13.940 – Gelo da Groenlândia derrete a ritmo mais rápido em 350 anos


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O derretimento de gelo por toda a Groenlândia está cada vez mais acelerado. É o que mostra um artigo publicado recentemente no periódico científico Nature. O estudo, comandado por um glaciologista da Universidade Rowan, em Nova Jérsei, EUA, aponta que o volume de água decorrente do descongelamento alcançou níveis provavelmente inéditos em sete ou oito milênios.
A pesquisa revelou também que, ao longo das últimas duas décadas, o derretimento foi 33% maior do que a média do século XX, além de 50% maior do que na era pré-industrial. Para chegar a essas conclusões, os cientistas perfuraram geleiras de até 140 metros de comprimento entre 2014 e 2015. Depois, os pesquisadores compararam os dados coletados com informações antigas obtidas por meio de satélites e se basearam em modelos de clima regional.
O resultado final mostrou que o gelo da Groenlândia vem derretendo a um ritmo mais acelerado do que em qualquer ponto dos últimos 350 anos. O auge do descongelamento, segundo o artigo, foi em 2012, quando a quantidade de água liberada para os oceanos equivaleu a 240 milhões de piscinas olímpicas.
Em consequência, a região é uma das maiores responsáveis pelo aumento do nível do mar, contribuindo com uma parcela de 22% da água que sobrecarrega os oceanos.

13.809 – Pesquisador quer construir muralha para impedir degelo da Antártida


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Conforme o aquecimento global se agrava, os pesquisadores começam a elaborar soluções cada vez mais drásticas para reduzir os impactos das mudanças climáticas na humanidade.
Michael Wolovick, pesquisador do departamento de geociências da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, tem novos planos que, segundo ele, são “plausíveis dentro das realizações humanas”.
Conforme publicou no Cryosphere, ele quer construir uma muralha nos arredores das geleiras para impedir que o gelo vire água e, assim, impeça o aumento do nível do mar. “Estamos imaginando estruturas muito simples, simplesmente pilhas de cascalho ou areia no fundo do oceano”, disse Wolovick ao The Guardian.
A função dessa barreira seria dupla. A primeira e mais óbvia é deter o deslizamento das geleiras submarina à medida que elas se desintegram nas profundezas. Mas elas também podem impedir que as águas mais quentes atinjam as bases das geleiras sob o mar, o que limitaria o degelo.
Wolovick e seus colegas pesquisadores usaram modelos de computador para verificar os prováveis ​​impactos das estruturas que eles acreditam serem necessárias, tomando como ponto de partida a geleira Thwaites na Antártida, com aproximadamente 100 km de extensão, sendo uma das maiores geleiras do mundo.
A criação de uma estrutura de colunas isoladas ou montes no fundo do mar, cada um com cerca de 300 metros de altura, exigiria entre 0,1 e 1,5 km cúbicos de material agregado. Isso tornaria tal projeto semelhante à quantidade de material escavado para formar as Palm Islands de Dubai, que levaram 0,3 quilômetros cúbicos de areia e rocha, ou o canal de Suez, que exigiu a escavação de aproximadamente um quilômetro cúbico.
Tudo isso para garantir uma probabilidade de 30% de impedir o colapso descontrolado da camada de gelo no oeste antártico, conforme sugerem os modelos. Projetos com design mais complexo chegam a 70% de chance de bloquear que metade da água quente alcance a parede de gelo, mas seriam muito mais difíceis de realizar em condições adversas como do polo sul.
As geleiras derretendo sob temperaturas crescentes nos pólos têm o potencial de descarregar grandes quantidades de água doce nos oceanos, fazendo com que o nível do mar suba mais rápido do que nos últimos milênios.
Somente a geleira de Thwaites, uma corrente de gelo do tamanho da Grã-Bretanha e provavelmente a maior fonte isolada de futuros aumentos do nível do mar, poderia provocar o derretimento de água suficiente para elevar o nível do mar global em três metros.
Os autores esperam que, ao criar seus modelos experimentais, possam fomentar pesquisas futuras sobre a engenharia necessária para realizar esses projetos, que levariam muitos anos ou décadas para construídos.
O próprio pesquisador afirma que esse tipo de projeto serve mais como um remendo, que como solução. “Quanto mais carbono emitimos, menor a probabilidade de que as camadas de gelo sobrevivam a longo prazo”, disse ele.

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13.767 – Nasa vai lançar satélite para monitorar o derretimento de gelo na Terra


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A Nasa vai lançar o IceSat-2, o novo satélite de monitoramento da massa polar da Terra. Usando o ATLAS, o laser mais avançado já desenvolvido pela agência espacial, o equipamento vai medir a altura das massas de gelo da Antártida e da Groenlândia.
De acordo com um comunicado o objetivo da agência é mapear as taxas anuais de diminuição das geleiras. Com isso, espera-se prever como essas mudanças vão alterar o nível dos mares e o clima nos polos terrestres e no restante do planeta.
A iniciativa vem da urgência ambiental do problema do derretimento das geleiras. Todos os anos, centenas de bilhões de toneladas de gelo somem por conta do aumento da temperatura, fazendo com que o nível dos oceanos aumente. Dos anos 80 para cá, a área de gelo do mar Ártico diminui 40%.

Como o satélite vai funcionar
A expectativa dos pesquisadores é aperfeiçoar as medições já realizadas pela Nasa a partir de 2003, com o IceSat-1, e em 2009, com o projeto Ice Bridge. Agora, a análise será feita em três dimensões e com uma precisão de frações de centímetro. Tudo isso graças ao poderoso ATLAS.
O sistema emitirá 10 mil pulsos de laser por segundo e registrará o tempo de deslocamento deles entre o satélite e a superfície da Terra. Com precisão certeira, ele vai mostrar a taxa de variação da velocidade em que os fótons (as partículas da luz) irão retornar para o satélite. Com isso, será possível saber o quanto que a altura determinado manto de gelo diminuiu em um ano.
Fora os polos, o ICESat-2 vai medir também a altura de ondas oceânicas, reservatórios e áreas urbanas, além da altura do topo das árvores em relação ao solo. Este último dado, combinado com outros existentes sobre as extensões das florestas, fornecerá uma estimativa da quantidade de carbono armazenada em áreas florestais no mundo.
“Como o satélite fornecerá medições de precisão sem precedentes e com cobertura global, ele produzirá não apenas novas reflexões sobre as regiões polares, mas também descobertas não previstas no mundo todo”, disse Thorsten Markus, cientista do projeto ICESat-2. O lançamento está programado para o dia 15 de setembro, na Califórnia.

13.047 – Aquecimento Global – Iceberg gigante ameaça se desprender da Antártida e gera preocupação


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Um gigantesco iceberg –que seria um dos dez maiores do mundo– pode se desprender a qualquer momento da Antártida, dizem cientistas.
Uma imensa rachadura na plataforma de gelo Larsen C cresceu de tal forma em dezembro que agora apenas 20 km de gelo impedem o imenso bloco de 5 mil km² (o equivalente a 500 mil campos de futebol ou à área do Distrito Federal) de se soltar.
A Larsen C é a maior plataforma de gelo no norte da Antártida. As plataformas de gelo são as porções da Antártida onde a camada de gelo está sobre o oceano e não sobre a terra.
Cientistas do País de Gales afirmam que o desprendimento do iceberg pode deixar toda a plataforma Larsen C vulnerável a uma ruptura futura.
A plataforma tem espessura de 350 m e está localizada na ponta do oeste da Antártida, impedindo a dissipação do gelo.

Os pesquisadores vêm acompanhando a rachadura na Larsen C por muitos anos. Recentemente, porém, eles passaram a observá-la mais atentamente por causa de colapsos das plataformas de gelo Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002.
No ano passado, cientistas britânicos afirmaram que a rachadura na Larsen C estava aumentando rapidamente.
Mas, em dezembro, o ritmo avançou a patamares nunca antes vistos, avançando 18 km em duas semanas.
Dessa forma, segundo os pesquisadores, o que se tornará um gigantesco iceberg está por um triz de se soltar –apenas 20 km o prendem à plataforma.
“Se o iceberg não se desprender nos próximos meses, ficarei espantado”, diz à BBC Adrian Luckman, da Universidade de Swansea, no País de Gales, responsável pela pesquisa.
“As imagens não são completamente visíveis, mas conseguimos usar um sistema para verificar a extensão do problema. O iceberg está a tal ponto de se soltar que considero que isso seja inevitável”, acrescenta ele.
Luckman afirma que a área que deve se romper possui 5 mil km², o que resultaria num dos dez maiores icebergs já registrados no mundo.

AQUECIMENTO GLOBAL
Os cientistas dizem, no entanto, que o fenômeno é geográfico e não climático. A rachadura existe por décadas, mas cresceu durante um período específico.
Eles acreditam que o aquecimento global tenha antecipado a provável ruptura do iceberg, mas não têm evidências suficientes para embasar essa teoria.
No entanto, permanecem preocupados sobre o impacto do desprendimento desse iceberg do restante da plataforma de gelo, já que a ruptura da Larsen B em 2002 aconteceu de forma muito semelhante.
“Estamos convencidos, ao contrário de outros, de que o restante da plataforma de gelo ficará menos estável do que a atual”, diz Luckman.

12.790 – A perigosa “neve de melancia” que preocupa os cientistas


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O processo cada vez mais acelerado de degelo que se observa na região ártica tem deixado a comunidade científica em alerta há vários anos. O aquecimento global faz com que toneladas de água passem de estado sólido para líquido todos os anos, aumentado o nível dos oceanos e ameaçando ecossistemas inteiros.
Cientistas do German Research Centre for Geosciences, em Potdsam, e da Universidade de Leeds, no Reino Unido, acabam de publicar um artigo no qual explicam como o fenômeno conhecido como “neve de melancia” está fazendo estragos no Ártico.
A tonalidade rosada particular que a neve assume é causada por algas que, ao florescerem na estação quente do ano, mancham os gelos nos quais elas se desenvolvem. E, longe de ser um espetáculo inofensivo para o meio ambiente, essa coloração faz com que a neve absorva o calor do Sol em vez de refleti-lo, acelerando em 13% o processo de derretimento.
Ao subirem as temperaturas médias da região, cria-se um círculo vicioso no qual essas algas se reproduzem com maior facilidade.
Os pesquisadores responsáveis pelo estudo explicam que é essencial considerar os desajustes cada vez mais evidentes na biodiversidade dos territórios gelados para poder compreender o fenômeno em toda a sua complexidade.

12.749 – Planeta Terra – Degelo pode causar ressurgimento de vírus e bactérias


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Os casos recentes de antraz no extremo norte da Rússia revelam o perigo sanitário do degelo do permafrost, a camada de solo permanentemente congelada que contém vírus nocivos.
Os habitantes da península de Yamal, 2.500 km ao nordeste de Moscou, sofreram na pele: uma criança morreu e outras 23 pessoas contraíram antraz em julho passado. Fazia 75 anos que a infecção tinha desaparecido da região.
A preocupação agora é que este não tenha sido um incidente anormal e isolado e que outras doenças –algumas datando da Idade do Gelo– poderiam ser desencadeadas conforme o aquecimento global derrete partes geladas do norte da Rússia.
A temperatura na Rússia aumenta em média 2,5 vezes mais rápido que no resto do mundo, e no Ártico a mudança é ainda mais veloz.
O antraz é uma doença infecciosa aguda transmitida por esporos da bactéria Bacillus anthracis, que existem naturalmente no solo e podem ser ingeridos por animais e passados para os seres humanos. Se não for tratada, a doença pode ser fatal.
Além do antraz, há uma série de outros perigos à espreita nas covas rasas do Ártico gelado, que podem ser liberados do gelo séculos depois, disse Viktor Maléyev, diretor adjunto do Instituto de Pesquisa Central de Epidemiologia da Rússia.
Mais de 1.500 pessoas foram vacinadas, e mais de 700 correm risco e estão recebendo tratamento com antibióticos, segundo as autoridades locais. Cerca de 270 tropas estão se encarregando de incinerar os restos dos animais infectados, diz Kobylkin.
Os cientistas lamentam que, em vez de investir em pesquisas sobre as mudanças climáticas, as autoridades só gastem para resolver situações de emergência.

12.504 – Derretimento de geleira na Antártida pode elevar oceanos em até 2 metros


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A geleira Totten, que derrete rapidamente no lado leste da Antártida, poderá elevar os oceanos em até dois metros e é possível que ultrapasse, em breve, um “ponto crítico” sem retorno, alertaram pesquisadores .
Até agora, os cientistas se preocupavam, principalmente, com as plataformas de gelo da Groenlândia e do oeste da Antártida como perigosos gatilhos da elevação do nível dos oceanos.
Esse novo estudo, que se segue a outro já feito pela mesma equipe, identificou uma terceira grande ameaça a centenas de milhões de pessoas que vivem em áreas costeiras ao redor do mundo.
“Eu prevejo que, antes do final do século, as grandes cidades globais do nosso planeta perto do mar terão proteção contra o mar de 2 a 3 metros de altura a seu redor”, afirmou o codiretor do Grantham Institute e do Departamento de Engenharia e Ciências da Terra na Imperial College London, Martin Siegert, autor sênior do estudo.
No último ano, Siegert e seus colegas revelaram que uma parte da geleira Totten está sendo erodida pela aquecida água do mar, que chega ao local após percorrer centenas de quilômetros.
Publicado na “Nature”, esse novo estudo usou dados de satélite para mapear contornos geológicos escondidos da região. Os especialistas encontraram evidências de que a Totten também derreteu em um outro período de aquecimento global natural há alguns milhões de anos –um possível teste para o que está acontecendo hoje.
“No Plioceno, as temperaturas eram 2ºC mais altas do que são agora, e os níveis de CO2 na atmosfera eram de 400 ppm (partes por milhão)”, lembrou Siegert. Nesse período, os níveis do mar atingiram picos de mais de 20 metros de elevação, em relação aos dias atuais.
“Estamos em 400 ppm agora e, se não fizermos nada sobre a mudança climática, também vamos ter um aquecimento de mais 2ºC também”, acrescentou. “Essas são questões que temos de resolver na nossa sociedade hoje”, declarou Siegert por telefone, insistindo em que “elas são urgentes agora”.

11.016 – Planeta Terra – Nível do mar sobe mais do que o previsto


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Um estudo publicado pela revista “Nature” revela que o aumento do nível do mar foi “significativamente maior” do que o esperado pelos especialistas para a última década do século XX e a primeira do atual.
A pesquisa, realizada por Carling Hay e Eric Morrow no Departamento de Ciências Planetárias e Terrestres da Universidade de Harvard, constatou que o aumento global do nível do mar entre 1900 e 1990 foi superestimado em 30%. No entanto, o estudo mostra que, apesar das controvérsias sobre o assunto na comunidade científica, os últimos dados divulgados sugerem que os cálculos sobre a elevação dos níveis dos oceanos a partir de 1990 estão corretos, o que confirma uma aceleração do aumento do nível do mar.
“Esta pesquisa mostra que o aumento do nível do mar ocorrido durante o século passado foi maior do que o esperado. É um problema maior do que pensávamos inicialmente”, alertou Morrow.
Segundo Hay, atualmente sabe-se que a maioria das camadas de gelo do mundo, assim como as geleiras, está derretendo em função do aumento das temperaturas, o que provoca uma “elevação global do nível do mar”.
“Outra preocupação a este respeito é que muitos dos esforços realizados para obter projeções sobre a mudança do nível do mar no futuro utilizam os dados superestimados do período 1900-1990”, afirmou Morrow.
As estimativas que utilizam esses números como base estão comprometidas, e é necessário, portanto, adotar uma “perspectiva completamente nova”, segundo os pesquisadores.
Normalmente, explicou Carling Hay, as estimativas sobre o aumento do nível do mar são feitas a partir de dados dos marégrafos e do registro nas variações sofridas nas “sub-regiões” nas quais os oceanos são divididos. Esses registros, acrescidos de dados complementares mais específicos, servem para estimar a elevação do nível do mar em cada “sub-região”, que, somadas, dão origem a uma média global.
“No entanto, estas médias simples não representam o real valor do aumento global. Os marégrafos estão situados ao longo das costas, portanto extensas áreas de oceano não estão incluídas nas medições”, explicou Hay.
Segundo o estudo, o nível do mar muda “por diversos motivos”, entre os quais estão os “efeitos duráveis da última glaciação”, “o aquecimento e a expansão do oceano em função do aquecimento global”, as “variações na circulação de água” e o “degelo”.
Hay e Morrow elaboraram suas novas previsões a partir da observação de “um conjunto de evidências globais”, até chegar a determinar “como as camadas de gelo individuais” contribuem para a elevação do nível do mar.
“Devemos levar os sinais de glaciação em consideração, entender como os modelos de circulação de água nos oceanos se alteram e também como a expansão termal afeta os modelos regionais e a média global”.

10.792 – Pediram água? Ela vai vir – Um vento preocupante sopra na Antártica


Antártida derretimento
Antártida derretimento

Pesquisas já haviam sugerido que a expansão do gelo do mar da Antártica anuncia mudanças, acelerando o derretimento de sua cobertura de gelo e armazenando calor por baixo de uma camada de água fria de superfície – o que irá piorar as enchentes em todo o mundo.
A impressionante extensão de banquisas sobre os mares que cercam a região foi causada por água doce fluindo das geleiras. Este derretimento está formando camadas de água incomumente fria e relativamente sem sal. E pode redesenhar a influente Circulação de Revolvimento do Atlântico Meridional, que carrega água entre as regiões tropicais e polares, desde o Ártico à Antártica, com consequências para todo o planeta.
Um estudo recente mostra a atuação de outro fator preocupante: novos ventos estão soprando sobre o Polo Sul, já uma área de forte ventania. Isto ameaça aumentar ainda mais a taxa de derretimento e intensificar as enchentes.
Os ventos, lendários, estão em uma direção mais orientada para o polo desde os anos 1950. São esparsas as observações de temperatura no continente hostil, mas cientistas modelaram os efeitos do oceano sobre esta mudança, que vem sendo causada pelo afinamento da camada de ozônio e e o aumento dos gases de efeito estufa. E ficaram impressionados pelo perigoso feedback da mudança do clima que descobriram.
Segundo eles, a alteração nos ventos “produz um aquecimento intenso” logo abaixo da superfície do oceano. Ela está trazendo correntes quentes de águas mais profundas para uma zona onde a camada de gelo da Antártica é mais vulnerável e desmorona a partir de sua parte baixa – os locais onde torres de gelo estão sobre solos submersos.
“Estamos identificando um mecanismo muito simples,” disse ontem Stephen Griffies, cientista da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA, que contribuiu com o trabalhado publicado na Geophysical Research Letters.
As maiores reservas de água do gelo sobre o mar ficam na Antártica, e entender a taxa na qual o gelo fluirá para o mar pode ajudar pesquisadores a refinar suas previsões sobre a elevação de seu nível. Projeções atuais indicam que 2.6% da população mundial estaria vivendo em áreas regularmente inundadas até o final do século. E se a Antártica for menos estável do que se espera, a catástrofe pode ser ainda pior do que o previsto, diz a Climate Central.

10.182 – Planeta Terra – Derretimento de geleiras na Antártida é Irreversível


Placas de gelo
Placas de gelo

O derretimento das geleiras da Antártida Ocidental está avançando de forma gradual e “irrefreável”, afirmaram dois novos estudos científicos. De acordo com os levantamentos, o derretimento que já começou não deve ter efeitos imediatos nos oceanos, mas poderá adicionar até 3,6 metros ao nível do mar nos próximos séculos, um ritmo de elevação mais rápido do que o previsto anteriormente.
Os resultados dos estudos foram divulgados em uma entrevista coletiva convocada pela Nasa nesta segunda-feira. Os pesquisadores afirmaram que é provável que o derretimento ocorra por causa do aquecimento global provocado pelo homem e pelo buraco na camada de ozônio, que mudaram os ventos da Antártida e aqueceram a água que corrói as bases do gelo. Fatores naturais, no entanto, também podem estar entre as causas, acrescentaram os cientistas.
Em um dos estudos, a agência espacial americana analisou 40 anos de dados de solo, aviões e de satélite sobre o que os pesquisadores chamam de “o ponto fraco da Antártida Ocidental” que mostram que o colapso das geleiras da região está sendo provocado pela água morna do oceano que se infiltra por baixo da camada de gelo, acelerando o seu derretimento. “Parece estar acontecendo rapidamente”, disse o glaciologista da Universidade de Washington Ian Joughin, autor de um dos levantamentos.
Outro cientista envolvido nas pesquisas classificou o processo como “irrefreável” e explicou que nenhuma ação humana ou mudança climática poderá deter o derretimento, embora ele possa ser reduzido. “O sistema está em uma espécie de reação em cadeia que é irrefreável”, disse o glaciologista da Nasa Eric Rignot, principal autor de um dos estudos. “Cada processo nesta reação está alimentando o próximo.” Segundo ele, limitar as emissões de combustíveis fósseis para reduzir a mudança climática provavelmente não irá parar o derretimento, mas pode diminuir a velocidade do problema.

9428 – Aquecimento global: O começo do fim


aquecimento global

O furacão Katrina devastou Nova Orleans. Não demorou um dia até que uma porção de gente começasse a declarar que a culpa não era do efeito estufa. O climatologista Pat Michaels, da Universidade da Virgínia, por exemplo, se apressou a afirmar que “ainda não há prova de que as contribuições humanas para o efeito estufa causem furacões”. É sempre assim. Existe nos EUA um verdadeiro exército disposto a desfazer qualquer relação entre a ação humana e os efeitos destrutivos do aquecimento global.
A temperatura média do planeta subiu 0,7 ºC no último século. Nas últimas décadas, geleiras tidas como eternas começaram a derreter, enchentes e secas se tornaram mais violentas, ondas de calor mataram milhares e um furacão fez sua estréia no Brasil. E o pior: foi só o começo. Nos próximos 100 anos, prevê-se que a temperatura aumentará entre 1,4 ºC e 5,8 ºC. Se considerarmos que 0,7 ºC causou tudo isso, dá para dizer que a palavra “apocalipse” não está longe de descrever o que vem por aí. O aquecimento global não é uma ameaça distante: é um perigo palpável, real, e está bem na sua frente.
Os moradores de Fairbanks, a maior cidade do interior do Alasca, perceberam que algo estava errado quando a cidade começou a afundar. Localizada no extremo norte da América, a região é tão fria que muitas ruas são construídas sobre uma camada de gelo, parte dele com mais de 12 mil anos de idade. O calor esburacou as ruas e entortou as casas. A 850 quilômetros dali, todo o gelo que protegia a vila de Shishmaref do vento e das ondas derreteu, o que obrigou os habitantes a mudar a cidade inteira para outro lugar, a um custo de 180 milhões de dólares.
O Alasca é uma das regiões mais afetadas pelo aquecimento global – em alguns pontos, a temperatura no inverno subiu 6 ºC desde 1960. Entretanto, quase todos os lugares frios do mundo têm uma história para contar a respeito do calor crescente. No início de 2002, uma placa de gelo com o dobro do tamanho da cidade de São Paulo e 220 metros de espessura se desfez em pedaços na Antártida em apenas um mês. Em todos os continentes, a maioria das geleiras – os rios de gelo que correm do topo das montanhas – está sumindo. “A julgar pela taxa com que estão diminuindo, perderemos grande parte delas nas próximas décadas”, afirma o climatologista Lonnie Thompson, da Universidade do Estado de Ohio, EUA, que desde os anos 70 sobe montanhas em uma corrida para estudar o gelo antes que ele acabe. Pelas suas previsões, as neves no topo do Kilimanjaro, o ponto culminante da África, não passarão de 2015. No Himalaia, a mais alta cadeia de montanhas do mundo, dois terços das geleiras podem entrar em colapso, provocando primeiro enchentes catastróficas na China, Índia e Nepal e, depois, falta de água em toda essa região superpovoada.
Tanto degelo não é à toa. A década de 1990 foi a mais quente desde que os cientistas começaram as medições, no século 19 – 1998 registrou o calor recorde e 2005 é forte candidato ao 2o lugar na lista. Há indícios de que as altas temperaturas da última década não têm paralelo ao menos nos últimos 1 000 anos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o aquecimento global mata cerca de 160 mil pessoas por ano. Vários dos fatores diretos das mudanças climáticas afetam a saúde: falta de alimentos leva à desnutrição, enchentes trazem leptospirose e contaminam fontes de água, o que traz diarreias. Mas, nessa história toda, pelo menos uma família de animais parece ter se beneficiado: os mosquitos. Resultado: epidemias. Eles não só se proliferam mais rapidamente no calor como atingem áreas que antes eram frias demais para o seu estilo de vida. Junto com eles, doenças como malária, dengue e febre amarela têm mais possibilidades de se propagar.

8663 – Paradoxo Ecológico – Por que o derretimento das geleiras pode fazer o nível do mar recuar?


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Com o aquecimento do planeta e o derretimento das geleiras, o nível do mar subirá. Mas, em alguns lugares do mundo, por mais estranho que pareça, as águas deverão baixar. No passado, cientistas acreditavam que o nível do mar aumentaria por igual em todas as partes do mundo, como numa banheira cheia de água. Ao analisar os dados do aumento do nível do mar que já vivemos e as mudanças na última era do gelo, os números não batiam – e foram até usados como argumento, por céticos, para mostrar que a ciência do clima estava errada.
A solução para a questão só foi descoberta quando a equipe do pesquisador Jerry Mitrovica, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, decidiu colocar um dado a mais na equação: a força da gravidade. Mitrovica descobriu que as grandes geleiras da Antártica e da Groenlândia exercem forte atração gravitacional sobre o mar. Essa força puxa a massa de água na direção da geleira, aumentando o nível do mar nos polos. Quando a geleira derrete, a atração gravitacional enfraquece, e o nível do mar diminui ali.
A boa notícia é que o mar mais baixo nos polos pode ajudar a desacelerar o próprio derretimento das geleiras. Com menor quantidade de água do mar, as geleiras ficam menos expostas às correntes de água quente. Com isso, podem derreter em velocidade menor que a esperada. A má notícia é que essa água vai para algum lugar. Se o nível do mar diminuirá nos polos, deverá aumentar ainda mais em outras partes do globo. Os modelos mostram que o derretimento da Groenlândia pode diminuir o nível do mar no nordeste do Canadá, na Islândia e na Escócia. Em compensação, as águas subirão mais na América do Sul, inclusive no sul do Brasil. Os modelos de computador que calculam essas variações ainda estão em aprimoramento. Mas, provavelmente, quem gosta de praia terá de buscar refúgio na Escócia ou na Islândia. Pelo menos estará mais quente por lá.

8627 – Planeta Verde – Degelo Acelerado na Antártida


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Foi documentado pela primeira vez a aceleração do derretimento do solo da Antártida, em uma região onde o gelo era considerado estável. Segundo os pesquisadores, os níveis de degelo são comparáveis aos do Ártico, onde o derretimento acelerado do permafrost (solo permanentemente congelado) se tornou um fenômeno regular.
A análise do Vale Garwood, na região McMurdo Dry Valleys, na Antártida, mostrou que o derretimento acelerou consideravelmente de 2001 para 2012, chegando a dez vezes a média. A região de Dry Valleys contém um dos maiores trechos de gelo de solo do continente.
O local anteriormente havia sido considerado em equilíbrio pelos pesquisadores, que acreditavam que o derretimento e o congelamento sazonais não eram responsáveis por diminuir a camada de gelo no solo. Porém, Joseph Levy, pesquisador do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, utilizou um Lidar (aparelho que emite lasers e analisa a luz refletida para “escanear” o ambiente) e fotografias para documentar uma rápida redução do gelo na região. Os resultados foram publicados no periódico Scientific Reports.
“A grande questão é que o gelo está desaparecendo. Está derretendo mais rápido a cada vez que medimos”, afirma Levy. Não há sinais de registros geológicos que indiquem que o gelo do vale já tenha diminuído tanto no passado.
O aumento do degelo, porém, não se deve a uma elevação de temperatura na região. Foi documentada no local uma queda de temperatura de 1986 até o ano 2000, e desde então ela se mantém estável. Os autores do estudo atribuem o degelo ao aumento da radiação vinda do Sol, decorrente de uma mudança no padrão climático que fez com que uma quantidade maior de luz solar conseguisse chegar ao chão.

O solo de gelo é mais comum no Ártico do que na Antártida, cuja paisagem é dominada por geleiras e lençóis de gelo. A principal diferença entre essas formações é que o gelo do solo pode estar misturado a solo congelado ou enterrado sob camadas de sedimento. Os raios solares são refletidos por superfícies brancas, como geleiras e lençóis, enquanto superfícies escuras absorvem os raios. Assim, embora camadas grossas de sedimento isolem o gelo da luz do sol, reduzindo o derretimento, camadas mais finas provocam o efeito contrário, aquecendo o gelo próximo a elas e acelerando seu derretimento.
Segundo os pesquisadores, se a Antártida sofrer o aquecimento esperado durante o próximo século, a combinação entre o aumento da temperatura do ar e o derretimento causado pelos raios solares pode fazer com que o gelo do solo derreta de forma ainda mais rápida.

8456 – Estudo diz que geleiras da região do Everest diminuíram 13% em 50 anos


O Monte Everest, a maior montanha do mundo, já sofre impactos do aumento da temperatura global.
De acordo com o estudo, anunciado em uma conferência realizada em Cancún, no México, em 50 anos o gelo encontrado na região do Everest reduziu-se em 13% e pontos da montanha que antes ficavam totalmente cobertos já são visíveis.
Geleiras com tamanho médio de 1 km² estão desaparecendo mais rapidamente e foi detectada uma redução de 43% da presença delas na superfície da montanha desde 1960. A exposição de rochas e escombros que antes ficavam nas profundezas do gelo aumentou 17% desde 1960. Já as extremidades das geleiras recuaram, em média, 400 metros nos últimos 50 anos.
De acordo com pesquisadores da Universidade de Milão, na Itália, há suspeita de que a grande quantidade de emissões de gases de efeito estufa seja a principal causa da redução do gelo e neve na região do Everest. No entanto, eles ainda não estabeleceram uma ligação entre as mudanças na montanha e as mudanças climáticas.

Ritmo crescente de degelo
Segundo o pesquisador Sudeep Thakuri, que liderou a equipe de cientistas durante o trabalho, patrocinado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), as informações foram obtidas com a ajuda de imagens de satélite do Parque Nacional Sagarmartha, além de mapas topográficos e reconstrução da história glacial da região. A análise estatística mostra ainda que a maioria das geleiras do parque recuam a ritmo crescente.
Dados hidrometeorológicos avaliados pelos cientistas apontaram também que, desde 1992, a temperatura da região do Monte Everest aumentou 0,6ºC e as chuvas diminuíram em 100 milímetros nos períodos que antecipam as monções (mudança de ventos que proporcionam chuvas intensas durante os períodos de junho a agosto) e nos meses de inverno.
A próxima etapa da pesquisa é integrar os dados sobre as geleiras, a hidrologia e o clima na região, para entender melhor o ciclo das chuvas e a futura disponibilidade de água no Himalaia. “As calotas polares e o gelo do himalaia são considerados uma fonte de água para a Ásia, para o consumo, agricultura e produção de energia”, explicou Thakuri.

8129 – Gelo do Ártico derreteu em ritmo recorde em 2012


O gelo do Oceano Ártico derreteu em ritmo recorde em 2012, o nono ano mais quente desde o início dos registros, anunciou recentemente a omm (Organização Meteorológica Mundial), uma agência da ONU.
No relatório sobre o ano de 2012, a OMM afirma que, em agosto e setembro do ano passado, as zonas geladas do Ártico cobriam apenas 3,4 milhões de quilômetros quadrados, 18% a menos que em 2007, quando havia sido registrado o recorde anterior.
Para o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, este é um “preocupante sinal da mudança climática”.
“O ano de 2012 também registrou outros extremos, como secas e ciclones tropicais. A variabilidade natural do clima sempre resultou em extremos deste tipo, mas a mudança climática determina cada vez mais as características físicas dos acontecimentos meteorológicos e climáticos extremos”, disse.
“Por exemplo, dado que os níveis globais do mar são atualmente 20 centímetros maiores que o que eram em 1880, tempestades como o furacão Sandy estão produzindo mais inundações costeiras”, completou.
A OMM afirma que a temperatura global média de terras e superfícies marinhas é estimada 0,45 grau centígrado acima da média do período que vai de 1961 a 1990, que é de 14 graus Celsius.
EsSe foi o nono ano mais quente desde 1850, primeiro do qual se tem registro, e o 27º ano consecutivo no qual a temperatura de terras e superfícies marinhas supera a média de 1961-1990.
“A tendência continua de alta das concentrações atmosféricas de gases do efeito estufa confirma que o aquecimento prosseguirá”, disse Jarraud.
Temperaturas superiores à média foram registradas em quase todo o planeta, particularmente na América do Norte, Europa meridional, Rússia ocidental, partes do norte da África e América do Sul meridional, destacou a OMM.
Paralelamente, foram registradas temperaturas inferiores à média no Alasca, partes do norte e leste da Austrália e Ásia Central.
As precipitações também mudaram, com condições mais secas que a média em grande parte do centro dos Estados Unidos, México setentrional, nordeste do Brasil, centro da Rússia e centro-sul da Austrália.
A umidade aumentou no norte da Europa, oeste da África, centro-norte da Argentina, oeste do Alasca e na maior parte do norte da China.
O furacão Sandy afetou primeiro o Caribe e depois a costa leste dos Estados Unidos no fim de outubro. Pelo menos 300 pessoas morreram na região e foram registradas perdas materiais de mais de 75 bilhões de dólares apenas nos Estados Unidos.
A destruição provocada pelo Sandy levou a OMM a retirar este nome da lista rotativa de nomes de tempestades, informou a agência da ONU.
“Sandy” será substituída por “Sara”, depois que os meteorologistas decidiram que o uso futuro do nome poderia gerar tristeza.
“Sandy” é o 77º nome retirado da lista de tempestades tropicais do Atlântico, como já havia acontecido nos casos “Irene” (2011), Igor e Tomás (2010), Gustav e Paloma (2008) e Denis, Katrina, Rita e Wilma (2005).

7608 – Geologia – Rochas dão indícios de consequências do aquecimento global


Uma equipe de cientistas percorreu uma estrada de terra em dois carros. Depois de procurar o dia todo por antigas praias a quilômetros de distância do atual litoral, eles estavam quase desistindo.
De repente, o carro da frente parou. Paul J. Hearty, um geólogo da Carolina do Norte, saltou e apanhou um objeto branco ao lado da estrada: uma concha fossilizada. Ele sorriu. Em poucos minutos, a equipe tinha coletado outras dezenas de conchas.
Usando equipamentos via satélite, eles determinaram que estavam a 11 quilômetros do litoral e a 19 metros acima do litoral moderno da África do Sul.
Para a chefe da equipe, Maureen E. Raymo, da Universidade Columbia em Nova York, a descoberta foi uma pista importante. Sua pesquisa tenta determinar até que altura os oceanos poderão subir em um mundo mais quente.
A questão adquiriu nova urgência depois do furacão Sandy, que causou inundações costeiras nos Estados Unidos. Segundo cientistas, certamente a tempestade foi agravada pela elevação do nível do mar no último século. Esse tipo de maré de tempestade, segundo especialistas, poderá tornar-se rotineiro nos litorais no final deste século se o oceano subir com a velocidade que eles preveem.
Uma quantidade suficiente de gelo polar derrete quando a temperatura da Terra aumenta apenas alguns graus, podendo elevar o nível marinho global de 7,5 metros a 9 metros. Mas, no próximo século, a temperatura da Terra deverá aumentar quatro ou cinco graus, por causa do aumento do nível de dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa.
Especialistas dizem que as emissões desses gases, que deverão causar um grande aumento do nível do mar, poderão ocorrer nas próximas décadas. Eles temem que, como os litorais do mundo são densamente povoados, a ascensão dos oceanos provoque uma crise humanitária que dure séculos.
O registro fóssil não indica nada parecido com o rápido lançamento de gases do efeito estufa de hoje e suas consequências para o aumento da temperatura do planeta. “Absolutamente, inequivocamente, a natureza já mudou antes”, disse Richard B. Alley, um climatologista da Universidade Estadual da Pensilvânia. “Mas parece que vamos fazer algo maior e mais rápido do que a natureza já fez.”
Raymo está tentando encontrar uma era com temperaturas que reflitam as esperadas até 2100. Ela concentra-se no período pliocênico, 3 milhões de anos atrás. O dióxido de carbono no ar então parece ter sido cerca de 400 partes por milhão –um nível que será alcançado novamente nos próximos anos, depois de dois séculos de queima de combustível fóssil.
Ela e sua equipe dirigiram centenas de quilômetros ao longo das costas sul e oeste da África do Sul procurando praias pré-históricas. A equipe localizou praias supostamente do Plioceno em locais de 11 a 33 metros acima do nível atual do mar. Em um trabalho semelhante na Austrália e na costa leste dos EUA, pesquisadores encontraram praias do Plioceno de dez metros a até 88 metros acima do nível do mar.
As estimativas anteriores do nível do mar nesse período geológico variam de 4,5 a 39 metros acima do oceano atual. Se o trabalho de Raymo confirmar as estimativas mais altas, ele poderá indicar que a camada de gelo no leste da Antártida –o maior bloco de gelo do mundo, contendo água suficiente para elevar o nível do mar em 54 metros,– também é vulnerável à fusão. Os cientistas não compreendem totalmente o porquê.
Assim, o projeto poderá definir um limite de quanto o oceano poderá subir se as temperaturas aumentarem como se espera neste século.
Pesquisa recente sugere que a elevação provável será de quatro metros até 2300, inundando regiões costeiras em todo o mundo.
Se a elevação for mais lenta do que o esperado, a população terá tempo para se adaptar. Mas muitos cientistas temem que seus cálculos tenham sido conservadores demais.

7498 – Planeta Terra – Se as calotas polares derretessem…


Planeta Verde

A Terra está esquentando. Graças à queima de petróleo e carvão, só no último século a temperatura média do planeta já aumentou 0,5 0C. E vai subir mais, dizem cientistas do mundo todo. Mas não pense que isso significa mais dias de sol para aproveitar nos fins de semana. O aquecimento pode ter conseqüências drásticas para o planeta. Entre esses efeitos, um dos mais graves é o derretimento, pouco a pouco, das calotas polares, aquela imensidão de gelo e neve que cobre milhões de quilômetros quadrados nos pólos Sul e Norte. Os cientistas têm certeza de que a maior parte desse gelo derreterá. Entretanto, não sabem qual o tamanho do estrago. Mas e se as calotas derretessem completamente?
O primeiro efeito do derretimento seria um enorme aumento no nível do mar. No século 20, ele já subiu 25 centímetros, e é quase certo que, até 2100, deve se elevar mais 80 centímetros. Parece pouco, mas é o suficiente para inundar áreas habitadas por 118 milhões de pessoas.
As estimativas mais otimistas dizem que, no ano 3000, o mar terá subido 30 metros. Os mais pessimistas calculam que, até lá, as calotas já terão derretido completamente, elevando o nível dos oceanos em espantosos 67 metros, o que equivale à altura de um prédio de 23 andares. A população que mora junto ao mar, estimada em mais de 1 bilhão de pessoas, seria mais afetada. Mas todo o mundo acabaria sendo atingido, em algum grau. Afinal, tal elevação do nível do mar destruiria ou alteraria todos os portos do mundo, por onde entra e sai a maior parte do comércio internacional.
O Brasil seria um dos países mais afetados. Ao sul, o oceano Atlântico invadiria a bacia do Prata, inundando parte do Rio Grande do Sul (e um pedação da Argentina e do Uruguai). No norte, as águas oceânicas avançariam centenas de quilômetros pela calha do rio Amazonas ameaçando a biodiversidade amazônica. Não bastasse isso, boa parte das capitais do país seria inundada. No Rio de Janeiro, por exemplo, os bairros mais nobres, na zona sul, ficariam debaixo d’água. Já os morros, onde hoje estão as favelas, ficariam à beira mar.
Como sempre, os países ricos contornariam a catástrofe mais facilmente que as nações do Terceiro Mundo. Muito tempo antes de as águas cobrirem as cidades litorâneas do mundo desenvolvido, haveria propostas de diques e barreiras para conter o avanço das águas, como já acontece há séculos na Holanda. Na Europa, por exemplo, já existem propostas (a maior parte delas fora de propósito) de um sistema de eclusas fechando o estreito de Gibraltar, entre Espanha e Marrocos, o que impediria o avanço do oceano Atlântico. Isso salvaria o sul da Europa, o norte da África e boa parte do patrimônio histórico da humanidade. A cidade de Veneza, hoje já atingida por inundações, poderia até ser salva. Mas alguns estragos seriam inevitáveis. Nos Estados Unidos, a Flórida desapareceria quase completamente. A Nova York de hoje também ficaria submersa.
O aumento da superfície molhada e da temperatura aumentaria a umidade relativa do ar.
O clima ficaria mais violento, com chuvas e nevascas (sim, nos pólos ainda haveria nevascas). Tufões, furacões e maremotos se tornariam mais freqüentes nas regiões onde já ocorrem.
Com tanto calor, é possível que algumas regiões hoje verdes se transformassem em desertos. A produção de alimentos entraria em colapso e pouca gente sobreviveria. Quem restasse enfrentaria um planeta revoltado pelo estrago causado por nós mesmos.

7374 – Antártida e Groenlândia passam por degelo acelerado


Os mantos de gelo da Antártida e da Groenlândia estão em derretimento acelerado e perderam 4 trilhões de toneladas nas últimas duas décadas. O valor representa 20% da água que causou um aumento de 55 mm no nível dos mares nesse período.
Os números vêm de um mutirão científico que produziu um número de consenso, ao reunir dados que antes pareciam discordantes.
Num estudo descrevendo o trabalho na revista “Science”, os autores afirmam que o resultado é compatível com o cenário de aquecimento global e que o problema deve se agravar nas próximas décadas, apesar de ainda não ser possível dizer o quanto. O trabalho todo reuniu 47 cientistas de 26 laboratórios e cruzou informações coletadas por dez satélites, usando quatro técnicas diferentes.
A situação mais preocupante, segundo o estudo, é na Groenlândia, onde a redução do manto de gelo é dois terços do total global. Na Antártida, a porção oriental do continente teve um tênue aumento em seu manto, mas as perdas ocorridas no lado ocidental foram muito maiores, fazendo o saldo ficar negativo.
A perda de massas continentais de gelo ainda é um componente menor dentro dos fenômenos que contribuem para o aumento no nível do mar. O fator que mais influencia a subida da linha d’água é a expansão térmica: quando a água se aquece, ocupa maior volume. Mas isso pode, e deve, mudar. Simulações de computador que tentam prever o aumento total do nível do mar até 2100 em razão do aquecimento global variam radicalmente. O último relatório do IPCC trabalha com uma variação entre 20 cm e 60 cm, mas previsões recentes mais sofisticadas indicam que o nível do mar pode subir de 75 cm a 1,85 metro neste século.
Os dados publicados hoje na “Science” vão permitir a criação de modelos com menos incerteza.
Mesmo que a taxa de degelo na Antártida e na Groenlândia siga sem acelerar, há razão para preocupação.

derretimento

7346 – Novo recorde de temperatura em 2012


antártida capa de gelo

O ano de 2012 deve ser um dos mais quentes da história. Dados da Organização Meteorológica Mundial, da ONU, indicaram que o período entre janeiro e outubro deste ano foi o nono mais quente desde que as medições foram iniciadas, em 1850.
As temperaturas se elevaram mesmo com a ocorrência, no início do ano, do fenômeno meteorológico La Niña, que favorece o resfriamento.
Com a dissipação do La Niña, em abril, os termômetros deram um salto. A temperatura entre maio e outubro foi a quarta mais alta já registrada para esse período.
De acordo com o relatório, divulgado ontem durante a COP 18, conferência do clima da ONU que acontece agora em Doha (Qatar), 2012 está sendo marcado por eventos climáticos extremos.
O documento destaca as altas temperaturas na América do Norte, Europa e parte da África, além das secas que castigaram boa parte do globo, inclusive a região Nordeste do Brasil.
O degelo recorde no Ártico também recebeu destaque.
No dia 16 de setembro, a cobertura chegou à menor quantidade já registrada desde que a medição por satélite começou: 3,41 milhões de quilômetros quadrados.
O furacão Sandy, que atingiu o Caribe e a Costa Oeste dos EUA, bem como, mais uma vez, a existência de intensa temporada de tempestades tropicais, também foram destacados pelo grupo.
Os EUA, aliás, caminham para o que deve ser o ano mais quente já registrado. Seu vizinho, o Canadá, deve ter a terceira maior média histórica anual.
De uma maneira geral, a temperatura média no planeta ficou 0,45°C mais quente do que o que a de 1961 a 1990.

Antártida
O oeste da Antártida está esquentando em um ritmo que é o dobro do estimado anteriormente, segundo estudo publicado nesta semana na “Nature Geoscience”.
A média anual de temperaturas na estação de pesquisa Byrd, no oeste do continente, aumentou 2,4 º C desde a década de 1950, um dos crescimentos mais rápidos do planeta e três vezes mais veloz que a média global, segundo a pesquisa.
O achado dá força ao temor de que a camada de gelo esteja sujeita a derretimento. O oeste da Antártida contém gelo suficiente para aumentar o nível do mar em 3,3 metros se um dia derretesse, um processo que pode levar séculos.
“A porção ocidental da camada de gelo está sofrendo quase o dobro do aquecimento estimado antes”, diz nota publicada pela Universidade Ohio State sobre o estudo liderado pelo professor de geografia David Bromwich.
Segundo a universidade, o aquecimento levanta preocupação sobre a contribuição futura da Antártida no aumento do nível do mar. No último século, os oceanos avançaram cerca de 20 cm.
Um painel de especialistas da ONU prevê que o nível do mar aumentará entre 18 e 59 cm neste século ou até mais, caso o degelo da Groenlândia e da Antártida se acelere.
O aumento nas temperaturas no oeste do continente é comparável ao que ocorreu na península Antártica, ao norte. Muitas plataformas de gelo entraram em colapso ao redor da Antártida nos últimos anos e, uma vez que as plataformas se quebram, as geleiras por trás sofrem deslizamentos mais rápido, aumentando o nível do mar.
Os cientistas dizem que já houve um derretimento esparso das camadas de gelo no oeste do continente em 2005.
“Um aumento contínuo das temperaturas no verão poderia levar a episódios de derretimento mais extensos e frequentes”, dizem os pesquisadores, que refizeram o registro de temperatura no oeste da Antártida desde 1958, com a ajuda de simulações feitas por computador.

7112 – Sistema projeta degelo da Terra até 2100


Com um toque em seu aplicativo para iPhone ou um controle de Nintendo Wii, o diretor do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, Michel Mahiques, faz começarem a girar projeções em um gigantesco globo de policarbonato, posicionado no centro de uma sala escura e recebendo imagens de quatro equipamentos localizados nos cantos da sala.
As animações mostram como será o degelo na Terra até o ano de 2100, mas podem ser modificadas caso o professor vá até o computador e coloque outro modelo gráfico, como a movimentação das correntes marítimas, a temperatura dos oceanos ou da propagação das ondas do tsunami que atingiu o Japão em 2011. E não são só os assuntos “oceanográficos” que têm espaço. Os modelos podem representar explosões solares, pousos em Marte, locais de biodiversidade e até mesmo a migração de tartarugas marcadas com chips no Pacífico.
O sistema Science on a Sphere, responsável pelas animações, está desde abril de 2012 no Museu Oceanográfico, no IO. Desenvolvido pela Agência Americana de Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês), o globo é o primeiro do hemisfério sul e recebe atualizações diárias das bases de dados da Agência, que têm representações visuais. “Ao invés de projetá-las em uma superfície plana, as imagens vão para uma superfície que se assemelha ao formato do planeta”, explica a aparente simplicidade do que é, na verdade, o segredo do impacto visual gerado pelo sistema.