13.357 – Aquecimento global poderá trazer o caos aos aeroportos nos próximos anos


avião perigo
Segundo Jenna Gallegos, do The Washington Post, um estudo recente apontou mais um problema relacionado com o aumento das temperaturas.
De acordo com Jenna, pesquisadores da Universidade de Columbia, nos EUA, concluíram que o aquecimento global poderá trazer o caos a aeroportos de várias partes do mundo — incluindo alguns da Europa e das Américas que estão entre os mais movimentados do planeta. Conforme explicaram, com o aumento das temperaturas, a ocorrência de ondas de calor se torna mais frequente — e, com elas, as manobras de decolagem se tornam bem mais complicadas.

Questão de aerodinâmica
Segundo Jenna, o que acontece é que, basicamente, quando a temperatura do ar aumenta, sua densidade diminuiu e, com isso, o avião não consegue gerar “empuxo” suficiente para decolar. Com isso, os comandantes precisam levar uma série de aspectos em consideração antes de decolar para garantir que a manobra ocorra sem riscos, como a extensão da pista, o tipo da aeronave que estão pilotando e o peso que estão transportando.
No caso do peso especificamente, para contornar o problema, a solução seria se livrar do excesso dele — o que significa que os pilotos teriam que voar com menos combustível e remover bagagens e até passageiros para tornar as aeronaves mais leves.
Pois o estudo realizado pelos pesquisadores de Columbia apontou que, se as temperaturas continuarem subindo, entre 10 e 30% dos aviões (totalmente carregados) serão incapazes de decolar durante os períodos mais quentes do dia. Isso acabaria forçando as companhias aéreas a tomar as medidas que mencionamos acima — e que não agradariam nadinha aos passageiros. Outra opção seria esperar até as temperaturas voltarem a cair à noite ou de madrugada, mas isso poderia gerar atrasos, desconfortos e mais infelicidade entre os viajantes.
Calor e caos
No estudo, os pesquisadores explicaram que, desde 1980, a média das temperaturas no planeta aumentou em quase um grau Célsius, mas até o ano de 2100, se nenhuma medida for tomada para frear o aquecimento global, a previsão é que elas subam em mais três graus.
Acontece que, como comentamos no início da matéria, o aumento das temperaturas tornam as ondas de calor mais frequentes e, com elas, as temperaturas nos aeroportos em todo o mundo poderiam subir entre quatro e oito graus durante esses eventos. Com isso, os pesquisadores estimaram que, até 2080, o número de dias nos quais as restrições de peso para viajar passariam a ser aplicáveis ficaria entre 10 e 50 dias por ano.
Os aeroportos com as pistas mais curtas, situados em cidades mais altas e em regiões do mundo mais cálidas seriam os mais prejudicados, e entre eles estariam os de Bangkok, Dubai, Miami, Los Angeles, Phoenix, Denver, Washington, e La Guardia, em Nova York. Aeroportos situados em cidades menos quentes e cujas pistas são mais longas — como é o caso de Heathrow, em Londres, e Charles de Gaulle, em Paris —, teriam menos problemas, mas, mesmo assim, os pesquisadores previram que as restrições poderiam aumentar em até 50% em todos os aeroportos.
Na verdade, esse problema já foi observado anteriormente, como foi um caso que aconteceu em junho deste ano, no aeroporto de Phoenix, no Arizona, quando mais de 40 voos tiveram que ser cancelados — o que, por sua vez, gerou uma série de problemas e atrasos — depois que as temperaturas chegaram a escaldantes 49 °C. O problema é que, segundo o estudo apresentado agora, esses eventos passarão a ser muito mais frequentes nas próximas décadas.

13.047 – Aquecimento Global – Iceberg gigante ameaça se desprender da Antártida e gera preocupação


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Um gigantesco iceberg –que seria um dos dez maiores do mundo– pode se desprender a qualquer momento da Antártida, dizem cientistas.
Uma imensa rachadura na plataforma de gelo Larsen C cresceu de tal forma em dezembro que agora apenas 20 km de gelo impedem o imenso bloco de 5 mil km² (o equivalente a 500 mil campos de futebol ou à área do Distrito Federal) de se soltar.
A Larsen C é a maior plataforma de gelo no norte da Antártida. As plataformas de gelo são as porções da Antártida onde a camada de gelo está sobre o oceano e não sobre a terra.
Cientistas do País de Gales afirmam que o desprendimento do iceberg pode deixar toda a plataforma Larsen C vulnerável a uma ruptura futura.
A plataforma tem espessura de 350 m e está localizada na ponta do oeste da Antártida, impedindo a dissipação do gelo.

Os pesquisadores vêm acompanhando a rachadura na Larsen C por muitos anos. Recentemente, porém, eles passaram a observá-la mais atentamente por causa de colapsos das plataformas de gelo Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002.
No ano passado, cientistas britânicos afirmaram que a rachadura na Larsen C estava aumentando rapidamente.
Mas, em dezembro, o ritmo avançou a patamares nunca antes vistos, avançando 18 km em duas semanas.
Dessa forma, segundo os pesquisadores, o que se tornará um gigantesco iceberg está por um triz de se soltar –apenas 20 km o prendem à plataforma.
“Se o iceberg não se desprender nos próximos meses, ficarei espantado”, diz à BBC Adrian Luckman, da Universidade de Swansea, no País de Gales, responsável pela pesquisa.
“As imagens não são completamente visíveis, mas conseguimos usar um sistema para verificar a extensão do problema. O iceberg está a tal ponto de se soltar que considero que isso seja inevitável”, acrescenta ele.
Luckman afirma que a área que deve se romper possui 5 mil km², o que resultaria num dos dez maiores icebergs já registrados no mundo.

AQUECIMENTO GLOBAL
Os cientistas dizem, no entanto, que o fenômeno é geográfico e não climático. A rachadura existe por décadas, mas cresceu durante um período específico.
Eles acreditam que o aquecimento global tenha antecipado a provável ruptura do iceberg, mas não têm evidências suficientes para embasar essa teoria.
No entanto, permanecem preocupados sobre o impacto do desprendimento desse iceberg do restante da plataforma de gelo, já que a ruptura da Larsen B em 2002 aconteceu de forma muito semelhante.
“Estamos convencidos, ao contrário de outros, de que o restante da plataforma de gelo ficará menos estável do que a atual”, diz Luckman.

11.607 – Aquecimento Global já Aumentou o Nível do Mar


O Rio de Janeiro só não virou Veneza porque ainda não deu tempo
Como todo o cético climático costuma lembrar, a Terra já passou por vários períodos de aquecimento e resfriamento antes do atual – causado, sim, pelo fato que estamos reintroduzindo na atmosfera o carbono que um dia esteve no ambiente, e tornava outras eras mais quentes.
Há 3 milhões de anos, quando nossos ancestrais peludos tentavam se equilibrar em duas patas na África, a atmosfera tinha uma quantidade de carbono e temperatura equivalentes à de hoje em dia. Motivo para relaxar e ir à praia num Hummer para curtir um churrasco no carvão mineral? Bom, acontece que, então, o nível dos oceanos era ao menos seis metros mais alto. Não esqueça a boia.
Foi o que revelou um estudo de paleoclimatologistas da Universidade Estadual do Oregon (EUA). Eles compilaram os resultados de 30 anos de pesquisa sobre o gelo polar e nível de oceanos, descobrindo como um aquecimento relativamente modesto pode causar mudanças tão dramáticas.
Por que, então, você ainda não teve de vender sua casa em Bertioga para uma fazenda de ostras? “Leva um tempo para o aquecimento derreter as calotas polares”, afirma paleoclimatologista e geólogo glacial Anders Carlson, condutor do estudo. “Mas não leva para sempre. Existem evidências de que a transformação está tomando lugar agora.”
Seu colega e coautor, Peter Clark, arrisca uma previsão: “o que é assustador é que o nível de CO2 continua a subir, então estamos entrando em território desconhecido. O que não é certeza é o período exato, que é menos bem determinado. Podemos estar falando de entre vários séculos a alguns milênios para vermos o impacto total do derretimento das calotas polares”.
Dica de investimento: não compre apartamento na praia abaixo do terceiro andar.

11.175 – Nova tecnologia promete uso em larga escala da energia solar


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Se toda a radiação que atinge a Terra em um único dia, vinda do Sol, virasse eletricidade, seria possível sustentar o consumo da humanidade ao longo de 27 anos. A energia solar, limpa e renovável, funcionaria como perfeito substituto do petróleo, finito e refém da gangorra dos preços. Representaria ainda o mais magnífico processo de troca de matriz energética, no avesso da poluição provocada pela queima de combustíveis fósseis, o mais rápido e danoso atalho para o aquecimento global. E, no entanto, por que a energia solar ainda é pouco usada, quase sempre mais promessa que realidade? As placas de silício necessárias para captá-la por meio de painéis são caras, pesadas e grossas. Apesar de úteis em grandes espaços, como campos, são inúteis para substituir o petróleo na vida urbana. Nos últimos cinco anos, porém, surgiu uma nova tecnologia afeita a vencer esses desafios. Construídas com material não tóxico, as placas OPV (sigla em inglês para painéis fotovoltaicos orgânicos) têm a finura de uma cartolina e a flexibilidade do plástico. Podem ser coladas no teto de um carro, nas janelas de prédios ou mesmo em mochilas.
A inovação pode ser o empurrão que faltava para a adesão maciça à energia solar. As placas delgadas de OPV funcionam de modo ligeiramente diferente das de silício, as mais populares – no caso das OPV, o revestimento feito de tinta orgânica reage quimicamente ao contato com a radiação, liberando os elétrons que formam a corrente elétrica. Nos painéis tradicionais, o calor associado à luz ativa os circuitos de silício, em um processo mais complexo.
O Sol sempre foi, é natural, a principal fonte de energia para a Terra, e o homem se aproveita disso há muito tempo. Já na Grécia antiga, casas eram construídas voltadas para o sul para ser mais bem iluminadas e aquecidas pela luz. Mas as placas solares tais como as conhecemos só começaram a ser concebidas na segunda metade do século XIX, quando o matemático francês Augustin Mouchot notou que o ritmo de consumo de carvão após a Revolução Industrial não era sustentável a longo prazo e foi buscar alternativas. Mouchot utilizou um espelho côncavo para canalizar a luz, aquecer a água e construir o primeiro motor movido a energia solar. As pesquisas evoluíram a passos curtos até os anos 50, quando a empresa americana Western Electric começou a comercializar tecnologias fotovoltaicas de silício que impulsionaram essa indústria. Foi, porém, apenas na década de 80 que os painéis de silício ganharam o mercado e, de imediato, começaram a ser exaltados por conservacionistas como a alternativa ecologicamente adequada ao petróleo e ao carvão.

11.145 – Nem a maré nem o clima estão pra peixe


peixes

Os oceanos são um dos ecossistemas mais atingidos pelo aquecimento global do planeta. Com o aumento da temperatura da água, diversas espécies marinhas começam a migrar para outras regiões em busca de águas mais frias.
O efeito direto desta migração inesperada já é sentido pelos pescadores americanos. Segundo estudo divulgado pela Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), os peixes da costa leste, principalmente do Golfo do Maine – região de alta biodiversidade marinha – estão se deslocando cada vez mais para o norte para poder viver e se reproduzir em temperaturas mais geladas.
“Descobrimos que, em toda a América do Norte, peixes e invertebrados marinhos estão mudando suas localizações muito rapidamente”, afirmou Malin Pinsky, biólogo da Universidade de Rutgers e principal autor do estudo. Foram utilizados dados de mais de 40 anos de pesquisas do NOAA, do Departamento de Pesca do Canadá e outras organizações.
Com as informações levantadas, a agência americana desenvolveu ferramenta que fornece dados atualizados sobre a migração dos peixes. Pelo site OceanAdapt é possível visualizar o deslocamento de indivíduos de uma espécie ou de grupos, em determinada região ou na extensão total da costa dos Estados Unidos.
Os dados serão atualizados anualmente para auxiliar cientistas, pescadores e gestores a acompanhar e avaliar a migração das espécies marinhas, provocada pelas mudanças climáticas.
Outro estudo divulgado em 2014, conduzido pelo Centro de Monitoramento de Conservação Mundial do Programa para Meio Ambiente das Nações Unidas, revelou que populações de peixes podem se afastar de seu habitat 15km em média a cada década, se os oceanos ficarem 1ºC mais quente até 2100.
Entre mais de 800 espécies de peixes e invertebrados analisadas, a pesquisa mostrou que aquelas bastante consumidas pelo homem, como atum, bacalhau, arenque e linguado, comuns nos mares tropicais do sudeste asiático, devem migrar para locais de águas mais geladas como Ártico e Antártica.
Cientistas alertam que, a chegada de novas espécies nestas regiões poderá causar desequilíbrio ambiental, já que aumentaria a população de peixes disputando alimentos no local.

11.016 – Planeta Terra – Nível do mar sobe mais do que o previsto


veneza

Um estudo publicado pela revista “Nature” revela que o aumento do nível do mar foi “significativamente maior” do que o esperado pelos especialistas para a última década do século XX e a primeira do atual.
A pesquisa, realizada por Carling Hay e Eric Morrow no Departamento de Ciências Planetárias e Terrestres da Universidade de Harvard, constatou que o aumento global do nível do mar entre 1900 e 1990 foi superestimado em 30%. No entanto, o estudo mostra que, apesar das controvérsias sobre o assunto na comunidade científica, os últimos dados divulgados sugerem que os cálculos sobre a elevação dos níveis dos oceanos a partir de 1990 estão corretos, o que confirma uma aceleração do aumento do nível do mar.
“Esta pesquisa mostra que o aumento do nível do mar ocorrido durante o século passado foi maior do que o esperado. É um problema maior do que pensávamos inicialmente”, alertou Morrow.
Segundo Hay, atualmente sabe-se que a maioria das camadas de gelo do mundo, assim como as geleiras, está derretendo em função do aumento das temperaturas, o que provoca uma “elevação global do nível do mar”.
“Outra preocupação a este respeito é que muitos dos esforços realizados para obter projeções sobre a mudança do nível do mar no futuro utilizam os dados superestimados do período 1900-1990”, afirmou Morrow.
As estimativas que utilizam esses números como base estão comprometidas, e é necessário, portanto, adotar uma “perspectiva completamente nova”, segundo os pesquisadores.
Normalmente, explicou Carling Hay, as estimativas sobre o aumento do nível do mar são feitas a partir de dados dos marégrafos e do registro nas variações sofridas nas “sub-regiões” nas quais os oceanos são divididos. Esses registros, acrescidos de dados complementares mais específicos, servem para estimar a elevação do nível do mar em cada “sub-região”, que, somadas, dão origem a uma média global.
“No entanto, estas médias simples não representam o real valor do aumento global. Os marégrafos estão situados ao longo das costas, portanto extensas áreas de oceano não estão incluídas nas medições”, explicou Hay.
Segundo o estudo, o nível do mar muda “por diversos motivos”, entre os quais estão os “efeitos duráveis da última glaciação”, “o aquecimento e a expansão do oceano em função do aquecimento global”, as “variações na circulação de água” e o “degelo”.
Hay e Morrow elaboraram suas novas previsões a partir da observação de “um conjunto de evidências globais”, até chegar a determinar “como as camadas de gelo individuais” contribuem para a elevação do nível do mar.
“Devemos levar os sinais de glaciação em consideração, entender como os modelos de circulação de água nos oceanos se alteram e também como a expansão termal afeta os modelos regionais e a média global”.

10.709 – Planeta Terra – Setembro bateu recordes de temperatura, de acordo com a Nasa


No mês passado, a média de temperatura da Terra alcançou os 14,77° – superando os registros de 2005 como o setembro mais quente da história, na média global. O recorde do setembro mais quente da história segue o agosto mais quente da história – o que, de acordo com especialistas, faz com que 2014 tenha o potencial de ser o ano mais quente já registrado.

E aí, será que outubro também baterá os recordes?

Confira o mapa de temperatura global, divulgado pela Nasa:

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10.706 – Botânica – Superplanta faz mais fotossíntese


arabidopsis

A fotossíntese é uma das invenções mais fascinantes da natureza. A vida na Terra só existe graças a esse processo, que transforma luz e CO2 em oxigênio e glicose. Mas, agora, a engenhosidade humana pode ter descoberto um jeito de turbiná-lo: com a criação de uma planta que faz 30% mais fotossíntese. O supervegetal foi desenvolvido no Instituto de Tecnologia de Massachusetts*, e é uma versão modificada de plantas do gênero Arabidopsis. Ela absorve mais luz e CO2, libera mais oxigênio e produz mais energia que as plantas comuns. Tudo graças à nanotecnologia. Os cientistas injetaram nanopartículas de dióxido de cério (um metal raro) nos cloroplastos – as estruturas da planta que fazem a fotossíntese. Essas partículas de metal facilitaram o fluxo de elétrons dentro do vegetal, acelerando a fotossíntese. Aparentemente, a injeção não provocou efeitos nocivos às plantas.
A ideia, para o futuro, é criar grandes usinas só com superplantas. Elas sugariam muito CO2 do ar, o que ajudaria a brecar o aquecimento global. E também usariam a energia do Sol para produzir glicose (que depois poderia ser convertida em eletricidade para uso humano). “Essa técnica tem potencial para melhorar muito a coleta de energia solar”, afirma o engenheiro químico Michael Strano, líder do estudo. O trabalho tem gerado polêmica na comunidade científica, pois não revela todos os detalhes envolvidos no processo (talvez porque o MIT pretenda patenteá-lo). Mas pode ser o início de algo revolucionário.

10.597 – Planeta Terra – Gelo Cinza na Groelândia


gelo cinza

Na teoria, as geleiras são brancas. Mas não é isso que está acontecendo com os grandes blocos congelados da Groenlândia. Conhecido como “Neve Negra”, o fenômeno se encontra em seu pior momento e a sua consequência pode ser devastadora.
Assim como uma camiseta preta assimila mais calor, o mesmo acontece com a geleira. O problema, no entanto, é que isso significa um processo de derretimento maior. Em busca de uma resposta para tal fato, Jason Box, professor da Geological Survey of Denmark and Greenland foi até lá estudar a região.
Sua justificativa do fenômeno é um combinado de fatores: tempestades de verão, ventos de areia, atividade de micróbios e fuligem de incêndios florestais. Outra resposta é que isso é mais uma consequência desconhecida do aquecimento global. O pesquisador usou de exemplo os buracos da Sibéria e as bolhas de metano para reforçar sua segunda probabilidade.
2014 também foi o ano de maior número de incêndios florestais dos últimos no Ártico. O geólogo calculou que isso vem acontecendo duas vezes mais do que na última década. Somente no Canadá, mais de 3.3 milhões de hectares pegaram fogo este ano. Para Box, isso “está indo para as geleiras da Groenlândia”.
Segundo o cientista da Nasa Douglas Morton, isso é um grande problema: “Ter tantos casos de incêndios assim é um grande evento na vida do nosso planeta”. O desafio de Jason Box, no entanto, é descobrir o que é poeira das queimadas e o que é oriundo de fábricas.

10.487 – Planeta Terra – Clima Extremo


O calor infernal nas regiões Sul e Sudeste no começo desse ano parece um evento singular. Mas uma breve retrospectiva da história do planeta nos últimos anos mostra que esses episódios estão se tornando cada vez mais comuns. Pode apostar sem medo de errar: haverá outras ondas de calor tão fortes ou mais que essa ao longo das próximas décadas. Esses são os chamados eventos extremos. Nisso se enquadram a ampliação do número de furacões por temporada, as secas na Amazônia, as ondas de calor e os alagamentos, entre outros.
O aumento da frequência dos eventos extremos é o principal sintoma das mudanças climáticas – que vão muito além do calor. É o que cientistas falam há anos.Pode parecer paradoxal, mas os modelos climáticos explicam como o aumento médio de temperatura da Terra leva a invernos mais rigorosos.

Sobre o Polo Norte, existe o que os cientistas chamam de vórtice polar. É um ciclone permanente que fica ali, girando. Em sua força normal, ele segura as frentes frias nessas altas latitudes. Mas, com a temperatura da Terra cada vez mais alta, existe uma tendência de que o vórtice polar se enfraqueça. Assim, as frentes frias, antes fortemente presas naquela região, se dissipam para latitudes mais baixas. E o friozão polar chega aos Estados Unidos. Mudança climática não é sinônimo puro e simples de aumento de temperatura média da Terra. Outros processos, que envolvem a possível savanização da Amazônia, o aumento dos desertos e o deslocamento das regiões mais propícias para a agricultura, também estão inclusos no pacote.
Quando se tem mais energia armazenada na atmosfera, há múltiplas (e violentas) maneiras de dissipá-la. Antes dessa onda de calor desértico no verão brasileiro, podemos lembrar o furacão Catarina, que afetou a costa do sul do Brasil em 2004. Foi a primeira vez que um ciclone tropical atingiu com força nossa costa. É uma energia que não estava na atmosfera antes, mas agora está lá. Ou as chuvas e deslizamentos de terra no verão de 2011, na região serrana do Rio de Janeiro, que mataram cerca de mil pessoas – a maior tragédia natural da história do Brasil.
Uma iniciativa dedicada a investigar essa questão é o Projeto Primo, coordenado por José Marengo, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “O projeto quer aprofundar os conhecimentos relacionados às mudanças climáticas e aos desastres naturais no Brasil”, diz. A ideia é compreender as variabilidades e as tendências climáticas diante de um mundo em transformação, apontando os efeitos que isso poderá ter. Um exemplo de fenômeno que exige maior investigação é justamente a onda de calor que nos assolou. Ela veio junto com um aumento de temperatura de até 3 ºC nas águas que banham a costa do Sudeste e do Sul, causado pela ausência de nuvens. O fenômeno aconteceu por conta de mudanças no padrão das correntes de ar sobre o Atlântico, que criou um bloqueio contra as frentes frias no continente. Por isso só chovia mais ao Sul, e na maior parte das vezes, no oceano. O resultado foi uma onda de calor atípica, pela intensidade e pela duração. Se os modelos climáticos estiverem certos, a tendência é que fenômenos como esse voltem a se repetir mais e mais vezes. Mesmo assim, não há como traçar a cadeia exata de eventos que liga o aquecimento global a esse episódio em particular.

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Nos últimos tempos, os chamados “céticos do clima” têm apontado uma tendência à estabilização da temperatura média. Se analisarmos os últimos 15 anos, veremos flutuações ano a ano, mas sem uma curva clara de aumento. Aí mora o erro. Os pesquisadores do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC), órgão da ONU que consolida as descobertas sobre a transformação do clima, apontam que 15 anos é um período irrelevante. A análise de dados desde o século 19 revela um aumento de temperatura cada vez mais acentuado a partir da década de 1960.
Além disso, é preciso lembrar que há um consenso crescente entre os astrônomos de que o Sol está entrando numa fase de baixíssima atividade. Cogita-se que ele esteja no mesmo patamar da época da chamada “pequena era do gelo”. Ocorrida entre 1645 e 1715, ela ficou marcada por invernos rigorosos na Europa e coincidiu com a baixa frequência de manchas solares. Ou seja, o calorão está de rachar mesmo com o Sol dando uma trégua.
Ainda não está claro como essas mudanças no ciclo de atividade solar influenciam o clima na Terra, mas é possível que o fenômeno possa ter ajudado a dar uma aplainada na tendência de aumento de temperatura.
Se o Sol estiver mesmo esfriando, trata-se de uma possível boa notícia. Com essa mãozinha de nossa estrela-mãe, talvez ganhemos algumas décadas para reduzir as emissões de gases-estufa antes que a temperatura volte a seguir a trajetória de aumento. Mas gases como CO2 permanecem pelo menos cem anos na atmosfera assim que os soltamos nela. Então, não há tempo a perder.

10.182 – Planeta Terra – Derretimento de geleiras na Antártida é Irreversível


Placas de gelo
Placas de gelo

O derretimento das geleiras da Antártida Ocidental está avançando de forma gradual e “irrefreável”, afirmaram dois novos estudos científicos. De acordo com os levantamentos, o derretimento que já começou não deve ter efeitos imediatos nos oceanos, mas poderá adicionar até 3,6 metros ao nível do mar nos próximos séculos, um ritmo de elevação mais rápido do que o previsto anteriormente.
Os resultados dos estudos foram divulgados em uma entrevista coletiva convocada pela Nasa nesta segunda-feira. Os pesquisadores afirmaram que é provável que o derretimento ocorra por causa do aquecimento global provocado pelo homem e pelo buraco na camada de ozônio, que mudaram os ventos da Antártida e aqueceram a água que corrói as bases do gelo. Fatores naturais, no entanto, também podem estar entre as causas, acrescentaram os cientistas.
Em um dos estudos, a agência espacial americana analisou 40 anos de dados de solo, aviões e de satélite sobre o que os pesquisadores chamam de “o ponto fraco da Antártida Ocidental” que mostram que o colapso das geleiras da região está sendo provocado pela água morna do oceano que se infiltra por baixo da camada de gelo, acelerando o seu derretimento. “Parece estar acontecendo rapidamente”, disse o glaciologista da Universidade de Washington Ian Joughin, autor de um dos levantamentos.
Outro cientista envolvido nas pesquisas classificou o processo como “irrefreável” e explicou que nenhuma ação humana ou mudança climática poderá deter o derretimento, embora ele possa ser reduzido. “O sistema está em uma espécie de reação em cadeia que é irrefreável”, disse o glaciologista da Nasa Eric Rignot, principal autor de um dos estudos. “Cada processo nesta reação está alimentando o próximo.” Segundo ele, limitar as emissões de combustíveis fósseis para reduzir a mudança climática provavelmente não irá parar o derretimento, mas pode diminuir a velocidade do problema.

10.174 – Experimento na Amazônia vai testar reação da floresta ao aquecimento global


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Cientistas começaram nesta semana a tirar medidas de árvores num pedaço de mata 60 km ao norte de Manaus, dando início ao mais ambicioso experimento projetado na Amazônia em 20 anos.
O projeto Amazon Face tentará responder à pergunta que mais atormenta ecólogos da região: a floresta sobreviverá às secas que virão com o aquecimento global?
Liderado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e contando com mais 14 centros de pesquisa, o experimento consiste em bombear CO2 permanentemente sobre alguns pedaços de floresta.
Sob concentração de gás carbônico elevada, árvores teriam a fotossíntese intensificada, o que compensaria o déficit de crescimento e a morte causados pela seca.
“Os modelos [simulações computacionais] que vem sendo rodados mostram que o efeito de fertilização de CO2 seria o fiel da balança para manter a floresta em pé”, explica o ecólogo David Lapola, diretor do experimento. “Mas isso é mera especulação ainda. A resposta não virá sem um experimento assim.”
O Amazon Face será o primeiro experimento do tipo num ecossistema tropical. Sua primeira fase será realizada de 2015 a 2017. Depois de ampliado, deve operar até 2027. Para bombear o CO2 sobre as plantas, serão erguidas torres ligadas a um tanque de gás carbônico líquido.
Durante a duração do experimento, a concentração de gás carbônico será 200 ppm (partes por milhão) maior que a natural –um aumento de 50% em termos atuais.
Inicialmente, o CO2 líquido para o experimento será comprado de um fornecedor que abastece fábricas de refrigerante em Manaus. Para a fase final, Lapola ainda avalia a possibilidade de receber ajuda da Petrobras, que forneceria o gás natural necessário à produção do CO2 líquido –responsável por 62% do custo do experimento.
O local de construção das torres, administrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, já foi estudado em outros projetos. Há dados locais colhidos desde 1996, vitais para saber quão impactado será o crescimento de árvores sob o experimento.
Para saber se a “fertilização de CO2” aliviará a seca e o aumento de temperaturas, porém, será preciso alimentar modelos computacionais, que permitirão comparar diferentes efeitos previstas com o aquecimento global.
“Se tivermos ‘sorte’, pode ocorrer uma grande seca na Amazônia durante o experimento, o que nos permitiria comparar diferentes períodos entre si”, diz Richard Norby, do Laboratório Nacional de Oak Ridge (EUA), colaborador do experimento.
Um dos arquitetos do projeto, o climatologista Carlos Nobre, secretário de políticas e programas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, defende o Amazon Face como um marco de maturidade da ciência nacional.

9951 – Corrida pelo petróleo do Ártico alimenta disputa pela região


greenpeace

Em 2007, uma bandeira da Rússia foi colocada sobre o mar congelado dessa região, onde novamente o Exército desse país marca presença. O presidente russo, Vladimir Putin, não esconde seu interesse nos preciosos recursos enterrados no fundo do oceano no Ártico.
Estima-se que a região abrigue 13% das reservas de petróleo ainda não descobertas e 30% das de gás natural. O aumento constante do preço da energia e o derretimento das calotas polares, devido ao aquecimento global, só aumenta o interesse pelo Polo Norte.
A dura reação do governo russo em resposta ao protesto dos ativistas revela quão importante o Ártico é para o país. Enquanto o Greenpeace reforça sua campanha contra a exploração de petróleo no território gelado, a corrida pelos recursos minerais no polo continua.
As fronteiras no oceano Ártico ainda não foram definidas. Quando os recursos estão localizados próximo à costa – até 200 milhas marítimas -, a soberania é clara. Mas estima-se que existam depósitos além desse limite. Como a previsão é que esses recursos offshore estejam mais acessíveis no futuro, os países com fronteira nessa região querem assegurar o direito ao acesso o mais rápido possível.
Estados Unidos, Canadá, Dinamarca, Noruega e Rússia, por exemplo, reivindicam a exploração do solo marítimo na região. A decisão sobre a reivindicação de territórios será tomada no âmbito da Convenção das Nações Unidas de Direito Marítimo. Esses países já reuniram dados na tentativa de provar que o solo em questão é continuidade de sua plataforma continental.
No entanto, mesmo sem uma definição, esses países e também companhias petrolíferas já iniciaram seus negócios. Em 2010, Noruega e Rússia assinaram, por exemplo, um acordo sobre as fronteiras no Mar de Barents e no Oceano Ártico, facilitando a busca por petróleo na região.
Canadá, o país que possuiu atualmente a presidência do Conselho Ártico, já afirmou que o desenvolvimento no Polo Norte tem prioridade.Estados Unidos e Dinamarca aumentaram suas atividades no Ártico. A maioria dos países e das empresas estatais e privadas, como Rosneft, Statoil, Eni, ExxonMobil e Shell, estão na busca por petróleo.
Depois do vazamento de petróleo no Golfo do México, em 2010, cresceram as preocupações sobre possíveis consequências de um acidente dessas dimensões no Ártico. A reação da indústria petrolífera foi criar um programa para estudar os riscos.
O site do programa reconhece que os desafios da exploração economica na região são maiores que em outros locais do mundo, devido ao gelo, às distâncias, condições climáticas e à falta de infraestrutura. Além disso, afirma que a indústria precisa assegurar o respeito ao meio ambiente e à população nativa.
O Greepeace afirma que isso não está acontecendo. Os ativistas temem os danos que o desenvolvimento industrial pode causar no meio ambiente naquela região. O petróleo se decompõe bem devagar em água gelada e ainda não há tecnologia para removê-lo completamente nessas condições. Até hoje, é possível encontrar vestígios do vazamento de um navio na costa do Alasca, que ocorreu em 1989.
A União Europeia também desenvolve um estudo sobre as consequências da exploração para o meio ambiente da região, que deve ser publicado em 2014. Segundo o Centro Ártico da União Europeia na Finlândia, os efeitos desse negócio para a população local seriam enormes, enquanto os lucros financeiros seriam revertidos para regiões distantes.
Apesar das ressalvas, a União Europeia vê o Polo Norte como uma fonte futura de petróleo e gás. que poderia assegurar o abastecimento energético nas próximas décadas. Já os ativistas do Greenpeace lutam pela criação de uma área de proteção ambiental em torno da região. Além do ecossistema, a campanha visa proteger o clima global.
Juntamente com outras organizações, o Greenpeace chama a atenção para os efeitos sobre o clima com o uso de combustíveis fósseis. Se explorado, a queima do petróleo do Polo Norte impulsionaria o aquecimento global e aceleraria o derretimento das calotas polares. Para evitar um aquecimento maior do que 2°C, dois terços dos recursos minerais precisariam permanecer no solo, segundo uma análise da Agência Internacional de Energia.

9944 – Pedalada pelo Clima alerta para as mudanças climáticas, em SP


ciclismo

Neste domingo, 16/03/2014, a cidade de São Paulo receberá a primeira Pedalada Pelo Clima, promovida pela associação de ciclistas Bike Anjo* e o movimento Clímax Brasil*, que se propõe a mobilizar adolescentes e jovens contra o aquecimento global, com o apoio do WWF-Brasil*.

Durante o percurso, serão feitas paradas em pontos estratégicos para discutir temas como planejamento, mobilidade urbana, mudanças climáticas e estratégias para reduzir as emissões de carbono. Os organizadores acreditam que a bicicletada é uma oportunidade para o público adotar a magrela como veículo e, assim, reduzir emissões e ter um estilo de vida mais saudável.
O passeio de bicicleta deve reunir mais de 200 ciclistas, que se concentrarão no Largo da Batata, no bairro de Pinheiros, às 14h. De lá, os participantes passarão pela Praça Vitor Civita (ao lado da Editora Abril), Praça das Corujas, Parque Villas Lobos, Praça Pôr do Sol e, depois, voltarão ao ponto de partida.

Os 200 primeiros participantes que chegarem ao ponto de encontro receberão camisetas, materiais impressos com informações sobre a mudança do clima e orientações sobre como apoiar a causa.
A pedalada comemora o Dia Nacional de Conscientização das Mudanças Climáticas, celebrado em 16 de março desde 2011. A data foi criada pela Lei 12.533, com o objetivo de incentivar escolas a promover atos, eventos e debates sobre o tema.

1ª PEDALADA PELO CLIMA
Data: 16/03, às 14h
Saída: Largo da Batata, Pinheiros – São Paulo/SP
Observação: O trajeto tem 15 km, e é de dificuldade média, portanto não é aconselhado para menores de 12 anos.
O evento é aberto ao público, com participação gratuita.

9681 – Mega Memória – Anos 90, década perdida?


Planeta Verde

Prós e Contras sobre o Meio Ambiente

+900%
A geração de energia elétrica a partir dos ventos aumentou dez vezes – ou 900% – durante a década de 90. Ela corresponde agora a 1% da produção de eletricidade no mundo. No entanto, 90% da produção ainda depende de combustíveis fósseis;

-11%
A educação apresentou melhoras sutis ao longo da década. O número de crianças não matriculadas caiu 11% – de 127 milhões para 113 milhões entre 1990 e 1998. O número de analfabetos diminuiu de 894,5 para 882,1 milhões no período 1990-1997;

+7%
O consumo de água aumentou. Na agricultura, setor de maior consumo, os terrenos irrigados cresceram 7% – de 250 para 267 milhões de hectares –, entre 1992 e 2000. Caso não sejam adotadas medidas para reduzir o gasto, estima-se que o número de pessoas com dificuldade de acesso à água passará de 436 000 em 1995 para 1,4 bilhão em 2025;

-19%
Nada menos que 19% de todos os recifes de corais que existiam em 1992 foram destruídos ao longo da década, graças a fatores como aquecimento global e poluição dos mares. Esses ambientes têm uma biodiversidade que só perde para a das florestas tropicais. Cerca de 10% dos recifes destruídos não têm chance de se recuperar no futuro;

+0,35ºC
A temperatura média global passou de 14,16oC em 1992 para 14,51oC em 2001, o segundo ano mais quente desde o século XIX, quando começaram a ser feitas medições. Isso pode aumentar o nível do mar, os desastres naturais, a dispersão de doenças e os empecilhos para a agricultura;

-23%
Apesar de as nações desenvolvidas terem se comprometido a patrocinar parte das medidas propostas em 1992, as contribuições de assistência ao desenvolvimento dos 15 países mais ricos caíram 23% – de 68,8 para 53 bilhões de dólares –, entre 1992 e 2000. A dívida total dos países em desenvolvimento aumentou 34% no mesmo período;

-87%
Uma das poucas boas notícias sobre o ambiente está no controle dos CFCs, gases responsáveis pelo buraco na camada de ozônio. A emissão das substâncias diminuiu 87% entre 1987 e 1997 e espera-se que a camada se recomponha a partir dos próximos anos;

+8%
O número de vítimas das seis doenças infecciosas que mais matam no mundo (Aids, diarréia, tuberculose, malária, sarampo e doenças respiratórias baixas, como pneumonia) aumentou de 11,51 milhões para 12,45 milhões entre 1990 e 2000 – o que dá 8% de crescimento. O número de mortos de Aids subiu mais de nove vezes nesse período;

-2,2%
As florestas do mundo diminuíram 2,2% nos anos 90, segundo as Nações Unidas. Alguns biólogos acreditam que a destruição foi bem maior – mais que o dobro disso. A perda desses hábitats aumenta as chances de extinção de um grande número de espécies;

+9%
A emissão de carbono – um dos principais fatores para o efeito estufa – aumentou em 9% na última década. O principal poluidor, os Estados Unidos, aumentou essa taxa em 18% e ainda rompeu com os acordos internacionais que regulavam as emissões. Essa poluição contribui para o aquecimento global.

9428 – Aquecimento global: O começo do fim


aquecimento global

O furacão Katrina devastou Nova Orleans. Não demorou um dia até que uma porção de gente começasse a declarar que a culpa não era do efeito estufa. O climatologista Pat Michaels, da Universidade da Virgínia, por exemplo, se apressou a afirmar que “ainda não há prova de que as contribuições humanas para o efeito estufa causem furacões”. É sempre assim. Existe nos EUA um verdadeiro exército disposto a desfazer qualquer relação entre a ação humana e os efeitos destrutivos do aquecimento global.
A temperatura média do planeta subiu 0,7 ºC no último século. Nas últimas décadas, geleiras tidas como eternas começaram a derreter, enchentes e secas se tornaram mais violentas, ondas de calor mataram milhares e um furacão fez sua estréia no Brasil. E o pior: foi só o começo. Nos próximos 100 anos, prevê-se que a temperatura aumentará entre 1,4 ºC e 5,8 ºC. Se considerarmos que 0,7 ºC causou tudo isso, dá para dizer que a palavra “apocalipse” não está longe de descrever o que vem por aí. O aquecimento global não é uma ameaça distante: é um perigo palpável, real, e está bem na sua frente.
Os moradores de Fairbanks, a maior cidade do interior do Alasca, perceberam que algo estava errado quando a cidade começou a afundar. Localizada no extremo norte da América, a região é tão fria que muitas ruas são construídas sobre uma camada de gelo, parte dele com mais de 12 mil anos de idade. O calor esburacou as ruas e entortou as casas. A 850 quilômetros dali, todo o gelo que protegia a vila de Shishmaref do vento e das ondas derreteu, o que obrigou os habitantes a mudar a cidade inteira para outro lugar, a um custo de 180 milhões de dólares.
O Alasca é uma das regiões mais afetadas pelo aquecimento global – em alguns pontos, a temperatura no inverno subiu 6 ºC desde 1960. Entretanto, quase todos os lugares frios do mundo têm uma história para contar a respeito do calor crescente. No início de 2002, uma placa de gelo com o dobro do tamanho da cidade de São Paulo e 220 metros de espessura se desfez em pedaços na Antártida em apenas um mês. Em todos os continentes, a maioria das geleiras – os rios de gelo que correm do topo das montanhas – está sumindo. “A julgar pela taxa com que estão diminuindo, perderemos grande parte delas nas próximas décadas”, afirma o climatologista Lonnie Thompson, da Universidade do Estado de Ohio, EUA, que desde os anos 70 sobe montanhas em uma corrida para estudar o gelo antes que ele acabe. Pelas suas previsões, as neves no topo do Kilimanjaro, o ponto culminante da África, não passarão de 2015. No Himalaia, a mais alta cadeia de montanhas do mundo, dois terços das geleiras podem entrar em colapso, provocando primeiro enchentes catastróficas na China, Índia e Nepal e, depois, falta de água em toda essa região superpovoada.
Tanto degelo não é à toa. A década de 1990 foi a mais quente desde que os cientistas começaram as medições, no século 19 – 1998 registrou o calor recorde e 2005 é forte candidato ao 2o lugar na lista. Há indícios de que as altas temperaturas da última década não têm paralelo ao menos nos últimos 1 000 anos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o aquecimento global mata cerca de 160 mil pessoas por ano. Vários dos fatores diretos das mudanças climáticas afetam a saúde: falta de alimentos leva à desnutrição, enchentes trazem leptospirose e contaminam fontes de água, o que traz diarreias. Mas, nessa história toda, pelo menos uma família de animais parece ter se beneficiado: os mosquitos. Resultado: epidemias. Eles não só se proliferam mais rapidamente no calor como atingem áreas que antes eram frias demais para o seu estilo de vida. Junto com eles, doenças como malária, dengue e febre amarela têm mais possibilidades de se propagar.

9017 – Ciência evolui para explicar pausa no aquecimento


Planeta Verde

O climatologista Gian-Kasper Plattner teve nos últimos meses uma das missões mais difíceis entre os cientistas que compõem o painel do clima da ONU, que divulgou anteontem um relatório no qual acentua a gravidade do aquecimento global.
O suíço de 42 anos coordenou a redação do “Sumário para Formuladores de Política”, a parte do documento destinada ao público não especializado.
Tendo iniciado a carreira na área pesquisando avalanches, ele foi responsável agora por lidar com a avalanche de comentários de governos sobre o documento, que recebeu mais de 1.800 sugestões.
Em entrevista a um jornal conhecido, defendeu a lentidão do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática) em analisar as evidências científicas, mesmo que isso tenha comprometido a capacidade de lidar com a questão mais polêmica do momento: o “hiato” na aceleração do aquecimento global nos últimos 15 anos.

“Seria um benefício para todos se a sensibilidade do clima caísse, pois é preocupante que emitir carbono cause muitas mudanças climáticas.
Mas, se recuarmos até o terceiro relatório de avaliação do IPCC, [divulgado em 2001], o escopo era de 1,5° C a 4,5°C. No quarto relatório, o número mínimo subiu para 2° C. Agora, houve uma enxurrada de novas pesquisas, mas esses estudos não convergem. Alguns parecem apontar para uma sensibilidade por volta de 2°C e outros por volta de 3°C.
Nem sempre um número maior de anos observados consegue reduzir a incerteza. É prematuro concluir que só porque o IPCC reduziu a margem de baixo para 1,5° C de novo que tudo vai ficar bem, pois a margem de cima ainda é alta.”

8753 – ☻Mega Notícias – Esfriada no Aquecimento Global


Planeta Verde

Ambientalistas mais aguerridos podem perder um pouco a bandeira. Um estudo recente demonstrou que 32 países de 33 pesquisados possuem severas leis para reduzir a emissão de poluentes que estão agravando o efeito estufa. Há um forte investimento na capacidade de produção de energia renovável, algo próximo de 300 bilhões de dólares por ano, um valor jamais atingido; e 7 vezes mais do que se investia em 2004, por exemplo. Pelo menos em 30 nações, 20% de toda a energia produzida é renovável. No Brasil o governo se compromete a reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia.

8551 – Aquecimento global eleva frequência e intensidade de furacões


grafico ciclone

A mais detalhada simulação climática para ciclones tropicais feita até agora indica que o aquecimento global deve fazer com que esses eventos extremos sejam não apenas mais fortes mas também mais numerosos.
A estimativa foi feita pelo climatólogo Kerry Emanuel, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), que agrupou dados de vários modelos de simulação distintos.
Num cenário pessimista –no qual não haja corte na emissão de CO2 e a temperatura da Terra suba até 4°C acima dos níveis anteriores à era industrial–, ciclones tropicais seriam de 10% a 40% mais frequentes no ano 2100.
E, para piorar, ambos os tipos regionais dessa categoria de tempestade –furacões e tufões– passariam a dissipar 45% mais energia, tornando-se mais destrutivos.
Como o planeta abriga cerca de 90 ciclones tropicais por ano, a projeção indica que no fim do século esse número possa subir para até 130.
A região mais afetada, segundo a simulação, será a porção asiática do Pacífico Norte, mas a mudança também será notável no Atlântico Norte e no Índico.
A ligação entre mudança climática e tempestades mais fortes está na temperatura da superfície dos oceanos. O aquecimento dessa água atua como combustível para os ciclones tropicais.
Os modelos matemáticos do clima levam em conta que oceanos quentes influenciam a formação de furacões e tufões. Emanuel calculou sua previsão agrupando dados de seis modelos diferentes, que não estavam entrando em acordo. Como essas simulações não tinham precisão suficiente para ver aspectos de escala menor (os olhos dos furacões, por exemplo), o cientista aplicou um método de “redução”, adaptando simulações globais para explicar fenômenos regionais.
Modelos de clima usados anteriormente já indicavam que os ciclones ficariam mais fortes com o aquecimento global, mas não conseguiam prever ainda se eles ficariam mais numerosos também.
Mas, com a melhora de precisão, o resultado ficou claro.
Segundo o pesquisador, os novos modelos de clima têm não apenas uma carga maior de dados mas também de uma “miríade” de pequenos ajustes nos modelos. Um estudo descrevendo o método está na edição desta semana da revista “PNAS”.
Apesar de a previsão ter sido aplicada a um cenário razoavelmente pessimista (subida de 4°C até 2100), algumas pesquisas começam a duvidar de que será possível evitar um aquecimento abaixo de 2°C, o limite tido como “perigoso” pelo painel do clima da ONU (Organização das Nações Unidas).

8384 – Manter o aquecimento global em 2°C é ‘missão impossível’


A comunidade internacional começa a trabalhar para alcançar em 2015 um importante acordo para conter um máximo de 2ºC de aumento na temperatura, um desafio colossal que alguns especialistas consideram uma “missão impossível”.
O ciclo de negociações de dez dias na ONU terminou nesta sexta-feira, em Bonn, e deu início à contagem regressiva para a cúpula de Paris. No evento que ocorre daqui a dois anos e meio deverá ser adotado o mais ambicioso plano na luta contra o mudanças climáticas.
Com o objetivo de conter o aquecimento em 2°C acima dos níveis pré-industriais, a cúpula precisa responder a questões complexas como as disputas sobre um marco regulatório, as medidas para reduzir emissões de gases do efeito estufa e a flexibilidade para grandes países emergentes, como a China.
De acordo com o grupo de referência de especialistas do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), limitar o aumento da temperatura entre 2°C e 2,4°C exige que a concentração de CO2 não exceda 350-400 ppm. “Teríamos que diminuir pelo menos pela metade as emissões antes de 2050”, explica Jouzel, vice-presidente do IPCC.
A meta de 2°C foi oficialmente adotada na Cúpula de Copenhagem em dezembro de 2009. O valor foi determinado por políticos a partir de pesquisas científicas sobre o impacto de vários limiares de temperatura em corais, calotas polares da Groenlândia e na produtividade agrícola.