14.148 – A Terra já era habitada há 3,5 bilhões de anos


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Uma região na Austrália Ocidental, conhecida como Pilbara, é famosa pela descoberta de estromatólitos que datam de cerca de 3,5 bilhões de anos atrás. Esses seriam os primeiros vestígios de vida na Terra? Agora, quatro décadas após a descoberta, cientistas finalmente conseguiram provar que sim.
“Pela primeira vez, somos capazes de mostrar que esses estromatólitos contêm vestígios de matéria orgânica e extraordinariamente bem preservados, além disso! ” Disse Raphael Baumgertner, geólogo da Universidade de New South Wales (Austrália). Essa é uma prova irrefutável de que houve a presença de uma forma de vida microbiana na Terra há pelo menos 3,5 bilhões de anos atrás.
Isso abre possibilidade para vida em outros planetas?
Embora os estromatólitos estudados geralmente venham da superfície e estejam, portanto, muito alterados, os geólogos fizeram uma amostragem mais profunda. Eles submeteram as amostras a uma bateria de testes e técnicas microanalíticas avançadas.
Como resultado, os estromatólitos são essencialmente compostos de pirita – um mineral que é mais conhecido como ouro dos incrustados de poros nanoscópicos. Como resultado dessas analises os pesquisadores encontraram inclusões de matéria orgânica nitrogenada e filamentos de matéria orgânica que se assemelham a restos de biofilmes formados por colônias microbianas.
Esses trabalhos trazem novas respostas à pergunta: como a vida apareceu na Terra? Sim, eles também permitem imaginar como isso poderia ter aparecido em outros planetas. Pesquisadores da NASA estudaram recentemente o Pilbara para aprender um pouco mais sobre assinaturas geológicas que podem indicar a presença de estromatólitos. Eles pretendem aplicar esse conhecimento na busca por traços de vida em Marte.

13.425 – Geologia – Há um Imenso Oceano no Interior da Terra (?)


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Apesar de todos os avanços tecnológicos das últimas décadas, a composição do interior da Terra continua a ser uma grande interrogação científica. Uma hipótese, entretanto, ganha força entre os geólogos encarregados de elucidar o mistério: trata-se da possibilidade de que abaixo do manto terrestre, a uma profundidade entre 410 e 660 quilômetros, exista um gigantesco oceano.
Embora essa teoria venha sendo estudada há muito tempo, a primeira evidência apareceu em 2008, após a descoberta de um pequeno diamante, com apenas 3 milímetros de largura e pouco valor comercial. Na composição da pedra foi encontrado um mineral chamado ringwoodita, capaz de conter grandes proporções de água.
Após anos de análises, foi possível determinar que o diamante vem exatamente das profundidades da Terra, o que consiste na primeira prova da presença de um grande corpo subterrâneo de água. Se as evidências avançarem nesse sentido, se trataria de uma verdadeira revolução para a geologia e a compreensão do planeta.

13.050 – Geologia – Rio de metal líquido é descoberto no Polo Norte


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Cientistas descobriram que, 3 mil quilômetros abaixo do Alasca e da Sibéria, corre um rio superquente de ferro e níquel.
Com 420 quilômetros de largura e 7 mil de comprimento, essa mega massa metálica tem se movido a uma velocidade cada vez maior – hoje se desloca a 45km por ano, o que não parece muito para nós aqui na superfície, mas no núcleo da Terra nada se mexe tão rápido.
Equipes da Universidade Técnica da Dinamarca e da Universidade de Leeds, no Reino Unido, constataram que a velocidade triplicou nos últimos 15 anos.
Os cientistas estudam agora o impacto desse aumento nas oscilações do campo magnético da Terra – camada que nos protege da radiação solar e é fundamental para a manutenção da vida no planeta.
Já se sabe que a energia emanada pela movimentação do rio pode, sim, interferir na rotação do núcleo interno da Terra. A ideia agora é juntar as peças do quebra-cabeça para descobrir o porquê do contínuo enfraquecimento do campo magnético do planeta.

12.923 – Incrível aurora sobre o gêiser White Dome Geyser


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Auroras e gêiseres
A fotografia capturou raras auroras coloridas que irromperam inesperadamente, com faixas verdes próximas ao horizonte e outras vermelhas florescendo mais alto no céu.
Uma brilhante lua iluminou-se em primeiro plano na cena pitoresca, enquanto estrelas familiares podiam ser vistas ao longe.
Com um certo planejamento, o astrofotógrafo cuidadosamente conseguiu fazer um clique perfeito do campo chamado White Dome Geyser conforme o gêiser entrava em erupção.

Parque Nacional de Yellowstone
O White Dome Geyser fica no Parque Nacional de Yellowstone, no oeste dos EUA. Cerca de metade de todos os gêiseres conhecidos do mundo ocorrem lá.
Gêiseres entraram em erupção pulverizando uma corrente de água e vapor muitos metros para o ar. Essa água é aquecida pelo escaldante magma vários quilômetros abaixo, e sobe através de fissuras de rocha até a superfície.
Embora a tempestade geomagnética que criou as auroras maravilhosas fotografadas tenha sido passageira, as erupções do White Dome Geyser continuam a cada 30 minutos. [NASA]

12.772 – Bolhas de ar presas em pedra de 800 milhões de anos revelam níveis de oxigênio da Terra primitiva


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Tal informação poderia fornecer uma nova visão sobre quando exatamente as condições favoráveis para a vida começaram a florescer na Terra. Os pesquisadores acreditam que a mesma técnica possa ser usada para outros planetas do nosso Sistema Solar.
Anteriormente, um grupo de cientistas conseguiu recolher sedimentos, em regiões da Austrália, EUA, Sicília e Tibet, que tinham o potencial de mostrar as condições atmosféricas mais antigas da Terra. No entanto, a primeira abordagem para fazer tal análise apresentava alguns desafios, entre eles, o fato de que fragmentos de diferentes períodos podem ter sido incorporados nas camadas de sedimentos, obscurecendo a verdadeira idade das amostras.
No entanto, agora, uma equipe internacional de pesquisadores apresentou uma maneira mais eficaz para medir essa atmosfera primitiva. Eles sugeriram que o gás oxigênio poderia estar preso dentro de cristais de halita (sal-gema). Como eles haviam se formado em meio as condições atmosféricas de 813 milhões de anos atrás, os níveis de oxigênio poderiam estar presos em microscópicas bolhas de ar, que foram observadas por meio de espectrômetros de massa.
Eles afirmaram que a técnica proporcionou a primeira medição direta da quantidade de oxigênio na atmosfera no momento em que se formaram, recuperando a oxigenação do nosso planeta de 300 milhões de anos atrás.
Acredita-se que a Terra tenha passado por dois grandes eventos de oxigenação (GOE) em seus 4,5 bilhões de anos, os quais liberaram oxigênio suficiente na atmosfera para que a vida tivesse condições de surgir em qualquer canto do planeta. Enquanto o primeiro é relatado para um período de cerca de 2,4 bilhões de anos atrás, entre o período Pré-Cambriano e Paleozoico, o segundo pico pode ter acontecido perto de 550 milhões de anos atrás.
Os cientistas acreditam que essas mudanças ocorridas durante os GOEs possam ter criado as condições adequadas para a explosão da vida no período Cambriano, quando as complexas formas multicelulares se expandiram para os grandes agrupamentos de vida.
Contudo, as análises do gás nas amostras da pedra acabaram empurrando a data do GOE para centenas de milhões de anos atrás, indicando que o teor médio de oxigênio na atmosfera há 815 milhões de anos atrás já estava em 10,9% – um pouco mais da metade da concentração de hoje.
De acordo com a geóloga Dra. Kathleen Benison, da Universidade de West Virginia, nos EUA, e uma das autoras do estudo, “a diversidade da vida surge em torno deste período de tempo”. Segundo ela, “costumávamos pensar que para ter essa diversidade, precisávamos de coisas mais específicas, incluindo uma certa quantidade de oxigênio. Os resultados mostraram que não era necessário tanto gás para os organismos se desenvolverem”, disse.
Em um artigo publicado na revista Geology, os autores explicaram que as medições de oxigênio realizadas indicaram um ambiente oxigenado que poderia ter dado início às formas mais complexas de vida. Mas, os resultados indicam que essa medição também poderia ser realizada para além da Terra, potencialmente oferecendo medições precisas de ambientes antigos presos em rochas extraterrestres.

12.597 – Geologia – Misteriosa pedra alienígena é encontrada na Suécia


Cientistas acreditam ter encontrado o primeiro exemplar do chamado meteorito “extinto”, em uma pedreira na Suécia.
A pedra alienígena, do tamanho de uma bolacha, seria parte de uma rocha muito maior e teria caído na Terra há 470 milhões de anos. De acordo com o líder do estudo sobre o achado, o geologista Birger Schmitz, essa pedra espacial seria diferente de tudo o que já foi encontrado anteriormente no nosso planeta. Esse raro objeto também pode dar aos cientistas informações mais detalhadas sobre o início da história do nosso Sistema Solar.
“Este pode ser o primeiro exemplo documentado de um meteorito “extinto”, isto é, um tipo de meteorito que não cai mais na Terra hoje porque o seu corpo original já foi consumido por colisões. Os meteoritos encontrados na Terra hoje, aparentemente, não dão uma representação completa do tipo de corpos do cinturão de asteroides [entre Marte e Júpiter]”, disse Schmitz, que é professor da Universidade de Lund, na Suécia.

Chuva de meteoros
Imagina-se que, em um passado remoto, o pequeno meteorito – batizado de Österplana 065 (Öst 65) – tenha feito parte de um pedaço de rocha muito maior, um asteroide com 20 a 30 quilômetros de largura, formado há 3 bilhões de anos. Esta enorme pedra, centenas de milhões de anos atrás, colidiu com outro corpo enorme, resultando em uma chuva de meteoros nos céus de uma então jovem Terra.
Este meteorito é classificado como um condrito, que provavelmente teve origem no cinturão de asteroides. Juntamente com cerca de 100 partes de condritos até agora descobertos, este novo fragmento alienígena originalmente afundou no oceano, que mais tarde se transformou no que hoje é a pedreira na cidade de Thorsberg, onde a rocha foi descoberta.
A pedra é rica em elementos como o irídio, que é relativamente raro na Terra, e de um isótopo particular do neônio, em proporções diferentes dos condritos que são encontrados na região.
O estudo sobre o meteorito Öst 65 foi publicado na revista Nature Communications.

12.520 – Geologia – Suécia está trocando uma cidade inteira de lugar para evitar que ela afunde


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A cidade de Kiruna foi fundada em 1900 pela mineradora estatal Luossavaara-Kiirunavaara AB, ao norte do Círculo Polar Ártico. A população sempre viveu em função da mina nas redondezas, que produz o minério de ferro mais puro do mundo. Mas, em 2004 a LKAB avisou à prefeitura que a extração de ferro teria continuar embaixo da cidade – e, com isso, o chão ia afundar.
Foi nessa época que Kiruna abriu uma competição entre empresas de arquitetura. A prefeitura queria saber qual delas apresentaria a melhor solução para um projeto nunca feito antes: mudar uma cidade inteira de lugar. A White Architects venceu em 2012 e abraçou o projeto, que vai, no mínimo, até 2040.
A etapa inicial é mover o “centro” de Kiruna que, na realidade, fica na parte oeste da cidade. O lugar onde a região fica agora vai ter afundado completamente até 2050 – segundo a empresa, já dá para ver alguns buracos se formando e a estação de trem já precisou ser fechada. O novo centro vai ser reinstalado a 3,2 quilômetros do extremo leste da cidade, o mais distante possível da mina de ferro.

Algumas das construções da cidade vão ser erguidas por guindastes e transportadas peça por peça. É o caso da Igreja de Kiruna, inaugurada em 1912 e eleita a construção mais bonita de toda a Suécia. O relógio da cidade também vai ser rebocado da forma como está para o outro lado do município.
Esse esforço todo é uma tentativa de manter a identidade da cidade, apesar da mudança radical. A prefeitura contratou até mesmo uma antropóloga social, que funciona como mediadora entre a população e os arquitetos e engenheiros. O objetivo é fazer a transformação urbana mais democrática do mundo.

É claro que nem todos os prédios vão ser realocados da forma como estão. A LKBA, que está financiando toda a mudança, oferece duas opções aos moradores: compram a casa em que moram pelo valor de mercado + 25% ou oferecem uma casa de mesmo valor na área expandida na cidade. Todo esse custo só consegue ser bancado porque a LKBA é a maior exportadora de ferro da Europa – ou seja, é mais barato mover toda essa gente do que fechar a mina.
Os arquitetos da nova Kiruna não querem apenas replicar a cidade em uma região segura, mas melhorar a forma como ela é distribuída. Kiruna é hoje o segundo maior município do mundo em área: são 21 mil km2, onde vivem só 20 mil pessoas. Isso é o equivalente a 122 estádios do Maracanã para cada habitante. A equipe quer tornar a cidade bem mais densa, além de aproveitar o espaço extra para aumentar o contato dos moradores com a natureza, misturando áreas rurais e de floresta ao centro urbano.
Mesmo depois de completar a primeira parte do projeto, a prefeitura espera que a forma final de Kiruna só fique pronta no fim do século. A planta futura da cidade, bem mais compacta, tem novos setores a norte, sul e leste, a uma distância bem grande da atividade da mina. Se tudo correr como planejado, Kiruna pode virar uma atração de turismo arquitetônico – quer dizer, para quem se aventurar a enfrentar um mês e meio em que o Sol não se põe no verão e outros 30 dias em que ele não nasce no inverno.

10.882 – Geologia – Vulcão de Lava Azul na Indonésia


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Embora pareça PhotoShop, a coloração estranha é apenas o resultado de uma reação química.
Por exemplo, um vulcão escudo como o Kilauea libera lava lentamente durante longos períodos de tempo. Já um estratovulcão montanhoso como o Monte Fuji permanece em silêncio por muitas centenas de anos antes de desencadear sua fúria cataclísmica. E os vulcões em Io, uma das luas de Júpiter, produzem colunas de erupção espetaculares que atingem alturas de 500 quilômetros.
Em todos esses casos, no entanto, a lava produzida tende a ser de uma cor vermelha-alaranjada.
O complexo vulcânico indonésio que atende pelo nome de Kawah Ijen quebra esta tendência: quando entra em erupção, sua lava queima em um azul iridescente.
Kawah Ijen é uma coleção de estratovulcões em Java, contendo uma grande caldeira com aproximadamente 22 quilômetros de diâmetro. O pico mais alto pertence ao vulcão Gunung Merapi, nome que se traduz como “montanha de fogo”.
Conforme documentado por Wu, o Kawah Ijen não possui uma lava fisicamente diferente do tipo que emerge da maioria dos estratovulcões: é bastante viscosa, de movimento lento e com temperatura de cerca de 600 a 900° C.
Inclusive, ela é em si vermelha, não azul. A cor que vemos é causada por substâncias presentes na caldeira reagindo com o calor da erupção.

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Enxofre + 600° C = lava azul
Uma erupção de lava libera uma grande quantidade de energia térmica, como você pode imaginar. Esta emissão de radiação térmica é que dá a ela sua tonalidade vermelha.
Nova ilha do Paquistão foi criada por um “vulcão de lama”
No caso do Kawah Ijen, no entanto, a lava queima uma outra coisa: bolsões de enxofre, que vomitam das fendas vulcânicas junto com a rocha derretida.
Quando os elementos queimam, produzem cores diferentes. Por exemplo, potássio na chama de um bico de Bunsen queima em uma cor lilás. Já a queima de cálcio produz uma chama vermelho-amarelada, e a de cobre uma chama azul-esverdeada. O enxofre, quando inflamado (pelo calor escaldante da lava, neste caso), queima em azul.

Tóxico
Observar a cor da erupção em Kawah Ijen pode dizer muito sobre o complexo vulcânico. Uma coloração vermelha indica que uma baixa quantidade de energia está sendo liberada; tons de verde são representativos de reações moderadamente energéticas. Chamas azuis são indicativas de energias mais altas.
Se você decidir visitar a Indonésia para verificar as exibições coloridas dos seus vulcões – de enxofre líquido vermelho escuro, enxofre inflamado azul brilhante e das paredes de enxofre frio amarelo -, tenha em mente que a substância é pungente e seus gases são incrivelmente prejudiciais para o sistema respiratório. É melhor levar uma máscara de gás junto com sua câmera fotográfica.

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11.721 – Geofísica – Partículas fantasmas são provenientes do centro da Terra


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Com a utilização de um laboratório subterrâneo, na Itália, foi encontrada a primeira evidência sólida de que as partículas subatômicas neutras são produzidas sob a crosta terrestre. A pesquisa poderia ajudar a revelar quais elementos radioativos se encontram no interior do planeta e os processos radioativos geradores de calor no interior da Terra. Os dados foram relatados na revista Physical Review D.
Neutrinos são gerados por reações nucleares que envolvem o decaimento de átomos instáveis e são frequentemente descritos como “fantasmagóricos”, por serem muito pequenos. Eles são cerca de 500 mil vezes mais leves do que o elétron, de acordo com o portal Live Science. Como não possuem carga e raramente interagem com outras partículas, não costumam atacar átomos. Mas, quando o fazem, um flash de luz é criado, que já foi gravado anteriormente por cientistas como prova de sua existência.
Porém, foram detectados neutrinos vindos do interior da Terra. Tais “geoneutrinos” dão um vislumbre físico sobre o núcleo de nosso planeta. Os especialistas, agora, podem identificar isótopos radioativos individuais no interior da Terra e descobrir como seu calor afeta a atividade geológica de, por exemplo, vulcões e terremotos.
A BBC informou que o interior da Terra gera 20 vezes mais calor que todas as estações de energia do planeta. Embora a maioria de seu calor seja perdido, outras fontes vêm do decaimento de elementos radioativos. Até agora, ninguém foi capaz de arriscar um palpite sobre sua quantidade.
Os cientistas no Laboratório Nacional de Gran Sasso, na Itália, que está localizado 1,5 km abaixo dos Apeninos, usou o detector de neutrinos Borexino para estudar as partículas fantasmas. O instrumento usa 2.200 sensores para detectar raros lampejos de luz emitidos quando neutrinos interagem com 200 toneladas de um óleo especial, alojado no interior de uma esfera. Assim, 24 geoneutrinos foram identificados, dentro de 2.056 dias. Onze vieram do manto da Terra e 13 de sua crosta.
Esses geoneutrinos sugerem que cerca de 70% do calor presente no interior da Terra é criado por radioatividade, mas o número ainda é incerto. “Há 98% de certeza, o que significa que ainda há uma pequena probabilidade de que não exista nenhum sinal do manto”, disse Aldo Ianni, um físico de partículas experimental do laboratório, em entrevista à BBC. Esses 2% de chance de erro são muito grandes para a pesquisa ser definida como uma “descoberta”, de acordo com as regras da física de partículas.
De acordo com Ianni, a fim de obter um número mais preciso, a equipe internacional precisará reunir dados por cerca de 17 anos. No futuro, os peritos podem instalar mais detectores de geoneutrinos em locais diferentes, ao redor do mundo, para analisar como os elementos radioativos são distribuídos do interior do nosso planeta.

11.687 – Geologia – O que aconteceria se o núcleo da Terra esfriasse?


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Se o planeta fosse só uma bola boiando no espaço, perdendo calor lentamente como todo corpo, alguém deveria encomendar casacos para todos. “Só que a Terra também é capaz de se esquentar sozinha”, diz o geofísico Igor Pacca, da Universidade de São Paulo. O planeta contém elementos radioativos que decaem constantemente, isto é, desintegram-se, perdendo partículas, o que gera calor. “Isso mantém o núcleo aquecido.” Serão necessários bilhões de anos até toda a sua radioatividade se dissipar. É provável que o Sol exploda antes.
Agora, se o núcleo terrestre esfriasse, aconteceriam mudanças importantes. Acabariam os movimentos tectônicos, pois o centro da Terra se solidificaria e as massas continentais não teriam por onde deslizar, e com eles terremotos e furacões terminariam. Em compensação, todas as bússolas também parariam, pois ficaríamos sem campo magnético (veja infográfico ao lado). Além do mais, peixes e plantas de mares profundos morreriam, pois os raios solares não chegam até lá e eles dependem do calor do centro da Terra. Isso desequilibraria toda a cadeia alimentar e levaria espécies da superfície à extinção.

1. As placas tectônicas parariam e, assim, vulcões se extinguiriam e terremotos cessariam. São os movimentos sob a crosta que provocam esses fenômenos.
2. O giro das rochas derretidas do núcleo da Terra, ricas em metais, produz eletricidade e gera o campo magnético da Terra. Com o núcleo frio, essas rochas se solidificariam e o magnetismo acabaria.
3. A superfície do planeta não congelaria, pois a maior parte do calor que nos aquece vem do Sol.

11.591 – Geologia – Conhecendo lagos que explodem


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Nosso universo está repleto de catástrofes naturais de todos os tipos e magnitudes, quase todas estudadas a fundo pela Ciência. No entanto, apesar do medo generalizado causado por furacões, terremotos e tsunamis, muitos ignoram o perigo real existente em um raro fenômeno: os lagos que explodem. Apesar de parecer estranho, a explosão de um lago foi exatamente o que aconteceu no dia 15 de agosto de 1984, mais precisamente o lago Nyos, em Camarões, e dois anos depois, no lago Monoun, no mesmo país. O primeiro deixou um saldo de 37 pessoas e milhares de vacas mortas. O segundo foi ainda pior: 1.700 pessoas e 3.500 animais perderam a vida.
Em ambos os casos, uma nuvem branca, bastante carregada se expandiu por quase 30 quilômetros sobre o lago antes da dita explosão. No começo, se pensou que o enxofre havia provocado a explosão, hipótese que em seguida foi descartada. O caso foi estudado detalhadamente pelo geólogo William Evans, que, entrevistando testemunhas, descobriu que o cheiro emanado pelo lago durante as explosões era bastante semelhante ao descrito por pilotos da Segunda Guerra Mundial, quando expostos a altas concentrações de CO2. “Quando as mostras de água foram analisadas, poucos dias depois do evento, havia entre 90 e 99% de CO2”, explica Evans. Sua liberação de forma tão repentina causou a explosão.
A causa do estranho evento pode residir no deslizamento de terras, já que em ambos os lagos eles ocorreram. Pouco antes das explosões, a concentração de dióxido de carbono já era três vezes maior do que o limite suportado pelo ser humano. Apesar de pouco comum, o fenômeno poderia acontecer novamente, com consequências calamitosas. O lago Kivi, em Ruanda, por exemplo, tem uma quantidade de metano tão grande que seria capaz de abastecer a demanda de eletricidade dos Estados Unidos inteiro. Caso explodisse, as perdas humanas seriam incalculáveis.

11.573 – Geologia – Força do fundo da Terra


O continente africano há muito tempo desafia os geólogos porque toda a sua metade meridional, a que fica ao sul, ergue-se a mais de 1 000 metros sobre o nível do mar. É o mais elevado planalto do mundo. Que tipo de força estaria erguendo a África?
Uma equipe americana apresentou uma solução impressionante, sugerindo que existe um esguicho de lava subterrânea empurrando o planalto africano de baixo para cima. A equipe ficou convencida ao analisar efeitos dos terremotos registrados ao longo de muitas décadas. Os números indicam que o jorro de rochas incandescentes vem do centro da Terra e percorre mais de 2 000 quilômetros antes de chegar à base do continente. Ele está em ação há milhões de anos e deve continuar assim por muito tempo ainda. “Trata-se de uma força importantíssima”, diz Carolina Lithgow-Bertelloni, da Universidade de Michigan, uma das autoras da descoberta. “Ela revela que existe ligação direta entre os movimentos mais profundos do planeta e os acidentes geográficos que vemos na superfície.”
Pesquisadores sugerem que debaixo da parte sul do continente existe uma imensa corrente de rochas derretidas.
Este planalto, erguendo-se 1 000 metros acima do nível do mar, é pelo menos 500 metros mais alto que qualquer outro do planeta.
A teoria…
Esta simulação por computador foi criada a partir da idéia de que há um “rio” de lava empurrando a crosta da Terra para cima.
Ela bate com a topografia real. O vermelho representa regiões a 1 000 metros e o verde, as que ficam quase ao nível do mar.

11.570 – Um buraco enorme a céu aberto na Rússia


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O homem é capaz de alterar de maneira drástica as paisagens pelo mundo. Um caso desses se aplica à chamada República da Iacútia, na Rússia. Ali foi escavado um imenso buraco, em um estado cujo imenso território é escassamente habitado, com 40% de sua área a norte do Círculo Polar Ártico e coberta de permafrost.
O buraco na foto acima é da mina de diamantes de Udachnaya, com 600 metros de profundidade, o que a torna a mais profunda do mundo na exploração dos brilhantes. Ela foi descoberta em 15 de Junho de 1955 e é responsável por 90% da produção dos brilhantes na Rússia e 27% do mundo.
A mina tem reservas estimadas em 225,8 milhões de quilates de diamantes e uma capacidade de produção anual de 10,4 milhões de quilates. Pode-se imaginar quantos já não fizeram a riqueza por lá. Atualmente, a mina é controlada pela empresa russa Alrosa.
No final de 2014, foi encontrada uma estranha pedra, com mais de 30 mil pequenos diamantes, que surpreendeu pesquisadores pelo mundo. O fato extraordinário é que a rocha encontrada tinha 30mm, ou seja, apresentou uma concentração um milhão de vezes maior do que o normal.

11.349 – Alteração comportamental de animais sinaliza, dias antes, a ocorrência de terremotos


O dado de que alterações no comportamento dos animais sinalizam, com horas ou dias de antecedência, eventos como os terremotos já era conhecido. Especialmente noticiada foi a disparada dos elefantes asiáticos para terras altas por ocasião do terremoto seguido de tsunami de 26 de dezembro de 2004. Muitas vidas humanas foram salvas graças a isso. Mas tais eventos ainda não haviam sido documentados de maneira rigorosa e conclusiva. Nem fora estabelecida uma correlação de causa e efeito entre essa modificação do comportamento animal e fenômenos físicos mensuráveis.
Isso ocorreu agora em pesquisa realizada por Rachel Grant, da Anglia Ruskin University (Reino Unido), Friedemann Freund, da agência espacial Nasa (Estados Unidos), e Jean-Pierre Raulin, do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (Brasil). Artigo relatando o estudo, “Changes in Animal Activity Prior to a Major (M=7) Earthquake in the Peruvian Andes”, foi publicado na revista Physics and Chemistry of the Earth.
O físico Jean-Pierre Raulin, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, participou do estudo no contexto do projeto de pesquisa “Monitoramento da atividade solar e da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS) utilizando uma rede de receptores de ondas de muita baixa frequência (VLF) – SAVNET – South América VLF network”, apoiado pela FAPESP.
“Nosso estudo correlacionou alterações no comportamento de aves e pequenos mamíferos do Parque Nacional Yanachaga, no Peru, com distúrbios na ionosfera terrestre, ambos os fenômenos verificados vários dias antes do terremoto Contamana, de 7,0 graus de magnitude na escala Richter, que ocorreu nos Andes peruanos em 2011”, disse Raulin à Agência FAPESP.
Os animais foram monitorados por um conjunto de câmeras. “Para não interferir em seu comportamento, essas câmeras eram acionadas de forma automática no momento em que o animal passava na sua frente, registrando a passagem por meio de flash de luz infravermelha”, detalhou o pesquisador. Em um dia comum, cada animal era avistado de cinco a 15 vezes. Porém, no intervalo de 23 dias que antecedeu o terremoto, o número de avistamentos por animal caiu para cinco ou menos. E, em cinco dos sete dias imediatamente anteriores ao evento sísmico, nenhum movimento de animal foi registrado.
Nessa mesma época, por meio do monitoramento das propriedades de propagação de ondas de rádio de muito baixa frequência (VLF), os pesquisadores detectaram, duas semanas antes do terremoto, perturbações na ionosfera sobre a área ao redor do epicentro. Um distúrbio especialmente grande da ionosfera foi registrado oito dias antes do terremoto, coincidindo com o segundo decréscimo no avistamento dos animais.

11.117 – Geologia – Descrita nova camada do núcleo da Terra


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Numa pesquisa publicada na revista Nature, assinada por cientistas chineses e americanos, indicou que o núcleo interno da Terra, uma região sólida, é na verdade composto por duas partes.
Tradicionalmente, considera-se que o planeta é dividido em: crosta, a camada mais externa do planeta; manto, a porção intermediária de magma; e núcleo, formado por uma parte externa de ferro e níquel líquidos e uma parte interna em estado sólido. O novo estudo sugere que este núcleo sólido não é homogêneo: com tamanho parecido ao da Lua, ele possui duas regiões distintas.
Incapazes de perfurar o coração da Terra, os cientistas tentam desvendá-lo estudando vibrações emitidas por terremotos. Dados de ondas sísmicas revelaram que os cristais de ferro da parte mais interna do núcleo estão alinhados de leste a oeste. Já os que estão na parte externa se alinham na vertical, de norte a sul. Além disso, o tamanho dos cristais varia, indicando que se formaram sob condições distintas.
Xiaodong Song, professor da Universidade de Illinois que liderou o estudo, diz que a descoberta pode ser a chave para a compreensão da evolução da Terra. Os novos dados sugerem que o planeta sofreu mudanças dramáticas que levaram à diferenciação do planeta em diversas camadas.

10.363 – Geologia – As rochas deslizantes de Racetrack Playa


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O fenômeno das rochas deslizantes do lago seco de Racetrack Playa, no Vale da Morte, é um dos enigmas naturais mais intrigantes da geologia moderna. Esse fenômeno consiste nos movimentos de rochas, algumas delas imensas, ao longo de um rastro, sem nenhuma intervenção humana ou animal. Elas têm sido registradas e estudadas em diversos lugares pelo Racetrack Playa, onde o número e o tamanho dos rastros são notáveis. Até hoje não se tem certeza da força por trás do movimento das rochas.
As rochas só se movem a cada dois ou três anos, e a maioria dos rastros de desenvolvem por três ou quatro anos. As pedras ainda são capazes de se virarem, expondo outro lado para o chão, e deixando rastros diferentes. Esses rastros podem se diferenciar tanto em direção quanto em distância. Rochas que podem partir juntas de um certo ponto, podem seguir por uma linha paralela por um tempo, e logo uma delas pode mudar de direção abruptamente para a esquerda, direita ou até para trás, na direção de onde veio. O tamanho das trilhas também varia bastante, duas rochas de tamanhos e formas similares podem viajar uniformemente, e uma delas pode simplesmente parar, enquanto a outra continua.
Geologistas mapearam toda a área do Racetrack Playa em 1948, e registraram os rastros das pedras. Naquele tempo, a maioria dos estudiosos concordou que a hipótese mais plausível seria que esse fenômeno fosse causado por ventos fortes quando o solo do rio estivesse minimamente úmido, e que, se essa não fosse a causa principal, com certeza seria fortemente responsável. Porém, algumas rochas pesam tanto quando um ser humano, fato que fez com que alguns geólogos, como George Stanley, acreditassem que tais rochas seriam excessivamente pesadas para serem empurradas pelo vento. Estudiosos que seguem Stanley, acreditam que camadas de gelo ao redor das pedras podem tanto ajudar a pedra a “pegar” mais vento, ou podem ajudar as pedras a deslizar sobre camadas de gelo no solo.
Em maio de 1972, Bob Sharp e Dwight Carey criaram um complexo programa de monitoramento das pedras do Racetrack Playa. Eles registraram e rotularam cerca de trinta pedras, e usaram estacas para marcar suas posições. A cada pedra foi dado um nome, e as posições das pedras foram registradas por um período de sete anos. Eles fizeram muitos testes para tentar provar a teoria das camadas de gelo, mas ela não se comprovou, as pedras se moviam da mesma forma, independente da presença ou não de gelo. Eles usaram cercados e estacas, que deveriam impedir a ação do vento e detectar alterações causadas pelo congelamento. Isso indicou que, se o gelo faz parte dessa equação, a sua importância deve ser muito pequena, quase desprezível. Outros pares de pedras foram selecionados, e em muitos deles, apenas uma delas se moveu.
Posteriormente, em 1995, alguns pesquisadores detectaram a ocorrência de ventos incomumente fortes na região do rio, que podiam ser comprimidos e intensificados por causa da configuração topográfica da região, podendo esses ventos chegarem a 90km/h, com rajadas de até 140km/h. Acredita-se, que essas rajadas são suficientemente fortes para ser a força de impulso que dá início ao movimento das pedras, enquanto os ventos constantes e mais fracos podem ser responsáveis para manter o movimento das pedras, já que apenas metade da força inicial seria necessária para manter a pedra em movimento.
Um estudo publicado em 2011, postulou, novamente, que pequenas formas de gelo deveriam ser formadas ao redor das pedras, quando o nível do rio aumentava, e esse gelo seria responsável por diminuir a força de atrito nas pedras. Mas essa teoria não pode ser totalmente aceita, pois os movimentos das pedras já foram registrados em temperaturas muito superiores ao do congelamento da água, impossibilitando a formação de gelo.

10.315 – Curiosidades – Pedras de Stonehenge podem ter sido usadas como instrumento de percussão


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É uma cena conhecida: milhares de pessoas reunidas em Stonehenge para festejar, cantar, tocar tambores e farrear sob a alvorada. Não faltam teorias sobre os propósitos do monumento, mas surgiram novos indícios de que o local sempre teve por objetivo sediar festividades ou, mais especificamente, ser palco de shows.
Pesquisadores descobriram que algumas das rochas que integram o monumento, se percutidas, produzem um barulho forte e estridente. Eles dizem que isso talvez explique por que essas rochas foram escolhidas e carregadas por cerca de 300 quilômetros até o local, um feito técnico significativo, 4.000 anos atrás.
Será que Stonehenge foi construído para servir como um instrumento pré-histórico de percussão?
“As pessoas gostariam de saber por que as bluestones foram transportadas a Stonehenge”, diz Paul Devereux, um dos autores do estudo. De fato, os cientistas sabem há muito tempo que muitas das rochas de Stonehenge vieram das colinas Preseli, no oeste do País de Gales. O que nunca esteve claro foi o motivo.
A ideia de que essas rochas fossem usadas para produzir música -ou barulho- ocorreu a Devereux e seu colega Jon Wozencroft, do Royal College of Art, durante uma viagem a Preseli em busca de sons do passado.
Eles descobriram que, em algumas áreas de Preseli, uma rocha conhecida como diabásio, ou dolerito, um dos tipos de rochas encontrados em Stonehenge, produzia um som parecido com o de um sino metálico quando percutida. Em julho de 2013, os pesquisadores receberam permissão para testar algumas das rochas diabásicas de Stonehenge. Já que as bluestones (termo britânico para todas as rochas do local) de Stonehenge estão fincadas no solo, as expectativas não eram elevadas.
“É preciso que exista algum espaço, algum ar, em torno delas para que ressoem”, disse Devereux. Mesmo assim, muitas das pedras produziram sons ocos, semelhantes aos de sinos. Algumas também pareciam portar marcas de percussão. Devereux e Wozencroft não são os primeiros a perceber que as rochas de Preseli ecoam: uma cidade próxima leva o nome de Maenclochog, que significa “pedras tilintantes”. Algumas igrejas locais usavam essas pedras como sinos até o século 18.
Há pedras sonoras em Gales, na Suécia, na China, na Austrália e nos Estados Unidos. Entre as culturas da antiguidade, pedras que produzem sons eram ocasionalmente vistas como dotadas de poderes místicos. Isso pode explicar por que as rochas sonoras estão em Stonehenge.
Por que algumas rochas ecoam quando percutidas? “Elas não são ocas, como as pessoas tendem a acreditar”, diz Maja Hultman, arqueóloga da Universidade de Uppsala, na Suécia. O som tampouco é causado por fendas nas pedras. As fendas provavelmente resultam de elas terem sido percutidas, diz Hultman.
Lawrene Malinconico, geólogo do Lafayette College, na Pensilvânia, atribui a sonoridade a uma combinação de densidade e composição. O diabásio, com presença abundante de ferro e magnésio, passou cerca de 170 milhões de anos sob a terra antes de emergir e esfriar. “Quando as rochas esfriam, o processo se parece com o de forja de um sino de ferro fundido”, diz Malinconico. As rochas são densas o bastante para produzir um som agudo.
A revelação de que Stonehenge servia para fazer barulho pode não resolver a discussão sobre o seu propósito original, diz Devereux, mas ele espera que a descoberta encoraje os arqueólogos a considerar o que os antigos ouviam, além daquilo que viam e faziam.

10.137 – Os 10 maiores terremotos da história


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No dia 1 de abril, um forte terremoto de magnitude 8,2 sacudiu o norte do Chile. Um dia depois, outro tremor de magnitude 7,8 atingiu a mesma região, obrigando a Shoa (Serviço Hidrográfico e Oceanográfico da Marinha), a emitir um alerta de tsunami e a evacuação de mais de 1 milhão de habitantes.
Este, no entanto, não foi o primeiro e nem o último episódio preocupante no Chile, que sofre com terremotos há muitos anos. Na lista dos 10 maiores terremotos de todos os tempos, o Chile aparece duas vezes, tendo inclusive sido palco do maior terremoto já registrado na história.
Porque ocorrem tantos terremotos no Chile?
Como talvez você lembre da sua época de escola, os terremotos acontecem quando placas tectônicas se movimentam, causando deformação nas grandes massas de rocha. Quando esse esforço supera o limite de resistência da rocha, ela se rompe e libera energia em forma de ondas elásticas, chamadas de ondas sísmicas. Essas ondas podem fazer a terra vibrar intensamente, o que ocasiona os terremotos.
O Chile se encontra logo acima da zona de subducção onde a placa de Nazca escorrega para o leste sob a placa Sul-Americana. Por isso, nessa região os terremotos são constantes. Contudo, o terremoto que ganhou destaque nesse mês ocorreu em um trecho dessa fronteira tectônica que ainda não havia escorregado para produção de um terremoto em mais de 150 anos.
Para nossa sorte, Brasil, Argentina e Uruguai dificilmente têm terremotos, pois estão localizados no meio da placa do Atlântico, cuja borda leste está enterrada no meio do oceano.
O terremoto de 1 de abril não foi nem mesmo um dos 10 maiores da história do Chile (veja uma lista aqui). Mas o Chile não é o único lugar onde ocorrem terremotos enormes. Conheça aqui a lista dos 10 maiores terremotos a partir do século XX, quando as medições se tornaram mais precisas.

10 – Tibete (China), 1950 – Magnitude 8.6
Este terremoto causou a morte de mais de 1.500 pessoas. Apesar de ter se originado no Tibete, ele causou mais danos em Assam, na Índia.

9 – Sumatra (Indonésia), 2005 – Magnitude 8.6
Essa definitivamente não foi uma boa época para os moradores de Sumatra. Depois da região ser devastada três meses antes com o tsunami do Oceano Índico em dezembro de 2004, que matou mais de 230 mil pessoas atingindo a Indonésia, Sri Lanka, Índia, Tailândia e Maldivas, a ilha de Sumatra sofreu novamente com um tremor em terra que deixou mais de 1.300 pessoas mortas.

8 – Alasca (EUA), 1965 – Magnitude 8.7
O tremor atingiu as ilhas Rat, no Alasca (EUA), gerando um tsunami com ondas de 10 metros de altura. Felizmente, ao contrário de muitos casos nessa lista, o terremoto ocasionou poucos danos.

7 – Equador-Colômbia, 1906 – Magnitude 8.8
O abalo atingiu o Equador e a fronteira com a Colômbia, matando cerca de 1.000 pessoas, a maioria na Colômbia. Ele também ocasionou uma tsunami e chegou a ser sentido em San Francisco (EUA) e no Japão.

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6 – Chile, 2010 – Magnitude 8.8
Um dos mais recentes da lista, o terremoto aconteceu no dia 27 de fevereiro de 2010, deixando mais de 800 fatalidades e mais de 20 mil pessoas desabrigadas. O tremor mais intenso durou cerca de três minutos e pode ser sentido em diversas regiões do Chile, que juntas respondiam por 80% da população do Chile. As tsunamis causadas devastaram cidades no país e acionaram alertas em mais de 53 países, causando danos até em San Diego (EUA).

5 – Rússia, 1952 – Magnitude 9.0
Apesar da magnitude do terremoto, originado na península de Kamchatka, extremo leste da Rússia, e das ondas gigantes da Tsunami que chegaram ao Havaí, não tivemos nenhuma vítima fatal, felizmente.

4 – Japão, 2011 – Magnitude 9.0
Não tivemos a mesma sorte com o terremoto que atingiu o Japão, em 2011, e ainda está em nossas memórias. Seguido por um tsunami com ondas de 10 metros de altura que chegaram a uma velocidade de 800 km/h que atingiu a costa japonesa, a tragédia deixou mais de 15 mil mortos, 6.000 feridos e 2.600 pessoas desaparecidas, além de ter deixado cidades totalmente devastadas.

3 – Sumatra (Indonésia), 2004 – Magnitude 9.1
Mais uma vez em Sumatra, este foi o terremoto que deu origem à grande tsunami que atingiu 14 países e matou mais de 230.000 pessoas, se tornando um dos maiores desastres naturais da história do planeta.

2 – Alasca (EUA), 1964 – Magnitude 9.2
Tendo durado cerca de quatro minutos, o fortíssimo abalo deixou 15 vítimas fatais. A tsunami originada a partir dele, no entanto, matou 129 pessoas. Foi o terremoto mais forte da história da América do Norte.

1 – Chile, 1960 – Magnitude 9.5
Ocorrido em 22 de maio de 1960, esse foi o maior terremoto de todos os tempos. Ele deixou mais de 2.000 mortos e apagou cidades inteiras do mapa do Chile, gerando ondas de 10 metros de altura. A Tsunami resultante atingiu também o Havaí, Japão, Nova Zelândia e Austrália.

10.006 – Geologia – O Intemperismo


O solo é continuamente formado pela fragmentação e decomposição das rochas da superfície terrestre. Expostas ao ar, as rochas estão sujeitas à ação direta do sol, da água das chuvas, dos ventos, entre outros elementos que alteram sua composição química e seu aspecto físico. O fenômeno responsável pela decomposição das rochas e pela modificação de suas características físicas e químicas é denominado intemperismo.
Existem dois tipos diferentes de intemperismo:

Intemperismo físico – degradação da rocha por meio de processos físicos, sem alteração da sua composição química.
Intemperismo químico – conjunto de reações químicas que alteram os minerais que compõem as rochas.
A intensidade do intemperismo sobre as rochas é atenuada ou acentuada de acordo com alguns fatores. Veja alguns deles.

Tipos de rochas
Sob as mesmas condições climáticas, cada tipo de rocha responde ao intemperismo de maneira diferente, o que varia de acordo com a sua composição mineralógica. As rochas que apresentam expressivas quantidades de quartzo, como o granito, são mais resistentes ao intemperismo do que as rochas sedimentares, como o calcário e o arenito.

Clima
A variação de temperatura das rochas, principal fator do intemperismo físico, se deve ao constante aquecimento pelo sol seguido do brusco resfriamento pelas chuvas. Com isso, as rochas contraem e dilatam continuamente, o que causa sua fragmentação. Nas regiões polares ou de grandes altitudes, a água congela nas fissuras das rochas e as dilata, fragmentando-as em partes menores. As mudanças de temperatura entre dia e noite e entre as estações do ano também contribuem para o processo de degradação das rochas.

A água, agente mais importante do intemperismo químico, reage quimicamente com os minerais componentes das rochas, produzindo substâncias ácidas que as corroem, o que favorece a degradação. Em regiões de climas tropicais, em que os índices de umidade são elevados, o intemperismo químico é mais intenso, enquanto nas regiões de clima frio e árido, a degradação das rochas é menor.

Relevo
O relevo interfere no fluxo da água das chuvas, resultando numa maior ou menor infiltração no solo. Nos locais de maior declive, o contato das rochas com a água das chuvas é menor, o que prejudica as reações químicas responsáveis pela fragmentação do solo. Já nas regiões mais baixas e côncavas, o acúmulo de água é maior, favorecendo o intemperismo das rochas.

Tempo cronológico
Quanto maior for o tempo de exposição da rocha às condições atmosféricas, maior será a intensidade do intemperismo sobre a mesma.

9912 – Geologia – O que existe no centro da Terra?


Uma grande bola de metal! Mais especificamente, uma bola sólida de ferro e níquel. Pode parecer estranho que a quase 5 mil graus Celsius o centro da Terra não seja líquido. “É que a pressão prevalece sobre a temperatura, impedindo a agitação das moléculas” (USP).
Por causa do calor infernal e da pressão esmagadora, nenhuma sonda humana jamais atingiu o centro da Terra. A tentativa que chegou mais “próximo” ocorreu na década de 1970, quando pesquisadores russos abriram no país um buraco que atingiu 12 quilômetros de profundidade – uma ninharia perto dos milhares de quilômetros necessários para alcançar o núcleo.
Mas nem por isso, as previsões dos geólogos e geofísicos deixam de ser confiáveis. Para saber o que existe abaixo de nossos pés, eles se valem de cálculos e estudos sofisticados. Entre eles, a análise da composição de meteoritos, a relação entre a densidade da Terra e das rochas da sua superfície e experiências laboratoriais que simulam a propagação das ondas sísmicas. A existência de um poderoso campo magnético em volta e dentro da Terra reforça ainda mais as evidências de que há muito metal no centro do planeta.

Camadas:

CROSTA
Entre 6 e 75 km de espessura
Composta de rochas como arenitos, granitos, basaltos e mármores. A crosta sob os oceanos é menos espessa que sob os continentes

MANTO
Abaixo da crosta e até 2 891 km de profundidade
Formada por rochas de consistência viscosa, tem temperatura de 600ºC (abaixo da crosta) a 3 500ºC (na divisa com o núcleo). As lavas de vulcões vêm daí

NÚCLEO EXTERNO
Entre 2 891 e 5 150 km de profundidade
Liga metálica de ferro e níquel mais um elemento leve, como enxofre ou potássio, na forma líquida. A temperatura varia entre 3 500 ºC e 4 600ºC

NÚCLEO INTERNO

Entre 5 150 e 6 371 km de profundidade
Uma bola metálica sólida, formada por ferro e níquel. A temperatura atinge 4 900ºC. O calor é tão alto que a radiação das moléculas emitiria luz.