13.940 – Gelo da Groenlândia derrete a ritmo mais rápido em 350 anos


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O derretimento de gelo por toda a Groenlândia está cada vez mais acelerado. É o que mostra um artigo publicado recentemente no periódico científico Nature. O estudo, comandado por um glaciologista da Universidade Rowan, em Nova Jérsei, EUA, aponta que o volume de água decorrente do descongelamento alcançou níveis provavelmente inéditos em sete ou oito milênios.
A pesquisa revelou também que, ao longo das últimas duas décadas, o derretimento foi 33% maior do que a média do século XX, além de 50% maior do que na era pré-industrial. Para chegar a essas conclusões, os cientistas perfuraram geleiras de até 140 metros de comprimento entre 2014 e 2015. Depois, os pesquisadores compararam os dados coletados com informações antigas obtidas por meio de satélites e se basearam em modelos de clima regional.
O resultado final mostrou que o gelo da Groenlândia vem derretendo a um ritmo mais acelerado do que em qualquer ponto dos últimos 350 anos. O auge do descongelamento, segundo o artigo, foi em 2012, quando a quantidade de água liberada para os oceanos equivaleu a 240 milhões de piscinas olímpicas.
Em consequência, a região é uma das maiores responsáveis pelo aumento do nível do mar, contribuindo com uma parcela de 22% da água que sobrecarrega os oceanos.

13.809 – Pesquisador quer construir muralha para impedir degelo da Antártida


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Conforme o aquecimento global se agrava, os pesquisadores começam a elaborar soluções cada vez mais drásticas para reduzir os impactos das mudanças climáticas na humanidade.
Michael Wolovick, pesquisador do departamento de geociências da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, tem novos planos que, segundo ele, são “plausíveis dentro das realizações humanas”.
Conforme publicou no Cryosphere, ele quer construir uma muralha nos arredores das geleiras para impedir que o gelo vire água e, assim, impeça o aumento do nível do mar. “Estamos imaginando estruturas muito simples, simplesmente pilhas de cascalho ou areia no fundo do oceano”, disse Wolovick ao The Guardian.
A função dessa barreira seria dupla. A primeira e mais óbvia é deter o deslizamento das geleiras submarina à medida que elas se desintegram nas profundezas. Mas elas também podem impedir que as águas mais quentes atinjam as bases das geleiras sob o mar, o que limitaria o degelo.
Wolovick e seus colegas pesquisadores usaram modelos de computador para verificar os prováveis ​​impactos das estruturas que eles acreditam serem necessárias, tomando como ponto de partida a geleira Thwaites na Antártida, com aproximadamente 100 km de extensão, sendo uma das maiores geleiras do mundo.
A criação de uma estrutura de colunas isoladas ou montes no fundo do mar, cada um com cerca de 300 metros de altura, exigiria entre 0,1 e 1,5 km cúbicos de material agregado. Isso tornaria tal projeto semelhante à quantidade de material escavado para formar as Palm Islands de Dubai, que levaram 0,3 quilômetros cúbicos de areia e rocha, ou o canal de Suez, que exigiu a escavação de aproximadamente um quilômetro cúbico.
Tudo isso para garantir uma probabilidade de 30% de impedir o colapso descontrolado da camada de gelo no oeste antártico, conforme sugerem os modelos. Projetos com design mais complexo chegam a 70% de chance de bloquear que metade da água quente alcance a parede de gelo, mas seriam muito mais difíceis de realizar em condições adversas como do polo sul.
As geleiras derretendo sob temperaturas crescentes nos pólos têm o potencial de descarregar grandes quantidades de água doce nos oceanos, fazendo com que o nível do mar suba mais rápido do que nos últimos milênios.
Somente a geleira de Thwaites, uma corrente de gelo do tamanho da Grã-Bretanha e provavelmente a maior fonte isolada de futuros aumentos do nível do mar, poderia provocar o derretimento de água suficiente para elevar o nível do mar global em três metros.
Os autores esperam que, ao criar seus modelos experimentais, possam fomentar pesquisas futuras sobre a engenharia necessária para realizar esses projetos, que levariam muitos anos ou décadas para construídos.
O próprio pesquisador afirma que esse tipo de projeto serve mais como um remendo, que como solução. “Quanto mais carbono emitimos, menor a probabilidade de que as camadas de gelo sobrevivam a longo prazo”, disse ele.

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13.804 – Nasa lança satélite para medir mudanças no gelo da Terra


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Um satélite da Nasa projetado para medir com precisão as placas de gelo, geleiras, bancos de gelo marinho e vegetação foi lançado neste sábado, da Califórnia, nos Estados Unidos. Um foguete transportando o ICESat-2 decolou da Base Aérea de Vandenberg em direção à órbita polar.
O diretor da Nasa na Divisão de Ciências da Terra, Michael Freilich, disse que a missão vai avançar no conhecimento, principalmente, de como as camadas de gelo da Groenlândia e Antártida contribuem para o aumento do nível do mar.
O ICESat-2 carrega um único instrumento, um altímetro a laser que mede a altura determinando quanto tempo fótons levam para viajar da espaçonave para a Terra e voltar. A missão sucede a original ICESat, que funcionou de 2003 a 2009. As medições continuaram desde então com instrumentos aerotransportados na Operação IceBridge.

12.352 – Como Surge um Iceberg?


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Iceberg,apenas uma fração está na superfície

Eles são criados pelas geleiras que escorregam no interior do continente antártico.
A água evapora dos mares e se acumula na forma de nuvens carregadas de cristais de gelo, no inverno esses cristais caem na forma de flocos de neve e cobrem a superfície do continente.
A neve endurece e forma placas que escorregam para o mar, cobrindo o litoral. Tais placas se acumulam e no calor derretem, são partidas pelas ondas e seus pedaços flutuam soltos no mar.
Assim nascem os icebergs, que podem levar anos para derreter virando água que evapora e o ciclo recomeça.
Do iceberg aproximadamente um décimo de seu volume total fica visível, deste modo, estas gélidas massas são um perigo para a navegação, visto que podem alcançar grandes dimensões. Exemplo disto é o que aconteceu ao famoso transatlântico Titanic, que afundou no dia 14 de abril de 1912.
O iceberg não procede da água marinha porque o gelo que se forma na superfície do Oceano Ártico, por exemplo, nunca chega a ter uma grande espessura, já que a pressão que a água recebe a vários metros de profundidade é suficientemente grande para impedir que ela congele. O gelo é menos denso do que a água, por isso flutua e, também por este motivo, o gelo não pode formar-se a certa profundidade.

12.080 – Planeta Terra – A Formação das Geleiras


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Existem dois tipos de lugares diferentes na Terra onde se formam geleiras: no Pólo Norte e no Pólo Sul, onde sempre faz frio intenso; e em altitudes elevadas, como nas grandes cadeias de montanhas.
Uma geleira é basicamente um grande acúmulo de gelo que dure mais de um ano. No primeiro ano, a pilha de neve é conhecida como nevé. Se a neve permanece por mais de um inverno, a formação passa a ser conhecida como firn.
À medida que mais e mais neve se acumula ao longo dos anos, o peso da neve no topo começa a comprimir a neve que existe no fundo da pilha. A compressão faz com que a neve se torne gelo. É como tomar na mão um punhado de neve e comprimi-la para formar uma bola de neve mais dura, mas em uma escala bem maior. A compressão da geleira continua por dezenas, centenas ou até milhares de anos, o que acrescenta mais e mais camadas no topo e eleva ainda mais o peso. O gelo termina comprimido a tal ponto que boa parte do ar que ele abriga é expulsa. É por isso que o gelo glacial parece azul.
Por fim, a geleira ganha tamanho peso que começa a se mover. Existem duas formas de movimento glacial e a maior parte do movimento glacial envolve uma mistura de ambas.
Expansão – ocorre quando o peso da geleira se torna grande demais para que ela sustente sua forma. A geleira se expande e se espalha como uma massa de biscoito sendo assada no forno.
Deslizamento basal – ocorre quando a geleira se localiza em uma encosta. A pressão faz com que uma pequena quantidade de gelo no fundo da geleira derreta, criando uma camada fina de água. Isso reduz a fricção o bastante para que a geleira possa deslizar encosta abaixo. A presença de terra solta sob uma geleira também é capaz de causar deslizamento basal.
Quando uma geleira se move, não é como um bloco sólido de gelo descendo uma encosta. Uma geleira é um rio de gelo. Isso acontece porque as camadas altamente comprimidas de gelo são muito flexíveis (os cientistas usam a expressão alta plasticidade) se forem submetidas a forte pressão. As camadas superiores, que não sofrem tanta pressão, são mais frágeis. É por isso que caminhar em uma geleira é tão perigoso – as camadas superiores se fraturam e formam imensas fendas no gelo (ou crevasses), que ocasionalmente são recobertas por neve fresca.
Mede-se o movimento das diferentes partes de uma geleira em relação umas às outras fincando estacas no gelo. No curso de um ano, a posição relativa das estacas muda, ocasionalmente por centenas de metros. O mesmo efeito acontece no plano vertical porque diferentes camadas de gelo se movimentam em velocidades diferentes. As bordas de uma geleira tendem a se mover mais rápido.
A geleira mais veloz do mundo
A maioria das geleiras se movimenta apenas alguns milímetros por ano. A geleira mais rápida do mundo não requer cronômetro, mas sim um calendário, para acompanhar seu avanço. Trata-se da Geleira de Jakobshavn, na Groenlândia, que durante muitos anos se movimentou entre 5,7 mil e 6,7 mil metros anuais. Nos últimos 10 anos, a velocidade passou para 12,6 mil metros ao ano [fonte: NASA].

Ocasionalmente geleiras transbordam – movem-se em velocidade até 10 vezes superior à comum. Isso acontece mais comumente na primavera, quando o derretimento faz com que enorme volume de água flua pela geleira.
Mas por que a Geleira de Jakobshavn se acelerou? Os cientistas acreditam que isso tenha acontecido porque o gelo ficou mais fino. Assim que uma geleira começa a passar por deslizamento basal, quando mais leve se torna, mais rápido seu movimento, pois menos peso implica menos fricção.

11.016 – Planeta Terra – Nível do mar sobe mais do que o previsto


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Um estudo publicado pela revista “Nature” revela que o aumento do nível do mar foi “significativamente maior” do que o esperado pelos especialistas para a última década do século XX e a primeira do atual.
A pesquisa, realizada por Carling Hay e Eric Morrow no Departamento de Ciências Planetárias e Terrestres da Universidade de Harvard, constatou que o aumento global do nível do mar entre 1900 e 1990 foi superestimado em 30%. No entanto, o estudo mostra que, apesar das controvérsias sobre o assunto na comunidade científica, os últimos dados divulgados sugerem que os cálculos sobre a elevação dos níveis dos oceanos a partir de 1990 estão corretos, o que confirma uma aceleração do aumento do nível do mar.
“Esta pesquisa mostra que o aumento do nível do mar ocorrido durante o século passado foi maior do que o esperado. É um problema maior do que pensávamos inicialmente”, alertou Morrow.
Segundo Hay, atualmente sabe-se que a maioria das camadas de gelo do mundo, assim como as geleiras, está derretendo em função do aumento das temperaturas, o que provoca uma “elevação global do nível do mar”.
“Outra preocupação a este respeito é que muitos dos esforços realizados para obter projeções sobre a mudança do nível do mar no futuro utilizam os dados superestimados do período 1900-1990”, afirmou Morrow.
As estimativas que utilizam esses números como base estão comprometidas, e é necessário, portanto, adotar uma “perspectiva completamente nova”, segundo os pesquisadores.
Normalmente, explicou Carling Hay, as estimativas sobre o aumento do nível do mar são feitas a partir de dados dos marégrafos e do registro nas variações sofridas nas “sub-regiões” nas quais os oceanos são divididos. Esses registros, acrescidos de dados complementares mais específicos, servem para estimar a elevação do nível do mar em cada “sub-região”, que, somadas, dão origem a uma média global.
“No entanto, estas médias simples não representam o real valor do aumento global. Os marégrafos estão situados ao longo das costas, portanto extensas áreas de oceano não estão incluídas nas medições”, explicou Hay.
Segundo o estudo, o nível do mar muda “por diversos motivos”, entre os quais estão os “efeitos duráveis da última glaciação”, “o aquecimento e a expansão do oceano em função do aquecimento global”, as “variações na circulação de água” e o “degelo”.
Hay e Morrow elaboraram suas novas previsões a partir da observação de “um conjunto de evidências globais”, até chegar a determinar “como as camadas de gelo individuais” contribuem para a elevação do nível do mar.
“Devemos levar os sinais de glaciação em consideração, entender como os modelos de circulação de água nos oceanos se alteram e também como a expansão termal afeta os modelos regionais e a média global”.

10.924 – Biologia – Porque alguns organismos congelam mas não morrem?


raposa do ártico

Dentre as mais variadas espécies que possuem esta grandiosa adaptação, estão inclusos os insetos e diversos outros invertebrados terrestres, bem como ainda várias espécies de serpentes e também algumas espécies de anfíbios anuros.
Mas, como é possível um organismo congelar e não morrer? Ou melhor, quais mecanismos possibilitam o congelamento e posterior descongelamento, sem que o mesmo morra?
Em temperaturas muito elevadas os organismos podem rapidamente morrer. Isso ocorre porque, com o aumento da temperatura corporal, o animal não consegue transpirar ou perder o calor absorvido de forma eficiente, acumulando calor em seu corpo, fazendo com que as suas proteínas e as diversas ligações entre elas se rompam, o que posteriormente leva à morte do organismo. Nesse caso, cabe ressaltar que cada organismo possui uma tolerância específica a determinadas temperaturas e apresentam variações nessas tolerâncias. O que é considerado “extremo” para uma espécie, pode não ser para outra. O polo norte é um ambiente extremo para uma pomba, mas não o é para um pinguim. Devemos ter muito cuidado com estas palavras emotivas, pois na ecologia, nada é generalizado.
Nesse caso, os organismos que evoluíram nesses ambientes, apresentaram uma série de modificações ao longo dos processos evolutivos, onde, por meio da seleção natural, várias características específicas foram selecionadas, permitindo então a sobrevivência dos mesmos. Alguns organismos apresentaram adaptações capazes de proporcionar a retenção de calor corporal, evitando assim a morte. Podemos por exemplo citar o caso das espécies de mamíferos como os ursos polares e raposas-do-ártico, com suas pelagens espessas que evitam a perda de calor, ou ainda, os pinguins, que acumulam grande quantidade de gordura, que também auxiliam na retenção do calor corpóreo.
Outros grupos de organismos que ocorrem nas áreas frias do planeta não apresentam este tipo de adaptação, pelo contrário, eles simplesmente congelam (ou podem sobreviver ao resfriamento)! Porém, ainda assim, existe um fenômeno muito comum que afeta diversas outras espécies, o chamado dano por resfriamento. Este fenômeno basicamente relata que em temperaturas pouco acima de 0º C algumas espécies podem ser forçadas a extensos períodos de inatividade e as membranas celulares das espécies mais sensíveis podem se romper.
Já as espécies que congelam, elas geralmente passam por um processo muito crítico, pois o gelo pode facilmente matá-las, rompendo suas células. De acordo com a diminuição da temperatura, os poiquilotérmicos (organismos que dependem da fonte de calor externa para realizar suas atividades), como os anfíbios anuros, insetos, etc, iniciam o processo de congelamento. Neste caso, se eles não sofrerem distúrbios, a água pode facilmente alcançar temperatura de até 40º C negativos, sem formar gelo no interior das células. Pois, na verdade eles não congelam completamente, apenas algumas partes de seus corpos, principalmente as regiões mais espessas e exteriores, como a pele, cascas, estruturas modificadas, etc. Muitas espécies se enterram em meio à neve e até são removidas dela cobertas por camadas de gelo, como se realmente estivessem congeladas completamente, mas não estão de fato: seus órgãos e o sangue não congelam.
As espécies de animais não congelam por conta de diversos diversos compostos constituídos de glicose (basicamente), que se encontram na corrente sanguínea dos mesmos. O composto mais comum e que evita o congelamento é o glicerol.
A espécie Bracon cephi, parasita de uma mosca do trigo canadense, foi estudada e pode-se observar o mesmo efeito do glicerol, evitando o congelamento dos indivíduos amostrados. As larvas do parasita podem sobreviver a uma prolongada exposição a temperaturas de até -40 º C. O uso de glicerol como “anticongelativo” pelos insetos é o precursor do uso de compostos similares pelo homem, para proteger os fluidos dos automóveis contra o congelamento no inverno.
Além de diminuir o ponto de congelamento dos fluídos corporais, o glicerol ajuda ainda a proteger os tecidos contra os efeitos lesivos do congelamento, caso este realmente ocorra. O glicerol possibilita a sobrevivência de diferentes espécies nestes ambientes pois ele é viscoso e isso tende a diminuir a taxa de formação de cristais de gelo, o que dificulta o congelamento.

10.792 – Pediram água? Ela vai vir – Um vento preocupante sopra na Antártica


Antártida derretimento
Antártida derretimento

Pesquisas já haviam sugerido que a expansão do gelo do mar da Antártica anuncia mudanças, acelerando o derretimento de sua cobertura de gelo e armazenando calor por baixo de uma camada de água fria de superfície – o que irá piorar as enchentes em todo o mundo.
A impressionante extensão de banquisas sobre os mares que cercam a região foi causada por água doce fluindo das geleiras. Este derretimento está formando camadas de água incomumente fria e relativamente sem sal. E pode redesenhar a influente Circulação de Revolvimento do Atlântico Meridional, que carrega água entre as regiões tropicais e polares, desde o Ártico à Antártica, com consequências para todo o planeta.
Um estudo recente mostra a atuação de outro fator preocupante: novos ventos estão soprando sobre o Polo Sul, já uma área de forte ventania. Isto ameaça aumentar ainda mais a taxa de derretimento e intensificar as enchentes.
Os ventos, lendários, estão em uma direção mais orientada para o polo desde os anos 1950. São esparsas as observações de temperatura no continente hostil, mas cientistas modelaram os efeitos do oceano sobre esta mudança, que vem sendo causada pelo afinamento da camada de ozônio e e o aumento dos gases de efeito estufa. E ficaram impressionados pelo perigoso feedback da mudança do clima que descobriram.
Segundo eles, a alteração nos ventos “produz um aquecimento intenso” logo abaixo da superfície do oceano. Ela está trazendo correntes quentes de águas mais profundas para uma zona onde a camada de gelo da Antártica é mais vulnerável e desmorona a partir de sua parte baixa – os locais onde torres de gelo estão sobre solos submersos.
“Estamos identificando um mecanismo muito simples,” disse ontem Stephen Griffies, cientista da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA, que contribuiu com o trabalhado publicado na Geophysical Research Letters.
As maiores reservas de água do gelo sobre o mar ficam na Antártica, e entender a taxa na qual o gelo fluirá para o mar pode ajudar pesquisadores a refinar suas previsões sobre a elevação de seu nível. Projeções atuais indicam que 2.6% da população mundial estaria vivendo em áreas regularmente inundadas até o final do século. E se a Antártica for menos estável do que se espera, a catástrofe pode ser ainda pior do que o previsto, diz a Climate Central.

10.710 – O Paraíso é Aqui – Taylor Glacier Blood Falls, as cataratas de sangue


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É verdade que a Antárctica não é geralmente o primeiro lugar que vem à nossa mente quando o assunto é “lugares paradisíacos que eu gostaria de conhecer”. Mas as paisagens de lá podem ser lindas a ponto de nos surpreender. Um exemplo marcante dessa singularidade pode ser encontrado no Taylor Glacier, que praticamente expele um fluxo contínuo de água hipersalina rica em ferro para a neve que está ao redor. A geleira foi descoberta em 1911 por um explorador chamado Thomas Griffith Taylor, que supôs que o tom avermelhado era causado por uma forma desconhecida de bactérias.
Pouco tempo depois, os cientistas encontraram a verdadeira razão para a água ser vermelha daquele jeito: uma antiga piscina subterrânea de água salgada, cor de sangue, cerca de 400 metros abaixo da superfície do gelo.
Cerca de cinco milhões de anos atrás, o nível de água ao redor da Antárctica subiu o suficiente para deixar um lago de água salgada na terra previamente seca. Quando o mar recuou, então, ele ficou encalhado no lago, que foi, em seguida, lentamente coberto por uma série de geleiras. Sem oxigênio, o lago ficou quase no mesmo estado exato de quando foi coberto, e tornou-se uma cápsula do tempo com cinco milhões de anos de idade.
Sendo assim, existem micróbios lá embaixo que permaneceram inalterados desde então, e eles os são responsáveis ​​por quebrar depósitos de ferro na água salgada. Uma vez que a água rica em ferro se aperta para passar através de uma fissura e ir para a superfície, entra em contato com o oxigênio pela primeira vez, e o hidróxido de ferro reage instantaneamente, deixando as águas da cachoeira com aspecto de ferrugem e merecendo o apelido de “Cataratas de Sangue”.

10.597 – Planeta Terra – Gelo Cinza na Groelândia


gelo cinza

Na teoria, as geleiras são brancas. Mas não é isso que está acontecendo com os grandes blocos congelados da Groenlândia. Conhecido como “Neve Negra”, o fenômeno se encontra em seu pior momento e a sua consequência pode ser devastadora.
Assim como uma camiseta preta assimila mais calor, o mesmo acontece com a geleira. O problema, no entanto, é que isso significa um processo de derretimento maior. Em busca de uma resposta para tal fato, Jason Box, professor da Geological Survey of Denmark and Greenland foi até lá estudar a região.
Sua justificativa do fenômeno é um combinado de fatores: tempestades de verão, ventos de areia, atividade de micróbios e fuligem de incêndios florestais. Outra resposta é que isso é mais uma consequência desconhecida do aquecimento global. O pesquisador usou de exemplo os buracos da Sibéria e as bolhas de metano para reforçar sua segunda probabilidade.
2014 também foi o ano de maior número de incêndios florestais dos últimos no Ártico. O geólogo calculou que isso vem acontecendo duas vezes mais do que na última década. Somente no Canadá, mais de 3.3 milhões de hectares pegaram fogo este ano. Para Box, isso “está indo para as geleiras da Groenlândia”.
Segundo o cientista da Nasa Douglas Morton, isso é um grande problema: “Ter tantos casos de incêndios assim é um grande evento na vida do nosso planeta”. O desafio de Jason Box, no entanto, é descobrir o que é poeira das queimadas e o que é oriundo de fábricas.

9643 – Planeta Gelado – O Oceano Antártico


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Também conhecido como Oceano Glacial Antártico é o conjunto das águas que banham o Continente Antártico, mas que em realidade constituem o prolongamento meridional do oceano Atlântico, oceano Pacífico e oceano Índico. Muitos cientistas, oceanógrafos e geógrafos, não reconhecem a existência do oceano Antártico, considerando-o como uma junção de partes dos outros oceanos.
O oceano Antártico se estende desde a costa antártica até à latitude de os 60° S; limite convencional com o Oceano Atlântico, o Oceano Pacífico e o Oceano Índico. É o penúltimo oceano em extensão (só o oceano Ártico é menor). Formalmente, sua extensão foi definida pela Organização Hidrográfica Internacional no ano 2000 e coincide com os limites fixados pelo tratado Antártico.
O Oceano Antártico é o único a rodear o globo de forma completa, e circula completamente a Antártida. Tem uma superfície de 20.327.000 km², uma cifra que compreende aos mares periféricos: o mar de Amundsen, o mar de Bellingshausen, parte da passagem de Drake, o mar de Ross e o mar de Weddell. A terra firme que borda o oceano tem 17.968 km de costa.
Juridicamente, pelo tratado da Antártica, assinado dia 1 de janeiro de 1956, o oceano Antártico e o continente Antártico seriam de responsabilidade dos seguintes países, para usos pacíficos e científicos; Chile, Argentina, Austrália, Bélgica, Estados Unidos, Brasil, França, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido, África do Sul e Rússia (como herdeira da União Soviética).
No projeto da 4.ª edição foram consultados em 1972 os países membros da OHI. Até 1976 haviam respondido 32 países expressando a maioria sua preferência pelo nome Antarctic Ocean. Somente Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido se pronunciaram a favor do nome Southern Ocean e o Chile preferiu Antarctic Glacial Ocean. O Brasil e os Estados Unidos se opuseram à definição de um novo oceano. Sobre o limite norte existiram divergências com projetos apresentados pelo Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Noruega e por vários países que propuseram a linha da convergência antártica. Em 1986 foi decidido não incluir o oceano Antártico no projeto da 4° edição, que foi reprovado em 1998.4
Um novo projeto foi posto em consideração aos 68 países membros da OHI, sendo que até 1999 28 responderam favoravelmente à definição de um novo oceano rodeando a Antártida e a Argentina respondeu negativamente.5 18 países aceitaram que o nome em inglês do novo oceano fosse Southern Ocean, enquanto que o restante preferiu Antarctic Ocean. Com relação ao limite norte, 14 votos foram para que fosse o paralelo 60° Sul, 7 para que fosse o paralelo 50° Sul, 5 aceitaram a proposta australiana e 3 prefeririam o paralelo 35° Sul.
A temperatura do mar varia de +10 °C a -2 °C. Tempestades ciclônicas se movem do leste girando ao redor do continente antártico e são frequentemente de forte intensidade, e são a causa da diferença de temperatura entre os gelos e o oceano aberto.
A superfície oceânica está entre os 40° de latitude sul e a Corrente Circumpolar Antártica que tem os ventos mais fortes do planeta. No inverno o oceano se estende até os 65° S em direção ao Pacífico e até os 55° S em direção ao Atlântico, deixando a temperatura superficial abaixo de zero. Em algumas costas, os fortes e constantes ventos provenientes do interior mantém a costa livre de gelo também no inverno.
A camada que se forma ao redor do continente antártico, é de aproximadamente 1 m de profundidade, possui pelo menos 2,6 milhões de km² em março e chega ao máximo de 18,8 milhões de km² em setembro, um aumento de mais de sete vezes. A Corrente Circumpolar Antártica, de 21.000 km de largura, se move eternamente para leste. É a maior corrente do mundo, e transporta 130 milhões de m³/s, 100 vezes mais que todos os rios da Terra juntos. As ondas podem ser muito altas. Os icebergs antárticos podem possuir dimensões imponentes, estendendo-se por quilômetros e constituem um perigo para a navegação.
O ponto mais profundo do oceano se encontra no extremo meridional da Fossa Sandwich do Sul e alcança 7.235 m de profundidade.
Os glaciares e mantos de gelo antárticos que se estenderam e flutuam sobre a superfície do oceano formam um amplo sistema de plataformas de gelo. Pedaços dessas plataformas que estão ligadas aos glaciares em terra firme se rompem e formam campos de gelo e icebergues (ou iceberg). Devido ao aquecimento global algumas dessas grandes plataformas estão derretendo, contribuindo para o aumento do nível do mar.

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O Oceano Antártico, com uma profundidade geralmente compreendida entre os 4.000 e 5.000 metros, é um oceano profundo com poucas zonas estreitas de águas pouco profundas. A plataforma continental antártica é estreita e relativamente profunda em relação às outras: dos 400 aos 800 metros, contra uma média mundial de 133 metros.
Os recursos naturais do Oceano Antártico ainda não têm sido explorados, mas existem grandes jazidas de petróleo e gás natural nas proximidades do continente antártico.
O Oceano Antártico tem uma biodiversidade imensa e ainda muito pouco explorada. Sua fauna varia de pinguins, pinípedes e cetáceos, até cianobactérias, fitoplâncton e krill, que apesar de pequenos servem de alimento para os animais maiores. A Antártida não tem flora terrestre, sendo a sua única composição vegetal feita por algas marinhas e outros organismos autótrofos.
Dentre os principais portos operacionais estão a Base Rothera, a Base Palmer, a Villa Las Estrellas, a Base Esperanza, a Base Mawson, a Estação McMurdo, e os ancoradouros no mar na Antártida.
Poucos portos existem na costa sul (Antártida) do Oceano Antártico, uma vez que as condições do gelo restringem o uso da maioria das praias para curtos períodos, em pleno verão. E mesmo no verão alguns requerem escolta de navios quebra-gelo para o acesso. A maioria dos portos da Antártida são operados por estações de pesquisa governamentais e, exceto em caso de emergência, permanecem fechados aos navios comerciais ou particulares; navios em qualquer porto ao sul de 60 graus de latitude sul estão sujeitas a inspeção por observadores do Tratado da Antártida.

8627 – Planeta Verde – Degelo Acelerado na Antártida


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Foi documentado pela primeira vez a aceleração do derretimento do solo da Antártida, em uma região onde o gelo era considerado estável. Segundo os pesquisadores, os níveis de degelo são comparáveis aos do Ártico, onde o derretimento acelerado do permafrost (solo permanentemente congelado) se tornou um fenômeno regular.
A análise do Vale Garwood, na região McMurdo Dry Valleys, na Antártida, mostrou que o derretimento acelerou consideravelmente de 2001 para 2012, chegando a dez vezes a média. A região de Dry Valleys contém um dos maiores trechos de gelo de solo do continente.
O local anteriormente havia sido considerado em equilíbrio pelos pesquisadores, que acreditavam que o derretimento e o congelamento sazonais não eram responsáveis por diminuir a camada de gelo no solo. Porém, Joseph Levy, pesquisador do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, utilizou um Lidar (aparelho que emite lasers e analisa a luz refletida para “escanear” o ambiente) e fotografias para documentar uma rápida redução do gelo na região. Os resultados foram publicados no periódico Scientific Reports.
“A grande questão é que o gelo está desaparecendo. Está derretendo mais rápido a cada vez que medimos”, afirma Levy. Não há sinais de registros geológicos que indiquem que o gelo do vale já tenha diminuído tanto no passado.
O aumento do degelo, porém, não se deve a uma elevação de temperatura na região. Foi documentada no local uma queda de temperatura de 1986 até o ano 2000, e desde então ela se mantém estável. Os autores do estudo atribuem o degelo ao aumento da radiação vinda do Sol, decorrente de uma mudança no padrão climático que fez com que uma quantidade maior de luz solar conseguisse chegar ao chão.

O solo de gelo é mais comum no Ártico do que na Antártida, cuja paisagem é dominada por geleiras e lençóis de gelo. A principal diferença entre essas formações é que o gelo do solo pode estar misturado a solo congelado ou enterrado sob camadas de sedimento. Os raios solares são refletidos por superfícies brancas, como geleiras e lençóis, enquanto superfícies escuras absorvem os raios. Assim, embora camadas grossas de sedimento isolem o gelo da luz do sol, reduzindo o derretimento, camadas mais finas provocam o efeito contrário, aquecendo o gelo próximo a elas e acelerando seu derretimento.
Segundo os pesquisadores, se a Antártida sofrer o aquecimento esperado durante o próximo século, a combinação entre o aumento da temperatura do ar e o derretimento causado pelos raios solares pode fazer com que o gelo do solo derreta de forma ainda mais rápida.

6456 – Antártida tinha palmeiras há 53 milhões de anos


Um estudo de pesquisadores da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, revelou pistas da presença de palmeiras no território da atual Antártida há 53 milhões, durante a época geológica do Eoceno.
O dado foi obtido por meio de perfurações na camada de gelo antártico, que trouxeram à tona o pólen de palmeiras e outras árvores de climas quentes, como os baobás.
Os cientistas estimam que, nessa época, o clima do continente lembrava o da região Sul do Brasil, digamos: invernos em torno de 10ºC e verões nos quais a temperatura chegava a 25ºC.

5786 – O que são icebergs?


Iceberg,apenas uma fração está na superfície

Trata-se de uma massa de gelo flutuante, geralmente uma porção desprendida de uma geleira polar. Tratando-se de massa de gelo formada sobre a Terra, são constituídos por água doce e não por água do mar congelada. Podem flutuar por centenas de km sobre as correntes oceânicas e durante cerca de 2 anos antes de se desfazerem. Apenas a 9ª parte da massa aparece por sobre a superfície da água e a baixa temperatura do mar circundante favorece a formação de nevoeiro, o que os torna perigoso para a navegação.

um pouco +

São constituídos primordialmente de água doce, conquanto não puramente, dado que podem trazer em seu interior outros corpos (animais, fósseis ou não). Não se devem confundir com banquisas (plataformas de água do mar congelada no inverno), que raramente resistem ao verão.

De cada iceberg, apenas cerca de 10% da sua massa (ou volume, dado que a massa específica da água, mesmo no estado sólido, é significantemente próxima de 1 g.cm−3) emerge à superfície. A rigor, a massa específica do gelo em condições polares vale 0,917 g.cm−3, e permanece essencialmente constante durante toda a “vida” útil do bloco como tal, embora lenta, mas progressivamente crescente com o decurso do tempo e o contato com o meio por onde flutua. Os demais cerca de 90% permanecem submersos, donde o enorme perigo que conferem especialmente à navegação. Em se tratando de dimensões lineares, notadamente a altura, tem-se que, em média, cerca de 1/7 do iceberg aflora, emerso, à superfície, enquanto os demais 6/7 constituem a porção oculta, o lastro submerso da massa polar flutuante.

A flutuação do iceberg decorre do fato físico de apresentar o gelo polar (de água doce) massa específica (ou densidade absoluta) de cerca de 0,917 g.cm−3, enquanto a água do mar, por ser solução salina, apresenta massa específica necessariamente maior do que 1 g.cm−3 (em média, 1,025 g.cm−3). Assim, pelo Princípio de Arquimedes, o iceberg necessariamente flutua na água do mar. As dimensões lineares (alturas) e as massas e os volumes emerso e imerso (submerso) calculam-se pelas leis hidrostáticas.

5258 – Russos atingem lago subterrâneo na Antártida


Folha Ciência

Segundo a agência de notícias russa Ria Novosti, cientistas russos conseguiram penetrar o lago subterrâneo Vostok, na Antártida, isolado do resto do planeta há ao menos 14 milhões de anos.
O trabalho de perfuração de mais de 3.600 metros de gelo teria terminado no domingo (5), segundo uma fonte da agência. Os cientistas tinham parado a perfuração na semana passada.
A análise do material retirado da água, que permanece em estado líquido por causa do calor do interior do planeta e da pressão do gelo, pode oferecer pistas sobre a vida na Terra há milhões de anos e sobre condições encontradas fora do planeta, como em luas de Júpiter.

5022 – Micróbios que vieram do gelo


O Lago Vostok é um piscinão que ninguém nunca viu de perto – nem vai ver. Ele fica na Antártida, sob uma camada de gelo de 3 600 metros de espessura. E lá faz frio, muito frio. A temperatura mais baixa já medida no planeta – 88 graus Celsius negativos – foi registrada lá. Cientistas americanos descobriram, no entanto, que pode ter existido vida naquele lugar inóspito. Numa camada de gelo logo acima do lago foram achados micróbios congelados há milhões de anos, chamados proteobactérias. Ainda não se sabe de onde eles vieram, mas a possibilidade de terem se originado no próprio lago está trazendo esperança aos cientistas de que possa haver vida em Europa, a lua gelada de Júpiter.
Como em Vostok, é provável que Europa tenha um oceano líquido sob uma capa de gelo de 160 quilômetros de espessura. O mar banharia rachaduras que existem na calota gélida, acumulando nutrientes nesses nichos. Isso criaria um verdadeiro Éden para bactérias extraterrestres.

4615 – ‘Cordilheira Fantasma’ na Antártida


Folha Ciência

Cientistas dizem que agora podem explicar a origem do que talvez sejam as mais extraordinárias montanhas da Terra.
As Gamburstsevs são do tamanho dos Alpes europeus e totalmente cobertas pelo gelo antártico.
Sua descoberta na década de 1950 foi uma grande surpresa. A maioria supunha que o continente fosse plano e sem grandes variações.
Mas dados de estudos recentes sugerem que a cadeia de montanhas formou-se há mais de um bilhão de anos, segundo o trabalho divulgado na publicação científica Nature.
As Gamburtsevs são importantes por serem o local onde sabemos hoje que o gelo iniciou sua expansão pela Antártida.
A descoberta da história das montanhas ajudará portanto em estudos climáticos, auxiliando cientistas a descobrir não apenas mudanças passadas da Terra, mas também possíveis cenários futuros.
“Pesquisar estas montanhas foi um enorme desafio, mas fomos bem-sucedidos e produzimos um trabalho fascinante”, disse Fausto Farraccioli, da British Antartic Survey (BAS), à BBC.
Ele foi o pesquisador principal do projeto AGAP (sigla em inglês para Província Antártica de Gamburtsev).
A equipe de cientistas de várias nacionalidades viajou algumas vezes durante os anos de 2008 e 2009 ao leste do continente gelado, mapeando o formato da montanha escondida usando um radar capaz de penetrar o gelo.
Outros instrumentos registraram os campos gravitacionais e magnéticos, enquanto sismômetros estudavam as profundezas da Terra.
A equipe AGAP acredita que estes dados podem agora construir uma narrativa consistente para explicar a criação das Gamburtsevs e sua existência através do tempo geológico.
SUPERCONTINENTE
É uma história que começou pouco antes de um bilhão de anos atrás, muito antes de formas de vida complexas se formarem no planeta, quando os continentes estavam se atraindo para formar um supercontinente conhecido como Rodínia.
A colisão que aconteceu gerou as enormes montanhas.
No decorrer de centenas de milhões de anos, os picos sofreram gradualmente um processo de erosão. Apenas as “raízes”, ou bases, das montanhas teriam sido preservadas.
Mas entre 250 e 100 milhões de anos atrás, quando os dinossauros habitavam o planeta, os continentes começaram a se separar em uma série de fissuras próximas à base gelada das montanhas.
Este movimento aqueceu e rejuvenesceu as “raízes”, criando as condições necessárias para que a terra se elevasse mais uma vez, fazendo com que as montanhas fossem restabelecidas.
Seus picos cresceram ainda mais na medida em que vales profundos foram sendo cortados por rios e geleiras a seu redor.
E teriam sido as geleiras que escreveram os capítulos finais, há cerca de 35 milhões de anos, quando elas se expandiram e se fundiram para formarem o Manto Antártico Oriental, encobrindo a cadeia de montanhas neste processo.
Os pesquisadores também buscam determinar o local mais adequado para fazer a escavação no gelo.
Ao examinar bolhas de ar presas na neve compactada, os pesquisadores podem determinar detalhes do passado, como condições ambientais, incluindo a temperatura e a concentração de gases na atmosfera, como dióxido de carbono.
Acredita-se que em algum local da região de Gamburtsev seja possível a coleta de amostras de gelo com mais de um milhão de anos. A amostra seria ao menos 200 mil anos mais antiga do que o gelo antártico já analisado por cientistas.

4522 – Biologia Marinha – A flora das geleiras


O biólogo Kevin Arrigo, da Nasa, deu um passo fundamental para entender o primeiro elo da cadeia alimentar na Antártida. Calculou a quantidade de microalgas que crescem na água do mar congelada. Ele simulou em computador o crescimento das algas. E chegou à conclusão de que, mesmo no inverno, a flora marinha cresce a cada dia 50 microgramas para cada metro quadrado da crosta de gelo. “A concentração varia muito e chega a 1 grama de clorofila por metro quadrado”. Você sabe: clorofila é a substância das plantas que faz a fotossíntese. Durante um ano, em 20 milhões de quilômetros quadrados de gelo, as microalgas liberam no ar 35 milhões de toneladas de carbono. O que torna possível a existência de tanta alga é que o gelo é cheio de microcanais por onde circula água rica em sais minerais. E aí é o seguinte: a microflora alimenta o krill, um camarãozinho que faz o cardápio de animais maiores.

4506 – Nasa descobre rachadura em geleira e monitora formação de iceberg


Uma rachadura com até 280 m de largura e 60 m de profundidade foi identificada pela maior missão aérea de monitoramento do gelo polar, a Ice Bridge, da Nasa.
Cientistas da agência afirmaram ontem que a fissura se estende por 29 km na geleira da ilha Pine, na Antártida. Ela deverá dar origem a um iceberg de 880 km².
A observação da enorme rachadura foi feita em voos de investigação realizados em outubro pela equipe da Ice Bridge. Em 2001, a mesma geleira já havia dado origem a um iceberg, e muitos especialistas acreditavam que o processo pudesse se repetir. Mas, até a recente missão, não havia indicações de que isso estivesse acontecendo.
Apesar de impressionante, o fenômeno faz parte do “processo natural das geleiras”, dizem os pesquisadores. “Sabemos pouco da formação desses icebergs porque não observamos com frequência esses fenômenos. É a primeira vez que sobrevoamos uma fissura tão grande. Esperamos que isso ajude a explicar como eles se formam para podermos prevê-los”, afirmou
Michael Studinger, o chefe do projeto, em videoconferência com a imprensa.
Uma dos objetivos do Ice Bridge é acompanhar, sobrevoando e por satélite, as mesmas regiões de gelo. Assim, é possível acompanhar as mudanças.

4396 – Uma floresta que morreu de frio


Ilha de Ellesmere

A descoberta de vegetais petrificados no Pólo Norte, revela que há 45 milhões de anos a região era povoada por árvores de até 30 metros de altura e bichos grandes como as antas
A paisagem é desoladora. Um vasto deserto gelado, do qual emergem, aqui e ali, algumas flores polares, uns poucos salgueiros anões e líquens, circundado por montanhas que chegam a atingir 2 600 metros de altitude. De resto, só pedras e areia. Assim é Ellesmere, a maior das ilhas que compõem o conjunto das Ilhas Rainha Elizabeth, com 196 236 quilômetros quadrados, no longínquo Ártico canadense.
A descoberta das primeiras árvores fossilizadas, no Círculo Polar Ártico, atraiu para a Ilha de Ellesmere uma multidão de cientistas. Mais de 1 000 pesquisadores visitam regularmente a ilha. Eles pretendem fazer um levantamento completo da fauna e da flora local.
Os pólos, aparentemente, funcionam como um alarme: neles, as grandes alterações planetárias aparecem antes de qualquer outra região. Talvez porque sejam pouco habitados e não sofram as perturbações causadas pela presença humana. Nesse ambiente tranqüilo e limpo, as mudanças são percebidas mais depressa. Um bom exemplo é o chamado buraco na camada de ozônio da atmosfera – detectado, antes de mais nada, na Antártida. Em busca de um indício de alteração, os cientistas se revezam em Ellesmere. As visitas são organizadas pelo Grupo de Estudos da Planície Continental Polar.
As metassequóias proliferaram na parte setentrional e central da Ásia e da América do Norte durante os períodos geológicos do Cretáceo e do Terciário inferior (de 144 milhões até aproximadamente 36 milhões de anos atrás) e conseguiram sobreviver até hoje em uma única floresta próxima de Chungking, na China central.