica tão fácil que a sua “terceira geração” de sócios, os 125 sujeitos que aqueles 25 tinham trazido, acabam puxando cinco sócios novos cada um sem fazer força. Resultado: um faturamento bruto de R$ 6,25 milhões. A essa altura, a diretoria já conta com 155 pessoas (os cinco primeiros, os 25 da segunda geração e os 125 da terceira). Pagando os R$ 10 mil de bônus para cada um, você gasta R$ 1,55 milhão. Uma bela grana, mas ainda sobram R$ 4,7 milhões e uns quebrados para você. Limpos. E só com os quebrados já dá para comprar um Porsche. Tudo sem que a Quéops tenha saído do papel, ou mesmo vendido qualquer produto. O grande lance dela, no fim das contas, é arrumar cada vez mais sócios pagantes. Em pouco tempo, os sócios do topo da pirâmide ficam milionários. E você, o criador, bilionário – e idolatrado pelas multidões que estão triplicando, quadruplicando o dinheiro delas com você.
Bom, o que você leu até agora é o que os economistas chamam de “modelo”, uma aproximação simplificada da realidade. Uma aproximação para explicar como funciona um esquema de pirâmide financeira. O irônico é que, apesar de isso ser um modelo, ele é modesto em comparação com o que acontece na vida real.
Matematicamente inviável
Quando chegou ao Acre em novembro passado, o empresário Carlos Costa teve uma recepção digna de Neymar. Assim que desembarcou, ele foi ovacionado por centenas de pessoas que se espremiam no aeroporto Plácido de Castro para registrar o momento com câmeras de celular. Carlos Costa foi um dos responsáveis por trazer a TelexFree para o Brasil. Ele foi a Rio Branco (receber o carinho do público e) participar de uma audiência de conciliação com o Ministério Público, que desde março acusa a empresa de operar um esquema de pirâmide. Uma estimativa sugere que 70 mil dos 700 mil habitantes do Acre se envolveram com a TelexFree de alguma forma – um indicador de que o Ministério Público talvez esteja certo.
Naquele modelo que você acabou de ler, o da Quéops, a empresa não produzia nada. Na vida real, as pirâmides até vendem alguma coisa. Mas geralmente é só fachada. São produtos que elas fazem questão de não vender. O economista Samy Dana explica: “Vender um produto dá trabalho, requer investimento em compra de máquinas, embalagens e malha logística. A pirâmide geralmente possui produtos invendáveis, seja pelo fato de não existirem ou pelo fato de não terem preços competitivos”.
Sem fazer dinheiro com nada concreto, as pirâmides geralmente vão muito bem até dar de cara com uma lei da natureza: a finitude das coisas. No caso, de gente disposta a pagar para virar sócio. Na nossa empresa fictícia, a quarta geração de sócios já é um grupo de 625 pessoas; a seguinte, mantendo a taxa de crescimento, seria de 3.125, depois 15.625… Uma hora a fonte seca.
As últimas gerações da pirâmide provavelmente vão ficar no prejuízo, já que não devem conseguir as pessoas necessárias para recuperar o que investiram. E, como o número de associados tende a crescer exponencialmente, as últimas gerações podem representar quase 90% da pirâmide inteira. Essa multidão só terá servido para encher os bolsos dos 10% dos andares de cima. E para ter doado mansões de praia para quem termina com o grosso do dinheiro: o 1% do topo, o pessoal que estava no esquema desde o começo. “Alguns poucos, que são os geradores desse movimento, saem no lucro. E eles deixam que um pequeno número de pessoas inocentes também ganhe para demonstrar aos outros membros que existe chance de enriquecer”, resume Fabio Gallo, professor de finanças da FGV.
Piada de albanês
O país só aderiu ao capitalismo nos anos 90, e o período de isolamento econômico tornou os albaneses presas fáceis para golpistas, já que eles não tinham lá muita familiaridade com o sistema financeiro. A transição do comunismo para o capitalismo até que foi rápida, mas não se constroem bancos de um dia para o outro. E na Albânia do início dos anos 90, só três bancos – todos estatais – concentravam 90% dos depósitos, e mesmo eles não dispunham de um grande limite de crédito. Foi nesse contexto que surgiram as primeiras empresas informais de crédito. E elas inclusive eram vistas com bons olhos pelo governo, já que incentivavam o crescimento de uma economia que ainda engatinhava, e, por tabela, acabavam financiando os próprios partidos.
Algumas dessas empresas eram pirâmides puras, sem nenhum ativo real. Outras até tinham investimentos de fato, mas no final também acabaram virando pirâmides. Uma parte delas investia em contrabando para a antiga Iugoslávia, que naquela época ainda sofria com sanções da ONU. Nem precisa dizer que esse não era um investimento lá muito confiável. Quando as sanções foram suspensas, em 1996, as empresas albanesas perderam toda sua fonte de renda. Para evitar uma debandada geral, elas resolveram aumentar (?) as taxas de juros pagas aos investidores. Aí já viu: em poucos meses, 2 milhões de pessoas aderiram aos esquemas e investiram mais de US$ 1 bilhão nas pirâmides.
Quando o Fundo Monetário Internacional começou a levantar suspeitas sobre o modelo de negócio dessas empresas, o presidente da Albânia veio a público em defesa delas e fez com que a população acreditasse que o FMI estava tentando boicotá-las por pura maldade. Mas aí pouco tempo depois uma delas acabou falindo e levou todas as outras junto. O governo se recusou a ressarcir os investidores, e uma guerra civil logo tomou conta do país – mais ou menos dois terços dos albaneses tinham investido nas pirâmides. Duas mil pessoas morreram, e o presidente foi obrigado a renunciar. Quando o governo interino assumiu, a indústria estava temporariamente paralisada e a moeda local tinha se desvalorizado 40% em relação ao dólar.
Conclusões
Ainda que os bancos não ofereçam taxas de juros muito convidativas, são opções mais seguras do que qualquer oportunidade infalível de ganhar muito em pouco tempo. Para Samy Dana, o grande milagre do ganho fácil quase sempre vem acompanhado de uma grande mentira: “Não faz sentido alguém que não consegue encontrar um emprego que pague R$ 2 mil por mês achar que vai ficar rico com pirâmide. A maior chance de a pessoa enriquecer é ela fazer aquilo que faz de melhor, seja em um escritório ou em uma borracharia”.

No auge, seu esquema, Madoff chegou a operar mais de US$ 50 bilhões. Eventualmente, o próprio Madoff confessou que usava o dinheiro dos investidores mais novos para pagar os mais antigos. Em 2009, ele foi condenado a mais de 150 anos de prisão.

9741 – O que é a Sociedade Anônima?


Chama-se sociedade anônima ou também companhia a pessoa jurídica de direito privado que tem seu capital dividido por ações. Seus integrantes são chamados acionistas (devendo haver sempre dois ou mais para que haja a sociedade anônima), e sua natureza é eminentemente empresarial, independentemente da atividade econômica explorada.
É no artigo 1º da Lei 6.404/76 que encontraremos os elementos que definem a sociedade anônima: “A companhia ou sociedade anônima terá o capital divido em ações, e a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas”.

O capital social de uma sociedade anônima é dividido em ações de igual valor nominal, de livre negociabilidade, limitando-se a responsabilidade do acionista ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. Neste tipo de sociedade, o objetivo é a acumulação de capitais, mais do que a atração de acionistas em si. A participação do acionista no controle da empresa é medida pela quantidade de ações que este possui. No Brasil, a principal lei que regulamenta as sociedades anônimas é a lei 6.404/76.
Sua estrutura é composta de uma assembleia geral, um conselho de administração, diretoria e conselho fiscal. A sociedade pode participar de outras sociedades, e sua denominação estará acompanhada das expressões “companhia” ou “sociedade anônima”, expressas por extenso ou abreviadamente, sendo vedado, porém, o emprego da abreviação “Cia.” ao final da denominação. A instituição pode incluir ainda nome do fundador, acionista, ou pessoa que tenha concorrido para o êxito empresarial do negócio.
As sociedades anônimas podem ser constituídas de duas formas, capital aberto ou capital fechado. Assim prescreve o artigo 4º da Lei das Sociedades Anônimas: sociedade aberta é aquela em que os valores mobiliários (ações, debêntures, partes beneficiárias etc.) são lançados para negociação nas bolsas de valores ou mercado de balcão, devendo ser registrada e ter seus valores mobiliários registrados perante a CVM (Comissão de Valores Mobiliários); na sociedade fechada não há emissão de valores mobiliários negociáveis nesses mercados.
Caso a sociedade seja aberta, será sucessiva ou pública; se for fechada, ela pode ser simultânea ou particular. Para a sucessiva ou pública, a entidade deve seguir certas fases para se estabelecer, como por exemplo, a elaboração de boletins de subscrição (que são registrados na Comissão de Valores Mobiliários); oferta de subscrição das ações ao público; convocação de subscritores e realização da assembleia de constituição; remessa do estatuto e atas das assembleias para a Junta Comercial e finalmente, a publicação da certidão do arquivamento no jornal oficial. Já a constituição simultânea ocorre com a elaboração de boletins de subscrição por fundadores, oferta direta ao público, convocação para assembleia, remessa do estatuto e ata da assembleia à Junta Comercial e publicação no jornal oficial da certidão do arquivamento.

9729 – Por falar em golpe, aqui está outra modalidade: Sociedade em conta de participação


Se algum espertalhão vier com essa pra cima de você, pode cair fora.

A sociedade em conta de participação (direito brasileiro) ou conta da metade (direito português) é uma sociedade empresária que vincula, internamente, os sócios . É composta por duas ou mais pessoas, sendo que uma delas necessariamente deve ser empresário ou sociedade empresária. Atualmente, os artigos de 991 a 996 do Código Civil brasileiro dispõem sobre essa modalidade societária.
Por ser apenas uma ferramenta existente para facilitar a relação entre os sócios, não é uma sociedade propriamente dita, ela não tem personalidade jurídica autônoma, patrimônio próprio e não aparece perante terceiros.
O empreendimento é realizado por dois tipos de sócios: o sócio ostensivo e o sócio participativo (esta denominação surgiu com o CC/2002, antes esse sócio era conhecido como sócio oculto).
O sócio ostensivo (necessariamente empresário ou sociedade empresária) realiza em seu nome os negócios jurídicos necessários para ultimar o objeto do empreendimento e responde pelas obrigações sociais não adimplidas. O sócio participativo, em contraposição, não tem qualquer responsabilidade jurídica relativa aos negócios realizados em nome do sócio ostensivo.
A constituição da Sociedade em Conta de Participações (SCP) não está sujeita às formalidades legais prescritas para as demais sociedades, não sendo necessário o registro de seu contrato social na Junta Comercial.
O lucro real da SCP, juntamente com o IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL), uma vez que esta não possui CNPJ, são informados e tributados em campo próprio, na mesma declaração de rendimentos do sócio ostensivo.
Ocorrendo prejuízo fiscal na SCP, este não pode ser compensado com o lucro decorrente das atividades do sócio ostensivo, muito menos do sócio oculto e nem com lucros de outras SCP, eventualmente existentes sob a responsabilidade do mesmo sócio ostensivo. Este somente é compensável com lucros fiscais da própria SCP, observado o limite de 30%, cuja regra também é aplicável às demais empresas.
Este modelo societário tem sido alvo de diversas ações do Ministério Público, já que tem sido utilizado para a criação de falsos fundos de investimento imobiliário e consórcios sem os devidos registros na CVM e outros órgãos e agências reguladoras.

9728 – Não caia nessa furada…! Título de capitalização não é investimento


Partindo desse parâmetro:
Bancos não são instituições de caridade, eles não fazem nada para perder.
Parece bom negócio, mas é tapeação. Você compra o papel e concorre todo mês ao sorteio de prêmios que variam de 50 mil a meio milhão de reais. Caso não seja sorteado ao final de um período, tudo bem: recebe o dinheiro de volta, devidamente corrigido. O problema é que o nome “título de capitalização” engana. Faz parecer que você está investindo em seu futuro. E as instituições financeiras que vendem esse produto não se preocupam em evitar a confusão. Na verdade, título de capitalização não é investimento. Trata-se de uma loteria, na qual poucos felizardos ganham.
A chance de ter seu título de capitalização sorteado é de 1 em 75 mil – mais difícil que acertar o primeiro prêmio na loteria federal. E o rendimento proporcionado por ele é mínimo – atrelado à TR (taxa referencial do mercado, calculada pelo Banco Central). Desse valor, ainda é descontada a tarifa de administração, que varia entre 10% e 15%. Ou seja: não é comprando títulos de capitalização que você vai garantir seu futuro.
Para se ter uma ideia de como a rentabilidade dos títulos é baixa, basta compará-los a uma das modalidades de investimentos mais conservadoras, a caderneta de poupança. Na remuneração desse tipo de aplicação incidem a TR mais 6% de juros ao ano. E não há desconto algum. Quem depositou R$ 100 na poupança em janeiro de 2009 tinha R$ 107 ao cabo de 12 meses, contra R$ 100,70 de quem empatou o mesmo dinheiro em títulos de capitalização. Descontada uma taxa administrativa de 10%, o valor resgatado pelo dono dos títulos seria de apenas R$ 90,70 – ou seja, menos do que ele “investiu”.

7361 – Mega Memória Varejo – O Paes Mendonça


No início era uma pequena padaria no meio do Sergipe, mas depois de meio século, o empresário Mamede Paes Mendonça controlava um império com faturamento anual de 2 bilhões de dólares. Com 135 lojas, era então a 3ª maior rede atrás somente do Carrefour e do Pão de Açúcar.
Ele não concluíra sequer o curso primário. Começou a trabalhar na roça aos 7 anos para ajudar o pai no sustento da família de 12 irmãos, acordando de madrugada e trabalhando em média 12 horas por dia. Aos 21, já casado, chegou à conclusão que a enxada não satisfaria a sua ambição. Ele e um irmão juntaram as economias e compraram uma padaria em 1937. Cinco anos depois, eles ampliaram a ação comercial comprando um prédio em Itabaiana, Sergipe e começaram a vender arroz, feijão e cachaça. O negócio prosperou e em 1951 começou a construir seu império em Salvador.
Atribuíra seu sucesso a 3 fatores: tino comercial, apoio dos parentes e muita disposição para o trabalho. Seu lema era “comprar bem para vender barato”, o que, alias também é praticado pelas concorrentes.
Com o seu falecimento, a rede foi incorporada ao Pão de Açúcar de Abílio Diniz.

Cadê o tutu, barão?

paes mendonça

João Carlos Paes Mendonça foi um dos mais importantes barões da história do varejo brasileiro. Ex-dono do Bom Preço e membro da família que foi controladora da rede Paes Mendonça, uma das maiores supermercadistas do País, ele tem autoridade como poucos para avaliar o setor. E seu veredicto é ousado: “Ninguém entende de varejo no Brasil”, diz este sergipano de 71 anos, 60 deles dedicado ao segmento. “Nem eu mesmo.” Homem de diálogos francos e diretos, Paes Mendonça sempre primou pela sinceridade. “É muito difícil entrar em cidades ou regiões que não se conhece. Veja o exemplo do Abilio Diniz, que tentou entrar na Bahia sem sucesso, e o Michael Klein, da Casas Bahia, que acabou saindo do Rio Grande do Sul. É mais complicado entender o consumidor do que se pensa.” Afastado do ramo de supermercados, Paes Mendonça quer voltar a investir em São Paulo, mas agora sua prioridade é outra. “Estou no negócio de shopping centers há anos. De supermercado, não quero saber mais”, diz.
O crescimento médio da companhia não tem sido inferior a 20% ao ano, segundo fontes ligadas à empresa, que atua também na área de comunicação e construção civil. “Em São Paulo, somos minoritários e eu pretendo continuar assim”.
Quando ele se desfez da rede Bom Preço, adquirida pelos holandeses da Royal Ahold em maio de 2000, Paes Mendonça abriu mão de um negócio que pertencia à família há mais de seis décadas. Hoje, a rede é controlada pela americana Walmart. À época, ninguém entendeu muito bem o que ele havia feito. Aos mais próximos, disse que era o momento de sair de cena, já que a disputa entre os gigantes do segmento ficaria feia. E o cheque, de R$ 600 milhões, segundo rumores da época, era gordo. O estilo pragmático é marca registrada de toda a família. Em maio de 1999, a rede Paes Mendonça, liderada pelo tio Mamede Paes Mendonça, alugou os seus 25 pontos para Abílio Diniz, do grupo Pão de Açúcar. O motivo do acordo: endividada e pouco capitalizada, não tinha fôlego para brigar com os rivais mais fortes (Diniz os transformou em pontos das redes Extra, Pão de Açúcar e CompreBem).Apesar de estar há uma década distante do chão de loja de uma rede supermercadista, o empresário fala do antigo negócio com paixão escancarada: “Na outra encarnação, eu quero voltar como varejista de novo.”