13.373 – Geografia, Geopolítica e Geoeconomia – CLASSIFICAÇÃO DOS BLOCOS ECONÔMICOS


União econômica e monetária.
Um dos aspectos mais proeminentes do mundo globalizado e da atual ordem mundial é a formação dos acordos regionais, mais conhecidos como blocos econômicos, que, ao invés de se estabelecerem como um contraponto à integração mundial da globalização, atuaram no sentido de intensificá-la. Hoje em dia, existem diferentes tipos de blocos econômicos que se organizam em diferentes denominações e níveis de integração entre os seus países-membros.
Dessa forma, como existem diferentes objetivos e distintos níveis de avanço em termos econômicos entre os acordos regionais, adota-se uma classificação dos blocos econômicos a fim de melhor estudá-los. Sendo assim, eles são postos em uma hierarquia que vai desde a zona de preferências tarifárias até uma união econômica e monetária. Confira:
Zona de preferências tarifárias: é um passo inicial de integração entre os países, de forma que esses adotam apenas algumas tarifas preferenciais envolvendo alguns produtos, tornando-os mais baratos em relação a países não participantes do bloco.

Exemplo: ALADI (Associação Latino-Americana de Integração).
Zona de livre comércio: consiste na eliminação ou diminuição significativa das tarifas alfandegárias dos produtos comercializados entre os países-membros. Assim como o tipo anterior, trata-se de um acordo meramente comercial.
Exemplos: NAFTA (Tratado de Livre Comércio das Américas), CAN (Comunidade Andina), entre outros.
União Aduaneira: trata-se de uma zona de livre comércio que também adotou uma Tarifa Externa Comum (TEC), que é uma tarifa que visa taxar os produtos advindos de países não membros dos blocos. Dessa forma, além de reduzir o preço dos produtos comercializados entre os países-membros, a União Aduaneira ainda torna os produtos de países externos ao bloco ainda mais caros.
Exemplo: Mercosul (Mercado Comum do Sul). A TEC, nesse caso, é adotada apenas entre os seus membros efetivos (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai*).
Mercado Comum: é um bloco econômico que conta com um avançado nível de integração econômica, indo muito além de um acordo comercial, pois envolve a livre circulação de produtos, pessoas, bens, capital e trabalho, tornando as fronteiras entre os seus membros quase que inexistentes em termos comerciais e de mobilidade populacional.
União Política e Monetária: consiste em um mercado comum que ampliou ainda mais o seu nível de integração, que passa a alcançar também o campo monetário. Adota-se, então, uma moeda comum que substitui as moedas locais ou passa a valer comercialmente em todos os países-membros. Também é criado um Banco Central do bloco, que passa a adotar uma política econômica comum para todos os integrantes.
O único exemplo de mercado comum e, ao mesmo tempo, de união política e monetária é a União Europeia, que é hoje considerada o mais importante bloco econômico da atualidade em razão do seu avançado nível de integração. Em muitos casos, essa integração alcança até mesmo as decisões políticas que eventualmente são tomadas em conjunto pelos países-membros.

* A Venezuela foi suspensa do Mercosul, por tempo indeterminado em dezembro de 2016.

13.365 – Historia – De ☻lho na África


Os territórios africanos, por serem ricos em recursos naturais, como ferro, petróleo e carvão, tornaram-se alvo de extremo interesse dos países europeus, necessitados de matérias-primas para suas industrias e também novos mercados consumidores.
Em 1885, aconteceu a conferência de Berlim, que reuniu representantes de 15 países, entre eles, Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha, Holanda, Itália, Portugal, Espanha e Rússia, além de EUA. Nessa ocasião, “fatiaram” a África entre eles, sem consultar os povos que ali viviam.
Transformaram então a África numa colcha de retalhos. Atualmente a África possui 54 países, nos quais se fala, além das línguas de origem africana, inglês, português, alemão e francês, que são heranças do domínio colonial.

Fonte: CEEJA

Mais sobre a Conferência de Berlim
A Conferência de Berlim foi realizada entre 15 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885 e teve como objetivo organizar, por meio de regras, a ocupação da África pelas potências coloniais. Essa divisões não respeitaram as relações étnicas, linguística e mesmo familiares dos povos desse continente. Seu organizador e acompanhante foi Chanceler Otto von Bismarck da Alemanha e participaram a Grã-Bretanha, França, Espanha, Portugal, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos, Suécia, Áustria-Hungria e Império Otomano.
O Império Alemão, país vencedor, não possuía colônias na África, mas tinha esse desejo e viu-o satisfeito, passando a administrar o “Sudoeste Africano” (atual Namíbia), Tanganica, Camarões e Togolândia; os Estados Unidos na altura não tinham mais a colônia da Libéria, independente desde 1847, mas como potência em ascensão foram convidados; o Império Otomano possuía províncias na África, notadamente o Egito (incluindo o futuro Sudão Anglo-Egípcio) e Trípoli, mas seus domínios foram vastamente desconsiderados no curso das negociações e foram arrebatados de seu controle até 1914.

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13.094 – Geopolítica – A OTAN


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A OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ou NATO (North Atlantic Treaty Organization) é uma organização militar que se formou no ano de 1949. Ela foi constituída no contexto histórico da Guerra Fria, como forma de fazer frente a organização militar socialista Pacto de Varsóvia, liderada pela ex-União Soviética e integrada por países do leste europeu.
A OTAN existe e atua até os dias de hoje, enquanto o Pacto de Varsóvia deixou de existir na década de 1990, com a crise do socialismo no leste europeu.

Países membros
Alemanha Bélgica, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Grécia, Países Baixos, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal, Reino Unido, Turquia, Hungria, Polônia, República Tcheca, Bulgária, Estónia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e a Eslovênia.

Objetivos
Como objetivos principais da OTAN, na atualidade, podemos citar: garantir a segurança militar no continente europeu e exercer influências nas decisões geopolíticas da região.

12.267 -Sociedade – Empresários querem criar novo país na Europa – com polícia e leis próprias


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Procuram-se pessoas jovens, criativas e inovadoras para viver de graça em ilhas paradisíacas da Europa. Garantem-se fundos de investimento para iniciar suas startups e auxílio de empreendedores experientes para tocar novos negócios em um país novinho em folha – política e economicamente independente de qualquer outro governo. Só não há ainda data confirmada para a contratação.
É que o Sui generis, um microestado privado idealizado por empresários canadenses, ainda não tem um endereço definido – nem prazo para sair do papel. Precisam, primeiro, encontrar uma nação que tope vender um espaço de terra a eles. Quatro possíveis lugares podem se transformar no país Sui generis: Açores (Portugal), Møn (Dinamarca), Golfo Kvarner (Croácia) e Hiiumaa (Estônia). Mas ainda não há nenhuma negociação em curso – apenas um estudo para avaliar a viabilidade de fundar o país em um desses lugares.
A intenção dos canadenses é construir uma nação bem diferente das outras: uma sociedade igualitária e livre. Sem impostos ou taxas, com espaços que estimulem a criatividade, num sistema de economia baseado na disseminação da informação.
Para manter essa sociedade, os moradores precisarão dedicar algumas horas diárias para reduzir os gastos do país, trabalhando em diversas atividades, como educação, contrução civil, administração. E ainda ganham uns trocados por isso: o expediente gera renda suficiente para pagar o aluguel (apenas empresários dispostos a levar seus novos empreendimentos para Sui generis não pagam aluguel).
Os empresários acreditam que, em alguns anos, devem encontrar o lugar ideal e encontrar investidores interessados em comprar as terras e tirar o país utópico do papel. Segundo eles, cidades como Songdo (construída do zero para ser uma zona de livre comércio e referência no mundo de negócios) na Coreia do Sul, mostram que a ideia poderia funcionar muito bem.

11.565 – Geopolítica – Conflitos Irlandeses


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Atentados terroristas não são novidade na província inglesa da Irlanda do Norte, ou Ulster, como é conhecida por lá. Mas os ataques protestantes a igrejas e a casas de católicos, em Belfast, em julho, com a morte de três crianças, e a bomba católica que fez 28 vítimas e 220 feridos em Omagh, em agosto de 1998, foram especialmente amargos. Eles mostraram que não será fácil levar adiante o tratado de paz assinado em 10 de abril, que a maioria esmagadora da população apóia. O acordo deu o Nobel da Paz a John Hume, líder do maior partido católico, e David Trimble, chefe do maior partido protestante.
Aprovado num plebiscito, em maio, com 71% dos votos, o pacto criou o embrião de um futuro governo autônomo – um Parlamento próprio, com 108 representantes, eleitos em julho. Antes, o Ulster só elegia nove deputados ao Parlamento britânico. Na eleição, os partidos favoráveis à paz obtiveram 81% das cadeiras.
Os deputados vão fazer todas as leis, menos aquelas sobre impostos e segurança, que continuarão sendo inglesas. Ao mesmo tempo, vão aprofundar as relações com a República da Irlanda, que tem total independência da Inglaterra, dividindo com ela a administração do transporte, da agricultura e do turismo. Embora semi-autônomo, o Ulster continuará parte do Reino Unido, a não ser que a população opte pela unificação com a República da Irlanda, no futuro. A cada cinco anos haverá eleições.
Ocupada pelos celtas desde 300 a.C., cristianizada no século V e invadida pelos vikings em 795, a Irlanda virou colônia inglesa em 1171. Foi no século XVII que perdeu de vez a tranqüilidade.
1609 – Imigração maciça
A ilha, localizada ao lado da Inglaterra, manteve-se quase que totalmente católica até 1609, quando o rei inglês Jaime I autorizou a colonização em massa por protestantes ingleses e escoceses que, até então, dominavam só 10% das propriedades locais.
1798 – Reação violenta
Ao longo de 200 anos, os católicos foram perdendo terras. Inconformados, revoltaram-se em 1778, criaram brigadas e atacaram os protestantes. A rebelião foi sufocada e a colonização inglesa acelerada. No final do século XVIII, a maioria católica controlava apenas 5% da ilha.
1920 – Novo país
Depois que os conflitos chegaram à beira da guerra, a Inglaterra afinal aceitou dar uma independência relativa à ilha. Os 26 departamentos do sul, onde havia maioria católica, formaram o Estado Livre da Irlanda, que virou República da Irlanda em 1949. Os seis condados do norte, onde predominava a população protestante, continuaram como província inglesa. Essa região é hoje conhecida como Irlanda do Norte ou Ulster.
1998 – Fronteira religiosa
Em Belfast, capital da Irlanda do Norte, os conflitos incessantes levaram, em 1969, à construção de um muro de 3,5 quilômetros de comprimento e 3,5 metros de altura (veja o mapa abaixo) separando o bairro católico Falls do protestante Shankill. A cicatriz da violência permanece até hoje.
1998 – Mistura explosiva
No Ulster, a briga continua porque, embora minoritária, a população católica (38,4%) é quase tão grande quanto a protestante (42,8%) e não aceita fazer parte da Inglaterra. Além disso, há fortes queixas de discriminação anticatólica na região. Resultado: na década de 60 surgiu a luta armada entre as duas facções que, até hoje, fez 3 280 mortos e 37 500 feridos. É muito para uma população de 1,6 milhão de habitantes.
Ira Provisório
Tem 600 membros bem armados e surgiu em 1969, como dissidência do Exército Republicano Irlandês, o famoso IRA, criado em 1866. Do racha nasceu o IRA Oficial, que foi abandonando os atentados e passou a negociar por meio do grupo político Sinn Féin.
Exército Nacional de Libertação da Irlanda
Braço armado do Partido Socialista Republicano Irlandês, criado em 1974 depois de novo racha no Sinn Féin. Tem quarenta militantes e só aceita a paz se o Ulster for anexado imediatamente à República da Irlanda.
Ira Continuidade e Ira Verdadeiro
Os dois filhotes mais novos do IRA Oficial surgiram no começo dos anos 80. São contra a paz e a favor da unificação com a Irlanda. O primeiro tem cinqüenta membros e o segundo, responsável pelo atentado de Omagh, 150.
Protestantes
Força Voluntária Leal
Tem cerca de 300 membros e é contra qualquer acordo com a República da Irlanda. Dedica-se à extorsão e ao assassinato de católicos.
Força Voluntária do Ulster
Com 400 integrantes, exige que o Ulster continue parte da Inglaterra. Esteve por trás dos atentados que mataram três crianças e incendiaram dez igrejas em julho.
União Democrática do Ulster
Seus 200 militantes vêem com antipatia as negociações de paz. Já realizaram ataques contra católicos mas, hoje, entre os radicais protestantes, são os mais moderados.

Mais difícil vai ser manter a paz. Os ânimos estão à flor da pele há três décadas, quando os católicos se rebelaram contra séculos de discriminação. No século XVII os católicos não tinham direito a voto. Até o começo dos anos 70, um protestante que fosse empresário podia votar duas vezes. Hoje, eles ainda controlam a maioria das empresas. E raramente empregam católicos. A Comissão de Emprego do Ulster registra 250 reclamações de discriminação contra católicos por mês. Com tanto ódio, o novo Parlamento terá muito trabalho.

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10.579 – Política – Os EUA derrubaram o presidente do Brasil?


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John Kennedy tinha um brinquedo novo. Quando os convidados chegaram, o presidente apertou um botão escondido na lateral de sua mesa, acionando um microfone ali no Salão Oval e um gravador no porão da Casa Branca. Era a estreia de uma engenhoca secreta que registrou 260 horas de conversas sigilosas.
Olha que coincidência: a primeira gravação é sobre o Brasil. Das 11h52 às 12h20 de 30 de julho de 1962, debateu-se o futuro e a fritura do presidente João Goulart. O embaixador americano no Brasil, Lincoln Gordon, disse que Jango estava “dando a porcaria do país de graça para os…” “…comunistas”, completou Kennedy. O assessor Richard Goodwin ressaltou: “podemos muito bem querer que os militares brasileiros tomem o poder no final do ano”. Isso quase dois anos antes do Golpe de 64.
Desde 1961, com a chocante renúncia de Jânio Quadros e a conturbada posse de Jango, as reuniões de Kennedy sobre nosso país eram monotemáticas: como impedir que o Brasil se tornasse uma gigantesca Cuba? Apesar disso, Lincoln Gordon, embaixador no Rio entre 1961 e 66, morreu em 2009, aos 96 anos, negando que os americanos teriam participado do golpe. Durante e após a ditadura, que foi até 1985, muitos pesquisadores brasileiros menosprezaram o papel dos americanos, tachando investigações nesse sentido de paranoia e teoria da conspiração. Mas documentos revelados nos últimos anos contam uma história diferente, que vai sendo revelada aos poucos.
Parte desse material ganhou destaque no documentário O Dia que Durou 21 Anos, da dupla de filho e pai Camillo e Flávio Tavares – autor de um grande livro sobre a luta contra o regime, Memórias do Esquecimento. O filme apresenta gravações e documentos oficiais e expõe justamente a articulação do governo americano e dos militares brasileiros contra Jango. Arquivos recém-abertos nos EUA estão mexendo até com obras definitivas: os quatro livros do jornalista Elio Gaspari serão reeditados levando em conta as gravações clandestinas de Kennedy e de seu sucessor Lyndon Johnson. E ainda há muito a ser revelado: Carlos Fico, historiador da UFRJ, estima que mesmo com a Lei de Acesso à Informação ainda não se analisou nem 20% dos arquivos dos órgãos de repressão brasileiros.
O vice-presidente João Goulart soube da renúncia do presidente Jânio Quadros após uma viagem oficial à China, durante uma missão extraconjugal em Cingapura. Em 2014, após 29 anos de democracia ininterrupta, seria uma surpresa se o vice não assumisse, seja quem for e esteja onde estiver. Em 1961, a regra não era tão clara. Aliás, era feita para confundir: havia eleição para presidente e também para vice. Os vencedores podiam ser de campos opostos. E, em 1960, foram: Jânio era um salvador-da-pátria de direita, Jango um para-raios de todas as tempestades à esquerda. Quando o presidente deixou o campo após sete meses, seu reserva era de outro time. E o árbitro – nesse caso, as Forças Armadas – não quis que o reserva entrasse.
Menos de um mês depois do golpe, os americanos aprovaram o envio de US$ 1 bilhão para o presidente Castello Branco, o que motivou o Banco Mundial e o FMI a também liberar recursos. Era como se já estivesse tudo acertado.
Um mês e meio antes de ser assassinado em Dallas, Kennedy chamou Lincoln Gordon ao Salão Oval e apertou o botão mais uma vez. O áudio desse encontro foi postado no site da Biblioteca Kennedy e descoberto por Elio Gaspari – parte dele estará na nova edição de A Ditadura Envergonhada. Em 7 de outubro de 1963, o presidente americano quis saber do embaixador o que fazer com seu colega brasileiro. Gordon respondeu que havia dois cenários: Jango podia abandonar o discurso esquerdista e resolver a coisa de modo pacífico. “Ou não tão pacífico: ele pode ser tirado involuntariamente.” Gordon buscou instruções: “Vamos suspender relações diplomáticas, econômicas, ajuda, todas essas coisas? Ou vamos encontrar uma maneira de fazer o que todo mundo faz?” Kennedy pega a bola e mais adiante devolve: “Acha aconselhável que façamos uma intervenção militar?” Pense naqueles 26 golpes com selo CIA de qualidade.
Gordon desaconselhou uma ação imediata. A não ser que Jango se aproximasse de “velhos amigos” como Brizola. Ficou por isso mesmo. Kennedy morreu e a bola passou para seu sucessor, Lyndon Johnson.
Atolado com a Guerra do Vietnã, Johnson repassou a bola para Thomas C. Mann, novo coordenador da Aliança para o Progresso. E bota coordenador nisso: em 18 de março de 1964 se reuniu com todas as autoridades envolvidas com a América Latina. Desse encontro saiu a Doutrina Mann: os Estados Unidos reconheceriam o governo de qualquer aliado, mesmo sob regime autoritário, contanto que continuasse anticomunista. A definição a poucos dias do golpe era um sinal claro para militares golpistas agirem com segurança, escreveu o New York Times no dia seguinte. Mann, em vez de desmentir, declarou: cada caso era um caso.
O estopim do golpe, no entanto, não veio de Washington, mas do centro do Rio de Janeiro. É lá que fica o Automóvel Clube, onde em 30 de março um Jango em chamas disse a militares aliados que “o golpe que nós desejamos é o golpe das reformas de base, tão necessárias ao nosso país”. Para Jango, as “reformas de base” eram uma bandeira; para a oposição, a aurora do Brasil Soviético. Na mesma noite, chegou a Washington um telegrama afirmando que o golpe aconteceria dentro das próximas 48 horas, partindo de São Paulo ou de Minas Gerais. Foi de Minas: na manhã seguinte, o general Olympio Mourão Filho saiu de Juiz de Fora, dando início ao movimento que derrubaria o presidente.
Só no dia seguinte Jango voou do Rio para Brasília, onde foi informado que o movimento de Minas podia ter conhecimento e o apoio dos EUA. Para muitos, esse alerta explica a falta de resistência de Jango e sua fuga para o Uruguai: ele não quis enfrentar os americanos. Americanos que nem vieram: em 1º de abril, Castello Branco avisou Gordon que as embarcações da Operação Brother Sam, que vinham do Caribe, podiam dar meia volta.
O deputado Rainieri Mazzilli assumiu a presidência interinamente. Mas quem seria o presidente militar? Costa e Silva, ligado à linha dura, quis impor seu nome. Ficou para 1967. Em 1964, deu Castello Branco – para Green, graças à influência americana. Castello tomou posse em 11 de abril, prometendo “entregar, ao iniciar-se o ano de 1966, ao meu sucessor legitimamente eleito pelo povo em eleições livres, uma nação coesa”.
Durante os 21 anos de ditadura, Lincoln Gordon a defendeu. Ignorava a censura, a tortura e celebrava o Milagre Brasileiro. Defendeu até o fim que em 1964 o Brasil estava à beira de uma revolução comunista. Nunca se soube por que foi tão fácil para os militares tomar o poder. E talvez nunca se saiba: até hoje não encontraram um gravador no porão do Kremlin.

8820 – Geo-Política – A Crise no Oriente Médio


Para os judeus, Israel é a “terra prometida” para onde Moisés os levou. Para os católicos, é a terra santa, onde Jesus viveu. Para os muçulmanos, é sagrada porque foi de Jerusalém que Maomé teria subido aos céus. A região foi dominada por gregos, romanos e bizantinos. Em 636, os árabes a islamizaram. De 1099 a 1291, os cruzados cristãos invadiram e, em 1516, os turcos tomaram conta. Em 1917, os ingleses expulsaram os turcos e instalaram o protetorado da Palestina.
No final do século XIX, a imigração judia para a terra prometida começou a aumentar, especialmente após a fundação do Movimento Sionista, em 1897, que pregava a criação de um Estado próprio. Depois do apoio da Inglaterra à tese, a população judia quase triplicou: de 85 000, em 1914, saltou para 238 000, em 1933.
Os árabes, é claro, detestaram. Mas as atrocidades nazistas aumentaram a simpatia à causa judaica. Em 1947, a ONU aprovou a divisão dos 26 000 quilômetros quadrados da Palestina (o tamanho do Estado de Alagoas). Israel, com 680 000 judeus, ficaria com 55% do território e os 1,3 milhão de árabes, com 45%. Os países árabes votaram contra.
Israel proclamou a independência, venceu cinco exércitos e conquistou, na marra, 80% da Palestina. Os 20% restantes foram ocupados pelo Egito e pela Jordânia. Mais de 700 000 palestinos se exilaram em outros países. O nó do Oriente Médio só apertou.

Cronologia de disputas
Em 29 de novembro de 1947, a ONU dividiu a Palestina, então um protetorado inglês, em dois Estados, um judeu e um árabe, transformando Jerusalém em cidade internacional. Os palestinos árabes nunca apoiaram a decisão. Em 13 de maio de 1948, os ingleses se retiraram e, no dia 14, Israel declarou a independência. No dia 15, foi invadido por exércitos de cinco países árabes.

Israel venceu a Guerra da Independência e conquistou 6 000 km2, ocupando um território compacto de 20 700 km2 e metade de Jerusalém. O Egito ficou com a Faixa de Gaza e a Jordânia com a Cisjordânia. O Estado palestino nunca foi proclamado e 700 000 árabes tiveram que fugir das áreas ocupadas pelos israelenses, virando refugiados em vários países.

Em 1967, Israel derrotou o Egito, a Síria e a Jordânia, anexou Jerusalém, ocupou a Cisjordânia, o Sinai e as colinas de Golan, dobrando seu território. Para fazer a paz com os inimigos mais poderosos, devolveu parte do Golan à Síria, em 1981, e o Sinai ao Egito, em 1982. Mas começou a colonização da Cisjordânia. Em 1987, os palestinos protestaram com a revolta da Intifada.

Em 1993, pelos Acordos de Oslo, Israel reconheceu a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) como representante palestino e a OLP reconheceu o direito de Israel existir. Aprovou-se um plano de transição de cinco anos para a retirada israelense das zonas ocupadas e a transferência do poder à Autoridade Nacional Palestina. Hoje, já existem aldeias palestinas autônomas e semi-autônomas. Mas 40% de Gaza e 70% da Cisjordânia continuam sob controle israelense exclusivo. A ideia de um Estado palestino ainda é um sonho remoto.

8642 – De ☻lho no Mundo – O Plantio da Maconha na Coréia do Norte


A Coreia do Norte é considerado um país mais fechado do mundo, que vive sob uma ditadura comunista mantida por um estado repressor e conservador, que investe no militarismo e em bombas atômicas, apesar dos alarmantes índices de mortalidade infantil e desnutrição em sua população. Tecnologicamente, é um país atrasado, e apesar das limitações sociais e política, a maconha é plantada e colhida livremente.
O governo norte-coreano possui séria postura sobre a distribuição e uso de drogas pesadas em seu território, persegue, principalmente, o cristal de matanfetamina, mas não considera a maconha como droga. O portal NkNews, especializado em veicular notícias sobre a Coreia do Norte, já recebeu vários relatos de visitantes que, ao retornarem desse país, enviaram mensagens descrevendo a presença de plantas de maconha sendo cultivadas ao longo de estradas.
O cultivo da maconha também é descrito na cidade portuária de Chongjin, e nas ruas Ca capital Pyongyang. Além de visitante, o portal recebe relatos de pessoas que trabalham ou viajam constantemente para a Coreia do Norte.
Muitos residentes, além de conviverem com o cultivo com naturalidade, já experimentaram livremente. Na Coreia do Norte, essa droga é chamada de “ip tambae” ou “folha de tabaco”. É consumido pelos jovens soldados do exército norte-coreano. Para o governo, é melhor incentivar a maconha para relaxar seus soldados do que viciá-los com alcatrão e nicotina, como ocorre com os soldados do Ocidente.
Porém, turistas estrangeiros não são encaminhados para o consumo da maconha na Coreia do Norte, por conhecerem as limitações que a maconha recebe na maior parte do mundo, principalmente, no Ocidente, os guias norte-coreanos não oferecem e não levam os turistas aos locais de consumo como forma de não gerar propaganda negativa ao país.
Na sociedade norte-coreana a droga é muito comum entre as classes menos favorecidas e entre os soldados, é utilizada como método de relaxamento. Em países do Ocidente, como no Brasil, a produção e consumo de maconha é proibido em virtude dos males que o seu consumo podem causar na saúde do ser humano e pelos seus níveis de dependência.

8457 – Geo-Política – América Latina, um barril de pólvora?


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Dados estatísticos vêm apontando para apenas 36% da população participando efetivamente da produção. Da população ativa, 21% ocupa-se exclusivamente da agricultura, embora em alguns países o valor seja mais alto.
Na Guatemala é de 58%, no Paraguai, 49%, Bolívia 42%. A média de analfabetismo é superior a 15%, mas no Haiti é de 47% e na Guatemala é de 39% contra 4% de Cuba e 5% da Argentina. O índice de mortalidade infantil também é alto: 100 óbitos por mil na Bolívia. Vários países são depositários de riquezas naturais imensas, que bem aproveitadas poderiam transformar o continente numa colossal potência econômica, capaz de impor-se no plano mundial. Mesmo permanecendo fora dos 2 gramdes conflitos mundiais, durante todo o século 20 jamais ficou em paz. Houve no início da década de 1990 um aumento da miséria, ocasião em que a metade da população do continente vivia abaixo da linha de pobreza.

8438 – De ☻lho no Mundo – Zaire, um exemplo de degradação social


Então submetido à ditadura de Mobutu, a partir de 1965, o país compreende 450 línguas e tribos. Em 1991, a renda de lá era de 92 dólares por ano, muito abaixo dos 5.370 dólares pelos quais o Banco Mundial mede o limite da pobreza.
Uma obra ilustrada de 180 páginas chegou a custar 1.250.000 zaires e um operário não ganhava mais que 30 a 50 mil por mês. O país é ex colônia belga, independente desde 1960. O regime pós-colonialista levou o país à beira da falência e por isso, o trono de Mobutu, que parecia intocável, começou a ruir.

8272 – Futebol e Geo-Política – Se a Iugoslávia tivesse vencido a Copa do Mundo, que país atual ficaria com a taça?


A Sérvia seria dona do troféu mais cobiçado do futebol. A regra vale para campeonatos e estatísticas conquistados pela Iugoslávia em competições esportivas. E quem define isso não é a Fifa, nem o Comitê Olímpico Internacional, mas a ONU. É que toda vez que um país se divide, pacificamente ou por guerras, aplica-se um princípio do direito internacional chamado “sucessão de Estados”. Em resumo, novos países resultantes da divisão firmam acordos internacionais definindo quais deles serão herdeiros da nação dissolvida. A herança envolve privilégios e obrigações, como patrimônios e dívidas. Se a ONU aprova o tratado, as federações internacionais de cada modalidade esportiva assinam embaixo e transferem o histórico competitivo para o país herdeiro. Por isso, todas as conquistas da União Soviética – dissolvida em 1991 – estão na conta da Rússia. O caso mais estranho é o da ex-Checoslováquia, que desde 1993 tem dois sucessores oficiais. Nesse caso, os troféus ficam onde a federação internacional de cada esporte definir: a República Checa leva vantagem nessa disputa, herdando a maioria dos troféus e rachando algumas estatísticas esportivas com a vizinha Eslováquia.

8270 – Defesa – Qual foi o primeiro país a ter um exército oficial?


Os exércitos são mais antigos que o conceito de país e existem desde 2500 a.C., pelo menos. Os primeiros grupamentos organizados para defender territórios e atacar inimigos pertenciam a cidades-Estado da Suméria, no sul da Mesopotâmia – território que, hoje em dia, representa o Iraque e partes de Irã, Síria e Turquia. Com a expansão das civilizações na Mesopotâmia, o interesse em áreas estratégicas, como canais e terras produtivas, provocou disputas entre vizinhos. O ato de guerra passou a fazer parte das leis sumérias, com uma cidade-Estado neutra servindo de árbitra nas batalhas. Com as regras, surgiram alianças, dando origem a impérios que guerreavam com cidades estrangeiras. Civilizações da região, como acádios e babilônicos, começaram com exércitos de poucos milhares e expandiram territórios e forças militares aos poucos. Os primeiros soldados lutavam com lanças, machados e adagas, e os “tanques” da época eram carruagens, com um condutor e um guerreiro armado com dardo ou arco composto – feito com ossos, tendões ou feixes de madeira.

7274 – Quantos países ainda são colônias hoje em dia?


Ao todo, 61 países não estão a fim de soltar o grito de “independência!” preso na garganta. Dezesseis deles estão sob jurisdição da França, 15 da Grã-Bretanha, 14 dos Estados Unidos, seis sob jurisdição da Austrália, três da Nova Zelândia, três da Noruega, dois da Dinamarca e dois da Holanda. Para essas metrópoles, as colônias atuais não representam grandes ganhos – mas também não chegam a atrapalhar. Você pode estar se perguntando por que tem tanta nação que prefere continuar assim, dependente. O lance é que a independência não traria nenhuma vantagem para as colônias. “Em geral, elas são países pequenos, com populações reduzidas e economias frágeis. Caso se tornassem independentes, esses países dificilmente representariam qualquer papel no cenário internacional”, diz um cientista político da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Continuando como colônias, essas nações não precisam se preocupar com segurança e defesa de fronteiras – tudo isso é garantido pela “nação-mãe”. Além disso, os cidadãos desses territórios possuem os mesmo direitos econômicos e sociais dos habitantes das metrópoles. Uma das vantagens é poder entrar no país colonizador – geralmente, alguma potência de primeiro mundo – sem enfrentar restrições à migração, por exemplo. “Isso seria muito difícil se esses países fossem independentes”.

7271 – Por que a China ocupa o Tibete?


Interesse geográfico
O Tibete faz fronteira com a Índia. A proximidade ajuda a China a ficar de olho no vizinho, que vira-e-mexe ameaça invadir a região.
“O Tibete é um pedaço de terra rico em recursos naturais, como ouro, zinco, manganês e madeira”, afirma Alison Reynolds, diretor da Campanha pelo Tibete Livre.
Ao garantir a unidade territorial com mão de ferro, os chineses procuram evitar o colapso que desmembrou a ex-União Soviética, repartida em 14 repúblicas com o fim do socialismo.
De qualquer forma, a China alega ter evidências de que o país lhe pertence desde tempos ancestrais. De fato, a ocupação atual se mantém mais ou menos inalterada desde o século 13, quando o Tibete foi incorporado ao império chinês. Essa situação só foi interrompida em 1912, quando a revolução republicana pôs fim ao império. Na ocasião, os tibetanos aproveitaram a confusão para expulsar os chineses e declararam a independência. Mas a situação piorou em 1959: após vários conflitos, uma rebelião em Lhasa, capital do Tibete, foi reprimida com violência pelo governo comunista chinês, que já havia retomado o território tibetano em 1949. Depois da treta, o dalai-lama, líder religioso e político do Tibete, teve de fugir a pé com seus seguidores pelas montanhas da região. Atualmente, ele está exilado na Índia, de onde luta pela independência de seu país.

7262 – O maior povo sem país


É o povo curdo, um grupo de cerca de 36 milhões de pessoas que se espalha pelo leste da Turquia, norte da Síria e do Iraque e noroeste do Irã. Até o início do século 20, os curdos pouco se importavam em ter um país, levando uma vida de pastores itinerantes de cabras e ovelhas e tendo como principal elemento de identidade sua organização social, baseada na lealdade aos clãs. Porém, o maior controle das fronteiras nacionais após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) impediu o livre deslocamento de seus rebanhos e forçou a maioria dos curdos a estabelecer-se em aldeias fixas e adotar a agricultura, fazendo surgir o nacionalismo e a luta pela criação de uma nação própria, projeto duramente reprimido pelos governos da Turquia e dos países vizinhos. Mas conseguir o próprio país não é aspiração exclusiva dos curdos. Ela faz parte das reivindicações de vários outros povos – grupos de indivíduos que são originários de uma mesma região, falam o mesmo idioma e têm costumes, hábitos, história, tradições e cultura em comum. Em geral esses povos não possuem hoje o próprio país por serem minorias étnicas na área que habitam, sendo submetidos a poderosas forças políticas ou militares, que representam interesses contrários à sua autonomia.
Na Turquia, onde vive a maioria do povo curdo, seu idioma é proibido e cerca de 10 mil deles estão presos por motivos políticos. Na década de 1990, milhares de curdos foram mortos por armas químicas lançadas pelo ex-ditador Saddam Hussein no Iraque. Apos a queda dele, a situação do povo no país melhorou.

Outros Povos:

Tibetanos

POPULAÇÃO – 6,2 milhões

TERRITÓRIO REIVINDICADO – 1,2 milhão de km2 (equivale ao Pará)

Descendentes de pastores que vivem na região noroeste do que e hoje à China há 2 200 anos, os tibetanos costumavam viver numa sociedade semifeudal dominada pela classe de sacerdotes budistas. Desde o século 13, o povo sofre a dominação de outros inimigos. Em 1990, o Tibério foi invadido pela China, sendo ocupado e anexado em seguida. Para contrabalançar a demografia da região, o governo de Pequim enviou mais de 6 milhões de chineses para viver no Tibete.
A china continua a reprimir as atividades políticas e religiosas e região, que tem passado por rebeliões esporádicas, sempre duramente combatidas por Pequim.

Palestinos
TERRITÓRIO REIVINDICADO – 6 mil km2 (equivale ao Distrito Federal)
Os palestinos são descendentes dos filisteus, povo que chegou ao Oriente Médio há 14 mil anos, época em que explodiram os primeiros confrontos com israelitas, que também habitavam a região. Submetidas ao Império Otomano e depois pelos britânicos, os palestinos perderam a chance da independência em 1948: com a de Israel, boa parte de seu território foi ocupado pelo novo país.
Em 1994 foi estabelecida a Autoridade Palestina, um governo semi-autônomo que obteve controle sobre partes do antigo território. Os palestinos moderados defendem a ampliação da autonomia e a convivência com os israelenses. Os radicais exigem a destruição de Israel.

5 Milhões de Ciganos
Originário do norte da Índia, de onde saíram por volta do século 11, os ciganos espalharam-se pelo mundo. Hoje, habitam praticamente todos os país do Ocidente. Nômades sem reivindicação territorial, eles têm sido vitimas de preconceito cultural, repressão política e até mesmo campanhas de extermínio. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) os nazistas mataram pelo menos 400 mil deles.
Resistindo a integrar-se à sociedade, eles procuram manter seus costumes nômades tradicionais. As perseguições são coisa do passado na maior parte do mundo. O preconceito cultural e a discriminação não.

Bascos
A tribo dos Vascones antepassados dos bascos atuais, vivia em áreas que hoje fazem parte da Espanha e da França há pelo menos 2 mil anos. Depois de resistir a diversas invasões estrangeiras, eles foram incorporados em sua maioria ao território espanhol e, no século 20, sofreram intensas perseguições durante o governo do ditador Francisco franco, a quem se opuseram inclusive com luta armada.
Após a morte de Franco e a redemocratização da Espanha, na década de 1970, os bastos obtiveram mais liberdade e certa autonomia política. Mas isso não apaziguou os movimentos separatistas mais radicais, que continuam com seus atentados.

Chechenos
Em sua maioria muçulmanos os chechenos originam-se de tribos que vivem há séculos nas montanhas da região do Cáucaso. Entre as décadas de 1830 e 1850, eles opuseram feroz resistência armada às conquista que a Rússia fazia naquela área. Como fim da União Soviética, em 1991, a região virou república independente. Mas, em dezembro de 1994, a Rússia invadiu a Chechênia, causando uma guerra com cerca de 100 mil mortes.
As tropas russas têm controle das principais cidades. Mas a rebelião contra sua presença prossegue com atentados e violência.

6654 – História – Rivalidades Européias


Até 1905, fatores diplomáticos deram à Alemanha segurança no campo da corrida armamentista. Com o cerco de 1914, o rápido desenvolvimento do complexo militar industrial da Rússia e dos gastos alemães com armamentos navais fizeram com que o equilíbrio militar deixasse de pender para as potências centrais. A aliança dual de 1879 estipulou que a Alemanha não permitiria que a Áustria-Hungria sucumbisse a um ataque russo. Mas a Alemanha, como império conservador interessado em controlar a Polônia, tinha afinidades com a Rússia. Bismark simpatizava com os esforços russos para consolidar sua posição na Bulgária. Ele explorou o novo papel da Alemanha, como aliada, para forçar o alinhamento da Áustria-Hungria, ignorando seus esforços para obter o apoio da Grã-Bretanha, Itália e Alemanha contra a Rússia.
O período de 1871-1914 foi de ausência de guerras entre as grandes potências européias. Essa paz relativa, contudo, foi acompanhada por um contínuo armamentismo entre as nações da Europa. O tão procurado equilíbrio do poder se dava com o aperfeiçoamento das forças militares das potências: o medo de um país adquirir mais poder de fogo sobre o outro e por isso sentir-se mais seguro para iniciar uma guerra fez com que as potências entrassem em uma desenfreada corrida armamentista, onde cada uma tentava se igualar ou superar a adversária, aumentando a tensão internacional.
O nacionalismo foi um dos principais focos de tensão entre os países europeus, agindo de duas maneiras: (I) estimulando o separatismo no interior dos Estados multinacionais; (II) atiçando as rivalidades patrióticas de cunho popular entre potências rivais. Entre as diversas manifestações do nacionalismo na Europa no início do século XX podemos destacar:

■ O revanchismo francês contra a Alemanha por causa da derrota da França na Guerra Franco-Prussiana (1870-1871) e da perda da Alsácia-Lorena.

■ O pangermanismo. A defesa da união ou solidariedade entre os povos germânicos (alemães, austríacos), principalmente contra os eslavos. Favoreceu a aliança entre a Alemanha e a Áustria-Hungria.

■ O pan-eslavismo. A defesa da solidariedade entre os povos eslavos (russos, poloneses, tchecos, sérvios). Gerou a idéia de que a Rússia deveria proteger os povos eslavos dominados pela Áustria-Hungria (tchecos, eslovacos) ou ameaçados por ela (sérvios), favorecendo a aliança entre a Rússia e a Sérvia.

■ O iugoslavismo. A defesa da união dos eslavos do sul ou iugoslavos (sérvios, bósnios, croatas, eslovênios) para formar a Iugoslávia ou “Grande Sérvia”. Fomentou a disputa entre a Sérvia e a Áustria-Hungria pela Bósnia-Herzegóvina (dominada pela Áustria-Hungria).

6583 – Qual a diferença entre Inglaterra, Reino Unido e Grã-Bretanha?


Inglaterra é a nação cuja capital sediou os Jogos Olímpicos 2012: Londres. A Grã-Bretanha é o nome da ilha que reúne 3 nações: Inglaterra, Escócia e País de Gales. É a maior ilha britânica e, nos Jogos Olímpicos, participou como se fosse um país.
Na Copa do Mundo, no entanto, cada nação tem sua própria seleção. Já o Reino Unido é o país formado pelas 3 nações da Grã-Bretanha (relembrando: Inglaterra, Escócia e País de Gales) mais a Irlanda do Norte, que fica em outra ilha, da Irlanda. Na verdade, o nome é Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte – o que torna a geopolítica local um pouco mais simples de entender.
Nas Olimpíadas, a Grã-Bretanha representa Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda do Norte. Ou seja, na prática, o que chamamos de Reino Unido é a Grã-Bretanha nos Jogos, embora os dois, geopoliticamente falando, não sejam a mesma coisa.
O Reino Unido é a entidade que participa de organizações intergovernamentais como a União Europeia e a ONU. “Politicamente, é como se fossem 4 reinos (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) sob o comando de um só (o Reino Unido)”, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte são independentes, mas o grau de autonomia desses territórios perante o governo central britânico é diferente entre si. A Escócia, por exemplo, criou um parlamento próprio em 1999, enquanto os demais possuem assembleias locais.
Mas o poderio inglês se estende também sobre outros continentes. A comunidade britânica abrange a maioria das ex-colônias, como Austrália, Canadá e Nova Zelândia, que continuam prestando contas à rainha Elizabeth II.
A Inglaterra não entrou em guerra com essas ex-colônias (afinal, poderia sair de lá com menos influência, como na Índia, onde houve conflito pela independência) negociou para manter relações comerciais e diplomáticas estreitas até hoje. “Foi o primeiro país a criar o sistema de hegemonia no mundo. É aceita como líder sem se impor militarmente”.

6561 – História – Império Otomano, um Império em Pedaços


Durante o século 19 e início do século 20, o Império Otomano e várias regiões adjacentes se desagregaram em um grande número de unidades políticas.

A Albânia era uma província otomana até a independência no final de 1912, após violentos combates.

Armênia – Região à oeste do Império Otomano e a leste da Pérsia; região oriental, ocupada pela Rússia, 1804; brevemente República Unida Independente, 1918-20; autonomia prometida, porém, não concedida, devida a não-ratificação do Tratado de Savres de 1920, subsequentemente absorvida pela Turquia e pela URSS.

Arzebaijão – Principalmente sob o domínio persa, até o início do século 19, parcialmente ocupada pela Rússia, 1803-28, brevemente independente, 1918-20, depois incorporado pela Rússia; turcos de língua arzebaijão divididos, entre a URSS e Pérsia.

Bósnia -Herzegóvina – Otomana; administração austríaca desde 1878, incorporada ao império Áustro-Hungaro, 1908; região da Iogoslávia após 1918, hoje independente.

Bulgária – Província otomana desde o século 14, levante nacionalista malogrado, 1875-6; autonomia concedida, porém, dividida em 1878; unida à Romênia Oriental, 1885; Reino Independente,1908, ganhou a Macedônia e a Trácia Ocidental, 1913.

Creta – Província otomana desde 1669; independente em 1898.

Grécia – Domínio otomano desde o século 14; país independente após as revoltas de 1821, 1833; ampliada pelos acréscimos de Creta (1913) e Macedônia;

Iêmen – Governantes locais pertencentes à seita Zaidi, nominalmente incorporada ao Império Otomano, 1517; ocupada pela Grã-Bretanha, 1839, declaração de independência em 1918.

Iraque – Formado a partir de 3 antigas províncias otomanas de Basra, Bagdá, Monsul, 1920,unificado como Reino sob a Monarquia Hachemita; 1921-58 sob mandato britânico, 1920-32;

Kuait – Governo autônomo de xeques sob a família As-Sabah desde 1756; Tratado de Proteção com a Grã-Bretanha, 1899-1961.

Líbano – Conquista otomana, 1516-17;MOnte Líbano, regime privilegiado concedido após a guerra civil de 1860. Regime republicano concedido sob mandato francês.

Demais países do grande bloco otomano:
Palestina, Pérsia, Quatar, Romênia, Sérvia, Síria, Transjordânia e Tunísia. Após a 1ª Guerra Mundial, os aliados, pelo Tratado de Sévres de 1920, propuseram desmembrar a Túrquia. A oposição nacionalista cristalizou-se ao redor do único general não-derrotado do país, Mustafa Kemal, e expodiu após a ocupação grega de Esmirna de 1920. A resistência turca, sediada em Ancara, não conseguiu no início, opor-se ao avanço grego em direção à Anatólia Central. Os turcos, porém, se reagruparam e repeliram o inimigo após 2 batalhas em Iono. Em 1922, as forças turcas voltaram a ocupar Esmirna, massacrando grande parte da população grega.

O Império Otomano começou a nascer no século 11, quando tribos turcas nômades se fixaram na Anatólia, região que hoje é parte da Turquia. Tais tribos ajudaram a difundir a religião muçulmana em terras que até então estavam sob o domínio de outro império, o Bizantino. “O termo otomano deriva do nome Osman, ou, em árabe, Uthman”, diz o historiador inglês Malcolm Yapp, da Universidade de Londres. Osman, ou Otman I (1258-1324), foi um chefe turco que transformou essas tribos nômades em uma dinastia imperial. Durante os séculos 15 e 16, o Império Otomano tornou-se um dos estados mais fortes do mundo, englobando boa parte do Oriente Médio, do Leste Europeu e do norte da África. Além do poderio militar, o que ajudou a garantir essa expansão foi a tolerância dos otomanos com as tradições e as religiões dos povos conquistados.
“A Igreja Ortodoxa cristã, que predominava nas terras bizantinas, foi mantida. Os judeus perseguidos pelos cristãos na península Ibérica também encontraram refúgio nos territórios otomanos”, diz a historiadora Giulia Crippa, da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto (SP). O império começou a decair no século 17. As atividades econômicas dos povos conquistados eram conduzidas por iniciativa deles próprios, o que fez com que a economia geral do império fosse se desintegrando lentamente. A instabilidade política aumentava cada vez mais até que, em 1909, o sultão – como eram chamados os líderes otomanos – Abdul Hamid II foi deposto por uma rebelião. Essa mudança deu início à modernização do império, bastante influenciada pela Alemanha, ao lado de quem os turcos lutaram na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A derrota no confronto tumultuou ainda mais o já dilacerado império, que foi abolido pouco depois, em 1923, quando foi proclamada a República da Turquia.

Em 1453, o Império Otomano conquista a cidade de Constantinopla, que passa a se chamar Istambul. A vitória marca a supremacia definitiva dos turcos sobre o Império Bizantino, com quem lutavam desde o século 11.
Em 1453, o Império Otomano conquista a cidade de Constantinopla, que passa a se chamar Istambul. A vitória marca a supremacia definitiva dos turcos sobre o Império Bizantino, com quem lutavam desde o século 11.
Entre 1853 e 1856, o Império Otomano trava com a Rússia a Guerra da Criméia. Em jogo, territórios onde hoje ficam a Romênia e a península da Criméia, na Ucrânia. Com o apoio da França e da Inglaterra, os turcos vencem.
Os aliados da Guerra da Criméia viram inimigos na Primeira Guerra. É que, na busca pela modernização, os otomanos se aproximam da Alemanha. Ao lado desse país, os turcos são derrotados no grande conflito mundial.
Palestina

1744-De olho no planeta–As últimas colônias


A imensa e semi desértica ilha ártica da Groelândia, habitada por 60.000 pessoas, não é exatamente uma colônia, mas parte da Dinamarca. O grupo de ilhas de Saint Pierre e Miquelon (ao sul de Terra nova), habitada por cerca de 6300 pessoas é pertencente á França. As Bermudas e algumas pequenas ilhas circundantes com cerca de 67 mil habitantes são colônia inglesa.
Economia Mundial: Um problema que surge agora no século 21 é o crescimento e envelhecimento da população dos países pobres. Os integrantes de um clube privilegiado: EUA, Japão, Canadá, Alemanha, França, Itália e Inglaterra foram poupados ou pouco atingidos pela onda de desemprego que assolou o mundo na década de 1990. Naquele período, EUA e França até diminuíram o número absoluto de desempregados. Pode até haver alguma ilha de desenvolvimento dentro de países pobres, com trabalhadores especializados e bem remunerados, mas eles estarão rodeados pelo subemprego e desempregados.

1743-Gigantes Asiáticos: China e Japão


A China é uma caixinha de surpresas: A frente que reprimiu as manifestações em 1989 no massacre da paz celestial, estava um punhado de velhos octogenários, mas o que aconteceu quando esses foram obrigados a deixar o poder? A falecida China Imperial saiu da Idade Média e se colocou no nível da civilização moderna. Era uma sociedade atrasada, feudal, na qual os direitos humanos não eram e ainda não são totalmente respeitados. Mas, embora tenha se modernizado, o futuro ainda está ameaçado pelo problema demográfico. Calculou-se que para um prognóstico otimista a população deveria chegar no máximo a 800 milhões de habitantes, mas hoje já supera 1,3 bilhão.
Japão, gigante econômico e anão político: Um país rico mas sem peso determinante na tomada de decisões importantes. A situação de inferioridade ainda é o resultado da derrota na 2ª guerra mundial. Ficou evidente durante o conflito no Golfo Pérsico, sua subordinação aos EUA. O boom econômico que fez o Japão sair de sua situação de miséria logo após a 2ª guerra mundial para se transformar numa potência capaz de ditar regras em 5 continentes é um milagre ainda não compreendido. Surgiu a imagem de um país viciado em trabalho cujos milhões de cidadãos se comportam como abelhas operárias mobilizadas na construção da riqueza. Cifras referentes a Tóquio, a capital, com 12 milhões de pessoas na área metropolitana falam mais do que qualquer discurso. Governar Tóquio significa gerenciar um orçamento de 70 bilhões de dólares, administrar uma cidade com um PIB de 400 bilhões de dólares, quase o do Canadá, a 7ª potência industrial do mundo, controlar um território menor que o de Luxemburgo, mas com uma população 32 vezes maior que a do Grão Ducado; encontrar lugar para 5 milhões de toneladas de lixo produziadas todos os anos; organizar a circulação e estacionamento de quase 5 milhões de automóveis. A sede do governo é um complexo de edifícios que custou a impressionante soma de 1 bilhão de dólares e que compreende 2 torres, os edifícios mais altos do Japão.