13.343 – Antropologia – Homo sapiens se espalhou pelo mundo 200 mil anos antes do esperado


antropologia
Usando fósseis e análises de DNA, cientistas estão começando a pintar um retrato dos primórdios da humanidade, uma história com mais reviravoltas do que você veria em um roteiro de cinema.
O consenso atual entre os especialistas é de que o Homo sapiens evoluiu pelo menos 300 mil anos atrás, na África. Muito mais tarde –70 mil anos atrás– um pequeno grupo de africanos se estabeleceu em outros continentes, dando origem às demais populações atuais do planeta.
Para Johannes Krause, diretor do Instituto Max Planck de História Humana, na Alemanha, essa lacuna na linha do tempo é peculiar.
Com base em DNA recentemente descoberto em fósseis, os pesquisadores concluíram que uma onda de Homo sapiens primitivos ou de parentes próximos de nossa espécie abriu caminho da África para a Europa. Lá, eles se miscigenaram com os neandertais.
Em seguida, os primeiros emigrantes africanos desapareceram. Mas parte de seu DNA perdurou em gerações posteriores dos neandertais.
Desde o século 19, paleontologistas vêm enfrentando dificuldades para compreender de que maneira os neandertais se relacionam a nós. Fósseis mostram que eles eram distintos anatomicamente, com testas avantajadas, corpos robustos e outros traços sutis que nos faltam.
Os ossos mais antigos de espécimes semelhantes aos neandertais foram achados na caverna espanhola Sima de los Huesos e foram datados de 430 mil anos atrás. Restos mais recentes dos neandertais, de cerca de 100 mil anos atrás, foram encontrados espalhados por toda a Europa e em uma faixa que se estende até o sul da Sibéria.
Então, 40 mil anos atrás, os neandertais desaparecem do registro fóssil.
Quando era aluno de pós-graduação, na metade dos anos 2000, Krause trabalhou junto a diversos museus para realizar sondagens em fósseis de neandertais. Em alguns deles, ele e os colegas conseguiram achar fragmentos de DNA que puderam estudar.
Os cientistas que estudam genes antigos buscam duas espécies de material genético. A vasta maioria de nossos genes fica no núcleo das células. Herdamos o DNA nuclear de nossos dois progenitores.
Mas também carregamos um pequeno volume de DNA nas usinas que geram combustível em nossas células, as mitocôndrias. O DNA mitocondrial é herdado apenas do lado materno, porque o espermatozoide do pai destrói seu DNA mitocondrial durante a fertilização.
Agora, Krause e seus colegas descobriram novas amostras de DNA neandertal que podem resolver alguns mistérios. Em 2013, um de seus orientandos de pós-doutorado, Cosimo Posth, examinou um fóssil neandertal encontrado em 1937 na caverna alemã de Hohlenstein-Stadel.
Ele conseguiu reconstruir o DNA mitocondrial do fóssil e estimou que ele tivesse 120 mil anos de idade e, mais importante, que pertencesse a um ramo com longo histórico, na árvore genealógica dos neandertais. Ele e os colegas determinaram que todos os neandertais conhecidos herdaram seu DNA mitocondrial de um ancestral que viveu 270 mil anos atrás.
Todos os dados apontam para uma sequência de acontecimentos que poderia resolver o enigma que aflige Krause há tanto tempo.
Antes, os ancestrais comuns dos neandertais e dos homens de Denisova, de uma caverna siberiana, se espalharam pela Europa e Ásia mais de meio milhão de anos atrás. Gradualmente, a população do oeste e a do leste se separaram, geneticamente.
No leste, os ancestrais se tornaram homens de Denisova. No oeste, se tornaram neandertais.
Em algum momento anterior a 270 mil anos atrás, seres humanos provenientes da África e geneticamente muito próximos a nós emigraram para a Europa e se miscigenaram com os neandertais. O DNA deles foi incorporado ao pool genético neandertal.
Posth disse que é possível que os primeiros membros de nossa espécie tenham emigrado da África do Norte para a Europa. Um sustentáculo dessa ideia é a descoberta, reportada no mês passado, de fósseis de Homo sapiens datados de 300 mil anos atrás, no Marrocos.
Mas Posth disse que era cedo demais para descartar outra possibilidade: a de que esses emigrantes pertenciam a outra espécie africana estreitamente aparentada a nós que os cientistas até agora não documentaram.
O DNA mais revelador agora pode vir das montanhas do Marrocos. Lá, cientistas talvez consigam encontrar genes de espécimes mais antigos de Homo sapiens, que poderão ser comparados aos dos neandertais.

13.195 – Quando Surgiu a Paleontologia?


paleontologia
A paleontologia é a disciplina científica que estuda o registro fóssil deixado pelos organismos vivos, procurando compreender a história da vida na Terra. Apesar de ser um campo da biologia, durante o seu desenvolvimento inicial esteve mais relacionada com a geologia, pois os fósseis eram objeto de estudo de áreas como a mineralogia e a estratigrafia. Até praticamente o final do século XVIII a palavra fóssil denominava qualquer objeto escavado, não importando sua origem, e mediante este tratamento os fósseis eram estudados por aquelas áreas científicas.
A história da paleontologia analisa a trajetória da relação que o homem estabeleceu com os fósseis desde a pré-história humana. Primeiramente, vistos como “joguetes da natureza” ou curiosidades, os fósseis somente passaram a ser objeto de um estudo sistematizado, após a constatação de sua origem biológica e de sua posição em uma escala de tempo, também ampliada por este mesmo estudo. Assim o estudo dos fósseis (o termo paleontologia, somente viria a ser cunhado no século XIX, por Ducrotay de Blainville) emergiu como parte integral das mudanças na filosofia natural que ocorreram durante a Idade da Razão.
A origem dos fósseis e o seu significado na História Natural passaram a ser melhor compreendidos no final do século XVIII e início do século XIX, quando a comunidade científica passou a adotar como modelo os resultados dos trabalhos de Georges Cuvier (1769-1832). Estes estudos estavam baseados em seus princípios da anatomia comparada e levaram a instauração da paleontologia como ciência moderna, assim como da geologia . Desta forma, durante a primeira metade do século XIX houve um grande incremento na aquisição do conhecimento sobre a história da vida na Terra e também uma ampliação na escala de tempo geológico. Isto possibilitou a constatação de que houve algum tipo de ordenamento sucessivo no desenvolvimento da vida na Terra. Este fato contribuiu para a formulação de teorias de transmutação de espécies.
Após 1859, com a publicação do livro de Charles Darwin, A Origem das Espécies, a paleontologia passou a ter como um de seus principais objetivos a composição de sequências filogenéticas, procurando estabelecer as vias evolutivas.
Durante a segunda metade do século XIX houve uma grande expansão na atividade paleontológica, especialmente na América do Norte. A tendência continuou no século XX, com regiões adicionais da Terra tornando-se abertas ao estudo sistemático dos fósseis, como por exemplo a China, onde importantes descobertas foram realizadas. Na última metade do século XX intensificou-se o interesse no esclarecimento das extinções em massa e o seu papel na evolução da vida na Terra.
Ainda no século VI a.C., Xenófanes de Cólofon foi mencionado por escritores posteriores de ter observado os restos de conchas de moluscos pelágicos nas montanhas, impressões de folhas em rochas de Paros, assim como várias evidências da presença antiga do mar nas terras altas de Malta, e atribuiu essas aparições às invasões periódicas do mar.
historiador Xanthus da Sardenha (circa 500 a.C.) também chamou a atenção para a ocorrência de conchas fósseis na Armênia, Frígia e Lídia, regiões distantes do mar, e concluiu que as localidades onde tais restos ocorriam tinham sido anteriormente o leito do oceano, e que os limites da terra e do oceano vinham constantemente sofrendo mudanças.
Leonardo da Vinci (1452-1519), em um trabalho não publicado, chegou à mesma conclusão dos antigos gregos sobre as variações dos oceanos. No entanto, em ambos os casos, os fósseis eram restos completos de organismos marinhos que detinham grande semelhança com espécies atuais e como tal fáceis de serem identificadas, permanecendo a questão se os fósseis não assemelhados à nenhuma forma de organismo conhecida, também tinham origem orgânica.
No século XVII Nicolau Steno (1638 – 1686), estabeleceu um ordenamento temporal para os estratos geológicos, nos quais os fósseis eram encontrados. Esta relação estendeu-se para os fósseis contidos nestes estratos, levando-os a serem tratados como registros da história da vida na Terra.
Com este tratamento surgiu o questionamento sobre o destino dos organismos que somente eram encontrados na forma fóssil. Os naturalistas que estudavam os fósseis, dividiam-se entre a defesa da ocorrência da extinção e a defesa da hipótese que propunha que tais organismos ainda deveriam ser descobertos em algum lugar do Globo. Somente após os trabalhos da anatomia comparada de Georges Cuvier serem aceitos pela comunidade científica, esta questão foi resolvida, pois possibilitaram as reconstruções paleontológicas, inclusive destes organismos extintos.
Shen Kuo (chinês: 沈括) (1031 – 1095), da dinastia Song, usou a evidência de fósseis marinhos escavados nas montanhas Taihang para inferir a existência de processos geológicos de geomorfologia e alterações do nível do mar ao longo do tempo.[9] Usando a suas observações de bambus preservados e petrificados, encontrados soterrados em Yan’an, região de Shanbei, província de Shaanxi province, defendeu uma teoria de mudança do clima gradual, uma vez que Shaanxi ao se tratar de uma região de clima seco não seria um habitat propício para o crescimento de bambus.
Como resultado da nova enfase na observação, classificação e catalogação da natureza, os filósofos naturais do século XVI na Europa começaram a estabelecer extensivas coleções de objetos fósseis, assim como também coleções de espécimes vegetais e animais, que eram frequentemente armazenados em gabinetes construídos para ajudá-los a organizar as coleções. Conrad Gesner publicou em 1565 um trabalho sobre fósseis que continha uma das primeiras descrições detalhadas sobre gabinetes e coleções. A coleção pertencia a um membro da extensa rede de correspondentes que Gesner se baseou para suas obras. Tais redes de correspondência informal entre os filósofos naturais e colecionadores tornou-se cada vez mais importante durante o curso do século XVI e foram precursores diretos das sociedades científicas que começam a se formar no século XVII. Essas coleções de gabinete e redes de correspondência desempenharam um papel importante no desenvolvimento da filosofia natural.
Durante a Idade da Razão, mudanças fundamentais na filosofia natural foram refletidas na análise dos fósseis. Em 1665, Athanasius Kircher atribuiu os ossos gigantes à extintas raças de humanos gigantes em seu livro Mundus subterraneus. No mesmo ano, Robert Hooke publicou o Micrographia, uma coleção ilustrada das suas observações com um microscópio. Uma dessas observações foi intitulada Of Petrify’d wood, and other Petrify’d bodies, que incluía uma comparação entre madeira comum e petrificada. Hooke acreditou que os fósseis provinham evidência sobre a história da vida na Terra.
Em 1667, Nicholas Steno escreveu um artigo sobre uma cabeça de tubarão que tinha dissecado. Ele comparou os dentes do tubarão com o com objetos fósseis comuns conhecidas como línguas de pedra. Ele concluiu que os fósseis deviam ter sido dentes de tubarão. Steno então teve um interesse na questão dos fósseis, e para abordar algumas das objeções à sua origem orgânica começou a estudar estratos rochosos. O resultado deste trabalho foi publicado, em 1669, como um precursor para a Forerunner to a Dissertation on a solid naturally enclosed in a solid. Neste livro, Steno estabeleceu uma distinção clara entre objetos como cristais de rocha que realmente se formaram dentro das rochas e dos fósseis, como conchas e dentes de tubarão, que se formaram fora dessas rochas. Steno percebeu que certos tipos de rochas foram formados pela deposição sucessiva de camadas horizontais de sedimentos e que os fósseis eram os restos de organismos vivos que tinham sido enterrados naqueles sedimentos. Steno que, como quase todos os filósofos naturais do século XVII, acreditava que a Terra tinha apenas alguns milhares de anos, recorreu ao dilúvio bíblico como uma possível explicação para os fósseis de organismos marinhos que estavam longe do mar.

10.786 – O Naturalista Konrad Gesner


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(Zurique, 26 de março de 1516 — Zurique, 13 de dezembro de 1565) foi um naturalista suíço. A sua obra Historia Animalium, em três volumes (1555-1558), é considerada como marcante para o princípio da zoologia moderna.
Gessner nasceu e foi educado em Zurique, onde o seu pai trabalhava com peles de animais. Depois da morte do pai, na batalha de Kappel, em 1531, passou por apuros económicos. No entanto, tinha bons amigos, como o seu antigo mestre Oswald Myconius e Heinrich Bullinger, e conseguiu continuar os seus estudos na Universidade de Estrasburgo e na Universidade de Bourges (1532-1533); em Paris, encontrou um generoso patrão na pessoa de Job Steiger, de Berna.
Em 1540-1541 visitou a famosa universidade de medicina de Montpellier. Obteve o título de doutor em medicina (1541), em Basileia, e estabeleceu-se em Zurique para exercer, obtendo o posto de professor de física. Ali passou o resto da sua vida, com excepção a algumas viagens a vários países estrangeiros e deslocações pelo seu país para realizar estudos botânicos. Durante este tempo dedicou-se a preparar livros sobre distintas matérias. Morreu de peste.
Entre os seus contemporâneos foi reconhecido especialmente como botânico, apesar de seus escritos sobre esta matéria não terem sido publicados até bem depois da sua morte (em Nuremberga, 1751-1771, 2 vols. folio). Publicou Enchiridion historiae plantarum e Catalogus plantarum (1542) em quatro idiomas. Em 1545 publicou o destacável Bibliotheca universalis (ed. por J Simler, 1574), supostamente um catálogo em latim, grego e hebreu).
Konrad Gesner também é conhecido como o “pai da bibliografia” devido a sua obra editada em 1545 “Bibliotheca universalis”. Tinha o intuito de realizar uma lista dos livros impressos no mundo.

10.142 – Neandertal era tão inteligente quanto homem moderno, diz estudo


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Uma pesquisa da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos, publicada nesta quarta-feira pelo periódico Plos One, afirma que a inteligência dos neandertais é comparável à do homem moderno. Segundo o novo estudo, os neandertais eram igualmente talentosos para caçar, comunicar-se, inovar (na dieta, por exemplo) e adaptar-se a diferentes ambientes, ao contrário do que sugerem leituras convencionais.
A semelhança entre esses homens pré-históricos, considerados uma subespécie do Homo sapiens, e o homem moderno vem sendo atestada em um número crescente de pesquisas. Neste novo estudo, os cientistas usaram análises genéticas dos neandertais para examinar doze explicações comuns para sua extinção, ocorrida há 50.000 anos na Ásia e há 30.000 anos na Europa. Conclusão: nenhuma delas é suficientemente embasada, como a teoria segundo a qual os neandertais não conseguiam se adaptar a diferentes ambientes — há indicativos de que eles caçavam em grupo e utilizavam a paisagem para ajudá-los nessa tarefa.
Uma prova de inteligência mencionada no estudo foi a descoberta, em um sítio arqueológico neandertal, de fósseis de dezoito mamutes e cinco rinocerontes na base de um buraco profundo. Trata-se de uma evidência de que os neandertais tinham a capacidade de planejar o futuro (para se defender, nesse caso), comunicar-se e fazer uso eficiente do ambiente em prol do bando.
A pesquisa cita também a possibilidade de que esses homens tivessem uma dieta diversificada. Segundo a disponibilidade de alimento, o cardápio neandertal podia incluir ervilha, pistache, semente de capim, azeitona silvestre, pinhão e tâmara, segundo indícios fornecidos por microfósseis.
Por fim, os pesquisadores acharam evidências de que esses homens usavam pintura corporal, feita com ocre, um pigmento natural. Juntos, esses achados sugerem que os neandertais cultivaram seus próprios rituais e usaram comunicação por símbolos.
Segundo os estudiosos, pesquisas anteriores deturparam a capacidade cognitiva dos neandertais, que são do Paleolítico Médio (entre 200.000 a 30.000 a.C.), ao compará-las à dos humanos do período Paleolítico Superior (entre 30.000 e 10.000 a.C.). “Seria a mesma coisa que comparar o desempenho de um carro do século passado, como o Ford Model T, com os carros modernos, como a Ferrari, e definir que Henry Ford era inferior cognitivamente a Enzo Ferrari”, diz Paola Villa, coautora do estudo e arqueóloga do Museu de História Natural da Universidade do Colorado.

Houve cruzamento entre os neandertais e o homem moderno?
Sim. De acordo com João Zilhão, arqueólogo português e pesquisador da Universidade de Barcelona, isso está provado pela anatomia de fósseis dos primeiros europeus da época posterior ao primeiro contato com o homem moderno. Esses fósseis apresentam alguns traços característicos dos neandertais. Além disso, mais recentemente, o cruzamento também foi comprovado com a comparação do genoma de um neandertal com o de indivíduos atuais de vários continentes. Essa comparação evidencia que a contribuição neandertal para o genoma humano persistiu até o presente e em porcentagem significativa.

Os neandertais foram dizimados pelo homem moderno?
Não se sabe ao certo por que os neandertais desapareceram da Terra há 30.000 anos. Algumas hipóteses, não excludentes, são epidemias, catástrofes naturais ou o extermínio por outras populações. O que se sabe é que os neandertais foram assimilados pelos homens modernos, por meio de cruzamentos, e sucedidos pelas populações originárias de África que ocuparam gradativamente a Europa e Ásia a partir de 50.000 anos atrás.

O neandertal é uma subespécie do Homo sapiens ou uma outra espécie do gênero Homo?
De acordo com Zilhão, o neandertal é uma subespécie do Homo sapiens. Por definição, se houve miscigenação importante entre os dois grupos, isso significa que eram “subespécies” ou “populações” de uma só espécie biológica, não duas espécies distintas. Vanessa Paixão-Côrtes, pesquisadora da área de genética e evolução, lembra, contudo, que a categorização de espécies é algo muito difícil. A questão ainda é amplamente discutida, apesar de tanto o homem moderno quanto o neandertal serem considerados humanos.

9697 – Genética – Dentro de cada humano mora um neandertal


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Os neandertais desapareceram da Terra há pelo menos 30.000 anos. Mas seus genes ainda vivem dentro de nós, revelaram dois estudos publicados recentemente.
Pesquisas anteriores já provaram que houve acasalamento entre ancestrais diretos do homem e neandertais, há cerca de 65.000 anos, e que 1 a 3% do genoma humano vem desse hominídeo extinto. Os novos trabalhos foram os primeiros a demonstrar o efeito biológico dessa transferência genética no desenvolvimento humano. Eles revelaram que são remanescentes do DNA neandertal genes que causam diabetes tipo 2, doença de Crohn e lúpus, além de características na pele e no cabelo.
Em um estudo publicado na revista Science, os cientistas Benjamin Vernot e Joshua Akey, da Universidade de Washington, compararam mutações no genoma de mais de 600 europeus e asiáticos com o genoma sequenciado a partir do osso de um hominídeo encontrado na Espanha. Eles concluíram que mais de 20% do DNA neandertal sobrevive nos humanos.
Outra pesquisa, liderada por cientistas da Universidade Harvard e publicada na revista Nature, comparou o mais completo genoma neandertal já sequenciado com o de 1.004 humanos vivos. A principal revelação foi uma quase ausência de DNA neandertal no cromossomo X — em humanos, mulheres têm dois cromossomos X e homens um X e um Y. A ausência provavelmente significa que os descendentes machos do cruzamento eram estéreis.
​As análises revelaram também que alguns genes neandertais são comuns na atualidade, como os envolvidos na produção de queratina, componente que dá resistência à pele, ao cabelo e à unha. Essa herança pode ter ajudado os primeiros Homo sapiens a se adaptar a uma Europa fria, depois que eles deixaram a África, dando-lhes uma pele mais espessa.
Os cientistas também descobriram que alterações genéticas herdadas de neandertais elevam o risco para problemas de saúde como o diabetes tipo 2, o lúpus e a doença de Crohn. “Queremos usar as informações do estudo como uma ferramenta para entender doenças comuns em humanos”, diz David Reich, principal autor da pesquisa.

9696 – Antropologia – Meio sapiens, meio neandertal


Neandertais quase sapiens
Neandertais quase sapiens

Houve cruzamento entre os neandertais e o homem moderno?
Sim. De acordo com João Zilhão, arqueólogo português e pesquisador da Universidade de Barcelona, isso está provado pela anatomia de fósseis dos primeiros europeus da época posterior ao primeiro contato com o homem moderno. Esses fósseis apresentam alguns traços característicos dos neandertais. Além disso, mais recentemente, o cruzamento também foi comprovado com a comparação do genoma de um neandertal com o de indivíduos atuais de vários continentes. Essa comparação evidencia que a contribuição neandertal para o genoma humano persistiu até o presente e em porcentagem significativa.

Os neandertais foram dizimados pelo homem moderno?
Não se sabe ao certo por que os neandertais desapareceram da Terra há 30.000 anos. Algumas hipóteses, não excludentes, são epidemias, catástrofes naturais ou o extermínio por outras populações. O que se sabe é que os neandertais foram assimilados pelos homens modernos, por meio de cruzamentos, e sucedidos pelas populações originárias de África que ocuparam gradativamente a Europa e Ásia a partir de 50.000 anos atrás.

O neandertal é uma subespécie do Homo sapiens ou uma outra espécie do gênero Homo?
De acordo com Zilhão, o neandertal é uma subespécie do Homo sapiens. Por definição, se houve miscigenação importante entre os dois grupos, isso significa que eram “subespécies” ou “populações” de uma só espécie biológica, não duas espécies distintas. Vanessa Paixão-Côrtes, pesquisadora da área de genética e evolução, lembra, contudo, que a categorização de espécies é algo muito difícil. A questão ainda é amplamente discutida, apesar de tanto o homem moderno quanto o neandertal serem considerados humanos.

Só o homem moderno desenvolveu pensamento abstrato?
Não. Os neandertais também exercitavam o pensamento abstrato e faziam uso de símbolos. Eles enterravam os mortos, usavam objetos de adorno pessoal, pintavam os corpos com tintas minerais, usavam utensílios de osso e marfim com marcas decorativas abstratas e desenvolveram uma sofisticada tecnologia do fogo. Essa técnica incluía a fabricação da mais antiga matéria-prima artificial da humanidade – uma resina utilizada para fazer tinta – através de processos que só encontram equivalente nos fornos de cerâmica do Período Neolítico, muitos milhares de anos depois.

Quais traços o homem moderno compartilha com os neandertais?
O homem moderno de 50.000 anos atrás tinha uma organização social, uma economia e uma cultura em tudo semelhantes com os neandertais. O homem moderno atual é, evidentemente, muito diferente: privilegia a acumulação de conhecimentos e desenvolvimentos tecnológicos e científicos.

O homem moderno tem o cérebro maior que o do neandertal?
Não, ao contrário: os neandertais é que tinham um cérebro maior. Mas, de um ponto de vista genético, poucas diferenças foram encontradas quanta à capacidade cognitiva. Ou seja, tanto quanto podemos saber, os cérebros de humanos e neandertais eram diferentes apenas em tamanho.

Qual era a aparência dos neandertais?
Eram “gente como a gente”, salvo pequenas diferenças (o formato do queixo e a robustez das têmporas) dentro da margem de variação da humanidade atual. Provavelmente, seus cabelos também exibiam as mesmas variações de tonalidades que os do homem moderno. Os cientistas já fizeram experiências como atores maquiados como neandertais. A trupe passeou pelas ruas de grandes cidades e ninguém notou diferença.
A expectativa de vida dos neandertais era igual a dos primeiros humanos modernos: cerca de 25% deles ultrapassavam os 40 anos. Alguns podiam chegar aos 60 anos. A descoberta de ossos de neandertais idosos, que viveram além da idade de prover o sustento para eles mesmos, sugere forte organização familiar.
O canibalismo entre neandertais está documentado. Mas ainda não se sabe com que finalidade ou frequência: se era uma fonte alimentar excepcional para tempos de crise ou uma prática rotineira. Segundo pesquisadores, os neandertais seriam tão canibais quanto os homens modernos. De acordo com Zilhão, é mais um aspecto que aproxima os dois grupos.

8880 – Mega Almanaque – História Natural


Plinio

História Natural (no original em latim, Historia Naturalis) é uma enciclopédia escrita por Caio Plínio Segundo (conhecido também como Plínio, o Velho), filósofo e naturalista que viveu entre 23 d.C. e 79 d.C. e morreu na famosa erupção do vulcão Vesúvio, responsável pela destruição de Pompeia, Herculano e outras vilas menores ao redor. Apesar de ter composto vários outros trabalhos científicos e filosóficos, a História Natural é o único trabalho de Plínio que chegou até nossos dias, sendo também um dos maiores textos em volume que resta da época da antiga Roma, e ainda por cima, completo.
É consenso entre os historiadores que a História Natural é o último trabalho de Plínio, cuja violenta morte o impediu de fazer uma revisão mais criteriosa de seu texto. Dividida em 37 livros, a obra pretendia cobrir todo o campo de conhecimento explorado pelo homem da antiguidade clássica, e tomava por base as fontes mais confiáveis ao alcance do autor.

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O título desta enciclopédia, à primeira vista, pode levar a conclusões equivocadas, pois ela não é essencialmente um trabalho de história, ou relato de fatos passados, mas sim um relatório ou pesquisa. Do mesmo modo, o termo “natural” utilizado no título tinha o sentido, na época de Plínio, de se referir a toda a cultura conhecida, seja esta construída pela natureza ou pelo homem. Uma interpretação mais satisfatória do título original em latim, para o português contemporâneo seria algo como “Pesquisa Cultural”.
O desejo de Plínio com monumental obra, acredita-se que era a de legar uma contribuição romana ao conhecimento humano, que na sua época permanecia ainda território dos gregos. O cidadão romano médio costumava receber uma formação mais prática, voltada para o cotidiano, dentro de um Estado obcecado com as conquistas territoriais e a riqueza que estas podiam render.
Nesta enciclopédia, que de acordo com o próprio autor em seu prefácio, seria a primeira do gênero (afirmação controversa), Plínio oferece todos os tipos de informação crítica, mencionando fontes, e por vezes relatas curiosidades como a que está em seu catálogo de pessoas que atingiram uma idade avançada, onde menciona um homem de Bolonha, que teria morrido com a idade de 150 anos (ao menos, ele teria sido um contribuinte por 150 anos).
Entre os volumes não há um critério real de separação das áreas de conhecimento. Portanto, não se deve estranhar que, no meio do texto sobre horticultura encontre-se informações sobre navegação (afinal, velas são feitas de linho).

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Sua organização :

Volume I
– Prefácio, índice e relação das fontes consultadas;

Volume II
– Cosmologia, astronomia e meteorologia;

Volumes III a VI
– Geografia;

Volume VII
– Antropologia e fisiologia humana;

Volumes VIII a XI
– Zoologia;

Volumes XII a XXIX
– Temas relacionados à botânica, agricultura, horticultura e farmacologia;

Volume XXX
– Magia e Zoroastrismo;

Volumes XXXI a XXXVII
– Mineralogia

8052 – Arqueologia – Piauí já tinha presença humana há 22 mil anos


Um artigo de pesquisadores franceses e brasileiros traz novos dados à discussão sobre a data da chegada do homem à América ao analisar três sítios arqueológicos no Piauí e mostrar evidências de presença humana na região até 22 mil anos atrás.
Os achados dos pesquisadores, publicados no periódico “Journal of Archaeological Science”, são mais uma evidência empírica contra o chamado paradigma “Clovis first”, a teoria mais antiga sobre a ocupação das Américas.
Proposto por arqueólogos dos EUA na década de 1930, o modelo sustenta que os primeiros moradores do continente vieram a pé da Ásia durante a Era do Gelo há cerca de 13 mil anos –quando havia uma ponte terrestre entre os dois continentes– e se dispersaram pelas Américas.
“As evidências trazidas pelos estudos de artefatos líticos [objetos feitos com pedra lascada ou polida] não deixam dúvida da nossa descoberta”, disseram Christelle Lahaye e Eric Böeda, líderes do time de arqueólogos. As escavações foram feitas entre 2008 e 2011 na Toca da Tira Peia, localizada no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, e 113 artefatos de pedra foram recolhidos de cinco camadas do solo.

Foi utilizada uma técnica que mede o dano natural da radiação solar em cristais como quartzo e feldspato presentes nos sedimentos nos quais foram encontrados os artefatos. Com isso, os cientistas conseguiram estimar a última exposição do solo à luz solar, variando de 4.000 anos no topo a 22 mil anos atrás no terceiro nível.
Uma dificuldade desse tipo de estudo é saber se as lascas nos artefatos são resultado de trabalho humano e não de fenômenos naturais.
“Encontramos ferramentas feitas a partir de matérias-primas que não se encontram perto do abrigo. Isso nos leva a concluir que elas foram escolhidas, trazidas, trabalhadas e utilizadas pela ação humana”, disse Gisele Felice, da Universidade Federal do Vale do São Francisco.
Para os autores, isso significa que homens viveram nessa parte do mundo no mínimo 10 mil antes do previsto.
Niède Guidon, presidente da Fundação Museu do Homem Americano e uma das autoras do trabalho, crê que as descobertas da equipe franco-brasileira reforçam a hipótese de que a chegada do homem à América se deu por várias regiões do continente.
“Pensamos que houve migrações vindas da África por uma corrente marítima que vem do litoral africano até o Nordeste, e há migrações mais tardias que chegaram pelo sul, vindas do Pacífico.”
Segundo Guidon, grupos de humanos podem ter começado a sair da África a partir das grandes secas que atingiram o continente há cerca de 130 mil anos.
Astolfo Araújo, do Museu de Arqueologia e Etnografia da USP diz, no entanto, que os modelos da vinda do homem pela África e pelo Pacífico, apesar de viáveis, são frágeis, devido à ausência de evidências convincentes.

O Retrato de um Passado


Há 4 milhões de anos, a humanidade não existia, mas segundo os evolucionistas, existia o australopitecos afarensis, uma criatura de cérebro minúsculo, mas que andava a pé como nenhum macaco seria capaz de fazer. Seu 1° fóssil foi desentarrado há 20 anos na Etiópia, norte da África, uma fêmea que recebeu o apelido de Lucy,e este anoo fóssil de um macho foi achado. Seu esqueleto permaneceu quase 4 milhões de anos absorvendo minerais do solo até virar pedra.
Tinha volume craniano de 500 cm³, pouco mais de 1/3 do volume craniano de 1 homem moderno, que chega a 1300 cm³. Mais de 1 milhão de anos após o último afarensis desaparecerdo planeta, susrgiram os primeiros humanos. De acordo com a ciência dos ossos, os machos de tal espécie eram bem maiores que as fêmeas e numa proporção que muitos pesquisadores tiveram receio de aceitar, ou se recusaram a admitir.
Seria como se um casal humano em que o homem tivesse 2,10 m e a mulher 1,50. Não é impossível, mas raro. A média atual gira em torno de 15% de diferença de altura. Quando há grande diferença entre os sexos, os macacos são polígamos, um único macho fecunda todas as fêmeas de seu bando; na qual todas as crias tem o mesmo pai. Os machos logo saem para formar um novobando, os que ficam não tem acesso as fêmeas. Os gibões, ao contrário, adotam a monogamia.
A maior parte da atual população humana é monogâmica, mas os povos antigos eram polígamos. Os árabes são um exemplo, havendo também outros na África, Ásia e América, numa lista de 250 povos estudados no início do século 20, 193 adotavam a poligamia.