13.800 – Economia – Financial Times: Brasil é um ‘Robin Hood às avessas’


CAPeTALISMO
O Financial Times trata de desbastar ilusões sobre o resultado das eleições de outubro. Quem quer que vença a disputa pelo Palácio do Planalto terá de enfrentar duas crises interligadas: o déficit fiscal e o sistema de gastos públicos que segue a lógica inversa da do lendário Robin Hood.
O quadro apresentado pelo artigo não deixa espaço para ideias mágicas e soluções de curto prazo expostas por alguns candidatos à Presidência nesta campanha. O Brasil, apesar dos esforços de ajuste fiscal, tem um déficit orçamentário de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) e “corre o risco de cair em um novo pântano” se o seu futuro governo não controlar os gastos públicos.
Os gastos públicos são alvos de especial detalhamento no artigo, em especial pelas “prioridades perversas” adotadas pelo governo brasileiro. Destinado a leitores de todo o mundo, sobretudo aos investidores, o texto explica que os gastos do governo com salários de servidores e aposentadorias e pensões são tão elevados que o país perdeu sua capacidade de investir em Saúde, infraestrutura e até na “manutenção de alguns de seus melhores museus”.
Esta pitada de ironia é uma referência ao incêndio que devastou o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, cuja imagem abre o artigo e expõe as mazelas brasileiras na área fiscal. O texto cita a conclusão da economista Rozane Siqueira, da Universidade Federal de Pernambuco, de que o gasto público no Brasil é “completamente irracional”.
“Com uma boa parte do que conta como gasto social indo para a classe média alta, ela descreve o governo como uma forma de ‘Robin Hood às avessas’”, menciona o artigo, referindo-se ao lendário bandoleiro medieval, que roubava dos ricos para distribuir aos pobres.
O texto destaca que a crise brasileira não se deve à falta de receitas. No Brasil, é bem sabido que a carga tributária é uma das maiores do mundo, equivalente hoje a 32% do PIB. Mas a repartição do bolo causa estranheza aos autores do texto: 31% da receita vai para os 10% mais pobres, e 23%, para os mais ricos. No Reino Unido, exemplificam eles, 92% da receita vai para os mais pobres, e 2%, para os mais ricos.
Lógica semelhante é replicada no sistema de aposentadorias e pensões, com apenas 2% da receita seguindo para os 20% mais pobres. O texto aponta a extravagância desse sistema para o setor público, com aposentadoria média de R$ 18.065 mensais para juízes e de R$ 26.823 para funcionários do legislativo. Mas não menciona a aposentadoria para trabalhadores do setor privado paga pelo INSS, de R$ 954 a R$ 5.531 mensais.
Em outro aspecto dos gastos públicos, o artigo explica que os benefícios e isenções fiscais concedidos para diferentes setores produtivos custam ao Tesouro R$ 290 bilhões – 20% das receitas do governo federal. Mas cita também as linhas de financiamento subsidiadas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que muito beneficiaram setores com capacidade de buscar crédito no exterior e que não resultaram ganhos de investimento e de produtividade.
O artigo expõe e critica a “popular ideia de que o Estado deva ser generoso” e que, além de dar benefícios fiscais e financiamentos subsidiados, deva também agradar os segmentos populares. Como exemplo, menciona a meia entrada em cinemas, teatros, shows e outros eventos como meio de estimular a audiência de jovens, idosos e outros beneficiados, determinada pelo Planalto.
“Todo mundo sempre pega algo”, diz a economista Zeina Latif, da XP Investimentos, ao FT.
O artigo aborda ainda como essa visão do Estado tem transbordado em casos de corrupção, como nos investigados pela operação Lava Jato. “Ambos os governos, os democraticamente eleitos e os militares, se entregaram a aqueles interesses especiais ao longo dos anos, mas as pressões no orçamento foram exacerbadas durante o período de 13 anos em que o esquerdista Partido dos Trabalhadores ocupou a Presidência, de 2002 a 2016″, diz o texto.
Direita versus esquerda
O artigo explicita o esforço de seus autores em não entrar no discurso político polarizado do Brasil, em especial nesta etapa pré-eleitoral. Mas não deixa de mencionar o namoro do mercado financeiro com o candidato de direita Jair Bolsonaro (PSL), “ignorando sua admiração pela ditadura militar do Brasil e pelas corporações policiais”.
Também acentua, em um quadro sobre a disputa entre direita e esquerda, as decisões políticas da então presidente Dilma Rousseff, que levaram a economia brasileira a uma contração de 7% do PIB entre 2015 e 2016.
Nesse espaço, ressalta que Fernando Haddad, substituto de Luiz Inácio Lula da Silva como candidato do PT, ecoa as políticas adotadas por Rousseff, e que o também esquerdista Ciro Gomes (PDT) “propôs políticas intervencionistas que também alarmaram os investidores”. Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB) e os demais candidatos não foram citados.

13.161 – Sociologia – Unicef mostra círculo vicioso da pobreza no Brasil


sociologia
Cerca de 8.200 crianças nascem por dia no Brasil. Num país insistentemente desigual, cada um desses meninos e meninas já vem ao mundo com mais ou menos chances de superar a pobreza de acordo com sua etnia, a renda de sua família, a escolaridade de sua mãe e a região onde nasceu. O relatório Situação da Infância e Adolescência Brasileiras, lançado pelo Unicef traz dados sobre as diferenças de acesso a serviços de saúde e educação entre crianças pobres e ricas, que vivem em áreas rurais ou urbanas, que crescem no sul ou no norte do país e mostra como estes fatores determinam as oportunidades que aquele bebê, que acaba de nascer, terá na vida.
Desses 8.200 brasileiros que nascem por dia, cerca de 1.500 são da região nordeste. Cada uma deles terá um quarto da chance de completar o primeiro ano de vida dos nascidos no sul ou no sudeste. “Quase metade deles serão negros e terão duas vezes mais chance de não freqüentar o ensino fundamental, em comparação com as crianças brancas”, disse a representante do Unicef no Brasil, Reiko Niimi.
Os dados são fruto de uma tabulação especial da Amostra do Censo Demográfico 2000, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a pedido do Unicef, e comprovam com números uma realidade bastante conhecida no país e que ficou ainda pior nos anos 90. Segundo o relatório, é esta a conclusão a que se chega quando a equidade de renda é analisada além da média nacional, com recortes como os feitos no documento.
Desigualdade histórica
Um dos grupos em situação história e persistente de desvantagem e vulnerabilidade é a população negra. A proporção de pessoas negras vivendo abaixo da linha da pobreza, em relação às pessoas brancas, passou de menos do que o dobro no começo da década para mais do que o dobro na segunda parte da década. O percentual de pobres nos grupos de crianças e adolescentes negros é maior (58%) do que nos grupos brancos e amarelos (33% e 24%, respectivamente). Isso significa que, no Brasil, uma criança ou um adolescente negro tem quase duas vezes mais chance de ser pobre que uma criança ou um adolescente branco.
Em relação ao percentual de crianças na fase de freqüentar o ensino fundamental, as iniqüidades também são significativas: 8,1% das crianças de cor negra contra 3,8% das crianças brancas fora da escola. As desigualdades persistem desde a fase de creche e pré-escola até o ensino médio e universitário.
Em todos os indicadores selecionados, as crianças e os adolescentes negros aparecem em situação mais desfavorável que os brancos. Comparativamente, eles têm duas vezes mais possibilidade de morar em domicílio sem abastecimento de água, duas vezes mais possibilidade de não freqüentar a escola (dos 7 aos14 anos) e três vezes mais chances de não serem alfabetizados.
Os dados apontam para um círculo vicioso em que a população negra está inserida. “Trata-se de um grupo imenso da população que se encontra na base da pirâmide social brasileira, em condições precárias de moradia e de acesso a bens e serviços, o que alimenta a falta de acesso a outras oportunidades”, diz o relatório.
Falta de escolaridade
O documento do Unicef também revela que o nível educacional da mãe tem impacto direto no status econômico da criança e do adolescente. Enquanto a média nacional é de 45% de crianças e adolescentes pobres, dentro do grupo daqueles com mães que não têm escolaridade ou têm menos de um ano de estudo, 76% são pobres. Entre os filhos de mães com 11 ou mais anos de estudo, esse percentual é de 11%. Isso significa que uma criança com mãe com baixa escolaridade tem sete vezes mais possibilidade de ser pobre que uma criança com mãe com alta escolaridade.
O impacto da baixa escolaridade da mãe também é evidenciado na situação da infra-estrutura domiciliar das crianças. Em termos de saneamento básico, aproximadamente 41,6% das crianças e dos adolescentes com mãe sem instrução vivem em domicílios sem acesso ao abastecimento de água ou esgoto.
E mães fora da escola significam, quase sempre, filhos fora da escola. O percentual de crianças fora da pré-escola aumenta com a queda da escolaridade da mãe: 56,8% das crianças em idade pré-escolar com mães sem instrução não freqüentam instituições de ensino. Esse percentual diminui para 16,9% quando a mãe tem 11 ou mais anos de estudo. Adolescentes com mães com baixa escolaridade têm mais de 23 vezes mais possibilidade de ser analfabetos do que adolescentes com mães com alta escolaridade.
Por isso o Unicef considera fundamental o investimento em políticas dirigidas a mulheres, pelos resultados que isso apresenta na melhoria da qualidade de vida das mesmas, na educação e qualidade de vida de seus filhos.
Dois “Brasis”
A pobreza infantil varia também de acordo com o local onde a criança e o adolescente vivem, já que a renda segue concentrada principalmente nos Estados do sudeste e sul. No Maranhão, 75% das crianças e dos adolescentes são pobres, contra 22% dos que moram em São Paulo. Crianças maranhenses têm, portanto, mais de três vezes mais possibilidade de ser pobres do que crianças paulistas.
O percentual de crianças e adolescentes vivendo em domicílios sem infra-estrutura adequada também tende a ser maior nos Estados do nordeste e norte e menor no sul e sudeste. No Acre, quase metade das crianças e dos adolescentes vive em domicílios sem acesso à água potável, contra 1,7% em São Paulo. Isso significa que as crianças que moram no Acre têm 29 vezes mais possibilidade de não ter abastecimento de água do que as crianças que moram em São Paulo. No Piauí, metade das crianças e adolescentes vive em domicílios sem acesso a saneamento adequado, contra 0,9% no Distrito Federal.
Comparativamente às demais crianças e adolescentes do país, aqueles que moram em Estados da região norte ou nordeste têm quatro vezes mais chances de morrer antes de completar um ano de idade e 16 vezes mais possibilidade de não ser alfabetizados.
“O projeto de Brasil previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente ainda está longe de ser uma realidade para os 61 milhões de crianças e adolescentes neste país”, disse Reiko Niimi. “O Brasil precisa reconhecer sua dívida e seu compromisso com cada um desses meninos e meninas. Não se pode esperar mais”, afirma.
Círculo vicioso
Crianças pobres estão inseridas em ciclos de pobreza e exclusão. Quando esse paradigma não é rompido, elas serão pais e mães de crianças também pobres. Assim, crianças mal nutridas crescem e se tornam mães mal nutridas que acabam dando à luz bebês com baixo peso; pais que carecem de acesso a informações cruciais tornam-se incapazes de alimentar e cuidar de suas crianças de forma saudável; e pais analfabetos têm mais dificuldades de ajudar no processo de aprendizagem de seus filhos.
“Para se transformar esse círculo negativo em positivo, a redução da iniquidade e da pobreza deve ter uma atenção maior para com a infância”, aponta o texto. Como recomendação, o documento acredita que o primeiro passo é o aumento dos investimentos públicos, principalmente do Estado, em áreas que afetam mais diretamente as crianças e adolescentes, como a saúde e a educação. “Atualmente, mesmo se os recursos disponíveis fossem canalizados para a infância e adolescência e para as áreas apontadas neste relatório, não seriam suficientes”.

12.335 – Riqueza não traz felicidade – Apontou um estudo


Ricos Choram Mais

Quando se tornou pai, Charles Darwin começou a se interessar pelas emoções humanas. Ele passou a tomar notas do desenvolvimento emocional de seus filhos, questionando a importância do clima e das circunstâncias nas alterações de temperamento das crianças.
O choro era o fator pelo qual Darwin mais se interessava. Segundo a revista 1843, a curiosidade do cientista aumentou após um incidente no qual um de seus filhos, então com dois meses de vida, se machucou. O bebê gritou, mas não chorou. A partir de então ele começou a estudar a possibilidade de o choro ser cultural, ou seja, de precisar ser aprendido e praticado.
Essas pesquisas resultaram no livro The Expression of the Emotions in Man and Animals (A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais), publicado em 1872. No volume Darwin sugere que as emoções são facilitadas pelo ato de expressá-las. Partindo desse pressuposto, as pessoas não chorariam por estarem tristes, suas lágrimas as informariam o fato de estarem tristes.
Estudos mais recentes questionam o ponto de vista darwiano no assunto, mas ele foi essencial para que mais pesquisas fossem realizadas à respeito do choro. Um estudo de 2011, por exemplo, reforça a ideia inicial de que o choro é um aspecto cultural. Em “Culture and Crying: Prevalences and Gender Differences”, os cientistas sugerem que “indivíduos que vivem em países mais prósperas, democráticas, extrovertidas e individualistas tendem a chorar mais”.
Ao longo da pesquisa foi observado que os moradores de países em que a vida é mais confortável são os que tendem a chorar mais. Dessa forma, o choro seria um indicador de privilégio.
Já em países com maiores índices de pobreza ou que vivem guerras, o choro surpreendentemente não é tão comum. A cientista Dorte Jessen, que fez parte desse estudo, passou um tempo em um campo de refugiados em Dadaab, na Quênia. Dorte viu uma mãe com duas crianças que não comiam há bastante tempo rasgando os pacotes e dando para os filhos assim que os recebeu. Nenhum dos três disse ou expressou nada durante esse período.
Como explica o Science of Us, situações como essa levaram os cientistas a acreditarem que alguém que vive em situações terríveis como as citadas anteriormente sabe que chorar não vai mudar nada – e há muito o que fazer para gastar tempo teorizando as emoções. É um lembrete para reavaliarmos nossos privilégios na próxima vez que uma coisa mundana der errado e bater aquela vontade de chorar.

11.460 – Sociologia – Só educação não Diminui a Desigualdade


educação
A educação sempre aparece como remédio para os males do Brasil, principalmente a desigualdade social. Sem negar que mais anos de estudo melhoram a vida da população, especialistas começam, porém, a relativizar essa verdade absoluta.
“É interessante para a elite e para o governo tratar a educação como uma panaceia, porque se estabelece uma situação de inércia social. Um segmento que tem crescido muito é o de pessoas com ensino superior, que hoje supera 15% dos jovens, mas a desigualdade interna desse grupo é tremenda”, diz o economista Alexandre Barbosa, professor do IEB (Instituto de Estudos Brasileiros) da USP. Para ele, a desigualdade no Brasil é estrutural e não será solucionada exclusivamente com mais investimentos em educação.
Barbosa mostra que a diferença de renda média do trabalho entre brasileiros com ensino médio e com ensino superior caiu de R$ 1.969,47 em 1995 para R$ 1.741,41 em 2009.
A redução dessa diferença, que começa a aparecer no Brasil, é uma realidade nos países desenvolvidos. Dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostram que, nos países onde há mais cidadãos com ensino superior, é menor a diferença de salário entre trabalhadores mais e menos qualificados, o que contribui para diminuir o abismo entre ricos e pobres.
Alguns economistas explicam a desigualdade no Brasil justamente por essa escassez de trabalhadores qualificados, que não preenchem a demanda por mão de obra especializada e, portanto, têm baixos salários.
Barbosa diz que essa teoria ignora o outro lado: a “sobrescolarização”. “Criou-se uma porção de universidades de fundo de quintal. O mercado não precisa dessa mão de obra, e o estudante vira atendente de lanchonete.”
Na Coreia do Sul, considerada um modelo de ensino, onde 67% da população tem diploma universitário (o maior nível entre os países da OCDE), a desigualdade de renda é elevada: os 10% mais ricos recebem 10,1 vezes mais que os 10% mais pobres. “Chegamos a uma situação de estagnação. Todos são bem-educados e têm a expectativa de conseguir bons empregos. Mas o número de oportunidades para pessoas com esse nível de educação não está crescendo”, diz o jornalista sul-coreano Se-Woong Koo, ex-professor da Universidade Stanford.

10.452 – A favela mais alta do planeta


favela

Era para ser um prédio de escritórios supermoderno, com 45 andares. Mas acabou virando um enorme cortiço
Pegue um projeto megalomaníaco e, no meio das obras, decrete a falência do principal investidor. Foi assim que nasceu a Torre de David: um prédio em Caracas, capital da Venezuela, que se transformou na maior favela vertical do mundo. O edifício, com 45 andares, abriga hoje cerca de 1.500 pessoas, que invadiram o local depois que a obra foi interrompida. O prédio foi idealizado por David Brillembourg, um empresário que fez fortuna explorando petróleo, para ser o centro financeiro de Caracas. Mas, em 1993, David morreu, sua empresa quebrou, e a obra parou – com apenas 60% do prédio concluído. As famílias começaram a chegar em 2007 e não saíram mais. A invasão foi liderada por um grupo de ex-presidiários evangélicos. Seu diretor é Alexander “El Niño” Daza, que comanda uma equipe de seguranças e virou a autoridade máxima do prédio.
Água e luz faltam com frequência. Mas o maior problema é que não há elevadores, algo crítico num prédio desse tamanho. Os primeiros dez andares, que foram projetados para servirem de estacionamento, podem ser subidos de mototáxi. Mas dali para cima, só mesmo usando as pernas. “Alguns moradores têm de vencer até 28 andares de escada para chegar em casa”, conta um fotógrafo, que passou quatro meses registrando imagens na Torre. Os últimos andares não têm nem as paredes externas, e por isso não foram ocupados.
O edifício tem padaria, cabeleireiro, açougue, bar e uma igreja, e cobra um condomínio mensal de 150 bolívares (R$ 55). O resto da cidade tem medo do prédio – onde a polícia costuma entrar para procurar fugitivos. Mas a fama de local perigoso é questionada por moradores e visitantes. “Ninguém nunca tentou fazer nada comigo lá”.

10.419 – Sociologia: E então, cadê a justiça social? IDH do Brasil cairia 16 posições com cálculo de desigualdade social


Isso sim, é motivo pra manifestação
Isso sim, é motivo pra manifestação

Na 79ª posição no ranking internacional de desenvolvimento humano em 2013, o Brasil registraria posição pior se a desigualdade social fosse incluída no cálculo.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o país perde 16 colocações com o ajuste do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pela desigualdade. O IDH do Brasil cairia 27%, de 0,744 para 0,542 por esse critério, fazendo-o passar para a 95ª colocação no ranking global, que tem 187 países.
Divulgado hoje (24), o IDH ajustado pela desigualdade social segue os mesmos parâmetros do IDH tradicional, mas desconta a desigualdade na renda, na educação e na expectativa de vida da população.
No caso do Brasil, a maior desigualdade ocorre na renda, com 39,7% de diferença média entre ricos e pobres. Os índices correspondem a 24,7% para a educação e a 14,5% na expectativa de vida. Os valores são maiores que a média da América Latina e do Caribe, com desigualdade de 36,3% na renda, 22,2% na educação e 13,2% na expectativa de vida.
“O Brasil tem uma trajetória de progresso acumulada durante anos, mas ainda tem muito a fazer. Mesmo com a redução da pobreza nos últimos anos, o Brasil continua desigual”, diz o representante residente do Pnud no Brasil, Jorge Chediek.
De acordo com o órgão, a cada ano, o país tem reduzido o impacto do cálculo da desigualdade no IDH. Em 2006, a nota brasileira tinha sido diminuída em 29,6% após o ajuste.
Em outros países do Brics, grupo das principais economias emergentes do mundo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), as formas de desigualdade são diferentes do Brasil. Na Índia, a principal fonte de desigualdade social está na educação, com índice de 42,1%, enquanto a diferença média de renda corresponde a 16,1%.
Na Rússia, o índice de desigualdade de renda está em 22,9%, mas praticamente não há disparidade na educação, cujo indicador de desigualdade é de apenas 2,1%. Por falta de dados com padronização internacional, China e África do Sul não tiveram o IDH ajustado pela desigualdade calculado.
De acordo com a coordenadora do Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, Andréa Bolzon, o IDH ajustado complementa a análise do IDH. Ela, no entanto, esclarece que a inclusão da desigualdade no cálculo permite melhor representação da realidade.
“O IDH tradicional só reflete a média [de um país]. O IDH ajustado pensa em oferecer uma análise a mais, um índice de apoio, mas o índice tradicional não deve ser deixado de lado”, explica.
A Argentina seria o país da América Latina cujo IDH seria menos impactado pelo ajuste do índice pela desigualdade, com queda de 15,8% na nota (de 0,808 para 0,680). O país vizinho tem índices de desigualdade de 9,3% para a expectativa de vida, 8,6% para a educação e 28,1% para a renda.
No Chile, país latino-americano com maior IDH pelo critério tradicional (0,822), a nota cairia 19,6% com o ajuste, com desigualdade de 5,9% na expectativa de vida, 13,7% na educação e 36% na renda.
A menor perda de nota seria registrada na Finlândia, cujo IDH cairia apenas 5,5% com o ajuste de desigualdade (de 0,879 para 0,830). O país mais prejudicado seria Serra Leoa, na costa oeste da África, com queda de 44,3% (de 0,374 para 0,208). De acordo com o Pnud, 42 países não tiveram o IDH recalculado pela desigualdade social por falta de dados internacionais.

8713 – Sociologia – Velhos Problemas


A desigualdade social sistêmica é um processo de repetição de condicionamentos que mantém as disparidades entre ricos e pobres ou a lentidão nos avanços da distribuição de renda, é um processo cumulativo e reprodutivo das desigualdades sociais. Em muitos países, como no Brasil, políticas de distribuição de renda atinge somente um tipo de desigualdade pela falta de uma visão transversal e interministerial.
Segundo ranking organizado em 2013 pelo Conselho das Américas, entre os países latino-americanos, o Brasil é o país mais rico, mas ainda está mal colocado no quesito de inclusão social. A instituição com sede em Nova York analisou dezesseis países da região e considerou aspectos econômicos para a redução da pobreza, considerada como indicador de maior inclusão.

Em relação ao Brasil, foram avaliados diferentes indicadores como os protestos populares realizados nos meses de junho e julho de 2013, contra o sistema político nacional e as condições de vida. O estudo também considerou outras variáveis como inclusão financeira, direitos políticos e civis, acesso a educação e moradia, e avanço nas questão de gênero, raça e orientação sexual.

Os organizadores do ranking conceituam a inclusão social como uma questão de oportunidade que depende da combinação de fatores necessários para que um indivíduo desfrute de uma vida segura e produtiva como membro totalmente integrado à sociedade. Em relação ao PIB investido em programas sociais, o Brasil liderou a lista; também liderou o ranking de leis existentes para proteger lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT).

Por outro lado, o país ficou nas últimas colocações em termos de participação da sociedade civil na vida pública e nos critérios que apontam a satisfação dos cidadãos sobre os destinos políticos do país. A lista de inclusão social, ficou da seguinte maneira:

Uruguai
Chile
EUA
Costa Rica
Brasil
A capacidade de resposta dos governos frente às necessidades e dificuldades do Brasil é outro fator que prejudica o país, e esse baixo nível de capacidade é percebido pelos cidadãos, ou seja, o governo é considerado ineficiente e desrespeitoso.

8103 – Geografia – A Dinamarca


A DINAMARCA

Oficialmente Reino da Dinamarca, é um país escandinavo da Europa setentrional e membro sênior do Reino da Dinamarca. É o mais meridional dos países nórdicos, a sudoeste da Suécia e ao sul da Noruega, delimitado no sul pela Alemanha. As fronteiras da Dinamarca estão no Mar Báltico e no Mar do Norte. O país é composto por uma grande península, a Jutlândia, e muitas ilhas, sobretudo Zelândia (Sjælland), Funen (Fyn), Vendsyssel-Thy, Lolland, Falster e Bornholm, assim como centenas de ilhas menores, muitas vezes referidas como o Arquipélago Dinamarquês. A Dinamarca há muito tempo controla a entrada e a saída do mar Báltico, já que isso só pode acontecer através de três canais, que também são conhecidos como os “Estreitos Dinamarqueses”.
A Dinamarca é uma monarquia constitucional com um sistema parlamentar de governo. Possui um governo central e outros locais em 98 municípios. O país é membro da União Europeia desde 1973, embora não tenha aderido ao euro, e um dos membros fundadores da Organização do Tratado do Atlântico Norte e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
A Dinamarca, com uma economia mista capitalista e um estado de bem-estar social, possui o mais alto nível de igualdade de riqueza do mundo, sendo considerado em 2011, o país com menor índice de desigualdade social do mundo.
O Índice Global da Paz de 2009 classificou a Dinamarca como o segundo país mais pacífico do mundo, depois da Nova Zelândia. A Dinamarca também foi classificada como o país menos corrupto do mundo em 2008, pelo Índice de Percepção de Corrupção, compartilhando o primeiro lugar com a Suécia e a Nova Zelândia.
A língua nacional, o dinamarquês, é próxima do sueco e do norueguês. A Dinamarca compartilha fortes laços históricos e culturais com a Suécia e com a Noruega. 82,0% dos habitantes da Dinamarca e 90,3% da etnia dinamarquesa são membros da Igreja Estatal Luterana. Cerca de 9% da população tem nacionalidade estrangeira, sendo que uma grande parte deles são provenientes de outros países escandinavos.
A origem de Dinamarca está perdida na pré-história. Sua fortaleza mais velha é datada do século VII, ao mesmo tempo que o novo alfabeto rúnico. A Dinamarca foi unida por Harold Bluetooth (Harald Blåtand) por volta de 980. Após o século XI, os dinamarqueses ficaram conhecidos como Vikings, colonizando, invadindo e negociando em toda a Europa.

Copenhagen, a capital
Copenhagen, a capital

A união com a Noruega foi dissolvida em 1814, quando Noruega entrou em uma nova união com a Suécia (até 1905). O movimento liberal e nacional dinamarquês teve seu momento culminante em 1830, e após as revoluções europeias de 1848, a Dinamarca tornou-se uma monarquia constitucional em 1849. Depois da segunda guerra de Schleswig em 1864, a Dinamarca foi forçada a ceder Schleswig-Holstein à Prússia em uma derrota que deixou marcas profundas na identidade nacional dinamarquesa. Após este ponto, a Dinamarca adoptou uma política de neutralidade, permanecendo neutra na Primeira Guerra Mundial. Em 9 de abril de 1940, a Dinamarca foi invadida pela Alemanha Nazista (operação Weserübung) e permaneceu ocupada durante toda a Segunda Guerra Mundial, apesar de alguma resistência interna. Após a guerra, tornou-se membro da OTAN e, em 1973, da Comunidade Económica Europeia (hoje União Europeia).
A Dinamarca encontra-se na zona de clima temperado. O inverno não é muito frio, com temperaturas médias em janeiro e fevereiro de 0 °C, e o verão é fresco, com uma temperatura média em agosto de 15,7 °C.9 A Dinamarca tem uma média de 712mm de precipitação por ano; o outono é a estação do ano mais chuvosa e a primavera é a mais seca. Devido à sua localização geográfica, a duração dos dias varia muito na Dinamarca.

Estrutura Política
Em 1849, o Reino da Dinamarca passou a ser uma monarquia constitucional com a adaptação de uma nova constituição. O monarca é formalmente o chefe de estado, mas esse papel é em grande medida cerimonial. O poder executivo é exercido pelos ministros, sendo o primeiro-ministro um primeiro entre iguais (primus inter pares). O poder legislativo está investido no parlamento, conhecido como Folketing, que consiste de (não mais de) 179 membros. Os tribunais da Dinamarca são funcional e administrativamente independentes dos poderes executivo e legislativo.

parque eólico de copenhague

A Dinamarca é, em termos relativos, o mais proeminente na fabricação e utilização de turbinas eólicas, com o compromisso assumido em 1970, para conseguir ter metade da produção energética do país ao vento. Atualmente gera mais de 20% de sua eletricidade através de turbinas eólicas, uma porcentagem maior do que qualquer outro país e é o quinto na produção total de energia eólica, apesar de ser o país número 56 em termos de consumo de energia.
O esporte mais popular na Dinamarca é o hóquei no gelo, além do futebol.
Em 1992, a Seleção Dinamarquesa de futebol venceu o Campeonato Europeu. Em Copas do Mundo, a melhor colocação da Dinamarca foram as quartas-de-final de 1998.

7363 – Sociologia – Miséria e Violência nas Grandes Cidades


Um cientista político da USP defendeu a legalização do Jogo do Bicho, regulamentação e legalização do uso das drogas e cobrança de altos impostos para tais atividades. Sua tese é a de que a população das favelas é criminalizada pela Imprensa e que há convívio de setores da população do morro com traficantes por medo e auxílio que estes lhes dão, na ausência do poder público. Haveria também boas relações entre os traficantes e setores da classe média alta, que são seus mercados de consumo. Em São Paulo ainda chega por ano um grande número de imigrantes, coisa que já não acontece no RJ há décadas. Em ambas as cidades, a classe média alta vem se enclausurando em condomínios e shoppings.
Em pleno século XXI, grande parcela da população mundial padece com velhos inimigos, a desigualdade social e a pobreza. Estes problemas são os responsáveis por levar um grande contingente de pessoas na maioria jovens ao roubo, as drogas e ao crime organizado, estas ações, em muitos casos são alternativas para que estas pessoas tenham condições de sobreviver e serem aceitas no meio em que vivem. Este contingente marginalizado pela sociedade por não desfrutar de um bom nível de instrução e possuir um potencial econômico incapaz de subsidiar suas necessidades básicas estão à deriva e expostos a ação das facções que corrompem os cidadãos. Cabe aos governantes, instituir em seus programas de governo, uma política séria, honesta e transparente de inclusão social aos desfavorecidos, com a finalidade de combater o analfabetismo, a informalidade, a fome e o desemprego. Estas medidas devem ser uma forma de auxiliar na formação destas pessoas, prepará-las para ter as mesmas chances na busca por um emprego ou por um curso de profissionalização que é acessível a um cidadão que possui uma boa condição financeira. As grandes nações que possuem um alto potencial econômico-financeiro devem olhar com bons olhos essas causas, e dar as suas contribuições às nações mais necessitadas, quer seja de forma financeira, na abertura de seus mercados para os países subdesenvolvidos, ou de diálogo, minimizando conflitos que existem por questões raciais.

7276 – O país das desigualdades – Quantos brasileiros são considerados pobres?


Mais de 50 milhões, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O órgão do Ministério do Planejamento lançou este ano o Radar Social 2005, uma pesquisa para saber o nível de renda do brasileiro, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostra que 53,9 milhões de brasileiros vivem na pobreza. Isso corresponde a 31,7% da população do país. E dentro desse número existe um dado ainda mais preocupante: do total, 21,9 milhões de pessoas são indigentes. “O indigente é aquele que não tem dinheiro nem para comprar alimentos”, diz o sociólogo André Campos, pesquisador do IPEA. O instituto considerou pobres as famílias que vivem com até meio salário mínimo per capita – ou seja, 150 reais por mês para cada pessoa da casa – e indigentes aquelas famílias com renda mensal per capita de até 75 reais. O Radar Social também fez um ranking dos estados mais pobres. Alagoas tem a maior taxa de pobreza, 62,3%, e Santa Catarina, a menor, 12,1%. Outro dado do estudo ajuda a mostrar como as riquezas são mal distribuídas no país: 50% da população mais pobre fica com apenas 13% de toda a renda que o Brasil gera. É por isso que somos considerados pela ONU como o segundo país do mundo com maior desigualdade social, atrás somente de Serra Leoa. Um vexame!