13.258 – Os estranhos animais híbridos criados pela mudança climática


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O aquecimento global pode levar espécies inteiras à extinção!
Pesquisadores do departamento de ecologia da Universidade de Tuscia, na Itália, acreditam que a mudança climática fará com que sejam cada vez mais frequentes os casos de hibridização entre diferentes espécies animais.
Na Europa, por exemplo, estão sendo registrados vários cruzamentos entre sapos-europeus (bufo bufo), uma espécie presente em quase todo o continente, e sapos-baleares (bufotes balearicus), naturais do sul da Itália. Os dois animais, inclusive, sincronizaram seus ciclos reprodutivos – apesar de os girinos resultantes da união apresentarem problemas genéticos e não serem capazes de completar o ciclo da metamorfose.
Embora a reprodução entre espécies com semelhanças genômicas tenha sido fundamental na história da evolução natural, o aquecimento global está acelerando o processo e provocando, muitas vezes, a extinção de espécies inteiras.
Os cientistas acreditam que é essencial entender a diferença entre o processo natural de cruzamento entre as espécies e a hibridização causada pela atividade humana, sendo essa última uma séria ameaça para os ecossistemas.

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12.993 – Evolução – Mutação em gene pode ter ajudado cérebro humano a ficar gigantesco


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Uma mutação aparentemente insignificante no DNA dos ancestrais da humanidade pode ter contribuído para que nosso cérebro alcançasse o tamanho descomunal que tem hoje (três vezes maior que o dos grandes macacos).
Bastou inserir o gene que contém essa mutação em fetos de camundongo para que dobrasse o número de células que dão origem aos neurônios do córtex, a área cerebral mais “nobre”.
A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto Max Planck (Alemanha), é um dos primeiros frutos da tentativa de usar o genoma para entender como a evolução humana se desenrolou. Por enquanto, isso não tem sido fácil –tanto que o gene analisado pelos pesquisadores no novo estudo, designado pela indigesta sigla ARHGAP11B, é o único específico da linhagem humana a ser associado com a proliferação das tais células do córtex cerebral.
Desde quando esse fenômeno acontece no cérebro dos membros da linhagem humana? “A mutação deve ter acontecido antes de 500 mil anos atrás”, diz Huttner –isso porque ela não é exclusiva do DNA dos seres humanos modernos.
Os colegas do pesquisador Max Planck estão entre os responsáveis por resgatar o genoma de dois parentes extintos da nossa espécie, os neandertais e os denisovanos. Ao desvendar o DNA completo de ambas as espécies, os cientistas identificaram o gene ARHGAP11B –mas nada de encontrá-lo em outros primatas ou mamíferos.
Segundo o pesquisador alemão, uma possibilidade é que essa mutação tenha acontecido no DNA do Homo erectus, primeiro ancestral do homem a ter passado por um grande aumento de sua capacidade cerebral. O estudo saiu na revista especializada “Science Advances”.

SE MACACOS FALASSEM
Na mesma edição da revista, outro estudo pode ter resolvido uma polêmica antiga: será que macacos são capazes de falar?
Por incrível que pareça, a resposta é sim –ao menos quando se examina o aparato vocal dos bichos, ou seja, as pregas vocais, a língua e o formato da boca.
Até hoje, ninguém conseguiu fazer com que chimpanzés ou outros primatas dominassem os rudimentos da linguagem falada humana (embora alguns desses macacos tenham aprendido elementos da linguagem de sinais).
O debate que havia em torno do assunto era o seguinte: essa incapacidade se deve à falta de flexibilidade do aparato vocal das criaturas ou aos seus cérebros mais rudimentares que os nossos, que não lhes permitem controlar a emissão de sons de forma tão sofisticada quanto o homem?

12.482 – Ficção (?) – Mutações genéticas podem gerar X-Men da vida real


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Segundo um artigo publicado pela revista Nature Biotechnology, existem pessoas com certas mutações genéticas que, em vez de terem sua saúde afetada, tornam-se mais resistentes. Os cientistas fizeram uma pesquisa utilizando os genomas de 800 pessoas, das quais 13 tinham ficado mais resistentes a males como a fibrose cística, uma doença altamente letal e cujo tratamento é muito caro e complexo.
A informação obtida através da análise desses casos de super-heróis genéticos poderá contribuir para o desenvolvimento de tratamentos para doenças hereditárias, que, muitas vezes, são um fardo insuperável para o seu portador.

11.782 – Empresas Farmacêuticas buscam Super Humanos


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Será que a ciência conseguirá utilizar as mutações genéticas para criar seres humanos com capacidades ampliadas? Algo como super-heróis de laboratório? Atualmente, existem 100 pessoas no mundo com esclerosteose, condição que faz com que seus ossos consigam suportar impactos que, em pessoas normais, causariam fraturas. Outros têm a capacidade de suportar muito mais dor que o restante da humanidade. Por isso, a ciência se pergunta se conseguirá reproduzir essas condições, dignas da saga popular de X-Men, para outros fins.
Caroline Chen, jornalista da Bloomberg Businessweek e especializada em biotecnologia, revela, em um artigo recente, que as empresas farmacêuticas estão investindo muito dinheiro em pesquisas relativas ao assunto, com o objetivo de sintetizar mutações como as mencionadas acima, para disponibilizá-las às pessoas em forma de pastilhas, xaropes ou outra forma de medicamento.
A empresa Xenon Pharmaceuticals está empenhada no desenvolvimento de fármacos contra a dor, baseados na mutação de certas pessoas, os quais competiriam com os analgésicos existentes, superando sua eficácia e evitando seus efeitos nocivos. Descobrir o funcionamento da esclerosteose poderá levar a medicamentos contra a osteoporose ou antídotos para a perda de densidade óssea da qual padecem os astronautas no espaço.
E será isso possível? Os especialistas pedem atenção em relação às questões éticas que essas novas possibilidades trazem. Como será a sociedade do futuro, na qual algumas pessoas terão acesso a superpoderes dados pela ciência?

8373 – Mais uma inimiga da Saúde


Pesquisadores da USP detectaram nas águas e sedimentos do estuário de Santos. a presença de até 2,5 microgramas de mercúrio por litro, uma concentração 25 vezes maior que o padrão máximo recomendável. Perto de 1971 já havia a demonstração de danos irreversíveis à flora. Das matas tropicais da Serra do Mar, restaram troncos secos e os bananais deixaram de dar frutos. Há rumores de uma estranha doença que produz nati-mortos sem cérebro com cara de sapo. Mas ainda não há a exata definição se tal anomalia é causa genética ou ambiental.

7887 – Gatos – Cruzamento e Domesticação


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Tudo sobre gatos
Ninguém sabe exatamente quando os gatos deixaram de ser animais selvagens e passaram a viver entre nós. “As mudanças pelas quais o gato passou ao ser domesticado são sutis, como a cor da pelagem e o comportamento, coisas que não são possíveis de descobrir nos vestígios arqueológicos”, explica Melinda Zeder, arqueobióloga do Museu Nacional de História Natural dos EUA. “Já o esqueleto do cachorro é bastante diferente do esqueleto do lobo. Assim dá para saber exatamente quando essa transição aconteceu.
O que se sabe é que a domesticação ocorreu apenas uma vez. Pode ter acontecido no norte África, na região do Egito, 9 mil anos atrás. Ou, segundo uma pesquisa da Universidade de Oxford, na Inglaterra, que em 2007 analisou o DNA mitocondrial de quase mil gatos, essa transição entre a selva e a vida doméstica pode ter acontecido há 10 mil anos no Crescente Fértil, região entre Israel e Iraque, local das primeiras aldeias fixas. E então, na companhia dos humanos, os gatos foram parar no resto do mundo.
A maior diferença entre os gatos selvagens e os domésticos é o intestino mais longo, que permite uma dieta menos carnívora. E a pelagem, provavelmente associada a uma seleção natural pelos animais menos agressivos – há suspeitas de que os gatos rajados (pelagem chamada “agouti”) seriam mais ariscos.
Do cerca de 1 bilhão de gatos domésticos no mundo, 97% são vira-latas, o que significa que eles se reproduzem sem nenhuma seleção de parceiros feita pelos humanos. E a maior parte deles não depende dos humanos para conseguir abrigo ou comida.
Por isso, vez ou outra um deles resolve voltar para o mato e viver por conta própria – os chamados gatos ferais, que costumam perder também a docilidade.
De volta à natureza, mas a ambientes que nunca tinham habitados, os gatos se diversificaram pelo bom e velho processo de seleção natural. Aqueles de lugares frios, por exemplo, se tornaram maiores e corpulentos, como o pelo-curto-britânico, enquanto os que foram para lugares quentes se tornaram longilíneos, como o siamês. “Os gatos conhecidos como orientais maximizam a superfície do corpo para dissipar o calor, ao contrário do que acontece com o norueguês-da-floresta, que precisa retê-lo o máximo possível”, afirma o veterinário inglês Bruce Fogle em seu guia ilustrado de gatos. Outras características foram perpetuadas por indivíduos isolados em certas regiões. A ausência de rabo, por exemplo, é resultado de uma mutação genética que aparece de vez em quando entre gatos e acaba se perdendo à medida que eles cruzam com gatos normais. Mas, na população isolada da ilha de Man, no mar da Irlanda, a mutação foi mantida, se disseminou e ficou famosa. Nasciam assim os manx. Da mesma forma, na Nova Zelândia, gatos com um dedo a mais em cada pata deram origem à raça antipodean clippercat.
Ainda que as primeiras raças de gato tenham surgido naturalmente, nos últimos 200 anos essa seleção passou a ser artificial e bem cuidadosa. Virou um hobby e um negócio lucrativo. Em alguns casos, a seleção artificial acentua características como uma cor ou um padrão de pelo, ou faz o gato ficar mais longilíneo, por exemplo. Em outros, o cruzamento serve para transformar uma mutação genética em raça, como a orelha “dobrada” do scottish fold, o pelo crespo dos rex e a total falta deles nos sphynx. Na natureza, essas mutações provavelmente desapareceriam sozinhas – seriam diluídas em cruzamentos com gatos normais. Mas os homens perceberam como dar uma mãozinha para que elas se perpetuem. Basta identificar aquele gatinho que nasceu diferentão da ninhada e cruzá-lo com outros com características parecidas – ou com gatos normais – e torcer para que os genes que as conferem sejam dominantes.
O máximo que se conseguiu no sentido de criar um minigato foi o polêmico munchkin, que na verdade é um gato anão, com os ossos das pernas encurtados por uma mutação. Já os bichinhos vendidos como teacups, que supostamente são gatos em miniatura, não são mutações nem resultado de cruzamentos. Na maioria dos casos, não passam de gatinhos prematuros ou com problemas de desenvolvimento e por isso não são reconhecidos por nenhuma associação de criadores de gatos.

Esses cruzamentos, aliás, também podem perpetuar traços perigosos à saúde dos bichos. É o caso da raça mais popular do mundo, o persa. A cara bem achatada, conquistada depois de milhares de cruzamentos, atrapalha sua respiração – na Europa, certos criadores estão “voltando atrás” no padrão da raça e criando persas com focinhos um pouco mais longos. O gene que causa essa mudança anatômica pode ainda trazer danos sérios à saúde. Como acontece com o gene que faz a orelha do scottish fold ficar daquele jeito. Ele aumenta as chances de malformações ósseas, problemas renais e inclusive cardíacos. Gatos da raça manx, sem rabo, também têm uma alta ocorrência de artrite, problemas digestivos e ainda intercorrências na córnea.
Alguns cruzamentos foram feitos em busca de gatos com temperamento atípico – mais uma vez, como acontece com os cães. Como a controversa história do ragdoll. A raça nasceu em 1960 nos Estados Unidos depois que uma gata branca e felpuda chamada Josephine foi atropelada por um carro. Sua dona, a americana Ann Baker, passou a jurar que seus filhotes nasciam diferentes: demonstravam poucos instintos felinos.
Curiosidades – Gatos ilustres
Jock a herança de Churchill Ele era só um gato laranja, mas seu dono, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill. Jock sempre o acompanhava. Estava até em sua cama na hora da morte. Em testamento, o político britânico deixou sua casa em Chartwell para o governo, com uma exigência: sempre ter um gato laranja morando nela.

Tee Cee o vidente
O americano Michael Edmonds sofre de epilepsia, doença com ataques imprevisíveis – pelo menos para nós, humanos. Em 2009, percebeu que seu gato Tee Cee passa a lhe encarar pouco antes de cada ataque e corre para os pés de sua mulher, tentando avisar algo. Ninguém sabe como ele faz isso.

Tommy o socorrista
Em 2006, o deficiente físico americano Gary Rosheisen caiu de sua cadeira de rodas e ficou imóvel no chão de casa. Mesmo assim, minutos depois os bombeiros receberam uma ligação silenciosa. Quem discou foi Tommy. Treinado pelo dono, o gato aprendeu a apertar o botão de emergência do telefone.
Tamanho e formato de corpo variam pouco. Mas a seleção natural deu aos gatos cores que vão do azul ao pêssego
Russian Blue
Origem: Rússia, antes do séc. 18
Apesar do nome, eles são prateados e não azuis. Esses bichos brilhantes, que mais parecem um desenho animado, eram apenas gatos comuns na Rússia. Quando foram levados para a Inglaterra no século 19, fizeram tanto sucesso que se tornaram uma raça.
A força dos mutantes
Eles têm genes excêntricos, que sobreviveram naturalmente ou encontraram alguém disposto a criar uma nova raça.
Sphynx
Origem: Canadá, 1978
Alguém resolveu pegar um gato com uma mutação que o fazia ficar pelado e cruzar com outros até criar uma raça nova. Mas, ao contrário do que parece, o sphynx não é totalmente careca. Ele na verdade tem pelos bem finos e curtos – mais ou menos como a pele de um pêssego.
Unchkin
Origem: EUA, anos 1980
O nome é uma referência aos anões do filme O Mágico de Oz. Esses gatinhos são na verdade anões e sofrem de acondroplasia. Há quem considere antiético o cruzamento de gatos para a manutenção de um problema genético, podendo causar problemas de coluna e quadris (como acontece com algumas raças de cães, como o dachshund). Por isso, vários países não reconhecem o munchkin como raça.

7833 – Medicina – O Curativo Genético


Trata-se da Terapia Gênica, uma técnica ainda em fase experimental, mas que promete.

Imagine que um cidadão quebrou o braço. E, em vez de engessar e esperar a regeneração natural dos tecidos, o médico implanta em algumas células da vítima, como as do sangue, um pedaço de DNA corretivo. Este fragmento fabrica uma proteína que faz a soldagem de um modo muito mais simples e rápido que o tradicional. Em ratos, esse tipo de remendo genético foi experimentado com sucesso. Mas isso é apenas um meio de ilustrar uma técnica revolucionária, que pode fazer muito mais do que colar ossos. Em poucas palavras, não importa se os sintomas são os da Aids, da gripe, do câncer ou de uma doença hereditária. Sempre vai dar para arranjar um gene que ajuda a eliminar o mal ou a aliviar as suas conseqüências.
A molécula de DNA pode ser reparada para corrigir um mal hereditário. Melhor ainda, pode ganhar um gene inteiramente novo, feito sob medida num laboratório, com o objetivo de combater uma infecção como a Aids, ou as células enlouquecidas do câncer.
Cada um dos 50 000 a 100 000 genes é formado por milhões de moléculas menores. São os nucleotídeos, representados na ilustração por estas “pontes”entre as hélices de DNA. Implantar um gene significa colocar, no lugar exato, um conjunto completo de nucleotídeos.
A melhor maneira de entender os curativos genéticos, ou a terapia gênica, como dizem os especialistas, é comparar o organismo humano com um computador. Essa analogia é possível porque tanto um como o outro precisam de instruções para trabalhar. Assim, enquanto a máquina lê os comandos gravados nos programas, o corpo segue as ordens escritas nos genes. Isso quer dizer que não é preciso mexer diretamente nos órgãos para tentar eliminar os males de um cidadão. Basta instalar nas células um novo programa – ou seja, um novo gene – e deixar que, daí para a frente, o próprio organismo resolva os seus problemas.
Não é difícil perceber o potencial revolucionário desse tipo de tratamento. Antes de mais nada, ele cria a primeira oportunidade de atacar pela raiz as doenças hereditárias. Ou seja, aquelas em que o paciente já vem ao mundo com um “software” imperfeito. O ideal, aqui, seria trocar o gene enguiçado por uma cópia em boas condições. Agora, se o gene não foi identificado, ou se ninguém sabe direito como ele funciona, sempre existe a alternativa de achar algum outro pedaço de DNA que possa, pelo menos, eliminar os sintomas.
Há registro de mais de 4 000 moléstias associadas a defeitos nos genes, muitas delas incuráveis. Mas isso é só o começo da história, como se vê pela Aids, que não é hereditária e não tem nada a ver com mutações ou estragos feitos no DNA por radiação ou qualquer outro acidente.
Apesar de ser causada por um vírus, o HIV, ela também pode ser combatida com fragmentos de DNA que, de alguma forma, prejudiquem o vírus. Até já se conhecem proteínas que atrapalham a proliferação do micróbio. Os pesquisadores estão tentando implantar no organismo dos pacientes o gene que fabrica essas substâncias. E aí, se der certo, as próprias células poderão fabricar antídotos contra o HIV.
É isso o que faz a nova terapia: descobrir genes que, de uma maneira ou de outra, fabricam proteínas benéficas à saúde. Essa orientação, nos últimos anos, já levou à descoberta de substâncias incríveis. Algumas induzem as células cancerígenas ao suicídio, outras apressam a regeneração de ossos quebrados e outras ainda fortalecem células musculares atrofiadas. No fim das contas, o futuro da terapia gênica depende do arsenal de genes úteis que vêm sendo identificados em número cada vez maior. Daí sairá a matéria-prima para forjar softwares químicos capazes de transformar a maquinaria celular em uma farmácia que funciona sozinha dentro do corpo.

7728 – Biologia – Supermoscas mutantes e resistentes


Uma mutação recém descoberta pode dar às moscas devoradoras de frutas a resistência que exibem contra os inseticidas. A mutação atingiria os receptores gaba, que tem função de desligar certas células nervosas, mais podem ser desativados. Basta um inseticida se prenda aos receptores e os impeça de agir: como resultado, as moscas entrem em convulsões fatais por excesso de atividade nervosa. Mas nem todas. Algumas sofrem mudanças químicas essenciais em seus receptores gaba – eles deixam de reagir com o inseticida e não são mais desativados. O mais impressionante é que a mesma mutação foi detectada nos agentes 58 variedades de moscas-das-frutas, encontradas nos cinco continentes. Ou seja, as pragas parecem ter mobilidade inimaginada: estão circulando de uma região para outra e transferindo a mutação salvadora (do ponto de vista dela) para insetos ainda vulneráveis.

7389 – Mutação “transforma” leopardo em pantera-negra


Um dos felinos mais bonitos da Terra acaba de ficar um pouco menos misterioso. Dois cientistas brasileiros, trabalhando com colegas dos EUA e da Rússia, identificaram a mutação que transforma leopardos “comuns” na célebre pantera-negra.
De quebra, os pesquisadores também flagraram a alteração genética responsável por produzir a versão negra de outro felino selvagem, o gato-dourado-asiático.
A descoberta está descrita na revista científica “PLoS ONE”. Os autores brasileiros do estudo são Alexsandra Schneider e Eduardo Eizirik, ambos da PUC-RS (Eizirik também é ligado ao Instituto Pró-Carnívoros, em Atibaia, interior paulista).
O biólogo da PUC gaúcha conhece como poucos a genética da pelagem dos felinos. Há quase dez anos, ele foi coautor do trabalho que identificou pela primeira vez as mutações que produzem versões pretas do gato doméstico, da onça-pintada e do jaguarundi (espécie que lembra uma versão miniatura da suçuarana, com a qual tem parentesco próximo).
Mas ainda havia (e há) um bocado de trabalho a fazer nessa área, já que as chamadas formas melânicas (ou seja, de pelagem preta) estão registradas para 13 espécies de felinos, sem falar em relatos não documentados sobre tigres negros, por exemplo.
Grosso modo, há dois jeitos principais de criar um felino negro, ambos envolvendo um receptor, ou fechadura química, conhecida como MC1R. É nessa fechadura que se encaixam as moléculas de um hormônio que estimula a produção da eumelanina, o pigmento da cor escura.
Por um lado, se o MC1R ficar hiperativo durante o desenvolvimento do animal, ele pode nascer melânico. Por outro, o receptor pode ser bloqueado por outra molécula, conhecida como ASIP, cuja ação leva à produção de um pigmento de cor clara. Se a ASIP for eliminada, portanto, o bicho também pode acabar ficando escuro.
Ora, o que o novo estudo mostrou, estudando 11 panteras-negras asiáticas, é que o DNA dos gatões tinha uma alteração de uma única “letra” química no gene que contém a receita para a produção da ASIP. Essa letrinha trocada é suficiente para atrapalhar a fabricação da proteína e inutilizá-la.
Resultado: leopardos de pelos pretos -mas só se os bichos carregarem duas cópias do gene alterado. Coisa semelhante, embora não idêntica, ocorre no caso do gato-dourado-asiático.
A questão agora é entender o papel evolutivo da mutação. Eizirik conta que, nas matas da península Malaia (que pega trechos de países como Malásia e Tailândia), as panteras-negras chegam a ser quase 100% da população de leopardos, enquanto são raras na África.
“Pode ser um resultado casual do isolamento dessa população, ou pode ser resultado da seleção natural”, diz. Há quem acredite que a cor preta seja mais vantajosa em matas mais fechadas, mas isso ainda não foi confirmado.

6916 – Genética – Os Males da Evolução


Os primos do homem, os chimpanzés, gorilas, orangotangos e babuínos – tem os genes mais bem arrumados do que nós. E por isso não correm tanto risco de ter doenças genéticas. Tal idéia de um médico americano do Hospital de Cambridge. Ele descobriu que há muito lixo nos genes humanos. São substâncias químicas comuns dos genes mas que começam a se repetir sem necessidade. Um gene pode ter até 250 pedaços iguais, quando devia ter apenas um ou, no máximo 30. É um tipo de mutação causada pela evolução. A quantidade vai crescendo de avô para pai, depois para filho, para o neto e assim por diante. Chega uma hora que o gene funciona mal e leva uma doença. Algumas crianças nascem com retardamento mental por causa disso. Tal repetição seria muito mais forte em homens do que em macacos e aumenta aos poucos, o significa mais doenças. Mas o rítmo é lento, só pode ser percebido na escala de centenas de milhares de anos. Por enquanto, não há motivos para preocupação.