13.468 – Ai da AIDS – Novo anticorpo ataca 99% das cepas de HIV


Aids Health Disease Day Virus Hiv Care Sickness
Cientistas criaram um anticorpo que ataca 99% das cepas do HIV e pode, ainda, prevenir a infecção em primatas. Ele é formulado para atacar três das partes críticas do vírus – tornando mais difícil para o HIV resistir aos seus efeitos.
O trabalho é uma colaboração coletiva entre os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA e a empresa farmacêutica Sanofi.
A International Aids Society disse que se trata de um “avanço estimulante”. Os testes em seres humanos começarão em 2018 para verificar se é possível, também, prevenir ou tratar nossas infecções.
Nossos corpos lutam para combater o HIV devido à habilidade de mutação do vírus, que também modifica sua aparência. Essas variedades de HIV – ou cepas – em um determinado paciente são comparáveis ​​às da gripe num momento de epidemia mundial. Assim, o sistema imunológico se encontra em uma luta contra um número insuperável de mutações.

Super-anticorpos
Após anos de infecção, um pequeno número de pacientes desenvolve armas poderosas chamadas “anticorpos de neutralização ampla”, que atacam partes fundamentais ao HIV e podem matar grandes extensões de suas cepas.
Os pesquisadores têm tentado usar anticorpos amplamente neutralizantes como forma de tratar o vírus, ou, ainda, prevenir a infecção.
O estudo, publicado na revista Science, combina três desses anticorpos em um “anticorpo tri-específico” ainda mais poderoso. Gary Nabel, diretor científico da Sanofi e um dos autores do relatório, disse ao site da BBC: “Eles são mais potentes e têm uma amplitude maior do que qualquer anticorpo natural jamais descoberto”.
Os melhores anticorpos de ocorrência natural atingirão a maioria das cepas de HIV. “Estamos alcançando cobertura de 99%, mesmo em concentrações muito baixas na injeção”, disse o Dr. Nabel.
Experimentos realizados em 24 macacos mostraram que nenhum dos que receberam o anticorpo tri-específico desenvolveram infecção quando, mais tarde, foram tratados com a dose do vírus. “Verificamos um grau de proteção impressionante”, afirmou.

O trabalho incluiu cientistas da Harvard Medical School, do The Scripps Research Institute e do Massachusetts Institute of Technology.

“Avanço encorajador”

Ensaios clínicos para testar o anticorpo em seres humanos terão início no próximo ano.
A professora Linda-Gail Bekker, presidente da International Aids Society, informou à BBC: “Este artigo traz um avanço encorajador. Esses anticorpos super projetados parecem ir além da proteção natural e podem ter mais aplicações do que imaginamos até o momento. Ainda é cedo, e espero que os primeiros ensaios tenham início já em 2018. Como médica que atua na África, sinto a urgência de confirmar essas descobertas nas pessoas o mais rápido possível”.
O Dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, disse que esta se trata de uma abordagem intrigante.
Ele acrescentou: “As combinações de anticorpos que que se ligam de forma diferente ao HIV podem superar as defesas do vírus no esforço para conseguir um tratamento e prevenção efetivos baseados em anticorpos”. [BBC]

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13.254 – Anvisa registra primeiro teste de farmácia para detecção do HIV


TESTE HIV
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou esta semana o primeiro autoteste para triagem do HIV no Brasil. O produto é destinado ao público em geral e poderá ser vendido em farmácias e drogarias. O nome do produto no Brasil será Action, da empresa Orangelife Comércio e Indústria.
De acordo com a documentação do processo de registro do produto, o teste funciona com a coleta de gotas de sangue, semelhante aos já existentes para medição de glicose por diabéticos.
O resultado aparece na forma de linhas que indicam se há ou não presença do anticorpo do vírus HIV. A presença do anticorpo mostra que a pessoa foi exposta ao vírus que provoca a Aids. O resultado leva de 15 a 20 minutos para ficar pronto. O teste funciona para os dois subtipos do vírus que provocam a Aids.
O autoteste aprovado pela Anvisa demonstrou sensibilidade e efetividade de 99,9%. Porém, o produto só é capaz de indicar a presença do HIV 30 dias depois da exposição.
O período de um mês é o tempo que o organismo precisa para produzir anticorpos em níveis que o autoteste consegue detectar. Se uma nova situação acontecer após esse período, um novo teste precisa ser feito, respeitando o prazo necessário para detecção e as confirmações necessárias.
Se o resultado for negativo, a recomendação é que o teste seja repetido 30 dias depois do primeiro teste e outra vez depois de mais 30 até completar 120 dias após a primeira exposição.
Se o resultado for positivo, o paciente deve procurar um serviço de saúde para confirmação do resultado com testes laboratoriais e encaminhamento para o tratamento gratuito adequado, se for necessário.
A possibilidade do registro de autoteste para o HIV surgiu em 2015, quando a Anvisa regulou o tema. De acordo com a regra, esse tipo de teste deve trazer nas suas instruções de uso a indicação de um canal de comunicação para atendimento dos usuários que funcione 24 horas por dia e o número do Disque Saúde 136.
O preço do produto será definido pelo mercado, já que no Brasil não existe regulação de preços para produtos de saúde e a Anvisa, por lei, não pode fixar esse valor. O teste de farmácia para Aids não poderá ser utilizado na seleção de doadores de sangue, já que, para isso, existem outros procedimentos. O teste Action traz o dispositivo de teste, um líquido reagente, uma lanceta (específica para furar o dedo), um sachê de álcool e um capilar (um tubinho para coletar o sangue). O resultado leva de 15 a 20 minutos para aparecer.

13.033 – Bill Gates vai investir US$ 140 milhões em implante que pode prevenir o HIV


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A fundação de Bill Gates vai investir US$ 140 milhões em um implante que pode prevenir o HIV. O projeto, desenvolvido em parceria com uma empresa chamada Intarcia Therapeutics, é de um implante que entrega, em intervalos de seis e 12 meses, medicamentos anti-HIV, que funcionam como uma espécie de tratamento pré-exposição em locais de risco.
Um medicamento semelhante está sendo testado para pacientes com diabetes tipo 2.
Segundo a fundação, em locais como a África subsaariana, onde o vírus continua a se espalhar, o dispositivo pode ajudar a conter a epidemia, evitando que as pessoas contraiam a doença. O custo, no entanto, ainda é uma das preocupações, já que é possível que um implante do tipo não seja algo barato.
A chamada “bomba anti-HIV”, por enquanto, está em fase de testes.

12.972 – Música – Sylvester uma lenda da Disco, vítima da AIDS


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Sylvester James (Los Angeles, 6 de setembro de 1947 – São Francisco, 16 de Dezembro de 1988) foi um cantor estadunidense. Ele é o responsável pelo grande sucesso “You Make Me Feel (Mighty Real)” gravado em 1978, faixa do álbum “Step II” (pela Fantasy Records), e que foi número 1 da Billboard club hits. Outro sucesso seu, “Dance (Disco Heat)”. Embora o barítono fosse a tessitura natural de sua voz, ficou famoso por dominar excepcionalmente a técnica do falsete, com a qual gravou seus maiores sucessos.

Gay assumido, fazia performances como drag queen, por vezes sendo chamado de “Rainha da discoteca”. No início de 1987, revelou que era portador do HIV. Tendo sido criado em uma Igreja evangélica quando criança, respondeu, quando questionado se pensava que a doença era algum castigo de Deus por sua vida homossexual, afirmou :

“ Eu não acredito que a AIDS seja ira de Deus. As pessoas tem a tendência de culpar Deus por tudo. ”
Ficou aos cuidados da amiga de longa data Jeanie Tracy até o fim da vida. Faleceu em 16 de dezembro de 1988, aos 41 anos, em decorrência da AIDS

12.351 – Mais um grande passo para a cura da AIDS


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Cientistas da Universidade Temple, nos EUA, conseguiram remover o genoma do HIV das células imunológicas de um paciente com o vírus da AIDS.
Para atingir esse grande feito, eles usaram a revolucionária técnica de edição genética chamada CRIPSR/Cas9. Com ela, nunca antes os cientistas puderam, com tanta facilidade, editar ou remover partes específicas do DNA. Isso permitiu direcionar mutações particulares, dando esperança de cura para certas doenças hereditárias e, agora, atacar por uma outra frente o vírus HIV.
Os cientistas usaram a impressionante precisão da técnica CRIPSR/Cas9 para localizar e remover as partes derivadas do DNA de células T infectadas (que são os glóbulos brancos). Eles removeram todo o genoma do HIV sem quaisquer outros efeitos secundários sobre as células hospedeiras, que continuaram a crescer e se dividiram normalmente. Não só isso, mas as células T, agora sem o HIV, ficaram, inclusive, imunes a uma nova infecção.
“Os resultados são importantes em vários níveis”, disse o geneticista Kamel Khalili, líder da equipe de pesquisadores responsável pelo experimento.
“Eles (resultados) demonstram a eficácia do nosso sistema de edição de genes na eliminação do HIV a partir do DNA das células T e, através da introdução de mutações no genoma viral, inativação de forma permanente a sua replicação. Além disso, eles mostram que o sistema pode proteger as células de reinfecção e de que a tecnologia é segura para as células, sem efeitos tóxicos. ”
Os pesquisadores realizaram as experiências utilizando células T obtidas de pacientes infectados pelo HIV e, em seguida, cultivadas em laboratório, o que permite esperar que a técnica possa ser melhorada mediante determinando nível que os médicos não terão somente que cuidar da infecção de células, mas poderão oferecer tratamentos para, finalmente, curar as pessoas.

12.344 – O Ancestral do vírus da AIDS


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Nada de uma nova cura da Aids. O que agitou a comunidade científica foi a confirmação da origem do HIV, o vírus causador da Aids. A virologista Beatrice Hahn, da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, encontrou um parente próximo do vilão, chamado SIV, em chimpanzés da África equatorial. É fácil entender a importância do achado: é que os bichos andam com o SIV mas não ficam doentes. Por quê? A possibilidade mais animadora é que o organismo daqueles animais desenvolveu um meio de controlar o invasor. “Se descobrirmos como eles controlam a infecção, poderemos entender por que isso não acontece no homem”. Pode até levar a uma vacina. A equipe de Hahn está vibrando com essa hipótese. Convém esperar outra confirmação: é possível que o parasita só more no corpo do animais, sem causar nenhum mal aos hospedeiros. Nesse caso, não há nenhum mecanismo de defesa. A torcida é pela primeira alternativa. Só assim será possível aprender alguma forma de defender o homem do HIV.

11.174 – Descoberta a Origem da AIDS


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O cientista norte-americano David Quammen afirma ter descoberto o momento exato em que o vírus do HIV começou a se espalhar por todo o planeta. Ele desenvolve sua teoria no livro “The Chimp and the River”, no qual remonta ao ano de 1908 para fixar o instante em que um animal contaminou um ser humano com o HIV pela primeira vez. De acordo com Quammen, foi um chimpanzé que infectou um caçador em uma selva tropical localizada ao sudeste de Camarões. E foi esse caçador que, sem saber, depois de ter matado o animal, teria iniciado a propagação do vírus em escala mundial, ao transmiti-lo para várias pessoas através de relações sexuais.
Segundo essa cronologia, baseada em estudos genéticos detalhados, a linhagem primitiva do HIV chegou, inicialmente, na cidade de Leopolville (hoje Kinshasa), no Congo. Depois, teria se expandido para outros lugares com a utilização médica de seringas hipodérmicas reutilizáveis. Foram essas seringas que causaram a massificação do vírus, o qual se propagou com a transmissão sexual. O HIV saiu da África e chegou ao Haiti em 1969, para, em seguida, entrar nos EUA, conforme afirma polemicamente Quammen, por culpa de um mordomo homossexual chamado Gaëtan Dugas, que teria infectado, aproximadamente, 40 pessoas.
Entenda como um vírus pode se proliferar e dizimas populações rapidamente. Assim como a AIDS, o Ebola também vem causando medo no mundo nos últimos meses e o mistério de como este mal ressurgiu ainda persiste.

11.116 – Mais um Golpe no HIV – Molécula artificial tem resultados promissores contra a aids


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Um novo medicamento contra a aids se mostrou eficaz em testes com macacos. Trata-se de uma molécula artificial programada para se ligar ao vírus, impedindo que ele infecte as células do organismo. A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira na revista científica Nature.
Tal substância artificial fez com que quatro macacos não contraíssem o HIV, mesmo sendo expostos ao vírus. O imunologista Michael Farzan, do Scripps Research Institute, um centro de pesquisa americano sem fins lucrativos, e mais 33 pesquisadores desenvolveram a molécula a partir do conhecimento já existente de como o HIV infecta as células.
O vírus se liga simultaneamente a dois receptores na superfície dos leucócitos (também conhecidos como glóbulos brancos), o CD4 e o CCR5. A molécula criada pelos cientistas, denominada eCD4-Ig, contém partes desses dois receptores em um anticorpo. Assim, o HIV se liga a essas moléculas artificiais, em vez de atacar as células do organismo, e é neutralizado.
No teste, a equipe infectou quatro macacos com um vírus inofensivo que continha um gene produtor da molécula eCD4-Ig. Com isso, as células dos animais foram forçadas a produzir a nova substância. Testados por 34 semanas com doses cada vez mais elevadas do vírus da aids, nenhum dos macacos foi infectado.
Farzan afirma que, como medida de segurança, muitos macacos precisam ser submetidos à técnica antes que ela seja reproduzida em humanos.

10.393 – AIDs – Mega contra o HIV


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O HIV possui altas taxas de mutação. As variações em uma única pessoa infectada são equivalentes a todas as mutações do vírus da gripe no mundo em um ano. Ao catalogar informações sobre quais medicamentos são mais eficientes contra determinados tipos de mutação, o British Columbia Centre for Excellence in HIV/Aids, no Canadá, pretende oferecer tratamento sob medida para cada paciente. O banco de dados está sendo desenvolvido em parceria com a produtora de software SAP e um programa piloto deve começar neste ano.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia criaram um algoritmo para detectar palavras associadas a comportamento sexual de risco e uso de drogas. Esse programa analisou mais de 550 milhões de mensagens publicadas no Twitter, mapeou sua localização e comparou-a com um mapa de novos casos de HIV reportados nos Estados Unidos. A semelhança entre os dados sugere que as redes sociais podem ser usadas para prever comportamentos de risco, monitorar regiões e evitar surtos de contágio.
Estima-se que um em cada 300 infectados carregue o HIV em níveis baixos, em estado dormente, e nunca desenvolva a Aids. Essas pessoas possuem uma espécie de habilidade para neutralizar o vírus e atacar seus pontos fracos. Um algoritmo desenvolvido pela startup Immunity Project* vasculha o genoma do HIV e os dados sobre o sistema imunológico humano para saber como essas pessoas podem manter o vírus dormente. O objetivo é desenvolver uma vacina gratuita. A startup está sendo acelerada pela YCombinator, no Vale do Silício.
VACINA BRASILEIRA
A pesquisa desenvolvida pelo médico Edecio Cunha, professor da Universidade de São Paulo, utiliza uma estratégia diferente. Com a ajuda de grandes bancos de dados online e de um software criado na Itália, o time brasileiro identifica regiões do HIV onde as taxas de mutação são menores e podem ser mais facilmente reconhecidas pelas células de defesa do corpo. A vacina treinaria o sistema imunológico para atacar essas áreas, deixando o corpo pronto para uma resposta no caso de infecção.

10.392 – Novas infecções por HIV crescem 11% no Brasil e caem 27,6% no mundo


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Um relatório anual divulgado nesta quarta-feira (16) pela Unaids, a agência da ONU dedicada à luta contra a Aids, aponta que o Brasil enfrenta um recrudescimento da epidemia da doença.
Segundo o texto, o país registrou aumento de 11% do número de infecções por HIV de 2005 a 20013, enquanto no mundo houve uma queda de 27,6% nesse mesmo período.
Na América Latina, a tendência também é de diminuição, ainda que lenta –em cinco anos, o número de novos casos caiu 3% na região.
Os dados do relatório, de acordo com Jarbas Barbosa, secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, são estimativas coerentes com os registros nacionais.
Segundo ele, a epidemia no país está concentrada em populações vulneráveis, como gays, prostitutas e usuários de drogas. “Países de epidemia concentrada têm um desafio maior, porque o número [de infectados] não é grande, mas essas populações têm barreiras de acesso aos serviços de saúde”, diz.
Hoje, 0,4% da população brasileira tem HIV.
A situação brasileira, afirma ele, é semelhante à de países da Europa e dos EUA e diferente da de locais com epidemia generalizada, como em alguns países da África, onde a maior diminuição foi registrada.
Ele afirma que políticas de saúde, como oferta de tratamento, surtem um efeito mais rápido nesses países que têm maior disseminação do vírus.
Dado isso, Barbosa afirma que uma possibilidade em análise para explicar o aumento apontado pelo relatório da Unaids é o maior número de casos de HIV entre homens jovens gays. “Como a gente sabe que na população gay [a transmissão] é maior, muito provavelmente quem sustenta esse crescimento é esse grupo.”
A Unaids também aponta para o aumento da circulação do vírus entre jovens gays e cita falhas em políticas de prevenção em grupos de maior risco no país.
“Agora, é preciso que campanhas específicas voltem, principalmente para homens que fazem sexo com homens”.
O relatório também registrou alta de 7% no número de mortes pela Aids no Brasil. Também houve aumento no México (9%) e na Guatemala (95%). Em toda a América Latina, porém, o número de mortes caiu 31%.
O ministério, no entanto, aponta para uma diminuição. No último boletim, com dados coletados até junho de 2013, o governo indica redução de 14% na taxa de mortalidade nos últimos dez anos.
A discrepância entre os dados se explica porque a Unaids considera números absolutos, enquanto o ministério realiza os cálculos levando em conta o tamanho e o crescimento da população.
De qualquer modo, para a Unaids e o Ministério da Saúde, a situação é preocupante. “Não estamos confortáveis de maneira nenhuma. Por isso temos nos preocupado, principalmente de 2013 para cá, em responder melhor a essa situação”.
A expectativa é de que os próximos dados reflitam as novas iniciativas. Em junho, o governo passou a oferecer a dose tripla combinada, que pode aumentar a adesão ao tratamento. Os pacientes também passaram a receber o medicamento no momento da infecção por HIV, independentemente da carga viral.

9859 – Rivalidade na Ciência


Além da briga feia de Isaac Newton com o matemático alemão Gottfried Leibniz pela autoria da invenção do cálculo diferencial e integral, a fornalha de vaidades inclui a queda-de-braço entre o francês Luc Montagnier e o americano Robert Gallo pela descoberta do vírus da Aids e a acirrada disputa entre os paleontólogos Donald Johanson e Richard Leakey sobre as espécies que deram origem ao Homo sapiens. Essa última, embora nunca tenha perdido a elegância, já se espalhou por discípulos e seguidores dos mestres.
Nenhum cientista pode ter a pretensão de defender a verdade absoluta. Mas na crônica da ciência não faltam gênios convencidos de que a resposta mais correta está em seu próprio umbigo.
Um dos maiores gênios científicos de todos os tempos, o cientista inglês Isaac Newton (1642-1727), descobridor das três leis do movimento (as chamadas leis de Newton) e da lei da gravidade, entre outras, construiu também a mais poderosa ferramenta matemática já pensada, o cálculo diferencial e integral. Mas não foi o único a realizar a proeza. O cientista e filósofo Gottfried Leibniz (1646-1716) também fez a mesma descoberta por si só, na Alemanha.
Newton fez o cálculo em 1665, dez anos antes do alemão, mas divulgou sua descoberta apenas entre cientistas. Leibniz a desconhecia quando divulgou o seu trabalho, em 1684. Vinte anos antes, portanto.
Na época, a autoria da importante descoberta dividiu os cientistas. Houve ferrenhos defensores de ambos os lados; os ingleses tomaram o partido de Newton e a maioria dos matemáticos dos demais países europeus, o de Leibniz. Só que o gênio inglês passava por cima de qualquer um que ousasse competir com ele, sem cerimônia. Escorado no poder de presidente da mais respeitada instituição científica da época, a Royal Society of London, articulou uma pesada campanha contra o alemão.
Newton decidiu que sua instituição deveria formar uma comissão para investigar a descoberta do cálculo. Mas, quando o relatório foi terminado, simplesmente se apoderou dele e reescreveu-o, em seu benefício, sem que ninguém ousasse criticá-lo. Os colegas tinham tanto medo dele que, desde sua eleição como presidente da Royal Society, em 1703, até sua morte, em 1727, Newton foi sempre reeleito sem enfrentar competidor. Seu poder também era político: foi diretor da Casa da Moeda da Grã-Bretanha (cargo que também ocupou até a morte) e o primeiro cientista a ser ordenado cavaleiro do reino.

Leibniz cometeu o erro tático de xingar de desonesto seu adversário todo-poderoso, em uma carta de 1711 dirigida ao secretário da Royal Society, na qual requeria a paternidade da invenção do cálculo. Newton enfureceu-se a ponto de rechear todos os textos que escreveu sobre o assunto, até a morte de Leibniz, com insultos ao opositor. Também incitou colegas a escrever e publicar textos injuriosos contra ele. E publicou artigos ofensivos ao alemão sob pseudônimo.
Mas não parou aí. Em 1714, o príncipe inglês George I, originário da casa de Brusnwick, na Alemanha, virou rei da Grã-Bretanha. Leibniz era conselheiro e historiador da corte dos Brunswick, em Hannover. Por meio de George I, Newton conseguiu demitir o rival. Na miséria e no ostracismo, o alemão morreu dois anos depois. Só seu ex-secretário compareceu ao enterro.
Em contraste, onze anos depois Newton foi enterrado com honras de chefe de estado na Abadia de Westminster. Pode-se dizer que ganhou a disputa. Mas, aos poucos, a notação criada por Leibniz para o cálculo diferencial e integral provou-se mais ágil.
Acabou vingando e hoje é usada para mandar foguetes ao espaço e criar carros cada vez mas seguros.

Trapaça na descoberta do vírus da Aids?
Em 1983, o cientista francês Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, mandou para os Estados Unidos amostras de um novo vírus para o colega americano Robert Gallo, do Instituto Nacional de Saúde americano. No ano seguinte, Gallo anunciou ter descoberto o vírus da Aids. Só não contou a ninguém que a amostra do HIV havia sido cedida por Montagnier.
Durante seis anos o americano sustentou, apesar dos protestos do francês, que sua equipe descobrira o HIV. Mas, depois de muito escândalo e da intromissão dos governos dos Estados Unidos e da França, fez uma retratação pública na revista Nature, em 1991. Disse, aí, ter concluído que o vírus isolado por ele, em 1984, era o mesmo isolado por Montagnier em Paris no ano anterior. E admitiu que suas amostras de sangue tinham sido contaminadas “acidentalmente” pelo vírus de Montagnier.
“Gallo usou o vírus francês”.Disse que sua amostra foi contaminada acidentalmente, mas nunca saberemos a verdade. Mas o detalhe importante é que Gallo recebeu vírus de vários laboratórios. Ele tinha o único capaz de provar que aquele era a causa da doença – e o fez. Montagnier tinha dúvida de que o vírus enviado por ele era capaz de causar a Aids sozinho. Na Nature o americano afirmou: “Não há dúvidas de que foi Montagnier quem primeiro descreveu o HIV. Mas nós fomos os primeiros a provar que se tratava do vírus da Aids”.
Montagnier, entretanto, rechaça a versão. Ele sempre disse que também provou que o HIV era o vírus da Aids. Em 1990, declarou à revista Veja: “Nossa equipe isolou um tipo novo e bem diferente de vírus daquele que Robert Gallo descrevera em trabalhos anteriores. Depois, estabelecemos que ele era a verdadeira causa da Aids por meio de testes em pacientes doentes, e desenvolvemos, pela primeira vez, o Teste Elisa” – usado até hoje para detectar a doença. Quando saiu a retratação na Nature, Montagnier foi duro: “Por que a mentira de Gallo foi sustentada durante tanto tempo?”

Em 1987, os governos americano e francês colocaram panos quentes na disputa dividindo formalmente a paternidade da descoberta e os royalties dos testes anti-Aids. Mas, em 1992, o Departamento de Integridade Científica do Serviço de Saúde Pública, órgão responsável pela apuração da má conduta ética dos cientistas nos Estados Unidos, abriu um processo contra o pesquisador tcheco Mikulas Popovic, um dos colaboradores de Gallo. Popovic foi o autor principal de um artigo publicado na revista Science, co-assinado por Gallo, anunciando a descoberta do HIV. Usou os dados de Montaigner mas não deu crédito. Após três anos de investigação, foi inocentado. Segundo o Departamento, não havia provas que comprovassem a intenção deliberada de utilizar informações fornecidas pelo francês sem citá-lo. Com isso, o processo contra Popovic foi arquivado e decidiu-se não julgar o caso de Gallo também por falta de provas. Ou seja, legalmente o americano foi absolvido.
Foi uma solução diplomática. Uma acomodação. A ética ganhou mais uma cicatriz. A postura de Gallo não foi idônea. Nesse caso, Montagnier acabou com as honras. O americano foi inocentado de fraude, mas sua frase à revista Time quando soube do arquivamento do caso foi sugestiva: “Sinto-me perdoado”.

Como o HIV foi isolado
Luc Montagnier descobriu o vírus da Aids em 1983.
O material pesquisado foi um glânglio de um paciente infectado com uma doença que atingia os homossexuais.

1. Montagnier separou do tecido contaminado vários linfócitos, as células de defesa.

2. Misturou linfócitos com proteína para se multiplicarem. Sabia que dentro deles havia um retrovírus, um vírus que se reproduz com material da célula que invade. Conheciam-se apenas dois retrovírus: um infectava camundongos e o outro, o HTLV, provocava um tipo raro de Leucemia. Ele desconfiava da existência de um terceiro.

3. A amostra foi misturada com manganês, fundamental para a replicação do vírus do camundongo. Nada aconteceu. Depois usou-se magnésio, indispensável para o HTLV. Resultado: ele proliferou.

4. O cientista, então, adicionou anticorpos ao HTLV. Se duelassem, tratava-se do mesmo vírus. Isso não aconteceu, confirmando que era um organismo novo: o HIV.

O Davi americano contra o Golias inglês
Muitos vêem assim a briga dos paleontólogos Donald Johanson e Richard Leakey. Afinal, Johanson disputa contra uma família inteira. Louis (1903-1972) e Mary (1913-1996) Leakey, pais de Richard, foram dois paleontólogos extraordinários. O casal descobriu duas espécies de ancestrais do homem, o Australopithecus boisei e o Homo habilis, que viveram há 1,8 milhão de anos na atual Tanzânia, na África. Agregaram novas peças ao quebra-cabeça da evolução.
A polêmica de Johanson com os Leakey começou em 1974 com a descoberta do fóssil Lucy, na Etiópia, pelo americano. Após a datação, descobriu-se que ela havia vivido há 3,2 milhões de anos. Johanson afirmou que Lucy pertencia a uma nova espécie, a Australopithecus afarensis. Até aqui tudo bem, mas quando propôs uma nova teoria da evolução, estabelecendo seu achado como o ancestral humano mais antigo e sustentando que o Homo sapiens evoluíra a partir do afarensis, Richard pôs a boca no mundo.
Nessa altura de sua vida, Leakey já era mais famoso do que os pais por suas pesquisas na África. Ele foi o paleontólogo que mais descobriu fósseis humanos, entre eles o crânio completo de um Australopithecus boisei, no Lago Turkana, no Quênia, em 1969. Em artigos, conferências e entrevistas, o cientista passou ao ataque, desqualificando a hipótese do adversário. Em 1979, a discussão chegou à primeira página do jornal The New York Times, com Johanson advogando sua tese e Leakey defendendo a sua. Contudo, apesar da paixão, a polêmica nunca descambou para a baixaria. Jamais extrapolou os limites éticos de uma controvérsia entre cientistas civilizados.
A divergência principal é que, para o inglês, as espécies de homens e chimpanzés se separaram ao mesmo tempo do tronco dos primatas, há 7 milhões de anos. Para Johanson, entretanto, os homens não são tão antigos, já que evoluíram do ramo do afarensis, uma mistura de homem com chimpanzé.

Quando o homem se divorciou do chimpanzé?
Os palentólogos Richard Leakey e Donald Johanson estabeleceram linhagens genealógicas diferentes para a evolução da espécie humana.

Homo sp
Segundo Leakey o ancestral do homem surgiu há 7 milhões de anos. Mas seu fóssil nunca foi achado. Ele é identificado genéricamente como Homo sp.

Australopithecus afarensis
Johanson considera-o o primeiro homem. Período: 3,9 a 3 milhões de anos atrás. Altura: entre 1,07 e 1,52 metro. Crânio entre 375 e 550 centímetros cúbicos.

Rivalidade na Ciência
Além da briga feia de Isaac Newton com o matemático alemão Gottfried Leibniz pela autoria da invenção do cálculo diferencial e integral, a fornalha de vaidades inclui a queda-de-braço entre o francês Luc Montagnier e o americano Robert Gallo pela descoberta do vírus da Aids e a acirrada disputa entre os paleontólogos Donald Johanson e Richard Leakey sobre as espécies que deram origem ao Homo sapiens. Essa última, embora nunca tenha perdido a elegância, já se espalhou por discípulos e seguidores dos mestres.
Nenhum cientista pode ter a pretensão de defender a verdade absoluta. Mas na crônica da ciência não faltam gênios convencidos de que a resposta mais correta está em seu próprio umbigo.
Um dos maiores gênios científicos de todos os tempos, o cientista inglês Isaac Newton (1642-1727), descobridor das três leis do movimento (as chamadas leis de Newton) e da lei da gravidade, entre outras, construiu também a mais poderosa ferramenta matemática já pensada, o cálculo diferencial e integral. Mas não foi o único a realizar a proeza. O cientista e filósofo Gottfried Leibniz (1646-1716) também fez a mesma descoberta por si só, na Alemanha.
Newton fez o cálculo em 1665, dez anos antes do alemão, mas divulgou sua descoberta apenas entre cientistas. Leibniz a desconhecia quando divulgou o seu trabalho, em 1684. Vinte anos antes, portanto.
Na época, a autoria da importante descoberta dividiu os cientistas. Houve ferrenhos defensores de ambos os lados; os ingleses tomaram o partido de Newton e a maioria dos matemáticos dos demais países europeus, o de Leibniz. Só que o gênio inglês passava por cima de qualquer um que ousasse competir com ele, sem cerimônia. Escorado no poder de presidente da mais respeitada instituição científica da época, a Royal Society of London, articulou uma pesada campanha contra o alemão.
Newton decidiu que sua instituição deveria formar uma comissão para investigar a descoberta do cálculo. Mas, quando o relatório foi terminado, simplesmente se apoderou dele e reescreveu-o, em seu benefício, sem que ninguém ousasse criticá-lo. Os colegas tinham tanto medo dele que, desde sua eleição como presidente da Royal Society, em 1703, até sua morte, em 1727, Newton foi sempre reeleito sem enfrentar competidor. Seu poder também era político: foi diretor da Casa da Moeda da Grã-Bretanha (cargo que também ocupou até a morte) e o primeiro cientista a ser ordenado cavaleiro do reino.

Leibniz cometeu o erro tático de xingar de desonesto seu adversário todo-poderoso, em uma carta de 1711 dirigida ao secretário da Royal Society, na qual requeria a paternidade da invenção do cálculo. Newton enfureceu-se a ponto de rechear todos os textos que escreveu sobre o assunto, até a morte de Leibniz, com insultos ao opositor. Também incitou colegas a escrever e publicar textos injuriosos contra ele. E publicou artigos ofensivos ao alemão sob pseudônimo.
Mas não parou aí. Em 1714, o príncipe inglês George I, originário da casa de Brusnwick, na Alemanha, virou rei da Grã-Bretanha. Leibniz era conselheiro e historiador da corte dos Brunswick, em Hannover. Por meio de George I, Newton conseguiu demitir o rival. Na miséria e no ostracismo, o alemão morreu dois anos depois. Só seu ex-secretário compareceu ao enterro.
Em contraste, onze anos depois Newton foi enterrado com honras de chefe de estado na Abadia de Westminster. Pode-se dizer que ganhou a disputa. Mas, aos poucos, a notação criada por Leibniz para o cálculo diferencial e integral provou-se mais ágil.
Acabou vingando e hoje é usada para mandar foguetes ao espaço e criar carros cada vez mas seguros.

Trapaça na descoberta do vírus da Aids?
Em 1983, o cientista francês Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, mandou para os Estados Unidos amostras de um novo vírus para o colega americano Robert Gallo, do Instituto Nacional de Saúde americano. No ano seguinte, Gallo anunciou ter descoberto o vírus da Aids. Só não contou a ninguém que a amostra do HIV havia sido cedida por Montagnier.
Durante seis anos o americano sustentou, apesar dos protestos do francês, que sua equipe descobrira o HIV. Mas, depois de muito escândalo e da intromissão dos governos dos Estados Unidos e da França, fez uma retratação pública na revista Nature, em 1991. Disse, aí, ter concluído que o vírus isolado por ele, em 1984, era o mesmo isolado por Montagnier em Paris no ano anterior. E admitiu que suas amostras de sangue tinham sido contaminadas “acidentalmente” pelo vírus de Montagnier.
“Gallo usou o vírus francês”.Disse que sua amostra foi contaminada acidentalmente, mas nunca saberemos a verdade. Mas o detalhe importante é que Gallo recebeu vírus de vários laboratórios. Ele tinha o único capaz de provar que aquele era a causa da doença – e o fez. Montagnier tinha dúvida de que o vírus enviado por ele era capaz de causar a Aids sozinho. Na Nature o americano afirmou: “Não há dúvidas de que foi Montagnier quem primeiro descreveu o HIV. Mas nós fomos os primeiros a provar que se tratava do vírus da Aids”.
Montagnier, entretanto, rechaça a versão. Ele sempre disse que também provou que o HIV era o vírus da Aids. Em 1990, declarou à revista Veja: “Nossa equipe isolou um tipo novo e bem diferente de vírus daquele que Robert Gallo descrevera em trabalhos anteriores. Depois, estabelecemos que ele era a verdadeira causa da Aids por meio de testes em pacientes doentes, e desenvolvemos, pela primeira vez, o Teste Elisa” – usado até hoje para detectar a doença. Quando saiu a retratação na Nature, Montagnier foi duro: “Por que a mentira de Gallo foi sustentada durante tanto tempo?”

Em 1987, os governos americano e francês colocaram panos quentes na disputa dividindo formalmente a paternidade da descoberta e os royalties dos testes anti-Aids. Mas, em 1992, o Departamento de Integridade Científica do Serviço de Saúde Pública, órgão responsável pela apuração da má conduta ética dos cientistas nos Estados Unidos, abriu um processo contra o pesquisador tcheco Mikulas Popovic, um dos colaboradores de Gallo. Popovic foi o autor principal de um artigo publicado na revista Science, co-assinado por Gallo, anunciando a descoberta do HIV. Usou os dados de Montaigner mas não deu crédito. Após três anos de investigação, foi inocentado. Segundo o Departamento, não havia provas que comprovassem a intenção deliberada de utilizar informações fornecidas pelo francês sem citá-lo. Com isso, o processo contra Popovic foi arquivado e decidiu-se não julgar o caso de Gallo também por falta de provas. Ou seja, legalmente o americano foi absolvido.
Foi uma solução diplomática. Uma acomodação. A ética ganhou mais uma cicatriz. A postura de Gallo não foi idônea. Nesse caso, Montagnier acabou com as honras. O americano foi inocentado de fraude, mas sua frase à revista Time quando soube do arquivamento do caso foi sugestiva: “Sinto-me perdoado”.

Como o HIV foi isolado
Luc Montagnier descobriu o vírus da Aids em 1983.
O material pesquisado foi um glânglio de um paciente infectado com uma doença que atingia os homossexuais.

1. Montagnier separou do tecido contaminado vários linfócitos, as células de defesa.

2. Misturou linfócitos com proteína para se multiplicarem. Sabia que dentro deles havia um retrovírus, um vírus que se reproduz com material da célula que invade. Conheciam-se apenas dois retrovírus: um infectava camundongos e o outro, o HTLV, provocava um tipo raro de Leucemia. Ele desconfiava da existência de um terceiro.

3. A amostra foi misturada com manganês, fundamental para a replicação do vírus do camundongo. Nada aconteceu. Depois usou-se magnésio, indispensável para o HTLV. Resultado: ele proliferou.

4. O cientista, então, adicionou anticorpos ao HTLV. Se duelassem, tratava-se do mesmo vírus. Isso não aconteceu, confirmando que era um organismo novo: o HIV.

O Davi americano contra o Golias inglês
Muitos vêem assim a briga dos paleontólogos Donald Johanson e Richard Leakey. Afinal, Johanson disputa contra uma família inteira. Louis (1903-1972) e Mary (1913-1996) Leakey, pais de Richard, foram dois paleontólogos extraordinários. O casal descobriu duas espécies de ancestrais do homem, o Australopithecus boisei e o Homo habilis, que viveram há 1,8 milhão de anos na atual Tanzânia, na África. Agregaram novas peças ao quebra-cabeça da evolução.
A polêmica de Johanson com os Leakey começou em 1974 com a descoberta do fóssil Lucy, na Etiópia, pelo americano. Após a datação, descobriu-se que ela havia vivido há 3,2 milhões de anos. Johanson afirmou que Lucy pertencia a uma nova espécie, a Australopithecus afarensis. Até aqui tudo bem, mas quando propôs uma nova teoria da evolução, estabelecendo seu achado como o ancestral humano mais antigo e sustentando que o Homo sapiens evoluíra a partir do afarensis, Richard pôs a boca no mundo.
Nessa altura de sua vida, Leakey já era mais famoso do que os pais por suas pesquisas na África. Ele foi o paleontólogo que mais descobriu fósseis humanos, entre eles o crânio completo de um Australopithecus boisei, no Lago Turkana, no Quênia, em 1969. Em artigos, conferências e entrevistas, o cientista passou ao ataque, desqualificando a hipótese do adversário. Em 1979, a discussão chegou à primeira página do jornal The New York Times, com Johanson advogando sua tese e Leakey defendendo a sua. Contudo, apesar da paixão, a polêmica nunca descambou para a baixaria. Jamais extrapolou os limites éticos de uma controvérsia entre cientistas civilizados.
A divergência principal é que, para o inglês, as espécies de homens e chimpanzés se separaram ao mesmo tempo do tronco dos primatas, há 7 milhões de anos. Para Johanson, entretanto, os homens não são tão antigos, já que evoluíram do ramo do afarensis, uma mistura de homem com chimpanzé.

Quando o homem se divorciou do chimpanzé?
Os palentólogos Richard Leakey e Donald Johanson estabeleceram linhagens genealógicas diferentes para a evolução da espécie humana.

Homo sp
Segundo Leakey o ancestral do homem surgiu há 7 milhões de anos. Mas seu fóssil nunca foi achado. Ele é identificado genéricamente como Homo sp.

Australopithecus afarensis
Johanson considera-o o primeiro homem. Período: 3,9 a 3 milhões de anos atrás. Altura: entre 1,07 e 1,52 metro. Crânio entre 375 e 550 centímetros cúbicos.

Australopithecus africanus
Período: 3 a 2 milhões de anos atrás. Altura: centímetros mais alto que o afarensis. Crânio entre 420 e 500 centímetros cúbicos.

Homo habilis
Período: 2,4 a 1,5 milhões de anos atrás. Altura média: 1,27 metro. Crânio entre 500 e 800 centímetros cúbicos. Usava ferramentas.

Homo erectus
Período: 1,8 milhões a 300 000 anos atrás. Altura: mais de 1,52 metro. Crânio de 750 a 1 225 centímetros cúbicos. Usava ferramentas e fogo.

Homo sapiens
Período: 120 000 anos atrás. Altura: até 1,80 metro. Crânio com 1 350 centímetros cúbicos. Fazia ferramentas, pinturas e instrumentos musicais.

9854 – Novo remédio contra a aids chega ao SUS em março


O medicamento que associa tenofovir e lamivudina, combinação de duas drogas usadas para tratamento de pacientes com aids, deverá começar a ser distribuído pelo governo no próximo mês. Este é o tempo estimado para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conceda o registro de produção para Farmanguinhos, laboratório público que, ao lado da empresa Blanver, vai fabricar o remédio no país.
Combinações de medicamentos para aids são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para melhorar a adesão ao tratamento e garantir melhor qualidade de vida para pacientes. Terapias para soropositivos são feitas a partir da indicação de várias drogas, prática que no passado ganhou o apelido de “coquetel”. Pacientes podem ingerir até mais de dez comprimidos diferentes por vez.
A chegada do medicamento combinado no SUS é aguardada há tempos. Atualmente, dos 310 000 soropositivos em tratamento na rede pública de saúde, 73 000 usam em seu esquema terapêutico tenofovir e lamivudina.
Divulgada em 2012, a parceria para desenvolvimento da droga previa a oferta do produto no segundo semestre do ano passado. De acordo com o presidente da Blanver, Sergio Frangioni, a empresa fez o pedido de registro do medicamento na Anvisa em outubro de 2012. A autorização foi concedida em dezembro.
“Já há condições para produção e entrega da droga para o Ministério da Saúde. Mas não recebemos por enquanto nenhuma sinalização”. Para que isso seja feito, é preciso que Farmanguinhos também seja liberada pela Anvisa para a execução do projeto. “Entendemos a expectativa. Mas o desejo empresarial não pode se sobrepor à segurança e à certeza de eficácia do medicamento”, afirma Carlos Gadelha, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.
O laboratório Blanver foi responsável por desenvolver a combinação. No acordo de transferência de tecnologia, a empresa fica encarregada de, progressivamente, repassar a técnica de produção para Farmanguinhos. Em troca, a Blanver tem a garantia que, ao longo de cinco anos, será o único a vender ao governo. A associação dos medicamentos foi anunciada como uma promessa de economia. A estimativa era de que o preço fosse 20% inferior ao que é pago pelo governo na aquisição de tenofovir e lamivudina, separadamente.

9851 – Saúde – Outra rasteira no HIV


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Em poucas semanas um vírus da Aids (HIV) espalha milhares de cópias. O corpo reage mas, sem as drogas, o HIV ganha a batalha. No Brasil não falta munição para combatê-lo.
O governo atende 70 000 doentes – todos os que procuram ajuda, em um universo estimado em 400 000 infectados. A maioria ou não sabe que está contaminada ou não quer fazer o tratamento. Mesmo assim, segundo Chequer, os remédios fizeram o número de mortos cair pela metade desde 1997. A redução foi da ordem de 6 000 para 3 000, por ano.
Isso confirma a eficiência do coquetel, que impede a reprodução do vírus. É verdade que o número de infectados cresce: houve 7 564 novos casos no ano passado. E parte carrega micróbios resistentes às drogas. Mas o HIV está sendo derrotado. “Quem se trata não morre mais de Aids”, arrisca o infectologista Guido Levi, diretor do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.
A tática que derrubou o inimigo
Em 1996, a paciente Rosana, então com 34 anos, chegou ao consultório de Guido Levi com as defesas em frangalhos e um número enorme de vírus circulando no corpo. Estava magra e fraca. Em 1997 ela começou a ser tratada com uma combinação de três remédios. Desde então, Rosana ganhou peso e a quantidade de células CD4, uma das defensoras do organismo, aumentou muito, passando de apenas quinze por mililitro de sangue para 276. Hoje a paciente recebe mensalmente os medicamentos do Ministério da Saúde e mantém a Aids sob controle.
O milk-shake de poções que devolveu o ânimo a Rosana e ajuda milhares de outros cidadãos é composto de cerca de vinte drogas, divididas em dois grupos: os inibidores de transcriptase e de protease. Todas servem para bloquear a reprodução do vírus.
Os remédios têm pequenas diferenças químicas entre si e são mais eficientes se combinados dois a dois ou de três em três. O médico escolhe a fórmula adequada para cada paciente. Mas não toma a decisão sozinho. Ele segue recomendações feitas por um conselho dos principais especialistas em Aids do país.
Enquanto os médicos tentam atrapalhar o contra-ataque do HIV, os laboratórios procuram reduzir um aspecto incômodo dos remédios. Os pacientes se queixam porque têm de engolir de quinze a vinte comprimidos por dia. “Muitos até deixam de tomar a dose completa”, conta o infectologista Davi Uip, da Universidade de São Paulo. Para reduzir o desconforto, versões recentes de algumas drogas estão vindo em concentração mais alta. Com isso, o número de comprimidos cai para somente dois ou três ao dia. O que nenhum esforço conseguiu, até hoje, foi eliminar os efeitos colaterais, que começam com dores de cabeça, náuseas e diarréia. Mais tarde vem o aumento excessivo de peso e dos níveis de colesterol. Mesmo assim, o sucesso do tratamento compensa, com folga, todos os inconvenientes.
Ressarce até as despesas que o governo faz com o coquetel. Cada paciente custa cerca de 1 000 reais por mês e já foram gastos 500 milhões de dólares para garantir o fornecimento deste ano.
O HIV é feito de apenas nove genes e faz parte de um grupo de vírus, chamado retrovírus, muito primitivo. Para construir seus sucessores precisa seqüestrar substâncias das células que invade. E, mesmo sendo tão rudimentar, consegue muitas vezes driblar as drogas ao sofrer mutações durante a sua replicação.
Esse é o principal motivo pelo qual não se pode ficar acomodado com a eficiência do coquetel que vem derrubando a Aids. Em 1998, a infectologista Susan Little, da Universidade da Califórnia, avaliou 69 pacientes em cinco cidades americanas e concluiu que 25% deles já tinham vírus imunes a pelo menos um dos medicamentos. Um estudo semelhante, com 100 pacientes contaminados há três anos, está sendo feito no Brasil pelo Instituto de Medicina Tropical, da Universidade de São Paulo, e pelo laboratório Bristol-Meyers.
O azar do HIV é que as pesquisas não param. Agora mesmo o infectologista Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, nos Estados Unidos, procura um jeito de expulsar o vírus de sua toca. Sua arma é uma substância que o corpo produz para estimular as células a crescer, a interleucina-II.

O número de células de defesa e de vírus determina a combinação das drogas.
O médico pede dois exames ao paciente. O primeiro revela quantas cópias de HIV ele tem no sangue, para saber o tamanho do exército inimigo. O segundo faz uma contagem das células de defesa chamadas CD4, que são as primeiras a ser invadidas e destruídas. Se elas são poucas, significa que o corpo está perdendo a batalha. A partir dessas duas informações, é feita a receita.
As grávidas usam apenas um tipo de droga. Elas representam 3,6% da população de infectados e tomam AZT, que é um inibidor de transcriptase reversa (veja à direita como funciona). O objetivo é proteger o feto, que também tomará AZT infantil após o nascimento.
Para 33,7% dos pacientes, são necessários dois inibidores de transcriptase. Assim, se um não der conta, o outro vem ajudar. Esse grupo é composto dos que carregam muitos vírus, mas contam com um número razoável de células de defesa.
A maior parte, 63,7% dos aidéticos, recebe a terapia tríplice. Além dos inibidores de transcriptase, ela inclui um inibidor de protease que ataca o vírus na sua última fase de reprodução. A dose extra entra em cena quando as defesas ficam muito fracas e há sintomas.

O HIV usa duas estratégias para sobreviver aos ataques.
A primeira é pura sorte…

Entre vários filhotes, surge um especial.

1. O vírus invade a célula, ordenando que ela produza cópias dele. Mas não é habilidoso e comete erros durante a replicação. O resultado é que um HIV nunca é igual a outro. Aparecem alterações na sua capa ou na parte interna. As falhas muito grandes são prejudiciais e matam o micróbio.
2. Outras mudanças não são tão importantes e o vírus continua funcionando do mesmo jeito, sendo destruído pelas drogas.
3. Contudo, algumas modificações no seu recheio acabam por beneficiá-lo. Eles passam a ser resistentes, ou seja, os remédios não fazem mais efeito.

… E a segunda, camuflagem
Escondido dentro da célula, o linfócito sobrevive.

1. Um vírus invade o linfócitos T, uma das células de defesa do organismo. Mas, em vez de replicar, cria uma cópia do seu material genético no núcleo da célula, que pode ficar anos adormecida. Enquanto isso, o vírus também fica inativo.
2. Uma infecção qualquer, como uma gripe, põe o linfócito em atividade novamente. Os genes do HIV também voltam à atividade e dão a ordem para a célula produzir mais e mais HIVs, reiniciando a infecção.

9614 – Medicina – O SARCOMA DE KAPOSI


Sarcoma

É um tipo de câncer que acomete as camadas mais internas dos vasos sanguíneos. Além das lesões na pele, podem surgir outras semelhantes nos gânglios, no fígado, nos pulmões e por toda a extensão da mucosa intestinal (provocando sangramentos digestivos) e dos brônquios. É comum também elas se instalarem na parte interna das bochechas, gengivas, lábios, língua, amídalas, olhos e pálpebras.
A doença é rara em pessoas com o sistema imunológico íntegro, mas é uma complicação comum na AIDS. O herpesvírus 8 humano parece estar implicado na manifestação da doença.

Existem três tipos de sarcoma de Kaposi:

a) Clássico: raro, de evolução lenta, atinge homens idosos sem comprometimento do sistema imunológico;

b) Endêmico ou africano: forma mais agressiva, acomete mais os negros jovens da África Equatorial;

c) Relacionado com o sistema imunológico deprimido, como
ocorre com os HIV-positivos, os transplantados e os que tomam
imunossupressores.

Sintomas
Na pele branca, surgem lesões em forma de manchas vermelhadas, róseas ou violáceas, que se espalham pelo corpo e na região da boca e faringe. Na pele negra, elas adquirem a coloração marrom ou escura.

Outros sintomas do sarcoma de Kaposi são inchaço principalmente nos membros inferiores por causa da retenção de líquido, e, nos casos mais graves, sangramentos digestivos e insuficiência respiratória.

Diagnóstico
Além das características das lesões, endoscopia e biópsia são exames importantes para fechar o diagnóstico.

Tratamento
O tratamento do sarcoma de Kaposi inclui quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e drogas para inibir a formação de novos vasos sanguíneos. Medicamentos antirretrovirais contra o HIV diminuem o risco da doença nos portadores desse
vírus e ajudam a promover a regressão das lesões.

Recomendação

* Não se automedique. Procure assistência médica se notar o aparecimento de manchas sem explicação aparente pelo corpo ou na boca.

Escola Paulista de Medicina

9594 – HIV provoca ‘suicídio em massa’ de células de defesa


Um processo inflamatório seguido por uma forma “explosiva” de morte celular está por trás da destruição do sistema de defesa de quem tem HIV, de acordo com duas pesquisas publicadas hoje nas revistas “Nature” e “Science”.
Os estudos vão além, ao propor que um anti-inflamatório que já está em testes com humanos para tratar psoríase (doença inflamatória que se manifesta na pele) e epilepsia seja avaliado em pessoas com HIV, para evitar que suas células de defesa CD4 morram.
Os trabalhos, feitos pelo laboratório liderado pelo pesquisador Warner Greene, dos Institutos Gladstone, nos EUA, afirmam ter desvendando pela primeira vez os caminhos químicos exatos que levam a essas reações responsáveis pela morte da maior parte das células de defesa CD4, linfócitos que são o alvo do HIV.
Diferentemente do que se possa pensar, só uma minoria das células CD4 morre por causa da infecção pelo HIV propriamente dita.
Cerca de 95% das células que morrem acabam se “suicidando” após tentativas frustradas do vírus de completar seu ciclo.
O “ideal” para o HIV é se ligar ao linfócito CD4 e escravizá-lo para produzir novas partículas virais. Mas na maioria dos casos o processo de replicação não se completa, deixando só restos de DNA viral na célula.
Os restos causam uma reação inflamatória que leva à morte da célula. Esse processo “explosivo” espalha o conteúdo do citoplasma da célula morta, que contém substâncias pró-inflamatórias. Elas atraem novas CD4 e o ciclo começa de novo.
“Sempre se discutiu qual é o mecanismo que leva pessoas com HIV a ter essa grande deficiência imunológica, porque o número de células infectadas no corpo é relativamente pequeno, e o HIV não mata a célula de imediato, ele a usa para se multiplicar”, afirma o infectologista Artur Timerman, do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo.
Como o nome já diz, a Aids (síndrome da imunodeficiência adquirida) é caracterizada pela redução da capacidade do corpo de manter duas defesas. Hoje, as drogas do coquetel anti-HIV conseguem interferir no processo de replicação do vírus, reduzindo sua presença no corpo, mas não acabam com ela completamente.
Se fosse possível evitar a destruição do sistema imune, a pessoa ficaria só com o vírus em circulação, mas sem sofrer seus efeitos.

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9542 – Aids – SUS terá teste de HIV pela saliva


O Ministério da Saúde informou, que vai incluir na rede pública de saúde um teste de diagnóstico do vírus HIV por meio de fluidos orais (retirados da gengiva e da mucosa da bochecha).
Trata-se de um outro tipo de teste de diagnóstico rápido –o resultado sai em 30 minutos– e funciona como uma forma de triagem, precisando de uma confirmação posterior com outros testes de HIV. O novo teste se soma ao que já é oferecido na rede pública e depende de um furo no dedo.
Outra diferença do teste por fluidos orais é que ele dispensa a presença de um profissional de saúde no momento do teste. A partir de março, o novo teste será usada por 40 ONGs capacitadas pelo Ministério da Saúde, com foco nas populações mais vulneráveis ao HIV: gays, profissionais do sexo, usuários de droga, moradores de rua, presos e travestis e transexuais.
Segundo explica Jarbas Barbosa, secretário de vigilância em saúde do ministério, a nova tecnologia é um autoexame, semelhante a um teste rápido de gravidez, que vai ser usado pelas ONGs que já desenvolvem um trabalho com o público-alvo. As primeiras testagens também serão acompanhadas pelo ministério.
A previsão da Saúde é que, a partir do segundo semestre, o teste por fluido oral desenvolvido pela Fiocruz seja ofertado pelas farmácias da rede pública e a quem quiser. Farmácia privadas poderão comercializar testes semelhantes.
A nova tecnologia levanta dúvidas em parte do movimento social que atua no combate à Aids, particularmente com relação à demora na recepção, no serviço de saúde, das pessoas com teste positivo.

9495 – HIV provoca ‘suicídio em massa’ de células de defesa


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Um processo inflamatório seguido por uma forma “explosiva” de morte celular está por trás da destruição do sistema de defesa de quem tem HIV, de acordo com duas pesquisas publicadas hoje nas revistas “Nature” e “Science”.
Os estudos vão além, ao propor que um anti-inflamatório que já está em testes com humanos para tratar psoríase (doença inflamatória que se manifesta na pele) e epilepsia seja avaliado em pessoas com HIV, para evitar que suas células de defesa CD4 morram.
Os trabalhos, feitos pelo laboratório liderado pelo pesquisador Warner Greene, dos Institutos Gladstone, nos EUA, afirmam ter desvendando pela primeira vez os caminhos químicos exatos que levam a essas reações responsáveis pela morte da maior parte das células de defesa CD4, linfócitos que são o alvo do HIV.
Diferentemente do que se possa pensar, só uma minoria das células CD4 morre por causa da infecção pelo HIV propriamente dita.
Cerca de 95% das células que morrem acabam se “suicidando” após tentativas frustradas do vírus de completar seu ciclo.
O “ideal” para o HIV é se ligar ao linfócito CD4 e escravizá-lo para produzir novas partículas virais. Mas na maioria dos casos o processo de replicação não se completa, deixando só restos de DNA viral na célula.
Os restos causam uma reação inflamatória que leva à morte da célula. Esse processo “explosivo” espalha o conteúdo do citoplasma da célula morta, que contém substâncias pró-inflamatórias. Elas atraem novas CD4 e o ciclo começa de novo.
Como o nome já diz, a Aids (síndrome da imunodeficiência adquirida) é caracterizada pela redução da capacidade do corpo de manter duas defesas. Hoje, as drogas do coquetel anti-HIV conseguem interferir no processo de replicação do vírus, reduzindo sua presença no corpo, mas não acabam com ela completamente.
Se fosse possível evitar a destruição do sistema imune, a pessoa ficaria só com o vírus em circulação, mas sem sofrer seus efeitos.
O novo estudo avaliou a capacidade de um anti-inflamatório evitar a morte de linfócitos. Os pesquisadores usaram tecido linfático retirado das amígdalas e do baço de pessoas com HIV e testaram a ação do medicamento em comparação com um antirretroviral. A ação de ambos em reduzir a morte das células foi similar.
A inflamação já é uma característica conhecida dos pacientes com HIV. Segundo Timerman, em exames clínicos e laboratoriais, percebem-se os sinais da inflamação. “Por isso os infectados envelhecem mais rápido, têm mais aterosclerose e até câncer. Há uma inflamação crônica.”
Uma das ideias dos autores do novo estudo é aliar o anti-inflamatório aos antirretrovirais para combater esse processo inflamatório, que também pode ser uma via responsável pela permanência do HIV latente nos tecidos do corpo mesmo em pessoas com carga viral indetectável por conta do tratamento com antirretrovirais.

9223 – Macacos recebem primeira dose de vacina anti-HIV da USP


Cientistas da Faculdade de Medicina da USP aplicaram ontem em quatro macacos resos do Instituto Butantan a primeira dose da vacina anti-HIV desenvolvida pelos dois centros de pesquisa. Resultados preliminares sobre o potencial de proteção do imunizante saem em abril.
Na fase inicial da pesquisa, os animais receberão três doses da vacina de DNA (uma a cada 15 dias). O material contém informação genética que deve fazer o organismo dos macacos produzir fragmentos do vírus. Espera-se que esses pedaços do HIV sejam capazes de preparar o sistema imune dos hospedeiros para combater infecções.
Na segunda fase do teste, prevista para março, os animais –que têm de dois a sete anos de idade– receberão um vírus de gripe modificado com pedaços do HIV, que tem a intenção de dar um impulso final na imunização.

Depois dessa etapa, se tudo der certo, um segundo teste será feito com outros 28 macacos, num regime diferente de aplicação da vacina.
“Como a restrição de idade nos deixou com um número pequeno de animais, achamos melhor fazer um primeiro teste em apenas quatro deles”, conta Edecio Cunha Neto, pesquisador da USP que liderou os trabalhos de desenvolvimento da vacina.
Os animais não serão injetados com HIV. Para saber se seu organismo produz as células e moléculas necessárias à imunização, pesquisadores vão retirar amostras de sangue dos macacos. No laboratório, o material será exposto a fragmentos do vírus que devem ativar seu sistema imune contra o parasita.
Não é possível submeter os animais vacinados a um desafio direto contra o HIV, porque ele não infecta macacos naturalmente. O grupo já produziu uma versão da vacina contra a variedade símia do vírus –o SIV–, mas o biotério do Instituto Butantan, a céu aberto, não possui o nível de segurança necessário para manipular vírus ativos.
Se algum laboratório de alta segurança se interessar, a USP diz que está disposta a fazer um estudo em colaboração. “Para nós, por enquanto, vai ser suficiente saber que a vacina induz uma resposta potente nos macacos resos”, diz Cunha Neto. “Antes disso, porém, nós já poderíamos fazer testes de segurança em humanos.”
Antes do início dos testes, o macacário do Butantan recebeu reforço de segurança, com câmeras de monitoramento por vídeo 24 horas, entradas reforçadas, e aumento nos turnos de vigilância. O instituto quer evitar que ativistas contra testes em animais invadam o local e prejudiquem os trabalhos.

9193 – AIDS – Descoberto o segredo dos “herois da resistência”


Superanticorpos’ contra HIV controlam infecção em macacos

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Nem todo mundo se defende contra o HIV da mesma forma: algumas pessoas produzem tipos raros de “superanticorpos” contra o vírus. A eficácia de uma terapia que usa esses anticorpos para controlar um vírus similar ao HIV em macacos é relatada em dois estudos publicados hoje na “Nature”.
Infusões dos “superanticorpos” clonados a partir do material colhido de humanos conseguiram reduzir, em uma semana, a carga de HIV a níveis indetectáveis em um grupo de macacos resos.
Esse controle da carga viral, no entanto, não foi duradouro na maioria deles: dois meses após a aplicação da terapia, em média, o número de vírus em circulação voltou a crescer na maioria dos macacos. O controle só permaneceu nos que já tinham uma carga viral mais baixa desde o início do estudo, o que sugere uma ação conjunta do sistema imune dos animais e dos “superanticorpos”.
A existência desses anticorpos poderosos já é conhecida há anos pelos pesquisadores. Eles se tornaram o objeto de estudo do brasileiro especialista em imunologia.

8980 – Relatório da ONU Confirmou: Novos casos de Aids caem 33% desde 2001


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Relatório divulgado nesta segunda-feira (23 de setembro) pela ONU (Organização das Nações Unidas) mostra uma redução de 33% de novos infectados pela Aids em todo o mundo entre 2001 e 2012, incluindo crianças e adultos.
O resultado mantém a tendência de queda que vem ocorrendo desde 1997, conforme relatórios divulgados pela ONU neste período.
Em 2011, por exemplo, o órgão estimava em 2,5 milhões de novos infectados. O relatório liberado hoje diz que esse número caiu para 2,3 milhões pessoas infectadas em 2012. A ONU ressalta que em pelo menos 26 países o percentual caiu mais de 50%.
A Unaids, órgão da ONU que cuida do combate à Aids, celebra a redução de novos infectados entre crianças. Ao todo, 260 mil crianças contraíram Aids no ano passado, uma queda de 52% desde 2001.
De acordo com o relatório, hoje cerca de 35 milhões de pessoas vivem com Aids no mundo.
O documento ressalta que o aumento do acesso ao tratamento têm dado mais sobrevida aos infectados, o que faz crescer o número de pessoas registradas com Aids. Segundo a ONU, a expectativa é que em 2015 ao menos 15 milhões estejam recebendo tratamento. Até o fim de 2012, o número era de 9,7 milhões.
A ONU comemora também a redução no número de mortes, em torno de 30% em relação a 2005. Em 2012, 1,6 milhão de pessoas morreram por causa da Aids, ante 2,1 milhões sete anos antes.