7845 – Mineração – Como são extraídas as esmeraldas?


É preciso cavar buracos verticais com até 500 metros de profundidade no solo rochoso. Os garimpeiros passam dias a fio dentro dessas minas, dotadas de uma estrutura rústica, mas eficiente. Há sistemas de iluminação, de ventilação e de comunicação que ligam a entrada ao fundo do poço. As minas funcionam 24 horas diárias.
Os trabalhadores manipulam dinamite, respiram fuligem o tempo todo, urinam e defecam em sacos plásticos e estão sujeitos a desabamentos. O risco de morrer é real, mas pode compensar: uma gema de boa qualidade com 1 quilate (2 gramas) é vendida por até 5 mil dólares.
No Brasil, uma das principais áreas de extração de esmeraldas fica na serra da Carnaíba, Bahia, onde o mineral foi descoberto em 1 963. Lá as minas são cavadas dentro de barracões cobertos, sendo invisíveis para quem anda nas ruas do garimpo. Sob a terra, o cenário lembra um formigueiro (veja infográfico). Para iniciar a perfuração de uma mina, é preciso instalar bananas de dinamite em fendas feitas com uma britadeira. À medida que se encontram veios de pedra preciosa e a rocha fica mais solta, os garimpeiros se valem de ferramentas mais “delicadas”, como marretas e picaretas. Isolados do resto do mundo, os caçadores de esmeraldas desenvolveram um vocabulário peculiar.
As primeiras esmeraldas foram descobertas há cerca de 5 mil anos, no Egito. A pedra verde é considerada a quinta gema mais valiosa do mundo – perde apenas para o diamante, o rubi, a alexandrita e a safira. A cor de uma esmeralda varia do um verde pálido ao verde intenso, com tonalidades azuladas ou amareladas. A qualidade da gema depende, fundamentalmente, dessa cor. As mais valiosas e raras são aquelas que têm verde intenso, puro ou com ligeira tonalidade amarelada. O grau de transparência e a presença de rachaduras também influem na avaliação de uma gema.
Às vezes é necessário escorar as paredes com “caixas”, ou estruturas de madeira, para prevenir desabamentos. Os garimpeiros usam a marreta para avaliar a segurança do teto: dependendo do som da pancada, a pedra está solta ou segura.
Conheça um pouco das estranhas gírias do garimpo
Brasil – a superfície
Japão – o fundo da mina
Malado – quem ganhou muito dinheiro
Massegueiro – ladrão de esmeraldas
Boi – rocha pendurada no teto ou nas paredes da galeria
Canga – boi de xisto com pedras preciosas incrustadas
Indianada – pedras de qualidade inferior, que são vendidas para o mercado indiano
Martelete – tipo de britadeira
Quarta-feira – marreta muito grande e pesada. Tem esse nome porque poucos conseguem operá-la por mais de dois dias seguidos. Ou seja: o garimpeiro aguenta o trabalho na segunda e na terça, mas na quarta já não dá conta do serviço
Vazar – encontrar esmeraldas

No entulho retirado das escavações, sempre há esmeraldas pequenas e de pouco valor. Isso atrai os “quijilas”, nome dado a quem aproveita os restos do garimpo. Geralmente são crianças, mulheres ou idosos.
Quem controla o que sobe e desce – de pedras a pessoas – é o operador de guincho. A máquina, movida a diesel, tem dois comandos: acelerador e freio. O guincheiro se comunica com o interior da mina por um “telefone”, que, na verdade, não passa de um tubo de PVC.

5382 – Uma cratera que cresce sem parar


A maior mina a céu aberto do mundo é a de Chuquicamata, no Chile. É uma imensa cratera, de onde se extrai o minério de cobre. Tem 4 quilômetros de comprimento por 2 de largura, e uma profundidade de até 780 metros. Localizada no norte do Deserto de Atacama, é popularmente conhecida como “Chuqui”. As escavações da mina começaram em 1915 e jamais foram interrompidas. Sua produção chega a 1 000 toneladas de cobre diárias e ela funciona dia e noite sem parar. Atualmente, é responsável por metade da produção de cobre do Chile e pela sobrevivência dos 30 000 habitantes do povoado vizinho, também chamado Chuquicamata. Nos próximos anos, os habitantes terão que se mudar para uma cidade que está sendo construída numa região mais distante. Suas casas serão cobertas pela terra descartada na extração do cobre. Isso porque é mais barato construir uma nova cidade do que arcar com os custos de transporte dos rejeitos para lugares cada vez mais distantes.