9825 – Desde quando o cão é o melhor amigo do homem?


Um dos primeiros cães a ser domesticado, a espécie era muito próxima dos lobos
Um dos primeiros cães a ser domesticado, a espécie era muito próxima dos lobos

Existe mais de uma teoria a respeito, mas é muito provável que a domesticação ocorreu entre 11 mil e 15 mil anos atrás. Nessa época ainda não havia cães como conhecemos hoje, mas lobos selvagens que foram sendo amansados – só muitas gerações depois eles dariam origem às raças de cachorros. A data e região precisa onde isso aconteceu ainda é motivo de controvérsia (veja mapa abaixo). “O momento exato da domesticação permanece obscuro, especialmente porque deve ter sido um processo gradual”, afirma o veterinário Mauro Lantzman, especialista em comportamento animal. Pesquisadores acreditam que a domesticação começou com a seleção de filhotes de lobos cinzentos (Canis lupus) que viviam ao redor de acampamentos humanos. Esses animais se alimentavam de restos de comida deixados pelos homens. Nossos ancestrais logo perceberam que alguns eram mais dóceis que outros e viram uma vantagem em tê-los por perto: os lobos davam o alarme quando outros animais ferozes se aproximavam dos acampamentos. Foi com essa ajuda boa pra cachorro que nasceu uma das mais longas amizades entre animais de diferentes espécies.

Teoria Iraque
Alguns achados arqueológicos apontam que a domesticação dos primeiros canídeos ocorreu há 11 mil anos na atual região do Iraque. A partir daí, os cães se disseminaram pela Europa, Ásia e Américas junto com o homem. Os lobos teriam sido os primeiros animais domesticados pelo homem.

Teoria Leste Asiático
Uma nova teoria, formulada pelo cientista Peter Savolainen, do Instituto Real de Tecnologia de Estocolmo, na Suécia, aponta que lobos primitivos foram domesticados bem antes, há 15 mil anos no leste da Ásia, provavelmente no que hoje é a China. A teoria de Savolainen se baseia em análises de DNA de cães e lobos.

9824 – Biologia – Abelhas domesticadas podem exterminar as primas silvestres


abelhas-apicultura-

Abelhas domesticadas doentes podem estar infectando suas primas silvestres, segundo um estudo publicado na revista Nature. A constatação é preocupante, porque esses insetos polinizadores são vitais para a agricultura de todo o mundo.
A população de abelhas, tanto a de cativeiro quanto a selvagem, está em declínio na Europa, na América e na Ásia por razões que os cientistas ainda tentam entender. No novo estudo, pesquisadores encontraram evidências de que as abelhas silvestres Bombus terrestris estão sendo afetadas por vírus ou parasitas das primas produtoras de mel.
Em um experimento em laboratório, os cientistas expuseram abelhas silvestres a dois patógenos — o vírus de asa deformada e o parasita Nosema ceranae —, para constatar se elas podiam contrair doenças conhecidas por afetar as produtoras de mel. “Nós detectamos que esses patógenos realmente são contagiosos e reduzem a longevidade dos insetos significativamente”, disse o coautor da pesquisa Matthias Fuerst, da Universidade de Londres. A expectativa de vida das operárias silvestres, que é de 21 dias, se reduz em um terço ou um quarto, em caso de infecção.
Em uma segunda etapa, os cientistas capturaram Bombus terrestris, conhecidas como abelhões, e abelhas melíferas em 26 regiões da Grã-Bretanha, examinando-as para identificar alguma infecção. Constataram que, nos mesmos locais, ambas tinham níveis similares dos patógenos analisados, o que indicava uma conexão entre elas.

Por fim, a equipe verificou que as abelhas melíferas e silvestres coletadas em lugares iguais tinham mais cepas intimamente ligadas do mesmo vírus do que os insetos de outros locais, um claro indicador de transmissão da doença entre as espécies. Embora não tenham conseguido demonstrar definitivamente que os patógenos passaram das abelhas melíferas para os abelhões, e não o contrário, os cientistas afirmaram que essa seria a conclusão lógica. Mais abelhas melíferas do que abelhões se infectaram, e as melíferas infectadas tinham níveis virais mais elevados do que os abelhões.
Segundo os cientistas, o principal veículo da infecção foi a visita às flores, uma vez que os animais transportam patógenos em sua trajetória. Os insetos também podem espalhar doenças ao invadir as colmeias umas das outras em busca de mel ou néctar.
Apicultores conseguem tratar doenças nas colmeias, mas insetos silvestres não podem ser medicados. “Não podemos sair procurando colmeias para tratar as abelhas”, explicou Mark Brown, coautor do estudo. “Já é um desafio tratar populações selvagens de mamíferos onde há um pequeno número de indivíduos e os animais são grandes.”
A solução, segundo Brown, é evitar a disseminação a partir de colmeias de melíferas. “Precisamos que elas sejam tão limpas quanto possível, de forma que a contaminação do meio ambiente seja mitigada.” O declínio na população mundial de abelhas tem sido atribuído a causas diversas, tais como o uso de pesticidas agrícolas, práticas de monocultura que destroem as fontes de alimento dos insetos, vírus, fungos, ácaros, ou uma combinação desses fatores.
Um informe da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) diz que os insetos polinizadores contribuem com a produtividade de pelo menos 70% dos grandes cultivos humanos. O valor econômico dos serviços de polinização foi estimado em 153 bilhões de euros (500 bilhões de reais) em 2005. As abelhas, especialmente os abelhões, respondem por 80% da polinização feita por insetos.

9823 – Carbono com força de Aço


nanotubos

Nanotubos são moléculas de carbono que estão encantando os químicos. Com forma cilíndrica, elas servem para fabricar uma grande variedade de materiais. Agora mesmo, uma equipe internacional usou nanotubos para fazer fibras que têm resistência equivalente à do aço e a mesma flexibilidade dos músculos do corpo.
As fibras esticam e encolhem quando são atravessadas por correntes elétricas. Os pesquisadores esperam que, dentro de poucos anos, o material possa ser usado para montar braços e pernas de robôs. Ou até para substituir tendões danificados em seres humanos.

9822 – Medicina – Álcool e Sistema Hepático


enzima alcool

O fígado normal
O funcionamento normal do fígado é essencial à vida. O fígado é o maior e, em alguns aspectos, o mais complexo órgão do corpo humano. Uma de suas principais funções é degradar as substâncias tóxicas absorvidas do intestino ou produzidas em outras áreas do corpo e, em seguida, excretá-las pela bile ou pelo sangue como subprodutos inofensivos.
Além disto, o fígado secreta bile no intestino delgado para ajudar na digestão e absorção de gorduras, armazena vitaminas, sintetiza proteínas e colesterol, metaboliza e armazena açúcares. O fígado controla a viscosidade sanguínea e regula os mecanismos de coagulação.
O fígado é um órgão particularmente suscetível aos danos provocados pelo álcool pois ele é o principal sítio de metabolização desta substância no organismo.
Além do fígado ser um dos maiores órgãos do corpo humano, ele apresenta a capacidade de regenerar-se, consequentemente, os sintomas relacionados à lesão hepática provocada pelo álcool podem não aparecer até que esta seja realmente extensa. No sexo masculino, esta condição pode ser alcançada pelo uso de aproximadamente 2 litros de cerveja, 1 litro de vinho ou 240 ml de bebidas destiladas ingeridas diariamente por pelo menos 20 anos. Nas mulheres, a quantidade necessária para produzir prejuízos semelhantes é de apenas ¼ à ½ deste montante.
O consumo diário de bebida alcoólica, por um longo período de tempo, é uma condição fortemente associada ao desenvolvimento de lesões hepáticas, porém, apenas metade dos usuários que a consomem com esta frequência vão desenvolver hepatite ou cirrose alcoólica. Estes achados sugerem que outras condições como: hereditariedade, fatores ambientais ou ambos devam influenciar no curso da doença hepática.

Metabolismo do álcool
A maior parte do álcool ingerido é metabolizado no fígado pela ação da enzima álcool desidrogenase (ADH). Esta enzima converte o álcool em acetaldeído, que mesmo em pequenas concentrações, é tóxico para o organismo. A enzima aldeído desidrogenase (ALDH), por sua vez, converte o acetaldeído em acetato. A maior parte do acetato produzido, atinge outras partes do organismo pela corrente sanguínea onde participa de outros ciclos metabólicos.
O sistema de enzimas microssomais oxidativas (SEMO) pertencem à família dos citocromos e compreendem um sistema alternativo de metabolização do álcool no fígado. O SEMO transforma o álcool em acetaldeído pela ação do citocromo P450 2E1 ou CYP2E1 presentes nas células hepáticas.

Tipos de lesões hepáticas provocadas pelo álcool

Em indivíduos que fazem uso abusivo do álcool as doenças hepáticas mais encontradas são:

1. Esteatose alcoólica (fígado gorduroso). A deposição de gordura ocorre em quase todos os indivíduos que fazem uso abusivo e frequente do álcool. Contudo, é uma condição clínica que também pode ocorrer em indivíduos não alcoolistas, após um único episódio de uso abusivo do álcool. A esteatose corresponde ao primeiro estágio da doença hepática alcoólica. Caso o indivíduo pare de beber neste estágio, ele recuperará sua função hepática.
A esteatose também pode ocorrer em indivíduos diabéticos, obesos, com desnutrição proteica severa e usuários de determinados medicamentos.

2. Hepatite alcoólica: esta condição implica em uma inflamação e/ou destruição (ex. necrose) do tecido hepático. Os sintomas incluem: perda de apetite, náusea, vômito, dor abdominal, febre e em alguns casos, confusão mental. Embora esta doença possa levar à morte, na maior parte das vezes ela pode ser revertida com a abstinência alcoólica. A hepatite alcoólica ocorre em aproximadamente 50% dos usuários frequentes do álcool.

3. Cirrose alcoólica: É uma forma avançada de doença hepática decorrente de um dano progressivo das células hepáticas. A cirrose costuma ser diagnosticada em 15 a 30 % dos usuários crônicos e abusivos do álcool.
Um fígado cirrótico é caracterizado por uma fibrose extensa que compromete o funcionamento do fígado podendo inclusive prejudicar o funcionamento de outros órgãos como cérebro e rins. Embora a cirrose alcoólica possa levar o indivíduo à morte em função de suas complicações (ex. falha renal e hipertensão portal), ela pode ser estabilizada pela abstinência completa do álcool.
Estas três condições clínicas costumam estar sequencialmente relacionadas, de forma progressiva, da esteatose à cirrose. Contudo, alguns indivíduos podem desenvolver cirrose sem ter tido hepatite e algumas hepatites de início súbito e curso rápido levam à morte antes de desenvolver cirrose.

De que maneira o álcool danifica o fígado?
Há muitos mecanismos pelos quais o álcool lesa o fígado, além do que, nem todos os alcoolistas desenvolvem problemas hepáticos a despeito da quantidade de álcool consumido. Abaixo seguem alguns dos fatores de risco e mecanismos implicados no desenvolvimento de lesão hepática:

Fatores genéticos
Diferenças genéticas podem explicar o porquê de alguns alcoolistas desenvolverem cirrose e outros não. O tecido cicatricial que é formado no fígado cirrótico é composto de proteína de colágeno. Sugere-se que a estimulação para a síntese do colágeno ocorra pela ativação do gene do colágeno. Desta forma, especula-se que diferenças individuais para este gene podem estar associadas com diferenças no desenvolvimento de cirrose alcoólica entre os alcoolistas.

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Introdução

A doença hepática alcoólica é uma das consequências clínicas mais graves do uso crônico do álcool. Além disto, o uso excessivo e crônico do álcool é a causa isolada mais importante de doença e morte por hepatite e cirrose nos Estados Unidos1.

O fígado normal

O funcionamento normal do fígado é essencial à vida. O fígado é o maior e, em alguns aspectos, o mais complexo órgão do corpo humano. Uma de suas principais funções é degradar as substâncias tóxicas absorvidas do intestino ou produzidas em outras áreas do corpo e, em seguida, excretá-las pela bile ou pelo sangue como subprodutos inofensivos.

Além disto, o fígado secreta bile no intestino delgado para ajudar na digestão e absorção de gorduras, armazena vitaminas, sintetiza proteínas e colesterol, metaboliza e armazena açúcares. O fígado controla a viscosidade sanguínea e regula os mecanismos de coagulação.

Doença hepática alcoólica

O fígado é um órgão particularmente susceptível aos danos provocados pelo álcool pois ele é o principal sítio de metabolização desta substância no organismo.

Além do fígado ser um dos maiores órgãos do corpo humano, ele apresenta a capacidade de regenerar-se, consequentemente, os sintomas relacionados à lesão hepática provocada pelo álcool podem não aparecer até que esta seja realmente extensa. No sexo masculino, esta condição pode ser alcançada pelo uso de aproximadamente 2 litros de cerveja, 1 litro de vinho ou 240 ml de bebidas destiladas ingeridas diariamente por pelo menos 20 anos. Nas mulheres, a quantidade necessária para produzir prejuízos semelhantes é de apenas ¼ à ½ deste montante.

O consumo diário de bebida alcoólica, por um longo período de tempo, é uma condição fortemente associada ao desenvolvimento de lesões hepáticas, porém, apenas metade dos usuários que a consomem com esta frequência vão desenvolver hepatite ou cirrose alcoólica. Estes achados sugerem que outras condições como: hereditariedade, fatores ambientais ou ambos devam influenciar no curso da doença hepática.

Metabolismo do álcool

A maior parte do álcool ingerido é metabolizado no fígado pela ação da enzima álcool desidrogenase (ADH). Esta enzima converte o álcool em acetaldeído, que mesmo em pequenas concentrações, é tóxico para o organismo. A enzima aldeído desidrogenase (ALDH), por sua vez, converte o acetaldeído em acetato. A maior parte do acetato produzido, atinge outras partes do organismo pela corrente sanguínea onde participa de outros ciclos metabólicos.

O sistema de enzimas microssomais oxidativas (SEMO) pertencem à família dos citocromos e compreendem um sistema alternativo de metabolização do álcool no fígado. O SEMO transforma o álcool em acetaldeído pela ação do citocromo P450 2E1 ou CYP2E1 presentes nas células hepáticas3.

Tipos de lesões hepáticas provocadas pelo álcool

Em indivíduos que fazem uso abusivo do álcool as doenças hepáticas mais encontradas são:

1. Esteatose alcoólica (fígado gorduroso). A deposição de gordura ocorre em quase todos os indivíduos que fazem uso abusivo e frequente do álcool. Contudo, é uma condição clínica que também pode ocorrer em indivíduos não alcoolistas, após um único episódio de uso abusivo do álcool. A esteatose corresponde ao primeiro estágio da doença hepática alcoólica. Caso o indivíduo pare de beber neste estágio, ele recuperará sua função hepática.
A esteatose também pode ocorrer em indivíduos diabéticos, obesos, com desnutrição proteica severa e usuários de determinados medicamentos.

2. Hepatite alcoólica: esta condição implica em uma inflamação e/ou destruição (ex. necrose) do tecido hepático. Os sintomas incluem: perda de apetite, náusea, vômito, dor abdominal, febre e em alguns casos, confusão mental. Embora esta doença possa levar à morte, na maior parte das vezes ela pode ser revertida com a abstinência alcoólica. A hepatite alcoólica ocorre em aproximadamente 50% dos usuários frequentes do álcool4.

3. Cirrose alcoólica: É uma forma avançada de doença hepática decorrente de um dano progressivo das células hepáticas. A cirrose costuma ser diagnosticada em 15 a 30 % dos usuários crônicos e abusivos do álcool.

Um fígado cirrótico é caracterizado por uma fibrose extensa que compromete o funcionamento do fígado podendo inclusive prejudicar o funcionamento de outros órgãos como cérebro e rins. Embora a cirrose alcoólica possa levar o indivíduo à morte em função de suas complicações (ex. falha renal e hipertensão portal), ela pode ser estabilizada pela abstinência completa do álcool3.

Estas três condições clínicas costumam estar sequencialmente relacionadas, de forma progressiva, da esteatose à cirrose. Contudo, alguns indivíduos podem desenvolver cirrose sem ter tido hepatite e algumas hepatites de início súbito e curso rápido levam à morte antes de desenvolver cirrose.

De que maneira o álcool danifica o fígado?

Há muitos mecanismos pelos quais o álcool lesa o fígado, além do que, nem todos os alcoolistas desenvolvem problemas hepáticos a despeito da quantidade de álcool consumido. Abaixo seguem alguns dos fatores de risco e mecanismos implicados no desenvolvimento de lesão hepática:

Fatores genéticos

Diferenças genéticas podem explicar o porquê de alguns alcoolistas desenvolverem cirrose e outros não. O tecido cicatricial que é formado no fígado cirrótico é composto de proteína de colágeno. Sugere-se que a estimulação para a síntese do colágeno ocorra pela ativação do gene do colágeno. Desta forma, especula-se que diferenças individuais para este gene podem estar associadas com diferenças no desenvolvimento de cirrose alcoólica entre os alcoolistas.

Variações genéticas nas enzimas que metabolizam o álcool
Os genes são responsáveis por direcionar a produção de todas as proteínas do corpo, inclusive as enzimas. Pequenas diferenças em um determinado gene (ex. polimorfismo) podem levar a pequenas diferenças na proteína correspondente mas a grandes diferenças nas atividades de uma enzima. Nenhum polimorfismo isolado para ADH esteve claramente associado a um dano hepático pelo uso do álcool, contudo, variações no ALDH estiveram envolvidas na doença hepática alcoólica.
Existem 2 tipos de alelo para o ALDH, o 2*1 e o 2*2. O alelo ALDH 2*2 está presente em aproximadamente 50 % dos descendentes de Japoneses e Chineses. Pessoas que contém este gene tendem a acumular quantidades tóxicas de acetaldeído mesmo após um uso moderado do álcool. Os sintomas deste acúmulo são: rubor facial, aumento da pressão arterial, taquicardia, dores de cabeça, náuseas e vômitos. Consequentemente estas pessoas criam uma aversão ao álcool. Pessoas em que o alelo ALDH 2*1 está pareado com o alelo ALDH 2*2 apresentam uma resposta mais amena para estes efeitos

Radicais livres e acetaldeído
Os radicais livres são fragmentos moleculares com grande poder reativo liberados durante a metabolização do álcool e que causam grande parte dos danos celulares existentes no processo de degeneração hepática.
O acetaldeído que é o primeiro produto da metabolização do álcool e parece ser importante na gênese dos radicais livres.

Gênero
Mulheres desenvolvem cirrose com doses acumuladas de álcool ao longo da vida bem menores do que os homens.
Duas teorias foram propostas para explicar estas diferenças:
A primeira envolve o ADH gástrico, ou seja, além do fígado o ADH pode ser encontrado no estômago e no intestino. Verificou-se que as mulheres apresentam uma menor atividade do ADH no estômago do que os homens, fazendo que com grande parte da metabolização do álcool, nas mulheres, ocorra no fígado. Desta maneira, uma grande porcentagem do álcool ingerido nas mulheres atingem o fígado predispondo-as à lesões hepáticas.
Outra teoria, diz respeito a uma diferença no metabolismo de ácidos graxos que poderia contribuir para um dano hepático acelerado nas mulheres. O consumo crônico do álcool inibe a maior via de metabolização dos ácidos graxos no fígado, acumulando-os e podendo provocar lesões hepáticas. A ativação de vias alternativas para a metabolização dos ácidos graxos poderia previnir a formação destas lesões, contudo, foi demonstrado em ratos que esta ativação é bem menos eficaz em fêmeas.

Dieta
Antes dos anos 70, acreditava-se que a cirrose era consequente ao déficit nutricional frequente em usuários crônicos do álcool. Com o passar do tempo, portanto, mostrou-se que o álcool, por si só, era capaz de danificar o fígado mesmo que o indivíduo estivesse nutricionalmente preservado. Atualmente, acredita-se que há uma interação entre a toxicidade do álcool e fatores nutricionais. Por exemplo, deficiências vitamínicas podem diminuir a proteção hepática frente aos radicais livres (fragmentos moleculares com grande poder reativo liberados durante a metabolização do álcool).

Infeção pelo vírus da hepatite C
A maior parte dos indivíduos com o vírus da Hepatite C apresentam sintomas leves, porém, em alguns casos, a hepatite C pode levar a uma doença progressiva do fígado, cirrose ou câncer.
A infecção pelo Vírus do Hepatite C aumenta o risco e pode influenciar na progressão de lesões hepáticas em indivíduos alcoolistas.

Café e tabaco
Alcoolistas que fumam mais de um maço de cigarro por dia apresentam um risco de cirrose 3 vezes maior do que indivíduos não tabagistas. De maneira contrária, alcoolistas que consomem mais do que 4 xícaras de café por dia apresentam uma incidência 5 vezes menor de cirrose do que os que não tomam café. A causa para esses efeitos permanece desconhecida.

Conclusões
O consumo intenso e crônico do álcool predispões à doença hepática em indivíduos susceptíveis. Contudo, o fato de apenas uma proporção destes indivíduos desenvolverem hepatite ou cirrose, indica a importância de outros fatores como a hereditariedade, gênero, dieta e outras formas de doenças do fígado influenciando o risco para a doença hepática alcoólica.
A maior parte das lesões hepáticas causadas pelo álcool são atribuídas ao metabolismo do álcool e seus produtos de metabolização.
Outras pesquisas trarão outras possibilidades de mecanismos biológicos envolvidos no dano hepático, além de alternativas de tratamento tanto de dependente ou não de álcool.

9821 – Arqueólogo encontra o projeto real da Arca de Noé


arca

O arqueólogo e curador do Museu Britânico, Irving Finkel, fazia uma apresentação sobre seu livro “A Arca Antes de Noé”, quando uma pessoa se aproximou para mostrar uma peça da coleção de seu pai, bastante interessante. Finkel, de início, pensou que fosse mais um entre os muitos objetos que costuma receber. A antiguidade da peça, contudo, o surpreendeu.
E, assim, o pesquisador levou a peça para uma análise detalhada. Conclusão: trata-se de um dos documentos mais importantes da história da humanidade. O documento de quase 4 mil anos enumera os materiais e descreve as medidas necessárias para a construção da mítica Arca de Noé, com uma precisão e engenho nunca antes vistos. Datado de 1750 a.C, o valioso objeto apresenta uma “História da Inundação”, relato que tem diversas semelhanças com a passagem bíblica do livro do Gênesis. E traz ainda a lista de materiais que Deus teria dado a Noé para a construção da arca.
Nela, há quantidades específicas (e enormes) de corda de fibra de palmeira, ripas de madeira e jarros de betume quente (mistura líquida de alta viscosidade, cor escura e é facilmente inflamável) para impermeabilizar o barco, que, de acordo com as medidas contidas no documento, teria em torno de 200 metros de comprimento, com paredes de 6 metros de altura. A informação mais curiosa é que, se a arca tiver sido realmente construída com base nas medidas e características descritas, seu formato seria redondo, uma hipótese, segundo Finkel, que ninguém havia pensado.

9820 – Qual a melhor lâmpada: incandescente, fluorescente, halógena ou led?


Até o fim deste ano, não haverá mais lâmpadas incandescentes de 100 W à venda. As versões de 60, 40 e 25 W desaparecerão gradativamente até 2016. O produto será banido por ser pouco sustentável – apenas 5% da energia consumida vira luz. Os outros 95% perdem-se em calor. “A fuorescente compacta fez fama por causa do apagão de 2001, mas os leds vieram para ficar”, avaliou o gerente de produto da Osram. Veja, abaixo, uma comparação entre os quatro tipos.

Incandescente
A versão de 60 W é, hoje, a mais vendida do Brasil. Uma de suas vantagens é a possibilidade de dimerização, característica difícil entre as concorrentes. O fluxo luminoso ocorre instantaneamente: ao ser acesa, já dá seu máximo. Seu tom amarelado é confortável aos olhos (temperatura de cor de 3000 k). Possui máximo índice de reprodução de cor (IRC): 100%. Tem vida curta: cercade mil horas. Para clarear 25 mil horas, são necessárias 25 lâmpadas (R$ 62,50). Por esse período, o gasto com energia elétrica é de 1 500 kWh, o que custa R$ 450*. Gasto total após 25 mil horas: R$ 512,50.

Halógena
Sua equivalente é a opção com 42 W, que representa uma economia de 30%. Assim como as incandescentes, aceita dimer com facilidade. Seu fluxo luminoso também é imediato. Oferece suave tom amarelado (temperatura de cor de 2700 k). Seu índice de reprodução de cor (IRC) é de 100%. Vida de aproximadamente mil horas. Trocam-se 25 lâmpadas para iluminar 25 mil horas (R$ 125). Com consumo de energia atinge 1 050 kWh, cerca de R$ 315*. Gasto total após 25 mil horas: R$ 440.

Fluorescente Compacta
Para obter o mesmo resultado de uma incandescente de 60 W, busque a versão de 15 w. Poupa-se 80% na conta de luz. No Brasil, é raro encontrar as opções que aceitam dimer. Para atingir seu máximo, pede entre um e dois minutos. Acender e apagar seguidamente reduz sua durabilidade. Há mais opções de cor – desde as brancas (6 500 k) até as amareladas (2 700 k). Tem bom IRC: 80%. Dura por volta de 8 mil horas. Apenas três lâmpadas clareiam por 25 mil horas (R$ 30). Foram gastos 375 kWh, o que equivale a R$ 112,50*. Gasto total após 25 mil horas: R$ 142,50

LED
Com apenas 10 W, ela ilumina o mesmo que a incandescente de 60 W. No fim do mês, a economia ultrapassa os 80%. As versões dimerizáveis custam quase o dobro das comuns. Logo que acende, alcança sua capacidade total de clarear. Conta com opções de cor que vão das brancas (6 500 k) até as amarelas (2 700 k). Tem bom IRC: 80%. Oferece a maior vida útil: aproximadamente 25 mil horas. Basta uma lâmpada para 25 mil horas. (R$ 50). O consumo fica em 250 kWh, cerca de R$ 75*. Gasto total após 25 mil horas: R$ 125.

*Considerando o custo de energia elétrica pelo preço de r$ 0,30 kWh, praticado na cidade de São Paulo em outubro de 2013

9819 – Mega Byte – Computadores da Nasa em Perigo


A Nasa que se cuide. Os computadores da todo-poderosa agência espacial americana já haviam sido visitados por hackers antes. Agora ficou mais complicado. Especialistas em pirataria informatizada contratados pelo Congresso americano acessaram facilmente programas que controlam satélites e naves em órbita da Terra. “Depois que entramos, poderíamos ter cortado o comando e o controle de várias missões”, afirma o relatório publicado pelo Escritório de Orçamento Geral dos Estados Unidos.

9818 – Planeta Terra- El Niño de volta em 2014


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Prepara-se: nosso planeta poderá sofrer novamente as consequências do fenômeno El Niño, de acordo com um novo estudo, publicado pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). O risco da sua ocorrência não é nada baixo: 76% para o final deste ano.
O El Niño provoca chuvas e secas anormais, além de uma oscilação de temperaturas. O fenômeno ocorre por causa do aquecimento das águas do Oceano Pacífico e pela redução de ventos na região equatorial. Essas alterações climáticas no planeta poderão fazer com que 2015 seja um dos anos mais quentes desde o século XIX.
A pesquisa tem como base um novo método de previsão do El Niño. Foi usado um índice que compara as temperaturas do ar na área onde o fenômeno acontece normalmente com as demais temperaturas do Oceano Pacífico. Desta forma, seria possível fazer uma previsão com maior tempo de antecedência, já que, pela medição tradicional, este tipo de evento e sua gravidade só poderiam ser previstos com uma antecedência de seis meses.

9817 – A Morte da Terra


Segundo um estudo astronômico da Universidade St. Andrews da Escócia, dentro de 5 milhões de anos, o Sol esgotará todo o seu combustível nuclear, transformando-se em um Gigante Vermelho. Sua superfície se expandirá até engolir diversos planetas, inclusive o nosso. Entretanto, um pouco antes disto, em torno de 2 milhões de anos, a superfície terrestre estará tão aquecida que os oceanos entrarão em ebulição. Nesta época, a vida estará restrita a um seleto grupo de micróbios que eventualmente também desaparecerão, no momento em que a Terra registrar uma temperatura de 140° Celsius; temperatura alta o suficiente para romper as cadeias moleculares de DNA. Pesquisadores calcularam este prognóstico utilizando cálculos de reações químicas em escalas siderais, estabelecendo, com a subida paulatina da temperatura, o tempo com que a produção do vapor e o fluxo constante de carbono (CO2) afetarão a atmosfera. As primeiras vítimas mortais serão as plantas, incapazes de resistir aos níveis de carbono. Imediatamente em seguida morrerão os animais, que dependem das plantas para sua alimentação e respiração. De acordo com este estudo, a evolução da vida nestas condições é praticamente imprevisível, até porque a Mãe Natureza pode ter alguns coringas na manga e combater os futuros efeitos climáticos extremos.

9816 – Sistema solar “gêmeo” é descoberto


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Astrônomos de todo o mundo conseguiram identificar um sistema solar “gêmeo” do nosso, com sete planetas. A descoberta se se trata do sistema planetário que orbita a estrela KIC 11442793, residente há 2.500 anos luz do nosso Sol, na constelação de Cisne.
O que impressionou astronomos do mundo inteiro foi o encontro do sétimo planeta dentro deste sistema, o que trouxe outra dimensão a sua relevância no âmbito da astronomia.
Apesar de contar com um planeta a menos, o sistema gêmeo apresenta traços muito semelhantes ao nosso sistema planetário entre os quais destacam-se dois planetas parecidos com a Terra, três super-Terras e dois corpos gasosos imensos. Além disto, tal como ocorre em nosso sistema, quanto menor o planeta, mais próximo orbita de sua estrela. O planeta recentemente descoberto tem quase três vezes o diâmetro da Terra e ocupa o quinto lugar de sua formação, da estrela para fora (espaço). Por sua dimensão, este planeta leva apenas 125 dias para completar uma volta em torno de sua estrela.
Uma das coisas mais interessantes desta descoberta foi a participação fundamental de um grupo de astrônomos amadores que colaborou através do site Planet Hunters, processando inúmeros dados obtidos pelo telescópio Kepler, durante sua investigação espacial.

9815 – Nó na cabeça dos físicos – No frio exagerado, o gelo derrete


Acima de 100 graus Celsius, a água é um gás. Até 0 grau, um líquido. E abaixo disso, um sólido. Certo? Nem sempre. No vácuo quase absoluto, abaixo de 113 graus negativos, o gelo volta a derreter. E permanece no estado líquido até os 123 graus negativos. Foi o que observou o físico Bruce Kay, do Laboratório Nacional Pacífico Noroeste, no Estado de Washington, Estados Unidos. Ele depositou vapor d´água em uma lâmina superfria. “Em vez de obter cristais de gelo, formaram-se gotículas líquidas”. As gotas só congelaram quando a temperatura foi elevada de 123 para 113 graus negativos. Os cientistas não sabem ainda explicar direito por que isso acontece.

9814 – Astronomia e suas verdades transitórias – A Família de um Gigante Azulado


Até então, o campeão no número de satélites, era Saturno. O planeta dos anéis contava com dezoito satélites naturais descobertos até meados da década de 1990. Pois seu vizinho Urano, igualmente gasoso e gigante, de um belo tom azul esverdeado, empatou, há alguns anos, na primeira posição. O responsável pela mudança fora o astrônomo Erich Karkoschka, da Universidade do Arizona. Ele comparou fotos antigas batidas pela nave Voyager 2 com outras, mais recentes, tiradas pelo telescópio espacial Hubble, e achou uma manchinha invisível a olhos menos atentos ou menos treinados. O pequeno corpo foi batizado temporariamente com a sigla S/1986 U10. Ele percorre uma órbita semelhante à de outra lua de Urano, Belinda.
Anos depois foram descobertos mais dezenas de satélites em Saturno.

Saturn-map

Saturno é o planeta do sistema solar com o segundo maior número de luas ou satélites naturais, sendo Titã a única lua do sistema solar com uma atmosfera importante.

Os satélites maiores, conhecidos antes do começo da exploração espacial são: Mimas, Encélado, Tétis, Dione, Reia, Titã, Hiperião, Jápeto e Febe. Encélado e Titã são mundos especialmente interessantes para os cientistas planetários, primeiramente pela existência de água líquida a pouca profundidade de sua superfície, com a emissão de vapor de água através de geysers. Em segundo porque possui uma atmosfera rica em metano, bem similar a da terra primitiva.

Outras 30 luas de Saturno possuem nome, mas o número exato de satélites ainda é incerto, pois existe uma grande quantidade de objetos que orbitam este planeta. No ano 2000, foram detectados 12 satélites novos, cujas órbitas sugerem ser fragmentos de objetos maiores capturados por Saturno. A missão Cassini-Huygens também encontrou novas luas.

Eis todas as 61 luas conhecidas de Saturno até o momento:


Dafne
Atlas
Prometeu
Pandora
Epimeteu
Jano
Aegaeon
Mimas
Methone
Anthe
Palene
Encélado
Tétis
Telesto
Calipso
Dione
Helene
Polideuces
Reia
Titã
Hipérion
Jápeto
Kiviuq
Ijiraq
Febe
Paaliaq
Skathi
Albiorix
Bebhionn
Erriapo
Skoll
Siarnaq
Tarqeq
Greip
Hyrrokkin
Jarnsaxa
Tarvos
Mundilfari
Bergelmir
Narvi
Suttungr
Hati
Farbauti
Thrymr
Aegir
Bestla
Fenrir
Surtur
Kari
Ymir
Loge
Fornjot
S/2004 S07
S/2004 S12
S/2004 S13
S/2004 S17
S/2006 S1
S/2006 S3
S/2007 S2
Daman

9813 – Engenharia Genética – Alimento Transgênico


transgenicos-obtencao

Esta é para engrossar o coro dos que são contra as plantas transgênicas: um tipo de milho alterado pela adição de genes de bactéria parece estar eliminando borboletas nos Estados Unidos. Nos testes, a mudança não causou nenhum mal nem ao homem nem às abelhas que passeiam pelo milharal. Mas as borboletas não escapam do pólen tóxico, que acaba sendo jogado pelos ventos sobre as folhas de outras plantas. No Brasil, por enquanto, não há nenhum milho transgênico com bactérias sendo plantado.

Transgênese é o processo de introdução de um gene exógeno – chamado de transgene – em um organismo vivo, de modo que esse organismo passe a expressar uma nova propriedade e transmita essa propriedade à sua descendência. A transgênese pode ser facilitada por lipossomas, vetores plasmídeos, vetores virais, injeção pronuclear, fusão de protoplastos e canhão de DNA.
Organismos transgênicos são aqueles que receberam materiais genéticos de outros organismos, mediante o emprego de técnicas de engenharia genética. A geração de transgênicos visa obter organismos com características novas ou melhoradas relativamente ao organismo original. Resultados na área de transgenia já são alcançados desde a década de 1970, quando foi desenvolvida a técnica do DNA recombinante. A manipulação genética combina características de um ou mais organismos de uma forma que provavelmente não aconteceria na natureza. Assim podem ser combinados os DNAs de organismos que não se cruzariam por métodos naturais.
Frequentemente há uma certa confusão entre organismos transgênicos e Organismos Geneticamente Modificados (OGM), e os dois conceitos são tomados, de forma equivocada, como sinônimos. Ocorre que OGMs e transgênicos não são sinônimos. Todo transgênico é um organismo geneticamente modificado, mas nem todo OGM é um transgênico. OGM é um organismo que teve o seu genoma modificado em laboratório, sem todavia receber material genético (RNA/DNA) de outro organismo. Transgênico é um organismo foi submetido a técnica específica de inserção de material genético (trecho de RNA|DNA) de outro organismo (que pode até ser de espécie diferente).

Alimentos transgênicos
São alimentos produzidos a partir de organismos cujo embrião foi modificado em laboratório, pela inserção de pelo menos um gene de outra espécie. Alguns dos motivos de modificação desses alimentos são para que as plantas possam resistir às pragas (insetos, fungos, vírus, bactérias e outros) e a herbicidas. O mau uso de pesticidas pode causar riscos ambientais, tais como o aparecimento de plantas resistentes a herbicidas e a poluição dos terrenos e lençóis de água. O uso de herbicidas, inseticidas e outros agrotóxicos pode diminuir com o uso dos transgênicos, já que eles tornam possível o uso de produtos químicos corretos para o problema. Uma lavoura convencional de soja pode utilizar até cinco aplicações de herbicida, enquanto que uma lavoura transgênica Roundup Ready (resistência ao herbicida glifosato) utiliza apenas uma aplicação.
É estimado que a área de cultivo deste tipo de variedades esteja com uma taxa de crescimento de 13% ao ano. A área total plantada é já superior a 100 milhões de hectares, sendo os principais produtores os Estados Unidos, o Canadá, o Brasil, a Argentina, a China e a Índia. Vários países europeus, entre os milhões de hectares de culturas transgênicas. As culturas prevalentes são as de milho, soja e algodão, baseadas principalmente na tecnologia Bt.
Atualmente existe um debate bastante intenso relacionado à inserção de alimentos geneticamente modificados (AGM) no mercado. Alguns países, como o Japão, rejeitam fortemente a entrada desses alimentos, enquanto que outros países asiáticos, norte e sul-americanos permitem a comercialização de AGMs.

Desde 2004, após seis anos de proibição, a União Europeia autorizou a importação de produtos transgênicos. No dia 2 de março de 2010, a União Europeia aprovou o plantio de batata e milho transgênicos no continente, após solicitações dos Estados Unidos. A batata transgênica será destinada para a fabricação de papel, adesivos e têxteis. O milho atenderá a indústria alimentícia. Cada país da União Europeia poderá ser responsável pelo cultivo transgênico em suas fronteiras em votação marcada para o meio do ano.
Várias informações contraditórias têm sido lançadas de diversos setores quanto aos potenciais danos que os organismos transgénicos possam provocar nos seus consumidores.
Em 1998, o investigador Árpád Pusztai e a sua equipe lançaram o pânico na Europa, ao afirmar que tinham obtido resultados que demonstravam o efeito nefasto de batata transgénica, quando presente na alimentação de ratos. Quando estes resultados foram publicados verificou-se que o referido efeito tinha sido devido ao transgene inserido nessas batatas ser de uma lectina, que por si só tem um efeito tóxico no desenvolvimento dos mamíferos. Estes investigadores sofreram pesadas críticas da classe política e da comunidade científica em geral. No entanto, ainda há alguma controvérsia quanto à interpretação dos resultados destes autores, opondo organizações não governamentais a alguns cientistas.
Outro caso de um estudo acerca do potencial efeito de transgénicos na saúde pública foi o de Gilles-Eric Séralini, Dominique Cellier e Joël Spiroux de Vendomois (2007).
Tal discussão acentuou a polêmica sobre quem deve ser responsável pela avaliação do impacto deste tipo de produtos. O fato de algumas avaliações serem feitas pelas próprias empresas que os produzem tem levantado grande indignação por parte de organizações ambientalistas. O Painel OGM responsável pela avaliação dos transgénicos da European Food Safety Authority foi também criticado por vários estados-membros, casos da Itália e a Áustria, que acusam este painel de cientistas de parcialidade.

Algumas das críticas que os transgénicos têm recebido têm a ver com a potencial reação alérgica dos animais/humanos a estes alimentos. O caso mais conhecido foi a utilização de um gene de uma noz brasileira com vista ao melhoramento nutricional da soja para alimentação animal. A noz em causa era já conhecida como causadora de alergia em determinados indivíduos. O gene utilizado para modificação da soja tinha como função aumentar os níveis de metionina, um aminoácido essencial. Estudos realizados verificaram que a capacidade alergênica da noz tinha sido transmitida à soja 14 , o que levou a que a empresa responsável terminasse o desenvolvimento desta variedade.

Mais recentemente, investigadores portugueses do Instituto de Tecnologia Química e Biológica, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, e do Instituto Superior de Agronomia, entre outros, testaram a resposta alérgica de diversos pacientes à alimentação com milho e soja transgênica. Este estudo não detetou qualquer diferença na reação às plantas transgênicas, quando comparada com as plantas originais.

Impacto na economia
Grande parte das polêmicas originadas com a questão dos transgênicos está diretamente relacionada a seu efeito na economia mundial. Países atualmente bem estabelecidos economicamente e que tiveram sua economia baseada nos avanços da chamada genética clássica são contra as inovações tecnológicas dos transgênicos. A Europa, por exemplo, possui uma agricultura familiar baseada em cultivares desenvolvidos durante séculos e que não tem condições de competir com países que além de possuir grandes extensões de terra, poderiam agora cultivar os transgênicos. Para além disso, localizam-se em espaço europeu muitas das empresas produtoras de herbicidas e pesticidas, que são peças importantes na aceitação ou não de variedades agrícolas que possam comprometer os seus negócios.
É também utilizado o argumento de que o cultivo de transgênicos poderia reduzir o problema da fome, visto que aumentaria a produtividade de variadas culturas, nomeadamente cereais. Porém, muitos estudos, inclusive o do ganhador do Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, Amartya Sen, revelam que o problema da fome no mundo hoje não é ligado à escassez de alimentos ou à baixa produção, mas à injusta distribuição de alimentos em função da baixa renda das populações pobres. Dessa forma questiona-se a alegação de que a biotecnologia poderia provocar uma redução no problema da fome no mundo.

transgenia de plantas(1)