12.794 – Saúde – Poluição atmosférica pode ser uma das causas do Alzheimer


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Pesquisadores do Reino Unido e do México encontraram no cérebro partículas tóxicas de poluição atmosférica associadas ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.
O novo trabalho publicado pela Academia Nacional de Procedimentos Científicos dos Estados Unidos encontrou inúmeras esferas de magnetita ao examinar amostras do tecido cerebral de 37 pessoas, entre 3 e 92 anos, que vivem na Cidade do México e em Manchester, no Reino Unido. Os cientistas afirmam que ainda precisam de outras pesquisas para atestar causa e consequência entre as duas coisas, mas a descoberta de tantas partículas de material tóxico no cérebro chama a atenção.
Os resultados do estudo são preocupantes por três razões. Primeiro, porque os efeitos da poluição atmosférica são epidêmicos. Ainda neste ano, a OMS divulgou um alerta afirmando que mais de três milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência da poluição do ar – o número de vítimas supera os óbitos somados por malária e aids, por exemplo. Segundo, porque a quantidade de magnetita encontrada surpreendeu os cientistas. Por último, pela toxicidade do material.
A magnetita é um mineral magnético e pode aparecer de maneira natural no cérebro. No entanto, as partículas achadas pelos cientistas eram muito maiores e redondas – para cada partícula natural, eles registraram mais de 100 em forma de esfera. Isso sugere que tenham vindo de fora do corpo e se formado sob altas temperaturas. Ou seja, vindas da queima de combustíveis fósseis, como a poluição dos escapamentos de carros e chaminés de fábricas.
O fato de existir magnetita normalmente no nosso organismo não quer dizer que sejamos imunes a ela. O grande perigo da magnetita é sua biorreatividade – ela pode perturbar as funções das células e desencadear a formação de radicais livres, estruturas que causam danos às células cerebrais e corroboram para o envelhecimento e o desenvolvimento de doenças relacionadas à degeneração celular, como o Azheimer.
A doença é responsável por 50% a 80% dos casos de demência do mundo e acontece quando há o acúmulo anormal de algumas proteínas no cérebro, o que provoca a morte dos neurônios. Ainda não existe uma cura para o Alzheimer, apenas medicamentos que freiam a progressão da doença.

12.589 – Mega Sampa – Pizzarias estão poluindo São Paulo


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Massa, molho de tomate, recheio e queijo, muito queijo regado a azeite de oliva, orégano e manjericão. Poucas comidas têm tanto potencial democrático-pacificador quanto um bom pedaço de pizza. E o Brasil sabe muito bem disso: somos o segundo maior consumidor de pizza do mundo – perdemos apenas para os Estados Unidos. Comemos 1,5 milhão de pizzas por dia e os paulistanos são os mais glutões.
As 8 mil pizzarias de São Paulo produzem um milhão de redondas diariamente. A terra da garoa é tão aficionada pela iguaria que homenageia o prato todo domingo e instituiu dia 10 de julho como dia oficial da pizza. E tudo isso sem ketchup, para tristeza dos imigrantes que desembarcam na Pauliceia.
Crocante com gostinho de brasa – todos os dias, 800 pizzas entram nos fornos à lenha tradicionais de São Paulo. Que essa é forma mais saborosa de assá-las, não restam dúvidas. Mas o método está colocando a comunidade científica em polvorosa – literalmente.
Um estudo colaborativo feito por sete universidades, tocado majoritariamente pela Universidade inglesa de Surrey e a Universidade de São Paulo (USP), sobre poluição atmosférica acendeu um alerta sobre os fornos e churrasqueiras da capital paulistana. A pesquisa acaba de ser publicada no jornal Atmospheric Environment.
São Paulo foi escolhida para o estudo sobre qualidade do ar, porque é a megacidade que mais usa biocombustível em veículos no mundo – 75% gasolina e 25% etanol. Os pesquisadores perceberam que o nível de poluentes vindos do trânsito não é tão alto quanto o de outras cidades do mesmo porte. Mesmo com oito milhões de veículos de circulação, ficou claro que uma parcela das emissões vem de outras fontes.
Os outros possíveis vilões para São Paulo não fazer bem aos seus pulmões podem estar bem debaixo do seu nariz, mais especificamente no seu prato. Mais de 7,5 hectares de Eucalipto são queimados todos os meses em prol de um bom pedaço de pizza e de um espeto suculento de picanha. Por mês, a adoração paulistana pela massa redonda representa 307,000 toneladas de madeira queimada.
“Uma vez no ar, os poluentes emitidos podem sofrer processos físicos e químicos para formar poluentes secundários prejudiciais, como o ozônio e o aerossol secundário. Enquanto a maioria dos estudos no Brasil tem se concentrado nos impactos das emissões dos veículos na qualidade do ar e, consequentemente, na saúde da população, os impactos da queima de lenha e carvão nos restaurantes ainda precisam de ser quantificados”, explica o co-autor do estudo, Prof Yang Zhang, da Universidade da Carolina do Norte.
Os pesquisadores alertam para a necessidade de continuar os estudos sobre combustão desses materiais, de lixo doméstico e a sazonal queima de cana de açúcar para, além de identificar os problemas, criar soluções criativas para melhorar a qualidade do ar. Que não acabe em pizza.

12.561 – Química- Cientistas transformam CO2 em pedra para conter gases do efeito estufa


Pesquisadores relataram um experimento na Islândia em que injetaram gás carbônico e água no interior de rochas vulcânicas. Reações com os minerais nas camadas profundas de basalto converteram o dióxido de carbono em um sólido estável, com consistência de giz.
Outro resultado animador, como descreveu o grupo em artigo na revista “Science”, foi a velocidade do processo: questão de meses. “De 220 toneladas de gás carbônico injetado, 95% foi convertido em pedra calcária em menos de dois anos”, afirma o coordenador da pesquisa, Juerg Matter, da Universidade de Southampton, no Reino Unido.
“Foi uma grande surpresa para todos os cientistas envolvidos no projeto, e pensamos: ‘Uau, isso é realmente rápido!”, lembrou Matter em entrevista ao programa de rádio Science In Action (Ciência em Ação), da BBC.
Com o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, e o consequente aquecimento do planeta, pesquisadores estão ansiosos para investigar as chamadas soluções de sequestro e conservação de carbono.
Experimentos anteriores injetaram gás carbônico puro em arenito, ou aquíferos profundos de água salgada. As locações escolhidas –que incluíram poços desativados de petróleo e gás– se valiam de camadas impermeáveis de rochas resistentes para conter o dióxido de carbono. Mas o temor era que o gás sempre encontraria um jeito de voltar à atmosfera.
O chamado Projeto Carbfix na Islândia, por outro lado, busca solidificar o carbono indesejado. Trabalhando com a usina geotérmica de Hellisheidi, no entorno de Reykjavik, a iniciativa combinou gás carbônico e água para produzir um líquido levemente ácido, injetado centenas de metros até as rochas basálticas que compõem grande parte dessa ilha do Norte do Atlântico.
A água de baixo pH (3.2) serviu para dissolver os íons de cálcio e magnésio nas camadas de basalto, que reagiram com o dióxido de carbono para gerar os carbonatos de cálcio e magnésio. Tubos inseridos no local dos testes coletaram pedras com os característicos carbonatos brancos ocupando os poros das rochas.
Os pesquisadores também “marcaram” o CO2 com carbono-14, uma forma radioativa do elemento. Desta maneira puderam verificar se parte do CO2 injetado estava voltando à superfície ou escoando por algum curso d’água. Nenhum vazamento foi detectado.
A usina geotérmica de Hellisheidi agora já avançou para além do experimento descrito na revista “Science”, e está injetando CO2 rotineiramente no subsolo, e em grandes volumes. A companhia também está enterrado sulfeto de hidrogênio – outro subproduto da usina. Isso ajuda moradores que tiveram que conviver com o eventual cheiro de ovo podre invadindo suas propriedades.

12.091 – Sufoco na China – Chineses estão comprando ar engarrafado produzido no Canadá


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No início de dezembro de 2015, Pequim, capital da China, emitiu um alerta vermelho por causa dos altos níveis de poluição do ar. Esse sinal é o nível mais grave de uma escala que vai até quatro, e nunca havia sido utilizado na história da cidade. Em menos de duas semanas após o primeiro, outro alerta foi emitido. Ar engarrafado pode não parecer uma boa ideia, mas, segundo a start-up canadense Vitality Air, a alternativa está fazendo sucesso entre os chineses.
A garrafa com ares mais puros está disponível em duas opções: oxigênio puro, com 97% de oxigênio e 3% de outros gases, ou “ar fresco e limpo”, com 78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e uma pequena quantidade de outros gases. Se você escolher a segunda opção, ainda pode ter o seu ar enlatado no Parque Nacional Banff, em Alberta, Canadá, ou pagar um pouco a mais para que ele seja recolhido perto do lago. Com R$ 90 reais, é possível comprar 10 litros do oxigênio puro, que garante aproximadamente 200 inaladas, ou 7,7 litros do “ar fresco e limpo”, suficientes para 150 inaladas.
A companhia diz que o produto pode melhorar a ressaca, ajudar com problemas de alerta e até facilitar a performance em atividades físicas. E, claro, ele também é vendido como “a solução para a poluição”. Levando em consideração que uma pessoa respira, em média, 25.000 vezes por dia, e que o ar que mais se aproxima da nossa composição atmosférica atual é o “fresco e limpo”, se alguém quisesse viver desse ar puro, teria que gastar cerca de R$ 15 mil reais. Por dia.
“A nossa primeira remessa de 500 garrafas de ar puro acabou em quatro dias”, diz o cofundador da marca, Moses Lam. O único problema agora é suprir a demanda, já que cada garrafa é produzida artesanalmente.

12.088-Sufoco na China


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O Aeroporto Internacional de Pequim cancelou 83 voos e adiou outros 143 devido aos elevados níveis de poluição atmosférica que atingem desde esta manhã a capital chinesa, informou a televisão estatal.
O governo municipal decretou o alerta laranja (o segundo mais alto de uma escala com quatro níveis). A poluição atinge um nível 20 vezes superior ao máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde.
Desde as 6h locais, Pequim regista uma concentração de partículas PM2.5 – as mais finas e suscetíveis de se infiltrarem nos pulmões – superior a 500 microgramas por metro cúbico.

Uma nuvem de poluição cobre grande parte do nordeste da China há várias semanas, numa situação “normal” para a época, visto que a ativação do aquecimento central implica o aumento da queima de carvão, a principal fonte de energia no país.
Quase meia centena de cidades e duas províncias emitiram alertas por poluição.

11.436 – Mercúrio está causando homossexualidade em aves (?)


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Poluentes ambientais como o mercúrio estão causando modificações comportamentais em pássaros como o Íbis Branco (Eudocimus albus).
A substância metilmercúrio é tóxica e é facilmente absorvida por ser um poluente encontrado em rios no sul da Flórida. Um novo estudo mostra que machos desta espécie que foram expostos a esta molécula ficaram mais propensos a terem contatos sexuais com outros machos, abandonando as fêmeas.
A pesquisa foi dirigida da seguinte forma: ecologistas da Universidade da Flórida reuniram 160 filhotes do pássaro, dividindo em 4 grupos iguais, cada grupo continha 20 machos e 20 fêmeas. Os pesquisadores administraram o metilmercúrio na alimentação das aves.
Apenas um grupo não tomou o poluente, as aves foram acompanhadas por três anos e concluiu que aqueles indivíduos que foram expostos ao mercúrio modificaram o seu comportamento do ritual de acasalamento, além disso, as fêmeas também começaram a rejeitar e não aceitar muito bem o comportamento sexual destes machos expostos ao mercúrio.
As aves obtiveram comportamento homossexual e, após os casais gays formados, ocorreram tendências a não desfazer este casal nos próximos anos. Os níveis administrados aos exemplares de Íbis Branco foram os mesmos dos encontrados na natureza, sendo por tanto um indicativo concreto da culpa do mercúrio neste comportamento dos animais. A ocorrência de casais gays entre as aves foi apenas entre machos e não em fêmeas.

11.145 – Nem a maré nem o clima estão pra peixe


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Os oceanos são um dos ecossistemas mais atingidos pelo aquecimento global do planeta. Com o aumento da temperatura da água, diversas espécies marinhas começam a migrar para outras regiões em busca de águas mais frias.
O efeito direto desta migração inesperada já é sentido pelos pescadores americanos. Segundo estudo divulgado pela Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), os peixes da costa leste, principalmente do Golfo do Maine – região de alta biodiversidade marinha – estão se deslocando cada vez mais para o norte para poder viver e se reproduzir em temperaturas mais geladas.
“Descobrimos que, em toda a América do Norte, peixes e invertebrados marinhos estão mudando suas localizações muito rapidamente”, afirmou Malin Pinsky, biólogo da Universidade de Rutgers e principal autor do estudo. Foram utilizados dados de mais de 40 anos de pesquisas do NOAA, do Departamento de Pesca do Canadá e outras organizações.
Com as informações levantadas, a agência americana desenvolveu ferramenta que fornece dados atualizados sobre a migração dos peixes. Pelo site OceanAdapt é possível visualizar o deslocamento de indivíduos de uma espécie ou de grupos, em determinada região ou na extensão total da costa dos Estados Unidos.
Os dados serão atualizados anualmente para auxiliar cientistas, pescadores e gestores a acompanhar e avaliar a migração das espécies marinhas, provocada pelas mudanças climáticas.
Outro estudo divulgado em 2014, conduzido pelo Centro de Monitoramento de Conservação Mundial do Programa para Meio Ambiente das Nações Unidas, revelou que populações de peixes podem se afastar de seu habitat 15km em média a cada década, se os oceanos ficarem 1ºC mais quente até 2100.
Entre mais de 800 espécies de peixes e invertebrados analisadas, a pesquisa mostrou que aquelas bastante consumidas pelo homem, como atum, bacalhau, arenque e linguado, comuns nos mares tropicais do sudeste asiático, devem migrar para locais de águas mais geladas como Ártico e Antártica.
Cientistas alertam que, a chegada de novas espécies nestas regiões poderá causar desequilíbrio ambiental, já que aumentaria a população de peixes disputando alimentos no local.

11.045 – Transporte – Carro elétrico pode poluir mais que um a gasolina


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Os veículos 100% elétricos são limpos, mas, dependendo da matéria-prima usada para gerar eletricidade, o mocinho pode virar bandido. Um estudo realizado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, mostra que o carro a gasolina pode ser até mais limpo, caso o país onde ele rode recorra a combustíveis fósseis para gerar energia. “Nesse caso, a vantagem dos elétricos se resume a evitar a concentração de gases tóxicos nos centros urbanos”, diz Roberto Brandão, pesquisador do grupo de estudos do setor elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Na China e na Índia, que usam carvão mineral para gerar quase 70% da energia, o desempenho do veículo elétrico foi desanimador, chegando a poluir mais do que um a combustão. Nos países em que a fonte energética é menos poluente, o carro ecológico vale a pena. Na França, que usa energia nuclear, considerada limpa na geração de CO2, o carro a bateria se saiu bem. O mesmo vale para o Brasil. “Mais de 80% da energia nacional vem de hidrelétricas. Portanto, os elétricos aqui são limpos de verdade”, diz Margaret Groff, coordenadora do projeto de veículo elétrico da usina de Itaipu.

10.706 – Botânica – Superplanta faz mais fotossíntese


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A fotossíntese é uma das invenções mais fascinantes da natureza. A vida na Terra só existe graças a esse processo, que transforma luz e CO2 em oxigênio e glicose. Mas, agora, a engenhosidade humana pode ter descoberto um jeito de turbiná-lo: com a criação de uma planta que faz 30% mais fotossíntese. O supervegetal foi desenvolvido no Instituto de Tecnologia de Massachusetts*, e é uma versão modificada de plantas do gênero Arabidopsis. Ela absorve mais luz e CO2, libera mais oxigênio e produz mais energia que as plantas comuns. Tudo graças à nanotecnologia. Os cientistas injetaram nanopartículas de dióxido de cério (um metal raro) nos cloroplastos – as estruturas da planta que fazem a fotossíntese. Essas partículas de metal facilitaram o fluxo de elétrons dentro do vegetal, acelerando a fotossíntese. Aparentemente, a injeção não provocou efeitos nocivos às plantas.
A ideia, para o futuro, é criar grandes usinas só com superplantas. Elas sugariam muito CO2 do ar, o que ajudaria a brecar o aquecimento global. E também usariam a energia do Sol para produzir glicose (que depois poderia ser convertida em eletricidade para uso humano). “Essa técnica tem potencial para melhorar muito a coleta de energia solar”, afirma o engenheiro químico Michael Strano, líder do estudo. O trabalho tem gerado polêmica na comunidade científica, pois não revela todos os detalhes envolvidos no processo (talvez porque o MIT pretenda patenteá-lo). Mas pode ser o início de algo revolucionário.

10.675 – Mega de ☻lho no Mundo – Poluição na China


"Arpocalipse" na China
“Arpocalipse” na China

Como se já não bastasse trabalhar quase de graça, comer insetos e carne de cachorro, que tal respirar um arzinho lá da China?
Difícil de enxergar. Difícil de respirar. Nos últimos dias, os níveis de poluição em várias cidades chinesas, incluindo a capital Pequim, superaram em 20 vezes o limite considerado seguro pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
As cenas do “arpocalipse” se repetem há pelo menos três dias. Na megalópole, pessoas caminham com máscaras de proteção em meio aos prédios, ruas, praças e monumentos engolidos pela espessa mistura de fumaça e poeira, que tampa o sol e faz o dia parecer noite.
O principal vilão do ar são as chamadas PM2,5, partículas finas e inaláveis de poeira com diâmetro inferior a 2,5μm resultantes da combustão incompleta de combustíveis fósseis utilizados pelos veículos automotores e das usinas a carvão (a China é o país mais faminto por carvão para suprir suas necessidades energéticas, seguida pelos EUA).
Devido ao pequeno diâmetro, essas partículas ficam em suspensão no ar e penetram profundamente no aparelho respiratório, instalando-se nos alvéolos pulmonares e bronquíolos, podendo causar sérios danos à saúde.
No dia 10/10/2014, véspera do jogo Brasil X Argentina pelo troféu Clássico das Américas, em algumas regiões, a concentração de PM 2,5 no ar chegou a 445 microgramas por metro cúbicos. Segundo da OMS, é nociva a exposição ao longo de 24 horas a concentrações superiores a 25.
Um estudo publicado em 2013 indicou que a poluição reduzirá em 5,5 anos a expectativa de vida de quem mora no Norte do pais, em comparação aos vizinhos do Sul. Combinados, os 500 milhões de habitantes da região deverão perder mais de de 2,5 bilhões de anos de vida pela exposição à poluição.

10.618 – Mega Sampa – Srur ocupa margens e pontes do Rio Pinheiros contra poluição da água


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Famoso pelas intervenções artísticas e críticas que já espalhou pela cidade de São Paulo, Eduardo Srur volta ao Rio Pinheiros para protestar contra a poluição de suas águas e pedir que todos se mobilizem por sua recuperação. Com bonecos em trampolins instalados em quatro pontes, inaugura, hoje, a exposição ″Às Margens do Rio Pinheiros″, que ainda terá portais pop em dois córregos e onças espalhadas pelas margens. A mostra – que tem o apoio da Associação Águas Claras do Rio Pinheiros – não tem data para terminar e celebra o Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias (20/09).

10.610 – Quanta poluição é evitada com o Dia Mundial sem Carro?


22 DE SETEMBRO DIA MUNDIAL SEM CARRO

SE TODO MUNDO ADERISSE…
Só em São Paulo, seriam “economizadas” 712 toneladas de poluentes*. Entre elas:

– 11,9 toneladas de dióxido de enxofre
O SO2 contribui com o aumento de casos de asma e outros problemas respiratórios, além de também causar chuva ácida.
– 535,4 toneladas de monóxido de carbono
Diminui a chegada de oxigênio a diversas partes do corpo, causando fadiga, dor de cabeça e, em casos extremos, a morte. Na atmosfera, pode formar dióxido de carbono, um dos grandes responsáveis pelo efeito estufa.
– 97,4 toneladas de hidrocarbonetos não metano
Essa mistura de carbono e hidrogênio também está entre as principais causas do efeito estufa. E ajuda na formação do ozônio troposférico, que causa danos a várias espécies vegetais e problemas respiratórios.

– 64,6 toneladas de óxido de nitrogênio
Também colabora com o ozônio troposférico e, em altas concentrações, leva ao aumento de problemas respiratórios, pulmonares e de alergia. É um dos componentes das chuvas ácidas.

– 3,4 toneladas de aldeídos
São compostos resultantes da oxidação parcial dos álcoois em carros movidos a etanol. Causam irritação em mucosas, olhos, nariz, vias respiratórias e até câncer.

(*) Cálculo feito a partir de emissões de 2012, segundo dados da Cetesb.

10.559 – China vai gastar U$ 16 bilhões para incentivar carros elétricos


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A China está planejando investir U$ 16 bilhões em financiamento para construir estações de carga de veículos elétricos e incentivar a demanda por aqueles movidos com todos os tipos de tecnologia verde, de acordo com fonte governamental.

As políticas serão anunciadas em breve. A fonte não quis fornecer detalhes sobre o plano, sobre sua duração ou se as estações de carga serão compatíveis com os carros fabricados pela Tesla. Seu sócio majoritário, o visionário Elon Musk, visitou este ano o país para reuniões com autoridades do governo, de olho nas possibilidades de um mercado de enorme potencial.

O aumento do financiamento estatal vai ajudar em muito as montadoras preocupadas com o comportamento dos consumidores, em relação a preços, confiabilidade e conveniência dos veículos elétricos. E o setor vai contar ainda com incentivo fiscais anunciados pela China, o maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, em mais uma medida para combater a poluição.

“Terá de ser um processo gradual, para aumentar tanto as vendas dos carros quanto o número de estações de carga. Os veículos ainda não são muito atraentes quando comparados a carros convencionais,” disse Ashvin Chotai, diretor da empresa de pesquisa de mercado Intelligence Automotive Asia.

Os incentivos irão cobrir também outras tecnologias verdes, como plug-ins híbridos e a de células de combustível. E daqui por diante a frota oficial terá de adotá-los.

O governo considera ainda incluir outras empresas que não as montadoras na fabricação de  carros elétricos para aumentar a produção e a competitividade, segundo informou em junho o Centro de Pesquisa de Tecnologia Automotiva da China, segundo o Tree Hugger.

10.386 – Poluição – Quais as cidades mais poluídas do mundo?


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Seguindo alguns critérios, a consultoria Mercer elabora anualmente um relatório com o ranking das cidades mais poluídas do mundo. Esse apanhado é feito envolvendo 221 grandes cidades em todo o globo e em sua última pesquisa, realizada no ano de 2011, o resultado foi o seguinte:
Porto Príncipe (Haiti)
Dakar (Bangladesh)
Baku (Azerbaijão)
Kolkata (Índia)
Antananarivo (Madasgascar)
Cidade do México (México)
Mumbai (Índia)
Bagdá (Iraque)
Nova Deli (Índia)
Lagos (Nigéria)
Os critérios utilizados nessa pesquisa são oferta de água doce presente nas cidades pesquisadas, volume de água potável, medidas adotadas para a remoção de resíduos, condição dos esgotos, poluição do ar e até o nível dos congestionamentos é levado em conta.
Em fevereiro de 2012, Lifen, na China, foi considerada a cidade mais poluída do mundo, não sendo considerados todos os aspectos supra citados, mas pelo nível de contaminação por carvão mineral presente na cidade.
Outros locais espalhados por diversas áreas do mundo e estudados pela organização ambientalista internacional, possuem altas taxas de poluição e contaminação por agentes específicos.
Na República Dominicana, na Cidade de HAINA, o ar é bastante poluído por partículas de chumbo. Tal contaminação pode causar sérios danos como problemas oculares, neurológicos, deformidades no nascimento e morte.
Em KABWE, na Zâmbia, a fundição pesada e a mineração espalharam resíduos de chumbo e de outros metais em uma área que atinge aproximadamente 255.00 habitantes. Um rio utilizado para destino do material poluente também é usado por populares para atividades como banho, dentre outras.
Em SUKINDA, na Índia, mais de 30 toneladas de resíduos de cromo e outros metais são lançados em zonas vizinhas e às margens do Rio Brahmani, que é a única fonte de água potável dos moradores da região. Sangramento gastrointestinal, tuberculose, asma, infertilidade, defeitos congênitos e abortos são alguns dos malefícios causados por esse tipo de poluição.
Segundo a consultoria Mercer, as cidades brasileiras mais limpas são Brasília e Rio de Janeiro. Enquanto São Paulo foi considerada a mais poluída. E a cidade do mundo mais livre da poluição, foi, ainda segundo a pesquisa, Calgary, no Canadá.

10.248 – Poluição – Lixo quase invisível nas praias


Praia limpa é coisa rara
Praia limpa é coisa rara

A quantidade de grânulos plásticos, os chamados pellets, com diâmetro de 3 a 5 milímetros, misturados com a areia das praias, parece ser maior que a imaginada. Apenas 10% dos pellets encontram-se à superfície da areia, e a maior parte se esconde a uma profundidade de até dois metros, de acordo com um levantamento realizado em Santos e São Vicente, cidades do litoral sul do estado de São Paulo. “Queríamos ver até que profundidade os pellets chegavam”, diz o biólogo Alexander Turra, professor do Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo (IO-USP) e coordenador do estudo (Scientific Reports, 27 de março). “Cavamos, cavamos e continuávamos achando os grânulos plásticos.” Com sua equipe, Turra estimou em 15 toneladas a quantidade de pellets acumulada na areia da área amostrada, com cerca de sete quilômetros de extensão. Esse material deve provir de empresas produtoras e usuárias desse tipo de plástico ou da perda dos pellets durante o transporte e armazenamento em contêineres. Em conjunto com o Instituto Plastivida, Turra está elaborando um manual de procedimentos para as empresas poderem reduzir a perda de pellets. “Não é possível retirar os pellets da praia, mas podemos impedir a entrada de mais”, propõe o pesquisador do IO.

10.212 – Poluição Ambiental – Atletas olímpicos, não caiam nas águas do Rio, alerta NYT


Poluição na Baía da Guanabara
Poluição na Baía da Guanabara

Os velejadores que competirão nas Olimpíadas de 2016 e os órgãos brasileiros envolvidos na preparação do evento têm pela frente um desafio comum: enfrentar a poluição da Baía de Guanabara, afirma matéria publicada pelo jornal The New York Times.
Especialistas ouvidos pela reportagem compararam a qualidade das águas da região à de uma latrina, tamanha a quantidade de lixo e sujeira encontrados, como ilustra uma sequência de fotos impressionantes que acompanham a reportagem. Quase autoexplicativo, o título sugere: “Velejadores, não caiam nas águas do Rio”.
A matéria ressalta o contraste entre a imagem que o país busca passar e os graves problemas que enfrenta na realidade. “A Baía de Guanabara, aninhada entre o Pão de Açúcar e outros picos, oferece o tipo de imagem que as autoridades do Rio de Janeiro querem comemorar como anfitriões dos Jogos. Mas tornou-se um ponto focal de reclamações por suas águas poluídas, que se transformaram em símbolo de frustrações nos preparativos para os Jogos Olímpicos”, diz um trecho.
“Bem-vindo ao depósito de lixo que é o Rio”, disse ao jornal a equipe de vela da Alemanha. Atletas brasileiros não parecem discordar. “Ela [a Baia] pode ficar realmente nojenta, com carcaças de cães em alguns lugares e água marrom de contaminação por esgotos”, contou o carioca Thomas Low-Beer, 24, que treina na baía.
Segundo a reportagem, o velejador Lars Grael, lenda da vela brasileira, teria sugerido que os eventos espostivos mudassem para outro lugar. Na época da candidatura para as olimpíadas, há cinco anos, a promessa brasileira era de que a Bahia de Guanabara seria 100% despoluída até 2016.
Agora, já se fala do objetivo de tratar pelo menos 80%, mas menos de 40% é atualmente tratado, pondera o jornal. Em entrevista ao jornal, Carlos Portinho, principal autoridade ambiental do Rio de Janeiro, disse que as críticas da Baía de Guanabara são exageradas.
Ele afirma que testes recentes mostraram que a contaminação fecal na área que receberá a regata estava dentro dos padrões considerados “satisfatórios” no Brasil.

10.150 – Banana: Alimenta e despolui


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Pesquisa realizada neste ano, pela Fundação SOS Mata Atlântica, apontou que, atualmente, todos os cursos d’água do Brasil estão poluídos, entre outros resíduos, por conta dos metais pesados jogados na água pelas indústrias do país (saiba mais em: Todos os cursos d’água do país estão poluídos). A situação não é boa e, ironicamente, podemos estar jogando fora, todos os dias, toneladas de um dos resíduos mais promissores no processo de despoluição da água contaminada por efluentes radioativos: a casca da banana.
A descoberta foi feita pela química brasileira Milena Boniolo, especialista em tratamento de águas residuárias, que garante que, além de ser uma alternativa ao desperdício de alimentos no país, o uso da casca da banana para livrar a água de metais pesados é uma das opções mais viáveis e baratas para as indústrias nacionais.
Trechos da entrevista:
“Esta foi uma descoberta que fiz na época em que trabalhava no Ipen – Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, da USP. Eu sempre me dediquei ao estudo de soluções que visassem à descontaminação da água, porque me interessava em buscar caminhos para tentar reverter este mal que o próprio homem, e ninguém além dele, está causando ao planeta e que pode ter consequências bem desastrosas. No entanto, todas as soluções que encontrava para o problema da poluição da água por efluentes radioativos – como as nanopartículas, por exemplo – eram caras e, por isso, não via chances de popularizá-las no país. Até que, em um dos meus experimentos, fiz uma farofa de casca de banana e percebi que, ao jogá-la na água, ela atraia para si os metais pesados presentes no recurso. A descoberta me fascinou, tanto que virou tema do meu mestrado, e ao investigar melhor o fenômeno, descobri que a reação química acontecia porque a casca da banana possui moléculas de carga negativa que atraem para si substâncias carregadas positivamente, como os metais pesados.”

10.132 – A China exporta nuvens de poluição para o resto da Ásia


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A China exporta suas nuvens de poluição para o resto da Ásia. É o que mostram as duas imagens acima. A de cima foi obtida em 20 de fevereiro. Mostra uma nuvem de poluição na região de Pequim (Beijing). Na imagem de baixo, de 25 de fevereiro, a névoa suja já se desloca para fora da China, chegando às Coréias e ao Japão. As imagens são da Nasa, agência espacial americana.
As nuvens são formadas por partículas tóxicas das indústrias na região de Pequim. A inversão térmica (fenômeno que atinge outras cidades como São Paulo) evita que o ar sujo suba para as altas camadas da atmosfera e se disperse mais facilmente. Mas não impede que se desloque para os países vizinhos. Um estudo recente afirma que resíduos da poluição chinesa chegam até a costa americana.
Os níveis de material particulado em Pequim chegaram a 444 microgramas por metro cúbico em 25 de fevereiro, segundo a agência Associated Press. O recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de no máximo 25 microgramas. Viver em Pequim nesses dias de poluição é pior do que morar num fumódromo. Ativistas dizem que o país está criando “cidades do câncer” com sua falta de controle de poluição.
Essas partículas podem entrar nos pulmões. Podem gerar crises de asma ou irritação respiratória. A longo prazo, estão associadas a ataques cardíacos e câncer.

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9476 – Câncer – Alerta à poluição


Bom pro bolso, ruim pra saúde

A poluição é um efeito colateral da industrialização que é benéfica pra economia, entretanto:
Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a considerar a poluição do ar como um fator cancerígeno. A organização afirma que a exposição ao ar poluído aumenta a chance de câncer de pulmão e bexiga — em 2010, a poluição causou 223 000 mortes por câncer de pulmão em todo o mundo. Um estudo publicado também neste ano, na revista “The Lancet Oncology”, reforçou a relação entre o ar poluído e a elevação do risco cancerígeno.

9216 – De novo não!


Projeto prevê rios Tietê e Pinheiros despoluídos em 30 anos (?)
Já é antiga a história da preocupação de São Paulo com seus dois grandes rios, o Tietê e o Pinheiros. Em 1904, quatro décadas antes de o poeta Mario de Andrade, em sua Meditação Sobre o Tietê, acrescentar uma lágrima às “águas pesadas e oliosas” que corriam sob a Ponte das Bandeiras, a secretaria da Agricultura já se inquietava com os sinais da degradação do rio, numa cidade que experimentava seu primeiro surto de industrialização. A inquietação, no entanto, jamais se traduziu em ações efetivas. Ao longo das décadas, nada evitou que os rios morressem — e isso feriu não somente a natureza, mas também a relação dos paulistanos com sua cidade. Poucas missões urbanísticas, portanto, teriam maior impacto que a limpeza do Pinheiros e do Tietê. Todas as tentativas de tempos recentes ou fracassaram, ou tiveram resultados negligenciáveis, porque os desafios são de fato imensos, tanto políticos quanto tecnológicos. Mas um novo projeto do governo do estado acena com novidades e promete, em um prazo máximo de 30 anos, despoluir os rios. A diferença desta vez é o engajamento de empresários. Eles têm feito contribuições ao Plano de Requalificação das Marginais e Limpeza dos Rios Tietê e Pinheiros do Palácio dos Bandeirantes, como o investimento de 3 milhões de reais em um estudo elaborado por uma empresa chilena especializada em recursos hídricos, e desejam atrelar negócios à futura reurbanização proporcionada pela limpeza dos rios.

Ancorado na Casa Civil, o projeto tem sido desenvolvido por um grupo de trabalho tão grande quanto o escopo do projeto: representantes de oito órgãos estaduais e de 34 municípios por onde correm os rios e córregos que deságuam no Tietê e correm próximos a ele. A participação dos prefeitos do entorno da Grande São Paulo é outro detalhe que aumenta as chances de o projeto ser bem-sucedido. Isso porque é impossível despoluir apenas os dois rios: é preciso limpar toda a bacia hidrográfica, o que só poderá ser feito em conjunto com os municípios, responsáveis pelo uso e ocupação do solo segundo a Constituição. O orçamento estimado também é compatível com a dimensão e importância do projeto: de 12 a 20 bilhões de reais. O investimento é vultoso, mas São Paulo pode arcar com ele. Para efeito de comparação, o teto é equivalente ao gasto do governo federal no último ano com os 13,7 milhões de famílias do programa Bolsa Família.
O maior obstáculo para qualquer tentativa de despoluir os rios que cortam São Paulo é a sua pequena vazão média. A do Tietê é de 19,9 metros cúbicos por segundo. A do Pinheiros, de 10 metros cúbicos por segundo, cinco vezes mais fraca que a do rio Tâmisa, em Londres. Além de pouco caudalosos, eles pertencem a uma bacia hidrográfica pequena, que tem dificuldades para diluir a poluição a que é exposta. Com 5 milhões de quilômetros quadrados, a bacia hidrográfica paulista é minúscula se comparada à bacia do Sena, em Paris, exemplo de rio urbano recuperado, que tem 70 milhões de quilômetros quadrados.
“A região metropolitana de São Paulo está em um lugar infeliz do ponto de vista de acesso a recursos hídricos, na cabeceira dos rios, onde a capacidade dos sistemas naturais de assimilação de poluentes é baixa”, diz Monica Porto, professora titular de engenharia ambiental na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
A pouca água disponível ainda arca com as consequências de um sistema insuficiente de tratamento de esgoto e carga difusa (sujeira proveniente da varrição das ruas, carreamento de áreas agrícolas e efluentes industriais). Segundo Monica Porto, a Sabesp coleta atualmente 80% e trata 60% do esgoto produzido na capital. Os índices são altos, mas 4 milhões de habitantes não têm esgoto coletado e outros 6 milhões não o têm tratado.
Para despoluir os rios de São Paulo, é preciso enfrentar essas duas dificuldades. Surpreendentemente, lidar com a poluição já não é o bicho-papão que foi um dia. A Sabesp prevê para 2025 a universalização da coleta e tratamento de esgoto na Grande São Paulo. “Implantar uma rede de esgotos é um processo longo em qualquer parte do mundo, mas estamos no caminho certo”.
O desafio maior é mesmo ampliar a vazão do Tietê. Para isso o projeto estuda a instalação de um sistema de bombeamento que irá transportar água da represa Billings para encher o Tietê na sua junção com o rio Tamanduateí, na entrada da cidade, nos meses secos, e devolver o volume excedente ao corpo hídrico nas épocas de cheias. Mecanismo muito semelhante, que recorre a estações elevatórias, já é usado em momentos críticos de cheia, quando água é bombeada para a Billings. As novas elevatórias serão instaladas na entrada da capital (junção dos rios Tietê e Tamanduateí), no Complexo Administrativo da Sabesp Ponte Pequena, no bairro da Armênia, e no Parque Ecológico do Tietê, no bairro da Penha.
Para poder fazer o intercâmbio das águas entre os rios Pinheiros e Tietê com a Billings, no entanto, é preciso igualar a concentração de poluentes entre elas. Na escala de poluição dos recursos hídricos, a água dos rios Pinheiros e Tietê é avaliada como classe IV, índice máximo de contaminação, e a da Billings, como classe II. De acordo com o engenheiro ambiental Rodolfo Costa e Silva, coordenador-chefe do Plano de Requalificação das Marginais do Estado de São Paulo, a possiblidade que está sendo estudada é barrar a água do rio quando ela entra na cidade e desviá-la para a represa – antes de passar pela Grande São Paulo o Tietê é classificado como classe II.
Isso seria feito com a água excedente nos meses de cheia e compensaria o volume a ser desviado da Billings nos períodos de seca, quando a vazão do rio Pinheiros chega a 5 metros cúbicos por segundo. Como a lei proíbe que o nível da represa Billings seja alterado, o aumento da vazão dos rios ao longo do ano será providenciado com o uso de água a ser tratada na estação de esgoto de Barueri. Hoje, segundo Costa e Silva, as cabeceiras dos rios em São Paulo recebem 25 metros cúbicos por segundo de água tratada. A meta é ampliar esse número e lançar 40 metros cúbicos de água nos rios por segundo.
Uma vez mais caudaloso, o rio automaticamente eleva sua concentração de oxigênio e fica mais limpo. Atualmente, a concentração de moléculas de oxigênio no Tietê é perto de zero. A expectativa é que com mais água o índice passe de 2 miligramas por litro.
Os planos de limpeza precisam levar em conta a legislação ambiental. Uma mudança na Constituição em 1992, por exemplo, limitou o uso do sistema de bombeamento de água do Tietê para a Billings de modo a evitar a poluição das águas da represa, usadas para abastecer 30% da Grande São Paulo. O promotor de Justiça do Meio Ambiente do Ministério Público de São Paulo José Eduardo Lutti já avisou que irá impetrar uma ação caso as águas da Billings sejam usadas para qualquer utilidade que não seja o abastecimento da capital.

rio pinheiros

O promotor chama a atenção para outro possível entrave de teor legislativo na execução do projeto. “É preciso criar juridicamente um único centro de decisões que suplante o poder dos municípios nos trechos que lhe cabem e evitar que cada administração interfira no projeto”, diz ele.
Segundo Lutti, os rios Tietê e Pinheiros ainda estão poluídos por causa da falha da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em cumprir as metas de coleta e tratamento de esgoto. “Por meio desse projeto, o governo está tirando da Sabesp a responsabilidade pela despoluição dos rios”, diz ele. O MP cobra na Justiça desde o ano passado indenização de 11 bilhões de reais da Sabesp aos cofres públicos.
Ainda não está prevista uma articulação jurídica para garantir a execução do projeto ao longo dos anos e torna-lo imune às mudanças políticas. Isso terá de ser feito. Mas a coordenação do projeto também espera que a população se organize para protege-lo da descontinuação (assim como acontece com o Projeto Tietê, voltado há 21 anos ininterruptos a diminuir o descarte de esgoto nas águas do rio). Esse é um dos motivos por que a participação de empresários, interessados numa futura reurbanização das margens, é considerada importante.
A primeira ação direcionada para reaproximar o paulistano dos rios será a construção de uma ciclopassarela para integrar a ciclovia do Rio Pinheiros ao Parque Villa-Lobos e à Cidade Universitária (USP). A inauguração está prevista para o fim de 2014 e, se a ideia vingar, irá contribuir para transformar a ciclovia em um meio de transporte capaz de atrair os cidadãos para a beira do rio. Sob essa mesma filosofia, estão previstas a construção de outra ciclopassarela, no Parque Vilas Boas, na Vila Leopoldina.