13.633 – Planeta Terra, a Biosfera Perfeita


biosfera
Os ecossistemas são sistemas dinâmicos resultantes da interdependência entre os fatores físicos do meio ambiente e os seres vivos que o habitam. Os nutrientes, a água, o ar, os gases, a energia disponível e as substâncias orgânicas e inorgânicas num ambiente constituem a parte abiótica (não viva) de um ecossistema. O conjunto de seres vivos é chamado de biota e é composto de três categorias de organismos: as plantas, os animais e os decompositores – microrganismos que decompõem plantas e animais e os transformam em componentes simples, reciclados.
Uma floresta, um rio, um lago ou um simples jardim são exemplos de ecossistemas. Eles se misturam e interagem. Os ecossistemas podem, também, ser subdivididos em pequenas unidades bióticas, conhecidas como comunidades biológicas. Elas são formadas por duas ou mais populações de espécies que interagem e são interdependentes – como o conjunto da fora e da fauna de um lago.
Já o termo habitat se refere a um ambiente ou ecossistema que oferece condições especialmente favoráveis à sobrevivência de certa espécie. Por exemplo, o cerrado é o habitat do lobo-guará. Um ecossistema pode ser o habitat de diversas espécies para as quais oferece alimento, água, abrigo, entre outras condições essenciais à reprodução da vida.

Biomas
Os grandes conjuntos relativamente homogêneos de ecossistemas são chamados de biomas. O termo bioma designa as comunidades de organismos estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas às condições ambientais de uma grande região – pense na Floresta Amazônica ou na tundra ártica. Na Geografia, o estudo dos biomas tem como um dos focos principais a vegetação, elemento que se destaca na paisagem.

Biosfera
A biosfera ou “esfera da vida” é o conjunto de todos os biomas do planeta. Ela faz referência a todas as formas de vida da Terra em escala global – dos reinos monera, protista, animal, vegetal e dos fungos – em conjunto com os fatores não vivos que as sustentam. A biosfera abrange desde as profundezas dos oceanos, que atingem cerca de 11 mil metros, até o limite da troposfera, camada inferior da atmosfera, que atinge uma altitude de cerca de 12 mil metros. Entre os seres vivos, os humanos são os que possuem a maior capacidade de intervenção (positiva e negativa) no equilíbrio das diversas formas de vida que constituem a biosfera.

O QUE ISSO TEM A VER COM BIOLOGIA
Veja abaixo uma descrição resumida dos cinco reinos da natureza:
Reino Monera: organismos unicelulares procariontes, como bactérias e cianobactérias
Reino Protista: seres unicelulares eucariontes, como algas, protozoários e amebas
Reino dos Fungos: seres eucariontes, unicelulares e pluricelulares, como mofos, bolores, cogumelos e leveduras
Reino Vegetal: seres pluricelulares autótrofos, com células revestidas de uma parede de celulose, como briófitas (musgos), pteridófitas (samambaias), gimnospermas (pinheiros) e angiospermas (plantas com flores e frutos)
Reino Animal: organismos pluricelulares e heterótrofos, que inclui os vertebrados (um subfilo dos cordados, que abrange animais com esqueleto interno, coluna vertebral, cérebro e medula espinhal) e os invertebrados (animais sem coluna vertebral nem cérebro)
Biodiversidade
O termo biodiversidade abarca toda a variedade das formas de vida (animais, vegetais e microrganismos), espécies e ecossistemas, em uma região ou em todo o planeta. É uma riqueza tão grande que se ignora o número de espécies vegetais e animais existentes no mundo. A estimativa é de que haja cerca de 14 milhões, mas até agora somente 1,7 milhão foi classificado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A biodiversidade garante o equilíbrio dos ecossistemas e, por tabela, do planeta todo. Por isso, qualquer dano provocado a ela não afeta somente as espécies que habitam determinado local, mas toda uma fina rede de relações entre os seres e o meio em que vivem.
A principal ameaça à biodiversidade do planeta é justamente a ação humana. De acordo a World Wildlife Fund, uma das ONGs ambientalistas mais ativas no mundo, em menos de 40 anos o planeta perdeu 30% de sua biodiversidade, sendo que os países tropicais tiveram uma queda de 60% nesse período.
PEGADA ECOLÓGICA
Segundo a organização não governamental World Wildlife Fund, o homem está consumindo 30% a mais dos recursos naturais que a Terra pode oferecer. Se continuarmos nesse ritmo predatório de exploração dos recursos naturais, em 2030 a demanda atingirá os 100%, ou seja, precisaremos de dois planetas para sustentar o mundo.
A pressão das atividades humanas sobre os ecossistemas é medida pela pegada ecológica. Ela nos mostra se o nosso estilo de vida está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer seus recursos naturais, de renová-los e de absorver os resíduos produzidos pela atividade humana.
O índice, apresentado em hectares globais, representa a superfície ocupada por terras cultivadas, pastagens, florestas, áreas de pesca ou edificadas. Em tese, a sustentabilidade do planeta estaria garantida se cada pessoa no mundo utilizasse 1,8 hectare de área (quase dois campos de futebol). O problema é que essa média é de cerca de 2,7 hectares. Nos países desenvolvidos, esse número é ainda maior – o índice dos Estados Unidos, por exemplo, é de 8 hectares por pessoa. O Brasil apresenta um índice um pouco maior que a média mundial: 2,6.

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13.027 – Biosfera – Temperaturas da Terra


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No Ano Geofísico Internacional, os meteorologistas localizaram um ponto a 640 km do Polo Sul, onde se registrou 87°C negativos. É o lugar mais frio do planeta.
O Oceano Atlântico, a partir de 2 km de profundidade apresenta a temperatura constante de uns 3°C.
Há uma andorinha do mar, a sterna paradisea que migra do norte do Canadá a Antártida, 19 mil km de distancia!
A maior temperatura em ambientes marinhos já registrada foi de 36°C no Golfo Pérsico.
A temperatura mais baixa em terra firme foi registrada na Sibéria em 1947, 70°C negativos. Como dissemos, no Polo Sul se registrou 87°C negativos, em contrapartida, em desertos se observou 60°C e o solo, exposto a raios solares chegou a 84°C, já em geiseres a temperatura chega a 100°C.
Aves e mamíferos são animais de sangue quente, porque conservam constante a temperatura do corpo, os demais são Poiquilotermos, ou seja, apresentam temperaturas próximas a do meio ambiente, o tubarão é um exemplo, tais espécies só sobrevivem a uma temperatura ambiente entre 5° e 45°C. Excepcionalmente há algas azuis e bactérias em águas do parque de Yellostone que sobrevivem a temperatura de até 88°C.

9902 – Biologia – A Vida em Condições Extremas


Raposa do Ártico
Raposa do Ártico

Os seres humanos têm um gosto bastante peculiar. Sol, temperatura amena, ar fresco e bebidas refrescantes podem fazer a alegria de qualquer pessoa, mas seriam desagradáveis e até mortais para outros organismos. É que, na natureza, muitas espécies se especializaram em viver em ambientes tão diferentes do nosso que jamais se contentariam com sombra e água fresca. Para esses bichos, bons mesmo são lugares escaldantes, congelantes, com extremos de pressão, toxinas aos montes, falta de água ou de oxigênio. São os chamados seres extremófilos, os habitantes dos piores lugares do planeta.
Uma das maneiras de sobreviver a isso tudo é jogar na retranca e não encarar de frente as dificuldades – muitos deles “desligam” o metabolismo até que a situação volte ao normal. E olha que a espera pode demorar: esporos de bactérias achados em cristais de sal continuavam inteiros depois de 250 milhões de anos. Para alguns cientistas, é possível que eles nunca morram.
Os grandes desertos só são desertos na nossa imaginação. Não existe nesses locais nenhum terreno estéril: cada centímetro possui plantas, animais ou microorganismos. A dificuldade de se viver ali, como se sabe, é a escassez de água, um dos fatores mais essenciais à vida. Além de compor muitas moléculas, a água é o meio em que acontecem as reações químicas dos organismos.
A principal solução para escapar desse problema é fugir do calor. O maior refúgio do deserto é o subsolo, um lugar com bem menos sol e mais umidade que a escaldante areia da superfície. Em épocas de seca, um sapo do deserto de Sonora, Estados Unidos, se enterra a quase 1 metro de profundidade e permanece ali por até nove meses. Formigas e cupins, os principais invertebrados de muitos desertos, constroem a parte visível de seus ninhos em posições estratégicas para receber mais raios solares no início ou fim do dia, e menos quando o sol está mais forte. Os vegetais fazem diferente. As plantas do deserto têm de duas a seis vezes mais tecidos embaixo da terra do que em cima e, para aumentar suas chances de obter água, espalham-se por uma área enorme. Algumas chegam a lançar as raízes mais de 75 metros para os lados.
Quem quiser permanecer ativo durante os momentos mais secos precisa de algumas adaptações. O camelo é um animal valioso em desertos por viver até 15 dias sem beber em um calor de mais de 30 graus centígrados. Nos meses mais frios, ele retira toda a água que precisa dos alimentos que consome. O segredo é aguentar níveis de desidratação que matariam um ser humano e absorver o máximo de líquido quando tiver chance: ao encontrar água, ele pode beber 130 litros – ou uma banheira cheia – de uma só vez. Além disso, o pelo reflete a luz solar, a urina é concentrada, cavidades no nariz absorvem a umidade do ar e, em vez de tentar esfriar o organismo, ele simplesmente deixa a temperatura do corpo flutuar.
Cada espécie da região tem seus artifícios para descolar mais água. Um besouro da Namíbia, por exemplo, possui cavidades em seu corpo capazes de coletar a umidade do ar. Outros insetos são capazes de agüentar altos níveis de desidratação – ou seja, continuar funcionando mesmo quando o sangue está muito concentrado. O extremo dessa habilidade está nos organismos em que o metabolismo pára porque o corpo desidratou quase completamente – o maior animal a conseguir esse feito é a larva da mosca Polypedilium vanderplanki, com meio centímetro de comprimento. Nessa espécie de hibernação forçada, a larva resiste a situações ainda mais extremas, como temperaturas acima de 100 graus centígrados ou abaixo de zero.

Vida no gelo
Imagine morar em um lugar onde a temperatura média gira em torno de zero grau e você terá uma idéia do que é viver perto dos pólos. Para piorar, o frio não é o único problema da região: o ambiente tem alta incidência de raios ultravioleta e pouquíssima chuva. No deserto de Ross, a maior área da Antártida livre de gelo, não caiu sequer uma gota nos últimos 2 milhões de anos. Nas outras regiões polares, a água é até abundante, mas está congelada e, portanto, indisponível para os seres vivos. Mesmo assim, a vida está lá. Há, por exemplo, uma espécie de líquen na Antártida que continua a fazer fotossíntese em um frio de 10 graus negativos.
A estratégia de fugir das condições extremas funciona bem aqui – muitos bichos habitam as regiões mais frias apenas durante o verão. Pinguins e leões-marinhos, os maiores animais da Antártida, habitam e se reproduzem no continente, mas correm para o mar quando é preciso pegar comida ou fugir do frio (a água do mar que permanece líquida nunca está abaixo de 1,9 grau negativo). Os únicos animais que habitam o continente durante o inverno – acarinos e colêmbolos – não passam de 2 milímetros. A honrosa exceção fica para o pingüim-imperial, que passa o verão engordando e o inverno chocando os ovos de seus filhotes.
O grande perigo dessas regiões é congelar. Quando isso acontece, milhões de cristais de gelo se formam nos tecidos e separam as células. Além disso, rompem os vasos sanguíneos, o que significa que, ao descongelar, os tecidos ficam parecendo mingau. Os órgãos param e deixam de fornecer oxigênio ao corpo. Se isso não for suficiente para matar, à medida que a água se transforma em gelo, o sangue se torna muito concentrado e destrói várias células. Pense nisso se você tiver a intenção de se congelar numa câmara criogênica quando estiver à beira da morte.

Os animais maiores fogem desse risco migrando para o calor ou se aquecendo com camadas de gordura e pêlo. Mas como os pequeninos – que não podem viajar nem se proteger – fazem para sobreviver? O segredo é que a pequena quantidade de água desses organismos permanece líquida mesmo a dezenas de graus abaixo de zero. Isso acontece porque, para que o gelo se forme, é preciso que exista um primeiro cristal a partir do qual o resto da água congela. Esses seres eliminam de seu corpo substâncias que possam aglutinar o gelo, se protegem para evitar que a neve de fora invada seu corpo e ainda produzem substâncias anticongelantes. Manhas como essas são muito bem-sucedidas: uma mosca-do-ártico (Rhabdophaga strobiloides) aguenta até 56 graus abaixo de zero antes de congelar.
O problema é que a estratégia é arriscada. Basta um chacoalhão que forme o primeiro cristal e, pimba, o bicho vira gelo da maneira mais rápida e violenta possível. Por isso, algumas espécies preferem encarar o congelamento, mas de modo controlado e que garanta a sobrevivência ao derreter. A ideia é congelar lentamente para que o corpo se adapte e para evitar que o gelo invada o interior das células. Muitos desidratam os tecidos para diminuir a extensão do congelamento e evitar que os órgãos se destruam. Outros possuem proteínas que evitam que o gelo forme cristais muito grandes, que acabariam com algumas células. Com esses truques, a larva da mosca Chymomyza costata suporta até 100 graus negativos, enquanto um gafanhoto das montanhas da Nova Zelândia congela quase toda a água disponível em seu corpo.
As adaptações se sofisticam nas cinco espécies de sapo e duas de tartaruga capazes de aguentar o congelamento. A estratégia do sapo é liberar adrenalina, que acelera batimentos cardíacos para garantir o oxigênio para os tecidos. Também aumenta a glicose no sangue em até 200 vezes para diminuir a concentração de água no organismo. Dessa forma, ele lentamente se adapta à formação de gelo e ao derretimento, que pode levar um dia inteiro.

Vida sob pressão
Os seres vivos são como o ambiente de trabalho de qualquer empresa: precisam de um nível ideal de pressão para funcionar. Coloque no topo de uma montanha um animal acostumado a viver no fundo do mar e ele morrerá em segundos. Existem microorganismos capazes de sobreviver no vácuo e outros que vivem e crescem no ponto mais profundo dos oceanos, a nada menos que 11 mil metros de profundidade – um lugar onde a pressão é tanta que seria equivalente a ter um peso superior a mil quilos em cada centímetro quadrado do seu corpo.
Durante muito tempo, os cientistas imaginaram que o fundo do mar não tinha vida. Além da pressão, a região é longe da superfície e recebe dela pouquíssimos nutrientes. Foi só nos anos 60 que cientistas começaram a pesquisar o ambiente e perceber que havia vida por lá – e muita. Hoje, as apostas mais conservadoras sobre a diversidade no fundo dos oceanos avaliam que exista lá ao menos meio milhão de espécies (só para comparar, conhecem-se hoje 160 mil espécies marinhas). Mesmo o buraco mais profundo é habitado por bactérias, pepinos-do-mar e vermes. O fundo do mar passou a ser considerado o maior ambiente da terra.
Evitar ser esmagado pelo peso desse lugar é fácil – basta igualar a pressão interna e a externa – mas esse não é o único problema. Muitas das proteínas do nosso corpo são sensíveis à pressão e, além disso, algumas das reações químicas que ocorrem no nosso interior podem ser inibidas por tanto peso. Esse fatores forçam os organismos a desenvolverem um metabolismo diferente, com enzimas resistentes à pressão e membranas mais resistentes.
Existem duas formas de se conseguir comida por lá. A primeira é aproveitar os poucos nutrientes que afundam. A outra é fazer a própria matéria orgânica, como é o caso em um dos ambientes mais extremos que se conhece, uma espécie de filial do inferno. Essas regiões abissais, semelhantes a vulcões, jorram materiais superaquecidos, formando novos solos e separando as placas tectônicas. Ali, onde a água ultrapassa os 350 graus centígrados, vivem bactérias, moluscos gigantes, siris, peixes e vermes em forma de tubo com até 11,5 metros de comprimento. Esse povo todo sobrevive de uma fonte de energia bem pouco usual: os ferros e sulfetos que emergem junto à água quente. Bactérias presentes nesse ambiente conseguem reagir essas substâncias com oxigênio para obter energia e se desenvolver. Com essa habilidade, servem de base para todo o ecossistema. O problema é que, para conseguir essas substâncias, bactérias e animais precisam estar próximos das áreas mais quentes dos oceanos. Um desses seres, descoberto em agosto, é um tipo de bactéria capaz de crescer em temperaturas de até 121 graus centígrados, o que a faz a recordista de temperatura do planeta.
Parece o pior lugar do mundo, não? Talvez não, porque há outro, embaixo de seus pés, quase tão terrível. O subsolo reúne diversas bactérias, fungos e protozoários em profundidades que, estima-se, podem chegar a até 7 quilômetros. O estilo de vida é parecido: o calor é estúpido e a luz, inexistente. Os microorganismos chegam até lá pelo movimento da água e se fixam em minúsculos poros da rocha. Em terrenos mais recentes, eles vivem de decompor matéria orgânica enterrada há milhões de anos. Nas profundidades maiores, a única solução é apelar para o truque de decompor ferro e sulfetos. Algumas dessas comunidades podem ter se isolado da superfície há muitos milhões de anos. Por contar com poucos nutrientes à sua volta, elas se desenvolvem de forma muito, muito lenta, talvez se reproduzindo uma única vez em algumas centenas de anos. Mesmo com tanta dificuldade para sobreviver, o ambiente é tão grande que, para alguns cientistas, eles podem ser numerosos a ponto de rivalizar com a quantidade de matéria viva presente na superfície.

Existem em todo canto lugares ácidos ou alcalinos demais, com radioatividade ou sem oxigênio, que colocam desafios à vida – e que são habitados. O telhado de uma casa, por exemplo, pode ter um enorme calor durante o dia e geadas durante a noite. Apesar de receber chuvas, os líquidos logo escorrem e o lugar volta a ser um deserto. E, no entanto, eles abrigam insetos, musgos e vários outros seres.
Lugares inóspitos podem estar ainda mais perto. Seu estômago, por exemplo, é bem ácido. Uma camada de muco nos protege de seus efeitos, mas a maioria dos seres é destruída ao dar um rolê por ali. No entanto, todo mundo que já teve uma doença do sistema digestivo sabe que alguns micróbios passam ilesos pelos ácidos. A estratégia mais comum desses parasitas é atravessar o estômago na forma de cistos, protegidos por uma casca, e só se desenvolver quando já estiverem fora dali.
As condições em que vivemos são bem extremas e matariam boa parte dos animais dessa matéria. O nosso clima destruiria as bactérias dos vulcões submarinos e faria ferver alguns bichos polares. A pressão explodiria muitos dos seres do fundo dos oceanos. E, por fim, existem micróbios que seriam envenenados por oxigênio. O contato com esse gás produz substâncias tóxicas que seriam fatais se não tivéssemos enzimas que lidam com elas. No início da vida, quando os microorganismos não estavam acostumados com oxigênio, um ambiente como o nosso seria fatal. E, hoje, esse gás é vital para os animais. Assim como adquirimos a habilidade de respirar, os locais mais inóspitos podem ser confortáveis a quem desenvolve meios de sobreviver a eles. Se dermos tempo e chance para a evolução, poucas coisas serão realmente extremas para os seres vivos do planeta.

8206 – A Biosfera e o Ecossistema


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São as regiões da Terra habitadas por seres vivos. Forma uma camada quase contínua ao redor da Terra, interrompendo-se apenas nos desertos extremamente áridos e nas regiões permanentes cobertas de gelo, que não apresentam condições para a sobrevivência de organismos. É relativamente fina:
Sua espessura máxima não chega a 20 km, enquanto o raio da Terra tem 6 mil.
Em nenhum ambiente há apenas plantas, sempre há outros organismos que dependem delas para sobreviver, tais organismos formam 2 grupos:
os produtores, que são capazes de usar o gás carbônico para produzir substâncias nutritivas; já os demais pertencem ao grupo dos consumidores. No 1° estão todos os vegetais terrestres e aquáticos, algas marinhas, de água doce e algumas bactérias.
No 2° estão os animais, fungos e muitas bactérias.
Além da energia química, outra atividade fundamental é a respiração. Nela é usada a glicose e o oxigênio, transformando tais em água e gás carbônico. O fato dos vegetais absorverem energia luminosa, não o dispensa de respirar; a luz é usada exclusivamente para a produção de glicose e oxigênio na fotossíntese.
Consideram-se como fatores bióticos os efeitos das diversas populações de animais, plantas e bactérias umas com as outras e abióticos os fatores externos como a água, o sol, o solo, o gelo, o vento. Em um determinado local, seja uma vegetação de cerrado, mata ciliar, caatinga,mata atlântica ou floresta amazônica, por exemplo, a todas as relações dos organismos entre si, e com seu meio ambiente chamamos ecossistema. Ou seja, podemos definir ecossistema como sendo um conjunto de comunidades interagindo entre si e agindo sobre e/ou sofrendo a ação dos fatores abióticos.
São chamados agroecossistemas quando além destes fatores, atua ao menos uma população agrícola. A alteração de um único elemento pode causar modificações em todo o sistema, podendo ocorrer a perda do equilíbrio existente. O conjunto de todos os ecossistemas do mundo forma a Biosfera.

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A base de um ecossistema são os produtores que são os organismos capazes de fazer fotossíntese ou quimiossíntese. Produzem e acumulam energia através de processos bioquímicos utilizando como matéria prima a água, gás carbônico e luz. Em ambientes afóticos (sem luz), também existem produtores, mas neste caso a fonte utilizada para a síntese de matéria orgânica não é luz mas a energia liberada nas reações químicas de oxidação efetuadas nas células (como por exemplo em reações de oxidação de compostos de enxofre). Este processo denominado quimiossíntese é realizado por muitas bactérias terrestres e aquáticas.
O fluxo de matéria e energia nos ecossistemas pode ser representado por meio de pirâmides, que poderão ser de energia, de biomassa (matéria) ou de números. Nas pirâmides ecológicas, a base é quase sempre mais larga que o topo. A quantidade de matéria (biomassa) e de energia transferível de um nível trófico para outro sofre um decréscimo de um décimo a cada passagem, ou seja, cada organismo transfere apenas nove décimos da matéria e da energia que absorveu.

Leia também esses capítulos:

http://megaarquivo.com/2010/10/19/projeto-biosfera-ii-%E2%80%93-como-era-o-projeto-que-fracassou/

http://megaarquivo.com/2011/03/07/2572-o-projeto-biosfera-2/

8015 – Ecossistema – O Lagamar


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É uma faixa costeira de 200 quilômetros, entre os municípios de Iguape, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná, conhecida pelo estranho nome de Lagamar. Em 1991, quando a Unesco decidiu fazer da Mata Atlântica nos dois Estados a primeira Reserva da Biosfera brasileira, o Complexo Estuarino-Lagunar de Iguape-Paranaguá — seu nome científico — acabou ganhando um lugar no seleto grupo de santuários ambientais. E, embora ainda não seja uma pérola dos ecologistas, somando-se seus dotes aos da floresta que o envolve, juntos eles concentram o que alguns biólogos consideram uma das mais ricas biodiversidades do país.
Entender a receita que produziu essa fabulosa variedade de vida também não é difícil. Basta pegar uma mata tão verdejante quanto a Amazônica, adicionar os terrenos alagadiços do Pantanal, salpicar uma quantidade de ilhas maior que as de Fernando de Noronha e povoar tudo com bichos raros da Juréia. Resultado: Lagamar, uma mistura de ecossistemas tão diversos quanto florestas tropicais de planície e montanha, manguezais, lagunas, braços de mar, baías, dunas e praias. Cada um desses habitats povoado por plantas e animais não só típicos, mas muitos endêmicos.
Quem entra pela primeira vez no coração verde dessa região litorânea tem a sensação de estar atravessando um túnel do tempo. E a impressão tem um fundo de verdade. Durante séculos, o Lagamar permaneceu praticamente intocado pelo homem, em parte graças aos contrafortes da Serra da Graciosa, em parte pelo dossel compacto da Mata Atlântica, que o envolve desde a serra até o Vale do Ribeira.
Em terra, onças, capivaras, tamanduás-mirins, macacos muriquis — os maiores das Américas — convivem com animais endêmicos e ameaçados de extinção, como o papagaio-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e o precioso mico-leão-caiçara (Leontopithecus caissara). Mas estas não são as únicas espécies em risco encontradas no Lagamar. Lá também vivem o jacaré-de-papo-amarelo e a quase esquecida ariranha-de-planície (Pteronura brasiliensis), parente distante da lontra considerada extinta na Região Sudeste.
Os dados sobre a biodiversidade do Lagamar ainda são preliminares, mas já foram catalogadas até o momento mais de 300 espécies de pássaros. Na floresta, vivem pelo menos 21 mamíferos de grande porte.

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7386 – Biosfera – O Planeta Azul


Você mora na periferia de uma cidade do interior. Em termos cósmicos, pelo menos. Sua casa é uma rocha cheia d’água que gira num cantinho da galáxia, bem longe do movimentado centro. O Sol, esse reator nuclear com diâmetro de 1,4 milhão de quilômetros, é só uma entre os 300 bilhões de estrelas da Via Láctea. Uma galáxia bem pacata, por sinal. A verdadeira megalópole deste pedaço do Universo é Andrômeda, nossa galáxia vizinha, com 1 trilhão de sóis.
Não, não estamos nada sozinhos no Cosmos. Além de Andrômeda, há pelo menos outros 125 bilhões de galáxias no Universo visível. E, se respeitarmos a lógica, o que não falta em cada uma delas são planetas, muitos planetas. Como disse o astrônomo Carl Sagan sobre a vida lá fora: “Deve haver bilhões de trilhões de mundos. Então por que só nós, jogados aqui num canto esquecido do Universo, seríamos afortunados?”
Outros vão mais longe e apostam que não só a vida é inevitável lá fora mas civilizações tão ou mais avançadas que a nossa também. Como já disse o físico de Harvard Paul Horowitz: “Vida inteligente no Universo? Garantido. Na nossa galáxia? Extremamente provável”.

Mas, voltando ao nosso planeta azul, você já teve a impressão de que o céu está menos azul? Não é impressão. Segundo um novo estudo, que analisou 3 250 medições atmosféricas feitas em diversas partes da Terra, isso realmente está acontecendo: nas regiões mais críticas, o céu está 20% menos azul do que na década de 1970. O efeito é provocado pelo excesso de aerossóis na atmosfera – uma camada de sujeira flutuante que junta moléculas de poeira, fuligem e dióxido de enxofre produzido por carros, indústrias e queimadas. Ou seja: além de provocar efeito estufa, a poluição já está modificando a luz que chega à Terra.
A luz do Sol é branca. Mas, quando entra na atmosfera terrestre, ela esbarra nas partículas que estão suspensas no ar (moléculas de oxigênio, nitrogênio e água) e se decompõe em várias cores. É por isso que, quando você olha para cima, vê um Sol amarelo e um céu azul. O amarelo e o azul são subprodutos da luz branca – eles foram separados e espalhados pelas moléculas da atmosfera. Só que os aerossóis alteram essa divisão. “Eles são muito pequenos, e conseguem rebater os raios do Sol como nenhum outro poluente”, explica o físico atmosférico Kaicun Wang, da Universidade de Maryland. Os aerossóis “seguram” os raios de luz azul lá em cima, impedindo que eles desçam e cheguem com plena força aos seus olhos. E aí o céu adquire um aspecto leitoso, menos azul.
A região mais afetada é o sul da Ásia, seguida por África, Oceania e América do Sul. Os pesquisadores também notaram um enfraquecimento no azul do céu dos EUA. A grande exceção é a Europa – onde desde a década de 1990 o céu está ficando mais azul (possivelmente porque os níveis de alguns poluentes tenham diminuído). Mas alguns cientistas especulam que os aerossóis possam ter também um efeito positivo. Como eles reduzem a quantidade de luz que chega à superfície terrestre, ajudariam a diminuir a temperatura global em até 1 grau. Um céu menos azul por uma Terra menos quente.