8768 – Volta ao Mundo a Pé


A humanidade nasceu na África, se espalhou para a Ásia, chegou à América e dominou o planeta – e fez grande parte disso a pé. Se os homens primitivos fizeram isso, por que nós não conseguiríamos? Assim pensa o americano Paul Salopek, 51 anos, que vai ficar os próximos sete anos refazendo o caminho que, segundo cientistas, teria sido percorrido pelo Homo sapiens ao colonizar a Terra. Paul começou a viagem no final de fevereiro, em uma vila na região de Herto Bouri, na Etiópia – um dos sítios arqueológicos onde foram encontrados os mais antigos fósseis de H. sapiens. De lá, ele vai até o Oriente Médio, seguindo pelo sul e pelo leste da Ásia, onde passará por lugares como a caverna Tianyuan (onde foi encontrado o fóssil de um dos primeiros humanos a usar sapatos, 40 mil anos atrás). Só para atravessar a China, serão 18 meses de caminhada. Subindo para o Norte, Salopek irá cruzar o Estreito de Bering e chegar ao Alasca. Acredita-se que a humanidade tenha feito isso, há 15 mil anos, cruzando a pé uma placa de gelo. Como ela não existe mais, Paul terá uma ajudinha, e poderá pegar um barco (essa parte, bem como a travessia do Mar Vermelho, entre o Djibouti e o Iêmen, são as únicas etapas que não serão feitas a pé). De lá, ele descerá pela costa oeste das Américas até chegar à Patagônia, em 2020.

Em cada país, Paul terá a companhia de um tradutor e/ou guia. Ele vai acampar, dormir em pequenos hotéis ou na casa das pessoas – onde também vai comer e tomar banho. A expedição é financiada pela Universidade Harvard, pela Fundação Knight e pela revista National Geographic – em cujo site (goo.gl/CoRY0) Paul irá registrar o dia a dia da viagem. Ele está levando GPS, câmera, notebook, captador de energia solar, barraca, roupas e mantimentos. Paul se preocupa com a passagem que fará pela Síria (que está em guerra civil), mas fora isso não teme encontrar violência.

8149 – Missão Brasil-Japão acha indícios de continente submerso


Fruto de uma missão em parceria com o Japão, os primeiros mergulhos feitos na região conhecida como Elevado Rio Grande, uma cordilheira submersa no sul do país, a mil quilômetros da costa do Rio de Janeiro, revelaram a existência de granito, rocha continental, onde se pensava existir apenas rochas vulcânicas.
Outras expedições já haviam encontrado indícios de outros minerais no fundo do oceano, como minério de ferro, manganês, cobalto e até mesmo terras raras.
De acordo com o diretor da CPRM Roberto Ventura, a descoberta do continente perdido é a maior novidade da expedição em parceria com o governo japonês, que lidera uma campanha no Atlântico Sul feita pelo navio Yokosuka, que hospeda o submersível Shinkai 6.500.
O navio custou US$ 100 milhões ao governo japonês e o Shinkai 6.500, US$ 130 milhões, investimentos que segundo pesquisadores brasileiros estão fora da realidade do Brasil. Sem esses equipamentos, o país levaria anos para confirmar as suspeitas de que uma parte do continente sul-americano se desprendeu durante a separação do Brasil e da África, caindo no solo do oceano.
Nos últimos quatro anos, o Brasil investiu cerca de R$ 80 milhões em pesquisas no Elevado Rio Grande.
A CPRM abrirá uma licitação nos próximos dois meses para que uma empresa de perfuração recolha mais amostras e confirme a existência do continente submerso, o que só deve ocorrer no final do ano.