13.259 – Mega Sampa – Polícia faz megaoperação de combate ao tráfico na cracolândia


Da Folha para o Mega

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A polícia de São Paulo realizou na manhã deste domingo (21-maio-2017) aquela que é considerada pelos órgãos de segurança como uma das maiores operações de combate ao tráfico de drogas na cracolândia, na região central da capital.
Os agentes soltaram bombas na região, a partir das 6h49 da manhã, e avançaram para desmantelar a feira livre de drogas que opera no local, vendendo principalmente crack.
Após a operação policial, homens da Guarda Municipal devem se instalar na região para não permitir a volta do tráfico.
Parte da operação foi acompanhada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo ele, a ação policial visa a prisão de traficantes e apreensão drogas e armas. Sobre os usuários, ele disse que o Estado oferece tratamento aqueles que buscam abandonar o vício. “Dependência química é igual apendicite. Você precisa tratar da pessoa”, disse ele.
Ao menos 69 traficantes —dentro e fora do chamado “fluxo”— estão na mira dos policiais do Denarc (departamento de narcóticos) como suspeitos de irrigar o comércio de entorpecentes na área. Há mandados de prisão contra todos eles.
Até o momento, segundo a polícia, foram presas 38 pessoas, incluindo os oito principais traficantes da área, pessoas que ficavam fora do “fluxo”, além de um grupo suspeito de traficar e realizar a segurança armada da cracolândia.
Foram aprendidas armas (entre pistolas e revólver), um simulacro de metralhadora e uma grande quantidade droga (que estão sendo contabilizados neste momento).
Também há mandados judiciais para busca e apreensão em cerca 80 locais diferentes na zona leste e norte da capital, e alguns endereços na Grande São Paulo e litoral paulista.
São estimados cerca de 900 homens e mulheres nesta operação, sendo cerca de 450 deles da Polícia Civil e o mesmo tanto da Polícia Militar, que realiza o cerco da área com homens da tropa de choque. A entrada no fluxo foi realizado apenas por policiais civis.
Essa ação vinha sendo desenhada desde fevereiro pelo Denarc, com o levantamento de imagens dos principais traficantes que operam ali e a preparação das equipes táticas para invasão de prédios e pontos de interesse dos investigadores.
O estudo foi pensado pela cúpula da Polícia Civil para tentar evitar ao máximo possível o confronto com traficantes e a morte de algum usuário.
Nos últimos dias, porém, o clima no local tem mostrado altamente tenso com a identificação de criminosos armados, que já fizeram disparos contra policiais militares em ao menos duas oportunidades, e a descoberta de orientações de integrantes de organização criminosa (PCC) para resistir à ações policiais.
A data escolhida para as prisões, um domingo de manhã, foi pensada para tentar evitar transtorno à vida dos paulistanos, como ocorreu no início deste mês quando policiais militares e guardas civis entraram em confronto com um grupo liderado por traficantes. Houve tiros, barricadas incendiárias, saques no comércio da região, e reflexo no trânsito na cidade.

Ao mesmo tempo, a programação da Virada Cultural está ocorrendo em regiões próximas no centro da cidade.
Uma grande intervenção na cracolândia vinha sendo discutida entre policiais e representantes da prefeitura de São Paulo, que tem planos de instalar ali o programa Redenção. Até o final do mês passado havia, porém, um impasse sobre o sistema de segurança ostensivo no local, para evitar que a feira livre das drogas voltasse a imperar.
Essas respostas poderão ser dadas daqui a pouco pelo prefeito João Doria (PSDB) que deve se descolocar também para a cracolândia.
A última grande operação do Denarc na cracolândia se deu em agosto do ano passado, quando 32 pessoas foram detidas sob a suspeita de integrar uma das células que abastecem a área de entorpecentes.
Esse grupo era liderado por representantes de movimento de sem-teto na capital, que, segundo a polícia, tinha como entreposto de drogas uma hotel ocupado pelo grupo, o famoso Cine Marrocos.
A cracolândia já foi alvo de uma série de operações das gestões Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT) nos últimos anos, mas que não conseguiram impedir a concentração de usuários de crack e a presença dominante do tráfico.
Na região, Estado e prefeitura desenvolvem programas diferentes voltados aos dependentes. O programa Braços Abertos, criado em 2014 pela gestão Haddad, é baseado na redução de danos. O dependente é incentivado, pela oferta de emprego e renda, a diminuir o uso de drogas, sem necessidade de internação.
O Recomeço, instituído por Alckmin em 2013, trabalha a saída do vício com tratamentos que incluem isolamento em hospitais e comunidades terapêuticas.
Como desde o início do ano ambos são comandados por correligionários do PSDB, prefeitura e Estado vêm tentando agora articular conjuntamente um programa para combater o tráfico na região, evitando que ações policiais sejam disparadas sem o conhecimento da gestão municipal, como aconteceu em episódios anteriores.

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13.234 – Segurança Pública – Habilitações passam a utilizar código de segurança digital para evitar fraude


habilitação
As Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) emitidas a partir deste mês passarão a ter um QR Code –códigos de barra que podem ser escaneados por aparelhos ou dispositivos móveis com câmeras fotográficas.
De acordo com o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), do Ministério das Cidades, a mudança é uma forma de aumentar a segurança contra fraudes e cópias ilícitas do documento.
Através da leitura do QR Code, informações biográficas e foto do documento original dos motoristas armazenadas no banco de dados do Denatran poderão ser acessadas.
Segundo Elmer Vicenzi, diretor do departamento, a novidade permite que “qualquer setor da sociedade tenha acesso às informações, seja numa relação civil, seja numa relação empresarial, como bancos, cartórios e empresas de locadoras de veículos, por exemplo. Antes, a verificação se dava apenas dos dados presentes na CNH, podendo a foto não ser a do titular de fato, configurando fraude”.
A leitura do código –que fica na parte interna do documento–, é feita por um aplicativo, o “Lince”, disponível para os sistemas Android e iOS e foi desenvolvido pelo Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados).
A checagem das informações pode ser feita offline, o que permite que autoridades como as polícias rodoviárias possam ter acesso aos dados mesmo em lugares distantes.
Apesar de Vicenzi ressaltar que não há nenhum custo adicional que justifique o aumento da taxa de emissão, o órgão reconhece que faz parte da autonomia administrativa de cada Estado definir se haverá ou não aumento.
Mais de 300 mil habilitações foram emitidas com a funcionalidade desde 1º de maio, data em que a iniciativa entrou em vigor. A previsão é que, dentro de cinco anos, todos os motoristas brasileiros já possuam a nova CNH.

12.784 – Os 15 países mais pacíficos do mundo em 2016


Islândia
Dinamarca
Áustria
Nova Zelândia
Portugal
República Tcheca
Suíça
Canadá
Japão
Eslovênia
Finlândia
Irlanda
Butão
Suécia
Austrália

Finlandia

Nova_Zelandia

Islandia

 

O mundo se tornou um lugar ainda mais violento nos últimos 12 meses em decorrência do aumento das atividades terroristas em diferentes regiões e pelos altos níveis de instabilidades políticas registrados. É o que constatou a edição 2016 do Global Peace Index, estudo anual produzido pelo Instituto de Economia e Paz (IEP).
Mas, embora o cenário global seja de turbulências, o estudo mostrou que 81 dos países investigados observaram uma melhora em seus níveis de paz. A maioria deles está na Europa: a região que é considerada a mais pacífica, mesmo tendo registrado episódios recentes de violência, como os atentados em Paris (França) em 2015 e em Bruxelas (Bélgica) em 2016.
O estudo tem como objetivo avaliar a situação da paz em 163 países. Para tanto, estuda o contexto interno de cada um deles a partir de 23 indicadores que incluem aspectos como a intensidade dos conflitos nos quais um local está envolvido, seus níveis de criminalidade e sua capacidade militar.
E a edição atual da pesquisa trouxe novidades. Portugal, por exemplo, avançou muitas posições, deixando a 11ª colocação em 2015 para chegar até a quinta entre os mais pacíficos de 2016. O Canadá, por sua vez, caiu uma posição em relação ao ano passado. Essa queda, explica o estudo, é em decorrência do aumento na importação e exportação de armas.
No que diz respeito aos países latinos, o único a ocupar um espaço entre os primeiros colocados é o Chile, no número 27. Falando especificamente sobre o Brasil, o índice notou uma deterioração na situação interna do país em razão das recentes instabilidades políticas, fazendo com que o país caísse da 103ª para a 105ª posição.
Confira na galeria os resultados obtidos pelos 15 países que obtiveram o melhor desempenho frente aos outros. Veja nas imagens quais são eles e quais posições ocuparam nesse ranking em 2015.

10.243 – Mega Sampa – Exército reforçará segurança em São Paulo durante a Copa


Exército na Copa
Exército na Copa

Ao menos 4.000 homens do Exército ajudarão no policiamento do Estado de São Paulo durante a Copa do Mundo. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), aceitou a ajuda oferecida pelo governo federal na última sexta-feira. A presidente Dilma Rousseff ofereceu aos governadores das doze cidades-sede policiamento extra para reforçar a segurança.
Nesta segunda-feira, Alckmin deve se reunir com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na Secretaria da Segurança paulista, para definir como e onde os homens do Exército irão agir. Cardozo conversou pessoalmente com Alckmin e ressaltou a importância do reforço de patrulhamento nas ruas. O Exército já está à disposição do governo paulista.
O Exército se somará aos quase 90.000 homens da Polícia Militar no Estado. Cardozo lembrou que todo o trabalho durante o Mundial será feito “com integração” e que todos os atores “já têm seus papéis claramente definidos”.
A presidente Dilma acionou as Forças Armadas depois que manifestantes protestaram agressivamente contra as seleções, como aconteceu no Rio, na semana passada, no desembarque do time brasileiro. Dilma quer o Exército nas ruas ostensivamente.
São Paulo receberá quinze seleções, que ficarão espalhadas por doze cidades. Algumas delas precisam de atenção especial e segurança reforçada, caso dos Estados Unidos e do Irã, que ficarão na capital e em Guarulhos, respectivamente, e da Rússia, que ficará hospedada em Itu, mesma cidade que receberá o Japão.
Como nas demais cidades em que as seleções de futebol também ficarão hospedadas, a determinação em São Paulo é de que os homens do Exército fiquem visíveis, de forma ostensiva, nos trajetos por onde passarão seleções e autoridades. Haverá reforço policial também nos aeroportos, bases aéreas, hotéis e centros de treinamento nas cidades paulistas que receberão seleções. Estão previstas pelo menos 500 escoltas.
No dia da abertura da Copa, que será realizada na Arena Corinthians, na Zona Leste da cidade, além de homens do Exército ficarem de prontidão nos quartéis e nos diferentes pontos das cidades por onde passarão seleções e autoridades, a tropa federal ajudará também na escolta de torcedores VIPs, com motocicletas e helicópteros. As forças de operações especiais do Exército também foram chamadas para ajudar no reforço à segurança.
Os reforços das Forças Armadas serão enviados também para Santos, onde ficarão México e Costa Rica, para Porto Feliz, onde se hospedará Honduras, para Ribeirão Preto, que receberá a França, para Campinas, que abrigará Portugal e Nigéria, para o Guarujá, com a Bósnia-Herzegovina, para Águas de Lindoia, que hospedará a Costa do Marfim, para Mogi das Cruzes, que receberá a Bélgica, para Cotia, que abrigará a Colômbia, e para Sorocaba, que vai receber a Argélia.
Além de São Paulo, o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Norte também aceitaram apoio das tropas federais.

9860 – O que são as UPPs?


Unidade de Polícia Pacificadora, conhecida também pela sigla UPP, é um projeto da Secretaria Estadual de Segurança do Rio de Janeiro que pretende instituir polícias comunitárias em favelas, principalmente na capital do estado, como forma de desarticular quadrilhas que, antes, controlavam estes territórios como estados paralelos. Antes do projeto, inaugurado em 2008, apenas a favela Tavares Bastos, entre as mais de 500 existentes na cidade, não possuía crime organizado (tráfico de drogas ou milícia).
A primeira UPP foi instalada na Favela Santa Marta em 20 de novembro de 2008. Posteriormente, outras unidades foram instaladas na Cidade de Deus, no Batan, Pavão-Pavãozinho, Morro dos Macacos, entre outras favelas. O programa tem sido bem avaliado por especialistas. No entanto, sofreu críticas no início devido ao fato de que as comunidades que mais rapidamente têm recebido este serviço seriam aquelas situadas próximas à Zona Sul, a mais rica da cidade, sendo uma forma de, portanto, reduzir a criminalidade nos bairros mais ricos e não naqueles mais violentos, como seria de se esperar. A essas críticas, respondem as autoridades que a iniciativa de iniciar na Zona Sul do Rio essa operação, onde se situam favelas menores, é consequência da necessidade de maior efetivo policial para ocupar as favelas maiores, como o Complexo do Alemão.
O projeto é tão bem-sucedido que inspirou projetos semelhantes em outros estados brasileiros: o governo do estado da Bahia criou as Bases Comunitárias de Segurança (BCSs) para atender às comunidades de Salvador; o governo do Paraná criou as Unidades Paraná Segura (UPSs) para atender às comunidades de Curitiba; o governo do Maranhão criou as Unidades de Segurança Comunitária (USCs) para atender às comunidades de São Luís; e o governo do Rio Grande do Sul criou os Territórios da Paz (TP). O governo do Rio também lançou o projeto das Companhia Integrada de Segurança Pública (Cisp), que atendem a alguns morros e favelas da cidade, com formato idêntico às UPPs. As comunidades pacificadas possuem câmeras de segurança instaladas em pontos estratégicos para ajudar no monitoramento das favelas.

9353 – (In) Segurança – Os Rastreadores de Veículos


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É incrível como determinadas palavras entram no nosso dicionário e não temos ideia da complexidade que elas trazem em seu significado. Hoje em dia, quando pensamos em rastreadores de veículos, esquecemos sobre qual tipo de produtos estamos tratando e que tipo de tecnologia neles está inserida. Os rastreadores, bloqueadores, navegadores, usados como forma de negócios por muitas empresas, utilizam o sistema GPS (Sistema de Posicionamento Global) para viabilizar seus serviços.
É comum falarmos sobre satélites, comunicação digital e outras tecnologias, porém, entender como funciona o GPS que está embarcado nos rastreadores de veículos é um exercício que exige atenção. Imagine inúmeros satélites circulando em volta da órbita terrestre, recebendo e transmitindo informações o tempo todo (TV, rádio, telefonia, etc), sendo que cada uma dessas informações é retransmitida para estações específicas que podem estar fixas (torres, antenas) ou em movimento (antenas móveis, como as existentes nos rastreadores).
Assim, quando recebem as informações das estações, os rastreadores têm a posição exata do veículo, gerada pela combinação dos dados geográficos de três satélites (figura acima). Quanto maior o número de satélites usados para identificar o rastreador, maior a precisão do seu posicionamento, que é sempre definido pelas coordenadas deste ponto em relação à Terra. Estas coordenadas são definidas através da latitude e da longitude (lembra-se das suas aulas de geografia?). Mas, mesmo assim, existem pontos terrestres em que nenhum satélite consegue “enxergar o rastreador”, estes locais são chamados de áreas de sombra.
Outro produto que utiliza as facilidades do GPS é o navegador, que através da definição do local para onde queremos nos deslocar e do posicionamento inicial do veículo, traça uma rota que nos leva da origem ao destino, através de um mapa digital residente no seu software. Neste caso, a voz digitalizada indica as coordenadas, guiando o motorista por ruas e avenidas.
Curiosidade: Até o ano de 2000, o governo dos Estados Unidos permitia que o sistema civil recebesse apenas um sinal “piorado” do GPS, com uma margem de erro na localização de cerca de 100 metros. Na mesma época, o sistema militar já possuía um sinal dez vezes mais preciso. Porém, hoje em dia, todos recebem um sinal de qualidade.

9252 – Mega Curtíssima – Prender adolescentes não reduz crime


Uma análise feita nos EUA com 35 mil adolescentes infratores constatou que a prisão reduz a chance de que um jovem conclua os estudos – e aumenta em 41% a probabilidade de que venha a cometer crimes quando adulto. Quando a prisão é substituída por outro tipo de pena, o risco de reincidência cai pela metade.

8652 – Sociedade – (In) Segurança nas Grandes Cidades


Não é tão simples definir a palavra ‘violência’, segundo sociólogos e pesquisadores deste tema. As conotações deste conceito variam conforme suas fontes. Por exemplo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), este termo significa impor um grau intenso de dor e sofrimento que não se pode evitar. Para os militantes dos direitos humanos, a ‘violência’ é entendida como a violação dos direitos civis. Mas os estudiosos crêem que seu significado é muito mais profundo.
A violência tem várias faces. Na verdade, a violência urbana é apenas uma delas, entre guerras, miséria, discriminações, e tantas mais. O ângulo aqui abordado é um dos mais discutidos e controvertido de nossos tempos. Os atos transgressores ocorridos no âmago das grandes cidades, de caráter estritamente agressivo, frutos da vida em sociedade na esfera urbana, caracterizam, em parte, este fenômeno social que se convencionou chamar de violência urbana.
Ela se expressa através dos níveis cada vez mais elevados de criminalidade, da sujeição freqüente ao domínio dos instintos selvagens e bárbaros, do crime organizado, principalmente em torno do tráfico de drogas, dos atos despidos de qualquer civilidade – aqui se compreendem também a constituição de gangues, as pixações, a espoliação dos bens públicos, o caos do trânsito, os pontos abandonados da cidade, sem nenhuma preservação ou manutenção, entre outros.
Infelizmente, a cultura de massa e um setor da mídia, irresponsável e sensacionalista, alimentam essas tendências explosivas das metrópoles, incentivando a violência por meio de filmes, músicas, novelas, um jornalismo policial preocupado apenas com uma audiência crescente, entre outros.
A violência está enraizada no próprio processo histórico brasileiro, desde os primórdios da colonização. Milhares de índios foram exterminados, culturas dizimadas, outros aborígenes escravizados, ao lado dos negros trazidos da África. Esse contexto foi, ao longo do tempo, agravando-se ainda mais. Depois da libertação dos escravos, da importação de mão-de-obra de outros países, os imigrantes, o número de excluídos e marginalizados da nossa sociedade foi crescendo significativamente.
À medida que as cidades passaram a inchar de forma caótica, desordenada, sem nenhum planejamento, absorvendo também os trabalhadores do campo, principalmente após a mecanização rural, sua população foi dividindo os territórios – um centro ocupado pela elite, alguns círculos habitados pela classe média, e uma periferia crescente que cada vez mais se expande por todos os espaços desocupados que restam nas metrópoles urbanas.
Tudo isso, somado a um sistema econômico que mais exclui do que inclui as pessoas, mecanismo cruel que, por um lado, explora os trabalhadores, aliena-os do produto de seu trabalho, e por outro estimula ao máximo o consumo, através dos canais disponibilizados pela mídia e pela cultura de massa. Assim, a maior parte dos jovens, excitados pelo apelo ao consumismo, sem perspectivas materiais e sociais, abandonados pelo Poder Público, que não investe o suficiente em políticas educacionais e culturais, vê abrir-se diante de seus olhos o universo do crime organizado, que eles acreditam lhes proporcionar tudo o que mais desejam. Este mundo, a princípio fascinante, ocupa o vácuo deixado pelo Estado, mas depois trai cada um de seus seguidores, oferecendo-lhes nada mais que uma vida perdida, sem dignidade, mergulhada nos vícios e em uma violência sem freios, que acaba ceifando suas próprias existências.

Assim, em sociedades nas quais as instituições revelam-se fracas e corrompidas, na qual a autoridade social encontra-se desacreditada, os valores morais atravessam uma fase de decadência e descrença, na qual até mesmo a família tem deixado de cumprir seu papel fundamental na esfera da educação e da concessão de limites, vemos a violência urbana ultrapassar inclusive as barreiras sociais, aliciando adeptos em todas as classes sociais, em qualquer faixa étnica, independente até mesmo de sexo, idade ou religião.
A própria vida perdeu seu sentido, daí presenciarmos linchamentos, justiça realizada pelas próprias mãos, crimes passionais, assassinatos resultantes de brigas no trânsito, em casas noturnas, shows, bares, entre pessoas aparentemente honestas e até aquele momento completamente obedientes às normas sociais e legais.
Hoje, em nosso país, a violência se dissemina também pelas cidades do interior, pois os grupos criminosos vão procurando novos territórios. Além disso, também essas pequenas cidades absorvem atualmente os problemas antes típicos das grandes metrópoles, principalmente a degradação moral. Torna-se urgente uma profunda reforma político-social, aliada a um resgate intenso dos valores esquecidos, perdidos pelo caminho. Esta ação depende do Estado, mas também de toda a sociedade organizada.

8256 – Sociedade – Acidentes com Armas


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O referendo de 23 de outubro de 2005 levantou, pela primeira vez de forma tão pública, a questão das vantagens e desvantagens de se ter uma arma de fogo em casa. Para alguns, é uma possibilidade de se defender da violência urbana. Para outros, é uma ameaça para as famílias e, principalmente, para a criança.
O fato é que, por ser um instrumento concebido para ferir, a arma doméstica é, indiscutivelmente, um perigo a mais dentro de casa. Portanto, a recomendação dos especialistas é clara: arma em casa, não.
Se alguém, por questões profissionais, precisa ter uma arma em casa, esta deve ser guardada fora do alcance da criança, trancada e separada da munição, que também deve estar trancada. É importante lembrar que o conceito de “fora de alcance” é relativo. Às vezes, o que os pais consideram como “bem guardado” não é o ideal. E quase nunca é.
É assustador também saber que, com apenas 3 anos de idade, as crianças já têm força suficiente para puxar o gatilho de uma arma de fogo. Dá para entender, portanto, por que os acidentes envolvendo crianças e armas de fogo são tão comuns. São dois internamentos diários no Brasil, sendo que muitos resultam em mortes, seja da criança, do amigo ou de um adulto.
Portanto, não há saída: ou os pais decidem por não ter a arma ou seguem rigorosamente a regra de armazená-la descarregada, trancada e longe da munição. Eles também devem instruir a criança a informá-los caso tenha acesso a uma arma de fogo, seja na casa do amigo ou de alguém da família.

6864 – Os Cães Farejadores de Drogas


Veja aqui no ☻ Mega como é o treinamento

É um trabalho árduo, em que se busca tirar proveito das duas principais características dos cães que desempenham essa função: faro apurado e personalidade curiosa. Antes de meter as fuças em malas, carros ou pessoas – em geral nos locais de grande fluxo de gente ou mercadorias, como alfândegas, aeroportos e terminais rodoviários -, eles passam por meses de ralação, quando aprendem a identificar os diversos tipos de drogas e a se comportar em público. A escolha dos cachorros para o emprego de caça-bagulhos se deu em função de seu olfato poderoso. Eles começaram a ser usados para farejar substâncias ilegais no fim dos anos 60, durante a Guerra do Vietnã (1959- 1975), quando o consumo de heroína entre soldados americanos tornou-se um sério problema para o Exército dos EUA. Com o tempo, a nareba afiada deixou de ser o único pré-requisito para o posto. “No início, a capacidade olfativa era um fator decisivo na seleção dos animais, mas hoje o que qualifica, de fato, um cão é o seu interesse por procurar e encontrar objetos”, diz Antônio José Miranda de Magalhães, chefe do canil da Polícia Federal, em Brasília. A unidade é o principal centro de treinamento de cães farejadores no Brasil e, desde sua criação, em 1988, já formou mais de cem “focinhos de ouro” para a função.

Bisbilhoteiros Oficiais

Olfato extremamente apurado e temperamento curioso são os principais pré-requisitos dos “focinhos de ouro” da polícia
Labrador, golden retriever, pastor alemão e pastor belga malinois são as raças mais usadas no combate ao tráfico de drogas. Esses cães têm um faro apuradíssimo, graças aos seus mais de 200 milhões de células olfativas – para ter uma ideia, o fox-terrier tem 147 milhões e o homem “míseros” 5 milhões.
Depois de passar na peneira dos bons de fuça, são escolhidos os animais mais curiosos e perseverantes, que gostam de procurar e recuperar objetos e não desistem facilmente da busca. Com isso, os policiais têm a garantia de que seus futuros parceiros não farão corpo mole em serviço.
No canil da Polícia Federal, o adestramento começa quando o cão tem apenas 2 meses. Antes do treino específico para achar drogas, os animais passam por um “cursinho” de socialização e comandos básicos, como responder ao chamado do policial, sentar-se etc. Isso é feito, entre outras coisas, para que eles não ataquem as pessoas nas rua.
O treinamento propriamente dito – que dura cerca de dois meses – só rola depois que o cão completa 1 ano de idade. A partir daí, ele entra em contato com o odor típico da droga, que é acondicionada dentro de tubos de PVC, mangueiras de borracha ou em pequenas bolsas, feitas de lona impermeável, que imitam seus próprios brinquedos.
Após o cão se acostumar com o cheiro dos diversos tipos de drogas, os “brinquedinhos” são escondidos para que ele os encontre. O grau de dificuldade do exercício aumenta com o tempo. Para disfarçar o odor do tóxico (recurso adotado pelos traficantes), os treinadores misturam a ele produtos diversos, como alho, pimenta e cebola.
Sempre que o animal encontra o bagulho, recebe elogios e agrados do treinador. Caso ele não seja bem-sucedido, não recebe punição, mas, se dá mostras de que não vai dar conta do recado, pode até ser afastado do treinamento. Em nenhum momento do curso, e em hipótese alguma, o cão entra em contato com a droga.
Depois que está craque em farejar os entorpecentes, é hora de o bicho mostrar que sabe se portar em público. Ele é levado para fazer o treino ambiental nos locais onde irá trabalhar (postos de fronteira, aeroportos, rodovias etc.), para se acostumar com o movimento desses lugares. A partir daí, ele está pronto para botar o focinho em ação.
Já no batente, o cão usa os dois tipos de alerta que aprendeu. No ativo, ele arranha e morde o local onde a droga está escondida, ou pode latir para o suspeito de levar tóxicos. No passivo, ele se posiciona ao lado desse local ou da pessoa. Para não cansar a nareba, os cães intercalam períodos iguais de até 50 minutos de trabalho e descanso. O tempo pode variar, mas em geral eles ficam na ativa até os 10 anos de idade.

Outras Tarefas
Resgate
São peritos em localizar desde sobreviventes – ou cadáveres – soterrados sob escombros até crianças perdidas. Golden retriever, labrador, pastor alemão e collie são as raças mais utilizadas. Quando treinados, detectam odores disfarçados debaixo de metros de entulho

Guia de Cegos
Os cachorros têm sido usados na condução de cegos desde a década de 1920. As raças mais adequadas a essa função são labrador, pastor alemão, golden retriever, bóxer e collie. Para ser um bom cão-guia, é importante que o animal seja paciente, dócil e determinado

Farejador de Minérios
Na década de 1960, na Finlândia, um instituto de prospecção geológica treinou com sucesso cachorros pastores alemães para encontrar jazidas de minérios, como cobre e níquel. Os animais conseguiram farejar minerais enterrados a até 12 metros de profundidade.