14.162 – Economia – Renda média per capita no Sudeste vai a R$ 1.639, o dobro do recebido no Nordeste


desemprego no Brasil
O rendimento médio mensal real domiciliar per capita, considerando todas as fontes de renda, subiu de R$ 1.285 em 2017 para R$ 1.337 em 2018. No entanto, o valor caía a pouco mais da metade da média nacional nas regiões mais pobres do País: no Nordeste, era de R$ 815 em 2018; e no Norte, R$ 886. Na Região Sudeste, o rendimento médio mensal domiciliar per capita foi de R$ 1.639, mais que o dobro do recebido pelos nordestinos.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice de Gini da renda domiciliar per capita de todas as fontes – medida de desigualdade de renda numa escala de 0 a 1, em que quanto mais perto de 1 maior é a desigualdade – teve o pior desempenho em 2018 na região Norte, 0,551, seguido pelo Nordeste, 0,545, e Sudeste, 0,533. No Centro-Oeste, o resultado foi de 0,513. O menor valor foi o do Sul, 0,473. Na média nacional, o Índice de Gini alcançou o recorde de 0,545 dentro da série histórica da pesquisa. Ainda considerando todas as fontes de renda, a região Sudeste concentrou mais da metade da massa de rendimentos do País, R$ 143,7 bilhões de um total de R$ 277,7 bilhões. As fatias das demais regiões foram de R$ 47,7 bilhões para o Sul, R$ 46,1 bilhões para o Nordeste, R$ 24,4 bilhões para o Centro-Oeste, e R$ 15,8 bilhões para o Norte.

14.050 – Alcoolismo – Embriaguez e suicídio de indígenas na atualidade


alcoolismo indios
O corpo de Brasil Lopes, índio da etnia Caiuá, foi encontrado na manhã do dia 19 de maio de 2011 na aldeia Bororó, no Mato Grosso do Sul. Ele se enforcou depois de passar a noite embriagado. Longe de ser um caso isolado, o excesso do consumo de bebidas alcoólicas e o suicídio entre as populações indígenas têm chamado a atenção das autoridades públicas. Já em 2000, a Fundação Nacional do Índio (Funai) indicou, a partir de um estudo, que o alcoolismo estava entre as enfermidades mais comuns nos grupos indígenas brasileiros. A Comissão Especial sobre as Causas e Consequências do Consumo Abusivo de Bebida Alcoólica, da Câmara de Deputados Federal, chegou a organizar um debate, em junho, sobre a ingestão exagerada feita pelos índios. Uma das questões abordadas foi justamente a relação entre o abuso de álcool e o aumento de suicídios.
Segundo informações do Distrito Sanitário Especial Indígena dessa região, a média de suicídios entre índios do Alto Solimões, na Amazônia, chegou a ser quase oito vezes maior que a média nacional em 2008, que varia de 3,9 a 4,5 para cada 100 mil habitantes. Embora seja preciso levar em conta os aspectos culturais, como os sentidos da morte para os diferentes grupos, o elevado número de suicídios, que chegou a 38,32 para cada 100 mil habitantes na região, pode ter no consumo excessivo de álcool uma de suas causas. Reportagem do programa “Fantástico”, da Rede Globo, exibida em 30 de janeiro de 2011, apresentou diversos exemplos que indicaram o tamanho da questão, como o caso da índia Márcia Soares Isnardi, de 21 anos, da aldeia Bororó, que morreu depois de ter consumido bebida alcoólica.
Além dos suicídios, o alcoolismo também está diretamente ligado ao agravamento dos casos de violência nessas comunidades. Em outubro de2010, após seminário promovido pelo Ministério Público de Tocantins, foram criadas algumas normas para tentar coibir o consumo de álcool e drogas nas aldeias da nação Karajá daquele estado e do Mato Grosso. Foi instituída, por exemplo, a criação de uma polícia indígena destinada a proteger os integrantes das aldeias de pessoas violentas devido à embriaguez, bem como incentivos à prática de esportes. Tentativas de interromper o crescimento dessa estatística assustadora.

13.920 – Chinês que vendeu rim para comprar iPad é internado por… insuficiência renal


No já longínquo ano de 2011, Wang Shangkun, um chinês que tinha 18 anos na época, achou que seria uma boa ideia vender um de seus rins no mercado negro para ter dinheiro para comprar um iPad. Ele conseguiu o seu objetivo, comercializando o órgão por cerca de R$ 11,8 mil, comprando assim o tablet da Apple, além de um iPhone 4. Só que agora a conta chegou.
Shangkun, hoje com 25 anos, deu entrada no hospital na província de Anhu, com o diagnóstico de insuficiência renal. E agora, ele depende da hemodiálise para evitar a falência total do órgão e, claro, sua morte.
Segundo a reportagem do jornal inglês Mirror, o jovem fanático por tecnologia começou a mostrar deficiências renais não muito tempo depois da cirurgia que retirou o primeiro rim. Ela pode ter sido causada por uma infecção, já que o ambiente onde ocorreu a operação totalmente ilegal, convenhamos, não devia ser dos mais limpos. Além disso, não houve um tratamento pós-operatório após o procedimento.

13.892 – Até tu, Brutus? Neil deGrasse Tyson é investigado por assédio sexual


neil-de-grasse-tyson
A Fox e os produtores do programa de ciência popular Cosmos anunciaram na última sexta-feira (30) que estão investigando as acusações de abuso sexual que foram feitas por três mulheres contra o astrofísico Neil deGrasse Tyson.

Este casos foram expostos por um site chamado Patheos, que descreveu as acusações.

1980
O primeiro caso teria acontecido no início dos anos 1980, com Tchya Amet, que estudou com Tyson na universidade. Ela diz que foi sexualmente abusada por ele no apartamento dele.

2009
A segunda acusação é de Katelyn Allers, professora de física e astronomia da Universidade Bucknell, que relatou ter sido agarrada por Tyson em uma festa em 2009. Ela pediu uma foto com Tyson e ele notou uma tatuagem em seu ombro do sistema solar, que ia do braço até as costas e clavícula.

“Depois que tiramos a foto, ele notou minha tatuagem e meio que me agarrou para olhá-la, e ficou obcecado para saber se Plutão estava nela ou não… aí ele procurou por Plutão, e seguiu a tatuagem para dentro do meu vestido”, relata ela. “Minha expediência com ele é que ele não é alguém que tem muito respeito pela autonomia corporal feminina”, disse ela ao site Patheos.

2018
A acusação mais recente é de Ashley Watson, uma ex-assistente de Tyson em um documentário, que diz que ela foi forçada a abandonar seu trabalho por conta de avanços sexuais inapropriados por parte dele. Eles trabalharam juntos por meses, e ela diz que ele a colocou em uma situação desconfortável ao tentar convencê-la a ter relações sexuais.
Watson diz que ele a convidou para tomar vinho no apartamento dele depois do trabalho e que ele tirou a camisa e ficou de regata enquanto cortava queijos em uma tábua e fazia piadas de mal gosto sobre esfaquear alguém. Ela diz que aquilo foi só uma piada ruim, mas que pareceu um movimento para reforçar poder.
Quando ela estava saindo, ele mostrou para ela um aperto de mão dos nativo-americanos que envolvia apertar com força a mão da outra pessoa, manter contato visual e colocar o dedão no pulso do outro para sentir os batimentos cardíacos. Depois ele teria colocado suas mãos nos ombros dela e dito que ele queria abraçá-la, mas se ele fizesse isso, ele “ia querer mais”.
No dia seguinte ela o procurou no trabalho para dizer que não ficou confortável com a interação da noite anterior, e decidiu desistir do trabalho. Segundo Watson, ela contou o motivo para um superior para que ele não contratasse mais mulheres para aquela vaga. Ela também relatou sua história para um número de denúncias, para que ela ficasse registrada caso outras pessoas o acusassem de abuso sexual.
A resposta de Neil deGrasse Tyson
Tyson ficou em silêncio por um dois depois que as primeiras acusações se espalharam pela internet. Mas no sábado resolveu publicar sua versão dos fatos. Confira abaixo sua resposta às acusações:
“Por variados motivos, a maioria dos homens acusados de abuso sexual no clima ‘me too’ atual são encarados como culpados pela corte da opinião pública. Emoções se sobrepõem ao processo correto, e as pessoas escolhem lados, e as guerras das redes sociais começam.
Em qualquer acusação as evidências importam. Evidência sempre importa. Mas o que acontece quando é apenas a palavra de uma pessoa contra a de outra, e as histórias não batem? É aí que as pessoas tendem a julgar quem é mais crível que a outra pessoa. E é quando uma investigação imparcial pode servir a verdade – e teria minha cooperação total para fazer isso.
Recentemente fui acusado publicamente de assédio sexual. Essas acusações receberam quantidade grande de atenção da mídia nas últimas 48 horas, sem serem acompanhadas por minhas reações. Em qualquer caso, não é culpa da mídia. Eu neguei comentário com base na ideia de que acusações sérias não deveriam ser julgadas na mídia. Mas claramente eu não posso continuar em silêncio. Então abaixo seguem a minha versão de cada acusação.

O incidente de 2009
Milhares de pessoas por ano pedem para tirar fotos comigo. É uma tarefa bajulante, que consome tempo, mas que é encantadora. Como muitos de meus fãs podem confirmar, eu fico quase tonto quando noto que eles estão usando algum acessório cósmico – roupas ou joias ou tatuagens que mostram o universo, seja cientificamente ou artisticamente. E é sempre minha prioridade apontar para esses enfeites na fotografia.
Uma colega que participou de um encontro social depois de um congresso me pediu por uma foto. Ela estava vestindo um vestido sem mangas e tinha um sistema solar em seu braço. Apesar de não me lembrar explicitamente de procurar por Plutão no seu ombro, isso me parece uma coisa que eu teria feito naquela situação. Como todos sabem, eu tenho um histórico profissional com o rebaixamento de Plutão, que tinha acontecido apenas três anos antes. Então é de grande interesse para mim saber se as pessoas o incluem em suas tatuagens ou não. Eu foi acusado de a ter “apalpado” e de ter procurado embaixo do seu vestido, quando foi simplesmente uma procura na parte coberta de seu ombro em um vestido sem mangas.
Eu acabei de ficar sabendo (nove anos depois) que ela achou meu comportamento assustador. Nunca foi minha intenção e estou profundamente arrependido de ter feito ela se sentido daquela forma. Se eu tivesse sido informado do seu desconforto naquele momento, eu teria oferecido o mesmo pedido de desculpas intenso, naquele momento. Aos meus olhos, eu sou um cara amigável e acessível, mas de agora em diante vou ser mais sensível quando ao espaço pessoal das pessoas, mesmo no meio do meu entusiasmo planetário.

Incidente do verão de 2018
Enquanto estava gravando neste último verão, eu tive uma assistente (mulher) trabalhando comigo para garantir, entre suas várias funções, que cada grama da minha energia estava eficientemente dedicada para a as necessidades da produção do programa. Como parte disso, ela também era minha motorista para e do estúdio, garantindo que eu chegasse na hora. No carro nós revisávamos detalhes da gravação e ela me ajudava a antecipar partes da filmagem que eu faria. Através de várias semanas de gravação ela e eu passamos mais de cem horas conversando só nós dois. Ficamos muito amigáveis ao ponto de falar sobre vários assuntos, até pessoais e sociais, como cuidar de pais idosos, relacionamentos com irmãos, vida no ensino médio e universidade, hobbies, raça, gênero e daí em diante. Nós também discutimos tópicos menos pessoais em abundância, como letras de músicas de rock, músicas favoritas em vários gêneros musicais, shows, etc. E também falávamos sobre comida – eu sou meio foodie, e o noivo dela era um chef. Resumindo, tínhamos uma amizade tagarela.
Ela é talentosa, afetuosa e amigável – características excelentes para a moral em uma produção com muita pressão. Praticamente todos que ela conhece ganham um abraço de boas-vindas dela. Eu rejeitei expressamente todos os abraços oferecidos frequentemente durante a produção. Mas no lugar ofereci um aperto de mão, e em algumas ocasiões, desajeitadamente declarei: “Se eu te abraçar eu posso querer mais”. Minha intenção era expressar minha negação, mas com afeto.
Na última semana de gravações, com alguns dias para terminar, como marca de nossa amizade, eu a convidei para vinho e queijo na minha casa quando ela me deixou em casa depois do trabalho. Sem pressão. Eu sirvo queijo e vinho para meus visitantes com frequência. E eu até cheguei a alertá-la de que os outros da produção estavam se reunindo em outro lugar naquela noite, então ela poderia me deixar e ir para lá ou para qualquer outro lugar. Ela decidiu entrar por livre-escolha para o vinho e queijos e eu fiquei encantado. No carro, nós estávamos tendo uma longa conversa que poderia continuar. Os dias de produção eram longos. Chegamos tarde, mas ela estava indo para casa duas horas depois.
Mais tarde, ela veio ao meu escritório e me disse que ela estava incomodada com a noite de queijos e vinho. Ela viu o convite como uma tentativa de seduzi-la, apesar dela ter sentado do outro lado da mesa de mim, e toda nossa conversa ter sido na mesma linha das outras que tivemos antes.
Além disso, eu nunca a toquei até o aperto de mão na saída. Naquela ocasião, eu oferecei um aperto de mão especial, um que eu aprendi de um idoso nativo em uma reserva na borda do Grand Canyon. Você estende seu dedão para frente durante o aperto, para sentir a energia vital da outra pessoa – o pulso. Eu nunca esqueci aquele aperto, e o reservo em sinal de apreciação para pessoas com quem eu criei novas amizades.
Naquele último encontro no meu escritório, eu me desculpei várias vezes. Ela aceitou o pedido de desculpas. E eu garanti a ela que se eu soubesse que ela estava desconfortável, eu teria me desculpado naquele momento, encerrado a noite e possivelmente a lembrado de que ela tinha outros eventos sociais para ir. Mesmo assim ela disse que aquele era seu último dia, mesmo com poucos dias para a produção terminar.
Eu destaco que o último gesto dela para mim foi a oferta de um abraço, que eu aceitei como uma despedida de uma amiga.

Início dos anos 1980
Eu entrei no mestrado de astrofísica diretamente depois da faculdade em 1980. É uma aventura difícil, que parece uma maratona, e muitas pessoas não terminam o doutorado. Na verdade, não é incomum que metade dos matriculados o abandonem depois de dois ou três anos, encontrando outros trabalhos. Enquanto no mestrado eu tive várias namoradas, uma delas que se tornaria minha esposa por trinta anos, uma física matemática – nós nos conhecemos na aula de Relatividade. Durante este período eu tive um curto relacionamento com uma aluna de astrofísica, de uma turma mais recente que a minha. Eu lembro de ter sido íntimo com ela algumas vezes, todas no apartamento dela, mas não havia química. Então o relacionamento logo acabou. Não tinha nada de estranho ou diferente nesta amizade.
u não a vi muitas vezes depois disso. Nossos escritórios eram em andares diferentes do prédio e não estávamos nas mesmas aulas. Alguns anos depois, eu a encontrei, grávida, junto com uma pessoa que eu acredito que fosse o pai. Foi aí que eu fiquei sabendo que ela desistiu do mestrado. Outra vez, isso não é um fato ímpar, mas eu desejei coisas boas para ela na maternidade e na nova carreira dela.
Mais de trinta anos depois, quando minha visibilidade sofreu um salto, eu li um post em um blog me acusando de tê-la drogado e estuprado. Eu não a reconhecia pela foto ou pelo nome. No final era a mesma pessoa que eu havia namorado brevemente no mestrado. Ela mudou seu nome e viveu uma vida inteira, casou e teve filhos, antes dessa acusação.
Eu vejo que essa alegação foi usada como um tipo de isca por pelo menos um jornalista para atrair qualquer pessoa que teve qualquer encontro comigo que a deixou desconfortável.

Resumo
Eu sou o acusado, então por que acreditar em qualquer coisa que eu digo? Por que acreditar em mim?

13.847 – Lei e Direito – Pra que serve a DRT?


MTE
Apesar de ser um termo muito utilizado pela população em geral, é preciso pontuar que esta nomenclatura, Delegacia Regional do Trabalho (DRT), não mais existe. Este era o termo designado nas normas regulamentadoras originais, quase todas elaboradas no final da década de 70. Muitas delas, contudo, mesmo que tenham sido alteradas, ainda possuem estas titulações desatualizadas, assim como a CLT.
O termo DRT foi substituído por SRTE, que significa Superintendência Regional do Trabalho e Emprego. Cada estado brasileiro possui uma SRTE, que é a representação do Ministério do Trabalho em nível regional, com um Superintendente Regional do Trabalho, que é a autoridade máxima dentro daquele órgão regional.
A SRTE tem seu regimento interno disposto na Portaria nº 153, de 12 de fevereiro de 2009, bem como toda a sua estrutura organizacional. De acordo com o regimento, a SRTE tem como função executar, supervisionar e monitorar as ações concernentes a políticas públicas relacionadas ao MTE, em sua jurisdição. Dá-se especial atenção às ações de fomento ao trabalho, emprego e renda, execução do Sistema Público de Emprego, fiscalização do trabalho, mediação e de arbitragem em negociação coletiva, melhoria nas relações de trabalho, e de orientação e apoio ao cidadão. Já a NR nº 01, que ainda utiliza a denominação DRT, determina que também é função da SRTE executar as atividades relacionadas com a segurança e a medicina do trabalho, inclusive a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho (CANPAT) e o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e ainda a fiscalização do cumprimento dos preceitos legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho. Para que não fique tão abstrato, um exemplo prático de uma das funções da SRTE é a emissão do Certificado de Aprovação de Instalações, podendo inclusive visitar o estabelecimento da empresa para inspeção prévia.
As Delegacias Regionais do Trabalho, são as responsáveis pelo cumprimento da legislação trabalhista.
Sua atuação se da através de denuncias e por fiscalizações espontâneas
Possuindo um grupo de fiscais, sistematicamente efetuam fiscalizações nas empresas, verificando e autuando, quando é o caso, as empresas que descumprem as leis trabalhistas.
Na D.R.T. também são realizadas as homologações dos trabalhadores com mais de um ano de empresa, sendo que para isso podem também atender os Sindicatos das Categorias dos Trabalhadores.
As Delegacias também dão encaminhando à Justiça do Trabalho, de processos de ações trabalhistas.
Se você esta em São Paulo, ela fica na Rua Martins Fontes, 109 – no Centro.

13.846 – Lei e Direito – Como Fazer Uma Denúncia Trabalhista


mpt
Quando os direitos trabalhistas não são respeitados por uma empresa ou empregador, é possível fazer uma denúncia ao Ministério do Trabalho e Sindicatos, para que a irregularidade seja devidamente investigada e os envolvidos em permitir tal situação sejam devidamente investigados. Essa é a teoria.
O que acontece, na prática, é que muitas pessoas não sabem como denunciar, ou não fazem denúncias por medo de perderem seus empregos. Só que é muito fácil fazer uma denúncia anônima e conseguir garantir que os direitos trabalhistas sejam respeitados em qualquer lugar.

Denúncia trabalhista anônima
Toda denúncia trabalhista feita ao Ministério Público do Trabalho é feita anonimamente, quando realizada pela internet ou telefone. A mesma denúncia trabalhista pode ser também realizada junto ao sindicato da categoria por telefone, que poderá encaminhar a denúncia para os órgãos cabíveis. Idealmente, o trabalhador ou delator da irregularidade deve denunciar no Ministério Público do Trabalho e também no Sindicato, para que a investigação e cobranças sejam realizadas em várias frentes.

Denuncia trabalhista: como fazer?
Existem três meios para se fazer uma denúncia trabalhista hoje em dia: por telefone, visitando uma Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, ou pela internet.
O meio mais seguro para fazer uma denúncia trabalhista é através do MPT Pardal, aplicativo disponível para smartphones, que é fácil, rápido, e simples de usar. Ele também garante o anonimato total do delator da irregularidade.
Denúncia trabalhista por telefone

O Ministério do Trabalho e Emprego atende pelo telefone 158. Através do telefone da Ouvidoria do Ministério do Trabalho e Emprego, o delator da irregularidade trabalhista será encaminhado para o setor do MTE responsável por acatar as denúncias para que ela tenha continuidade. Poderá ser necessário fazer o agendamento de uma visita em uma Superintendência Regional do Trabalho e Emprego.

A mesma denúncia pode também ser realizada pelo telefone ao seu Sindicato. Ligue para o número do sindicato de sua categoria, e diga que quer fazer uma denúncia de irregularidades no trabalho. Os atendentes do sindicato vão te indicar corretamente o que fazer para que a denúncia seja investigada.

Denúncia trabalhista em uma Superintendência Regional do Trabalho e Emprego
Você deve comparecer a unidade de sua cidade ou região para efetuar sua denúncia. O atendimento geralmente é feito por senhas limitadas, e você tem que chegar bem cedo para conseguir uma senha, ou até voltar no dia seguinte para que sua denúncia seja ouvida. Você pode realizar o agendamento pelo telefone 158, mas geralmente o agendamento é só disponível para atendimentos relacionados ao Seguro Desemprego e detalhes sobre Carteira de Trabalho.
Denúncia trabalhista online: MPT Pardal
O MPT Pardal é um aplicativo disponível para smartphones e tablets. Através do aplicativo, é possível fazer denúncias, tirar fotos, filmar vídeos, colher outros tipos de provas, no momento em que a irregularidade ocorre, facilitando a investigação do Ministério Público do Trabalho. Na denúncia, é necessário enviar imagem, vídeo, áudio, e a descrição da denúncia, incluindo endereço e nome da empresa ou empregador que executou a irregularidade. O processo é sigiloso, e o denunciante não terá seu nome ou dados pessoais repassados a ninguém.

Mesmo fazendo a denúncia online ou na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, não deixe de também denunciar no sindicato da categoria. É muito importante para que eles possam ajudar na luta pelos direitos do trabalhador.
Esperamos que não haja mais dúvidas sobre como fazer uma denúncia trabalhista. A melhor forma é pelo aplicativo MPT Pardal, mas tome cuidado ao filmar, fotografar, ou gravar o áudio em anexo à denúncia, pois o empregador ou empresa podem se tornar agressivos contra você.

13.758 – Cinema – Querido Frankie


qr frnk
Este emocionante filme tenta demonstrar a grande importância da presença de um pai
Frankie (Jack McElhone) é um garoto de 9 anos que vive com sua mãe, Lizzie (Emily Mortimer), com quem segue de um lado para outro. Tentando proteger Frankie da verdade, Lizzie escreve cartas para ele em nome de um pai fictício, que trabalha a bordo de um navio que passa por terras exóticas. Porém o que Lizzie não contava era que logo o navio em que o “pai” trabalha estará aportando no lugar em que estão, o que faz com que ela tenha que escolher entre contar a verdade para o filho ou encontrar um homem desconhecido que se faça passar pelo pai de Frankie durante algum tempo.
Exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2004.

13.732 – História – A prostituição na Antiguidade


Prostituica Antiguidade - HISTORIA DO MUNDO
A questão sexual é tema que intriga vários historiadores ao longo do tempo. Afinal de contas, o exame sério e detalhado desse tema tem o grande poder de reavaliar o lugar que as práticas sexuais possuem no mundo contemporâneo e estabelecer a construção de outras lógicas de sentido para uma ação que não tem nada de universal. Além disso, a observância de relatos sobre a prática sexual também abre espaço para a compreensão de outras questões políticas, sociais e econômicas que extrapolam a busca pelo prazer.
Com respeito à prostituição, vemos que diversos autores relataram o oferecimento do sexo em troca de alguma compensação. Na Grécia Antiga, por exemplo, observamos uma hierarquia entre prostitutas que poderiam não passar de meras escravas, mas que também detinham dotes artísticos ou circulavam livremente entre a elite. Já entre os romanos, a atividade era reconhecida, regulamentada, e as chamadas “lobas” chegavam até mesmo a pagar imposto em cima de seus ganhos.
Quando atingimos o mesmo tema na Antiguidade Oriental, é comum ouvirmos falar sobre a prática da prostituição com fins rituais. O geógrafo grego Strabo, por exemplo, relatou que os assírios ofereciam suas filhas ainda muito jovens para praticarem a prostituição ritual com aproximadamente 12 anos de idade. Heródoto, considerado o pai da História, descreveu de forma repugnante a prostituição babilônica realizada no interior do templo da deusa Ishtar.
Não se restringindo ao mundo acadêmico, vemos que essa noção do ato sexual com fins religiosos ainda tem o seu imaginário explorado. No fim da obra “O código da Vinci” temos uma cena em que a prática sexual é resignificada de modo a se afastar dos tabus e valores que assentaram o sexo na cultura ocidental. Entre relatos e representações, observamos que alguns historiadores vêm questionando fortemente essas narrativas que vinculam o sexo e a prostituição na antiguidade com algum ato sagrado.
Para essa corrente revisionista, a descrição do ato sexual entre algumas civilizações antigas partiu de cronistas e observadores interessados em detrair a cultura estrangeira sob o ponto de vista moral. Além disso, eles buscam e citam, entre os vários povos do Crescente Fértil, a presença da prostituição como meio de sobrevivência e a sua oferta pelas ruas dos centros urbanos. Observamos assim uma tendência que busca o fim da mitificação e da mistificação da prostituição entre os antigos.
Entre essa disputa, observamos que a sacralização do sexo na Antiguidade tende a produzir um modo de interpretação que não questiona devidamente alguns documentos trabalhados nessa época. Por outro lado, advoga em favor de uma reconstrução do passado em que o tom exótico dado à prática sexual cede lugar a outras narrativas em que a prostituição teria significados mais próximos aos que reconhecemos no mudo contemporâneo.

13.702 – Mega Polêmica – Egoísmo é uma Defesa Biológica?


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Choque de Teorias

Muitos biólogos acreditam que somos todos seres egoístas, que buscam apenas espalhar os próprios genes e perpetuar a linhagem a que pertencemos – até em nossos atos mais benevolentes. Mas será mesmo que não existe altruísmo? Novas pesquisas mostram que a evolução pode se dar em termos bem mais caridosos do que costumamos imaginar.
É uma ironia amarga que ainda seja necessário promover campanhas contra a fome. Se você reparar bem, os hábitos sociais da espécie humana são de uma generosidade proverbial no que diz respeito à comida. Em virtualmente todas as culturas, grandes festas são acompanhadas de comilança. Estamos sempre oferecendo comida aos outros, seja na forma de um casual chiclete ou de uma recepção formal. E quem já não entrou numa daquelas ridículas disputas para pagar a conta no restaurante? O problema é saber se essas práticas sociais realmente se qualificam como exemplos de generosidade. Em inglês, um ditado muito corrente no mundo dos negócios diz que there’s no free lunch – traduzindo, “não existe almoço grátis”. Se um conhecido que você não vê há anos resolve convidá-lo para um churrasco, a desconfiança é imediata – será que ele vai pedir dinheiro emprestado?
Existe ou não almoço grátis? Esse é um dos grandes debates da biologia.
O gesto desinteressado do verdadeiro altruísmo parece ser uma impossibilidade evolutiva. Um comportamento só pode ser qualificado de altruísta se ele traz benefícios para os outros e custos para quem o pratica. Ou seja, o altruísta está diminuindo sua aptidão para favorecer a dos outros. Suas chances de sobreviver e de reproduzir são menores, enquanto todos os demais – inclusive os egoístas – levam vantagem. A longo prazo, o altruísta deveria ser levado à extinção, deixando o campinho livre para que o egoísmo grasse como erva daninha.
A luta pela sobrevivência parece favorecer mais os George Soros do que as madres Teresas. E no entanto ainda existem altruístas entre nós (ou não?). Como pode ter evoluído uma característica que parece antievolutiva? Há várias explicações. Antes de voltarmos ao almoço, é preciso remontar à história dessa discussão na biologia.
Egoísmo molecular
Para o biólogo Edward O. Wilson, da Universidade de Harvard, Estados Unidos, a evolução do altruísmo é o problema teórico central da sociobiologia, ciência que busca entender em bases biológicas o comportamento social de animais. A questão já intrigava o próprio naturalista inglês Charles Darwin, que em 1871, na obra A Origem do Homem, utilizou a seleção de grupo para explicar a evolução da moralidade humana. O comportamento moral, ensina Darwin, não traz vantagem para o indivíduo, que lucraria mais desobedecendo as regras para agir de acordo com sua vontade própria. Mas uma tribo regida por valores que enfatizem “o espírito de patriotismo, fidelidade, obediência, coragem e solidariedade” certamente será mais coesa e organizada e assim terá maiores chances de vitória na disputa por recursos naturais ou territórios com tribos menos virtuosas. A seleção natural, portanto, agiria não somente sobre indivíduos, mas também sobre grupos competidores.
Darwin, no entanto, colocava mais ênfase na seleção individual, na luta de cada um contra todos, e não desenvolveu plenamente o conceito de seleção de grupo. Na primeira metade do século 20, os cientistas usavam os diferentes níveis de seleção sem muito rigor. Recorriam ao grupo ou ao indivíduo conforme a idiossincrasia ou a conveniência ditassem. A seleção de grupo ganhou versões esquisitas. Acreditava-se até que os pássaros regulariam o número de ovos para evitar a explosão populacional, garantindo assim que todos tivessem seu quinhão de recursos naturais. A algazarra das aves em seus ninhos seria uma prova da natureza conscienciosa dessas criaturas: cantando e ouvindo suas parceiras cantar, elas conseguiriam aferir a densidade populacional da espécie. Ninguém ainda provou que as aves são capazes de conduzir essa curiosa forma de censo. Alguns ornitólogos sugerem que os pássaros na verdade diminuem o número de ovos quando há pouca comida.
Vale lembrar que Darwin montou a teoria da seleção natural sem sequer desconfiar da existência dos genes. Na primeira metade do século passado, genética e evolução foram combinadas no que os biólogos chamam de teoria sintética. E, a partir dos anos 60, uma nova revolução científica deu a primazia absoluta ao gene na luta pela sobrevivência. Essas pequenas seções do DNA são as unidades replicadoras básicas. Graças à sua habilidade ímpar de produzir cópias de si mesmos, os genes que você carrega em cada uma de suas células já estiveram presentes nos seus antepassados e serão transmitidos a seus descendentes. Você, leitor, é só um recipiente transitório. Portanto, é no interesse do gene – e não do indivíduo e muito menos do grupo – que a seleção natural opera. Os nomes fundamentais dessa corrente são os biólogos George C. Williams, da Universidade Estadual de Nova York, Estados Unidos, e William Hamilton, falecido em 2000, considerado um dos maiores teóricos da evolução de todos os tempos.
Hamilton desenvolveu o conceito de seleção de parentesco. Quando você come na casa de um parente, pode ter certeza de que esse não é um free lunch: ele já está pago em moeda genética. Nossa generosidade em relação aos parentes começa no DNA. Segundo a teoria de Hamilton, o sacrifício por um parente compensa na proporção da semelhança genética com ele. Assim, a aptidão reprodutiva de um indivíduo não se mede apenas pelo número de filhos que ele consegue ter, mas também inclui parentes próximos que carregam frações de sua carga genética. Você compartilha, por exemplo, metade dos genes com seu irmão ou irmã (na verdade, todos nós compartilhamos cerca de 90% do genoma, mas estamos considerando só os genes que variam na espécie humana). Portanto, do ponto de vista evolutivo, vale a pena se sacrificar por um irmão se o sacrifício custar a você no máximo a metade do benefício que traz a ele.
A melhor síntese da teoria talvez esteja em um gracejo do geneticista britânico J.B.S. Haldane, antecessor de Hamilton. Perguntado se daria a vida por um irmão, Haldane respondeu: “Não, mas daria por dois irmãos ou oito primos”.
Ainda mais feliz na síntese foi outro biólogo inglês – Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, Reino Unido. Em 1976, o título do seu livro O Gene Egoísta resumiu tudo o que a biologia mais recente estava propondo. Na trilha de Williams e Hamilton, Dawkins enfatiza o papel fundamental da genética na seleção natural. Para ele, nós somos apenas “máquinas de sobrevivência”, robôs a serviço dos genes – e “nós” inclui todos os seres vivos, da bactéria ao físico quântico. A imagem do robô atraiu muita crítica. Nas edições mais recentes do livro, uma nota de Dawkins esclarece que não somos controlados pelo nosso genoma. Sempre que usamos um método contraceptivo, por exemplo, contrariamos o desígnio único do gene: fazer cópias de si mesmo.
A despeito (ou por causa) de toda polêmica, os princípios expostos em O Gene Egoísta tornaram-se, na expressão do próprio Dawkins, “ortodoxia de manual”. Ou pelo menos é assim entre os cientistas, já que o senso comum conservou idéias anteriores a Williams e Hamilton. Pergunte a um amigo – que não seja biólogo, bem entendido – como funciona a seleção natural. Provavelmente, lá pelas tantas ele vai falar em “perpetuação da espécie”. Dawkins ensina que não é isso que está realmente em causa. Exemplo cruel mas esclarecedor: quando um leão junta-se a um novo grupo de fêmeas, ele muitas vezes mata os filhotes que elas tiveram com outros machos. Ele não está minimamente interessado em perpetuar a espécie. Quer apenas que as leoas estejam devotadas exclusivamente aos seus filhotes, herdeiros de sua preciosa carga genética.
A teoria do gene egoísta pode parecer uma forma desencantada de ver o mundo vivo. Ela contradiz não só as noções mais vulgares (e simpáticas) de evolução que circulam por aí. Desafia também aquele papo new age de viver em harmonia com a natureza, de entrar em sintonia com a mãe terra. Pois é: nada disso tem sustentação na ciência de Williams, Hamilton e Dawkins. A natureza não é harmônica e guarda tantos ou mais exemplos de egoísmo quanto de altruísmo. Tome os pingüins, por exemplo. Do alto das geleiras onde se agrupam, é difícil discernir se há predadores no mar abaixo. Se fossem altruístas, cada um se ofereceria para pular primeiro e verificar se a barra está limpa. Não é o que acontece: geralmente, um pingüim empurra o outro e vê se a vítima não é atacada.
A seleção de parentesco tem sido utilizada para explicar a extraordinária organização que vemos nos chamados insetos sociais. Se a cooperação em um formigueiro ou em uma colméia parece impecável, é porque geralmente todos são filhos da mesma rainha, o que os torna geneticamente semelhantes. Quando uma abelha operária resolve colocar ovos – o que raramente ocorre –, suas colegas os destroem, pois o filho de uma “irmã” será geneticamente mais distante delas do que os filhos da rainha-mãe. No formigueiro, as coisas são mais simples: todas as operárias são estéreis. “Em muitos sentidos, nós, humanos, somos menos cooperativos do que os insetos sociais”, diz o biólogo Robert Trivers, da Universidade de Rutgers, em Nova Jersey, Estados Unidos. Mas, complementa ele, é preciso entender que são dois sistemas muito distintos: “Entre as formigas, há parentesco próximo e, em geral, muito pouco conflito interno.
Entre nós, há um sistema de altruísmo recíproco com um meio de troca – o dinheiro – que uniu o mundo inteiro em uma economia interligada, mas com muito mais conflito interno e muito menos altruísmo”.
Em 1971, Trivers formulou, com o incentivo de Hamilton, a teoria do altruísmo recíproco, que é, de forma simplificada, a idéia de que uma mão lava a outra. Para explicar esses modelos, os biólogos utilizam formulações matemáticas, valendo-se especialmente da teoria dos jogos, que elabora equações capazes de explicar o mecanismo de várias formas de disputa social (para saber mais, leia a matéria “Tudo está em jogo”, na edição de abril de 2002).
Com a reciprocidade em mente, podemos voltar ao hipotético almoço do primeiro parágrafo. Afinal, por que somos aparentemente tão generosos com comida? A sociobiologia encontra as raízes desse comportamento nos primórdios do Homo sapiens, quando ainda vivíamos em tribos de caçadores-coletores. Claro que não podemos saber como era a organização social do homem primitivo, mas algumas pistas podem ser buscadas entre os caçadores-coletores do mundo moderno. Estudos antropológicos têm revelado características comuns mesmo em culturas geograficamente afastadas, como os ache do Paraguai e os !kung do deserto de Kalahari, no sul da África. Há uma divisão sexual do trabalho: as mulheres coletam raízes e frutos; os homens saem à caça. Os vegetais obtidos pelas mulheres são geralmente consumidos somente pela família; a carne trazida pelos homens é dividida com a tribo de forma igualitária.
É a reciprocidade em prática: uma vez que o sucesso da caçada depende não somente de habilidade e esforço, mas também de sorte, é provável que mesmo um bom caçador muitas vezes termine o dia de mãos vazias. Por isso, é essencial que ele possa contar com uma porção da caça dos outros. Influi aqui também o fato de a carne ser um bem perecível. O caçador não seria capaz de comer sozinho um dos mamutes que ainda andavam por aí quando surgiu o ser humano.
Mas o que impede o Macunaíma da tribo de vadiar enquanto seus companheiros arriscam-se na caçada? E por que o bom caçador deveria dividir seu produto de forma tão equânime? Foi ele quem caçou – por que não ficaria com pedaço maior? Nesse ponto entra o sistema de recompensas e punições que reforça o altruísmo recíproco. Recusar-se a dividir carne seria quebrar a etiqueta e expor-se à vergonha pública. E o bom caçador também tem suas vantagens: é considerado o homem mais sexy da tribo. Consegue parceiras com mais facilidade, seja para o casamento, seja para casos extraconjugais.
Ecossistemas Projetados
Os modelos de seleção de parentesco e altruísmo recíproco, como se viu, abrem espaço para algumas formas de altruísmo. Mas quem faz o bem somente aos seus não é generoso – é nepotista. E podemos qualificar de altruísmo aquilo que fazemos com vistas a uma retribuição futura? Fica a sensação de que, sob a pele de cordeiro do altruísmo, vamos sempre encontrar um lobo egoísta. Aliás, é exatamente o que afirmou em 1974 o biólogo americano Michael Ghiselin: “Arranhe um altruísta, e você verá um egoísta sangrar”. A biologia, amparada pela teoria dos jogos, parece identificar um fundo de interesse em qualquer gesto desprendido. Peter Singer, filósofo norte-americano da Universidade de Princeton, conhecido por sua defesa dos direitos dos animais, certa vez argumentou que os bancos de sangue seriam uma prova de altruísmo. O sangue estocado serve igualmente a doadores e não-doadores; portanto, ninguém doa sangue com vistas a um benefício no futuro.
O biólogo Richard Alexander, da Universidade de Michigan, Estados Unidos, retrucou lembrando que olhamos com respeito o sujeito que volta de um banco de sangue com algodão e esparadrapo no braço. A retribuição vem na forma do reconhecimento social.
Mais recentemente, porém, alguns cientistas voltaram a admitir a seleção de grupo. É o que diz o biólogo David Sloan Wilson, da Universidade Estadual de Nova York: “Não há dúvida de que o preconceito contra a seleção de grupo está diminuindo, mas em um ritmo terrivelmente lento e baseado mais em fatores sociológicos do que intelectuais. A maior parte dos manuais ainda a trata como heresia, fundamentando-se em obras escritas antes de o estudante universitário médio ter nascido”. A seleção de grupo foi, para ele, uma força poderosa (mas não única) na evolução da espécie humana.
Sloan Wilson trabalhou em parceira com o filósofo Elliott Sober, da Universidade de Wisconsin, Estados Unidos, para compor Unto Others (“Para os outros”, sem tradução em português), uma defesa da seleção em “múltiplos níveis”. O livro recorda que o próprio William Hamilton, tido como o papa da seleção individual, admitiu a seleção de grupo em um trabalho de 1975. A proposta básica de Unto Others é a de que seleção individual e de grupo podem coexistir, ainda que trabalhem em sentidos opostos – daí a expressão “seleção em múltiplos níveis”. Já vimos que o altruísta, sendo o único a pagar a conta da bondade, sacrifica a própria aptidão reprodutiva em prol dos demais e portanto tende a desaparecer. Sloan Wilson e Sober demonstram matematicamente que isso é verdade apenas para a seleção individual. Uma proporção maior de altruístas pode trazer vantagens adaptativas para o grupo, que assim terá melhores chances na competição com rivais.
A seleção de grupo já foi utilizada com sucesso nas granjas. Descobriu-se que os melhores resultados são obtidos selecionando para reprodução não as galinhas que individualmente põem mais ovos, mas os grupos de galinhas mais produtivos. Mais recentemente, Wilson está utilizando esses princípios para pesquisar ecossistemas microbiais em conjunto com seu aluno William Swenson. Eles criam comunidades com bilhões de micróbios de diferentes espécies. Depois, selecionam aqueles que apresentam propriedades como, por exemplo, a capacidade de decompor lixo tóxico. Os resultados, diz Wilson, têm sido positivos e abrem a possibilidade de, no futuro, projetarmos ecossistemas inteiros. “Os experimentos levam a seleção de grupo um passo adiante, pois lidam com ecossistemas de múltiplas espécies”, diz Wilson.
“Sem dúvida, as abordagens do gene egoísta e da seleção em múltiplos níveis são equivalentes. As duas estão corretas”, diz o físico e biólogo Rob Boyd, da Universidade da Califórnia, Estados Unidos. As divergências parecem dizer respeito não aos fatos, mas à interpretação. Um exemplo é o caso da divisão da carne em tribos de caçadores-coletores. Em Unto Others, Sober e Sloan Wilson partem dos mesmos dados etnográficos, mas reformulam as perguntas. Afinal, por que surgiria um sistema de punições e retribuições para encorajar a generosidade do caçador? Os dois autores dizem que, na medida em que os atos de punir e recompensar também envolvem algum custo – embora menor do que o esforço despendido em uma caçada –, eles também poderiam ser considerados altruístas.
Para Boyd, a evolução cultural pode ser tão importante quanto a genética na evolução do altruísmo. De certo modo, ele as considera como duas forças inextrincáveis no desenvolvimento social de nossa espécie – afinal, a sofisticação lingüística que é a base da cultura humana não seria possível se a capacidade de aprender uma língua não estivesse codificada em nosso genoma. De outra parte, muitos dos mecanismos emocionais que dão base a nosso sistema moral – a culpa ou a vergonha, por exemplo – podem ter sido depurados pela seleção natural ao longo de nossa evolução como primatas sociais. Na medida em que nos agrupamos em tribos maiores, com uma divisão do trabalho mais complexa e especializada, a necessidade de cooperação extrapolou os limites da família e nos obrigou a cooperar com estranhos. Essas novas exigências sociais teriam exercido sua pressão sobre a seleção entre grupos humanos, favorecendo o surgimento da moral. “A cultura está nos genes, mas os genes também dependem da cultura”.

 

13.652 – Uber passa a usar algoritmo de inteligência artificial para proteger motoristas


Uber
A Uber anunciou que começou a usar algoritmos de inteligência artificial para proteger motoristas em sua plataforma de carros particulares sob demanda. O objetivo é evitar que parceiros sejam atraídos para emboscadas.
“A Uber tem adotado a tecnologia de machine learning para identificar riscos com base na análise, em tempo real, dos dados das milhões de viagens realizadas diariamente por meio do aplicativo”, explicou a empresa por meio de uma nota oficial.
Machine learning é uma forma de ensinar sistemas informatizados a “decorar” comportamentos a partir de repetição, aprendendo, no caminho, a improvisar em certas situações. É uma das muitas formas práticas da inteligência artificial.

Esses algoritmos da Uber cruzam informações a respeito do passageiro – como quantas viagens ele já fez, sua nota como cliente, sua localização e modo de pagamento – para tentar “adivinhar” se a corrida pode ser uma emboscada.
Se o sistema concluir que há sinais de que esse cliente pode ser um criminoso à espera de um motorista para assaltar, por exemplo, o aplicativo da Uber vai esconder a corrida do mapa. Todo o processo é feito automática e remotamente.
A asessoria de imprensa da Uber confirmou que a tecnologia têm sido empregada de maneira experimental já há algum tempo. Mas agora, dados suficientes já foram coletados para que a Uber possa confiar nesse sistema automatizado.
“Ess tecnologia foi desenvolvida por uma equipe de cientistas de dados, engenheiros e especialistas para ajudar a antecipar e reduzir a probabilidade de incidentes de segurança”, afirma a Uber em nota. “A nova ferramenta se junta a outras tecnologias e processos de segurança que o aplicativo já oferece para serem usados antes, durante e depois de cada viagem.”

13.606 – Os Robôs Estão Chegando – Automação vai mudar a carreira de 16 milhões de brasileiros até 2030


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Além das já conhecidas ameaças geopolíticas e ambientais, as transformações do mercado de trabalho também ganharam lugar de destaque na agenda do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Só no Brasil, 15,7 milhões de trabalhadores serão afetados pela automação até 2030, segundo estimativa da consultoria McKinsey.
No mundo, no período entre 2015 e 2020, o Fórum Econômico Mundial prevê a perda de 7,1 milhões de empregos, principalmente aqueles relacionados a funções administrativas e industriais.
A avaliação de especialistas da área é que o mercado de trabalho passa por uma grande reestruturação, semelhante à revolução industrial. A diferença é que agora tudo acontece muito mais rápido: desde 2010, o número de robôs industriais cresce a uma taxa de 9% ao ano, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
No Brasil, cerca de 11.900 robôs industriais serão comercializados entre 2015 e 2020, segundo a Federação Internacional de Robótica.
A Roboris, que tem entre seus clientes a Embraer, é uma das fornecedoras que atuam no país. Segundo o presidente da empresa, Guilherme Souza, 30, o interesse da indústria brasileira pela automação vem crescendo.
No mundo, entre 400 milhões e 800 milhões serão afetados pela automação até 2030, a depender do ritmo de avanço tecnológico, segundo a McKinsey. Isso equivale a algo entre 11% e 23% da população economicamente ativa global, calculada pela OIT em 3,5 bilhões de pessoas.
Isso não significa que todos perderão o emprego, mas que serão impactados em algum grau, que vai de desemprego a ter um “cobot” (colega de trabalho robô com quem divide as funções).
O Fórum Econômico Mundial, por exemplo, projeta um aumento na demanda nas áreas de arquitetura, engenharia, computação e matemática, entre outras.
Esse incremento de vagas, contudo, não será suficiente para absorver quem perdeu o trabalho em outros setores, além de exigirem alta qualificação, avalia a organização.
Nesse cenário de extinção grande de trabalhos que exigem pouca qualificação e criação de um número menor que exige muita, a tendência é de aumento da desigualdade, alerta a OIT.
O fim de funções hoje exercidas pela população de baixa e média renda vai gerar desemprego e pressionar para baixo o salário das que restarem, diante da massa de pessoas buscando trabalho.
Mesmo quem tem uma visão mais positiva sobre o futuro, como a McKinsey, sugere a criação de uma renda básica universal (principal bandeira do petista Eduardo Suplicy) como uma opção diante do enxugamento de vagas de menor qualificação.
Um sintoma já perceptível desse processo é a queda ou estagnação da renda fruto de salários e capital em dois terços dos lares das economias avançadas entre 2005 e 2014, maior retrocesso desde os anos 1970, diz a consultoria.
Um caminho para contornar o problema é treinar a força de trabalho para que aqueles de menor qualificação profissional não fiquem para trás, diz o diretor da OIT.
Estudo na Unicef divulgado em dezembro alerta para o risco da tecnologia digital transformar-se em um novo motor de desigualdade. Embora 1 em cada 3 usuários da internet seja uma criança, há ainda 346 milhões de jovens sem acesso ao mundo digital.
Segundo pesquisa feita pelo Fórum Econômico Mundial com diretores das áreas de recursos humanos em empresas de 15 países, 44% deles acreditam que o maior impacto no mercado hoje vem das mudanças no ambiente de trabalho, como home office, e nos arranjos flexíveis, como contratação de pessoas físicas para trabalhar por projeto (a chamada “pejotização ). O percentual é semelhante entre os brasileiros (42%).
Outra forma emergente de trabalho são os relacionados à “gig economy”, como plataformas online e aplicativos –programadores freelance e motoristas de Uber entram nessa categoria.
A tendência é de que as empresas reduzam ao máximo o número de empregados fixos dentro do contrato tradicional, terceirizando para consultores o que for possível como forma de redução de custos e ganho de eficiência, segundo o Fórum Econômico Mundial.
Assim, embora a tecnologia gere uma demanda por novas atividades altamente qualificadas, como programação de um aplicativo, a probabilidade é que as empresas terceirizem a função, em vez de contratar diretamente esse profissional.
Um desafio extra para o Brasil é que ele precisa começar a lidar com essas questões novas ao mesmo tempo em que ainda não resolveu problemas antigos, como o alto índice de informalidade, que voltou a subir durante a crise e hoje atinge 44,6% dos trabalhadores, segundo o IBGE.
É preciso estender a cobertura da legislação ao “velho” e ao “novo” mercado, Salazar-Xirinachs, diretor regional da OIT para a América Latina e Caribe.

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13.580 – Seu Futuro decidido por um Robô – Programa de inteligência artificial encontra candidatos para vagas


Desde pequena, Marcela Ponzini, estudante de Economia e Administração, nunca parou quieta. Gostava de aprender e descobrir coisas novas — duas características marcantes da personalidade dela. Hoje, passa o tempo livre lendo os livros de Sri Prem Baba, um brasileiro popstar do hinduísmo.
Em uma disputa de emprego tradicional, essas curiosidades poderiam passar em branco. Afinal, o que mais conta, nas primeiras etapas, são histórico escolar e experiências anteriores. Não dá para chamar a atenção dos recrutadores de outra forma que não apenas com o currículo — exceto em processos que envolvem o Kenoby, software de recrutamento e seleção, custos e tempo gasto nos processos seletivos com auxílio do Watson, plataforma de inteligência artificial da IBM.
E Ponzini encarou uma dessas seleções. Ela participou de quatro provas online: inglês, conhecimentos gerais, conhecimento cultural e motivacional. Mas o programa de inteligência artificial da Kenoby não avalia apenas os resultados: analisa as respostas com cuidado e revela alguns detalhes da personalidade. Nessa busca, indica aos recrutadores — em um tempo bem mais ágil — quais são os melhores candidatos para a vaga. “Dá mais segurança e não sofre influência de preconceitos”, diz Marcel Lotufo, CEO e sócio-fundador do empreendimento.
Ponzini não passou no teste final, mas superou quase mil candidatos. E pôde, pelo menos, mostrar mais que o currículo.

13.401 – Mega Polêmica na Teledramarturgia – Namorada homenageia Carol Duarte pela virada de Ivana


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Não foram apenas os colegas de elenco que congratularam a atriz Carol Duarte pelas cenas em que Ivana revela à família ser transexual e corta os cabelos, num ritual de libertação. “Ela mostrou um pouquinho da força que tem! Porque ela tem muita força. Força, doçura e coragem”, escreveu no Instagram a geógrafa Aline Klein, namorada da atriz da novela A Força do Querer. “Pula, Caru, se joga que a vida é curta, e você tem muito a dizer. Pula que o mundo é grande! Eu vou estar aqui!”, continua a legenda de uma foto em que Carol Duarte aparece de cabelo curto, o novo visual de Ivana, que vai passar a se chamar Ivan na trama de Gloria Perez.
Carol Duarte e Aline Klein namoram há mais de dois anos, e aparecem juntas em diversas fotos do perfil mantido pela geógrafa no Instagram.

 

☻Mega Opinião

Alguns setores da sociedade vem tentando influenciar a opinião pública em prol de homo e bissexualismo, transexualismo, lesbianismo e travestismo como sendo práticas naturais, comuns e devem ser aceitas normalmente por uma questão de liberdade individual. Nós do ☻Mega longe de sermos conservadores, acreditamos que todos devem ser respeitados como cidadãos independente de sua escolha sexual, mas não venha a mídia querer nos fazer engolir goela abaixo essas práticas como sendo “naturais”. Pra mim são anomalias.

 

13.344 – Trabalho – Como é a “CLT” em outras três grandes economias


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A reforma trabalhista foi aprovada pelo Senado. O conjunto de medidas altera férias, jornada de trabalho, demissões, como você pode ver aqui. Mas e aí? Como é a “CLT” em outros países? Bom, nos EUA, há poucas leis que valem para o país todo. A mais notória delas é a do salário mínimo, equivalente a R$ 4 mil por mês. Mas leis variam de Estado para Estado. O próprio salário mínimo, na Califórnia, é de R$ 5,8 mil por mês. Em Então focamos aqui em outras três grandes economias.Veja.

Alemanha
As leis de flexibilidade no trabalho que permitiram à Alemanha superar a crise econômica inspiraram algumas medidas da nossa atual reforma trabalhista. Por lá, o cidadão pode ter diferentes tipos de contratos com seu empregador, como ser contratado por hora, para determinados dias ou por um tempo pré-estabelecido.
Quanto mais tempo um funcionário trabalhar para o mesmo empregador, mais ele ganha quando for demitido. A lógica lembra o nosso FGTS, mas por lá se aplica ao aviso-prévio. Se alguém trabalhou por dois anos no mesmo local, receberá por dois meses de trabalho. Se o funcionário tem 15 anos de casa, vai receber proporcional a seis meses no batente. Existe também um seguro-desemprego que equivale a 72% dos salários anteriores por até um ano.
Funcionários de empresas alemãs têm direito garantido por lei 20 dias anuais de férias, e a licença maternidade pode ser dividida em até seis semanas antes do parto e oito depois de a criança nascer. Desde 2015 existe uma determinação para pagamento de salário mínimo: 8,50 euros por hora. Se alguém trabalhar 40 horas (a jornada padrão alemã) por semana, isso dá 1.360 euros no mês — R$ 5 mil.

China
Os chineses têm só 5 dias de férias por ano. Fora isso, só feriado. E nem dá para tirar todos: os patrões são obrigados a conceder 11 deles por ano. Nada mais.
Além disso, os trabalhadores chineses não têm salário mínimo – os pisos de remuneração variam conforme o sindicato de cada categoria e a província, nem dispõem de seguro desemprego. Em caso de demissão, a empresa geralmente paga uma indenização, como um aviso prévio, equivalente a um mês de trabalho, e uma outra quantia que corresponde a um salário para cada ano como funcionário — sendo 12 salários o máximo.
As trabalhadoras têm licença maternidade remunerada de pouco mais de três meses (98 dias). E, pela lei, o período anual de férias pagas é proporcional ao tempo que o empregado tem de casa: cinco dias por ano se estiver na mesma empresa por até 10 anos; 10 dias se trabalhar de 10 a 20 anos no mesmo local e 15 dias caso tiver trabalhado mais de 20 anos. Mas para poder curtir a vida longe da fábrica ou do escritório existem algumas ressalvas, como não ter tirado licença por doença, por exemplo.
Por mais que existam regras trabalhistas, que o país seja membro da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e que, teoricamente, siga tratados internacionais, a aposta na mão de obra barata é maior que a garantia de direitos ao trabalhador.
Ou seja, na teoria os trabalhadores chineses têm, sim, alguns direitos garantidos. Mas, na prática, não é bem assim. Um exemplo do não cumprimento dessas legislações é a jornada de trabalho que, de acordo com a Lei de Regras Provisórias de Pagamento de Salário, não deve ultrapassar oito horas por dia e 44 horas semanais. Parecido com o Brasil, não é? Nem tanto. Por lá, não são raras as denúncias envolvendo empresas onde os funcionários cumprem jornadas mais extensas, ultrapassando 48 horas por semana. Passar muito tempo no batente é tão frequente e nocivo à saúde que existe até um termo indiano para descrever as mortes por excesso de trabalho: guolaosi.

Índia
Não há uma regulamentação que defina o limite de tempo para as jornadas semanais de trabalho. Em alguns casos, paga-se hora extra quando um funcionário trabalha mais de 48 horas por semana — lembrando que muitas empresas costumam fazer expedientes de 9 horas de segunda a sábado, e isso dá 54 horas.

No segundo país mais populoso do mundo, as férias remuneradas também não são obrigatórias. A Lei de Fábricas (Factories Act), que regulamenta a indústria, dá uma folga anual paga de 12 dias para os trabalhadores que tiverem dado expediente por 240 dias ou mais durante um ano. No entanto, a duração dessa “licença” varia de acordo com a idade: um funcionário adulto tem direito a um dia livre a cada 20 dias trabalhados, enquanto um trabalhador com menos de 15 anos consegue um dia de licença a cada 15 dias de trabalho. Sendo assim, a duração da licença anual é de 15 dias úteis e 20 dias úteis para trabalhadores adultos e jovens, respectivamente.

E se há precariedade de direitos, também é de se esperar que haja pouca valorização do trabalhador. O salário mínimo da Índia é um dos mais baixos do mundo (SMI) e varia conforme a região do país — os trabalhadores de Deli são os que mais ganham, com 423 rúpias por dia (R$21, ou R$ 630 por mês); enquanto os de Bihar têm o salário mais modesto, com 160 rúpias (R$ 8, ou R$ 240 por mês). Eles não dispõem de remunerações extras como vale-transporte, vale-alimentação, bônus ou 13º salário. Tudo é negociado entre o empregado e o empregador. Mas é difícil contabilizar o poder aquisitivo dos indianos com base no salário mínimo. Isso porque estima-se que 400 milhões de pessoas trabalhem na informalidade. Ou seja: quase 90% da força de trabalho do país não está amparada por lei alguma.
Até março deste ano, as indianas tinham direito a 12 semanas de licença maternidade. Agora, elas podem se retirar do trabalho por até 26 semanas (6,5 meses) — claro, com a ressalva de que a grande maioria delas trabalham na informalidade, então acabam não sendo amparadas por esse benefício.
Outra grande preocupação do mercado de trabalho indiano é a exploração da mão de obra infantil. Apesar do país proibir crianças com menos de 14 anos de trabalharem, uma emenda recente à Lei de Trabalho Infantil pode legitimar a força dos pequenos em trabalhos no “contexto familiar” depois das horas escolares ou durante as férias. A ONU estima que mais de 10 milhões de crianças trabalhem na Índia, e que o problema aumentou nas áreas urbanas, sendo tecelagem, atividades com metal e em campos de algodão os trabalhos mais desempenhados pelos menores.

Algumas regras de outros países:
França: Séculos de reivindicação por direitos tiveram resultado: os franceses têm 25 dias úteis de férias ao ano (contra 21 no Brasil, para quem tira 30 dias corridos), e jornadas semanais de trabalho de 35 horas – 7 horinhas por dia de segunda a sexta.

Estônia: Quando um casal tem filhos na Estônia, os pais têm direito a 435 dias de licença (mais um ano e dois meses) divididos entre eles, é claro.

Arábia Saudita: As mulheres são praticamente proibidas de trabalhar. Reformas recentes melhoraram um pouco o cenário, no entanto. As primeiras advogadas sauditas conseguiram suas licenças em 2013. De resto, o trabalho feminino é permitido em poucas áreas. Basicamente lojas e hotéis.

Madagascar: Na ilha apenas os homens podem ter empregos em horários noturnos. Salvo raras exceções, as mulheres só podem trabalhar à noite se for em instituições de caridade.

Dinamarca: Ser demitido por lá nem é mau negócio: quem leva um pé recebe 90% do salário por até 104 semanas (dois anos e dois meses).

Austrália: Salário mínimo? Só se for na Austrália! De acordo com um levantamento da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), os australianos ganham US$ 9,54 por hora. O valor equivale a R$ 31 (o que daria R$ 5.500 por mês no Brasil, para uma jornada de 44 horas semanais).

13.345 – Uma Isca quase Perfeita – Prostituta liderava grupo que furtava casas de alto padrão em SP


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A Polícia Civil prendeu uma garota de programa de 22 anos suspeita de liderar uma quadrilha especializada em furtos de casas de alto padrão em Sorocaba (a 99 km de São Paulo) e cidades vizinhas. Outros dois homens também foram presos.
Segundo a polícia de Sorocaba, os investigadores monitoraram por quatro meses as redes sociais de Bruna Aguilar e de seus comparsas, Robson Aguiar, 18, e Bruno Felipe da Silva, 19.
Os policiais conseguiram descobrir que o trio atuava quando as casas estavam vazias e sabiam exatamente onde estavam guardados os objetos mais valiosos. Geralmente furtavam joias, relógios e dinheiro.
A equipe de investigação acredita que o trio recebia informações privilegiadas sobre as casas que deveriam furtar. “Eles tocavam a campainha, viam que não tinha ninguém e arrombavam, ou até pulavam os muros”, disse ao site “G1” o delegado Marcelo Carriel.
Segundo a polícia, o trio costumava ostentar com fotos nas redes sociais uma vida de luxo.
Bruna foi presa em seu apartamento na cidade em Sorocaba. No local os policiais dizem ter encontrado dois revólveres calibres 32 e 38, munições, muitas joias, relógios de diversas marcas, entre elas Rolex, e bijuterias.
Com os outros criminosos, também na mesma cidade, foram apreendidos um carro, uma moto e R$ 80 mil.
A polícia disse que conseguiu esclarecer sete casos de furtos na região, mas que acredita haver outros.
Segundo a polícia, Bruna já tinha passagem pela polícia por furto e responderá por associação criminosa e porte ilegal de armas.
A polícia de Sorocaba não divulgou o que os detidos afirmaram em depoimento. A corporação também não soube informar se o trio apresentou advogados.

13.312 – Mega Curiosidades – Em algum casamento um dos noivos já disse não?


Sim.
Inclusive, um casamento foi adiado por dez semanas na Áustria porque a noiva disse não no altar, de acordo com notícias de 2007 publicadas por jornais britânicos.
Tina Albrecht achou que seria espirituoso negar os votos e o compromisso diante do noivo, do oficiante e dos convidados.
Só que ela não sabia que as leis austríacas cancelam a cerimônia em caso de qualquer reação adversa ao casamento em cima do altar – a legislação tenta prevenir casamentos forçados.

13.306 – Educação – Como Funciona o Ceeja?


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O Ceeja é uma instituição de ensino de organização didático-pedagógica diferenciada e funcionamento específico, com o objetivo de oferecer cursos de Ensino Fundamental e Ensino Médio na modalidade de Educação de Jovens e Adultos.
O CEEJA é destinado a alunos que não cursaram ou não concluíram as etapas da educação básica, correspondentes aos anos finais do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio.
No CEEJA o atendimento é individualizado, a presença do aluno é flexível, sendo necessário realizar as avaliações parciais e finais, bem como o registro de, pelo menos, 1 comparecimento por mês para desenvolvimento das atividades previstas pelas disciplinas. O CEEJA funciona de 2ª feira a 6ª feira, nos três turnos: manhã, tarde e noite.
O CEEJA somente efetuará matrícula de candidato que comprove ter, no momento da matrícula inicial ou para continuidade de estudos, em qualquer etapa do Ensino Fundamental ou do Médio, a idade mínima de 18 anos completos.
A matrícula no CEEJA, independentemente de ser inicial ou para continuidade de estudos, poderá ocorrer a qualquer época do ano.
Os estudos já reaalizados e concluídos com êxito, serão aproveitados.

Lei nº 9.394/96
Res. CNE/CEB nº 01/00
Res. CNE/CEB nº 03/10
Res. SE nº 77/2011

Fonte: Secretaria da Educação

13.301 – Mega Memória – Fundação do Alcoólicos Anônimos


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10-06-1935
Em 10 de junho de 1935, em Nova York, dois alcoólatras em recuperação – um corretor e um médico – fundaram os Alcoólicos Anônimos (AA), um programa de reabilitação de 12 passos, que até hoje tem ajudado muitas pessoas a superar o alcoolismo.
Com base em técnicas psicológicas que suprimem traços perigosos da personalidade, membros da organização estritamente anônima controlam seus vícios através de discussões guiadas em grupo e confissões, confiando em um “poder superior” e em um retorno gradativo à sobriedade. A organização funciona através de grupos locais que não possuem regras formais além do anonimato, e também sem funcionários e taxas de cobrança. Qualquer um que tenha um problema com a bebida pode se tornar um membro. Hoje, existem mais de 80 mil grupos locais nos EUA, com um número estimado de quase 2 milhões de pessoas. Outras irmandades de apoio a viciados modelados nos AA incluem os Narcóticos Anônimos (NA) e os Jogadores Anônimos (JA).

13.286 – Acredite: demissão pode ser oportunidade para nova carreira


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É o que diz um consultor:

A demissão pode ser uma experiência traumática e algo pelo qual nenhum profissional deseja realmente passar. O que pouca gente considera nessas horas, no entanto, é que sair de um emprego pode ser o início de uma nova caminhada.
Especialistas são unânimes em dizer: ser demitido de uma empresa não é o ponto final de uma carreira. Pelo contrário, tal situação deve ser encarada como um recomeço e uma janela aberta às novas oportunidades.
“Por conta do salário, benefícios e da estabilidade, o profissional dificilmente teria coragem de sair da empresa. Então, agora [com a demissão], é hora de pensar em fazer algo que o profissional sempre quis”, afirma Jarve de Assis, coach de carreiras.
É o caso do engenheiro Carlos Eduardo Ferraz, 31, que acabou sendo demitido de uma empresa de Tecnologia da Informação e decidiu mudar de ramo. “Acabei saindo da empresa e logo depois decidi abrir o meu próprio restaurante, que era uma coisa que eu sempre sonhei”, conta.
Para tal plano ter êxito, contudo, cabe ao profissional parar e analisar os erros passados para só assim traçar um novo rumo, seja ele o caminho do empreendedorismo, de uma nova carreira ou apenas a recolocação em outra organização.

“Esse momento é para pensar no que a pessoa vai investir tempo, energia e recursos emocionais agora. Pensar no plano A,B C e até D e construir pelo menos uma rota para quando surgir algo e você tomar uma decisão de forma mais rápida e consciente”, afirma Rodrigo Collino, da Sbcoaching.
Para o especialista, esse planejamento é o diferencial entre obter sucesso na nova caminhada ou repetir os erros que o levaram à demissão. “O que empreendedores e funcionários de sucesso fazem em comum é o planejamento. Eles não fracassam por não planejar”, diz Collino.
Esse planejamento deve, inclusive, se tornar um plano de ação, passando assim do campo das ideias para algo prático.

“Veja quais competências precisa adquirir, o que precisa melhorar, cursos a fazer, como gerir seu networking, como distribuir seus currículos e agências de emprego a buscar”, completa Jarve Assis. “Assim, a probabilidade de sucesso é muito maior”, conclui.

Confira dicas de especialistas para uma nova carreira:

1-Deixe a dor passar
A demissão é um processo doloroso. O profissional deve superar os sentimentos negativos iniciais para só assim ter a tranquilidade de planejar os novos passos

2-Reflita
Uma demissão é sempre uma oportunidade perfeita para refletir sobre o comportamento e o desempenho profissional e analisar o que poderia ter sido diferente sem, é claro, se apegar ao passado

3-Planeje
Planejar o próximo passo é essencial para quem quer fazer da demissão um estímulo para novos ares. Lembre-se que os erros passados não deverão ser repetidos novamente

4-Ação
Ideias sem ação morrem dentro da cabeça. Tire o planejamento do papel, pense em um plano de ação e execute! Dessa forma uma demissão poderá se transformar em uma nova oportunidade profissional

Fonte: Veja Economia

13.284 – Educação – Erradicação do Analfabetismo no Brasil


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O 11° Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos indica que o Brasil ocupa a 8ª posição no ranking de países com maior número de analfabetos adultos.
De acordo com a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2012 e divulgada em setembro de 2013, a taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais no país foi estimada em 8,7%, o que corresponde a 13,2 milhões de analfabetos – número reconhecido pela Unesco.
Segundo o estudo da organização, há em todo o mundo 774 milhões de adultos analfabetos, sendo que 72% deles estão em dez países – como Brasil, Índia, China e Paquistão.
O presidente do Inep – que representou o Ministério da Educação (MEC) no lançamento do relatório da Unesco, em Brasília – informou que o número elevado de idosos que não sabem ler nem escrever é um dos fatores que dificultam a erradicação do analfabetismo no país. Segundo o instituto, com base em dados do IBGE de 2012, 24% da população brasileira com mais de 60 anos é analfabeta.
Quatro metas a serem cumpridas
Dos seis objetivos definidos em 2000 para a educação, a serem cumpridos até 2015, Costa afirmou que quatro devem ser atendidos pelo Brasil: educação primária universal, igualdade de gêneros, garantia do aprendizado de jovens e adultos e melhoria na qualidade do ensino. A alfabetização de adultos e a educação na primeira infância, com acesso a creches, correm o risco de ficar fora da lista de metas executadas pelo país.
“Acredito, baseado em projeções, que nós vamos alcançar quatro dessas metas. E essas outras duas metas [analfabetismo de adultos e creches] nós temos dificuldades. [Em] Analfabetismo, por exemplo, nós avançamos muito, […] vamos perseguir até o fim. […] Pode ser que no global não cheguemos aos números, mas vamos chegar com a população mais jovem. […] A questão das creches e da pré-escola também é outra [dificuldade em atingir a meta]”, declarou o presidente do Inep.
Costa disse também que é preciso relativizar os dados que colocam o Brasil entre os dez países com maior número de analfabetos.
“Isso tem que ser relativizado, claro, porque o Brasil é o quinto país mais populoso do mundo. Mas, se observamos a redução [nacional] de analfabetismo, já chegamos a 91,8% hoje de taxa de alfabetizados. E, se pegarmos a população de 15 a 16 anos, temos 98% de alfabetização”, destacou o presidente do Inep.
Pontos positivos
Apesar dos dois objetivos que não serão alcançados pelo Brasil, a análise que o relatório faz da educação no país aponta avanços. Um dos pontos positivos é o acompanhamento de melhoria do ensino que é feito a partir do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.
“O Brasil é citado com vários exemplos de boas recomendações, bons modelos para outros países. Mas também aponta várias áreas que o pais precisa melhorar”, diz a coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Maria Rebeca Otero Gomes.
De acordo com a coordenadora, ainda falta no Brasil uma política de valorização do salário e da carreira do professor. “A primeira [coisa a ser feita] é a ampliação da educação infantil – precisamos alcançar no mínimo 80% das crianças da educação infantil nas escolas. A segunda seria expandir a alfabetização de adultos e jovens. E a terceira é a questão da qualidade. E quando falamos de qualidade, o ponto principal é dos professores e da valorização dos professores”, ressaltou.
O relatório destaca como avanço no país a redução das diferenças educacionais por região. Conforme o estudo, entre 1997 e 2002, a média de matrículas no ensino básico no Nordeste aumentou 61%, enquanto no Norte subiu 32%. No entanto, avaliações mostram que, em matemática, estudantes da Região Norte ainda ficam atrás de outras regiões. Segundo o relatório, essa diferença indica que “as reformas precisam continuar e ainda mais fortes”.