13.258 – Os estranhos animais híbridos criados pela mudança climática


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O aquecimento global pode levar espécies inteiras à extinção!
Pesquisadores do departamento de ecologia da Universidade de Tuscia, na Itália, acreditam que a mudança climática fará com que sejam cada vez mais frequentes os casos de hibridização entre diferentes espécies animais.
Na Europa, por exemplo, estão sendo registrados vários cruzamentos entre sapos-europeus (bufo bufo), uma espécie presente em quase todo o continente, e sapos-baleares (bufotes balearicus), naturais do sul da Itália. Os dois animais, inclusive, sincronizaram seus ciclos reprodutivos – apesar de os girinos resultantes da união apresentarem problemas genéticos e não serem capazes de completar o ciclo da metamorfose.
Embora a reprodução entre espécies com semelhanças genômicas tenha sido fundamental na história da evolução natural, o aquecimento global está acelerando o processo e provocando, muitas vezes, a extinção de espécies inteiras.
Os cientistas acreditam que é essencial entender a diferença entre o processo natural de cruzamento entre as espécies e a hibridização causada pela atividade humana, sendo essa última uma séria ameaça para os ecossistemas.

13.158 – Café pode entrar em extinção (?)


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Tomar um pingado vai ficar mais difícil. Tudo culpa do aquecimento global, que, segundo o Instituto Australiano do Clima, vai reduzir a área de cultivo do café pela metade até 2050.
A princípio não vai ser ruim para todo mundo: as plantações podem ficar mais produtivas em regiões como a África Oriental. Isso porque a concentração de CO2 aumenta e, como efeito imediato, turbina a produção vegetal.
Mas isso só vale para áreas em altitude suficiente para não sofrerem com o calor. Hoje em dia, a Tanzânia perde 140 kg de café por ano a cada 1 oC a mais no termômetro – o equivalente a mais de 12 mil xícaras.

12.932 – Chuva – Os Rios Voadores


Chuva sobre areas de cultivo de cana no interior de Sao Paulo.
A chuva é um fenômeno meteorológico que consiste na precipitação de gotas de água, no estado líquido, sobre a Terra. Em quase todos os casos, a chuva se forma nas nuvens, mas em certos lugares, também é possível cair chuva sem a presença de nuvens. E nem toda a chuva que sai das nuvens atinge o solo, pois algumas vezes, ela se evapora na atmosfera bem antes de cair sobre a superfície. Para que a gente possa entender melhor a chuva, vamos examinar o que são as nuvens.
As nuvens podem apresentar diversas formas, que variam dependendo da natureza, dimensões, número e distribuição espacial das partículas que a constituem e das correntes de ventos atmosféricos. Cada nuvem é um conjunto de partículas finas de água (em seu estado líquido) ou de gelo (água em estado sólido) que se encontram em suspensão na atmosfera, uma manifestação visível que resulta da condensação de vapor de água (água invisível, em seu estado gasoso). Uma nuvem pode conter partículas de água líquida ou de gelo em menores ou maiores dimensões, além de partículas procedentes, por exemplo, de vapores industriais, de fumaças ou de poeiras.

O que é precipitação? É diferente de chuva?
A precipitação é qualquer forma de água, seja líquida ou sólida, que cai do céu. Assim, além da chuva líquida que cai na maior parte do Brasil, inclui também granizo e neve.
A chuva se refere apenas à forma líquida das precipitações.
As gotas de chuva, que podem ter um diâmetro de até 6 mm, não seguem a mesma formação que as gotas de água que caem de uma torneira, por exemplo. As menores, com menos de 1 mm de raio, na verdade, são esféricas. As que crescem mais, começam a se deformar na parte inferior, porque a pressão do ar as puxa para cima durante a queda, momento em que começam a conseguir contrariar a tensão superficial que as mantém esféricas.
Quando o raio excede cerca de 4 mm, o buraco interior cresce tanto que a gota, antes de se partir em gotas menores, fica com uma forma que quase parece um paraquedas: a forma de um saco de paredes finas voltado para baixo, com um anel mais grosso de água em roda da abertura inferior. As gotas de chuva são muito maiores do que as gotículas das nuvens e podem ficar suspensas no ar por muito tempo. Como são muito maiores e mais pesadas, as gotas de chuva não ficam suspensas no ar e dão origem à chuva.
Dependendo da quantidade de água que chove e o tamanho das gotas, podemos descrever a chuva como chuvisco, garoa, aguaceiro, pé-d’água, dilúvio, pancada, etc.
O estado de São Paulo é conhecido como terra da garoa, ou do chuvisco, que é um tipo de precipitação que se caracteriza por ter um tamanho de gota de água pequeno, dando a impressão de que as gotas flutuam no ar em vez de caírem. O chuvisco se origina de nuvens relativamente baixas e de pouco desenvolvimento vertical, como as nuvens estratiformes.
Há dois tipos básicos de precipitação: estratiformes e convectivas. As precipitações podem estar associadas a diferentes fenômenos atmosféricos sob diferentes escalas de desenvolvimento temporal e espacial. Por exemplo:
chuvas frontais são causadas pelo encontro de uma massa fria (e seca) com outra quente (e úmida). Por ser mais pesado, o ar frio faz o ar quente subir na atmosfera. Com a subida da massa de ar quente e úmida, há um resfriamento da mesma que condensa e forma a precipitação.
chuvas de convecção são também chamadas de chuvas de verão na região Sudeste do Brasil e são provocadas pela intensa evapotranspiração de superfícies úmidas e aquecidas (como florestas, cidades e oceanos tropicais). Precipitação convectiva é comum no verão brasileiro, na Floresta Amazônica e no Centro-oeste. Na região Sudeste, particularmente sobre a Região Metropolitana de São Paulo e sobre a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, também ocorrem tempestades convectivas associadas à entrada de brisa marítima ao final da tarde com graves consequências sobre as centenas de áreas de risco ambiental. Estas chuvas também são conhecidas popularmente como pancadas de chuva, aguaceiros ou torós.
chuvas orográficas são também chamadas de chuvas de serra, ou ainda, chuvas de relevo e ocorrem quando os ventos úmidos se elevam e se resfriam pelo encontro de uma barreira montanhosa, como é normal nas encostas voltadas para o mar. São comuns nos litorais paranaense, catarinense e na Serra do Mar.
A chuva tem papel crucial no ciclo hidrológico. A quantidade de chuva que cai é medida usando um instrumento chamado pluviômetro, de funcionamento simples: a boca de um funil de área conhecida faz a coleta das gotas de chuva e as acumula em um reservatório colocado abaixo do funil. Normalmente, esse recipiente está marcado com uma escala graduada, de forma que o observador pode medir o volume de água acumulado num determinado período, por exemplo, 25 mm por metro quadrado nas últimas 24 horas.
A manutenção do ciclo da água é fundamental para nossas vidas e para a natureza, pois promove a regularidade da temperatura e a água das chuvas abastece os nossos rios e lagos e penetra no solo para irrigar a vegetação. Ela permite a realização de atividades importantes para a sociedade humana, como a agricultura e a pesca, por exemplo.

12.503 – Biologia – Os Microclimas


Microclima
Tal termo significa a influência que os fatores climáticos atuam sobre os organismos.
A extensão dos microclimas próprios das formas que vivem no solo, fendas, rochas, debaixo das cascas das árvores ou em outros habitats reduzidos, se mede em fração de centímetros.
As plantas terrestres só podem viver em lugares onde haja água suficiente.
As xerófitas são plantas que vivem nos desertos e em zonas áridas e podem passar com quantidades relativamente pequenas de água.
Outras plantas como o cacto, armazenam em seus órgãos suculentos, grande quantidade de água para enfrentar os períodos de seca.
Outros suportam no estado de murchidão, anos a fio e de maneira idêntica alguns musgos podem suportar grandes secas.
Há animais que vivem da água metabólica, a que resulta de compostos químicos dos alimentos. Os bichos da farinha e o cangurú do deserto do Arizona obtem toda a água que necessitam pela decomposição metabólica de seus alimentos.
Os vegetais são atingidos mais diretamente pelo fator água. A água influi sobre a intensidade dos vegetais e sobre seu crescimento. Num ambiente árido as raízes irão longe vertical e horizontalmente. Tal como o cacto que absorve toda a água disponível dentro de sua área e impede qualquer outra planta de crescer em suas proximidades, também o juazeiro das terras secas do nordeste possui raízes que vão buscar a água a muitos metros de profundidade.

Microclima Urbano
Microclima urbano é um termo usado em Climatologia para designar um conjunto de condições climáticas (temperatura, umidade, sensação térmica, pluviosidade) de uma pequena área dentro de uma cidade. Estas áreas apresentam características climáticas diferentes do restante da cidade.

Características principais do microclima urbano:

– Temperaturas mais elevadas ou menores em relação às áreas vizinhas.

– Umidade do ar menor ou maior em relação às regiões ao redor.

– Sensação térmica diferente das regiões próximas.
A ilha de calor é um exemplo de microclima urbano. Ela pode se formar por causas naturais, porém o mais comum são as modificações provocadas pelos seres humanos.
As ilhas de calor apresentam temperaturas mais elevadas do que as regiões ao redor e umidade relativa do ar mais baixa. Formam-se, geralmente, pela intensa presença de prédios e asfalto num bairro ou região, com pouca presença de cobertura vegetal.

12.237 – Planeta Terra – Fases da Lua influenciam as probabilidades de chuva


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Cientistas da Universidade de Washington analisaram 15 anos de dados divulgados pela Nasa e concluíram: a Lua tem influência sobre as chuvas na Terra. Segundo os pesquisadores, o satélite cria “protuberâncias” em nossa atmosfera, aumentando a precipitação, e definem a quantidade de água que vai cair do céu.
Segundo os dados coletados pelos cientistas, a Lua pressiona a atmosfera terrestre quando está acima de uma região específica. A pressão atmosférica elevada aumenta a temperatura, sugando mais umidade. “É como se um container ficasse mais largo com uma pressão mais alta”, afirma Tsubasa Kohyama, doutor que conduziu o estudo. “Menos umidade significa um clima menos propício à chuva”, conclui o pesquisador.
Isso não significa que você deve saber a posição da Lua para saber se leva o guarda-chuva. Nosso satélite causa apenas 1% de diferença em relação ao volume de chuva registrado aqui na Terra. Os dados garimpados por Kohyama e sua equipe serão usados para estudos que avaliarão como as fases lunares influenciam outros tipos de fenômenos climáticos. Até o momento, é sabido que a Lua possui impacto no comportamento das marés oceânicas.

11.981 – Planeta Terra – Travessuras do El Niño em 2015


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No Norte e no Nordeste do Brasil, seca; no Sul, chuva. Já no Sudeste, não dá para ter certeza de nada. O El Niño vem com tudo neste ano e concorre para ser o mais forte já registrado, e seus efeitos devem ser sentidos ao menos até o outono.
Climatologistas apelidaram esse El Niño de Godzilla, por seu potencial de esculhambar o clima “médio” global, embora os pesquisadores tenham muitas dúvidas sobre o que exatamente vai acontecer.
O que se pode dizer é que, no Sul, as precipitações intensas e frequentes encharcam a terra, fazendo com que qualquer chuvinha se transforme em uma enxurrada, varrendo os nutrientes dos solos e até as mudas –prejudicando a economia e o abastecimento de comida na região.
Também há riscos ambientais, especialmente para espécies ameaçadas, diz o engenheiro florestal da Fundação Grupo Boticário André Ferreti. Com as inundações, espécies como o bicudinho-do-brejo, que faz seu ninho próximo às margens de riachos, podem ser arrastadas.
O climatologista da USP Tercio Ambrizzi conta que só nos próximos meses poderemos ter certeza de qual será o jeitão deste El Niño –ao mesmo tempo em que ele ocorre.
Quanto ao Sudeste, para Ambrizzi, se o fenômeno se consolidar como está, reservatórios como o sistema Cantareira podem se beneficiar um pouco da precipitação.
“Havia uma certa duvida da chegada da estação chuvosa. Atrasou quase duas semanas, mas chegou”, afirma. A dúvida é saber se essa linha de transição entre os efeitos úmidos do Sul e secos mais ao norte vai permanecer no lugar.
Já os reservatórios de Minas Gerais, como Sobradinho, tendem a pegar carona na seca norte-nordestina.
É difícil fazer previsões muito mais precisas do que isso, porém. Os especialistas estão muito longe de um consenso.
A professora e climatologista da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Alice Grimm também aposta que o El Niño significará mais água na torneira do paulista.
Para professor da USP e membro do IPCC (Painel Internacional de Mudanças Climáticas) Paulo Artaxo, porém, é melhor não dar nenhum palpite: “Sob hipótese alguma podemos fazer previsões sobre a precipitação no Cantareira –as ciências climáticas ainda não permitem isso.”
Uma das explicações para a dificuldade de entender o El Niño é a própria variabilidade do fenômeno. Existem dois tipos de El Niño: os “de leste” e os de “centro”, de acordo com a região do Pacífico onde ocorrem as maiores anomalias na temperatura das águas. Para piorar, o evento deste ano é “misto”, ou seja, apresentam anomalias espalhadas por uma longa extensão.
Já foram registradas regiões com anomalias maiores que 2,5°C. Em alguns locais o aumento chega a 5°C.
Qual a relação disso com o aquecimento global? Para variar, os cientistas não têm uma resposta única.
Para Artaxo, é nítido que há uma mudança climática, mas ainda é inadequado atribuir qualquer anomalia climática a ela ou ao El Niño.
Ele afirma que a própria série história, que em tese poderia servir como referência para que os cientistas entendessem melhor os fenômenos climáticos, já não é mais tão útil.
“Não dá para comparar as chuvas de hoje na Amazônia com uma série histórica do começo do século 20. Mudou tanto onde e quanto chove…”
O último grande El Niño aconteceu entre 1997 e 1998. Os efeitos foram vistos no mundo todo, de calor intenso nos EUA e no Japão até seca e incêndios florestais na Indonésia. O Quênia sofreu alagamentos, e Equador e Peru também tiveram aumento de precipitação.

11.804 – Mais dias tórridos pela frente – Próximos dois anos podem ser os mais quentes já registrados


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Os próximos dois anos podem bater o recorde mundial como os mais quentes já registrados no mundo, segundo pesquisa da agência meteorológica do Reino Unido.
O Met Office alerta que grandes mudanças no sistema climático podem estar a caminho por causa dos gases do efeito estufa, que aumentam o impacto de tendências naturais.
A pesquisa mostra que os efeitos do El Niño no Pacífico podem gerar um aquecimento do mundo inteiro.
O estudo revela também que o verão na Europa pode ficar temporariamente mais frio, enquanto o resto do mundo viveria os reflexos do aquecimento.
Os cientistas confirmam que em 2015, a temperatura média da superfície da Terra está se aproximando de níveis recordes: 0,68°C acima da média registrada entre 1961-1990.
O diretor da agência meteorológica britânica, Stephen Belcher, afirmou que as altas temperaturas registradas no mundo todo neste ano mostram a dimensão do impacto dos gases do efeito estufa.
“Sabemos que tendências naturais afetam as temperaturas globais todos os anos, mas as temperaturas muito quentes deste ano indicam o impacto contínuo dos gases do efeito estufa (produzidos pelo homem).”
“Com o potencial de que o próximo ano seja tão quente quanto este, fica claro que nosso clima continua mudando”, completou.

Rowan Sutton, da Universidade de Reading, confirmou os resultados do estudo. “Parece que mundialmente, 2014, 2015 e 2016 estarão entre os anos mais quentes da história. Isso não é um acaso. Vemos os efeitos da energia acumulados de forma constante nos oceanos e na atmosfera, e eles são causados pelos gases do efeito estufa.”
Os efeitos do aumento da emissão de CO2, combinado a tendências naturais de longo prazo nos oceanos, deixam o sistema climático “muito interessante”.
Duas tendências que afetam os “padrões” climáticos a médio e longo prazo estão no oceano Pacífico. O fenômeno do El Niño acontece quando uma corrente do Pacífico se inverte –algo que ocorre a cada três, quatro ou cinco anos–, trazendo chuvas onde normalmente há secas, e secas onde normalmente há chuvas. O El Niño tende a empurrar as temperaturas mundiais para cima.
Esse fenômeno está agora parecido com o El Niño de 1998, que provocou estragos no sistema climático mundial. O de agora pode aumentar o risco de secas na África do Sul, no leste da Ásia e nas Filipinas –e pode trazer enchentes ao sul da América do Sul.
Um efeito positivo disso poderia ser o fim dos quatro anos de seca que afligem a Califórnia.
A segunda mudança natural ocorre nos padrões de temperatura do Pacífico Norte. Houve uma fase fria, que a agência meteorológica afirma ter contribuído para a pausa no aumento das temperaturas médias da atmosfera na última década. Agora entra-se em uma fase quente, que também fará o mundo ser mais quente.
Mas existe um outro fator em jogo. Esses dois eventos de aquecimento serão parcialmente compensados pelo padrão de temperatura do Atlântico Norte, que está mudando para uma fase fria.
Os cientistas dizem que têm aprendido mais sobre como esses padrões grandes de temperatura no oceano podem amenizar ou acelerar os efeitos do aquecimento global provocado pelo homem.

“A parte que não entendemos é a competição entre os fatores –é o que estamos estudando agora”, diz Sutton.

Para os pesquisadores, mudanças no Atlântico significam que a Europa pode ter verões mais frios e secos pela próxima década –mas isso só se os efeitos do Atlântico não forem superados pelos do Pacífico. Eles ainda não conseguem prever com precisão qual influência prevalecerá.
O fato de o Atlântico Norte estar se tornando mais frio pode levar à recuperação das geleiras na região do Ártico.

Terra Tórrida
A agência meteorológica tem sido extremamente cautelosa depois de ter sido punida pelo que alguns chamaram de “excesso de confiança” em previsões feitas no passado, quando as tendências naturais do oceano ainda eram pouco compreendidas.
O órgão afirma que, que sob sua perspectiva, não há pausa real no aquecimento da Terra porque os oceanos continuam a ficar mais quentes, os níveis o mar continuam a subir e as geleiras continuam derretendo.
“Não podemos ter a certeza de que será o fim dessa desaceleração, mas as taxas de aquecimento da década podem atingir os maiores níveis do século em dois anos”, disse Scaife.
“Se o aquecimento causado pelos gases do efeito estufa continuar a aumentar, os efeitos dele a longo prazo no clima global e regional podem superar aqueles de fenômenos de curto prazo, como o El Niño.”

11.731 – Mega Sampa – A seca e as ondas de calor se tornarão frequentes


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A crise hídrica de São Paulo ganhou notoriedade quando técnicos do Departamento de Águas e Energia Elétrica afirmaram que a realização dos jogos da Copa do Mundo no Brasil na cidade estaria ameaçada pela possibilidade de um racionamento generalizado de água devido à falta de chuvas no Cantareira. No dia 12 de julho, um sábado de inverno, ainda durante o evento, o volume útil do sistema, como é chamada a porção de água acima das comportas das represas, esgotou-se. Com quebras de recorde de calor consecutivas durante o ano e o consumo em alta, o que restava dos 1,46 trilhão de litros de capacidade do principal reservatório para abastecimento da cidade parecia evaporar. Para o presidente da ANA, o planejamento da Sabesp ficou longe de acompanhar o consumo crescente dos paulistanos, de 175 litros diários per capita – segunda maior média do país, perdendo apenas para os 200 litros diários dos cariocas, e 65 litros acima do recomendado pela ONU.
Segundo dados da agência governamental, o Brasil possui 12% da água doce disponível região Norte do país, onde vivem 7% da população. Três por cento ficam no Nordeste, com 27% da população. Por sua vez, o urbanizado Sudeste, onde estão São Paulo e 40% dos brasileiros, possui apenas 6% da água. “O preço da dependência do Cantareira se fez sentir como nunca antes e isso era previsível. Entre 2004 e 2013, o consumo de água nos 33 municípios da região metropolitana abastecidos pela Sabesp aumentou 26%, enquanto a produção cresceu apenas 9%. A cidade já vivia em estresse hídrico e as mudanças climáticas aceleraram o processo que levou à crise”, explica Adreu.
Para o climatologista Carlos Afonso Nobre, diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), extremos climáticos como a seca e ondas de calor tendem a se tornar frequentes daqui para a frente. “A razão mais próxima para entender o que aconteceu em São Paulo são os bloqueios atmosféricos que configuram os veranicos, períodos mais secos nos verões. Esses fenômenos clássicos da meteorologia são causados por sistemas de alta pressão estacionários no Atlântico, que bloqueiam a entrada de massas de ar frio do Ártico e impedem a precipitação no continente. Ocasionalmente, o fenômeno também pode estar relacionado com o bloqueio gerado pela ilha de calor da mancha urbana”, explica Nobre. “Houve na história algumas centenas de bloqueios antes desses com durações de cinco a sete dias, o mais longo com menos de 20 dias. O que surpreendeu no registro dos bloqueios mais recentes é que não havia nenhum caso em 40 anos de um que tenha durado 48 dias, como nos primeiros meses de 2014, e um de 26 dias, em fevereiro de 2015”, conta.
De acordo como o cientista, membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), não é possível afirmar com precisão científica se a falta de chuvas no verão de 2014 tem relações em São Paulo com o aquecimento global causado pela ação antrópica. Porém é certo dizer que já vivemos um novo padrão climático. A volatilidade do clima, tanto para a seca quanto para mais chuvas, tende a se tornar mais intensa e os eventos como os veranicos mais longos. Mas não está chovendo menos em São Paulo então? “Sim, no período que desencadeou a crise choveu menos na região do Cantareira, mas essa é uma falsa percepção diante das estatísticas. O histórico mostra que tem chovido 30% mais na cidade nos últimos 40 anos. O que estamos vendo é um efeito da mudança climática em uma cidade que está de 3 a 4ºC mais quente na média. Para entender isso, temos de considerar que esta é uma cidade diferente de 1960, quando as enchentes já eram notícia. Hoje, elas tendem a ser mais frequentes por causa da urbanização, da mesma forma que as secas serão”, fala Nobre.
Não resta dúvida de que a seca paulista e a que assola o estado americano da Califórnia nos últimos quatro anos estão conectadas pela ação do homem.

11.719 – Cons(ciência) – 40% dos adultos no mundo são ″analfabetos climáticos″


Mega Humor
☻Mega Humor

A mudança climática é uma ameaça para a humanidade e os ecossistemas naturais, mas um estudo recente publicado na revista Nature Climate Change revela que a consciência pública sobre o problema não é geral. Nada menos do que 40% dos adultos do mundo nunca ouviram falar de mudanças climáticas, segundo a pesquisa.
O contraste na percepção entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento é outro dado que impressiona: na América do Norte, Europa e Japão, mais de 90% do público está ciente da mudança climática, ao passo que em muitos países em desenvolvimento, relativamente poucos estão cientes do problema. No Egito, Bangladesh e Índia, o “analfabetismo climático” chega a atingir 65% da população adulta.
A equipe de pesquisadores também constatou que o nível de educação tende a ser o fator que mais predispõe uma pessoa a desenvolver consciência sobre a mudança climática. No entanto, há diferenças acentuadas entre os países.
Nos Estados Unidos, os preditores chave são o engajamento cívico, acesso à comunicação e educação. Além disso, as opiniões dos americanos também são fortemente afetadas pela política partidária. Mas há poucos dados globais sobre a ideologia política e seu efeito sobre a visão da mudança climática, disseram os pesquisadores.
Enquanto isso, na China, a consciência sobre o problema está mais associada à educação, a proximidade de áreas urbanas e renda familiar. Em geral, observam os pesquisadores, as pessoas na maioria dos países em desenvolvimento percebem as alterações climáticas como uma ameaça muito maior do que as pessoas nos países desenvolvidos.
A pesquisa destaca, ainda, que “melhorar a educação básica, a alfabetização climática e a compreensão do público sobre as dimensões locais da mudança climática são vitais para a participação e apoio social às ações de combate às mudanças climáticas”.
Mais do que falar sobre os riscos mundiais, para sensibilizar a opinião pública é preciso destacar os riscos que as mudanças climáticas representam para um país e até mesmo para as cidades.
Para realizar este estudo, os pesquisadores utilizaram dados de uma pesquisa da Gallup World Poll, com 119 países, feita entre 2007 a 2008.

11.714 – Planeta Terra – El Niño Devastador


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Consequência do aquecimento brusco das águas do Pacífico tropical, o El Niño é um evento comum. Ocorre em intervalos que variam de dois a sete anos. Em 1997, ele mostrou toda a sua força ao elevar a temperatura das águas do Pacífico em até 5 graus. O resultado foi uma montanha-russa na pressão atmosférica, com mudanças bruscas na intensidade e no rumo dos ventos. Houve secas onde era para chover e tempestades onde devia apenas chuviscar. O ano seguinte, 1998, filho do El Niño, foi o mais quente desde o início das modernas medições. Os Estados Unidos presenciaram o período mais chuvoso em 104 anos e o norte do Brasil sofreu com secas e incêndios florestais, no avesso das chuvas e enchentes do sul. Calcula-se que os efeitos globais do El Niño de 1997 tenham levado à morte 23 000 pessoas e deixado 45 bilhões de dólares de prejuízo. A notícia preocupan­te: tudo indica que, neste ano, terá início um El Niño que pode superar o de dezoito anos atrás, mesmo em suas consequências negativas.
Há duas formas principais de identificar o estabelecimento de um fenômeno desse gênero Inicialmente, pela medição da temperatura das águas superficiais do Pacífico tropical. Se a elevação passa de 0,5 grau, configura-se um El Niño. Caso supere 1,5 grau, considera-se que ele é intenso. Hoje, o aumento está em torno de 1 grau. O El Niño chegou, porém não se estabilizou, e, pelas estimativas de climatologistas, isso só deve ocorrer quando ultrapassar os 2 graus. Há quem aposte que chegará próximo dos 3 graus. A outra forma de identificá-lo é por meio do chamado Índice de Oscilação do Sul (SOI). Trata-se de um número, neutro, positivo ou negativo, que mede a diferença da pressão atmosférica entre dois pontos da Terra, um na cidade australiana de Darwin e o outro no Taiti. Em situação normal, ambos têm a mesma pressão. Quando há um El Niño, cria-­se uma diferença negativa entre eles.
Um olhar cuidadoso sobre o clima ao longo deste ano e as previsões para 2016 demonstram que estamos na iminência de um El Niño crescido. Há similaridades evidentes entre 1997 e 2015. Além da alta possibilidade de a temperatura média do Oceano Pacífico novamente se elevar mais de 2 graus, nos dois casos a diferença apontada pelo SOI gira em torno de -15, o que evidencia uma disparidade radical entre a pressão atmosférica na Austrália e no Taiti. Por enquanto, não sentimos os efeitos mais drásticos deste El Niño, mas um comunicado da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) alerta para o fato de que as piores consequências estão por vir. Há, segundo os especialistas, 85% de probabilidade de o fenômeno continuar ao menos até abril do ano que vem.

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O El Niño deve espalhar anomalias climáticas pelo planeta. O norte do Brasil, por exemplo, pode ficar ainda mais seco, vetor para incêndios naturais em florestas. O sul deve sofrer com tempestades e inundações. “O problema é que não conseguimos prever tudo com total certeza. Um El Niño nunca é igual ao antecessor”, afirma a americana Michelle L’Heureux, meteorologista do Centro de Previsões Climáticas do Noaa. Mas existem algumas pistas para indicar a dimensão do fenômeno.
Chove quase metade do usual no norte e no nordeste brasileiros desde março deste ano. Em consequência, o risco de incêndios em florestas e de perdas na agricultura e na pecuária nordestinas é maior, com evidente prejuízo para a oferta de energia de fontes hidrelétricas e para o abastecimento de água. No sul, houve 64% de aumento na quantidade de chuvas em julho em relação ao ano anterior. Culturas típicas da temporada de verão, como soja e milho, devem se beneficiar. Haverá enchentes, porém, o que deve levar a mortes e a números exponenciais de desabrigados. O El Niño, na trilha de seus estragos, mexe inapelavelmente com a economia mundial, sobretudo quando se verifica que os Estados Unidos estarão entre os países hipoteticamente mais afetados. Uma área ainda mais quente de águas do Pacífico Norte, conhecida como “a bolha” – inexistente no fenômeno extremo de 1997 -, tende a diminuir a quantidade de chuvas que rumam em direção à Costa Oeste americana. Em consequência, deve-­se intensificar a gravidade da seca no Estado da Califórnia.
Preocupa saber que se evoluiu muito pouco ou quase nada na tecnologia de detecção e combate à anomalia climática desde 1997. Para identificar a chegada do El Niño, ainda se usam os mesmos dois métodos do fim dos anos 90. Há boias meteorológicas espalhadas pelo Pacífico equatorial que monitoram a temperatura de águas em até 500 metros quadrados de superfície aquática, a intensidade dos ventos e as condições atmosféricas. Além disso, os climatologistas se apoiam em uma rede de mais de 100 satélites, quantidade pouco maior que a de 1997, afeitos a monitorar a temperatura dos oceanos, a formação de campos de vapor em áreas dos mares e a distribuição de ozônio na atmosfera.
Na verdade, apesar dos avanços tecnológicos, houve falhas no monitoramento do fenômeno nos últimos dezoito anos. Em 2012, o Noaa sofreu cortes de orçamento do governo americano, sendo forçado a desativar um navio encarregado da manutenção das boias no Pacífico. Resultado: quinze das antes setenta unidades não funcionam mais. Das 55 que sobraram, mais da metade apresentou falhas nos últimos dois anos. Em resumo, o Noaa vem trabalhando com 40% dos recursos que tinha para prever e combater os efeitos do El Niño. “É o fenômeno climático mais importante da Terra e nos despreparamos para ele”, reclamou o americano Michael McPhaden, cientista do Noaa que dirigiu o projeto das boias. Um editorial da revista americana Science, a mais prestigiada publicação de ciência do planeta, faz eco ao descuido: “Para economizar poucos milhões de dólares, o Noaa deixou o planeta parcialmente cego a um fenômeno que pode custar bilhões de dólares em danos”.
Soa exagero, parece profecia do acaso, mas é o que a ciência antecipa. No entanto, há um alento nesse cenário de contornos ruins: sabemos hoje muito mais sobre o que é o El Niño e o que ele pode causar. Estudos que surgiram na última década começam a associar o aquecimento global radical pelo qual a Terra tem passado no último século, em consequência direta da queima de combustíveis fósseis como o petróleo, com o gradual crescimento da força do El Niño. Ou seja, são os gases de efeito estufa emitidos pela humanidade que podem estar alimentando a anomalia. Se a teoria se confirmar, o setor privado poderá se tornar um grande aliado. Em fevereiro deste ano, a companhia americana de exploração espacial SpaceX, criada por Elon Musk, o Steve Jobs da hora (criador também do sistema de pagamentos on-line PayPal e da fabricante de carros elétricos Tesla), uniu-­se à Nasa para levar para os céus o primeiro satélite capaz de monitorar com apuro mudanças climáticas. Inovação que deve ser usada para prever efeitos do El Niño e, assim, se preparar para eles.

11.710 – Planeta Terra – Com média de 16,61°C, julho de 2015 foi o mês mais quente da história


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Julho de 2015 foi o mês mais quente da história do planeta, informou a Noaa, agência americana que monitora condições dos oceanos e da atmosfera terrestre.
O relatório referente ao mês passado informou que o primeiro semestre do ano também bateu recorde de temperatura.
As medições são feitas desde 1880, mas especialistas afirmam que é possível concluir que as atuais médias superam as dos últimos 4.000 anos.
Julho registrou temperatura média de 16,61°C nas superfícies dos continentes e dos oceanos. Isso é 0,81°C mais quente que a média do século 20.
A expectativa da agência é de que o ano de 2015 seja o mais quente da história, em consonância com previsões das agências meteorológica do Japão e espacial dos Estados Unidos, a Nasa.
Dois dos principais fatores a explicar o aquecimento global recorde são o El Niño e o efeito estufa, provocado pela atividade humana.
O El Niño em curso é um dos mais fortes da história. Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico na região tropical, o fenômeno tende a provocar aumentos nas temperaturas locais e globais.
A agência americana acredita que o atual El Niño possa superar em intensidade o de 1997, o mais forte da história.
“Há 90% de chance de o fenômeno sobreviver durante o inverno no hemisfério norte em 2015/2016 e 85% de chances de durar até o início da primavera em 2016”, afirmou a Noaa em comunicado.
Para evitar o fenômeno, seria preciso que os oceanos tivessem uma diminuição drástica de temperatura, mas o que tem sido visto é o contrário: o aquecimento das águas.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou, ao anunciar um plano de redução de emissão de carbono, que as mudanças climáticas são uma das maiores ameaças à humanidade.
O aumento recorde nas temperaturas globais é sentido de maneira dramática na Califórnia, que enfrenta, há quatro anos, a seca mais severa de sua história.
O Estado, localizado na costa oeste americana, teve mais de 3.400 incêndios até 15 de julho, 900 a mais que no mesmo período de 2014.
O governador da Califórnia, Jerry Brown, decretou estado de emergência em janeiro.
Restrições ao consumo de água têm sido impostas aos habitantes do Estado.

11.686 – Um local atingido por 28 relâmpagos a cada minuto


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A cada minuto, 28 relâmpagos atingem a área onde o lago Maracaibo e o rio Catatumbo se encontram, na Venezuela. O local, segundo o livro Guinness dos Recordes, tem a mais alta concentração de relâmpagos do mundo – 250 por quilômetro quadrado.
Também chamado de Relâmpago do Catatumbo ou Tempestade Eterna, o fenômeno é registrado desde o século 16. Ele ilumina o céu venezuelano todas as noites durante nove horas seguidas.
Muitas teorias já foram feitas sobre o evento. No entanto, a mais aceita pelo meio acadêmico é que ele acontece devido à combinação da topografia e das correntes de ar que circulam no lugar.
“Muitos desses lugares cheios de relâmpagos apresentam características comuns em seu terreno: cadeias de montanhas acentuadas, uma costa muito entrecortada ou uma combinação dos dois”, explicou Daniel Cecil, da equipe de estudos de raios do Centro Global de Hidrologia e Clima da Nasa, em entrevista à BBC.
Segundo ele, tais características criam um sistema de aquecimento e resfriamento que podem aumentar a chance de tempestades de raios.
Localizado em uma bifurcação dos Andes, o lago passa pela cidade de Maracaibo e tem fim no Mar do Caribe. Devido à cordilheira que circunda o lugar, os ventos quentes do Caribe se encontram com o ar frio que desce das montanhas.
Tal choque faz com que o ar quente suba e forme nuvens cúmulo-nimbo que alcançam 12 quilômetros de altura. Dentro delas, gotas de água vindas do ar quente e úmido se chocam com os cristais de gelo do ar frio.
Isso produz descargas estáticas que dão início à série de tempestades elétricas. Elas são tão brilhante que podem ser vistas a uma distância de até 400 quilômetros do lago.
Muitas destas informações foram colhidas durante 17 anos por instrumentos a bordo de um satélite que orbita a Terra a cerca de 400 quilômetros de altitude.
Parte da Missão de Medição da Pluviosidade Tropical (TRMM, na sigla em inglês), o projeto é comandado pela Nasa e a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão.

Já deu trégua, mas voltou
O número das tempestades tem seu ápice em outubro, devido às fortes chuvas. Nos meses de janeiro e fevereiro, que são os mais secos, o número de raios diminui.
No entanto, foram poucas as vezes que os raios despareceram totalmente dos céus da região. A primeira vez registrada foi em 1906. O fenômeno não apareceu por três semanas após um terremoto e um tsunami que aconteceram na localidade.
Já em 2010, uma seca causada por outro fenômeno natural, o El Niño, também levou à suspensão temporária das tempestades elétricas.

11.575 – Clima – Pegue o guarda-chuva, hoje é sábado


chuva
Sempre chove no fim-de-semana. Se você pensa que isso é lamúria sem fundamento científico, fique sabendo que o tempo parece mesmo seguir o ritmo de trabalho e descanso do homem. Meteorologistas da Universidade Estado do Arizona estudaram a frequência de chuvas sobre o Oceano Atlântico entre 1979 e 1995. E perceberam que as áreas costeiras têm 22% mais chance de receber aguaceiros aos sábados do que às segundas-feiras. Para os estudiosos, a culpada é a poluição. Segundo eles, as partículas poluidoras vão se acumulando no ar ao longo da semana. Esse acúmulo acaba facilitando a formação de nuvens, que despencam na forma de tromba-d’água nos dias de descanso.

11.156 – Calor, Poluição e Superpopulação – Extremos climáticos devem ocorrer com mais frequência e intensidade, nas próximas décadas, em São Paulo


As conclusões são de um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em colaboração com colegas das Universidades de São Paulo (USP), Estadual de Campinas (Unicamp), Estadual Paulista (Unesp), de Taubaté (Unitau) e dos Institutos Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e de Aeronáutica e Espaço (IAE), entre outras instituições e universidades do Brasil e do exterior, no âmbito do Projeto Temático “Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option”, apoiado pela FAPESP.
Resultados do estudo foram descritos em artigos publicados na revista Climate Research e contribuíram para a elaboração do Atlas de Projeções de Temperatura e Precipitação para o Estado de São Paulo, uma publicação interna do Inpe lançada em 2014, também resultado de projeto.
Os pesquisadores analisaram a variabilidade do clima da região metropolitana nos últimos 80 anos por meio de dados diários de chuva referentes ao período de 1933 a 2011 fornecidos pela estação meteorológica Água Funda, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). Do período de 1973-1997, foram utilizados também dados de outras 94 estações meteorológicas espalhadas pela região.
As observações indicaram um aumento significativo, desde 1961, no volume total de chuva durante a estação chuvosa, que pode estar associado à elevação na frequência de dias com chuva pesada e à diminuição de dias com precipitações leves na cidade.
Enquanto os dias com chuva pesada – acima de 50 milímetros (mm) – foram quase nulos nos anos 1950, eles ocorreram entre duas e cinco vezes por ano entre 2000 e 2010 na cidade de São Paulo.

11.016 – Planeta Terra – Nível do mar sobe mais do que o previsto


veneza

Um estudo publicado pela revista “Nature” revela que o aumento do nível do mar foi “significativamente maior” do que o esperado pelos especialistas para a última década do século XX e a primeira do atual.
A pesquisa, realizada por Carling Hay e Eric Morrow no Departamento de Ciências Planetárias e Terrestres da Universidade de Harvard, constatou que o aumento global do nível do mar entre 1900 e 1990 foi superestimado em 30%. No entanto, o estudo mostra que, apesar das controvérsias sobre o assunto na comunidade científica, os últimos dados divulgados sugerem que os cálculos sobre a elevação dos níveis dos oceanos a partir de 1990 estão corretos, o que confirma uma aceleração do aumento do nível do mar.
“Esta pesquisa mostra que o aumento do nível do mar ocorrido durante o século passado foi maior do que o esperado. É um problema maior do que pensávamos inicialmente”, alertou Morrow.
Segundo Hay, atualmente sabe-se que a maioria das camadas de gelo do mundo, assim como as geleiras, está derretendo em função do aumento das temperaturas, o que provoca uma “elevação global do nível do mar”.
“Outra preocupação a este respeito é que muitos dos esforços realizados para obter projeções sobre a mudança do nível do mar no futuro utilizam os dados superestimados do período 1900-1990”, afirmou Morrow.
As estimativas que utilizam esses números como base estão comprometidas, e é necessário, portanto, adotar uma “perspectiva completamente nova”, segundo os pesquisadores.
Normalmente, explicou Carling Hay, as estimativas sobre o aumento do nível do mar são feitas a partir de dados dos marégrafos e do registro nas variações sofridas nas “sub-regiões” nas quais os oceanos são divididos. Esses registros, acrescidos de dados complementares mais específicos, servem para estimar a elevação do nível do mar em cada “sub-região”, que, somadas, dão origem a uma média global.
“No entanto, estas médias simples não representam o real valor do aumento global. Os marégrafos estão situados ao longo das costas, portanto extensas áreas de oceano não estão incluídas nas medições”, explicou Hay.
Segundo o estudo, o nível do mar muda “por diversos motivos”, entre os quais estão os “efeitos duráveis da última glaciação”, “o aquecimento e a expansão do oceano em função do aquecimento global”, as “variações na circulação de água” e o “degelo”.
Hay e Morrow elaboraram suas novas previsões a partir da observação de “um conjunto de evidências globais”, até chegar a determinar “como as camadas de gelo individuais” contribuem para a elevação do nível do mar.
“Devemos levar os sinais de glaciação em consideração, entender como os modelos de circulação de água nos oceanos se alteram e também como a expansão termal afeta os modelos regionais e a média global”.

11.009 – Mega Sampa – Por que a chuva de São Paulo não chega ao Cantareira?


cantareira seco

A chegada do verão trouxe chuvas para São Paulo. Algumas tão intensas que provocaram problemas como alagamentos, quedas de árvores e raios. Apesar disso, o Sistema Cantareira não dá sinais de recuperação. Nesta sexta-feira, o nível dos reservatórios que o compõem chegou a 5,3%.
A causa essa discrepância, e da falta de chuvas onde a cidade mais precisa no momento, é uma união de diversos fatores. Um bloqueio atmosférico está agindo o Sudeste do país. Trata-se do mesmo fenômeno que causou seca e temperaturas elevadas no segundo semestre do ano passado, embora um pouco mais brando desta vez.
Esse bloqueio, com ventos que impedem a chegada das frentes frias que se formam no Sul até os Estados do Sudeste, é causado pelo aumento de temperatura do oceano, um fenômeno global. “O oceano cria uma alta pressão, que não deixa a massa de ar frio subir”, explica Graziella Gonçalves, meteorologista da Somar Meteorologia.
O problema é que essas massas de ar frio atraem a umidade da Amazônia para o Sudeste, formando um corredor pelo país, onde ocorrem chuvas. “Como as frentes frias estão indo embora do Sudeste muito rapidamente, ou nem chegando aqui, esse fenômeno, conhecido como Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), não se formou”.
Com isso, é provável que janeiro de 2015 continue seguindo a tendência de queda na quantidade de chuvas dos últimos dois anos. Em 2013 as chuvas neste mês ficaram 43% abaixo da média. No ano seguinte, dos 259,9 milímetros de chuva esperados na região do Sistema Cantareira, caíram apenas 87,8 — 66% abaixo da média. Neste ano, a expectativa era ainda maior: 271,1 milímetros, de acordo com a Sabesp. Até o dia 21 de janeiro de 2015, no entanto, somente 60,9 milímetros haviam caído. A dez dias do término do mês, estamos 78% aquém do esperado.
Graziella explica que, como o bloqueio atmosférico está começando a ceder, é provável que chova um pouco mais nas próximas duas semanas, mas nem de longe o bastante para recuperar o debilitado sistema. “É possível que a Zona de Convergência do Atlântico Sul se forme em fevereiro, mas ela não deve permanecer por todo o tempo esperado, então não deve ser um mês de chuvas constantes”.
O fato de estar chovendo em alguns pontos de São Paulo se deve, principalmente, a um fenômeno denominado ilha de calor. “A região urbana é mais quente que seu entorno, devido às modificações feitas na superfície”, explica Amauri de Oliveira, professor do departamento de Ciências Atmosféricas do instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG – USP). A impermeabilização com solo, com o asfalto, impede a evaporação da água. Por isso, toda a energia solar que chega até a cidade acaba aquecendo o ambiente. “São Paulo muitas vezes está até 8 graus mais quente do que o seu entorno”, afirma Oliveira, que realiza estudos sobre as diferenças de temperatura da metrópole. Mais aquecido, o ar fica mais leve e se desloca verticalmente, formando nuvens e criando chuvas localizadas em alguns pontos da cidade.
Para ajudar a reabastecer o Sistema Cantareira, porém, são necessárias chuvas intensas em uma região ampla. “Chuvas isoladas não adiantam muito em um reservatório tão grande, é preciso umedecer todo o solo primeiro, se não a parte onde não choveu absorve a água que caiu em outra região”, afirma Bianca Lobo, meteorologista da Climatempo.

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11.007 – Adivinhe se vai chover… – Se é pra “adivinhar”, faça você mesmo


Um dos aparelhos usados para prever a chuva é o barômetro, que mede a pressão atmosférica. Quando ele indica pressão baixa, pode ser sinal de que as águas vão rolar. Então, arranje uma jarra de boca larga e uma garrafa de refrigerante e siga as instruções.
A montagem tem de ser feita em um dia de chuva. Primeiro, faça cinco ou seis marcas, com a caneta, em um pedaço de fita crepe e cole a fita no bico de uma garrafa vazia (que não pode ter buracos). Numere a fita de baixo para cima, de zero a cinco.
Coloque água colorida com anilina (para realçá-la) na garrafa e na jarra e emborque a garrafa na jarra. Erga um pouco a garrafa de modo que o nível da água dentro da garrafa fique na marca zero, a de mais baixa pressão.
Agora é só calçar a garrafa com pedaços de fita para ajustar o seu encaixe na jarra e o barômetro de garrafa está pronto. Em dias secos, o nível da água deve ficar nas marcas 2 ou 3, caindo para zero quando começar a se armar uma chuva.

10.962 – Temperatura Extrema – Calor de 44ºC ‘derrete’ internet na Austália


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Temperaturas extremamente altas afetaram o acesso à internet na cidade de Perth, na Austrália, na segunda-feira (5-01-2015).
Uma falha no sistema de refrigeração do data center da provedora iiNet, aliada a uma onda de calor no oeste australiano, fez com que o serviço fosse interrompido na região.
Milhares de clientes da empresa ficaram off-line por seis horas e meia após a empresa ser obrigada a desligar seus servidores devido às altas temperaturas, que chegaram aos 44,4 ºC.
“Devido as temperaturas que bateram recordes no nosso data center de Perth, desligamos nossos servidores por precaução”, afirmou um porta voz da empresa.
Clientes que tentavam reestabelecer a conexão após saírem do ar também não conseguiam se conectar.
“Apesar de garantirmos que 98% dos clientes não foi afetada, alguns deles experimentaram problemas ao se reconectar. Essas questões foram resolvidas”, disse o representante da provedora.
A cidade de Perth registrou o sexto dia mais quente da história da cidade na segunda-feira, atingindo 44,4 ºC às 14h. A temperatura máxima média em Perth durante o mês de janeiro é de 31,1 ºC.
O dia também foi o mais quente na cidade em um mês de janeiro desde 1991. O recorde histórico de calor em Perth aconteceu naquele mesmo ano. Em 23 de fevereiro, a cidade registrou a temperatura de 46.2 °C.

10.888 – Qual a diferença entre neve e geada?


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Os dois fenômenos aparecem quando o vapor d’água passa para o estado sólido – a diferença é que em cada um deles o processo acontece em lugares distintos, com temperaturas também diferentes. A neve surge nas nuvens, quando o vapor d’água das grandes altitudes se transforma em cristais de gelo. “Se o cristal de gelo passar por faixas de ar acima de 0 ºC, ele derrete e cai na forma de chuva ou de garoa”, diz um geógrafo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Já a geada é formada no chão e não no céu, quando o vapor d’água próximo ao solo congela, dando origem a uma camada de pequenas agulhas geladas. Para que ela ocorra, a temperatura do ar deve cair abaixo de zero. O tipo mais comum é a chamada geada branca, que congela apenas a parte superficial das plantas, queimando as folhas e prejudicando o seu desenvolvimento. Mais grave é a geada negra, que acontece quando os termômetros atingem marcas em torno de 10 graus negativos.
Nessa situação, o frio mata os vegetais porque congela também os vasos internos que conduzem a seiva. Tanto a neve quanto as geadas podem ocorrer no Brasil, mas nevascas são raras: em média, há duas por ano, sempre em terras com mais de 800 metros de altitude no Sul do país, ou em planaltos acima de 1 500 metros na região Sudeste. As geadas são bem mais freqüentes e sua área de ocorrência também é maior. Além do Sul e do Sudeste, também o Centro-Oeste é atingido pelo problema, normalmente após a passagem de alguma frente fria nas noites mais longas do inverno. Em geral, as plantações de café e de frutas cítricas são as mais devastadas pelas geadas em território brasileiro. A neve, por outro lado, não costuma ser tão destruidora. “As nevascas brasileiras não geram grandes camadas geladas sobre o solo, pois derretem rapidamente, antes de sufocar a vegetação”.

10.836 – Ano Tórrido – Período de janeiro a outubro de 2014 foi o mais quente da História


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É perceptível e não tem como negar: a temperatura climática está muito alta em todos os estados brasileiros. De norte a sul do país, as pessoas têm sofrido com os dias extremamente quentes, e a falta de chuva agrava esse fato. Aliás, a ausência dela faz com que tudo piore, e todo mundo acaba ficando muito preocupado com relação a isso.
Porém, você sabia que isso não é exclusividade do Brasil? Segundo a Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), desde 1880 — ano em que começaram a ser feitos os primeiros registros de temperatura —, os dez primeiros meses deste ano foram os mais quentes do planeta.