11.775 – Ártico em Perigo – Urso polar só “pele e osso”


O que restou de um urso polar
O que restou de um urso polar

de: Planeta Sustentável para o ☻Mega

A fotógrafa Kerstin Langenberger é uma das centenas de turistas que viajam todos os anos para o fiórde de Svalbard, no ártico norueguês, para observar ursos polares. Mas o que ela viu, recentemente, a deixou perplexa: Kerstin encontrou, repetidas vezes, animais famintos e com pouco mais do que pele e osso.
Em um post comovente em seu perfil no Facebook, a fotógrafa publicou a imagem de um urso polar raquítico vagando atrás de alimento. Ela atribuiu a situação chocante ao degelo recorde do Ártico, associado ao aumento das temperaturas em meio às mudanças climáticas.
“Eu vejo geleiras recuando dezenas a centenas de metros a cada ano. Eu vejo o bloco de gelo desaparecendo em velocidade recorde. Sim, eu vi ursos em boa forma – mas também tenho visto [ursos] mortos e morrendo de fome. Ursos andando nas margens à procura de comida, ursos tentando caçar renas, comer ovos do pássaro, musgo e algas”, escreveu a fotógrafa.
Segundo os cientistas, a diminuição do gelo do Ártico reduz a oferta de comida para os animais (o principal alimento dos ursos são focas). Em junho deste ano, um grupo de cientistas observou ursos polares comendo golfinhos-de-bico-branco, pela primeira vez, no fiórde de Svalbard, o mesmo lugar retratado por Kerstin.
A fotógrafa também percebeu que os ursos mais corpulentos são quase exclusivamente machos que permanecem no bloco central de gelo durante todo o ano, ao passo que as fêmeas, que precisam dar à luz seus filhotes em áreas mais afastadas, próximas das costas, muitas vezes são escassas.
“Com o bloco de gelo recuando mais e mais ao norte a cada ano, elas tendem a ficar presas em áreas onde não há muita comida. No primeiro ano, elas perdem sua primeira prole. No segundo ano, perdem outra […] Muitas vezes eu vi ursos terrivelmente finos, e eles eram exclusivamente do sexo feminino – como este aqui [da foto]. Um mero esqueleto, ferido na perna da frente, possivelmente por uma tentativa desesperada de caçar uma morsa enquanto ela estava presa em terra”, lamenta.
A perda de gelo marinho no Ártico tem despertado temores sobre o futuro dos ursos polares e, por isto, a fotógrafa termina seu post com um apelo comovente:
“Eu não tenho dados científicos para provar minhas observações, mas eu tenho olhos para ver – e um cérebro para tirar conclusões. A mudança climática está acontecendo aqui no Ártico. E cabe a nós tentar mudar isso. Então vamos fazer algo sobre a maior ameaça do nosso tempo. Talvez a gente não possa salvar este urso aqui. Mas cada pequena ação que fazemos para mudar os nossos caminhos é um passo na direção certa. Nós apenas temos que começar e seguir em frente!”, defende Kerstin.

9951 – Corrida pelo petróleo do Ártico alimenta disputa pela região


greenpeace

Em 2007, uma bandeira da Rússia foi colocada sobre o mar congelado dessa região, onde novamente o Exército desse país marca presença. O presidente russo, Vladimir Putin, não esconde seu interesse nos preciosos recursos enterrados no fundo do oceano no Ártico.
Estima-se que a região abrigue 13% das reservas de petróleo ainda não descobertas e 30% das de gás natural. O aumento constante do preço da energia e o derretimento das calotas polares, devido ao aquecimento global, só aumenta o interesse pelo Polo Norte.
A dura reação do governo russo em resposta ao protesto dos ativistas revela quão importante o Ártico é para o país. Enquanto o Greenpeace reforça sua campanha contra a exploração de petróleo no território gelado, a corrida pelos recursos minerais no polo continua.
As fronteiras no oceano Ártico ainda não foram definidas. Quando os recursos estão localizados próximo à costa – até 200 milhas marítimas -, a soberania é clara. Mas estima-se que existam depósitos além desse limite. Como a previsão é que esses recursos offshore estejam mais acessíveis no futuro, os países com fronteira nessa região querem assegurar o direito ao acesso o mais rápido possível.
Estados Unidos, Canadá, Dinamarca, Noruega e Rússia, por exemplo, reivindicam a exploração do solo marítimo na região. A decisão sobre a reivindicação de territórios será tomada no âmbito da Convenção das Nações Unidas de Direito Marítimo. Esses países já reuniram dados na tentativa de provar que o solo em questão é continuidade de sua plataforma continental.
No entanto, mesmo sem uma definição, esses países e também companhias petrolíferas já iniciaram seus negócios. Em 2010, Noruega e Rússia assinaram, por exemplo, um acordo sobre as fronteiras no Mar de Barents e no Oceano Ártico, facilitando a busca por petróleo na região.
Canadá, o país que possuiu atualmente a presidência do Conselho Ártico, já afirmou que o desenvolvimento no Polo Norte tem prioridade.Estados Unidos e Dinamarca aumentaram suas atividades no Ártico. A maioria dos países e das empresas estatais e privadas, como Rosneft, Statoil, Eni, ExxonMobil e Shell, estão na busca por petróleo.
Depois do vazamento de petróleo no Golfo do México, em 2010, cresceram as preocupações sobre possíveis consequências de um acidente dessas dimensões no Ártico. A reação da indústria petrolífera foi criar um programa para estudar os riscos.
O site do programa reconhece que os desafios da exploração economica na região são maiores que em outros locais do mundo, devido ao gelo, às distâncias, condições climáticas e à falta de infraestrutura. Além disso, afirma que a indústria precisa assegurar o respeito ao meio ambiente e à população nativa.
O Greepeace afirma que isso não está acontecendo. Os ativistas temem os danos que o desenvolvimento industrial pode causar no meio ambiente naquela região. O petróleo se decompõe bem devagar em água gelada e ainda não há tecnologia para removê-lo completamente nessas condições. Até hoje, é possível encontrar vestígios do vazamento de um navio na costa do Alasca, que ocorreu em 1989.
A União Europeia também desenvolve um estudo sobre as consequências da exploração para o meio ambiente da região, que deve ser publicado em 2014. Segundo o Centro Ártico da União Europeia na Finlândia, os efeitos desse negócio para a população local seriam enormes, enquanto os lucros financeiros seriam revertidos para regiões distantes.
Apesar das ressalvas, a União Europeia vê o Polo Norte como uma fonte futura de petróleo e gás. que poderia assegurar o abastecimento energético nas próximas décadas. Já os ativistas do Greenpeace lutam pela criação de uma área de proteção ambiental em torno da região. Além do ecossistema, a campanha visa proteger o clima global.
Juntamente com outras organizações, o Greenpeace chama a atenção para os efeitos sobre o clima com o uso de combustíveis fósseis. Se explorado, a queima do petróleo do Polo Norte impulsionaria o aquecimento global e aceleraria o derretimento das calotas polares. Para evitar um aquecimento maior do que 2°C, dois terços dos recursos minerais precisariam permanecer no solo, segundo uma análise da Agência Internacional de Energia.

3037 – Aquecimento Global: O Perigo vem do Ártico


Cientistas ligados a ONU estão investigando o solo do Ártico que está começando a despejar gás carbônico na superfície. Por enquanto, a quantidade é pequena, mas se aumentar, pode ameaçar a vida no planeta. Toda a atividade, inclusive a industrial humana produz por ano cerca de 6 gigatons do gás poluente e que causa o efeito estufa. Nos últimos anos, o calor anormal vem derretendo o geleiras milenares. A novidade é que, além de aumentar o nível dos oceanos, pode também liberar mais carbono na atmosfera, acelerando ainda mais o processo de aquecimento do planeta. O solo do Ártico armazena 14% de todo o carbono existente na Terra e representa várias centenas de gigatons. Pelos cálculos atuais, o efeito estufa fará a Terra esquentar de 2 a 5°C até 2050, mas se o gás do Ártico chegar a atmosfera, a mudança climática poderá ser bem mais rápida.